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CÂNCER COLORRETAL 2023 INTERNATO CLÍNICA CIRÚRGICA I FCMS CÂNCER COLORRETAL 1 CÂNCER COLORRETAL VISÃO GERAL CLÍNICA Sinopse Ação urgente ▪ Condições potencialmente fatais que requerem avaliação e intervenção urgentes: ✓ Hemorragia gastrointestinal ✓ Obstrução ou perfuração intestinal Pontos chave ▪ O câncer colorretal é uma neoplasia maligna do cólon ou reto, mais comumente adenocarcinoma; apresentação clínica varia de assintomática a risco iminente de vida (por exemplo, perfuração, obstrução) ▪ Frequentemente detectado por triagem ou avaliação de anemia, perda de peso ou sangue nas fezes ▪ O diagnóstico é baseado na história e nos achados do exame físico, confirmados com colonoscopia e conclusivos com a análise anatomopatológica da amostra ▪ Após o diagnóstico do tecido, exames laboratoriais e de imagem adicionais são necessários para avaliar a função do órgão, orientar medidas diagnósticas adicionais para estadiamento e selecionar a melhor abordagem de tratamento ▪ o Testes laboratoriais padrão incluem hemograma completo, nível de antígeno carcinoembrionário, painel de química sérica e teste de função hepática ✓ Todos os pacientes devem ser submetidos a exames de imagem do tórax, abdome e pelve, geralmente com TC (ou RM para câncer retal ) ✓ O manejo pode incluir ressecção cirúrgica, quimioterapia, radioterapia ou uma combinação delas ✓ O regime é determinado pela localização (cólon ou reto), estágio clínico, características histológicas na biópsia e presença de comorbidades ✓ A cirurgia é a pedra angular do tratamento para candidatos com risco operatório aceitável e doença ressecável 5 6 ✓ A quimioterapia adjuvante é administrada após a cirurgia para prevenir recorrência local ou metástase em pacientes com estágios mais avançados ▪ Complicações comuns do câncer colorretal incluem sangramento gastrointestinal e obstrução ou perfuração intestinal; doença metastática e complicações relacionadas ao tratamento também causam morbidade significativa ▪ Triagem regular para populações de risco é recomendada para identificar e remover pólipos pré-cancerosos ▪ As diretrizes variam; no entanto, o consenso geral é que a colonoscopia deve ser iniciada aos 45 anos e repetida a cada 10 anos até pelo menos 75 anos ✓ As recomendações variam para populações de alto risco (por exemplo, pessoas negras e aquelas com associação familiar) CÂNCER COLORRETAL 2 Pitfalls (Armadilhas) ▪ A colonoscopia incompleta pode resultar em falha na detecção de lesões primárias ou sincrônicas ▪ Na avaliação da dor abdominal em um contexto de mudança nos hábitos intestinais, a TC do abdome sozinha (se não for acompanhada de colonoscopia) pode perder o diagnóstico de câncer de cólon ▪ Na presença de doença diverticular coexistente, considere a avaliação endoscópica após a resolução da diverticulite aguda Terminologia ▪ O câncer colorretal é uma neoplasia maligna do cólon ou reto, mais comumente adenocarcinoma ▪ Na prática clínica, tumores dentro de 15 cm da borda anal são tipicamente classificados como câncer retal CÂNCER COLORRETAL 3 Sumarização - Câncer Colorretal CÂNCER COLORRETAL OBJETIVOS Ao final desta etapa de aprendizagem, você estará apto a: ▪ reconhecer a importância epidemiológica do câncer colorretal; ▪ reconhecer os tipos histológicos principais e as lesões pré-malignas; ▪ identificar os grupos de risco e as indicações de rastreamento; ▪ reconhecer os principais sintomas do câncer colorretal Os cânceres colorretais são, em sua maioria, adenocarcinomas derivados de células epiteliais. Cerca de 66% dos novos cânceres colorretais surgem no cólon: (43% no cólon proximal e 23% no cólon distal) e 30% ocorrem no reto. Os tipos menos comuns de tumores colorretais malignos são tumores carcinoides, tumores de células estromais. gastrointestinais e linfomas. A idade avançada é o maior fator de risco para adenocarcinoma colorretal esporádico, com 99% dos cânceres ocorrendo em pessoas de 40 anos ou mais O carcinoma colorretal (CCR) é a segunda principal causa de mortes relacionadas com carcinomas nos Estados Unidos. O CCR é uma doença heterogénea que surge de anomalias genéticas e epigenéticas, com influência de fatores ambientais. Quase todos os casos de CCR são adenocarcinomas, sendo a maioria das lesões decorrentes da transformação maligna de um pólipo adenomatoso. Como a maioria dos casos de CCR são assintomáticos, a colonoscopia de rastreio ou exames às fezes são geralmente recomendados em doentes com ≥ 45 anos. Tal como o rastreio, o diagnóstico é feito pela realização de uma colonoscopia, que permite a visualização e a biópsia de tecidos. O tratamento é principalmente cirúrgico, com quimioterapia reservada para a doença avançada. Epidemiologia Dentre os tumores malignos do aparelho digestivo, o câncer colorretal é o mais comum. Atinge até 1 em cada 20 indivíduos nos Estados Unidos; no Brasil, a CÂNCER COLORRETAL 4 estimativa foi de 36.360 casos novos em 2018, sendo 17.380 homens e 18.980 mulheres (figura 1). O diagnóstico precoce, pelo rastreamento da população de risco assintomática e pela investigação clínica precoce dos pacientes com sintomas, é a chave para o sucesso do tratamento. A prevenção também é obtida pela erradicação das lesões pré-malignas (adenomas). Um adenoma é um tumor de origem glandular (do grego adeno, "glândula") de crescimento benigno (-oma). Os adenomas podem surgir em muitos órgãos. Estes crescimentos são benignos, embora com o passar do tempo eles podem progredir e ficar malignos. ▪ É o 3.º câncer mais comum (entre homens e mulheres) ▪ É a 2.ª causa mais comum de morte por cancro nos Estados Unidos ▪ Nos Estados Unidos, as taxas de incidência e mortalidade têm diminuído. ▪ A maioria são adenocarcinomas. ▪ A maioria dos carcinomas colorretais (CCR) surgem de pólipos (adenomatosos ou serreados). Fatores de risco ▪ Idade ≥45 anos (94% dos novos casos de CCR) ▪ Síndromes hereditários: ❖ Polipose adenomatosa familiar (PAF) ❖ Carcinoma colorretal hereditário sem polipose (HNPCC) ou síndrome de Lynch ❖ Síndrome de Peutz-Jeghers (SPJ) ❖ Polipose associada a MUTYH (MAP, pela sigla em inglês): mutação no homólogo de mutY do gene de reparação por excisão de base ❖ História familiar de CCR ▪ Patologias do cólon: ❖ Doença inflamatória intestinal (DII) ❖ Pólipos adenomatosos grandes ou CCR prévio ▪ Outras doenças médicas: ❖ Fibrose cística ❖ Uso de radiação abdominopélvica ❖ Doenças que cursam com o aumento da insulina ou fator de crescimento semelhante à insulina (por exemplo, diabetes, acromegalia, obesidade) https://einstein.instructure.com/courses/24802/pages/sumarizacao-cancer-colorretal?module_item_id=601989#kl_popup_0_content CÂNCER COLORRETAL 5 ❖ Bacterémia por Streptococcus bovis ❖ Transplante renal ▪ Estilo de vida e fatores sociais: ❖ Tabagismo e consumo de álcool (> 4 doses/dia) ❖ Dieta (aumento de gordura, carne vermelha e processada, pouca fibra). A obesidade proporciona um aumento do risco de evoluir para câncer de cólon comparado com osindivíduos de peso normal, e está associada a um maior risco de morte pela doença. Em uma revisão sistemática, a obesidade foi associada a um aumento do risco de câncer colorretal de início precoce (menos de 50 anos) entre as mulheres. Obesidade, ingestão de grande quantidade de calorias e sedentarismo são provavelmente fatores de risco sinérgicos para o desenvolvimento de câncer colorretal. Estudos prospectivos grandes com longos períodos de acompanhamento mostraram que a ingestão excessiva de carne vermelha e processada está associada a um aumento do risco de câncer colorretal. Algumas evidências sugerem que a alta ingestão de carboidratos pode aumentar o risco de câncer colorretal nosretal total com colostomia permanente ✓ Tumores moderadamente ou bem diferenciados a 3 cm de diâmetro ▪ diferenciação ruim ▪ >pT1, com invasão linfovascular ou perineural ou de grau 3 ▪ invasão do complexo do esfíncter anal. Uma revisão sistemática constatou que a MET (microcirurgia endoscópica transanal) pode estar associada a um menor tempo de operação e a um risco reduzido de complicações pós-operatórias em comparação com a ressecção radical do câncer retal inicial, mas a sobrevida global e os desfechos oncológicos não diferiram. Na metanálise, a MET esteve associada a menos complicações do que a cirurgia padrão em pacientes com câncer retal T1 e T2, mas com maior recorrência local e global; nenhuma técnica demonstrou uma vantagem na sobrevida. Uma revisão sistemática subsequente de estudos principalmente retrospectivos revelou que a MET é oncologicamente superior à excisão transanal. Pode ser necessária cirurgia definitiva ou radioterapia após a ressecção local se as margens de ressecção forem positivas, se a patologia revelar estádio pT2 ou se o tumor for de grau pT1, mas com características histológicas desfavoráveis. O padrão de cuidados nessas situações, com melhores desfechos oncológicos, continua sendo a cirurgia definitiva (ressecção abdominoperineal ou anterior baixa). Os tumores T1 sem indicação para ressecção local e os tumores T2 no terço superior do reto são tratados com ressecção anterior, preservação do esfíncter e anastomose colorretal. Para tumores não passíveis de excisão local que estão no terço médio e inferior do reto, a excisãoé obtida por ressecção anterior baixa (RAB) e anastomose coloanal. Uma bolsa colônica, anastomose colorretal lateral ou coloplastia pode melhorar a função em alguns casos. Essa anastomose tão baixa geralmente é desfuncionalizada com uma ileostomia temporária. O desvio da ileostomia deve ser considerado para pacientes com anastomose retal baixa que receberam radiação neoadjuvante e apresentam aumento do risco de extravasamento anastomótico. A ressecção abdominoperineal (RAP) será necessária se o tumor invadir o assoalho pélvico, o complexo do esfíncter ou o canal anal. A RAP envolve a colostomia permanente.[87] Para pacientes com câncer em estádio inicial (cT1-2N0) que requerem RAP devido à localização do tumor, a quimiorradiação neoadjuvante pode ser recomendada após discussão multidisciplinar para aumentar a chance de preservação do esfíncter. Câncer retal em estádio II a III Em muitos centros, o tratamento de pacientes com câncer retal em estádio clínico II e III consiste em radioterapia pré-operatória com quimiorradioterapia à base de fluoropirimidina, seguida por uma ressecção anterior baixa (RAB) com preservação de esfíncter ou RAP, dependendo da localização do tumor em relação aos esfíncteres anais. O tratamento neoadjuvante nos EUA inclui radioterapia de longa duração que consiste em 50.4 Gy administrados ao longo de 5 semanas com quimioterapia concomitante à base de fluoropirimidina. A radiação pré-operatória de curta duração é uma alternativa aceita, usada em pacientes selecionados com doença T3. A radiação pré-operatória melhora a função pós-operatória do paciente, bem como CÂNCER COLORRETAL 47 a tolerância ao tratamento, e é o padrão de tratamento para os cânceres retais em estádio clínico II e III nos EUA. A adição da quimioterapia com fluoropirimidina no esquema pré-operatório reduz a recorrência local, mas não melhora a sobrevida, e tem um efeito negativo nas dimensões da qualidade de vida.A quimioterapia neoadjuvante com FOLFIRINOX (fluoruracila/ácido folínico com oxaliplatina e irinotecano) e quimiorradioterapia pré-operatória melhorou significativamente a sobrevida livre de doença, em comparação com o padrão de cuidados (por exemplo, quimiorradioterapia seguida de excisão mesorretal total e quimioterapia adjuvante) em pacientes com adenocarcinoma retal comprovado por biópsia em estádio cT3 ou cT4 M0. (sobrevida livre de doença em 3 anos de 76% vs. 69%, respectivamente.) Atualmente, a adição de oxaliplatina aos esquemas de quimiorradioterapia não é recomendada. Radiação neoadjuvante de ciclo curto Em muitos países fora dos EUA, a radiação neoadjuvante de ciclo curto tornou-se o padrão de tratamento para cânceres retais em estádio clínico II e III. Isso envolve 25 Gy de radiação fornecida em cinco frações ao longo de 1 semana. A taxa de resposta patológica completa é menor após a radiação de ciclo curto, mas os desfechos em longo prazo parecem semelhantes aos da radiação pré-operatória de ciclo longo (radiação de 50.4 Gy durante 5 semanas). A radiação pré-operatória de ciclo curto é normalmente usada para lesões menores e não volumosas, com falta de extensão ou invasão na fáscia própria do mesorreto. As principais vantagens dessa estratégia são que a ileostomia pode ser potencialmente evitada, os tempos de tratamento são significativamente reduzidos e as toxicidades da radiação são reduzidas. Quando o tratamento de radiação pré-operatório de curta duração é usado, é recomendado realizar a cirurgiaquimioterapia sistêmica perioperatória: dados retrospectivos sugerem que IAH está associada com melhora da sobrevida global após ressecção de metástases hepáticas colorretais. A ressecção das metástases hepáticas não deve ser realizada na presença de doença irressecável em locais extra-hepáticos. Para pacientes com doença hepática ou pulmonar oligometastática que não desejam cirurgia, a