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MECANISMOS DE AGRESSÃO E DEFESA EM ODONTOLOGIA ❖ Saúde: Bem-estar mental, físico e social. Não é necessariamente a ausência de doença ou enfermidade. ❖ Doença: Interrupção da saúde, manifestado por anormalidades e distúrbios de funcionamento. ❖ Patologia: Estudo das doenças. ❖ Cerne da patologia: Causa/etiologia → patogenia/mecanismos da doença → alterações morfológicas → fisiopatologia. • Causa/etiologia: É a razão levou ao surgimento da lesões ou doença. De origem genética/intrínseca (DNA); adquirida/extrínseca (meio externo, nutricional, infecciosa); unifatorial/multifatorial (fatores etiológicos e agentes etiológicos). • Patogenia/mecanismos da doença: É a explicação do desenvolvimento da doença desde o primeiro contato com o agente etiológico, até o final da doença, por meio da explicação de alterações celulares e moleculares, além de anormalidades funcionais e estruturais. • Alterações morfológicas: Alterações estruturais nas células e tecidos que são características da doença. • Fisiopatologia: São as consequências da doença, os sinais e sintomas apresentados pelo indivíduo no decorrer da doença. ❖ Sinais e sintomas: Alterações funcionais e estruturais ligadas à doença. • Sintomas: Queixa subjetiva percebida pelo indivíduo. Ex: tontura; dificuldade para respirar. • Sinais: Sinais possíveis de ser observados por outra pessoa além do indivíduo. Ex: temperatura elevada; pupila dilatada. CONCEITOS GERAIS EM MICROBIOLOGIA TAXONOMIA ❖ Taxonomia: Classifica os seres vivos de acordo com suas semelhanças. ❖ Curiosidade: Existe uma grande diversidade de organismos vivos; estima-se que apenas 10% foram descobertos, classificados e identificados. ❖ Classificação (menos inclusivo ao mais inclusivo): Espécie → gênero → família → ordem → classe → filo → reino. ❖ Domínios: Procariontes (reino monera). Eucariontes (reino protista, fungi, plantae, animalia). ❖ Reinos: Plantae, fungi, animalia, protista, monera. ❖ Microbioma: Sobre toda superfície, inclusive sobre o corpo humano, existem bactérias, fungos, vírus e outros microorganismos. BACTÉRIAS ❖ Tipos de bactérias: Micoplasmas, cianobactérias, espiroquetas, Archaea, Rickettsia, gram-positivas, gram- negativas. ❖ Características dos procariotos: Sem organelas revestidas por membrana (sem mitocôndrias, lisossomos, retículo endoplasmático, complexo de golgi). Suas paredes celulares são constituídas de peptideoglicano (maioria). Dividem-se por fissão binária (reprodução assexuada). O DNA não está envolvido por membrana (cromossomo circular; sem membrana nuclear). ❖ Forma de classificar as bactérias: Por seu tamanho, forma e arranjo. TAMANHO ❖ Tamanho: Variam de 0,3 (d) por 0,8 (c) μm à 10 (d) por 25 (c) μm. Interesse médico → entre 0,5 (d) a 1,0 μm (d) por 2 (c) a 5 μm (c). FORMA DAS BACTÉRIAS ❖ Esférica: Cocos (grupo homogêneo; células pequenas). ❖ Cilíndrica: Bacilos (longos ou delgados; pequenos ou grossos; extremidade reta ou arredondada). ❖ Espirilada: Vibriões (vírgula). Espirilos (forma helicoidal/“saca rolhas”; corpo rígido; flagelados). Espiroquetas (corpo flexível; filamento axial). ARRANJO DAS CÉLULAS BACTERIANAS ❖ Arranjo cocos: • Diplococos: Cocos agrupados aos pares. Ex: Neisseria. • Tétrades: Agrupados de 4 cocos. • Sarcina: 8 cocos em forma cúbica. • Estreptococos: Cocos agrupados em cadeia. Ex: Streptococcos. • Estafilococos: Cocos em arranjos irregulares. Ex: Staphylococos. ❖ Arranjo bacilos: • Bacilo simples: Um único bacilo. • Diplobacilo: Dois bacilos juntos. • Estreptobacilo: Três ou mais bacilos juntos. PAREDE CELULAR ❖ Funções: Confere rigidez estrutural a célula. Protege contra lise osmótica. Sítio receptor para proteínas e outras moléculas que interagem com a bactéria. Alvo de antibióticos. ❖ Composição: Rede macromolecular (peptideoglicano). • Peptideoglicano: Dissacarídeo (monossacarídeo N- acetilglicosamina ‘NAG’ + monossacarídeo N- acetilmurâmico ‘NAM’) unido por polipeptídeos. ❖ Penicilina (antibiótico): Interfere nas ligações entre o dissacarídeos e os peptídeos. Funciona melhor em bactérias gram-positivas. DIVISÃO DAS BACTÉRIAS ❖ Experimento de diferenciação: Feito pelo microbiologista dinamarquês Hans Cristian Joaquim Gram. ❖ Gram-positivas: Tom roxo ou azulado. ❖ Gram-negativas: Tom avermelhado ou rosado. BACTÉRIAS GRAM-POSITIVAS ❖ Características: Parede celular mais espessa e rígida devido a muitas camadas de peptideoglicano. ❖ Estrutura: • Ácido teicóico: Glicerol ou ribitol + fosfato. • Ácido lipoteicóico: Atravessa a camada peptideoglicana