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Febre Maculosa Brasileira No Brasil, a febre maculosa brasileira causada pela bactéria Rickettsia rickettsii é a riquetsiose mais prevalente e reconhecida. No entanto, recentemente novas riquetsioses também causadoras de quadros clínicos da "febre maculosa" têm sido confirmadas em diversas regiões do país. Febre Maculosa (FMB) Zoonose De acordo com a portaria GM/MS Nº 217, DE 1º DE MARÇO DE 2023 doença de notificação compulsória imediata- deve ser realizada pelo profissional de saúde ou responsável pelo serviço assistencial que prestar o primeiro atendimento ao paciente, em até 24 (vinte e quatro) horas desse atendimento, pelo meio mais rápido disponível SINANWEB - Febre Maculosa (saude.gov.br) https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2023/prt0217_02_03_2023.html Agente Etiológico e Vetores Agente Etiológico A febre maculosa é causada por bactérias gram-negativas intracelulares obrigatórias, como a Rickettsia rickettsii e a Rickettsia sp. cepa Mata Atlântica. Vetores Os principais vetores e reservatórios no Brasil são os carrapatos do gênero Amblyomma, como o A. sculptum, A. aureolatum e A. ovale. Equídeos, roedores como a capivara e marsupiais como o gambá também participam do ciclo de transmissão. Transmissão Nos humanos, a febre maculosa é adquirida pela picada de carrapatos infectados. A febre maculosa (FM) é uma doença infecciosa aguda zoonótica transmitida pela picada (saliva) de carrapatos infectados com bactérias do gênero Rickettsia, intracelulares obrigatórios. • Os principais carrapatos transmissores: Amblyomma ovale, A. sculptum, A. aureolatum As principais espécies de Bactérias Riquétsias estão associadas a quadros clínicos da Febre Maculosa: • Rickettsia rickettsii (PATÓGENO). Sendo transmitida pelo carrapato Amblyomma sculptum e Amblyomma aureolatum (VETOR). Associado a forma mais grave da doença no humano. 1) Amblyomma ovale (SC, Litoral Paraná e SP) - (carrapato do cão) - Ricketsia parkeri (são necessárias de 6 a 8h para transmitir) Amblyomma aureolatum - Ricketsia rickettssi Associado a forma mais grave no humano. Cão doméstico faz o papel de amplificador da bactéria (10min de contato do carrapato com o humano são suficientes para transmitir a doença ao humano) cão evolui para cura espontanea (infecção benigna no cão) Amblyomma sculptum - carrapato estrela (antiga denominação Amblyomma cajennense) Outono e inverno são os momentos que este carrapato espera para se alimentar do seu hospedeiro - Capivara é o principal hospedeiro e o principal amplificador da doença - Ricketsia rickettsii - Larvas e ninfas que transmitem a doença para os humanos... Pico de Transmissão da Doença FMB é no inverno (julho-agosto e setembro) para a espécie 3. Associado a forma mais grave no humano. Manifestações Clínicas 1 Início Abrupto O início da febre maculosa é abrupto, com sintomas inespecíficos como febre alta, cefaleia, mialgia intensa e mal-estar geral. 2 Exantema Entre o segundo e o sexto dia, surge o exantema máculo-papular, de evolução centrípeta e predomínio nos membros inferiores. Pode acometer palmas e plantas em 50-80% dos casos. 3 Casos Graves Nos casos graves, o exantema se transforma em petequial e hemorrágico, com equimoses, sufusões e, em alguns casos, necrose. Podem ocorrer edema, hepatoesplenomegalia, insuficiência renal, manifestações pulmonares e neurológicas graves. Diagnóstico Laboratorial 1 Reação de Imunofluorescência Indireta (RIFI) O método sorológico mais utilizado, com detecção de anticorpos a partir do 7º-10º dia de doença. Aumento de 4 vezes nos títulos de IgG em amostras pareadas confirma o diagnóstico. Diagnóstico Laboratorial 2 Pesquisa Direta da Riquétsia Imuno-histoquímica em lesões de pele, PCR em amostras de sangue, coágulos ou tecidos, e isolamento em cultura são métodos diretos de diagnóstico. 