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Biofilmes orais → Biofilmes: comunidades de microrganismos altamente organizados, embebidos em uma matriz orgânica acelular, e seus constituintes se tornam fenotipicamente diferentes dos seus pares não aderidos. • O genoma continuará o mesmo, só mudará o fenótipo. • 95% das bactérias existentes na natureza estão em biofilmes. • O tártaro é formado por microrganismos calcificados, e suas rugosidades podem gerar um biofilme. → O biofilme na superfície dental é o sinônimo de placa dental. Arquitetura do biofilme dental → Microcolônias com aspecto de pilares ou cogumelos. → Sistemas de canais que favorece o fluxo de nutrientes, produtos de excreção, enzimas, metabólitos e oxigênio. → Matriz funcional, formada por polímeros extracelulares (bacterianos e do hospedeiro). • Ajuda na colonização, proteção das defesas do hospedeiro e dessecação. • Começa a surgir a partir da aderência dos microrganismos. • Pode ser removido mais facilmente se não houver sacarose. Vantagens para os microrganismos que vivem em biofilmes orais → (1) Persistência em ecossistemas com fluxo → (2) Heterogeneidade espacial e ambiental • Ampla variedade de habitats • Diversidade de superfícies para adesão • Diversidade nutricional • Diversidade de concentração de oxigênio (oxidação) • Diversidade de pH. → (3) Maior tolerância (fenotípico) e resistência (genotípico) bacteriana. Tolerância: • Penetração reduzida dos agentes antimicrobianos o Ocorre dissolução do agente na parte superficial do biofilme. • Menor taxa de crescimento das bactérias • Presença de células persistentes ou dormentes • Presença de eDNA (quelante), é o DNA extracelular que traz tolerância. Resistência: • Transferência horizontal de genes. → (4) A proximidade das bactérias e a arquitetura e disposição espacial do biofilme possibilitam a expressão de um conjunto de genes que resulta em fenótipos diferentes de seus pares planctônicos (livres). • Aquisição de novos genes (alteração genotípica); • Modulação na expressão de genes (mRNA) (alteração fenotípica). → (5) Metabolismo mais eficiente • Compartilhamento ou complementação enzimática; • Maior disponibilidade de nutrientes; • Ocorre relações metabólicas entre bactérias orais do biofilme dental; • Muitos microrganismos do biofilme não são cultiváveis. → (6) Sinalização célula-célula, em que os microrganismos se comunicam entre si por sinais químicos que desencadeiam mecanismos de produção de novas proteínas e enzimas. → Há uma rede complexa de moléculas sinalizadoras produzidas por bactérias orais, formada por moléculas pequenas, difusíveis e efetoras. Peptídeos estimuladores de competência (CSP) → Pequenos peptídeos, produzidos por bactérias gram + e sua produção influenciada pelo pH. Al-2 (Quorun Sensing) → Mediada por moléculas auto-indutoras (AI), produzidos por gram + e -. → Possui sinalização intraespecífica e interespecífica. Competência → Formação de biofilme; → Liberação de DNA e eDNA; → Produção de bacteriocinas; → Resistência ao stress; → S. mutans e S. gordonii Mutualismo → Formação de biofilme; → Porphyromonas gingivalis → Prevotella intermedia → Fusobacterium nucleatum → A sinalização célula-célula capacita os microrganismos a sentir e a se adaptar a várias situações de stress ambiental, regulando a expressão de genes que influenciam a capacidade de patógenos de sobreviverem e causarem doenças. Película adquirida do esmalte (PA) → Camada acelular de proteínas que se ligam rapidamente à hidroxiapatita quando exposta à cavidade oral. → É a base para o subsequente desenvolvimento da placa dental. → É composta por: • Glicoproteínas (mucinas e aglutininas); • Proteínas ricas em prolina e estaterina; • Amilase, lisozima, IgA-s e lactoferrina; • Glicosiltransferases (Gtfs) e glucanos, sendo estes provenientes das bactérias. → Possui muitas cargas elétricas negativas. → A diferença de espessura da película nas diferentes regiões se dá devido a diferença de fluxo salivar de cada região e devido às diferentes forças de atrito entre as superfícies. • Na face palatina dos dentes anteriores superiores, a espessura é menor. • Já na face lingual dos dentes posteriores inferiores, a espessura é maior. • Também difere de acordo com o indivíduo, região e tempo. → Favorece a remineralização (troca de íons cálcio, fosfato e fluoreto) e evita a desmineralização. → Possui permeabilidade seletiva, protegendo de ácidos (da desmineralização). → Previne a formação de cálculo dentário (placa mineralizada pela precipitação de cálcio e fosfato). → Promove lubrificação dos dentes, protegendo o contato com dentes antagônicos, tecidos moles e alimentos abrasivos. → Protege contra erosão. → O