e liga a membrana plasmática. • Ácido teicóico da parede: Ligado a camada peptideoglicana. BACTÉRIAS GRAM-NEGATIVAS ❖ Características: Poucas camadas de peptideoglicano. Mais suscetível ao rompimento mecânico. Liga a camada externa por lipoproteínas. ❖ Estrutura: • Membrana externa: Formada por lipopolissacarídeo (LPS) e proteínas (purinas e lipoproteínas). Apresenta o antígeno LPS funcionando como uma barreira contra antibióticos. Importante para a evasão do SI. • Espaço periplasmático: Entre a membrana externa e a membrana citoplasmática. Contém altas concentrações de enzimas de degradação e proteínas de transporte. ESTRUTURAS INTERNAS À PAREDE CELULAR MEMBRANA CITOPLASMÁTICA ❖ Características: É o local de ação de vários agentes microbianos e infectantes. Estrutura fina e fluida. ❖ Composição: Bicamada fosfolipídica (40%; formada por ácidos graxos e glicerol fosfato) + proteínas (60%). ❖ Funções: Produzir ATP nas células bacterianas, por meio de reações químicas na própria membrana. Separar o citoplasma do ambiente. GLICOCÁLIX / GLICOCÁLICE ❖ Características: Polímero viscoso e gelatinoso. Revestimento de açúcar (polissacarídeo extracelular). ❖ Composição: Carboidratos. Varia de acordo com a espécie (polissacarídeo, polipeptídeo ou ambos). ❖ Funções: Aumentar a virulência das bactérias que o possuem (dificultar a fagocitose pelas células de defesa do corpo). Diminuir ação dos antibióticos. Funciona como fonte nutricional. Proteger a célula contra a desidratação. Ajudar a bactéria se aderir à superfície. ❖ Cápsula: Quando aderido na parede. ❖ Camada viscosa: Se não organizado e fracamente aderido à parede. FLAGELOS ❖ Características: Longos filamentos que partem do corpo das bactérias se estendem externamente a parede celular. Ancorado na superfície da célula. Bactérias que possuem, pode gerar resposta imunológica. ❖ Composição: Proteína flagelina. ❖ Função: Locomoção bacteriana, por meio do movimento rotatório. FÍMBRIAS ❖ Características: Aparecem principalmente em bactérias gram-negativas. Mais curtas, retas e finas que os flagelos. Ficam homogeneamente distribuídas nos polos das células bacterianas (semelhante a pêlos). ❖ Função: Ajudar na aderência da bactéria à superfície. PILI ❖ Característica: Mais longa que as fímbrias. Apenas uma ou duas na célula. ❖ Função: Transferir material genético entre uma bactéria e outra. CITOPLASMA ❖ Característica: Sítio de reações químicas. ❖ Composição: 80% por água, íons orgânicos (sódio, cloro, cálcio), macromoléculas, compostos de baixo peso molecular. NUCLEOIDE ❖ Característica: DNA circular. Dupla hélice. PLASMÍDEOS ❖ Características: Moléculas de DNA. Menores que o cromossomo. ENDOSPOROS ❖ Características: Estrutura de sobrevivência extremamente resistente, com células desidratadas, paredes espessas e camadas adicionais (no caso da odontologia, a autoclave consegue matar). Presente em bactérias gram-positivas como a Clostridium e a Bacillus. Formados dentro da membrana celular. MICROBIOTA BUCAL E BIOFILME DENTAL ECOLOGIA MICROBIANA ❖ Cavidade bucal: Abriga a segunda maior diversidade microbiana docorpo humano. Se difere das outras regiões do corpo pois possui diferentes e diversos habitats (descamáveis ou não), é um sistema aberto (entrada de ar, alimentos, bebidas etc), apresenta forças seletivas, a colonização é sítio-específica, passa constantemente por mudanças bruscas em seus parâmetros físicos. ❖ Microbiota residente: Relação harmônica entre o microorganismo e seu hospedeiro, onde ele vai viver na cavidade bucal do indivíduo, sem se espalhar para outras partes do corpo ou levar ao surgimento de doenças. Podem sofrer alterações temporárias ou permanentes durante a vida do indivíduo. • Aquisição da microbiota: Adquirida durante o parto e alterada de acordo com a idade e os hábitos do indivíduo. Parto natural (transmissão vertical, trato vaginal). Parto cesariana (transmissão vertical, pele). Leite materno (possui bacterioma e micobioma). • Contribuições provenientes dessa relação: Desenvolvimento e amadurecimento da mucosa bucal. Aumenta a resistência da região contra agentes patogênicos, pois impede a invasão e o crescimento deles, além de desenvolver, amadurecer e regular o sistema imunológico, a pele e a mucosa do indivíduo. ❖ Disbiose: Quando os microorganismos da flora bucal estão desequilibrados/fora de harmonia, podendo levar ao desenvolvimento de doenças bucais. ❖ Boca saudável: Precisa ter uma comunidade de microrganismos equilibrada, contendo mais ou menos a mesma quantidade de uma população e de