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Aula 02 Direito Empresarial p/ Polícia Civil de Goiás (Delegado) - Com videoaulas Professor: Gabriel Rabelo Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 1 de 84 SUMÁRIO 1 APRESENTAÇÃO ...................................................................................................................... 2 2 SOCIEDADES .......................................................................................................................... 2 2.1 REQUISITOS COMUNS PARA CONSTITUIÇÃO DAS SOCIEDADES ................................................ 3 3 SOCIEDADES PERSONIFICADAS ................................................................................................ 4 4 ASPECTOS COMUNS À SOCIEDADE EM NOME COLETIVO E ÀS SOCIEDADES EM COMANDITA SIMPLES 4 5 SOCIEDADE EM NOME COLETIVO .............................................................................................. 5 6 SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES ....................................................................................... 8 7 SOCIEDADES COOPERATIVAS ................................................................................................. 12 7.1 REGISTRO DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS ....................................................................... 15 8 SOCIEDADES SIMPLES ........................................................................................................... 15 8.1 DAS FORMAS ADOTADAS PELAS SOCIEDADES SIMPLES ......................................................... 16 8.2 REGISTRO DAS SOCIEDADES SIMPLES E NOME UTILIZADO .................................................... 17 8.3 O CONTRATO SOCIAL DAS SOCIEDADES SIMPLES ................................................................. 18 8.4 MODIFICAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL .................................................................................. 19 8.5 SÓCIOS DA SOCIEDADE SIMPLES ........................................................................................ 20 8.6 PONTO AVANÇADO – A INTANGIBILIDADE DO CAPITAL SOCIAL ............................................... 21 8.7 SÓCIO REMISSO ................................................................................................................ 22 8.8 RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS NAS SOCIEDADES SIMPLES ............................................... 23 8.9 CESSÃO DE QUOTAS NAS SOCIEDADES SIMPLES .................................................................. 25 8.10 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS NAS SOCIEDADES SIMPLES ...................................................... 25 8.11 FILIAIS, SUCURSAIS OU AGÊNCIAS DAS SOCIEDADES SIMPLES .......................................... 27 8.12 ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE SIMPLES ........................................................................ 27 8.13 DELIBERAÇÕES DOS SÓCIOS ........................................................................................... 30 8.14 DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE SIMPLES ............................................................................. 31 9 SOCIEDADE LIMITADA ........................................................................................................... 33 9.1 APLICAÇÃO DAS NORMAS DAS SS OU LEI DAS SAS ............................................................... 33 9.2 NOME EMPRESARIAL DAS SOCIEDADES LIMITADAS ............................................................... 34 9.3 ASPECTO MAIS COBRADO EM PROVAS .................................................................................. 35 9.4 CAPITAL SOCIAL DA LTDA ................................................................................................... 35 9.5 REDUÇÃO DO CAPITAL SOCIAL ............................................................................................ 37 9.6 RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS NAS LTDAS ...................................................................... 38 9.7 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL DOS SÓCIOS POR ATOS ILEGAIS, OU COM EXCESSO DE PODERES ................................................................................................................................ 39 9.8 CESSÃO DE QUOTAS NAS SOCIEDADES LIMITADAS ............................................................... 39 9.9 ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE LIMITADA .......................................................................... 40 9.10 CONSELHO FISCAL NAS SOCIEDADES LIMITADAS .............................................................. 43 9.11 DELIBERAÇÕES NAS SOCIEDADES LIMITADAS ................................................................... 44 9.12 EXCLUSÃO EXTRAJUDICIAL DE SÓCIO MINORITÁRIO .......................................................... 45 9.13 SOCIEDADE LIMITADA DE GRANDE PORTE ........................................................................ 46 9.14 REPOSICÃO DE LUCROS .................................................................................................. 47 10 RESUMO DOS PONTOS ABORDADOS NESTA AULA .................................................................. 47 11 QUESTÕES COMENTADAS ................................................................................................... 51 11.1 SOCIEDADES (GERAL) ..................................................................................................... 51 11.2 SOCIEDADE EM NOME COLETIVO E COMANDITA SIMPLES ................................................... 52 11.3 SOCIEDADES SIMPLES .................................................................................................... 58 11.4 SOCIEDADES LIMITADAS ................................................................................................. 61 11.5 COOPERATIVAS .............................................................................................................. 75 11.6 SOCIEDADES ESTRANGEIRAS .......................................................................................... 75 12 QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA ................................................................................. 77 13 GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA .......................................................... 84 AULA 02: SOCIEDADES Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 2 de 84 1 APRESENTAÇÃO Olá, meus amigos. Como estão?! É com um imenso prazer que estamos aqui, no Estratégia Concursos, para ministrar para vocês mais uma aula do Direito Empresarial para o concurso de Delegado, integrante do quadro de pessoal da Polícia Civil de Goiás. Hoje, continuaremos a falar sobre os seguintes tópicos: CRONOGRAMA Sociedades Está ok?! É isso! Vamos começar a nossa batalha?! Forte abraço! GABRIEL RABELO Periscope: @gabrielrabelo87 2 SOCIEDADES O Código Civil dispõe que: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: II - as sociedades; VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) Portanto, embora sejam pessoas jurídicas, cumpre lembrar que nem todas as sociedades possuem personalidade jurídica (já estudamos os exemplos da sociedade em comum e em conta de participação). Outro aspecto interessante é que as sociedades personificadas, quanto ao objeto, podem ser simples e empresárias. Segundo o Código Civil: Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. Art. 983. A sociedade empresária deve constituir-se segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039tomadas por maioria dos votos, contados segundo o valor das quotas de cada um (CC, art. 1.010). Ora, o sócio de serviços não possui quotas de capital, logo não participa das decisões quando o Código se contenta com a maioria absoluta do capital (art. 1.010 do NCC). Veja como este tema foi cobrado no concurso para Auditor Fiscal do Trabalho, pela ESAF, em 2006 (item incorreto): (ESAF/AFT/2006) A sociedade simples, regida pelas disposições do art. 997 e seguintes do Código Civil - Lei n. 10.406/02 - caracteriza-se por garantir a todos os sócios participação nas deliberações sociais. 8.14 DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE SIMPLES A dissolução não somente possui a propriedade de desmanchar ou romper todo vínculo jurídico que unia as coisas ou pessoas, anteriormente, como desobriga, todas as pessoas envoltas no ato ou no contrato dos compromissos, que possam vir, desde que não tenham qualquer dependência com a situação desfeita, pela ruptura, que a dissolução ocasiona. A dissolução de uma sociedade simples pode ocorrer em duas searas: a) judicial; e b) extrajudicial. As causas extrajudiciais são as previstas no artigo 1.033 do Código. Já as judiciais vêm logo em seguida, arroladas no artigo 1.034, que citamos: Art. 1.033. Dissolve-se a sociedade quando ocorrer: Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 32 de 84 I - o vencimento do prazo de duração, salvo se, vencido este e sem oposição de sócio, não entrar a sociedade em liquidação, caso em que se prorrogará por tempo indeterminado; II - o consenso unânime dos sócios; III - a deliberação dos sócios, por maioria absoluta, na sociedade de prazo indeterminado; IV - a falta de pluralidade de sócios, não reconstituída no prazo de cento e oitenta dias; V - a extinção, na forma da lei, de autorização para funcionar. Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV caso o sócio remanescente, inclusive na hipótese de concentração de todas as cotas da sociedade sob sua titularidade, requeira, no Registro Público de Empresas Mercantis, a transformação do registro da sociedade para empresário individual ou para empresa individual de responsabilidade limitada, observado, no que couber, o disposto nos arts. 1.113 a 1.115 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 12.441, de 2011) Art. 1.034. A sociedade pode ser dissolvida judicialmente, a requerimento de qualquer dos sócios, quando: I - anulada a sua constituição; II - exaurido o fim social, ou verificada a sua inexeqüibilidade. Nas sociedades de prazo determinado, para que haja dissolução é necessário consenso unânime dos sócios. Nas de prazo indeterminado é imprescindível o voto da maioria absoluta dos sócios (CC, art. 1.033, II e III). Dissolução: Sociedade de prazo determinado Consenso unânime. Sociedade de prazo indeterminado Maioria absoluta de sócios. Sobre as sociedades simples, esse era o principal. Passemos a falar agora sobre as sociedades limitadas. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 33 de 84 9 SOCIEDADE LIMITADA Esse assunto é, junto das sociedades anônimas, sem dúvida, o mais cobrado em concursos quando o tema é direito societário. Até por que a sociedade limitada é, disparado, o tipo mais utilizado na praxe brasileira. Vamos estudá-lo em suas minúcias! A sociedade limitada tem seu regramento no Código Civil, artigos 1.052 a 1.087. Mas, professor, e se algum tema de relevância não estiver tratado dentro destes artigos? Vejamos! 9.1 APLICAÇÃO DAS NORMAS DAS SS OU LEI DAS SAS Neste caso, o Código Civil prevê que: Art. 1.053. A sociedade limitada rege-se, nas omissões deste Capítulo, pelas normas da sociedade simples. Parágrafo único. O contrato social poderá prever a regência supletiva da sociedade limitada pelas normas da sociedade anônima. Assim, pela inteligência do caput do artigo 1.053, na omissão do regramento próprio para a sociedade limitada, aplicar-se-ão as regras tratadas para as sociedades simples, já por nós estudada. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 34 de 84 Contudo, pode o contrato social prever a aplicação supletiva da lei das sociedades por ações (Lei 6.404/76), como se infere do parágrafo único. Fica assim: Aplicação de normas das SS ou SA nas LTDAS 1) Se o contrato social não dispuser sobre o assunto, ser-lhe-ão aplicadas supletivamente as regras das sociedades simples. 2) Caso haja previsão no contrato, poderão se aplicar as regras das sociedades anônimas em caráter supletivo. 9.2 NOME EMPRESARIAL DAS SOCIEDADES LIMITADAS Sobre o nome empresarial, devemos levar o seguinte para a prova: Art. 1.158. Pode a sociedade limitada adotar firma ou denominação, integradas pela palavra final "limitada" ou a sua abreviatura. § 1o A firma será composta com o nome de um ou mais sócios, desde que pessoas físicas, de modo indicativo da relação social. § 2o A denominação deve designar o objeto da sociedade, sendo permitido nela figurar o nome de um ou mais sócios. § 3o A omissão da palavra "limitada" determina a responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores que assim empregarem a firma ou a denominação da sociedade. As limitadas operam sob firma ou denominação social, facultativamente. Exemplos: a) Pelos sobrenomes dos sócios: Rabelo e Silva LTDA; b) Pelo sobrenome de um ou de alguns dos sócios: Rabelo & Cia LTDA, ou Rabelo, Silva & Companhia LTDA c) Pelo nome completo ou abreviado de um dos sócios: Gabriel Rabelo da Silva & Cia LTDA ou G R Silva & Cia LTDA. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 35 de 84 d) Denominação: Naturale Comércio de Alimentos Ltda. Atenção! Embora a denominação em regra não contenha o nome dos sócios, nela pode figurar, segundo o artigo 1.158, parágrafo segundo, o nome de um ou mais sócios. 9.3 ASPECTO MAIS COBRADO EM PROVAS Este assunto está no topo do ranking dos mais cobrados em Direito Empresarial. Gravem! Nas sociedades limitadas é vedada a contribuição que consista em prestação de serviços. Vejam o texto normativo: Art. 1.055. O capital social divide-se em quotas, iguais ou desiguais, cabendo uma ou diversas a cada sócio. § 2o É vedada contribuição que consista em prestação de serviços. Apenas para confirmar o que digo, vejam que esta questão foi cobrada no concurso para Auditor Fiscal da Receita Estadual, da SEFAZ RS, em 2014 (item correto): (FUNDATE/Auditor Fiscal/SEFAZ/RS/2014) Na sociedade limitada, é vedada a participação de sócio cuja contribuição consista em prestação de serviços. 9.4 CAPITAL SOCIAL DA LTDA O capital social pode ser definido como o montante total de recursos que os sócios se comprometem a transferir do seu patrimônio pessoal para a formação do patrimônio da sociedade. Art. 1.055. O capital social divide-se em quotas, iguais ou desiguais, cabendo uma ou diversas a cada sócio. § 1o Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social respondem solidariamente todos os sócios, até o prazo de cinco anos da data do registro da sociedade. Os sócios, no ato da subscrição, poderão comprometer-se a contribuir para a formação do capital social mediante pagamento em dinheiro, conferência de bens ou créditos à sociedade, sendo-lhes, entretanto, vedada a contribuição que consista em prestação de serviços. Vejam que o caput prevê que as quotaspodem ser iguais ou desiguais. Todavia, não há definição do que vem a ser uma quota desigual. Fato é que não Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 36 de 84 é possível criar nas sociedades limitadas quotas preferenciais (em analogia às ações preferenciais existentes nas sociedades por ações). O DNRC, através da Instrução Normativa 98/2003, a despeito de reconhecer a possibilidade de quotas desiguais, é claro ao não permitir a criação de quotas preferenciais para as sociedades limitadas. IN DNRC 98/2003: 1.2.16 CAPITAL - 1.2.16.3 - Quota preferencial - Não cabe para sociedade limitada a figura da quota preferencial. Em relação à contribuição em dinheiro, ressalte-se que, ao contrário das sociedades anônimas (Lei n. 6.404/74, art. 80, I), não há para as sociedades limitadas qualquer previsão legal que exija a integralização de um percentual mínimo do capital subscrito no ato da constituição da sociedade, tampouco fixe um prazo máximo para sua integralização. Em relação à contribuição dos sócios realizada mediante a conferência de bens, destaque-se que não existe nas sociedades limitadas a obrigatoriedade de prévia avaliação por peritos ou empresa especializada dos bens conferidos pelos sócios, tal como ocorre nas sociedades anônimas (Lei n. 6.404/76, art. 8º). Entretanto, pela exata estimação dos bens conferidos, respondem solidariamente todos os sócios até o prazo de cinco anos da data do registro da sociedade (CC, art. 1.055, § 1º). Assim, por exemplo, se determinado sócio integra à sociedade um veículo que diz valer R$ 30.000,00, responderão todos (o que declarou e os outros solidariamente) caso se constate em um processo de execução fiscal contra a empresa, que o veículo vale menos do que o declarado. A quota social representa a unidade do capital social. Uma quota pode ter um ou mais de um dono (co-propriedade de quotas), hipótese em que o representante exercerá o direito de sócio. A quota dividida entre os sócios, contudo, não é divisível em relação à sociedade. Para a sociedade, será apenas uma única quota. É o que se extrai da leitura do seguinte artigo: Art. 1.056. A quota é indivisível em relação à sociedade, salvo para efeito de transferência (...) Este assunto foi cobrado na seguinte forma no concurso para Procurador Municipal de Salvador, organizado pela FCC em 2006 (item correto): (FCC/Procurador Jaboatão dos Guararapes/2006) A respeito das sociedades limitadas, é correto afirmar que as quotas podem ser iguais ou desiguais, mas são indivisíveis em relação à sociedade. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 37 de 84 A integralização do capital social pode ser feita através de dinheiro, créditos ou de bens. Se feita em bens o sócio responderá pela evicção, indenização e custas judiciais que dela decorram. Evicção é o desapossamento do bem por causa jurídica. Se o bem for reivindicado por terceiro, posteriormente à integralização, por direito anterior a ela (integralização) este responderá pelos danos sofridos pela sociedade (CC, artigo 1.005). 9.5 REDUÇÃO DO CAPITAL SOCIAL Segundo o Código Civil: Art. 1.082. Pode a sociedade reduzir o capital, mediante a correspondente modificação do contrato: I - Depois de integralizado, se houver perdas irreparáveis; II - Se excessivo em relação ao objeto da sociedade. Portanto, havendo perdas irreparáveis ou se for excessivo, podemos diminuir o capital social. Vamos tratar mormente da segunda hipótese. Art. 1.084. No caso do inciso II do art. 1.082, a redução do capital será feita restituindo-se parte do valor das quotas aos sócios, ou dispensando-se as prestações ainda devidas, com diminuição proporcional, em ambos os casos, do valor nominal das quotas. § 1o No prazo de noventa dias, contado da data da publicação da ata da assembléia que aprovar a redução, o credor quirografário, por título líquido anterior a essa data, poderá opor-se ao deliberado. § 2o A redução somente se tornará eficaz se, no prazo estabelecido no parágrafo antecedente, não for impugnada, ou se provado o pagamento da dívida ou o depósito judicial do respectivo valor. § 3o Satisfeitas as condições estabelecidas no parágrafo antecedente, proceder- se-á à averbação, no Registro Público de Empresas Mercantis, da ata que tenha aprovado a redução. Com efeito, teremos com a redução: - Restituição proporcional do valor das quotas; - Caso ainda falte algo a integralizar, abateremos deste valor, proporcionalmente; - Haverá redução do valor nominal da quota; Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 38 de 84 - Os credores quirografários (são, grosso modo, aqueles que não possuem qualquer tipo de garantia, têm apenas um cheque, uma duplicata, por exemplo) podem se opor no prazo de 90 dias, a partir da publicação da ata da assembleia; - Se o prazo passou e ninguém se opôs ou se restou comprovado o pagamento da dívida ou depósito judicial a redução se tornará eficaz; - Depois, basta fazermos a averbação da ata no Registro Público de Empresas Mercantis. 