ablação guiada por imagem ou a radioterapia estereotáxica corpórea (SBRT) podem ser usadas no lugar da cirurgia. Gerenciamento De Metástases Peritoneais A cirurgia citorredutora com quimioterapia intraperitoneal hipertérmica (HIPEC) pode melhorar os desfechos de sobrevida em pacientes com câncer colorretal com metástases peritoneais. CÂNCER COLORRETAL 49 A técnica de HIPEC é restrita a centros oncológicos especializados; faltam dados de ensaios clínicos randomizados e controlados. Identificação de pacientes com câncer retal com prognóstico desfavorável A razão neutrófilos/linfócitos pré-operatória elevada tem sido associada a um prognóstico mais desfavorável em pacientes com câncer colorretal localizado ou metastático ao fígado. É, portanto, um biomarcador útil para identificar pacientes que se beneficiariam de terapias adjuvantes. Revisões sistemáticas relataram que a mutação em BRAF está associada à redução da sobrevida livre de doença e sobrevida global em pacientes com câncer colorretal em estádio I/ III que recebem quimioterapia adjuvante após ressecção curativa e em pacientes com câncer colorretal com metástases hepáticas. Os tumores com mutação KRAS e BRAF foram associados a menor sobrevida livre de progressão e sobrevida global em comparação com tumores sem mutação. Tratamento neoadjuvante A quimioterapia ou a imunoterapia neoadjuvantes devem ser oferecidas a pacientes com metástases ressecáveis síncronas somente hepáticas e/ou pulmonares. Os esquemas de quimioterapia de escolha são FOLFOX ou capecitabina e oxaliplatina (CapeOX). Outros esquemas incluem fluoruracila associada a ácido folínico ou capecitabina. A imunoterapia, incluindo pembrolizumabe, nivolumabe ou nivolumabe e ipilimumabe, pode ser considerada para pacientes com cânceres com reparo de erro de pareamento defeituoso (dMMR) ou instabilidade de microssatélite alta (IMS-A). O pembrolizumabe é o tratamento de escolha para esses pacientes. A quimioterapia ou a imunoterapia podem ser seguidas por radioterapia.A radioterapia ou a quimiorradiação podem ser consideradas para pacientes com envolvimento tumoral da margem de ressecção. Câncer retal em estádio IV: controle dos sintomas Tratamentos adicionais direcionados ao tumor primário podem ser necessários para controlar os sintomas. Esses tratamentos incluem a colocação de stent endoscópico para a obstrução por tumor, radioterapia, recanalização a laser ou colostomia com bypass. Câncer de cólon em estádio I a III Em pacientes sem metástases, o tratamento primário é a colectomia com remoção em bloco dos linfonodos regionais. A extensão da colectomia depende da ressecção da parte do cólon e da arcada arterial que contém os linfonodos regionais. A ressecção e o exame físico de, no mínimo, 12 linfonodos são necessários para possibilitar o estadiamento preciso. Estruturas envolvidas contiguamente também devem ser removidas; as aderências não devem ser separadas porque podem conter células malignas. Uma abordagem cirúrgica minimamente invasiva, usando técnicas cirúrgicas laparoscópicas ou assistidas por robô, é preferencial para colectomia eletiva quando houver experiência disponível. Uma obstrução por câncer pode ser tratada por ressecção com derivação temporária ou, raramente, em circunstâncias bem específicas, com inserção de endoprótese endoscópica provisória seguida de ressecção. Os pacientes com doença em estádio III devem se à quimioterapia adjuvante. O papel da quimioterapia adjuvante em pacientes em estádio II não é claro. As análises de subgrupos sugerem que os pacientes com doença em estádio II de alto risco se beneficiam da terapia adjuvante, embora em menor grau do que os pacientes com doença em estádio III. A National Comprehensive Cancer Network (NCCN) e a American Society for Clinical Oncology (ASCO) recomendam que a quimioterapia adjuvante seja oferecida para: CÂNCER COLORRETAL 50 ▪ Pacientes com câncer de cólon em estágio IIB (tumor penetrando no peritônio visceral) ou câncer de cólon em estádio IIC (tumor invadindo órgãos adjacentes) ▪ Pacientes com câncer de cólon de alto risco em estádio IIA, que inclui canceres (exclusivos de IMS-A [altos níveis de instabilidade de microssatélite]) de pacientes com amostras inadequadas de linfonodos (com metástases hepáticas. Os tumores com mutação KRAS e BRAF foram associados a menor sobrevida livre de progressão e sobrevida global em comparação com tumores sem CÂNCER COLORRETAL 51 mutação. O perfil molecular para identificar pacientes com câncer colorretal em estádio II com alto risco de recorrência está começando a ser adotado na prática clínica. Câncer de cólon de estádio IV com metástases ressecáveis O manejo de pacientes com metástases ressecáveis segue princípios similares em pacientes com câncer retal e metástases ressecáveis, tanto no cronograma da cirurgia em relação à quimioterapia quanto nos esquemas de quimioterapia ideais. As diretrizes recomendam diversas terapias de primeira linha possíveis para pacientes com câncer de cólon em estádio IV com metástases ressecáveis: ▪ Ressecção após quimioterapia pré-operatória com adição de fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) ou receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR), se necessário ▪ Ressecção após imunoterapia pré-operatória com pembrolizumabe, nivolumabe ou nivolumabe ▪ e ipilimumabe (somente para pacientes com tumores com dMMR/IMS-A. A terapia com pembrolizumabe é preferencial ▪ Ressecção seguida de quimioterapia pós-operatória em combinação com VEGF ou EGFR. Câncer colorretal metastático irressecável (estádio IV) ou clinicamente inoperável O tratamento faz parte de uma abordagem paliativa e não curativa, com objetivos de prolongar a sobrevida global e manter a qualidade de vida. A terapia sistêmica é a base do tratamento, mas a terapia direcionada ao fígado, como ablação por micro-ondas, infusão da artéria hepática, quimioembolização transarterial ou radioembolização, pode ser utilizada (embora os dados de ECRC sejam limitados). As estimativas de sobrevida em pacientes com doença disseminada que recebem os melhores cuidados de suporte são de aproximadamente 6 meses. O uso de fluoruracila/ácido folínico pode aumentar a sobrevida em cerca de 10 a 12 meses; fluoruracila/ácido folínico associado a oxaliplatina e irinotecano associado a fluoruracila/ácido folínico podem aumentar a sobrevida em 20 a 21 meses. A adição de um agente biológico a essa base prolonga a sobrevida em aproximadamente 27 a 33 meses. Terapia sistêmica A maioria dos pacientes com câncer colorretal em estádio IV irressecável receberá um tratamento à base de quimioterapia com dois medicamentos e um inibidor do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) ou um antagonista do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR). CÂNCER COLORRETAL 52 Figura 1. Esquema de ressecção de tumores iniciais por mucosectomia. Figura2. Tratamento paliativo de tumor de reto obstrutivo. Nos tumores mais avançados de cólon, o tratamento cirúrgico se impõe. A colectomia com retirada do tecido linfonodal mesentérico e mesocólico (linfadenectomia) associado é indicada. Para os tumores do ceco, cólon ascendente e parte proximal do cólon transverso, a colectomia direita está indicada (figura 3). Figura 3. Colectomia direita. Legenda: O primeiro passo da ressecção endoscópica de lesões de cólon é a delimitação do tumor e sua margem, seguida de injeção de solução salina, para que haja elevação da lesão, para que possa ser feita sua resseção por completa e com margem profunda. Fonte: Imagem do acervo da SBIBAE. CÂNCER COLORRETAL 53 Nos tumores do cólon esquerdo, a colectomia esquerda com a remoção das estações de drenagem linfática deve ser realizada, e, nos tumores de reto intraperitoneal e sigmóide, a retossigmoidectomia representa a operação adequada (figura 4). Figura 4. Colectomia esquerda/retossigmoidectomia Legenda: Colectomia direita: lesão neoplásica de cólon ascendente proximal. A área de ressecção envolve o íleo terminal, o ceco com o apêndice, o cólon ascendente e a parte proximal do cólon transverso. A linfadenectomia envolve a ligadura das artérias ileocólolica, cólica direita e o ramo direito da artéria cólica média. Fonte: Imagem do acervo da SBIBAE. CÂNCER COLORRETAL 54 Nos tumores do reto extraperitoneal localmente avançados (estágios T3 ou N+), a radioquimioterapia neoadjuvante seguida de cirurgia é o tratamento padrão. As operações que podem ser realizadas são a amputação abdominoperineal do reto, com colostomia definitiva, em tumores próximos a borda anal, ou as ressecções do reto, com preservação esfincteriana e anastomose coloanal. Tumores de reto mais precoces podem ser tratados com ressecção local ou cirurgia isolada. As margens intramurais distal e proximal ao tumor no cólon devem ser de, pelo menos, 5 cm e outras colectomias podem ser realizadas dependendo do caso. Nos casos de tumor de reto a margem distal pode ser de 2 cm. Para os casos de tumores sincrônicos do cólon (mais de uma lesão em mais de um segmento colônico), a operação de colectomia total deve ser indicada (figuras 5 e 6). CÂNCER COLORRETAL 55 Figura 5. Colectomia total com anastomose íleo-retal. Figura 6. Colectomia total com ileostomia de Brooke. CÂNCER COLORRETAL 56 A quimioterapia adjuvante é indicada para os casos de comprometimento linfonodal e naqueles em que há penetração da camada serosa. Para os tumores metastáticos ou irressecáveis, o tratamento cirúrgico objetiva a melhor paliação possível. Assim, para tumores irressecáveis, operações de derivação interna ou externa podem ser realizadas (como a íleo-transverso anastomose para os casos de tumor de cólon direito irressecável ou colostomia nos tumores de reto na mesma situação). (figura 7) As derivações intestinais (colostomias e ileostomias, conforme figura 8) podem ser usadas em cirurgia oncológica e pode ter caráter temporário ou definitivo, com intenção curativa ou paliativa. Por exemplo, para o câncer do reto que invade o ânus, o tratamento envolve a amputação do reto com colostomia terminal definitiva do cólon sigmoide. Um exemplo de derivação temporária é a colostomia terminal do cólon esquerdo utilizada para tratar cirurgicamente na urgência um câncer do cólon sigmoide complicado por obstrução. Figura 7. Tipos de lesão e procedimentos recomendados. Figura 8. Colostomia e ileostomia. Legenda: A= colostomia ascendente; B= colostomia transversa; C= colostomia descendente; D= colostomia sigmoidea; E= ileostomia. Fonte: Imagem do acervo da SBIBAE. CÂNCER COLORRETAL 57 COMPLICAÇÕES E PROGNÓSTICO COMPLICAÇÕES ▪ COMPLICAÇÕES DA DOENÇA o Hemorragia gastrointestinal ✓ O manejo inicial inclui tentativas de controlar o sangramento com abordagens não cirúrgicas ✓ Quando é necessária cirurgia, é realizada uma ressecção oncológica o Obstrução intestinal (relacionada: obstrução do intestino grosso) ✓ Para pacientes com câncer de cólon obstrutivo e doença curável, a descompressão endoscópica do stent ou a colostomia de desvio, com colectomia de intervalo são geralmente preferíveis à colectomia emergente o Perfuração intestinal ✓ Recomenda-se a ressecção seguindo princípios oncológicos estabelecidos com um baixo limiar para a realização de um procedimento estagiado o Complicações relacionadas à metástase incluem fraturas, dispneia e convulsões • COMPLICAÇÕES DO TRATAMENTO o Quimioterapia ✓ Dermatotoxicidade ✓ Síndrome mão-pé ✓ Reações cutâneas ✓ Neurotoxicidade ✓ Comum com oxaliplatina ✓ Diarreia ✓ Neutropenia febril ✓ Malignidades Secundárias o Cirurgia ✓ Vazamento anastomótico ✓ Hemorragia anastomótica ✓ Íleo ✓ Oferecer aos pacientes uma dieta regular imediatamente após cirurgia colorretal eletiva ✓ Alimentação simulada após cirurgia colorretal é recomendada (por exemplo, mascar chiclete sem açúcar por 10 minutos ou mais, 3 a 4 vezes por dia); resulta em pequenasmelhorias na recuperação gastrointestinal e pode estar associada à redução no tempo de internação CÂNCER COLORRETAL 58 ✓ Alvimopan (nome comercial Entereg) é um medicamento que se comporta como um antagonista do receptor μ-opioide de ação periférica). é recomendado para acelerar a recuperação após cirurgia colorretal aberta; seu uso em cirurgia minimamente invasiva é menos claro. é indicado em pessoas para evitar íleo pós- operatório após ressecção parcial do intestino grosso ou delgado com anastomose primária. Alvimopan acelera o período de recuperação gastrointestinal conforme definido pelo tempo até a primeira evacuação ou flatulência. ✓ Fístula Gastrointestinal o Radioterapia ✓ Náuseas, vômitos e/ou diarreia ✓ Perda de apetite ✓ Proctite por radiação ✓ Danos ao intestino delgado ✓ Malignidades Secundárias Prognóstico ▪ Sobrevida de 5 anos de câncer colorretal 92 o Todas as etapas: 65,1% o Localizado: 90,9% o Regionais: 72,8% o Distante: 15,1% o Não encenado: 40,5% CÂNCER COLORRETAL 59 Seguimento O acompanhamento dos pacientes depois do tratamento inicial é importante para a detecção de recidivas locais ou à distância. Exame físico abdominal e proctológico, dosagem de CEA, exames de imagem (tomografias de abdome e tórax, ou raio X de tórax e ultrassonografia de abdome) e colonoscopia