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FILOSOFIA NO ENEM
2012-2018:
UMA ANÁLISE DA COBERTURA 
DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS NORTEADORES
Ester Pereira Neves de Macedo
Presidência da República Federativa do Brasil
Ministério da Educação | MEC
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira | Inep
Diretoria de Avaliação da Educação Básica | Daeb
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
1
Brasília-DF
Inep/MEC
2022
Filosofia no Enem 2012-2018: 
uma análise da cobertura 
de Filosofia no exame e de 
sua adesão aos documentos 
norteadores*
Ester Pereira Neves de Macedo**
* Resultado de pesquisa realizada durante estágio de pós-doutorado em Estudos Comparados em Educação na Faculdade 
de Educação da Universidade de Brasília (UnB) com o Grupo de Pesquisa Gerações e Juventude (Geraju), sob a supervisão da 
Professora Doutora Wivian Weller conforme processo 23036.006540/2018. Parte da pesquisa originou artigos científicos que 
estão em fase de publicação: (i) revista Pró-Posições da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), artigo “Debater para 
encontrar caminhos: a evolução da presença da Filosofia ao longo dos vinte anos do Enem (1998-2018)”, e (ii) revista Educação 
e Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), artigo “Filosofia nas Orientações Curriculares para o Ensino Médio e no Enem: 
lacunas temporais e conceituais”. 
** Pesquisadora-Tecnologista na Diretoria de Avaliação da Educação Básica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais 
Anísio Teixeira (Inep) desde 2013. Atuou na área pedagógica do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), do Exame Nacional para 
Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), na capacitação 
de elaboradores e revisores de itens, na produção de itens e instrumentos e nos processos de articulação e divulgação. Realizou 
pós-doutorado em Estudos Comparados em Educação na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (2019) e em Filosofia 
Antiga junto à Cátedra da Unesco Archai, com sede na mesma universidade (2012). É doutora em Filosofia da Educação pela 
Universidade de Toronto/Ontario Institute for Studies in Education: Department of Theory and Policy Studies, Canadá (2011). 
Possui mestrado em Filosofia Antiga pela Universidade de Toronto – Canadá (2005) e em Letras Clássicas pela Universidade de 
Pittsburgh – Estados Unidos (2002). Graduação em Filosofia e Letras Clássicas (Línguas e Literaturas Grega e Latina) – McGill 
University – Montreal (2001), após passagem inicial pela Unicamp (1998). 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
2
GOVERNO FEDERAL
MINISTRO DA EDUCAÇÃO
Victor Godoy Veiga
PRESIDENTE DO INEP
Danilo Dupas Ribeiro
DIRETORA DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO BÁSICA
Michele Cristina Silva Melo
DIRETOR DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO 
SUPERIOR
Leonardo Monteiro de Souza Tostes
DIRETOR DE ESTATÍSTICAS EDUCACIONAIS
Carlos Eduardo Moreno Sampaio
DIRETOR DE ESTUDOS EDUCACIONAIS
Luís Filipe de Miranda Grochocki
DIRETOR DE GESTÃO E PLANEJAMENTO
Jôfran Lima Roseno
DIRETOR DE TECNOLOGIA E DISSEMINAÇÃO 
DE INFORMAÇÕES EDUCACIONAIS
Fernando Szimanski
ASSESSORA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
Fernanda Falcão Malaquias Cabizuca (Substituta)
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)
É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte.
DIRETORIA DE ESTUDOS EDUCACIONAIS (DIRED)
DIRETOR
Luís Filipe de Miranda Grochocki
COORDENAÇÃO-GERAL DE INSTRUMENTOS E 
MEDIDAS EDUCACIONAIS (CGIME)
Gustavo Henrique Moraes
CENTRO DE INFORMAÇÕES E BIBLIOTECA 
EM EDUCAÇÃO (CIBEC)
Augusto Marques de Castro Oliveira
COORDENAÇÃO DE EDITORAÇÃO E PUBLICAÇÕES 
(COEP)
Priscila Pereira Santos
ASSISTENTE TÉCNICO
Ricardo Cézar Blezer
APOIO EDITORIAL
Janaína da Costa Santos
PREPARAÇÃO DE ORIGINAL
Carla D’Lourdes do Nascimento
REVISÃO
Linguística: 
Aline Ferreira de Souza
Gráfica:
Lilian Lopes Santos
NORMALIZAÇÃO E CATALOGAÇÃO
Clarice Rodrigues da Costa
PROJETO GRÁFICO CAPA/MIOLO
Marcos Hartwich/Raphael C. Freitas
DIAGRAMAÇÃO E ARTE-FINAL
José Miguel dos Santos
Publicada on-line em julho de 2022.
