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2 ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO 1.1. Clarificações iniciais 1.2. Sobre a Igreja 1.3. A origem da Igreja 1.4. A igreja de Jerusalém em Atos dos Apóstolos 1.5. Prerrogativas da Igreja 2. A NATUREZA E MISSÃO DA IGREJA 2.1. A tríplice missão da Igreja 2.2. A adoração da igreja 2.3. A organização da igreja e seu ministério 2.4. O ministério de Paulo 2.5. O ministério local 3. FUNÇÕES DO MINISTÉRIO 3.1. A ilustração da mão 3.2. Dons de Deus para a igreja 3.2.1. Apóstolos 3.2.2. Profetas 3.2.3. Evangelistas 3.2.4. Pastores 3.2.5. Mestres 4. DISCIPLINA NA IGREJA 4.1. A origem da disciplina 3 4.2. A função da disciplina 4.3. Ministrando a disciplina 5. AS ORDENANÇAS 5.1. A natureza das ordenanças 5.2. O batismo em águas 5.3. A Santa Ceia do Senhor 5.4. A participação na Ceia 5.5. O simbolismo da Ceia 6. FINANÇAS NA IGREJA 6.1. Sobre o dinheiro 6.2. A administração da igreja 6.3. Considerações finais 4 INTRODUÇÃO “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;” (Mateus 16:16-18) Clarificações iniciais: Há grandes divergências entre as linhas interpretativas acerca desse trecho das palavras de Jesus para Pedro. De fato,a Igreja Católica Romana estabelece Pedro como o primeiro papa por considerarem ser ele a pedra sobre a qual a Igreja seria construída. Acontece, entretanto, que isso se dá por causa de um erro de interpretação sobre o real significado das palavras de Cristo. Petros, o nome proferido por Jesus, significa um fragmento de rocha, isto é, uma pequena pedra. Dessa forma, é evidente que a frase “sobre esta pedra edificarei a minha igreja” aponta para a verdade de que Jesus é Cristo, o Filho do Deus vivo. “Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (Atos 4:11,12). Sobre a Igreja: A igreja possui poder deliberado por Jesus para pregar sob quaisquer condições, enfrentando seja o que for para a causa do avanço do Evangelho. Na condição de expansores do Reino, os pregadores da Palavra estão munidos de um armamento invisível, isto é, espiritual, porém infalível. Essas palavras nascem dos lábios do próprio Jesus: “Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum.” (Lucas 10:19) É bastante comum que as pessoas acreditem que a igreja é meramente o templo onde ocorrem os cultos. Eclésia significa “ajuntamento de pessoas”, e vai muito além de uma construção física. A igreja apresenta aspectos importantes: ● É a instituição fundada por nosso Senhor Jesus Cristo. 5 ● É apresentada como sendo formada pelo povo escolhido de Deus. ● Foi chamada para deixar o mundo e ingressar no Reino de Deus. A separação entre a Igreja e o Mundo é inerente à sua natureza. Ser parte da igreja é um privilégio conferido por Deus. A Bíblia nos diz que foi Deus quem nos escolheu. A igreja é o corpo de Cristo, sendo ele a cabeça. A igreja é a noiva de Cristo, sendo ele o Noivo. A igreja também é a comunhão espiritual entre o povo de Deus. Há dois tipos de igreja: a visível e a invisível. A igreja invisível só Deus conhece, uma vez que é formada por aqueles que são verdadeiramente cristãos. A Igreja militante é a Igreja que está no mundo lutando, a triunfante é a que dorme com a promessa de que seus corpos serão glorificados. A Igreja também é um ministério espiritual, que atua através dos dons. Um exército engajado num conflito além da carne. Quanto aos membros da Igreja, é comum que alguns se contentem com a salvação, outros, com o sentimento de ser povo de Deus, separados do mundo, e ainda outros com o conhecimento de que são a noiva de Cristo, mas é importante reconhecer que somos também um exército, pronto a espalhar a palavra para todo o mundo. Devemos nos atentar ao exemplo deixado por Cristo, que ia até os pecadores, não para pecar com eles, mas para levá-los ao arrependimento. Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém. (Mateus 28:20) A igreja é também a coluna e o fundamento da verdade. Desde sua fundação, ela vive, sustenta, mantém e é detentora da verdade de Deus revelada na Sagrada Escritura. Ela é formada por um povo possuidor de uma esperança futura. Há quem veja a igreja pelos olhos do consumismo e da prosperidade, mas a verdadeira prosperidade é ter o tesouro de Deus num vaso de barro. A igreja não pode trocar seu tesouro eterno por bens efêmeros terrestres. A origem da Igreja: A verdadeira origem da Igreja remonta ao eterno passado, sendo uma criação do próprio Deus. De uma forma, pode-se dizer que o projetista da igreja é Deus, e o Espírito Santo é o executor do projeto. A igreja trabalha expandindo o reino de Deus, e o Espírito Santo utiliza-Se de ferramentas como nós para fazê-lo Jesus projetou a Igreja desde antes da fundação do mundo. Sua manifestação organizacional, entretanto, começou a existir a partir do Novo Testamento. Os primeiros passos da Igreja são amplamente relatados no livro de Atos dos Apóstolos. 