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Seminário VI – ICMS – MERCADORIAS
Questões
1.	Construir a(s) regra(s)-matriz(es) do:
(a) ICMS – Mercadorias; 
Hipótese:
- Critério material: realizar operações relativas à circulação de mercadorias. 
- Critério temporal: momento da circulação das mercadorias, momento da saída das mercadorias do estabelecimento vendedor.
- Critério especial: na circunscrição do estado que iniciou a circulação da mercadoria. 
Consequente: 
- Critério pessoal: 
Sujeito ativo: Estado ou DF, onde ocorreu a circulação da mercadoria.
Sujeito passivo: contribuinte, podendo ser pessoa física ou jurídica que realize operações de circulação de mercadorias, com habitualidade ou em volume que caracterize intuito comercial.
- Critério quantitativo: 
Base de cálculo: valor referente à circulação da mercadoria;
Alíquota: variável de acordo com a legislação estadual nas operações interestaduais, porém, nas operações internas, esta não poderá ser inferior às estabelecidas para operações interestaduais. 
(b) ICMS – Importação.
Hipótese: 
- Critério material: importar mercadorias do exterior, isto é, realizar operações de comprar mercadorias do exterior.
- Critério temporal: entrada da mercadoria no território nacional, sendo no momento do desembaraço aduaneiro.
- Critério espacial: circunscrição do estado ou DF, onde se encontra o destinatário da mercadoria. 
Consequente: 
- Critério pessoal: sujeito ativo – Estado ou DF, no qual se realiza a operação da importação de mercadorias; sujeito passivo: importador, ou seja, aquele realiza o fato gerador. 
2.	Qual a base de cálculo do ICMS incidente sobre a operação de circulação de mercadorias? Dentre as rubricas adiante enumeradas, quais devem compor a base de cálculo do ICMS. Justifique e fundamente a sua resposta em relação a cada item da questão.
(i)	descontos incondicionais;
(ii)	bonificações;
(iii)	frete;
(iv)	seguro;
(v)	acréscimo correspondente ao financiamento realizado pelo alienante nas vendas a prazo; e 
(vi)	o valor de mão obra cobrado a título de montagem quando a operação implicar em venda e instalação de máquinas e aparelhos?
A base de cálculo do ICMS sobre a operação de mercadorias é o valor das operações. Segundo os autores Peres e Mariano[footnoteRef:2] "é a expressão econômica do fato gerador sobre a qual se aplica um percentual (aliquota) cujo resultado é o tributo devido." [2: PERES, Adriana Manni e MARIANO, Paulo Antônio. ICMS e IPI: Teoria e prática. 4 ed. São Paulo: 10B, 2009.] 
Ademais, conforme Roque Carrazza[footnoteRef:3], a base de cálculo do ICMS "deve necessariamente ser uma medida da operação mercantil realizada". Isso porque, se assim não for, poderá ferir ao princípio da capacidade contributiva. [3: CARRAZZA, Roque Antonio. ICMS. 12ª ed. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 77.] 
Com relação ao item (i), verifica-se que a norma estabeleceu a integração do desconto concedido sob condição à base de cálculo do ICMS (LC 87/96):
"Art. 13. A base de cálculo do imposto é: (...)
§ 1º Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (...)
Il - o valor correspondente a:
a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição;"
Portanto, os (i) descontos incondicionais, por exclusão da expressa previsão legal, não estão incluídos na composição da base de cálculo do tributo.
No que se refere às (ii) bonificações, insta ressaltar que a base de cálculo do ICMS é o valor da operação, logo, a tributação sobre a operação de bonificação é afastada, já que não apresentam valor mercantil, além de configurar uma modalidade de desconto que é a entrega de uma maior quantidade de produto vendido em vez de conceder uma redução do valor da venda, de acordo com o julgamento do REsp 1.111.156/SP.
Por outro lado, o seguro, o (iii) frete, o (iv) seguro, o (v) acréscimo correspondente ao financiamento realizado pelo alienante nas vendas em prestações, e o (vi) o valor de mão obra cobrado a título de montagem quando a operação implicar em venda e instalação de máquinas e aparelhos, compõe a base de cálculo do ICMS.
