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21 _____________________________________________________________________________ AULA 4 – FLUORETOS ➢ HISTÓRICO: Os fluoretos, forma iônica do elemento químico flúor, são os principais responsáveis pelo declínio da cárie dentária em países desenvolvidos e também no Brasil. Além da redução da prevalência da cárie, o Fluoreto age reduzindo a velocidade de progressão de novas lesões. Em 1989 começou a fluoretação nas águas em escala populacional no Brasil. ➢ MECANISMO DE AÇÃO: O objetivo final de todos os meios de utilização de Fluoretos é a manutenção do íon flúor na cavidade bucal, para interferir no desenvolvimento da cárie dentária. Essa manutenção está relacionada à: • Inibição da ação da placa bacteriana (adesão): O flúor apresenta capacidade para atravessar a parede celular das bactérias cariogênicas sob forma de HF (Fluoreto de Hidrogênio). Uma vez no interior das bactérias, o flúor dissocia-se e interfere no processo enzimático da bactéria. O alvo do flúor é a enolase, uma enzima glicolítica responsável pela produção de ácido láctico. Esta ação antimicrobiana sobre as bactérias cariogênicas é uma das principais ações benéficas associadas ao uso de flúor. • Estimulação do processo de remineralização por formação de cristais de fluorapatita. • Inibição do processo de desmineralização. 22 ➢ MEIOS DE UTILIZAÇÃO DO FLÚOR: Meios Coletivos – Utilização Sistêmica. Meios Individuais – Utilização tópica. ➢ MEIOS COLETIVOS – UTILIZAÇÃO SISTÊMICA: • Fluoretação das águas de abastecimento público. • Fluoretação escolar ou doméstica. • Comprimidos ou gotas fluoretadas. • Fluoretação do sal para consumo humano. • Outros veículos. MECANISMO DE AÇÃO SISTÊMICA: Proteção: Substituição da hidroxiapatita (HA) pela fluorapatita (FA) durante a formação do esmalte dentário. Composição básica do esmalte: Material cristalino (Ca + Fosfato) Hidroxiapatita. Íons fluoretos: Durante a formação do esmalte substituem a hidroxila – fluorapatita. Hidroxiapatita e fluorapatita são solúveis em baixo pH (a solubilidade da fluorapatita é menor). Esmalte com fluorapatita e fórmulas intermediárias como a fluorhidroxiapatita – menor solúvel em pH baixo. FLUORETAÇÃO ARTIFICIAL DAS ÁGUAS DE ABASTECIMENTO: Finalidade: Reduzir a ocorrência de cárie dentária, sem produzir Fluorose (patologia que afeta o esmalte dentário – manchas brancas pequenas, grandes ou acastanhadas). ESTUDOS: 1944: Estudos em Grand Rapids, Muskegon e Aurora (EUA): • Grand Rapids (Michigan) – 1,9 ppmF = Experimental. • Muskegon (Michigan) – Controle não fluoretado. • Aurora (Illinois) – 1,2 ppmF (ocorrência natural) = controle Fluoretado. 5 anos – Muskegon abandonou a pesquisa e adicionou o Flúor. 23 1953 a 1967: Estudos experimentais no Brasil: • Baixo Guandú (ES) – Experimental = Adição de Flúor Silicato de Sódio (0,8 ppmF). • Aimorés (MG) – Controle não fluoretado. Resultado: Baixo Guandú – Redução de 65,4% em crianças de 6 a 12 anos. Aimorés – Situação permaneceu inalterada. FLUORETAÇÃO DAS ÁGUAS: É um método: • Adequado: Atinge toda a população que possui rede de água. • Eficiente: Estudos mostram reduções significantes na prevalência de cárie. • Seguro: Nas dosagens recomendadas não causa nenhum efeito deletério ao ser humano. • Econômico: Custa U$ 0,50 por pessoa/ano. Problemas: • Inexistência de rede de abastecimento de água em algumas regiões. • Problemas políticos: Fluoretar água de abastecimento não rende dividendos políticos. • Problemas socioculturais: Falsas informações de que o Flúor produz câncer, impotência, problemas cardíacos, etc... Aspectos Legais: Obrigatoriedade da implantação de sistemas de fluoretação das águas, seja em locais com estação de tratamento, ou seja, em locais onde o abastecimento de água é feito por meio de poços profundos. O Ministério da Saúde, em ação conjugada com as secretarias de saúde ou órgãos equivalentes, exercerá a fiscalização do cumprimento da Lei. LIMITES RECOMENDADOS PARA A CONCENTRAÇÃO DE ÍON FLORETO EM FUNÇÃO DA MÉDIA DAS TEMPERATURAS MÁXIMAS DIÁRIAS: 24 FLUORETAÇÃO