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POLÍCIA MILITAR Centro de Ensino, Formação e Aperfeiçoamento de Praças MATO GROSSO DO SUL CONCEITOS E PRINCÍPIOS CB QPPM VICTOR DIREITO PENAL Diretriz de Ensino nº 03/DEIP/2020 (BCG nº 047/2020) Portaria nº 100/PM-1/EMG/2020 (BCG nº 168/2020) PROFESSOR: Victor Hugo Silveira Monteiro– CABO QPPM. ALUNOS: (Nome, idade, formação civil, com que trabalhava, cidade de origem). MATÉRIA: Noções Gerais de Direito Penal Direito Penal I- é ramo do Direito Público II – Disciplina Autônoma (possui institutos e normatividade próprios) III- disciplina as infrações penais IV- rege as sanções penais. Bibliografia: 1. Jesus, Damásio de Parte geral / Damásio de Jesus ; atualização André Estefam. – Direito penal vol. 1- 37. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020. 764 p. Bibliografia 1. Direito penal. 2. Direito penal – Brasil. I. Estefam, André. II. Título. 20- 0054 2. 2. Martinelli, João Paulo Orsini M385 Direito penal parte geral : lições fundamentais / João Paulo Orsini Martinelli, Leonardo Schmitti de Bem. - 5. ed. – Belo Horizonte, São Paulo : D’Plácido, 2020. 1354 p. ISBN 978-65-5059-090-1 1. Direito. 2. Direito Penal. I. De Bem, Leonardo Schmitti. II. Título. MÓDULO I CONCEITOS E PRINCÍPIOS Princípio da legalidade Art 1º Código Penal e Art. 5º, XXXIX, CF. Art. 1º - “Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação* legal”. *proibição legal ou judicial, sob ameaça de alguma penalidade. Esse é um direito fundamental previsto no inciso XXXIX da Constituição Federal que garante que nenhum cidadão seja acusado de crime caso não haja previsão deste ato como sendo criminoso na legislação. Ou seja, não há crime sem lei que o defina. Dessa forma, essa é uma garantia muito importante para o que chamamos de “segurança jurídica”, visto que é por meio desta segurança que as liberdades individuais dos cidadãos brasileiros são protegidas. Exemplo: • Entrar de forma equivocada ao banheiro. • Mentir para o amigo. De acordo com o Rogério Greco, 4 funções fundamentais proporcionadas pelo princípio da legalidade podem ser definidas: 1.Impedir a incriminação sem lei prévia; 2.Impedir que sejam criados crimes e penas com base em costumes e hábitos; 3.Impedir que sejam usadas analogias, comparações, para criações e fundamentos de crimes; 4.Proibir incriminações vagas e que não possam ser bem determinadas. 1.O que é Segurança Jurídica? 2.As 04 funções fundamentais Direito Penal: a)Ser acusado de crime sem ter uma lei que define como crime; b) Inventar um crime que não está definido, apenas pelos costumes; c) Usar analogias; d) Incriminações vagas O princípio da legalidade compreende dois princípios distintos: 1.Reserva legal; 2. Anterioridade. Em suma o princípio da Reserva Legal é: O legitimador da atuação do Estado na persecução penal. Uma das exigências trazidas pelo Princípio da Reserva Legal, é de que o agente somente poderá ser processado, se sua conduta for previamente tipificada (com clareza e precisão) como crime. Princípio da anterioridade da lei penal: O princípio da anterioridade veda a responsabilização criminal dos indivíduos por fatos praticados antes da entrada em vigor da lei penal que os define como crime e preveja a respectiva sanção. Vamos traduzir o que acabamos de ver com nossas palavras. • Anterioridade: • Reserva legal: Princípio da Reserva Legal - Formal • Reserva Absoluta da Lei; • Taxatividade; • Vedação de emprego da analogia. Princípio da reserva absoluta da lei: Significa que em matéria penal somente o legislador pode intervir para prever crimes e penas ou medida de segurança. Medida provisória e decretos por exemplo, não podem criar crime ou pena. Taxatividade da Lei: É uma garantia das pessoas em obrigar o legislador a elaborar tipos penais precisos na descrição da conduta delituosa, de modo a evitar interpretações extensivas, ampliativas ou ambíguas que busquem amoldar a tipicidade penal – atitudes que poderiam gerar uma insegurança jurídica dentro de um Estado de Direito – dessa forma, ela busca garantir a liberdade das pessoas na aplicação da lei penal pelo poder estatal. Vedação ao emprego da analogia: O princípio da reserva legal proíbe o emprego da analogia em matéria de norma penal incriminadora. Essa é a analogia in malam partem. Não é vedado, entretanto, o uso da analogia in bonam partem, pois favorece o direito de liberdade, seja com a exclusão da criminalidade, seja pelo tratamento mais favorável ao réu. Exemplo de analogia in bonam partem. Exemplo: Se for para beneficiar o réu – pode Se for para prejudicar o réu – não pode. Exemplo: A isenção de pena nos crimes patrimoniais praticados contra cônjuge. Pode aplicar para analogia para favorecer o réu, o companheiro de união estável. A lei fala cônjuge. (benéfica) Exemplo: Art. 155 CP. – Crime de furto. Lá não está escrito furto de uso. Não está na Lei. Você não pode por analogia punir o réu do furto de uso. Princípio da Reserva Legal - Material • Adequação Social; • Insignificância; • Alteridade Princípio da adequação social: De acordo com este princípio, não podem ser considerados criminosos fatos socialmente adequados, condutas aprovadas pela coletividade; (exemplo: jogador de futebol que machuca o adversário). Princípio da Insignificância: Ligado aos chamados “crimes de bagatela” (ou “delitos de lesão mínima”), recomenda que o Direito Penal, pela adequação típica, somente intervenha nos casos de lesão jurídica de certa gravidade, reconhecendo a atipicidade do fato nas hipóteses de perturbações jurídicas mais leves (pequeníssima relevância material). Esse princípio tem sido adotado pela nossa jurisprudência nos casos de furto de objeto material insignificante, lesão insignificante ao Fisco, maus-tratos de importância mínima, descaminho e dano de pequena monta, lesão corporal de extrema singeleza etc. Destaque-se que o Supremo Tribunal Federal consolidou jurisprudência no sentido de condicionar a aplicação do princípio da insignificância à verificação de quatro vetores: a) a ausência de periculosidade social; b) a reduzida reprovabilidade do comportamento c) a mínima ofensividade da conduta; d) a ínfima ou inexpressiva lesão jurídica. O Superior Tribunal de Justiça segue a mesma linha de entendimento da Suprema Corte e, inclusive, possui súmulas específicas a respeito da matéria, tratando da incompatibilidade do princípio com determinados tipos de crime. é o caso das Súmulas 589, 599 e 606, que negam a possibilidade de aplicar o mencionado princípio, respectivamente, a crimes ou contravenções praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas, a crimes contra a Administração Pública e casos de transmissão clandestina de sinal de internet via radiofrequência. Atualmente, ressalta-se que o tema em foco possui profundas discordâncias jurisprudenciais e doutrinárias. Destaca-se a Súmula 599 do Superior Tribunal de Justiça, anuncia a inaplicabilidade do princípio nos crimes contra a Administração Pública, in verbis: Súmula 599 – O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública. (Súmula 599, CORTE ESPECIAL, julgado em 20/11/2017, DJe 