devem ser realizados periodicamente em pacientes já tratados. Recidivas locais, cânceres metacrônicos e metástases à distância podem ocorrer, com mais frequência nos dois primeiros anos após o diagnóstico. Follow-up: Antigénio carcinoembrionário (CEA): ▪ Monitorizar durante 5 anos após a conclusão do tratamento (a cada 6 meses). ▪ Valores seriados após cirurgia/tratamento: ❖ A elevação do CEA deve ser avaliada novamente. ❖ Quando confirmado, a avaliação pode incluir TC, PET e/ou colonoscopia para procurar uma eventual recorrência da doença. ▪ Colonoscopia: ❖ Dentro de alguns meses após a resseção cirúrgica, e depois 1 ano após a cirurgia ❖ A cada 3-5 anos a partir desse ano ▪ Imagiologia: ❖ TC anual (tórax e abdómen) durante pelo menos 3 anos ❖ TC (pelve) para carcinoma retal se não tiver sido administrada radiação pélvica CÂNCER COLORRETAL 60 Síndromes Familiares de Carcinoma do Cólon Polipose adenomatosa familiar ▪ Doença autossómica dominante ▪ Ocorre devido a uma mutação no gene APC ▪ Desenvolvem-se centenas de adenomas colorretais (observados na colonoscopia) aos 15 anos. ▪ Risco de CCR: 100%, frequentemente detetado aos 40 anos ▪ Rastreio: colonoscopia a partir dos 10 – 15 anos ▪ Tratamento: colectomia profilática (proctocolectomia ou colectomia total), geralmente aos 20 anos ▪ Indicações para colectomia na PAF: ❖ Eletiva ❖ CCR suspeito ❖ Presença de displasia ou neoplasia do cólon ❖ Aumento significativo no número de pólipos durante o rastreio Mucosa do cólon coberta por pólipos adenomatosos na polipose adenomatosa familiar (PAF) https://cdn.lecturio.com/assets/Colonic-mucosa-carpeted-by-adenomatous-polyps-in-familial-adenomatous-polyposis-FAP.jpg CÂNCER COLORRETAL 61 Visão endoscópica de múltiplos adenomas estabelecidos na PAF Carcinoma colorretal hereditário sem polipose/síndrome de Lynch ▪ Doença autossómica dominante ▪ Ocorre devido à mutação de 1 dos genes de “mismatch repair” de DNA (MSH2, MSH6, MLH1) resultando em MSI, ou o gene EPCAM. ▪ Risco de CCR: 75% https://cdn.lecturio.com/assets/Endoscopic-view-of-established-multiple-FAP-adenomas.jpg CÂNCER COLORRETAL 62 ▪ Indivíduos em risco que atendem aos critérios de Amesterdão II (“regra 3-2-1”) : ✓ 3 ou mais familiares com CCR, 1 dos quais deve ser familiar em primeiro grau dos outros 2 ✓ Envolvimento de 2 ou mais gerações ✓ Pelo menos 1 carcinoma deve ter sido diagnosticado 50 anos com hemorroidas necessita também de ser investigado para CCR. • Doença diverticular: a diverticulose é a presença de saliências em forma de saco no cólon. As complicações incluem hemorragia diverticular e diverticulite, que também se manifestam com hematoquézias e alterações nos hábitos intestinais. Os achados na colonoscopia diferenciam a doença diverticular do CCR. • Neoplasias do intestino delgado: também apresentam hematoquézias/melenas e sintomas obstrutivos. Para diferenciar estas neoplasias do CCR, pode ser necessária a realização de uma endoscopia digestiva alta e baixa. CÂNCER COLORRETAL 64 • Tumores neuroendócrinos: acometem o cólon direito na maioria dos casos. Estas lesões apresentam sintomas característicos do síndrome carcinóide (diarreia, rubor e sibilos). CÂNCER COLORRETAL 65 Rastreamento Estratégias de menor custo, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes anual, podem ser utilizadas na população geral, a depender da disponibilidade de cada serviço. Se a pesquisa vier positiva, deve-se indicar a colonoscopia. Para a população com risco mais elevado, como pacientes com doença inflamatória intestinal ou como os parentes de primeiro grau de indivíduos com câncer o rastreamento se modifica, nesse caso, por exemplo, se inicia-se aos 40 anos ou 10 anos antes da idade em que o parente teve o diagnóstico de câncer. A colonoscopia é o exame diagnóstico de preferência para indivíduos considerados de risco muito alto para o câncer colorretal, como os pertencentes a famílias com polipose adenomatosa familiar e síndrome de Lynch. Estes indivíduos devem ser submetidos a protocolos específicos de rastreamento ou pesquisa genética, a partir da segunda década de vida, assim como os portadores de doença inflamatória intestinal na forma de colite por mais de 10 anos, que devem ser submetidos à colonoscopia anual ou a cada 2 anos. Vários fatores potencialmente modificáveis, incluindo obesidade, diabetes, uso de tabaco, consumo excessivo de álcool, consumo excessivo de carne processada e falta de atividade física, foram consistentemente identificados como fatores de risco em estudos observacionais, mas,até o momento, eles não alteram os protocolos de rastreamento. Nos países ocidentais, inclusive no Brasil, toda a população acima de 45 anos é considerada de risco e tem indicação de rastreamento (investigação em assintomáticos). Como sangue oculto anual ou colonoscopia a cada 10 anos (ou menos a depender dos achados). A decisão sobre quando interromper o rastreamento deve ser individualizada e compartilhada, levando em consideração o risco do paciente para câncer colorretal, histórico de rastreamento anterior, valores pessoais e se as condições de comorbidade do paciente e expectativa de vida justificam os riscos e inconveniências dos exames de screening. De maneira geral, continuamos a triagem para CRC até a idade de 75 anos para pacientes de risco médio, desde que sua expectativa de vida seja de 10 anos ou mais. Este tópico do BMJ Best Practice é baseado na versão da web que foi atualizada pela última vez em: May 26, 2022. POPULAÇÕES DE RISCO MÉDIO Public Health England (NHS) A Public Health England recomenda que o rastreamento do câncer de intestino seja oferecido a cada 2 anos para homens e mulheres com idade entre 60 e 74 anos usando o kit de teste imunoquímico fecal doméstico fornecido pelo National Health Service (NHS).Pessoas com mais de 74 anos podem solicitar CÂNCER COLORRETAL 66 um exame de rastreamento se desejarem continuar a fazer o rastreamento. Qualquer pessoa com um resultado de teste de rastreamento anormal deve ser submetida a uma colonoscopia. O NHS começará a reduzir a idade para o rastreamento do câncer de intestino de 60 para 50 anos a partir de abril de 2021. United States Preventive Services Task Force A US Preventive Services Task Force recomenda o rastreamento de câncer colorretal dos 45 aos 75 anos de idade. A decisão de rastreamento de câncer colorretal em adultos com 76 a 85 anos de idade deve ser individual, levando em conta a saúde geral e a história pregressa de rastreamentos do paciente. Como parte de uma estratégia para aumentar as taxas de rastreamento, as diretrizes fornecem uma variedade de opções de rastreamento em vez de uma classificação de testes. Estes são os exames de rastreamento de fazes e seus intervalos: ▪ Exame de sangue oculto nas fezes (ESOF) à base de guáiaco, a cada ano ▪ Exame de fezes imunoquímico (FIT), a cada ano ▪ FIT-DNA, a cada 1 ou 3 anos. Estes são os exames de rastreamento de visualização direta e seus intervalos: ▪ Colonoscopia, a cada 10 anos ▪ Colonografia por tomografia computadorizada (TC), a cada 5 anos ▪ Sigmoidoscopia flexível, a cada 5 anos ▪ Sigmoidoscopia flexível com FIT; sigmoidoscopia a cada 10 anos, com FIT anualmente. American College of Gastroenterology As diretrizes de rastreamento do câncer colorretal do American College of Gastroenterology recomendam: ▪ O rastreamento de indivíduos de risco médio entre 45 e 75 anos para reduzir a incidência de adenoma avançado, câncer colorretal e mortalidade por câncer colorretal (observando que as evidências para dar suporte ao rastreamento de indivíduos entre 45 e 49 anos são de qualidade muito baixa) ▪ Que a decisão de continuar o rastreamento além da idade de 75 anos seja individualizada ▪ Colonoscopia e FIT como modalidades de rastreamento primário para rastreamento do câncer colorretal ▪ Que os seguintes intervalos devem ser seguidos para as modalidades de rastreamento: FIT a cada 1 ano; colonoscopia a cada 10 anos. US Multi-Society Task Force on Colorectal Cancer A US Multi-Society Task Force on Colorectal Cancer recomenda: ▪ Rastreamento de pacientes com risco médio a partir de 45 anos ▪ A decisão de iniciar ou continuar o rastreamento em indivíduos de 76 a 85 anos deve ser personalizada e baseada na história de rastreamentos prévios, expectativa de vida, risco de câncer colorretal e preferências pessoais ▪ O rastreamento não é recomendado após os 85 anos de idade. Esta diretriz classifica os testes de rastreamento disponíveis em três níveis: 1. Colonoscopia a cada 10 anos ou FIT anualmente 2. Exame de sangue de células tumorais circulantes a cada 5 anos, FIT de DNA a cada 3 anos e sigmoidoscopia flexível a cada 5 a 10 anos CÂNCER COLORRETAL 67 3. Colonoscopia com cápsula endoscópica a cada 5 anos. American Cancer Society A American Cancer Society recomenda que adultos com 45 anos ou mais, com um risco médio de câncer colorretal, sejam submetidos a exames regulares com qualquer um dos seguintes exames, dependendo da preferência do paciente e da disponibilidade dos exames: ▪ Colonoscopia a cada 10 anos ▪ Colonografia por TC a cada 5 anos ▪ Sigmoidoscopia flexível a cada 5 anos ▪ Coletar em casa amostras para exame de sangue oculto nas fezes à base de guáiaco de alta sensibilidade anualmente ▪ Coletar em casa FIT anualmente ▪ Teste de DNA nas fezes com múltiplos alvos a cada 3 anos. Todos os resultados positivos nos testes de rastreamento que não são colonoscópicos devem ser acompanhados com colonoscopia oportuna. American College of Physicians O American College of Physicians (ACP) recomenda o rastreamento do câncer colorretal em adultos de risco médio com idades entre 50 e 75 anos. Os exames de rastreamento e intervalos sugeridos são: ▪ Teste imunoquímico fecal ou exame de sangue oculto nas fezes à base de guáiaco de alta sensibilidade a cada 2 anos ▪ Colonoscopia a cada 10 anos ▪ Sigmoidoscopia flexível a cada 10 anos associado a teste imunoquímico fecal a cada 2 anos. O ACP recomenda que o rastreamento de câncer colorretal seja descontinuado em adultos de risco médio com mais de 75 anos ou em adultos com expectativa de vida de 10 anos ou menos. Canadian Task Force on Preventive Health Care A Canadian Task Force on Preventive Health Care não recomenda o uso de colonoscopia como ferramenta de rastreamento primário em adultos assintomáticos com 50 anos de idade ou mais que não apresentam alto risco de câncer colorretal, citando evidências inadequadas da superioridade da colonoscopia a outros testes de rastreamento, especialmente ESOF. No entanto, essas recomendações foram classificadas como "fracas" pela falta de evidências em ensaios clínicos randomizados e controlados. Risco familiar ou hereditário Diretrizes do Reino Unido As diretrizes do Reino Unido recomendam que o rastreamento comece aos 50 anos (55 anos para indivíduos de baixo risco) em pacientes com história familiar de câncer colorretal em um parente de primeiro grau. US Multi-Society Task Force on Colorectal Cancer A US Multi-Society Task Force on Colorectal Cancer recomenda a colonoscopia de rastreamento para pacientes com: ▪ Dois ou mais parentes de primeiro grau com câncer colorretal diagnosticado em qualquer idade, ou ▪ Um único parente de primeiro grau com câncer de cólon ou pólipos adenomatosos diagnosticado quando o paciente tinha menos de 60 anos. CÂNCER COLORRETAL 68 A colonoscopia deve ser iniciada aos 40 anos ou 10 anos mais jovem que o diagnóstico mais precoce na família, o que ocorrer primeiro, e deve ser repetida a cada 5 anos. As pessoas com um único parente de primeiro grau diagnosticado com mais de 60 anos de idade devem receber opções de rastreamento de risco médio, a partir dos 40 anos. American College of Gastroenterology[ O American College of Gastroenterology recomenda: ▪ Iniciar o rastreamento do câncer colorretal com uma colonoscopia aos 40 ou 10 anos antes da idade que o parente mais jovem afetado recebeu o diagnóstico, o que ocorrer antes, para indivíduos com câncer colorretal ou pólipo avançado em um parente de primeiro grau com idade Iniciar o rastreamento do câncer colorretal aos 40 ou 10 anos antes da idade que o parente mais jovem afetado recebeu o diagnóstico e, em seguida, retomar as recomendações de rastreamento de risco médio para indivíduos com câncer colorretal ou pólipo avançado em um parente de primeirograu aos 60 anos ou mais. ▪ Recomendações de rastreamento de câncer colorretal de risco médio para indivíduos com um parente de segundo grau com câncer colorretal ou pólipo avançado. Alto risco Polipose Adenomatosa Familiar (PAF): ▪ O rastreamento do câncer colorretal em pacientes em risco ou afetados pela PAF deve começar na puberdade (10-12 anos de idade); a vigilância deve ser realizada por colonoscopia anual ou sigmoidoscopia flexível. Síndrome de Lynch (Câncer Colorretal Hereditário Sem Polipose): ▪ O rastreamento para o câncer colorretal em pacientes em risco ou afetados pela síndrome de Lynch deve começar entre as idades de 20 e 25 anos; a vigilância deve ser realizada por colonoscopia a cada 1 a 2 anos.