3.	O estado de Tocantins, sem amparo em convênio do CONFAZ, concede regime especial (mediante lei) a determinadas empresas, outorgando créditos de 2% toda vez que houver operações interestaduais relativas à circulação de determinadas espécies de mercadorias. O destaque na nota fiscal correspondente à remessa de mercadoria de Tocantins para São Paulo é de 12%, no entanto, o estado de São Paulo aceita somente 10% (12% - 2%) e lavra auto de infração sobre os 2% remanescentes. Pergunta-se (não esqueça de fundamentar suas respostas): 
(a)	Pode o Estado de São Paulo glosar parte do crédito dos contribuintes, destinatários de mercadorias provenientes de Tocantins, do ICMS destacado na nota fiscal por ser o remetente beneficiário de incentivo fiscal sem amparo em convênio do CONFAZ, mesmo sem a respectiva declaração de inconstitucionalidade do benefício?
Neste caso, é possível que o Estado de São Paulo vede aos contribuintes o aproveitamento integral do ICMS destacado na nota fiscal por ser remetente beneficiário de incentivo fiscal sem amparo em convênio.
Nesse sentido, o art. 151 da CF/88, aduz que é defeso estabelecer tributo não uniforme em todo país, salvo nos casos de concessão para fins de equilíbrio social. Ademais, conforme o art. 155, alínea "g", cabe à lei complementar "regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados"[footnoteRef:4]. [4: Roque Antonio. ICMS. 12ª ed. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 77.] 
Neste contexto, foi editada a LC nº 24/75, que trata sobre os convênios para a concessão de isenções do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias, a fim de evitar as "guerras fiscais" entre os estados e evitar que os incentivos concedidos fora dos convênios não prejudiquem os outros contribuintes, motivo pelo qual, o Estado de São Paulo pode exercer a prerrogativa de negar o aproveitamento do ICMS.
Por outro lado, no que se refere ao contribuinte, essa negativa deve ser acompanhada do ajuizamento de uma ação direta de inconstitucionalidade, a fim de que a lei não tenha outros efeitos práticos.
(c) A edição da Lei Complementar nº 160/2017 e o Convênio ICMS nº 190/2017 alteram o cenário acima no que se refere à concessão/validação do benefício fiscal e, consequentemente, o direito ao crédito pelo contribuinte adquirente da mercadoria do estado de Tocantins? (Vide anexos I, II e III)
	Em razão da concessão de benefícios e incentivos fiscais ao remetente das mercadorias, sem haver prévio convênio entre os Estados, ocorreram inúmeras guerras fiscais entre os Estados, entre aquele que concedeu o benefício e destinatário das mercadorias que se sentiu lesado por entender que o benefício deveria ter sido concedido em convênio.
	Diante desse quadro, foi editada a Lei Complementar 160/2017, a qual teve como objetivo, pelo menos, amenizar essas guerras fiscais.
	Com as devidas autorizações pela LC acima mencionada, surgiu o Convênio ICMS 190/17, que dispõe "sobre a remissão de créditos tributários, constituídos ou não, decorrentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais instituídos em desacordo com o disposto na alínea "g" do inciso XII do § 2° do art. 155 da Constituição Federal, bem como sobre as correspondentes reinstituições".
	Por outro lado, a Cláusula oitava do convênio supracitado dispõe que ficam remitidos e anistiados os créditos tributários do ICMS, constituídos ou não, decorrentes dos benefícios fiscais instituídos, por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em contraposto com o estabelecido na alínea "g" do inciso XII do § 2° do art. 155 da Constituição Federal, isto é, até a data de publicação da LC 160/2017.
	Sendo assim, entendo que só iria alterar o cenário da questão, se a lei estadual de Tocantins tiver sido publicada até a data de publicação da Lei Complementar160/2017.