27/11/2017). Sobre outro ponto de vista, é importante mencionar que apesar da Súmula 599 do STJ, a própria Corte da Cidadania (STJ) já flexibilizou e admitiu a incidência do princípio bagatela no Recurso Ordinário em HC 85.272/RS, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 14/08/2018, DJe 23/08/2018: (…) A despeito do teor do enunciado sumular n. 599, no sentido de que O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública, as peculiaridades do caso concreto – réu primário, com 83 anos na época dos fatos e avaria de um cone avaliado em menos de R$ 20,00, ou seja, menos de 3% do salário mínimo vigente à época dos fatos – justificama mitigação da referida súmula, haja vista que nenhum interesse social existe na onerosa intervenção estatal diante da inexpressiva lesão jurídica provocada“. Conforme demonstrado, sempre deverão ser aferidos caso a caso, a lesividade da conduta, a lesão ocasionada pelo bem jurídico tutelado, o grau de reprovabilidade da conduta do agente, o que a depender do cenário considerado, será avaliado a aplicação do princípio da insignificância aos crimes cometidos contra a administração pública, considerando que o bem jurídico tutelado nesses casos não é só patrimonial, mas o dever de lealdade à administração, a fidelidade do funcionário público no desempenho de suas funções. A jurisprudência tanto do STJ quanto do STF é pacífica em admitir a aplicação do princípio da insignificância ao crime de Descaminho (art. 334 do CP), quando o valor do tributo não recolhido for igual ou inferior a 20 mil reais. Estando esse, topograficamente, inserido no Título XI do Código Penal, que trata sobre os crimes contra a Administração Pública. Princípio da alteridade Proíbe a incriminação de uma conduta interna, ou seja, aquela que prejudique apenas o próprio agente, bem como do pensamento ou as moralmente censuráveis que não atinjam bem jurídico de terceiro. É por essa razão que o ordenamento jurídico não puna autolesão. É necessário que a conduta ultrapasse a pessoa do agente e invada o patrimônio jurídico alheio. “Ninguém pode ser punido por causar mal apenas a si próprio.” (grifo nosso) Foi criado por Claus Roxin, sendo um dos princípios não expressos da Constituição Federal. Ex.: autolesão e tentativa de suicídio. Princípio da alteridade Princípio que veda a incriminação de conduta que não ofende nenhum bem jurídico. Questão O Princípio no Direito Penal que veda a incriminação de conduta que não ofende nenhum bem jurídico é. a)Princípio do dever legal; b)Princípio da redundância; c)Princípio da Alteridade; d)Princípio da Taxatividade CENTRO DE ENSINO, FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS CEFAP POLÍCIA MILITAR Centro de Ensino, Formação e Aperfeiçoamento de Praças MATO GROSSO DO SUL CONCEITOS E PRINCÍPIOS CB QPPM VICTOR DIREITO PENAL Diretriz de Ensino nº 03/DEIP/2020 (BCG nº 047/2020) Portaria nº 100/PM-1/EMG/2020 (BCG nº 168/2020) PROFESSOR: Victor Hugo Silveira Monteiro – CABO QPPM. ALUNOS: (Nome, idade, formação civil, com que trabalhava, cidade de origem). MATÉRIA: Noções Gerais de Direito Penal Direito Penal Bibliografia: 1. Jesus, Damásio de Parte geral / Damásio de Jesus ; atualização André Estefam. – Direito penal vol. 1- 37. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020. 764 p. Bibliografia 1. Direito penal. 2. Direito penal – Brasil. I. Estefam, André. II. Título. 20- 0054 2. 2. Martinelli, João Paulo Orsini M385 Direito penal parte geral : lições fundamentais / João Paulo Orsini Martinelli, Leonardo Schmitti de Bem. - 5. ed. – Belo Horizonte, São Paulo : D’Plácido, 2020. 1354 p. ISBN 978-65-5059-090-1 1. Direito. 2. Direito Penal. I. De Bem, Leonardo Schmitti. II. Título. MÓDULO II CONCEITOS E PRINCÍPIOS Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. Irretroatividade É a qualidade de não retroagir, não ser válido para o passado. As leis e atos normativos em geral, a princípio, são editadas para que passem a valer para o futuro, desde a data da publicação ou a partir de um período fixado, geralmente no final do seu texto. O fenômeno jurídico pelo qual a lei regula todas as situações ocorridas durante sua vigência denomina-se atividade. Quando a lei regula situações fora de seu período de vigência, ocorre a chamada extra atividade. A extra atividade divide-se em duas modalidades: • Retroatividade • Ultra atividade. A extra atividade ocorre quando da existência de leis mais benéficas, haja vista previsão da Constituição Federal e do Código Penal, já mencionada anteriormente, que prevê uma exceção para a irretroatividade da lei penal, seja: • O beneficio do réu (“a lei penal não retroagirá, SALVO para beneficiar o réu. “A regra geral trazida no próprio texto da Constituição federal é a de irretroatividade in pejus, ou seja, a absoluta impossibilidade de a lei penal retroagir para, de qualquer modo, prejudicar o agente; a exceção é retroativa in mellius, quando a lei vier, também, de qualquer modo a favorece-lo, conforme se dessume o inciso XL de art 5º, assim redigido: A lei penal não retroagirá, salvo em benefício do réu (GREVO, 2015, p.157) Art. 107 - Extingue-se a punibilidade: I - pela morte do agente; II - pela anistia, graça ou indulto; III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso; IV - pela prescrição, decadência ou perempção; V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada; VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite; Leis de vigência temporária “Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.” As leis em estudo são auto revogáveis e constituem exceções à regra de que uma lei só pode ser revogada por outra lei. Dividem-se em duas espécies: Leis temporárias: trazem no próprio texto a data de cessação de sua vigência. Leis excepcionais: feitas para regular um período de anormalidade, instabilidade. Nesse caso, o término da vigência deve coincidir com o término do fato para o qual ela foi elaborada. Exemplos: guerra, calamidade etc. Norma Penal em Branco É um preceito incompleto, genérico ou indeterminado, que precisa da complementação de outras normas. É a norma cujo preceito primário está incompleto (preceito primário é a parte do tipo que descreve o crime; o preceito secundário descreve a pena). Há duas espécies: • Homogênea; • Heterogênea. A norma penal em branco será homogênea quando o complemento vier a ser conferido por outra norma de mesma hierarquia. Assim, se o vazio normativo de uma lei ordinária penal vier a ser complementado por outra lei ordinária, teremos similitudes entre os institutos normativos, daí porque se chama homogênea. Exemplo: O crime de Advocacia Administrativa, tipificado no art. 321 do Código Penal (Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário), é um exemplo de norma penal em branco homogênea ou homologa visto que o complemento está contido no próprio Código Penal (art. 327), ao estabelecer o conceito de Funcionário Público. Funcionário público Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. A norma penal em branco será heterogênea exatamente quando seu complemento advier de uma fonte normativa com status diferente! A