3 Exames Complementares Hemograma, enzimas (CK, LDH, aminotransferases) e bilirrubinas auxiliam no diagnóstico, com achados como anemia, plaquetopenia e aumento de marcadores inflamatórios. Enzimas Creatinoquinase (CK), desidrogenase lática (LDH), aminotransferases (ALT/TGP e AST/TGO) e bilirrubinas (BT) estão geralmente aumentadas. Tratamento Antimicrobiano de Escolha A doxiciclina é o antimicrobiano de escolha para o tratamento de todos os casos suspeitos de febre maculosa, independentemente da idade ou gravidade. O cloranfenicol é uma alternativa quando a doxiciclina não pode ser utilizada. Início Precoce O sucesso do tratamento está diretamente relacionado à precocidade da introdução da terapia específica. Quando iniciada nos primeiros 5 dias, a febre tende a desaparecer em 24-72 horas e a evolução é benigna. Duração do Tratamento O tratamento é realizado rotineiramente por 7 dias, devendo ser mantido por 3 dias após o término da febre. Não Recomendado Não é recomendada a antibioticoterapia profilática para indivíduos assintomáticos picados por carrapatos, pois pode prolongar o período de incubação da doença. Características Epidemiológicas Distribuição Geográfica A febre maculosa tem sido registrada em diversas regiões do Brasil, com maior concentração nas regiões Sudeste e Sul. Sazonalidade O período de maior incidência é em outubro, quando se observa maior densidade de ninfas de carrapatos, podendo variar de região para região. Grupos Afetados A doença acomete principalmente a população economicamente ativa (20-49 anos), com 10% dos casos em crianças menores de 9 anos. Agentes Etiológicos A Rickettsia rickettsii é o agente mais frequente, embora existam outras espécies de riquétsias associadas à doença. Vigilância Epidemiológica Detecção Precoce Detectar e tratar precocemente os casos suspeitos, visando reduzir a letalidade. Investigação e Controle Investigar e controlar surtos, mediante adoção de medidas de controle. Conhecer a Distribuição Conhecer a distribuição da doença, segundo lugar, tempo e pessoa. Definição de Caso Caso Suspeito Indivíduo com febre súbita, cefaleia, mialgia e histórico de picada de carrapato, contato com animais ou frequência em áreas de transmissão. Caso Confirmado Indivíduo com critério laboratorial (RIFI, imuno- histoquímica, PCR ou isolamento) ou clínico- epidemiológico (óbito com sinais e sintomas compatíveis). Caso Descartado Caso suspeito com diagnóstico confirmado para outra doença ou sem dados suficientes para confirmar o diagnóstico de febre maculosa. Notificação e Investigação 1 Notificação Compulsória Todo caso suspeito de febre maculosa deve ser notificado imediatamente, pois um caso pode significar a existência de um surto. 2 Investigação Imediata A investigação deve ser iniciada logo após a notificação, para permitir a adoção oportuna de medidas de controle e prevenção. 3 Coleta de Dados A Ficha de Investigação da Febre Maculosa deve ser preenchida com informações clínicas, epidemiológicas e laboratoriais. Prevenção e Controle Medidas Individuais - Evitar áreas com alta infestação de carrapatos - Usar roupas claras e cobertura corporal - Aplicar repelentes em pele exposta - Realizar inspeção corporal após atividades em áreas de risco Medidas Comunitárias - Controle de carrapatos em áreas de risco - Educação em saúde sobre a doença - Vigilância epidemiológica e ambiental - Tratamento precoce de casos suspeitos Leishmaniose Visceral: Uma Doença Desafiadora Etiologia da Leishmaniose Visceral Parasitas Tripanossomatídeos A leishmaniose visceral é causada por protozoários do gênero Leishmania, sendo a Leishmania (Leishmania infantum) - sin chagasi - a espécie mais comum nas Américas. 2 Reservatórios Urbanos e Silvestres O cão é o principal reservatório urbano, enquanto raposas e marsupiais são os reservatórios silvestres. 3 Vetores Flebotomíneos Os insetos transmissores são os flebotomíneos, sendo a Lutzomyia longipalpis a principal espécie vetora no Brasil. 