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Centro Universitário Natalense Curso de Farmácia Disciplina: Farmacotécnica Geral Ma. Cláudia Cecílio Daher Natal, 2024.2 Estabilidade e Conservação de Medicamentos Conceitos Estabilidade farmacêutica é a capacidade do produto farmacêutico de manter suas propriedades químicas, físicas, microbiológicas e biofarmacêuticas dentro dos limites especificados durante o prazo de validade (Organização Mundial de Saúde, 2004). Estabilidade é a extensão na qual um produto mantém, dentro dos limites especificados e por todo o seu prazo de validade, as mesmas características que possuía no momento de sua fabricação (Anvisa, 2005). Conceitos • Prazo de validade: data limite para utilização de determinado produto farmacêutico. O fabricante determina este prazo de acordo com os resultados obtidos durante o estudo de estabilidade acelerado ou de longa duração Regulação técnica e códigos oficiais • A comercialização de produtos farmacêuticos no Brasil depende da aprovação prévia da ANVISA por meio da avaliação técnica dos estudos de estabilidade farmacêutica apresentada e realizada conforme procedimentos técnicos definidos na Guia para Realização de Estudos de Estabilidades, publicado inicialmente Resolução nº 01/2005 . • A partir destes estudos é possível determinar o prazo de validade, o material de embalagem, as condições de armazenamento e transporte de medicamentos (BRASIL, 2005). Fatores que afetam a estabilidade de produtos farmacêuticos • Temperatura • Umidade • Luz Fatores extrínsecos ou Ambientais • Propriedades físico-química • Forma farmacêutica • Processos de fabricação • Material de embalagem. Fatores intrínsecos Tipos de Estabilidade Estabilidade Física • A estabilidade física significa que o medicamento não sofreu alterações, durante seu armazenamento, que impliquem em mudança das características físicas: • Aspecto, cor, odor, sabor; • Aparecimento de cristais em soluções; • Dureza ou friabilidade em comprimidos. Estabilidade Física • Outros exemplos: • Alterações de aspecto (cor, p. ex.) • Supositórios: fusão fora da faixa ideal; • Comprimidos e cápsulas: alteração do tempo de dissolução do fármaco; • Suspensões: formação de sedimento compactado; alteração do tamanho de partícula • Todas as formas: polimorfismo do fármaco. Estabilidade Química • É a capacidade da forma farmacêutica em manter a identidade molecular do fármaco • Relacionada à presença de reações de decomposição do fármaco. • Determina as incompatibilidades fármaco-excipiente na formulação e permite selecionar as condições de armazenamento e acondicionamento compatíveis com o produto. Reações químicas Hidrólise Oxidação Racemi- zação Fotólise Principais reações de decomposição dos medicamentos Hidrólise Há grupos funcionais que favorecem a hidrólise: Lactonas (ésteres cíclicos) Lactamas (amidas cíclicas) Ésteres Amidas Ocorre quebra da molécula de fármaco pela ação da água – a água é reagente Exemplos de fármacos vulneráveis a hidrólise FÁRMACO CLASSE GRUPO AAC Analgésico Éster Procaína, cocaína Analgésicos locais Éster Lidocaína Analgésicos locais Amida Cloranfenicol, benzilpenicilina Antibióticos Amida Nitrazepam, clordiazepóxido Ansiolíticos Lactama Cefalosporinas e penicilinas Antibióticos Lactama Espirolactona Diurético Lactona Meprobamato, tibamato Ansiolíticos Carbamato Hidrólise O pH é um importante catalisador da hidrólise Existe um pH ótimo, no qual a hidrólise é mínima. O pH neutro propicia, em geral, maior estabilidade. Os metais também influem na velocidade de hidrólise. Cátions divalentes(*) funcionam como H+ , em baixos pHs. (*)Átomos, radicais ou grupos de átomos carregados positivamente com uma valência de mais 2 . Ex.: Mg+2 (magnésio); Ca+2 (cálcio) Hidrólise • Como evitar ou diminuir a hidrólise: • Remover