[121] [122] A colonoscopia anual deve ser considerada em portadores de mutações confirmadas. Polipose Associada ao MYH/MUTYH (MAP): ▪ O rastreamento do câncer colorretal em pacientes em risco de, ou afetados por, MAP deve começar na puberdade (10-12 anos de idade); a vigilância deve ser realizada por colonoscopia anual. Doença Inflamatória Intestinal Pacientes com doença de Crohn ou colite ulcerativa do lado esquerdo ou extensa devem ser submetidos ao rastreamento por colonoscopia (com biópsias sistemáticas) para câncer colorretal 8 anos após o início dos sintomas. A vigilância deve ser a cada 1 a 3 anos; pacientes com maior risco (por exemplo, aqueles com doença extensa ativa ou colangite esclerosante primária concomitante) devem ser submetidos a vigilância anual. A vigilância é idealmente realizada quando a doença do cólon está em remissão. As diretrizes do Reino Unido recomendam que todos os pacientes com colite ulcerativa ou doença de Crohn façam uma colonoscopia de rastreamento aproximadamente 10 anos após o início dos sintomas colíticos para avaliar a extensão da doença e outros fatores de risco endoscópicos.[120] A vigilância subsequente é influenciada pelo risco: CÂNCER COLORRETAL 69 ▪ Menor risco - a cada 5 anos: colite extensa sem inflamação endoscópica/histológica ativa, colite do lado esquerdo ou doença de Crohn emadjuvante é indicada para os casos de comprometimento linfonodal. Nos tumores do reto extraperitoneal, a radioquimioterapia neoadjuvante, seguida de cirurgia, é o tratamento padrão. Anatomia do cólon e reto, visão coronal. O diâmetro do cólon direito é maior do que o diâmetro do lado esquerdo. Note a localização mais alta da flexura esplênica, em comparação com a flexura hepática, e a localização extraperitoneal do reto. CÂNCER COLORRETAL 73 O intestino grosso inclui o cólon, que consiste em ascendente, transverso, descendente e sigmóide cólon e reto, mostrados aqui em relação às estruturas anatômicas vizinhas. (De Standring S, Anand N, Rolfe B, e outros. Anatomia de Gray. 41ª ed. Filadélfia: Elsevier; 2016.) Fáscias endopélvicas. (De Gordon PH, Nivatvongs S, editors: Principles and practice of surgery for the colon, rectum and anus, ed. 2, St. Louis, 1999, Quality Medical Publishing, p. 10.) CÂNCER COLORRETAL 74 Músculos elevadores. (De Gordon PH, Nivatvongs S, editors: Principles and practice of surgery for the colon, rectum and anus, ed. 2, St. Louis, 1999, Quality Medical Publishing, p. 18.) Ligamento hiatal. (De Gordon PH, Nivatvongs S, editors: Principles and practice of surgery for the colon, rectum and anus, ed. 2, St. Louis, 1999, Quality Medical Publishing, p. 18.) CÂNCER COLORRETAL 75 Suprimento arterial do cólon. (De Gordon PH, Nivatvongs S, editors: Principles and practice of surgery for the colon, rectum and anus, ed. 2, St. Louis, 1999, Quality Medical Publishing, p. 23.) Suprimento arterial do reto. (De Gordon PH, Nivatvongs S, editors: Principles and practice of surgery for the colon, rectum and anus, ed. 2, St. Louis, 1999, Quality Medical Publishing, p. 24.) CÂNCER COLORRETAL 76 Arco de Riolan. (De Gordon PH, Nivatvongs S, editors: Principles and practice of surgery for the colon, rectum and anus, ed. 2, St. Louis, 1999, Quality Medical Publishing, p. 27.) CÂNCER COLORRETAL 77 ▪ O "arco de Riolan" é encontrado em cerca de 7% dos indivíduos. É um loop curto conectando o ramo esquerdo da artéria cólica média e o tronco da artéria mesentérica inferior. ▪ O termo freqüentemente tem sido citado incorretamente para a anastomose marginal na flexão cólica esquerda. O arco de Riolan também foi referido como "artéria mesentérica sinuosa CÂNCER COLORRETAL 78 CÂNCER COLORRETAL 79 CÂNCER COLORRETAL 80 Drenagem venosa do cólon e reto. (De Gordon PH, Nivatvongs S, editors: Principles and practice of surgery for the colon, rectum and anus, ed. 2, St. Louis, 1999, Quality Medical Publishing, p. 30.) A drenagem venosa do cólon e do reto espelha o seu suprimento sanguíneo arterial. A drenagem venosa do cólon direito e transverso proximal deságua na veia mesentérica superior, que drena para a veia esplênica para tornar‑se a veia porta. O cólon transverso distal, o cólon descendente, o sigmoide e a maior parte do reto drenam para a veia mesentérica inferior, que deságua na veia esplênica à esquerda da aorta. O canal anal é drenado pelas veias retais médias e inferiores para a veia ilíaca interna e subsequentemente para a veia cava inferior. A drenagem venosa bidirecional do canal anal é responsável pelas diferenças nos padrões de metástases dos tumores que ocorrem nesta região CÂNCER COLORRETAL 81 CÂNCER COLORRETAL 82 Drenagem linfática do cólon. (De Corman ML, editor: Colon and rectal surgery, ed. 4, Philadelphia,1998, LippincottRaven, p. 21.) CÂNCER COLORRETAL 83 A drenagem linfática também acompanha o ordenamento arterial. A parede do intestino grosso é irrigada por uma rica rede de capilares linfáticos que drenam para canais extramurais que acompanham o suprimento arterial. Os linfáticos do cólon e dos dois terços proximais do reto drenam para a cadeia linfonodal para‑aórtica, que deságua na cisterna do quilo. A drenagem linfática do reto distal e do canal anal pode fazer‑se para os linfonodos para‑aórticos ou, lateralmente, via sistema ilíaco interno, para a bacia linfonodal inguinal superficial. Apesar da linha denteada delimitar grosseiramente o nível onde a drenagem linfática se bifurca, estudos clássicos, de Block e Enquist, usando injeção de corantes, demonstram que a disseminação pelos canais linfáticos até os órgãos pélvicos adjacentes, como a vagina e o ligamento largo, ocorre quando as injeções são administradas até 10 cm proximalmente à linha denteada Drenagem linfática do reto (A) e do canal anal (B). (De Gordon PH, Nivatvongs S, editors:Principles and practice of surgery for the colon, rectum and anus, ed. 2, St. Louis, 1999, Quality Medical Publishing, p. 32.) CÂNCER COLORRETAL 84 CÂNCER COLORRETAL 85 CÂNCER COLORRETAL 86 CÂNCER COLORRETAL 87 Por definição, todos os pólipos sésseis com carcinoma invasivo são nível 4 pelos critérios de Haggitt. Se um pólipo contém um carcinoma invasivo pouco diferenciado histologicamente ou se há células cancerosas observadas nos espaços linfovasculares, existe uma chance de mais de 10% de metástases, e essas lesões devem ser tratadas agressivamente. Um pólipo pediculado com invasão para níveis 1, 2 e 3 tem baixo risco de metástase para linfonodo ou recidiva local, e a excisão completa do pólipo é adequada se os fatores prognósticos deficientes mencionados não estiverem presentes e as margens forem negativas. Um pólipo séssil contendo câncer invasivo tem no mínimo uma chance de 10% de metástase para linfonodos regionais, caso a lesão seja bem ou moderadamente diferenciada, e não haja invasão linfovascular, e a lesão pode ser completamente excisada, a profundidade de invasão pelo câncer pode proporcionar informação prognóstica útil. Há um alto risco de metástase para linfonodo a distância associado a cânceres sésseis no reto, e essas lesões devem ser tratadas agressivamente. Os pólipos hiperplásicos são os pólipos colônicos mais comuns, mas são geralmente pequenos e compostos de células mostrando desmaturação e hiperplasia. Os pequenos e diminutos pólipos foram considerados como de natureza benigna, sem qualquer potencial neoplásico. A aparência histológica destes pólipos é serrilhada. Desses pólipos, 90% são menores que 3 mm de diâmetro, e essas lesões diminutas são geralmente consideradas sem potencial maligno. Entretanto,alterações adenomatosas podem ser encontradas nos pólipos hiperplásicos e, portanto, os pólipos devem ser excisados para exame histopatológico. Recentemente, os adenomas serrilhados foram observados como associados ao desenvolvimento de cânceres que predominam no lado direito do cólon, com mais frequência nas mulheres idosas e tabagistas. Eles parecem estar associados com a instabilidade de microssatélite característica de defeitos nos mecanismos de reparação do DNA. CÂNCER COLORRETAL 88 Histórico de tentativas Tentativa Hora MANTIDO Tentativa 2 menos de 1 minuto MAIS RECENTE Tentativa 2 menos de 1 minuto Tentativa 1 1 minuto Enviado 2 de jan em 10:56 Pergunta 1 4 / 4 pts Qualdos critérios a seguir não modifica o método de rastreamento para o câncer colorretal? História pessoal de retocolite ulcerativa de longa data. História familiar de câncer colorretal. História pessoal de adenoma. Correto! Obesidade. https://einstein.instructure.com/courses/24802/quizzes/57375/history?version=2 https://einstein.instructure.com/courses/24802/quizzes/57375/history?version=2 https://einstein.instructure.com/courses/24802/quizzes/57375/history?version=1 CÂNCER COLORRETAL 89 O câncer colorretal é bastante prevalente, e o rastreamento é indicado para toda a população. Entretanto, há vários grupos de risco elevado, como pacientes com história pessoal ou familiar de câncer ou de adenoma, inflamação crônica da mucosa (como retocolite ulcerativa de longa data) e síndromes genéticas, como a de Lynch e a polipose adenomatosa familiar. Apesar de certos hábitos alimentares, como dieta rica em carne vermelha e pobre em fibras, já terem relacionados à maior incidência de câncer colorretal, assim como a obesidade, eles não modificam as indicações de rastreamento. Pergunta 2 3 / 3 pts Após diagnóstico de adenocarcinoma de cólon sigmoide, quais seriam os melhores exames para o estadiamento? Ultrassonografia de abdome e radiografia de tórax. Tomografia computadorizada por emissão de pósitrons (PET/CT) e antígeno carcinoembrionário. Correto! Tomografia de abdome total e tórax. Ultrassonografia endoanal e ressonância de abdome e pelve. CÂNCER COLORRETAL 90 Sempre que temos um diagnóstico de câncer, antes de propor o tratamento, temos que realizar o estadiamento clínico. Ele se inicia no exame físico e se completa com exames de imagem. Nos tumores do cólon e do reto intraperitoneal, o mais comum é a tomografia de abdome total para avaliação do tumor, possível penetração em outros órgãos (T), comprometimento dos linfonodos regionais (N) e de eventuais metástases abdominais, como no peritônio e fígado (M), e do tórax, já que o pulmão pode ser sede de metástases hematogênicas. Radiografias de tórax e ultrassom de abdome podem ser realizados com os mesmos objetivos, entretanto são bem menos sensíveis, sendo reservados a situações de restrição orçamentária. O PET/CT não é realizado rotineiramente, ficando reservado à pesquisa de metástases não diagnosticadas por outros métodos. A ultrassonografia endoanal e a ressonância de pelve são métodos de escolha para o estadiamento dos tumores do reto. O antígeno carcinoembrionário tem valor prognóstico e deve ser realizado em todos os pacientes. Pergunta 3 3 / 3 pts Que tipo de câncer colorretal tem indicação de radioquimioterapia neoadjuvante? Correto! Câncer avançado do cólon direito. Tumores sincrônicos no sigmoide e no cólon direito. Câncer inicial de reto alto. Câncer avançado de reto baixo. CÂNCER COLORRETAL 91 A terapia neoadjuvante é utilizada apenas para os tumores de reto baixo e médio, com o intuito de diminuir a recidiva local, minimizar os efeitos colaterais da radioterapia e, às vezes, preservar o ânus ao se realizar uma cirurgia menos agressiva. Normalmente, a radioterapia não é indicada para os tumores intraperitoneais. A quimioterapia é indicada como tratamento complementar (adjuvante) nos pacientes com comprometimento linfonodal, metástases hematogênicas e disseminação além da serosa. AnteriorSeguinte https://einstein.instructure.com/courses/24802/modules/items/601992 https://einstein.instructure.com/courses/24802/modules/items/601996homens. A maioria dos estudos (mas não todos) sugere uma relação inversa entre consumo de fibra alimentar e risco de câncer colorretal. ❖ Baixo estatuto socioeconómico Causas e Fatores de Risco Elsevier Point of Care Atualizado August 26, 2022. Copyright Elsevier BV. Causas ▪ Multifatorial; ambiente e herança desempenham papéis variados específicos para pacientes individuais ▪ A maioria dos casos é esporádica, não envolvendo nenhuma predisposição genética subjacente aparente ▪ Em cerca de 12% a 35% dos casos, componentes herdados (normalmente polimorfismos comuns) contribuem para a patogênese ▪ Aproximadamente 3% a 5% dos casos decorrem de síndromes hereditárias que mutam vários genes envolvidos na predisposição ao câncer, causando o aparecimento precoce da doença Fatores de risco e/ou associações Idade ▪ O risco aumenta com a idade de 20 anos o Mais frequentemente diagnosticado em pessoas com idade entre 65 e 74 anos 20 CÂNCER COLORRETAL 6 ▪ Pacientes com síndromes genéticas específicas associadas ao câncer colorretal geralmente se apresentam mais cedo Sexo ▪ Mais comum em homens do que em mulheres Genética ▪ A história familiar de câncer colorretal em 1 ou mais parentes de primeiro grau aumenta o risco em aproximadamente 2 vezes ▪ Síndromes específicas associadas à suscetibilidade ao câncer colorretal ▪ Síndrome de Lynch (câncer colorretal hereditário sem polipose, o Transtorno autossômico dominante de câncer colorretal de início precoce (idade média de 45 anos) associado a mutações germinativas em 1 de vários genes de reparo incompatíveis (ou seja, MSH2, MLH1, MSH6, PMS2, EPCAM) o O risco ao longo da vida de desenvolver câncer colorretal é de aproximadamente 66% para homens e 43% para mulheres 24 o Um subconjunto de pacientes com câncer colorretal hereditário sem polipose também tem maior risco de malignidades extracolônicas (por exemplo, endometrial, gástrica, pancreática, biliar, urotelial) Síndrome de Lynch (câncer colorretal hereditário sem polipose (HNPCC) A síndrome de Lynch é uma síndrome autossômica dominante que corresponde até 3% do fardo de câncer colorretal. Ela é caracterizada por um risco elevado de evoluir para câncer colorretal em uma idade precoce (média de 44 anos) e um risco alto de malignidades fora do cólon, especialmente de câncer de endométrio.