	O anexo I traz o posicionamento de que a concessão de benefícios fiscais referente ao imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias, o qual pressupõe a prévia elaboração de convênio entre os Estados e o Distrito Federal, consoante o disposto no artigo 155, § 2°, XII, g, da Constituição do Brasil.
	O anexo Il aduz não pode o Estado-membro conceder isenção, incentivo ou benefício fiscal, relativos ao ICMS, de modo unilateral, mediante decreto ou outro ato normativo, sem prévia celebração de convênio intergovernamental no âmbito do CONFAZ.
	Por fim, o anexo III se posiciona no sentido de que deliberação dos Estados e do Distrito Federal para a concessão de isenções, incentivos e benefícios fiscais de ICMS é exigência direta do texto constitucional, assim como a observância da disciplina constante na lei complementar.
4. Sobre o ICMS-DIFAL, responda:
(a)	O que é o diferencial de alíquotas de ICMS (DIFAL)? 
	O Diferencial de Alíquota de ICMS consiste em uma espécie do ICMS, gênero de tributos incidentes sobre a circulação de mercadorias e determinadas prestações de serviço. O DIFAL tem por objetivo desincentivar a guerra fiscal entre os Estados em suas políticas tributárias de ICMS, bem como garantir uma repartição mais justa de receitas do imposto entre o estado de origem, do qual há a saída da mercadoria, e o estado de destino, no qual está localizado o destinatário da operação.
(b)	Quais foram as principais modificações trazidas pela Emenda Constitucional nº 87/2015 em relação à cobrança do DIFAL? 
		A EC nº 87/2015 teve como principal objetivo instituir a cobrança do DIFAL-ICMS nas operações destinadas a não contribuintes do imposto (ICMS). Esse é o caso, por exemplo, da venda interestadual realizada por empresas do varejo a consumidores finais (pessoas físicas), por meio do e-commerce. 
	Antes da Emenda, todo o ICMS incidente na venda interestadual para não contribuintes do ICMS era arrecadado para o estado do destino, onde está localizado o vendedor. Após a Emenda, essa receita passou a ser repartida com o estado de destino.
	Insta ressaltar que dizer que foi estabelecida a responsabilidade do remetente pelo recolhimento desse DIFAL-ICMS.
(c)	Essa Emenda Constitucional alterou algum critério da regra-matriz de incidência tributária do ICMS sobre operações interestaduais de circulação de mercadorias?
	Houve mudança no critério pessoal ativo, uma vez que agora há a competência do estado de destino para cobrança de parte do tributo incidente (o DIFAL). Além disso, é possível dizer que alterou também o critério material, à medida que o “fato gerador” (a hipótese de ocorrência) passou a ser uma saída interestadual para um não contribuinte.
(d)	Qual é o papel da Lei Complementar nº 190/2022 na regulamentação da cobrança do DIFAL? A aplicação dessa lei deve respeitar o princípio da anterioridade tributária? E da anterioridade nonagesimal? Explique e fundamente as suas respostas.
5.	A empresa Queen Janet Cosméticos Ltda., Paulista, adquire entre os meses janeiro de 2018 e fevereiro de 2019, insumos da empresa Pedra Suave na Nave Ltda., Mineira, e se credita do imposto incidente na operação para futura compensação com seus débitos de ICMS. Em outubro de 2022, a empresa Pedra Suave na Nave Ltda. é considerada “inidônea” pelo fisco estadual paulista, resultando na edição de um “ato declaratório de inidoneidade” com efeitos ex tunc, ou seja, reconhecendo a inidoneidade de todas suas operações anteriores à edição do referido ato. Consequentemente, o Estado paulista – após posterior realização de notificação à empresa Queen Janet Cosméticos Ltda. - realiza lavratura de AIIM estornando todos os créditos aproveitados nas operações ocorridas no período de janeiro de 2018 a fevereiro de 2019, além de impor multa e juros. Sobre essa específica situação, pergunta-se (não esqueça de fundamentar suas respostas):
(a)	Em que consiste a declaração de inidoneidade e quais hipóteses de ocorrência? Trata-se de ato constitutivo ou declaratório? 