1 Epidemiologia da Leishmaniose Visceral TransmissãoA transmissão ocorre pela picada de flebotomíneos infectados com a L. (L.) chagasi. Não há transmissão de pessoa a pessoa. O período de incubação varia de 10 dias a 24 meses no homem, e de 3 meses a vários anos no cão. Suscetibilidade Crianças e idosos são mais suscetíveis à leishmaniose visceral. Após a infecção, alguns indivíduos desenvolvem imunidade, enquanto outros podem apresentar a doença em casos de imunossupressão. Vigilância Epidemiológica A leishmaniose visceral é de notificação compulsória. A vigilância epidemiológica envolve a classificação de áreas de transmissão, investigação de casos suspeitos e monitoramento de reservatórios e vetores. flagelada ou promastigota (Fig. 4), encontrada no tubo digestivo do inseto vetor e outra aflagelada ou amastigota (Fig. 5) nos tecidos dos vertebrados. Manifestações Clínicas da Leishmaniose Visceral Febre Prolongada A leishmaniose visceral é caracterizada por febre de longa duração, acompanhada de perda de peso, astenia, adinamia e hepatoesplenomegalia. 2 Complicações Podem ocorrer complicações como otite, piodermites, infecções urinárias e respiratórias, hemorragias e quadros sépticos, que podem levar à evolução fatal se não tratados. 3Diagnóstico O diagnóstico é feito por meio de exames clínicos, sorológicos e parasitológicos, sendo a identificação do parasito no material biológico o padrão-ouro. 1 Tratamento da Leishmaniose Visceral Tratamento em Humanos O antimoniato de N-metil glucamina é o fármaco de primeira escolha, sendo a anfotericina B lipossomal indicada em casos de contraindicação ou toxicidade aos antimoniais. Tratamento em Cães A miltefosina (Milteforan) é o único produto autorizado no Brasil para o tratamento da leishmaniose visceral canina, embora o tratamento não seja uma medida de saúde pública. Critérios de Cura A cura é avaliada principalmente por critérios clínicos, como desaparecimento da febre, redução da hepatoesplenomegalia e melhora dos parâmetros hematológicos. Seguimento O seguimento do paciente tratado deve ser feito aos 3, 6 e 12 meses após o tratamento, sendo considerado curado ao final desse período. Vigilância Epidemiológica da Leishmaniose Visceral Definição de Caso A definição de caso suspeito, confirmado e infecção é fundamental para a vigilância epidemiológica. Notificação A leishmaniose visceral é de notificação compulsória, devendo todo caso suspeito ser notificado e investigado. Classificação de Áreas Os municípios são classificados de acordo com a presença de transmissão, vulnerabilidade e receptividade para a leishmaniose visceral. Vigilância Entomológica da Leishmaniose Visceral Investigação Entomológica Verificar a presença de flebotomíneos vetores, como Lutzomyia longipalpis e Lutzomyia cruzi, em áreas com novos casos ou surtos. Monitoramento Entomológico Conhecer a distribuição sazonal e a abundância relativa das espécies vetoras, para direcionar as medidas de controle. Objetivos Levantar informações quantitativas e qualitativas sobre os flebotomíneos transmissores da leishmaniose visceral. Vigilância no Reservatório Canino Caso Canino Suspeito Cães com manifestações clínicas compatíveis, como febre, apatia, emagrecimento e lesões de pele. Caso Canino Confirmado Cães com testes sorológicos reagentes ou exames parasitológicos positivos para Leishmania infantum. Ações de Vigilância Alertar a população, realizar inquéritos sorológicos e implementar medidas de controle do vetor. Prevenção e Controle da Leishmaniose Visceral Medidas Individuais Uso de repelentes, telas em janelas e portas, eliminação de criadouros do vetor. Medidas Coletivas Controle químico do vetor, ações de limpeza urbana, educação em saúde. Vigilância Epidemiológica Notificação de casos, investigação de focos, monitoramento de reservatórios e vetores. Tratamento de Casos Terapêutica adequada em humanos e cães, seguimento dos pacientes tratados. Não há indicação do controle químico para ambiente silvestre Desafios e Perspectivas Desafios A leishmaniose visceral é uma doença complexa, com múltiplos fatores envolvidos na sua transmissão, o que torna o seu controle um grande desafio para a saúde pública. Pesquisa e Inovação Investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novas ferramentas de diagnóstico, tratamento e controle são essenciais para o enfrentamento da doença. Integração de Ações A articulação entre os setores de saúde, meio ambiente e vigilância é fundamental para uma abordagem