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Apostila 07 – Inquérito Policial (continuação) 
 
1. Notitia Criminis (Cognição Mediata / Imediata / Coercitiva / 
Inqualificada) 
 
De diversas formas a autoridade policial pode vir a tomar conhecimento 
da existência de infração penal, momento a partir da qual instaurará o IP. 
 
Diz-se que há notitia criminis de cognição 
IMEDIATA/DIRETA/ESPONTÂNEA/INFORMAL quando a polícia toma ciência da 
infração penal por meio de suas atividades rotineiras. Ex.: investigação para apurar 
determinado fato criminoso, chegando-se ao conhecimento de outro crime / delegado 
que toma conhecimento de crime ocorrido nas imediações da delegacia. 
 
Atenção: é possível instauração de inquérito policial com base em 
matéria jornalística? R: STJ decidiu que sim. RCH 98.056-CE. Trata-se de notitia 
criminis de cognição espontânea. 
 
Diz-se que há notitia criminis de cognição MEDIATA/INDIRETA, 
quando a autoridade policial é comunicada da existência de crime através de expediente 
formal apresentado por qualquer pessoa. Ex.: registro de ocorrência feito pela vítima / 
requisição do MP / qualquer do povo que comunique à autoridade policial a existência 
de infração penal. 
 
Diz-se, ainda, que há notitia criminis INQUALIFICADA quando se toma 
ciência do suposto crime por meio de denúncia anônima. Nessa situação, não é possível 
a instauração imediata do processo, sob pena de violação do artigo 5º, IV, da CF/88. É 
necessário que a polícia verifique, previamente, a existência de indícios relacionados à 
denúncia anônima e, uma vez constatadas evidências de crime, poderá ser instaurado o 
IP. Ou seja, deverá a polícia realizar a chamada VPI (Verificação de Procedência das 
Informações). 
 
Por fim, há a notitia criminis COERCITIVA quando é apresentada pessoa 
presa em flagrante na delegacia. 
 
2. Direitos do Indiciado 
 
Uma vez tendo ciência do IP, poderá ter acesso ao mesmo e requerer seu 
trancamento por meio de HC, caso entenda completamente inexistente qualquer 
motivação para o seu indiciamento. 
 
Pode, ainda, efetuar requerimento de diligências (oitiva de testemunhas / 
realização de perícias) e juntar documentos que comprovem sua inocência. 
 
É comum na doutrina a afirmação de que não há contraditório e ampla 
defesa no âmbito do IP. Porém, essa afirmação é uma meia verdade, pois sendo o 
indiciado chamado a depor, poderá exercer o contraditório e a sua autodefesa, negando, 
 
2 
 
por exemplo, a prática do crime. Além disso, é possível que se valha de atuação de 
advogado contratado, que poderá requerer diligências, pugnar pelo trancamento do IP 
etc. Necessário reforçar, contudo, que grande parte da doutrina defende que não existe 
contraditório nem ampla defesa no IP. 
 
3. Investigação Diretamente pelo Ministério Público 
 
Em primeiro lugar, há que se falar que não há nenhum artigo de lei que 
considere atribuição privativa da polícia a da investigação de crimes. 
 
Pelo contrário, o artigo 129, VI, da CF/88, dispõe: 
 
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: 
 
VI - expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua 
competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei 
complementar respectiva; 
 
A jurisprudência interpreta o inciso acima como clara autorização ao MP 
para promover investigação criminal por si próprio, até mesmo porque se ao MP cabe a 
propositura da ação penal pública, por qual motivo ficaria alijado da função de investigar 
os crimes que dão ensejo à existência da ação penal? 
 
O MP pode instaurar, portanto, o chamado PROCEDIMENTO 
INVESTIGATÓRIO CRIMINAL. 
 
Podemos lembrar, ainda, que a última palavra sobre a propositura ou não 
da ação penal será de órgão do MP, o Procurador-Geral, pois nas hipóteses em que o 
juiz discorda do pedido de arquivamento feito pelo promotor, vindo os autos a serem 
encaminhados ao Procurador-Geral e este concordando com o arquivamento, o juiz será 
obrigado a acatá-lo, vide antigo art. 28, CPP, ainda vigente enquanto não entrar em vigor 
o novo art. 28, alterado pela Lei 13.964/2019, que permite o arquivamento feito 
diretamente pelo MP, sem carecer de determinação judicial. 
 
OBS.: o MP NÃO pode presidir/gerenciar IP. Tal cabe ao Delegado. Mas 
pode dirigir procedimento investigativo próprio, instaurado sob sua alçada. 
 
O STF deixou claro, todavia, que a investigação direta pelo MP é marcada 
pela subsidiariedade e excepcionalidade. O ministro Celso de Mello fixou as bases da 
investigação direta do MP: 
 
“Sempre sob a égide do princípio da subsidiariedade, destinadas a permitir, 
aos membros do “Parquet”, em situações específicas (quando se registrem, por exemplo, 
excessos cometidos pelos próprios agentes e organismos policiais, como tortura, abuso de 
poder, violência arbitrária ou corrupção), ou, então, nos casos em que se verifique uma 
intencional omissão da Polícia na apuração de determinados delitos ou se configure o 
deliberado intuito da própria corporação policial de frustrar, em razão da qualidade 
 
3 
 
da vítima ou da condição do suspeito, a adequada apuração de determinadas infrações 
penais).” 
 
