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POLÍCIA MILITAR
Centro de Ensino, Formação e Aperfeiçoamento de Praças
MATO
GROSSO
DO SUL
CONCEITOS E PRINCÍPIOS
CB QPPM VICTOR
DIREITO PENAL
Diretriz de Ensino nº 03/DEIP/2020 
(BCG nº 047/2020)
 
Portaria nº 100/PM-1/EMG/2020 
(BCG nº 168/2020)
PROFESSOR: Victor Hugo Silveira Monteiro– CABO QPPM. 
ALUNOS: (Nome, idade, formação civil, com que trabalhava, 
cidade de origem). 
MATÉRIA: Noções Gerais de Direito Penal
Direito Penal
I- é ramo do Direito Público
II – Disciplina Autônoma (possui institutos e normatividade próprios)
III- disciplina as infrações penais
IV- rege as sanções penais.
Bibliografia: 
1. Jesus, Damásio de Parte geral / Damásio de Jesus ; 
atualização André Estefam. – Direito penal vol. 1- 37. ed. – São 
Paulo : Saraiva Educação, 2020. 764 p. Bibliografia 1. Direito 
penal. 2. Direito penal – Brasil. I. Estefam, André. II. Título. 20-
0054 
2. 2. Martinelli, João Paulo Orsini M385 Direito penal parte geral : 
lições fundamentais / João Paulo Orsini Martinelli, Leonardo 
Schmitti de Bem. - 5. ed. – Belo Horizonte, São Paulo : 
D’Plácido, 2020. 1354 p. ISBN 978-65-5059-090-1 1. Direito. 2. 
Direito Penal. I. De Bem, Leonardo Schmitti. II. Título. 
MÓDULO I
CONCEITOS E PRINCÍPIOS
Princípio da legalidade
Art 1º Código Penal e Art. 5º, XXXIX, CF. 
Art. 1º - “Não há crime sem lei anterior 
que o defina. Não há pena sem prévia 
cominação* legal”. 
*proibição legal ou judicial, sob ameaça de alguma penalidade. 
Esse é um direito fundamental previsto no inciso XXXIX 
da Constituição Federal que garante que nenhum 
cidadão seja acusado de crime caso não haja previsão 
deste ato como sendo criminoso na legislação. 
Ou seja, não há crime sem lei que o defina. Dessa 
forma, essa é uma garantia muito importante para o que 
chamamos de “segurança jurídica”, visto que é por 
meio desta segurança que as liberdades individuais dos 
cidadãos brasileiros são protegidas. 
Exemplo: 
• Entrar de forma equivocada ao banheiro. 
• Mentir para o amigo. 
De acordo com o Rogério Greco, 4 funções 
fundamentais proporcionadas pelo princípio da 
legalidade podem ser definidas: 
1.Impedir a incriminação sem lei prévia; 
2.Impedir que sejam criados crimes e penas com 
base em costumes e hábitos; 
3.Impedir que sejam usadas analogias, 
comparações, para criações e fundamentos de 
crimes;
4.Proibir incriminações vagas e que não possam ser 
bem determinadas. 
1.O que é Segurança Jurídica? 
2.As 04 funções fundamentais Direito Penal: 
a)Ser acusado de crime sem ter uma lei que define como 
crime; 
b) Inventar um crime que não está definido, apenas pelos 
costumes; 
c) Usar analogias; 
d) Incriminações vagas
O princípio da legalidade compreende dois 
princípios distintos: 
1.Reserva legal; 
2. Anterioridade. 
Em suma o princípio da Reserva Legal é: 
O legitimador da atuação do Estado na persecução 
penal. Uma das exigências trazidas pelo Princípio da 
Reserva Legal, é de que o agente somente poderá 
ser processado, se sua conduta for previamente 
tipificada (com clareza e precisão) como crime. 
Princípio da anterioridade da lei penal:
O princípio da anterioridade veda a 
responsabilização criminal dos indivíduos por fatos 
praticados antes da entrada em vigor da lei penal 
que os define como crime e preveja a respectiva 
sanção. 
Vamos traduzir o que acabamos de ver com 
nossas palavras. 
• Anterioridade:
• Reserva legal:
Princípio da Reserva Legal - Formal
 
• Reserva Absoluta da Lei; 
• Taxatividade; 
• Vedação de emprego da analogia. 
Princípio da reserva absoluta da lei:
Significa que em matéria penal somente o 
legislador pode intervir para prever crimes e penas 
ou medida de segurança. Medida provisória e 
decretos por exemplo, não podem criar crime ou 
pena. 
Taxatividade da Lei:
É uma garantia das pessoas em obrigar o legislador a 
elaborar tipos penais precisos na descrição da conduta 
delituosa, de modo a evitar interpretações extensivas, 
ampliativas ou ambíguas que busquem amoldar a 
tipicidade penal – atitudes que poderiam gerar uma 
insegurança jurídica dentro de um Estado de Direito – 
dessa forma, ela busca garantir a liberdade das pessoas 
na aplicação da lei penal pelo poder estatal. 
Vedação ao emprego da analogia:
O princípio da reserva legal proíbe o emprego da 
analogia em matéria de norma penal incriminadora. Essa 
é a analogia in malam partem. Não é vedado, entretanto, 
o uso da analogia in bonam partem, pois favorece o 
direito de liberdade, seja com a exclusão da 
criminalidade, seja pelo tratamento mais favorável ao réu. 
Exemplo de analogia in bonam partem. 
Exemplo: 
Se for para beneficiar o réu – pode 
Se for para prejudicar o réu – não pode. 
Exemplo: A isenção de pena nos crimes patrimoniais praticados 
contra cônjuge. Pode aplicar para analogia para favorecer o réu, o 
companheiro de união estável. A lei fala cônjuge. (benéfica) 
Exemplo: Art. 155 CP. – Crime de furto. Lá não está escrito furto 
de uso. Não está na Lei. Você não pode por analogia punir o réu do 
furto de uso.
Princípio da Reserva Legal - Material
• Adequação Social; 
• Insignificância; 
• Alteridade
Princípio da adequação social:
De acordo com este princípio, não podem ser 
considerados criminosos fatos socialmente 
adequados, condutas aprovadas pela coletividade; 
(exemplo: jogador de futebol que machuca o 
adversário). 
Princípio da Insignificância:
Ligado aos chamados “crimes de bagatela” (ou “delitos de 
lesão mínima”), recomenda que o Direito Penal, pela 
adequação típica, somente intervenha nos casos de lesão 
jurídica de certa gravidade, reconhecendo a atipicidade do 
fato nas hipóteses de perturbações jurídicas mais leves 
(pequeníssima relevância material). 
Esse princípio tem sido adotado pela nossa jurisprudência 
nos casos de furto de objeto material insignificante, lesão 
insignificante ao Fisco, maus-tratos de importância mínima, 
descaminho e dano de pequena monta, lesão corporal de 
extrema singeleza etc. 
Destaque-se que o Supremo Tribunal Federal 
consolidou jurisprudência no sentido de 
condicionar a aplicação do princípio da 
insignificância à verificação de quatro vetores: 
a) a ausência de periculosidade social; 
b) a reduzida reprovabilidade do 
comportamento 
c) a mínima ofensividade da conduta; 
d) a ínfima ou inexpressiva lesão jurídica. 
O Superior Tribunal de Justiça segue a mesma 
linha de entendimento da Suprema Corte e, 
inclusive, possui súmulas específicas a respeito da 
matéria, tratando da incompatibilidade do princípio 
com determinados tipos de crime. é o caso das 
Súmulas 589, 599 e 606, que negam a 
possibilidade de aplicar o mencionado princípio, 
respectivamente, a crimes ou contravenções 
praticados contra a mulher no âmbito das relações 
domésticas, a crimes contra a Administração 
Pública e casos de transmissão clandestina de 
sinal de internet via radiofrequência. 
