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W BA 06 50 _V 2. 0 MARKETING ESTRATÉGICO E INTELIGÊNCIA COMPETITIVA 2 Luisa Maria Sarábia Cavenaghi Londrina Editora e Distribuidora Educacional S.A 2023 MARKETING ESTRATÉGICO E INTELIGÊNCIA COMPETITIVA 1ª edição 3 2023 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR Homepage: https://www.cogna.com.br/ Head de Platos Soluções Educacionais S.A Silvia Rodrigues Cima Bizatto Conselho Acadêmico Alessandra Cristina Fahl Ana Carolina Gulelmo Staut Camila Turchetti Bacan Gabiatti Camila Braga de Oliveira Higa Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Coordenador Ana Carolina Gulelmo Staut Revisor Thaís Cereda Ravasi Editorial Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Márcia Regina Silva Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ Cavenaghi, Luisa Maria Sarábia Marketing estratégico e inteligência competitiva/ Luisa Maria Sarábia Cavenaghi, – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2023. 32 p. ISBN 978-65-5903-453-6 1. Marketing estratégico. 2. Inteligência competitiva. 3. Posicionamento de mercado. I. Título CDD 658.8 _____________________________________________________________________________ Raquel Torres – CRB 8/10534 C379m © 2023 por Editora e Distribuidora Educacional S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. 4 SUMÁRIO Apresentação da disciplina __________________________________ 05 Fundamentos: Marketing, Estratégia e Inteligência competitiva __________________________________________________ 07 Segmentação e Posicionamento de mercado ________________ 21 Gestão de Portfólio de Produtos e Serviços __________________ 35 Estratégia, Planejamento e Transformação digital ____________ 51 MARKETING ESTRATÉGICO E INTELIGÊNCIA COMPETITIVA 5 Apresentação da disciplina Caro estudante, você já se perguntou como as empresas de sucesso conseguem se destacar em meio a tanta concorrência? Quais ferramentas ou estratégias elas utilizam para alcançar esse resultado? A disciplina de Marketing Estratégico e Inteligência Competitiva busca responder essas perguntas, preparando você para os desafios profissionais do mundo dos negócios. Em um primeiro momento, vamos nos concentrar nas habilidades necessárias para coletar, analisar e interpretar informações valiosas sobre o mercado e a concorrência. No contexto da avaliação do cenário ambiental, uma técnica amplamente empregada é a análise SWOT, a qual se concentra em examinar os elementos internos da organização a fim de identificar suas forças e fraquezas e, a partir da análise do ambiente externo, busca-se identificar as ameaças e as oportunidades. Além disso, você compreenderá como as empresas identificam grupos de clientes específicos e adaptam suas estratégias para atender às necessidades desses segmentos; e também aprenderá a posicionar produtos ou serviços no mercado. Uma estratégia de posicionamento bem-sucedida auxilia a empresa a estabelecer uma posição distintiva na percepção dos consumidores, impactando suas escolhas de compra e cultivando a fidelidade à marca. Durante este estudo, você poderá compreender a importância da gestão do portfólio de produtos e serviços. Ao avaliar, priorizar e alinhar constantemente seus produtos e serviços, as empresas podem permanecer competitivas, inovadoras e alinhadas com as demandas dos 6 clientes em constante evolução, garantindo um crescimento sustentável e uma satisfação duradoura. Também trataremos sobre as tendências e as soluções inovadoras para o mercado, em que você poderá compreender como as transformações digitais têm impactado as estratégias de marketing. Em um ambiente empresarial em constante evolução e digitalização, a habilidade de conceber e implementar estratégias inovadoras é de extrema importância para as organizações que desejam se destacar e crescer. Ademais, é essencial reconhecer que essas estratégias devem ser guiadas por princípios sustentáveis e responsabilidade social, assegurando que o progresso esteja alinhado com o bem-estar a longo prazo da sociedade e do meio ambiente. O marketing estratégico e a inteligência competitiva são habilidades valorizadas por todas as empresas, desde startups até organizações multinacionais. Ao dominar esses conceitos, você estará preparado para se destacar e avançar em sua carreira, contribuindo para o sucesso de sua empresa e para seu próprio crescimento profissional. Bons estudos! 7 Fundamentos: Marketing, Estratégia e Inteligência competitiva Autoria: Luisa Maria Sarábia Cavenaghi Leitura crítica: Thaís Ravasi Objetivos • Compreender os principais conceitos de marketing e estratégia. • Analisar em profundidade o papel da inteligência competitiva na tomada de decisões estratégicas. • Capacitar para a realização de análises detalhadas do ambiente interno e externo das organizações. 8 1. Compreendendo o marketing estratégico Caro estudante, convido você a entrar no mundo do marketing, da inteligência e das estratégias. Neste primeiro tema, vamos conhecer os principais conceitos que envolvem o marketing e a estratégia, além de compreender a importância da inteligência competitiva nas decisões organizacionais. Para tanto, apresentaremos ferramentas e modelos de negócios. Ao final deste tema, você será capaz de coletar, analisar e interpretar informações sobre o mercado e a concorrência. Quando você pensa em marketing, o que vem a sua mente? Normalmente, ao pensar em marketing, logo também pensamos em vendas e propaganda. O que não está errado, mas essa é apenas a ponta do iceberg. Peter Drucker (1973 apud Kotler; Keller, 2019), um dos principais pensadores da administração, explica que o intuito do marketing é compreender tão bem um cliente, a ponto de conseguir ofertar um bem ou serviço que seja tão adequado a ele que se venda sozinho. De acordo com a American Marketing Association (2008, p. 28 apud Kotler; Keller, 2019, p. 3): o marketing é a atividade, o conjunto de conhecimentos e os processos de criar, comunicar entregar e trocar ofertas que tenham valor para consumidores, parceiros e a sociedade como um todo. Por isso, entende-se que o marketing vai além de vender, necessitando entender o mercado, conhecer profundamente os clientes e criar produtos e serviços que agreguem valor genuíno a vida das pessoas. Isso envolve uma abordagem estratégica e holística para a gestão do negócio, visando construir relacionamentos duradouros e bem- sucedidos com os clientes. Você já parou para pensar por que cada vez mais a estratégia é tão importante para as organizações? O cenário atual de globalização e competição entre empresas é moldado por uma série de forças que 9 transformaram radicalmente a maneira como as organizações operam, competem e interagem em escala global. Por sua vez, esse cenário é caracterizado por uma interconexão profunda entre mercados, avanços tecnológicos rápidos e uma crescente conscientização dos consumidores, o que exige uma abordagem estratégica dinâmica e adaptativa por parte das empresas. A estratégia tem sua origem na guerra, o termo origina-se da palavra grega strategos, que significa “a arte do general” (Oliveira, 2014). A Arte da Guerra é um antigo tratado militar escrito por Sun Tzu, um estrategista militar chinês, por volta do século IV a.C.; sendo considerado uma das obras clássicas mais influentes sobre estratégia. Um dosplano de marketing define como a marca será posicionada no mercado, o que deve estar alinhado com a imagem e a identidade da marca definidas no planejamento estratégico. 6. Acompanhamento e mensuração: o plano de marketing inclui métricas e indicadores de desempenho que são usados para avaliar o progresso em relação aos objetivos de marketing. Isso ajuda a garantir que as estratégias estejam contribuindo para a consecução das metas estratégicas globais. 7. Feedback e ajustes: o feedback obtido por meio da implementação do plano de marketing pode ser usado para fazer ajustes nas estratégias e táticas, se necessário. Isso pode envolver mudanças na alocação de recursos, no mix de marketing ou na segmentação de público. Com isso, é possível perceber que o alinhamento entre o plano de marketing e o planejamento estratégico ajuda a garantir que todas as partes do negócio trabalhem de forma coesa para alcançar os objetivos globais. 2. Pensamento e formulação de estratégias disruptivas A estratégia é uma decisão complexa que requer escolher a melhor opção entre várias possibilidades, levando em consideração tanto fatores internos quanto externos à organização. Segundo Chiavenato 56 (2020), essas decisões estratégicas são tomadas enquanto a organização continua suas atividades diárias. Chiavenato (2020) explica que existe uma discussão em andamento sobre a relevância do desenvolvimento de estratégias e planejamento em períodos de incerteza. Por sua vez, o ambiente empresarial está passando por transformações mais rápidas e incertas do que nunca, devido a vários fatores como mudanças tecnológicas aceleradas, interconexão econômica global e mudanças nas dinâmicas geopolíticas. O autor ainda explica que as organizações ágeis estão substituindo o velho paradigma das tradicionais organizações como máquinas e com estruturas hierárquicas devido a quatro tendências atuais: 1. Ambiente em rápida evolução em função das exigências dos vários tipos de stakeholders; 2. introdução constante e crescente de tecnologia disruptiva; 3. Aceleração da digitalização e democratização da informação; 4.A nova guerra pelo talento, na medida em que as atividades criativas baseadas na aprendizagem e no conhecimento se tornam mais importantes nas organizações (Chiavenato (2020). Quadro 1 - Diferenças básicas entre o planejamento estratégico tradicional e o novo modelo de design flexível e ágil Planejamento estratégico tradicional Design estratégico ágil Utilização Pequenas melhorias no status quo, partindo do conhecido Escopo Exploração Desenhando o futuro: algo que não existia ainda Top down Do nível mais alto para o mais baixo Direção Bottom up Muitos em um exercício de cocriação criativa Análise Análise rigorosa com foco quantitativo Processamento Intuição Compreensão e empatia com foco qualitativo Uniforme estruturado Baseado na adequação de todos os níveis hierárquicos Tipo Adaptável e ágil Abordagem flexível com etapas adaptadas ao longo 57 Linear Processo linear de desdobramento e em etapas sequenciais Processo Iterativo Processo com etapas simultâneas que podem ser repetir Apresentações Para convencer as pessoas por meio de apresentações Decisão Prototipagem Mostrando soluções possível e gerando feedback Uma solução melhor Buscando a confiança e certeza para buscar a melhor solução Julgamento Muitas soluções possíveis Buscando novas soluções que funcionem Passiva Reuniões constantes com discussões a respeito Energia Ativa Reuniões criativas buscando a construção de soluções Verbal Processo baseado em discussões com equipes Comunicação Visual Abordagens visuais, verbais e