“Entre os requisitos, os ministros frisaram que devem ser respeitados, em 
todos os casos, os direitos e garantias fundamentais dos investigados e que os atos 
investigatórios – necessariamente documentados e praticados por membros do MP – 
devem observar as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição, bem como as 
prerrogativas profissionais garantidas aos advogados, como o acesso aos elementos de 
prova que digam respeito ao direito de defesa. Destacaram ainda a possibilidade do 
permanente controle jurisdicional de tais atos”. 
 
4. Termo Circunstanciado – Lei 9099/95 (Art. 61) 
 
Em relação às infrações de menor potencial ofensivo (contravenções e 
crimes cuja pena não ultrapasse 2 (dois) anos, não será instaurado inquérito policial, mas 
sim o termo circunstanciado, procedimento de menor complexidade e que serve de base 
à propositura de ação penal. 
 
5. Prazos: art. 10, CPP; Art. 51, caput e P. Ú, da Lei 11.343/2006; art. 
66, da Lei 5010/66; Art. 10, §1º, da Lei 1521/51. 
 
O IP é procedimento temporário. Tem prazo para ser concluído. 
 
5.1 Regra geral. Art. 10, CPP. O CPP determina que o IP deve ser 
concluído no prazo de 10 dias quando o investigado estiver preso e 30 dias para concluir 
o IP quando o investigado estiver solto. 
 
Os prazos podem ser prorrogados? 
 
Em se tratando de investigado solto, é possível o alargamento do prazo, na 
forma do art. 10, §3º, CPP. 
 
“§ 3º Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado estiver solto, a 
autoridade poderá requerer ao juiz a devolução dos autos, para ulteriores diligências, que 
serão realizadas no prazo marcado pelo juiz”. 
 
Aliás, o prazo de 30 dias, em tais situações, poderá ser prorrogado mais de 
uma vez. Trata-se de prazo impróprio, inclusive, pois mesmo não observado não trará 
efetivas consequências para o caso. 
 
Em relação à prorrogação do prazo de IP estando o investigado preso, 
importante lembrar que a Lei 13.964/2019 alterou o CPP e passou a prever a 
possibilidade de tal prorrogação: 
 
Art. 3º-B. O juiz das garantias é responsável pelo controle da legalidade da 
investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais cuja franquia tenha sido 
reservada à autorização prévia do Poder Judiciário, competindo-lhe especialmente: 
 
4 
 
 
VIII - prorrogar o prazo de duração do inquérito, estando o investigado 
preso, em vista das razões apresentadas pela autoridade policial e observado o disposto no 
§ 2º deste artigo; 
 
§ 2º Se o investigado estiver preso, o juiz das garantias poderá, mediante 
representação da autoridade policial e ouvido o Ministério Público, prorrogar, uma única 
vez, a duração do inquérito por até 15 (quinze) dias, após o que, se ainda assim a 
investigação não for concluída, a prisão será imediatamenterelaxada. 
 
Todavia, pelo fato de o referido artigo estar dentre os suspensos por 
decisão do STF (ADI’s 6298, 6299, 6300 e 6305), ainda não tem aplicação. 
 
Por enquanto, até que entre em vigor o referido artigo, permanece o debate, 
pois maior parte da doutrina defende que não cabe prorrogação do prazo do IP estando 
o investigado preso, haja vista que o art. 10 não abre espaço à interpretação extensiva. 
Doutrinadores mais recentes defendem a prorrogação, desde que por igual prazo. 
 
5.2 Outros Prazos Previstos em Lei para Conclusão do IP: 
 
5.2.1 Procedimentos Vinculados aos Crimes Apurados pela Justiça 
Federal 
 
Art. 66, da Lei 5010/66: 15 dias quando o indiciado estiver preso, podendo 
ser prorrogado por mais 15 dias. 
 
Art. 66. O prazo para conclusão do inquérito policial será de quinze dias, 
quando o indiciado estiver prêso, podendo ser prorrogado por mais quinze dias, a 
pedido, devidamente fundamentado, da autoridade policial e deferido pelo Juiz a que 
competir o conhecimento do processo. 
 
Parágrafo único. Ao requerer a prorrogação do prazo para conclusão do 
inquérito, a autoridade policial deverá apresentar o prêso ao Juiz. 
 
Nada diz sobre o investigado solto. Aplica-se o prazo do CPP – 30 dias, 
podendo ser prorrogado. 
 
5.2.2 Procedimento da Lei de Drogas 
 
Art. 51, caput e P. Ú, da Lei 11.343/2006. 
 
No caso da Lei de Drogas, o IP será concluído em 30 dias se o indiciado 
estiver preso, podendo ser duplicado tal prazo pelo juiz. 
 
Em caso de réu solto, o prazo será de 90 dias, também podendo ser 
duplicado. 
 
 
5 
 
Art. 51. O inquérito policial será concluído no prazo de 30 (trinta) dias, 
se o indiciado estiver preso, e de 90 (noventa) dias, quando solto. 
 
Parágrafo único. Os prazos a que se refere este artigo podem ser 
duplicados pelo juiz, ouvido o Ministério Público, mediante pedido justificado da 
autoridade de polícia judiciária. 
 
5.2.3 Crimes Contra a Economia Popular 
 
Art. 10, §1º, da Lei 1521/51 
 
Art. 10. Terá forma sumária, nos termos do Capítulo V, Título II, Livro II, 
do Código de Processo Penal, o processo das contravenções e dos crimes contra a 
economia popular, não submetidos ao julgamento pelo júri. (Vide Decreto-lei nº 2.848, 
de 1940) 
 
§ 1º. Os atos policiais (inquérito ou processo iniciado por portaria) 
deverão terminar no prazo de 10 (dez) dias. 
 