outra. CONCEITOS ❖ População: Conjunto de indivíduos de mesma espécie que compartilham o mesmo local durante um determinado tempo. ❖ Comunidade: Conjunto de populações que dividem o mesmo local, por determinado intervalo de tempo. ❖ Diversidade biológica ou biodiversidade: Regulado por dois fatores, a riqueza das espécies (número de espécies na comunidade) e a uniformidade/estabilidade (distribuição de cada espécie). ❖ Interações: • Intraespecífica na população: Relações entre indivíduos de mesma espécie. • Interespecífica na comunidade: Relação entre espécies. • Interação com o habitat: Local ou residência dos microrganismos. HABITATS DISPONÍVEIS PARA A COLONIZAÇÃO MICROBIANA NA CAVIDADE BUCAL ❖ Tecidos moles: Epitélio escamoso estratificado queratinizado (gengiva, língua e palato). Epitélio escamoso estratificado não queratinizado (mucosa jugal, mucosa labial, assoalho da boca). ❖ Dentes: Por serem formados por esmalte, dentina e cemento, não descamam, facilitando a colonização a longo prazo. ❖ Saliva: Funciona como uma transportadora de microrganismos para outros sítios. Aqueles que não conseguem se aderir à superfície, são deglutidos. ❖ Materiais odontológicos: Materiais restauradores (amálgama de prata, resina composta), próteses, implantes e aparelhos ortodônticos, atuam como superfície de colonização pois não descamam. FATORES ENVOLVIDOS NA COLONIZAÇÃO ❖ Capacidade de adesão dos microrganismos: Inicialmente é fraca, por meio do glicocálice, fímbrias e fibrilas. Posteriormente é mais forte e específica, por meio das adesinas. ❖ Dinâmica entre descamação e recolonização microbiana: A colonização dos microrganismos na cavidade bucal depende da velocidade que o microorganismo leva para se aderir à superfície e a velocidade da descamação do tecido. ❖ Fatores físicos do hospedeiro: Temperatura bucal entre 35 e 36 graus, permitindo o crescimento de uma ampla variedade microrganismos. PH da saliva entorno de 6,8 a 7,2 viabilizando o crescimento de muitos microrganismos. Variação na disponibilidade de oxigênio (a maioria da microbiota da cavidade é anaeróbica facultativa ou obrigatória). ❖ Fatores microbianos: • Mutualismo: Interação sinérgica que beneficia os microrganismos envolvidos, metabolizando as macromoléculas salivares, permitindo que diferentes grupos de microrganismos possam acessar os aminoaçúcares e proteínas resultantes da atividade enzimática coordenada. • Comensalismo: Interação sinérgica na qual o microorganismo é beneficiado sem que o outro seja afetado. • Interação antagônica negativa: Ocorre prejuízo para um ou para ambos microorganismos envolvidos. A saliva possui muitas proteínas que apresentam efeito antimicrobiano, capazes de promover aglutinação microbiana e remoção dos microrganismos da cavidade bucal. BIOFILME BUCAL ❖ Biofilme: Comunidades dinâmicas de células microbianas firmemente aderidas a uma superfície e embebidas em matriz extracelular composta por substâncias poliméricas tais como exopolissacarídeo, proteínas e ácidos nucleicos. Demora em torno de 7 dias para se formar. ❖ Vantagens para o microrganismo: Proteção em relação a espécies competidoras. Mais difícil de ser identificados pelos mecanismos de defesa do corpo. Mais difícil de ser atingidos pelos agentes antimicrobianos. Facilita o processamento e a captação de nutrientes. Aumenta a comunicação entre as espécies. Remoção de produtos metabólicos. Desenvolvimento de um ambiente físico- químico apropriado à manutenção da colonização. ❖ Classificação: De acordo com sua localização ou patogenicidade. • Localização: Supragengival (presente coronariamente em relação à gengiva) ou subgengival (presente apicalmente em relação à gengiva). • Patogenicidade: Cariogênico (geralmente acidogênico; gram-positivo) ou periodontopatogênico (mais basofílico; gram-negativo). ❖ Mecanismos não específicos: São importantes para reter o microrganismo de forma reversível na superfície do dente. ❖ Formação: Um microrganismo se liga a película salivar adquirida por meio das adesinas (estruturas específicas presentes na superfície dos microrganismos) dando origem a colonização primária (coadesão) → inicia-se a proliferação das bactérias aderidas, além da coagregação bacteriana (quando os microrganismos que já estão aderidos à superfície possuem uma estrutura em sua superfície que permite a ligação das adesinas de outros microrganismos que ainda não fazem parte do biofilme, se ligando; aderência inter- bacteriana) → essa coagregação vai liberar exopolissacarídeo que dará origem ao biofilme → ocorrerá a sucessão