[34] Ela é provocada por uma mutação das linhas germinativas de 1 dos 6 genes de reparo de erro de pareamento de DNA. Esses genes corrigem o desemparelhamento da base nucleotídea e pequenas inserções ou deleções que ocorrem durante a replicação do DNA. Os genes de reparo de erro de pareamento (MMR) de DNA mais comumente incluem hMLH1, hMSH2, hMSH6 ou hPMS2. O reparo de erro de pareamento promove o desenvolvimento de adenomas e acelera a progressão de adenoma para carcinoma. A instabilidade de microssatélite (alterações na extensão desequências genômicas repetitivas simples) é característica da síndrome de Lynch. ▪ Polipose adenomatosa familiar o O caso clássico é autossômico dominante, caracterizado pelo surgimento na adolescência de centenas a milhares de pólipos adenomatosos em todo o cólon; o caso atenuado é autossômico dominante, geralmente identificado em pacientes com mais de 40 anos e apresenta de 10 a 100 adenomas o Se a condição não for tratada, o risco vitalício de desenvolver câncer colorretal é de 95% o As formas clássica e atenuada de polipose adenomatosa familiar são causadas por mutações germinativas inativadoras de APC (regulador da via de sinalização WNT) ▪ A Polipose Adenomatosa Familiar Tipo 2, associada a MUTYH (muty DNA glicosilase), é um distúrbio autossômico recessivo e fenotipicamente indistinguível da polipose adenomatosa familiar atenuada; causada por mutações em ambas as cópias de MUTYH o O risco ao longo da vida de desenvolver câncer colorretal é de aproximadamente 80% Mutação De Polipose Adenomatosa Do Cólon A Polipose Adenomatosa Familiar (PAF) e sua variante, a PAF atenuada (PAFA), são doenças autossômicas dominantes provocadas por uma mutação das linhas germinativas no cromossomo 5q do gene de polipose adenomatosa do cólon (APC). Os pacientes afetados desenvolvem centenas de milhares de pólipos adenomatosos até os 20 ou 30 anos e inevitavelmente desenvolvem câncer colorretal, a menos que se submetam à ressecção cirúrgica profilática. A forma atenuada está associada a uma menor quantidade de pólipos e os pacientes desenvolvem câncer em uma idade mais avançada. Os pacientes afetados também apresentam risco de várias malignidades fora do cólon (gastroduodenais, da tireoide, do sistema nervoso central e hepatoblastoma infantil). CÂNCER COLORRETAL 7 Mutações do APC são frequentemente observadas em adenomas esporádicos (30% -70%) e tumores esporádicos (72%), sugerindo que a perda da função do APC é um evento inicial crucial na tumorigênese do câncer colorretal. ▪ Síndromes genéticas incomuns associadas ao desenvolvimento de câncer colorretal ▪ Síndrome de Peutz-Jeghers o Doença autossômica dominante causada por mutações germinativas em STK11 (serina/treonina quinase 11), caracterizada por pólipos hamartomatosos intestinais o O risco ao longo da vida de desenvolver câncer colorretal é de 39% ▪ Síndrome da polipose juvenil o Distúrbio autossômico dominante causado por mutações germinativas em SMAD4 (membro da família SMAD 4) ou BMPR1A (receptor de proteína morfogenética óssea tipo 1A), caracterizado por pólipos juvenis e frequentemente apresentado aos 20 anos de idade o O risco ao longo da vida de desenvolver câncer colorretal é de aproximadamente 40% 30 ▪ Síndrome de Cowden (síndrome de hamartoma múltiplo, o Doença autossômica dominante causada por mutações germinativas em PTEN (homólogo de fosfatase e tensina); caracterizada por polipose gastrointestinal, hamartomas e aumento do risco de malignidades no endométrio, mama e tireoide o Hamartomas são comumente encontrados na pele e membranas mucosas o O risco estimado ao longo da vida de desenvolver câncer colorretal é ligeiramente elevado em 16% Síndromes Da Polipose Hamartomatosa ▪ As síndromes da polipose hamartomatosa são caracterizadas por um supercrescimento de células nativas na área em que normalmente ocorrem. As alterações genéticas são responsáveis pelas raras síndromes hereditárias, polipose juvenil, síndrome de tumor hamartoma-PTEN (inclui a síndrome de Cowden) e a síndrome de Peutz-Jeghers.[40] Essa última é um distúrbio autossômico dominante caracterizado por máculas melanocíticas nos lábios e na mucosa bucal, pólipos hamartomatosos gastrointestinais e um aumento do risco de cânceres gastrointestinais ou não. O risco de esses pacientes evoluírem para cânceres colorretais ao longo da vida é estimado em 39% e pressupõe-se que seja decorrente de alterações adenomatosas dentro de hamartomas. ▪ Síndrome da polipose serrilhada o Desordem sem herança estabelecida caracterizada por múltiplos e/ou grandes pólipos serrilhados no cólon o O risco estimado de desenvolver câncer colorretal ao longo da vida é de aproximadamente 50% ▪ Síndrome de Li Fraumeni o Associado a mutações germinativas em TP53 o Alto risco de câncer ao longo da vida, incluindo mama, sarcomas de tecidos moles, câncer de cólon e tumores cerebrais, ocorrendo em tenra idade Etnicidade / raça ▪ Pessoas negras correm maior risco de ocorrência e mortalidade por câncer colorretal 34 Outros fatores/associações de risco Fatores de risco ▪ Fumar ▪ Uso de álcool ▪ Obesidade ▪ Baixa atividade física CÂNCER COLORRETAL 8 ▪ Doença inflamatória intestinal (por exemplo, doença de Crohn, colite ulcerosa) ▪ Dieta o Dieta com baixo teor de fibras e alto teor de gordura pode aumentar o risco o O consumo de carne vermelha pode aumentar o risco ▪ Fibrose cística o O risco de câncercolorretal é 5 a 10 vezes maior em adultos com fibrose cística em comparação com a população em geral 35 ▪ O uso de aspirina ou AINEs reduz o risco Figura 1. Distribuição de neoplasias conforme sexo Legenda: Distribuição proporcional dos dez tipos de câncer mais incidentes estimados para 2018 por sexo, exceto pele não melanoma. Fonte:Adaptado de INCA, 2018. http://www.scielo.br/pdf/anp/v46n3/10.pdf. Assim, sempre que falarmos do câncer colorretal, falaremos em princípio dos adenocarcinomas. Etiopatogenia O tipo mais comum é o adenocarcinoma, chegando a 95% dos casos, que pode se originar de adenomas (sequência adenoma-adenocarcinoma, conforme a figura 2) ou direto da mucosa sã (de novo) ou doente (inflamação-displasia-câncer). Outros tipos mais raros são: • Linfomas; • Gastrintestinal Stromal Tumors (GISTs); • carcinóides; • schwannomas (figura 3). Schwannomas São neoplasias de origem neurogênica benigna, com potencial de malignização, de crescimento lento, originárias das células de Schwann, que são responsáveis pela mielinização do sistema nervoso periférico. http://www.scielo.br/pdf/anp/v46n3/10.pdf. https://einstein.instructure.com/courses/24802/pages/sumarizacao-cancer-colorretal?module_item_id=601989#kl_popup_1_content https://einstein.instructure.com/courses/24802/pages/sumarizacao-cancer-colorretal?module_item_id=601989#kl_popup_1_content CÂNCER COLORRETAL 9 http://www.scielo.br/pdf/anp/v46n3/10.pdf. Figura 3. Tumor de cólon Legenda: Peça cirúrgica de um Schwannoma de reto Assim, sempre que falarmos do câncer colorretal, falaremos em princípio dos adenocarcinomas Aproximadamente, 75% dos casos de câncer colorretal são ditos esporádicos. Em 25% dos casos, existe a transmissão ou hereditariedade de uma susceptibilidade genética. Figura 4. Prevalência de câncer colorretal. http://www.scielo.br/pdf/anp/v46n3/10.pdf. CÂNCER COLORRETAL 10 Fonte: Adaptado de Assis RVBF. Rastreamento e Vigilância do Câncer Colorretal: Guidelines MundiaisTracking and surveillance of colorectal: guidelines worlGED gastroenterol. endosc.dig. 2011: 30(2):62-74. http://files.bvs.br/upload/S/0101-7772/2011/v30n2/a2916.pdf.Links to an external site. Pólipos colorretais ▪ São crescimentos anormais de tecido que surgem da mucosa do cólon e se estendem até o lúmen ▪ São as lesões mais comuns, das quais surge o CCR ▪ Morfologia: ❖ Séssil: pólipo sem pedúnculo, com crescimento adjacente à massa ❖ Pedunculado: pólipo com pedúnculo ▪ 30% da população têm pólipos aos 50 anos. Tipos de pólipos: ▪ Pólipos inflamatórios (não neoplásicos) ▪ Pólipos hamartomatosos (↑ risco de CCR se associado à SPJ) ▪ Lesões sésseis serreadas: ❖ Adenomas/pólipos sésseis serreados (SSA/P, pela sigla em inglês) ❖ Adenomas serreados tradicionais (TSAs, pela sigla em inglês) ❖ Pólipos hiperplásicos (histologicamente semelhantes ao SSA; não neoplásicos) ▪ Pólipos adenomatosos: ❖ Tubular (> 80%) ❖ Adenomas vilosos (a maioria é séssil) ❖ Tubuloviloso ▪ Pólipos de alto risco: ❖ Pólipos >1 cm de tamanho ❖ Adenomas com características vilosas (risco de CCR >3 vezes superior que os adenomas tubulares) ou displasia de alto grau ❖ Pólipos/adenomas serreados http://files.bvs.br/upload/S/0101-7772/2011/v30n2/a2916.pdf CÂNCER COLORRETAL 11 Pólipo do cólon sigmóide revelado por colonoscopia: O pólipo é pedunculado (com uma haste curta). Imagem : “Colon polyp” por Dr. F.C. Turner. License: CC BY 2.5 Desenvolvimento do carcinoma A maioria dos pólipos são benignos. A transformação maligna é afetada por uma série de mutações e fatores ambientais. Mutações : ▪ Mutações germinativas: ❖ Ocorrem antes da fertilização ❖ Podem ser hereditárias (de pais para filhos) ❖ Encontradas nos síndromes hereditários comuns (por exemplo, PAF, síndrome de Lynch), que representam 70%) Gene APC (“adenomatous polyposis coli”): ▪ A maioria dos CCR começa com a inativação do gene da polipose adenomatosa (APC) (por mutação germinativa ou somática). https://cdn.lecturio.com/assets/Colon-polyp.jpeg CÂNCER COLORRETAL 12 ▪ Os CCR levam cerca de 10 a 15 anos para se desenvolver, mas podem avançar em menos tempo sob certas condições. ▪ A proteína APC, codificada pelo gene APC, promove a degradação da β- catenina. ▪ Sem a proteína APC: ❖ A β-catenina ativa a transcrição dependente do fator de células T (Tcf) de genes-alvo específicos. ❖ Esses genes incluem MYC e ciclina D1 (oncogenes), que promovem a proliferação. ▪ Mutações APC: o evento inicial para a formação do adenoma, mas são necessários vários hits genéticos para a progressão do CCR Figura 2. Sequência adenoma-adenocarcinoma Legenda: Progressão de pequena lesão hiperproliferativa, passando por adenoma, de baixo e moderado grau, por fim como adenoma com displasia de alto grau, adenocarcinoma in situ (acometendo apenas a mucosa) e adenocarcinoma invasiva. Fonte: Imagem do acervo da SBIBAE. Sequência adenomacarcinoma no câncer colorretal esporádico e hereditário. (De Ivanovich JL, Read TE, Ciske DJ, et al: A practical approach to familial and hereditary colorectal cancer. Am J Med107:68–77, 1999. CÂNCER COLORRETAL 13 Sequência adenoma-carcinoma do cólon normal ao carcinoma: a formação do CCR inicia-se com a mutação do gene APC (herdado ou adquirido) e anomalias da metilação. Outras alterações podem incluir a mutação do gene KRAS. No final do processo, a deleção de p53, perda de heterozigotia (LOH) em 18q21 (envolvendo SMAD2 e SMAD4), com sobre-expressão de COX-2 pode contribuir para um maior crescimento e progressão para carcinoma. A acumulação de mutações, ao invés do momento da sua ocorrência, é mais crucial na carcinogénese. Aproximadamente, 75% dos casos de câncer colorretal são ditos esporádicos. Em 25% dos casos, existe a transmissão ou hereditariedade de uma susceptibilidade genética. CÂNCER COLORRETAL 14 A instabilidade cromossômica, a instabilidade de microssatélites e as vias do fenótipo metilador da ilha CpG são responsáveis pela instabilidade genética no câncer colorretal. A via de instabilidade cromossômica consiste na ativação de proto-oncogenes (KRAS)( KRAS (abreviação de oncogene homólogo do vírus Kirsten do sarcoma de rato). e inativação de pelo menos três genes de supressão tumoral, ou seja, perda de APC, p53 e perda de heterozogocidade (LOH) do braço longo do cromossomo 18. Mutações nos genes TGFBR e PIK3CA têm também foi recentemente descrito. Dos casos com susceptibilidade genética, cerca de 3% dos casos de câncer colorretal ocorrem numa doença genética conhecida como Síndrome de Lynch (que ocorre em mutações dos genes MLH1, MSH6 ou PMS2), em que há aumento na incidência de tumores colorretais e também de neoplasias extra-colônicas, como de endométrio, pelve renal, fígado e partes moles, relacionadas a alterações de enzimas de reparo de DNA transmitidas de forma autossômica dominante (figura 5). Em 1% dos casos, o câncer colorretal está associado à polipose adenomatosa familiar, situação autossômica dominante em que se encontram mais de 100 adenomas no cólon e que até os 40 anos de idade, se não identificados e tratados, todos os pacientes desenvolverão