9.6 RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS NAS LTDAS A responsabilidade do sócio nas LTDAs é restrita ao valor de suas quotas, porém, os sócios respondem solidariamente pela integralização do capital social. Esse item também é campeão de cobranças! Levem para a prova. Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. Ou seja, um fornecedor da empresa que não recebeu seus créditos poderá, após executado o patrimônio social e não verificada a integralização completa deste, executar qualquer dos sócios para responder às dívidas até o limite faltante para a integralização completa do capital, havendo, ulteriormente, direito a regresso contra o sócio remisso. Esse ponto deve estar claro. Se a sociedade Alfa Comércio de Alimentos LTDA tem capital social de 100.000,00, estando somente R$ 80.000,00 integralizados. Os sócios são João, capital de R$ 50.000,00, totalmente integralizado, e José, capital de R$ 50.000,00, com somente R$ 30.000,00 integralizado. A sociedade foi executada por uma dívida de R$ 100.000,00, e conseguiu receber os R$ 80.000,00. Poderá cobrar dos sócios o restante? Sim! Tanto de José, como de João, pois todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. A responsabilidade dos sócios, porém, não é ilimitada, está restrita ao valor que falta integralizar no capital. Ok? Cada sócio responde pelo valor de sua quota e todos terão responsabilidade solidária pela integralização do capital social. Após esta integralização do capital, se a sociedade vier a sofrer perdas irreparáveis em razão das operações efetivadas, proceder-se-á à redução do capital social, diminuindo-se proporcionalmente o valor nominal das quotas de cada sócio. Segundo o Código: Art. 1.082. Pode a sociedade reduzir o capital, mediante a correspondente modificação do contrato: I - depois de integralizado, se houver perdas irreparáveis; Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 39 de 84 II - se excessivo em relação ao objeto da sociedade. Art. 1.083. No caso do inciso I do artigo antecedente, a redução do capital será realizada com a diminuição proporcional do valor nominal das quotas, tornando- se efetiva a partirda averbação, no Registro Público de Empresas Mercantis, da ata da assembléia que a tenha aprovado. Assim, se existem 10 sócios com uma quota de R$ 1.000,00 cada, totalizando um capital social de R$ 10.000,00 e a sociedade tem uma perda irreparável de R$ 5.000,00. A quota de cada um será reduzida também nesta proporção (50% neste exemplo). 9.7 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL DOS SÓCIOS POR ATOS ILEGAIS, OU COM EXCESSO DE PODERES Segundo o artigo 135 do Código Tributário Nacional: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Pois bem! Esta é, pois, a jurisprudência predominante em nossos tribunais: a responsabilidade pessoal dos sócios só existirá caso o sócio haja com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Tributário. Agravo regimental em agravo de instrumento. Ofensa ao art. 135 do CTN. Responsabilidade tributária do sócio quotista. Jurisprudência consolidada pela primeira seção do STJ. CDA. Presunção relativa de certeza e liquidez. Redirecionamento. Cabimento. Inversão do ônus da prova. Artigo 543-C, do CPC. Resolução STJ 8/2008. Artigo 557, do CPC. Aplicação. ART. 135, III, CTN. Súmula nº 7/STJ. Violação ao art. 535, CPC. Inocorrência. 1. A responsabilidade patrimonial secundária do sócio, na jurisprudência do e. STJ, funda-se na regra de que o redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sócio- gerente da empresa, somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa. [...] (AgRg no Agravo de Instrumento nº 1246998/BA (2009/0215149-7), 1ª Turma do STJ, Rel. Luiz Fux. j. 06.04.2010, unânime, DJe 22.04.2010). 9.8 CESSÃO DE QUOTAS NAS SOCIEDADES LIMITADAS Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 40 de 84 Com fulcro no Código Civil: Art. 1.057. Na omissão do contrato, o sócio pode ceder sua quota, total ou parcialmente, a quem seja sócio, independentemente de audiência dos outros, ou a estranho, se não houver oposição de titulares de mais de um quarto do capital social. Veja que a cessão de quotas pode ser feita a sócios, independentemente da anuência. Contudo, se houver um estranho (um não-sócio) ao quadro societário a cessão não poderá ser resistida por mais de um quarto do capital social. 9.9 ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE LIMITADA Nas sociedades limitadas a administração pode ser exercida por sócios ou não-sócios. Atenção! Antigamente, para o exercício da administração por não-sócio, havia de constar expressa previsão em contrato social. Todavia, o Código Civil mudou. Essa regra foi dispensada, flexibilizando a nomeação de administradores nas limitadas. Hoje, vale a seguinte regra: Art. 1.061. A designação de administradores não sócios dependerá de aprovação da unanimidade dos sócios, enquanto o capital não estiver integralizado, e de 2/3 (dois terços), no mínimo, após a integralização. (Redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010) Nas limitadas, a administração compete exclusivamente às pessoas naturais, sendo vedada a administração por pessoa jurídica (CC, art. 997, VI c/c art. 1.054). Observação: Nas sociedades em nome coletivo e em comandita simples, existe expressa vedação do Código ao exercício da administração por não- sócios (CC, art. 1.042 e 1.046). SOCIEDADE ADMINISTRAÇÃO SÓCIO NÃO SÓCIO Limitada Pode Pode Simples Pode Ponto polêmico Nome coletivo Pode Não pode Comandita simples Pode Não pode Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 41 de 84 O administrador designado em ato separado terá trinta dias para investir-se no cargo, o que se dará mediante termo de posse no livro de atas da administração. Não havendo a posse no prazo citado, a designação tornar-se-á sem efeito (art. 1.062). A contar da investidura, o administrador terá dez dias para requerer a averbação de sua nomeação no registro competente (CC, art. 1.062, §2). O administrador, nomeado por instrumento em separado, deve averbá-lo à margem da inscrição da sociedade, e, pelos atos que praticar, antes de requerer a averbação, responde pessoal e solidariamente com a sociedade (CC, art. 1.012). O Código Civil prevê, em seu artigo 1.061, dois quóruns distintos para a eleição de administradores não-sócios (independentemente de a nomeação ser feita no contrato social ou em ato separado): Art. 1.061. A designação de administradores não sócios dependerá de aprovação da unanimidade dos sócios, enquanto o capital não estiver integralizado, e de 2/3 (dois terços), no mínimo, após a integralização. (Redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010) Quórum para eleição de administradores não-sócios a) Se o capital social estiver totalmente integralizado, a eleição depende de 2/3, no mínimo (o contrato pode prever quórum maior), dos sócios (capital social); b) Se o capital estiver apenas parcialmente integralizado, a decisão deverá ser unânime, de todos os sócios. Fica assim: Eleição Capital social Integralizado Parcialmente integralizado Administrador não sócio 2/3 Unânime Já a destituição de não-sócios depende de votos correspondentes a mais da metade do capital social. Segundo o Código Civil: Destituição de administradores não sócios, nomeados em ato separado ou no contrato social e destituição de administradores sócios nomeados em ato separado Art. 1.071. Dependem da deliberação dos sócios, além de outras matérias indicadas na lei ou no contrato: III - a destituição dos administradores; Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 42 de 84 Art. 1.076. Ressalvado o disposto no art. 1.061 e no § 1o do art. 1.063, as deliberações dos sócios serão tomadas: II - pelos votos correspondentes a mais de metade do capital social, nos casos previstos nos incisos II, III, IV e VIII do art. 1.071; Todavia, o quórum para destituição de administrador sócio nomeado no contrato é: Destituição de administradores sócios, nomeados no contrato. Art. 1.063. O exercício do cargo de administrador cessa pela destituição, em qualquer tempo, do titular, ou pelo término do prazo se, fixado no contrato ou em ato separado, não houver recondução. § 1o Tratando-se de sócio nomeado administrador no contrato, sua destituição somente se opera pela aprovação de titulares de quotas correspondentes, no mínimo, a dois terços do capital social, salvo disposição contratual diversa. Atenção: todos estes quóruns são analisados em função do capital social, e não do número de sócios. Resumindo, temos o seguinte: Destituição Se a nomeação foi em: Contrato social Ato separado Administrador sócio 2/3 Mais da metade Administrador não sócio Mais da metade* Mais da metade * Fábio Ulhoa diverge nesse ponto, entendendo que o quórum é de ¾ do capital social. A administração atribuída no contrato a todos os sócios não se estende de pleno direito aos que posteriormente adquiram essa qualidade (CC, art. 1.060, parágrafo único). No silêncio do contrato, os administradores podem praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade; não constituindo objeto social, a oneração ou a venda debens imóveis depende do que a maioria dos sócios decidir. Em outros termos, se o contrato social for silente, os administradores têm permissivo para praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade, salvo a venda ou a oneração de bens imóveis, que depende da decisão da maioria dos sócios, salvo se a operação com imóveis constituir o próprio objeto da sociedade. Para os bens móveis essa regra não é necessária. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 43 de 84 9.10 CONSELHO FISCAL NAS SOCIEDADES LIMITADAS O Conselho Fiscal é um órgão colegiado, criado para se acompanhar e fiscalizar, de perto, a gestão da atividade. As sociedades limitadas podem possuir conselho fiscal, composto por três ou mais membros, sócios ou não, residentes no país (CC, art. 1.066). Já nas sociedades por ações é obrigatória a existência de Conselho Fiscal, conforme determina o artigo 161 da Lei 6.404/76. Para a prova: Características do Conselho Fiscal nas Limitadas, caso existente: - 3 ou mais membros. - Sócios ou não. - Residentes no país. O conselho fiscal possui atribuições previstas no artigo 1.069 do CC. Senão vejamos. Art. 1.069. Além de outras atribuições determinadas na lei ou no contrato social, aos membros do conselho fiscal incumbem, individual ou conjuntamente, os deveres seguintes: I - examinar, pelo menos trimestralmente, os livros e papéis da sociedade e o estado da caixa e da carteira, devendo os administradores ou liquidantes prestar-lhes as informações solicitadas; II - lavrar no livro de atas e pareceres do conselho fiscal o resultado dos exames referidos no inciso I deste artigo; III - exarar no mesmo livro e apresentar à assembléia anual dos sócios parecer sobre os negócios e as operações sociais do exercício em que servirem, tomando por base o balanço patrimonial e o de resultado econômico; IV - denunciar os erros, fraudes ou crimes que descobrirem, sugerindo providências úteis à sociedade; V - convocar a assembléia dos sócios se a diretoria retardar por mais de trinta dias a sua convocação anual, ou sempre que ocorram motivos graves e urgentes; VI - praticar, durante o período da liquidação da sociedade, os atos a que se refere este artigo, tendo em vista as disposições especiais reguladoras da liquidação. É assegurado aos sócios minoritários, que representarem pelo menos um quinto do capital social, o direito de eleger, separadamente, um dos membros do conselho fiscal e o respectivo suplente (CC, art. 1.066, §2º). Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 44 de 84 9.11 DELIBERAÇÕES NAS SOCIEDADES LIMITADAS Em regra, as decisões da empresa são tomadas por seu administrador ou por seus administradores. Para decidir sobre a compra de uma matéria-prima, contratação de um pedreiro, etc. não há necessidade de reunião entre os sócios. Todavia, algumas matérias a lei dedicou à deliberação social, sem prejuízo de outras que estejam previstas no contrato social, são elas: Art. 1.071. Dependem da deliberação dos sócios, além de outras matérias indicadas na lei ou no contrato: I - a aprovação das contas da administração; II - a designação dos administradores, quando feita em ato separado; III - a destituição dos administradores; IV - o modo de sua remuneração, quando não estabelecido no contrato; V - a modificação do contrato social; VI - a incorporação, a fusão e a dissolução da sociedade, ou a cessação do estado de liquidação; VII - a nomeação e destituição dos liquidantes e o julgamento das suas contas; VIII - o pedido de concordata (Substituída pela recuperação judicial). Essas deliberações são tomadas por assembléia de sócios. Porém, nas limitadas com menos de 10 sócios, podemos substituí-la pela chamada reunião de sócios. A diferença entre uma e outra encontra-se no rito. A assembléia está prevista no próprio Código, enquanto que a reunião segue rito previsto no próprio contrato social. A reunião ou a assembléia tornam-se dispensáveis quando todos os sócios decidirem, por escrito, sobre a matéria que seria objeto delas (CC, art. 1.072, §3º). As deliberações tomadas de conformidade com a lei e o contrato vinculam todos os sócios, ainda que ausentes ou dissidentes (CC, art. 1.072, §5º). O quórum para instalação de uma assembléia é de ¾ do capital social, para a primeira convocação. Para a segunda convocação, realiza-se com qualquer número. Ressalte-se, porém, que o quórum para instalação se distingue do quórum para deliberação. Art. 1.076. Ressalvado o disposto no art. 1.061 e no § 1o do art. 1.063, as deliberações dos sócios serão tomadas: Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 45 de 84 I - pelos votos correspondentes, no mínimo, a três quartos do capital social, nos casos previstos nos incisos V e VI do art. 1.071; II - pelos votos correspondentes a mais de metade do capital social, nos casos previstos nos incisos II, III, IV e VIII do art. 1.071; III - pela maioria de votos dos presentes, nos demais casos previstos na lei ou no contrato, se este não exigir maioria mais elevada. Art. 1.073. A reunião ou a assembléia podem também ser convocadas: I - por sócio, quando os administradores retardarem a convocação, por mais de sessenta dias, nos casos previstos em lei ou no contrato, ou por titulares de mais de um quinto do capital, quando não atendido, no prazo de oito dias, pedido de convocação fundamentado, com indicação das matérias a serem tratadas; II - pelo conselho fiscal, se houver, nos casos a que se refere o inciso V do art. 1.069. 9.12 EXCLUSÃO EXTRAJUDICIAL DE SÓCIO MINORITÁRIO Segundo o Código Civil: Art. 1.085. Ressalvado o disposto no art. 1.030, quando a maioria dos sócios, representativa de mais da metade do capital social, entender que um ou mais sócios estão pondo em risco a continuidade da empresa, em virtude de atos de inegável gravidade, poderá excluí-los da sociedade, mediante alteração do contrato social, desde que prevista neste a exclusão por justa causa. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 46 de 84 Parágrafo único. A exclusão somente poderá ser determinada em reunião ou assembléia especialmente convocada para esse fim, ciente o acusado em tempo hábil para permitir seu comparecimento e o exercício do direito de defesa. A exclusão de um sócio, em regra, será feita pela via judicial (como preleciona o art. 1.030). Art. 1.030. Ressalvado o disposto no art. 1.004 e seu parágrafo único, pode o sócio ser excluído judicialmente, mediante iniciativa da maioria dos demais sócios, por falta grave no cumprimento de suas obrigações, ou, ainda, por incapacidade superveniente. Contudo, a via administrativa (extrajudicial) também poderá ser utilizada para a exclusão, como via de exceção. Os quesitos básicos que se impõem para a expulsão extrajudicial por justa causa são (art. 1.085, CC): Requisitos para a exclusão extrajudicial 1) Previsão no contrato social; 2) Ato de gravidade praticado por parte do sócio; 3) Assembléia ou reunião específica para este fim; 4) Aviso ao sócio para fins de exercer contraditório e ampla defesa; 5) Quórum de maioria absoluta do capital social para a exclusão. Algumas pegadinhas que podem cair em concurso 1) A exclusão é feita pela sociedade ou pelos sócios? Resposta: Pelos sócios. 2) Os sócios minoritáriose majoritários podem ser excluídos extrajudicialmente? Resposta: Não! Apenas o minoritário. Vejam que o quórum é maioria absoluta do capital social. Assim, apenas os minoritários podem arcar com esta via. Para os majoritários resta a via judicial. 9.13 SOCIEDADE LIMITADA DE GRANDE PORTE São consideradas sociedades de grande porte as que possuam ativo total superior a R$ 240.000.000,00 ou receita bruta anual acima de R$ 300.000.000,00. Alcançando qualquer destes aportes, a sociedade será considerada como de grande porte, a partir do exercício subsequente. Em tal hipótese, serão aplicadas as sociedades limitadas as mesmas regras aplicáveis às sociedades anônimas no que tange à escrituração e elaboração das demonstrações financeiras. As demonstrações contábeis deverão ser aplicadas sob a essência do regime de competência. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 47 de 84 9.14 REPOSICÃO DE LUCROS Segundo o Código Civil: Art. 1.059. Os sócios serão obrigados à reposição dos lucros e das quantias retiradas, a qualquer título, ainda que autorizados pelo contrato, quando tais lucros ou quantia se distribuírem com prejuízo do capital. Vê-se, pois, que aqui temos a regra de que os dividendos (remuneração dos sócios pelo capital empregado na sociedade) não pode se dar em prejuízo do capital social. Ou seja, não podemos reduzir o capital social para pagar dividendos aos sócios. Portanto, ainda que de boa-fé ou autorização pelo contrato, a reposição é regra nas limitadas. Existe uma regra diferente que vige para as sociedades em comandita simples, que diz: Art. 1.049. O sócio comanditário não é obrigado à reposição de lucros recebidos de boa-fé e de acordo com o balanço. 10 RESUMO DOS PONTOS ABORDADOS NESTA AULA 1) Sociedades personificadas, quanto ao objeto, podem ser simples e empresárias. 2) Aspectos comuns às sociedades em comanditas simples e em nome coletivo: são sociedades de pessoas; o nome empresarial deve ser formado por firma social; somente sócios com responsabilidade ilimitada poderão administrar a sociedade. 3) Principais caracterísiticas da sociedade em nome coletivo: - Responsabilidade ilimitada e solidária entre os sócios, subsidiária em relação à sociedade. - Sócios podem limitar a responsabilidade entre si, sem prejuízo da responsabilidade frente a terceiros. - Sócios só podem ser pessoas naturais. - Somente sócio pode administrar. - Adota a firma social como nome empresarial. - Subsidiariamente, aplicam-se as normas das sociedades simples. 4) Principais características da sociedade em comandita simples: - Existência de sócios comanditário (obrigado somente pela sua quota) e comanditado (responsabilidade solidária e ilimitada), - Nome empresarial: firma. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 48 de 84 - A sociedade é necessariamente administrado por comanditado, que somente pode ser pessoa física. - O sócio comanditário não é obrigado à reposição de lucros recebidos de boa-fé e de acordo com o balanço. 5) Sociedades simples: Sociedade simples Sociedade simples pura Sociedade limitada Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples - Nome empresarial: denominação + SS. - Registro Civil das Pessoas Jurídicas. - Alteração do contrato social: Alteração - Consentimento unânime Dados dos sócios Denominação, sede, objeto, prazo da sociedade Capital social Quota de cada sócio Modo de realização da quota de prestação de serviço Pessoas naturais que administram, seus poderes, atribuições Participação nos lucros e perdas Se sócios respondem ou não pelas obrigações - Sociedades simples Pode ter sócio com prestação de serviço. - Sociedade limitada Não pode ter sócio que contribua tão-somente com prestação de serviços. - Sócio remisso: Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 49 de 84 - Responsabilidade dos sócios nas sociedades simples: Responsabilidade dos sócios nas sociedades simples 1) Os bens da sociedade são suficientes para pagamento das dívidas? Sim? Ok! Tudo resolvido (CC, art. 1.024). 