Atualmente, ressalta-se que o tema em foco possui profundas 
discordâncias jurisprudenciais e doutrinárias. Destaca-se a Súmula 
599 do Superior Tribunal de Justiça, anuncia a inaplicabilidade do 
princípio nos crimes contra a Administração Pública, in verbis: 
Súmula 599 – O princípio da insignificância é inaplicável aos 
crimes contra a administração pública. (Súmula 599, CORTE 
ESPECIAL, julgado em 20/11/2017, DJe 27/11/2017). 
Sobre outro ponto de vista, é importante mencionar que 
apesar da Súmula 599 do STJ, a própria Corte da 
Cidadania (STJ) já flexibilizou e admitiu a incidência do 
princípio bagatela no Recurso Ordinário em HC 
85.272/RS, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA 
TURMA, julgado em 14/08/2018, DJe 23/08/2018: 
(…) A despeito do teor do enunciado sumular n. 599, no 
sentido de que O princípio da insignificância é inaplicável 
aos crimes contra a administração pública, as 
peculiaridades do caso concreto – réu primário, com 83 
anos na época dos fatos e avaria de um cone avaliado em 
menos de R$ 20,00, ou seja, menos de 3% do salário 
mínimo vigente à época dos fatos – justificama mitigação 
da referida súmula, haja vista que nenhum interesse social 
existe na onerosa intervenção estatal diante da 
inexpressiva lesão jurídica provocada“. 
Conforme demonstrado, sempre deverão ser aferidos 
caso a caso, a lesividade da conduta, a lesão 
ocasionada pelo bem jurídico tutelado, o grau de 
reprovabilidade da conduta do agente, o que a 
depender do cenário considerado, será avaliado a 
aplicação do princípio da insignificância aos crimes 
cometidos contra a administração pública, 
considerando que o bem jurídico tutelado nesses 
casos não é só patrimonial, mas o dever de lealdade 
à administração, a fidelidade do funcionário público no 
desempenho de suas funções. 
A jurisprudência tanto do STJ quanto do STF é 
pacífica em admitir a aplicação do princípio da 
insignificância ao crime de Descaminho (art. 334 do 
CP), quando o valor do tributo não recolhido for igual 
ou inferior a 20 mil reais. Estando esse, 
topograficamente, inserido no Título XI do Código 
Penal, que trata sobre os crimes contra a 
Administração Pública. 
Princípio da alteridade 
Proíbe a incriminação de uma conduta interna, ou seja, aquela que 
prejudique apenas o próprio agente, bem como do pensamento ou 
as moralmente censuráveis que não atinjam bem jurídico de terceiro. 
É por essa razão que o ordenamento jurídico não puna autolesão. É 
necessário que a conduta ultrapasse a pessoa do agente e invada o 
patrimônio jurídico alheio. 
“Ninguém pode ser punido por causar mal apenas a si próprio.” (grifo 
nosso) 
Foi criado por Claus Roxin, sendo um dos princípios não expressos 
da Constituição Federal. 
Ex.: autolesão e tentativa de suicídio. 
Princípio da alteridade 
Princípio que veda a incriminação de conduta que 
não ofende nenhum bem jurídico. 
Questão 
O Princípio no Direito Penal que veda a incriminação de 
conduta que não ofende nenhum bem jurídico é. 
a)Princípio do dever legal; 
b)Princípio da redundância; 
c)Princípio da Alteridade; 
d)Princípio da Taxatividade
CENTRO DE ENSINO, FORMAÇÃO 
E APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS
CEFAP
POLÍCIA MILITAR
Centro de Ensino, Formação e Aperfeiçoamento de Praças
MATO
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CONCEITOS E PRINCÍPIOS
CB QPPM VICTOR
DIREITO PENAL
Diretriz de Ensino nº 03/DEIP/2020 
(BCG nº 047/2020)
 
Portaria nº 100/PM-1/EMG/2020 
(BCG nº 168/2020)
PROFESSOR: Victor Hugo Silveira Monteiro – CABO QPPM. 
ALUNOS: (Nome, idade, formação civil, com que trabalhava, 
cidade de origem). 
MATÉRIA: Noções Gerais de Direito Penal
Direito Penal
Bibliografia: 
1. Jesus, Damásio de Parte geral / Damásio de Jesus ; 
atualização André Estefam. – Direito penal vol. 1- 37. ed. – São 
Paulo : Saraiva Educação, 2020. 764 p. Bibliografia 1. Direito 
penal. 2. Direito penal – Brasil. I. Estefam, André. II. Título. 20-
0054 
2. 2. Martinelli, João Paulo Orsini M385 Direito penal parte geral : 
lições fundamentais / João Paulo Orsini Martinelli, Leonardo 
Schmitti de Bem. - 5. ed. – Belo Horizonte, São Paulo : 
D’Plácido, 2020. 1354 p. ISBN 978-65-5059-090-1 1. Direito. 2. 
Direito Penal. I. De Bem, Leonardo Schmitti. II. Título. 
MÓDULO II
CONCEITOS E PRINCÍPIOS
Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei 
posterior deixa de considerar crime, cessando em 
virtude dela a execução e os efeitos penais da 
sentença condenatória. 
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer 
modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos 
anteriores, ainda que decididos por sentença 
condenatória transitada em julgado. 
Irretroatividade 
É a qualidade de não retroagir, não ser válido para o 
passado. As leis e atos normativos em geral, a princípio, 
são editadas para que passem a valer para o futuro, 
desde a data da publicação ou a partir de um período 
fixado, geralmente no final do seu texto. 
O fenômeno jurídico pelo qual a lei regula todas as 
situações ocorridas durante sua vigência denomina-se 
atividade. 
Quando a lei regula situações fora de seu período de 
vigência, ocorre a chamada extra atividade. 
 A extra atividade divide-se em duas modalidades: 
• Retroatividade 
• Ultra atividade. 
A extra atividade ocorre quando da existência de leis mais 
benéficas, haja vista previsão da Constituição Federal e do 
Código Penal, já mencionada anteriormente, que prevê uma 
exceção para a irretroatividade da lei penal, seja: 
• O beneficio do réu (“a lei penal não retroagirá, SALVO 
para beneficiar o réu.
“A regra geral trazida no próprio texto da Constituição federal é a de irretroatividade in pejus, ou 
seja, a absoluta impossibilidade de a lei penal retroagir para, de qualquer modo, prejudicar o 
agente; a exceção é retroativa in mellius, quando a lei vier, também, de qualquer modo a 
favorece-lo, conforme se dessume o inciso XL de art 5º, assim redigido: A lei penal não 
retroagirá, salvo em benefício do réu (GREVO, 2015, p.157)
Art. 107 - Extingue-se a punibilidade: 
I - pela morte do agente; 
II - pela anistia, graça ou indulto; 
III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato 
como criminoso; 
IV - pela prescrição, decadência ou perempção; 
V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos 
crimes de ação privada; 
VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite; 
Leis de vigência temporária
“Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido 
o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias 
que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante 
sua vigência.” As leis em estudo são auto revogáveis e 
constituem exceções à regra de que uma lei só pode ser 
revogada por outra lei. Dividem-se em duas espécies: 
Leis temporárias: trazem no próprio texto a data de 
cessação de sua vigência. 
