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GASOMETRIA ARTERIAL A Resolução do Cofen nº 390/2011 normatiza a punção arterial e reafirma que, no âmbito da enfermagem, esse é um procedimento privativo do enfermeiro, tendo em vista que é complexo e exige do profissional competência técnico-científica, a fim de que sejam tomadas decisões imediatas quando necessário. DEFINIÇÃO A gasometria arterial é um exame de sangue coletado a partir de uma artéria, com o objetivo de avaliar os gases apresentados na corrente sanguínea. Os principais parâmetros que observamos no exame gasometria arterial são: pressão de oxigênio (PaO2), pressão de dióxido de carbono (PaCO2), acidez (pH), saturação de oxigênio (SaO2), concentração de bicarbonato (HCO3) e ânion GAP (AG) no sangue arterial. O que mais podemos medir no exame de gasometria arterial? PODE-SE MEDIR, TAMBÉM, A DEPENDER DO APARELHO E MÉTODO UTILIZADO NÍVEIS DE METAHEMOGLOBINA, CARBOXIHEMOGLOBINA, HEMOGLOBINA, ÁCIDO LÁTICO(LACTATO), E ATÉ ELETRÓLITOS. Quais os principais parâmetros observados na gasometria? pH SatO2 (saturação de oxigênio) pCO2 (pressão parcial do gás carbônico) HCO3 (bicarbonato) Avaliação do estado ácido básico do Organismo Como sabemos se o sangue na hora da coleta é arterial ou venoso? HOMEOSTASE ACIDOBÁSICA O equilíbrio do pH sanguíneo é mantido entre 7,35 e 7,45, graças ao tamponamento químico intra e extracelular, bem como à ação de mecanismos reguladores respiratórios e renais. O SNC e os sistemas respiratório e renal trabalham juntos para controlar a PaCO2 e o bicarbonato plasmático, estabilizando o pH arterial através da excreção ou retenção adequada de ácidos ou bases. A equação de Henderson-Hasselbalch (abaixo) descreve a regulação do pH sistêmico pelos componentes metabólico e respiratório: (0,0303× PaCO2) Essa fórmula demonstra que o pH é diretamente proporcional à concentração de HCO3 sérica, de modo que, situações que envolvem o aumento de bicarbonato geram um aumento do pH e situações que reduzem o bicarbonato também reduzem o pH. Além disso, o pH é inversamente proporcional à PaCO2. Então, quando há aumento de PaCO2, ocorre redução do pH e quando a PaCO2 diminui, o pH aumenta. pH = 6,1 + log HCO3 Figura 1. Relação pH x HCO3 e pH x PaCO2. Fonte: SANARFLIX. Assim, a redução do pH (7,45) caracteriza a alcalose. TIPOS DE DISTÚRBIOS ACIDOBÁSICOS Os desequilíbrios ácido-base podem ser categorizados em simples ou mistos. Os distúrbios clínicos mais comuns são os desequilíbrios ácido-base simples, como acidose ou alcalose metabólica, ou acidose ou alcalose respiratória. Os desequilíbrios ácido-base mistos, que são definidos como distúrbios indepen- dentes coexistentes, podem ser observados em pacientes em unidades de terapia intensiva e podem resultar em níveis perigosos de pH. Para o diagnóstico de desequilíbrios ácido-base mistos, é necessário levar em conta o ânion gap. Alguns exemplos de desequilíbrios ácido-base mistos incluem acidoses e alcaloses mistas, acidose metabólica + alcalose respiratória, ou alcalose metabólica + acidose respiratória. Inicialmente, é preciso relembrar que, no sangue, devemos ter a mesma quan- tidade de ânions e cátions, para então, ter uma carga neutra. Nomeando as substâncias, temos que o principal cátion sérico é o sódio (Na+) e os principais ânions séricos são o HCO3 e o cloro (Cl-). No entanto, existem outros ânions no sangue, como o lactato, proteínas aniônicas (p ex. albumina), os cetoácidos e os sulfatos/fosfatos, por exemplo. O AG é justamente o valor de ânions no sangue, desconsiderando o cloro e o bicarbonato. Como o AG normal de 10 mmol/L implica que a albumina sérica (que faz parte do AG) seja normal, se houver hipoalbuminemia, o