efetiva na prevenção e controle da leishmaniose visceral. Educação e Conscientização A sensibilização da população e dos profissionais de saúde sobre a doença e suas formas de prevenção é crucial para o sucesso das ações de controle. Leishmaniose Tegumentar A leishmaniose tegumentar é uma doença infecciosa, não contagiosa, causada por um protozoário e transmitida por insetos vetores. Ela pode afetar a pele e as mucosas, apresentando diferentes manifestações clínicas. Etiologia A leishmaniose tegumentar é causada por protozoários do gênero Leishmania. No Brasil, foram identificadas sete espécies, sendo seis do subgênero Viannia e uma do subgênero Leishmania. As três principais espécies são a Leishmania (Leishmania) amazonensis, a Leishmania (Viannia) guyanensis e a Leishmania (Viannia) braziliensis. Epidemiologia Reservatórios Várias espécies de animais silvestres, sinantrópicos e domésticos podem ser infectados pelas leishmânias, mas seu papel na manutenção do parasito no ambiente ainda não está totalmente esclarecido. 2 Vetores Os vetores da leishmaniose tegumentar são insetos flebotomíneos, pertencentes à ordem Diptera, família Psychodidae, subfamília Phlebotominae, gênero Lutzomyia. As principais espécies envolvidas na transmissão no Brasil são a Lutzomyia whitmani, Lu. intermedia, Lu. umbratilis, Lu. wellcomei, Lu. flaviscutellata e Lu. migonei. 3 Transmissão A transmissão ocorre por meio da picada de fêmeas de flebotomíneos infectadas. Não há transmissão de pessoa a pessoa. 1 Manifestações Clínicas Leishmaniose Cutânea A forma cutânea se manifesta com lesões únicas, múltiplas, disseminadas ou difusas. A úlcera típica é geralmente indolor, com bordas bem delimitadas e elevadas, fundo avermelhado e granulações grosseiras. Leishmaniose Mucosa A forma mucosa se caracteriza pela presença de lesões destrutivas localizadas na mucosa, em geral nas vias aéreas superiores. Pode levar a complicações como rinite purulenta, sinusite e broncopneumonia. Complicações Infecções secundárias, eczema de contato, dificuldade na deglutição, perda auditiva, miíase e meningite são algumas das possíveis complicações da leishmaniose tegumentar. Diagnóstico Clínico- Epidemiológico O diagnóstico presuntivo pode ser baseado em critérios clínicos e epidemiológicos, mas deve ser complementado por métodos laboratoriais. 2 Parasitológico A demonstração direta do parasito, o isolamento em cultivo in vitro ou in vivo são os principais métodos parasitológicos. 3 Molecular A reação em cadeia da polimerase (PCR) é um método considerado de alta sensibilidade e especificidade. 4 Imunológico A intradermo reação de Montenegro (IDRM) é um dos métodos imunológicos utilizados. Tratamento Formas Clínicas O tratamento é indicado de acordo com a forma clínica da leishmaniose tegumentar, com o apoio do diagnóstico laboratorial. Medicamentos Os medicamentos de primeira escolha são o antimoniato de meglumina e o isetionato de pentamidina, dependendo da forma clínica e da região. Acompanhamento Após o tratamento, os pacientes devem ser acompanhados regularmente para avaliação da resposta e detecção de possível recidiva. Critérios de Cura O critério de cura é clínico, com acompanhamento por 12 meses para verificação da resposta terapêutica. Vigilância Epidemiológica Objetivos Reduzir a morbidade, as deformidades e os óbitos por leishmaniose tegumentar, por meio de ações de diagnóstico, tratamento, vigilância epidemiológica e entomológica. Definição de Caso Os casos suspeitos são definidospor critérios clínicos e epidemiológicos, enquanto a confirmação requer critérios clínico-laboratoriais ou clínico- epidemiológicos. Classificação Epidemiológica Os municípios são classificados de acordo com a presença de transmissão, vulnerabilidade e receptividade, para orientar as ações de vigilância. Vigilância Entomológica Monitoramento O monitoramento das espécies de flebotomíneos é importante para identificar alterações de comportamento e estabelecer curvas de sazonalidade. Espécies Vetoras As principais espécies de flebotomíneos envolvidas na transmissão da leishmaniose tegumentar no Brasil são