2) Há cláusula que prevê que os sócios não respondem subsidiariamente? Se houver, a responsabilidade estaria limitada ao montante do capital social. 3) Não há! Acabaram os bens da sociedade e ainda perduram dívidas. O que fazer? Aplica-se o artigo 1.023. Como cada sócio subscreveu uma cota de R$ 1.000,00, assim, todos participam de forma igual das perdas e ganhos sociais. Assim, a dívida de R$ 30.000,00 deverá ser dividida entre os três, constituindo- se três frações no valor de R$ 10.000,00. 4) Se houvesse cláusula de responsabilidade solidária, a dívida poderia ser cobrada de qualquer um deles, ao qual caberia a restituição do valor pago em excesso a sua proporção do capital social, em ação de regresso. - Nas sociedades simples é possível a cessão das quotas sociais, desde que haja concordância dos demais sócios e que seja averbado o respectivo registro. Aplicação de normas das SS ou SA nas LTDAS 1) Se o contrato social não dispuser sobre o assunto, ser-lhe-ão aplicadas supletivamente as regras das sociedades simples. 2) Caso haja previsão no contrato, poderão se aplicar as regras das sociedades anônimas em caráter supletivo. As limitadas operam sob firma ou denominação social, facultativamente. Gravem! Nas sociedades limitadas é vedada a contribuição que consista em prestação de serviços. O capital social divide-se em quotas, iguais ou desiguais, cabendo uma ou diversas a cada sócio. A responsabilidade do sócio nas LTDAs é restrita ao valor de suas quotas, porém, os sócios respondem solidariamente pela integralização do capital social. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 50 de 84 Nas limitadas, a administração compete exclusivamente às pessoas naturais, sendo vedada a administração por pessoa jurídica (CC, art. 997, VI c/c art. 1.054). Exclusão extrajudicial de sócio minoritário – Requisitos: 1) Previsão no contrato social; 2) Ato de gravidade praticado por parte do sócio; 3) Assembléia ou reunião específica para este fim; 4) Aviso ao sócio para fins de exercer contraditório e ampla defesa; 5) Quórum de maioria absoluta do capital social para a exclusão. SOCIEDADE ADMINISTRAÇÃO SÓCIO NÃO SÓCIO Limitada Pode Pode Simples Pode Ponto polêmico Nome coletivo Pode Não pode Comandita simples Pode Não pode Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 51 de 84 11 QUESTÕES COMENTADAS 11.1 SOCIEDADES (GERAL) 1) (CESPE/Consultor da Câmara/CD/2014) Toda sociedade é uma pessoa jurídica, mas nem toda pessoa jurídica é uma sociedade. Comentários O item está incorreto, haja vista que falamos na existência de sociedades não personificadas, como a sociedade em comum e a sociedade em conta de participação. Gabarito Errado. 2) (CESPE/OAB/2009) A respeito da classificação das sociedades em simples e empresárias, bem como da relação prevista em lei entre os tipos societários pertencentes a cada um desses grupos, é correto afirmar que as regras legais relativas à sociedade simples a) são subsidiárias a todos os tipos societários. b) aplicar-se-ãoà sociedade limitada se o respectivo contrato social não estabelecer a regência supletiva das normas sobre sociedade anônima. c) são subsidiárias apenas à sociedade em nome coletivo e à sociedade em comandita simples. d) são subsidiárias às da sociedade cooperativa, e as regras relativas à sociedade limitada são subsidiárias às demais sociedades empresárias, especialmente a sociedade anônima. Comentários A letra a está incorreta. Para as sociedades em conta de participação, havendo omissão do capítulo específico, aplicam-se as normas da sociedade simples (CC, art. 996). O mesmo vale para a sociedade em comum (CC, art. 986), exceto se a sociedade em comum for se organizar pelo tipo sociedade por ações, quando prevalecerá as regras da Lei 6.404/76. A sociedade em nome coletivo também é regida supletivamente pelas normas das sociedades simples (CC, art. 1.040). Já a sociedade em comandita simples rege-se, prioritariamente, na omissão, pelas regras da sociedade em nome coletivo, aplicando-se-lhes em seguida as normas das sociedades simples. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 52 de 84 As limitadas podem reger-se tanto pelas normas das sociedades simples como pelas normas das SAs, se assim previsto expressamente (CC, art. 1.053, caput e parágrafo único). As cooperativas regem-se pelo disposto no Código Civil, para si, e pela legislação especial (CC, art. 1.093) e, no que a lei for omissa, pelas disposições das sociedades simples (CC, art. 1.094). A sociedade anônima rege-se pela legislação especial, aplicando se a elas, nos casos omissos a legislação do Código. Vê-se, assim, que as sociedades em comum, quando forem constituídas sob o tipo sociedade por ações, e as sociedades limitadas que assim expressamente prevejam não serão regradas pelas normas das Sociedades Simples no caso de omissão. Gabarito B. 11.2 SOCIEDADE EM NOME COLETIVO E COMANDITA SIMPLES 3) (CESPE/Defensor Público Federal/2015) Acerca da responsabilidade dos sócios, da sociedade em comum e da desconsideração da pessoa jurídica, julgue o próximo item. Os sócios de sociedade em nome coletivo devem ser pessoas físicas e podem, sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, limitar entre si a responsabilidade de cada um. Comentários Segundo o Código Civil: Art. 1.039. Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em nome coletivo, respondendo todos os sócios, solidária e ilimitadamente, pelas obrigações sociais. Parágrafo único. Sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, podem os sócios, no ato constitutivo, ou por unânime convenção posterior, limitar entre si a responsabilidade de cada um. Gabarito Correto. 4) (CESPE/Consultor da Câmara/CD/2014) À sociedade em comandita simples, na qual tomam parte, conforme discriminação em contrato, sócios de Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 53 de 84 duas categorias, os comanditados e os comanditários, aplicam-se as normas referentes à sociedade em nome coletivo, no que forem compatíveis com as normas específicas da sociedade em comandita simples. Comentários O item está correto. Segundo o Código Civil: Art. 1.045. Na sociedade em comandita simples tomam parte sócios de duas categorias: os comanditados, pessoas físicas, responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais; e os comanditários, obrigados somente pelo valor de sua quota. Parágrafo único. O contrato deve discriminar os comanditados e os comanditários. Art. 1.046. Aplicam-se à sociedade em comandita simples as normas da sociedade em nome coletivo, no que forem compatíveis com as deste Capítulo. Gabarito Correto. 5) (CESPE/Consultor da Câmara/CD/2014) O capital social é o conjunto de bens e direitos de titularidade da sociedade empresária. Comentários Vamos explicar esta questão sob a ótica da ciência contábil. O capital social é o valor que os sócios se comprometem a entregar para a sociedade empresária. É o que chamamos de recurso próprio. Esse capital social é aplicado em bens e direitos. Os bens e direitos são chamados de ativos. Ok? Portanto, analisando por este prisma a questão estaria correta, não? Não! Por quê? Pois, pessoal, embora o capital social (recurso dos sócios) seja aplicado em bens e direitos, não só estes recursos compõem os ativos. Há também os chamados recursos de terceiros ou capital de terceiros, que é o que chamamos de passivo. Portanto, fica assim: Ativo (bens e direitos) = Passivo (obrigações) + Capital social (capital próprio). Esta é uma adequação bem simplória (e até grosseira) para explicar, mas acho que ficou claro. Item, portanto, incorreto. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 54 de 84 Gabarito Errado. 6) (CESPE/Consultor da Câmara/CD/2014) O credor da sociedade tem como garantia a participação societária, ou seja, as quotas ou ações representativas do capital social. Comentários Segundo site do STJ, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que é possível a penhora de cotas de sociedade limitada, seja porque tal constrição não implica, necessariamente, a inclusão de novo sócio; seja porque o devedor deve responder pelas obrigações assumidas com todos os seus bens presentes e futuros, nos termos do art. 591 do Código de Processo Civil. Assim, a questão deveria ser considerada correta. Todavia, a banca entendeu como incorreta. Gabarito Errado. 7) (CESPE/OAB/2009) Nas sociedades em nome coletivo, a) os sócios podem ser pessoas físicas ou jurídicas. b) o falecimento de sócio implica a liquidação das quotas do falecido, caso o contrato social seja omisso a tal respeito. c) a administração pode competir a sócio ou a terceiro designado pelos sócios. d) os sócios respondem, de forma subsidiária e limitada à integralização de suas quotas, pelas obrigações sociais. Comentários Dissemos que: Art. 1.039. Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em nome coletivo, respondendo todos os sócios, solidária e ilimitadamente, pelas obrigações sociais. Assim, a assertiva a está incorreta. Somente pessoas físicas podem ser sócias nas sociedades em nome coletivo. A alternativa d erra pelo mesmo motivo. A responsabilidade é solidária e ilimitada pelas obrigações sociais. A letra c também erra. Dissemos que: Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 55 de 84 Art. 1.042. A administração da sociedade compete exclusivamente a sócios, sendo o uso da firma, nos limites do contrato, privativo dos que tenham os necessários poderes. A letra b é o gabarito, já que dispõe o Código Civil que: Art. 1.028. No caso de morte de sócio, liquidar-se-á sua quota, salvo: I - se o contrato dispuser diferentemente; II - se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade; III - se, por acordo com os herdeiros, regular-se a substituição do sócio falecido. Gabarito B. 8) (Cespe/Advogado Geral da União/2009) Considere que Lena seja sócia comanditada de certa sociedade em comandita simples, e João, sócio comanditário. Nessa hipótese, a razão social deve ser composta apenas com o nome de Lena, que possui responsabilidade solidária e ilimitada pelas obrigações sociais. Comentários Tracemos um esquema sobre o nome empresarial: 1)Firma individual Apenas empresário individual utiliza. 2) Apenas firma social Sociedade em Nome Coletivo, em Comandita Simples. 3) Apenas denominação Sociedades Anônimas, Cooperativas. 4) Denominação ou firma social Comandita por ações, Sociedades Limitadas. Já sabemos que a sociedade em comandita simples possui firma social. Sabemos também que, na firma social, os sócios utilizam seu nome para a formação do nome empresarial. Por exemplo: João Silva e Luís Silva Ltda (para sociedade limitada). Na firma social das comanditas simples, apenas o nome dos sócios comanditados poderão constar acrescido da expressão “e Cia”. É essa a conclusão à luz do art. 1.157 do CC: Art. 1.157. A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada operará sob firma, na qual somente os nomes daqueles poderão figurar, bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a expressão "e companhia" ou sua abreviatura. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 56 de 84 No nosso caso concreto, apenas Lena, como comanditada, poderá constar na firma social. João, na condição de comanditário, não transparecerá. Se por acaso, constasse o nome de João na razão social, haveria presunção de que se trata também de sócio comanditado, passando a responder solidária e ilimitadamente pelas obrigações do negócio. Gabarito Correto. 9) (CESPE/Auditor Fiscal da Receita Estadual do ES/2009) Na sociedade em nome coletivo, somente pessoas físicas podem fazer parte do quadro societário, e todos os sócios responderão solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. Comentários O item está correto, como já visto no art. 1.039. Gabarito Correto. 10) (CESPE/TJ SE/Juiz Substituto/2008) A administração das sociedades em comandita simples será exercida pelos sócios comanditários, os quais assumirão os riscos do empreendimento. Comentários Conforme exposto, a administração das sociedades em comandita simples incumbe aos comanditados. Portanto, item incorreto. Gabarito Errado. 11) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Todos os sócios de uma sociedade em comandita simples, seja qual for a categoria a que pertençam, respondem ilimitada e solidariamente com os próprios bens pelas obrigações sociais. Comentários Art. 1.045. Na sociedade em comandita simples tomam parte sócios de duas categorias: os comanditados, pessoas físicas, responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais; e os comanditários, obrigados somente pelo valor de sua quota. Os sócios comanditários têm responsabilidade limitada em relação às obrigações contraídas pela sociedade empresária, respondendo apenas pela Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 57 de 84 integralização das cotas subscritas. Contribuem apenas com o capital subscrito, não contribuindo de nenhuma outra forma para o funcionamento da empresa, ficando alheios, inclusive, da administração da mesma. Podem, todavia, exercer as atribuições de fiscalização. Já os sócios comanditados contribuem com capital e trabalho, além de serem responsáveis pela administração da empresa. Sua responsabilidade perante terceiros é ilimitada, devendo saldar as obrigações contraídas pela sociedade. IMPORTANTE! A firma ou razão social da sociedade somente pode conter nomes de sócios comanditados, sendo que a presença do nome de sócio comanditário faz presumi-lo comanditado, passando a responder de forma ilimitada. OS SÓCIOS COMANDITADOS DEVEM SER OBRIGATORIAMENTE PESSOAS FÍSICAS. GRAVEM!!! Sócios Comanditados Somente pessoas físicas (Responsabilidade ilimitada). Sócios Comanditários Pessoas físicas ou jurídicas (Responsabilidade limitada). O Código atribui aos comanditados as mesmas características concernentes aos sócios da sociedade em nome coletivo (CC, art. 1.046, parágrafo único). Gabarito Errado. 12) (Cespe/Juiz Substituto/TJ-SE/2008) As atuais sociedades em nome coletivo, cuja origem remonta à Idade Média, podem ser constituídas por pessoas físicas ou jurídicas, respondendo todos os sócios solidariamente pelas obrigações sociais. Comentários A sociedade em nome coletivo realmente provém da Idade Média. Sua origem se deu no meio familiar daquela época em que as pessoas se associavam para o exercício de suas atividades e o patrimônio da sociedade se confundia com dos membros da família. Todos respondiam pelas dívidas da sociedade. A segunda asserção na questão se encontra incorreta, posto que a sociedade em nome coletivo só pode ser constituída por pessoas físicas. Gabarito Errado. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 58 de 84 11.3 SOCIEDADES SIMPLES 13) (CESPE/TJ SE/Juiz Substituto/2008) É imprescindível o consentimento de todos os sócios quando da modificação das cláusulas do contrato social de sociedade simples que envolva matéria atinente à participação dos mesmos nos lucros da sociedade. Comentários O contrato social, obviamente, pode ser alterado pelos sócios. Essa modificação, contudo, tem um quórum mínimo para que seja realizada. Senão vejamos. Art. 999. As modificações do contrato social, que tenham por objeto matéria indicada no art. 997, dependem do consentimento de todos os sócios; as demais podem ser decididas por maioria absoluta de votos, se o contrato não determinar a necessidade de deliberação unânime. Parágrafo único. Qualquer modificação do contrato social será averbada, cumprindo-se as formalidades previstas no artigo antecedente. Portanto, se as modificações do contrato se referirem às matérias do artigo 997, devem ter o consentimento de todos os sócios. Ao revés, se não versarem, devem ter o consentimento da maioria absoluta dos votos. Frise-se que este quórum é expresso em termos de capital social, e não em número de sócios. E a participação nos lucros, consta do 997? Vamos ver? Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: VII - a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; Gabarito Correto. 14) (CESPE/Promotor/MPE/RR/2012) A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, o qual, além de cláusulas estipuladas pelas partes, deve conter denominação, objeto, sede e prazo da sociedade, com rol exaustivo, não havendo outras exigências para fins de registro. Comentários: Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 59 de 84 Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: II - denominação, objeto, sede e prazo da sociedade; O erro da questão está em mencionar que se trata de rol exaustivo. Existem outras exigências previstas no próprio artigo 997 que deverão constar do contrato social. Gabarito Errado. 15) (CESPE/Consultor da Câmara/CD/2014) Na sociedade simples, é possível a estipulação contratual que exclua determinado sócio de participar dos lucros e das perdas. Comentários Segundo o Código Civil: Art. 1.008. É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas. Gabarito Errado. 16) (CESPE/Juiz Federal/TRF 3ª região/2011) Assinale a opção correspondente a exemplo de sociedade simples.a) empresa limitada destinada ao comércio de alimentos aos consumidores. b) sociedade destinada ao exercício de profissão intelectual na forma de sociedade por ações. c) sociedade limitada destinada ao comércio de miudezas aos consumidores. d) sociedade cooperativa de produtores rurais. e) sociedade por ações destinada a atividades artísticas. Comentários Conforme já dissemos: Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. Portanto, a alternativa correta, de plano, é a letra d. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 60 de 84 As alternativas a e c trazem perfeito exemplo de sociedades que se enquadram no conceito de sociedades empresárias. Por seu turno, as sociedades listadas nas letras b e e são sociedades por ações. Portanto, independentemente de seu objeto serão empresárias. Gabarito D. 17) (CESPE/OAB 2009.1) A sociedade simples não possui personalidade jurídica, sendo desnecessária a inscrição do seu contrato social no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede. Comentários O item está incorreto. Segundo o artigo 998 do Código Civil: Nos trinta dias subseqüentes à sua constituição, a sociedade deverá requerer a inscrição do contrato social no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede. Dessa forma, a SS possui, sim, personalidade jurídica. Gabarito Errado. 18) (CESPE/Auditor do TCU/2007) Com relação aos tipos de sociedades, julgue os itens subseqüentes. Nas sociedades simples, o sócio admitido em sociedade já constituída responde pelo saldo das dívidas que os bens da sociedade não cobrirem, na proporção de sua participação das perdas sociais, salvo cláusula de responsabilidade solidária. Comentários O sócio, admitido em sociedade já constituída, não se exime das dívidas sociais anteriores à admissão (CC, art. 1.025). Se os bens da sociedade não lhe cobrirem as dívidas, respondem os sócios pelo saldo, na proporção em que participem das perdas sociais, salvo cláusula de responsabilidade solidária (CC, art. 1.023). Item, portanto, correto. Gabarito Correto. 19) (CESPE/Defensor Público-CE/2008) Considere que José e João sejam os únicos sócios da empresa MT Produtos e Serviços S/S. e que, em razão da quebra da affectio societatis, José tenha decidido se retirar da sociedade. Nesse caso, a falta de pluralidade de sócios, se não for reconstituída no prazo de 180 dias, acarretará a dissolução da MT Produtos e Serviços S/S. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 61 de 84 Comentários Art. 1.033. Dissolve-se a sociedade quando ocorrer: IV - a falta de pluralidade de sócios, não reconstituída no prazo de cento e oitenta dias; O item, portanto, está correto. Gabarito Correto. 