cinestésicas durante as reuniões Após Aprendizagem apenas quando o ciclo total foi cumprido Aprendizagem Durante Continuamente e intensamente desenvolvida desde o início Fonte: Chiavenato (2020, p. 53). O ambiente atual é altamente complexo e está em constante mudança, sendo caracterizado por sua incerteza e ambiguidade. Nesse cenário, é essencial que as empresas sejam extremamente flexíveis e ágeis em sua capacidade de reação e resposta. Isso requer uma mudança fundamental na mentalidade das organizações, um novo modelo mental que permita a adaptação em tempo real às condições do mercado e às necessidades dos clientes (Chiavenato, 2020). Nesse sentido, o autor explica que a “retroação” é a habilidade de receber feedback contínuo do ambiente e adaptar ações de acordo com as informações recebidas. Esse processo exige que as organizações estejam atentas aos dados do mercado e dos clientes, utilizando esses insights para guiar suas estratégias e decisões de negócios. Esse contexto é apresentado na figura a seguir: 58 Figura 1 - Orientação × reorientação do planejamento estratégico: um processo de duas vias rápidas Fonte: Chiavenato (2020, p. 55). Esse modelo de negócios disruptivo pode ser visto em vários exemplos de empresas que conhecemos hoje e que fazem parte da nossa rotina, mas que romperam com o mindset tradicional. Por exemplo, a empresa Uber, que introduziu o conceito de compartilhamento de carros por meio de um aplicativo, desafiando o modelo de negócios dos táxis tradicionais e criou uma plataforma global de transporte sob demanda. Outro exemplo é a Netflix, que começou como um serviço de aluguel de DVDs por correio e evoluiu para uma plataforma de streaming de conteúdo sob demanda, desafiando a indústria de entretenimento e televisão a cabo. Já a Airbnb revolucionou a indústria hoteleira, permitindo que as pessoas alugassem suas casas ou quartos para viajantes, criando uma alternativa às hospedagens tradicionais. Assim, compreende-se que a agilidade e a capacidade de resposta imediata são cruciais para prosperar em um ambiente caracterizado 59 por mudanças constantes e imprevisíveis. Nesse sentido, o plano estratégico sozinho não produz resultados. Ele é o guia que surge da fusão do planejamento com o pensamento estratégico, portanto, deve ser respaldado pela atitude estratégica: um padrão que garante o comprometimento total da organização e de seus membros para se envolver completamente nessa empreitada desafiadora, independentemente dos obstáculos que possam surgir (Chiavenato, 2020). 3. Práticas sustentáveis e de responsabilidade social Durante muito tempo, as empresas centravam suas estratégias exclusivamente na busca pela maximização dos lucros para acionistas e investidores, sem considerar a necessidade de contribuir para a preservação do meio ambiente ou cumprir obrigações de responsabilidade social (Chiavenato, 2020). À medida que a sociedade reconhece a necessidade de equilibrar o crescimento econômico com a preservação do meio ambiente e o bem- estar das comunidades, as organizações são cada vez mais cobradas por exercer seu papel adotando práticas sustentáveis e responsáveis. Dentro do contexto organizacional, o desenvolvimento sustentável implica na implementação de estratégias e ações que satisfaçam as necessidades atuais da organização e de seus stakeholders, ao mesmo tempo em que protegem e aprimoram de forma duradoura os recursos humanos e naturais que serão essenciais no futuro. Essa definição enfatiza que as organizações dependem igualmente de recursos financeiros, humanos e naturais. Segundo Chiavenato (2020), é de extrema importância evitar a degradação irreversível desses recursos a 60 todo custo, uma vez que a preservação da natureza é vital, considerando que nosso planeta enfrenta ameaças iminentes. De acordo com Chiavenato (2020, p. 258), a responsabilidade social implica na “obrigação gerencial de tomar ações que protegem e melhoram o bem-estar da sociedade como um todo e os interesses organizacionais especificamente”. Nesse contexto, o autor propõe as seguintes obrigações: • Incluir metas sociais no planejamento estratégico. • Usar padrões de outras organizações como referência em programas sociais. • Relatar o progresso da responsabilidade sociala membros e parceiros. • Testar várias maneiras de medir o desempenho social. • Avaliar custos e retornos de investimentos em programas sociais. Além disso, o autor propõe sete etapas para se elaborar um planejamento estratégico sustentável: 1. Avaliar as necessidades das partes interessadas: identificando os impactos diretos e indiretos das atividades e operações da organização sobre as partes interessadas afetadas. 2. Definir diretrizes e metas de sustentabilidade: alinhando os valores corporativos com as atitudes dos funcionários em relação à sustentabilidade e estabelecendo metas operacionais específicas para cada área. 3. Criar e implementar um plano de ação: converter a política de desenvolvimento sustentável em ações operacionais é fundamental para colocar em prática essa política. 61 4. Promover uma cultura corporativa voltada à sustentabilidade: garantindo que a organização e seus colaboradores estejam comprometidos em seguir as estratégias de sustentabilidade. 5. Estabelecer indicadores e critérios de desempenho: para que os gestores possam avaliar o desempenho da organização em comparação com benchmarks externos e promover melhorias contínuas. 6. Elaborar relatórios: envolvendo a divulgação dos resultados obtidos tanto internamente quanto para as partes interessadas, com o objetivo de destacar conquistas alcançadas e os próximos desafios a serem enfrentados. 7. Refinar o processo de monitoramento: é essencial desenvolver mecanismos para acompanhar de perto a implementação das políticas de sustentabilidade, garantindo que os responsáveis alcancem os resultados desejados. Cabe destacar que priorizar práticas sustentáveis nem sempre é uma escolha simples, para entender isso melhor, pense no exemplo de uma empresa química que está liberando substâncias tóxicas no meio ambiente. A administração decidiu redesenhar suas instalações para tornar o tratamento de poluentes mais eficaz. Agora, surge a questão: eles deveriam interromper as instalações existentes até que as novas estejam prontas, arriscando perder uma grande parcela de mercado, ou continuar a operar as instalações atuais, apesar do risco de enfrentar sanções públicas e legais? Qual seria a melhor decisão do ponto de vista econômico, social e ambiental? São decisões difíceis e que podem trazer grandes impactos para as organizações e para a sociedade (Chiavenato, 2020). 62 4. Transformação digital e suas implicações para o marketing estratégico O impacto da tecnologia no marketing vem crescendo significativamente à medida que o digital se torna cada vez mais presente em nossas vidas. Nesse sentido, o investimento em publicidade está migrando das mídias tradicionais para as digitais. Em 2017, a publicidade na internet ultrapassou a televisão tradicional como o maior meio de publicidade do mundo, representando 39% dos gastos totais com publicidade. Vídeos on-line, redes sociais, pesquisa e influenciadores digitais estão emergindo como principais impulsionadores desses gastos em mídia digital. Em 2022, o digital deve representar cerca de 54%, enquanto a TV pode ter queda de 25% da fatia total de investimento publicitário (Gabriel, 2020). Segunda Gabriel (2020), um dos impactos mais significativos das tecnologias digitais no marketing é a transformação da direção das interações. No marketing tradicional, as iniciativas de promoção e relacionamento ocorrem da empresa para o consumidor, com a marca conduzindo essas ações. No entanto, na era digital, é o consumidor que procura a empresa e a marca, escolhendo como, onde e quando deseja se envolver. Para tanto, a digitalização é o alicerce fundamental que possibilita essa mudança na dinâmica das relações. Nesse sentido, as mídias sociais se tornaram uma parte fundamental do marketing estratégico. Assim, as empresas agora podem interagir diretamente com os clientes, receber feedback em tempo real e construir relacionamentos mais profundos. Logo, a gestão de redes sociais se tornou uma habilidade crítica no marketing digital. A transformação digital ofereceu ferramentas de análise de dados mais robustas, permitindo que empresas avaliem o desempenho de campanhas, identifiquem tendências e tomem decisões mais 63 embasadas. Além disso, o marketing de conteúdo, que envolve a criação de conteúdo valioso e relevante, tornou-se fundamental para construir a marca e adquirir clientes. Dessa forma, é importante destacar que os consumidores esperam uma experiência consistente em todos os canais, seja online ou offline. De acordo com Gabriel (2020), o marketing estratégico deve abordar a omnicanalidade, garantindo que a mensagem e a experiência da marca sejam coesas em todos os pontos de contato. Ainda, Gabriel (2020) fala do avanço do neuromarketing, que utiliza os princípios da neurociência para entender como o cérebro dos consumidores responde a estímulos de marketing, como anúncios, produtos e marcas. Essa teoria busca insights sobre emoções, motivações e tomada de decisão dos consumidores, usando técnicas como ressonância magnética e eletroencefalografia. Com base nesses insights, as empresas podem adaptar suas estratégias de marketing para melhor atender às necessidades e aos desejos dos consumidores, tornando suas campanhas mais eficazes. Além disso, o avanço dos sistemas digitais inteligentes, como a inteligência artificial, combinado com a crescente disponibilidade de dados gerados pela Internet das Coisas (IoT), está possibilitando uma automação cada vez mais precisa na compreensão do comportamento dos consumidores. Isso não apenas facilita a criação de estratégias mais eficazes para atrair, converter, reter e fidelizar os clientes, mas também amplia significativamente o potencial de personalização em grande escala e de previsão de comportamentos (Gabriel, 2020). De acordo com a autora, uma outra abordagem para compreender esse comportamento do consumidor é a netnografia, uma metodologia de pesquisa que envolve o estudo das interações e comportamentos dos indivíduos em comunidades on-line, como fóruns, redes sociais e blogs. Ela utiliza técnicas de análise qualitativa para compreender a cultura, opiniões e tendências presentes nessas comunidades virtuais. 