6 A igreja de Jerusalém em Atos dos Apóstolos: ● Capítulo 2 - A descida do Espírito Santo sobre a igreja em Jerusalém ● Capítulo 3 - A cura do paralítico em frente à Porta Formosa ● Capítulo 4 - Pedro e João diante do Sinédrio ● Capítulo 5 - Os acontecimentos envolvendo Ananias e Safira ● Capítulo 6 - O surgimento de problemas na igreja É próprio da igreja adaptar-se conforme as circunstâncias pelas quais está passando. Com o passar do tempo, entretanto, a igreja de Jerusalém começa a tornar-se leniente, acomodando-se. A morte de Estêvão e a perseguição à igreja (pela mão de muitos, inclusive Saulo, que consentia com a morte de Estêvão) funciona como uma maneira de espalhar o povo de Cristo no que acaba por se tornar um esforço missionário. Isso demonstra que desde o começo Paulo foi utilizado como ferramenta para a obra de Deus. Prerrogativas da Igreja: “E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mateus 16:19) É prerrogativa da igreja de Cristo poder ligar e desligar, de forma possui a capacidade de entrar e sair do Céu com suas ações e decisões guiadas pelo Espírito Santo. Dessa forma, a igreja é muito mais que um mero templo terreno, uma construção humana certificada por um CEP. Tamanho poder, entretanto, não é absoluto e jamais pode ser utilizado de maneira irresponsável. É próprio dos homens cometer erros, de forma que pode acontecer de alguém ser injustamente desligado da igreja na terra. Acontece que essa prerrogativa da igreja é validada por derivação, partindo primeiramente de Jesus. Assim, essa habilidade da igreja passa por um crivo Divino. Nas palavras de Jesus: “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontadedo Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia.” 7 (João 6:37-39) Assim, a igreja também possui a autoridade para reconciliar: quando confessamos o pecado, Ele é fiel e justo para perdoar. Em nosso desejo de imitá-lo, também devemos possuir um espírito manso e conciliador, obedecendo os mandamentos do Evangelho: “Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão; Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.” (Mateus 18:15-17) 8 A NATUREZA E MISSÃO DA IGREJA Conceituação de Igreja: A palavra utilizada no grego é Eclésia (Εκκλησία) que significa literalmente a reunião de um povo por causa de uma convocação. Nesse sentido, os membros da eclésia são aqueles são “os chamados para fora”. A Igreja apresenta a multiforme sabedoria de Deus. Em suas muitas e variadas formas, a Igreja é a coluna e firmeza da verdade. Ela é a única instituição que é o sustentáculo da verdade. Como igreja, temos obrigações de sermos fiéis a essa verdade. A tríplice missão da Igreja: A Igreja é a portadora das verdades evidenciadas nas Sagradas Escrituras e transmitidas pelos apóstolos. A missão da Igreja é tríplice: ● Adorar a Deus: um dos principais objetivos da Igreja de Cristo é prestar culto ao Senhor: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (João 4:23,24) ● Revelar os dons que recebeu: a igreja manifesta os dons espirituais no meio dos irmãos “Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também.” Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. (1 Coríntios 12:8-11) ● Evangelizar: é também papel da igreja pregar o evangelho em todo o mundo. É a grande comissão, o “Ide por todo omundo, pregai o evangelho a toda criatura.” 9 “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.” (Atos 1:8) A adoração da igreja: As epístolas do apóstolo Paulo nos mostram que havia dois tipos de reuniões na igreja primitiva: ● Culto de adoração, louvor e pregação: este era o culto público, aberto ao público. Aqui havia o cantar de hinos e salmos, a leitura das Escrituras e a explicação dos textos. ● Culto de adoração fechado, conhecido como festa do amor ágape (αγάπη): diferentemente do anterior, esse culto não era aberto ao público geral, sendo particular dos cristãos. Era aqui que acontecia o partir do pão, isto é, a ceia. Os membros traziam comidas e bebidas, celebrando o ritual. Esse modelo logo foi alterado, uma vez que havia muitos casos onde o verdadeiro objetivo da comemoração era eclipsado pelos prazeres da festividade. Isso serve para que reflitamos acerca da real natureza do culto, de forma que jamais nos esqueçamos de quem é a possa principal em nossas reuniões. A organização da igreja e seu ministério: Foi Cristo quem deu vida à igreja. Desta forma, ela é um organismo vivo. Cristo é a cabeça, e nós somos o corpo. Na condição de organismo, a igreja também possui a capacidade de se reorganizar de acordo com as necessidades: ● Surgimento dos diáconos: essa função surge no contexto do início da igreja em Jerusalém. A diaconia foi adotada sob necessidade emergencial por causa da murmuração e dos problemas que haviam surgido na igreja primitiva, servindo de assistência no mantenimento da instituição. ● Surgimento de presbíteros: o ministério de Paulo