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18/03/2024, 16:18 A organização do futuro https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=a-organizacao-do-futuro&dcp=teoria-das-organizacoes&topic=8#section-1 1/17 Tópico 08 Teoria das Organizações A organização do futuro 1. Introdução Pense em uma maratona: são 42 km percorridos, geralmente, em quatro horas de prova. Como numa corrida de longa distância, os participantes costumam adotar diferentes estratégias, sendo uma delas correr em diferentes ritmos, alternadamente, como forma de se poupar para os momentos de maior esforço. Agora, reflita sobre a prova mais desafiante do atletismo: os 100 metros rasos, geralmente finalizados em 10 segundos. Impulso e velocidade são essenciais para ser bem-sucedido e não é possível ter outra estratégia senão correr o mais rápido possível para vencer a distância antes dos outros competidores. Da mesma forma, se antes as organizações poderiam se sentir como se fossem maratonistas, tendo, a sua frente, um cenário de longo prazo em seu radar, em que podiam alternar estratégias, agora, parece que todos se transformaram em dublês de Usain Bolt (velocista jamaicano campeão desta modalidade), correndo loucamente em busca do primeiro lugar. Sim, o futuro está ali, há dez segundos da largada. Sim, é preciso correr muito. É preciso explosão, impulso e velocidade. E, novamente sim, todos nós estamos em uma pista de atletismo, lutando pelos próximos 100 metros. Não estou dizendo com isto, prezado aluno, que o longo prazo morreu (não é ele o segredo do sucesso de Jeff Bezos e sua Amazon?). Estou apenas constatando, como você, que as estratégias terão que ser revistas a cada 100 metros, pois pode ser que a prova, os competidores e as regras tenham mudado tão logo o disparo que marca seu início tenha sido feito. Por isso, as empresas precisam ser leves e ágeis: se não sabem onde esse mundo vai parar, já é bem claro com quais armas devem contar para ter o direito de passar pela linha de chegada. Neste tópico, olharemos apenas para a frente. Respeitando todo o legado dos teóricos da administração, pediremos licença a eles para abandonar o retrovisor e adotar o binóculo. Vamos ver tendências, conhecer movimentos, visitar novidades. E vamos perceber, principalmente, que o poeta espanhol Antônio Machado, morto em 1939, poderia muito bem ser usado nas aulas de administração, pois ele foi certeiro quando disse: ‘Caminhante, não há caminho, se faz caminho ao andar.” 2. Leves e rápidas: as organizações do futuro Começamos nossa disciplina fazendo um paralelo entre as lebres e os elefantes, comparando-os com as novas organizações (leves e ágeis), que desafiam as tradicionais, lentas e pesadas. Lembramos que ambas ambicionam o que a outra tem: as lebres querendo ser grandes e os elefantes querendo ser ágeis. Vamos, agora, nos aprofundar nessas questões, até porque, ao invés de enxergá-las como características, te convido a percebê- las como estágios de uma única caminhada. Se o mindset, ou seja, o modo de pensar, não permanecer de lebre, nada impede 18/03/2024, 16:18 A organização do futuro https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=a-organizacao-do-futuro&dcp=teoria-das-organizacoes&topic=8#section-1 2/17 que encontremos um elefante lá na frente, tentando entender o que aconteceu. Então, é bom que as empresas atualizem constantemente seus softwares organizacionais, a fim de não se desconectarem do que as levou ao patamar desejado. Vamos recorrer a Magaldi e Neto (2019), para percorrer essa jornada. Dizem os autores: Magaldi e Neto (2019) já fazem, na citação anterior, uma antecipação do fator-chave de sucesso das empresas do futuro: tem pouquíssimo a ver com tecnologia, pelo menos no sentido da palavra usado para descrever o universo dos bits e bytes, que vimos no tópico passado. Os autores citam dez insights que devem ser observados pelas empresas nesse período de intensas mudanças. Vamos conhecê- los: 1.Gestão orientada por princípios: As empresas mais bem- sucedidas da atualidade, e no futuro, serão aquelas que reconhecerem a importância de abraçar o propósito e os princípios, como forma de atraírem e reterem seus talentos. Há de se considerar que os profissionais esperam das empresas mais do que relações transacionais, eles querem um trabalho com significado em suas vidas. Magaldi e Neto (2019) dizem que a solução para a instabilidade no ambiente de negócios passa por entender o papel dos indivíduos nas organizações, suas demandas e desejos, afirmando que as empresas de sucesso serão aquelas que souberem como engajar pessoas em torno de um propósito comum. Afinal, lembram eles, transformações não têm a ver com tecnologia e sim com pessoas. É imperativo, portanto, que cada empresa elabore a sua lista de princípios organizacionais, que traduzam suas declarações de missão, visão e valores e obtenha o alinhamento necessário para esse cenário de transformações. “Uma das consequências mais evidentes da nova dinâmica é a instabilidade, presente na sociedade e especificamente no ambiente de negócios, e a consequente sensação de insegurança. Empresas desaparecem em questão de anos. Em alguns setores, novas startups tomam o lugar de companhias estabelecidas há mais de século. Comportamentos sedimentados ao longo de gerações são alterados da noite para o dia pelas novas formas de consumir e se relacionar com agentes sociais… Todos esses são sinais concretos de que o enredo, do qual somos personagens, está sendo escrito e reescrito diariamente. No mundo inteiro, os líderes empresariais buscam, muitas vezes atônitos, meios de alinhar sua organização ao caótico entorno, levando em consideração a instabilidade e a insegurança geradas pela nova dinâmica. Mas como fazê- lo? A solução para essa demanda não passa exclusivamente pela tecnologia. Como há uma onipresença tecnológica nas transformações, muitos creem que a tecnologia está no centro delas. Ledo engano! Isso é misturar meio e fim.”