valor de AG deve ser corrigi- do. Isso pode ser feito através da fórmula: AG corrigido = AG calculado + 2,5 x (valor de referência da albumina – albumina mensurada). O que é ânion gap (AG)? Ele é calculado por: AG = Na+ – (HCO3– + Cl–). Adota-se como valor de referência 6 a 12 mEq/L, com média de 10 mEq/L. 7,35-7,45 Alcalemia Acidemia TIPOS DE DISTÚRBIOS ÁCIDO-BASE Distúrbios ácido-base Simples Misto Triplo Alcalose metabólica Acidose metabólica + alcalose respiratória Acidose mista + alcalose metabólica Acidose metabólica Acidose respiratória + alcalose metabólica Alcalose mista + acidose metabólica Acidose mista + alcalose metabólica Alcalose mista + acidose metabólica Acidose respiratória A acidose causada por aumento da PaCO2 recebe o nome de acidose respiratória. Nesse distúrbio, existe uma dificuldade de ventilação do paciente, levando a uma hipoventilação e, consequente, hipercapnia, ou seja, aumento de dióxido de carbono no sangue. Laboratorialmente, na fase descompensada, encontra-se PaCO2 elevada (acima de 40 mmHg). CAUSAS Acidose metabólica A acidose causada por redução de HCO3 é chamada acidose metabólica. As etiologias comuns incluem as cetoacidoses, acidose láctica, intoxicação (salicilatos, etilenoglicol e metanol) e insuficiência renal. Existem duas categorias principais de acidose metabólica clínica: com AG elevado e sem AG. As causas mais prevalentes de acidose com AG elevado são: acidose lática, cetoacidose, ingesta de toxinas e lesão renal aguda e doença renal crônica. Já a acidose sem AG pode ocorrer pela perda de alcalis, a partir do trato gastrintestinal, como resultado de diarreia; ou, a partir dos rins, devido a distúrbios tubulares renais. Sinais e sintomas da acidemia O acúmulo de ácido no corpo pode gerar inúmeros acometimentos. No sistema cardiovascular, pode causar redução do débito cardíaco, maior risco de arritmias ven- triculares, vasodilatação arterial e uma pior resposta às catecolaminas. No sistema pulmonar, pode cursar com aumento da frequência respiratória, aumento do esforço respiratório (podendo levar à fadiga muscular e insuficiência respiratória), re- dução da afinidade do complexo hemoglobina-oxigênio – ou seja, dificulta o carreamento de O2 para os órgãos – e vasoconstricção pulmonar, levando à hipertensão pulmonar. Nos rins, a acidemia promove uma maior demanda renal de O2, hipercalemia, aumento na produção renal de amônia (excreção de ácido) e diurese osmótica. Por fim, podem acontecer outras manifestações, como vasodilatação cerebral, podendo levar à hipertensão intracraniana, náuseas, vômitos, redução da perfusão esplâncnica, coagulopatia e disfunção plaquetária. ALCALOSE A alcalose é uma excessiva alcalinidade sanguínea, ou seja, pH superior a 7,45, pro- vocada por um excesso de bicarbonato no sangue ou pela perda de ácido no sangue. Alcalose respiratória A alcalose causada por diminuição da PaCO2 recebe o nome de alcalose respirató- ria. Nesse distúrbio, o paciente está hiperventilando e, consequentemente, apresenta hipocapnia, ou seja, uma redução de CO2 no sangue. Os três principais mecanismos envolvidos nisso são: dor; gestação, uma vez que o aumento abdominal da gravidez leva a um comprometimento da função diafragmática, gerando uma alcalose respiratória compensatória; e pneumonia, pela ocupação alveolar por secreção. Outras etiologias consistem em distúrbios ansiosos, insuficiência cardíaca grave, febre, hipoxemia, sepse, delirium tremens, salicilatos, insuficiência hepática, hiperven- tilação mecânica e lesões do SNC. A alcalose respiratória grave pode provocar tonturas, parestesias, formigamento nas extremidades, palpitações, tremores e sudorese, além de tetania.da equação será 