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PROCESSOS PSICOPATOLÓGICOS: N2 É necessário o estudo das funções psíquicas isoladas e de suas alterações (embora possa suscitar enganos e simplificações inadequadas). Cuidado para não fragmentar o ser humano. Não é possível acessar o pensamento humano se não for através da linguagem verbal ou não verbal. As funções elementares psíquicas são: consciência, atenção, orientação, sensopercepção, memória, afetividade, vontade e psicomotricidade, pensamento, juízo de realidade e linguagem. CONSCIÊNCIA: cum (com) e scio (conhecer), conhecimento compartilhado com o outro e consigo mesmo. Definição neuropsicológica: grau de clareza do sensório (nível de consciência), estado de estar desperto, acordado, vigil, lúcido (estar consciente). Definição psicológica: dimensão subjetiva da atividade psíquica. Todas as funções psíquicas em funcionamento dão o tom da consciência do sujeito. Definição ético-filosófica: capacidade de tomar ciência dos deveres éticos e assumir as responsabilidades (consciência moral ou ética). - Principais características e propriedades do nível de consciência: o nível de consciência facilita a interação da pessoa com o ambiente de forma adequada ao contexto em que se está inserido. O nível de consciência adequado pode ser evocado tanto por estímulos externos ambientais quanto por estímulos externos quanto internos (pensamentos, emoções e recordações), o nível de consciência está prejudicado quando mesmo aumentando os estímulos o indivíduo não reage. O nível de consciência pode ser modulado tanto pelas características dos estímulos externos como pela motivação que o estímulo implica para o indivíduo em questão (uma mãe de recém-nascido está mais atenta ao choro do bebê que outras pessoas). O nível de consciência varia ao longo de um continuum que inclui desde o estado total de alerta, passando por níveis de redução da consciência até os estados de sono (variação normal) ou coma (variação patológica). Campo da consciência – o inconsciente: é regido pelo princípio de prazer por meio do processo primário em forma de condensação e deslocamento. Freud o dividiu em duas partes: o verdadeiro inconsciente (inacessível) e inconsciente pré-consciente. O inconsciente está em esferas opostas do consciente, tudo que o inconsciente quer é uma satisfação de prazer, entretanto o consciente precisa fazer uma ponderação de consciência. O inconsciente possui caráter dinâmico: atemporalidade (não segue lógica cronológica), isenção de contradição (sem sequência lógica, sem possibilidade de contradição e argumentação), princípio do prazer (não tem senso de realidade), processo primário (não tem lógica formal de raciocínio, deslocamento e projeção). - Alterações normais da consciência: Ritmos circadianos: oscilações endógenas que ocorrem durante o período de 24h, que comportam basicamente as alternâncias entre estado de vigília e sono. Não intencionais. Sono: estado reversível, de repouso, em que há redução de responsividade. É afetado pelas experiências vividas em vigília e tem efeitos restauradores nas funções neurocomportamentais dela. O quanto estamos privados do sono influencia diretamente no nosso nível de consciência. O sono é afetado também pelas coisas que vivemos em vigília. Sonho: fenômeno associado ao sono, é considerado uma alteração normal do estado de consciência. Os ritmos circadianos são oscilações endógenas autossustentadas do ritmo biológico no período de 24 h. São sincronizados por pistas ambientais recorrentes (nível de luminosidade traz um ritmo fixo para o sujeito – somos diurnos, mais despertos durante o dia). Permitem respostas eficientes perante os desafios e oportunidades no ambiente físico e social, temos prontidões diferentes a depender das exigências do momento. Modulam a homeostase interna do cérebro, assim como de outros sistemas, como demais órgãos e tecidos, nos dimensiona a compreender o que funciona melhor para o cerebral. Se expressam em vários níveis de funcionamento do organismo, desde o molecular, celular e circuitos orgânicos até sistemas sociais aos quais o indivíduo pertence. 16-04-2024 Sonho e vigília são estados comportamentais endógenos e recorrentes. O sono é dividido em fase REM e não REM e se repetem de forma cíclica a cada 70 e 110 minutos, com 4 a 6 ciclos repetidos por noite. O sono é um estado reversível, possui arquitetura neurofisiológica complexa, possui duração e intensidade, afetado por experiências ocorridas durante a vigília, gera efeitos restauradores e transformadores que otimizam funções neurocomportamentais da vigília. Sono sincronizado, sem movimentos oculares rápidos (sono não REM) - atividade elétrica cerebral síncrona, 4 estágios (do mais leve ao mais profundo) Sono dessincronizado, com movimentos oculares rápidos (sono REM) - dura de 20 a 25% da noite de sono, não é um sono leve nem profundo, sonhos ocorrem aqui em geral, movimentos oculares rápidos. Pessoas com depressão grave e narcolepsia podem ter a latência - adoecimento-primeiro sono REM - bastante diminuída, implicando geralmente uma inversão da arquitetura do sono. VIGÍLIA: os neurônios estão em atividade normal, tônus muscular, de 5 a 15 minutos depois de deitar, normalmente, se rebaixa o nível de consciência, iniciando o estágio 1 SONO NÃO REM - Estágio 1: 2% a 5% do nosso sono, liberação de melatonina, queda do tônus muscular. Nível de consciência muito próximo da consciência. Estágio 2: metade do tempo de sono, atividade dos neurônios abaixa, ritmo cardíaco e a temperatura diminuem. Estágio 3: 3 a 