. (Locais do Kindle 147-155) Vale a pena conferir! Um acidente fatal e um recall recorde. Esse foi o resultado que a Toyota colheu ao afastar-se de seus princípios, dentre os quais criar um fluxo para evidenciar problemas e construir uma cultura, para 18/03/2024, 16:18 A organização do futuro https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=a-organizacao-do-futuro&dcp=teoria-das-organizacoes&topic=8#section-1 3/17 2. A arte de fazer perguntas transformadoras: Magaldi e Neto (2019) lembram da metodologia do físico Albert Einstein para explicar esse insight: se ele tivesse uma hora para responder a um problema, dedicaria 55 minutos determinando a pergunta adequada para a questão, para poder resolver o problema em cinco minutos. O mundo corporativo, no entanto, apega-se tanto a resposta que esquece que fazer as perguntas certas é mais importante. Não à toa um dos problemas da inovação é se apaixonar pela solução e não pelo problema. Os autores dizem que essa realidade é decorrente de vários fatores: desde o tempo corrido das organizações, o fato das pessoas não escutarem ativamente os outros, por vivermos grande parte do tempo em piloto automático (um recurso fisiológico para economizar a energia do cérebro) e o fato de valorizarmos muito as respostas, esquecendo que a pergunta é parte importante da solução. Dar respostas, qualquer computador é capaz. Mas, fazer as perguntas certas é uma habilidade inerentemente humana. Walt Disney, Travis Kalanick e Garrett Camp (fundadores do Uber) e Brian Chesky e dois amigos (fundadores do Airbnb) são alguns exemplos do quão poderosa é uma boa pergunta. Magaldi e Neto (2019) lembram que tão importante quanto perguntar “por que?”, é perguntar “por que não?”, uma dica infalível do guru da gestão, Peter Drucker. A pergunta certa “E se os pais pudessem brincar junto com os filhos, em vez de deixá-los num parque e ir buscá-los depois?”) levou Walt Disney a criar a Disneyworld. 3. Criando riqueza com a cumplicidade: Os autores citam a crisede confiança pela qual a humanidade passa, em que as relações entre organizações e indivíduos – que era estável, duradoura e previsível – foram substituídas por um novo padrão baseado em relações mais voláteis e vínculos menos profundos. A estabilidade de ontem cede lugar para envolvimentos por projeto, trabalho temporário e home office. Aí já viu, né? Instabilidade leva à insegurança e ao aumento da desconfiança paralisar a produção para corrigir problemas. Relembre o caso neste link. Se liga nessa! Perguntas difíceis tiram as pessoas da zona do conforto e promovem o crescimento. É o que afirma Luciano Pires, do podcast Café Brasil. http://g1.globo.com/Noticias/Carros/0,,MUL1327222-9658,00-TOYOTA+LAMENTA+ACIDENTE+QUE+PROVOCOU+RECALL+RECORDE+NOS+EUA.html http://www.portalcafebrasil.com.br/cafezinho/cafezinho-21-perguntas-dificeis/ 18/03/2024, 16:18 A organização do futuro https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=a-organizacao-do-futuro&dcp=teoria-das-organizacoes&topic=8#section-1 4/17 entre as pessoas. O caminho para resgatar o engajamento passa por restabelecer as relações de confiança e construir cumplicidade, que ultrapassa o conceito de trabalho em equipe para atingir o nível de integração. O cúmplice depende do parceiro, o que, no ambiente corporativo, se traduz na interdependência de dois ou mais agentes para a realização de algo, o que vai além da confiança, que não exige tal dependência. São nove os elementos da cumplicidade: escolha da liderança, visão compartilhada, complementaridade entre pensamentos diversos, respeito, admiração mútua que gera prazer no relacionamento, atitudes exemplares que traduzem a cumplicidade para todos, equipe alinhada com cúmplices potenciais previamente selecionados, abertura e transparência incondicionais cultivadas permanentemente por todos e auditoria periódica de cumplicidade entre as pessoas e delas com a empresa. Alguns cúmplices de sucesso no mundo dos negócios são Jorge Paulo Lemann-Marcel Telles-Beto Sicupira (trio da AB Inbev, multinacional do ramo de bebidas e alimentos), Bill Gates e Steve Ballmer (Microsoft) e Larry Page e Sergey Brin (Google). 4. Gestão do ego e outras avenças: Magaldi e Neto (2019) citam o ego como um elemento de risco de desprezar o valor do ensinamento e abraçar, consequentemente, o insucesso. O mantra do Vale do Silício é fail fast e não no fail (falhe rápido, porque, assim, se pode acertar logo – ao contrário do não falhe). Tudo o que se contrapõe à humildade necessária para aprender e desaprender coloca em risco o bônus da ignorância, tão necessário ao momento atual. Hoje é preciso entender o fracasso como uma etapa do sucesso e a gestão como o exercício do aprendizado contínuo. Arrogância que leva à supervalorização do ego, portanto, não combina com esse novo comportamento que é exigido pelo mundo atual, e é refratária ao trabalho colaborativo e à construção da lealdade e engajamento dos funcionários. Os autores citam o clássico da gestão “Como as gigantes caem”’, de Jim Collins, para exemplificar a importância deste insight: Collins descobriu que o motivo dos fracassos de grandes corporações é o seu sucesso. Isso mesmo, você leu direitinho, eu não escrevi errado. A crise proporciona foco às empresas e a prosperidade não. Os cinco estágios do declínio são: excesso de confiança originado pelo sucesso (que cega as empresas), busca indisciplinada pelo crescimento, negação do risco (em que a prepotência dá as cartas novamente), corrida pela salvação e irrelevância ou morte, quando o fracasso vence. 