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Câncer colorretal 1 Câncer colorretal Qual é o objetivo do processo de rastreamento (screening) no câncer de colorretal ? detectar lesões pré-neoplásicas PÓLIPOS e câncer colorretal precoce, em indivíduos assintomáticos e sem história prévia de câncer ou lesões pré-cancerosas, a fim de classificá-los em alta ou baixa probabilidade de desenvolver câncer colorretal. restrito a mucosa chance de comprometimento linfonodal é 0, a partir do momento que atinge a submucosa tem chance de infiltração e acometimento linfonodal O que é "vigilância" no contexto de câncer colorretal? • (surveillance) → intervalo de investigação em pacientes com câncer colorretal ou lesões pré-neoplásicas prévias PÓLIPOS ou em pacientes com doença inflamatória intestinal (após 8 anos do diagnóstico) Por que a vigilância é importante para pacientes com pancolite após 8 anos do diagnóstico? Porque o risco de desenvolver câncer colorretal é muito maior nesses pacientes. O que caracteriza um exame diagnóstico no contexto de câncer colorretal? investigação de pacientes com sintomas ou outros exames de rastreio positivos. O que são pólipos? Elevações na mucosa por proliferação celular anormal. Câncer colorretal 2 Quais fatores contribuem para o surgimento de pólipos? Ocorrem por exposição prolongada a fatores de risco (fatores cancerígenos – ambientais, alimentares etc.). Mutações no DNA. O que deve ser feito ao identificar um pólipo durante a colonoscopia? Toda vez que identificamos um pólipo na colonoscopia precisamos remover esse pólipo por inteiro. Quais são os tipos histológicos de pólipos? Hiperplásico, adenoma, serrilhado e hamartomas. Qual é a característica do pólipo hiperplásico? Hiperplásico: mucosa normal mais elevada – sem risco de malignização. Qual pólipo tem potencial de se transformar em carcinoma? Adenoma: (sequência adenoma-carcinoma). Qual é a característica dos pólipos serrilhados? forma mais agressiva – confusão com hiperplásico (pode ser muito parecido com o pólipo hiperplásico morfologicamente). Quais são as diferentes morfologias de lesões polipoides? Lesões polipoides podem ser pediculadas (com pedículo) ou sésseis (planas, sem pedículo). também temos as lesões não polipoides e as mistas O que é a sequência adenoma-carcinoma? Evolução natural dos pólipos não retirados, por mutações do DNA e ação do TGF-beta. Câncer colorretal 3 Quanto tempo leva para um pólipo evoluir para câncer colorretal? demora cerca de 10 anos. Essa informação é importante para determinar o tempo de vigilância com a colonoscopia. Qual é o impacto da remoção de adenomas no câncer colorretal? A remoção dos adenomas reduz a incidência e a mortalidade do CA colorretal CCR. Quem é considerado de médio risco para câncer colorretal? Assintomáticos, Idade 45 anos sem história de adenoma ou pólipo séssil serrilhado, sem história de doença inflamatória intestinal e ausência de história familiar de CCR. O que caracteriza um indivíduo de risco aumentado para câncer colorretal? História pessoal: adenoma ou pólipo séssil serrilhado; CA colorretal prévio; História familiar positiva: CA colorretal ou pólipos adenomatosos em 1 parente de primeiro grau abaixo de 60 anos 2 ou + parentes qualquer idade: exame 10 anos antes do mais jovem. Quais condições são consideradas de alto risco para câncer colorretal? Alto risco: o Síndrome de Lynch (câncer colorretal hereditário não polipose HNPCC. o Síndromes polipóides. o Doença inflamatória intestinal. Qual é o exame de rastreamento considerado padrão ouro para câncer colorretal? Câncer colorretal 4 Colonoscopia (exame diagnóstico e terapêutico): padrão ouro. O que é a retossigmoidoscopia flexível e qual a sua importância? aparelho só consegue chegar até o ângulo esplênico, mas 80% das neoplasias se encontram no ângulo esplênico, principalmente o CCR esporádico (em idosos). Por conta disso, podemos usar também a retossigmoidoscopia como exame de rastreio. quais as características do exame de sangue oculto no ca de colorretal? baixo custo (guaiaco [dieta sem corantes] imunocromatografia [não necessita de uma dieta restritiva]). Tem suas limitações, já que algumas lesões cancerígenas não sangram, então o exame viria negativo. Quais são as limitações do exame de enema opaco? baixo custo, com limitações (não diagnostica lesões iniciais/menores, pólipos). o que é o exame de colonografia por tomografia ? precisa de preparo igual a colonoscopia normal, mas não precisa de sedação. O que determina o seguimento após polipectomia? Depende do tipo histológico, quantidade