Não há previsão sobre prorrogação. Aplica-se o CPP. A depender da 
complexidade, pode postular o delegado pela prorrogação. 
 
5.2.4 Prisão Temporária Decretada em IP que Apura Crimes 
Hediondos 
 
A prisão temporária tem base na Lei 7960/89 e dispõe que poderá ser 
decretada quando imprescindível para as investigações do IP, ou seja, sempre que o 
indiciado estiver a promover dificuldades à investigação, tais como a de constranger 
eventuais testemunhas que tenham que ser ouvidos pelo Delegado. 
 
Art. 1° Caberá prisão temporária: 
 
I - quando imprescindível para as investigações do inquérito policial; 
 
Em regra, o prazo da prisão temporária é de 5 dias, podendo ser prorrogado 
por mais 5. 
 
Art. 2° A prisão temporária será decretada pelo Juiz, em face da 
representação da autoridade policial ou de requerimento do Ministério Público, e terá 
o prazo de 5 (cinco) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e 
comprovada necessidade. 
 
Todavia, em se tratando de investigação de crimes hediondos e 
equiparados, a prisão temporária tem prazo alargado, sendo de 30 dias, podendo ser 
prorrogada por mais 30. 
 
Art. 2, §4º, da Lei 8072/90: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del3689.htm#livroiitituloiicapitulov
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del3689.htm#livroiitituloiicapitulov
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art177
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art177
 
6 
 
 
§ 4o A prisão temporária, sobre a qual dispõe a Lei no 7.960, de 21 de 
dezembro de 1989, nos crimes previstos neste artigo, terá o prazo de 30 (trinta) dias, 
prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade. 
 
Pois bem. A pergunta que se faz é: se no caso de crimes hediondos, a prisão 
temporária, NECESSÁRIA À INVESTIGAÇÃO, tem prazo de 30 dias, podendo ser 
prorrogada por mais 30, isso significa que o IP poderá ser concluído, excepcionalmente, 
em 60 dias, mesmo estando o réu preso? Não haveria conflito entre o art. 2º, §4º, da Lei 
8072/90 e o art. 10 do CPP? 
 
R: a doutrina majoritária vem entendendo que o IP em tais hipóteses 
passará sim a ter prazo majorado, de 30 ou 60 dias, a depender do prazo de prisão 
temporária que tiver sido decretado. 
 
Quadro Comparativo2 
 
 
Investigado Preso 
 
 
Investigado Solto* 
 
CPP (art. 10, caput, cc/ 
art.3º-B, §2º) 
 
 
10 + 15* (ainda não entrou 
Em vigor a hipótese de 
prorrogação) 
 
 
30 dias 
 
Inquérito Policial Federal 
 
 
15 + 15 
 
30 dias 
 
Lei de Drogas 
 
 
30 + 30 
 
90 + 90 
 
Crimes contra a Economia 
Popular 
 
 
10 
 
10 
 
Prisão Temporária em IP 
que apura Crimes Hediondos 
e Equiparados 
 
 
30 + 30 
 
Não se aplica 
 
*Sendo investigado solto, doutrina e jurisprudência admitem a prorrogação sucessiva do 
prazo para a conclusão do IP. 
 
 
 
 
 
2 DE LIMA, Renato Brasileiro. Manual de Processo Penal. 8ª ed. Salvador: JUSPODIVM, 2020, p. 230. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7960.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7960.htm
 
7 
 
6. Relatório Final 
 
Art. 10, §1º, CPP 
 
O Delegado deverá fazer relatório final sobre o IP, sintetizando os fatos, 
apontando as diligências realizadas e oferecendo uma análise sobre a ocorrência ou não 
do crime. 
 
O Delegado, ainda, pode apontar em que crime incorreu o investigado, 
bem como apresentar requerimento de busca e apreensão ou prisão preventiva. 
 
Na hipótese da Lei de Drogas, o delegado deverá observar os requisitos do 
art. 52, I, da referida Lei 11.343/2006: 
 
Art. 52. Findos os prazos a que se refere o art. 51 desta Lei, a autoridade 
de polícia judiciária, remetendo os autos do inquérito ao juízo: 
 
I - relatará sumariamente as circunstâncias do fato, justificando as razões 
que a levaram à classificação do delito, indicando a quantidade e natureza da 
substância ou do produto apreendido, o local e as condições em que se desenvolveu a 
ação criminosa, as circunstâncias da prisão, a conduta, a qualificação e os 
antecedentes do agente; ou 
 
Nesse caso, o delegado estará emitindo um juízo de valor sobre a conduta. 
Trata-se de medida necessária, pois em se tratando de lei de drogas, deverão estar 
presentes circunstâncias que sejam capazes de diferenciar a simples posse da droga para 
consumo pessoal da posse da droga com fins de traficância. 
 
7. Encaminhamento dos Autos do IP Finalizado 
 
A quem o Delegado encaminha o IP finalizado? 
 
Na verdade, diferentemente do que dispõe o artigo 10, §1º, CPP, os autos 
do IP concluído NÃO serão encaminhados ao JUIZ, mas SIM ao MP, titular da ação 
penal. A CF/88 ADOTOU O SISTEMA ACUSATÓRIO. SEPARAÇÃO DE 
FUNÇÕES ACUSATÓRIA E JUDICIAL. Trata-se de previsão legal, pois, não 
recepcionada pela CF/88. 
 