ESCOLAR: Utilizada quando a escola está em uma região onde não existe ocorrência natural de flúor e também a água para consumo não é fluoretada artificialmente. Objetiva-se levar o benefício do flúor a um grande número de crianças reunidas no ambiente escolar. O mesmo princípio também pode ser utilizado para a fluoretação domiciliar e, também, para pessoas confinadas socialmente: orfanatos, asilos, prisões, etc... COMPRIMIDOS OU GOTAS FLUORETADAS: • Método de aplicação sistêmica que exige colaboração dos responsáveis. • Só deve ser o método de escolha quando houver impossibilidade de aplicarmos outro método menos dependente da vontade do usuário. • Não possuem indicação para mulheres gestantes, se a intenção for proteger a saúde bucal do futuro bebê. • Não deve ser utilizado em locais onde a água possua fluoreto (natural ou artificial). • A redução da ocorrência de cárie está na estreita dependência da continuidade de uso. • Início de ingestão: 1 ano de idade. • Os comprimidos devem ser mastigados, bochechados e deglutidos para aproveitar a ação tópica do fluoreto. • Prescrição - considerar a idade da criança: 1 ano - 0,25 mg de NaF; A cada ano acrescentar 0,25 mg, até completar 1 g • Crianças pequenas: utilização de gotas. FLUORETAÇÃO DO SAL: • Recomendação - impossibilidade de fluoretação da água. • Prevenção efetiva em relação à cárie dental. • Custo reduzido. • Pequena aceitação do método - dificuldades práticas quanto à dosagem adequada. • Controle problemático em países com múltiplas fontes produtoras de sal e com áreas onde a água já é naturalmente fluoretada. • Teor no fluoreto no sal: entre 90 a 350 ppm por quilo de sal. • Redução da cárie dentária: Entre 10 a 60% dependendo da concentração de fluoreto e continuidade de uso. Exige a necessidade de estudos: • Qualidade do sal produzido. • Consumo de sal pela população • Variações regionais no uso do sal. • Conhecimento das variações da ocorrência natural de flúor. 25 A fluoretação do sal deve ser considerada onde a fluoretação da água não for factível devido a razões técnicas, econômicas ou socioculturais; a concentração ótima deve ser determinada com base em estudos de ingestão de sal; são necessários estudos periódicos sobre cárie dental e fluorose. OUTROS MEIOS: Leite, açúcar, goma de mascar, cereais, sucos de frutas, farinha de mandioca, etc... São de uso generalizado difícil – poucos estudos disponíveis, não permitindo conclusões precisas ➢ MEIOS INDIVIDUAIS – UTILIZAÇÃO TÓPICA: Métodos de aplicação profissional. Métodos de autoaplicação. MÉTODOS DE APLICAÇÃO PROFISSIONAL: • Verniz Fluoretado. • Gel Fluoretado. • Profilaxia com pasta profilática contendo Flúor. • Diamino fluoretado de prata. ❖ VERNIZ FLUORETADO: • Utilização tópica. • Alto conteúdo de flúor. • Capacidade adesiva. • Potencializa a ação do flúor. • Evolução do veículo: de gel para laca. • Desenvolvido na Europa nos anos 60 e utilizado no Brasil a partir dos anos 80. • Alto conteúdo de flúor: 2,26% (22.600 ppmF). • Método seguro. Estudos iniciais na Europa – Heuser & Schmidt (1969) o Duraphat (2,26%) o Flúor Protector (0,7%) o APF (2,0%) Liberam fluoreto por até 12 horas. Maior liberação nas primeiras 4 horas. 26 VERNIZ FLUORETADO – MECANISMO DE AÇÃO: • Liberação de etanol à saliva e Incorporação simultânea de água. • Formação de uma película plástica na superfície do esmalte. • Fluoreto é liberado gradualmente. VERNIZ FLUORETADO – EFICÁCIA: • Estudos controlados indicam 46% de redução de cáries. • Alta variabilidade entre estudos (30% a 63%). VERNIZ FLUORETADO – TÉCNICA:• Mínimo de 2 e máximo de 4 aplicações anuais. • Necessária a limpeza prévia dos dentes, por meio da escovação, posterior secagem e isolamento relativo. VERNIZ FLUORETADO – VANTAGENS: • Facilidade da técnica de aplicação. • Controle sobre o paciente. • Maior concentração de fluoreto. • Adesão à superfície dentária por várias horas. • Uso em populações em idade pré-escolar. • Nenhum risco de fluorose dentária na frequência recomendada. VERNIZ FLUORETADO – DESVANTAGENS: • Necessidade de limpeza prévia e Secagem dos dentes para retenção do verniz. VERNIZ FLUORETADO – INDICAÇÕES: • Exposição à água de abastecimento sem flúor • Exposição à água de abastecimento com teores de fluoretos abaixo da concentração indicada (até 0,54 ppm F) • CPOD médio maior que 3 aos 12 anos de idade • Menos de 30% dos indivíduos do grupo livres de cárie aos 12 anos de idade • Condições sociais e econômicas com baixa exposição a dentifrícios com Flúor. VERNIZ FLUORETADO – CONTRA-INDICAÇÕES: • Utilização no ambiente doméstico – Autoaplicação. • Utilização em pacientes com gengivite ulcerativa e estomatite. 