Leis excepcionais: feitas para regular um período de 
anormalidade, instabilidade. Nesse caso, o término da 
vigência deve coincidir com o término do fato para o qual 
ela foi elaborada. Exemplos: guerra, calamidade etc. 
Norma Penal em Branco 
É um preceito incompleto, genérico ou indeterminado, 
que precisa da complementação de outras normas. 
É a norma cujo preceito primário está incompleto 
(preceito primário é a parte do tipo que descreve o 
crime; o preceito secundário descreve a pena). Há 
duas espécies: 
• Homogênea; 
• Heterogênea. 
A norma penal em branco será homogênea 
quando o complemento vier a ser conferido por 
outra norma de mesma hierarquia. 
Assim, se o vazio normativo de uma lei ordinária 
penal vier a ser complementado por outra lei 
ordinária, teremos similitudes entre os institutos 
normativos, daí porque se chama homogênea. 
Exemplo: 
O crime de Advocacia Administrativa, tipificado no art. 321 do Código 
Penal (Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a 
administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário), é um 
exemplo de norma penal em branco homogênea ou homologa visto 
que o complemento está contido no próprio Código Penal (art. 327), 
ao estabelecer o conceito de Funcionário Público. 
Funcionário público 
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, 
quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, 
emprego ou função pública. 
A norma penal em branco será heterogênea exatamente 
quando seu complemento advier de uma fonte 
normativa com status diferente! 
A Lei de Drogas, uma vez que esse conceito “droga” 
deve ser retirado de uma Portaria expedida pela 
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). 
Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, 
ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou 
fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou 
regulamentar: Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 
(mil e quinhentos) dias-multa. 
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem: 
I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda, oferece, fornece,tem em 
depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em 
desacordo com determinação legal ou regulamentar, matéria prima, insumo ou produto químico 
destinado à preparação de drogas; 
II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou 
regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas; 
TEMPO DO CRIME
Art. 4º – Considera-se praticado o crime no 
momento da ação ou omissão, ainda que outro 
seja o momento do resultado. 
Há 03 (três) teorias principais sobre o tempo do crime:
• Atividade: é a adotada pelo Código Penal Brasileiro. Assim, se ‘A’, com 
inequívoco animus necandi, atira contra ‘B’ em data de 10 de janeiro de 
2021, vindo este a óbito em data de 27 de abril do citado ano. Ter-se-á 
praticado o crime de homicídio em 10/01/2021. 
• Resultado: ao contrário da teoria da atividade, aqui se considera praticado 
o crime no momento do resultado. “Consumação do delito” Logo, na esteira 
do exemplo apresentado no tópico anterior, considerar-se-ia o crime como 
praticado em data de 27/04/2021. 
• Ubiquidade ou mista: segundo esta teoria, levar-se-á em conta tanto o 
momento da ação ou omissão, como do resultado. 
*Dar exemplo do ECA e o Código Penal.
Com referência à lei penal no tempo, ao erro jurídico-penal, ao concurso de agentes e aos 
sujeitos da infração penal, julgue o item que se segue. 
Situação hipotética: Um crime foi praticado durante a vigência de lei que cominava pena de 
multa para essa conduta. Todavia, no decorrer do processo criminal, entrou em vigor nova lei, 
que, revogando a anterior, passou a atribuir ao referido crime a pena privativa de liberdade. 
Assertiva: Nessa situação, dever-se-á aplicar a lei vigente ao tempo da prática do crime. 
Certo 
Errado 
Lugar no crime
Lugar do crime: 
Art. 6º – Considera-se praticado o crime no lugar em 
que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, 
bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o 
resultado. 
Exemplo: considera-se como lugar do crime Osasco (ação) e São Paulo 
(resultado). De igual forma, há 03 (três) teorias principais: 
Atividade: o lugar do crime é o da ação ou omissão. Exemplo: A, com 
ânimo inequívoco de matar, golpeou B com várias facadas, fato ocorrido 
na cidade de Osasco. Horas depois, em um hospital na cidade de São 
Paulo, B veio a falecer em razão dos ferimentos. Neste caso, o lugar do 
crime seria Osasco. 
Resultado: o lugar do crime é o da consumação. Exemplo: nos termos do 
exemplo de item, o lugar do crime seria São Paulo. 
Ubiquidade ou mista: é a adotada pelo Código Penal Brasileiro. (art. 6º)
CENTRO DE ENSINO, FORMAÇÃO 
E APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS
CEFAP
POLÍCIA MILITAR
Centro de Ensino, Formação e Aperfeiçoamento de Praças
MATO
GROSSO
DO SUL
CONCEITOS E PRINCÍPIOS
MAJ. QOPM THELSON
DIREITO PENAL
Diretriz de Ensino nº 03/DEIP/2020 
(BCG nº 047/2020)
 
Portaria nº 100/PM-1/EMG/2020 
(BCG nº 168/2020)
PROFESSOR: Thelson Takeshi Iseki Kumagai – Maj. QOPM.
ALUNOS: (Nome, idade, formação civil, com que trabalhava, 
cidade de origem). 
MATÉRIA: Noções Gerais de Direito Penal
Direito Penal
Bibliografia: 
1. Jesus, Damásio de Parte geral / Damásio de Jesus ; 
atualização André Estefam. – Direito penal vol. 1- 37. ed. – São 
Paulo : Saraiva Educação, 2020. 764 p. Bibliografia 1. Direito 
penal. 2. Direito penal – Brasil. I. Estefam, André. II. Título. 20-
0054 
2. 2. Martinelli, João Paulo Orsini M385 Direito penal parte geral : 
lições fundamentais / João Paulo Orsini Martinelli, Leonardo 
Schmitti de Bem. - 5. ed. – Belo Horizonte, São Paulo : 
D’Plácido, 2020. 1354 p. ISBN 978-65-5059-090-1 1. Direito. 2. 
Direito Penal. I. De Bem, Leonardo Schmitti. II. Título. 
MÓDULO III
Regras de aplicação da lei penal no espaço.
As leis penais têm como critério de aplicabilidade à 
territorialidade que é a regra e a extraterritorialidade 
que vem a ser a exceção, pois quase sempre o 
princípio da soberania das nações restringe o âmbito 
de lei penal brasileira. 
Segundo o princípio territorial, a lei penal só tem aplicação no 
território do Estado que a determinou, sem atender à 
nacionalidade do sujeito ativo do delito ou do titular do bem 
jurídico lesado. É também denominado princípio territorial 
exclusivo ou absoluto, pois exclui a aplicação da lei penal de 
um país fora de seu território, segundo a regra leges non 
obligant extra territorium. 
Reza o art. 5o, caput, do CP: “Aplica-se a lei brasileira, 
sem prejuízo de convenções, tratados e regras de 
direito internacional, ao crime cometido no território 
nacional”. 
Por aí se vê que o Código adotou o princípio da 
territorialidade como regra sobre a eficácia espacial da 
lei penal, abrindo exceção no próprio corpo da 
disposição às estipulações das convenções, tratados 
ou regras de Direito Internacional. 
A indicação marginal do dispositivo 
fala em territorialidade e o texto, em 
território. Daí a conveniência de ser 
fixado o conceito de território. O território 
pode ser considerado sob dois aspectos: 
material e jurídico. 
Sob o prisma material, recebe o nome de natural ou 
geográfico, compreendendo o espaço delimitado por 
fronteiras. 
Território jurídico abrange todo o espaço em que o Estado 
exerce a sua soberania. é o conceito que nos interessa. 
O território nacional pode ser definido como o espaço 
terrestre, marítimo ou aéreo, sujeito à soberania do Estado, 
quer seja compreendido entre os limites que o separam dos 
Estados vizinhos ou do mar livre, quer esteja destacado do 
corpo territorial principal, ou não.(Manzini). 