Nos IP em que são apurados crimes de ação penal privada, encaminhará 
sim ao juiz competente, aguardando-se manifestação do ofendido (querelante) sobre a 
propositura da ação penal privada. 
 
8. Providências do MP 
 
8.1 Realização de Acordo de Não Persecução Penal – Art. 28-A, CPP 
 
 
8 
 
8.2 Oferecimento da Denúncia: concordando com as conclusões obtidas 
em sede de IP, o MP denunciará o investigado, com base nas provas colhidas nas 
investigações. 
 
8.3 Arquivamento do IP 
 
8.4 Requerimento de Diligências Necessárias – art. 16, CPP 
 
O MP, caso entenda que o fato não esteja devidamente elucidado, pode 
requerer novas diligências ao delegado. As novas diligências devem ser imprescindíveispara a propositura da ação penal. Ex.: oitiva de testemunha essencial ao entendimento 
do fato investigado. 
 
8.5 Requerer Declinação de Competência 
 
Chegando à conclusão o MP Estadual de que o fato diz respeito a crime 
federal, deverá pugnar pela declinação de competência para a Justiça Federal. E vice-
versa. Juiz decidirá sobre remessa dos autos à Justiça competente. 
 
8.5 Suscitar Conflito de Atribuições 
 
IP encaminhado a órgão do MP não especializado. Deverá ser 
encaminhado à promotoria especializada para a apuração daquele caso. 
 
O MP é bastante compartimentado internamente no tocante à atribuição 
de tarefas. 
 
Pode ser, portanto, que, concluído o IP relacionado a investigação de 
combate à corrupção, seja encaminhado o IP para o GAECC (Grupo de Atuação 
Especializada no Combate à Corrupção), mas verificará o promotor que naquele caso há 
indícios de atuação de crime organizado, o que ensejará o encaminhamento do caso ao 
GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). 
 
9. Arquivamento e Desarquivamento do IP 
 
CPP 
 
Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, 
requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, 
no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou 
peças de informação ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro 
órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao 
qual só então estará o juiz obrigado a atender. 
 
Alguns podem até fazer a seguinte indagação: se o domínio da ação penal 
pertence ao Ministério Público, por que o pedido de arquivamento deve passar pela 
análise do Poder Judiciário? A resposta surge de imediato. É bem verdade que o dominus 
 
9 
 
littis é do Ministério Público, mas em virtude de um princípio aplicado a ação penal 
pública, deve o pedido de arquivamento passar pela deliberação do Juiz. O princípio o 
qual nos referimos é o da obrigatoriedade da ação penal. 
 
Destarte, é necessário submeter o pedido de arquivamento ao judiciário, 
para que este fiscalize e faça valer se for o caso, o princípio da obrigatoriedade da ação 
penal. 
 
Princípio da obrigatoriedade: o MP tem o dever de oferecer a denúncia 
sempre que estiver diante de indícios de fato criminoso, dotado de punibilidade concreta. 
O MP é obrigado, pois, a promover a ação penal se estiver diante de fato que, a seu ver, 
configure infração penal. Não há, portanto, discricionariedade, ou seja, o MP não pode, 
por critério de conveniência ou oportunidade, escolher promover a ação penal ou não. 
 
O fato de o juiz, portanto, analisar o pedido de arquivamento tem direta 
relação com a fiscalização do cumprimento do princípio da obrigatoriedade pelo MP. 
 
O princípio da obrigatoriedade continua merecendo prestígio, mas 
devemos lembrar que com a redação do novo art. 28 do CPP, pela Lei 13.964/2019, não 
mais caberá ao juiz realizar tal tarefa de fiscalizar a observância a tal princípio. 
 
Eis o que diz o novo art. 28: 
 
Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer 
elementos informativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público comunicará à 
vítima, ao investigado e à autoridade policial e encaminhará os autos para a instância de 
revisão ministerial para fins de homologação, na forma da lei. (Redação dada pela Lei nº 
13.964, de 2019) 
 
§ 1º Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar com o 
arquivamento do inquérito policial, poderá, no prazo de 30 (trinta) dias do recebimento da 
comunicação, submeter a matéria à revisão da instância competente do órgão ministerial, 
conforme dispuser a respectiva lei orgânica. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
 
§ 2º Nas ações penais relativas a crimes praticados em detrimento da União, 
Estados e Municípios, a revisão do arquivamento do inquérito policial poderá ser 
provocada pela chefia do órgão a quem couber a sua representação judicial. 
 
A partir da Lei 13.964/2019, o arquivamento será realizado por 
determinação do próprio promotor. Caberá à vítima, ao representante legal desta ou à 
chefia do órgão público (em crimes praticados contra a União, Estados ou Municípios) 
recorrer dessa decisão de arquivamento à órgão superior do MP, que deverá analisar a 
impugnação e emitir decisão concordando ou não com o arquivamento. 
 
Frisa-se, novamente, que o NOVO artigo 28 está com a vigência suspensa, 
haja vista decisão proferida pelo STF (ADI’s 6298, 6299, 6300 e 6305). 
 
 
10 
 
9.1 Fundamentos que Dão Ensejo ao Arquivamento 
 
O CPP não traz os motivos pelos quais o MP pedirá o arquivamento ou as 
situações em que o juiz poderá arquivá-lo. 
 
