Prévia do material em texto
01 P r o f . E d i c r E i a a n d r a d E d o s s a n t o s Análise de Demonstrativo Financeiro e Indicativo de Desempenho A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com Rua Clara Vendramin, 58 Mossunguê | CEP 81200-170 Curitiba PR Brasil | Fone: (41) 2106-4170 www.intersaberes.com | editora@editoraintersaberes.com.br Informamos que é de inteira responsabilidade da autora a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização da Editora InterSaberes. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei n. 9.610/1998 e punido pelo art. 184 do Código Penal. consElho Editorial Dr. Ivo José Both (presidente) Drª. Elena Godoy Dr. Neri dos Santos Dr. Ulf G. Baranow Editora-chEfE Lindsay Azambuja suPErvisora Editorial Ariadne Nunes Wenger analista Editorial Ariel Martins caPa E ProjEto gráfico Kátia P. Irokawa Muckenberger A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com su m ár io c on v Ers a inic i a l . 0 4 con t E x t ua l iz a ndo . 0 4 Tema 1_ Demonstrações Contábeis: objetivos e abrangência . 06 Tema 2_ Balanço Patrimonial (BP) . 09 Tema 3_ Demonstração do Resultado . 13 Tema 4_ Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) . 17 Tema 5_ Outras demonstrações contábeis . 20 t roc a ndo idE i a s . 2 4 n a Pr át ic a . 2 4 sín t E sE . 26 rEfErênci a s . 26 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com co nv Er sa i ni ci al co nt Ex tu al iz an do A contabilidade é, objetivamente, um sistema de informa- ção e avaliação com o escopo de prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade, com relação à entidade objeto de contabi- lização. Nesse entendimento, enfatiza-se que é um sistema de infor- mação por se tratar de um conjunto articulado de dados, técnicas de acumulação, ajustes e elaboração de relatórios que possibilita tratar e transmitir as informações com a maior relevância possível. As informações transmitidas pela contabilidade são do interesse de diversos tipos de usuários, sejam estes internos ou externos à entidade, e que tenham algum interesse na avaliação da situação e do progresso desta. Assim sendo, a contabilidade tem por objetivo básico prover de informações os modelos decisórios de seus usuá- rios. Portanto, os registros contábeis evidenciados nos demonstra- tivos financeiros devem possuir validade atestada, principalmente no que se refere aos usuários externos, caso em que há necessidade obrigatória de registros realizados conforme padrões estabelecidos pelos instrumentos normativos. A estrutura conceitual básica da contabilidade, como o próprio título indica, busca, por meio de con- ceitos, fornecer um conjunto de princípios e normas, com o intuito de conduzir a prática contábil no atendimento de seus objetivos, e é sobre tal assunto que esta aula tratará. A té o início do século XX, os estudiosos da área contábil bus- cavam descrever as práticas observadas a fim de construir regras pedagógicas para classificá-las. A partir da década de 1930, a preocupação era apresentar as práticas que deveriam ser adotadas. Todavia, em 1929, houve a quebra da Bolsa de valores de Nova York, fato que trouxe sérios prejuízos à economia americana e que foi um dos principais eventos que desencadearam a busca pelo referencial teórico da contabilidade internacionalmente. Relata-se que, a partir deste evento, as entidades americanas que viessem a negociar suas ações na bolsa de valores teriam que publi- car suas demonstrações em conformidade com práticas contábeis amplamente aceitas, com uniformidade e consistência, e deveriam ser auditadas por contadores certificados por legislações locais ou 04 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com nacionais. Já Hendriksen e Van Breda (1999, p.76) argumentam que a busca por informações contábeis uniformes é anterior a esse período, e foi iniciada, principalmente, com “o cres- cimento rápido das aplicações em ações de empresas, particularmente, durante os primei- ros anos seguintes à Primeira Guerra Mundial e gerou novas necessidades de informação contábil”. Ainda para estes autores nesse período, as informações disponibilizadas pela contabilidade passaram a ter um novo enfoque, deixando de direcionar suas informações principalmente para os administradores e credores, passando a ter como ponto central investidores e acionistas. (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 1999) Deste modo, salienta-se que as demonstrações contábeis são obrigatórias para todas as empresas com ou sem fins lucrativos, diferenciando- se apenas pelas exigências específicas para os tipos de empresas. 05 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 05 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com T e m a 1 Demonstrações Contábeis: objetivos e abrangência A Contabilidade é uma ciência que coleta o máximo de dados possíveis, para assim gerar informações úteis e, por efeito, permitir a tomada de decisões. Entretanto, tais informações devem ser apresentadas de maneira resumida e ordenada, de modo a constituir os relatórios contábeis. Os relatórios ou demonstrações contábeis de uma entidade são apresentados periodica- mente, de acordo com a necessidade de seus usuários. Esses podem variar de empresa para empresa, considerando igualmente o porte da entidade. De acordo com item 9 do CPC 26 (2011 – Apresentação das Demonstrações Contábeis), as demonstrações contábeis são uma representação estruturada da posição patrimonial e finan- ceira e do desempenho da entidade. Seu objetivo é prover informações acerca da posição patrimonial e financeira, do desempenho e dos fluxos de caixa da entidade que sejam úteis para um grande número de usuários em suas avaliações e tomada de decisões econômicas. Ademais, elas também objetivam apresentar os resultados da atuação da administração, em face de seus deveres e responsabilidades na gestão diligente dos recursos que lhe foram confiados. Para satisfazer a esse objetivo, as demonstrações contábeis proporcionam infor- mação da entidade acerca dos seguintes elementos: a) ativos; b) passivos; c) patrimônio líquido; d) receitas e despesas (incluindo ganhos e perdas); e) alterações no capital próprio mediante integralizações dos proprietários e distribuições a eles; f) fluxos de caixa. Essas informações, juntamente com outras informações constantes das notas explicativas, ajudam os usuários das demonstrações contábeis a prever os futuros fluxos de caixa da entidade e, em particular, a época e o grau de certeza de sua geração. Agora, em relação ao tratamento dessas demonstrações, haverá variação de acordo com o tipo da empresa. Usualmente, nos deparamos com dois tipos: as sociedades anônimas (S.A.) e a sociedade por quotas de responsabilidade limitada (LTDA). A sociedade anônima – também chamada de companhia – é aquela em que o capital está dividido em partes iguais, sendo essas partes denominadas ações, e possui grande número de proprietários. Esse tipo de empresa deve obrigatoriamente publicar suas demonstrações contábeis no Diário Oficial da União ou em algum jornal de grande circulação da localidade em que se situa a empresa. 