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Contabilidade 
 Intermediária 
 Módulo de Estudo 3 
AULA 9
AJUSTE DE 
AVALIAÇÃO 
DO VALOR 
PATRIMONIAL 
(AAP)
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o sumário
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Esse ajuste trata de correção do valor apresentado 
no balanço patrimonial, tanto por uma conta do 
ativo quanto do passivo; está associada ao valor 
justo.
A finalidade dessa correção é se aproximar do 
fato real da conta contábil, e esse ajuste pode ser 
positivo ou negativo, dependendo do saldo da 
conta e de qual conta.
Por meio da harmonização contábil, a Lei nº 
11.638/2007 trouxe ao subgrupo do patrimônio 
líquido a conta AJUSTE DA AVALIAÇÃO 
PATRIMONIAL.
A Lei nº 11.638/2007 instrui sobre a classificação 
do ajuste do valor patrimonial, veja:
[...] serão classificadas como ajustes de 
avaliação patrimonial, enquanto não 
computadas no resultado do exercício em 
obediência ao regime de competência, 
as contrapartidas de aumentos ou 
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diminuições de valor atribuído a 
elementos do ativo e do passivo, em 
decorrência da sua avaliação a valor justo.
Os ajustes tanto positivos quanto negativos 
trazem efeito para o Patrimônio Líquido 
(PL) e esses valores não são reconhecidos 
como receita ou despesa, mas, sim, tratados 
como resultado abrangente e vão aparecer 
na Demonstração do Resultado Abrangente 
(DRA) e também na Demonstração das 
Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL).
FIQUE ATENTO
As instruções sobre instrumentos financeiros 
contidas na Lei nº 6.404/1976 abordam que 
os derivativos que estão classificados no ativo 
circulante ou no realizável a longo prazo devem 
ser avaliados pelo valor justo. Em se tratando 
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de aplicações disponíveis para venda, havendo 
aumento ou diminuição do investimento, o registro 
da contrapartida será no ajuste de avaliação 
patrimonial.
O registro contábil das contas de ativo e 
passivo é realizado pelo valor de entrada. 
Em havendo alteração no seu valor justo, 
então seu saldo deverá ser atualizado, e a 
contrapartida deverá ocorrer na conta de 
ajuste de avaliação patrimonial.
FIQUE ATENTO
Sabe-se que o valor justo é aquele ajustado entre 
as partes numa transação não forçada.
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Exemplo prático de ajuste da avaliação 
patrimonial
a) Em maio de 2017, a empresa ABA Ltda. investiu 
em instrumentos financeiros que foram revendidos 
no ano de 2018. O valor do investimento foi de R$ 
1.556.000,00 e foi pago à vista.
D – Investimento temporário (LP) – R$ 1.556.000,00
C – Banco – R$ 1.556.000,00
b) No último dia de dezembro de 2017 foi 
realizada a avaliação do valor do investimento ao 
seu valor justo – R$ 433.000,00 –, mas constará no 
balanço patrimonial R$ 1.989.000,00.
D – Investimento temporário – R$ 433.000,00
C – Ajuste da avaliação patrimonial – R$ 433.000,00
c) Em 31/12/2018, a empresa avaliou o 
investimento em relação ao seu valor justo em R$ 
1.700.000,00 (valor de 2018 menor que o valor de 
2017).
D – Ajuste da avaliação patrimonial – R$ 289.000,00
C – Investimento temporário – R$ 289.000,00
d) Em 2018 a empresa resgatou o investimento 
85
por R$ 1.700.000,00.
D – Banco – R$ 1.700.000,00
C – Investimento temporário – R$ 1.700.000,00
e) No momento presente, o valor registrado como 
ajuste da avaliação patrimonial será reconhecido 
como receita na DRE.
D – Ajuste de avaliação patrimonial – R$ 144.000,00
C – Outra receita operacional – R$ 144.000,00
AULA 10
DEMONSTRAÇÃO 
DAS MUTAÇÕES 
DO PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO (DMPL) 
DE ACORDO 
COM A LEI Nº 
6.404/1976
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o sumário
87
Essa demonstração é a responsável por apresentar 
os recursos para gerenciamento do patrimônio 
líquido. Por meio dela é possível verificar a 
movimentação dos recursos da empresa.
A Instrução Normativa nº 59/1986 determina que 
a publicação da Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Líquido (DMPL) seja feita anualmente, 
acompanhando os demais relatórios contábeis 
obrigatórios para companhias de capital aberto.