5. A ascensão das alianças estratégicas: Trata-se das parcerias que as empresas estabelecem com clientes e fornecedores, a fim de gerar valor que transcende as partes individuais. Isso é significativamente importante em um mundo em que dominar as cadeias de valor perdeu importância para o ato de influenciá-las. A posse dos ativos físicos, que foi a razão do sucesso de muitas empresas, cede lugar à influência da rede de agentes, que pode gerar dividendos para os acionistas sem, necessariamente, fazer investimentos volumosos em fábricas, pontos de vendas ou demais estruturas físicas. Nesse sentido, o modelo de plataformas avança, assim como o de marketplaces. As alianças estratégias requerem quatro condições para ocorrerem em sua plenitude: seleção de parceiro pelo perfil e pela confiança mútua, mudança de mentalidade de todos nas organizações (olha o mindset aí, gente!), transferência de conhecimento e afinidade de visões das empresas, o que permite compor uma terceira identidade comum. Os autores destacam um quinto elemento da lista, de tão importante que o consideram: a boa relação entre os seres humanos que lideram as parcerias. Sem respeito, nem toda a complementaridade é 18/03/2024, 16:18 A organização do futuro https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=a-organizacao-do-futuro&dcp=teoria-das-organizacoes&topic=8#section-1 5/17 suficiente para levar os negócios ao sucesso. Isso nos leva ao insight seguinte. 6. Relacionamentos como fonte de poder: Magaldi e Neto (2019) lembram o paradoxo em que vivemos: em um ambiente em que a tecnologia é onipresente, as relações pessoais estão revalorizadas. O famoso networking (a rede de relacionamento) ganha importância, à medida que permite criar valor por meio de tal rede. Os autores citam os três estágios a serem percorridos para se atingir os resultados esperados: conhecer pessoas (buscando diversidade de oportunidades), articular conexões de valor, por meio da rede de relacionamentos (o oposto do egocentrismo, pois seu foco é o interesse legítimo pela realidade do interlocutor) e ativar o poder gerado em todo o processo, que rejeita o “toma lá dá cá”, em que as pessoas se movem, esperando algo em troca, para abranger uma visão mais ampla, em que se há benefício. Ele não foi o objetivo, mas sim o resultado da ação. Magaldi e Neto (2019) chamam isso de looping do bem, em que uma ação cria valor na vida de outra pessoa, criando o contexto favorável para que se multiplique e se retroalimente. 7. Pessoas comuns, resultados extraordinários: Considerando que não é possível ter somente craques na equipe, aqueles profissionais com competências extraordinárias, os líderes precisam formar equipes de alta performance mesclando os talentos com pessoas comuns, fazendo com que atinjam resultados sensacionais. O papel da liderança, portanto, recai sobre potencializar as competências individuais e minimizar suas limitações, visando o incremento da competitividade corporativa. Era isso que Taylor, Fayol e os primeiros teóricos da administração buscavam e isso continua sendo necessário – mais do que nunca. O que muda é a forma de se obter tal resultado: se, antes, o trabalhador servia ao sistema, hoje é necessário o inverso – o sistema servindo ao trabalhador, para extrair sua máxima contribuição. Como o capital intelectual é a grande vantagem competitiva das empresas, elas precisam se voltar para a composição de seu quadro funcional e não apenas como faziam no passado: privilegiando os egressos das melhores faculdades. Atualmente, as soft skills, as competências comportamentais, estão muito valorizadas, pois o conhecimento técnico é mais facilmente transmitido. 8. Liderar é… Sonhar, com um parafuso a mais: Os autores fazem menção à capacidade de reinvenção que alguns líderes demonstram, de si mesmos e dos segmentos em que atuam. São líderes visionários, sonhadores, que têm coragem de enfrentar os obstáculos e crescer diante deles, enquanto outros se apequenam. 9. Gestão orientada para Servir (GOS): Aborda a distância entre o discurso que coloca o cliente como alvo de todos os esforços da empresa e a prática que realmente faz isto. Os autores dizem que só dois motivos explicam tal gap: falta de interesse em realmente servir o cliente ou não saber como fazê- lo. Em uma retrospectiva sobre o tema, Magaldi e Neto (2019) revelam que o atendimento ao cliente comexcelência é algo Vale a pena conferir! Conheça melhor as soft skills mais demandadas no mercado neste link. https://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2018/02/o-que-sao-soft-skills.html 18/03/2024, 16:18 A organização do futuro https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=a-organizacao-do-futuro&dcp=teoria-das-organizacoes&topic=8#section-1 6/17 recente e o foco no curto prazo cultivado por muitas empresas as distanciam de tal prática. Assim, o passado recente de que as empresas ditavam as regras no mercado somado à necessidade de apresentar resultados rápidos faz com que muitas organizações não invistam o tempo necessário para construir relacionamentos legítimos e genuínos com os clientes, o que requer tempo. Para obter a fidelidade do consumidor, é preciso servir, e isso passa por ter um modelo de gestão baseado em valores e orientado para as pessoas. 