Lei de Drogas, uma vez que esse conceito “droga” deve ser retirado de uma Portaria expedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa. § 1º Nas mesmas penas incorre quem: I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda, oferece, fornece,tem em depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, matéria prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas; II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas; TEMPO DO CRIME Art. 4º – Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado. Há 03 (três) teorias principais sobre o tempo do crime: • Atividade: é a adotada pelo Código Penal Brasileiro. Assim, se ‘A’, com inequívoco animus necandi, atira contra ‘B’ em data de 10 de janeiro de 2021, vindo este a óbito em data de 27 de abril do citado ano. Ter-se-á praticado o crime de homicídio em 10/01/2021. • Resultado: ao contrário da teoria da atividade, aqui se considera praticado o crime no momento do resultado. “Consumação do delito” Logo, na esteira do exemplo apresentado no tópico anterior, considerar-se-ia o crime como praticado em data de 27/04/2021. • Ubiquidade ou mista: segundo esta teoria, levar-se-á em conta tanto o momento da ação ou omissão, como do resultado. *Dar exemplo do ECA e o Código Penal. Com referência à lei penal no tempo, ao erro jurídico-penal, ao concurso de agentes e aos sujeitos da infração penal, julgue o item que se segue. Situação hipotética: Um crime foi praticado durante a vigência de lei que cominava pena de multa para essa conduta. Todavia, no decorrer do processo criminal, entrou em vigor nova lei, que, revogando a anterior, passou a atribuir ao referido crime a pena privativa de liberdade. Assertiva: Nessa situação, dever-se-á aplicar a lei vigente ao tempo da prática do crime. Certo Errado Lugar no crime Lugar do crime: Art. 6º – Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. Exemplo: considera-se como lugar do crime Osasco (ação) e São Paulo (resultado). De igual forma, há 03 (três) teorias principais: Atividade: o lugar do crime é o da ação ou omissão. Exemplo: A, com ânimo inequívoco de matar, golpeou B com várias facadas, fato ocorrido na cidade de Osasco. Horas depois, em um hospital na cidade de São Paulo, B veio a falecer em razão dos ferimentos. Neste caso, o lugar do crime seria Osasco. Resultado: o lugar do crime é o da consumação. Exemplo: nos termos do exemplo de item, o lugar do crime seria São Paulo. Ubiquidade ou mista: é a adotada pelo Código Penal Brasileiro. (art. 6º) CENTRO DE ENSINO, FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS CEFAP POLÍCIA MILITAR Centro de Ensino, Formação e Aperfeiçoamento de Praças MATO GROSSO DO SUL CONCEITOS E PRINCÍPIOS MAJ. QOPM THELSON DIREITO PENAL Diretriz de Ensino nº 03/DEIP/2020 (BCG nº 047/2020) Portaria nº 100/PM-1/EMG/2020 (BCG nº 168/2020) PROFESSOR: Thelson Takeshi Iseki Kumagai – Maj. QOPM. ALUNOS: (Nome, idade, formação civil, com que trabalhava, cidade de origem). MATÉRIA: Noções Gerais de Direito Penal Direito Penal Bibliografia: 1. Jesus, Damásio de Parte geral / Damásio de Jesus ; atualização André Estefam. – Direito penal vol. 1- 37. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020. 764 p. Bibliografia 1. Direito penal. 2. Direito penal – Brasil. I. Estefam, André. II. Título. 20- 0054 2. 2. Martinelli, João Paulo Orsini M385 Direito penal parte geral : lições fundamentais / João Paulo Orsini Martinelli, Leonardo Schmitti de Bem. - 5. ed. – Belo Horizonte, São Paulo : D’Plácido, 2020. 1354 p. ISBN 978-65-5059-090-1 1. Direito. 2. Direito Penal. I. De Bem, Leonardo Schmitti. II. Título. MÓDULO III Regras de aplicação da lei penal no espaço. As leis penais têm como critério de aplicabilidade à territorialidade que é a regra e a extraterritorialidade que vem a ser a exceção, pois quase sempre o princípio da soberania das nações restringe o âmbito de lei penal brasileira. Segundo o princípio territorial, a lei penal só tem aplicação no território do Estado que a determinou, sem atender à nacionalidade do sujeito ativo do delito ou do titular do bem jurídico lesado. É também denominado princípio territorial exclusivo ou absoluto, pois exclui a aplicação da lei penal de um país fora de seu território, segundo a regra leges non obligant extra territorium. Reza o art. 5o, caput, do CP: “Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional”. Por aí se vê que o Código adotou o princípio da territorialidade como regra sobre a eficácia espacial da lei penal, abrindo exceção no próprio corpo da disposição às estipulações das convenções, tratados ou regras de Direito Internacional. A indicação marginal do dispositivo fala em territorialidade e o texto, em território. Daí a conveniência de ser fixado o conceito de território. O território pode ser considerado sob dois aspectos: material e jurídico. Sob o prisma material, recebe o nome de natural ou geográfico, compreendendo o espaço delimitado por fronteiras. Território jurídico abrange todo o espaço em que o Estado exerce a sua soberania. é o conceito que nos interessa. O território nacional pode ser definido como o espaço terrestre, marítimo ou aéreo, sujeito à soberania do Estado, quer seja compreendido entre os limites que o separam dos Estados vizinhos ou do mar livre, quer esteja destacado do corpo territorial principal, ou não.(Manzini). O território se compõe das seguintes partes: a) solo ocupado pela corporação política, sem solução de continuidade e com limites reconhecidos; b) regiões separadas do solo principal; c) rios, lagos e mares interiores; d) golfos, baías e portos; e) parte que o Direito Internacional atribui a cada Estado, sobre os mares, lagos e rios contíguos; f) a faixa de mar exterior, que corre ao longo da costa e constitui o “mar territorial”; g) espaço aéreo; h) navios e aeronaves, conforme algumas circunstâncias. Vimos que, nos termos do art. 5o do CP, o legislador penal brasileiro adotou o princípio da territorialidade como regra. Esse princípio, entretanto, sofre exceções no próprio corpo do dispositivo, ao ressalvar a possibilidade de renúncia de jurisdição do Estado, mediante “convenções, tratados e regras de direito internacional”. O art. 7o prevê uma série de casos em que a lei penal brasileira tem aplicação a delitos praticados no estrangeiro: Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: I – os crimes: a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público; c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil; II – os crimes: a)que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; b)praticados por brasileiro; c)praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados”. Esse artigo, de forma expressa, permite a aplicação de outros princípios. Assim, certos crimes praticados no estrangeiro sofrem a eficácia da lei nacional é a extraterritorialidade da lei penal brasileira. A extraterritorialidade excepcional pode ser: a) incondicionada; b) condicionada. Casos de extraterritorialidade incondicionada: São 4 hipóteses e estão previstas essas hipóteses no art. 7º inciso I alíneas de “a” a “d”: Alínea “a”: os crimes cometidos