06 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com A sociedade limitada, por sua vez, é aquela que apresenta o capital dividido em quotas; ao contrário das S.A., o número de proprietários é bastante reduzido. Nesse caso, não é obrigatória a publicação das demonstrações no Diário Oficial ou em jornal, mas se deve apresentá-las com o imposto de renda (IR) pelo preenchimentoda declaração deste, ou para atender ao Código Civil. Em relação à publicação das demonstrações, a lei das S.A (Lei nº 6.404/1976), define que, ao fim de cada período de doze meses a empresa obrigatoriamente deverá apresentar as demonstrações financeiras. Esse período é denominado exercício social, ou período contábil. Vale ressaltar que não é necessário o fim do exercício social ser igual ao fim do ano civil, ou seja, não há obrigatoriedade sobre compreender o período entre 01/01/XX a 31/12/XX. No entanto, a empresa pode apresentar suas demonstrações em períodos menores (semes- tral, bimestral, mensal) – o que ocorre principalmente, nas organizações de grande porte, dado seu grande número de movimentações, de modo a facilitar a geração de sua demons- tração ao fim do exercício. Enfatiza-se aqui que as companhias de capital aberto que são listadas no mercado de capitais (bolsas de valor, como a BM&F Bovespa) apresentam seus relatórios trimestralmente. No que concerne ao enquadramento das normas de publicação, as demonstrações deverão atender a alguns requisitos, a começar pela parte superior, que deverá obrigatoriamente conter o nome da empresa, referenciar de que demonstração se trata, e a data do exercício social. As demonstrações apresentam duas colunas de valores, nas quais constam os valores do ano corrente e os do exercício anterior, respectivamente. Tal prática viabiliza a realização de comparações de maneira mais rápida. Quando a empresa apresentar grandes valores, podem-se eliminar os três últimos dígitos (três casas decimais) para facilitar a elaboração. No entanto, ao realizar essa prática deve ser colocado no cabeçalho da demonstração a expressão: “em $ milhares” ou outra unidade que seja utilizada. Com o advento da Lei nº 11.638/2007 e a Lei nº 11.941/2009, a contabilidade brasileira pas- sou pelo processo de convergência às Normas Internacionais de Contabilidade (International Financial Reporting Standards – IFRS); acompanhando a evolução do sistema contábil brasi- leiro, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e o Comitê de Pronunciamentos Técnicos Contábeis (CPC) editaram inúmeras normativas técnicas que tratam de assuntos eminente- mente contábeis. Com relação às demonstrações contábeis que obrigatoriamente deverão ser incluídas no livro diário, como regra geral, destacamos o conjunto completo das demons- trações contábeis que está previsto no CPC 26. ■ Balanço Patrimonial (BP); ■ Demonstração do Resultado do Exercício/Período (DRE); 07 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com ■ Demonstração do Resultado Abrangente (DRA); ■ Demonstrações de Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL); ■ Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA); ■ Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC); ■ Demonstração do Valor Adicionado (DVA); ■ Notas explicativas (NE). Ressalta-se que as demonstrações irão variar de acordo com o tipo da empresa. Por exemplo, para as pequenas e médias empresas (PME) podem, por opção, adotar a NBC TG 1000 – Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas. A citada norma, no que se refere às demonstrações contábeis, apresenta como conjunto completo das demonstrações contábeis conforme: a) BP; b) DRE; c) DRA; d) DMPL; e) DFC; f) notas explicativas. Ainda com relação a que demonstrações contábeis são obrigatórias, ressaltamos que pode ser observado um tratamento diferenciado pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), isso considerando a resolução do CFC 1.418/12, que aprovou a ITG 1000. Esta define como obrigatória a elaboração do BP, a DRE e a apresentação das Notas Explicativas ao final de cada exercício social. Apesar de não serem obrigatórias para as ME e EPP, a ela- boração da DFC, a DRA e a DMPL são estimuladas pelo CFC. Destaca-se que as ME e EPP tratam-se de sociedades empresárias, de sociedades simples e de empresas individuais de responsabilidade limitada ou de empresário a que se refere o Art. 966 da Lei nº 10.406/2002, que tenha auferido, no ano calendário anterior, receita bruta anual até os limites previstos nos incisos I e II do Art. 3º da Lei Complementar nº 123/2006. As sociedades anônimas (S.A.) podem ser de capital aberto e fechado. De acordo com a Resolução CFC nº 1.255/2009, as sociedades por ações, fechadas (sem negociação de suas ações ou outros instrumentos patrimoniais, ou de dívida no mercado e que não possuam ativos em condição fiduciária perante um amplo grupo de terceiros), mesmo que obriga- das à publicação de suas demonstrações contábeis, são tidas, para fins de publicação dos demonstrativos, como pequenas e médias empresas, desde que não enquadradas pela Lei nº. 11.638/2007 como sociedades de grande porte. Já as companhias de capital aberto (S.A) devem apresentar todas as demonstrações contábeis conforme síntese da Tabela 1. Tabela 1 Síntese das demonstrações obrigatórias Demonstr. contábil ME e EPP (ITG 1000) PME (NBC TG 1000) Regra geral S.A de capital aberto B.P Obrigatório Obrigatório Obrigatório Obrigatório D.R.E Obrigatório Obrigatório Obrigatório Obrigatório (Continua) 08 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com Demonstr. contábil ME e EPP (ITG 1000) PME (NBC TG 1000) Regra geral S.A de capital aberto D.R.A Facultativa Facultativa Obrigatório Obrigatório D.L.P.A Facultativa Facultativa Facultativa Facultativa D.M.P.L Facultativa Facultativa Obrigatório Obrigatório D.F.C Facultativa Obrigatório Obrigatório Obrigatório D.V.A Facultativa Facultativa Facultativa Obrigatório N.E Obrigatório Obrigatório Obrigatório Obrigatório A seguir serão demonstrados breves conceitos sobre as demonstrações contábeis e suas estruturas básicas. T e m a 2 Balanço Patrimonial (BP) O Balanço Patrimonial (BP) é uma demonstração contábil instituída pelo artigo 178 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e tem como finalidade evidenciar a situação patrimonial e financeira de uma entidade. Por meio dele também é pos- sível identificar qual a política que a empresa adota para obtenção e aplicação de recursos. De acordo com esta lei, a expressão balanço vem de “equilíbrio”: Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido, ou então de “igualdade”: Aplicações = Origens. Desta maneira, suas contas são clas- sificadas segundo os elementos do patrimônio que as registrem, e são agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia. Nesta direção as contas do Ativo são dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados, elencadas nos seguintes grupos: a) Ativo Circulante; b) Ativo Não Circulante – composto por Ativo Realizável a Longo Prazo, Investimentos, Imobilizado e Intangível. As contas do Ativo serão classificadas da seguinte forma: ■ Ativo Circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte. (Tabela 1 – conclusão) 09 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com ■ Ativo Realizável a Longo Prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas, diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia. ■ Investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no Ativo Circulante, e que não se destinem à manutenção da atividadeda companhia ou da empresa. ■ Imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens. ■ Intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. No Passivo, as contas serão classificadas nos seguintes grupos: a) Passivo Circulante; b) Passivo Não Circulante; c) Patrimônio Líquido (dividido em Capital Social, Reservas de Capital, Ajustes de Avaliação Patrimonial, Reservas de Lucros, Ações em Tesouraria e Prejuízos Acumulados). As contas do Passivo serão classificadas do seguinte modo: ■ Passivo circulante: as obrigações da companhia, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo não circulante, que vencerem no exercício seguinte. ■ Passivo não circulante: as obrigações que tiverem vencimento superior ao encerramento do próximo exercício social. As contas do Patrimônio Líquido serão classificadas como: ■ Capital Social: a conta discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada (Capital a Integralizar). ■ Reservas de Capital: i) A contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; ii) O produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; iii) O resultado da correção monetária do capital realizado, enquanto não capitalizado. ■ Ajustes de Avaliação Patrimonial: registram os valores das contrapartidas de aumentos ou diminuições de valores atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência. 10 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com ■ Reservas de Lucros: constituídas pela apropriação de lucros da companhia (Legal, Estatutárias, Contingências, Retenção de Lucros, Reserva de Incentivos Fiscais, Lucros a Realizar). ■ Ações em Tesouraria: redutora do patrimônio líquido, que registra o montante de recursos aplicados na aquisição de ações da própria companhia. De forma detalhada, apresentamos a seguir os aspectos conceituais para Ativos. Hendriksen e Van Breda (1999, p. 281-3) afirmam que “ativos são essencialmente reservas de benefícios futuros”. E mencionam a definição do Financial Accounting Standards Board (FASB) encontrada em seu referencial conceitual, no SFAC 62, como sendo os “benefícios econômi- cos futuros prováveis, obtidos ou controlados por uma empresa em consequência de tran- sações ou eventos passados”. Para o FASB (1980), incorporar um benefício futuro provável é característica essencial dos ativos. Ausente tal característica, não se pode reconhecer a existência do ativo em termos contábeis. Nesse raciocínio, Hendriksen e Van Breda (1999, p. 285), analisando a necessidade de existência de direito específico a benefícios futuros, ressaltam que “o direito deve produzir um benefício positivo; os direitos com benefícios nulos ou negativos em potencial não são ativos”. Iudicibus (2000, p. 130) destaca três aspectos a serem observados na definição de ativos: a) o ativo deve ser considerado à luz de sua propriedade e/ou à luz de sua posse e controle – normalmente as duas condições virão juntas; b) precisa estar incluído no ativo, em seu bojo, algum direito específico a benefícios futuros ou, em sentido mais amplo, o elemento precisa apresentar uma potencialidade de serviços futuros (fluxos de caixa futuros) para a empresa; c) o direito precisa ser exclusivo da entidade. Um ativo é algo que existe agora e tem a capacidade de render serviços ou benefícios no período corrente e no futuro. Os benefícios econômicos futuros prováveis, obtidos ou con- trolados por uma dada entidade em consequência de transações ou eventos passados, são considerados como ativos. Para ser um ativo, a forma física não é essencial, como as marcas e patentes, por exemplo, que são intangíveis, porém se gerarem benefícios econômicos futuros e serem controlados pela empresa são classificados como parte do ativo. Dessa forma, os ativos da empresa procedem de transações passadas ou de outros fatos passados. O reconhecimento de um item do ativo refere-se, ao processo de incorporar no balanço patri- monial um recurso econômico. Um item do ativo para ser reconhecido como tal deve satis- fazer a definição de