64 A transformação digital tem revolucionado o marketing estratégico, fornecendo ferramentas poderosas para análise de dados, personalização de conteúdo e maior envolvimento do cliente. Contudo, essa mudança tem exigido que as empresas se adaptem rapidamente, compreendam o comportamento do consumidor na era digital e criem estratégias de marketing ágeis e orientadas por dados. Ao abraçar a transformação digital, as organizações podem posicionar-se de forma mais competitiva, construir relacionamentos sólidos com os clientes e prosperar em um ambiente de negócios cada vez mais digital e dinâmico. Em um contexto cada vez mais dinâmico e digital, a capacidade de pensar e formular estratégias disruptivas tornou-se crucial para as organizações que buscam se destacar e prosperar. Nesse sentido, a transformação digital desempenha um papel fundamental, mas é igualmente importante reconhecer que essas estratégias devem ser moldadas por práticas sustentáveis e de responsabilidade social. À medida que avançamos no universo do marketing estratégico, a integração desses três elementos – pensamento disruptivo, transformação digital e responsabilidade social – emerge como a base sólida para o sucesso duradouro das organizações, garantindo não apenas a inovação e a competitividade, mas também a contribuição positiva para o mundo em que operam. Referências CHIAVENATO, Idalberto. Planejamento estratégico: da intenção aos resultados. São Paulo: Atlas, 2020. E-book. [Minha Biblioteca] GABRIEL, Martha. Marketing na era digital: conceitos, plataformas e estratégias. São Paulo: Grupo GEN, 2020. E-book. [Minha Biblioteca] KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson, 2019. E-book.[Biblioteca Virtual] 65 LAS CASAS, Alexandre Luzzi. Administração de marketing. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2019. E-book. [Minha Biblioteca] READE, Dennis V.; ROCHA, Marcos; OLIVEIRA, Sérgio Luis Ignácio de; CHERNIOGLO, Andréa. Marketing estratégico. São Paulo: Saraiva, 2015. E-book. [Minha Biblioteca] 66 Sumário Apresentação da disciplina Fundamentos: Marketing, Estratégia e Inteligência competitiva Objetivos 1. Compreendendo o marketing estratégico 2. O papel da inteligência competitiva na tomada das decisões estratégicas 3. Análise do ambiente interno e externo 4. Ferramentas de análise Referências Segmentação e Posicionamento de mercado Objetivos 1. Conceitos e critérios de segmentação de mercado 2. Variáveis para segmentação de mercado 3. Processo de tomada de decisão em marketing 4. Estratégia de posicionamento e diferenciação das organizações Referências Gestão de Portfólio de Produtos e Serviços Objetivos 1. Análise e gestão de portfólio de produtos e serviços 2. Ciclo de vida do produto 3. Gerenciamento da marca 4. Soluções inovadoras para o mercado Referências Estratégia, Planejamento e Transformação digital Objetivos 1. Estratégia e planejamento de mercado 2. Pensamento e formulação de estratégias disruptivas 3. Práticas sustentáveis e de responsabilidade social 4. Transformação digital e suas implicações para o marketing estratégico Referênciasgrandes ensinamentos de Tzu é a importância de conhecer tanto o seu próprio lado quanto o do adversário. Nesse contexto, compreender as fraquezas e as forças de ambos são essenciais para desenvolver uma estratégia vitoriosa. O autor enfatiza a importância de ser flexível e adaptar as estratégias de acordo com as mudanças nas circunstâncias. De acordo com Sun Tzu (2011), ser capaz de se ajustar rapidamente é fundamental para superar desafios inesperados. Esses e outros ensinamentos de Tzu foram traduzidos para o âmbito organizacional, sobretudo pelo aumento da competição entre empresas de diferentes setores no período pós-guerra. Segundo Dias (2022), as organizações passaram a enfrentar uma demanda crescente por um planejamento mais sólido de sua expansão, pela criação de novos produtos e/ou exploração de mercados a partir de avaliações externas e, crucialmente, pela busca incessante por proporcionar valor e benefícios superiores aos seus clientes. Por isso, a estratégia empresarial envolve a habilidade de utilizar de maneira eficaz os recursos tecnológicos, físicos, financeiros e humanos disponíveis, com o objetivo de reduzir os desafios enfrentados pela 10 empresa e maximizar o aproveitamento das oportunidades encontradas no ambiente em que ela atua (Oliveira, 2014). A estratégia empresarial consiste na adaptação contínua da organização ao seu ambiente, que frequentemente passa por mudanças. Por isso, segundo Oliveira (2014, p. 5), “a estratégia não deve ser considerada como um plano fixo ou determinado, mas um esquema orientador dentro de um fluxo de decisões”. Agora que você já compreendeu os principais aspectos relacionados ao marketing e à estratégia e sua importância, que tal unir os dois conceitos? Vamos falar de marketing estratégico! Ao contrário do marketing tradicional – que pode se concentrar mais nas táticas de curto prazo, como campanhas publicitárias e promoções –, o marketing estratégico se concentra em uma visão mais ampla e a longo prazo. Ele busca criar vantagens competitivas sustentáveis, posicionar a empresa de forma única no mercado e construir relacionamentos sólidos com os clientes (Reade et al., 2015). De acordo com Reade et al. (2015), o marketing estratégico agrega valor a uma empresa ao examinar fatores externos que estão além de seu controle e determinar como reduzir seu impacto nas atividades de mercado, por meio da gestão eficiente de elementos controláveis. Além disso, ele explora a progressão dos mercados e as alterações em suas interações, juntamente com as transformações que afetam o comportamento do consumidor. Por fim, ele também investiga oportunidades em mercados possíveis para a empresa. O marketing estratégico é uma abordagem estratégica que visa definir e implementar estratégias de marketing de longo prazo para alcançar objetivos específicos de negócios. Ele envolve a análise cuidadosa do ambiente interno e externo da empresa, a segmentação de mercado, a 11 definição de metas e a formulação de planos detalhados para atingi-las. No decorrer deste estudo, vamos nos aprofundar nesses temas. 2. O papel da inteligência competitiva na tomada das decisões estratégicas Existem várias nomenclaturas que envolvem a inteligência competitiva. De acordo com Camalionte e Fontes (2011), é provável que a inteligência competitiva seja uma das disciplinas empresariais com o maior número de interpretações e abordagens. Isso é evidenciado pela diversidade de termos associados a essa prática, como: inteligência de mercado, inteligência de marketing, inteligência de negócios, inteligência comercial e inteligência estratégica, entre outros. Para este estudo, vamos adotar o termo inteligência competitiva. Com base nas variadas interpretações de inteligência citadas, percebe- se que a informação é o elemento compartilhado por esses vários conceitos de inteligência competitiva (IC): a informação é o recurso essencial da atividade de IC e seu objetivo primordial consiste em fornecer suporte à tomada de decisões empresariais (Camalionte; Fontes, 2011). A IC é uma abordagem estratégica que visa coletar e analisar informações relevantes e pertinentes para o contexto empresarial. Ela se concentra em compreender o ambiente em que uma organização opera, bem como as forças e fraquezas de seus concorrentes. Ao reunir informações abrangentes sobre esses aspectos, a IC capacita as empresas a antecipar mudanças e a desenvolver estratégias robustas de resposta (Camaliante; Fontes, 2011; Kotler; Keller, 2019). A inteligência competitiva está intimamente ligada à análise detalhada de concorrência e dados estratégicos, estendendo-se aos concorrentes 12 diretos e indiretos, assim como aos processos e aos elementos internos da organização. Então, quais são as vantagens de investir na inteligência competitiva? Essa abordagem possibilita oferecer produtos e serviços mais adequados, com atributos competitivos que conferem à empresa uma posição de liderança no segmento em que atua. Ao dispor de informações precisas e pertinentes, você passa a analisar dados concretos em vez de suposições. Além disso, a IC amplia a eficiência do retorno sobre investimentos, projetos e iniciativas de vendas e marketing (O Que..., 2018). De acordo com o artigo O que é inteligência competitiva e como aplicar em seu negócio?, publicado pela Rockcontent em 2018, a aplicação eficaz da IC em uma organização envolve quatro componentes essenciais: planejamento, coleta, análise e comunicação dos resultados. Veja, a seguir, como cada um desses componentes contribui para a implementação bem-sucedida da IC: 1. Planejamento • Defina objetivos claros: identifique os objetivos específicos da IC, como entender melhor o mercado ou monitorar a concorrência. • Estabeleça escopo e metas: determine as áreas de foco da IC e estabeleça metas mensuráveis para avaliar o sucesso. • Alocação de recursos: atribua recursos adequados, como equipe, ferramentas de análise e tecnologia, para implementação da IC. 2. Coleta • Identifique fontes relevantes: como relatórios de mercado, análises de concorrentes, dados internos da empresa e mídias sociais que são relevantes para seus objetivos. 13 • Automatize a coleta: utilize ferramentas de coleta de dados e análise para automatizar a captura de informações de várias fontes, garantindo uma coleta contínua e atualizada. 3. Análise • Defina métodos de análise: escolha as técnicas de análise apropriadas, como análise SWOT, análise de cenários etc. • Identificação de padrões: identifique padrões e tendências que possam fornecer informações sobre o mercado e a concorrência. • Geração de insights: transforme os dados brutos em insights que possam ser usados para orientar decisões estratégicas. 4. Comunicação dos resultados • Relatórios regulares: crie relatórios regulares que destaquem os principais insights obtidos por meio da IC. • Compartilhamento interno: compartilhe os resultados e insights da IC com os stakeholders. • Colaboração: promova a discussão e a colaboração em torno dos resultados da IC, para garantir que eles sejam compreendidos e utilizados de forma eficaz em toda a organização. Diante das variáveis que envolvem o estudo da inteligência competitiva, você perceberá que ela vai permear todo nosso estudo e trataremos desses aspectos de maneira mais aprofundada. 14 3. Análise do ambiente interno e externo A análise ambiental, em âmbito macro ou micro, desempenha um papel fundamental na compreensão da dinâmica empresarial e na formulação de estratégias eficazes. O ambiente macro engloba as variáveis que geralmente estão além do controle direto ou que não podem ser completamente controladas pela empresa. Já a análise microambiental se concentra nas forças e nas fraquezas, nas questões que podem ser modificadas, administradas e trabalhadas pelas organizações, ou seja, nas questões que podem ser controladas (Dias, 2022). A análise macro é também conhecidacomo análise do ambiente externo; já a análise micro é aquela que compreende o ambiente interno da organização. A respeito da análise macroambiental, pense no contexto de uma pandemia de um vírus altamente contagioso e desconhecido. É algo que não está sob o controle das organizações, assim como as decisões políticas que podem afetar o setor em que uma empresa atua também não é algo previsível ou que está sob o controle das empresas. De acordo com Dias (2022), existem muitas variáveis que devem ser consideradas na análise macroambiental da empresa, mas para melhor organizar as principais variáveis, se adotou na academia o modelo PESTEL. Segundo Frue (2007), o modelo foi proposto inicialmente por Francis Aguilar em 1967, porém inicialmente era conhecido pelas siglas ETPS, posteriormente vários autores foram adotando com outros nomes (STEEPLE, PESTLE e PEST). A sigla PESTEL ou PESTLE representa as iniciais em inglês que, traduzidas para o português, significam: político, econômico, social, tecnológico, ambiental e legal. Para compreender esses aspectos, veja alguns exemplos a seguir. 