LACUNA LEGAL GRAVE. O CPP DEVERIA ESTABELECER 
QUANDO O MP ESTARIA AUTORIZADO A REQUERER/DETERMINAR O 
ARQUIVAMENTO E QUANDO DEVERIA PROPOR A AÇÃO PENAL. 
 
Desse modo, aplicam-se, por analogia, os artigos 395, que traz as hipóteses 
de rejeição da denúncia e 397 do CPP, que permitem a absolvição sumária. 
 
O art. 395, portanto, está presente no CPP de modo a orientar o juiz no 
momento de recebimento ou rejeição da denúncia, ou seja, já proposta a ação penal, o 
juiz poderá rejeitá-la por não estarem presentes requisitos mínimos para o 
processamento daquela ação, dentre os quais a justa causa, que, grosso modo, significa 
que não há indícios mínimos, sequer resquícios de materialidade ou autoria da infração 
penal, o que permitirá ao juiz sequer receber a denúncia. 
 
Aplicando-se tal artigo, por analogia, à hipótese de arquivamento de IP, o 
MP, portanto, se deparando com situação em que não há sequer resquício de dados que 
apontem a ocorrência do crime ou a autoria do indiciado, estará autorizado a pedir o 
arquivamento do IP, sendo tal requerimento analisado pelo juiz. (MATERIAL 
PROBATÓRIO INSUFICIENTE) 
 
De igual modo, em se tratando de hipótese de absolvição sumária, prevista 
no artigo 397 do CPP, também vamos aplicá-la por analogia para analisar se é a hipótese 
de requerer o arquivamento do IP. 
 
A absolvição sumária no processo já ajuizado pode ocorrer depois da 
apresentação da defesa pelo Réu, momento no qual o acusado pode apresentar ao juiz 
alegação de: 
 
i) excludente de ilicitude (legítima defesa, estado de necessidade, 
exercício regular do direito, estrito cumprimento do dever legal) – art. 23, I a III do CP; 
 
ii) excludente de culpabilidade (inexigibilidade de conduta diversa) – art. 
22, CP; 
 
iii) o fato não constitui crime (fato atípico); 
 
iv) extinção de punibilidade. 
 
Desse modo, sempre que o MP se deparar com essas questões e se entendê-
las presente no caso concreto, poderá, desde logo, pedir/determinar o arquivamento do 
IP. 
 
 
11 
 
9.2 Modalidades de Arquivamento (Levando-se em conta o Ainda 
Vigente Art. 28, anterior à Lei 13.964/2019) 
 
9.2.1 Direto 
 
Formulado expressamente pelo MP, sendo acatado pelo juiz. 
 
OBS.: e se o juiz não concordar com o pedido de arquivamento feito pelo 
MP? Segue-se o artigo 28 do CPP, vindo o juiz a encaminhar os autos ao Procurador-
Geral, órgão máximo do MP na respectiva jurisdição, vindo o Procurador a: 
 
a) propor a denúncia; 
 
b) designar outro promotor, para que a proponha; 
 
c) concordar com o pedido de arquivamento, situação em que o juiz a 
acatará. 
 
9.2.2 Indireto 
 
O MP, em vez de oferecer a denúncia, o MP pede pela remessa dos autos 
ao juízo competente. Ocorre, por exemplo, se o MP Estadual entender que o crime 
apurado nos autos é de competência da Justiça Federal. 
 
O MP Estadual, então, pede que o IP seja encaminhado ao juízo 
competente (Justiça Federal), sendo lá submetido ao MPF que avaliará a viabilidade da 
ação penal. 
 
Haja vista que essa providência, caso acatada pelo juiz, encerra o 
procedimento no âmbito da Justiça Estadual, considera-se que é um arquivamento 
indireto. 
 
Seo juiz não concordar com a remessa dos autos à Justiça Federal, a 
solução será a mesma do 28 do CPP, ou seja, os autos serão encaminhados ao 
Procurador-Geral, que analisará o caso e poderá propor a denúncia, designar outro 
promotor para oferecê-la ou concordar com o promotor que pediu a remessa dos autos 
à Justiça Federal, situação em que o juiz terá de acatar a remessa. 
 
Ex.: notitia criminis sobre indivíduo em Campos que esteja utilizando 
documentos falsos (RG falso, por exemplo). Art. 304, CP. 2 a 6 anos. RG expedido pelo 
DETRAN/RJ. Em tese, pode se pensar que se o documento é expedido por órgão 
estadual, a competência será da Justiça Estadual, motivo pelo qual tramita o IP vinculado 
à uma Vara Criminal da Comarca de Campos. Porém, no decorrer do IP apura-se que o 
uso do documento falso somente ocorreu no âmbito do INSS (órgão federal). 
 
Há súmula do STJ sobre o tema: 
 
 
12 
 
Súmula 546-STJ: A competência para processar e julgar o crime de 
uso de documento falso é firmada em razão da entidade ou órgão ao qual foi 
apresentado o documento público, não importando a qualificação do órgão 
expedidor. 
 
Ou seja, nesse caso o MP Estadual, apurando que o documento falso 
somente foi usado no âmbito de autarquia federal, deverá requerer o encaminhamento 
do IP para a Justiça Federal. 
 
9.3.3 Implícito (Previsão Doutrinária, somente) 
 
Ao oferecer a denúncia, o MP deixa de incluir algum fato ou um dos 
indiciados. 
 