6% do sono, movimentos oculares, fase mais difícil de se despertar Estágio 4: 10 a 15% do sono, pico de liberação do hormônio de crescimento, armazenamento de conhecimento. SONO REM: ondas cerebrais mais semelhantes a do estagio 1, relaxamento muscular total, 20 25% do sono Sonho: pode manifestar o inconsciente, são predominantemente visuais. - Alterações quantitativas da consciência: relacionam-se ao grau de rebaixamento da consciência, que vai progressivamente de um nível mais desperto até um estado de perda mais profunda, no qual não se observa atividade consciente. Alterações quantitativas da consciência: (prova) - Obnubilação: sonolência patológica, rebaixamento da consciência em grau leve a moderado, lentidão na compreensão, dificuldade para integrar informações, diminui a atenção para solicitações externas. - Torpor: paciente está evidentemente sonolento, assim como na obnubilação, pode ainda apresentar traços de crítica e pudor. - Sopor: estado marcante de profunda turvação na consciência; o sujeito só consegue ser despertado por um tempo muito curto e um estímulo muito enérgico; o eletroencefalograma mostra traçados globais e marcadamente lentificados, podendo surgir as ondas mais lentas, do tipo de delta e teta. - Coma: perda completa da consciência, não é possível qualquer atividade voluntária consciente (semi coma, coma superficial, coma profundo, coma dépassé). Outras alterações quantitativas da consciência: - Delirium: (antiga síndrome confusional): alteração da consciência, paciente não integra de forma ordenada a sua existência, desorientação tempo e espaço, dificuldade de concentração, perplexidade, discurso confuso, possíveis alucinações e delírio. Comum em pacientes com distúrbio cerebral agudo. 22-04-2024 Alterações Qualitativas da Consciência: série de estados alterados da consciência: uma parte do campo de consciência está preservada, normal, e outra parte alterada. 1- Estados Crepusculares: é um estado patológico transitório no qual uma obnubilação da consciência é acompanhada de relativa conservação da atividade motora coordenada. Durante esse estado podem ocorrer descontrole emocional e explosões agressivas. 2- Estado segundo: semelhante ao crepuscular, porém a atividade psicomotora permanece estranha a personalidade do sujeito. 3- Dissociação da consciência: designa a fragmentação do campo da consciência. Ocorre em casos histéricos, e geralmente desencadeados por traumas psicológicos significativos. 4- Transe:estado que se assemelha a sonhar acordado, no entanto, apresenta atividade motora automática e estereotipada (suspensão dos movimentos voluntários). Ocorre em contextos religiosos e culturais. 5- Estado hipnótico: estado reduzido de concentração, pode ser induzido por outra pessoa. Semelhante ao transe, sugestionabilidade aumentada (sugere uma permissão para alguém te direcionar). 6- EQM*(experiência de quase morte): situações de grave ameaça à vida ocorrem experiências muito rápidas em que um estado de consciência particular é vivenciado e registrado. ATENÇÃO: Direção da consciência, estado de concentração da atividade mental sobre determinado objeto. Conjunto de processos psicológicos, que nos permite selecionar, filtrar e organizar informações em unidades controláveis e significantes. - Natureza da atenção: Atenção voluntária: concentração ativa e intencional. (foco direcionado para aula) Atenção espontânea: atenção suscitada pelo interesse momentâneo geralmente aumentada em casos de pouco controle voluntário de atenção. (garrafa caindo) - Direção da atenção: Atenção externa: projetada para fora do mundo subjetivo do sujeito (atenção fora do corpo, estímulos) Atenção interna: se volta para processos mentais do próprio indivíduo. (atenção interna do corpo, alguém falando comigo e eu estar pensando em outra coisa internamente). - Amplitude da atenção: Atenção focal: campo determinado (limita o campo) Atenção dispersa: difusa (atento de forma geral). - Tenacidade: capacidade do indivíduo de fixar sua atenção sobre determinada área. (hiperfoco) - Vigilância: qualidade de atenção que permite ao indivíduo mudar seu foco de um objeto para outro. (como por exemplo a atenção alternada) - Atenção flutuante (Freud): atenção que deixa o paciente livre. (atenção desejável na clínica, não é nem tão focal nem tão dispersa). 23-04-24 Subtipos de Atenção: Capacidade e foco de atenção: focalização da atenção, associado à experiência subjetiva de concentração. A capacidade de atenção concentrada se verifica quando o indivíduo consegue aplicar e focar toda sua atenção em determinado estímulo. Atenção seletiva: processos que permitem ou facilitam a seleção de estímulos e informações relevantes para o sujeito. Diz sobre a seletividade, ou seja manutenção da atenção apesar da presença de estímulos concorrentes. Atenção dividida: duas ou mais tarefas ou estímulos são concorrentes. Portanto exige um tipo de controle top-down específico para tarefas paralelas. (Ex: assistir tv e usar o celular ao mesmo tempo). Atenção alternada: capacidade de mudança de foco alternado voluntariamente durante a execução de tarefas. Atenção sustentada: capacidade de manter a atenção ao longo do tempo, atividade contínua e repetitiva. Seleção de respostas e controle seletivo: prestar atenção como algo associado quase sempre à uma ação planejada, um objetivo, ou seja, seleciona-se o estímulo e informações, mas também as respostas e controle destas. Alterações da Atenção: Principais alterações da atenção: - Hipoprosexia: diminuição da atenção global - Aprosexia: ausência total da