era itinerante, de forma que o apóstolo estava sempre viajando de cidade em cidade. Uma vez que deixava uma igreja que havia sido plantada, Paulo colocava pessoas responsáveis para continuar o trabalho. O ministério de Paulo: O ministério de Paulo foi um dos mais atuantes de todo o Novo Testamento e pode ser dividido em duas partes: ● Ministério itinerante e carismático: 10 Este se dava por meio das manifestações sobrenaturais do Espírito Santo na pregação missionária de Paulo. Era caracterizado pelo constante movimento do apóstolo. ● Ministério local e eleito: A parte complementar do ministério itinerante. Quando o apóstolo Paulo parte para continuar sua jornada, precisa deixar uma estrutura sólida para dar continuidade à obra começada. É aqui que entre o ministério eleito localmente pela população da região de acordo com as qualificações apontadas pelos apóstolos. O ministério local: “Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio.” (Atos 6:3) ● Profetas: Possuíam a função de consolar, edificar e exortar as igrejas através de sua mensagem. Uma coisa importante de se destacar é que esses profetas não eram infalíveis, diferentemente do Antigo Testamento. O dom é divino, vindo de Deus, mas a ferramenta é humana. Eles eram membros com o dom da profecia, e as profecias devem ser examinadas e julgadas de acordo com o evangelho pregado pelos apóstolos. ● Evangelistas: Os evangelistas eram os primeiros, a fronte do avanço missionário. Aqui cabe destacar o exemplo de Filipe, que desceu à Samaria por causa da perseguição em Jerusalém. Filipe não era apóstolo, mas serviu para espalhar o evangelho anunciando a mensagem do Cristo ressurreto. ● Pastores: Os pastores eram os homens responsáveis por reunir o rebanho. É ele quem cuida das ovelhas, conhecendo o estado delas para que possa atendê-las com maior eficiência. ● Mestres: Esses eram indivíduos que recebiam uma capacitação sobrenatural para explicar as Escrituras. Eram, em suma, ensinadores que possuíam o poder da transmissão eloquente. 11 ● Anciãos, presbíteros ou bispos: “Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância;” (Tito 1:7) Os presbíteros governavam e supervisionavam a pregação e o ensino da Palavra. Paulo recomenda que sejam homens capazes de governar bem e que possuam duplicada honra, sendo irrepreensíveis. ● Diaconia: “Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância; Guardando o mistério da fé numa consciência pura.” (1 Timóteo 3:8,9) A função do diácono é ser como Estêvão. Na maioria das vezes, os homens que ocupam essa posição não ocupam as posições debaixo de holofotes. Os grupos de oficiais eleitos na igreja primitiva eram os diáconos. Originalmente, o termo significava “serviçal que mantinha as taças de vinho cheias”. Em seguida, veio a indicar o servo responsável por vários encargos. Entreos cristãos, os diáconos seguiam o padrão estabelecido por Jesus. Também eram eles que tinham o cuidado com o dinheiro visando cuidar das viúvas, pobres e enfermos. Mulheres também recebem essa função, sendo chamadas de diaconisas. Além de serviços servis, os diáconos também deveriam estar prontos a ministrar espiritualmente e pregar a Palavra. 12 FUNÇÕES DO MINISTÉRIO “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;” (Efésios 4:11,12) A ilustração da mão: ● Apóstolos: aquele que serve como base, unindo todos os outros. Simbolizado pelo dedo polegar. ● Profetas: aquele que mostra a vontade de Deus, apontando qual caminho deve ser trilhado. Simbolizado pelo dedo indicador. ● Evangelistas: aquele que se sobressai dos outros. É ele quem chega e faz a parte do evangelismo. Simbolizado pelo dedo médio. ● Pastores: o comprometido com a igreja, que tem que ter o cuidado e a preocupação de cuidar, nutrir e proteger o rebanho. Simbolizado pelo dedo anelar. ● Mestres ou doutores: aquele que é raramente visto, mas que observa todos os outros. Simbolizado pelo dedo mínimo. Dons de Deus para a igreja: “E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.” (Atos 13:1,2) O ministério da igreja primitiva era como um grande órgão cujo objetivo era levar o Evangelho ao mundo. Os oficiais, itinerantes ou eleitos, não deveriam evangelizar sozinhos, mas equipar os crentes para que eles também evangelizassem. Se a evangelização fosse feita apenas pelos ministros, ela jamais alcançaria o mundo inteiro. A liderança também era responsável pelo cultivo de um clima de adoração e serviço dentro da igreja, trabalhando para edificar os crentes para que fossem transformados em santos maduros. Aliás, a razão dos vários ministérios é exatamente a edificação do corpo de Cristo. 