		A declaração de inidoneidade é um ato administrativo por meio do qual a administração tributária reconhece que certa empresa detém idoneidade fiscal para emitir documentos fiscais. Esse reconhecimento significa que as operações praticadas pela empresa são desconsideradas para fins fiscais, transformando-se em estornos de créditos de ICMS além de outras sanções para os adquirentes dos produtos ou serviços dessa empresa.
		A declaração de inidoneidade é um ato declaratório, ou seja, a administração tributária tão somente reconhece e declara uma situação preexistente. A inidoneidade não é constituída pelo ato, mas sim constatada e declarada. No caso supramencionado, a declaração de inidoneidade com efeitos ex tunc (retroativos) significa que todas as operações realizadas pela empresa Pedra Suave na Nave Ltda. desde um determinado momento pretérito são consideradas inidôneas.
(b)	Qual a relação da declaração de inidoneidade com o direito ao creditamento?
		A declaração de inidoneidade de um fornecedor, com efeitos ex tunc, significa que todas as notas fiscais emitidas por essa empresa são consideradas inidôneas desde um determinado momento pretérito, isto é, nunca tiveram valor para fins fiscais. Isso afeta diretamente os adquirentes que se creditaram do ICMS baseado nessas notas fiscais.
		Nesse contexto, o direito ao creditamento do ICMS é previsto pela Constituição Federal, que assegura ao contribuinte a possibilidade de se creditar do imposto pago em etapas anteriores da cadeia produtiva (art. 155, § 2°, I, da CF). Esse mecanismo tem como objetivo evitar a incidência cumulativa do tributo.
		A principal relação entre a declaração de idoneidade e o direito ao creditamento está intrinsecamente ligado com a boa-fé, uma vez que, no REsp 1.148.444/SP a presunção de boa-fé do adquirente apenas pode ser afastada mediante prova concreta de que este sabia ou deveria saber da inidoneidade do fornecedor. 
		Assim, segundo o STJ, se o adquirente tomou todas as medidas razoáveis para averiguar a idoneidade do fornecedor e as operações foram efetivamente realizadas, o direito ao crédito deve ser mantido.
(c)	O procedimento de lavratura do AIIM por parte do Fisco paulista encontra amparo na Constituição Federal? Pode a legislação infraconstitucional estabelecer critérios não previstos na Constituição Federal para o aproveitamento de créditos? (Vide anexos IV, V e VI)
		A Súmula 509 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabelece que "é lícito ao comerciante de boa-fé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda". 
		Isso significa que, se o adquirente age de boa-fé e pode
provar a veracidade das operações comerciais, o direito ao crédito deve ser mantido. O STJ, em julgamento representativo de controvérsia (Resp 1.148.444/SP), reafirmou que o adquirente de boa-fé pode aproveitar o crédito de ICMS mesmo que a nota fiscal emitida pelo fornecedor seja posteriormente declarada inidônea, afim de resguardar os principios da da não-cumulatividade e o da segurança jurídica. Portanto, empresa Queen Janet Cosméticos Ltda. deve poder aproveitar os créditos de ICMS decorrentes das notas fiscais da empresa Pedra Suave na Nave Ltda., desde que comprove a veracidade das operações e sua boa-fé. A legislação infraconstitucional não pode impor restrições que contradigam esse direito constitucionalmente garantido.
(d)	A utilização da Súmula 509 do STJ como argumento para validade do creditamento realizado pelo adquirente de boa-fé é harmônica com a disposição do artigo136 do CTN?
		A utilização da Súmula 509 do STJ para validar o creditamento realizado pelo adquirente de boa-fé é compativel com a disposição do artigo 136 do CTN.
		Enquanto o artigo 136 do CTN estabelece a responsabilidade objetiva para infrações tributárias, a Súmula 509 resguarda o direito do contribuinte de boa-fé ao crédito de ICMS, desde que possa comprovar a veracidade das operações.