atenção - Hiperposexia: exacerbação do estado de atenção. Distraibilidade: estado patológico: dificuldade ou incapacidade de fixar e manter a atenção - exige esforço produtivo. Atenção facilmente desviada para outro objeto. Distração: Sinal de superconcentração ativa da atenção sobre determinados conteúdos ou objetos, com a inibição de todo o resto. Foco da atenção em dado ponto de observação em detrimento de outros aspectos. - Orientação: a função do ego que permite orientação ao indivíduo envolve as seguintes categorias: tempo, lugar e pessoa. - Orientação autopsíquica: orientação do indivíduo em relação a si mesmo. - Orientação alopsíquica: capacidade de orientar-se em relação ao mundo. Inclui: Orientação espacial: quanto ao local, topográfica, orientação geográfica, julgamento de distância, capacidade de navegação. Orientação temporal (envolve duração e continuidade do tempo): a orientação temporal é adquirida mais tardiamente que a autopsíquica e a espacial na evolução neuropsicológica da criança. Inclui percepção do tempo, intervalos temporais, representação mental e processamento mental da temporalidade. Portanto… Orientação temporal: que dia é hoje? Em que ano estamos? Que horas são agora? Orientação espacial: onde estamos? Em que cidade estamos? Quanto tempo leva para vir de sua casa até aqui? Orientação psíquica: quem é você? Qual é o seu nome? O que você faz? Qual sua idade? PSICOPATOLOGIAS DA ORIENTAÇÃO: 1. Desorientação torporosa ou confusa: ligado à redução do nível de consciência. Produz alteração da atenção, da concentração, da memória recente e de trabalho e, consequentemente, da capacidade de percepção e retenção dos estímulos ambientais. 2. Desorientação por déficit de memória imediata e recente: também chamada de desorientação amnéstica, retrata a incapacidade de retenção de informações ambientais básicas na memória recente (típica síndrome de Korsakoff). 3. Desorientação apática ou abúlica: apatia marcante, desinteresse profundo. Comum em quadros depressivos graves. 4. Desorientação delirante: sujeito encontra-se em profundo estado delirante e acredita que está em outro tempo/local, consoante o seu delírio. 5. Desorientação por déficit intelectual: a desorientação ocorre pela incapacidade de compreender aspectos complexos do ambiente e reconhecer/ interpretar convenções sociais. 6. Desorientação por dissociação: ocorre em quadros dissociativos graves, geralmente acompanhada de alteração de identidade (fenômeno do desdobramento da personalidade) 7. Desorientação por desagregação: ocorre em pacientes psicóticos, que apresentam atividade mental desorganizada, o que impede a orientação adequada. 8. Desorientação quanto a própria idade: discrepância de 5 anos ou mais entre a idade real e aquela que o paciente diz ter. Tem sido descrita de esquizofrenia. SENSOPERCEPÇÃO: é a função do ego que traduz a percepção do indivíduo, através dos órgãos dos sentidos, em relação a seu meio. Sensação: fenômeno elementar gerado por estímulos físicos, químicos ou biológicos variados, que produzem alterações nos órgãos receptores, estimulando-os. Percepção: é a tomada de consciência pelo indivíduo, do estímulo sensorial. É a transformação de estímulos puramente sensoriais em fenômenos perceptivos conscientes. A sensopercepção inclui a imaginação e a representação - O elemento básico do processo de sensopercepção é a imagem perceptiva real: A imagem tem as seguintes características: -Nitidez -Corporeidade (imagem viva, com luz, brilho e cores). -Estabilidade (não muda) -Extrojeção (imagem do espaço exterior também é percebida) -Influenciabilidade voluntária (não é possível alterar a imagem) -Completitude (desenho completo). Alterações quantitativas da sensopercepção: - Hiperestesia: aumento anormal da intensidade e duração das percepções (dor de cabeça se intensifica quando alguém grita, super sensibilidade) – - Hiperpatia: sensação desagradável é produzida por leve estímulo na pele. (incoerência entre estímulo e resposta, um estímulo leve é percebido de forma desagradável). - Hipoestesia: percepção do mundo como estando mais escuro, sem brilho e sem cor. (tem estímulo, mas a pessoa não o sente com tanta intensidade) - Parestesia: sensações táteis, desagradáveis como formigamentos, adormecimento, picada e queimação, sem um estímulo. Alterações qualitativas da sensopercepção: Alterações na qualidade, falsas percepções que o indivíduo tem que geram alterações profundas do psiquismo, expressas sensorialmente. Não são alterações no sensório. Ex: Alucinações: percepção de um objeto sem que esse esteja realmente presente, não há um objeto real. Podem ser: Auditiva (escutar vozes) – sonorização do pensamento o paciente ouve o próprio pensamento no mesmo momento em que pensa, uma narrativa do pensamento. Os pensamentos são introduzidos em sua cabeça por outra pessoa (que não é real). Eco do pensamento:o paciente pensa e ao pensar ouve sua voz sobre o pensamento. Publicação do pensamento: o indivíduo tem a sensação de as pessoas ouvem o que ela pensa. Musical: audição de tons musicais e melodiais sem o correspondente estímulo externo. Visual: visões nítidas sem a presença de estímulos reais, podem ser: simples (cores, bolas, pontos brilhantes) ou complexas (figuras, pessoas vivas ou mortas, demônios, santos, etc). Tátil: paciente sente (insetos espetadas, choques) sem estímulo real presente. Olfativa ou gustativa: o indivíduo sente cheiro ou gosto de determinadas coisas (sempre algo ruim, desagradável), sem qualquer estímulo presente. Cenestésica: sensação alucinatória de