materialidade, probabilidade de ocorrência e confiabilidade da medida. Na sequência apresentamos os aspectos conceituais de Passivo e de Patrimônio Líquido, con- forme apresentado pelos pronunciamentos contábeis por Hendriksen e Van Breda (1999): 11 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com Os passivos são prováveis sacrifícios futuros de benefícios econômicos decorrentes de obri- gações presentes de uma dada organização quanto à transferência de ativos ou prestação de serviços a outras entidades no futuro, em consequência de transações ou eventos passa- dos. Dessa forma, podemos resumir um passivo como uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos passados, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos capazes de gerar benefícios econômicos. O passivo resulta da obrigação presente com uma ou mais entidades, que implica a liquida- ção do bem por provável transferência futura ou uso de ativos em uma data especificada ou determinável, na ocorrência de um evento específico. Um passivo deve ser reconhecido no balanço patrimonial quando for provável que uma saída de recursos envolvendo benefícios econômicos seja exigida em liquidação de uma obrigação presente e o valor para qual essa liquidação se dará possa ser determinado em bases confiáveis. A liquidação de uma obrigação presente implica na utilização, pela empresa, de recursos capazes de gerar benefícios econômicos a fim de satisfazer o direito da outra parte. A obri- gação também pode ser eliminada por outros meios, tais como pela renúncia do credor ou pela perda dos seus direitos. Passivos derivam de transações ou outros fatos passados, dessa maneira, a compra de bens e o uso de serviços dão origem a contas a pagar (a não ser que pagos à vista) e o recebimento de empréstimo bancário implica na obrigação de honrá-lo na data do vencimento. Dessa forma, a empresa também pode ter a precisão de reconhe- cer como passivo os futuros abatimentos fundamentados no volume das compras anuais dos clientes. Nesse caso, a venda de bens no passado é a ligação que dá origem ao passivo. Alguns passivos são mensurados por meio do emprego de um determinado nível de estima- tiva. Segundo Martins et al. (2013), tais passivos, no Brasil, são chamados de provisões; caso a provisão abranja uma obrigação presente e satisfaça aos demais critérios da definição, ela será um passivo, mesmo que seu montante precise ser estimado. Por sua vez, o Patrimônio Líquido (PL) é o interesse residual nos ativos da empresa depois de deduzidos todos os seus passivos. Apesar de o PL ser visto como algo residual, ele apresenta subclassificações no BP, como na sociedade por ações, recursos aportados pelos sócios, reservas resultantes de detenções de lucros e reservas de ajustes para manutenção do capi- tal podem ser demonstrados de maneira separada (CPC 00 R1, 2011). Essas classificações do PL podem ser relevantes para a tomada de decisãoquando recomendarem restrições legais ou de outra natureza sobre a capacidade que a empresa tem de disseminar ou aplicar de outra forma os seus recursos patrimoniais. O PL está relacionado de forma direta com os elementos da equação patrimonial (PL = ativo– passivo). De maneira geral, representa a diferença entre aplicações de recursos e obrigações, ou seja, a diferença entre ativos e passivos. Ele representa o interesse residual nos ativos 12 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com da entidade depois de deduzir todos os seus passivos, ou seja, o valor residual dos ativos da empresa, depois de deduzidos todos os seus passivos. A visualização das fontes do PL ocorre por meio dos valores do reconhecimento do capital social e suas derivações. A forma de evidenciar o PL ajuda na tomada de decisão, ao refletir a capacidade de distribuir ou aplicar recursos. O PL divide-se em: Capital Social, Reservas de Capital, Reservas de Lucros, Ajustes de Avaliação Patrimonial, Ações em Tesouraria e Prejuízos Acumulados. O valor pelo qual o PL é exposto no BP depende da mensuração dos ativos e passivos. Geralmente, o valor agregado do PL corresponde ao valor de mercado das ações da empresa ou da soma que poderia ser obtida pela venda dos seus ativos líquidos, ou da entidade como um todo. Para finalizar, aqui se apresenta um modelo sintético da estrutura do BP. Quadro 1 Estrutura do Balanço Patrimonial Ativo Passivo e Patrimônio Liquido Circulante Circulante Não circulante Realizável a longo prazo Investimentos Imobilizado Intangível Não circulante Exigível a longo prazo Patrimônio líquido T e m a 3 Demonstração do Resultado L egalmente apresentada como demonstração do resultado e comumente chamada como Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) ou do Período, é a demonstração financeira que tem por objetivo mostrar o resultado do exercício, podendo esse ser lucro ou prejuízo. Ela foi instituída pelo artigo 187 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e tem como objetivo fornecer o resultado do exercício, bem como elencar quais os 13 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com elementos que a compõem, por isso apresenta ordenadamente as receitas e despesas da empresa no período do exercício social, geralmente correspondente ao ano civil (CPC 26/2011). De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 26/2011, a DRE deve, no mínimo, incluir as seguintes rubricas: a) receitas; b) ganhos e perdas decorrentes de baixa de ativos financeiros mensurados pelo custo amortizado; c) custos de financiamento; d) parcela dos resultados de empresas investidas reconhecida por meio do método da equivalência patrimonial; e) tributos sobre o lucro; f) em atendimento à legislação societária brasileira vigente, a demonstração do resultado deve incluir ainda as seguintes rubricas: (i) custo dos produtos, das mercado- rias e dos serviços vendidos; (ii) lucro bruto; (iii) despesas com vendas, gerais, administrati- vas e outras despesas e receitas operacionais; (iv) resultado antes das receitas e despesas financeiras; (v) resultado antes dos tributos sobre o lucro; (vi) resultado líquido do período. A DRE ainda apresenta como finalidades informar seus usuários sobre o resultado das ope- rações, demonstrar perante as