microbiana onde alguns microrganismos vão se dispersar de forma isolada ou em grupo, devido à forças mecânicas atuantes sobre o biofilme (movimentação do filme salivar e movimentos mastigatórios) → esses microrganismos vão se dispersar para outra parte da película salivar reiniciando o ciclo. • Película salivar adquirida: Formada pela absorção seletiva de proteínas salivares à superfície dentária. Possui receptores específicos para as adesinas. MICROBIOLOGIA DA CÁRIE ❖ Cárie: Doença de alta prevalência (muitas pessoas possuem cárie em um mesmo momento). Mais comum na infância (60 a 90% das crianças de 2 até 11 anos possuem; devido ao alto consumo de doces e má higiene). Pode causar perda de dentes e dor na cavidade bucal. Doença multifatorial. Devido ao consumo regular de sacarose (presente no biofilme; aderida na superfície dentária). BIOFILME CARIOGÊNICO (BC) ❖ Biofilme cariogênico (BC): Muito aderente e virulento. Composto por várias espécies de bactérias que vivem em uma comunidade microbiana mantendo sua homeostase através de uma complexa interação. ❖ Placa ecológica: Surge devido a um desequilíbrio microbiológico nas comunidades microbianas que compõem o biofilme. ❖ Alterações graves e persistentes no biofilme: Levará a um impacto direto na comunidade organizada de microrganismos, resultando em mudança no seu equilíbrio e favorecendo o microrganismo que vivem nesse novo ambiente. • Exemplo: O alto consumo de açúcar e a má higiene bucal, possibilitam a seleção de bactérias acidúricas no biofilme, tornando-o cariogênico. FORMAÇÃO DA CÁRIE ❖ Fatores: Relação entre o estilo de vida, higiene, dieta e frequência. ❖ O que é a cárie: É um processo dedesequilíbrio no processo desmineralização remineralização. ❖ Como prevenir: Ingestão baixa ou controlada de carboidratos. Manter o pH da boca neutro. Boa alimentação e higiene. PROCESSO DESMINERALIZAÇÃO E REMINERALIZAÇÃO ❖ Composição do esmalte dental: Hidroxiapatita (HA) → Mineral composto por cálcio e fosfato; encontrado na saliva. ❖ Desmineralização (DES): Ocorre em ambiente com ph ácido (inferior a 5,5). A saliva se torna subsaturada em íons fosfato, levando à dissolução da hidroxiapatita, na tentativa de ressaturação. ❖ Remineralização (RE): Em ambiente de ph neutro (entre 5,5 e 7,0). A hidroxiapatita se dissolve, liberando cálcio, fosfato e íons hidroxila no ambiente, tornando a saliva supersaturada e precipitando esses minerais de volta no esmalte do dente. ❖ Processo: Ingestão de sacarose pelo indivíduo → as bactérias vão metabolizar essa sacarose liberando ácido → esse ácido vai tornar a saliva subsaturada (baixa quantidade de minerais presentes nela) → vai ocorrer a perda de parte dos minerais presentes no esmalte do dente (desmineralização) para neutralizar o pH bucal → a saliva vai se tornar supersaturada (quantidade ideal de minerais) → os minerais perdidos pelo dente vão se depositar novamente em seu esmalte (remineralização) → reinício do ciclo. CURVA DE ACIDOGÊNESE ❖ Fases da curva: • A: Fase de queda rápida do pH. • B: Fase de permanência do pH abaixo de 5,5 levando o dente a perder seus minerais. • C: Fase de recuperação do pH. ❖ Potencial acidogênico: Sacarose → frutose → maltose → glicose → lactose → amido cozido → amido cru. ❖ Causas da curva: Disbiose devido a exposição da microbiota residente ao baixo pH, má higiene e ingestão frequente de carboidratos (sacarose), levando à formação da placa cariogênica. ESTÁGIOS DA CARIOGÊNESE ESTÁGIO DE ESTABILIDADE DINÂMICA ❖ É: O dente saudável, sem a cárie. ❖ Características: Fase de equilíbrio no processo de desmineralização e remineralização com o favorecimento da remineralização. PH bucal entre 5,5 e 7,0. Ingestão baixa e controlada de carboidratos. ❖ Microrganismos: Microorganismos comensais (não prejudicam o hospedeiro), como o Streptococcus não mutans e Actinomyces. ESTÁGIO ACIDOGÊNICO E ACIDÚRICO ❖ É: O dente com cárie no esmalte. ❖ Características: Fase de desequilíbrio no processo de desmineralização e remineralização, com favorecimento da desmineralização. Lesão clinicamente visível. ❖ Microrganismos: Microrganismos acidogênicos e acidúricos, como o Streptococcus mutans e o Streptococcus não mutans acidogênico/acidúricos. • Acidogênicos: Produzem ácido durante seu metabolismo. Nem todos microrganismos acidogênicos são acidúricos. • Acidúricos/ácido-tolerantes: Sobrevivem muito bem em pH ácido. Nem todos microrganismos acidúricos são acidogênicos. ❖ Obs: As bactérias acidúricas e acidogênicas possuem um alto potencial em metabolizar açúcares e