e tamanho dos pólipos. Como regra geral: 10 mm – mais chance de agressividade. Outra coisa importante, é sempre olhar as condições de preparo no laudo da colonoscopia. Se as condições de preparo não foram ideais, o exame deve ser repetido em até 1 ano. Qual é a recomendação da sociedade brasileira e americana para repetir uma colonoscopia normal? Câncer colorretal 5 de acordo com a sociedade brasileira e americana – repetir em 10 anos. De acordo com a sociedade europeia – repete em 5 anos e, se for normal, repetir em 10 anos. Quais são os critérios para avaliar a qualidade do exame após polipectomia? � Qualidade do exame: preparo ideal, exame completo (entrou pelo ânus e foi até o ceco), ressecção completa do pólipo. Como é a estratificação de risco para os pólipos? Pólipo hiperplásico: repete em 10 anos. Adenomas: o Tubulares (mais tranquilos): 10mm – repete em 5 a 10 anos. o Vilosos ou túbulo-vilosos (maior risco): repetir em 3 a 5 anos. Neoplasia colorretal: repetir em 1 ano. Quais são os critérios de cura após uma polipectomia? Margens livres. Bem diferenciado. Ausência de invasão angiolinfática (invasão cancerígena nos vasos – mais chance de metástase a distância) ou perineural. Brotamento Budding) grau 1/3. Invasão de submucosa (sm) 1mm 1000 micras). o Se houver mais que isso: maior risco de metástase. O que significa "brotamento" em neoplasias colorretais? o Brotamento é um agrupamento de células ao lado do tumor – fator de mau prognóstico. Qual é a posição do câncer colorretal em termos de incidência em homens e mulheres (excluindo melanomas)? em homens e mulheres (excluindo os melanomas) o CA colorretal é o 2º tipo mais incidente. Quais são alguns fatores de risco para câncer colorretal? história familiar, idade, pólipos (adenomatosos 1cm, adenomas vilosos/tubulovilosos), síndromes polipoides, dieta (carne vermelha, Câncer colorretal 6 embutidos, alimentos processados), obesidade, tabagismo, álcool...alterações na microbiota intestinal. Quais fatores são considerados protetores contra o câncer colorretal? Protetores: dieta rica em fibras, exercícios físicos, antioxidantes (vit. C e E, AAS, controle da obesidade. Epidemiologia: 95% são adenocarcinomas. qual a fisiopatologia do câncer de colorretal? CCR esporádico 65% sem HMF de CCR, início a partir dos 50 anos. CCR “familiarˮ 30% com HMF de CCR, sem critérios de síndromes hereditárias. CCR hereditário 5% síndromes hereditárias. O risco de CCR é muito elevado e com alterações genéticas bem definidas. Quais são as formas de apresentação do câncer colorretal? Assintomática: detectado em exames de rastreamento. Doença com sinais e sintomas: sangramento, distensão abdominal, cólicas, emagrecimento. Quais são os sintomas associados ao câncer de cólon ascendente, sigmoide e reto? o Cólon ascendente: sangue oculto, anemia. o Cólon sigmoide: sintomas obstrutivos, sangramento evidente. o Reto: tenesmo, dor, sangramento. Quais são as emergências cirúrgicas associadas ao câncer colorretal? Emergência cirúrgica: obstrução, perfuração e raramente sangramento gastrointestinal. O que significa o estadiamento TNM no câncer colorretal? Qual é o principal órgão que recebe metástase do câncer colorretal? Estadiamento TNM (tamanho, linfonodos e metástase). Metástase: o principal órgão a ter metástasepelo CC é o fígado. O segundo local mais comum são os pulmões. Câncer colorretal 7 Quais exames são utilizados para o estadiamento do câncer colorretal no cólon? Cólon: o TC de tórax e abdome superior. o TC de pelve. o CEA (antígeno carcinoembrionário). o Colonoscopia completa (para exclusão de outras lesões sincrônicas CA em outro local ao mesmo tempo). Quais exames são utilizados para o estadiamento do câncer colorretal no reto? Reto: o TC de tórax e abdome superior. o RM de pelve. o CEA. o Colonoscopia completa (para exclusão de outras lesões sincrônicas). USG endorretal para T e N (nos dá o grau de invasão da parede). Temos uma parte do reto intraperitoneal e extraperitoneal. Isso muda a abordagem de tratamento. Qual é a função do CEA no manejo do câncer colorretal? Usado para o acompanhamento de pacientes com CCR, durante e após o tratamento. Monitoramento da resposta terapêutica e detecção precoce de recidiva após o tratamento. Quanto maior o valor de CEA no momento do diagnóstico, maior probabilidade de doença avançada. O CEA é utilizado para o diagnóstico do câncer colorretal? Não é usado para diagnosticar ou detectar o câncer colorretal! Alterado em outros tipos de câncer → como melanoma, linfoma, pâncreas) e doenças benignas (como