instituições financeiras a rentabilidade das empresas para atender aos financiamentos solicitados, mostrar aos investidores as reais condições de via- bilidade econômico-financeira e para que os próprios administradores meçam sua eficiência e necessidade de alterar a política de negócios da empresa, como realizar a alteração de preços, aumento de produção, expansão da propaganda, dentre outros. A DRE é disposta na vertical, de forma dedutiva, ou seja, das receitas subtraem-se as despe- sas e, em seguida, indica-se o resultado: lucro ou prejuízo. Quando as contas de Receitas e Despesas são encerradas ao final do exercício, ocorre a transferência do saldo da DRE para lucros ou prejuízos acumulados. Este confronto entre receitas e despesas provoca variações na estrutura do PL afetando diretamente a grandeza patrimonial de uma empresa, conforme o esquema exposto a seguir: Quadro 2 Relações da DRE e do Balanço Patrimonial BALANÇO PATRIMONIAL DRE Ativo Passivo 1. Ativo circulante (Capital circulante ou de giro) 1. Passivo circulante 2. Passivo não circulante (Capital de terceiros) (+) Receitas (−) Despesas/Custos 2. Ativo não circulante (Capital não circulante) 3. Patrimônio líquido (Capital próprio) (=) Lucro ou Prejuízo (aumenta/diminui PL) 14 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com As contas de resultados representam as variações patrimoniais e dividem- se em contas de despesas e de receitas (CPC 26/2011): ■ Despesas caracterizam-se pelo consumo de bens e utilização de serviços, objetivando a obtenção de Receita. Exemplos: energia elétrica consumida, materiais de limpeza, materiais de expediente, a utilização de serviços telefônicos. ■ Receitas são decorrentes da venda de bens e da prestação de serviços. Exemplos: vendas de mercadorias, descontos obtidos, serviços prestados, recebimento de aluguéis, recebimento de juros. Existem contas de resultados que podem aparecer tanto no grupo das despesas quanto no grupo das receitas. É o caso dos aluguéis, dos juros e dos descontos, que são diferenciados por seus adjetivos empregados. Exemplo: ■ A conta descontos concedidos é Despesa. ■ A conta descontos obtidos é Receita. Na sequência, há um modelo de Demonstração do Resultado da companhia de capital aberto Natura Cosméticos S.A., listada na bolsa de valores – BM&F Bovespa. Quadro 3 DRE da Natura Cosméticos S.A. – (BM&F Bovespa) Conta Descrição 01/01/2015 a 31/12/2015 01/01/2014 a 31/12/2014 01/01/2013 a 31/12/2013 3.01 Receita de Venda de Bens e/ou Serviços 7.899.002 7.408.422 7.010.311 3.02 Custo dos Bens e/ou Serv. Vendidos −2.415.990 −2.250.120 −2.111.120 3.03 Resultado Bruto 5.483.012 5.158.302 4.899.191 3.04 Despesas/Receitas Operacionais −4.226.243 −3.793.630 −3.483.195 3.04.01 Despesas com Vendas −2.998.825 −2.680.091 −2.449.437 3.04.02 Despesas Gerais e Administrativas −1.293.208 −1.133.346 −1.042.617 3.04.02.01 Despesas Gerais e Administrativas −1.293.208 −1.133.346 −1.042.617 3.04.03 Perdas pela Não Recup. de Ativos – – – 3.04.04 Outras Receitas Operacionais 65.790 19.807 8.859 3.05 Resultado Antes do Resultado Financeiro e dos Tributos 1.256.769 1.364.672 1.415.996 3.06 Resultado Financeiro −381.399 −268.279 −158.250 (Continua) 15 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com Conta Descrição 01/01/2015 a 31/12/2015 01/01/2014 a 31/12/2014 01/01/2013 a 31/12/2013 3.06.01 Receitas Financeiras 1.927.228 703.805 364.222 3.06.02 Despesas Financeiras −2.308.627 −972.084 −522.472 3.07 Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro 875.370 1.096.393 1.257.746 3.08 Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro −352.638 −355.172 −409.940 3.09 Resultado Líquido das Operações Continuadas 522.732 741.221 847.806 3.10 Resultado Líquido de Operaçõe Descontinuadas – – – 3.11 Lucro/Prejuízo Consolidado do Período 522.732 741.221 847.806 3.11.01 Atribuído a Sócios da Empresa Controladora 513.513 732.818 842.608 3.11.02 Atribuído a Sócios Não Controladores 9.219 8.403 5.198 3.99 Lucro por Ação – (Reais/Ação) – – – 3.99.01 Lucro Básico por Ação – – – 3.99.01.01ON 1,19340 1,70640 1,96180 3.99.02 Lucro Diluído por Ação – – – 3.99.02.01 ON 1,19280 1,70570 1,95860 Fonte: Disponível em: . A DRE tem como finalidade demonstrar a formação do resultado do exercício (lucro ou pre- juízo), pela confrontação entre as receitas realizadas e as despesas incorridas no decorrer do exercício social. Partirá da receita de vendas da empresa para mostrar quanto, afinal, sobrou após um determinado período, assim fornecendo ao investidor uma ideia da qua- lidade do lucro. (Quadro 3 – conclusão) 16 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com T e m a 4 Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) O Demonstrativo do Fluxo de Caixa (DFC) tem por objetivo analisar a variação do saldo da conta de caixa e bancos durante um certo período, buscando listar as origens (entradas de dinheiro) e aplicações (saídas de dinheiro) da empresa. De acordo com o CPC 03 (R2), as informações contidas no DFC, quando utilizadas em conjunto com as informações das outras demonstrações contábeis proporciona informações que permitem aos usuários avaliarem mudanças nos ativos líquidos da entidade, sua estrutura financeira (inclusive sua liquidez e solvência), e sua capacidade para mudar os montantes e a época de ocorrência dos fluxos de caixa, a fim de adaptá-los às mudanças nas circunstâncias e oportunidades. As informações sobre os fluxos de caixa são úteis para avaliar a capacidade de a entidade gerar caixa e equivalentes de caixa e possibilitam aos usuários desenvolver modelos para avaliar e comparar o valor presente dos fluxos de caixa futuros de diferentes entidades. A DFC também concorre para o incremento da comparabilidade na apresentação do desempenho operacional por diferentes entidades, visto que reduz os efeitos decorrentes do uso de diferentes critérios contábeis para as mesmas transações e eventos. A DFC reflete as transações de caixa das atividades operacionais, das atividades de investi- mento e das atividades de financiamento, conforme: I. Atividades Operacionais: são explicadas pelas receitas e gastos decorrentes da industrialização, comercialização ou prestação de serviços da empresa. Estas