11.4 SOCIEDADES LIMITADAS 20) (CESPE/Juiz de Direito/TJDFT/2014) Os administradores — diretores — da sociedade limitada podem ser sócios ou não, mas devem ser, sempre, designados no contrato social. Comentários Item incorreto. Segundo o Código Civil: Art. 1.060. A sociedade limitada é administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato social ou em ato separado. Parágrafo único. A administração atribuída no contrato a todos os sócios não se estende de pleno direito aos que posteriormente adquiram essa qualidade. Gabarito Errado. 21) (CESPE/Consultor da Câmara/CD/2014) Não pode o contrato social de sociedade limitada prever aplicação supletiva das regras da sociedade anônima, pois o Código Civil determina que eventuais lacunas sejam supridas mediante aplicação subsidiária das normas relativas às sociedades simples. Comentários Item incorreto. Segundo o Código Civil: Art. 1.053. A sociedade limitada rege-se, nas omissões deste Capítulo, pelas normas da sociedade simples. Parágrafo único. O contrato social poderá prever a regência supletiva da sociedade limitada pelas normas da sociedade anônima. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 62 de 84 Portanto, o item está incorreto. Gabarito Errado. 22) (CESPE/Juiz de Direito/TJDFT/2014) As deliberações dos sócios quanto à estratégia geral dos negócios da sociedade devem ser tomadas em reunião ou assembleia regularmente convocada e reduzidas a termo. Comentários Com a palavra, o professor Fábio Ulhoa Coelho: As deliberações dos sócios atinentes à estratégia geral dos negócios da sociedade (perfil da promoção de vendas natalinas, dispensa ou não de empregados graduados, redução de custos administrativos, busca de ampliação de mercado, política de marketing, etc.) não dependem de nenhuma forma especial. Os sócios se encontram, falam ao telefone, participam de reuniões com prestadores de serviços, transmitem orientações ao administrador ou empregados a decisão está tomada e encaminhada. São, muitas vezes, decisões importantíssimas para o desenvolvimento da empresa, mas não exige a lei nenhuma documentação ou registro específico. Revestem-se essas deliberações da forma oral. Gabarito Errado. 23) (CESPE/Juiz de Direito/TJDFT/2014) O capital, depois de integralizado, só poderá ser reduzido, com a correspondente modificação do contrato, na hipótese de mostrar-se excessivo em relação ao objeto da sociedade. Comentários Item incorreto. Segundo o Código Civil: Art. 1.082. Pode a sociedade reduzir o capital, mediante a correspondente modificação do contrato: I - depois de integralizado, se houver perdas irreparáveis; II - se excessivo em relação ao objeto da sociedade. Gabarito Errado. 24) (CESPE/Procurador/PGE/BA/2014) No que se refere ao direito societário, julgue o item que se segue. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 63 de 84 A administração de sociedade limitada atribuída no contrato a todos os sócios estende-se, de pleno direito, aos que posteriormente adquiram essa qualidade. Comentários O item está incorreto. Segundo o Código Civil: Art. 1.060. A sociedade limitada é administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato social ou em ato separado. Parágrafo único. A administração atribuída no contrato a todos os sócios não se estende de pleno direito aos que posteriormente adquiram essa qualidade. Gabarito Errado. 25) (CESPE/Procurador/PGE/BA/2014) No que se refere ao direito societário, julgue o item que se segue. Os administradores da sociedade limitada respondem com seu patrimônio por créditos decorrentes de obrigações tributárias, por fatos que praticarem com excesso de poder, infração à lei, contrato ou estatutos. Comentários Conforme dissemos na aula, segundo o artigo 135 do Código Tributário Nacional: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Pois bem! Esta é, pois, a jurisprudência predominante emnossos tribunais: a responsabilidade pessoal dos sócios só existirá caso o sócio haja com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Tributário. Agravo regimental em agravo de instrumento. Ofensa ao art. 135 do CTN. Responsabilidade tributária do sócio quotista. Jurisprudência consolidada pela primeira seção do STJ. CDA. Presunção relativa de certeza e liquidez. Redirecionamento. Cabimento. Inversão do ônus da prova. Artigo 543-C, do CPC. Resolução STJ 8/2008. Artigo 557, do CPC. Aplicação. ART. 135, III, CTN. Súmula nº 7/STJ. Violação Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 64 de 84 ao art. 535, CPC. Inocorrência. 1. A responsabilidade patrimonial secundária do sócio, na jurisprudência do e. STJ, funda-se na regra de que o redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sócio- gerente da empresa, somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa. [...] (AgRg no Agravo de Instrumento nº 1246998/BA (2009/0215149-7), 1ª Turma do STJ, Rel. Luiz Fux. j. 06.04.2010, unânime, DJe 22.04.2010). Gabarito Correto. 26) (CESPE/Juiz Federal/TRF 2ª região/2013) Supondo que faleça certo sócio de determinada sociedade limitada, a regra geral inserta no Código Civil será a da liquidação de suas cotas. Todavia, de acordo com excepcionalidades também insertas no Código Civil, essa regra será afastada se a) o sócio falecido deixar registrado em testamento seu desejo de não liquidação das suas cotas ou se o contrato dispuser diferentemente. b) o contrato dispuser diferentemente ou se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade. c) os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade ou se o sócio falecido tiver função de administração na sociedade. d) o sócio falecido tiver participação superior a 50% do capital social ou se o contrato dispuser diferentemente. e) o sócio falecido tiver função de administração na sociedade ou se ele tiver participação societária superior a 50% do capital social. Comentários Segundo o Código Civil: Art. 1.028. No caso de morte de sócio, liquidar-se-á sua quota, salvo: I - se o contrato dispuser diferentemente; II - se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade; III - se, por acordo com os herdeiros, regular-se a substituição do sócio falecido. Gabarito, portanto, letra b. Gabarito B. 27) (CESPE/Juiz Federal/TRF 3ª região/2013) Os dez sócios que detêm o capital social de determinada empresa limitada pretendem promover fusão com outra empresa. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 65 de 84 Nessa situação, em conformidade com o Código Civil, a) não há necessidade de reunião ou assembleia para a tomada de decisão, se todos os sócios decidirem por escrito. b) a decisão deve ser tomada em assembleia. c) a assembleia ou a reunião destinada à discussão do assunto só pode ser instalada com a presença de todos detentores do capital social. d) a assembleia ou a reunião destinada à deliberação sobre a matéria vincula os sócios que não estiverem presentes. e) a matéria pode ser deliberada pela diretoria, desde que com a presença de algum dos sócios. Comentários Segundo o Código Civil: Art. 1.071. Dependem da deliberação dos sócios, além de outras matérias indicadas na lei ou no contrato: VI - a incorporação, a fusão e a dissolução da sociedade, ou a cessação do estado de liquidação; Com efeito, a letra e, que assevera que a matéria pode ser deliberada pela diretoria, desde que com a presença de alguns sócios, está incorreta. Temos de lembrar, ainda, que a assembleia somente é obrigatória quando o número de sócios da limitada é maior do que 10. Neste caso, temos exatamente 10, cabendo, perfeitamente, a reunião. Art. 1.010. Quando, por lei ou pelo contrato social, competir aos sócios decidir sobre os negócios da sociedade, as deliberações serão tomadas por maioria de votos, contados segundo o valor das quotas de cada um. Art. 1.072. As deliberações dos sócios, obedecido o disposto no art. 1.010, serão tomadas em reunião ou em assembléia, conforme previsto no contrato social, devendo ser convocadas pelos administradores nos casos previstos em lei ou no contrato. § 1o A deliberação em assembleia será obrigatória se o número dos sócios for superior a dez. § 2o Dispensam-se as formalidades de convocação previstas no § 3o do art. 1.152, quando todos os sócios comparecerem ou se declararem, por escrito, cientes do local, data, hora e ordem do dia. § 3o A reunião ou a assembleia tornam-se dispensáveis quando todos os sócios decidirem, por escrito, sobre a matéria que seria objeto delas. § 5o As deliberações tomadas de conformidade com a lei e o contrato vinculam todos os sócios, ainda que ausentes ou dissidentes. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 66 de 84 Vê-se, com base nos dispositivos supra, que: 1 – A letra b está incorreta, já que perfeitamente possível que a decisão se dê por reunião. 2 – A letra a é nosso gabarito, uma vez que, com fulcro no artigo 1.010, §3º, a reunião ou a assembleia tornam-se dispensáveis quando todos os sócios decidirem, por escrito, sobre a matéria que seria objeto delas. 3 – A letra d aparentemente, de acordo com o artigo 1.072, §5º, estaria correta. Entrementes, conforme dispõe o códex: Art. 1.077. Quando houver modificação do contrato, fusão da sociedade, incorporação de outra, ou dela por outra, terá o sócio que dissentiu o direito de retirar-se da sociedade, nos trinta dias subseqüentes à reunião, aplicando-se, no silêncio do contrato social antes vigente, o disposto no art. 1.031. A letra c, por seu turno, está incorreta, já que: Art. 1.074. A assembléia dos sócios instala-se com a presença, em primeira convocação, de titulares de no mínimo três quartos do capital social, e, em segunda, com qualquer número. Gabarito A. 28) (CESPE/Promotor/MPE/RR/2012) Não desfigura a sociedade simples o fato de o contrato social prever distribuição de lucros, rateio de despesas e concurso de auxiliares, considerando-se da essência do contrato de sociedade a partilha do risco entre os sócios. Comentários A resposta para este item se encontra no artigo 1.007 do Código Civil: Art. 1.007. Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. Gabarito Correto. 29) (CESPE/Analista Judiciário/STJ/2012) Uma sociedade limitada pode ser regida pela Lei das Sociedades por Ações, desde que seu contrato social assim preveja; nesse caso, a Lei será aplicada quando houver necessidade de suprir lacuna deixada pelo regime do Código Civil. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 67 de 84 Comentários O item está correto. Com fulcro no Código Civil: Art. 1.053. A sociedade limitada rege-se, nas omissões deste Capítulo, pelas normas da sociedade simples. Parágrafo único. O contrato social poderá prever a regência supletiva da sociedade limitada pelas normas da sociedade anônima. Gabarito Correto. 30) (CESPE/Banco da Amazônia/Direito/2012) As administraçõesdas sociedades limitadas e das sociedades em comandita por ações podem ser exercidas por sócios, acionistas ou não. Os sócios administradores são subsidiariamente responsáveis em relação à sociedade. Comentários O item está incorreto. Nas sociedades limitadas é possível a administração por não sócios. Como dispõe o artigo 1.061: Art. 1.061. A designação de administradores não sócios dependerá de aprovação da unanimidade dos sócios, enquanto o capital não estiver integralizado, e de 2/3 (dois terços), no mínimo, após a integralização. Já que atine à sociedade em comandita por ações: Art. 1.091. Somente o acionista tem qualidade para administrar a sociedade e, como diretor, responde subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações da sociedade. Gabarito Errado. 31) (CESPE/Advocacia/EBC/2011) Caso três irmãos se reúnam e constituam a sociedade KLM Serviços Gerais Ltda., o contrato social poderá prever a regência supletiva da referida sociedade limitada pelas normas da sociedade anônima. Comentários Questão semelhante à anterior, gabarito correto. Gabarito Correto. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 68 de 84 32) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Na sociedade por cotas de responsabilidade limitada, tendo em vista a sua natureza eminentemente de sociedade de pessoas, caso haja omissão do contrato social, o sócio não pode ceder sua respectiva cota, total ou parcialmente, a quem já seja sócio. Comentário Com fulcro no Código Civil: Art. 1.057. Na omissão do contrato, o sócio pode ceder sua quota, total ou parcialmente, a quem seja sócio, independentemente de audiência dos outros, ou a estranho, se não houver oposição de titulares de mais de um quarto do capital social. Veja que a cessão de quotas pode ser feita a sócios, independentemente da anuência. Contudo, se houver um estranho (um não-sócio) ao quadro societário a doação não poderá ser resistida por mais de um quarto do capital social. Gabarito Errado. 33) (CESPE/Juiz Federal Substituto/TRF 5ª/2009) Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio restringe-se ao valor de suas quotas, mas há solidariedade pela integralização do capital social. Comentários A responsabilidade do sócio nas LTDAs é restrita ao valor de suas quotas, porém, os sócios respondem solidariamente pela integralização do capital social. Esse item também é campeão de cobranças! Levem para a prova. ART. 1.052. NA SOCIEDADE LIMITADA, A RESPONSABILIDADE DE CADA SÓCIO É RESTRITA AO VALOR DE SUAS QUOTAS, MAS TODOS RESPONDEM SOLIDARIAMENTE PELA INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL SOCIAL. Ou seja, um fornecedor da empresa que não recebeu seus créditos poderá, após executado o patrimônio social e não verificada a integralização completa deste, executar qualquer dos sócios para responder às dívidas até o limite faltante para a integralização completa do capital, havendo, ulteriormente, direito a regresso contra o sócio remisso. Cada sócio responde pelo valor de sua quota e todos terão responsabilidade solidária pela integralização do capital social. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 69 de 84 Gabarito Correto. 34) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Tal como na disciplina das sociedades anônimas, na constituição das sociedades por cotas de responsabilidade limitada, é obrigatória a instituição do conselho fiscal, composto por três ou mais membros e respectivos suplentes. Comentários O item está incorreto. Grave-se: o Conselho Fiscal é um órgão colegiado, criado para se acompanhar e fiscalizar, de perto, a gestão da atividade. As sociedades limitadas PODEM possuir conselho fiscal, composto por três ou mais membros, sócios ou não, residentes no país (CC, art. 1.066). Já nas sociedades por ações é obrigatória a existência de Conselho Fiscal, conforme determina o artigo 161 da Lei 6.404/76. Para a prova: O conselho fiscal possui atribuições previstas no artigo 1.069 do CC. Senão vejamos. Art. 1.069. Além de outras atribuições determinadas na lei ou no contrato social, aos membros do conselho fiscal incumbem, individual ou conjuntamente, os deveres seguintes: I - examinar, pelo menos trimestralmente, os livros e papéis da sociedade e o estado da caixa e da carteira, devendo os administradores ou liquidantes prestar-lhes as informações solicitadas; II - lavrar no livro de atas e pareceres do conselho fiscal o resultado dos exames referidos no inciso I deste artigo; III - exarar no mesmo livro e apresentar à assembléia anual dos sócios parecer sobre os negócios e as operações sociais do exercício em que servirem, tomando por base o balanço patrimonial e o de resultado econômico; Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 70 de 84 IV - denunciar os erros, fraudes ou crimes que descobrirem, sugerindo providências úteis à sociedade; V - convocar a assembléia dos sócios se a diretoria retardar por mais de trinta dias a sua convocação anual, ou sempre que ocorram motivos graves e urgentes; VI - praticar, durante o período da liquidação da sociedade, os atos a que se refere este artigo, tendo em vista as disposições especiais reguladoras da liquidação. É assegurado aos sócios minoritários, que representarem pelo menos um quinto do capital social, o direito de eleger, separadamente, um dos membros do conselho fiscal e o respectivo suplente (CC, art. 1.066, §2º). Gabarito Errado. 35) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Tanto nas sociedades por cotas de responsabilidade limitada quanto nas sociedades por ações, será nula a previsão do contrato social que exclua qualquer um dos sócios da participação no lucro social. Comentários Nenhum sócio pode ser excluído de participar dos lucros, ou seja, é vedada a chamada cláusula leonina. Gabarito Correto. 36) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) O nome empresarial a ser adotado nas sociedades por cotas de responsabilidade limitada deve ser, necessariamente, a denominação. Comentários O item está incorreto. Segundo o Código Civil: Art. 1.158. Pode a sociedade limitada adotar firma ou denominação, integradas pela palavra final "limitada" ou a sua abreviatura. Gabarito Errado. 37) (CESPE/Procurador do Estado/PGE AL/2009) Marcos, Pedro e Rodrigo constituíram sociedade limitada para explorar o comércio de compra e venda de produtos hospitalares. No contrato social, consta que o capital social representa R$ 30 mil, sendo dividido em 120 quotas de R$ 250 cada. Os sócios Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 71 de 84 subscreveram e integralizaram cada um 40 quotas. Ficou constando do contrato, também, que poderá ser designado administrador não-sócio e que a sociedade será regida pelas normas do Código Civil. Sobre essa situação, é correto afirmar que Pedro somente poderá ceder parte das suas quotas a Rodrigo com a prévia audiência de Marcos, haja vista tratar-se de sociedade limitada. Comentários Com fulcro no Código Civil: Art. 1.057. Na omissão do contrato, o sócio pode ceder sua quota, total ou parcialmente, a quem seja sócio, independentemente de audiência dos outros, ou a estranho, se não houver oposição de titulares de mais de um quarto do capital social. Veja que a cessão de quotas podea 1.092; a sociedade simples pode constituir-se de Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 3 de 84 conformidade com um desses tipos, e, não o fazendo, subordina-se às normas que lhe são próprias. Sociedade por ação Sempre empresária. Sociedade cooperativa Sempre simples. O que nos interessa, agora, é o estudo do artigo 983. Basicamente temos o seguinte. A sociedade simples tem objeto não empresarial. Além disso, tem um regramento, uma forma estatuída no Código Civil, que lhe é própria. Todavia, se ela não quiser adotar a forma de sociedade simples pura, poderá se constituir com a forma de um outro tipo societário. Por exemplo, dois médicos se reunem para constituir uma sociedade simples, mas querem limitar a responsabilidade a responsabilidade pelos atos sociais. Nesta hipótese, o objeto é simples, mas a sociedade poderá adotar a forma de sociedade limitada. Ok? Essa regra vale para os seguintes tipos societários: sociedade em nome coletivo, sociedade em comandita simples, sociedade limitada. As sociedades cooperativas são sempre simples e as por ações são sempre empresárias. 