1. Político: são considerados os aspectos políticos, legais e regulatórios que podem afetar a empresa. Isso inclui mudanças 15 em leis, regulamentos governamentais, estabilidade política, políticas fiscais e de comércio, entre outros. 2. Econômico: são analisados os fatores econômicos que impactam a organização, abrangendo indicadores como taxa de crescimento econômico, inflação, taxa de juros, desemprego, flutuações cambiais e condições gerais da economia. 3. Sociocultural: são examinados os aspectos sociais e culturais que podem influenciar a empresa. Inclui fatores demográficos, mudanças nas preferências do consumidor, valores culturais, estilos de vida, tendências de consumo e sensibilidades sociais. 4. Tecnológico: são avaliadas as inovações tecnológicas que podem afetar o negócio, como avanços tecnológicos, adoção de novas tecnologias, pesquisa e desenvolvimento, automação etc. Já a análise ambiental em nível micro examina aspectos internos da organização, como sua estrutura, cultura, recursos, processos e concorrência direta. Essa análise permite uma avaliação detalhada dos pontos fortes e fracos da empresa, bem como uma compreensão das dinâmicas competitivas dentro de seu nicho de mercado (Kotler; Keller, 2019). Os pontos fracos das organizações referem-se aos aspectos internos que podem prejudicar ou limitar o desempenho, a eficiência e a competitividade da empresa. Já os pontos fortes são as particularidades da empresa ou suas habilidades (produto/serviço, expertise, estrutura e procedimentos internos, recursos humanos, conexões etc.) que conferem a ela uma vantagem competitiva no atendimento das demandas do mercado (Dias, 2022). Em conjunto, a análise ambiental macro e micro fornece uma base sólida para a formulação de estratégias que sejam sensíveis às mudanças do 16 ambiente externo e eficazes na maximização das vantagens competitivas internas. 4. Ferramentas de análise Uma ferramenta estratégica amplamente utilizada por organizações para avaliar sua situação atual e planejar suas estratégias futuras é a análise SWOT. A sigla SWOT representa quatro componentes cruciais: Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats). De acordo com Dias (2022), a análise SWOT tem grande abrangência e pode ser aplicada por diversos setores e tipos de instituições, sendo igualmente relevante para empresas privadas, entidades públicas e organizações não governamentais. Ela pode ser utilizada por microempresas e grandes corporações, sejam elas de âmbito nacional ou internacional. Na avaliação interna, as forças são os elementos que impulsionam a organização em direção aos seus objetivos, agregando valor ao negócio e conferindo-lhe uma vantagem competitiva. Já as fraquezas são os fatores que podem comprometer tais vantagens. Dessa forma, essa análise deve considerar diversos aspectos organizacionais, como recursos e ativos empregados na empresa, sua estrutura, competências individuais dos colaboradores, práticas cotidianas e habilidades desenvolvidas internamente (Dias, 2022). No processo de avaliação do ambiente externo, as oportunidades englobam os fatores externos que têm potencial para impactar positivamente a organização, criando um ambiente propício para a realização das estratégias planejadas e o desenvolvimento do negócio. Por fim, as ameaças se referem às circunstâncias desfavoráveis que 17 podem apresentar obstáculos para a empresa. De acordo com Dias (2022), essa análise utiliza diversas variáveis como as exemplificadas na PESTEL. Para melhor ilustrar como a ferramenta da análise SWOT pode ser estratégica para as organizações, observe a figura a seguir. Figura 1 – Exemplo de aplicação da análise SWOT Fonte: Hooley et al. (2010, p. 31). Inicialmente, a análise SWOT tem como objetivo identificar os elementos mais importantes, tanto internos quanto externos, que exercem influência sobre a organização e seus mercados. Em seguida, é importante explorar os pontos de interseção entre as forças e as fraquezas internas com as oportunidades e as ameaças externas, o que pode ajudar na formulação da estratégia, conforme ilustrado na Figura 1. Dessa forma, é possível que a organização identifique onde pode usar melhor suas vantagens, seja para agir ou se proteger. Além disso, ajuda a identificar onde suas fraquezas podem torná-la vulnerável às mudanças no mercado ou às ações dos concorrentes (Holley et al., 2010). 18 De acordo com Dias (2022), um outro modelo importante é o modelo das Cinco Forças de Porter (1979), que se trata de uma estrutura analítica que examina as forças competitivas que moldam a atratividade e o potencial de lucro de um setor ou indústria. Ele se concentra em cinco elementos-chave, como você pode ver na figura a seguir. Figura 2 – Modelo das Cinco Forças de Porter Fonte: Dias (2022, p. 15). As forças representam: 1. Rivalidade entre os competidores da indústria: avalia o grau de competição direta entre as empresas já estabelecidas no mercado, em que quanto mais intensa a competição, menor a margem de lucro. 2. Ameaça de novos entrantes: analisa a facilidade com que novas empresas podem entrar no mercado. Barreiras para a entrada, como economias de escala e requisitos de capital, podem dificultar a entrada de novos concorrentes. 19 3. Poder de barganha dos fornecedores: examina o grau de influência que os fornecedores têm sobre as empresas do setor; em que se os fornecedores têm vantagem, podem exercer pressão nos preços e termos. 4. Poder de barganha dos compradores: avalia o grau de influência dos clientes sobre as empresas. Se os compradores têm vantagem, podem pressionar por preços mais baixos ou melhores condições. 5. Ameaça de produtos/serviços substitutos: considera a probabilidade de que produtos ou serviços substitutos possam atrair os clientes de um setor. Isso pode afetar a demanda e a lucratividade das empresas. O modelo das Cinco Forças de Porter nos ajuda a compreender a dinâmica competitiva de um setor, destacando as forças que impactam a concorrência e a rentabilidade. Com base nesse modelo, as empresas podem desenvolver estratégias mais eficazes para enfrentar desafios e capitalizar oportunidades. Em um cenário empresarial cada vez mais dinâmico e competitivo, o marketing estratégico e a inteligência competitiva desempenham um importante papel, oferecendo informações estratégicas sobre o mercado, a concorrência e as tendências emergentes. Na análise ambiental, uma ferramenta muito utilizada é a matriz SWOT, que analisa o ambiente interno da organização buscando pontuar suas forças e fraquezas e, por meio da análise do ambiente externo, verifica as ameaças e as oportunidades. A análise externa é bem executada com a ferramenta PESTEL, que verifica as questões econômicas, políticas, sociais, tecnológicas,ambientais e legais que podem impactar nas decisões empresariais. Ao adotar essas abordagens combinadas, as organizações podem não apenas se adaptar às mudanças com 20 agilidade, mas também moldar ativamente o ambiente em que operam, garantindo uma posição sólida e duradoura no mercado. Referências CAMALIONTE, Edilberto; FONTES, Adolfo. Inteligência de mercado. São Paulo: Saint Paul Publishing, 2011. [Minha Biblioteca] DIAS, Marcello Romani et al. Estratégia empresarial: as etapas do processo estratégico e o uso de ferramentas clássicas. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2022. [Biblioteca Virtual] FRUE, Kiesha. Who invented PEST analysis and why it matters. Pestle Analysis Swot and Business Analysis Tools, 2007. Disponível em: https://pestleanalysis.com/who- invented-pest-analysis/. Acesso em: 24 ago. 2023. HOOLEY, Graham et al. Estratégia de marketing e posicionamento competitivo. 4. ed. São Paulo: Pearson, 2010. E-book. [Biblioteca Virtual] KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson, 2019. E-book. [Biblioteca Virtual] OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Estratégia empresarial e vantagem competitiva: como estabelecer, implementar e avaliar. 9. ed. São Paulo: Grupo GEN, 2014. [Minha Biblioteca] O QUE é inteligência competitiva e como aplicar em seu negócio? Rockcontent, 2018. Disponível em: https://rockcontent.com/br/blog/inteligencia-competitiva/. Acesso em: 15 ago. 2023. READE, Dennis V. et al. Marketing estratégico. São Paulo: Saraiva, 2015. [Minha Biblioteca] TZU, Sun. A arte da guerra. 4. ed. São Paulo: Vozes, 2011. E-book. [Biblioteca Virtual] https://pestleanalysis.com/who-invented-pest-analysis/ https://pestleanalysis.com/who-invented-pest-analysis/ https://rockcontent.com/br/blog/inteligencia-competitiva 21 Segmentação e Posicionamento de mercado Autoria: Luisa Maria Sarábia Cavenaghi Leitura crítica: Thaís Ravasi Objetivos • Compreender sobre os principais conceitos de segmentação de mercado. • Apresentar o processo de tomada de decisão de acordo com os níveis de segmentação e mercado-alvo. • Entender a estratégia de posicionamento e diferenciação das organizações. 22 1. Conceitos e critérios de segmentação de mercado Caro estudante, neste tema, vamos conhecer os principais conceitos que envolvem a segmentação e o posicionamento de mercado. Ao final deste estudo, você será capaz de identificar grupos de consumidores com necessidades específicas e desenvolver estratégias de posicionamento que tragam vantagens competitivas. Vamos dar alguns passos ou voltar alguns anos para compreender esse processo de busca por segmentação e posicionamento? Kotler (2021) explica que há oito décadas, a General Motors deixou a Ford para trás e emergiu como a principal fabricante de automóveis nos Estados Unidos. Esse êxito foi resultado do reconhecimento da importância crucial da segmentação, porque enquanto Henry Ford estava preso na ideia de oferecer carros apenas na cor preta, a GM adotou uma estratégia visionária, concebendo e lançando veículos que se adequassem a uma ampla variedade de orçamentos, finalidades e preferências individuais. Essa história mostra a necessidade de as empresas adotarem uma abordagem distinta para cada grupo, pois, embora os consumidores gostem de fazer parte de uma comunidade que se identifiquem, todos têm o anseio de serem tratados como indivíduos especiais (Reade et al., 2015). A esse respeito, Las Casas (2019) explica que Ford cometeu um equívoco ao não levar em consideração as variações presentes no mercado. Por outro lado, a GM percebeu a existência de segmentos de consumidores com preferências divergentes, optando por produzir veículos direcionados a esses grupos específicos. Segmentar significa dividir mercados heterogêneos em grupos menores, que sejam formados por consumidores homogêneos entre si. Esta 23 homogeneidade depende de uma série de fatores, e um deles pode ser quanto às preferências. (Las Casas, 2019, p. 381) Em outras palavras, de acordo com Reade et al. (2019, p. 135), a segmentação de mercado “é a estratégia mercadológica que visa à divisão do mercado em partes menores, de modo que se possa entender melhor os consumidores presentes em cada uma de suas fatias e proporcionar-lhes a melhor oferta”. Portanto, segmentar é agrupar consumidores com características similares, conforme alguns critérios ou variáveis que abordaremos mais adiante. 