atividades têm ligação com o capital circulante líquido da empresa. II. Atividades de Investimento: são os gastos efetuados no realizável a longo prazo, em Investimentos, no Imobilizado ou no Intangível, bem como as entradas por venda dos ativos registrados nos referidos subgrupos de contas. III. Atividades de Financiamento: são os recursos obtidos do passivo não circulante e do patrimônio líquido. Devem ser incluídos aqui os empréstimos e financiamentos de curto prazo. As saídas correspondem à amortização destas dívidas e aos valores pagos aos acionistas a título de dividendos e distribuição de lucros. Há dois métodos de DFC: direto e indireto. O método direto caracteriza- se por apresentar os componentes dos fluxos por seus valores brutos, ao menos para os itens mais significativos dos recebimentos e dos pagamentos. Neste, devem ser apresentados no mínimo os seguintes 17 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com tipos de recebimentos e pagamentos relacionados às operações: (i) recebimento de clientes; (ii) juros, lucros e dividendos recebidos; (iii) pagamentos a fornecedores e empregados; juros pagos; (v) imposto de renda pago; (vi) outros recebimentos e pagamentos. Quadro 4 Demonstração do Fluxo de Caixa – Método Direto Fluxo de Caixa – Direto R$ Das Atividades Operacionais (+) Recebimentos de Clientes e outros (−) Pagamentos a Fornecedores (−) Pagamentos a Funcionários (−) Recolhimentos ao Governo (−) Pagamentos a Credores Diversos (=) Disponibilidades geradas pelas (aplicadas nas) Atividades Operacionais Das Atividades de Investimentos (+) Recebimento de Venda de Imobilizado (−) Aquisição de Ativo Permanente (+) Recebimento de Dividendos (=) Disponibilidades geradas pelas (aplicadas nas) Atividades de Investimentos Das Atividades de Financiamentos (+) Novos Empréstimos (−) Amortização de Empréstimos (+) Emissão de Debêntures (+) Integralização de Capital (−) Pagamento de Dividendos (=) Disponibilidades geradas pelas (aplicadas nas) Atividades de Financiamento Aumento / Diminuição Nas Disponibilidades DISPONIBILIDADES: no início do período DISPONIBILIDADES: no final do período O método indireto consiste na demonstração dos recursos provenientes das atividades ope- racionais a partir do lucro líquido, ajustados pelos itens que afetam o resultado (tais como depreciação, amortização e exaustão), mas que não modificam o caixa da empresa (CPC 03). 18 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com Quadro 5 Demonstração do Fluxo de Caixa – Método Indireto Fluxo de Caixa–Indireto R$ ATIVIDADES OPERACIONAIS Lucro Líquido (+/−) Ajustes Depreciação Variações nos Ativos e Passivos Variação em duplicatas a receber Variação em estoques Variação em fornecedores Variação em imposto de renda a recolher Caixa líquido atividades operacionais ATIVIDADES DE INVESTIMENTO Aquisição de Ações (Participação em Outras Cias) Aquisição de Móveis e Utensílios Aquisição de Terrenos Caixa líquido atividades de investimento ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO Aquisição empréstimos a curto prazo Aumento de capital Pagamento de dividendos Caixa líquido atividades de financiamento Variação de Caixa e Equivalentes Saldo Inicial de Caixa e Equivalentes Saldo Final de Caixa e Equivalentes Saiba mais: CPC 03 (R2) – Demonstração dos Fluxos de Caixa. CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Disponível em: . // 19 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com T e m a 5 Outras demonstrações contábeis A seguir serão destacadas as outras Demonstrações Contábeis presentes na lista de exi- gência da legislação nacional. a. Demonstração do Resultado Abrangente (DRA) De acordo com a Resolução CFC nº 1.185/2009 e o CPC 26 a Demonstração do Resultado Abrangente (DRA) é obrigatória, mesmo não sendo prevista na Lei nº 6.404/1976. Por resultado abrangente pode-se entender como uma alteração no PL de uma empresa durante um período, oriundo de transações e de outros eventos e circunstâncias não originadas dos sócios. Pode-se incluir todas as mudanças no patrimônio durante o período, com exceção daquelas resultantes de investimentos dos sócios e distribuições aos sócios. A DRA é um relatório que de acordo com o princípio de competência de exercícios, atualiza o capital próprio dos sócios, por meio do registro no PL (e não no resultado) das receitas e despesas incorridas, porém de realização financeira “incerta”, uma vez que decorrem de investimentos de longo prazo, sem data prevista de resgate ou outra forma de alienação. Na prática, seu objetivo é apresentar os ajustes efetuados no PL como se fosse um lucro da empresa. Por exemplo, a conta ajuste da avaliação patrimonial, registra as modificações de ativos e passivos a valor justo, que pelo princípio da competência não entram na DRE. No entanto, estas variações serão computadas no lucro abrangente, a fim de apresentar o lucro o mais próximo da realidade econômica da empresa. De acordo com o CPC 26, aprovado pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), recomenda queo lucro abrangente seja calculado com base no lucro líquido apurado na DRE. Isto posto, a DRA deve, no mínimo, incluir as seguintes contas: a) resultado líquido do período; b) cada item dos outros resultados abrangentes classificados conforme sua natureza; c) parcela dos outros resultados abrangentes de empresas investidas reconhecida por meio do método de equivalência patrimonial; d) Resultado abrangente do período. Segundo o pronunciamento do CPC 26 a apresentação do resultado abrangente deve ser feita separada da DRE. Todavia, considerando que no Brasil a DMPL é obrigatória para as companhias abertas, existe ainda a possibilidade da apresentação da DRA aparecer como parte da DMPL. Deste modo, a própria regulamentação emitida pelo CPC autoriza tal publicação, contudo, a entidade deve divulgar o montante do efeito tributário relativo a cada componente dos outros resultados abrangentes, incluindo 20 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com os ajustes de reclassificação na demonstração do resultado abrangente ou nas notas explicativas. b. Demonstrações de Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) De acordo com o artigo 186, parágrafo 2º, da