27 ❖ GEL FLUORETADO: • Evolução do veículo – Aquoso para gelatinoso. • Flúor Fosfato Acidulado (FFA a 1,23%) – Mais utilizado. • Método tópico mais popular no Brasil. • Gel: Neutro ou acidulado; tradicional ou tixotrópico. • Técnicas: Moldeiras ou pincel. GEL FLUORETADO – TÉCNICA: Aplicar Gel de FFA a 1,23% durante 4 minutos. O tempo de aplicação de 4 minutos e as recomendações de não beber água ou comer por até 30 minutos após a aplicação têm sido seguidos, embora não haja evidência da sua relevância anticárie. Como método populacional, recomenda-se aplicação semestral ou quadrimestral GEL FLUORETADO – TÉCNICAS DE MOLDEIRAS: • Profilaxia profissional ou escovação criteriosa. • Lavagem e secagem. • Dispensar em torno de 5 ml de gel nas duas moldeiras. • Posicionar a moldeira na cavidade bucal por 4 minutos. • Remover a moldeira e instruir o paciente GEL FLUORETADO – VANTAGENS: • Maior cobertura quando comparado aos bochechos • Menor risco de fluorose dentária – frequência é baixa. 28 GEL FLUORETADO – CUIDADOS: Necessidade de supervisão em crianças em idade pré-escolar, devido ao risco de ingestão. GEL FLUORETADO – INDICAÇÕES: • Exposição à água de abastecimento sem flúor; • Exposição à água de abastecimento com teores de fluoretos abaixo da concentração indicada (até 0,54 ppm F); • CPOD médio maior que 3 aos 12 anos de idade; • Menos de 30% dos indivíduos do grupo livres de cárie aos 12 anos de idade • Condições sociais e econômicas com baixa exposição a dentifrícios com F • Populações onde métodos de alta frequência são difíceis, por exemplo, populações isoladas ou distantes dos centros urbanos GEL FLUORETADO – EVIDÊNCIAS: Revisão sistemática da literatura indica 19% a 37% de redução de cárie quando do uso individual. TÉCNICA DO GEL NA ESCOVA: Situações específicas de saúde coletiva onde não exista a possibilidade de se aplicar qualquer outra metodologia. Cuidados para se evitar a deglutição do gel. Escovação tradicional com escova + creme dental + Nova escovação + gel fluoretado. ❖ PROFILAXIA COM PASTA CONTENDO FLUORETOS: • Baseia-se na profilaxia tradicional • Diferencial: pasta profilática com flúor em maior concentração. • Não se recomenda o preparo artesanal das pastas pela incompatibilidade do fluoreto com certos abrasivos • Frequência de utilização: semestralmente 29 ❖ DIAMINO FLUORETO DE PRATA: Mecanismo de ação: O diamino fluoreto de prata age tanto na porção inorgânica do elemento dentário quanto na porção orgânica, sendo o fluoreto de sódio responsável pela parte mineral, que é a hidroxiapatita, e o nitrato de prata pela porção orgânica das proteínas. Produzindo efeito cariostático. MÉTODOS DE AUTOAPLICAÇÃO: • Dentifrícios Fluoretados. • Bochechos com soluções fluoretadas. ❖ DENTIFRÍCIOS: Dentifrício fluoretado é considerado um dos métodos mais racionais de prevenção das cáries, pois alia a remoção do biofilme dental à exposição constante ao flúor. Sua utilização tem sido considerada responsável pela diminuição nos índices de cárie observados hoje em todo mundo, mesmo em países ou regiões que não possuem água fluoretada. A redução da prevalência de cárie com o uso do Dentifrício é de 21% a 28%. Dois tipos de compostos fluoretados mais utilizados nos dentifrícios: • Fluoreto de sódio (NaF) • Monofluorfosfato de sódio (MFP, Na 2PO 3F). DENTIFRÍCIO – AÇÃO: Aumentam a concentração de Flúor na saliva por cerca de 40 minutos após a escovação. A utilização frequente do dentifrício associada à remoção de biofilme aumenta os níveis de flúor na cavidade bucal, interferindo no processo desmineralização e remineralização. ❖ SOLUÇÕES FLORETADAS: Solução concentrada de fluoreto de sódio para bochecho: • Diário (NaF a 0,05%) • Semanal ou quinzenal (NaF a 0,2%). Recomenda-se bochechar 10 ml de solução, vigorosamente, por um minuto, seguida de expectoração. Revisões Sistemáticas indicam uma redução de cárie na ordem de 23% a 30%. 