O território se compõe das seguintes partes: 
a) solo ocupado pela corporação política, sem solução de 
continuidade e com limites reconhecidos; 
b) regiões separadas do solo principal; 
c) rios, lagos e mares interiores; 
d) golfos, baías e portos; 
e) parte que o Direito Internacional atribui a cada Estado, sobre os 
mares, lagos e rios contíguos; 
f) a faixa de mar exterior, que corre ao longo da costa e constitui o 
“mar territorial”; 
g) espaço aéreo; 
h) navios e aeronaves, conforme algumas circunstâncias. 
Vimos que, nos termos do art. 5o do CP, o 
legislador penal brasileiro adotou o princípio da 
territorialidade como regra. Esse princípio, 
entretanto, sofre exceções no próprio corpo do 
dispositivo, ao ressalvar a possibilidade de 
renúncia de jurisdição do Estado, mediante 
“convenções, tratados e regras de direito 
internacional”. 
O art. 7o prevê uma série de casos em que a lei penal brasileira tem 
aplicação a delitos praticados no estrangeiro: 
Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: 
I – os crimes: 
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; 
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, 
de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, 
sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo 
Poder Público; 
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; 
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no 
Brasil; 
II – os crimes: 
a)que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; 
b)praticados por brasileiro; 
c)praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou 
de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não 
sejam julgados”. 
Esse artigo, de forma expressa, permite a aplicação de outros 
princípios. 
Assim, certos crimes praticados no estrangeiro sofrem a eficácia da lei 
nacional é a extraterritorialidade da lei penal brasileira. 
A extraterritorialidade excepcional pode ser: 
a) incondicionada; 
b) condicionada. 
Casos de extraterritorialidade incondicionada: 
São 4 hipóteses e estão previstas essas hipóteses no art. 7º inciso I 
alíneas de “a” a “d”: 
Alínea “a”: os crimes cometidos contra a vida ou a liberdade do 
presidente da República (arts. 121, 122, 146, 154 do CP e arts. 28 e 
29 da Lei de SegurançaNacional lei 7.170/83). 
Alínea “b”: crimes contra o patrimônio ou a fé pública da União, 
Estado e Distrito Federal e dos Municípios, de empresa pública, 
sociedade de economia mista, autarquia ou fundação pública (arts. 
155 a 180 e dos arts. 289 a 311 todos do CP). 
Alínea “c”: crime contra a administração pública, 
ou por quem está a seu serviço (arts: 312 ao 327 
do CP). 
Alínea “d”: crime de genocídio. Nas três primeiras 
alíneas estão presentes os princípios da defesa ou 
proteção, enquanto que no último inciso está 
presente o princípio.
Casos de extraterritorialidade condicionada:
Nestes casos a aplicação da lei penal brasileira não é 
automática, há necessidade de certo requisito para a sua 
aplicação. 
São 3 hipóteses estão previstas no art. 7º inciso II alíneas 
de “a” a “c” e no parágrafo 3º deste artigo. 
Alínea “a”: caso de convenção ou tratado que o Brasil 
assinou e se pré-dispôs a reprimir; 
Alínea b”: crimes cometidos por brasileiros no exterior, 
em virtude, de não haver possibilidade de extradição de 
um nacional. 
Alínea c”: crimes cometidos em embarcações privadas 
brasileiras em alto-mar, se país estrangeiro não punir tal 
infração. E no parágrafo terceiro deste art. 7º, crimes 
cometidos contra brasileiros fora do território nacional, 
desde que não tenha sido pedida ou tenha sido negada a 
extradição, é necessário à requisição.
Diz-se condicionada porque a aplicação da lei penal 
brasileira se subordina à ocorrência de certos 
requisitos (alíneas dos § 2º e § 3º). 
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira 
depende do concurso das seguintes condições: 
a) entrar o agente no território nacional; 
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; 
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei 
brasileira autoriza a extradição; 
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter 
aí cumprido a pena; 
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por 
outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a 
lei mais favorável. 
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime 
cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do 
Brasil, se, reunidas as condições previstas no 
parágrafo anterior: 
a)não foi pedida ou foi negada a extradição; 
b)houve requisição do Ministro da Justiça. 
Legislação especial
Art. 12 - As regras gerais deste Código 
aplicam-se aos fatos incriminados por lei 
especial, se esta não dispuser de modo 
diverso.
Aplicação do Direito Penal comparado.
Legislação penal Uruguaia.
Ley 19.172/13.
Artigo 5 Alinea F
“Los clubes de membresía debrán tener um
mínimo de quince y un máximo de cuarenta y
cinco socios. Podrán plantar hasta noventa y
nueve plantas de cannabis de uso psicoactivo
y obtener como producto de la recolección de
la plantación um máximo de acopio anual
proporcional al número de socios y conforme
a la cantidad que se estabeleciere para el uso
no medicinal de cannabis psicoactivo”.
A lei prevê ainda que os cidadãos uruguaios 
possam formar clubes, de 15 a 45 sócios, com a 
finalidade de usar maconha. Estes clubes 
poderão ter até no máximo 99 plantas de 
maconha, conforme dispõe o art. 5º, alínea ‘F’, 
da Lei 19.172/13.
Teoria do Crime
Conceito 
Inicialmente, cumpre salientar que o conceito de 
crime é artificial, ou seja, independente de fatores 
naturais, constatados por um juízo de percepção 
sensorial, uma vez que se torna impossível 
classificar uma conduta ontologicamente, como 
criminosa.
Em verdade, é a sociedade a criadora inaugural do 
crime, qualificativo que reserva às condutas ilícitas mais 
gravosas e merecedoras de maior rigor punitivo. 
Após, cabe ao legislador transformar esse intento em 
figura típica, criando a lei que permitirá aplicação do 
anseio social aos casos concretos.
O crime pode ser verificado através de 03 prismas:
• Conceito material;
• Conceito formal;
• Conceito analítico.
Veremos todos eles...
Conceito material:
É a concepção da sociedade sobre o que pode e 
deve ser proibido, mediante a aplicação de sanção 
penal. É, pois, a conduta que ofende um bem 
juridicamente tutelado, merecedora de pena
Esse conceito é aberto e informa o legislador sobre 
as condutas que merecem ser transformadas em 
tipos penais incriminadores
“O conceito material de crime é prévio ao 
código penal e fornece ao legislador um critério 
político-criminal sobre o que o direito penal 
deve punir e o que deve deixar impune”
Conceito formal:
É a concepção do direito acerca do delito, 
constituindo a conduta proibida por lei, sob ameaça 
de aplicação de pena, numa visão legislativa do 
fenômeno. Cuida-se na realidade, de fruto do 
conceito material, devidamente formalizado.
Conceito analítico:
É a concepção da ciência do direito, que não difere, 
na essência, do conceito formal. Na realidade, é o 
conceito formal fragmentado em elementos que 
propiciam o melhor entendimento da sua 
abrangência. (para dizer se é ou não um crime)
• Conceito de crime material: Prevê e exige o resultado naturalístico 
para consumação.
Homicídio: Matar alguém – exige modificação no mundo físico. O 
cadáver. É necessário o “Material”
Furto: Coisa palpável; Objeto
• Conceito de crime formal: prevê o resultado naturalístico, mas o 
legislador não exige para consumação. Não exige o resultado físico. 
Admite a conduta criminosa.
Se contenta com o comportamento
EX: Corrupção passiva. Mas só o fato de “solicitar” o crime já 
consumou.
• Conceito analítico: Teoria tripartida que adota a corrente finalística.