Lei das S.A (nº 6.404/1976) a elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) é facultativa. A DMPL é uma demonstração bastante abrangente e completa, uma vez que evidencia todas as movimentações ocorridas no patrimônio. Pode ainda englobar a DLPA. De acordo com o CPC 26, a entidade deve apresentar a DMPL com as seguintes informações: a) o resultado abrangente do período, apresentando separadamente o montante total atribuível aos proprietários da entidade controladora e o montante correspondente à participação de não controladores; para cada componente do PL, os efeitos da aplicação retrospectiva ou da reapresentação retrospectiva, reconhecidos de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 23 – Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro; c) para cada componente do patrimônio líquido, a conciliação do saldo no início e no final do período, demonstrando-se separadamente as mutações decorrentes: do resultado líquido; de cada item dos outros resultados abrangentes; e de transações com os proprietários realizadas na condição de proprietário, demonstrando separadamente suas integralizações e as distribuições realizadas, bem como modificações nas participações em controladas que não implicaram perda do controle. Para cada componente do PL, a entidade deve apresentar, ou na DMPL ou nas notas explicativas, uma análise dos outros resultados abrangentes. O PL deve apresentar o capital social, as reservas de capital, os ajustes de avaliação patrimonial, as reservas de lucros, as ações ou quotas em tesouraria, os prejuízos acumulados, se legalmente admitidos os lucros acumulados e as demais contas exigidas pelos Pronunciamentos Técnicos emitidos pelo CPC. A entidade deve apresentar, na DMPL ou nas notas explicativas, o montante de dividendos reconhecidos como distribuição aos proprietários durante o período e o respectivo montante dos dividendos por ação. Os componentes do patrimônio líquido, por exemplo, cada classe de capital integralizado, o saldo acumulado de cada classe do resultado abrangente e a reserva de lucros retidos. As alterações no PL da entidade entre duas datas de balanço devem refletir o aumento ou a redução nos seus ativos líquidos durante o período. Com a exceção das alterações resultantes de transações com os proprietários agindo na sua capacidade de detentores de capital próprio (tais como integralizações de capital, reaquisições de instrumentos de capital próprio da entidade e distribuição de dividendos) e dos custos de transação diretamente relacionados com tais transações, a alteração global no patrimônio líquido durante um período representa o montante total líquido de receitas e despesas, incluindo ganhos e perdas, gerado pelas atividades da entidade durante esse período. 21 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com c. Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) A demonstração das mutações do patrimônio é importante, tendo em vista informar resumidamente toda a movimentação ocorrida com as contas integrantes do PL, a partir do saldo inicial até o final do exercício, contendo, portanto, além da demonstração do que ocorreu com as demais contas do PL: capital social, reservas de capital, reservas de reavaliação, reservas de lucros e ações em tesouraria. Uma vez que a empresa publica a DMPL, a DLPA torna- se facultativa (CPC 26/2011). A DLPA apresenta adicionalmente às informações requeridas pela DRE e DRA: i) lucros ou prejuízos acumulados no início do período contábil; ii) dividendos ou outras formas de lucros declarados e pagos ou a pagar durante o período; iii) ajustes nos lucros ou prejuízos acumulados em razão de correção de erros de períodos anteriores; iv) ajustes nos lucros ou prejuízos acumulados em razão de mudanças de práticas contábeis; v) lucros ou prejuízos acumulados no fim do período contábil. Sua estrutura representa, de forma ordenada e racional, da conta de razão de Lucros ou Prejuízos Acumulados. Todavia, essa demonstração somente deve ser feita após todos os ajustes finais, ou seja, após levantado o BP (CPC 26/2011). d. Demonstração do Valor Adicionado (DVA) A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é o informe contábil que tem por objetivo evidenciar de forma sintética, os valores correspondentes à formação da riqueza gerada pela empresa em determinado período e sua respectiva distribuição. Por se tratar de um demonstrativo contábil, suas informações devem ser extraídas da escrituração, com base nas normas contábeis vigentes e tendo como base o princípio contábil da competência (CPC 26/2011). A utilização do DVA como ferramenta gerencial pode ser resumida da seguinte forma: 1) como índice de avaliação do desempenho na geração da riqueza, ao medir a eficiência da empresa na utilização dos fatores de produção, comparando o valor das saídas com o valor das entradas, e 2) como índice de avaliação do desempenho social à medida que demonstra, na distribuição da riqueza gerada, a participação dos empregados, do governo, dos agentes financiadores e dos acionistas (CPC 26/2011). O valor adicionado demonstra, ainda, a efetiva contribuição da empresa, dentro de uma visão global de desempenho, para a geração de riqueza da economia na qual está inserida, sendo resultado do esforço conjugado de todos os seus fatores de produção. Ressalta-se que o DVA, que também pode integrar o Balanço Social, constitui desse modo uma importante fonte de informações à medida que apresenta esse conjunto de elementos que permitem a análise do desempenho econômico da empresa, evidenciando a geração de riqueza, assim como dos efeitos sociais produzidos pela distribuição dessa riqueza (CPC 26/2011). e. Notas Explicativas (NE) De acordo com o CPC 26, as Notas Explicativas (NE), que proporcionam informação acerca da base para a elaboração das demonstrações contábeis e das políticas contábeis específicas, podem ser apresentadas como seção separada das demonstrações contábeis. 