aminoácidos em ácidos, amônia e polissacarídeos, contribuindo com o biofilme. Por isso, é de extrema importância uma boa dieta e higiene. ESTÁGIO PROTEOLÍTICO ❖ É: O dente com cárie na dentina. • Dentina: Possui um alto conteúdo orgânico. ❖ Características: Fase de desequilíbrio no processo de desmineralização e remineralização, com favorecimento da desmineralização. A cárie não tratada, pode se desenvolver atingindo a dentina e causando a perda de minerais, dissolução do conteúdo orgânico e liberação de ácidos que vão degradar o colágeno. ❖ Microrganismos: Microrganismos proteolíticos acidogênicos e acidúricos, como o Streptococcus mutans, Streptococcus sobrinus, Lactobacillus spp, Bifidobacterium spp, Prevotella spp, Propionibacterium spp e Fusobacterium spp. MICROBIOLOGIA DAS DOENÇAS ENDODÔNTICAS SISTEMA DE CANAIS RADICULARES ❖ Sistema de canais radiculares (SCR): É o sistema de canais que liga o corpo do dente com o periodonto. Abriga a polpa dentária. ❖ Tecido pulpar/polpa dentária: Tecido conjuntivo frouxo, localizado a cavidade pulpar, ricamente vascularizado, inervado e protegido por paredes rígidas como a dentina, o esmalte (parte coronária) e o cemento (parte radicular). O tecido pulpar sadio não contém microrganismos. • Polpa coronária: Localizada no interior da câmara pulpar. • Polpa radicular: Localizada no interior dos canais radiculares (desde a região cervical até o ápice radicular). ❖ Tratamento endodôntico: Não é 100% eficaz, pois não tem como remover todas as bactérias do sistema radicular, além de restar nutrientes capazes de favorecer o crescimento de outros microrganismos. Ele ajuda a diminuir o número de microrganismos, favorecendo a resposta imune do hospedeiro, restabelecendo a saúde apical. O principal microrganismo que causa o insucesso da terapia endodôntica é o E.faecalis. Os retratamentos estão relacionados com uma má qualidade do tratamento endodôntico feito. COMO OS MICROORGANISMOS ATINGEM O SCR ❖ Dente cariado: A cárie na dentina é a principal via de infecções. ❖ Túbulos dentinários: Permitem o transporte de moléculas entre a dentina e a polpa. Podem transportar enzimas ou toxinas secretadas pelos microrganismos. Se tiver microorganismos na dentina, vão passar para a polpa, induzindo a inflamação. ❖ Dente fraturado, perda de esmalte ou cemento: Quando um dente é fraturado, ocorre a exposição da dentina ao meio, podendo levar microorganismos para a polpa dentária. ❖ Via hematogênica: Como a polpa é muito vascularizada, pode ser infectada através de bactérias presentes na circulação sanguínea da pessoa. Existe um mecanismo chamado anacorese que atrai microorganismos para a polpa que está inflamada ou necrosada (fonte de alimento para bactérias). ❖ Via linfática/periodontal: Quando existe a presença de uma bolsa periodontal, facilita a entrada de microrganismos nos vasos linfáticos, atingindo o tecido pulpar. ❖ Via contiguidade/extensão: Em caso de uma infecção exacerbada, o microrganismo pode alcançar o dente vizinho que era saudável, afetando seu canal. INFLAMAÇÃO ❖ Inflamação: É uma reação dos tecidos a um agente agressor, caracterizada pela saída de líquidos e células do sangue para o interstício. Dependendo de sua intensidade, pode ser caracterizada como boa ou ruim para o organismo. Pode ocorrer devido a microrganismos ou a qualquer outro fator. ❖ Processo inflamatório: Uma bactéria tenta invadir o organismo do hospedeiro → o corpo reconhece o agente agressor e aumenta sua vasodilatação (vermelhidão) para que possa ocorrer mais passagem de sangue e de células imunológicas junto com ele → líquidos e essas células sanguíneas de defesa vão sair da corrente sanguínea para o interstício, iniciando o processo inflamatório. ❖ Aguda: Duração curta (minutos, horas ou dias). ❖ Crônica: Duração longa. Presença de macrófagos, linfócitos, proliferação de vasos sanguíneos, fibrose e necrose tecidual. ❖ Pulpite reversível: Alterações inflamatórias no tecido pulpar que podem ser revertidas caso os agentes agressores sejam removidos. A pessoa sente uma dor localizada. ❖ Pulpite irreversível: Caso a invasão microbiana não seja detida à tempo, evoluirá para um processo inflamatório mais intenso, onde ocorre uma acentuada pressão tecidual levando ao colapso das vênulas e vasos linfáticos do tecido. Se não tratada, levará a necrose tecidual. A pessoa sente uma intensa dor e não sabe identificar em qual dente está. ❖ Necrose: É quando ocorre a morte do tecido pulpar, devido ao não tratamento da pulpite irreversível. Sem oxigenação. Se não tratada, estimula