IP que é concluído com relatório final do delegado, apontando, em tese, o 
envolvimento de três indivíduos na prática do crime. 
 
MP oferece denúncia somente contra dois dos envolvidos, deixando um 
deles livre da ação penal. (ARQUIVAMENTO IMPLÍCITO SUBJETIVO) 
 
Considera-se nesse caso que em relação ao terceiro ocorreu um 
arquivamento implícito, pois o MP nada disse, nada fundamentou, apenas o excluiu do 
polo passivo da ação penal. 
 
De igual modo, pode ser que estivessem sendo investigados dois crimes: 
peculato e corrupção passiva. O MP, no entanto, somente propõe ação penal abordando 
a tese de crime de peculato. Ora, nesse caso, considera-se que em relação ao crime de 
corrupção passiva, ocorreu um arquivamento implícito. (ARQUIVAMENTO 
IMPLÍCITO OBJETIVO) 
 
O que caracteriza o arquivamento ser implícito é justamente a ausência de 
fundamentação do MP para não propor a ação penal em face daquele indivíduo ou em 
relação a certo fato apurado no IP. 
 
ATENÇÃO: NÃO É ADMITIDA ESSA MODALIDADE EM NOSSO 
ORDENAMENTO JURÍDICO, HAJA VISTA QUE PELO PRINCÍPIO DA 
OBRIGATORIEDADE O MP TEM O DEVER DE PROPOR A AÇÃO PENAL E SE 
ESTIVER CONVENCIDO DA AUSÊNCIA DE PROVA OU DE FATO CRIMINOSO 
EM SI DEVE REQUERER EXPRESSAMENTE O ARQUIVAMENTO AO PODER 
JUDICIÁRIO. 
 
MP, CASO NÃO PROPONHA A AÇÃO PENAL CONTRA OS 
INVESTIGADOS, DEVE REQUERER EXPRESSAMENTE E APRESENTAR 
FUNDAMENTOS PARA TAL PROMOÇÃO. 
 
O juiz, portanto, deve analisar cuidadosamente o IP e eventual Denúncia, 
a fim de verificar se o MP abriu mão de propor ação penal em face de algum dos 
 
13 
 
indiciados ou diante de um eventual fato criminoso. Caso o juiz verifique que o MP não 
promoveu ação penal contra um dos indiciados, por exemplo, deve intimar o MP para 
que se manifeste expressamente, seja para denunciar o indiciado faltante, seja para 
requerer/determinar o arquivamento do IP em relação a tal investigado. 
 
Caso o juiz não perceba que o MP abriu mão de promover ação penal em 
face de um dos indiciados, por exemplo, poderá a vítima ou seu representante legal 
propor ação penal privada subsidiária da pública. Art. 29, CPP e 100, §3º, CP. 
 
TODAVIA, segundo doutrina minoritária (Afrânio Silva Jardim) que 
criou a tese do arquivamento implícito, se o MP não propõe ação penal em face de algum 
dos envolvidos apontados pelo IP ou deixa de propor ação em relação a uma das 
infrações penais apuradas, não verificando o juiz tal incongruência, ocorrerá sim o 
arquivamento implícito e não poderá o MP propor denúncia posteriormente, senão 
quando presentes novas provas. 
 
Na prática, contudo, o MP poderá sim aditar a denúncia a posteriori, pois 
para que se dê arquivamento, imprescindível decisão judicial a respeito. 
 
Ou, ainda, como dito acima, o ofendido poderá propor ação penal privada 
subsidiária da pública. Art. 29, CPP. 
 
9.3 (I)Recorribilidade Contra a Decisão de Arquivamento 
 
Em regra, é decisão irrecorrível. Não cabe recurso. 
 
Imaginemos que a suposta vítima do crime, diante do pedido de 
arquivamento pelo MP e diante do efetivo arquivamento do IP pelo juiz, não se 
conforme? Nada poderá fazer. Não há recurso cabível para tal situação. 
 
Exceções: 
 
A) Recurso de Ofício (Crimes contra a Saúde Pública ou Economia 
Popular – Lei 1521/51, art. 7º): quando o juiz arquiva o IP, automaticamente remeterá o 
processo à 2ª instância, onde será reanalisada a decisão de arquivamento. 
 
Art. 7º. Os juízes recorrerão de ofício sempre que absolverem os acusados 
em processo por crime contra a economia popular ou contra a saúde pública, ou quando 
determinarem o arquivamento dos autos do respectivo inquérito policial. 
 
Exemplos de crimes contra a economia popular: vender mercadorias 
abaixo do preço de custo para eliminar a concorrência; gestão fraudulenta de bancos; 
 
B) atribuição originária do Procurador-Geral de Justiça: ex: crimes 
cometidos pelo governador do Estado. É da atribuição originária do PGJ a propositura 
da ação penal. Nesse caso, quando o PGJ postula pelo arquivamento, em havendo 
requerimento para revisão desse pedido, serão encaminhados os autos ao Colégio de 
 
14 
 
Procuradores, a fim de que estes analisem a viabilidade jurídica ou não do arquivamento. 
(Lei 8625/92 (Lei Orgânica do MP, Art. 12, XI)) 
 
Art. 12. O Colégio de Procuradores de Justiça é composto por todos os 
Procuradores de Justiça, competindo-lhe: 
 
XI - rever, mediante requerimento de legítimo interessado, nos termos da 
Lei Orgânica, decisão de arquivamento de inquérito policial ou peças de informações 
determinada pelo Procurador-Geral de Justiça, nos casos de sua atribuição originária 
 
C) Contravenção do Jogo do Bicho e Corridas de Cavalo Fora do 
Hipódromo 
 
Lei 1508/51 (Art. 6º, P. Ú): 
 
Art. 6º Quando qualquer do povo provocar a iniciativa do Ministério 
Público, nos têrmos do Art. 27 do Código do Processo Penal, para o processo tratado 
nesta lei, a representação, depois do registro pelo distribuidor do juízo, será por êste 
enviada, incontinenti, ao Promotor Público, para os fins legais. 
 