2. Variáveis para segmentação de mercado De acordo com Kotler e Keller (2019), as principais variáveis utilizadas para segmentar os consumidores são: geográfica, demográfica, psicográfica e comportamental. Em que: 1. Segmentação demográfica: os consumidores são agrupados com base em características, como idade, gênero, renda, educação, estado civil, tamanho da família; estágios no ciclo de vida e geração. O ciclo de vida refere-se às diferentes fases que um indivíduo passa. Já a geração agrupa pessoas que compartilham experiências semelhantes devido ao período em que nasceram e cresceram. Por exemplo, os jovens são mais inclinados a adotar tecnologias recentes, enquanto os mais velhos podem valorizar produtos ou serviços relacionados à saúde e ao bem-estar. Essa compreensão ajuda as empresas direcionarem suas estratégias de marketing de maneira mais precisa. 2. Segmentação geográfica: divide o mercado de acordo com a localização geográfica dos consumidores, incluindo fatores como 24 país, região e cidade. O marketing local foi uma estratégia muito usada no início da Nike para conseguir engajamento com os consumidores-alvo; para isso, ela patrocinava escolas de bairro, oferecia aulas com especialistas etc. 3. Segmentação psicográfica: os consumidores são agrupados com base em fatores psicológicos e emocionais, como valores, estilo de vida, personalidade e interesses. Mesmo que pertençam ao mesmo grupo demográfico, os indivíduos podem exibir perfis psicográficos variados. Nos EUA, uma classificação muito usada é a segmentação VALS (Values, Attitudes e Lifestyles), que classifica os consumidores com base em suas atitudes, valores e estilo de vida. Figura 1 – Segmentação VALS Fonte: Kotler e Keller (2019, p. 285). 25 O quadro de segmentação VALS se baseia nas dimensões centrais da motivação do consumidor (horizontal) e nos recursos do consumidor (vertical). Nesse contexto, os consumidores são influenciados por três motivações principais: princípios, realizações e autoexpressão. Aqueles motivados pelos princípios são orientados por conhecimento e ideais. Os que buscam realizações procuram produtos que demonstrem sucesso entre seus pares. Já os orientados pela autoexpressão desejam interações sociais ou físicas, diversidade e riscos. Nesse sentido, as características de personalidade como energia, autoconfiança, intelectualismo, busca por novidades, inovação, impulsividade, liderança e vaidade, combinadas com informações demográficas determinam os recursos de um indivíduo. Segundo Kotler e Keller (2019), diferentes níveis de recursos amplificam ou limitam a motivação principal de uma pessoa. 4. Segmentação comportamental: os compradores são agrupados em categorias: conhecimento, atitude, uso ou reação a um produto. Nem todos os que adquirem um produto compartilham as mesmas necessidades ou almejam os mesmos benefícios. A segmentação focada nas necessidades ou nos benefícios reconhece diversos setores de mercado, trazendo consigo implicações de marketing distintas e perceptíveis. Além disso, no processo de decisão de compra, as pessoas podem assumir cinco funções distintas: iniciador, influenciador, decisor, comprador e usuário. É importante que a empresa entenda esses papéis, pois nem sempre aquele que realiza a compra é o mesmo que tomou a decisão. 26 Vamos exemplificar esse processo? Por exemplo, suponha que uma esposa inicie uma compra ao expressar o desejo de ganhar uma esteira de ginástica de presente de aniversário.O marido, por sua vez, busca informações, inclusive com um amigo influente que tem uma esteira, para avaliar diferentes modelos. Depois de apresentar as opções à esposa, ele compra o modelo decidido por ela, que acaba sendo utilizado por toda a família. Cada pessoa desempenha papéis específicos, todos eles são fundamentais no processo de decisão e na satisfação final do cliente. De acordo com Kotler e Keller (2019, p. 291), para serem eficazes, os segmentos de mercado devem procurar satisfazer os cinco critérios a seguir: Mensuráveis: O tamanho, o poder de compra e as características dos segmentos devem ser passíveis de mensuração. Substanciais: Os segmentos devem ser grandes e rentáveis o suficiente para serem atendidos. Um segmento deve ter o maior grupo homogêneo possível e um programa de marketing bem desenvolvido. Acessíveis: Deve ser efetivamente possível alcançar e atender ao segmento Diferenciáveis: os segmentos são conceitualmente distintos e respondem de maneira diferente a cada elemento e programa do mix de marketing. Por exemplo se mulheres casadas e solteiras respondem de maneira similar à venda de perfumes, não constituem segmentos separados. Acionáveis: deve ser possível desenvolver programas efetivos para atrair e atender aos segmentos. Ao atender a esses critérios, as empresas podem criar segmentos de mercado significativos e estrategicamente relevantes, permitindo-lhes direcionar seus esforços de marketing de maneira mais precisa e eficaz 27 para atender às necessidades específicas dos diferentes grupos de consumidores. 3. Processo de tomada de decisão em marketing Os especialistas em marketing dispõem de uma variedade ou leque de opções em termos de níveis de segmentação, que podem guiar as escolhas relacionadas ao mercado-alvo. Nesse sentido, observe a figura a seguir. Figura 2 – Possíveis níveis de segmentação Fonte: Kotler e Keller (2019, p. 292). 1. Cobertura total de mercado: Kotler e Keller (2019) explicam que, nessa estratégia, uma empresa se esforça para satisfazer todas as demandas dos diferentes grupos de clientes com uma ampla gama de produtos. De acordo com os autores, essa segmentação deve ser utilizada apenas por empresas de grande porte, como Coca-Cola, General Motors ou Microsoft. Trata-se de uma abordagem mais eficaz quando as preferências e as necessidades dos consumidores são semelhantes e quando a empresa tem eficiência na produção e na comunicação. 28 2. Especialização em segmentos múltiplos: nessa segmentação, a empresa foca em um subgrupo de todos os segmentos possíveis, escolhendo aqueles que são mais atraentes e apropriados. A estratégia de segmentação múltipla oferece a vantagem de diversificar os riscos enfrentados pela empresa, em que pode ser uma especialização em produto ou mercado. Como exemplo temos a Procter & Gamble, grande multinacional que atua em diversas categorias de produtos de consumo, incluindo cuidados pessoais, produtos de limpeza doméstica, cuidados com a saúde, produtos de beleza entre outros. 3. Concentração em um único segmento: nessa abordagem, a empresa opta por vender exclusivamente para um segmento específico. Kotler e Keller (2019) citam o exemplo da Porsche, que foca no mercado de carros esportivos, enquanto a Volkswagen se direciona aos carros compactos. Dessa forma, a empresa consegue compreender profundamente as necessidades desse segmento e ganha presença no mercado. Ela obtém eficiência operacional com especialização na produção, na distribuição e na promoção direcionadas. Um nicho é um grupo restrito de clientes que busca um conjunto específico de benefícios dentro de um segmento ou subsegmento, como a empresa Ferrari, que é conhecida por sua especialização em carros esportivos de luxo. 4. Marketing individual: esse é o nível mais avançado da segmentação de acordo com Kotler e Keller (2019), também chamado de marketing personalizado ou one-to-one. À medida que as empresas aprimoram a obtenção de informações sobre clientes e parceiros comerciais, e com maior flexibilidade em suas operações, elas podem personalizar ofertas, mensagens e canais de comunicação. A personalização em massa é a habilidade de uma empresa em atender às necessidades de cada cliente individualmente, desenvolvendo produtos, serviços, programas e comunicações de forma massificada, mas adaptados de maneira 29 exclusiva para cada cliente. Um exemplo desse tipo de abordagem altamente personalizada é a empresa Amazon, que utiliza dados detalhados dos clientes para oferecer recomendações e experiências individualizadas. Quando visitamos a Amazon, vemos uma seções de “Produtos Recomendados para Você” baseadas em suas compras anteriores, histórico de navegação e produtos que você adicionou ao carrinho. A empresa utiliza algoritmos sofisticados para prever quais produtos você pode estar interessado. Nesse contexto, é importante compreender que nem todas as empresas são igualmente beneficiadas pela personalização. Para muitas empresas, o investimento necessário em coleta de informações, infraestrutura de hardware e software pode superar os benefícios. O custo das mercadorias pode se elevar a um ponto onde ultrapassa o valor que o cliente está disposto a pagar. 4. Estratégia de posicionamento e diferenciação das organizações Você já parou para pensar por que alguns clientes pagam tão caro em um tênis por ser de determinada marca? Ou qual a razão de um determinado grupo de mulheres ser capaz de pagar em uma bolsa o valor de uma joia, um relógio e, às vezes, até um carro popular? Os clientes só pagam mais caro por um produto porque percebem um diferencial. De acordo com Reade et al. (2015, p. 213), a “diferenciação é o esforço de uma empresa para construir uma oferta única para os consumidores delimitados na sua segmentação de mercado”. Logo, para que uma empresa possa se destacar no mercado, o que mais tarde será refletido em sua estratégia de posicionamento, é crucial 30 compreender a ordem de prioridade dos valores para seus clientes. Nesse sentido, é necessário compreender o que os consumidores percebem como valor durante o processo de compra. Para os consumidores, o valor é a diferença entre os custos envolvidos no processo e os benefícios que o produto pode trazer (Reade et al., 2019). De acordo com Magretta (2019), a proposta de valor reflete as decisões sobre o tipo preciso de valor que a empresa irá proporcionar, seja essa escolha feita de maneira consciente ou não. Observe a Figura 3 sobre proposição de valor e acordo com Porter. Figura 3 – Proposição de valor Fonte: Magretta (2019, p. 108). 