câncer colorretal. Fisiopatologia Na maioria dos casos, os cânceres colorretais surgem de pólipos adenomatosos displásicos. Há um processo de várias etapas envolvendo a inativação de uma variedade de genes supressores de tumor e de reparo do ácido desoxirribonucleico (DNA), juntamente com a ativação simultânea de oncogenes. Isso proporciona uma vantagem decrescimento seletivo para a célula epitelial colônica e desencadeia a transformação de epitélio colônico normal em pólipo adenomatoso e câncer colorretal invasivo. Existem três vias principais de instabilidade genômica que levam ao câncer colorretal: ▪ - vias de instabilidade cromossômica (CIN), ▪ - instabilidade de microssatélite (IMS) e ▪ - fenótipo de metilador de ilha CpG (FMIC). A via de CIN, caracterizada pela perda de heterozigosidade e aneuploidia, é responsável pela grande maioria dos casos de câncer colorretal (65% -70% do câncer colorretal esporádico). A IMS é uma impressão digital molecular do sistema de reparo de erro de pareamento (MMR) deficiente que caracteriza cerca de 15% dos cânceres colorretais. O estado de IMS prediz a resposta ao 5-fluoruracila e também pode determinar a responsividade a outros tratamentos colorretais, como a imunoterapia. A identificação de MMR deficiente tem um impacto importante nos desfechos e no manejo do paciente. CÂNCER COLORRETAL 15 O fenótipo de metilador de ilha CpG (FMIC) é um subconjunto de cânceres colorretais que ocorrem por meio da via de instabilidade epigenética, mas são caracterizados pela supressores de tumor. Gene supressor de tumor de polipose adenomatosa do cólon (APC) Mutações das linhas germinativas estão associadas a síndromes de câncer de cólon hereditárias, enquanto os cânceres esporádicos surgem do acúmulo gradual de mutações genéticas somáticas. Uma única mutação das linhas germinativas no gene supressor de tumor de polipose adenomatosa do cólon (APC) é responsável pela polipose adenomatosa familiar, que é uma síndrome hereditária dominante. A expressão clínica da doença é observada quando ocorre a mutação hereditária de um alelo do APC e, em seguida, uma segunda mutação ou deleção de um segundo alelo. Mutações do APC também são frequentemente observadas em adenomas esporádicos (30% -70%) e tumores esporádicos (72%), sugerindo que a perda da função do APC é um evento inicial crucial na tumorigênese do CCR. O gene APC é um gene supressor de tumor que regula a β-catenina. A perda da função do APC leva ao acúmulo de β-catenina, o que leva à ativação da sinalização Wnt e à estimulação do crescimento e proliferação celular. A mutação do KRAS que leva à ativação do KRAS é frequentemente a próxima etapa na via CIN, seguida por mutações nas vias TGFβ, P53 e PIK3CA.[28] Metástases O câncer colorretal é disseminado aos linfonodos locais, por meio de drenagem venosa entérica do fígado e hematogênica dos pulmões, e, menos comumente, do osso e cérebro. Entretanto, como a sobrevida melhora com a quimioterapia sistêmica, há um aumento no relato de metástases ósseas e cerebrais.[ APC Adenomatous poliposis coli é uma mutação genética inicial. ▪ A maioria dos adenomas e CCR iniciam-se com a inativação do gene APC (por mutação germinativa ou somática). ▪ Após o evento inicial, os CCR levam cerca de 10 a 15 anos para se desenvolver (menor tempo em determinadas condições). ▪ A proteína APC, codificada pelo gene APC, promove a degradação da β- catenina. CÂNCER COLORRETAL 16 ▪ Sem proteína APC: ❖ A β-catenina (da via WnT) ativa a transcrição dependente de Tcf de genes-alvo específicos. ❖ Esses genes incluem o MYC e ciclina D1 (oncogenes), que promovem a proliferação. Mecanismos moleculares da tumorigénese São necessários múltiplos hits genéticos para a progressão do CCR. Acumulação de mutações e eventos moleculares: A acumulação de mutações e eventos moleculares (por exemplo, alteração genética, metilação do DNA, sobreexpressão) contribui para a carcinogénese. ▪ Instabilidade cromossómica (CIN, pela sigla em inglês): ❖ Aberrações cromossómicas estruturais (deleções ou perda de heterozigotia) ❖ Resulta na promoção de oncogenes ou na redução de genes supressores tumorais (TSG, pela sigla em inglês) ❖ Visto em alterações genéticas do APC ❖ Outros genes: DCC, TP53/p53 e SMAD4 (genes supressores tumorais) ou KRAS (um proto-oncogene) ❖ 85% dos CCR desenvolvem-se devido a este mecanismo. ▪ Instabilidade de microssatélites (MSI, pela sigla em inglês): ▪ Também denominado fenótipo mutador/via de “mismatch repair” ▪ Microssatélites: sequências repetidas, curtas e anormais de bases de nucleótidos causadas por deficiência no “mismatch repair” ▪ Causa: mutação germinativa dos genes MLH1, MSH2 ou PMS2 levando a enzimas de “mismatch repair” (MMR) do DNA disfuncionais ▪ Acumulação de microssatélites: encontrada em tumores MSI- high (MSI-H) ▪ Marca biológica da síndrome de Lynch ▪ Observada em até 15% dos CCR esporádico CÂNCER COLORRETAL 17 ▪ Via do fenótipo metilador da ilha CpG (CIMP+): ❖ A hipo ou hipermetilação do DNA pode alterar a expressão dos genes. ❖ A alta metilação das ilhas CpG (citosina seguida por uma base guanina, ligada por ligação fosfodiéster) ocorre no TSG. ❖ A metilação inativa o TSG, levando à progressão do tumor. ❖ Encontrado em tumores CIMP+ Sobre-expressão da ciclooxigenase (COX)-2: ❖ COX-2: sobre-expressa em 43% dos adenomas e 86% dos carcinomas ❖ A inibição da COX-2 reduz o número de pólipos intestinais. Mecanismos morfológicos da tumorigénese Sequência adenoma-carcinoma: ▪ Sequência seguida pela maioria dos CCR ▪ Progressão: adenoma precoce (tubular ou tubuloviloso) → adenoma avançado (viloso) → adenocarcinoma ▪ Pólipos adenomatosos: ❖ Desenvolvem-se com uma disrupção da renovação epitelial ❖ A substituição do revestimento celular da superfície torna- se displásica à medida que os adenomas aumentam de tamanho. ▪ Mutação APC comum ▪ Via(s) molecular(es) associada(s): CIN Via do pólipo serreado: ▪ Os pólipos serreados também têm potencial maligno ▪ Observada em 10–20% dos casos ▪ Progressão: pólipo/adenoma serreado séssil → adenocarcinoma ▪ Ativação do oncogene BRAF com mutações KRAS observadas ▪ Vias moleculares associadas: ❖ CIMP (principal mecanismo que conduz a via serreada em direção ao CCR) ❖ MSI CÂNCER COLORRETAL 18 Figura 5. Risco de câncer em portadores de mutação em MLH1 – Síndrome de Lync Legenda: A incidência de tumores colorretais em pacientes com Síndrome de Lynch é elevadíssima, levando a medidas de rastreamento específicas. Fonte: adaptado de www.kilktalk.org Quadro clínico Além do rastreamento, outra forma de diagnosticar o câncer colorretal é a investigação a partir de sintomas. Esses tumores podem se manifestar clinicamente de várias formas, conforme descrição na figura 6. Figura 6. Sinais e sintomas relacionados a ocorrência de câncer colorretal. http://www.kilktalk.org/ CÂNCER COLORRETAL 19 A investigação inicia-se com anamnese completa, como foco nos demais sintomas relacionados à doença e nos fatores de risco, e se complementa com exame físico, que deve incluir o exame geral, a palpação abdominal e o exame proctológico. O câncer colorretal, em seus estágios iniciais, é completamente assintomático Os sintomas do câncer colorretal dependem basicamente da localização da lesão e do estadiamento. Para as lesões situadas no lado direito do cólon (ceco, cólon ascendente e transverso proximal), observam-se mais frequentemente anemia, sangramento e massa palpável. É evidente que esses sinais e sintomas aparecem em casos de câncer localmente avançado. Para as lesões situadas mais distalmente no cólon, ou seja, no cólon esquerdo, os sintomas mais frequentes são de alteração do hábito intestinal e sangramento. Lesões localizadas no reto são suspeitas quando os sintomas são sangramento retal associado a tenesmo, urgência evacuatória e eliminação de muco (figura 7). Achados clínicos gerais ▪ Frequentemente assintomático, com o CCR detetado na colonoscopia de rastreio ▪ Sintomático: ❖ Sintomas sistémicos: astenia, anemia, perda de peso ❖ Aanemia por défice de ferro num doente idoso assume- se como carcinoma do cólon até prova em contrário. ❖ Outros sintomas dependem da localização Carcinomas do lado direito ▪ Os sintomas obstrutivos não são comuns: ❖ As fezes na área (válvula ileocecal até ao cólon ascendente) ainda são líquidas. ❖ O lúmen é maior (do que o lado esquerdo). ▪ As lesões podem crescer, ulcerar e levar à perda de sangue oculto: ❖ Anemia por défice de ferro: astenia, angina, palpitações ❖ Melenas Carcinomas do lado esquerdo ▪ Do cólon transverso ao descendente, local de formação das fezes. ▪ Assim, lesões cancerígenas podem impedir a passagem das fezes, causando: CÂNCER COLORRETAL 20 ❖ Cólicas abdominais ❖ Alteração dos hábitos intestinais (obstipação alternando com fezes moles) ❖ Fezes com raios de sangue ou hematoquézias ❖ Diminuição do calibre das fezes devido à obstrução Carcinomas retais ▪ Massa ulcerada palpável ao toque retal ▪ Tenesmo ▪ Hemorragia retal ▪ Obstrução Metastização ▪ Os CCR metastatizam por extensão direta ou por via hematogénea e linfática. ▪ Locais de metástase: ❖ Fígado (1.º local para tumores intestinais): distensão abdominal, icterícia, ascite, hepatomegalia ❖ Pulmões (1.º local para tumores rectais distais): tosse, dispneia (pode ser por derrame pleural), hemoptises CÂNCER COLORRETAL 21 Figura 7. Sinais e sintomas de acordo com a localização da lesão. Apresentação clínica História ▪ Os estágios iniciais do câncer colorretal geralmente são assintomáticos ▪ Os sintomas mais comuns são sangramento retal, dor abdominal e mudança nos hábitos intestinais • Alterações nos hábitos intestinais incluem estreitamento das fezes ou diarreia ou constipação que persiste por mais de alguns dias; tais alterações são mais comumente associadas a lesões no cólon descendente • Hematoquezia ✓ Mais comum com lesão no cólon descendente ▪ Outros sintomas localizados incluem dor retal, tenesmo, náusea, vômito e passagem de muco • Se presentes, náuseas e/ou vômitos podem ser indicativos de obstrução parcial ou completa do intestino grosso devido a malignidade avançada ▪ Sintomas constitucionais inespecíficos incluem perda de peso não intencional, anorexia e fadiga • Tais sintomas também estão associados a muitas outras malignidades ▪ A história familiar de câncer de cólon é relevante, incluindo grau de parentesco e idade de início no membro da família afetado Exame físico CÂNCER COLORRETAL 22 ▪ Os achados geralmente são normais nos estágios iniciais da doença ▪ Em estágios avançados, os pacientes podem parecer caquéticos e debilitados ▪ A palidez da pele e da conjuntiva (por anemia por perda de sangue) pode ser evidente • A anemia é mais comum com lesão no cólon ascendente ▪ Icterícia escleral ou icterícia franca podem ser observadas em estágios avançados quando metástases hepáticas estão presentes ▪ O exame abdominal pode encontrar uma massa palpável, hepatomegalia ou distensão devido à obstrução colônica ou ascite maligna ▪ Exame retal • Uma lesão retal distal pode ser alcançada por exame de toque retal • Os implantes peritoneais no fundo de saco podem ser palpáveis com doença metastática Depósitos metastáticos são ocasionalmente evidentes na palpação da pele ou linfonodos Há três formas de apresentação de pacientes com câncer colorretal: • Pacientes ambulatoriais com sintomas e sinais suspeitos • Indivíduos assintomáticos descobertos por rastreamento de rotina em sujeitos de risco alto e médio • Raramente, internação de emergência com obstrução intestinal, peritonite ou sangramento. Dor abdominal, alteração do hábito intestinal, sangramento retal ou anemia são os sintomas manifestos mais comuns. Dor abdominal isolada, sangramento retal associado a sintomas anais e mudança no hábito intestinal com fezes mais duras têm um valor preditivo baixo para câncer colorretal. As diretrizes do Reino Unido e dos EUA relatam limiares de risco para testes entre populações sintomáticas de risco baixo a médio. O câncer colorretal do lado esquerdo pode se manifestar com alteração dos hábitos intestinais, devido à estenose progressiva do lúmen intestinal, normalmente com diarreia, alteração na forma das fezes (de pequeno calibre ou moles) e, finalmente, obstrução intestinal. No entanto, os sintomas acima são inespecíficos e podem ocorrer em outras condições gastrointestinais. Entre 6% e 10% dos pacientes com anemia ferropriva serão diagnosticados com câncer colorretal, mais comumente no lado direito do cólon. SINAIS E SINTOMAS DE DOENÇA AVANÇADA Distensão abdominal, perda de peso e vômitos geralmente indicam doença avançada. A dor retal pode indicar um tumor volumoso com invasão local na pelve. O tenesmo é frequente em cânceres retais. No entanto, o exame físico é frequentemente normal (a não ser em casos de emergência) e deve sempre incluir o exame de toque retal para detectar uma lesão palpável. Na doença avançada pode haver massa abdominal palpável ou aumento do fígado provocado por metástases. CÂNCER COLORRETAL 23 Diagnóstico - Câncer Colorretal CÂNCER COLORRETAL OBJETIVOS Ao final desta etapa de aprendizagem, você estará apto a: • identificar exames subsidiários para investigação de