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TRANSTORNO DO SONO PSICOPATOLOGIA PROF VILCIELE DAMASCENO FISIOLOGIA: estado normal de repouso, caracterizado pela supressão da atividade perceptiva e da motricidade voluntária, com diversos graus de profundidade, por dificuldade maior ou menor de provocar o despertar, por uma alteração mais ou menos acentuada da atividade elétrica do cérebro e por certa atividade mental (sonho). 2.estado de quem dorme; adormecimento; 3.necessidade ou vontade de dormir, sonolência; 4.período durante o qual se dorme; 5.figurado inércia, indolência DEFINIÇÕES DE SONO O sono é um estado em que a percepção e as respostas ao meio ambiente estão parcialmente suspensas, associadas a determinadas posturas assumidas, que pode ser revertido com "facilidade" através de estímulos externos ou por necessidades do próprio indivíduo. DEFINIÇÕES DE SONO SONO E SUAS FASES 🞭 O sono é uma necessidade básica fundamental para a manutenção da saúde. É um estado alterado de consciência necessário para o bem estar do organismo. Durante um dia normal, experimenta- se dois tipos diferentes de comportamentos: 🞭 a vigília e 🞭 o sono. ESTÁGIOS DO SONO 1 Fase da sonolência. Transição entre a vigília e o sono. R E M 20%-25%TTS 2 Atividade cardíaca reduzida, relaxamento dos músculos e cai a temperatura do corpo. 45%-55% 4 Sono profundo, com diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial. Dura cerca de 40 min. 3 Inicio do sono profundo e do processo de recuperação fisiológica. http://veja.abril.com.br/020909/muito-alem-sonolencia-p-114.shtml DISTÚRBIOS DO SONO Os Distúrbios do Sono são classificados em: Dissonias: intrínseca, extrínseca e de ritmo circadiano, Insônia, Hipersonia e Parassonias. As possíveis causas dos distúrbios do sono são: mudanças no estilo de vida (horário de trabalho, filhos recém- nascidos, idosos que necessitam de cuidados noturnos, por exemplo). Outros problemas que podem afetar o sono são as dores lombares, todas as dores crônicas, ruídos, incontinência urinária, medicamentos e drogas de abuso. Síndrome de Atraso de Fase de Sono (SAFS) Síndrome de Hipopnéia Narcolepsia Terror noturno Bruxismo Distúrbio de Movimentos Periódicos dos Membros Distúrbio do Comportamento relacionado aos Movimentos Rápidos dos Olhos Apnéia do Sono Ronco Sonambulismo. DISTÚRBIOS DO SONO 1. Síndrome de Atraso de Fase de Sono – SAFS Relacionado ao relógio biológico, faz com que a pessoa atrase ou adiante o horário de início de sono, resultando em sintomas de insônia para início do sono ou dificuldade para acordar no horário desejado. No atraso de fase, o indivíduo tem dificuldade em adormecer mais cedo. Logo, a pessoa passa o dia cansada e sonolenta, e à noite, mais uma vez não consegue adormecer. DISTÚRBIOS DO SONO 1. Síndrome de Atraso de Fase de Sono - SAFS Características: Atraso regular dos horários do início do sono e do despertar por duas horas ou mais além do desejado; • Pouca ou nenhuma dificuldade para manter o sono, uma vez começado; • Extrema dificuldade para acordar no horário desejado pela manhã; • Incapacidade severa de avançar a fase do sono para horários anteriores, forçando os horários socialmente convencionais de dormir e de acordar. DISTÚRBIOS DO SONO 2. Síndrome da Apnéia / Hipopnéia Obstrutiva do Sono (SAHOS) 🞭 • obstrução parcial ou total das vias aéreas superiores, que leva a interrupções intermitentes da ventilação, alterações dos gases arteriais, do padrão normal de sono, e sintomas diurnos. • Apnéia é a parada total do fluxo aéreo por período de 10s. ou mais, podendo ser central quando não ocorre esforço respiratório, ou obstrutiva quando, apesar da parada no fluxo aéreo, o esforço respiratório está presente. • Na hipopnéia, o fluxo aéreo está diminuído e não ausente. O indivíduo desperta várias vezes à noite, porque os pulmões não conseguem obter O2, então o cérebro comanda o corpo para acordar. DISTÚRBIOS DO SONO 3. Narcolepsia • caracterizado por sonolência excessiva e frequente ataques de sono diurno, mesmo quando a pessoa dormiu bem à noite. Os ataques de sono podem ocorrer a qualquer momento e em situações inusitadas: Ex: Em pé dentro de um ônibus, dirigindo o automóvel, ou operando máquinas... • É um distúrbio do sistema nervoso, e não uma doença mental. A ansiedade não causa narcolepsia. Especialistas acreditam que pode ser causada