10. O que não muda quando tudo muda: Jeff Bezos, o fundador e CEO da Amazon, certa vez, respondeu em uma entrevista que seu foco é no que não muda, ao contrário do que faz a maioria dos líderes, que se preocupam em acompanhar o ritmo das mudanças, buscando, freneticamente, alternativas para tanto. Para Magaldi e Neto (2019), as respostas para o mundo de hoje podem estar lá atrás – na filosofia e na gestão. Eles não refutam a novidade, só não acreditam na adoção do novo pelo simples fato de ser recente, pois isso embute o risco de adotar modismos ou acessórios de puro teor cosmético, sem resultados efetivos. O sucesso passa por reconhecer o valor das teses construídas ao longo do tempo e valorizar o resultado do encontro das gerações, perspectiva que adota o melhor dos dois mundos – uma terceira via entre o novo e o tradicional. Enxergar o futuro, portanto, exige reconhecer o legado do passado. Conhecidos os insights que ajudarão as empresas a fazer a transição para o futuro, vamos ver como elas estão lidando com esse período de transformação. Os dez insights. 3. Organizações beta e a era do MVP (Mínimo Produto Variável) Se o mundo está em constante mutação, por que investir um longo tempo e dispendiosos recursos em desenvolver um produto, a portas fechadas, para depois descobrir se ele fará sucesso entre o público? Pode parecer um contrassenso, mas era isso que as empresas faziam (e algumas ainda fazem) até poucos anos atrás. Hoje, a lógica é bem diferente, como dizem Ismail, Malone e Van Geest (2015): “Muitos produtos são lançados mais cedo – inacabados e em beta perpétuo – com a única finalidade de coletar dados dos 18/03/2024, 16:18 A organização do futuro https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=a-organizacao-do-futuro&dcp=teoria-das-organizacoes&topic=8#section-1 7/17 A lógica atual parte do princípio de que, em um mundo de rápida mudança, o processo de desenvolvimento de soluções deve ser rápido. É a época dos MVP (Minimal Viable Products, ou mínimo produto viável): um processo orientado a dados com solução ajustada ao problema (problem-solution fit) e produto ajustado ao mercado (product-market fit) para a ideia inovadora que otimiza o aprendizado e acelera o desenvolvimento da oferta. A ideia que sustenta o MVP é determinar um produto simples, para que a equipe vá ao mercado rapidamente conhecer a reação dos consumidores, cujo ciclo de feedback ajuda a otimizar o circuito de desenvolvimento. O roteiro compreende aprendizado, teste de hipóteses, pivotagem e iteração. Vocês acham, por acaso, que Facebook, LinkedIn e Twitter foram lançados de forma perfeita? Nada disso. Seus primeiros sites eram deselegantes e de difícil navegação. Mas, a ideia era lançá-los imperfeitos, para aperfeiçoá-los com o feedback dos usuários, resolvendo os problemas por eles apontados em ciclos rápidos. O MVP é uma alternativa ao processo linear de desenvolvimento de produtos, que era moroso e incluía inúmeros passos (ISMAIL, MALONE & VAN GEEST, 2015): Geração de ideias Triagem de ideias Desenvolvimento do conceito e teste Análise de negócios Teste beta e teste de mercado Implementação técnica Comercialização usuários o quanto antes para estabelecer como “terminar” o produto. Os dados coletados a partir desses primeiros usuários são rapidamente analisados para obter ideias sobre bugs que precisam ser resolvidos e sobre os recursos mais desejados pelos usuários. Uma vez que as mudanças são implementadas, o produto é relançado e analisado… e o processo continua. Como Reid Hoffman, o fundador do LinkedIn, disse: “Se você não ficar envergonhado com o produto no lançamento, é porque você lançou tarde demais.”. (Locais do Kindle 1788-1792) Vale a pena assistir! A craque Martha Gabriel explica o MVP, no vídeo abaixo. 18/03/2024, 16:18 A organização do futuro https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=a-organizacao-do-futuro&dcp=teoria-das-organizacoes&topic=8#section-1 8/17 Precificação do novo produto Tal processo ainda predomina no mundo dos negócios, apesar dos esforços das metodologias ágeis em simplificar essa abordagem. No pensamento linear, o modelo é o de cascata, em que o produto é desenvolvido no modo matricial, em que cada departamento cuida de uma parte do processo e se reporta ao diretor – algo excelente para comando e controle, e refratário para a inovação, para a agilidade e para a tolerância ao risco. Etapas do modelo cascata, em que o problema e a solução são conhecidos. No tradicional modelo cascata, os passos são sequenciais, ou seja, um é pré-requisito para o outro, o que desperdiça tempo no desenvolvimento de produtos que podem não satisfazer aos clientes por não atender as suas necessidades – seja porque foram criados sem conexão com eles ou porque demoraram tanto a chegar ao mercado que tais necessidades mudaram. A empresa, então, resolve adaptar o produto para satisfazer o cliente. Mas, se utilizar o mesmo método, empenhará novamente tempo e dinheiro enquanto o mercado segue em frente e o risco do fracasso continua rondando a organização. Isso acontece, porque o modelo tradicional divide o pensar e o fazer, consumindo um longo período de tempo e sem feedback dos clientes. O