contra a vida ou a liberdade do presidente da República (arts. 121, 122, 146, 154 do CP e arts. 28 e 29 da Lei de SegurançaNacional lei 7.170/83). Alínea “b”: crimes contra o patrimônio ou a fé pública da União, Estado e Distrito Federal e dos Municípios, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação pública (arts. 155 a 180 e dos arts. 289 a 311 todos do CP). Alínea “c”: crime contra a administração pública, ou por quem está a seu serviço (arts: 312 ao 327 do CP). Alínea “d”: crime de genocídio. Nas três primeiras alíneas estão presentes os princípios da defesa ou proteção, enquanto que no último inciso está presente o princípio. Casos de extraterritorialidade condicionada: Nestes casos a aplicação da lei penal brasileira não é automática, há necessidade de certo requisito para a sua aplicação. São 3 hipóteses estão previstas no art. 7º inciso II alíneas de “a” a “c” e no parágrafo 3º deste artigo. Alínea “a”: caso de convenção ou tratado que o Brasil assinou e se pré-dispôs a reprimir; Alínea b”: crimes cometidos por brasileiros no exterior, em virtude, de não haver possibilidade de extradição de um nacional. Alínea c”: crimes cometidos em embarcações privadas brasileiras em alto-mar, se país estrangeiro não punir tal infração. E no parágrafo terceiro deste art. 7º, crimes cometidos contra brasileiros fora do território nacional, desde que não tenha sido pedida ou tenha sido negada a extradição, é necessário à requisição. Diz-se condicionada porque a aplicação da lei penal brasileira se subordina à ocorrência de certos requisitos (alíneas dos § 2º e § 3º). § 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições: a) entrar o agente no território nacional; b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável. § 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: a)não foi pedida ou foi negada a extradição; b)houve requisição do Ministro da Justiça. Legislação especial Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos incriminados por lei especial, se esta não dispuser de modo diverso. Aplicação do Direito Penal comparado. Legislação penal Uruguaia. Ley 19.172/13. Artigo 5 Alinea F “Los clubes de membresía debrán tener um mínimo de quince y un máximo de cuarenta y cinco socios. Podrán plantar hasta noventa y nueve plantas de cannabis de uso psicoactivo y obtener como producto de la recolección de la plantación um máximo de acopio anual proporcional al número de socios y conforme a la cantidad que se estabeleciere para el uso no medicinal de cannabis psicoactivo”. A lei prevê ainda que os cidadãos uruguaios possam formar clubes, de 15 a 45 sócios, com a finalidade de usar maconha. Estes clubes poderão ter até no máximo 99 plantas de maconha, conforme dispõe o art. 5º, alínea ‘F’, da Lei 19.172/13. Teoria do Crime Conceito Inicialmente, cumpre salientar que o conceito de crime é artificial, ou seja, independente de fatores naturais, constatados por um juízo de percepção sensorial, uma vez que se torna impossível classificar uma conduta ontologicamente, como criminosa. Em verdade, é a sociedade a criadora inaugural do crime, qualificativo que reserva às condutas ilícitas mais gravosas e merecedoras de maior rigor punitivo. Após, cabe ao legislador transformar esse intento em figura típica, criando a lei que permitirá aplicação do anseio social aos casos concretos. O crime pode ser verificado através de 03 prismas: • Conceito material; • Conceito formal; • Conceito analítico. Veremos todos eles... Conceito material: É a concepção da sociedade sobre o que pode e deve ser proibido, mediante a aplicação de sanção penal. É, pois, a conduta que ofende um bem juridicamente tutelado, merecedora de pena Esse conceito é aberto e informa o legislador sobre as condutas que merecem ser transformadas em tipos penais incriminadores “O conceito material de crime é prévio ao código penal e fornece ao legislador um critério político-criminal sobre o que o direito penal deve punir e o que deve deixar impune” Conceito formal: É a concepção do direito acerca do delito, constituindo a conduta proibida por lei, sob ameaça de aplicação de pena, numa visão legislativa do fenômeno. Cuida-se na realidade, de fruto do conceito material, devidamente formalizado. Conceito analítico: É a concepção da ciência do direito, que não difere, na essência, do conceito formal. Na realidade, é o conceito formal fragmentado em elementos que propiciam o melhor entendimento da sua abrangência. (para dizer se é ou não um crime) • Conceito de crime material: Prevê e exige o resultado naturalístico para consumação. Homicídio: Matar alguém – exige modificação no mundo físico. O cadáver. É necessário o “Material” Furto: Coisa palpável; Objeto • Conceito de crime formal: prevê o resultado naturalístico, mas o legislador não exige para consumação. Não exige o resultado físico. Admite a conduta criminosa. Se contenta com o comportamento EX: Corrupção passiva. Mas só o fato de “solicitar” o crime já consumou. • Conceito analítico: Teoria tripartida que adota a corrente finalística. Fato Típico + Antijurídico+ Culpável Analítico – teoria tripartida – corrente finalística 1. Típico 2. Antijurídico 3. Culpável 1+2+3 = CRIME Obs: Se você retirar o primeiro e/ou o segundo você exclui o crime; no terceiro pedaço – Isenta de pena. Resumo “Crime, no conceito analítico é o fato típico, antijurídico e culpável.” Não importa a corrente (causalista, finalista ou funcionalista), o delito tem três elementos indispensáveis à sua configuração, dando margem à condenação. Sem qualquer um dele, o juiz é obrigado a absolver. • Fato típico: amolda-se o fato real ao modelo de conduta proibida previsto no tipo penal (ex.: matar alguém art. 121, CP). • Antijurídico: contraria o ordenamento jurídico, causando efetiva lesão a bem jurídico tutelado • Culpável: merecedor de censura, pois cometido por imputável (maior de 18 e mentalmente são), com conhecimento do ilítico e possibilidade plena de atuação conforme o Direito exige Resumo “Crime, no conceito analítico é o fato típico, antijurídico e culpável.” Não importa a corrente (causalista, finalista ou funcionalista), o delito tem três elementos indispensáveis à sua configuração, dando margem à condenação. Sem qualquer um dele, o juiz é obrigado a absolver. • Fato típico: amolda-se o fato real ao modelo de conduta proibida previsto no tipo penal (ex.: matar alguém art. 121, CP). • Antijurídico: contraria o ordenamento jurídico, causando efetiva lesão a bem jurídico tutelado • Culpável: merecedor de censura, pois cometido por imputável (maior de 18 e mentalmente são), com conhecimento do ilítico e possibilidade plena de atuação conforme o Direito exige Relação de causalidade Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. Relação de causalidade Superveniência de causa independente § 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou. https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/tag/relacao-de-causalidade/ Exemplo Ponta Porã. Hospital Regional Relevância da omissão § 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; b) de outra forma,assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. Omissão imprópria Em conjunto com o seu companheiro, a mãe foi condenada por estupro de vulnerável à pena de 17 anos, seis meses e oito dias, em regime fechado – sentença mantida em segundo grau. Por meio de habeas corpus, a Defensoria Pública apontou que, tratando-se de omissão imprópria (artigo 13, parágrafo 2º, do CP), não se aplicaria a causa de aumento de pena prevista no artigo 226, inciso II. Os crimes omissivos impróprios são aqueles em que a pessoa, devido à sua posição de garantidora do bem jurídico, tem o dever de agir para evitar determinado resultado, mas não o faz – mesmo podendo – e assim contribui para tal desfecho. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm#art13%C2%A72 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm#art13%C2%A72 Outros “et all” Crimes omissivos impróprios ou comissivos por omissão – são crimes que têm em sua descrição típica um verbo de ação, mas que também podem ser cometidos de forma omissiva impropriamente, desde que o agente tenha o dever jurídico de agir na forma do artigo 13, § 2º., CP. https://www.youtube.com/watch?v=vAydEbvjIJQ https://www.youtube.com/watch?v=Vjzjhqc-izw https://www.youtube.com/watch?v=vAydEbvjIJQ https://www.youtube.com/watch?v=Vjzjhqc-izw CENTRO DE ENSINO, FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS CEFAP POLÍCIA MILITAR Centro de Ensino, Formação e Aperfeiçoamento de Praças MATO GROSSO DO SUL CONCEITOS E PRINCÍPIOS MAJ. QOPM THELSON DIREITO PENAL Diretriz de Ensino nº 03/DEIP/2020 (BCG nº 047/2020) Portaria nº 100/PM-1/EMG/2020 (BCG nº 168/2020) PROFESSOR: Thelson Takeshi Iseki Kumagai – Maj. QOPM. ALUNOS: (Nome, idade, formação civil, com que trabalhava, cidade de origem). MATÉRIA: Noções Gerais de Direito Penal Direito Penal Bibliografia: 1. Jesus, Damásio de Parte geral / Damásio de Jesus ; atualização André Estefam. – Direito penal vol. 1- 37. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020. 764 p. Bibliografia 1. Direito penal. 2. Direito penal – Brasil. I. Estefam, André. II. Título. 20- 0054 2. 2. Martinelli, João Paulo Orsini M385 Direito penal parte geral : lições fundamentais / João Paulo Orsini Martinelli, Leonardo Schmitti de Bem. - 5. ed. – Belo Horizonte, São Paulo : D’Plácido, 2020. 1354 p. ISBN 978-65-5059-090-1 1. Direito. 2. Direito Penal. I. De Bem, Leonardo Schmitti. II. Título. MÓDULO IV O crime na teoria Geral O crime é um fato. Dentre os fatos, crime constitui um fato jurídico, pois produz efeitos jurídicos, não sendo, assim, indiferente ao Direito. Como elemento jurídico, crime é uma ação (ou omissão) humana de efeitos jurídicos involuntários. Nesta categoria, corresponde ao ilícito penal. ATIVO: é a pessoa que pratica o crime; PASSIVO: é o titular do bem jurídico lesado, ou seja, a vítima Exemplo: 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. Crime comum: Pode ser praticado por qualquer pessoa (exemplo: homicídio, furto, estelionato etc.); Em Direito, crime comum são aqueles que não exige qualidade especial, seja ela do sujeito passivo ou do ativo. O homicídio simples, por exemplo, que pode ser praticado por qualquer pessoa contra qualquer outra pessoa. Crimes próprios: São aqueles que só podem ser cometidos por determinadas pessoas, tendo em vista que o tipo penal exige certa característica do sujeito ativo. Podemos citar como exemplo o crime de infanticídio, que só pode ser cometido pela mãe, sob influência do estado puerperal; Por exemplo, o peculato é um crime próprio porque só pode ser cometido por um servidor público. Apenas o servidor público que se apropria do patrimônio público está cometendo peculato. Crimes de dano: Em primeiro lugar, cumpre entender que o crime de dano exige que haja, para a consumação do crime, a superveniência de um resultado material consistente na lesão efetiva ao bem jurídico tutelado. Sendo assim, a ausência da factual lesão configura apenas a tentativa ou um indiferente penal, como ocorre nos crimes materiais (homicídio, furto, lesão corporal). O homicídio é crime de dano, ou seja, só vai ser consumado quando efetivamente ferido o bem jurídico tutelado, que, nesta hipótese, é a vida. Se não verdadeiramente lesionada a vida de outra pessoa, ou o sujeito responderá por tentativa de homicídio, ou não será homicídio, não podendo se tipificar o delito do Art. 121 do Código Penal por mero perigo, em abstrato, à vida. Crime de perigo: Se consuma com a mera possibilidade de dano (exemplo: perigo de contágio venéreo, rixa, incêndio etc.); o perigo pode ser presumido ou concreto, individual ou comum; •Simples possibilidade de DANO. •Como exemplo, tem-se o crime de periclitação da vida ou saúde de outrem, disposto no artigo 132 do Código Penal. Periclitação da vida O agente quer ou assume o risco de expor a vida ou saúde de terceiro a uma situação de perigo concreto. O crime se consuma no momento em que o perigo se efetiva, ou seja, quando a situação periclitante para a vítima ocorre. Os próximos três estão ligados: •Material; •Formal; •Mera conduta Material: O crime material só se consuma com a produção do resultado naturalístico, como a morte no homicídio. Por exemplo, para que o crime de homicídio se consume, é preciso que ocorra o resultado morte da vítima, uma alteração específica do mundo exterior e já prevista do tipo penal. Formal: O crime formal, por sua vez, não exige a produção do resultado para a consumação do crime, ainda que possível que ele ocorra. Exemplo de crime formal é a ameaça: Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar�lhe mal injusto e grave: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. Veja-se que o crime de ameaça apenas prevê a conduta de quem ameaça, não importando se o resultado da ameaça aconteceu, tão pouco se a pessoa se sentiu constrangida ou ameaçada. A intimidação é irrelevante para a consumação do delito Crime de mera conduta: No crime de mera conduta o resultado naturalístico não só não precisa ocorrer para a consumação do delito, como ele é mesmo impossível. Veja-se o que o STF entende sobre o crime de porte ilegal de arma de fogo, sobre ser um crime de mera conduta: O crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é de mera conduta e de perigo abstrato, ou seja, consuma-se independentemente da ocorrência de efetivo prejuízo para a sociedade, e a probabilidade de vir a ocorrer algum dano é presumida pelo tipo penal. Além disso, o objeto jurídico tutelado não é a incolumidade física, mas a segurança pública e a paz social, sendo irrelevante o fato de estar a arma de fogo municiada ou não. HC 104.206/RS, 1.ª Turma, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe de 26/08/2010. Crime instantâneo: Se consuma num dado momento (exemplo: homicídio); Crime permanente: A consumação, por vontade do agente, se prolonga no tempo (exemplo: sequestro); Crime instantâneo de efeitos permanentes: As consequências se prolongam no tempo, independentemente da vontade do agente (exemplo: homicídio); “Nos crimes instantâneos de efeitos permanentes, a consumação também ocorre em momento determinado, mas os efeitos dela decorrentes são indeléveis, como no homicídio consumado, por exemplo”. Crime a prazo: Aquele em que a consumação depende de um determinado lapso de tempo (exemplo: artigo 148, § 1.