Fato Típico + Antijurídico+ Culpável
Analítico – teoria tripartida – corrente finalística
1. Típico
2. Antijurídico
3. Culpável
1+2+3 = CRIME
Obs: Se você retirar o primeiro e/ou o segundo você exclui o crime; no terceiro 
pedaço – Isenta de pena.
Resumo
“Crime, no conceito analítico é o fato típico, antijurídico e culpável.”
Não importa a corrente (causalista, finalista ou funcionalista), o delito tem três 
elementos indispensáveis à sua configuração, dando margem à condenação. Sem 
qualquer um dele, o juiz é obrigado a absolver.
• Fato típico: amolda-se o fato real ao modelo de conduta proibida previsto no tipo 
penal (ex.: matar alguém art. 121, CP).
• Antijurídico: contraria o ordenamento jurídico, causando efetiva lesão a bem 
jurídico tutelado
• Culpável: merecedor de censura, pois cometido por imputável (maior de 18 e 
mentalmente são), com conhecimento do ilítico e possibilidade plena de atuação 
conforme o Direito exige
Resumo
“Crime, no conceito analítico é o fato típico, antijurídico e culpável.”
Não importa a corrente (causalista, finalista ou funcionalista), o delito tem três 
elementos indispensáveis à sua configuração, dando margem à condenação. Sem 
qualquer um dele, o juiz é obrigado a absolver.
• Fato típico: amolda-se o fato real ao modelo de conduta proibida previsto no tipo 
penal (ex.: matar alguém art. 121, CP).
• Antijurídico: contraria o ordenamento jurídico, causando efetiva lesão a bem 
jurídico tutelado
• Culpável: merecedor de censura, pois cometido por imputável (maior de 18 e 
mentalmente são), com conhecimento do ilítico e possibilidade plena de atuação 
conforme o Direito exige
Relação de causalidade
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do 
crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. 
Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o 
resultado não teria ocorrido.
Relação de causalidade
Superveniência de causa independente
§ 1º - A superveniência de causa relativamente
independente exclui a imputação quando, por si só, 
produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, 
imputam-se a quem os praticou.
https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/tag/relacao-de-causalidade/
Exemplo Ponta Porã. Hospital Regional
Relevância da omissão
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o 
omitente devia e podia agir para evitar o resultado. 
O dever de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou 
vigilância;
b) de outra forma,assumiu a responsabilidade de 
impedir o resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da 
ocorrência do resultado.
Omissão imprópria
Em conjunto com o seu companheiro, a mãe foi condenada por 
estupro de vulnerável à pena de 17 anos, seis meses e oito dias, 
em regime fechado – sentença mantida em segundo grau. 
Por meio de habeas corpus, a Defensoria Pública apontou que, 
tratando-se de omissão imprópria (artigo 13, parágrafo 2º, do 
CP), não se aplicaria a causa de aumento de pena prevista no 
artigo 226, inciso II.
Os crimes omissivos impróprios são aqueles em que a pessoa, 
devido à sua posição de garantidora do bem jurídico, tem o dever 
de agir para evitar determinado resultado, mas não o faz – 
mesmo podendo – e assim contribui para tal desfecho.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm#art13%C2%A72
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm#art13%C2%A72
Outros “et all”
Crimes omissivos impróprios ou comissivos por 
omissão – são crimes que têm em sua descrição típica 
um verbo de ação, mas que também podem ser 
cometidos de forma omissiva impropriamente, desde 
que o agente tenha o dever jurídico de agir na forma do 
artigo 13, § 2º., CP.
https://www.youtube.com/watch?v=vAydEbvjIJQ
https://www.youtube.com/watch?v=Vjzjhqc-izw
https://www.youtube.com/watch?v=vAydEbvjIJQ
https://www.youtube.com/watch?v=Vjzjhqc-izw
CENTRO DE ENSINO, FORMAÇÃO 
E APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS
CEFAP
POLÍCIA MILITAR
Centro de Ensino, Formação e Aperfeiçoamento de Praças
MATO
GROSSO
DO SUL
CONCEITOS E PRINCÍPIOS
MAJ. QOPM THELSON
DIREITO PENAL
Diretriz de Ensino nº 03/DEIP/2020 
(BCG nº 047/2020)
 
Portaria nº 100/PM-1/EMG/2020 
(BCG nº 168/2020)
PROFESSOR: Thelson Takeshi Iseki Kumagai – Maj. QOPM.
ALUNOS: (Nome, idade, formação civil, com que trabalhava, 
cidade de origem). 
MATÉRIA: Noções Gerais de Direito Penal
Direito Penal
Bibliografia: 
1. Jesus, Damásio de Parte geral / Damásio de Jesus ; 
atualização André Estefam. – Direito penal vol. 1- 37. ed. – São 
Paulo : Saraiva Educação, 2020. 764 p. Bibliografia 1. Direito 
penal. 2. Direito penal – Brasil. I. Estefam, André. II. Título. 20-
0054 
2. 2. Martinelli, João Paulo Orsini M385 Direito penal parte geral : 
lições fundamentais / João Paulo Orsini Martinelli, Leonardo 
Schmitti de Bem. - 5. ed. – Belo Horizonte, São Paulo : 
D’Plácido, 2020. 1354 p. ISBN 978-65-5059-090-1 1. Direito. 2. 
Direito Penal. I. De Bem, Leonardo Schmitti. II. Título. 
MÓDULO IV
O crime na teoria Geral
O crime é um fato. Dentre os fatos, crime 
constitui um fato jurídico, pois produz efeitos 
jurídicos, não sendo, assim, indiferente ao 
Direito. Como elemento jurídico, crime é uma 
ação (ou omissão) humana de efeitos jurídicos 
involuntários. Nesta categoria, corresponde ao 
ilícito penal.
ATIVO: é a pessoa que pratica o crime; 
PASSIVO: é o titular do bem jurídico lesado, 
ou seja, a vítima 
Exemplo: 
129. Ofender a integridade corporal ou a 
saúde de outrem: Pena - detenção, de três 
meses a um ano.
Crime comum: 
Pode ser praticado por qualquer pessoa 
(exemplo: homicídio, furto, estelionato etc.); 
Em Direito, crime comum são aqueles que 
não exige qualidade especial, seja ela do 
sujeito passivo ou do ativo. O homicídio 
simples, por exemplo, que pode ser praticado 
por qualquer pessoa contra qualquer outra 
pessoa.
Crimes próprios: 
São aqueles que só podem ser cometidos por determinadas 
pessoas, tendo em vista que o tipo penal exige certa 
característica do sujeito ativo. 
Podemos citar como exemplo o crime de infanticídio, que só 
pode ser cometido pela mãe, sob influência do estado 
puerperal; 
Por exemplo, o peculato é um crime próprio porque só pode 
ser cometido por um servidor público. Apenas o servidor 
público que se apropria do patrimônio público está cometendo 
peculato.
Crimes de dano: 
Em primeiro lugar, cumpre entender que o crime 
de dano exige que haja, para a consumação do 
crime, a superveniência de um resultado material 
consistente na lesão efetiva ao bem jurídico 
tutelado. Sendo assim, a ausência da factual 
lesão configura apenas a tentativa ou um 
indiferente penal, como ocorre nos crimes 
materiais (homicídio, furto, lesão corporal). 
O homicídio é crime de dano, ou seja, só vai ser 
consumado quando efetivamente ferido o bem 
jurídico tutelado, que, nesta hipótese, é a vida. 
Se não verdadeiramente lesionada a vida de 
outra pessoa, ou o sujeito responderá por 
tentativa de homicídio, ou não será homicídio, 
não podendo se tipificar o delito do Art. 121 do 
Código Penal por mero perigo, em abstrato, à 
vida.