partes corporais, membros (ex: cérebro encolhendo) Cinestésica: sensação alteradas de movimentos do corpo (ex: corpo afundando) Hipnagógica ou hipnopômpica: alucinação (auditiva, visual ou tátil) relacionada à transição sono/vigília. Hipnagógica: adormecimento. Hipnopômpica: despertando. Funcional: desencadeadas por estímulos sensoriais reais, entretanto apesar do objeto ser concreto não há correlação entre estímulo e percepção. (Ex: a pessoa liga o chuveiro e ouve vozes, desliga e as vozes param). Podem ser: Combinadas (sinestésicas): são alucinação complexas, envolvem mais de um órgão dos sentidos (visual e auditiva). Extracampinas: o paciente vê uma imagem fora do seu campo de visão, fenômeno raro (Ex: estar vendo alguém atrás de mim, onde meu campo visual não atinge). Autoscópica: alucinação visual relacionada a componentes táteis e cenestésicos, o indivíduo se vê fora do seu próprio corpo. Ilusões: percepção deformada, alterada de um objeto real que está presente (visuais e auditivas). O paciente vê um monstro a partir de estímulos visuais. Alucinoses: o paciente tem um nível de consciência e de crítica que é preservado, ele percebe que a experiência é uma alucinação, a experiência é um fenômeno estranho para ele. Pseudo alucinações: percepções imaginárias (imagens ou vozes) localizadas no interior do sujeito, dentro da cabeça, na parte interna do corpo. Obs: todas essas definições são feitas fora de um contexto cultural e religioso. MEMÓRIA: É a função do ego responsável pelo armazenamento de conhecimento adquirido nos permitindo evocar esses dados quando necessários. Registra, mantém e evoca as experiências. Relaciona-se com o nível de consciência, com a atenção e com o interesse afetivo. A impossibilidade de evocar os dados denomina-se esquecimento, podendo ser fisiológico (normal) ou por mecanismo de repressão e recalque, esquecemos como um meio de proteção, mecanismo de defesa, pois é difícil lidar com a informação. Para que ocorra o processo de fixação da informação dependemos de um bom nível de atenção e de consciência, de interesse emocional e de conhecimentos anteriores. No processo de conservação (retenção) dessas memórias depende da repetição do conteúdo fixado e associações com outros elementos. No processo de evocação falamos sobre a capacidade de recuperar e atualizar os dados fixados na memória. O esquecimento é a impossibilidade de evocar e recordar algo. A memória é o processo de reconhecimento da nossa capacidade de identificar o conteúdo mnêmico (lembrança). A lembrança já traz por si só uma interpretação daquele indivíduo, ou seja, não é fidedigna. Conteúdo mnêmico é diferente de imaginação e de representações atuais. Tipos de memória: - Memória imediata ou de curtíssimo prazo: (segundos) capacidade limitada de reter o material imediatamente após ser percebido, como palavras, números e imagens. Descartado imediatamente após ser percebido se não chamar atenção de forma suficiente para se tornar um dado mnêmico - Memória recente: memória limitada que retém informação por um período curto de tempo (alguns minutos, meia hora ou uma hora). - Memória remota ou de longo prazo: capacidade de evocação de informações e acontecimentos ocorridos no passado após meses ou anos do evento. Alterações quantitativas da memória: HIPERMNÉSIA: excitação anormal da memória, capacidade mnésica elevada, as lembranças causais são evocadas com mais vivacidade e exatidão que normalmente, recordam particularidades que comumente não surge na consciência, permite ao indivíduo evocar lembranças, fatos pessoas, objetos, etc com incrível nitidez de detalhes. Muito comum em Transtorno do Estresse Pós Traumático. AMNÉSIA PSICOGÊNICA: perda de elementos psíquicos exclusivamente algo que tem valor psicológico específico (simbólico ou afetivo), o indivíduo esquece um evento de sua vida, um evento que teve um significado especial para a pessoa, consegue lembrar de tudo que ocorreu ao seu redor, mas esquece um fato como mecanismo de proteção psíquica. AMNÉSIA ORGÂNICA: mal funcionamento de células nervosas que pode acarretar perda da capacidade de fixação das memórias imediatas ou recentes afetando o registro e retenção das informações. AMNÉSIA ANTERÓGRADA: incapacidade de fixar elementos mnêmicos após um trauma crânio encefálico, (dificuldade de registrar tudo que vem após uma experiência psicogênica ou orgânica). AMNÉSIA RETRÓGRADA: perda da memória em que o indivíduo esquece fatos antes do início da doença, ou seja, as memórias mais antigas se perdem, só tem memórias do momento da doença para frente. Alterações Qualitativas da memória: ILUSÃO MNÊMICA: acréscimo de elementos falsos, o núcleo verdadeiro de memória é mantido, ex: o paciente afirma ter 100 filhos quando na realidade teve apenas 1. CRIPTOMNÉSIA: falseamento da memória, as lembranças aparecem como fatos novos ao paciente, não os reconhece como lembranças, vivencia como se fosse um acontecimento novo. ECMNÉSIA: recapitulação, revivência intensa abreviada e panorâmica de uma existência, recordação condensada no passado ocorre num breve período de tempo. Experiência de quase morte “minha vida inteira passou diante dos meus olhos”. LEMBRANÇA OBSESSIVA: surgimento de imagens mnêmicas e conteúdos ideativos do passado, memória recorrente e constante de um fato, mesmo que o paciente tende esquecer. Quando instalados na consciência não podem ser afastados voluntariamente pelo indivíduo. Normalmente associada aos transtornos obsessivos. TRANSTORNOS DO RECONHECIMENTO: agnosia, perda da capacidade de reconhecer algum estímulo, associadas a transtornos psiquiátricos, falso reconhecimento (reconhecimento de alguém que não é real, confundir o médico com um namorado) e falso desconhecimento (comum nas demências, não reconhecer os próprios filhos). Imagens mnêmicas: lembrança editada com as minhas interpretações, nossa lembrança não é 100% fidedigna. AFETIVIDADE: é um termo genérico, abarca todas as vivências afetivas , sendo as mais comuns as associadas à humor, emoções e sentimentos. 