a água: substituir por solventes como glicerina, sorbitol. • Proteger da umidade, usar dessecantes – formas sólidas • Preparar suspensões em vez de soluções • Acondicionamento impermeável • Remover traços de metais que podem catalisar a hidrólise: uso de quelantes: EDTA, ác. tartárico, ác. cítrico, polifosfatos, ác. Glucônico • Ajustar o pH e propiciar sua manutenção: Soluções tampões de fosfato, de ácido bórico, acetato, entre outras • Manter boas condições de temperatura e umidade Oxidação • Reação que ocorre na presença de oxigênio, com o ganho de oxigênio ou perda de hidrogênio • É iniciada tanto pela luz como pela presença de metais • Caracteriza-se por uma série de reações em cadeia mediadas por radicais livres. • Compostos sujeitos à oxidação • Alcenos • Aldeídos • Hidroquinonas • Tióis e compostos de enxofre não totalmente oxidados Oxidação • Como evitar ou reduzir a oxidação: • Remover traços de metais • Acondicionamento em ambientes anaeróbios • Evitar a luz • Reduzir o contato com oxigênio • Manter a temperatura • Usar antioxidantes: Ácido ascórbico, Sulfitos (sulfito e metabissulfito de sódio, Tocoferóis, BHT (butilhidroxitolueno), BHA (butilhidroxianisol), etc. • Quelantes: EDTA (edetato de sódio, ác. Edético). Fotólise • A luz UV afeta as ligações químicas fornecendo energia para a separação dos elétrons compartilhados entre os dois átomos dessa ligação: • Formação de radicais livres no processo de oxidação • Lise da molécula formando dois radicais • A quebra da molécula pode causar isomerização Fotólise • Fármacos sujeitos à fotólise: • Vitaminas (A, B1 , B12, D, E) • Ácido fólico, ÁCIDO ASCÓRBICO • Corantes • Dipirona • Ácido meclofenâmico • Metotrexato • Fenotiazinas • Corticóides: hidrocortisona, metilprednisolona. • Hidroquinona.’ Fotólise • Como prevenir os efeitos da ação da luz: • Fármacos oxidáveis: uso de antioxidantes e quelantes, proteção contra O2 , temperatura de armazenagem adequada, material de acondicionamento opaco ou âmbar. • Fármacos sujeitos à fotólise: proteção da luz Racemização • É a conversão de um isômero em outro, resultando em mistura de ambos, geralmente, acompanhada de perda de atividade • Ocorre com compostos que possuem C assimétricos • Seus isômeros são denominados de enantiômeros • Pode ocorrer: • Luz • pH • Tipo de solvente • Presença de grupos aromáticos na molécula podem facilitar Racemização • Como prevenir a racemização: • Escolha adequada de solvente e pH • Proteção da luz • Controle de temperatura • Exemplos: Talidomida, Naproxeno O Naproxeno possui um carbono quiral e portanto apresenta dois enantiómeros: o S-Naproxeno e o R-Naproxeno. No entanto, apenas o enantiómero S apresenta atividade anti-inflamatória. Carbono quiral: é um átomo de carbono que está ligado a quatro grupos diferentes entre si. • Isômeros são moléculas de substâncias orgânicas que apresentam a mesma fórmula molecular, mas possuem propriedades e características estruturais diferentes. • Ex.: Talidomida - fármaco que foi muito utilizado como sedativo e contra enjoos no inicio da gravidez. Entretanto, não era de conhecimento público os efeitos da sua ingestão. A partir do ano de 1959, o alto número de crianças nascidas com deficiências físicas foi finalmente relacionado com a utilização da talidomida durante a gestação. Reações envolvendo isomerização de fármacos Fármaco Reação Consequencia Adrenalina Racemização em soluções de pH baixo Queda de atividade Cefalosporinas Isomerização reversível em meio básico Inativação Pelocarpina Hidrólise básica e epimerização Inativação Tetraciclina Epimerização condições acídicas Queda de atividade Vitamina A Isomerização cis-trans Queda de atividade Estabilidade microbiológica As formas particularmente susceptíveis são as preparações líquidas e semissólidas. Os agentes são: algas, bactérias e fungos. A contaminação microbiana acarreta em perda de estabilidade química e física. Odor, cor e cheirodesagradável; Presença de patogênicos. Estabilidade microbiológica • Principais causas: • contaminação ambiental; • Pessoal; • matérias-primas: água, produtos de origem natural, insumos em geral; • concentração ou tipo de conservante inadequado; • inativação de conservantes. Estabilidade microbiológica • Como evitar a perda de estabilidade microbiológica: • Uso de matérias-primas dentro dos limites microbianos especificados; • Boa qualidade microbiológica da água; • Produção dentro das BPM – qualidade ambiental adequada, higiene pessoal, etc.; • Uso de conservantes para não estéreis; • Controle e validação de processos de esterilização. Estabilidade microbiológica • Conservantes: São adjuvantes que mantém, dentro dos limites preconizados, a carga microbiana presente nas formas não estéreis durante o armazenamento e a qualidade microbiana nas estéreis multidose durante o uso. • Uso externo: álcool benzílico, parabenos, imidazolidiluréia, cloreto de benzalcônio, cloroxilenol. • Uso interno: benzoato de sódio ( até 0,5%), ácido benzóico (0,01%), parabenos – metil, propil, hidroxietil (0,05 a 0,4%). Outros fatores que levam a perda de estabilidade • Interações entre componentes da fórmula: • Físicas: formação de misturas eutéticas; • Químicas: interação química (lactose e metformina, lactose e ranitidina, conservantes e tensoativos); • Outras: alteração da dissolução de fármaco com o tempo; • Interações com o material de acondicionamento. Interações com o acondicionamento • Vidros: tipos III e NP (alcalinos) podem ceder basicidade (OH- ) e traços de metais (Fe, Mg, Mn) que catalisam reações de oxidação. • Metais - cedem Fe, Cu, Pb, Al. • Plásticos e borrachas - possuem na sua composição estabilizantes, antioxidantes, lubrificantes, corantes, plastificantes entre muitos outros constituintes que podem ser cedidos. Também adsorvem fármacos e conservantes. TIPO III é o vidro sódico-cálcico, apresenta as seguintes característica: Resistência hidrolítica média. Grande resistência mecânica. Não possui tratamento de superfície. Para acondicionar soluções de uso tópico e oral. Ideal para acondicionar pós e granulados. Indicado para preparações contendo veículos não aquosos. Tipo I Tipo II Tipo III •Embalagens destinadas para preparações de uso parenteral, produzidas em vidro borossilicato, com alta resistência ao ataque hidrolítico. •Embalagens geralmente utilizadas para preparações ácidas, neutras e aquosas de uso parenteral. Usualmente é um vidro sodo-cálcico tipo III submetido a um tratamento da superfície interna para aumento da resistência ao ataque hidrolítico. •Geralmente utilizadas para preparações não aquosas e na forma de pós de uso parenteral e para preparações de uso não parenteral. Apresenta moderada resistência hidrolítica, uma vez que é um vidro sodo-cálcico sem tratamento superficial. Tipos de embalagens Referências • https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3015022/mod_resource/content/1/EST ABILIDADE%20DE%20MEDICMANETOS.pdf • file:///C:/Users/daher/Downloads/569-1-1520-1-10-20171017.pdf • file:///C:/Users/daher/Downloads/30909-Texto%20do%20artigo-144604-1-10- 20150310.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3015022/mod_resource/content/1/ESTABILIDADE DE MEDICMANETOS.pdf C:/Users/daher/Downloads/569-1-1520-1-10-20171017.pdf C:/Users/daher/Downloads/30909-Texto do artigo-144604-1-10-20150310.pdf Vídeos • https://www.youtube.com/watch?v=hXdA9-LGYsg • https://www.youtube.com/watch?v=PU5i5uKcemo • https://www.youtube.com/watch?v=ro0JE5bWKtY https://www.youtube.com/watch?v=hXdA9-LGYsg https://www.youtube.com/watch?v=PU5i5uKcemo https://www.youtube.com/watch?v=ro0JE5bWKtY ccdaher@hotmail.com