conhecimento não é mais suficiente, é preciso agregar a experimentação (a velha metodologia de tentativa e erro) ao processo. Em uma empresa ágil, o processo é diferente. As necessidades dos clientes estão presentes desde o início. Experimentos são realizados, a fim de verificar se o produto proposto atende as necessidades, que proporcionam um aprendizado valioso em pouco tempo a um custo pequeno. Se há chances de fracasso, isso é percebido logo no início, minimizando investimentos desnecessários em produtos que serão repelidos no mercado. A nova regra do mercado é que vence quem aprende mais rápido. O ciclo de desenvolvimento de produtos está ficando cada vez mais curto. O futuro é algo que é construído diariamente, por isso, as empresas devem ser flexíveis o suficiente para se adaptar a ele. Dizem Magaldi e Neto (2018): “Em um ambiente em mutação, serão vencedoras as companhias que continuamente redefinirem seu negócio. O líder deve construir e estimular a filosofia de que sua empresa está sempre “em beta”, utilizando uma terminologia do campo da computação que define os projetos que estão em processo de validação. Não existe 18/03/2024, 16:18 A organização do futuro https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=a-organizacao-do-futuro&dcp=teoria-das-organizacoes&topic=8#section-1 9/17 Esse é o segredo da organização do futuro: ela reconhece a natureza mutável da sociedade e do ambiente de negócios, rejeita as verdades absolutas e abraça o incerto e o risco. Sabe que os ciclos de obsolescência estão ficando ainda mais curtos e reconhecem que, agora, não há mais um projeto final, mas sim um programa em constante construção. Assim, a versão beta é aquela que é exposta o quanto antes aos consumidores, para que seja aperfeiçoada a partir do feedback deles, aumentando sua chance de sucesso. E só se faz issoconcedendo liberdade e autonomia para as equipes. Organizações do futuro não podem ser calcadas em comando e controle, pois isso sufoca a inovação. Percebe, aluno, como todo o caminho que fizemos nos tópicos anteriores nos leva a uma série de pré-requisitos para o sucesso? Ries (2017) diz que, no atual mercado de incertezas, quem aprender mais rápido vence. É necessário diminuir o tempo transcorrido entre ter uma ideia e validar se ela é brilhante ou absurda. Por isso, o MVP é tão importante, porque permite à equipe coletar o máximo de aprendizado validado (baseado em interações reais com os clientes) para minimizar esforços, recursos e tempo: Professora, então quer dizer que eu levo ao mercado um produto inacabado e imperfeito? Sim, e o cliente estará ciente disso. Assim, enquanto a empresa decide o que é o mínimo, é o cliente que dita o que é viável. Pode ser desesperador, na primeira vez, mas é o melhor caminho para lançar novas soluções no mercado. Cabe às empresas definir as diretrizes da experimentação rápida, treinar os funcionários nas técnicas e como cobrar responsabilidade sobre o que aprenderam. Veja bem, aprenderam; e não acertaram. O sucesso não é uma medida que tenha que ser estabelecida neste momento, mas sim o quanto a organização aprendeu sobre como fazer – e principalmente como não fazer – algo. Ah, professora, mas eu não posso fazer isso com grupos focais, nos modelos tradicionais de pré-teste? Não, não são tão efetivos. A ideia é aprender com clientes reais, com base em comportamentos reais, antes de investir recursos adicionais na solução. E, acredite, as pessoas gostam de colaborar e são tolerantes com as limitações, se envolvidas na cocriação do produto ou serviço. mais uma organização formada. Todas estão em formação constante e contínua.”. (Locais do Kindle 2520-2523) “Um produto mínimo viável logo converte uma ideia em algo real – mesmo que imperfeito – a fim de começar o processo de iteração e repetição de testes. Embora os MVPs individuais possam ser imperfeitos, o objetivo é, em última análise, criar o processo ou produto mais bem-sucedido possível com o menor desperdício.”. (Locais do Kindle 1368-1370) Vale a pena conferir! Saiba mais sobre o MVP. https://endeavor.org.br/estrategia-e-gestao/mvp/ 18/03/2024, 16:18 A organização do futuro https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=a-organizacao-do-futuro&dcp=teoria-das-organizacoes&topic=8#section-1 10/17 Ries (2017) diz que o MVP é um estado de espírito, pois ele não é um processo que se finda em si: o aprendizado acumulado oferece subsídios, para um novo ciclo de desenvolvimento. A ideia é construir outro MVP e continuar aprendendo. Isso leva a um paradoxo: quando a busca pela perfeição é deixada de lado para que a empresa se dedique à disposição de experimentar e adaptar a ideia original, o resultado final é um produto mais perfeito. Diz Ries (2017): Assim, verbos como pivotar invadem as organizações do futuro. A pivotagem permite que se mude a estratégia sem, no entanto, alterar a visão. Deu um nó na sua cabeça? Peraí que eu vou explicar. A estratégia da empresa está ligada à sua visão de futuro, ou seja, aonde ela quer chegar. Se a estratégia se mostrar equivocada, aos olhos dos clientes, aqueles que são alvos da oferta, a empresa pode mudar a estratégia sem perder de vista que está caminhando em direção aos seus objetivos majoritários. Ries (2017) diz que a estratégia não precisa ser a mesma para sempre; isso é um requisito da visão. Ao adotar a pivotagem, pode ser que seja necessário mudar o mercado-alvo para o produto ou até o conjunto de suas características, sem que a visão geral do problema seja modificada. O pivô serve para isso, para criar uma série nova de hipóteses que levem a recomeçar o processo com mais assertividade. Ciclo construir-medir-aprender. É isso que o MVP oferece: compreensão sobre o que as pessoas realmente querem e não o que achamos que desejam. Vamos conhecer, agora, outros conceitos que as organizações do futuro valorizam. 