suspeita diagnóstica • diagnosticar e realizar o estadiamento do câncer colorretal Diagnóstico Exames complementares O exame complementar mais indicado para o diagnóstico é a colonoscopia (figura 1) com biópsia, exame de escolha para os pacientes em condições para sua realização, já que é invasivo. Outras opções menos específicas são a colografia tomográfica (colonoscopia virtual) (figura 2) e o enema opaco. No entanto, nenhum dos dois exames nos permite obter a biópsia para a confirmação anatomopatológica. Definição - A colonoscopia virtual é uma reconstrução 3D de um exame de tomografia de abdome total, tem baixa sensibilidade e não fornece material para análise anatomopatológica Figura 1. Imagem de um exame de colonoscopia, evidenciando tumor em descendente . Legenda: Colonoscopia evidenciando tumor em cólon descendente. Fonte: Imagem do acervo da SBIBAE; https://einstein.instructure.com/courses/24802/pages/diagnostico-cancer-colorretal?module_item_id=601990#kl_popup_0_content CÂNCER COLORRETAL 24 Figura 2. Exame de colonoscopia virtual Fonte: Imagem do acervo da SBIBAE. Colonoscopia ▪ Exame diagnóstico de escolha ▪ A visualização da(s) lesão(ões) e realização de biópsia do tecido (ou remoção da lesão) podem ser realizadas. ▪ Colonoscopia de rastreio: ❖ Doentes assintomáticos ❖ Para a população com risco médio: realizar aos 45 anos e mais velhos ❖ O rastreio numa idade mais jovem depende das condições e dos riscos. ▪ Colonoscopia diagnóstica: ❖ Realizada em doentes sintomáticos ❖ Indicada para aqueles com estudos de imagem anormais CÂNCER COLORRETAL 25 ▪ Achados: ❖ Pólipos ❖ Carcinoma: ✓ Massas exofíticas volumosas ✓ Lesões anulares constritivas A investigação de primeira linha, desde que não haja evidênciclínica de obstrução intestinal iminente que contraindique a administração de preparo intestinal e insuflação do cólon. É o teste diagnóstico mais sensível para câncer colorretal e permite a biópsia de lesões suspeitas e a remoção de pólipos incidentais. A colonoscopia requer um preparo completo do intestino, com laxantes orais, para garantir a visualização nítida de toda a mucosa. Várias biópsias são necessárias para confirmação histológica. A colonoscopia é altamente dependente do operador. As taxas de conclusão (ou seja, o escopo passado para o ceco) variam substancialmente e uma taxa de 90% é considerada aceitável. Muitos indivíduos atingem taxas de 98%. A colonoscopia incompleta e um preparo inadequado do intestino são duas das variáveis que contribuempara uma taxa de erro de 2% e 6% na colonoscopia do câncer colorretal. Outros riscos do procedimento estão relacionados à sedação e à perfuração colônica (até 0.12%). Em estudos comparativos prospectivos, a colonoscopia convencional é tão aceitável para pacientes quanto a colonografia virtual e ambas são preferíveis ao enema de bário com duplo contraste. Carcinoma do cólon encontrado na colonoscopia e confirmado por biópsia Imagem: “Primary tumor” por Second Department of Surgery, Wakayama Medical University, School of Medicine, 811-1 Kimiidera, Wakayama 641-8510, Japan. License: CC BY 2.0 https://cdn.lecturio.com/assets/Colon-cancer.jpg CÂNCER COLORRETAL 26 Colonografia por TC ▪ Colonoscopia virtual ▪ Requer preparação mecânica ▪ Pode ser utilizada nos casos de colonoscopia incompleta (por exemplo, obstrução, cólon tortuoso) ou como teste diagnóstico inicial ▪ A colonoscopia continua a ser o exame de eleição. ▪ Limitações: ❖ Os doentes devem ser capazes de passar gases. ❖ Não é possível realizar biópsia ou remoção da lesão A colonografia por TC (colonografia virtual) fornece uma visualização endoluminal do cólon, similar à colonoscopia tradicional. Ela tem uma sensibilidade similar à colonoscopia convencional para detecção de câncer colorretal e não necessita de sedação, mas apresenta especificidade menor. Tanto a colonografia por TC quanto a colonoscopia óptica são consideradas exames mais sensíveis que o enema de bário; pacientes parecem preferir a colonografia por TC do que o enema de bário com duplo contraste. A colonografia por TC pode ser usada para completar a avaliação do cólon quando a colonoscopia óptica está incompleta devido a razões técnicas. Também pode ser usada para avaliar pacientes que não desejam se submeter à colonoscopia, que não são candidatoadequados para colonoscopia ou para os quais a colonoscopia é contraindicada. Um preparo mecânico completo do intestino, conforme exigido para uma colonoscopia, é necessário para a avaliação colonográfica por TC adequada. PILLCam 2 ▪ Endoscopia por cápsula do cólon: o doente engole um endoscópio do tamanho de uma cápsula. ▪ Pode ser considerado em doentes com colonoscopia incompleta ▪ Os doentes não podem ter obstrução. Outros estudos imagiológicos ▪ ENEMA BARITADO com contraste aéreo pode mostrar “apple core lesion”. ENEMA DE BÁRIO COM DUPLO CONTRASTE O enema de bário com duplo contraste foi suplantado pela colonografia por TC para quase todas as indicações, mas é seguro e bem tolerado. Como a colonografia por TC, o enema de bário com duplo contraste não requer sedação. É necessário um preparo completo do intestino antes do exame e tem um índice de conclusão alto. Em estudos comparativos prospectivos, os pacientes preferiram a colonoscopia convencional ou a colonografia por tomografia computadorizada (TC), em vez do enema de bário, para a visualização do cólon. As desvantagens incluem a dose de radiação envolvida e a precisão reduzida na presença de CÂNCER COLORRETAL 27 doença diverticular sigmoide. As complicações são raras e incluem perfurações colônicas (envolvido e na ausência de envolvimento de grandes artérias ou veias. Resultado: espessamento da parede do cólon, linfonodos aumentados, metástases hepáticas, ascite, tumores secundários no pulmão Tomografia computadorizada mostrando um câncer colorretal típico com espessamento, ombro e ulceração da mucosa ▪ RMN Pélvica ou Ecografia Endoscópica Transrretal: CÂNCER COLORRETAL 29 ❖ Para o carcinoma retal ❖ Para avaliação da profundidade do carcinoma através da parede retal e gânglios linfáticos perirretais Protocolo para RNM de pelve para câncer retal ▪ A RNM é a modalidade preferencial para o estadiamento local para o câncer retal devido à sua precisão para determinar a margem de ressecção circunferencial e o estádio T do tumor primário. ▪ O estadiamento preciso do câncer retal é essencial para selecionar candidatos à cirurgia de preservação do esfíncter e identificar aqueles que se beneficiariam do tratamento neoadjuvante. A RNM pélvica de alta resolução é usada no pré-operatório de pacientes com câncer retal para determinar a profundidade do tumor e visualizar o envolvimento dele na fáscia mesorretal (a margem de ressecção circunferencial). ▪ A RNM também avalia o envolvimento de linfonodos perirretais. invasão do tumor na fáscia mesorretal Resultado: invasão do tumor na fáscia mesorretal ▪ Ultrassonografia Endoscópica Transrretal ▪ Necessária se a RNM for contraindicada. ▪ A ultrassonografia endoscópica transretal (USTR) fornece um estádio local (T e N) para cânceres retais, que é então usado para ajudar na escolha direta do tratamento. ▪ A USTR é superior ao exame de TC para o estadiamento T clínico do câncer retal. Resultado: os linfonodos perirretais aumentados no câncer retal indicam envolvimento maligno; a invasão da submucosa e a infiltração na camada muscular própria identificam um tumor T2 e a extensão do tumor para o espaço perirretal identifica um tumor T3 ▪ Teste Genético ▪ As diretrizes nacionais dos EUA e do Reino Unido recomendam que todos os pacientes diagnosticados com câncer de cólon ou retal sejam testados para síndrome de Lynch. ▪ Os resultados dos testes podem embasar a escolha da terapia sistêmica, as estratégias de redução do risco de câncer em outros locais e a necessidade de realizar testes em familiares. instabilidade de microssatélite/mutação de genes de reparo de erro de pareamento detectado na síndrome de Lynch CÂNCER COLORRETAL 30 Resultado: instabilidade de microssatélite/mutação de genes de reparo de erro de pareamento detectado na síndrome de Lynch ▪ Tomografia Por Emissão De Pósitrons (PET) ▪ As indicações específicas incluem a detecção de metástases extrahepáticas em pacientes com suspeita inicial de doença metastática restrita somente ao fígado, que estavam sendo avaliados quanto à metastectomia cirúrgica. ▪ A PET pode ajudar a localizar a recorrência em pacientes com suspeita de recorrência da doença com base nos sintomas ou no aumento do antígeno carcinoembriogênico, mas nos quais a investigação diagnóstica por imagem convencional é negativa. Resultado: áreas focais de aumento de captação de 18- fluoro-2- desoxiglucose detectam as alterações metabólicas de malignidade ▪ Técnicas Avançadas De Imagem Óptica (NBI) ▪ A colonoscopia por imagem de banda estreita e a cromoendoscopia de ampliação podem reduzir o risco de ressecção fragmentada para câncer colorretal em T1 ou encaminhamento cirúrgico desnecessário para lesões passíveis de ressecção endoscópica. Atualmente, essas técnicas não são amplamente utilizadas. diagnóstico óptico de câncer colorretal em T1 e câncer colorretal em T1 com invasão submucosa profunda Resultado: diagnóstico óptico de câncer colorretal em T1 e câncer colorretal em T1 com invasão submucosa profunda ▪ Antígeno Carcinoembriogênico (CEA) ▪ Os níveis de antígeno carcinoembriogênico (CEA) devem ser medidos somente após a confirmação do diagnóstico de câncer colorretal. O teste para CEA não é suficientemente sensível ou específico para ser usado no diagnóstico de pacientes sintomáticos ou como ferramenta de rastreamento na população assintomática. ▪ Muitos pacientes são acompanhados rotineiramente com testes para CEA para detectar câncer colorretal recorrente após tratamento cirúrgico e adjuvante, mas as evidências sugerem que o CEA é insuficientemente sensível para ser usado de forma isolada nesse cenário. Resultado: elevado; a faixa normal do CEA em adultos não fumantes é de 5 ng/mL está associado a um pior prognóstico. ❖ A não normalização dos valores após a cirurgia é indicativa de doença persistente A dosagem do antígeno cárcino-embrionário (CEA) deve ser solicitada apenas após o diagnóstico. Ele não tem sensibilidade suficiente para o rastreamento e não deve ser usado com esse fim. Por seu valor prognóstico e de seguimento, é solicitado antes do tratamento, para observarmos, nos casos em que esteja elevado, a resposta à terapia instituída e a eventual elevação posterior. ▪ Hemograma completo com plaquetas: pode revelar anemia ▪ Painel metabólico: ❖ Pode evidenciar anomalias metabólicas adicionais ❖ Fosfatase alcalina elevada: alteração hepática mais comum associada a metástases hepáticas Sistema de estadiamento TNM (tumor, nódulos, metástases): ▪ Determina a extensão da doença ▪ Com base em: ❖ Exame pré-operatório (por exemplo, ascite, gânglios linfáticos) ❖ Resultados imagiológicos: ✓ TC (tórax/abdómen/pelve)✓ RMN (identifica mais lesões hepáticas metastáticas) ✓ Ecografia endoscópica transrretal (para carcinoma do reto) ❖ Endoscopia (com biópsia) e biópsia de gânglios linfáticos O conhecimento do grau de disseminação, associado a outros indicativos prognósticos, como fatores histológicos (grau de diferenciação, e invasão perineural e angiolinfática), ajuda a guiar a condução do caso. O sistema de estadiamento mais utilizado é o TNM, definido pela The Union for International Cancer Control (UICC), que avalia o grau de penetração do tumor na parede do órgão (T), o comprometimento linfonodal (N) e a presença de metástases à distância (M) (figura 3), classificando os pacientes nos estádios I, II, III e IV (figura 4). A versão mais nova é a oitava edição. https://einstein.instructure.com/courses/24802/pages/diagnostico-cancer-colorretal?module_item_id=601990#kl_popup_1_content CÂNCER COLORRETAL 34 Depois do diagnóstico, tanto para conhecermos o prognóstico, quanto para a programação terapêutica de qualquer tipo de paciente com câncer, o próximo passo é o estadiamento clínico. Além do exame físico completo, são solicitadas tomografia computadorizada de tórax e abdome e, nos casos de câncer localizado no reto, ressonância magnética da pelve (figura 5). Ultrassonografia endoanal e tomografia computadorizada por emissão de pósitrons (PET/CT) podem ser solicitados em casos específicos, como em tumores precoces no reto e em pacientes com suspeita de doença metastática, respectivamente. A avaliação intraoperatória, nos pacientes submetidos a cirurgia, e o resultado do exame histopatológico das peças retiradas complementam as informações pré- operatórias. Para o estadiamento clínico completo de um paciente com câncer, muitas etapas são necessárias e que ele pode mudar depois da cirurgia e do resultado do exame anatomopatológico. O estadiamento TNM se assemelha ao histórico critério proposto por Dukes, já modificado, que classifica os pacientes em quatro grupos (ABCD), em que: ▪ A é o tumor restrito à parede do cólon, camada mucosa, camada submucosa e muscular. ▪ B são tumores que penetram além disso. ▪ C são tumores com comprometimento linfonodal. ▪ D são tumores com metástases à