1. Que clientes? Dentro de um setor, é comum encontrar grupos diferentes, ou segmentos, de clientes. Uma proposta de valor pode ser direcionada de forma específica para atender a um ou mais desses segmentos, conforme visto nos níveis de segmentação e nas variáveis. Em certas situações, a escolha do público-alvo é de extrema importância. Essa 31 seleção, por sua vez, influencia diretamente os outros dois aspectos do cenário: as necessidades e a relação de preço. Nesse sentido, “o essencial é identificar um modo único de atender ao segmento escolhido com lucratividade” (Magretta, 2019, p.110). 2. Que necessidades? A escolha fundamental normalmente é sobre a necessidade que a empresa pretende satisfazer, o que impacta os outros dois lados do cenário. Nesse contexto, a estratégia é construída em torno da habilidade singular de atender a uma necessidade específica ou a um subconjunto delas. Geralmente, as propostas de valor voltadas às necessidades atraem um grupo diversificado de clientes, muitas vezes desafiando a segmentação tradicional. Então, em vez de serem agrupados por características demográficas, os clientes são definidos por uma ou mais necessidades compartilhadas em determinado momento. 3. Que preço relativo? O triângulo da proposta de valor pode assumir várias configurações. Algumas empresas atendema praticamente todos os clientes do mercado, mas se concentram em satisfazer uma necessidade específica ou um grupo delas. Outras direcionam seus esforços para um público mais específico, visando satisfazer múltiplas necessidades. Ainda, existem aquelas que proporcionam um valor maior a um preço mais alto, bem como aquelas que se destacam pela eficiência e oferecem preços relativamente baixos. O primeiro teste de uma estratégia é se a proposição de valor difere da adotada pela concorrência. Se uma empresa procura atender os mesmos clientes e satisfazer as mesmas necessidades e vender no mesmo preço relativo, então, de acordo com a definição de Porter, ela não tem uma estratégia. (Magretta, 2019, p. 117) 32 De acordo com Las Casas (2019), para se diferenciar, a empresa pode empregar diferentes fatores como diferenciação por produto, serviços, equipe, canal de distribuição e imagem. Assim, o produto deve ser inovador, carregar atributos únicos e distintos. No âmbito dos serviços, a diferenciação pode ocorrer por meio das instalações, dos equipamentos empregados e, principalmente, do atendimento prestado. Na perspectiva da equipe, a empresa se destaca pelo aprimoramento e pela competência de seus recursos humanos. Ainda de acordo com o autor, no canal de distribuição, a diferenciação pode ser voltada a instalações, cobertura, especialização e qualidade do pessoal envolvido (Las Casas, 2019). Por fim, a empresa pode conquistar distinção por meio de sua imagem, de uma comunicação criativa e envolvente que acrescente valor à percepção e à construção da marca e do posicionamento. Segundo Reade et al. (2019), após selecionar o público-alvo, por meio de uma estratégia de segmentação de mercado, e identificar os diferenciais que levam a uma vantagem competitiva em relação à concorrência, chega o momento de se posicionar. Para Hooley et al. (2005) o posicionamento competitivo envolve identificar os mercados que a empresa pretende atingir e a vantagem exclusiva pela qual ela competirá. Essa estratégia seleciona cuidadosamente os segmentos de mercado mais adequados para capitalizar as forças da empresa, enquanto reduz a exposição aos pontos fracos. Reade et al. (2019) explica que as empresas precisam compreender o comportamento dos consumidores em diferentes cenários e desenvolver estímulos que facilitem a compreensão da narrativa que a marca está construindo. Essa narrativa é a chave para criar os estímulos apropriados que conduzirão à lembrança dos atributos essenciais da marca. 33 O posicionamento é a imagem diferenciada que uma empresa cria na mente dos consumidores, destacando os atributos, os benefícios e os valores únicos que a diferencia da concorrência. O objetivo é criar uma conexão emocional e mental com o público-alvo. Nesse contexto, uma estratégia de posicionamento eficaz ajuda a empresa a ocupar um lugar único na mente dos consumidores, influenciando suas decisões de compra e gerando lealdade à marca. Ao posicionar um produto no mercado, a empresa precisa de uma compreensão profunda das ofertas disponíveis. Isso requer a realização de uma pesquisa que revele os atributos que os consumidores consideram importantes e como os concorrentes estão se posicionando em relação a esses atributos. Essa pesquisa deve incluir a análise da cadeia de valor em relação aos produtos ou aos serviços específicos, e uma lista de atributos deve ser desenvolvida para que os clientes possam definir uma hierarquia de prioridades (Las Casas, 2019). No processo de estabelecer esse posicionamento, segundo Las Casas (2019), as empresas devem evitar erros que incluem o subposicionamento, quando o produto carece de identidade; o supraposicionamento, no qual o posicionamento é tão forte na mente dos clientes que eles não associam a empresa a outros produtos; o posicionamento confuso, quando a empresa não delimita claramente seus atributos e diferenciais, resultando em confusão para os consumidores e levando-os a evitar o produto; e o posicionamento duvidoso, em que os consumidores não acreditam na mensagem transmitida devido à falta de credibilidade da empresa. Por fim, Reade et al. (2019) explica que a essência do posicionamento está voltada à análise do mercado, dos consumidores e do DNA da empresa. Além de todas as questões apontadas, é importante que a mensagem seja consistente. Tenha consistência na memória do consumidor, consistência na presença na mídia e consistência em qualquer ponto de contato com o cliente. Trata-se de um processo 34 que demanda tempo para que uma marca seja reconhecida pelo seu posicionamento. Parte superior do formulário Referências HOOLEY, G. et al. Estratégia de marketing e posicionamento competitivo. 3. ed. São Paulo: Pearson, 2005. E-book. [Biblioteca Virtual] KOTLER, Philip. Marketing para o século XXI. Rio de Janeiro: Alta Books, 2021. KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson, 2019. E-book. [Biblioteca Virtual] LAS CASAS, Alexandre Luzzi. Administração de marketing. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2019. E-book. [Minha Biblioteca] MAGRETTA, Joan. Entendendo Michael Porter. Rio de Janeiro: Alta Books, 2019. E-book. [Minha Biblioteca] READE, Dennis V. et al. Marketing estratégico. São Paulo: Saraiva, 2015. [Minha Biblioteca] 35 Gestão de Portfólio de Produtos e Serviços Autoria: Luisa Maria Sarábia Cavenaghi Leitura crítica: Thaís Ravasi Objetivos • Compreender a gestão de portfólio de produtos e serviços. • Apresentar o processo de análise do ciclo de vida do produto. • Mostrar soluções inovadoras para o mercado. 36 1. Análise e gestão de portfólio de produtos e serviços Caro estudante, neste tema, você conhecerá os principais aspectos relacionados a gestão de portfólio de produtos e serviços. Vamos abordar sobre as estratégias que envolvem desde a construção até o encerramento de uma marca, e também conhecer ferramentas e exemplos de soluções inovadoras para o mercado. Ao final deste estudo, você será capaz de compreender o processo de análise e gestão de portfólio de produtos e serviços, entender as decisões estratégicas que fazem parte da gestão de marcas e conhecer soluções criativas para o mercado. Os produtos são categorizados de acordo com suas características de durabilidade, tangibilidade e uso. Eles podem ser bens não duráveis, bens duráveis e serviços. Por isso, no decorrer deste texto, quando nos referirmos a produto podemos estar falando de bens ou serviços. Nesse sentido, é importante destacar que os serviços têm algumas particularidades que não iremos tratar neste conteúdo (Kotler; Keller, 2019). Para criar valor para seus consumidores, as empresas precisam criar estratégias de expansão de seus mercados. Isso significa avaliar as oportunidades de crescimento em seu mercado atual e explorar outras situações, nas quais possam identificar oportunidades latentes que levem a um aumento significativo nos lucros (Reade et al., 2019). De acordo com Kotler e Keller (2019, p. 45), as grandes empresas gerenciam uma ampla variedade de negócios e para facilitar a gestão, o planejamento e as estratégias, esses negócios são divididos em unidades com características afins, conhecidas como Unidades Estratégicas de Negócios (UEN). A General Electric, por exemplo, costumava categorizar seus negócios em 49 Unidades Estratégicas de Negócios (UENs). 37 Por sua vez, as UENs são definidas por três aspectos: 1. São um negócio independente ou um conjunto de negócios que podem ser planejados e gerenciados separadamente do restante da empresa. 2. Têm seu próprio conjunto de concorrentes, competindo em seu próprio mercado específico. 3. São supervisionadas por um gerente designado, responsável pelo planejamento estratégico e pelo desempenho financeiro dela. A matriz GE é uma ferramenta que avalia cada UEN com base em sua vantagem competitiva e na atratividade do setor que atua. A partir desta análise, a gestãopode optar por quatro estratégias principais: crescer, colher, desinvestir ou manter o negócio. Outra matriz muito conhecida é a matriz BCG (Boston Consulting Group), que classifica as UENs com base na participação de mercado relativa e na taxa de crescimento anual do mercado. As categorias incluem “abacaxis” (produtos problemáticos), “vacas leiteiras” (produtos geradores de caixa), “pontos de interrogação” (produtos com potencial incerto) e “estrelas” (produtos promissores) (Kotler; Keller, 2019). 38 Figura 1 – Matriz BCG Fonte: Las Casas (2019, p. 166). Você conheceu a matriz GE/McKinsey e a BCG, porém não vamos nos aprofundar nelas, pois, apesar de serem muito conhecidas e terem sido amplamente utilizadas, Kotler e Keller (2019) afirmam que elas estão em desuso por serem muito simplistas e subjetivas. Dessa forma, novas abordagens avaliam o valor que uma empresa proporciona aos seus acionistas questionando se o valor de mercado de uma empresa aumenta ao manter ou vender/desmembrar uma UEN. O potencial de um empreendimento é visto com base nas oportunidades de crescimento vindos de sua expansão global, mudança estratégica ou adoção de estratégias de terceirização. A avaliação de oportunidades de crescimento, por sua vez, envolve planejar novos negócios e eliminar os obsoletos para preencher a lacuna entre as vendas desejadas e as projetadas. Por exemplo, temos a empresa fictícia Cineview, de acordo com a Figura 2, que sua 39 curva inferior representa as vendas previstas para o portfólio atual da empresa nos próximos cinco anos, enquanto a curva superior representa as vendas desejadas para o mesmo período. Isso denota que a empresa espera por um crescimento significativamente maior do que o que seus negócios atuais permitem (Kotler; Keller, 2019). Figura 2 – Lacuna de Planejamento Estratégico Fonte: Kotler e Keller (2019, p. 45). Nesse contexto, Chiavenato (2020) explica que ao buscar aumentar os lucros, a empresa deve avaliar seus mercados e produtos para determinar se deve continuar seguindo o curso atual, focando apenas em melhorar o que já faz, ou se deve assumir novos desafios e riscos. Para essa análise, vamos explorar a matriz produto-mercado de Ansoff, ilustrada na figura a seguir. 