Pode não ser explícita, mas a DMPL tem uma 
ligação muito grande com o fluxo de caixa da 
empresa, o que pode ser visto nos itens que são 
determinados pela IN nº 59/1986:
1. acompanhar a evolução do patrimônio da 
organização;
2. monitorar a influência deste patrimônio (valor) 
no mercado;
3. determinar estratégias para o crescimento da 
empresa no mercado.
88
Já que os itens de responsabilidade da DMPL estão 
atrelados ao controle principalmente do caixa, qual 
sua relação com a Demonstração do Fluxo de Caixa 
(DFC)?
De acordo com a Lei nº 6.404/76:
DFC – apresenta entradas e saídas do 
caixa da empresa em certo período, e o 
resultado dessas Movimentações. Toda 
sociedade de capital aberto deve realizar 
a DFC, ou então a que tenha patrimônio 
líquido maior que R$ 2 milhões.
Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Líquido serve como 
complemento ao balanço patrimonial da 
organização, a exemplo do relatório DFC. 
Este demonstra as condições em que se 
encontra o patrimônio em certo período.
89
QUADRO 12 – ESTRUTURA 
PADRÃO DA DMPL
Fonte: VALOR CONSULTING. Demonstração de Mutações do 
Patrimônio Líquido (DMPL). (Área: Contabilidade Geral). São 
Paulo, [s.d.]. Disponível em: https://www.valor.srv.br/matTecs/
matTecsIndex.php?idMatTec=638. Acesso em: 17 ago. 2020.
É possível, por meio dos corretos registros 
das operações que envolvem a movimentação 
do patrimônio, serem feitas diversas análises, 
principalmente comparativas. A DMPL é uma 
ferramenta de alta gestão.
AULA 11
Demonstração 
do Resultado 
Abrangente 
(DRA) e CPC 26 – 
Apresentação das 
demonstrações 
contábeis
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o sumário
91
A Demonstração do Resultado Abrangente 
(DRA) surgiu com a finalidade de dissociar o que 
é patrimônio exclusivo da empresa e o que é 
definitivamente o capital dos sócios.
Desde o ano de 2009, por meio do CPC 26, 
a apresentação da DRA é obrigatória para 
companhias de capital aberto.
O foco da DRA é munir os acionistas de 
informações, principalmente nos quesitos que 
tratam das movimentações das receitas, despesas 
e demais itens que modificam o patrimônio líquido 
da empresa.
Esse relatório é complementar ao Demonstrativo 
de Resultados do Exercício (DRE), mas é bom 
lembrar que os itens abordados na DRA não têm 
relação com transações com sócios. Desta forma, 
esse relatório não trata de aumento ou devolução 
de capital nem de distribuição de lucros.
Um dos desafios deste relatório é ser de fácil 
92
entendimento, para que os usuários externos, 
público não ligado à contabilidade, entendam.
Para desenvolver esse relatório, é importante ter 
em mãos:
1. os itens, em separado, que tratam do resultado 
abrangente, de acordo com a natureza;
2. itens que tratem de equivalência patrimonial de 
outros resultados abrangentes e;
3. resultado abrangente total.
O que deve fazer parte do resultado abrangente 
total:
 ● ajuste de avaliação patrimonial;
 ● variações da reserva de reavaliação;
 ● ganhos e perdas atuariais em planos de pensão; e
 ● ganhos e perdas derivativas da conversão de 
demonstrações de operações no exterior.
Um ponto importante aqui é que essa 
demonstração necessita ter seus dados conciliados, 
comprovada sua existência, bem como sua correta 
reclassificação em caso de algum item fazer parte 
de outros resultados abrangentes e necessitar ser 
reclassificado. Desta forma, deverá constar em 
notas explicativas, evidenciando o fato ocorrido.
93
QUADRO 13 – DEMONSTRAÇÃO 
DO RESULTADO ABRANGENTE 
(DRA) – MODELO
Fonte: VALOR CONSULTING. Demonstração do Resultado 
Abrangente – DRA. (Área: Contabilidade Geral). São Paulo, 
[s.d.]. Disponível em: https://www.valor.srv.br/matTecs/
matTecsIndex.php?idMatTec=419. Acesso em: 17 ago. 2020.
Para os acionistas, essa ferramenta possibilita fazer 
uma comparação dos períodos para entender 
movimentações ocorridas entre os períodos e 
fazer a correlação dessas variações com a posição 
financeira. Essa análise pode auxiliar na tomada de 
decisão de manter o investimento, realizar novos 
ou parar de investir.
AULA 12
RELATÓRIO DA 
ADMINISTRAÇÃO
voltar para 
o sumário95
O relatório da administração é um documento 
exigido por lei para empresas de capital aberto. 