1, significando que temos apenas uma acidose metabólica com AG aumentado. Se o valor do delta/delta for 2 significa que está ocorrendo um grande aumento do AG com pouca redução do HCO3, ou seja, o HCO3 não reduziu proporcionalmente à elevação do AG, mostrando que existe retenção de HCO3. Nesse caso, há uma alcalose metabólica concomitante. COFEN/RESOLUÇÃO COFEN Nº 390/2011 – REVOGADA PELA RESOLUÇÃO COFEN Nº 703/2022- Normatiza a execução, pelo enfermeiro, da punção arterial tanto para fins de gasometria como para monitorização de pressão arterial invasiva. INTERPRETAÇÃO DA GASOMETRIA ARTERIAL/Autor: Péricles Duarte Artmed- secad. https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/interpretacao-da-gasometria-arterial Rocco JR. Diagnóstico dos distúrbios do metabolismo ácido-base. Revista Brasileira de Terapia Intensiva. 2003 out./dez.; 15(4): x-y. Rose BD, Post TW. Clinical physiology of acid-base and electrolyte disorders. 5th ed. New York: McGraw-Hill, 2001. Song ZF, et al. The incidence and types of acid-base imbalance for critically ill patients in emergency. Hong Kong Journal of Emergency Medicine. 2012 Jan.;19(1): x-y. Theodore AC. Arterial blood gases. xxxx xxx. xx [citado em xx xxx. 2022]. In: UpToDate [Internet]. [S.l.]: [S.n.]; 2022. Disponível em: https://www.uptodate.com. REFERÊNCIAS Estudem como se prova fosse amanhã. image1.png image2.png image3.svg image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.jpeg image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png image27.png image28.png image29.png image30.png image31.png image32.png image33.png image34.png image35.png image36.png image37.png image38.png image39.png image40.png image41.png image42.pngda equação será 1, significando que temos apenas uma acidose metabólica com AG aumentado. Se o valor do delta/delta for < 1, significa que a variação do AG foi menor que a variação do HCO3, ou seja, o AG elevou e o HCO3 reduziu muito. O que explica isso é o aumento do Cl. Desse modo, existe uma acidose metabólica com AG aumentado e acidose metabólica hiperclorêmica. Já se o ânion gap for > 2 significa que está ocorrendo um grande aumento do AG com pouca redução do HCO3, ou seja, o HCO3 não reduziu proporcionalmente à elevação do AG, mostrando que existe retenção de HCO3. Nesse caso, há uma alcalose metabólica concomitante. COFEN/RESOLUÇÃO COFEN Nº 390/2011 – REVOGADA PELA RESOLUÇÃO COFEN Nº 703/2022- Normatiza a execução, pelo enfermeiro, da punção arterial tanto para fins de gasometria como para monitorização de pressão arterial invasiva. INTERPRETAÇÃO DA GASOMETRIA ARTERIAL/Autor: Péricles Duarte Artmed- secad. https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/interpretacao-da-gasometria-arterial Rocco JR. Diagnóstico dos distúrbios do metabolismo ácido-base. Revista Brasileira de Terapia Intensiva. 2003 out./dez.; 15(4): x-y. Rose BD, Post TW. Clinical physiology of acid-base and electrolyte disorders. 5th ed. New York: McGraw-Hill, 2001. Song ZF, et al. The incidence and types of acid-base imbalance for critically ill patients in emergency. Hong Kong Journal of Emergency Medicine. 2012 Jan.;19(1): x-y. Theodore AC. Arterial blood gases. xxxx xxx. xx [citado em xx xxx. 2022]. In: UpToDate [Internet]. [S.l.]: [S.n.]; 2022. Disponível em: https://www.uptodate.com. REFERÊNCIAS Estudem como se prova fosse amanhã. image1.png image2.png image3.svg image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.jpeg image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png image27.png image28.png image29.png image30.png image31.png image32.png image33.png image34.png image35.png image36.png image37.png image38.png image39.png image40.png image41.png image42.png