40 Figura 3 – Matriz Produto-Mercado de Ansoff Fonte: Chiavenato (2020, p. 181). A matriz mostra na horizontal o quadrante mercado com a opção de existentes ou novos. Na vertical produtos/serviços, com a opção de existes ou novos. Ao fazer o cruzamento da matriz produto/serviço x mercado, temos quatro opções de estratégias: penetração de mercado; desenvolvimento de mercado; desenvolvimento de produtos e diversificação. • Penetração de mercado: a empresa busca crescer no mercado atual com os produtos existentes. Isso envolve aumentar a participação de mercado, conquistar novos clientes ou estimular o uso mais frequente dos produtos atuais. Por exemplo, temos a estratégia da Coca-Cola que introduziu novos tamanhos de embalagem e lançou campanhas publicitárias para incentivar as pessoas a consumirem mais refrigerantes da marca em seu mercado já estabelecido. • Desenvolvimento de mercado: a organização busca novos mercados para os produtos/serviços existentes. A Embraer, por exemplo, quando o mercado de aviação comercial entrou em queda, passou a investiu recursos para vender seus equipamentos militares. • Desenvolvimento de produtos: a empresa introduz novos produtos ou serviços em mercados existentes, o que envolve 41 a inovação ou o aprimoramento dos produtos existentes. Um exemplo seria do grupo Accor, que possui diferentes marcas de hotéis – o Sofitel para um público mais sofisticado, o tradicional Novotel, o Ibis direcionado para quem quer pagar mais barato e o Partenon voltado aos executivos. • Diversificação: a empresa se aventura em novos mercados e introduz novos produtos. É considerada uma estratégia de alto risco, pois envolve entrar em território desconhecido tanto em termos de produtos quanto de mercado. Um exemplo de estratégia de diversificação que teve um resultado positivo é a Amazon, que começou como uma livraria on-line e se expandiu rapidamente para vender uma ampla variedade de produtos, desde eletrônicos até roupas e alimentos. A empresa pode usar uma ou combinar as estratégias apresentadas, mas é importante avaliar o mercado, a concorrência e o perfil dos clientes para tomar as melhores decisões. 2. Ciclo de vida do produto O Ciclo de Vida do Produto (CVP) é uma ferramenta valiosa para o marketing, pois permite aos profissionais responsáveis orientar estratégias específicas em cada fase do ciclo. Tecnologias, formatos de produtos e marcas seguem ciclos de vida que compreendem estágios distintos, mas, de modo geral, as fases do ciclo de vida do produto são: introdução, crescimento, maturidade e declínio (Kotler; Keller, 2019; Las Casas, 2019). Na fase de introdução, o foco está na divulgação do produto para que os potenciais consumidores tomem conhecimento dele. No período de crescimento, os investimentos em comunicação continuam sendo robustos, sustentando o crescimento do produto no mercado. Na fase 42 de maturidade, os investimentos em comunicação aumentam, mas o produto gera mais lucro, recuperando os investimentos iniciais. Nesse estágio, a empresa pode introduzir inovações, adotar estratégias de expansão da linha ou de extensão de marca, entre outras. Por fim, no estágio de declínio, a empresa pode enfrentar a concorrência de produtos mais inovadores ou a mudança de preferências dos consumidores, levando à diminuição da demanda pelo produto (Las Casas, 2019). No Quadro 1, você pode compreender como cada fase do ciclo de vida do produto vai impactar nas vendas, nos custos, nos lucros etc. Os objetivos para cada fase também são distintos e são acompanhados por diferentes estratégias para cada elemento do composto mercadológico e para cada fase do ciclo de vida. Quadro 1 – Ciclo de vida do produto – objetivos e estratégias de marketing Características Introdução Crescimento Maturação Declínio Vendas Baixas Rápido crescimento Pico Declínio Custos Alto custo por cliente Médio Baixo Baixo Lucros Negativos Crescentes Elevado Em declínio Clientes Inovadores Adotantes imediatos Maioria mediana Retardatários Concorrentes Poucos Número crescente Número estável, começando a declinar Em declínio Objetivos de marketing Criar consciência de produto e experimentação Maximizar a participação de mercado Maximizar os lucros, defendendo a participação de mercado Reduzir gastos e tirar o máximo da marca Estratégias 43 Produtos Oferecer um produto básico Oferecer ampliações de produto, atendimento, garantia Diversificar marcas e modelos Eliminar modelos vulneráveis Preço Preço elevado Preço de penetração Preço equivalente ao da concorrência ou melhor Preço reduzido Distribuição Seletiva Intensiva Mais intensiva Seletiva: eliminação de pontos de venda não lucrativos Comunicações Construir consciência de produto e experimentação entre adotantes e distribuidores imediatos Construir a consciência e o interesse no mercado massa Enfatizar as diferenças e os benefícios da marca e incentivar a troca de marcas Reduzir ao nível necessário para reter clientes fiéis convictos Fonte: adaptada de Kotler e Keller (2019, p. 391-392). É importante compreender que o CVP se concentra no desempenho de um produto ou marca específica em vez de abranger o mercado como um todo. Por isso, as empresas também devem considerar a evolução do mercado, influenciado por novas demandas, concorrentes, tecnologias, canais de distribuição e outros fatores. Portanto, é essencial que elas ajustem o posicionamento do produto e da marca para se adaptarem a essa evolução. Da mesma forma que os produtos, os mercados também passam por quatro estágios: introdução, crescimento, maturidade e declínio (Kotler; Keller, 2019). 3. Gerenciamentoda marca Uma marca é um produto ou serviço com características que o tornam único em relação a outros produtos que atendem à mesma necessidade. Essas distinções podem ser observáveis em termos de desempenho, racionalidade ou aspectos tangíveis, bem como em termos de 44 significados simbólicos, emocionais ou intangíveis associados àquilo que a marca representa de forma abstrata (Kotler; Keller, 2019). Você já parou para pensar em como se incorpora uma marca a um produto? Apesar de as empresas promoverem ativamente a construção de uma marca por meio de estratégias de marketing e outras iniciativas, no final das contas, a marca é algo que se forma na mente dos consumidores. Ela é uma entidade perceptiva que tem suas raízes na realidade, contudo, é moldada pelas percepções das pessoas. O gerenciamento da marca passa pelo brand equity, isto é, o valor adicional dado a produtos e serviços, sendo capaz de influenciar a forma como os consumidores percebem, se emocionam e interagem com a marca, afetando também os preços, a fatia de mercado e a lucratividade associados à marca (Kotler; Keller, 2019). Logo, a ideia central é que marcas sólidas podem sustentar a vantagem competitiva e a lucratividade ao longo do tempo. Assim, um dos principais propósitos da criação de uma marca é aprimorar, fortalecer ou impulsionar o brand equity, que engloba principalmente a conscientização, associações e a fidelidade dos clientes (Aaker, 2015). A conscientização da marca é um ativo frequentemente subestimado que influencia percepções e comportamentos. As pessoas tendem a preferir o que conhecem e associam qualidades positivas a itens familiares. Além disso, a conscientização da marca indica sucesso, comprometimento e qualidade, especialmente em compras de alto valor e bens duráveis. Dessa forma, as associações de marca englobam elementos como características do produto, design, qualidade, programas sociais, diversidade de produtos, imagem do usuário, presença global, 45 inovação, personalidade da marca e símbolos. Por sua vez, esses elementos constituem os pontos de conexão entre o cliente e a marca, desempenhando um papel fundamental nas relações com os clientes, nas decisões de compra, na experiência de uso e na fidelidade à marca. Ainda de acordo com Aaker (2015), a fidelidade à marca é crucial para o valor da marca, pois, uma vez estabelecida, tende a perdurar. Nesse contexto, um bom relacionamento com o cliente contribui para a fidelização ao cultivar a confiança, criar conexões emocionais e satisfazer suas necessidades, resultando em clientes mais leais, dispostos a fazer compras repetidas, recomendar a marca a outros e proporcionar feedback valioso; tudo isso fortalecendo o vínculo com a empresa e impulsionando seu crescimento sustentável. Portanto, o objetivo da construção da marca é ampliar e aprofundar os laços de fidelidade, tornando o relacionamento com o cliente mais sólido e significativo a longo prazo. O desenvolvimento da visão de marca começa com uma análise profunda do mercado, concorrência, tendências e estratégia de negócios. Em seguida, é fundamental identificar associações aspiracionais que ressoem com os clientes, sejam relevantes e estejam alinhadas com a estratégia futura. Essas associações devem criar uma diferenciação significativa que sustente a proposta de valor ou demonstre um ponto de paridade. Em um terceiro momento, é preciso se atentar para visão que deve motivar os colaboradores e os parceiros da organização. O quarto momento é de criação da essência da marca, um único conceito que represente a alma da visão de marca. Por fim, o último passo é saber posicionar a marca (Aaker, 2015). A extensão de marca pode oferecer oportunidades de crescimento, fortalecendo a visibilidade da marca e suas associações. Porém, existem riscos de impactos negativos nas associações da marca. A escolha de marcas adequadas para extensões requer a identificação de associações que possam ser aproveitadas, uma proposta de valor atraente e uma 46 integração cuidadosa para evitar contratempos no mercado (Aaker, 2015). Nesse sentido, Aaker (2015) sobre dez desafios ao gerir uma marca, sendo eles: 1. Reconhecer que as marcas são ativos valiosos e não focar apenas em resultados de curto prazo, mas também na construção a longo prazo. 2. Ter uma visão de marca que seja única, viável, adaptável e comunicável, usando conceitos como personalidade da marca e valores organizacionais. 3. Investir em inovações significativas que criem subcategorias no mercado e impeçam a concorrência de ganhar relevância. 4. Priorizar a criação de marca excepcionais que se destaquem em um mercado saturado e dinâmico. 5. Produzir comunicações integradas de marketing para reforçar a mensagem da marca, apesar da complexidade do cenário de mídia. 