4. Escalabilidade e abundância Para finalizar o nosso exercício de futurologia, vamos conhecer mais dois conceitos que são afins à organização do futuro, “O objetivo de toda essa experimentação é aprendermos o suficiente para realizar uma reunião de pivotar ou perseverar e avaliar se a estratégia atual está funcionando. Se cada experiência parecer mais produtiva que a anterior – há muito aprendizado e dados que apoiam ao menos algumas suposições do tipo “ato de fé” –, o passo seguinte é perseverar, fazer outro MVP que seja um refinamento do anterior e prosseguir no ciclo construir-medir-aprender.”. (Locais do Kindle 1524-1528) 18/03/2024, 16:18 A organização do futuro https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=a-organizacao-do-futuro&dcp=teoria-das-organizacoes&topic=8#section-1 11/17 iniciando pela escalabilidade, uma palavra muito familiar às organizações exponenciais, aquelas que conseguem obter o maior output (resultado) por input (entrada). Nós vimos que o mantra de errar rápido para aprender o quanto antes é comum nas empresas de maior sucesso da atualidade. Se a empresa buscar a escalabilidade, isso é mais estratégico ainda. Por escalabilidade – que deriva da palavra escala, entendemos a capacidade de obter crescimento vertiginoso de forma quase ilimitada em termos de distribuição. É conseguir crescer sem perder as qualidades que lhe agregam valor. É escalável o negócio capaz de se expandir sem limites. É diferente do crescimento, pois prioriza a velocidade sobre a eficiência, em face da incerteza. Hoffman e Yeh (2019) diferenciam as possibilidades de escala. Vamos conhecê-las: Tradicional: concentra-se no desenvolvimento eficiente, pois a empresa está segura em relação ao ambiente. Reflete as técnicas clássicas de gerenciamento corporativo, de olho no retorno sobre o investimento (ROI), de modo que sejam maiores do que os custos de capital. É uma estratégia a seguir quando se procura maximizar os retornos em um mercado estável. Fastscaling: neste caso, a empresa está disposta a sacrificar a eficiência para ampliar a taxa de crescimento, usufruindo das características do ambiente de certeza, com custos conhecidos e previsíveis. Revela-se como uma boa estratégia para adquirir participação no mercado ou atingir metas de receita. Blitzscaling: solução adotada por aqueles que sacrificam a eficiência pela velocidade, mas sem a certeza de que o sacrifício será recompensado. Ah, mas não é isso que as startups fazem? Não. O crescimento clássico das startups se concentra em reduzir a queda enquanto tenta montar o avião. No blitzcaling, o avião é montado mais rapidamente e recebe motores a jato enquanto tem suas asas construídas. Os autores dizem que é o modelo do “faça ou morra”, de extremos: a empresa obtém sucesso ou morte em um curto período. Mas, quem seria louco o suficiente para abraçar o blitzscaling, que une a angústia da incerteza do crescimento das startups com a chance de um fracasso constrangedor? Os autores respondem (HOFFMAN & YEH, 2019): “A menos que você seja como a Microsoft ou o Google e possa financiar seu desenvolvimento a partir de um fluxo de receita em crescimento exponencial, precisará convencer os investidores a lhe dar dinheiro, e é muito mais difícil levantar dinheiro de investidores para uma aposta calculada (blitzscaling) do que para algo certeiro (fastscaling). Para piorar tudo, geralmente é necessário de mais dinheiro para o blitzscaling do que para o fastscaling, pois você deve ter capital suficiente de reserva para se recuperar dos muitos erros que provavelmente cometerá ao longo do caminho. No entanto, apesar de todas essas possíveis armadilhas, o blitzscaling continua sendo uma ferramenta poderosa para empreendedores e outros líderes empresariais. Se estiver disposto a aceitar seus riscos enquanto seus concorrentes não ousam, você crescerá mais rapidamente do que eles. Se o prêmioa ser recebido for grande o suficiente, e a competição para conquistá-lo, 18/03/2024, 16:18 A organização do futuro https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=a-organizacao-do-futuro&dcp=teoria-das-organizacoes&topic=8#section-1 12/17 Sim, o risco é alto, mas é proporcional à recompensa. Abandona- se a meta de ir de zero a um para abraçar a possibilidade de ir de um a um bilhão em um período concentrado. É fato que as empresas possuem diferentes tipos de escalabilidade em seu ciclo de existência; algumas empresas, inclusive, passam do fastscaling – o crescimento clássico das startups, para, em seguida, conseguirem uma distância grande dos competidores, por meio do blitzscaling, à medida que o empreendimento amadurece – e depois diminuem o ritmo quando se estabelecem como líder. Hoffman e Yeh (2019) alertam que a escalabilidade se aplica não somente aos empreendimentos inteiros, mas também aos produtos ou nichos específicos. Os autores citam o exemplo do Facebook, cuja receita anual cresceu, nos primeiros anos, 2150%, partindo de zero e chegando a US$ 153 milhões, em 2007. Depois, a receita caiu para dois dígitos, acompanhando o movimento da companhia, para adaptar sua versão para dispositivos móveis e