Crime de perigo: 
Se consuma com a mera possibilidade de 
dano (exemplo: perigo de contágio venéreo, 
rixa, incêndio etc.); o perigo pode ser 
presumido ou concreto, individual ou comum; 
•Simples possibilidade de DANO. 
•Como exemplo, tem-se o crime de 
periclitação da vida ou saúde de outrem, 
disposto no artigo 132 do Código Penal. 
Periclitação da vida 
O agente quer ou assume o risco de expor a vida ou 
saúde de terceiro a uma situação de perigo concreto. 
O crime se consuma no momento em que o perigo se 
efetiva, ou seja, quando a situação periclitante para a 
vítima ocorre.
Os próximos três estão ligados: 
•Material; 
•Formal; 
•Mera conduta
Material: 
O crime material só se consuma com a 
produção do resultado naturalístico, como a 
morte no homicídio. 
Por exemplo, para que o crime de homicídio 
se consume, é preciso que ocorra o 
resultado morte da vítima, uma alteração 
específica do mundo exterior e já prevista do 
tipo penal.
Formal: 
O crime formal, por sua vez, não exige a produção do 
resultado para a consumação do crime, ainda que possível que 
ele ocorra. Exemplo de crime formal é a ameaça: 
Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer 
outro meio simbólico, de causar�lhe mal injusto e grave: 
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
Veja-se que o crime de ameaça apenas prevê a conduta de quem 
ameaça, não importando se o resultado da ameaça aconteceu, tão 
pouco se a pessoa se sentiu constrangida ou ameaçada. A intimidação é 
irrelevante para a consumação do delito
Crime de mera conduta: 
No crime de mera conduta o resultado 
naturalístico não só não precisa ocorrer para a 
consumação do delito, como ele é mesmo 
impossível. 
Veja-se o que o STF entende sobre o crime de 
porte ilegal de arma de fogo, sobre ser um 
crime de mera conduta: 
O crime de porte ilegal de arma de fogo de uso 
permitido é de mera conduta e de perigo abstrato, ou 
seja, consuma-se independentemente da ocorrência 
de efetivo prejuízo para a sociedade, e a 
probabilidade de vir a ocorrer algum dano é 
presumida pelo tipo penal. Além disso, o objeto 
jurídico tutelado não é a incolumidade física, mas a 
segurança pública e a paz social, sendo irrelevante o 
fato de estar a arma de fogo municiada ou não. HC 
104.206/RS, 1.ª Turma, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe 
de 26/08/2010.
Crime instantâneo: 
Se consuma num dado momento (exemplo: 
homicídio); 
Crime permanente:
 A consumação, por vontade do agente, se 
prolonga no tempo (exemplo: sequestro); 
Crime instantâneo de efeitos permanentes: 
As consequências se prolongam no tempo, 
independentemente da vontade do agente 
(exemplo: homicídio);
“Nos crimes instantâneos de efeitos 
permanentes, a consumação também ocorre em 
momento determinado, mas os efeitos dela 
decorrentes são indeléveis, como no homicídio 
consumado, por exemplo”.
Crime a prazo:
Aquele em que a consumação depende de um determinado 
lapso de tempo (exemplo: artigo 148, § 1.º, inciso III); 
Art. 148 - Privar alguém de sua liberdade, mediante 
sequestro ou cárcere privado: 
III - se a privação da liberdade dura mais de 15 (quinze) dias.
Crime comissivo: 
Praticado mediante ação (exemplo: lesão corporal); 
Crime omissivo: 
Praticado mediante omissão (exemplo: omissão de socorro, 
artigo 135); 
Crime omissivo próprio ou puro:
A omissão é descrita no próprio tipo legal(exemplo: 
omissão de socorro); essa modalidade não admite a 
tentativa;
Crime omissivo impróprio 
Também denominado comissivo por omissão, é aquele 
no qual o tipo descreve uma ação, mas a inércia do 
agente que tem o dever jurídico de evitar o resultado, 
permite a ocorrência do resultado naturalístico. 
Essa modalidade admite a tentativa;
Crimes omissivos próprios são condutas negativas, de não 
fazer o que a lei determina, consistindo na omissão na 
transgressão da norma jurídica e não sendo necessário 
qualquer resultado naturalístico. Para a existência do crime 
basta que o autor se omita quando deve agir. 
Comete crimes omissivos puros os que não prestam 
assistência a pessoa ferida (omissão de socorro, art. 135), o 
médico que não comunica a ocorrência de moléstia cuja 
notificação é compulsória (art. 269), o funcionário que deixa de 
responsabilizar seu subordinado que cometeu infração no 
exercício do cargo (condescendência criminosa, art. 320) ou 
abandona cargo público (art. 323).
Nos crimes omissivos impróprios a lei descreve uma conduta 
de fazer, mas o agente se nega a cumprir o dever de agir. 
Exemplos são os da mãe que deixa de amamentar ou cuidar 
do filho causando-lhe a morte ;do médico; ou da enfermeira 
que não ministra o medicamento necessário ao paciente , que 
vem a morrer; do administrador que deixa perecer animal ou 
deteriorar-se a colheira; do mecânico que não lubrifica a 
máquina que está a seus cuidados etc. Não havendo 
obrigação jurídica de agir para evitar o resultado, não se pode 
falar em crime comissivo por omissão.
Crime unissubjetivo: 
Praticado por uma só pessoa; 
Crime plurissubjetivo: 
O tipo exige a presença de dois ou mais agentes;
Crime simples: 
É o que se enquadra num único tipo legal (exemplo: 
homicídio); 
Crime complexo: 
É a fusão de dois ou mais crimes (exemplo: latrocínio, 
extorsão mediante sequestro); 
Crime mono-ofensivo:
Atinge apenas um bem jurídico (exemplo: homicídio); 
Crime pluriofensivo:
É aquele cujo resultado atinge mais de um bem jurídico, a exemplo do 
latrocínio (vida + patrimônio)
Crime de forma livre: 
admite vários meios de execução (exemplo: homicídio, lesão corporal, 
furto etc.);
Crime de forma vinculada:
o tipo especifica os meios pelos quais o crime pode ser praticado 
(exemplo: curandeirismo, artigo 284); 
Crime principal: 
Tem existência autônoma (exemplo: estupro); 
Crime acessório: 
Pressupõe a existência de outro crime 
(exemplo: receptação, favorecimento pessoal 
etc.);
Crime unissubsistente: 
A conduta exterioriza-se com um só ato executório, 
consumando-se: (exemplo: crimes cometidos verbalmente, tais 
como injúria, desacato, etc.);
Crime plurissubsistente: 
A conduta exterioriza-se em dois ou mais atos executórios 
(exemplo: crimes cometidos por escrito, como a injúria e outros); 
Crime independente: 
não está ligado a nenhum outro;
Crime conexo: 
Está interligado com outra infração. 
A conexão pode ser: 
a) teleológica: quando praticado para assegurar a 
execução de outro crime;
b) consequencial: praticado para assegurar a 
ocultação, impunidade ou vantagem de outro crime; 
c) ocasional: praticado em virtude da oportunidade 
surgida pela prática de outro crime; 
Crime a distância 
Conduta e resultado ocorrem em países diferentes; 
Crime plurilocal 
Conduta e resultado ocorrem em comarcas diferentes 
(vide artigo 70 do código de processo penal);
Crime em trânsito: 
Quando parte da conduta ocorre num país, sem lesar 
ou pôr em perigo bem jurídico de seus cidadãos 
(exemplo: carta de um argentino, na qual ofende um 
japonês, passa pelo correio brasileiro, antes de ser 
enviada ao Japão); 
Condutas no Direito Penal 
A conduta do agente pode consistir num fazer ou 
deixar de fazer alguma coisa. Quando o agente faz 
alguma coisa que estava proibido, fala-se em crime 
comissivo; quando deixa de fazer alguma coisa a que 
estava obrigado, temos um crime omissivo. 