º, inciso III); Art. 148 - Privar alguém de sua liberdade, mediante sequestro ou cárcere privado: III - se a privação da liberdade dura mais de 15 (quinze) dias. Crime comissivo: Praticado mediante ação (exemplo: lesão corporal); Crime omissivo: Praticado mediante omissão (exemplo: omissão de socorro, artigo 135); Crime omissivo próprio ou puro: A omissão é descrita no próprio tipo legal(exemplo: omissão de socorro); essa modalidade não admite a tentativa; Crime omissivo impróprio Também denominado comissivo por omissão, é aquele no qual o tipo descreve uma ação, mas a inércia do agente que tem o dever jurídico de evitar o resultado, permite a ocorrência do resultado naturalístico. Essa modalidade admite a tentativa; Crimes omissivos próprios são condutas negativas, de não fazer o que a lei determina, consistindo na omissão na transgressão da norma jurídica e não sendo necessário qualquer resultado naturalístico. Para a existência do crime basta que o autor se omita quando deve agir. Comete crimes omissivos puros os que não prestam assistência a pessoa ferida (omissão de socorro, art. 135), o médico que não comunica a ocorrência de moléstia cuja notificação é compulsória (art. 269), o funcionário que deixa de responsabilizar seu subordinado que cometeu infração no exercício do cargo (condescendência criminosa, art. 320) ou abandona cargo público (art. 323). Nos crimes omissivos impróprios a lei descreve uma conduta de fazer, mas o agente se nega a cumprir o dever de agir. Exemplos são os da mãe que deixa de amamentar ou cuidar do filho causando-lhe a morte ;do médico; ou da enfermeira que não ministra o medicamento necessário ao paciente , que vem a morrer; do administrador que deixa perecer animal ou deteriorar-se a colheira; do mecânico que não lubrifica a máquina que está a seus cuidados etc. Não havendo obrigação jurídica de agir para evitar o resultado, não se pode falar em crime comissivo por omissão. Crime unissubjetivo: Praticado por uma só pessoa; Crime plurissubjetivo: O tipo exige a presença de dois ou mais agentes; Crime simples: É o que se enquadra num único tipo legal (exemplo: homicídio); Crime complexo: É a fusão de dois ou mais crimes (exemplo: latrocínio, extorsão mediante sequestro); Crime mono-ofensivo: Atinge apenas um bem jurídico (exemplo: homicídio); Crime pluriofensivo: É aquele cujo resultado atinge mais de um bem jurídico, a exemplo do latrocínio (vida + patrimônio) Crime de forma livre: admite vários meios de execução (exemplo: homicídio, lesão corporal, furto etc.); Crime de forma vinculada: o tipo especifica os meios pelos quais o crime pode ser praticado (exemplo: curandeirismo, artigo 284); Crime principal: Tem existência autônoma (exemplo: estupro); Crime acessório: Pressupõe a existência de outro crime (exemplo: receptação, favorecimento pessoal etc.); Crime unissubsistente: A conduta exterioriza-se com um só ato executório, consumando-se: (exemplo: crimes cometidos verbalmente, tais como injúria, desacato, etc.); Crime plurissubsistente: A conduta exterioriza-se em dois ou mais atos executórios (exemplo: crimes cometidos por escrito, como a injúria e outros); Crime independente: não está ligado a nenhum outro; Crime conexo: Está interligado com outra infração. A conexão pode ser: a) teleológica: quando praticado para assegurar a execução de outro crime; b) consequencial: praticado para assegurar a ocultação, impunidade ou vantagem de outro crime; c) ocasional: praticado em virtude da oportunidade surgida pela prática de outro crime; Crime a distância Conduta e resultado ocorrem em países diferentes; Crime plurilocal Conduta e resultado ocorrem em comarcas diferentes (vide artigo 70 do código de processo penal); Crime em trânsito: Quando parte da conduta ocorre num país, sem lesar ou pôr em perigo bem jurídico de seus cidadãos (exemplo: carta de um argentino, na qual ofende um japonês, passa pelo correio brasileiro, antes de ser enviada ao Japão); Condutas no Direito Penal A conduta do agente pode consistir num fazer ou deixar de fazer alguma coisa. Quando o agente faz alguma coisa que estava proibido, fala-se em crime comissivo; quando deixa de fazer alguma coisa a que estava obrigado, temos um crime omissivo. Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. A imputação objetiva significa atribuir a alguém a responsabilidade penal por um crime, no âmbito do fato típico, segundo a teoria tripartite, sem analisar o dolo ou a culpa do agente, ou seja, ignorando a análise subjetiva. Art. 14 - Diz-se o crime: Crime consumado I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal; Tentativa II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. Pena de tentativa Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços. CENTRO DE ENSINO, FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS CEFAP POLÍCIA MILITAR Centro de Ensino, Formação e Aperfeiçoamento de Praças MATO GROSSO DO SUL CONCEITOS E PRINCÍPIOS MAJ. QOPM THELSON DIREITO PENAL Diretriz de Ensino nº 03/DEIP/2020 (BCG nº 047/2020) Portaria nº 100/PM-1/EMG/2020 (BCG nº 168/2020) PROFESSOR: Thelson Takeshi Iseki Kumagai – Maj. QOPM. ALUNOS: (Nome, idade, formação civil, com que trabalhava, cidade de origem). MATÉRIA: Noções Gerais de Direito Penal Direito Penal Bibliografia: 1. Jesus, Damásio de Parte geral / Damásio de Jesus ; atualização André Estefam. – Direito penal vol. 1- 37. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020. 764 p. Bibliografia 1. Direito penal. 2. Direito penal – Brasil. I. Estefam, André. II. Título. 20- 0054 2. 2. Martinelli, João Paulo Orsini M385 Direito penal parte geral : lições fundamentais / João Paulo Orsini Martinelli, Leonardo Schmitti de Bem. - 5. ed. – Belo Horizonte, São Paulo : D’Plácido, 2020. 1354 p. ISBN 978-65-5059-090-1 1. Direito. 2. Direito Penal. I. De Bem, Leonardo Schmitti. II. Título. MÓDULO V Desistência voluntária e arrependimento eficaz Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados. É o típico exemplo do agente que voluntariamente desiste de prosseguir na execução do crime de homicídio, mesmo já tendo iniciado a sua consumação. Ocorre o arrependimento eficaz após a realização de todos os atos executórios do crime e o agente arrependido impede que o resultado aconteça. Na desistência voluntária, o agente abandona a execução do crime quando ainda lhe sobra, do ponto de vista objetivo, uma margem de ação. No arrependimento eficaz, não há margem alguma, porque o processo de execução está encerrado, e o agente atua então para evitar que sobrevenha o resultado.” Jurisprudência •TJDF Não prosseguimento na empreitada criminosa em razão de circunstâncias alheias à vontade do agente – inocorrência de desistência voluntária. "4. Não se configura a desistência voluntária quando o agente deixa de prosseguir na empreitada criminosa por circunstância alheia à sua vontade, em virtude da reação da vítima e da intervenção de terceiro, devendo responder pelo fato praticado em sua