13 A igreja precisa ser capacitada por esses dons ministeriais para que possa cumprir seu objetivo na Terra. Pode-se afirmar que os líderes são, em si, dons de Deus. Esses dons são como ferramentas que servem para preparar o povo de Deus para o feitio do trabalho cristão. ● Apóstolos: O termo “apostolar” significa enviar alguém numa missão especial como um mensageiro ou representante principal. O título de apóstolo foi utilizado no Novo Testamento para fazer referência a: ❖ Jesus Cristo: “Por isso, irmãos santos, participantes da vocação celestial, considerai a Jesus Cristo, apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão,” (Hebreus 3:1) ❖ Os 12 apóstolos: “Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: O primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Lebeu, apelidado Tadeu; Simão, o Cananita, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu. (Mateus 10:2-4) ❖ Apóstolo Paulo: “Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus.” (Romanos 1:1) No Novo Testamento, o termo também está presente em seu uso geral, utilizado para significar o representante de uma igreja, isto é, um missionário. Destacados pela liderança espiritual, esses homens faziam milagres e eram servos itinerantes, viajando entre as igrejas. ● Profetas: Eram homens que traziam uma mensagem da parte de Deus para sua igreja. O profeta falava sob o impulso direto do Espírito Santo, com a motivação de promover a pureza e a vida espiritual na igreja. O ministério do Antigo Testamento possui algumas diferenças para com o novo. Apesar disso, estudar o profetismo bíblico na Antiga Aliança ensina-nos a compreender melhor o propósito da mensagem de Deus no novo. A função do profeta 14 era interpretar a palavra quando se estava cheio do Espírito Santo, de forma a ensinar e admoestar a igreja. É o dever do profeta desmascarar o pecado no meio do povo. Por causa de sua mensagem, ele pode vir a ser rejeitado por muitos irmãos em tempo de frieza espiritual e apostasia. Os profetas combatiam o mundanismo dentro da igreja, advertindo acerca do juízo vindouro. As características dos profetas são: ❖ Zelo pela pureza da igreja: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.” (João 17:15-17) ❖ Capacidade de identificar e detestar a iniquidade: “O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem.” (Romanos 12:9) ❖ Profunda compreensão do perigo dos falsos ensinos: "Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.” (Mateus 7:15) ❖ Dependência contínua da palavra para validar a mensagem. “E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito: O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração, A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do Senhor.” (Lucas 4:17-19) ❖ Interessados no sucesso do Reino de Deus, e na sua identificação com os sentimentos de Deus. ❖ Falíveis. Sua mensagem está sempre sujeita a julgamento. “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem. Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro. Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados. E os 15 espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas. Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos.” (1 Coríntios 14:29-33) A igreja que rejeita os profetas caminha para o mundanismo e o liberalismo teológico. Se ao profeta não for permitido transmitir a mensagem, a igreja não é lugar onde se pode ouvir a voz do Espírito Santo. Por outro lado, a igreja que aceita a profecia receberá renovação espiritual. ● Evangelistas: No sentido aqui empregado, o evangelismo é um ministério com propósito de espalhar a mensagem de Cristo. Os evangelistas eram homens de Deus que eram capacitados e comissionados para anunciar o Evangelho. Talvez o maior exemplo seja o de Filipe, o evangelista, descrito no livro de Atos dos Apóstolos. Esse era o mesmo Filipe que fora previamente separado juntamente com Estêvão para a diaconia. Saindo da igreja de Jerusalém, Felipe desce à Samaria. Uma vez lá, cumpre com seu propósito missionário, ganhando a Samaria para Cristo. Após isso,viaja para Gaza, prega ao etíope, é transladado pelo anjo do Senhor, sempre espalhando a mensagem de Cristo. E no dia seguinte, partindo dali Paulo, e nós que com ele estávamos, chegamos a Cesaréia; e, entrando em casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele. E tinha este quatro filhas virgens, que profetizavam. (Atos 21:8,9) A igreja que não apoia o evangelista deixa de ganhar convertidos, o que é um de seus propósitos. Uma igreja estática e sem crescimento está desobedecendo o mandamento de Cristo. A que reconhece o dom ama os perdidos, proclamando o Redentor. Em suma, os evangelistas eram os homens queestavam onde Deus queria com a mensagem que o lugar precisava receber. ● Pastorado: “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; 16 E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si.” (Atos 20:28-30) Também chamados de presbíteros, pastores são aqueles que apascentam, cuidam, nutrem e corrigem a igreja de Deus. Eles receberam a responsabilidade de cuidar do rebanho, doando-se pelo bem estar da igreja. É importante perceber que a igreja não é posse da pastor, mas que os pastores