30 SOLUÇÕES FLORETADAS – VANTAGENS: • Facilidade de aplicação. • Baixo Custo. SOLUÇÕES FLORETADAS – DESVANTAGENS: • Crianças em idade pré-escolar (risco de ingestão). • Necessidade de 25 bochechos semanais por ano, sem interrupções prolongadas. SOLUÇÕES FLORETADAS – INDICAÇÕES: • Periodicidade semanal (NAF 0,2%). • Exposição à água de abastecimento sem flúor. • Exposição à água de abastecimento com teores de fluoretos abaixo da concentração indicada (até 0,54 ppm F) • CPOD médio maior que 3 aos 12 anos de idade. • Menos de 30% dos indivíduos do grupo livres de cárie aos 12 anos de idade. • Condições sociais e econômicas com baixa exposição a dentifrícios com Flúor. Bochechos diários de NaF a 0,05%, em combinação com dentifrícios fluoretados, são recomendados para indivíduos com alto risco de cárie, por exemplo, aqueles usando aparelhos ortodônticos fixos. ➢ FLUOROSE DENTÁRIA: Distúrbio ocorrido durante a formação do esmalte dentário, causado pela ingestão excessiva e crônica do flúor, sendo o grau de manifestação dependente da dose ingerida, do tempo, da duração da exposição e da resposta individual de cada pessoa. O esmalte fluorótico contém mais proteínas no tecido poroso que o esmalte normal não fluorótico, embora se ignore se essa diferença na composição do esmalte é o resultado direto de um efeito do flúor na síntese da matriz de esmalte ou um efeito indireto do flúor sobrea amelogênese. Os pré-molares e segundos molares são os dentes mais frequentemente afetados, seguidos pelos incisivos superiores e caninos. Os dentes menos afetados são os incisivos inferiores e os primeiros molares. 31 EPIDEMIOLOGIA: • Prevalência - de 5% a 70% da população; • Altas prevalências em áreas de fluorose endêmica (alta concentração de flúor nas fontes naturais de água ou múltiplas fontes de ingestão); Atinge: • 8,5% das crianças com até 12 anos de idade • 5,1% nos adolescentes entre 15 a 19 anos- • As formas moderada e severa não alcançam 1% dessa população. PANORAMA INTERNACIONAL: ➢ INDICADORES DE FLUOROSE DENTÁRIA: ÍNDICE DE DEAN: 32 ÍNDICE TF (THYLSTRUP & FEJERSKOV). ➢ CONTROLE DA FLUOROSE DENTÁRIA: 1 – Considerando que água fluoretada e o uso de dentifrício fluoretado são formas eficientes e com boa relação custo-benefício para a prevenção da cárie, outras formas de utilização deveriam ser indicadas apenas para pessoas com alto risco à cárie ou atividade da doença; 2 – A dose de flúor na água ingerida por crianças no primeiro ano devida deve ser menor que 0,3 mg/l para prevenir fluorose; 33 3 – Crianças abaixo de seis anos de idade, especialmente as menores de dois anos, têm o risco aumentado para a fluorose pelo inadequado desenvolvimento do controle reflexo da deglutição. Deve-se ter controle sobre o uso de dentifrícios e observar o nível de fluoretação das águas; 4 – Crianças abaixo de seis anos não devem utilizar bochechos com soluções fluoretadas pelo risco de ingestão repetida; 5 – Suplementos com fluoretos só deverão ser indicados para crianças com alto risco à cárie quando a dosagem de fluoretos na água de abastecimento for baixa. O profissional deve fazer uma avaliação rigorosa do método a ser aplicado; 6 – O aleitamento materno (com posterior higienização da cavidade bucal) por um período maior que seis meses pode ser um fator de proteção ao desenvolvimento de fluorose dentária, evitando assim o uso de fórmulas para o aleitamento artificial (com flúor e sacarose); 7 – A indústria deve garantir a indicação da dosagem de fluoreto no rótulo de águas minerais; 8 – O poder público deve garantir o desenvolvimento de um adequado sistema de heterocontrole da dosagem de flúor nas águas de consumo, com tecnologias mais precisas. ➢ EFEITOS ADVERSOS DO FLÚOR PARA A SAÚDE GERAL: TOXICIDADE AGUDA DO FLÚOR: Refere-se a ingestão, de uma única vez, de grande quantidade de flúor provocando desde irritação gástrica até a morte. REVISÃO SISTEMÁTICA: Universidade de York, Inglaterra. 