o processo inflamatório para eliminar seus restos, atraindo bactérias, podendo ocasionar a infecção periapical. A pessoa não sente dor, INFECÇÕES ENDODÔNTICAS ❖ Infecção endodôntica: É quando o sistema de canais radicularesinfecciona. É o principal agente etiológico da periodontite apical. ❖ Obs: O tempo de exposição do tecido pulpar até a infecção do tecido não é definido, porém é lento e incremental. Os sintomas e sinais estão relacionados às características das comunidades de microrganismos. ❖ Aguda: Causada por um grupo de microrganismos altamente patogênicos, em grande número, em estado planctônico. Presença do abscesso apical agudo. Pode se intensificar, tornando-se crônica. ❖ Crônica: Assintomática. Causada por um grupo de microrganismos pouco virulentos, organizados em biofilme e localizados em locais de difícil acesso pelas células de defesa do hospedeiro. Podem persistir mesmo depois do tratamento endodôntico. ❖ Estágios de infecção bacteriana: As bactérias vão se aderir, invadir e colonizar a polpa dentária → devido a aquisição de nutrientes e escape dos mecanismos de defesa do hospedeiro, vão sobreviver no interior do tecido pulpar → vão causar prejuízos diretos ou indiretos aos tecidos (como destroem o tecido) → dependendo da intensidade e duração do agressor, pode ocorrer resposta tecidual inespecífica (inata) ou específica (resposta imune humoral ou celular) → destruição do tecido. • Efeitos diretos: Competitivo (competição entre os microrganismos por nutrientes necessários para seu metabolismo, desenvolvimento e manutenção). Mecânico (comprometimento das funções vitais da polpa, devido ao pressionamento dos nervos e vasos sanguíneos, devido a formação de colônias provenientes da multiplicação microbiana). Químico (as bactérias produzem substâncias, enzimas e toxinas que lesionam o tecido e criam condições ambientais favoráveis para sua sobrevivência). • Efeitos indiretos: Ativação do sistema de defesa devido a presença de componentes como LPS. INTRARRADICULARES (DENTRO DO CANAL) ❖ Primária: Causada por microorganismos que invadiram e colonizaram o tecido pulpar necrótico. É polimicrobiana (constituída por microorganismos anaeróbicos estritos gram-positivos e gram-negativos). A presença ou ausência de dor espontânea, está ligada com o tipo de microrganismo. ❖ Secundária: Causada por microorganismos que não estavam presentes na infecção primária, mas invadiram o interior do canal radicular após o tratamento endodôntico. É constituída principalmente por bactérias gram-positivas facultativas (principalmente o E.faecalis). ❖ Persistente: Causada por microorganismos que participavam da infecção primária ou secundária e que, de alguma forma, resistiram aos procedimentos antimicrobianos intracanais e sobreviveram aos períodos escassos de nutrientes em canais tratados. É constituída principalmente por bactérias gram-positivas facultativas (principalmente o E.faecalis). EXTRARRADICULARES (FORA DO CANAL) ❖ Periapical: Após a necrose pulpar, os microrganismos e seus produtos podem atingir o periápice, por meio dos canais radiculares ou do sistema circulatório; isso levará a migração de células de defesa para conter o avanço da infecção para o tecido ósseo e para o restante do organismo, iniciando um processo inflamatório e infeccioso na região periapical. ❖ Injúria periapical: Pode ocorrer devido a traumas mecânicos (sobreinstrumentação, sobreobturação, traumatismo dentário) e químicos (extravasamento de cimentos endodônticos e uso de substâncias irritantes aos tecidos periapicais, como hipoclorito de sódio). ❖ Biofilme apical: Os microrganismos podem estar organizados em biofilme, recobrindo a superfície externa do ápice radicular tanto de dentes com polpas necrosadas e lesões periapicais, como de dentes com insucesso no tratamento endodôntico. Se desenvolvem no interior do canal radicular e atingem a região extrarradicular via forame apical. Composto por diferentes tipos de microrganismos. ❖ Abscessos apicais agudos (pus): São a forma mais comum das infecções extrarradiculares, pois diferentemente das bactérias que estão no canal radicular, as bactérias dos tecidos apicais são alvo constante de mecanismos de defesa do organismo. Predomínio de microrganismos bacilos anaeróbios gram-negativos e cocos anaeróbios gram-positivos. • Microrganismos: Prevotella spp., Porphyromonas spp., P. micra, F. nucleatum, F. necrophorum, T. forsythia, e facultativos pertencentes ao gênero Streptococcus. ❖ Alterações nos tecidos periapicais: Devido a efeitos diretos e indiretos