		Assim, os dispositivosse complementam ao assegurar que a punição por infrações não afetem indevidamente contribuintes que agiram corretamente e com boa-fé.
6.	Qual local deve ser considerado como “local da operação” de circulação de mercadoria, nos termos previstos no art. 11, inciso I da LC 87/96, no caso de uma compra on-line feita no site próprio de uma loja X, que também possui loja física? E no caso em que essa compra on-line é feita em um ambiente de market place? A definição desse local interfere na definição do Estado competente para a cobrança do ICMS sobre essa operação?
	De acordo com o artigo 11, inciso I, da Lei Complementar 87/96, o "local da operação" para a circulação de mercadorias é, em regra, o local onde o destinatário da mercadoria está situado. 
	Assim, caso o consumidor adquira um produto diretamente no site da loja X e a mercadoria for enviada da loja física dessa loja, o local da operação será o estado onde a loja física está localizada. Isso porque a operação é considerada uma venda direta da loja ao consumidor. 
	Por outro lado, caso o produto tenha sido adquirido feita em um ambiente de “marketplace”, a definição do local da operação pode mudar. Isso porque, no caso de uma mercadoria ser vendida por um vendedor terceiro no marketplace e é enviada de um local que não seja a loja física, o local da operação será o estado onde o vendedor está situado, sendo o estado competente para recolher o ICMS, aquele onde o vendedor (que pode ser uma empresa diferente da operadora do marketplace) está localizado, desde que a mercadoria seja remetida de lá.
Anexo I
RE 851.421
DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. ICMS. BENEFÍCIOS FISCAIS JULGADOS INCONSTITUCIONAIS. REMISSÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PRECEDIDA DE CONVÊNIOS. POSSIBILIDADE. 1. Recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida para definir se é constitucional que os Estados e o Distrito Federal, com amparo em convênios do CONFAZ, concedam remissão de créditos de ICMS oriundos de benefícios fiscais declarados inconstitucionais. 2. O ICMS é imposto de competência dos Estados e do DF, mas, devido a seu potencial lesivo ao pacto federativo, a Constituição determinou que cabe ao legislador complementar estabelecer a forma como são concedidos e revogados benefícios fiscais a ele relacionados, a fim de impedir a guerra fiscal. O legislador complementar, por sua vez, previu a obrigatoriedade de autorização do CONFAZ, mediante convênio, como pressuposto de validade da lei estadual de desoneração. 3. No caso ora em julgamento, a lei distrital concedeu a remissão de créditos de ICMS devidamente autorizada por dois convênios do CONFAZ. Indevida, portanto, a intervenção desta Corte para limitar a autonomia dos entes quando eles atuam dentro das balizas constitucionais. 4. A hipótese não se confunde com constitucionalização superveniente, uma vez que a lei distrital impugnada não convalidou as leis anteriormente julgadas inconstitucionais. O Distrito Federal apenas concedeu novo benefício fiscal amparado em convênios do CONFAZ. 5. Desprovimento do recurso extraordinário, reconhecendo-se a constitucionalidade da Lei do Distrito Federal nº 4.732/2011, com a redação dada pela Lei nº 4.969/2012, com a fixação da seguinte tese: “é constitucional a lei estadual ou distrital que, com amparo em convênio do CONFAZ, conceda remissão de créditos de ICMS oriundos de benefícios fiscais anteriormente julgados inconstitucionais”.
(STF, RE 851.421, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 18/12/2021, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-048 DIVULG 11-03-2022 PUBLIC 14-03-2022)
Anexo II
ADI 3803
INCONSTITUCIONALIDADE. Ação direta. Lei nº 15.182/2006, do Estado do Paraná. Tributo. Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS. Benefícios fiscais. Concessão de crédito presumido, por Estado-membro. Inexistência de suporte em convênio celebrado no âmbito do CONFAZ, nos termos da LC 24/75. Expressão da chamada “guerra fiscal”. Inadmissibilidade. Ofensa aos arts. 150, § 6º, 152 e 155, § 2º, inc. XII, letra “g”, da CF. Ação julgada, em parte, procedente. Precedentes. Não pode o Estado-membro conceder isenção, incentivo ou benefício fiscal, relativos ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, de modo unilateral, mediante decreto ou outro ato normativo, sem prévia celebração de convênio intergovernamental no âmbito do CONFAZ.