22 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com As NE devem: a) apresentar informação acerca da base para a elaboração das demonstrações contábeis e das políticas contábeis específicas utilizadas, b) divulgar a informação requerida pelos Pronunciamentos Técnicos, Orientações e Interpretações do CPC que não tenha sido apresentada nas demonstrações contábeis; c) proverinformação adicional que não tenha sido apresentada nas demonstrações contábeis, mas que seja relevante para sua compreensão. As NE devem ser apresentadas, tanto quanto seja praticável, de forma sistemática. Nesta determinação (de forma sistemática), a entidade deve considerar os efeitos sobre a compreensibilidade e comparabilidade das suas demonstrações contábeis. Cada item das demonstrações contábeis deve ter referência cruzada com a respectiva informação apresentada nas NE. Saiba mais Você sabia que as demonstrações contábeis que eram obrigatórias para as empresas em 2008 sofreram alteração com a Medida Provisória nº 449/2008, a qual originou a Lei nº 11.491/2009, na qual as demonstrações obrigatórias eram o Balanço Patrimonial (BP), a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), a Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos (substituída pela DMPL), Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) e Notas Explicativas (NE). Para mais informações, pesquise: Dúvidas sobre as empresas Ltda, S.A. de capital aberto e S.A de capital fechado? Acesse: , . // 23 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com A s demonstrações contábeis são de grande relevância para que uma organização financeira, sócios da empresa ou um novo investidor possa tomar suas decisões. É por meio delas que é possível, por exemplo, conseguir financiamentos bancários, pois elas demonstram se a empresa pode ou não arcar com a dívida proposta ou analisar se os seus investimentos estão surtindo efeito, ou até mesmo verificar se o montante de seus gastos e custos estão condizentes com o retorno da empresa. Desse modo, podemos falar que as demonstrações contábeis são as principais informantes da saúde de uma organização e podem ser úteis para usuários de suas informações tanto internos quanto externos. Assim sendo, você já observou se a empresa em que trabalha elabora demonstrações contábeis? Você já teve contato com as demonstrações elaboradas pela empresa e em sua opinião, seria importante que os funcioná- rios soubessem dos números (resultados) obtidos pela organização? Compartilhe sua opinião com os colegas. tr oc an do id Ei as na P rá ti ca A s demonstrações contábeis são extremamente importantes para as empresas. Por isso, considere a companhia Comercial Águia e faça a classificação dos seguintes itens, conforme o critério de: 1. Ativo; 2. Passivo; 3. Contas de Resultado. 1. Ativo 1.1 Circulante 1.2 Não Circulante 1.2.1 Realizável a longo prazo 1.2.2 Investimentos 1.2.3 Imobilizado 1.2.4 Intangível 2. Passivo 2.1 Circulante 2.2 Não Circulante 2.3 Patrimônio Líquido 3. Contas de resultado 3.1 Receita 3.2 Custo 3.3 Despesa Classifique os itens: Itens Classificação Itens Classificação Caixa e bancos Estoques Veículos Reserva Legal Empréstimos a Coligadas Depreciação Acumulada Obras de Arte Despesa de Depreciação (Continua) 24 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com Itens Classificação Itens Classificação Terrenos Fornecedores CMV Despesa Administrativa Despesa de venda Salários Pagos Antecipados Salários a Pagar Despesa de Seguro Seguro Juros a pagar Juros Pagos antecipados Respostas Classifique os itens: Itens Classificação Itens Classificação Caixa e bancos 1.1 Estoques 1.1 Veículos 1.2.3 Reserva Legal 2.3 Empréstimos a Coligadas 1.2.2 Depreciação Acumulada 1.2.4 Obras de Arte 1.2.2 Despesa de Depreciação 3.3 Terrenos 1.2.2 Fornecedores 2.1 CMV 3.2 Despesa Administrativa 3.3 Salários a Pagar 2.1 Despesa de Seguro 3.3 Seguros pagos 1.1 Salários Pagos Antecipados (redutor do Passivo) 2.1 Juros Pagos antecipados (redutor do Passivo) 2.1 Despesa de Seguro 3.3 Seguros pagos 1.1 Juros a pagar 2.1 Juros Pagos antecipados (redutor do Passivo) 2.1 (Conclusão) 25 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 25 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com N esta aula você aprendeu um pouco mais sobre as demonstra- ções contábeis obrigatórias as empresas. Vimos a estrutura do Balanço Patrimonial (BP), demonstração do Resultado do Exercício (DRE), Demonstração do Lucro ou Prejuízo Acumulado (DLPA), Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), Demonstração do Valor Adicionado (DVA) e Notas Explicativas (NE).sí nt Es E rE fE rê nc ia s BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Congresso Nacional. Disponível em: . Acesso em: 23 de jan. 2017. ____. Lei n. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Congresso Nacional. Disponível em: . Acesso em: 23 de jan. 2017. ____. Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009. Congresso Nacional. Disponível em: . Acesso em: 23 de jan. 2017. CFC – Conselho Federal de Contabilidade. Resolução CFC nº 1.255/09, de 10 de dezembro de 2009. Disponível em: . Acesso em: 23 jan. 2017. ____. Pronunciamento Técnico Contábil: 2010. Disponível em: . Acesso em: 23 jan. 2017. CVM – COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. Disponível em . Acesso em: 23 jan. 2017. CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 00 (R1): Estrutura conceitual para elaboração e divulgação de relatório contábil-financeiro. Disponível em: . Acesso em: 23 jan. 2017. ____. CPC 03 (R2): Demonstração dos fluxos de caixa. Disponível em: . Acesso em: 23 jan. 2017. 26 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 26 (R1): Apresentação das demonstrações contábeis. Disponível em: . Acesso em: 23 jan. 2017. Demonstrações contábeis obrigatórias. JUCERN – Junta Comercial do Rio Grande do Norte. Disponível em: . Acesso em: 23 jan. 2017. HENDRIKSEN, E. S.; VAN BREDA, M. F. Teoria da contabilidade. Tradução de Antonio Zoratto Sanvincente. São Paulo: Atlas, 1999. IBRACON. Disponível em: http://www.ibracon.com.br/ibracon/Portugues/detInstitucional.php?cod=1. Acesso em: 23 jan. 2017. MARTINS, E.; GELBCKE, E. R.; SANTOS, A.; IUDICIBUS, S. Manual de contabilidade societária. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2013. 27 a n á l i s E d E d E m o n s t r a t i v o f i n a n c E i r o E i n d i c a t i v o d E d E s E m P E n h o | 0 1 27 A luno: E LIA B D A S ILV A R O C H A E m ail: eliabsilva5@ gm ail.com