se monetizar. Logo em seguida, a receita volta a subir e chega a US$ 2 bilhões, em 2010. São os ciclos de escalabilidade. É uma estratégia interessante a modelos de negócios que dependem muito de seus membros e da obtenção de feedback, uma vantagem considerável sobre os concorrentes. Em negócios em que a escalabilidade importa, agilidade é um importante componente, como aqueles multilaterais, em que dois grupos de usuários dialogam de forma produtiva. Alguns exemplos? O LinkedIn (que une pessoas que buscam trabalho com empregadores que o oferecem), a Uber (motoristas e passageiros) e o Airbnb (anfitriões e hóspedes). O conceito serve tanto a empresas iniciantes quanto àquelas já estabelecidas. Assim, tais empresas conseguem chegar à curva S de crescimento, com um desenvolvimento inicial mais lento seguido de uma rápida aceleração, quando atingem um patamar estável. A curva S de crescimento. intensa, o blitzscaling se torna uma estratégia lógica e ideal.”. (Locais do Kindle 617-626) Vale a pena conferir! Amplie ainda mais seu conhecimento sobre escalabilidade e scale-up. https://rockcontent.com/blog/escalabilidade/ https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/estudo-scale-ups/ 18/03/2024, 16:18 A organização do futuro https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=a-organizacao-do-futuro&dcp=teoria-das-organizacoes&topic=8#section-1 13/17 São três os princípios do blitzscaling (HOFFMAN&YEH, 2019): É uma estratégia de ataque e/ou de defesa: no primeiro caso, permite às empresas tanto surpreender o mercado, ignorando nichos bem defendidos para explorar oportunidades potenciais; quanto para desenvolver vantagens competitivas de longo prazo antes que os concorrentes pensem em reagir. No segundo caso, possibilita um ritmo que cansa os concorrentes e os incapacita a contra-atacar, pois, ao tentar alcançar o líder, não estabelecem estratégias diferenciadas. Baseia-se em ciclos de feedback positivos: em que as empresas que crescem primeiro obtêm as principais vantagens competitivas, conseguem o melhor retorno (cinco vezes maior do que as empresas de médio crescimento) e atingem sucesso a longo prazo. Tudo isso devido à vantagem do precursor: aquele que alcança o patamar máximo em seu ecossistema consegue que a rede de contatos reconheça a sua liderança e faz com que capital e talento transbordem: os melhores funcionários querem trabalhar ali e ele atrai investidores e capitalistas de risco. Apesar das vantagens e potenciais retornos, acarreta riscos gigantescos: pois o crescimento rápido causa tantos problemas quanto soluções, se assemelhando a um câncer, cuja principal característica é o crescimento fora de controle no corpo. É a estratégia que o Facebook adotou por um tempo, de “mova-se rápido e quebre coisas”, o que começou a exigir muito tempo para corrigir erros e problemas. Para ser bem-sucedido no blitzscaling, é necessário ter algum nível de controle para consertar rapidamente o que inevitavelmente será destruído, para que a empresa cresça no ritmo vertiginoso sem entrar em colapso. O segundo conceito que temos que estar familiarizados é o de abundância, que é uma visão otimista do futuro do mundo, em contraponto a muitos indicadores de escassez que vêm sendo divulgados há várias décadas. Diamandis e Kotler (2018) estudaram muitos números para descobrir que a mortalidade infantil e materna vem caindo. O acesso das pessoas aos bens e facilidades registrou aumento e a qualidade de vida melhorou mais no último século do que em qualquer outra época da história da humanidade. Os padrões de vida globais estão melhores – e precisam melhorar ainda mais – e isso importa para todas as nações e povos, pois não somos uma ilha e nem vivemos isolados. Não há “lá fora”. Todos compartilhamos o mesmo ambiente de um mundo hiperconectado. Dizem Diamandis e Kotler (2018): “A época do isolamento passou. No mundo atual, o que acontece “lá fora” tem impacto “aqui dentro”. As pandemias não respeitam fronteiras, as organizações terroristas atuam em escala global, e a superpopulação é um problema de todos. Qual a melhor forma de solucionar esses problemas? É aperfeiçoar os padrões de vida globais. As pesquisas mostram que quanto mais rica, mais educada e mais saudável uma nação, menores são a violência e os distúrbios civis entre sua população, bem como as chances de que tais perturbações se alastrem além de suas fronteiras […] O fato é que, no atual mundo hiperconectado, resolver problemas em qualquer lugar resolve problemas em todos os lugares.”. (Locais do Kindle 88-95) 18/03/2024, 16:18 A organização do futuro https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=a-organizacao-do-futuro&dcp=teoria-das-organizacoes&topic=8#section-1 14/17 Para os autores, a escassez e a abundância são dois lados da mesma moeda, ou seja, a escassez é contextual: não é que os recursos não estejam disponíveis, eles apenas não se tornaram abundantes ainda, pois a tecnologia, capaz de torná-los acessíveis, não foi inventada, o que aumentaria o seu alcance. Nesse ponto de vista, não há recursos escassos, mas sim, momentaneamente, inacessíveis. No final do século XVIII, foi muito difundido o modelo de escassez, em que vários pensadores fizeram previsões catastróficas para os humanos: faltariam desde alimentos, cuja produção não acompanharia a explosão demográfica, até outros recursos globais, que seriam limitados. Teóricos estipularam a capacidade biótica da Terra (o cálculo de quantas pessoas podem viver no planeta de