(STF, ADI 3803, Relator(a): CEZAR PELUSO, Tribunal Pleno, julgado em 01/06/2011, DJe-181 DIVULG 20-09-2011 PUBLIC 21-09-2011 EMENT VOL-02591-01 PP-00033)
Anexo III
Ementa: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. LIMITAÇÕES AO PODER DE TRIBUTAR. ICMS. RESPEITO AO PACTO FEDERATIVO NA CONCESSÃO DE ISENÇÕES, INCENTIVOS E BENEFÍCIOS FISCAIS. EXIGÊNCIA CONSTITUCIONAL DE DELIBERAÇÃO DOS ESTADOS E DO DISTRITO FEDERAL NA FORMA DA LEI COMPLEMENTAR. INCONSTITUCIONALIDADE NA CONCESSÃO UNILATERAL. PROCEDÊNCIA. 1. As competências tributárias deverão ser exercidas em fiel observância às normas constitucionais, que preveem, especificamente, limitações ao poder de tributar, com a consagração de princípios, imunidades, restrições e possibilidades de concessão de isenções, incentivos e benefícios fiscais. 2. A deliberação dos Estados e do Distrito Federal para a concessão de isenções, incentivos e benefícios fiscais de ICMS é exigência direta do texto constitucional, assim como a observância da disciplina constante na lei complementar, que constitui uma das matérias básicas de integração do Sistema Tributário Nacional, no sentido de desrespeito ao equilíbrio federativo (guerra fiscal). 3. Desrespeito à alínea “g” do inciso XII do § 2º do artigo 155 da Constituição Federal em decorrência da concessão unilateral de isenção fiscal no ICMS pela Lei estadual de Santa Catarina 11.557/2000. 4. Medida cautelar confirmada. Ação Direta de Inconstitucionalidade julgada procedente.
(ADI 2357, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 30-08-2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-200 DIVULG 13-09-2019 PUBLIC 16-09-2019)
Anexo IV
STJ - Súmula 509 
É lícito ao comerciante de boa-fé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda. (SÚMULA 509, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/03/2014, DJe 31/03/2014)
Anexo V
REsp 1.148.444/MG
PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOA-FÉ.
1. O comerciante de boa-fé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da não-cumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998).
2. A responsabilidade do adquirente de boa-fé reside na exigência, no momento da celebração do negóciojurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante).
3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...)os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f.
35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes."
4. A boa-fé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS.
5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boa-fé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN.
6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
(REsp n. 1.148.444/MG, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 14/4/2010, DJe de 27/4/2010.)
Anexo VI
AgInt no REsp 1.724.635/SP
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA DE LANÇAMENTO FISCAL. ICMS. CREDITAMENTO. INIDONEIDADE DA EMPRESA ALIENANTE RECONHECIDA EM MOMENTO POSTERIOR À TRANSAÇÃO. AQUISIÇÃO DA MERCADORIA DEMONSTRADA. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DA EMPRESA ADQUIRENTE. APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO FIRMADO QUANTO AO TEMA 272/STJ (RECURSO ESPECIAL 1.148.444/MG). PROVIMENTO NEGADO.
1. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar o Recurso Especial 1.148.444/MG (Tema 272/STJ), sob o regime de recursos repetitivos, firmou a orientação de que a responsabilidade do adquirente de boa-fé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao fisco, afastando a incidência do disposto no art. 136 do Código Tributário Nacional.
2. Na espécie, deve ser afastada a responsabilidade da empresa adquirente, tendo em vista a demonstração da aquisição da mercadoria, mesmo havendo o reconhecimento posterior da inidoneidade da empresa fornecedora das mercadorias.
3. Agravo interno a que se nega provimento.
(AgInt no REsp n. 1.724.635/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 3/5/2024.)
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