33 estudos - fluoretação das águas e efeitos sistêmicos adversos à saúde (câncer, fraturas ósseas, síndrome de Down, defeitos de nascimento, efeitos renais, efeitos na tireóide, inteligência, entre outros) Não foi encontrada evidência que sustente haver risco para a saúde humana, decorrente do uso de fluoretos em concentrações adequadas. Não foram constatados efeitos adversos na mortalidade precoce e no desenvolvimento infantil. 34 _____________________________________________________________________________ AULA 5 – PROTOCOLO DE AÇÕES BÁSICAS EM SAÚDE ➢ FASES DE ATENDIMENTO: 1ª – Exames para diagnóstico e Plano Terapêutico (de tratamento). 2ª – Controle das causas / atividade das doenças Cárie e Gengivite. 3ª – Exames para avaliação do controle da atividade dessas doenças. 4ª – Encaminhamento para tratamento restaurador (dentística) ou reabilitador. 5ª – Manutenção Periódica programada. ➢ DESENVOLVIMENTO DO PROTOCOLO CLÍNICO: ❖ 1ª FASE – EXAMES CLÍNICOS PARA O DIAGNÓSTICO: • Anamnese. • Exame estomatológico (P.A. e Glicemia). • Avaliação de exposição à sacarose – relação com açúcar. • Exames clínicos – FS, IBL, IBV, ISG. • Profilaxia Profissional. • Registro CPO-S modificado (ampliado): inclusão de lesões sem cavidades – MBA/MBI • Aplicação tópica de Flúor em gel / verniz fluoretado. • Cliente é liberado. ➢ EXAMES CLÍNICOS: • Coleta de saliva para determinação do Fluxo Salivar – FS. • Determinação do Índice de Biofilme Lingual – IBL. • Determinação do Índice de Biofilmes Visíveis – IBV. • Determinação do Índice do Sangramento Gengival – ISG. ➢ OUTROS PROCEDIMENTOS CLÍNICOS: • Instruções de Higiene Oral / Controle de Biofilme. • Aplicação Tópica de Flúor. 35 COLETA DE SALIVA PARA DETERMINAÇÃO DO FLUXO SALIVAR (FS): 1- Pedir para mastigar lençol de borracha / plástico. 2- Começar a contar o tempo (3 minutos). 3- A pessoa despeja a produção de saliva no pote plástico (de café) durante esse tempo. 4- Depois dos 3 minutos, pegar seringa de 5 mL para aspirar todo o líquido produzido. 5- Dividir o valor produzido de saliva por 3 (pois foram 3 minutos). 6- A medida do fluxo será dada em mL / min. Parâmetros: Hipossalivação: abaixo de 0,7 mL / min. Normal: acima de 1,0 mL / min. Atenção: entre 0,8 – 1 mL / min. ÍNDICE DE BIOFILME LINGUAL – IBL: • É feito tirando uma foto da língua do paciente. • Para avaliar, devemos dividir a língua nos seguintes quadrantes: o Parte da frente, parte de trás, laterais e centro. • Depois iremos pontuar a presença do biofilme em cada quadrante: o 0 = Ausência de biofilme o 1 = Presença de biofilme o 2 = Quantidade grande de biofilme (exclusivo do quadrante central inferior) • Depois é somado cada nota e criaremos nosso índice. ÍNDICE DE BIOFILME VISÍVEL (PLACAS) – IBV: Porcentagem de superfícies dentais com biofilmes visíveis, utilizando o espelho. Objetivo do Exame: • Evidenciar áreas de maior dificuldade de limpeza (apesar do esforço que geralmente precede a visita ao dentista). • Avaliação da destreza / psicomotricidade. • Reavaliação longitudinal nas consultas de manutenção periódica programada. • IBV: 20 % = Limite do aceitável. 36 Como realizar: 1- Isolamento relativo, utilizando o sugador de saliva e um rolinho de algodão. 2- Secagem cuidadosa (para não correr o risco de espalhar o biofilme). 3- Avaliar se há biofilme – Regiões cervical, mesial, distal, oclusal, vestibular e lingual. o 0 = Ausência de biofilme o 1 = Presença de biofilme Cálculo do Índice de Biofilmes Visíveis: A porcentagem é dada através de uma regra de três, onde colocamos o total de fáceis (regiões) examinadas como 100%, e o número de faces com placas visíveis (espessos) como X. Lembrando que o limite aceitável é de 20%. Total de faces: 113 Faces com placa visíveis: 99 ÍNDICE DE SANGRAMENTO GENGIVAL – ISG: Porcentagem de superfícies gengivais que apresentam sangramento. Objetivo do Exame: • Evidenciar as áreas com gengivite marginal associada à presença de biofilme. • Conhecer o padrão costumeiro de remoção / controle de biofilmes do cliente. • Avaliar mudanças de comportamento. • Reavaliação longitudinal nas consultas de Manutenção Periódica Programada. Como realizar: 1- Isolamento relativo, utilizando o sugador de saliva e um rolinho de algodão. 