Art. 13 - O resultado, de que depende a 
existência do crime, somente é imputável 
a quem lhe deu causa. Considera-se 
causa a ação ou omissão sem a qual o 
resultado não teria ocorrido.
A imputação objetiva significa atribuir a 
alguém a responsabilidade penal por um 
crime, no âmbito do fato típico, segundo 
a teoria tripartite, sem analisar o dolo ou 
a culpa do agente, ou seja, ignorando a 
análise subjetiva.
Art. 14 - Diz-se o crime: 
Crime consumado
I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua 
definição legal; 
Tentativa 
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por 
circunstâncias alheias à vontade do agente. 
Pena de tentativa 
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com 
a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois 
terços.
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CONCEITOS E PRINCÍPIOS
MAJ. QOPM THELSON
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Diretriz de Ensino nº 03/DEIP/2020 
(BCG nº 047/2020)
 
Portaria nº 100/PM-1/EMG/2020 
(BCG nº 168/2020)
PROFESSOR: Thelson Takeshi Iseki Kumagai – Maj. QOPM.
ALUNOS: (Nome, idade, formação civil, com que trabalhava, 
cidade de origem). 
MATÉRIA: Noções Gerais de Direito Penal
Direito Penal
Bibliografia: 
1. Jesus, Damásio de Parte geral / Damásio de Jesus ; 
atualização André Estefam. – Direito penal vol. 1- 37. ed. – São 
Paulo : Saraiva Educação, 2020. 764 p. Bibliografia 1. Direito 
penal. 2. Direito penal – Brasil. I. Estefam, André. II. Título. 20-
0054 
2. 2. Martinelli, João Paulo Orsini M385 Direito penal parte geral : 
lições fundamentais / João Paulo Orsini Martinelli, Leonardo 
Schmitti de Bem. - 5. ed. – Belo Horizonte, São Paulo : 
D’Plácido, 2020. 1354 p. ISBN 978-65-5059-090-1 1. Direito. 2. 
Direito Penal. I. De Bem, Leonardo Schmitti. II. Título. 
MÓDULO V
Desistência voluntária e arrependimento eficaz
Art. 15 - O agente que, voluntariamente, 
desiste de prosseguir na execução ou impede que 
o resultado se produza, só responde pelos atos já 
praticados. 
É o típico exemplo do agente que voluntariamente 
desiste de prosseguir na execução do crime de 
homicídio, mesmo já tendo iniciado a sua 
consumação. 
Ocorre o arrependimento eficaz após a realização 
de todos os atos executórios do crime e o agente 
arrependido impede que o resultado aconteça. 
Na desistência voluntária, o agente 
abandona a execução do crime quando 
ainda lhe sobra, do ponto de vista objetivo, 
uma margem de ação. 
No arrependimento eficaz, não há margem 
alguma, porque o processo de execução está 
encerrado, e o agente atua então para evitar 
que sobrevenha o resultado.”
Jurisprudência 
•TJDF 
Não prosseguimento na empreitada criminosa em razão de 
circunstâncias alheias à vontade do agente – inocorrência 
de desistência voluntária. 
"4. Não se configura a desistência voluntária quando o agente 
deixa de prosseguir na empreitada criminosa por circunstância 
alheia à sua vontade, em virtude da reação da vítima e da 
intervenção de terceiro, devendo responder pelo fato praticado 
em sua forma tentada." 
Acórdão 1243309, 00013766420198070008, Relator: WALDIR 
LEÔNCIO LOPES JÚNIOR, 3ª Turma Criminal, data de 
julgamento: 16/4/2020, publicado no DJE: 25/4/2020.
Arrependimento Posterior 
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave 
ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a 
coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por 
ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a 
dois terços.
Crime impossível 
Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por 
ineficácia absoluta do meio ou por absoluta 
impropriedade do objeto, é impossível consumar-
se o crime. 
Há crime impossível, por exemplo, nas 
manobras abortivas em mulher que não está 
grávida; no disparo de arma de fogo, com animus 
necandi, em cadáver.
Conceito de Dolo
Art. 18 - Diz-se o crime: 
Crime doloso 
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou 
assumiu orisco de produzi-lo; 
Existem três teorias que falam sobre o conceito de dolo: 
Teoria da vontade: dolo é a vontade de praticar a 
conduta e produzir o resultado. O agente quer o 
resultado. 
Teoria do assentimento ou da aceitação: dolo é a 
vontade de praticar a conduta com a aceitação dos 
riscos de produzir o resultado. O agente não quer, mas 
não se importa com o resultado. 
Teoria da representação ou da previsão: dolo é a 
previsão do resultado. Para que haja dolo, basta o 
agente prever o resultado. 
Dolo normativo x Dolo natural
Dolo natural – constituído de dois elementos: 
consciência e vontade. 
Dolo normativo – constitui por três elementos: 
consciência, vontade e consciência atual da ilicitude. 
consciência (sei o que faço), a vontade (quero fazer) 
e a consciência da ilicitude (sei que é errado). É o 
dolo que depende de um juízo de valor. 
Dolo genérico x Dolo específico 
Genérico - é a vontade de realizar o verbo do tipo 
sem qualquer finalidade especial; 
Específico - é a vontade de realizar o verbo do tipo 
com uma finalidade especial. sempre que no tipo 
houver um elemento subjetivo, para que o fato seja 
típico, será necessário o dolo específico. 
Dolo de perigo
O perigo abstrato, também conhecido como 
presumido, é aquele em que basta a prática da 
conduta para que a lei presuma o perigo 
(exemplo: artigo 135 do Código Penal). 
Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando 
possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança 
abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida 
ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente 
perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da 
autoridade pública: 
Dolo de dano:
Existe quando a vontade é de produzir uma efetiva 
lesão ao bem jurídico. Quase todos os crimes são de 
dano (exemplos: furto, homicídio etc.). 
Dolo direto ou determinado
Existe quando o agente quer produzir resultado 
certo e determinado; é o dolo da teoria da 
vontade. 
Dolo indireto ou indeterminado
É aquele que existe quando o agente não quer 
produzir resultado certo e determinado. 
Dolo indireto ou indeterminado
Pode ser: 
Eventual: quando o agente não quer produzir o 
resultado, mas aceita o risco de produzi-lo (exemplo: 
o motorista que, em desabalada corrida, para chegar 
em seu destino, aceita o resultado de atropelar uma 
pessoa). 
Alternativo: quando o agente quer produzir um ou 
outro resultado (exemplo: o agente atira para ferir ou 
para matar; nesse caso, responde pelo resultado 
mais grave, aplicando-se o princípio da consunção). 
No dolo alternativo, o agente prevê pluralidade de 
resultados e dirige sua conduta na busca de realizar 
qualquer um deles indistintamente. Exemplo: o agente 
quer praticar lesão corporal ou homicídio 
indistintamente. O agente tem a mesma vontade de um 
ou de outro. 
No dolo eventual, o agente prevê pluralidade de 
resultados, dirige sua conduta na busca de realizar um 
deles, porém assume o risco de produzir os demais. A 
intenção do agente se dirige a um resultado, aceitando, 
porém, outro também previsto e consequência possível 
da sua conduta. Exemplo: O agente quer ferir (lesão 
corporal), mas aceita a possibilidade de um homicídio 
acontecer. 