Lutzomyia whitmani, Lu. intermedia, Lu. umbratilis, entre outras. Áreas de Transmissão O monitoramento entomológico é indicado para áreas com transmissão média, alta, intensa e muito intensa de leishmaniose tegumentar. Controle Químico O controle químico com inseticidas de ação residual é recomendado em algumas situações, como surtos ou áreas com transmissão recente. Prevenção e Controle Medidas Individuais Uso de repelentes, mosquiteiros, evitar exposição em horários de atividade do vetor e manter animais domésticos distantes do intradomicílio. Manejo Ambiental Limpeza de quintais, poda de árvores, destinação adequada do lixo orgânico e manutenção de abrigos de animais domésticos. Controle Químico Aplicação de inseticidas de ação residual em áreas com ocorrência recente de casos ou transmissão ativa. Considerações Finais Complexidade Epidemiológica A leishmaniose tegumentar apresenta diversidade de agentes, reservatórios e vetores, o que torna o seu controle um desafio. Estratégias Flexíveis As estratégias de controle devem ser adaptadas a cada região ou foco, considerando os aspectos epidemiológicos e determinantes locais. Vigilância Integrada A vigilância epidemiológica, entomológica e de reservatórios é fundamental para orientar as ações de prevenção e controle. Educação em Saúde A promoção de ações de educação em saúde e mobilização social são importantes para a prevenção da leishmaniose tegumentar. Doença de Chagas A doença de Chagas é uma antropozoonose de elevada prevalência e expressiva morbimortalidade, também conhecida como tripanossomíase americana. Apresenta curso clínico bifásico, com uma fase aguda e uma fase crônica que pode se manifestar de diversas formas. Etiologia e Epidemiologia Etiologia O agente causador é o protozoário flagelado Trypanosoma cruzi. Reservatórios Centenas de espécies de mamíferos silvestres, domésticos e sinantrópicos podem ser reservatórios, como quatis, gambás e tatus. Algumas espécies de morcegos também podem atuar como reservatórios. Vetores Os insetos da subfamília Triatominae, conhecidos como barbeiros, são os principais vetores da doença de Chagas. Modos de Transmissão Vetorial Ocorre pelo contato do homem com as excretas contaminadas dos triatomíneos durante a alimentação. 2 Vertical Pode ocorrer durante a gestação ou no momento do parto, pela via transplacentária. 3 Oral Pela ingestão de alimentos contaminados acidentalmente com triatomíneos ou suas fezes infectadas. 1 Sinais Clínicos Fase Aguda Caracterizada por febre constante, miocardite, pericardite, insuficiência cardíaca e outros sintomas. Pode evoluir para a fase crônica ou, em casos graves, para o óbito. Fase Crônica Pode apresentar-se de forma indeterminada, cardíaca, digestiva ou cardiodigestiva. A forma cardíaca é a mais grave, evoluindo para miocardiopatia dilatada e insuficiência cardíaca. Transmissão Oral Nos casos de transmissão oral, os sintomas tendem a ser mais graves, com maior incidência de manifestações gastrointestinais, como hemorragia digestiva e hepatite. Diagnóstico Laboratorial Fase Aguda O diagnóstico é feito por métodos parasitológicos diretos, como a pesquisa a fresco de tripanossomatídeos e métodos de concentração. Métodos sorológicos também podem ser utilizados. Fase Crônica O diagnóstico é essencialmente sorológico, utilizando-se testes com alta sensibilidade e especificidade, como ELISA, IFI e hemaglutinação indireta. Recém-Nascidos O exame parasitológico do recém-nascido de mãe sororreagente deve ser realizado prioritariamente nos 10 primeiros dias de vida. Reativação Em casos de reativação da doença, podem ser empregados métodos parasitológicos diretos para o diagnóstico. Tratamento Tratamento Específico O benznidazol é o fármaco de primeira escolha. O nifurtimox pode ser utilizado como alternativa em casos de intolerância ou que não respondam ao tratamento com benznidazol. 2 Critérios de Cura Não existem critérios clínicos que possibilitem definir com exatidão a cura de pacientes com doença de Chagas. A cura é definida pela negativação sorológica. Vigilância Epidemiológica Objetivos Investigar casos agudos, monitorar a infecção na população, manter eliminada a transmissão vetorial por Triatoma infestans e controlar outras espécies importantes. 