prejuízo da película adquirida são os sítios para adesão bacteriana. Serve como base para o biofilme. → As funções biológicas indicadas resumidamente são: • Lubrificação da superfície do esmalte; o Mucinas e proteínas ricas em prolina • Regulação da homeostase mineral; o Diminui desmineralização pelo retardamento de passagem de substâncias com carga elétrica • Atividade antimicrobiana; o Lisozima, lactoferrina, lactoperoxidase e IgA-S • Determina a colonização bacteriana. o Adesinas bacterianas reconhecem receptores que estão na película. Placa dental → Biofilme complexo que se desenvolve na superfície dos dentes e é um precursor de cárie e de doenças periodontais. Etapas e formação do biofilme dental → (1) Fase de colonização inicial • Adesão de microrganismos à superfície da PA (película adquirida). → (2) Fase de acumulação e maturação do biofilme • Crescimento bacteriano em Microcolônias sésseis e sucessão microbiana. → (3) Fase de dispersão • Bactérias são liberadas e podem colonizar outras superfícies. (1) Fase de colonização inicial → Predominam ligações de bactérias à PA. • Exemplo: S. sanguinis, muito presente na saliva → Células planctônicas (livres) ligam-se à superfície dental por ligações de baixa afinidade e baixa eficiência. • São as forças de Van der Waals e hidrofóbicas. • Até então é reversível. → Células adsorvidas ligam-se à superfície da PA pelas interações de maior afinidade e eficiência, usando Adesinas específicas e seus respectivos receptores. • Já é irreversível. → Os colonizadores iniciais principais são: • Streptococcus spp o S. gordonii o S. sanguinis o S. oralis o S. mitis o S. cristatus o S. mutans (não é um bom colonizador inicial) • Actinomyces spp • Veillonella spp. • Gemella spp. • Granulicatella spp. • Kingella spp. Mecanismos de adesão inicial → Adesinas • Lectinas para receptores de oligossacarídeos • Proteína para receptores de proteínas • Interações iônicas ou hidrofóbicas Locais preferenciais de colonização → Espécies • S. sanguinis em superfícies lisas vestibular ou lingual/palatina • Actinomyces spp na margem gengival • S. mutans em superfícies lisas interproximais (2) Fase de acumulação e maturação do biofilme → Desenvolvimento de microcolônias a- Divisão celular b- Aderência interbacteriana (coadesão de novas bactérias) c- Crescimento rápido d- Aumento da diversidade (sucessão) e- Maturação -> comunidade em equilíbrio Mecanismos de coadesão → Através de polissacarídeos extracelulares (PEC) • S. mutans + S. mutans • Actinomyces + Actinomyces • Coadesão intraespecífica (da mesma espécie) → Através de componentes da saliva e fluido gengival • S. sanguinis + S. sanguinis • S. gordonii + S. gordonii • S. oralis + S. oralis • Actinomyces spp + Actinomyces spp • Coadesão intraespecífica (da mesma espécie) → Através de constituintes de superfície de bactérias de diferentes espécies associados a fibrilas (adesinas e receptores) • S. gordonii + P. gingivalis • S. sanguinis + Fusobacterium nucleatum • Coadesão interespecífica e intergenéricao Aumento da diversidade • Espigas de milho, rosetas, cepilhos Maturação do biofilme → Sucessão ecológica -> formação da placa dental madura. • A placa se torna anaeróbia à medida que amadurece. • Há presença de Corynebacterium matruchotti como espiga de milho e ouriços na placa dental madura. → Há muitos outros fatores envolvidos na formação de biofilme, como Quorum Sensing, eDNA e proteínas tipo amiloides. (3) Fase de dispersão → Bactérias associadas ao biofilme são liberadas, retornam à existência planctônica e podem colonizar outras superfícies. → Os mecanismos de dispersão dependem dos mecanismos da formação. Quorum Sensing → É um mecanismo que capacita a comunicação microbiana. → Baseado na constante secreção de moléculas de sinalização para o ambiente. → Serve principalmente para a regulação de processos vitais na célula, como produção de fatores de virulência e formação de biofilme. Quorum Quenching → Uma alternativa para as terapias antimicrobianas (contornando a resistência a antibióticos), que interrompe a comunicação microbiana. → Podem diminuir ou inibir completamente a produção de fatores de virulência, incluindo a formação de biofilme. → Algumas estratégias são o uso de análogos estruturais de receptores autoindutores (Ais) de QS. → Eles podem estar na natureza ou serem sintetizados quimicamente. Proteínas tipo amiloides → S. mutans: participação da proteína P1 na formação de fibras amilóides que ajudam a ancorar o biofilme. → Incorporação de D-aminoácidos na parede celular, como D-tirosina, D-leucina etc. → Liberação de fibras amiloides bacterianos ancorados pela matriz extracelular. → Dispersão do biofilme de S. mutans.