são, em si, um presente de Deus para a igreja. Os pastores são aqueles que dirigem as congregações locais, cuidando de suas necessidades espirituais. Em suma, a tarefa do pastor é cuidar da Sã Doutrina Além disso, ele também precisa refutar as heresias que surgem no meio do rebanho. Para tal, deve conhecer bem a Palavra, esforçando-se para que todos os crentes permaneçam firmes na graça divina. No começo do cristianismo, a igreja local era gerida por um grupo de pastores. Esses pastores não eram escolhidos por meio de politicagens ou afinidades, mas segundo a sabedoria do Espírito concedida à igreja durante o exame das qualidades do candidato, de acordo com as instruções dos apóstolos . A igreja que deixe de escolher pastores piedosos e fiéis não será dirigida de acordo com os desígnios do Espírito Santo, tornando-se vulnerável às artimanhas destrutivas de Satanás e o mundo. Nessa igreja haverá distorção da Palavra e os padrões do evangelho serão abandonados, os membros da igreja e seus familiares não serão doutrinados de acordo com o projeto de Deus. ● Doutores e mestres: São aqueles que tem um dom especial de esclarecer, expor e proclamar a palavra de Deus a fim de edificar o corpo de Cristo. Mestres são um dom pra igreja, trabalhando para explicar a mensagem das Escrituras para que o povo possa compreender as verdades do texto. A missão dos mestres é preservar o evangelho como lhes foi confiado por Cristo e os apóstolos através das Sagradas Escrituras. Eles têm o dever de fielmente conduzir a igreja no caminho da revelação bíblica. Em suma, são clarificadores, trazendo explicações compreensivas e didáticas para que o ensino possa produzir santidade nos ouvintes. Eles viabilizam a compreensão do texto sagrado, conseguindo explicar os mandamentos com um coração caridoso e puro, admoestando com caridade. Para tal, devem possuir uma fé verdadeira, vivendo aquilo que pregam. Os mestres são indispensáveis. A igreja que ignora o papel dos mestres não se preocupa com a autenticidade da mensagem pregada, ou com a correta explicação 17 das verdades bíblicas. A igreja precisa de doutores que tenham seus ensinos, trabalhos e práticas regidos pela Palavra. Uma comunidade abençoada com bons mestres combaterá as doutrinas falsas que surgem para desvirtuar os crentes. 18 DISCIPLINA NA IGREJA “E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará. E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.” (Gênesis 3:16-19) A origem da disciplina: A disciplina é encontrada no modelo do próprio Deus para a igreja. De fato, isso se apresenta em toda a criação, desde o trabalho até a educação dos filhos. A correção é uma consequência de quando há erro de conduta que precisa ser corrigido para que a igreja possa ter saúde. A Graça nos traz a responsabilidade de vivermos em retidão. De fato, ao rejeitarmos a correção bíblica aplicada no momento correto é o equivalente a sermos mal educados, tomando errado por certo. Em suma, toda disciplina é boa e vem de Deus. Devemos nos sujeitar às autoridades constituídas. É como diz o apóstolo Paulo: Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. (Romanos 13:1). De fato, o próprio Cristo reconhecia a autoridade de outros, como na ocasião de seu batismo, com João Batista, e seu julgamento, com Pôncio Pilatos. “Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; Quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem.” (1 Pedro 2:13,14) A função da disciplina: A disciplina exprime um princípio divino. Desde o início dos tempos, Deus mostrou- Se inteiramente contrário ao pecado. Quando Adão e Eva pecaram, Deus não permitiu que permanecessem no paraíso, mas expulsou-os de lá. 19 Gênesis nos mostra que o próprio Deus exerce disciplina quando descreve-O fazendo com que o homem confessasse o delito que havia cometido. Eva, enganada pela serpente, peca primeiro, seguida em sua transgressão por Adão que, ignorando o mandamento de Deus, também come do fruto. O pecado rompeu a comunicação direta do homem com Deus. Adão, escondido, fala a Deus que estava envergonhado de sua nudez. Em vez de assumir sua culpa, Adão transfere-a à mulher dada por Deus que, por sua vez, faz o mesmo em relação à serpente. É em decorrência disso que a disciplina vai ser aplicada sobre primeiro homem e a primeira mulher. É importante notar que a disciplina não é para destruir: a primeira coisa que Deus faz é vesti-los, demonstrando que a punição serve para recuperar e corrigir. Disso podemos tirar a seguinte lição: o verdadeiro amor repreende, ensina, instrui e não é conivente. Adão e Eva Foram expulsos do paraíso, porém não foram destruídos de imediato. As misericórdias do senhor são a razão para não sermos consumidos. Durante todo o Velho Testamento Deus demonstra a seu povo o valor da obediência, e as consequências de se ignorar os mandamentos divinos. O processo da disciplina não é apenas necessário: é