2 Definição de Caso Caso suspeito de doença de Chagas aguda inclui recém-nascidos de mães infectadas, indivíduos com sinais de porta de entrada e pessoas com sintomas compatíveis. 3 Notificação A ocorrência de casos suspeitos de doença de Chagas aguda requer imediata notificação para os municípios e estados. A ocorrência de casos suspeitos de DCA requer imediata notificação para municípios e estados (até 24 horas após a suspeição). 1 Reservatórios e Vetores Reservatórios Mamíferos Centenas de espécies de mamíferos silvestres, domésticos e sinantrópicos podem ser reservatórios, como quatis, gambás e tatus. Esses animais se aproximam de casas no meio rural e na periferia das cidades. Vetores Triatomíneos Os insetos da subfamília Triatominae, conhecidos como barbeiros, são os principais vetores da doença de Chagas. T. cruzi. Algumas espécies como Triatoma brasiliensis, Panstrongylus megistus e Triatoma sordida têm se tornado mais importantes. Dispersão dos Vetores A introdução de materiais com ovos de triatomíneos aderidos, como folhas de palmeiras e lenha, pode favorecer a colonização desses insetos em novos ambientes. Tanto os machos quanto as fêmeas são hematófagos, em todas as fases de seu desenvolvimento. Triatoma infestans Transmissão Oral Surtos por Transmissão Oral Os surtos de doença de Chagas por transmissão oral geralmente estão associados à ingestão de alimentos contaminados acidentalmente com triatomíneos ou suas fezes infectadas. Sintomas Graves Nos casos de transmissão oral, os sintomas tendem a ser mais graves, com maior incidência de manifestações gastrointestinais, como hemorragia digestiva e hepatite. Morbimortalidade Elevada A morbimortalidade é mais elevada na transmissão oral da doença de Chagas em comparação com a transmissão vetorial. Diagnóstico Diferencial Fase Aguda Na fase aguda, deve-se considerar o diagnóstico diferencial com doenças como leishmaniose visceral, malária, dengue, febre tifoide, toxoplasmose, entre outras. Fase Crônica Na fase crônica, o diagnóstico diferencial deve incluir condições como acalasia primária idiopática, amiloidose, sarcoidose, neurofibrimatose, gastrenterite eosinofílica, entre outras. Importância do Diagnóstico O diagnóstico diferencial é essencial para evitar erros e atrasos no tratamento adequado da doença de Chagas. Complexo Teníase- Cisticercose O complexo teníase-cisticercose é causado por duas espécies de cestódeos, a Taenia solium e a Taenia saginata, em diferentes estágios de seu ciclo de vida. A teníase é a infecção pelo verme adulto no intestino humano, enquanto a cisticercose é a infecção pelos cisticercos, a forma larval, nos tecidos do hospedeiro intermediário, que pode ser o ser humano ou o animal. Etiologia Taenia saginata A tênia adulta mede de 5 a 8 metros de comprimento, com segmentos grávidos de 16 a 20 mm de comprimento e 4 a 7 mm de largura. O cisticerco maduro, C. bovis, é branco-acinzentado, oval e mede de 0,5 a 1,0 cm de comprimento e 0,5 cm de largura. Taenia solium A tênia adulta mede de 3 a 5 metros de comprimento, com segmentosgrávidos de 10 a 12 mm de comprimento e 5 a 6 mm de largura. O cisticerco mais comum é o cisticerco celuloso, que apresenta uma vesícula preenchida com líquido, de 0,5 a 1,5 cm de comprimento, com o escólex invaginado. ingestão do cisticerco (larva) presente na musculatura do bovino ingestão do cisticerco presente na musculatura do suíno Epidemiologia Reservatório O homem é o único hospedeiro definitivo da forma adulta da Taenia solium e da Taenia saginata. O suíno é o hospedeiro intermediário da T. solium, e o bovino é o hospedeiro intermediário da T. saginata. 2 Transmissão A teníase é adquirida pela ingestão de carne bovina ou suína mal cozida, contendo as larvas. A cisticercose humana ocorre pela ingestão acidental de ovos de T. solium. 3Incubação e Transmissibilidade O período de incubação da cisticercose varia de 15 dias a anos, enquanto na teníase é de cerca de 3 meses. Os ovos das tênias permanecem viáveis por vários meses no ambiente. 