2.1 REQUISITOS COMUNS PARA CONSTITUIÇÃO DAS SOCIEDADES A doutrina prega que são requisitos comuns para a constituição de uma sociedade: Requisitos comuns para a constituição de uma sociedade: - Agente capaz, - Objeto lícito, possível, determinado ou determinável, - Forma prescrita ou não defesa em lei. Não há uma definição legal sobre o que vem a ser objeto lícito, possível, determinado ou determinável. A Lei 8.934/94 dispõe: Art. 35. Não podem ser arquivados: I - os documentos que não obedecerem às prescrições legais ou regulamentares ou que contiverem matéria contrária aos bons costumes ou à ordem pública, bem como os que colidirem com o respectivo estatuto ou contrato não modificado anteriormente; Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 4 de 84 Ademais, sobre a forma, o contrato ou estatuto deve ser escrito (pois deve ser registrado, solene (distinta de outros documentos) e plural (pois não há forma estabelecida por lei). Ademais, é imprescindível aos diversos tipos societários: - Affectio societatis: é a disposição dos sócios em contrair uma sociedade. - Pluralidade de sócios: As sociedades são compostas por no mínimo dois sócios. Não existe sociedade com apenas um sócio. Esta situação, se existir, é excepcional ou transitória. São exceções à regra de pluralidade de sócios: subsidiária integral (único acionista é sociedade brasileira), empresa pública formada exclusivamente por recursos públicos do ente criador, sociedade em que se perde a pluralidade, devendo esta condição ser reconstituída em 180 dias, sociedade por ações em que sobra um único acionista, permanecendo assim até, no máximo, o ano seguinte ao da assembléia que verificou. - Constituição de capital social: todos os tipos societários possuem capital social, que é o montante aportado pelo sócio para ingressar no quadro societário. - Participação nos lucros e perdas: é nula a cláusula que exclua sócio de participar dos lucros ou das perdas (Código Civil, artigo 1.008) 3 SOCIEDADES PERSONIFICADAS Passaremos a falar agora sobre as sociedades personificadas. Começando pelos tipos societários mais simples. 4 ASPECTOS COMUNS À SOCIEDADE EM NOME COLETIVO E ÀS SOCIEDADES EM COMANDITA SIMPLES Prezados alunos, antes de iniciarmos os estudos acerca das sociedades ditas contratuais, existem basicamente quatro tipos societários constituítos por contrato, a saber: sociedade em comandita simples, sociedade em nome coletivo, sociedade em conta de participação e sociedade limitada. A sociedade em conta de participação já fora vista na aula passada. De igual sorte, estudaremos as sociedades limitadas adiante. Concentremo-nos nas sociedades em nome coletivo e nas sociedades em comandita simples. Há regras gerais extraídas do Código Civil que servem para subsidiar a existências de ambos os tipos societários. Gravemos: Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 5 de 84 - São sociedades de pessoas, isto implica dizer que a cessão de cota social condiciona-se à concordância dos demais sócios. - O nome empresarial deve ser formado por firma social, em que somente poderá transparecer nome dos sócios com responsabilidade ilimitada. Se determinado sócio possui responsabilidade limitada (no caso da sociedade em comandita simples), e oferece o nome à composição da firma, passará a responder ilimitadamente pelas obrigações sociais. - Somente sócios com responsabilidade ilimitada poderão administrar a sociedade, inexistindo a possibilidade de uma pessoa jurídica ser sócia de sociedade em nome coletivo ou sócia comanditada em sociedade. Anote-se que ambos os tipos societários se encontram em desuso na economia brasileira. 5 SOCIEDADE EM NOME COLETIVO Como de praxe, passemos às disposições do Código Civil sobre a sociedade em nome coletivo... Capítulo II - Da Sociedade em Nome Coletivo Art. 1.039. Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em nome coletivo, respondendo todos os sócios, solidária e ilimitadamente, pelas obrigações sociais. Parágrafo único. Sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, podem os sócios, no ato constitutivo, ou por unânime convenção posterior, limitar entre si a responsabilidade de cada um. Art. 1.040. A sociedade em nome coletivo se rege pelas normas deste Capítulo e, no que seja omisso, pelas do Capítulo antecedente. Art. 1.041. O contrato deve mencionar, além das indicações referidas no art. 997, a firma social. Art. 1.042. A administração da sociedade compete exclusivamente a sócios, sendo o uso da firma, nos limites do contrato, privativo dos que tenham os necessários poderes. Art. 1.043. O credor particular de sócio não pode, antes de dissolver-se a sociedade, pretender a liquidação da quota do devedor. Parágrafo único. Poderá fazê-lo quando: I - a sociedade houver sido prorrogada tacitamente; Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 6 de 84 II - tendo ocorrido prorrogação contratual, for acolhida judicialmente oposição do credor, levantada no prazo de noventa dias, contado da publicação do ato dilatório. Art. 1.044. A sociedade se dissolve de pleno direito por qualquer das causas enumeradas no art. 1.033 e, se empresária, também pela declaração da falência. A principal característica da sociedade em nome coletivo é a responsabilidade ilimitada dos sócios que a compõem. Explique-se melhor este ponto. Primeiro, a responsabilidade sobre os sócios recai, obviamente, somente depois de esgotados os meios de cobrança do capital social, isto é, do patrimônio social. Segundo, o contrato social pode, por convenção unânime (segundo o artigo 1.039, parágrafo único) limitar a responsabilidade de cada um. Essa limitação, contudo, só será válida para a relação entre os sócios. Os sócios continuarão a responder ilimitadamente perante terceiros, sendo que a limitação da responsabilidade será apurada em eventual ação de regresso. Essa é a inteligência do artigo 1.039 do Código Civil, que passamos: Art. 1.039. Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em nome coletivo, respondendo todos os sócios, solidária e ilimitadamente, pelas obrigações sociais. Parágrafoser feita a sócios, independentemente da anuência. Contudo, se houver um estranho (um não-sócio) ao quadro societário a doação não poderá ser resistida por mais de um quarto do capital social. Gabarito Errado. 38) (CESPE/Procurador do Estado/PGE AL/2009) Marcos, Pedro e Rodrigo constituíram sociedade limitada para explorar o comércio de compra e venda de produtos hospitalares. No contrato social, consta que o capital social representa R$ 30 mil, sendo dividido em 120 quotas de R$ 250 cada. Os sócios subscreveram e integralizaram cada um 40 quotas. Ficou constando do contrato, também, que poderá ser designado administrador não-sócio e que a sociedade será regida pelas normas do Código Civil. Sobre essa situação, é correto afirmar que haja vista as regras de regência da sociedade constituída, não há lugar para a aplicação da teoria ultra vires. Comentários Sendo o contrato social silente, os administradores podem praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade, salvo a venda ou a oneração de imóveis, haja vista que dependem da decisão da maioria dos sócios, exceto, neste caso, se a operação com imóveis constituir o próprio objeto da sociedade (art. 1.015). Pois bem, se os administradores agirem com excesso de poderes, a sociedade pode opor esse argumento a terceiros que a acionem para se ressarcirem de eventuais danos, de modo a se eximir de indenizar os prejudicados. Haverá, assim, responsabilidade pessoal do administrador. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 72 de 84 Todavia, para que essa teoria ultra vires ocorra, a sociedade deve provar a ocorrência de pelo menos uma das seguintes hipóteses, previstas no artigo 1.015, par. único do CC: - Que a limitação de poderes do administrador estava inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade, situação em que os terceiros não poderão alegar desconhecimento da exata extensão dos poderes do administrador; - Que foi provado que os terceiros conheciam a limitação de poderes, ainda que não averbada; ou - Que a transação entre os terceiros e a sociedade configurava operação nitidamente estranha aos negócios da sociedade. Gabarito Errado. 39) (CESPE/Procurador do Estado/PGE AL/2009) Marcos, Pedro e Rodrigo constituíram sociedade limitada para explorar o comércio de compra e venda de produtos hospitalares. No contrato social, consta que o capital social representa R$ 30 mil, sendo dividido em 120 quotas de R$ 250 cada. Os sócios subscreveram e integralizaram cada um 40 quotas. Ficou constando do contrato, também, que poderá ser designado administrador não-sócio e que a sociedade será regida pelas normas do Código Civil. Sobre essa situação, é correto afirmar que se, após inscrição do contrato social no órgão competente, Jorge tiver sido nomeado administrador da sociedade, ele será pessoal e solidariamente responsável com a sociedade pelos atos praticados antes de requerer a averbação do instrumento de nomeação à margem da inscrição da sociedade. Comentários Segundo o Código Civil: Art. 1.012. O administrador, nomeado por instrumento em separado, deve averbá-lo à margem da inscrição da sociedade, e, pelos atos que praticar, antes de requerer a averbação, responde pessoal e solidariamente com a sociedade. Gabarito Correto. 40) (CESPE/TJ SE/Juiz Substituto/2008) Considere que um advogado tenha sido contratado para elaborar contrato social para constituição de sociedade limitada composta por 11 sócios e que, entre as diversas cláusulas contratuais, esse advogado tenha incluído as disposições transcritas nas opções a seguir. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 73 de 84 “Com base na legislação de regência, é cláusula contratual lícita o sócio que possuir número de quotas sociais em valor equivalente a menos de 1% do capital social integralizado não participará dos lucros e das perdas”. Agiu o advogado de maneira correta. Comentários Segundo o Código Civil: Art. 1.008. É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas. Gabarito Errado. 41) (CESPE/TJ SE/Juiz Substituto/2008) Considere que um advogado tenha sido contratado para elaborar contrato social para constituição de sociedade limitada composta por 11 sócios e que, entre as diversas cláusulas contratuais, esse advogado tenha incluído as disposições transcritas nas opções a seguir. “Com base na legislação de regência, é cláusula contratual lícita as obrigações dos sócios começam 60 dias após a assinatura do presente contrato social”. Agiu o advogado de maneira correta. Comentários O item está correto. Segundo o Código Civil: Art. 1.001. As obrigações dos sócios começam imediatamente com o contrato, se este não fixar outra data, e terminam quando, liquidada a sociedade, se extinguirem as responsabilidades sociais. Gabarito Correto. 42) (CESPE/TJ SE/Juiz Substituto/2008) Considere que um advogado tenha sido contratado para elaborar contrato social para constituição de sociedade limitada composta por 11 sócios e que, entre as diversas cláusulas contratuais, esse advogado tenha incluído as disposições transcritas nas opções a seguir. “Com base na legislação de regência, enquanto não integralizado o capital, poderá ser designado, em assembléia, administrador não-sócio, mediante aprovação da maioria absoluta dos sócios”. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 74 de 84 Agiu o advogado de maneira correta. Comentários Segundo o Código Civil: Art. 1.061. A designação de administradores não sócios dependerá de aprovação da unanimidade dos sócios, enquanto o capital não estiver integralizado, e de 2/3 (dois terços), no mínimo, após a integralização. Gabarito Errado. 43) (CESPE/TJ SE/Juiz Substituto/2008) Considere que um advogado tenha sido contratado para elaborar contrato social para constituição de sociedade limitada composta por 11 sócios e que, entre as diversas cláusulas contratuais, esse advogado tenha incluído as disposições transcritas nas opções a seguir. “Com base na legislação de regência, as deliberações dos sócios serão tomadas em reunião simples, ressalvados os casos previstos no contrato social em que for necessária a deliberação por assembléia”. Agiu o advogado de maneira correta. Comentários Em regra, as decisões da empresa são tomadas por seu administrador ou por seus administradores. Para decidir sobre a compra de uma matéria-prima, contratação de um pedreiro, etc. não há necessidade de reunião entre os sócios. Todavia, algumas matérias a lei dedicou à deliberação social, sem prejuízo de outras que estejam previstas no contrato social, são elas: Art. 1.071. Dependem da deliberação dos sócios, além de outras matérias indicadas na lei ou no contrato: I - a aprovação das contas da administração; II - a designação dos administradores, quando feita em ato separado; III - a destituição dos administradores; IV - o modo de sua remuneração, quando não estabelecido no contrato; V - a modificação do contrato social; VI - a incorporação, a fusão e a dissolução da sociedade, ou a cessação do estado de liquidação; VII - a nomeação e destituição dos liquidantes e o julgamento das suas contas; Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 75 de 84 VIII - o pedidode concordata (Substituída pela recuperação judicial). Essas deliberações são tomadas por assembléia de sócios. Porém, nas limitadas com menos de 10 sócios, podemos substituí-la pela chamada reunião de sócios. A diferença entre uma e outra encontra-se no rito. A assembléia está prevista no próprio Código, enquanto que a reunião segue rito previsto no próprio contrato social. A reunião ou a assembléia tornam-se dispensáveis quando todos os sócios decidirem, por escrito, sobre a matéria que seria objeto delas (CC, art. 1.072, §3º). Portanto, no caso em tela, as decisões só poderão ser tomadas por assembleia. Gabarito Errado. 11.5 COOPERATIVAS 44) (CESPE/OAB SP/2009) São consideradas mutualísticas as cooperativas. Comentários Cooperativas possuem natureza mutualística, haja vista serem fundadas em ajuda mútua. As cooperativas possuem fim social. Gabarito Correto. 11.6 SOCIEDADES ESTRANGEIRAS 45) (CESPE/Consultor da Câmara/CD/2014) Para funcionar no Brasil ou ser titular de quotas ou ações de sociedade brasileira, a sociedade empresária constituída no exterior deve receber autorização do Poder Executivo. Comentários Segundo o Código Civil: Art. 1.134. A sociedade estrangeira, qualquer que seja o seu objeto, não pode, sem autorização do Poder Executivo, funcionar no País, ainda que por estabelecimentos subordinados, podendo, todavia, ressalvados os casos expressos em lei, ser acionista de sociedade anônima brasileira. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 76 de 84 Portanto, a sociedade estrangeira pode ser acionista de sociedade anônima brasileira. Gabarito Errado. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 77 de 84 12 QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA 1) (CESPE/Consultor da Câmara/CD/2014) Toda sociedade é uma pessoa jurídica, mas nem toda pessoa jurídica é uma sociedade. 2) (CESPE/OAB/2009) A respeito da classificação das sociedades em simples e empresárias, bem como da relação prevista em lei entre os tipos societários pertencentes a cada um desses grupos, é correto afirmar que as regras legais relativas à sociedade simples a) são subsidiárias a todos os tipos societários. b) aplicar-se-ão à sociedade limitada se o respectivo contrato social não estabelecer a regência supletiva das normas sobre sociedade anônima. c) são subsidiárias apenas à sociedade em nome coletivo e à sociedade em comandita simples. d) são subsidiárias às da sociedade cooperativa, e as regras relativas à sociedade limitada são subsidiárias às demais sociedades empresárias, especialmente a sociedade anônima. 3) (CESPE/Defensor Público Federal/2015) Acerca da responsabilidade dos sócios, da sociedade em comum e da desconsideração da pessoa jurídica, julgue o próximo item. Os sócios de sociedade em nome coletivo devem ser pessoas físicas e podem, sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, limitar entre si a responsabilidade de cada um. 4) (CESPE/Consultor da Câmara/CD/2014) À sociedade em comandita simples, na qual tomam parte, conforme discriminação em contrato, sócios de duas categorias, os comanditados e os comanditários, aplicam-se as normas referentes à sociedade em nome coletivo, no que forem compatíveis com as normas específicas da sociedade em comandita simples. 5) (CESPE/Consultor da Câmara/CD/2014) O capital social é o conjunto de bens e direitos de titularidade da sociedade empresária. 6) (CESPE/Consultor da Câmara/CD/2014) O credor da sociedade tem como garantia a participação societária, ou seja, as quotas ou ações representativas do capital social. 7) (CESPE/OAB/2009) Nas sociedades em nome coletivo, a) os sócios podem ser pessoas físicas ou jurídicas. b) o falecimento de sócio implica a liquidação das quotas do falecido, caso o contrato social seja omisso a tal respeito. c) a administração pode competir a sócio ou a terceiro designado pelos sócios. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 78 de 84 d) os sócios respondem, de forma subsidiária e limitada à integralização de suas quotas, pelas obrigações sociais. 8) (Cespe/Advogado Geral da União/2009) Considere que Lena seja sócia comanditada de certa sociedade em comandita simples, e João, sócio comanditário. Nessa hipótese, a razão social deve ser composta apenas com o nome de Lena, que possui responsabilidade solidária e ilimitada pelas obrigações sociais. 9) (CESPE/Auditor Fiscal da Receita Estadual do ES/2009) Na sociedade em nome coletivo, somente pessoas físicas podem fazer parte do quadro societário, e todos os sócios responderão solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. 10) (CESPE/TJ SE/Juiz Substituto/2008) A administração das sociedades em comandita simples será exercida pelos sócios comanditários, os quais assumirão os riscos do empreendimento. 11) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Todos os sócios de uma sociedade em comandita simples, seja qual for a categoria a que pertençam, respondem ilimitada e solidariamente com os próprios bens pelas obrigações sociais. 12) (Cespe/Juiz Substituto/TJ-SE/2008) As atuais sociedades em nome coletivo, cuja origem remonta à Idade Média, podem ser constituídas por pessoas físicas ou jurídicas, respondendo todos os sócios solidariamente pelas obrigações sociais. 13) (CESPE/TJ SE/Juiz Substituto/2008) É imprescindível o consentimento de todos os sócios quando da modificação das cláusulas do contrato social de sociedade simples que envolva matéria atinente à participação dos mesmos nos lucros da sociedade. 14) (CESPE/Promotor/MPE/RR/2012) A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, o qual, além de cláusulas estipuladas pelas partes, deve conter denominação, objeto, sede e prazo da sociedade, com rol exaustivo, não havendo outras exigências para fins de registro. 15) (CESPE/Consultor da Câmara/CD/2014) Na sociedade simples, é possível a estipulação contratual que exclua determinado sócio de participar dos lucros e das perdas. 16) (CESPE/Juiz Federal/TRF 3ª região/2011) Assinale a opção correspondente a exemplo de sociedade simples. a) empresa limitada destinada ao comércio de alimentos aos consumidores. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 79 de 84 b) sociedade destinada ao exercício de profissão intelectual na forma de sociedade por ações. c) sociedade limitada destinada ao comércio de miudezas aos consumidores. d) sociedade cooperativa de produtores rurais. e) sociedade por ações destinada a atividades artísticas. 17) (CESPE/OAB 2009.1) A sociedade simples não possui personalidade jurídica, sendo desnecessária a inscrição do seu contrato social no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede. 18) (CESPE/Auditor do TCU/2007) Com relação aos tipos de sociedades, julgue os itens subseqüentes. Nas sociedades simples, o sócio admitido em sociedade já constituída responde pelo saldo das dívidas que os bens da sociedade não cobrirem, na proporção de sua participação das perdas sociais, salvo cláusula de responsabilidade solidária. 19) (CESPE/Defensor Público-CE/2008) Considere que José e João sejam os únicos sócios da empresa MT Produtos e Serviços S/S. e que, em razão da quebra da affectio societatis, José tenha decidido se retirar da sociedade. Nesse caso, a falta de pluralidadede sócios, se não for reconstituída no prazo de 180 dias, acarretará a dissolução da MT Produtos e Serviços S/S. 20) (CESPE/Juiz de Direito/TJDFT/2014) Os administradores — diretores — da sociedade limitada podem ser sócios ou não, mas devem ser, sempre, designados no contrato social. 