bom. Toda disciplina busca resgatar o faltoso, de forma que trabalha para retirá-lo do caminho da perdição. “E será que, se ouvires a voz do SENHOR teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, o SENHOR teu Deus te exaltará sobre todas as nações da terra. E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do Senhor teu Deus” (Deuteronômio 28:1,2) Ministrando a disciplina: “Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão; Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.” (Mateus 18:15-17) Orientação especial em particular: Devemos falar ao faltoso com amor e sabedoria, “Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade, E tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em que à vontade dele estão presos.” (2 Timóteo 2:25,26). 20 Quando alguém erra e você vai admoestá-la com amor, estais ajudandoa pessoa a se despertar do sono espiritual e dos laços do diabo. Se não irmos a ele, pecamos, permitindo que nosso irmão permaneça em pecado. É dever da igreja instruir os irmãos que estão errando, sempre com mansidão. “Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado. Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo. Porque, se alguém cuida ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo.” (Gálatas 6:1-3) Quando a tentativa de auxiliar não der certo, deve-se chamar a igreja, que mandará uma advertência por meio de uma comissão. Se o indivíduo atender ao aviso, tudo estará solucionado. Não se deve ficar pescando no mar do esquecimento. Quando nada der certo, então o faltoso ficará sujeito à disciplina: 1. Suspensão: o indivíduo ficará suspenso de cargos e da participação na Santa Ceia, porém continua membro da igreja. 2. Desligamento: quando o indivíduo resiste em desobediência, o faltoso é separado da comunhão, sendo considerado gentio e publicano. Aqui, a igreja executa visivelmente aquilo que ele já foi consumado interiormente no coração do pecador. A Bíblia Sagrada fala de vários pecados passíveis de disciplina. Devemos ter cuidado para não cair nos extremos de tolerância em demasia, ignorando os pecados na comunidade, ou vigor excessivo, combatendo agressivamente os irmãos mais fracos. “Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais.” (1 Coríntios 5:11) Devemos nos atentar a esses preceitos. Uma vez que tem como objetivo a reparação, a disciplina da igreja deve estar sempre acompanhada de tratamento espiritual, não limitando- se a um mero tempo de afastamento. Além disso, é importante que todo membro saiba dar e receber disciplina. Todos estão sujeitos a ela, até mesmo o pastor, que é homem falho assim como todos os outros. 21 AS ORDENANÇAS E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar. E com muitas outras palavras isto testificava, e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa. De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas, E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. (Atos 2:38-43) A natureza das ordenanças: É importante destacar que o cristianismo bíblico não é uma religião ritualista ou sacramental. Em vez disso, as Sagradas Escrituras nos ensinam que uma Graça Divina especial é concedida aos pacientes de certos rituais, de forma que não são os rituais em si a natureza das bênçãos na vida do participante. A Bíblia Sagrada apresenta-nos duas ordenações divinas: O batismo em águas: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.” (Marcos 16:16-18) A doutrina bíblica ensina-nos que é necessário ao homem nascer de novo. Para tal, há o mandamento da grande comissão: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” (Mateus 28:19,20). A pregação encaminha o indivíduo ao batismo. Uma vez decidido, o candidato precisa estar convicto de que reconhece ser um pecador, que seu estado pecaminoso não pode ser redimido por suas próprias forças e que não há salvação em nenhum outro além de Jesus 22 Cristo. Uma vez que o pecador seja confrontado pela palavra e reconheça que está perdido e precisa de um salvador, que é Jesus, então ele pode aceitá-Lo. O batismo é um ato literal público que serve para simbolizar o sepultamento do velho homem dentro de cada um de nós: nosso novo nascimento. Quanto à maneira correta de performar o batismo, deve-se notar que, no passado, ele sempre foi feito nas águas de um rio. Jesus foi batizado por imersão, como era o batismo de João Batista, declarando ao mundo que aqueles que morreram com Cristo foram ressuscitados com Ele para andar em novidade de vida. O batismo deve ser como nos dias dos apóstolos até hoje: “E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;” (Atos 2:38) ● Deve ser precedido de arrependimento ● Deve ser por imersão ● Deve ser voluntário e recebido de bom grado ● Deve ser feito em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Quem pode participar: Disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam. (Atos 19:2-6) O batismo é válido para todo aquele que se arrepender sinceramente de seus caminhos pecaminosos e exercitar uma fé viva e verdadeira em nosso Senhor Jesus Cristo. Além disso, a ordenança é essencial para integrar a obediência a Cristo e nossa identificação com Sua morte, sepultamento e ressurreição. 