6. Desenvolver estratégias digitais adaptadas ao controle dos consumidores e ao ambiente dinâmico on-line. 7. Envolver os funcionários na visão da marca, garantindo que compreendam e se identifiquem com ela. 8. Manter a relevância da marca, identificando e respondendo às mudanças nas preferências dos clientes. 9. Criar um portfólio de marcas com funções claras e sinergia entre elas, destacando marcas estratégicas e diferenciadoras. 47 10. Utilizar os ativos da marca para impulsionar o crescimento, aplicando a marca a novos contextos em que ela possa agregar valor. Ganhar é ótimo, mas não perder relevância com um segmento fundamental do mercado pode ser igualmente vantajoso. Assim, manter a relevância geralmente é mais simples, mais econômico e pode pavimentar o caminho para conquistar vitórias maiores no futuro. O desafio consiste em estar ciente das ameaças que podem afetar a relevância e em acompanhar suas flutuações. Logo, é possível lidar com essas ameaças, mas somente se forem identificadas e compreendidas. É preciso habilidades de pesquisa de mercado, capacidade de extrair informações dos dados e uma equipe estratégica que esteja alerta para mudanças no mercado e possíveis vulnerabilidades da marca. 4. Soluções inovadoras para o mercado Ao contrário dos apoiadores da administração científica do século passado, os praticantes do design thinking reconhecem que não há uma única “melhor maneira” de abordar um problema. Eles olham para inovação como um sistema de espaços sobrepostos em vez de uma sequência linear de etapas. Esses espaços, por sua vez, podem ser descritos como a inspiração que motiva a busca de soluções; a ideação, onde as ideias são geradas, desenvolvidas e testadas; e a implementação, que leva as ideias do estúdio de design para o mercado. Os projetos podem transitar por esses espaços várias vezes, à medida que a equipe aprimora suas ideias e explora novas direções (Brown, 2020). O design thinking, concebido por Tim Brown, é uma abordagem inovadora para a resolução de problemas e a elaboração de soluções criativas e centradas no ser humano. Essa metodologia foi popularizada 48 por Brown, CEO da empresa de design e consultoria IDEO, e ganhou destaque na área de negócios e design por sua capacidade de promover a inovação e a empatia. A seguir, veja os princípios e as etapas do design thinking de Tim Brown: 1. Empatia: etapa de compreensão profunda dos usuários, seus desafios, necessidades e aspirações. Isso envolve a realização de pesquisas de campo, entrevistas e observação para adquirir insights valiosos. 2. Definição: depois de compreender os usuários, o próximo passo é definir claramente o problema ou o desafio que deseja resolver. Isso requer a identificação de insights e a criação de uma “pergunta-problema” clara e específica. 3. Ideação: nesta fase, as equipes geram uma ampla variedade de ideias criativas para abordar o problema definido. O pensamento divergente é incentivado e as ideias são avaliadas posteriormente. 4. Prototipagem: com as ideias em mãos, as equipes criam protótipos ou modelos simplificados das soluções propostas.Esses protótipos permitem testar conceitos e obter feedback dos usuários de forma rápida e econômica. 5. Teste: os protótipos são testados com os usuários reais para avaliar sua eficácia e identificar pontos fortes e fracos. O feedback dos testes é usado para refinar e aprimorar as soluções. 6. Iteração: o processo de design thinking é iterativo, o que significa que as etapas de empatia, definição, ideação, prototipagem e teste são repetidas até que uma solução satisfatória seja alcançada. Como você pode ver, o design thinking enfatiza a colaboração, a criatividade, a experimentação e a compreensão das necessidades 49 dos usuários como elementos essenciais para o desenvolvimento de soluções inovadoras. Ele é amplamente utilizado em diversos setores, incluindo design de produtos, serviços, estratégia de negócios e resolução de problemas complexos. Segundo Brown (2020), sua abordagem centrada no ser humano visa criar produtos e serviços mais eficazes e significativos, adaptados às necessidades e aos desejos de seus usuários. Nesse sentido, o design thinking pode enriquecer o marketing estratégico ao trazer uma abordagem centrada no cliente, na criatividade e na flexibilidade para o processo. Ele pode ajudar as empresas a desenvolver estratégias mais eficazes, produtos e serviços melhores e experiências do cliente mais atraentes, tudo em sintonia com as necessidades reais dos clientes. Então, é possível perceber que a gestão de portfólio de produtos e serviços é uma estratégia fundamental para o sucesso de uma empresa, permitindo a otimização de recursos, o atendimento às necessidades dos clientes e a adaptação às mudanças no mercado. Ao avaliar, priorizar e alinhar continuamente seus produtos e serviços, as empresas podem manter-se competitivas, inovadoras e alinhadas com as demandas em constante evolução dos clientes, garantindo assim um crescimento sustentável e a satisfação a longo prazo. Referências AAKER, David. On branding. Porto Alegre: Bookman, 2015. E-book. [Minha Biblioteca] BROWN, Tim. Design thinking: edição comemorativa 10 anos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2020. E-book. [Minha Biblioteca] CASAS, Alexandre Luzzi L. Administração de marketing. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2019. E-book. [Minha Biblioteca] 50 CHIAVENATO, Idalberto. Planejamento estratégico: da intenção aos resultados. São Paulo: Atlas, 2020. E-book. [Minha Biblioteca] KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson, 2019. E-book. [Biblioteca Virtual] READE, Dennis V.; ROCHA, Marcos; OLIVEIRA, Sérgio Luis Ignácio de; CHERNIOGLO, Andréa. Marketing estratégico. São Paulo: Saraiva, 2015. E-book. [Minha Biblioteca] 51 Estratégia, Planejamento e Transformação digital Autoria: Luisa Maria Sarábia Cavenaghi Leitura crítica: Thaís Ravasi Objetivos • Compreender as etapas do planejamento de mercado e a importância da estratégia. • Entender as práticas sustentáveis e de Responsabilidade Social e Ambiental. • Apresentar as transformações digitais e o impacto no planejamento estratégico. 52 1. Estratégia e planejamento de mercado Caro estudante, neste tema, vamos nos aprofundar nos conteúdos referentes a estratégia, compreendendo os principais aspectos relacionados ao planejamento estratégico; conhecer estratégias disruptivas; compreender as práticas sustentáveis e de Responsabilidade Social e Ambiental; além de assimilar como a transformação digital impactou o marketing estratégico. Você sabe quais as diferenças entre planejamento de mercado e planejamento estratégico? O planejamento estratégico é mais amplo, orientado para objetivos gerais da organização e de longo prazo, enquanto o planejamento de mercado é mais específico, focado nas estratégias de marketing e em curto prazo, com o objetivo de atender às necessidades do mercado e alcançar metas específicas de marketing. Ambos são essenciais para o sucesso de uma organização, pois o planejamento estratégico fornece a direção geral e o planejamento de mercado detalha como a organização alcançará seus objetivos de mercado (Las Casas, 2019). De acordo com Reade et al. (2015), o planejamento estratégico inclui a capacidade de reconhecer oportunidades no mercado que permitam à empresa superar a concorrência e satisfazer os clientes de maneira superior. Nesse contexto, o marketing estratégico desempenha um papel crucial, pois quando a mentalidade de marketing está profundamente enraizada na empresa, a compreensão do mercado é mais intuitiva, facilitando a identificação das necessidades e dos desejos dos consumidores. De acordo com Chiavenato (2020), o planejamento estratégico passa pelos seguintes passos: 53 1. Missão e visão: a missão é a declaração que define o propósito fundamental da organização, sua razão de existir. Já a visão representa a imagem do futuro desejado. Ambas orientam a direção estratégica. 2. Diagnóstico estratégico externo: busca antecipar oportunidades e ameaças que podem afetar a realização da visão, da missão e dos objetivos da organização. 3. Diagnóstico estratégico interno: avalia a situação da organização em relação às mudanças ambientais, identificando suas forças e fraquezas. 4. Fatores críticos de sucesso: são condições-chave que uma organização deve identificar, analisar e gerenciar para alcançar seus objetivos estratégicos, são específicos para cada organização. Exemplos de FCS: incluem satisfação do cliente, gestão de talentos, inovação de produtos, eficiência de processos etc. 5. Definição de objetivos: são metas claras e mensuráveis que a organização busca alcançar a longo prazo. Eles devem ser específicos, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e com prazo determinado (critérios SMART). 6. Formulação de estratégias: com base na análise do ambiente e nos objetivos estabelecidos, as estratégias são desenvolvidas. Elas representam a abordagem geral que a organização adotará para alcançar seus objetivos. 7. Implementação: o plano estratégico não é apenas um documento teórico, mas sim um roteiro para ação concreta. A execução eficaz das estratégias requer a implementação de programas e projetos específicos, que abrange todas as áreas de tomada de decisões da organização, seguir um processo formal e lógico na tomada 54 de decisões e manter um controle rigoroso sobre a execução do trabalho. 8. Avaliação e monitoramento: envolve uma análise crítica do que já foi colocado em prática, determinando quais estratégias devem ser mantidas e reavaliar as que não tiveram sucesso. A revisão das estratégias resulta de um processo de avaliação que leva em consideração as opiniões de várias partes interessadas e a análise de indicadores de desempenho associados a cada estratégia implementada. Você consegue perceber a importância da conexão do plano de marketing com o planejamento estratégico? O plano de marketing é uma parte integrante do processo de planejamento estratégico, que auxilia na tradução das metas gerais da organização em estratégias e ações específicas de marketing. Para Las Casas (2019), o plano compreende os seguintes processos: 1. Alinhamento de objetivos: o plano de marketing deve estar alinhado com os objetivos estratégicos da organização. Os objetivos de marketing devem contribuir para o alcance dos objetivos gerais da empresa. 2. Estratégias de marketing: o plano de marketing detalha as estratégias específicas que serão utilizadas para atingir as metas de marketing. Essas estratégias devem ser consistentes com as estratégias gerais da organização. 3. Recursos e orçamento: o planejamento estratégico define a alocação de recursos da empresa e o plano de marketing especifica como esses recursos serão utilizados para implementar as estratégias de marketing. 55 4. Segmentação de público-alvo: a segmentação de público-alvo no plano de marketing deve ser consistente com a identificação de mercados-alvo no planejamento estratégico. 5. Posicionamento da marca: o