5 tipos básicos de vida afetiva: - Humor ou estado de ânimo: estado emocional basal e difuso (diferentes situações) em que se encontra a pessoa em determinado momento. - Emoções: estado afetivo intenso de curta duração, originado geralmente como a reação do indivíduo a certas excitações internas ou externas, conscientes ou inconsciente. - Sentimentos: associados a conteúdo intelectuais, valores e representações (estados afetivos estáveis). Pode haver situações conflitantes (odiar quem se ama). - Afetivos: tônus emocional que acompanha uma ideia ou representação mental. - Paixões: é um estado intenso, que domina a atividade psíquica e inibe os demais interesses. CATATIMIA: influência que a vida afetiva exerce sob as demais funções psíquicas, como atenção e memória (seja por estado de humor, emoções e sentimentos). Pode gerar distorção do conteúdo, das percepções, pensamentos e lembranças, devido a experiências, angústia ou desejos carregados de emoções de afetos. Ou seja, um conteúdo emocional muito pesado turva todas as outras funções. REAÇÃO AFETIVA: temos 3 dimensões - Sintonização afetiva: capacidade do indivíduo de ser influenciado afetivamente pelos estímulos externos. Entrar em sintonia com o ambiente, entristecer ou alegrar de acordo com os eventosocorridos. - Irradiação afetiva: capacidade que o indivíduo tem de transmitir, irradiar ou contaminar os outros por meio da irradiação afetiva e faz com que os outros entrem em sintonia com ele. - Rigidez afetiva: estado emocional no qual o indivíduo não deseja, tem dificuldade ou impossibilidade tanto de sintonização como de irradiação afetiva, não produz reações afetivas nos outros, nem reage afetivamente diante das mudanças de situação. ALTERAÇÕES DA AFETIVIDADE: - Humor: Distimia: alteração básica do humor, inibição ou exaltação. Distímico hipotímico alteração para baixo, diminuição (depressão). Hipertímico elevação do humor. Humor eutímico dentro da média. Humor triste ou ideação suicida: Disforia: distimia acompanhada de uma tonalidade desagradável, irritação, agressividade, mal humorada. Euforia: humor morbidamente exagerado, predominando um estado de alegria intensa. Hipotimia: todas as síndromes depressivas. Hipertimia: identificada dentro do espectro maníaco (euforia e alegria patológica), alegria desproporcional ao contexto. Puerilidade: causa psicogênica (transtorno mental), alteração de humor com aspecto infantil, o indivíduo ri e chora por motivos banais. Moria: causa orgânica (disfunção como lesão no cérebro, neurovegetativa, doenças no lobo frontal, etc), alteração do humor, aspecto infantil, indivíduo ri e chora por motivos banais. Humor infantil, capacidade crítica rebaixada. Elação: expansão do Eu, sensação de subjetividade e grandeza. Comum em surto ou uso de substâncias, sair de si, perder limites, questão de grandiosidade. Estado de êxtase: sensação de ser UNO com o todo compartilhamento íntimo do estado afetivo com o mundo exterior. Comum em práticas religiosas e culturais ou uso de substâncias. Irritabilidade patológica: reação disfórica, desproporcional. Há um estímulo, porém a resposta é desproporcional. - Emoções e Sentimentos: Apatia: o indivíduo não vivencia nenhum tipo de afeto, não sente alegrias, tristezas ou raivas, não se importa com nada na sua vida. Típico em quadros depressivos. O próprio paciente identifica esse comportamento. Hipomodulação do afeto: incapacidade do indivíduo de modular a resposta afetiva de acordo com uma situação existencial. Indica rigidez do indivíduo na sua relação com o mundo. Inadequação do afeto ou Paratimia: reação completamente incongruente (rir em um velório, crise de riso após ser assaltado). Pobreza de sentimentos ou Distanciamento afetivo: o indivíduo vai perdendo progressivamente as vivências afetivas, empobrecimento da vida afetiva. Anedonia: incapacidade total ou parcial de obter prazer em atividades que eram prazerosas. Embotamento afetivo ou Devastação afetiva: perda profunda de todo tipo de vivência afetiva observável pela postura do indivíduo, o paciente não tem uma percepção ou queixa subjetiva sobre esse seu comportamento. Ambivalência afetiva: sentimentos opostos que coexistem, amor e ódio, comum em transtorno de personalidade borderline. Neotimia: sentimentos ou experiências afetivas inteiramente novas onde afetos são considerados pelo indivíduo como muito estranhos ou bizarros. Sinaliza alguma mudança no indivíduo, sente afetivamente o mundo de forma diferente do que era antes. Labilidade afetiva: mudanças abruptas e inesperadas de um estado afetivo para outro que ocorre em consequência a estímulos apropriados, sempre muito desproporcional. Mudança e inconstância desproporcional (estar rindo e começar a chorar). Fobias: medos psicopatológicos desproporcionais, incompatível com a possibilidade de perigo real. Tipos de fobias: simples (um objeto específico), social (transtorno de ansiedade social), agorafobia (medo associado a lugares onde não haverá socorro), claustrofobia (questões de espaço restrito), pânico. 