modo sustentável). Mas, o tempo passou e as teorias pessimistas não se confirmaram. O fio condutor do pensamento da abundância é o de que a resposta à escassez passa longe de cortar fatias menores do bolo e sim descobrir como produzir mais bolos. Dizem Diamandis e Kotler (2018): Aos céticos, quanto a esta visão mais otimista do nosso futuro, os autores alegam que a transformação já é visível, impulsionada não somente pela tecnologia como também por outras três forças adicionais, que são ampliadas pela tecnologia. São elas: DIY (Do it yourself, ou faça você mesmo): abrange os inventores de fundo do quintal, que estão revolucionando o mercado e quebrando o que antes era monopólio das grandes empresas e dos governos. Eles inventam carros, computadores e invadem áreas como genética e robótica. Dinheiro: que circula pelas mãos dos tecnofilantropos, que investem suas fortunas para solucionar os desafios globais relativos à abundância. O bilhão ascendente: a força dos mais pobres que, conectados à economia global, por meio da combinação entre internet, microfinanças e tecnologia da comunicação sem fio, se tornaram um importante mercado emergente. Quando juntas, essas três forças possuem grandepotencial. Dizem Diamandis e Kotler (2018): “Em síntese, pela primeira vez na história, nossas capacidades começaram a alcançar nossas ambições. A humanidade está adentrando um período de transformação radical em que a tecnologia tem o potencial de elevar substancialmente os padrões de vida básicos de todos os homens, mulheres e crianças do planeta. Dentro de uma geração, seremos capazes de fornecer bens e serviços, antes reservados para uma minoria rica, a toda e qualquer pessoa que precisar deles. Ou que os desejar. A abundância para todos está na verdade ao nosso alcance.”. (Locais do Kindle 233-237) “Abundância não significa proporcionar a todos neste planeta uma vida de luxo – pelo contrário, significa proporcionar a todos uma vida de possibilidades. Ser capaz de viver uma tal vida requer ter as necessidades básicas satisfeitas e muito mais. Significa também estancar algumas sangrias absurdas. Alimentar os famintos, dar acesso a água limpa, acabar com a poluição do ar em ambientes fechados e erradicar a malária – quatro flagelos totalmente preveníveis que matam, respectivamente, sete, três, três e duas pessoas por minuto no mundo inteiro – é uma 18/03/2024, 16:18 A organização do futuro https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=a-organizacao-do-futuro&dcp=teoria-das-organizacoes&topic=8#section-1 15/17 Percebe, aluno, como o futuro das organizações vai ser altamente tecnológico, voltado para o crescimento rápido, mas sem perder de vista, no entanto, que é possível deixar um legado para o mundo, investindo em tecnologias e recursos que combatam a escassez e levem a espécie humana a um cenário de abundância? Será um futuro fascinante e eu fico feliz em saber que você terá conhecimento para ter um papel de protagonista nele. 5. Conclusão Nossa jornada foi incrível, fizemos uma longa viagem desde os primórdios da administração até vislumbrar como será a organização do futuro. Passamos por vários aspectos empresariais para oferecer a você, aluno, um panorama sobre a complexidade de tais corporações. Sim, haverá muita, muita tecnologia nas empresas do futuro. Mas, paradoxalmente e até por causa da invasão tecnológica, os aspectos humanos serão mais valorizados. As organizações vão querer crescer rápido, de forma exponencial, mas, ainda assim, haverá espaço para olhar além dos muros corporativos e enxergar todo um mundo que pode se beneficiar de suas descobertas. 6. Referências BIGARELLI, Barbara. Por que há executivos pagando tão caro para aprender soft skills? Época Negócios, 02 de fevereiro de 2018. Disponível em:. DIAMANDIS, Peter. KOTLER, Steven. Abundância: o futuro é melhor do que você imagina. Rio de Janeiro: Alta Books, 2018. ENDEAVOR BRASIL. 8 coisas que você não sabia sobre as empresas que mais crescem no país. 29 de setembro de 2015. necessidade. Mas em última análise, abundância significa criar um mundo de possibilidades: um mundo onde os dias de todos sejam gastos com sonhos e realizações, não em luta pela sobrevivência.”. (Locais do Kindle 299-304) Vale a pena conferir! Um jovem de 15 anos revolucionou o tratamento de câncer. Veja como e conheça o poder do DIY. Vale a pena conferir! Um dos mais famosos tecnofilantropos é Bill Gates. Você conhece a atuação dele neste campo? Conheça neste link! https://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2018/02/o-que-sao-soft-skills.html https://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2018/02/o-que-sao-soft-skills.html https://veja.abril.com.br/ciencia/jovem-de-15-anos-revoluciona-o-combate-ao-cancer-de-pancreas/ https://forbes.com.br/colunas/2018/01/fundacao-de-bill-gates-financia-pesquisa-para-nova-vacina-contra-a-malaria/ 18/03/2024, 16:18 A organização do futuro https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=a-organizacao-do-futuro&dcp=teoria-das-organizacoes&topic=8#section-1 16/17 Disponível em:. ENDEAVOR BRASIL. O guia prático para o seu MVP – Minimum Viable Product. 07 de janeiro de 2019. Disponível em: . FORBES. Fundação de Bill Gates financia pesquisa para nova vacina contra a malária. 26 de janeiro de 2018. Disponível em:. G1. Toyota lamenta acidente que provocou recall recorde nos EUA. G1, 02 de outubro de 2009. Disponível em:. HOFFMAN, Reid. YEH, Chris. 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