2- Secagem (importante pois o fluido gengival pode confundir o exame) 3- Medimos a gengiva introduzindo levemente a Sonda Milimetrada no sulco gengival, percorrendo por ele dá distal até a mesial, uma única vez. 4- Ordem do exame: 18-11, 28-21, 38-31, 48-41. Deve ser feito a cada três dentes. 5- Verificamos se houve sangramento na passagem da sonda. Caso o dente sangre no momento da passagem da sonda, chamamos de sangramento imediato, caso sangre depois, após analisar três dentes, chamamos de sangramento mediato. o 0 = Ausência de Sangramento o 1 = Presença de Sangramento 37 Cálculo do Índice de Sangramento Gengival: A porcentagem é dada através de uma regra de três simples, onde colocamos o total de superfícies (regiões) examinadas como 100%, e o número de superfícies com sangramento como X. Lembrando que o limite aceitável é de 20%. Total de Superfície: 110 Superfície com sangramento: 82 PROFILAXIA PROFISSIONAL: Materiais: • Micromotor e baixa rotação (deve estar esterilizado). • Taça de Borracha – usada em superfícies lisas livres (vestibulares e palatinas / lingual); a taça não deve ser utilizada caso for realizar um diagnóstico posteriormente, pois ela promove um polimento da superfície, prejudicando o aparecimento visível da cárie. • Escova de Robinson – usado nas oclusais. • Fio dental – usado na região interproximal. • Limpador de língua. ÍNDICE CPOS AMPLIADO – AVALIAÇÃO DAS ARCADAS: • Índice específico de doença cárie. • Experiência passada da doença cárie: cavidades / restaurações / dentes extraídos ou com extração indicada. • Atividade cariosa no momento do exame (MBA/MBI). • Podemos encontrar mancha branca ativa, inativa ou mancha ovalada (hipoplasia). • O exame de possuir um local limpo, seco e iluminado (condição básica). CPOS Ampliado: O componente cariado (C) é subdivido em: • Mancha Branca (C1): o Ativa – Fosca / Rugosa. o Inativa – Brilhante / Lisa. • Cavidade no esmalte / Microcavidade (C2).• Cavidade na dentina (C3): o Ativa – Amolecida, marrom clara, úmida. o Inativa – Endurecida, cor escura • Cavidade atingindo a câmara pulpar (C4). 38 Selamento biológico: Quando o próprio organismo se recupera de uma desmineralização, ele possui um aspecto enegrecido devido a alimentação. Não é preciso realizar restauração pois ele não é uma lesão de mancha branca ativa/inativa. Lembrando que a lesão de mancha branca ativa possui aspecto branca/amarelada e amolecida, já a lesão de mancha branca inativa possui aspecto escurecido e duro. ❖ 2ª FASE – CONTROLE DAS CAUSAS DAS DOENÇAS CÁRIE E PERIODONTAL: • Definir o Diagnóstico e o plano terapêutico Procedimentos para obtenção do controle da atividade dessas doenças / reequilíbrio dos biofilmes (meio bucal). • Exposição do caso para cliente / responsável: Como o cliente chegou e qual será o curso do treinamento. EDUCAÇÃO EM SAÚDE: Diversos Temas - de acordo com o caso clínico: • Discutir a convivência “inteligente” com o açúcar – substitutos da sacarose a partir do inquérito da dieta. • Discutir sobre hábitos de risco e sua “transmissão familiar”. • Conceituar o papel dos biofilmes odontopáticos – Importância do controle dos biofilmes. • Aconselhar “problemas” encontrados na anamnese. Discutir o significado dos índices encontrados: • Índice de Biofilme Lingual – IBL. • Índice de Biofilmes Visíveis – IBV. • Índice do Sangramento Gengival – ISG. • Fluxo salivar e outros. 