28-05-2024 N3 Função Psíquica: Vontade, Psicomotricidade e o Agir: VONTADE ou volição: é uma dimensão relacionada às esferas instintiva, afetiva e intelectiva (envolve avaliar, julgar, analisar e decidir), assim como aos valores, princípios e hábitos socioculturais. É a capacidade do indivíduo de expressar seus desejos e colocá-los em prática. O ato volitivo: “eu quero” e “eu não quero”, caracterizam a vontade humana. O processo volitivo se dá em quatro etapas, cronologicamente seguidos: 1- fase de intenção ou propósito: se esboçam as inclinações e interesses do indivíduo. Os impulsos, desejos e temores inconscientes exercem influência decisiva sobre o ato volitivo. 2- fase de deliberação: ponderação consciente, o indivíduo faz uma análise do positivo e negativo, favorável ou desfavorável em sua decisão. 3- fase de decisão: instante que demarca o começo da ação, “eu vou fazer”. 4- fase de execução: etapa final do processo volitivo, se realiza aquilo que mentalmente foi decidido, os atos psicomotores são colocados em funcionamento. Qualquer situação que o indivíduo passa, ele passa por essas etapas, mesmo inconscientemente. - Alterações da vontade: Hipobulia e abulia: diminuição ou abolição da volição. Abulia (perda total do desejo, perda severa da capacidade e iniciativa de decisão, comum na depressão grave). Atos impulsivos: abole as fases de intenção, deliberação e decisão em função dos desejos e temores, ou seja, o indivíduo quis fazer algo, porque ele quis. A impulsividade é uma predisposição para agir e reagir de forma rápida, não planejada, com pouca ou nenhuma preocupação com as consequências. Os impulsos patológicos são tipos de atos impulsivos, onde predominam ações psicomotoras automáticas, sem reflexão ou ponderação. Atos compulsivos ou compulsão - Os atos compulsivos, ou compulsões, diferem dos atos impulsivos por serem reconhecidos pelo indivíduo como indesejáveis e inadequados, assim como pela tentativa de refreá-los ou adiá-los, o indivíduo não quer fazer, mas faz. O que difere a impulsividade da compulsividade é o fato da pessoa não conseguir parar de fazer o que faz e a incomoda. Tipos de impulsos e compulsões patológicas Automutilação - É o impulso (ou a compulsão) seguido de comportamento de autolesão voluntária. Frangofilia - Impulso patológico de destruir os objetos que circundam o indivíduo. Está associado geralmente a estados de excitação impulsiva intensa e agressiva ou surto Piromania - É o impulso de atear fogo a objetos, lugares, etc. Ocorre principalmente em indivíduos com transtornos do controle de impulsos e/ou transtornos da personalidade borderline, narcisista ou antissocial. Dipsomania - Ocorre como impulso ou compulsão periódica para ingestão rápida de grandes quantidades de álcool. O indivíduo bebe seguidamente até ficar inconsciente. Bulimia - É o impulso irresistível de ingerir rapidamente grande quantidade de alimentos (muitas vezes doces, chocolate, etc.), em geral como “ataque à geladeira”. Após a ingestão rápida, o paciente com bulimia sente-se culpado, e induz vômitos ou toma laxativos. Potomania - É a compulsão de beber água ou outros líquidos sem que haja sede exagerada. Encontra-se em quadros demenciais. Atos e compulsões relacionados ao desejo e ao comportamento sexuais Eles foram classicamente descritos como perversões sexuais, preferindo-se hoje os termos parafilia e atos impulsivos e compulsões sexuais. A pedofilia é o desejo e a atividade sexuais voltados a crianças ou púberes, com consequências potenciais muito graves para tais crianças. A gerontofilia é o desejo sexual por pessoas consideravelmente mais velhas que o indivíduo. Ela se encaixa na chamada cronoinversão do desejo sexual. O exibicionismo, também com consequências potencialmente graves, é o impulso de mostrar os órgãos genitais, geralmente contra a vontade da pessoa a quem o ato se direciona, a crianças ou adolescentes (mas não apenas). O ato de exibir-se já é suficiente para o indivíduo obter prazer. Ele em geral não busca contato sexual direto com a pessoa para a qual se exibe; o prazer que sente está relacionado ao pavor causado no outro. O voyeurismo é o impulso de obter prazer observando uma pessoa que está tendo relação sexual, ouque simplesmente está nua ou se despindo. O fetichismo é o impulso e o desejo sexuais concentrados em (ou exclusivamente relacionados a) partes da vestimenta ou do corpo da pessoa desejada. O sadismo e o masoquismo envolvem obter excitação e prazer sexuais causando dor e humilhação/dominação no parceiro ou padecendo de dor e sendo dominado e humilhado pelo parceiro. A zoofilia (ou bestialismo) é o desejo sexual dirigido a animais; a necrofilia (ou vampirismo), a cadáveres; e a coprofilia é a busca do prazer com o uso de excrementos no ato sexual. A ninfomania é o desejo sexual quantitativamente muito aumentado na mulher, e a satiríase, em nível muito aumentado no homem. Esses aumentos patológicos do desejo sexual ocorrem com certa frequência em indivíduos em fase maníaca do transtorno bipolar. Outros impulsos e compulsões: Poriomania - É o impulso e o comportamento de andar a esmo, viajar, “desaparecer de casa”, “ganhar o mundo”, como se diz na linguagem popular. Cleptomania ou roubo patológico. É o ato impulsivo ou compulsivo de furtar, precedido geralmente de ansiedade e apreensão, que apenas se alivia quando o indivíduo realiza o roubo. O valor econômico do objeto roubado não é o mais importante. O fundamental é o ato de furtar e a excitação e o prazer que isso produz no indivíduo. Compulsão por compras. É um tipo de compulsão contemporâneo, observado com relativa frequência. O indivíduo sente