21) (CESPE/Consultor da Câmara/CD/2014) Não pode o contrato social de sociedade limitada prever aplicação supletiva das regras da sociedade anônima, pois o Código Civil determina que eventuais lacunas sejam supridas mediante aplicação subsidiária das normas relativas às sociedades simples. 22) (CESPE/Juiz de Direito/TJDFT/2014) As deliberações dos sócios quanto à estratégia geral dos negócios da sociedade devem ser tomadas em reunião ou assembleia regularmente convocada e reduzidas a termo. 23) (CESPE/Juiz de Direito/TJDFT/2014) O capital, depois de integralizado, só poderá ser reduzido, com a correspondente modificação do contrato, na hipótese de mostrar-se excessivo em relação ao objeto da sociedade. 24) (CESPE/Procurador/PGE/BA/2014) No que se refere ao direito societário, julgue o item que se segue. A administração de sociedade limitada atribuída no contrato a todos os sócios estende-se, de pleno direito, aos que posteriormente adquiram essa qualidade. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 80 de 84 25) (CESPE/Procurador/PGE/BA/2014) No que se refere ao direito societário, julgue o item que se segue. Os administradores da sociedade limitada respondem com seu patrimônio por créditos decorrentes de obrigações tributárias, por fatos que praticarem com excesso de poder, infração à lei, contrato ou estatutos. 26) (CESPE/Juiz Federal/TRF 2ª região/2013) Supondo que faleça certo sócio de determinada sociedade limitada, a regra geral inserta no Código Civil será a da liquidação de suas cotas. Todavia, de acordo com excepcionalidades também insertas no Código Civil, essa regra será afastada se a) o sócio falecido deixar registrado em testamento seu desejo de não liquidação das suas cotas ou se o contrato dispuser diferentemente. b) o contrato dispuser diferentemente ou se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade. c) os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade ou se o sócio falecido tiver função de administração na sociedade. d) o sócio falecido tiver participação superior a 50% do capital social ou se o contrato dispuser diferentemente. e) o sócio falecido tiver função de administração na sociedade ou se ele tiver participação societária superior a 50% do capital social. 27) (CESPE/Juiz Federal/TRF 3ª região/2013) Os dez sócios que detêm o capital social de determinada empresa limitada pretendem promover fusão com outra empresa. Nessa situação, em conformidade com o Código Civil, a) não há necessidade de reunião ou assembleia para a tomada de decisão, se todos os sócios decidirem por escrito. b) a decisão deve ser tomada em assembleia. c) a assembleia ou a reunião destinada à discussão do assunto só pode ser instalada com a presença de todos detentores do capital social. d) a assembleia ou a reunião destinada à deliberação sobre a matéria vincula os sócios que não estiverem presentes. e) a matéria pode ser deliberada pela diretoria, desde que com a presença de algum dos sócios. 28) (CESPE/Promotor/MPE/RR/2012) Não desfigura a sociedade simples o fato de o contrato social prever distribuição de lucros, rateio de despesas e concurso de auxiliares, considerando-se da essência do contrato de sociedade a partilha do risco entre os sócios. 29) (CESPE/Analista Judiciário/STJ/2012) Uma sociedade limitada pode ser regida pela Lei das Sociedades por Ações, desde que seu contrato social Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 81 de 84 assim preveja; nesse caso, a Lei será aplicada quando houver necessidade de suprir lacuna deixada pelo regime do Código Civil. 30) (CESPE/Banco da Amazônia/Direito/2012) As administrações das sociedades limitadas e das sociedades em comandita por ações podem ser exercidas por sócios, acionistas ou não. Os sócios administradores são subsidiariamente responsáveis em relação à sociedade. 31) (CESPE/Advocacia/EBC/2011) Caso três irmãos se reúnam e constituam a sociedade KLM Serviços Gerais Ltda., o contrato social poderá prever a regência supletiva da referida sociedade limitada pelas normas da sociedade anônima. 32) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Na sociedade por cotas de responsabilidade limitada, tendo em vista a sua natureza eminentemente de sociedade de pessoas, caso haja omissão do contrato social, o sócio não pode ceder sua respectiva cota, total ou parcialmente, a quem já seja sócio. 33) (CESPE/Juiz Federal Substituto/TRF 5ª/2009) Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio restringe-se ao valor de suas quotas, mas há solidariedade pela integralização do capital social. 34) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Tal como na disciplina das sociedades anônimas, na constituição das sociedades por cotas de responsabilidade limitada, é obrigatória a instituição do conselho fiscal, composto por três ou mais membros e respectivos suplentes. 35) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) Tanto nas sociedades por cotas de responsabilidade limitada quanto nas sociedades por ações, será nula a previsão do contrato social que exclua qualquer um dos sócios da participação no lucro social. 36) (CESPE/Analista de Controle Externo/TCE AC/2009) O nome empresarial a ser adotado nas sociedades por cotas de responsabilidade limitada deve ser, necessariamente, a denominação. 37) (CESPE/Procurador do Estado/PGE AL/2009) Marcos, Pedro e Rodrigo constituíram sociedade limitada para explorar o comércio de compra e venda de produtos hospitalares. No contrato social, consta que o capital social representa R$ 30 mil, sendo dividido em 120 quotas de R$ 250 cada. Os sócios subscreveram e integralizaram cada um 40 quotas. Ficou constando do contrato, também, que poderá ser designado administrador não-sócio e que a sociedade será regida pelas normas do Código Civil. Sobre essa situação, é correto afirmar que Pedro somente poderá ceder parte das suas quotas a Rodrigo com a prévia audiência de Marcos, haja vista tratar-se de sociedade limitada. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 82 de 84 38) (CESPE/Procurador do Estado/PGE AL/2009) Marcos, Pedro e Rodrigo constituíram sociedade limitada para explorar o comércio de compra e venda de produtos hospitalares. No contrato social, consta que o capital social representa R$ 30 mil, sendo dividido em 120 quotas de R$ 250 cada. Os sócios subscreveram e integralizaram cada um 40 quotas. Ficou constando do contrato, também, que poderá ser designado administrador não-sócio e que a sociedade será regida pelas normas do Código Civil. Sobre essa situação, é correto afirmar que haja vista as regras de regência da sociedade constituída, não há lugar para a aplicação da teoria ultra vires. 39) (CESPE/Procurador do Estado/PGE AL/2009) Marcos, Pedro e Rodrigo constituíram sociedade limitada para explorar o comércio de compra e venda de produtos hospitalares. No contrato social, consta que o capital social representa R$ 30 mil, sendo dividido em 120 quotas de R$ 250 cada. Os sócios subscreveram e integralizaram cada um 40 quotas. Ficou constando do contrato, também, que poderá ser designado administrador não-sócio e que a sociedade será regida pelas normasdo Código Civil. Sobre essa situação, é correto afirmar que se, após inscrição do contrato social no órgão competente, Jorge tiver sido nomeado administrador da sociedade, ele será pessoal e solidariamente responsável com a sociedade pelos atos praticados antes de requerer a averbação do instrumento de nomeação à margem da inscrição da sociedade. 40) (CESPE/TJ SE/Juiz Substituto/2008) Considere que um advogado tenha sido contratado para elaborar contrato social para constituição de sociedade limitada composta por 11 sócios e que, entre as diversas cláusulas contratuais, esse advogado tenha incluído as disposições transcritas nas opções a seguir. “Com base na legislação de regência, é cláusula contratual lícita o sócio que possuir número de quotas sociais em valor equivalente a menos de 1% do capital social integralizado não participará dos lucros e das perdas”. Agiu o advogado de maneira correta. 41) (CESPE/TJ SE/Juiz Substituto/2008) Considere que um advogado tenha sido contratado para elaborar contrato social para constituição de sociedade limitada composta por 11 sócios e que, entre as diversas cláusulas contratuais, esse advogado tenha incluído as disposições transcritas nas opções a seguir. “Com base na legislação de regência, é cláusula contratual lícita as obrigações dos sócios começam 60 dias após a assinatura do presente contrato social”. Agiu o advogado de maneira correta. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 83 de 84 42) (CESPE/TJ SE/Juiz Substituto/2008) Considere que um advogado tenha sido contratado para elaborar contrato social para constituição de sociedade limitada composta por 11 sócios e que, entre as diversas cláusulas contratuais, esse advogado tenha incluído as disposições transcritas nas opções a seguir. “Com base na legislação de regência, enquanto não integralizado o capital, poderá ser designado, em assembléia, administrador não-sócio, mediante aprovação da maioria absoluta dos sócios”. Agiu o advogado de maneira correta. 43) (CESPE/TJ SE/Juiz Substituto/2008) Considere que um advogado tenha sido contratado para elaborar contrato social para constituição de sociedade limitada composta por 11 sócios e que, entre as diversas cláusulas contratuais, esse advogado tenha incluído as disposições transcritas nas opções a seguir. “Com base na legislação de regência, as deliberações dos sócios serão tomadas em reunião simples, ressalvados os casos previstos no contrato social em que for necessária a deliberação por assembléia”. Agiu o advogado de maneira correta. 44) (CESPE/OAB SP/2009) São consideradas mutualísticas as cooperativas. 45) (CESPE/Consultor da Câmara/CD/2014) Para funcionar no Brasil ou ser titular de quotas ou ações de sociedade brasileira, a sociedade empresária constituída no exterior deve receber autorização do Poder Executivo. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 84 de 84 13 GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA QUESTÃO GABARITO QUESTÃO GABARITO 1 E 26 B 2 B 27 A 3 C 28 C 4 C 29 C 5 E 30 E 6 E 31 C 7 B 32 E 8 C 33 C 9 C 34 E 10 E 35 C 11 E 36 E 12 E 37 E 13 C 38 E 14 E 39 C 15 E 40 E 16 D 41 C 17 E 42 E 18 C 43 E 19 C 44 C 20 E 45 E 21 E 22 E 23 E 24 E 25 Cúnico. Sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, podem os sócios, no ato constitutivo, ou por unânime convenção posterior, limitar entre si a responsabilidade de cada um. Vamos exemplificar. A, B e C são sócios de determinada sociedade em nome coletivo, cujo capital social monta a R$ 100.000,00. Suponha que os sócios tenham firmado contrato que estabeleça a responsabilidade da seguinte forma: 50% para A, 30% para B e 20% para C. O credor Y tem um montante de R$ 200.000,00 de crédito vencido. Ingressou então em juízo para proceder à cobrança. Esgotado o patrimônio da sociedade, os R$ 100.000,00, teremos um saldo a pagar a Y no valor de R$ 100.000,00 ainda. Poderá ele proceder à cobrança de todo o valor do sócio A, por exemplo. A limitação de responsabilidade tem efeitos interna corporis. Todavia, como A responde tão-somente pela fração de 50% dos prejuízos, poderá reaver o restante em ação de regresso contra B e C. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 7 de 84 É só isso! Outro aspecto importante das sociedades em nome coletivo, previsto no caput do artigo 1.039 é que somente pessoas físicas podem integrar o seu quadro societário! Grave-se: Sócios da sociedade em nome coletivo Somente pessoas físicas! O tema foi cobrado pelo CESPE, no concurso para Defensor Público Federal, em 2015, com a seguinte assertiva (item correto): Os sócios de sociedade em nome coletivo devem ser pessoas físicas e podem, sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, limitar entre si a responsabilidade de cada um. A sociedade em nome coletivo é uma sociedade de pessoas, que depende do consentimento dos outros sócios para que estranhos entrem no quadro social. Esquematizemos o seguinte: Esquema para a prova Sociedades em nome coletivo e sociedades em comandita simples Sociedades de pessoas. Sociedade limitada Pode ser sociedade de pessoa ou de capital. Sociedade anônima e em comandita por ações Sempre sociedades de capital. Continuemos... Art. 1.040. A sociedade em nome coletivo se rege pelas normas deste Capítulo e, no que seja omisso, pelas do Capítulo antecedente. Aplicam-se às sociedades em nome coletivo as normas das sociedades simples, subsidiariamente. Outro aspecto deveras importante é que a Lei de Falência (Lei 11.101/05) diz que: Art. 81. A decisão que decreta a falência da sociedade com sócios ilimitadamente responsáveis também acarreta a falência destes, que ficam sujeitos aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação à sociedade falida e, por isso, deverão ser citados para apresentar contestação, se assim o desejarem. Com efeito, se uma sociedade em nome coletivo vir a falir, todos os seus sócios também incorrem na mesma conduta, juntos. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 8 de 84 O nome empresarial da sociedade em nome coletivo deverá ser a firma ou razão social, contendo o nome de ao menos um dos sócios, seguido da expressão “& Companhia” ao final. Art. 1.157. A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada operará sob firma, na qual somente os nomes daqueles poderão figurar, bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a expressão "e companhia" ou sua abreviatura. Parágrafo único. Ficam solidária e ilimitadamente responsáveis pelas obrigações contraídas sob a firma social aqueles que, por seus nomes, figurarem na firma da sociedade de que trata este artigo. Se forem sócios de uma sociedade em nome coletivo Gabriel Rabelo da Silva, Luciano Silva Rosa e Joana Angélica, o nome empresarial deverá ser: “Gabriel Rabelo da Silva, Luciano Silva Rosa e Joana Angélica”, “Rabelo, Rosa e Angélica, Restaurante”, “Gabriel Rabelo da Silva & Cia”, etc. Outro aspecto que merece destaque: Art. 1.042. A administração da sociedade compete exclusivamente a sócios, sendo o uso da firma, nos limites do contrato, privativo dos que tenham os necessários poderes. Portanto, a administração das sociedades em nome coletivo somente pode ser feita por sócios. Resumindo, principais pontos da sociedade em nome coletivo: - Responsabilidade ilimitada e solidária entre os sócios, subsidiária em relação à sociedade. - Sócios podem limitar a responsabilidade entre si, sem prejuízo da responsabilidade frente a terceiros. - Sócios só podem ser pessoas naturais. - Somente sócio pode administrar. - Adota a firma social como nome empresarial. - Subsidiariamente, aplicam-se as normas das sociedades simples. 6 SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES Falemos agora sobre a sociedade em comandita simples. Capítulo III - Da Sociedade em Comandita Simples Art. 1.045. Na sociedade em comandita simples tomam parte sócios de duas categorias: os comanditados, pessoas físicas, responsáveis solidária e Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 9 de 84 ilimitadamente pelas obrigações sociais; e os comanditários, obrigados somente pelo valor de sua quota. Parágrafo único. O contrato deve discriminar os comanditados e os comanditários. Art. 1.046. Aplicam-se à sociedade em comandita simples as normas da sociedade em nome coletivo, no que forem compatíveis com as deste Capítulo. Parágrafo único. Aos comanditados cabem os mesmos direitos e obrigações dos sócios da sociedade em nome coletivo. Art. 1.047. Sem prejuízo da faculdade de participar das deliberações da sociedade e de lhe fiscalizar as operações, não pode o comanditário praticar qualquer ato de gestão, nem ter o nome na firma social, sob pena de ficar sujeito às responsabilidades de sócio comanditado. Parágrafo único. Pode o comanditário ser constituído procurador da sociedade, para negócio determinado e com poderes especiais. Art. 1.048. Somente após averbada a modificação do contrato, produz efeito, quanto a terceiros, a diminuição da quota do comanditário, em conseqüência de ter sido reduzido o capital social, sempre sem prejuízo dos credores preexistentes. Art. 1.049. O sócio comanditário não é obrigado à reposição de lucros recebidos de boa-fé e de acordo com o balanço. Parágrafo único. Diminuído o capital social por perdas supervenientes, não pode o comanditário receber quaisquer lucros, antes de reintegrado aquele. Art. 1.050. No caso de morte de sócio comanditário, a sociedade, salvo disposição do contrato, continuará com os seus sucessores, que designarão quem os represente. Art. 1.051. Dissolve-se de pleno direito a sociedade: I - por qualquer das causas previstas no art. 1.044; II - quando por mais de cento e oitenta dias perdurar a falta de uma das categorias de sócio. Parágrafo único. Na falta de sócio comanditado, os comanditários nomearão administrador provisório para praticar, durante o período referido no inciso II e sem assumir a condição de sócio, os atos de administração. O principal artigo cobrado em provas sobre esse tipo societário é sem dúvidas o seguinte: Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 10 de 84 Art. 1.045. Na sociedade em comandita simples tomam parte sócios de duas categorias: os comanditados, pessoas físicas, responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais; e os comanditários, obrigados somente pelo valor de sua quota. Na sociedade em comandita simples temos duas qualidades de sócios: Sócios comanditários: 1) Os sócios comanditários, que têm responsabilidadelimitada em relação às obrigações contraídas pela sociedade empresária, respondendo apenas pela integralização das cotas subscritas. Contribuem apenas com o capital subscrito, não contribuindo de nenhuma outra forma para o funcionamento da empresa, ficando alheios, inclusive, da administração da mesma. Podem, todavia, exercer as atribuições de fiscalização. Art. 1.047. Sem prejuízo da faculdade de participar das deliberações da sociedade e de lhe fiscalizar as operações, não pode o comanditário praticar qualquer ato de gestão, nem ter o nome na firma social, sob pena de ficar sujeito às responsabilidades de sócio comanditado. Como a função precípua do comanditário é contribuir para a formação do capital social, sua prestação pode se dar em dinheiro ou em bens, mas não em serviços. O comanditário não pode praticar atos de gestão da sociedade, apenas de fiscalização. Essa regra, todavia, não é absoluta. O parágrafo único do artigo 1.047 permite que o comanditário seja constituído procurador da sociedade, para negócio determinado e com poderes especiais. Resumindo. Os sócios comanditários: - Podem ser pessoas físicas ou jurídicas. - Não podem administrar a sociedade, nem aparecer no nome empresarial. Exceção: negócio determinado e com poderes especiais - Podem fiscalizar a entidade. - Obrigados pelo valor de sua quota. Sócios comanditados: 2) Os sócios comanditados contribuem com capital e trabalho, além de serem responsáveis pela administração da empresa. Sua responsabilidade perante terceiros é ilimitada, devendo saldar as obrigações contraídas pela sociedade. O Código atribui aos comanditados as mesmas características concernentes aos sócios da sociedade em nome coletivo (CC, art. 1.046, parágrafo único). Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 11 de 84 Resumindo. Os sócios comanditados: - Somente podem ser pessoas físicas. - Devem necessariamente administrar a sociedade. - Têm o nome na firma social. Continuando. A firma ou razão social da sociedade somente pode conter nomes de sócios comanditados, sendo que a presença do nome de sócio comanditário faz presumi-lo comanditado, passando a responder de forma ilimitada. É essa a conclusão à luz do art. 1.157 do CC: Art. 1.157. A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada operará sob firma, na qual somente os nomes daqueles poderão figurar, bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a expressão "e companhia" ou sua abreviatura. Agora, imaginemos um exemplo prático. Determinada sociedade em comandita simples é constituída pelos sócios A, B, C e D, em que A e B são comanditados (responsabilidade ilimitada) e C e D são comanditários (responsabilidade limitada). Suponha-se que A vem a falecer. O que acontecerá com a sociedade? Por aplicação subsidiária, entende-se que, em falecendo sócio comanditado (no caso A): Art. 1.028. No caso de morte de sócio, liquidar-se-á sua quota, salvo: I - se o contrato dispuser diferentemente; Portanto, morrendo A haverá dissolução parcial da sociedade. Agora, imagine-se que haja a morte de D, sócio comanditário. Haverá, de igual sorte, dissolução societária? A resposta é não! Conforme a inteligência do Código Civil: Art. 1.050. No caso de morte de sócio comanditário, a sociedade, salvo disposição do contrato, continuará com os seus sucessores, que designarão quem os represente. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 12 de 84 O nome empresarial deve ser a firma social, acrescendo-se a expressão “& Companhia”, fazendo-se, ainda, referência ao tipo societário “comandita simples”. Em casos omissos serão aplicadas às sociedades em comandita simples as regras das sociedades em nome coletivo. Anote-se, outrossim, que a sociedade em comandita simples é contratual, de pessoas e de regime misto de responsabilidade. Portanto, as principais características das sociedades em comandita simples são: - Existência de sócios comanditário (obrigado somente pela sua quota) e comanditado (responsabilidade solidária e ilimitada), - Nome empresarial: firma. - A sociedade é necessariamente administrado por comanditado, que somente pode ser pessoa física. - O sócio comanditário não é obrigado à reposição de lucros recebidos de boa-fé e de acordo com o balanço. Esse item cai bastante em provas! Prestem atenção! 7 SOCIEDADES COOPERATIVAS Passemos agora a falar sobre as sociedades cooperativas. As cooperativas têm seu regramento básico na Lei 5.764/71. Esta lei define a política nacional do cooperativismo, instituindo o regime jurídico das cooperativas. Os artigos 1.093 a 1.096 do Código Civil trazem lições supletivas para as cooperativas. O primeiro aspecto a se anotar para as cooperativas é que a Constituição Federal assegurou o direito ao cooperativismo ao estatuir que sua criação independe de autorização estatal, bem como vedou que o Estado interferisse em seu funcionamento. Art. 5º, XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; Ressalte-se também que a sociedade cooperativa será sempre considerada sociedade simples, independentemente de seu objeto. Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 13 de 84 Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. A cooperativa é, grosso modo, a reunião de pessoas físicas ou jurídicas, exercentes do mesmo tipo de atividade econômica. Tal união permite a otimização de custos e negociações de forma a permitir melhores resultados para seus membros. Muitas vezes os atos cooperativos são beneficiados também por legislações tributárias. Um aspecto interessante e digno de nota é que as cooperativas não possuem finalidades lucrativas. O que os cooperados pretendem é obter lucro com as suas atividades próprias, pessoais, e não com as atividades da cooperativa. Entre os principais pontos que podem ser cobrados sobre as cooperativas em concursos é o fato de serem sociedades simples, de pessoas, não sujeitas ao processo falimentar previsto na Lei 11.101/2005. Podem adotar qualquer objeto, seja serviço, operações com mercadorias ou outras atividades. O seu nome deve conter o termo cooperativa, não podendo utilizar a palavra “banco”. São exemplos claros de cooperativas as agrícolas, as de seguros e as de abastecimento. O Código Civil também trata do assunto em seus artigos 1.093 a 1.096. No caso de omissão da legislação do Código Civil, bem como da Lei 5.764/71, aplicam-se os dispositivos do Código Civil previstos para as sociedades simples. Decorem os artigos abaixo, principalmente o artigo 1.094: Capítulo VII - Da Sociedade Cooperativa Art. 1.093. A sociedade cooperativa reger-se-á pelo disposto no presente Capítulo, ressalvada a legislação especial. Art. 1.094. São características da sociedade cooperativa: I - variabilidade, ou dispensa do capital social; II - concurso de sócios em número mínimo necessário a compor a administração da sociedade, sem limitação de número máximo; III - limitação do valor da soma de quotas do capital social que cada sócio poderá tomar; IV - intransferibilidade das quotas do capitala terceiros estranhos à sociedade, ainda que por herança; V - quórum, para a assembléia geral funcionar e deliberar, fundado no número de sócios presentes à reunião, e não no capital social representado; VI - direito de cada sócio a um só voto nas deliberações, tenha ou não capital a sociedade, e qualquer que seja o valor de sua participação; Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 14 de 84 VII - distribuição dos resultados, proporcionalmente ao valor das operações efetuadas pelo sócio com a sociedade, podendo ser atribuído juro fixo ao capital realizado; VIII - indivisibilidade do fundo de reserva entre os sócios, ainda que em caso de dissolução da sociedade. Art. 1.095. Na sociedade cooperativa, a responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou ilimitada. § 1o É limitada a responsabilidade na cooperativa em que o sócio responde somente pelo valor de suas quotas e pelo prejuízo verificado nas operações sociais, guardada a proporção de sua participação nas mesmas operações. § 2o É ilimitada a responsabilidade na cooperativa em que o sócio responde solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. Art. 1.096. No que a lei for omissa, aplicam-se as disposições referentes à sociedade simples, resguardadas as características estabelecidas no art. 1.094. O primeiro aspecto digno de nota é que elas independem de capital social para funcionarem, posto que ele é dispensado ou variável (CC, art. 1.094, I). Se existir capital social, não há necessidade de alteração no estatuto social para que se proceda ao seu aumento ou diminuição. Com efeito, uma vez que o capital social é dispensado, podemos dizer que os sócios podem perfeitamente contribuir tão-somente com prestação de serviços. Outra regra importante é a insculpida no inciso IV, do artigo 1.094, que prega a intransferibilidade das quotas do capital a terceiros estranhos à sociedade, ainda que por herança. Tal asserção faz com as cooperativas sejam classificadas como sociedades de pessoas. Outros aspectos importantes que podem ser cobrados em concursos: - Administração da sociedade em número mínimo de sócios, quais sejam, três membros na diretoria e três membros e três suplentes no conselho fiscal. - Número ilimitado de associados, a não ser que não haja capacidade técnica de se prestar serviços a todos. - O voto é singular, independentemente do número de votos que o cooperado possua. Vejam que a FCC abordou este tema do seguinte modo (item correto): (OAB ES/FCC) Na sociedade cooperativa cada sócio tem direito a um só voto nas deliberações, tendo ou não capital a sociedade, e qualquer que seja o valor de sua participação. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 15 de 84 A distribuição dos resultados é proporcional às operações feitas pelo associado, salvo deliberação em sentido contrário da assembleia geral. Cumpre, por fim, salientar, que, nas cooperativas a responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou ilimitada. A FCC já andou abordando este aspecto do seguinte modo (item incorreto): (DPE SP/2006/FCC) De acordo com o Código Civil, na sociedade cooperativa a responsabilidade dos sócios é sempre limitada. 7.1 REGISTRO DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS Atenção! Sobre o registro das cooperativas, temos o seguinte: as cooperativas são sociedades simples. Este tipo societário (a sociedade simples) é registrado no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Todavia, a Lei das Cooperativas (5.764/71) prega que: Art. 18. Verificada, no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, a contar da data de entrada em seu protocolo, pelo respectivo órgão executivo federal de controle ou órgão local para isso credenciado, a existência de condições de funcionamento da cooperativa em constituição, bem como a regularidade da documentação apresentada, o órgão controlador devolverá, devidamente autenticadas, 2 (duas) vias à cooperativa, acompanhadas de documento dirigido à Junta Comercial do Estado, onde a entidade estiver sediada, comunicando a aprovação do ato constitutivo da requerente. Portanto, há uma óbvia contradição! De um lado, as sociedades simples são registradas no Registro Civil. Contudo, a Lei das Cooperativas ordena que os atos sejam registrados na Junta. Alguns tribunais, como o TRF 3ª região, vêm entendendo que as cooperativas devem se registrar na Junta. A Lei 5.764/1971 vem sendo aplicada em detrimento do Novo Código Civil, por conta da especialidade. E nesse sentido decidiu a I Jornada de Direito Civil, que, através de Enunciado, propôs: 69. Artigo 1.093. As sociedades cooperativas são sociedades simples sujeitas à inscrição nas juntas comerciais. 8 SOCIEDADES SIMPLES Pois bem, já vimos os primeiros tipos societários existentes no direito societário, como as sociedades em comum, em conta de participação, Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 16 de 84 sociedades em comandita simples, sociedades em nome coletivo e sociedades cooperativas. Passaremos agora a outro tipo deveras importante, a saber, as sociedades simples. Já dissemos aqui que as sociedades simples são basicamente aquelas que não exploram o seu objeto social nos termos do artigo 966 do Código Civil, ou seja, não exploram o seu objeto de forma empresarial. Exemplificamos, com o artigo 966, parágrafo único do Código Civil, que fala sobre as sociedades formadas por profissionais intelectuais, de natureza científica, literária ou artística. Por exemplo, uma sociedade de médicos, arquitetos, dentistas, artistas. A condição, contudo, é que o exercício da profissão não configure elemento de empresa. Vimos também que outro exemplo clássico de sociedade simples é a sociedade cooperativa, independentemente do objeto exercido (CC, art. 982, parágrafo único). Além destas, não podemos nos olvidar da sociedade de advogados e da sociedade rural, desde que optem por registrar-se no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. 8.1 DAS FORMAS ADOTADAS PELAS SOCIEDADES SIMPLES A sociedade simples sempre terá objeto não empresarial. Quanto à forma, a sociedade simples pode ser organizada segundo as regras que lhe são próprias, estatuídas nos artigos 997 a 1.038 do Código Civil. Caso não queira, poderá também se registrar como sociedade limitada, sociedade em nome coletivo e sociedade em comandita simples. Grave-se! Sociedades simples podem adotar as regras que lhes são próprias no código civil ou constituir na forma de sociedade limitada, em nome coletivo ou em comandita simples. Sociedade simples Sociedade simples pura Sociedade limitada Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples É o que propõe o artigo 983 do Código Civil: Art. 983. A sociedade empresária deve constituir-se segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092; a sociedade simples pode constituir-se Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 17 de 84 de conformidade com um desses tipos, e, não o fazendo, subordina-se às normas que lhe são próprias. Portanto, uma sociedade simples poderá ser: - Sociedade simples pura. - Sociedade simples constituída sob a forma de sociedade limitada. - Sociedade simples constituída sob a forma de sociedade em nome coletivo. - Sociedade simples constituída sob a forma de sociedade em comandita simples. Se uma questão de prova perguntar o se as sociedadessimples podem adotar qualquer tipo societário específico das sociedades empresárias, responda com um sonoro não. E por quê? Pois as sociedades simples não podem se revestir sob a forma de sociedades por ações. As sociedades por ações, lembrem-se, são sempre sociedades empresárias (CC, art. 982, parágrafo único). Estudaremos aqui, basicamente, as sociedades simples em sua forma pura. O tema se encontra haurido nos artigos 997 a 1.038 do Código Civil. 8.2 REGISTRO DAS SOCIEDADES SIMPLES E NOME UTILIZADO As sociedades simples devem ser registradas no Registro Civil de Pessoas Jurídicas do local da sede, como se depreende do já visto artigo 1.150 do Código Civil: Art. 1.150. O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples adotar um dos tipos de sociedade empresária. A espécie de nome empresarial utilizado é a denominação – não se baseando em nome civil, mas, sim, em nome fantasia – acrescida da expressão SS. Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: II - denominação, objeto, sede e prazo da sociedade; Art. 1.155. Considera-se nome empresarial a firma ou a denominação adotada, de conformidade com este Capítulo, para o exercício de empresa. Parágrafo único. Equipara-se ao nome empresarial, para os efeitos da proteção da lei, a denominação das sociedades simples, associações e fundações. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 18 de 84 Anote-se que conforme o entendimento do artigo 1.150 do Código Civil, se a sociedade simples resolve adotar um tipo societário como a sociedade limitada, em nome coletivo ou em comandita simples, continuará promovendo sua constituição no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Entretanto, o cartório deverá adotar as regras estabelecidas para o registro destas sociedades. Veja como isso foi cobrado na prova de Procurador da AGU, pelo CESPE, em 2010 (item incorreto): Marcelo e Antônio decidiram constituir sociedade simples adotando a forma de sociedade limitada. Nessa situação, o registro de seus atos deverá ser feito no Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das juntas comerciais. 8.3 O CONTRATO SOCIAL DAS SOCIEDADES SIMPLES As sociedades simples possuem natureza contratual. Esse contrato social deve ser escrito, e pode ser particular ou público. Uma vez assinado a sociedade deverá requerer a inscrição do contrato social no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede, em um prazo de 30 dias (CC, art. 998). O contrato deve estar autenticado e, havendo procurador, deverá constar também a procuração (CC, art. 998, parágrafo 1º). Algumas cláusulas são essenciais que constem do contrato social. Essas cláusulas estão elencadas no artigo 997 do Código Civil, que transcrevemos: Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: I - nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas; II - denominação, objeto, sede e prazo da sociedade; III - capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária; IV - a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la; V - as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista em serviços; VI - as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus poderes e atribuições; VII - a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; VIII - se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 19 de 84 Grosso modo, o contrato será particular ou público, conforme seja elaborado pelos sócios ou siga modelo previamente existente no Registro Civil, respectivamente. Aqui, o que vale mencionar de cada item. Detalhes importantes: Inciso I: sócios podem ser pessoas físicas ou jurídicas. Inciso II: devem adotar denominação. Inciso III: capital social deve compreender qualquer espécie de bem, suscetível de avaliação pecuniária. Inciso V: a contribuição pode ser em prestação de serviços. Inciso VI: a administração incumbe a pessoas naturais. Inciso VII: todo sócio deve participar dos lucros e perdas. Inciso VIII: a questão da responsabilidade será vista a seguir. 8.4 MODIFICAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL O contrato social obviamente pode ser alterado pelos sócios. Essa modificação, contudo, tem um quórum mínimo para que seja realizada. Senão vejamos. Art. 999. As modificações do contrato social, que tenham por objeto matéria indicada no art. 997, dependem do consentimento de todos os sócios; as demais podem ser decididas por maioria absoluta de votos, se o contrato não determinar a necessidade de deliberação unânime. Parágrafo único. Qualquer modificação do contrato social será averbada, cumprindo-se as formalidades previstas no artigo antecedente. Portanto, se as modificações do contrato se referirem às matérias do artigo 997, devem ter o consentimento de todos os sócios. Ao revés, se não versarem, devem ter o consentimento da maioria absoluta dos votos. Modificações: Artigo 997? Consentimento unânime. Não é artigo 997? Maioria absoluta. Alteração - Consentimento unânime Dados dos sócios Denominação, sede, objeto, prazo da sociedade Capital social Quota de cada sócio Modo de realização da quota de prestação de serviço Pessoas naturais que administram, seus poderes, atribuições Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 20 de 84 Participação nos lucros e perdas Se sócios respondem ou não pelas obrigações Frise-se que este quórum é expresso em termos de capital social, e não em número de sócios. Art. 1.010. Quando, por lei ou pelo contrato social, competir aos sócios decidir sobre os negócios da sociedade, as deliberações serão tomadas por maioria de votos, contados segundo o valor das quotas de cada um. § 1o Para formação da maioria absoluta são necessários votos correspondentes a mais de metade do capital. As alterações porventura realizadas no contrato social deverão ser averbadas no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. 8.5 SÓCIOS DA SOCIEDADE SIMPLES Observando-se o artigo 997, inciso I, percebe-se de plano que os sócios de uma sociedade simples poderão ser pessoas físicas ou pessoas jurídicas. Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato (...) que mencionará: I - nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas; Esses sócios passam a integrar a sociedade mediante a contribuição de capital social. Segundo o inciso III do artigo 997, o contrato deverá mencionar o capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária. Assim, quaisquer espécies de bens que sejam suscetíveis de avaliação pecuniária podem integrar a sociedade. Capital social: - Moeda corrente. - Qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária. O contrato social deve mencionaro que cada sócio vai entregar para a sociedade e como vai fazê-lo (CC, art. 997, IV). O código permite que nas sociedades simples os sócios integralizem sua parte até mesmo com prestação de serviços (CC, art. 997, V), regra diametralmente oposta àquela vigente para as sociedades limitadas. Sociedades simples Pode ter sócio com prestação de serviço. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 21 de 84 Sociedade limitada Não pode ter sócio que contribua tão-somente com prestação de serviços. As obrigações dos sócios começam imediatamente com o contrato, se este não fixar outra data, e terminam quando, liquidada a sociedade, se extinguirem as responsabilidades sociais (CC, art. 1.001). Como dito, a integralização do capital social pode ser feita através de dinheiro, créditos, bens ou serviços. Se feita em bens o sócio responderá pela evicção, indenização e custas judiciais que dela decorram. Evicção é o desapossamento do bem por causa jurídica. Se o bem for reivindicado por terceiro, posteriormente à integralização, por direito anterior a ela (integralização) este responderá pelos danos sofridos pela sociedade (CC, artigo 1.005). Assim, se transfiro à sociedade um carro que é pleiteado em uma ação judicial e, posteriormente à integralização, este veículo deva ser retirado da sociedade, pois a decisão foi desfavorável, responderei pelo valor do automóvel. O sócio, cuja contribuição consista em serviços, não pode, salvo convenção em contrário, empregar-se em atividade estranha à sociedade, sob pena de ser privado de seus lucros e dela excluído (CC, art. 1.006). 