por quantidades reduzidas da proteína hipocretina, que é gerada no cérebro. DISTÚRBIOS DO SONO 4. Terror Noturno • Acomete 3% das crianças e tem importante componente familiar. Ocorre com maior frequência entre 5 e 7 anos de idade. A ocorrência diminui com a idade, sendo que menos de 1% dos adultos apresentam este distúrbio do sono. • Caracteriza-se por súbito alerta, a partir de um sono de ondas lentas com um grito penetrante acompanhado por manifestações autônomas e comportamentais de medo intenso. DISTÚRBIOS DO SONO 🞭 5. Bruxismo • desordem funcional que se caracteriza pelo ranger ou apertar dos dentes durante o sono. Essa pressão pode provocar desgaste e amolecimento dos dentes. • Possivelmente, a disfunção está ligada a fatores genéticos, a situação de estresse, tensão, ansiedade... SINTOMAS: • Dor de cabeça; dor e zumbido no ouvido; dor no pescoço e na mandíbula, devido aos esforços causados pelos músculos da mastigação ao abrir e fechar a boca. • Nos casos graves, podem ocorrer problemas ósseos, na gengiva e na articulação da mandíbula (ATM). DISTÚRBIOS DO SONO 6. Distúrbio de Movimentos Periódicos dos Membros • Consiste em episódios periódicos de contraturas súbitas dos membros, principalmente as pernas, durante o sono e algumas vezes enquanto acordado. • De causas desconhecidas; existe uma íntima relação entre esta Síndrome e a Síndrome das Pernas Inquietas. • Podem estar associadas a enfermidades, como diabetes, neuropatias periféricas, doenças reumatológicas, ou decorrentes de medicamentos como antidepressivos e barbitúricos. DISTÚRBIOS DO SONO 6. Distúrbio de Movimentos Periódicos dos Membros • A Síndrome das Pernas Inquietas : condição clínica que se caracteriza por uma intensa necessidade de mover as pernas e algumas vezes outras partes do corpo, geralmente acompanhado por forte sensação de desconforto na perna ou na parte do corpo afetada. • O diagnóstico é feito com polissonografia e o tratamento é medicamentoso e específico para cada caso. DISTÚRBIOS DO SONO 7. Distúrbio do comportamento relacionado aos movimentos rápidos dos olhos • O sono REM é a fase do sono na qual ocorrem os sonhos mais vividos. • As pessoas acordadas durante o sono REM, normalmente, sentem-se alertas, com maior índice de atenção, ou mais dispostas e prontas para a atividade normal. Continuamente, leva ao estresse e cansaço... DISTÚRBIOS DO SONO 8. Ronco • Ocorre devido à obstrução parcial das vias respiratórias superiores à passagem de ar, durante o sono. • Ao dormir ocorre uma diminuição do tônus muscular da faringe, acarretando estreitamento dessa região. DISTÚRBIOS DO SONO 9. Sonambulismo • Sonâmbulo é alguém que não está nem acordado nem dormindo. O sonâmbulo exerce algumas funções, como falar, andar, abrir portas e janelas, enquanto dorme; a região do hipotálamo fica quase inativa. Isto explica porque normalmente as pessoas sonâmbulas não lembram de quase nada que fizeram. • Os episódios ocorrem quando a consciência e a memória dormem e a parte motora é despertada repentinamente, pelo ronco, por um distúrbio epiléptico ou por um barulho. A pessoa não tem um despertar normal e passa a andar ou falar coisas desconexas. DISTÚRBIOS DO SONO 10. Insônia Incapacidade de conciliar o sono e pode manifestar-se em seu período inicial, intermediário ou final. DISTÚRBIOS DO SONO COMORBIDADES PSIQUIÁTRICAS E CLÍNICAS FREQUENTEMENTE ASSOCIADAS À INSÔNIA E À SÍNDROME DA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO Transtornosdo humor (principalmente depressão maior)Transtornos de ansiedade Transtornos de estresse pós-traumático Transtornos relacionados ao uso de substância psicoativas Refluxo gastresofágico Insuficiência renal crônica Insuficiência cardíaca Fibromialgia Obesidade Hipotireoidismo Doença pulmonar obstrutiva crônica TRATAMENTONÃO FARMACOLÓGICO Orientações quanto à Higiene do Sono Objetivam evitar comportamentos que interfiram no sono e estabelecerum hábito regular: 1. O quarto de dormir deve ser silencioso e escuro. 2. Terhorário regular para deitar e levantar. 3. Evitar permanecer na cama durante o dia. 4. Realizar exercícios físicos regularmente, mas evitar realizá-los nas últimas horas antes de deitar para dormir. 5. Evitar bebidas alcoólicas antes de deitar. 6. Evitar estimulantes até 4 horas antes de deitar (chá preto, café,bebidas à base de cola, chocolate, cigarro, drogas). 