necessidade premente de comprar objetos, roupas, sapatos, bijuterias, joias, etc. Compra de forma compulsiva, sem observar a utilidade e o sentido da compra. Jogo patológico - É a compulsão por se envolver em jogos de azar, fazer apostas, especular com dinheiro, apesar de prejuízos financeiros e sociais percebidos pelo sujeito Compulsão e dependência de internet e/ou videogames. Recentemente, um número cada vez maior de pessoas passou a apresentar dependência significativa de internet. Negativismo – É a oposição do indivíduo às solicitações do meio ambiente. no negativismo ativo, o paciente faz o oposto ao solicitado; na forma passiva, ou negativismo passivo, simplesmente nada faz quando solicitado pelo ambiente. O mutismo, a recusa automática a falar, é frequentemente uma forma de negativismo verbal. Obediência automática - É o oposto do negativismo. Nesse caso, o paciente obedece automaticamente, como um robô teleguiado, às solicitações de pessoas que entrem em contato com ele. Fenômenos em eco – o indivíduo repete de forma automática, durante a entrevista (mas também em outras situações), as últimas palavras ou sílabas do entrevistador (ecolalia), seus atos ou gestos (ecopraxia), reações mímicas ou escrita. Automatismo - refere-se aos sintomas psicomotores automáticos (movimentos de lábios, língua e deglutição, abotoar/desabotoar a roupa, deambular a esmo, etc.). 04-06 Alterações da Psicomotricidade: (Psicomotricidade inclui volição). - Agitação psicomotora: associada frequentemente a hostilidade e heteroagressividade, pode ser um sinal psicopatológico relativamente inespecífico, muito frequente. Aceleração e exaltação, taquipsiquismo acentuado. - Lentificação psicomotora:reflexo da lentificação, a movimentação voluntária fica mais lenta e difícil, pode haver um período de latência entre a solicitação ambiental e a resposta motora do paciente. Ausência de respostas motoras adequadas sem que haja paralisias ou déficit motor primário. - Estupor: perda de toda a atividade espontânea, atinge o indivíduo globalmente mantendo o nível de consciência aparentemente preservado e a capacidade sensório motora para reagir ao ambiente. Envolve toda a atividade voluntária, incluindo comunicação, mímica, olhar, gesticulação e marcha. Gerado por um fator mental, psicogênico. Estupor Hipertônico (corpo enrijecido involuntariamente) Estupor Hipotonia (tônus corporal diminuído). - Catalepsia: acentuado exagero do tônus postural com grande redução da mobilidade passiva dos vários segmentos corporais. Rigidez, comum em internação crônica. - Cataplexia: perda abrupta do tônus muscular, geralmente acompanhada de queda ao chão, presente na narcolepsia (indivíduo adormece abruptamente, sono REM). - Flexibilidade cerácea: o indivíduo ou parte do seu corpo, quando colocado em determinada posição, mesmo desconfortável, permanece estático. - Estereotipias motoras: repetições automáticas e uniformes, apresenta determinado ato motor complexo (o paciente repete o mesmo gesto), geralmente indica marcante perda do controle voluntário sobre a esfera motora, comum na esquizofrenia e deficiências mentais. - Maneirismo: alteração comportamental expressiva, estereotipia motora, caracterizada por movimentos estranhos, exagerados e repetitivos. Ex: o paciente pega uma colher de modo muito próprio e realiza gestos bizarros para levar a comida à boca. - Tiques: atos coordenados e repetitivos resultantes de contrações súbitas, breves e intermitentes, geralmente são reflexos condicionados (associados a sentimentos de ansiedade, vergonha, etc). Não é rítmico. - Conversões: surgimento abrupto de sintomas físicos de ordem psicogênica, como paralisias, anestesias, parestesias, cegueiras. - Conversão Motora: paralisias, contraturas conversivas, ataxias psicogênicas geralmente em situação estressante, de ameaça ou conflito interpessoal significativos para o indivíduo. PENSAMENTO: Pensamento é uma resposta ao processo cognitivo que pode acontecer independentemente de um estímulo sensorial, nele temos ações como pensar, tomar consciência, refletir e meditar Pensamentos partem de um encadeamento lógico e sequencial, o pensamento é construído pelos elementos: conceito, juízo e raciocínio. É uma formação de conceitos que ocorre a partir das representações, não é possível contemplá-los ou imaginá-los. Ex: o conceito do que é uma cadeira me permite criar representações na minha cabeça de diferentes tipos de cadeiras. Pensamento juízos - relação significativas entre os conceitos básicos, afirmação entre dois conceitos. Pensamento raciocínio - processo mental com a função de relacionar juízos. Ou seja: Conceitos juntos formam juízos e vários juízos formam um raciocínio. Processo de pensar: o curso do pensamento é como o pensamento flui, qual seu rítmo, de que forma ele se desencadeia. O conteúdo do pensamento são os temas predominantes, o assunto em si, seu conteúdo, aquilo que dá substância ao pensamento. Desintegração dos conceitos: os conceitos sofrem um processo de perda de significado Condensação dos conceitos: dois ou mais conceitos são fundidos. (Bolacha e biscoito) Juízo deficiente ou prejudicado: tipo de juízo falso, o indivíduo não consegue sistematizar a ligação entre dois conceitos, ele não cria um juízo consistente, podendo ser devido a uma deficiência intelectual ou pobreza cognitiva, o que torna seu raciocínio pobre e defeituoso. (Ex: o indivíduo não associa o rato e a ratoeira, apenas conhece os conceitos separados). - Tipos alterados de pensamento: Pensamento mágico: fere a lógica formal, segue os desejos