39 PROCEDIMENTOS CLÍNICOS: REEQUILÍBRIO DOS BIOFILMES: CLIENTE EXECUTA AUTO – CUIDADOS CASEIROS: • Limpeza da língua, escovação e uso de fio dental. • Aluno avalia e, se necessário, faz correções e adaptações na técnica / indicação de áreas críticas mostrando com o espelho de mão. REMOÇÃO DE FATORES RETENTIVOS DE BIOFILME: • Remoção de cálculo supra gengival (Sub – perio) • Remoção de raízes residuais. • Pulpotomias. • Fechamento (selamento) provisório das cavidades abertas na dentina. • Remoção do tecido cariado com instrumentos manuais ou através de procedimentos quimio – mecânicos. • Selamento provisório com cimentos ionoméricos ou à base de óxido de zinco e eugenol • Correção das restaurações já existentes quando existir necessidade: remoção de excessos e de restaurações, recontornos e repolimentos. o Profilaxia Profissional o Aplicação Tópica de Flúor. Objetivo dessa Fase: Reduzir / Controlar a microbiota cariogênica, possibilitando o reequilíbrio dos biofilmes bucal. ❖ 3ª FASE – ACOMPANHAMENTO DA EVOLUÇÃO DO CONTROLE DO PROCESSO SAÚDE DA DOENÇA CÁRIE E GENGIVITE: Procedimento Clínico: • Nova determinação dos índices IBL, IBV, ISG, FS, e outros caso seja necessário Glicemia e PA • Avaliação da reação do esmalte frente ao reequilíbrio dos biofilmes a à fluorterapia – inicio da reversão de MBA para MBI. • Profilaxia Profissional. • Aplicação Tópica de Flúor. 40 ❖ 4ª FASE – RESTAURAÇÃO / REABILITAÇÃO: Cliente começa a fase restauradora – Restaurações diretas e indiretas e a fase reabilitadora. Ex.: Restauração de resina, preparo do bloco, ponte fixa, cirurgia de implante. Importante: Antes da restauração é recomendado um clareamento Dental ❖ 5ª FASE – MANUTENÇÃO PERIÓDICA PROGRAMADA – MPP: De acordo com a necessidade do cliente – variável. Objetivos: • Monitorar a aquisição / desenvolvimento da capacidade de autocuidado (autocontrole) • Identificar precocemente novos desequilíbrios nas condições intrabucais – novos surtos da atividade das doenças. • Reforçar / consolidar a educação para saúde e a corresponsabilidade no processo de controle das doenças e na manutenção do estado de saúde. ➢ PROCEDIMENTOS CLÍNICO – TREINAMENTO: • P.A. • Glicemia. • Índice de Biofilmes Linguais – IBL. • Índice de Biofilmes Visíveis – IBV. • Índice de Sangramento Gengival – ISG. • Fluxo Salivar. • Profilaxia Profissional. • CPOS / Transformação de MBA em MBI. • Índice de Exposição à Sacarose – IES. • Aplicação tópica de Fluoretos. CUIDADOS NA CLÍNICA: • Assiduidade. • Pontualidade. • Biossegurança. • Material e Instrumental. • Preenchimento das Fichas. • Domínio do conteúdo teórico. • Procedimento técnico. • Respeito ao Paciente. 41 _____________________________________________________________________________ AULA 6 – TRATAMENTO RESTAURADOR ATRAUMÁTICO TRA x CURATIVO EM MASSA: HISTÓRICO: 1992: Atenção para saúde de refugiados - Tailândia e Camboja (Prof. Frencken). 1994: Estratégia de saúde para países em desenvolvimento (OMS). 2002: Um dos procedimentos para Odontologia minimamente invasiva (FDI). 2006: Aplicação em crianças de baixa renda (OPAS). PORQUE SE ENCAIXA NA REALIDADE BRASILEIRA: • Limitada cobertura da Odontologia convencional. • Estratégia de Saúde da Família. • Alta demanda em unidades (TRA é mais rápido). • Grupos especiais – Gestantes, idosos, deficientes, hospitalizados, imunocomprometidos, pacientes com câncer (Uma técnica mais rápida e indolor gera uma grande vantagem). IMPACTO DO TRA: Pacientes: Intervenção precoce; sem anestesia; sem brocas; manutenção do ambiente. • Redução da ansiedade. 42 Dentistas: • Redução da ansiedade; o Receptividade. o Velocidade. o Colaboração. • Fácil reparo. • Revisões mais rápidas. • Procedimentos em pacientes especiais, gestantes e hospitalizados. Gestores: • Locais Distantes. • Velocidade – 4x mais rápido. • Mais atendimentos. • Menos Faltas (-30%). • Mais altas (+60%). • Mais revisões (+30%). • Menos necessidade de tratamento endodôntico (-70%). Equipe Escolar: • Compreensão sobre saúde bucal. • Instrução de Higiene Oral. • Interesse pela saúde dos alunos. • Aumento do auto cuidado. • Participação dos veteranos. LIMITAÇÕES DO TRA (CONTRA-INDICAÇÕES): • Fadiga Muscular do profissional – Mãos, coluna, olhos. • Ionômero de Vidro – Preço e manipulação do material (precisa estar bem treinado). • Ausência de sofisticação Técnica. o Distanciamento dos profissionais – Pouco interesse dos dentistas. o Desconfiança Social – Por ser uma técnica simples, porém igualmente eficiente. PRINCIPAIS INDICAÇÕES: Elementos decíduos (exceções estéticas). 