Parágrafo único. Se a representação fôr arquivada, poderá o seu autor 
interpôr recurso no sentido estrito. 
 
De acordo com o novo artigo 28, §1º (não vigente ainda), caso o MP 
ordene o arquivamento do IP, a vítima ou seu representante legal poderá requerer a 
reconsideração dessa determinação ao órgão revisor na estrutura do MP. De todo modo, 
essa revisão também será feita de forma automática, segundo o novo artigo 28, caput. 
 
9.5 Retratação do Pedido de Arquivamento: é possível? 
 
STF já se manifestou contrariamente (STF – Inq. Nº 2028/BA) à 
possibilidade de retratação. Somente poderia o MP voltar atrás do arquivamento e 
propor a ação penal se surgissem novas provas. 
 
Seria aplicada nesse caso a Súmula 524 do STF: 
 
“Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do 
promotor de justiça, NÃO PODE A AÇÃO PENAL SER INICIADA, SEM NOVAS 
PROVAS”. 
 
10. Desarquivamento 
 
Arquivado o IP, não mais poderá ser investigado aquele fato supostamente 
criminoso? 
 
R: somente poderá ser novamente investigado se surgirem NOTÍCIAS de 
novas provas. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del3689.htm#art27
 
15 
 
 
Ou seja, a decisão que determina o arquivamento do IP não transita em 
julgado. 
 
ATENÇÃO à leitura do artigo 18 do CPP e da Súmula 524 do STF: 
 
“Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento doinquérito pela 
autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá 
proceder a novas pesquisas, se de outras provas TIVER NOTÍCIA”. 
 
Súmula 524 do STF: 
 
“Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do 
promotor de justiça, NÃO PODE A AÇÃO PENAL SER INICIADA, SEM NOVAS 
PROVAS”. 
 
Em surgindo NOTÍCIAS DE NOVAS PROVAS, é possível a reabertura 
do IP. 
 
Mas para propositura de ação penal, será necessário que a partir de tais 
notícias, SEJAM PRODUZIDAS, DE FATO, NOVAS PROVAS. 
 
Em resumo, sem NOTÍCIA de prova nova o inquérito policial não pode 
ser desarquivado, e sem PRODUÇÃO de prova nova não pode ser proposta ação penal. 
 
Então, o artigo 18 e a Súmula 524, STF, tratam de assuntos parecidos, mas 
não iguais. 
 
10.1 Desarquivamento do IP – Impossibilidade em Certos Casos 
 
Cabe uma pergunta: sempre será possível o desarquivamento do IP? 
Veremos que em duas hipóteses, não será possível o desarquivamento do IP. 
 
10.1.1 Em caso de arquivamento por atipicidade 
 
Seja o arquivamento em decorrência de atipicidade formal ou material 
(princípio da insignificância), não mais será possível o desarquivamento do inquérito, 
considerando-se que a decisão que determinou seu arquivamento fez coisa julgada 
material. 
 
O STF já decidiu que se o arquivamento se deu por ter sido reconhecida a 
ATIPICIDADE (FORMAL OU MATERIAL) do fato, a decisão de arquivamento faz 
coisa julgada material. (Crime: fato típico, antijurídico e culpável). 
 
Em se tratando de atipicidade formal, foi constatada a presença de um fato, 
houve especificamente prova do fato, mas tal acontecimento não está previsto 
 
16 
 
legalmente como crime. Ex.: prostituição. Prostituir-se não é crime. A exploração da 
prostituição alheia que o é (art. 230, CP – Rufianismo). 
 
10.1.2 Em caso de arquivamento com fundamento em excludente de 
ilicitude ou culpabilidade 
 
A tese que prevalece hoje no STF (nem sempre foi assim, pois esse 
Tribunal já decidiu de modo diverso) é a de que pode ser desarquivado o IP que tenha 
sido arquivado com base em excludente de ilicitude, seguindo-se exatamente o que 
dizem os artigos 18 do CPP e a Súmula 524 do STF, não se fazendo distinção nesse 
particular se o fundamento que gerou o arquivamento do IP foi levado a efeito por 
excludente de ilicitude. (INFO 796 / INFO 858) 
 
Ou seja, para o STF a decisão de arquivamento do IP com base em 
excludente de ilicitude não faz coisa julgada material. 
 
“HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. TRANCAMENTO DE 
AÇÃO PENAL. INQUÉRITO POLICIAL: ARQUIVAMENTO ORDENADO POR JUIZ 
COMPETENTE A PEDIDO DO MINISTÉRIO PÚBLICO, COM BASE NO ESTRITO 
CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL. EXCLUDENTE DE ILICITUDE. 
ANTIJURIDICIDADE. DESARQUIVAMENTO. NOVAS PROVAS: POSSIBILIDADE. 
SÚMULA 524 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ORDEM DENEGADA. 1. A 
decisão que determina o arquivamento de inquérito policial, a pedido do Ministério 
Público e determinada por juiz competente, que reconhece que o fato apurado está 
coberto por excludente de ilicitude, não afasta a ocorrência de crime quando surgirem 
novas provas, suficientes para justificar o desarquivamento do inquérito, como autoriza 
a Súmula 524 deste Supremo Tribunal Federal. 2. Habeas corpus conhecido e 
denegado. (HC 95211, CÁRMEN LÚCIA, Primeira Turma, julgado em 10.3.2009)”. 
 
Trecho de Voto de Gilmar Mendes (HC 125.101 - SP): 
 
“Não vislumbro razão para essa diferença de tratamento [possibilidade 
de desarquivamento no caso de arquivamento por falta de provas e impossibilidade de 
desarquivamento por ter ocorrido arquivamento com base em excludente de ilicitude]. 
E, como já afirmado, tenho que a prova, nessa fase processual, não pode ser tida por 
definitiva. Em suma, tenho que a eficácia preclusiva do arquivamento está limitada a 
impedir a propositura da ação penal em face da reavaliação dos mesmos fatos. Com 
novas provas, apontando para nova versão dos fatos, sempre é viável a retomada da 
investigação, independentemente do fundamento do arquivamento. Esse entendimento 
está em perfeita sintonia com a garantia contra dupla incriminação. O artigo 8º, 4, do 
Pacto de São José da Costa Rica estabelece que “o acusado absolvido por sentença 
transitada em julgado não poderá ser submetido a novo processo pelos mesmos fatos”. 
Trata-se de garantia institucional, a ser moldada pelo direito interno, de acordo com 
suas características. Em nosso direito, como visto, o arquivamento do inquérito ocorre 
justamente quando o Ministério Pública deixa de promover a ação penal. Assim, não 
há que se falar em “acusado” ou “absolvição”, na medida em que, naquele momento, 
a ação penal não foi intentada”. 
 
17 
 
 
Ou seja, o STF segue à risca o que dispõe o artigo 18 do CPP e a Súmula 
524 do próprio Supremo, não enxergando distinção para hipóteses de desarquivamento 
de IP, sendo possível o desarquivamento diante de notícias de novas elementos 
probatórios. 
 
Há corrente jurisprudencial contrária no STJ (RESP 791.471), para o qual 
o arquivamento do IP com base em excludente de ilicitude faz sim coisa julgada 
material. (INFO 554) 
 
“Deste modo, não houve arquivamento por falta de suporte probatório 
mínimo (indícios de autoria e certeza de materialidade), mas por reconhecimento de 
causa excludente da ilicitude - questão de mérito, que faz coisa julgada e impede a 
rediscussão do caso penal. O mencionado art. 18 do CPP - e pertinente Súmula 524/STF 
- permite o desarquivamento do inquérito, pelo surgimento de provas novas, mas tal 
permissão legal somente pode ser compreendida nos limites do arquivamento por falta 
de provas. Pensar o contrário, concessa venia, permitiria a reabertura de inquéritos 
por revaloração jurídica e afastaria a segurança jurídica das soluções judiciais de 
mérito, como no reconhecimento da extinção da punibilidade (por morte do agente, 
prescrição...), da atipia ou, como na espécie, de excludentes da ilicitude. 
 
A decisão judicial que define o mérito do caso penal, mesmo no 
arquivamento do inquérito policial, gera efeitos de coisa julgada material. Note-se, 
aliás, que a decisão judicial que examina o mérito e reconhece a atipia ou a excludente 
da ilicitude, é prolatada somente em caso de convencimento com grau de certeza 
jurídica pelo magistrado. Na dúvida se o fato deu-se em legítima defesa, a previsão 
legal de presença de suporte probatório de autoria e materialidade exigiria o 
desenvolvimento da persecução criminal. Se reconheceu o juiz a legitima defesa, o fez 
com grau de certeza jurídica e sua decisão gera coisa julgada material. 
 
O STJ considera, portanto, que sempre que o arquivamento do IP ocorrer 
por falta de provas, em surgindo provas novas poderá ser desarquivado. Defende o STJ, 
contudo, que existindo arquivamento por ter sido analisada a situação e verificada a 
existência de excludente de ilicitude ou culpabilidade, por exemplo, o arquivamento não 
foi realizado com base em frágil arcabouço probatório, mas sim com fundamento em 
juízo certeza jurídica. 
 
O posicionamento do STJ está mais voltado ao princípio da segurança 
jurídica. 
 
O posicionamento do STF está mais voltado à interpretação literal do 
artigo 18 do CPP, que não faz distinção sobre as possibilidades de desarquivamento. 
Leva o STF em consideração, portanto, a regra de hermenêutica de que “onde o 
legislador não distinguiu, não cabe ao intérprete fazê-lo”. 
 
 
 
 
18 
 
11. Trancamento do IP 
 
IP instaurado contra a pessoa. O indiciado pode fazer algo? 
 
Obviamente, o trâmite IP gera sentimento de insegurança para o indiciado 
que pode ter sua liberdade/intimidade/privacidade restringida a qualquer momento a 
depender do rumo das investigações. 
 
Caso o indiciado considere que a instauração do IP se deu de forma abusiva, 
inexistindo qualquer motivo para que seja alvo de tal investigação, poderá se valer de 
HCpara trancamento do IP. 
 
Trata-se, certamente, de medida de natureza excepcional.

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