e fantasias, adequando a realidade ao pensamento (comum em crianças, transtornos esquizotípicos, borderline e narcisista, esquizofrenia). Pensamento derreístico: se opõe ao pensamento realista, só obedece a lógica e a realidade naquilo que interessa ao desejo, distorcendo a realidade para que esta se adapte aos seus anseios. Pensamento concreto ou concretismo: não consegue entender ou utilizar metáforas, duplo sentido ou ironia. (comum na demência e esquizofrênicos). Pensamento inibido: inibição do raciocínio, representações empobrecidas, diminuição da velocidade e do número de conceitos. Pensamento vago: não se sustenta, é ambíguo, falta clareza. Pensamento prolixo: não chega a conclusões no discurso, perde a ideia central no meio do assunto. Pensamento deficitário: raciocínio concreto, conceitos escassos e utilizados no sentido literal, memorização mecânica. Pensamento demencial: pensamento com empobrecimento desigual. Pensamento confusional: pensamento incoerente, alteração da consciência,dificuldade de estabelecer vínculos entre conceitos e juízos. Pensamento desagregado: pensamento incoerente, conceitos e juízos não s articulam minimamente, mistura aleatória de palavras. Pensamento obsessivo: ideias ou representações que apesar de terem conteúdo absurdo ou repulsivo se impõe a consciência de modo persistente e incontrolável. O indivíduo tenta afastar o pensamento mas falha. - Patologias sobre o curso do pensamento: Alterações no curso do pensamento: como o pensamento flui: Aceleração do pensamento: pensamentos atropelados, acelerados Lentificação do pensamento: latência entre as perguntas formuladas e as respostas Bloqueio ou intercepção do pensamento: brusca e repentina interrupção do pensamento sem motivo algum. Fuga de ideias: as palavras deixam de seguir uma lógica, passam a ocorrer por assonância, ex: amor, flor, cor. Afrouxamento das associações: afrouxamento dos enlaces associativos, se perde, tem associações falhas. Descarrilhamento do pensamento: extravia-se do seu curso normal, pensamento supérfluos, retomando aqui e acolá ao seu curso original. Dissociação do pensamento: pensamentos passam progressivamente a não seguir uma sequência lógica e bem organizada. Desagregação do pensamento: radical perda dos enlaces associativos, total perda da coerência do pensamento. 11-06-2024 JUÍZO DE REALIDADE: Qual a noção real que aquele indivíduo tem sobre a associação dos conceitos que ele faz, quanto as avaliações que fazemos são condizentes com a realidade. Juízos: afirmação entre dois conceitos As alterações do juízo da realidade são alterações do pensamento. Juízo de realidade é a nossa capacidade de julgar, discernir o certo e errado, a verdade e a mentira. Na avaliação psicopatológica precisamos diferir erros simples (recorrentes) e juízos falsos (psicopatológico, mórbido, transtorno mental). Alguns juízos que fazemos podem ser falsos e equivocados, mas nem sempre vão conversar com um transtorno mental, às vezes pode estar apenas relacionado com algo cultural. Dimensões culturais e religiosas não devem ser confundidas com sintomas psicopatológicos. Ideias delirantes X crenças culturalmente sancionadas (o indivíduo compartilha com seu grupo social essa crença, mesmo que pareça bizarro). Ideias prevalentes ou Sobrevalorizadas: ideias errôneas ou de superestimação afetiva, ideias que adquirem enorme predominância (importância afetiva para o indivíduo) sobre os demais pensamentos, conservando-se obstinado em sua mente. Ou seja, o indivíduo prefere acreditar em uma ideia, mesmo errada, para não se desapegar da importância afetiva que ela tem para ele. Nível de Insight - Ideias obsessivas: conjunto de ideias que se impõe ao psiquismo de forma obrigatória, contra a vontade do paciente. O paciente tenta afastar o pensamento mas falha. A crítica está parcialmente perdida, entretanto depende da situação do indivíduo. O paciente luta contra o pensamento e entra em uma dúvida recorrente. Ideias persistentes: conjunto de ideias superestimadas, extrema paixão, crítica comprometida, razão de ser do indivíduo. O indivíduo se agarra a uma ideia e desenvolve sua vida a partir disso, o fator cultural desempenha um papel fundamental. Ideias delirantes: pouco insight, perda da capacidade crítica, o conteúdo temático psicopatológico tem absoluta convicção delirante. São juízos patologicamente falsos, possui fatores patológicos. Tem como características: convicção extraordinária, irremovível, conteúdo impossível e produção associal. Delírio primário: quebra radical na biografia do sujeito, personalidade sofre transmutação, transformação qualitativa de toda sua existência. Delírio secundário: tem origem em uma alteração primária do juízo, ocorre devido alterações profundas em outras áreas de atividade mental (afetividade, consciência), conseguimos identificar onde está o prejuízo. - Tipos de delírio: Simples: ideias que se desenvolvem em torno de tema único. Complexo: envolve vários temas ao mesmo tempo (perseguição, ciúmes, etc) Sistematizado: bem organizado com histórias ricas e consistentes que se mantém ao longo do tempo. Delírio não sistematizado: sem relação consciente e seus conteúdos variam de momento para momento. Delírio de perseguição, delírio de referência, delírio de relação, delírio de influência, delírio de grandeza, delírio místico ou religioso, delírio de ciúme e de infidelidade, delírio erótico, delírio de ruína, delírio de culpa , delírio de negação dos órgãos, delírio hipocondríaco, delírio cenestopático, delírio de infestação, delírio fantástico ou mitomaníaco.