hepatite, DPOC, colite, artrite Câncer colorretal 8 reumatoide). Qual é a diferença no tratamento entre câncer de cólon e câncer de reto? CA de cólon = cirurgia // CA de reto = neoadjuvância QT antes) e depois cirurgia OU apenas QT em alguns casos. O BRIGATORIAMENTE ressecção de pelo menos 12 linfonodos e margem de 5 cm. Qual é o tratamento cirúrgico para câncer de cólon intraperitoneal ou reto superior? COLECTOMIA Linfadenectomia Qual é o tratamento cirúrgico para câncer de cólon ASCENDENTE? HEMICOLECTOMIA DIREITA 8 cm de íleo até metade do cólon transverso) – ligadura alta das aa. Ileocólica, cólica D e ramo direito da art. Cólica média. Qual é o procedimento cirúrgico indicado para câncer de cólon transverso? TRANSVERSECTOMIA Ligadura da a. cólica média na sua raiz, vasos cólicos direito e esquerdo) ou ILEOCOLECTOMIA DIREITA AMPLIADA. Qual é o procedimento cirúrgico indicado para câncer de cólon ESQUERDO? HEMICOLECTOMIA ESQUERDA ligadura da a. mesentérica inferior em sua origem. Qual é o tratamento cirúrgico para câncer de cólon sigmoide? SIGMOIDECTOMIA ligadura dos vasos sigmoideos ou da a. mesentérica inferior. O que é feito no tratamento cirúrgico do câncer de reto médio/superior? 57 CM DE MARGEM ANAL Excisão total do mesorreto (reto + gordura adjacente onde tem linfonodos), ligadura de ramos da a.mesentérica superior. Qual é a importância da margem distal no tratamento do câncer de reto médio/superior? margem distal precisa estar livre de neoplasia para garantir uma ressecção R0 (livre de neoplasia), mesmo que a margem não seja grande, Câncer colorretal 9 para evitar incontinência ao preservar o ânus. Qual é o tratamento neoadjuvante para câncer de reto inferior extraperitoneal (até 57 cm da borda anal)? fazer tratamento neoadjuvante QT/RT pré cirurgia). Feita com 5 Fluorouracil Leucovorin + 5040 CG Radioterapia) Em quais casos o tratamento neoadjuvante é indicado para câncer de reto inferior? o Tumores T3 ou T4. o Linfonodos positivos. o Envolvimento de esfíncter anal (ou 5cm da borda anal) ou da fáscia mesorretal. Quais são os benefícios do tratamento neoadjuvante para câncer de reto inferior? downstaging, preservação esfincteriana, diminuição da taxa de recidiva local do tumor. O que é o protocolo "Watch and Wait" no tratamento do câncer de reto inferior? Neoadjuvância sem cirurgia, com possibilidade de resposta patológica completa. Angelita Habr-Gama → ela que desenvolveu a técnica. alguns pacientes fazem quimio e radio e a doença desaparece, assim Watch and Wait. conceito pro reto extraperitoneal. Quando é indicada a ressecção abdominoperineal do reto (cirurgia de Miles)? Neoplasias do reto inferior. Sem condição de anastomose. Infiltração do aparelho esfincteriano. Quais são os critérios para quimioterapia adjuvante após a cirurgia de câncer de reto? Estágio III. Presença de menos de 12 linfonodos retirados em bloco com a peça cirúrgica. Tumor T4. Câncer colorretal 10 Cirurgia de urgência em tumores obstruídos e perfurados. Tumores pouco diferenciados. Invasão angiolinfática e perineural. Como é feita a vigilância pós-operatória para câncer de reto? CEA dosar a cada 36m por 2 anos e 6/6m por mais 3 anos (total 5 anos). CEA valor prognóstico e para seguimento. Colonoscopia: após o 1° ano. Se normal: a cada 35 anos. Qual é a frequência da tomografia de abdome e RX e pelve na vigilância pós-operatória de câncer de reto? TC de abdome e pelve: anualmente nos primeiros 3 anos. RX ou TC do tórax: anualmente nos primeiros 3 anos. Taxa de recorrência da doença de 40%, nos estágios II e III, sendo 80% dos casos dentro dos primeiros 3 anos pós tratamento primário. Qual é o tipo de tumor mais comum no câncer de ânus? carcinoma espinocelular 85%. Qual é a principal causa do aumento de casos de câncer de ânus? Aumento de casos: o HPV é o principal causador. o Comportamento sexual está relacionado. o Relacionado a outros carcinomas (pele, colo de útero, cabeça e pescoço). Quais são os fatores de risco para câncer de ânus? Fatores envolvidos: HIV, imunossupressão, HPV, tabagismo, múltiplos parceiros sexuais, sexo anal, HMP de CA de vulva ou CA de colo de útero. Qual é o tratamento para carcinoma espinocelular CEC na margem anal? Ressecção local nas lesões menores. Margem de 1 cm. RT e QT nas maiores e na recorrência. Como é tratado o carcinoma espinocelular no canal anal? Ressecção local é EXCEÇÃO. Antes: cirurgia de Miles (radical). Câncer colorretal 11 Hoje: RT 3000cg QT 5 FU e Mitomicina Protocolo de Nigro). Cirurgia radical de resgaste. Margem anal: ressecção local // Canal anal: Protocolo de Nigro