forma tentada." Acórdão 1243309, 00013766420198070008, Relator: WALDIR LEÔNCIO LOPES JÚNIOR, 3ª Turma Criminal, data de julgamento: 16/4/2020, publicado no DJE: 25/4/2020. Arrependimento Posterior Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços. Crime impossível Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar- se o crime. Há crime impossível, por exemplo, nas manobras abortivas em mulher que não está grávida; no disparo de arma de fogo, com animus necandi, em cadáver. Conceito de Dolo Art. 18 - Diz-se o crime: Crime doloso I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu orisco de produzi-lo; Existem três teorias que falam sobre o conceito de dolo: Teoria da vontade: dolo é a vontade de praticar a conduta e produzir o resultado. O agente quer o resultado. Teoria do assentimento ou da aceitação: dolo é a vontade de praticar a conduta com a aceitação dos riscos de produzir o resultado. O agente não quer, mas não se importa com o resultado. Teoria da representação ou da previsão: dolo é a previsão do resultado. Para que haja dolo, basta o agente prever o resultado. Dolo normativo x Dolo natural Dolo natural – constituído de dois elementos: consciência e vontade. Dolo normativo – constitui por três elementos: consciência, vontade e consciência atual da ilicitude. consciência (sei o que faço), a vontade (quero fazer) e a consciência da ilicitude (sei que é errado). É o dolo que depende de um juízo de valor. Dolo genérico x Dolo específico Genérico - é a vontade de realizar o verbo do tipo sem qualquer finalidade especial; Específico - é a vontade de realizar o verbo do tipo com uma finalidade especial. sempre que no tipo houver um elemento subjetivo, para que o fato seja típico, será necessário o dolo específico. Dolo de perigo O perigo abstrato, também conhecido como presumido, é aquele em que basta a prática da conduta para que a lei presuma o perigo (exemplo: artigo 135 do Código Penal). Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública: Dolo de dano: Existe quando a vontade é de produzir uma efetiva lesão ao bem jurídico. Quase todos os crimes são de dano (exemplos: furto, homicídio etc.). Dolo direto ou determinado Existe quando o agente quer produzir resultado certo e determinado; é o dolo da teoria da vontade. Dolo indireto ou indeterminado É aquele que existe quando o agente não quer produzir resultado certo e determinado. Dolo indireto ou indeterminado Pode ser: Eventual: quando o agente não quer produzir o resultado, mas aceita o risco de produzi-lo (exemplo: o motorista que, em desabalada corrida, para chegar em seu destino, aceita o resultado de atropelar uma pessoa). Alternativo: quando o agente quer produzir um ou outro resultado (exemplo: o agente atira para ferir ou para matar; nesse caso, responde pelo resultado mais grave, aplicando-se o princípio da consunção). No dolo alternativo, o agente prevê pluralidade de resultados e dirige sua conduta na busca de realizar qualquer um deles indistintamente. Exemplo: o agente quer praticar lesão corporal ou homicídio indistintamente. O agente tem a mesma vontade de um ou de outro. No dolo eventual, o agente prevê pluralidade de resultados, dirige sua conduta na busca de realizar um deles, porém assume o risco de produzir os demais. A intenção do agente se dirige a um resultado, aceitando, porém, outro também previsto e consequência possível da sua conduta. Exemplo: O agente quer ferir (lesão corporal), mas aceita a possibilidade de um homicídio acontecer. Nas palavras do professor Luiz Flávio Gomes: No dolo eventual o agente prevê pluralidade de resultados, quer um deles, mas assume o risco de produzir o outro também. Por outro lado, no dolo alternativo, o agente prevê a pluralidade de resultados, mas busca um ou outro. Dolo geral ou erro sucessivo Conhecido também como erro sobre o nexo causal, ocorre quando o agente, supondo já ter produzido o resultado, pratica nova agressão, que para ele é mero exaurimento, mas é nesse momento que atinge a consumação. Exemplo: “Salininha” quer matar “Arrudinha” por envenenamento; após o envenenamento, supondo que “Arrudinha” já está morto, “Salininha” joga o que imagina ser um cadáver no rio e “Arrudinha” acaba morrendo por afogamento; nesse caso, o erro é irrelevante, pois o que vale é a intenção do agente, que responderá por homicídio doloso). Conceito de Culpa Art. 18 - Diz-se o crime: Crime culposo II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. Pelo Código Penal Brasileiro, a imperícia, imprudência e negligência são as que caracterizam o crime culposo, diferente do crime doloso, em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. Imprudência: Negligêncai: Imperícia: Imprudência Segundo Fernando Capez, em seu livro “Curso de Direito Penal Legislação Penal Especial”, volume 4, a imprudência: “Consiste na violação da regras de condutas ensinadas pela experiência. É o atuar sem precaução, precipitado, imponderado.” Quando se fala em atuar sem precaução, lógico que estamos falando de Imprudência. Correr demais no trânsito, furar semáforo. Atuar de forma irresponsável. Negligência É a falta de diligência, implica desleixo, preguiça, ausência de reflexão necessária, caracterizando-se também pela inação, indolência, inércia e passividade. É a omissão aos deveres que as circunstâncias exigem. Uma forma de conduta humana que se caracteriza pela realização do tipo descrito em uma lei penal, através da lesão a um dever de cuidado objetivamente necessário para proteger o bem jurídico e onde a culpabilidade do agente se assenta no fato de não haver ele evitado a realização do tipo, apesar de capaz e em condições de fazê-lo Assim, podem configurar negligência: abandono de doente, omissão de tratamento, esquecimento de corpo estranho em cirurgia etc. Imperícia É a ausência técnica de conhecimento. (atividade profissional) é a incapacidade, a falta de habilidade específica para a realização de uma atividade técnica ou científica, não levando o agente em consideração o que sabe ou deveria saber. É o exemplo do médico que deveria tratar da unha encravada e amputa o dedo da pessoa sem querer: ele tinha a obrigação de saber como tratar a unha encravada; Mecânico consertar um veículo automotor sem ter conhecimento de mecânica, que pode acarretar em riscos para o condutor. Uma aluna de auto escola que está dirigindo um veículo e sem querer acelera e atropela uma idosa que atravessava na faixa causando lesões. Crime Culposo x Dolo eventual TRIBUNAL DO JÚRI16/10/2013 Motorista que avançou sinal vermelho e colidiu com moto em Varginha vai a júri popular O Tribunal de Justiça de Minas Gerais reformou decisão de 1ª instância e enquadrou o motorista no crime de homicídio com dolo eventual O motorista de uma carreta que avançou o sinal vermelho e colidiu com uma moto em Varginha, cidade do Sul de Minas, vai a júri popular por homicídio com dolo eventual, caracterizado quando se assume o risco de cometer o crime. A decisão é do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que, a pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), reformou a decisão da Justiça