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A IMPORTÂNCIA DA SUPLEMENTAÇÃO DE VITAMINAS PARA QUADROS DE DEPRESSÃO REFRATÁRIA Mariana Batista Vieira Orientador(a): Fernanda Vieira Wruca 2024 1- INTRODUÇÃO A depressão refratária é caracterizada por sua persistência, mesmo após tentativas de tratamento com psicoterapia e medicamentos antidepressivos convencionais. Pacientes podem apresentar sintomas como tristeza profunda, falta de interesse, alterações no sono e apetite, fadiga crônica e, em casos mais graves, pensamentos suicidas, o que reforça a gravidade da condição e a necessidade de abordagens terapêuticas alternativas. Estudos apontam que deficiências de vitaminas, especialmente B12, D e folato, podem agravar transtornos de humor e comportamentais. Por exemplo, a reposição de vitamina B12 tem demonstrado eficácia em reverter sintomas depressivos, inclusive em casos refratários, com remissão significativa em semanas após o início do tratamento. Além disso, essas vitaminas desempenham papéis cruciais no equilíbrio neuroquímico, como a regulação de neurotransmissores envolvidos no humor.[1] A ampliação para tratamentos suplementares, como o uso de vitaminas, reflete a necessidade de personalizar a abordagem terapêutica para pacientes com resposta limitada aos tratamentos tradicionais. [2] imagem 1 imagem 2 1- INTRODUÇÃO A relação entre a suplementação vitamínica e a depressão refratária tem sido estudada por seu impacto em processos neurológicos e imunológicos. Folato e vitamina B12 desempenham papéis cruciais na metilação do DNA, essencial para a expressão de genes envolvidos na função cerebral. Essas vitaminas também participam da síntese de neurotransmissores como serotonina, dopamina e norepinefrina, que estão intimamente ligados ao humor e ao comportamento. Além disso, estudos indicam que a deficiência dessas vitaminas pode contribuir para a resistência ao tratamento antidepressivo. A suplementação adequada de folato (em especial na forma ativa, L-metilfolato) e vitamina B12 tem mostrado potencial para otimizar a resposta terapêutica, tornando os antidepressivos mais eficazes em pacientes com depressão refratária. Isso se deve, em parte, à sua influência na redução dos níveis de homocisteína, um fator associado ao agravamento de transtornos depressivos. [3] imagem 3 imagem 4 2- OBJETIVOS Investigar as deficiências vitamínicas mais comuns em pacientes com depressão refratária. Avaliar a literatura científica sobre os efeitos da suplementação vitamínica no tratamento da depressão. 3- MATERIAIS E MÉTODOS A pesquisa foi de natureza bibliográfica, com revisão sistemática de estudos clínicos, ensaios controlados randomizados e meta-análises que abordaram o impacto da suplementação vitamínica em quadros de depressão, com foco na refratária. Foram incluídos estudos realizados nos últimos 10 anos, com amostras de pacientes diagnosticados com depressão refratária e que apresentaram intervenções com suplementação vitamínica. Excluímos estudos com amostras pequenas, sem controle rigoroso ou que não abordassem diretamente a questão das deficiências vitamínicas. 4 - RESULTADOS A suplementação com vitamina D, por exemplo, tem demonstrado melhorar os sintomas depressivos em pacientes com níveis insuficientes dessa vitamina, especialmente em casos com comorbidades como a síndrome da fadiga crônica. Já a vitamina B12, crucial para a produção de serotonina e dopamina, também teve resultados promissores na melhoria dos sintomas depressivos. Entre os casos de depressão espalhados pelo mundo, 30% deles são casos de depressão refratária imagem 5 imagem 6 5- DISCUSSÃO Possíveis Mecanismos de Ação As vitaminas do complexo B são essenciais para a síntese de neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina, que estão diretamente envolvidos no controle do humor. Já a vitamina D influencia a expressão de genes relacionados ao sistema imunológico e à neuroplasticidade, o que pode contribuir para a redução dos sintomas depressivos. Implicações Clínicas A suplementação de vitaminas deve ser considerada uma estratégia complementar no manejo de pacientes com depressão refratária. Ela não substitui tratamentos tradicionais, como os antidepressivos e psicoterapia, mas pode ser uma alternativa viável para potencializar os resultados terapêuticos, especialmente quando existem deficiências detectáveis. 6- CONCLUSÃO Conclusão Principal A pesquisa indica que a suplementação de vitaminas pode ter um papel importante no tratamento da depressão refratária, especialmente em casos onde deficiências nutricionais são identificadas. No entanto, mais estudos clínicos rigorosos são necessários para estabelecer protocolos de tratamento mais precisos. Recomendações É fundamental que os profissionais de saúde considerem a avaliação nutricional como parte do tratamento de pacientes com depressão refratária, podendo incluir a suplementação vitamínica de maneira individualizada. REFERÊNCIAS 1 Machado-Vieira R, Salvadore G, Diazgranados N, Zarate CA. Ketamine and the next generation of antidepressants with a rapid onset of action. Pharmacol Ther. 2009;123(2):143-50. 2 Fava M. 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