DISTRIBUIÇÃO
Inep/MEC – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
Setor de Indústrias Gráficas - Quadra 04 - Lote 327, Térreo, Ala B 
CEP 70.610-908 – Brasília-DF – Brasil
Fones: (61) 2022-3070
dired.publicacoes@inep.gov.br - http://www.publicacoes.inep.gov.br
A exatidão das informações e os conceitos e opiniões emitidos 
são de exclusiva responsabilidade dos autores.
ESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SER VENDIDA. DISTRIBUIÇÃO GRATUITA.
Macedo, Ester Pereira Neves de
Filosofia no Enem 2012-2018 : uma análise da cobertura de Filosofia no exame e de sua adesão aos documentos 
norteadores / Ester Pereira Neves de Macedo. – Brasília : Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas 
Educacionais, 2021.
187 p.
ISBN: 978-65-5801-047-0 - Impresso
ISBN : 978-65-5801-041-8 [recurso eletrônico]
1. Educação - Brasil. 2. Avaliação da educação. 3. Exame Nacional do Ensino Médio. I. Título.
 CDU 373.5:37.001.7
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
3
SUMÁRIO
LISTA DE QUADROS ......................................................................................................................................5
APRESENTAÇÃO .............................................................................................................................................9
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................11
ANÁLISE DOS ITENS DE FILOSOFIA APLICADOS NO ENEM 
POR EDIÇÃO (2012-2018)
2012 ................................................................................................................................................23
ANÁLISE DA EDIÇÃO .....................................................................................................................23
APRESENTAÇÃO DOS ITENS E SUA CORRESPONDÊNCIA 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS ........................................................................................29
2013 ................................................................................................................................................43
ANÁLISE DA EDIÇÃO .....................................................................................................................43
APRESENTAÇÃO DOS ITENS E SUA CORRESPONDÊNCIA 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS ........................................................................................46
2014 ................................................................................................................................................61
ANÁLISE DA EDIÇÃO .....................................................................................................................61
APRESENTAÇÃO DOS ITENS E SUA CORRESPONDÊNCIA 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS ........................................................................................64
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
4
2015 ................................................................................................................................................79
ANÁLISE DA EDIÇÃO .....................................................................................................................79
APRESENTAÇÃO DOS ITENS E SUA CORRESPONDÊNCIA 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS ........................................................................................82
2016 ................................................................................................................................................97social.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício da 
cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS603
Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de 
suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando 
conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e 
regimes de governo, soberania etc.).
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
34
2012.25 (ZINGANO/PLATÃO)
Para Platão, o que havia de verdadeiro em Parmênides era que o objeto de conhecimento 
é um objeto de razão e não de sensação, e era preciso estabelecer uma relação entre 
objeto racional e objeto sensível ou material que privilegiasse o primeiro em detrimento 
do segundo. Lenta, mas irresistivelmente, a Doutrina das Ideias formava-se em sua 
mente.
ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. 
São Paulo: Odysseus, 2012 (adaptado). 
O texto faz referência à relação entre razão e sensação, um aspecto essencial da 
Doutrina das Ideias de Platão (427 a.C.-346 a.C.). De acordo com o texto, como Platão 
se situa diante dessa relação? 
A Estabelecendo um abismo intransponível entre as duas. 
B Privilegiando os sentidos e subordinando o conhecimento a eles. 
C Atendo-se à posição de Parmênides de que razão e sensação são inseparáveis. 
D Afirmando que a razão é capaz de gerar conhecimento, mas a sensação não. 
E Rejeitando a posição de Parmênides de que a sensação é superior à razão.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
35
QUADRO 6
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2012.25 (PLATÃO) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 07 Teoria das ideias em Platão; conhecimento e opinião; aparência 
e realidade.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H01 Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes 
documentais acerca de aspectos da cultura.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão 
de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, 
geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e 
culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
36
2012.28 (ANAXÍMENES, BASÍLIO / PRINCÍPIO ORIGINÁRIO)
TEXTO I 
Anaxímenes de Mileto disse que o ar é o elemento originário de tudo o que existe, 
existiu e existirá, e que outras coisas provêm de sua descendência. Quando o ar se 
dilata, transforma-se em fogo, ao passo que os ventos são ar condensado. As nuvens 
formam-se a partir do ar por filtragem e, ainda mais condensadas, transformam-se em 
água. A água, quando mais condensada, transforma-se em terra, e quando condensada 
ao máximo possível, transforma-se em pedras. 
BURNET, J. A aurora da filosofia grega. 
Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2006 (adaptado). 
TEXTO II 
Basílio Magno, filósofo medieval, escreveu: “Deus, como criador de todas as coisas, está 
no princípio do mundo e dos tempos. Quão parcas de conteúdo se nos apresentam, 
em face desta concepção, as especulações contraditórias dos filósofos, para os quais o 
mundo se origina, ou de algum dos quatro elementos, como ensinam os Jônios, ou dos 
átomos, como julga Demócrito. Na verdade, dão a impressão de quererem ancorar o 
mundo numa teia de aranha”.