Ele contém informações riquíssimas, pois detalha 
situações do balanço patrimonial e demonstrativo 
de resultados que tratam dos assuntos de interesse 
dos acionistas e futuros acionistas que veem no 
relatório uma segurança e possibilidades de auferir 
lucros futuros, já que ali são tratados assuntos do 
valor da própria companhia, bem como do retorno 
ao acionista.
Essas informações se tornam públicas, sendo assim, 
qualquer pessoa pode consultá-las. O relatório é 
publicado anualmente após o encerramento do 
exercício social.
O relatório contempla políticas adotadas em relação 
à distribuição de lucros, à aquisição de debêntures, 
aos fatos administrativos, no que tange às empresas 
coligadas. Além disso, o relatório discrimina a 
política da empresa, contribuindo com a qualidade 
das informações e trazendo maior transparência.
96
Seguindo os ditames da Lei nº 6.404/76,
[...] o relatório da administração 
deve ser publicado juntamente com 
as demonstrações financeiras do 
encerramento do exercício social, 
precisando conter informações sobre: a) 
aquisição de debêntures de sua própria 
emissão (art. 55, § 2º); b) política de 
reinvestimento de lucros e distribuição 
de dividendos constantes de acordo de 
acionistas (art. 118, § 5º); c) negócios 
sociais e principais fatos administrativos 
ocorridos no exercício (art. 133, inciso 
I); d) relação dos investimentos em 
sociedades coligadas e/ou controladas, 
evidenciando as modificações ocorridas 
durante o exercício (art. 243).
Quem prepara o relatório é a gestão da instituição 
em um trabalho conjunto com a controladoria 
e, em alguns casos mais específicos, auditores e 
consultores também podem participar com seus 
conhecimentos.
97
Itens que não devem faltar no relatório da 
administração:
1. falar de seus pontos fortes, produtos ou serviços, 
do negócio como um todo;
2. fazer uma correlação com a economia e a 
conjuntura global;
3. tratar da parte humana, relacionada aos recursos 
humanos, bem como benefícios;
4. ressaltar a área de tecnologia, pesquisa e 
desenvolvimento;
5. abranger seus projetos de meio ambiente e 
diversidade;
6. as modificações administrativas;
7. principais investimentos;
8. novos rumos dos negócios.
Como exemplo, pode-se visualizar o relatório 
publicado em março de 2020 da Azul Linhas 
Aéreas.4 Observe quais são os itens tratados no 
relatório da administração no Quadro 14.
4 Azul S. A. Demonstrações financeiras. 2019. Disponível em: 
https://static.poder360.com.br/2020/03/itr-resultados-azul-
2019-12mar2020.pdf. Acesso em: 17 ago. 2020.
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QUADRO 14 – ÍNDICE DO RELATÓRIO 
DA ADMINISTRAÇÃO
Fonte: Azul S. A. Demonstrações financeiras. 2019. Disponível 
em: https://static.poder360.com.br/2020/03/itr-resultados-
azul-2019-12mar2020.pdf. Acesso em: 17 ago. 2020.
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O relatório da administração deve ser 
redigido com simplicidade de linguagem 
para ser acessível ao maior número possível 
de leitores, devendo ser evitados adjetivos 
e frases como “excelente resultado”, “ótimo 
desempenho”, “baixo endividamento”, 
“excelentes perspectivas”, a menos que 
corroborado por dados comparativos ou fatos.
Veja mais informações sobre isso em: 
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS – CVM. 
Parecer de orientação CVM nº 15, de 28 de 
dezembro de 1987. Disponível em:
http://www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/
legislacao/pareceres-orientacao/anexos/
pare015.pdf. Acesso em: 17 ago. 2020.
SAIBA MAIS
100
O relatório da administração não precisa ser 
composto apenas por números, ele pode conter 
imagens associadas que representem fidelidade, 
transparência e outros recursos que garantem ao 
acionista ou ao leitor uma boa impressão.
Os relatórios apresentam dados reais da instituição, 
baseados muitas vezes em números extraídos 
da área financeira, da contabilidade, da área 
fiscal, tesouraria, marketing, produção, recursos 
humanos e vendas. Sua linguagem deve ser 
simples e as ilustrações devem contribuir para 
que essa simplicidade seja pautada na verdade, 
possibilitando usuários e stakeholders visualizarem 
os principais valores e propostas trabalhados 
durante o período e/ou comparar os cenários de 
outros relatórios de administração de períodos 
anteriores. Por meio deles é possível entender 
as estratégias, as tendências e ter uma ideia do 
planejamento estratégico de uma empresa.

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