distância. CÂNCER COLORRETAL 35 Figura 3. Classificação TNM para tumores colorretais. Figura 4. Estadiamento de tumores colorretais. Fonte: adaptado de Union for International Cancer Control 8th Edition– UICC, 2017. CÂNCER COLORRETAL 36 Figura 5. Ressonância de estadiamento de neoplasia de reto. Legenda: Tumor de reto não invadindo estruturas adjacentes. Presença de linfonodos acometidos em gordura peri-retal. Fonte: Imagem do acervo da SBIBAE. Glicoproteína produzida no desenvolvimento do feto. Em geral, sua concentração no sangue decresce após o nascimento. Em oncologia, o CEA pode ser utilizado como marcador da presença e da atividade de certos tipos de tumores em adultos e em crianças. Entre os tumores que podem apresentar elevação dos níveis de CEA estão aqueles do trato gastrintestinal, da mama, do pulmão, do pâncreas, do ovário e do sistema nervoso central. Contudo, o CEA também pode estar presente em algumas afecções benignas. Além disso, os fumantes podem apresentar níveis de CEA acima do normal. O CEA é mais frequentemente medido no sangue, mas pode também ser dosado no líquor e na bile. https://www.grupooncoclinicas.com/glossario/antigeno-carcinoembrionico-cea/ Em algumas condições clínicas benignas, o CEA também pode apresentar níveis elevados (figura 6). Figura 6. Condições benignas com antígeno carcinoembrionário elevado. https://www.grupooncoclinicas.com/glossario/antigeno-carcinoembrionico-cea/ CÂNCER COLORRETAL 37 O médico de família ou generalista deve estar habituado às indicações de rastreamento e de investigação clínica dos pacientes com suspeita de câncer colorretal, para que casos com esse tipo de câncer tão prevalente não passem despercebidos (figura 7). Figura 7. Fluxograma de rastreamento de câncer colorretal. Legenda: CaCR – Câncer colorretal. Fonte: Adaptada de American Cancer Society, Last revised: May, 2018. https://www.cancer.org/cancer/colon-rectal-cancer/detection-diagnosis-staging/acs- recommendations.html Links to an external site.. Posteriormente ao diagnóstico, o paciente deve ser encaminhado a um centro especializado de tratamento, aos cuidados de um coloproctologista, oncologista ou cirurgião gastrenterologista, onde será adequadamente estadiado e tratado. https://www.cancer.org/cancer/colon-rectal-cancer/detection-diagnosis-staging/acs-recommendations.html https://www.cancer.org/cancer/colon-rectal-cancer/detection-diagnosis-staging/acs-recommendations.html CÂNCER COLORRETAL 38 Tratamento - Câncer Colorretal CÂNCER COLORRETAL OBJETIVOS Ao final desta etapa de aprendizagem, você estará apto a: • instituir as principais formas de tratamento; • encaminhar ao especialista quando necessário. Tratamento O tratamento do câncer colorretal pode ser endoscópico, cirúrgico, radio e quimioterápico. Pode ser realizado com intenção curativa ou paliativa. Para alguns tumores iniciais e muito localizados, como aqueles restritos à mucosa, a ressecção endoscópica por polipectomia ou mucosectomia em monobloco pode ser suficiente (figura 1). Por outro lado, tumores muito avançados ou mesmo metastáticos podem ser submetidos a tratamento endoscópico paliativo exclusivo. Pois, em alguns casos de obstrução neoplásica, ou de câncer metastático, a colocação de próteses por endoscopia também pode ser a paliação ideal (figura 2 CÂNCER COLORRETAL 39 ABORDAGEM A ressecção cirúrgica do câncer colorretal localizado é a base do tratamento curativo. A cirurgia deve ser evitada quando se considera que os riscos superam os benefícios potenciais: por exemplo, quando o paciente não está apto para cirurgias de grande porte devido a comorbidades subjacentes ou quando a ressecção de doença avançada (estádio IV) pode não alterar a sobrevida ou a qualidade de vida. Além da ressecção paliativa (por exemplo, em caso de obstrução), o objetivo da cirurgia é curativo com base nas margens de ressecção não afetadas, tanto macroscopicamente quanto histologicamente. Antes da cirurgia, os pacientes que podem precisar de um estoma devem ser examinados por um enfermeiro especializado em estoma para garantir a marcação apropriada do estoma, o tempo adequado para a adaptação do dispositivo e a educação do paciente sobre os cuidados com o estoma. PRINCÍPIOS DA CIRURGIA A cirurgia minimamente invasiva, usando técnicas laparoscópicas ou assistidas por robô, é cada vez mais usada para câncer de cólon. Na maioria das circunstâncias, a cirurgia minimamente invasiva é preferível à cirurgia por via aberta, dada a experiência adequada. Os benefícios da ressecção laparoscópica realizada por um cirurgião treinado incluem dor pós-operatória reduzida, menor tempo de internação e período de recuperação mais curto, em comparação com a cirurgia por via aberta. O tempo para a recorrência do tumor e a sobrevida são similares em ambas as técnicas cirúrgicas, laparoscópica e aberta. MANEJO DO CÂNCER RETAL O tratamento cirúrgico do câncer retal (classificado como qualquer câncer cuja margem distal é vista a 15 cm ou menos da margem anal usando um sigmoidoscópio rígido) difere do câncer de cólon em sua maior complexidade técnica. A cirurgia do câncer retal varia de acordo com o estádio e a localização do câncer. A excisão total do mesorreto é o procedimento cirúrgico de padrão internacional para o câncer retal. A ressecção retal laparoscópica oferece as mesmas vantagens que a ressecção laparoscópica do cólon e está associada a desfechos oncológicos semelhantes em comparação à cirurgia retal por via aberta. No entanto,um estudo de não inferioridade constatou que a ressecção laparoscópica pode não ser apropriada em pacientes com câncer retal nos estádios II e III. Revisões sistemáticas, que incluíram estudos randomizados e observacionais, sugerem que a cirurgia assistida por robô para câncer retal resulta em desfechos oncológicos semelhantes aos da cirurgia laparoscópica. Evidências subsequentes de ensaios clínicos randomizados e controlados (ECRC) revelaram que a cirurgia laparoscópica assistida por robô não reduziu significativamente o risco de conversão para laparotomia aberta em comparação com a cirurgia laparoscópica convencional. CIRURGIA "FAST-TRACK" A cirurgia “fast-track” combina uma variedade de técnicas (por exemplo, anestesia peridural ou regional, técnicas minimamente invasivas, controle ideal da dor e reabilitação pós-operatória agressiva) para reduzir o tempo necessário para a recuperação completa. Foi demonstrado que a cirurgia “fast-track”, incorporando os princípios do programa Enhanced Recovery After Surgery (ERAS), reduz as complicações gerais e o tempo de permanência após a cirurgia colorretal.Além disso, as evidências sugerem que os desfechos são melhores em unidades cirúrgicas que realizam altos volumes de cirurgia de câncer colorretal. CÂNCER COLORRETAL 40 METAS Em geral ▪ TUMOR RESSECÁVEL ▪ Remoção completa do tumor, pedículo vascular principal e bacia de drenagem linfática por meio de cirurgia ▪ Eliminação subsequente do tumor residual e/ou micrometástase por meio de quimioterapia adjuvante (indicada para câncer colorretal em estágio III; também pode melhorar os resultados para câncer colorretal em estágio II de alto risco ) ▪ TUMOR IRRESSECÁVEL ▪ Radioterapia e/ou quimioterapia pré-operatória (neoadjuvante) para reduzir o tamanho do tumor e permitir a cirurgia curativa ▪ Remoção completa subsequente do tumor por meio de ressecção cirúrgica ▪ DOENÇA METASTÁTICA (ESTÁGIO IV CÂNCER COLORRETAL) ▪ Tumor Ressecável o A cura cirúrgica é possível quando a metástase é limitada e a lesão primária é ressecável ou torna-se ressecável após quimioterapia e/ou radioterapia ▪ Tumor Irressecável o Quimioterapia paliativa para retardar o crescimento o Prolongar a sobrevivência o Mantenha a qualidade de vida DISPOSIÇÃO CRITÉRIO DE ADMISSÃO ▪ Apresentações de emergência de câncer colorretal, incluindo aquelas com: o Obstrução intestinal o Hemorragia digestiva aguda o Perfuração e peritonite ▪ Em pacientes que estão recebendo tratamento para câncer colorretal o Ressecção cirúrgica de tumor o Febre neutropênica CRITÉRIOS PARA ADMISSÃO NA UTI ▪ Complicações com risco de vida que requerem monitoramento e tratamentos agressivos (por exemplo, perfuração com peritonite e síndrome de sepse, choque séptico) Exames de imagem, quimioterapia e radioterapia são feitos em nível ambulatorial RECOMENDAÇÕES PARA ENCAMINHAMENTO ESPECIALIZADO ▪ Encaminhar ao gastroenterologista para colonoscopia diagnóstica, biópsia e excisão de pólipos removíveis ▪ Encaminhe ao cirurgião colorretal ou oncologista cirúrgico para remoção cirúrgica da lesão e nódulos associados ▪ Encaminhar ao oncologista para quimioterapia adjuvante ou neoadjuvante CÂNCER COLORRETAL 41 ▪ Encaminhar ao radioterapeuta para radioterapia neoadjuvante ▪ Encaminhar para avaliação/aconselhamento genético e, possivelmente, avaliação de risco detalhada, os pacientes nos quais há suspeita de síndrome familiar de câncer colorretal o História pessoal ou familiar de mutação genética conhecida o História pessoal de mais de 10 pólipos adenomatosos o História pessoal de 2 ou mais pólipos hamartomatosos o História pessoal de 5 ou mais pólipos serrilhados proximais ao cólon sigmóide o História familiar de 1 ou mais parentes com polipose o História pessoal ou familiar de cânceres relacionados à síndrome de Lynch Princípios gerais ▪ Resseção do carcinoma primário: ❖ Tratamento de escolha para quase todos os doentes com lesões ressecáveis ❖ Pode ser por cirurgia laparoscópica /robótica ou aberta ▪ A disseção regional de gânglios linfáticos (pelo menos 12) é realizada por resseção (ajuda na determinação de terapêutica adjuvante adicional). ▪ Quimioterapia: ❖ Quimioterapia adjuvante: administrada dependendo do estadio do carcinoma do cólon ❖ Quimioterapia e/ou radioterapia neoadjuvante: administrada para doentes com carcinoma retal (T3 ou superior, com nódulos linfáticos positivos) ❖ Regimes de quimioterapia: ✓ Regime FOLFOX ( 5-fluorouracil/5-FU + ácido folínico/leucovorina + oxaliplatina) ✓ FOLFIRI (5-fluorouracil + ácido folínico + irinotecano) ✓ CAPOX/XELOX: capecitabina oral (Xeloda) usada com oxaliplatina O estadio do CCR e a biologia molecular (no caso da terapêutica dirigida) ditam os papéis dos tratamentos cirúrgicos e farmacológicos. Carcinoma num pólipo ▪ Remoção endoscópica ou polipectomia ▪ Quando há suspeita de carcinoma invasivo, deve ser feita uma tatuagem (para localização caso uma lesão invasiva seja encontrada ou se houver necessidade de terapia/cirurgia adicional). ▪ Fatores que indicam alto risco de carcinoma residual ou de metástases ganglionares (considerar cirurgia radical): ❖ Histologia pouco diferenciada CÂNCER COLORRETAL 42 ❖ Carcinoma na margem do pedículo ❖ Invasão linfovascular ❖ Lesão T2 ❖ Carcinoma invasivo em pólipo séssil Carcinoma do cólon estadio I-III ▪ É realizada uma resseção ampla da lesão com linfadenectomia regional. ▪ Opções cirúrgicas: ❖ Hemicolectomia direita: lesão(ões) no ceco e cólon direito (pode ser alargada para incluir o cólon transverso) ❖ Hemicolectomia esquerda: lesão(ões) na flexura esplénica e no cólon esquerdo (pode ser alargada para incluir o cólon transverso) ❖ Colectomia sigmóide: cólon sigmóide ❖ Colectomia abdominal total: ✓ Carcinoma do cólon síncronico ✓ PAF ✓ HNPCC ▪ A resseção multivisceral com margens negativas da estrutura envolvida é recomendada em doentes que apresentem invasão de órgãos contíguos ou aderências com estruturas adjacentes. ▪ Opções de quimioterapia: ❖ Estadio I: sem terapêutica adjuvante ❖ Estadio II: controverso; aqueles com alto risco de recorrência podem beneficiar da terapêutica adjuvante ❖ Estadio III (doença com nódulos positivos): ✓ Benefício significativo da terapêutica adjuvante ✓ Tumores MSI-H: não beneficiam da quimioterapia baseada em 5- FU Doença metastática ou estadio IV ▪ A maioria não tem doença ressecável (curável). ▪ Quimioterapia: tratamento padrão e pode atrasar a progressão do tumor ▪ Lesões isoladas do fígado/pulmão: lesões metastáticas confinadas ao fígado ou pulmão podem ser ressecadas. ▪ A adição de agentes biológicos/terapêutica direcionada melhora a sobrevida em certos doentes. ▪ Doença metastática irressecável: CÂNCER COLORRETAL 43 ❖ Abordar as complicações associadas (obstrução, perfuração). ❖ Técnicas ablativas locais (criocirurgia, coagulação por radiofrequência, embolização, quimioterapia intra-arterial hepática) ou radiação Carcinoma do reto ▪ Quimioterapia e/ou radioterapia pré-operatória (neoadjuvante): ❖ Em tumores T3 ou maiores ❖ Recomendada em todos os tumores com nódulos positivos ▪ A abordagem operatória pós-quimioterapia depende de: ❖ Nível do tumor acima da margem anal ❖ Tamanho e profundidade de penetração ❖ Estado clínico geral do doente ▪ Para tumores retais T1 minimamente invasivos, pequenos (menos de 3 cm), bem diferenciados: excisão transanal ▪ A maioria dos estadios II-III: ❖ Resseção anterior do reto baixa (LAR, pela sigla em inglês): ✓ Cirurgia de preservação do esfíncter ✓ Tumores moderadamente ou bem diferenciados dentro de 2 cm do esfíncter anal ✓ Tumores pouco diferenciados dentro de 5 cm do esfíncter anal ❖ Resseção abdominoperineal (APR, pela sigla em inglês): ✓ Excisão