7. Evitar excesso de líquidos antes de dormir. 8. Utilizar a cama apenas para dormir e para relações sexuais, e não para fazer refeições, conversar ao telefone, assistir à televisão ou a filmes, ouvir música ou para fazer leituras prolongadas. 9. Retirar a televisão, o aparelho de som e o computador do quarto. 10. Não usar medicamentos para insônia sem orientação médica. Tratamento Psicoterápico O tratamento psicoterápico de escolha para o transtorno da insônia é a terapia cognitivo comportamental (TCC), em abordagem individual ou em grupo. É considerado o tratamento de escolha para os pacientes com transtorno de insônia, tanto isolada- mente quanto associada a terapiafarmacológica. PRINCÍPIOS BÁSICOS DO TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA INSÔNIA 1. Na insônia de início recente, prescrever medicamento por curto período de tempo (uso regular por não maisdo que 3 a 4 semanas). 2. As manifestações diurnas, como irritabilidade, desatenção, fadiga, desânimo e sonolência relacionadas à insônia, devem ser controladas. É proposto considerar fármacos com meia-vida de eliminação mais curta, diminuindo a sedação diurna. 3. Descontinuar o medicamento de forma gradual (evitar sintomas de abstinência) ou, antes da suspensão, substituir um fármaco de curta ação por um de ação intermediária ou longa. 4.O profissional deve ficar alerta para a ocorrência de insônia de rebote que pode seguir-se à descontinuação abrupta dos fármacos. 5.Em idosos, é recomendado iniciar o tratamento com doses menores do que as geralmente utilizadase evitar fármacos com meia-vida longa. HIPNÓTICOS NÃO BENZODIAZEPÍNICOS FÁRMACO APRESENTAÇÕES POSOLOGIA INÍCIO DEAÇÃO (PICO PLASMÁTICO) MEIAVIDA EFEITOS RESIDUAIS Zolpidem 10 mg 1/2a 1cp. à noite Rápido (0,5 a 2,6 horas) 1,5 a 3,2 horas Mínimos Zopiclona 7,5mg 1/2a 1cp. à noite Ultrarápido (15min) 5 a 6 horas Presentes Zaleplona SuspensanoBrasil 5 a 10mg Rápido (1 hora) 1 hora Mínimos HIPNÓTICOS BENZODIAZEPÍNICOS MedicamentoApresentaųão Posologia Taxa deAbsorųãoOral Alprazolam* 0.25, 0.5, 1 e 2 mg 0.25 a 1 Mg rápida Bromazepam* 3.6 mg e 2.5 mg/ml 1.5 a 9 Mg rápida Clonazepam* 0.25, 0.5, 2 mg e 2.5 mg/ml 0.5 a 2 Mg rápida Clorazepato* 5, 10 mg e 15mg 7.5 a 22.5 Mg rápida Diazepam* 5, 10 mg e 10 mg/2ml (injetável) 2.5 a 10 Mg rápida Flunitrazepam 1 e 2 mg 0.5 a 2 Mg rápida Flurazepam 30 mg 15 a 30 Mg rápida Lorazepam* 1 e 2 mg 1 a 4 Mg intermediária Trizola 0.125 e 0.25 0.125 a 0.25 mg rápida *Não aprovado pela ANVISApara o tratamento de insônia, a não ser quando secundária a transtorno de ansiedade. O uso para insônia pode ser considerardo a critério do médico. SEGUIMENTO/RETI RADA GRADUAL DO TRATAMENTO FARMACOLÓGICO A maneira de fazer a retirada do BZD varia conforme a experiência do médico assistente. Pode-se optar pela redução de um quarto da dose por semana, ou decidir os prazos junto com o paciente, o que dura em torno de 6 a 8 semanas. Preconiza-se a retirada de pelo menos 50% da dose utilizada nas primeiras duas semanas. Uma tática é a substituição em doses equivalentes por BZD de meia-vida mais longa, como diazepam ou clonazepam. A substituição para a forma líquida da medicação é uma alternativa que facilita a redução da dose. ANTIDEPRESSIVOS Antidepressivos como amitriptilina, trazodona, doxepina e mirtazapina apresentam ação sedativa e podem ser utilizados no tratamento da insônia associada à depressão. 1. Conceitue Sono e Vigília. 2. Relacione os estágios do sono e as características de cada estágio, alterações fisiológicas e duração. 3. Por que dormimos? 4. Explique os mecanismos neurais do sono (áreas encefálicas envolvidas/ funções). 5. Como se dá a relação hormônios X sono. 6. O que são ritmos biológicos? Relacione-os e defina-os. 7. Relacione os principais neurotransmissores e suas ações à fisiologia corporal. 8. Caracterize os principais distúrbios do sono. ATIVIDADE • Dalgalarrondo, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais – 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008. • DSM-5-TR. Washington: American Psychiatric Publishing, 2022. APA - ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA. • STAHL, Stephen M. Psicofarmacologia: bases neurocientíficas e aplicações práticas. Riode Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. (Biblioteca Virtual Minha Biblioteca). Capítulo 11 BIBLIOGRAFIA