23 A Ceia do Senhor: “Chegou, porém, o dia dos ázimos, em que importava sacrificar a páscoa. E mandou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos. E eles lhe perguntaram: Onde queres que a preparemos? E ele lhes disse: Eis que, quando entrardes na cidade, encontrareis um homem, levando um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar. E direis ao pai de família da casa: O Mestre te diz: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos? Então ele vos mostrará um grande cenáculo mobilado; aí fazei preparativos. E, indo eles, acharam como lhes havia sido dito; e prepararam a páscoa. E, chegada a hora, pôs-se à mesa, e com ele os doze apóstolos. E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça; Porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus. E, tomando o cálice, e havendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós; Porque vos digo que já não beberei do fruto da vide, até que venha o reino de Deus. E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós.” (Lucas 22:7-20) A Santa Ceia é uma ordenança prescrita no Novo Testamento para aqueles já batizados em águas. Nenhum método específico é vinculado à obediência da Ceia, de forma que o modelo de realizaçãoforam adaptando-se com o tempo. Ela consiste no pão e vinho, símbolos que exprimem nossa participação na natureza divina de nosso Senhor Jesus Cristo. Além do anúncio da morte de Cristo e do cumprimento do Reino (até que venha), o verso fala da vinda de Jesus. “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha.” (1 Coríntios 11:26) A Ceia tem um propósito definido: é um mandamento. Através de sua morte, Ele reconcilia o mundo com Deus, mostrando que depois de ressuscitar venceria de vez a morte, o diabo e o pecado, dando vida a todos que creem nEle: a nova aliança. Mais além: para nós, a Ceia do Senhor tomou o lugar da páscoa no Antigo Testamento porque Cristo, nossa páscoa foi, sacrificado por nós. “Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.” (1 Coríntios 5:7) A Ceia possui as seguintes características: ● Comemorativa: é ordenança direta do Senhor que comemoremos a Ceia em Sua memória. ● Instrutiva: representa, por meio de uma lição objetiva, a sagrada incarnação de Cristo e a expiação. 24 ● Inspiradora: lembra-nos que por meio da fé podemos alcançar o benefício de Sua morte e ressurreição. Participando de forma regular, estamos nos identificando de forma regular com Jesus, que morreu e ressuscitou para que pudéssemos ter vida. ● Ação de graças: uma oportunidade de agradecer a Deus por todas as bênçãos que são nossas, porque Jesus morreu por nós. ● Comunhão com o Pai por meio do Filho: e também comunhão com os outros crentes que compartilham com nós a mesma fé. O ato da Ceia promove comunhão entre os participantes. “O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.” (1 João 1:3) ● Pacto da Nova Aliança: participando da Ceia, declaramos que Jesus é o nosso Senhor e que estamos dispostos a fazer sua vontade e tomar nossa cruz para comprir a grande comissão. A participação na Ceia: Há três posições divergentes entre os evangélicos no que tange à participação da ceia: ● Os livres: De acordo com essa visão, participam da Ceia membros de qualquer denominação. Aqui não há o discernimento do corpo. ● Visão restrita: Podem participar da Ceia apenas membros da mesma denominação. ● Visão ultra restrita: Podem participar da Ceia apenas membros da igreja local. O simbolismo da Ceia: Há várias visões acerca do significado da Ceia: 1. Transubstanciação: 25 A doutrina católica. Creem na transformação da substância do pão e do vinho na substância do corpo e do sangue de Cristo pelo efeito da consagração eucarística, o que consiste numa heresia. 2. Consubstanciação: A doutrina luterana. Creem que o participante come do corpo e o sangue, embora não houvesse ali a transubstanciação. 3. União espiritual: A doutrina reformada. Creem que Cristo está presente no sacramento de maneira espiritual para aquele que o recebe com fé e graça de Deus. 4. Visão pentecostal: Acredita que a Ceia é uma ordenança comemorativa, isto é, uma ocasião solene para rememorar o sacrifício de Cristo. 