causados pelos microrganismos. • Efeitos diretos: Químicos. Produção de diversas toxinas e enzimas histolíticas que atuam sobre os tecidos periapicais promovendo sua destruição. • Efeitos indiretos: Ativação do sistema imunológico devido a componentes bacterianos (LPS, peptideoglicano, ácido lipoteicóico, fímbrias, componentes capsulares, vesículas extracelulares, exotoxinas, proteínas da membrana externa), causando alterações teciduais a fim de conter o avanço da infecção para outros tecidos, destruindo o tecido. FATORES QUE DETERMINAM A MICROBIOTA ENDODÔNTICA ❖ Canal radicular: Possui entre 15 a 30 espécies diferentes de microrganismos. Predomínio de microrganismos gram-negativos. • Microrganismos iniciais: Bactérias anaeróbias facultativas sacarolíticas como Peptostreptococcus, Prevotella, Porphyromonas, Parvimonas, Bacteriodaceae, Atopobium, Treponema. • Microrganismos finais: Bactérias proteolíticas como Peptostreptococcus, Prevotella, Porphyromonas, Treponema, Fusobacterium. ❖ Tensão de oxigênio: Estágio inicial → muito oxigênio (bactérias facultativas e aerotolerantes). Estágio tardio → pouco oxigênio (bactérias anaeróbias facultativas e restritos). ❖ Nutrientes: Os microrganismos sacarolíticos são progressivamente substituídos por microrganismos proteolíticos devido a escassez de carboidratos. ❖ Interações positivas: Relação harmônica entre as bactérias. ❖ PH: Tecido inflamado → entre 6,5 a 6,8. Necrose pulpar → entre 6 e 7,4. ❖ Defesa: Após a necrose da polpa, os mecanismos de defesa não conseguem mais atuar no sistema de canais radiculares, pois o suprimento sanguíneo foi totalmente comprometido. MICROBIOLOGIA DAS DOENÇAS PERIODONTAIS ❖ Periodonto: Formado gengiva, ligamento periodontal, cemento e tecido ósseo. ❖ Composição: Fluido crevicular/gengival. Líquido intersticial. Transudado no sulco devido a um gradiente osmótico. ❖ Função: Proteger e manter o dente. Ser um tecido de suporte para o dente. DOENÇAS PERIODONTAIS ❖ Doenças periodontais: São doenças inflamatórias em razão da resposta à microrganismos presentes no biofilme, afetando o periodonto. ❖ Como evitar: Por meio do controle mecânico efetivo (escovação, consulta periódica, fio dental). GENGIVITE ❖ É: Uma inflamação da gengiva marginal em resposta ao biofilme dental. ❖ Causas: Aumento da quantidade total de placa. Sucessão microbiana-inflamação da gengiva marginal. Aumento do volume de fluido crevicular. ❖ Características: Inflamação da gengiva marginal. Sangramento. Vermelhidão (devido a vasodilatação do vaso sanguíneo, aumenta o fluxo sanguíneo, rubor). Inchaço/ tumor (migração de células imunológicas de líquidos do vaso sanguíneo para o tecido inflamado). Sem destruição do ligamento periodontal ou de tecido ósseo, podendo haver aprofundamento do sulco gengival em virtude do edema. Não há perda de inserção ou perda óssea radiográfica. ❖ Processo de gengiva saudável: Há uma relação harmônica entre os microorganismos anaeróbios facultativos sacarolíticos com a cavidade bucal → não há nenhum processo inflamatório → presença de uma baixa quantidade de fluido gengival, líquido intersticial e nutrientes → ph neutro (7,0) e alta concentração de oxigênio → permanência dos microrganismos anaeróbios facultativos sacarolíticos. ❖ Processo da gengivite: Ocorre o aumento do número de microorganismos anaeróbios facultativos sacarolíticos(Streptococcus não mutans e Actinomyces; gram +) → leva a um processo inflamatório pequeno → aumento do fluido gengival e do líquido intersticial (rico em nutrientes), tornando o pH básico (maior que 7,0) → diminuição de oxigênio → aparecimento de microrganismos anaeróbios estritos proteolíticos (início da inflamação; gram-). • Microorganismos sacarolíticos: Quebram a sacarose. Presentes em baixa quantidade na cavidade bucal. • Microorganismos proteolíticos: Liberam enzimas. ❖ Desfecho: Se não tratada, pode levar a periodontite. Se tratada, é reversível. PERIODONTITE ❖ É: Uma destruição do ligamento periodontal e do osso alveolar (tecidos de suporte do dente) por ação direta e em resposta ao biofilme disbiótico. ❖ Características: Inflamação. Perda de inserção periodontal. Reabsorção do osso alveolar. Pode haver formação da bolsa periodontal. • Bolsa periodontal: É um espaço entre a gengiva e o dente, devido ao agravamento das doenças periodontais, onde as bactérias (anaeróbias estritas e proteolíticas) podem se acumular formando biofilmes que destroem os tecidos periodontais. ❖ Obs: Ocorre em indivíduos sistemicamente saudáveis, mas sua velocidade de progressão é maior