8.6 PONTO AVANÇADO – A INTANGIBILIDADE DO CAPITAL SOCIAL Você sabe o que é a intangibilidade do capital social? A intangibilidade do capital social diz que os sócios não podem receber dividendos à conta do capital social. Somente pode haver distribuição de dividendos a partir dos valores gerados pela empresa. Explico. Quando os sócios começam uma atividade empresarial, temos que o valor que eles atribuem à empresa é chamado de capital social. Depois disso, a empresa começa a gerar lucro, lucro, lucro. Existe uma espécie de remuneração dos sócios que é chamada de dividendos. Os dividendos somente podem ser distribuídos, em regra, a partir dos lucros. Não pode ser distribuído dividendo a partir do capital social. Eis o princípio da intangibilidade do capital social. Segundo Paulo de Tarso Domingues, “o capital social, diz-se, é intangível, querendo com isso significar-se que os sócios não podem tocar no capital social, isto é, aos sócios não poderão ser atribuídos bens nem valores que sejam necessários à cobertura do capital social” Vamos ver como isso é cobrado? Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 22 de 84 (UFG/Auditor/ISS GYN/2016) A intangibilidade é princípio que rege o capital social para garantir que (A) a sociedade assegure um fundo que cubra a cifra representativa daquele. (B) o patrimônio líquido da sociedade apresente um saldo positivo. (C) a sua cobertura não seja atingida pela atribuição de bens ou valores ao sócio. (D) o seu aumento não afete o valor de mercado das ações preexistentes. Gabarito C. 8.7 SÓCIO REMISSO O sócio remisso é que aquele que, após firmar o compromisso de integralizar fração do capital social, não o fez, ficando então em débito com a sociedade. Art. 1.004. Os sócios são obrigados, na forma e prazo previstos, às contribuições estabelecidas no contrato social, e aquele que deixar de fazê-lo, nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade, responderá perante esta pelo dano emergente da mora. Parágrafo único. Verificada a mora, poderá a maioria dos demais sócios preferir, à indenização, a exclusão do sócio remisso, ou reduzir-lhe a quota ao montante já realizado, aplicando-se, em ambos os casos, o disposto no § 1o do art. 1.031. Antes de qualquer sanção, é necessário que se faça prévia comunicação (prazo de 30 dias para adimplir a obrigação, a partir da notificação), como se extrai do artigo 1.004, par. único, do CC. Findo o prazo sem adimplemento pode a pessoa jurídica: 1) requerer indenização pelos danos emergentes de mora; 2) reduzir a quota ao montante já integralizado; 3) tomar para si, ou transferir a terceiros a quota não integralizada, excluindo o sócio remisso, devolvendo eventual contribuição já efetuada, descontado o que se deve à sociedade. Fica assim: Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 23 de 84 8.8 RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS NAS SOCIEDADES SIMPLES Imaginemos o seguinte exemplo, extraído do concurso para Juiz do TRT/RO, realizado pela FCC: Em uma sociedade simples formada por três sócios que subscrevem cotas iguais de R$ 1.000,00 (mil reais), e que, não possuindo mais patrimônio próprio, assume uma dívida de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), o patrimônio pessoal de cada um dos sócios responde em caráter subsidiário pela dívida da sociedade, observada a proporcionalidade de R$ 10.000,00 (dez mil reais) para cada um, salvo cláusula de responsabilidade solidária. A responsabilidade dos sócios nas sociedades simples está tratada em diversos artigos do Código Civil. Senão vejamos. Segundo o artigo 997, Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: VIII - se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais. E mais... Art. 1.023. Se os bens da sociedade não lhe cobrirem as dívidas, respondem os sócios pelo saldo, na proporção em que participem das perdas sociais, salvo cláusula de responsabilidade solidária. Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. Portanto, interpretando harmonicamente os dispositivos, teremos a seguinte situação: Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 24 de 84 Responsabilidade dos sócios nas sociedades simples 1) Os bens da sociedade são suficientes para pagamento das dívidas? Sim? Ok! Tudo resolvido (CC, art. 1.024). 2) Há cláusula que prevê que os sócios não respondem subsidiariamente? Se houver, a responsabilidade estaria limitada ao montante do capital social. 3) Não há! Acabaram os bens da sociedade e ainda perduram dívidas. O que fazer? Aplica-se o artigo 1.023. Como cada sócio subscreveu uma cota de R$ 1.000,00, assim, todos participam de forma igual das perdas e ganhos sociais. Assim, a dívida de R$ 30.000,00 deverá ser dividida entre os três, constituindo- se três frações no valor de R$ 10.000,00. 4) Se houvesse cláusula de responsabilidade solidária, a dívida poderia ser cobrada de qualquer um deles, ao qual caberia a restituição do valor pago em excesso a sua proporção do capital social, em ação de regresso. Repito. A responsabilidade dos sócios na sociedade simples pode ser limitada ou ilimitada. Explique-se. Quando da contratação de uma sociedade simples, os sócios possuem a faculdade de escolher se assumirão, ou não, responsabilidade subsidiária pelas dívidas contraídas em nome da sociedade. Não assumindo, podemos dizer que estabelecida está a responsabilidade limitada. Contudo, sendo silente o contrato social, os sócios de uma sociedade simples responderão subsidiária e ilimitadamentepelas obrigações contraídas. Por fim, o Conselho de Justiça Federal aprovou enunciado recentemente estabelecendo que: 10. Nas sociedades simples, os sócios podem limitar suas responsabilidades entre si, à proporção da participação no capital social, ressalvadas as disposições específicas. Um outro aspecto importante que já foi cobrado em concurso é: A e B são casados. A faz parte de uma sociedade, na qualidade de sócio, e se separa judicialmente de B. Pode B exigir o seu ingresso no quadro societário, após o fim do casamento? A resposta é não! Segundo o Código Civil: Art. 1.027. Os herdeiros do cônjuge de sócio, ou o cônjuge do que se separou judicialmente, não podem exigir desde logo a parte que lhes couber na quota social, mas concorrer à divisão periódica dos lucros, até que se liquide a sociedade. O cônjuge não pode ingressar na sociedade sem a anuência dos demais, pois nas sociedades simples é possível a cessão das quotas sociais, desde que haja concordância dos demais sócios e que seja averbado o respectivo registro. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 25 de 84 8.9 CESSÃO DE QUOTAS NAS SOCIEDADES SIMPLES Nas sociedades simples é possível a cessão das quotas sociais, desde que haja concordância dos demais sócios e que seja averbado o respectivo registro. Assim, para que um sócio de uma sociedade simples ceda sua parte do capital social a outro sócio precisará da anuência dos demais, além do registro no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Isso por que as sociedades simples têm natureza de sociedades de pessoas. Essa assertiva já foi cobrada no concurso para Juiz Substituto do TJ MT 2008, com a seguinte redação (item correto): As sociedades simples têm natureza de sociedades de pessoas. Ademais, responderá por dois anos, frente à sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinha à época como sócio. Art. 1.003. A cessão total ou parcial de quota, sem a correspondente modificação do contrato social com o consentimento dos demais sócios, não terá eficácia quanto a estes e à sociedade. Parágrafo único. Até dois anos depois de averbada a modificação do contrato, responde o cedente solidariamente com o cessionário, perante a sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinha como sócio. Portanto, uma vez que é uma sociedade de pessoas, há necessidade de autorização de todos os outros sócios. Se houver alienação de quotas e um novo sócio ingressas no quadro societário, ele não se eximirá das dívidas sociais anteriores à admissão. Art. 1.025. O sócio, admitido em sociedade já constituída, não se exime das dívidas sociais anteriores à admissão. 8.10 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS NAS SOCIEDADES SIMPLES Segundo o Código Civil: Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: VII - a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 26 de 84 Portanto, pela inteligência do artigo supra, vejam que cabe ao contrato social estipular a participação de cada um dos sócios nos lucros e nas perdas, a forma como se dará. Contudo, segundo o mesmo codex, se não houver estipulação no contrato social, aplicar-se-á o seguinte: Art. 1.007. Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. Vejam, pois, que cabe ao contrato social estabelecer a forma pela qual será distribuído os lucros e absorvidas as perdas. Não firmando, a regra é a distribuiç ão de lucros na proporção das quotas. Mas e se o sócio for de serviços? Aí faremos o cálculo pela proporção média do valor das quotas. Exemplo! A sociedade KLS tem 1.000 quotas do capital social. Quatro sócios são de capital, com valor integralizado de R$ 100.000,00, igualmente divididas, e um sócio é de serviço (5 sócios, portanto). O sócio de serviço não tem participação no capital social. Por isso o Código Civil dispõe que ele somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. A sociedade teve um lucro de R$ 10.000,00. Como será a divisão? Cada sócio de capital tem 25% do capital social. Portanto, esse será o percentual do lucro a que terá direito o sócio de serviço. Os outros R$ 7.500,00 serão divididos entre os sócios de capital, dividindo-se em 4, já que a proporção deles no capital é igualitária. Atenção: Veja que o sócio de serviço, por não participação no capital social, não arca com as perdas eventualmente existentes. Ressalte-se, ainda, que, embora a distribuição de lucros se dê da forma como estipular o contrato social, nenhum dos sócios poderá ser excluído da sua distribuição (cláusula leonina). Art. 1.008. É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas. Anote-se, por último, que a distribuição de lucros ilícitos ou fictícios acarreta responsabilidade solidária dos administradores que a realizarem e dos sócios que os receberem, conhecendo ou devendo conhecer-lhes a ilegitimidade (CC, art. 1.009). Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 27 de 84 8.11 FILIAIS, SUCURSAIS OU AGÊNCIAS DAS SOCIEDADES SIMPLES É plenamente possível que as sociedades simples instituam sucursais, filiais ou agências. A sociedade simples que instituir sucursal, filial ou agência na circunscrição de outro Registro Civil das Pessoas Jurídicas, neste deverá também inscrevê-la, com a prova da inscrição originária (CC, art. 1.000). Em qualquer caso, a constituição da sucursal, filial ou agência deverá ser averbada no Registro Civil da respectiva sede (CC, art. 1.000, parágrafo único). 8.12 ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE SIMPLES A administração das sociedades simples está prevista nos artigos 1.010 a 1.021 do Código Civil. Um belo conceito geral para o assunto foi explorado na prova para Auditor Fiscal da SEFAZ RJ (item correto): São os administradores da sociedade que, no dia-a-dia, expõem sua vontade, por terem poderes gerenciais. Segundo o nosso já falado artigo 997: Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: VI - as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus poderes e atribuições; O primeiro aspecto que merece destaque é o fato de a sociedade simples não poder ser administrada por pessoa jurídica, já que o inciso 997 faz expressa referência às pessoas naturais. Antes de iniciarmos o estudo da administração das sociedades simples, faz-se necessário dizer uma decorrência lógica trazida pelo Código Civil aos administradores, que diz: Art. 1.011. O administrador da sociedade deverá ter, no exercício de suas funções, o cuidado e a diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração de seus próprios negócios. Em tempo, não confudamos os administradores de uma sociedade simples com o seu quadro societário. Os adminsitradores são aqueles que “tocam” a sociedade no seu dia-a-dia, que estão ali, no suor diário. Os sócios, por sua vez, são os “donos” da sociedade e não necessariamente precisam estar ali, acompanhando tudo o que ocorre na sociedade. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. GabrielRabelo www.estrategiaconcursos.com.br 28 de 84 Os administradores podem ser apenas pessoas físicas. Contudo o quadro societário pode ser composto por pessoas físicas e jurídicas. Vejam essa questão cobrada no concurso para OAB/MG (item errado): (OAB/MG) As sociedades simples são um tipo de sociedade personificada, uma vez que seus sócios são necessariamente pessoas físicas. De acordo com o Código Civil: Art. 1.011. § 1o Não podem ser administradores, além das pessoas impedidas por lei especial, os condenados a pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos; ou por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato; ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra as normas de defesa da concorrência, contra as relações de consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto perdurarem os efeitos da condenação. Não podem administrar a sociedade simples Impedidos por lei especial Condenado a pena que vede acesso a cargos públicos Condenado por crime falimentar Condenado por prevaricação, peita ou suborno Condenado por concussão Condenado por peculato Condenado por crime contra a economia popular Condenado por crime contra o sistema financeiro nacional Condenado por crime contra as normas de defesa da concorrência Condenado por crime contra as relações de consumo Condenado por crime contra a fé pública ou propriedade Enquanto perdurar o efeito da condenação Continuemos... Art. 1.010. Quando, por lei ou pelo contrato social, competir aos sócios decidir sobre os negócios da sociedade, as deliberações serão tomadas por maioria de votos, contados segundo o valor das quotas de cada um. Ou seja, para a tomada de decisões leva-se em conta a maioria do capital social e não da quantidade de sócios. Nem todos os sócios de uma sociedade simples são considerados administradores. A estes (sócios não-administradores) fica afastado, em regra, o poder decisório. Por isso, o contrato social deve mencionar os sócios (pessoas Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 29 de 84 naturais) a quem incumbirá o exercício da administração (CC, art. 997, VI). Contudo, a administração da sociedade, nada dispondo o contrato social, compete separadamente a cada um dos sócios (CC, art. 1.013). Continuemos a falar sobre os administradores. Art. 1.002. O sócio não pode ser substituído no exercício das suas funções, sem o consentimento dos demais sócios, expresso em modificação do contrato social. Conjuguemos esse dispositivo com o art. 1.019, cujo teor é o que se segue: Art. 1.019. São irrevogáveis os poderes do sócio investido na administração por cláusula expressa do contrato social, salvo justa causa, reconhecida judicialmente, a pedido de qualquer dos sócios. Concluímos que para retirar administrador sócio investido na administração dos exercícios de suas funções seria necessária a aprovação dos demais, fato que só seria possível se o próprio sócio administrador votasse a favor de sua destituição. Veja, contudo, que o próprio artigo 1.019 prevê a possibilidade de retirada por justa causa. Ao revés, se os poderes de administração forem conferidos a sócio por ato separado, ou a qualquer um que não seja sócio, ainda que no próprio contrato social, eles serão revogáveis a qualquer tempo. Essa revogação é feita por maioria absoluta. Art. 1.019, parágrafo único. São revogáveis, a qualquer tempo, os poderes conferidos a sócio por ato separado, ou a quem não seja sócio. Como visto, o administrador pode ser nomeado por ato separado. Art. 1.012. O administrador, nomeado por instrumento em separado, deve averbá-lo à margem da inscrição da sociedade, e, pelos atos que praticar, antes de requerer a averbação, responde pessoal e solidariamente com a sociedade. Ainda, Art. 1.014. Nos atos de competência conjunta de vários administradores, torna-se necessário o concurso de todos, salvo nos casos urgentes, em que a omissão ou retardo das providências possa ocasionar dano irreparável ou grave. Assim, se determinada providência tiver de ser inadiavelmente tomada na ausência de um sócio para que não haja prejuízos irreparáveis a sociedade, poderão os outros sócios fazê-lo. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 30 de 84 Sendo o contrato social silente, os administradores podem praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade, salvo a venda ou a oneração de imóveis, haja vista que dependem da decisão da maioria dos sócios, exceto, neste caso, se a operação com imóveis constituir o próprio objeto da sociedade (art. 1.015). O administrador deve agir dentro dos limites previstos no contrato social. Se os administradores agirem com excesso de poderes, a sociedade pode opor esse argumento a terceiros que a acionem para se ressarcirem de eventuais danos, de modo a se eximir de indenizar os prejudicados. Haverá, assim, responsabilidade pessoal do administrador. Todavia, para que essa teoria ultra vires ocorra, a sociedade deve provar a ocorrência de pelo menos uma das seguintes hipóteses, previstas no artigo 1.015, par. único, do CC: - Que a limitação de poderes do administrador estava inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade, situação em que os terceiros não poderão alegar desconhecimento da exata extensão dos poderes do administrador; - Que foi provado que os terceiros conheciam a limitação de poderes, ainda que não averbada; ou - Que a transação entre os terceiros e a sociedade configurava operação nitidamente estranha aos negócios da sociedade. Um outro ponto com o qual devemos tomar cuidado diz respeito à fiscalização da sociedade pelo sócio. Segundo o Código Civil: Art. 1.021. Salvo estipulação que determine época própria, o sócio pode, a qualquer tempo, examinar os livros e documentos, e o estado da caixa e da carteira da sociedade. Portanto, a fiscalização é direito de todos os sócios e pode ser exercida a qualquer tempo. 8.13 DELIBERAÇÕES DOS SÓCIOS No dia a dia, as decisões relativas ao objeto social são tomadas pelos administradores, como, por exemplo, compra de matéria-prima, contratação de empregados, assinatura de contratos de prestação de serviços. Contudo, em alguns casos, mais complexos ou relevantes para o andamento da sociedade, há necessidade de que as decisões sejam tomadas por deliberação social. Art. 1.010. Quando, por lei ou pelo contrato social, competir aos sócios decidir sobre os negócios da sociedade, as deliberações serão tomadas por maioria de votos, contados segundo o valor das quotas de cada um. Direito Empresarial – PC GO Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo – Aula 02 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 31 de 84 § 1o Para formação da maioria absoluta são necessários votos correspondentes a mais de metade do capital. Assim, frise-se as votações sociais levam em conta a porção do capital social e não o número de sócios. Deve-se ressaltar que as já estudas matérias do artigo 997 devem ser tomadas por decisão unânime. Apenas se houver empate na votação é que prevalecerá a maior quantidade de sócios. E, mesmo assim, persistindo o empate, a decisão caberá ao juiz. Art. 1.010. § 2o Prevalece a decisão sufragada por maior número de sócios no caso de empate, e, se este persistir, decidirá o juiz. Pergunta interessante é se os sócios de serviços participam das deliberações sociais. Vejam que o artigo 1.010 diz que: Salvo quando a lei exigir a unanimidade, as deliberações serão