26 FINANÇAS NA IGREJA “Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da macedônia; Como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente. Pedindo-nos com muitos rogos que aceitássemos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos. E não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.” (2 Coríntios 8:1-5) Sobre o dinheiro: A questão das ofertas não é apenas contemporânea, sendo tratada com muita seriedade da parte de Deus desde o começo. De fato, o primeiro que ofereceu algo foi Deus, propiciando a vida e os meios mantê-la. Além das túnicas de pele de cordeiro, presenteadas ao primeiro casal em sua expulsão do Jardim. Uma história que nos serve como base de ensinamento é o relato de Zaqueu. Zaqueu era um homem rico que possuía condições de viver da maneira como desejasse .Sua história, entretanto, é mudada a partir de seu encontro com o Messias. A visita de Jesus à sua casa possui três características. “E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. E eis que havia ali um homem chamado Zaqueu; e era este um chefe dos publicanos, e era rico. E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura. E, correndo adiante, subiu a uma figueira brava para o ver; porque havia de passar por ali. E quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa. E, apressando-se, desceu, e recebeu-o alegremente. E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador. E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado. E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão.” (Lucas 19:1-9) ● Foi inesperada ● Foi transformadora ● Foi salvadora A redenção de Zaqueu é evidenciada por seu desapego ao amor ao dinheiro, doando metade de seus bens. Podemos aprender muito desse exemplo. Percebe-se que a doação 27 de Zaqueu foi voluntária: longe de ofertar porque era esperado que o fizesse, ele opta por submeter o dinheiro a Deus, oferecendo-o de bom grado como forma de adoração. A administração da igreja primitiva: Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da macedônia; Como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente. Pedindo-nos com muitos rogos que aceitássemos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos. E não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus. (2 Coríntios 8:1-5 ) O exemplo da igreja da Macedônia é inspirador: mesmo não possuindo bens em abundância, decidiram ofertar alegremente: “mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.”. A Bíblia também nos ensina que, nos primórdios da igreja em Jerusalém, os crentes vendiam suas propriedades e colocavam o valor aos pés dos apóstolos: “Então José, cognominado pelos apóstolos Barnabé(que, traduzido, é Filho da consolação), levita, natural de Chipre, Possuindo uma herdade, vendeu-a, e trouxe o preço, e o depositou aos pés dos apóstolos.” (Atos 4:36,37) Percebe-se que, no exemplo citado acima, a doação foi feita de forma voluntária. O texto de, entretanto, não trata apenas de casos positivos. A tragédia de Ananias e Safira, o casal de enganadores, demonstra-nos a necessidade de de um coração cheio honestidade e franqueza para que a oferta seja agradável. A responsabilidade da administração dos presentes de Deus está sobre a igreja. Foi Ele quem colocou Seus ministros sobre Sua casa, de forma que quando se entrega o dízimo e a oferta à igreja, entrega-se a Deus. O poder da adoração pelas contribuições é bastante perceptível. A salvação livra o crente da avareza e doamor ao dinheiro: Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. (Efésios 5:5). Avareza é idolatria, e a Bíblia ensina-nos a lutar contra esse impulso: E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui. (Lucas 12:15). O Amor ao dinheiro é o raiz de todos os males. Isso torna-se evidente ao percebermos que quanto mais uma pessoa foi santificada, mais ela torna-se propensa a contribuir: Abraão, 28 o patriarca, possuía tamanha fé que ofereceu seu próprio filho, Isaque, quando o Senhor o requisitou. Não se pode amar o dinheiro pelo mesmo motivo que não se pode servir a dois senhores: "Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro". (Mateus 6:24) ● A contribuição era algo ordenado, e não apenas em momentos de necessidade. Contribuia-se regularmente “No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar.” (1 Coríntios 16:2) ● A contribuição abrangia a cada um: privar alguém de contribuir é privá-lo de ser abençoada pela adoração ● É voluntária: tudo é feito na base da voluntariedade. Embora a Bíblia ordene a maneira como devemos contribuir, isso não nos retira a voluntariedade da contribuição. ● A contribuição era proporcional: com cada um podendo participar de acordo com sua prosperidade. É a igreja que mantém o trabalho missionário, que auxilia os membros em momentos de necessidade, que também faz trabalho social com idosos, presos e dependentes químicos, que suporta a comunidade como um todo. Administrar com seriedade as doações à igreja é um dever importantíssimo. Considerações finais: No fim das contas, a mensagem de aviso é: Cuidado com o deus Mamom. Não deixe que ele influencie o teu ministério, honre ao Senhor com as primícias de tudo o que receberes. Nosso culto implica Mamom ser nosso escravo, jamais nosso senhor. Que ele se curve diariamente, nunca nos dominando. “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.” (João 4:23)