Nas palavras do professor Luiz Flávio Gomes: 
No dolo eventual o agente prevê pluralidade de 
resultados, quer um deles, mas assume o risco de 
produzir o outro também. Por outro lado, no dolo 
alternativo, o agente prevê a pluralidade de 
resultados, mas busca um ou outro. 
Dolo geral ou erro sucessivo
Conhecido também como erro sobre o nexo 
causal, ocorre quando o agente, supondo já 
ter produzido o resultado, pratica nova 
agressão, que para ele é mero exaurimento, 
mas é nesse momento que atinge a 
consumação. 
Exemplo: “Salininha” quer matar “Arrudinha” por 
envenenamento; após o envenenamento, 
supondo que “Arrudinha” já está morto, 
“Salininha” joga o que imagina ser um cadáver 
no rio e “Arrudinha” acaba morrendo por 
afogamento; nesse caso, o erro é irrelevante, 
pois o que vale é a intenção do agente, que 
responderá por homicídio doloso). 
Conceito de Culpa
Art. 18 - Diz-se o crime: 
Crime culposo 
II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por 
imprudência, negligência ou imperícia. 
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém 
pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o 
pratica dolosamente.
Pelo Código Penal Brasileiro, a 
imperícia, imprudência e negligência 
são as que caracterizam o crime 
culposo, diferente do crime doloso, 
em que o agente quis o resultado ou 
assumiu o risco de produzi-lo.
Imprudência:
Negligêncai:
Imperícia:
Imprudência
Segundo Fernando Capez, em seu livro “Curso de Direito 
Penal Legislação Penal Especial”, volume 4, a 
imprudência: 
“Consiste na violação da regras de condutas ensinadas 
pela experiência. É o atuar sem precaução, precipitado, 
imponderado.” Quando se fala em atuar sem 
precaução, lógico que estamos falando de 
Imprudência. Correr demais no trânsito, furar semáforo. 
Atuar de forma irresponsável.
Negligência 
É a falta de diligência, implica desleixo, preguiça, ausência 
de reflexão necessária, caracterizando-se também pela 
inação, indolência, inércia e passividade. É a omissão aos 
deveres que as circunstâncias exigem. Uma forma de 
conduta humana que se caracteriza pela realização do tipo 
descrito em uma lei penal, através da lesão a um dever de 
cuidado objetivamente necessário para proteger o bem 
jurídico e onde a culpabilidade do agente se assenta no fato 
de não haver ele evitado a realização do tipo, apesar de 
capaz e em condições de fazê-lo
Assim, podem configurar negligência: 
abandono de doente, omissão de 
tratamento, esquecimento de corpo 
estranho em cirurgia etc.
Imperícia 
É a ausência técnica de conhecimento. (atividade 
profissional) é a incapacidade, a falta de habilidade 
específica para a realização de uma atividade técnica ou 
científica, não levando o agente em consideração o que 
sabe ou deveria saber.
É o exemplo do médico que deveria tratar da unha 
encravada e amputa o dedo da pessoa sem querer: 
ele tinha a obrigação de saber como tratar a unha 
encravada; 
Mecânico consertar um veículo automotor sem ter 
conhecimento de mecânica, que pode acarretar em 
riscos para o condutor. 
Uma aluna de auto escola que está dirigindo um 
veículo e sem querer acelera e atropela uma idosa 
que atravessava na faixa causando lesões.
Crime Culposo x Dolo eventual
TRIBUNAL DO JÚRI16/10/2013 
Motorista que avançou sinal vermelho e colidiu 
com moto em Varginha vai a júri popular 
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais reformou 
decisão de 1ª instância e enquadrou o motorista no 
crime de homicídio com dolo eventual
O motorista de uma carreta que avançou o sinal 
vermelho e colidiu com uma moto em Varginha, cidade 
do Sul de Minas, vai a júri popular por homicídio com 
dolo eventual, caracterizado quando se assume o risco 
de cometer o crime. A decisão é do Tribunal de Justiça 
de Minas Gerais (TJMG), que, a pedido do Ministério 
Público de Minas Gerais (MPMG), reformou a decisão da 
Justiça de 1ª instância, que rejeitou alterar a denúncia do 
MPMG de homicídio culposo, quando não há intenção 
de matar, para homicídio doloso. 
Para o MPMG, após o fim da instrução criminal, 
as evidências indicaram homicídio com dolo 
eventual, uma vez que o condutor do caminhão 
assumiu o risco de cometer o ato criminoso ao 
avançar o sinal vermelho - em março de 2012, no 
cruzamento da BR-491 com a avenida Princesa 
do Sul - e colidir com uma moto que atravessava 
a via. Com o impacto, a condutora da motocicleta 
foi arremessada a mais de cinco metros, 
morrendo, posteriormente, em decorrência dos 
graves ferimentos.
Com base no laudo do acidente, o promotor de Justiça Mário 
Conceição concluiu que o veículo era conduzido acima da 
velocidade permitida de 60km/h e que o motorista, embora 
possuísse boa visibilidade do trânsito local, o que lhe permitia 
avaliar o risco, não parou o caminhão no sinal vermelho. “O 
condutordo caminhão de grande porte tinha conhecimento 
integral das consequências que sua conduta poderia gerar ao 
manter a trajetória de seu veículo e avançar o sinal de 
trânsito”, afirmou o promotor de Justiça. 
Diante das provas apresentadas pelo MPMG, os três 
desembargadores do TJMG que analisaram o recurso 
decidiram que o caso deve ser julgado pelo Tribunal do Júri 
por se tratar de homicídio com dolo eventual.
ATENÇÃO
Art. 18 - Parágrafo único - Salvo os casos expressos 
em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como 
crime, senão quando o pratica dolosamente.
Em regra todos os crimes são dolosos. Os casos 
que existem previsão em lei é que admite a 
modalidade culposa. 
Vejamos Exemplos: 
Homicídio simples 
Art. 121. Matar alguém: 
Pena - reclusão, de seis a vinte anos. 
Homicídio culposo 
§ 3º Se o homicídio é culposo: 
Pena - detenção, de um a três anos.
ATENÇÃO
Já o furto por exemplo, art. 155 não existe ressalva alertando para a 
possibilidade previsão furto culposo. 
Como o crime culposo é exceção, ele precisa de previsão expressa no 
texto da lei.
Observação: O crime culposo pode ser de 
conduta comissiva ou omissiva.
Relembrando...
Crimes comissivos: o crime comissivo é 
definido pela prática de uma ação que a lei 
considera criminosa. 
Crimes omissivos: o crime ocorre quando o 
indivíduo deixa de fazer uma ação que 
deveria. Nesse caso, é a omissão da conduta 
que caracteriza o crime.
Relembrando...
Crimes comissivos: o crime comissivo é 
definido pela prática de uma ação que a lei 
considera criminosa. 
Crimes omissivos: o crime ocorre quando o 
indivíduo deixa de fazer uma ação que 
deveria. Nesse caso, é a omissão da conduta 
que caracteriza o crime.
Previsibilidade – precisa ter a previsibilidade 
para que ocorra o crime culposo. Andar em 
alta velocidade em frente a uma escola. 
Fatalidade – andando a velocidade da via – 
Índio bêbado deitado na rodovia é atropelado 
entre Cel. Sapucaia e Amambai
Separar culpa consciente de dolo eventual .... 
Difícil Separação 
Dolo eventual – Foda-se 
Culpa consciente – Fodeu.
CENTRO DE ENSINO, FORMAÇÃO 
E APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS
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