em indivíduos que possuem doenças sistêmicas, como distúrbios hematológicos, distúrbios genéticos, neutropenia, diabetes. ❖ Periodontite crônica: Evolução da gengivite. Perda progressiva e lenta da inserção periodontal, devido a um grande acúmulo de biofilme. Doenças sistêmicas, fatores ambientais (tabagismo, estresse, alcoolismo), fatores locais predisponentes (cárie, restauração mal adaptada) podem acelerar a progressão da doença. Pode começar na adolescência, mas ser diagnosticada só na fase adulta. • Microrganismo: Porphyromonas gingivalis, Treponema denticola e Tannerella forsythia (gram – ; anaeróbios estritos proteolíticos e imóveis; manipulam resposta imunológica). ❖ Periodontite agressiva: Perda rápida e grande da inserção periodontal. Acomete indivíduos clinicamente saudáveis e precoces. O biofilme não é o fator determinante, mas sim, os fatores imunológicos e genéticos. Pode levar a formação das bolsas periodontais. • Microrganismo: Aggregatibacter actinomycetemcomitans, sorotipo b (gram – ; anaeróbio facultativo capnofílico, ou seja, precisa de CO2 para se desenvolver; crescimento lento e com uso de lactato que é produzido por espécies como Streptococcus). ETIOPATOLOGIA/DESENVOLVIMENTO DA DOENÇA PERIODONTAL ❖ Periodonto saudável: Baixa porcentagem de certos microrganismos como o Actinomyces e o Streptococcus não mutans. ❖ Periodonto doente: Alta porcentagem de microorganismos como Tannerella forsythia, Porphyromonas gingivalis e Treponema denticola. ❖ Explicação da pirâmide: Analisando da base ao topo, podemos concluir que ocorre cada vez mais uma queda de oxigênio, diminuindo a variedade de microrganismos. ❖ Estágio de desenvolvimento da doença periodontal: • Sítios subgengivais (azul, roxo, verde, amarelo): Representam os colonizadores iniciais, que consomem oxigênio, diminuindo-o. Surgem devido a uma má higiene bucal (controle mecânico), alterando a microbiota e acumulando excesso de biofilme. Presença de bactérias gram+, anaeróbias facultativas e sacarolíticas, como a Actinomyces e o Streptococcus. • Alteração no habitat e na comunidade (laranja): Representa a alteração no habitat local. Presença de microrganismos gram– , anaeróbias estritas e proteolíticas. • Resposta imune do hospedeiro (laranja): O corpo do hospedeiro monta uma resposta inflamatória para combater o acúmulo de placa, levando ao aumento do fluxo de fluido gengival. Esse fluido contém mecanismos de defesa para a região subgengival e nutrientes, como glicoproteínas e hemoglobina, que favorecem os organismos proteolíticos. • Transição de gengivite crônica para periodontite (vermelho): Durante o processo inflamatório, ocorre o aumento do fluido gengival, favorecendo as bactérias proteolíticas. Ocorre o catabolismo (quebra) de proteínas, produzindo amônia, mantendo o ph próximo da alcalinidade. Isso leva ao desenvolvimento de patógenos periodontais como o P. gingivalis (potente indutor da resposta imune). FATORES DE VIRULÊNCIA DAS BACTÉRIAS PERIODONTOPATOGÊNICAS ❖ Fatores de colonização: As bactérias possuem capacidade de se aderir aos tecidos e outros microrganismos, contribuindo assim com a formação do biofilme. • Exemplo: A. actinomycetemcomitans → apresenta fímbrias e capacidade em se aderir à células endoteliais. P. gingivalis → apresenta duas fímbrias distintas; e capacidade em se aderir à células endoteliais. ❖ Internalização em células não fagocíticas: Algumas bactérias se internalizam dentro de células não fagocíticas, a fim de dificultar o seu reconhecimento pelo sistema imunológico. • Exemplo: A. P. gingivalis, T. forsythia e A. actinomycetemcomitans → podem ser detectados no citoplasma de células epiteliais e fibroblastos, que constituem um nicho apropriado para escapar das defesas do hospedeiro. ❖ Agressão direta ou indireta aos tecidos do hospedeiro: Algumas bactérias produzem enzimas histolíticas que ajudam a degradar os tecidos periodontais. • Exemplo: P. gingivalis → produz gingipaínas. T. denticola → produz dentilisina semelhantes à quimiotripsina, que é envolvido na destruição tecidual. LPS → é reconhecido pelo sistema do hospedeiro e ativa resposta imune intensa que leva à destruição tecidual. ❖ Fatores de evasão das defesas do hospedeiro: Algumas espécies de bactérias possuem cápsulas, a fim de dificultar seu reconhecimento pelo sistema imunológico do indivíduo. • Exemplo: A. actinomycetemcomitans → libera leucotoxina que induz a formação de poros e lise das células imunes, além da toxina distensora citoletal que induz a apoptose de células epiteliais e linfócitos.