1 A cisticercose humana por ingestão de ovos de T. saginata não ocorre ou é extremamente rara Epidemiologia Epidemiologia Patologia Taenia saginata O cisticerco maduro, Cysticercus bovis, é encapsulado pelo hospedeiro bovino em uma fina cápsula fibrosa. Quando morrem, são substituídos por massa friável caseosa, que pode se tornar calcificada. Taenia solium A forma mais comum é o Cysticercus cellulosae, com vesícula preenchida por líquido e escólex invaginado. A forma racemosa, sem escólex evidente, pode atingir grandes dimensões e causar danos no sistema nervoso central. Sinais Clínicos Neurocisticercose As manifestações clínicas dependem do tipo morfológico, número, localização e fase de desenvolvimento dos cisticercos, além das reações imunológicas. As mais frequentes são crises epilépticas, síndrome de hipertensão intracraniana, meningite cisticercótica e distúrbios psíquicos. 2 Complicações Da teníase: obstrução do apêndice, colédoco e duto pancreático. Da cisticercose: deficiência visual, loucura, epilepsia, entre outros. 1 Diagnóstico e Tratamento Diagnóstico Humano O diagnóstico é clínico, epidemiológico e laboratorial. Os estudos sorológicos e os exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, confirmam o diagnóstico da neurocisticercose. A biópsia de tecidos também pode identificar a larva. Diagnóstico Animal O diagnóstico em animais se baseia em testes imunológicos, como o ELISA, e no exame anatomopatológico post mortem, que é essencial para a identificação da cisticercose e o sucesso dos programas de prevenção da teníase humana. O tratamento da teníase poderá ser feito através das drogas: mebendazol, niclosamida ou clorossalicilamida, praziquantel, albendazol. Praziquantel e albendazol têm sido considerados eficazes na terapêutica etiológica da neurocisticercose Prevenção e Controle Inspeção de Carnes A inspeção rigorosa de carnes bovinas e suínas é fundamental para a detecção de cisticercos e a prevenção da teníase humana. Saneamento Básico Melhorias no saneamento básico, como tratamento adequado de esgoto e abastecimento de água potável, ajudam a interromper o ciclo de transmissão. Educação em Saúde Ações de educação em saúde pública são essenciais para conscientizar a população sobre a importância do consumo de carnes bem cozidas e da higiene pessoal. Cuidados na Suinocultura: Impedir o acesso do suíno às fezes humanas, à água e alimentos contaminados com material fecal. Essa é a forma de evitar a cisticercose suína. Impacto na Saúde Pública Carga Global O complexo teníase- cisticercose representa uma importante carga de doença, especialmente em países em desenvolvimento, com elevados custos econômicos e impacto na qualidade de vida dos pacientes. 2 Gravidade A neurocisticercose, forma mais grave da doença, apresenta alto coeficiente de letalidade, variando de 16,4% a 25,9% em diferentes serviços. 3 Desafios O controle da teníase-cisticercose enfrenta desafios como a falta de saneamento básico, a inspeção inadequada de carnes e a dificuldade de diagnóstico precoce. Avanços e Perspectivas Diagnóstico Aprimorado Novos testes sorológicos e de imagem, como a ressonância magnética, têm melhorado a detecção precoce da neurocisticercose. Vacinas Promissoras O desenvolvimento de vacinas contra a cisticercose em animais e humanos pode ser uma estratégia eficaz para o controle da doença. Abordagem Integrada A adoção de medidas integradas, envolvendo saúde pública, vigilância epidemiológica e inspeção sanitária, é essencial para o controle da teníase-cisticercose. Conclusão Complexidade do Problema O complexo teníase-cisticercose envolve múltiplos fatores, desde a biologia dos parasitas até as condições socioeconômicas e de saúde pública, o que torna seu controle um desafio complexo. Necessidade de Ações Integradas O enfrentamento efetivo dessa zoonose requer a adoção de medidas integradas, envolvendo diferentes setores e níveis de governo, para interromper a cadeia de transmissão e reduzir o impacto na saúde pública. IN50 - Cisticercose Suína requer notificação mensal