43 Elementos Permanentes: • Paredes circundantes – Proteção do Ionômero de vidro. • Cúspides de trabalho – Tem que estar presente para o TRA não quebrar rapidamente. • Restaurações cervicais – Ionômero de vidro é importante para restauração de classe 5. Extrapolações: • Atendimento em campo – Por ser um local atípico, nem sempre temos todos os materiais recomendados, por isso é importante aplicar o TRA como forma de curativo temporário, quando necessário, para paralisar a doença e assim encaminhar o paciente para uma unidade básica de saúde, para então realizar um tratamento mais completo. • Pacientes especiais. QUAL IONÔMERO USAR PARA O TRA: Cimento de Ionômero de vidro de Alta Viscosidade (CIVAV): • Relação pó/liq (vol): 3/1 – Manual. • Relação pó/liq (vol): 3.8/1 – Mecânica. • Menor tempo de presa. • Maior concentração de partícula. Importância da escolha da Alta Viscosidade: A consistência fluida de um ionômero de cimentação ou forro é consequência de uma menor concentração de partícula, por isso não podemos usar um ionômero que não seja um específico de alta viscosidade, se não a restauração irá falhar muito rápido. Manipulação: Importante: - A proporção continua sendo de 1 pó para 1 gota, apenas o volume do pó (medidor) é 3x maior. - O tempo de presa é rápida: 45 segundos para manipular e inserir na cavidade. 44 INSTRUMENTAIS: • Espátula 24. • Pinça Algodão. • Espelho Clínico. • Sonda Exploradora 5. • Kit TRA. 1: Opener – Abrir e aumentar cavidade. 2: Alargador – Raspagemdo esmalte. 3: Escavador 3 – Usado em cavidades profundas. 4: Escavador 2 – Remoção de tecido cariado. 5: Escavador 1 – Remoção na junção amelodentinário. 6: Esculpidor – Leva o CIV até a cavidade para esculpir. SEQUÊNCIA TRA CONVENCIONAL: 1- Acesso à Lesão de cárie Movimento rotatório, utilizando o Opener. 2- Ampliação do Acesso à Lesão: O alargador possui corte em todas as laterais. Realizando uma raspagem vertical de cima para baixo ele fratura a crista marginal para termos acesso a lesão proximal. Esse é um procedimento que pode ser substituído pela broca, nesse caso está sendo demonstrado um trabalho de campo. 45 3- Remoção seletiva (parcial) da cárie. • Paredes axial e pulpar. o Remoção da dentina necrosada / Infectada (amolecida). o Manutenção da dentina desmineralizada / Afetada (lascas) • Paredes Circundantes. o Remoção total de Cárie • Somente dentes vitais. • Reduz tratamentos endodônticos. • Reduz ou elimina a dor. • Produz dentina sadia e mineralizada. Colher de dentina 2: Mais usada. Angulação pensada para se trabalhar dentro do esmalte. Colher de dentina 1: Vai bem embaixo do esmalte, na junção amelodentinário. Usada para fazer retenção e uma remoção da dentina amolecida que se propagou pela junção amelodentinário. Colher de dentina 3: Feita para cavidade classe 2 (maiores e profundas). A ideia é fazer uma canaleta cervical. 46 4- Restauração da Cavidade: Esculpidor possui uma dupla função, de um lado ele lembra uma espátula 1 (para levar o ionômero à cavidade) e do outro lado é para remover os excessos. Limpeza da Cavidade: • Pinça • Bolinha de algodão molhada. • Bolinha de algodão seca. • No laboratório essa etapa pode ser substituída pelo jato de ar. Pressão digital com vaselina: Após inserir o ionômero na cavidade, vamos pressionar o ionômero de vidro, utilizando o dedo com vaselina, para preencher toda cavidade e isolar da umidade. Importante lembrar que como o ionômero pega presa rápido, esse trabalho deverá ser feito com um assistente. Fio Dental: É necessário passar fio dental no ponto de contato antes que o ionômero tome toda presa dele, porque depois ele gruda no dente ao lado. Proteção do Ionômero: Para proteger o ionômero das primeiras horas podemos usar Verniz de Flúor ou Vaselina. Atualmente os ionômeros vem com um protetor, mas que necessita do fotopolimerizador (não utilizado em trabalhos em campo).