de 1ª instância, que rejeitou alterar a denúncia do MPMG de homicídio culposo, quando não há intenção de matar, para homicídio doloso. Para o MPMG, após o fim da instrução criminal, as evidências indicaram homicídio com dolo eventual, uma vez que o condutor do caminhão assumiu o risco de cometer o ato criminoso ao avançar o sinal vermelho - em março de 2012, no cruzamento da BR-491 com a avenida Princesa do Sul - e colidir com uma moto que atravessava a via. Com o impacto, a condutora da motocicleta foi arremessada a mais de cinco metros, morrendo, posteriormente, em decorrência dos graves ferimentos. Com base no laudo do acidente, o promotor de Justiça Mário Conceição concluiu que o veículo era conduzido acima da velocidade permitida de 60km/h e que o motorista, embora possuísse boa visibilidade do trânsito local, o que lhe permitia avaliar o risco, não parou o caminhão no sinal vermelho. “O condutordo caminhão de grande porte tinha conhecimento integral das consequências que sua conduta poderia gerar ao manter a trajetória de seu veículo e avançar o sinal de trânsito”, afirmou o promotor de Justiça. Diante das provas apresentadas pelo MPMG, os três desembargadores do TJMG que analisaram o recurso decidiram que o caso deve ser julgado pelo Tribunal do Júri por se tratar de homicídio com dolo eventual. ATENÇÃO Art. 18 - Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. Em regra todos os crimes são dolosos. Os casos que existem previsão em lei é que admite a modalidade culposa. Vejamos Exemplos: Homicídio simples Art. 121. Matar alguém: Pena - reclusão, de seis a vinte anos. Homicídio culposo § 3º Se o homicídio é culposo: Pena - detenção, de um a três anos. ATENÇÃO Já o furto por exemplo, art. 155 não existe ressalva alertando para a possibilidade previsão furto culposo. Como o crime culposo é exceção, ele precisa de previsão expressa no texto da lei. Observação: O crime culposo pode ser de conduta comissiva ou omissiva. Relembrando... Crimes comissivos: o crime comissivo é definido pela prática de uma ação que a lei considera criminosa. Crimes omissivos: o crime ocorre quando o indivíduo deixa de fazer uma ação que deveria. Nesse caso, é a omissão da conduta que caracteriza o crime. Relembrando... Crimes comissivos: o crime comissivo é definido pela prática de uma ação que a lei considera criminosa. Crimes omissivos: o crime ocorre quando o indivíduo deixa de fazer uma ação que deveria. Nesse caso, é a omissão da conduta que caracteriza o crime. Previsibilidade – precisa ter a previsibilidade para que ocorra o crime culposo. Andar em alta velocidade em frente a uma escola. Fatalidade – andando a velocidade da via – Índio bêbado deitado na rodovia é atropelado entre Cel. Sapucaia e Amambai Separar culpa consciente de dolo eventual .... Difícil Separação Dolo eventual – Foda-se Culpa consciente – Fodeu. CENTRO DE ENSINO, FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS CEFAP Módulo I 2024.pdf Número do slide 1 Número do slide 2 Número do slide 3 Número do slide 4 Número do slide 5 Número do slide 6 Número do slide 7 Número do slide 8 Número do slide 9 Número do slide 10 Número do slide 11 Número do slide 12 Número do slide 13 Número do slide 14 Número do slide 15 Número do slide 16 Número do slide 17 Número do slide 18 Número do slide 19 Número do slide 20 Número do slide 21 Número do slide 22 Número do slide 23 Número do slide 24 Número do slide 25 Número do slide 26 Número do slide 27 Número do slide 28 Número do slide 29 Número do slide 30 Número do slide 31 Número do slide 32 Número do slide 33 Número do slide 34 Número do slide 35 Número do slide 36 Número do slide 37 Número do slide 38 Número do slide 39 Número do slide 40 Módulo II 2024 - Número do slide 1 Número do slide 2 Número do slide 3 Número do slide 4 Número do slide 5 Número do slide 6 Número do slide 7 Número do slide 8 Número do slide 9 Número do slide 10 Número do slide 11 Número do slide 12 Número do slide 13 Número do slide 14 Número do slide 15 Número do slide 16 Número do slide 17 Número do slide 18 Número do slide 19 Número do slide 20 Número do slide 21 Número do slide 22 Número do slide 23 Número do slide 24 Número do slide 25 Número do slide 26 Número do slide 27 Número do slide 28 Número do slide 29 Número do slide 30 Número do slide 31 Número do slide 32 Número do slide 33 Módulo III 2024 Número do slide 1 Número do slide 2 Número do slide 3 Número do slide 4 Número do slide 5 Número do slide 6 Número do slide 7 Número do slide 8 Número do slide 9 Número do slide 10 Número do slide 11 Número do slide 12 Número do slide 13 Número do slide 14 Número do slide 15 Número do slide 16 Número do slide 17 Número do slide 18 Número do slide 19 Número do slide 20 Número do slide 21 Número do slide 22 Número do slide 23 Número do slide 24 Número do slide 25 Número do slide 26 Número do slide 27 Número do slide 28 Número do slide 29 Número do slide 30 Número do slide 31 Número do slide 32 Número do slide 33 Número do slide 34 Número do slide 35 Número do slide 36 Número do slide 37 Número do slide 38 Número do slide 39 Número do slide 40 Número do slide 41 Número do slide 42 Número do slide 43 Número do slide 44 Número do slide 45 Número do slide 46 Número do slide 47 Número do slide 48 Número do slide 49 Número do slide 50 Número do slide 51 Número do slide 52 Número do slide 53 Número do slide 54 Módulo IV 2024 Número do slide 1 Número do slide 2 Número do slide 3 Número do slide 4 Número do slide 5 Número do slide 6 Número do slide 7 Número do slide 8 Número do slide 9 Número do slide 10 Número do slide 11 Número do slide 12 Número do slide 13 Número do slide 14 Número do slide 15 Número do slide 16 Número do slide 17 Número do slide 18 Número do slide 19 Número do slide 20 Número do slide 21 Número do slide 22 Número do slide 23 Número do slide 24 Número do slide 25 Número do slide 26 Número do slide 27 Número do slide 28 Número do slide 29 Número do slide 30 Número do slide 31 Número do slide 32 Número do slide 33 Número do slide 34 Número do slide 35 Número do slide 36 Número do slide 37 Número do slide 38 Número do slide 39 Número do slide 40 Número do slide 41 Número do slide 42 Módulo V 2024 Número do slide 1 Número do slide 2 Número do slide 3 Número do slide 4 Número do slide 5 Número do slide 6 Número do slide 7 Número do slide 8 Número do slide 9 Número do slide 10 Número do slide 11 Número do slide 12 Número do slide 13 Número do slide 14 Número do slide 15 Número do slide 16 Número do slide 17 Número do slide 18 Número do slide 19 Número do slide 20 Número do slide 21 Número do slide 22 Número do slide 23 Número do slide 24 Número do slide 25 Número do slide 26 Número do slide 27 Número do slide 28 Número do slide 29 Número do slide 30 Número do slide 31 Número do slide 32 Número do slide 33 Número do slide 34 Número do slide 35 Número do slide 36 Número do slide 37 Número do slide 38 Número do slide 39 Número do slide 40 Número do slide 41 Número do slide 42 Número do slide 43 Número do slide 44 Número do slide 45 Número do slide 46 Número do slide 47 Número do slide 48 Número do slide 49