GILSON, E.; BOEHNER, P. História da Filosofia Cristã.
São Paulo: Vozes, 1991 (adaptado). 
Filósofos dos diversos tempos históricos desenvolveram teses para explicar a origem 
do universo, a partir de uma explicação racional. As teses de Anaxímenes, filósofo 
grego antigo, e de Basílio, filósofo medieval, têm em comum na sua fundamentação 
teorias que 
A eram baseadas nas ciências da natureza. 
B refutavam as teorias de filósofos da religião. 
C tinham origem nos mitos das civilizações antigas. 
D postulavam um princípio originário para o mundo. 
E defendiam que Deus é o princípio de todas as coisas.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
37
QUADRO 7
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2012.28 (ANAXÍMENES E BASÍLIO MAGNO) EM TERMOS DE SUA 
ADESÃO AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais.
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 06 Filosofia pré-socrática; uno e múltiplo; movimento e realidade.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H04 Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre 
determinado aspecto da cultura.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de 
ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, 
políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
38
2012.30 (DESCARTES, HUME / ORIGEM DAS IDEIAS)
TEXTO I 
Experimentei algumas vezes que os sentidos eram enganosos, e é de prudência nunca 
se fiar inteiramente em quem já nos enganou uma vez. 
DESCARTES, R. Meditações Metafísicas. 
São Paulo: Abril Cultural, 1979. 
TEXTO II
Sempre que alimentarmos alguma suspeita de que uma ideia esteja sendo empregada 
sem nenhum significado, precisaremos apenas indagar: de que impressão deriva esta 
suposta ideia? E se for impossível atribuir-lhe qualquer impressão sensorial, isso servirá 
para confirmar nossa suspeita. 
HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento. 
São Paulo: Unesp, 2004 (adaptado). 
Nos textos, ambos os autores se posicionam sobre a natureza do conhecimento 
humano. A comparação dos excertos permite assumir que Descartes e Hume 
A defendem os sentidos como critério originário para considerar um conhecimento 
legítimo.
B entendem que é desnecessário suspeitar do significado de umaideia na reflexão 
filosófica e crítica. 
C são legítimos representantes do criticismo quanto à gênese do conhecimento. 
D concordam que conhecimento humano é impossível em relação às ideias e aos 
sentidos. 
E atribuem diferentes lugares ao papel dos sentidos no processo de obtenção do 
conhecimento.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
39
QUADRO 8
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2012.30 (DESCARTES E HUME) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos e 
modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 17 Teoria do conhecimento nos modernos; verdade e evidência; ideias; 
causalidade; indução; método.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as identidades.
Enem (2009)
Habilidade H04 Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre 
determinado aspecto da cultura.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais e 
culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em diferentes 
tempos, a partir da pluralidade de procedimentos epistemológicos, 
científicos e tecnológicos, de modo a compreender e posicionar-
se criticamente em relação a eles, considerando diferentes pontos 
de vista e tomando decisões baseadas em argumentos e fontes de 
natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CH101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de 
ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, 
políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
40
2012.31 (MAQUIAVEL / O PRÍNCIPE)
Não ignoro a opinião antiga e muito difundida de que o que acontece no mundo é 
decidido por Deus e pelo acaso. Essa opinião é muito aceita em nossos dias, devido 
às grandes transformações ocorridas, e que ocorrem diariamente, as quais escapam à 
conjectura humana. Não obstante, para não ignorar inteiramente o nosso livre-arbítrio, 
creio que se pode aceitar que a sorte decida metade dos nossos atos, mas [o livre-
arbítrio] nos permite o controle sobre a outra metade. 
MAQUIAVEL, N. O Príncipe. 
Brasília: EdUnB, 1979 (adaptado). 
Em O Príncipe, Maquiavel refletiu sobre o exercício do poder em seu tempo. No trecho 
citado, o autor demonstra o vínculo entre o seu pensamento político e o humanismo 
renascentista ao
A valorizar a interferência divina nos acontecimentos definidores do seu tempo. 
B rejeitar a intervenção do acaso nos processos políticos. 
C afirmar a confiança na razão autônoma como fundamento da ação humana. 
D romper com a tradição que valorizava o passado como fonte de aprendizagem. 
E redefinir a ação política com base na unidade entre fé e razão.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
41
QUADRO 9
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2012.31 (MAQUIAVEL) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos e 
modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) II.3 Ética e política.
Ocem (2006) 18 Vontade divina e liberdade humana.
Enem (2009)
Competência C5
Compreender a produção e o papel histórico das instituições 
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes 
grupos, conflitos e movimentos sociais.
Enem (2009)
Habilidade H23 Analisar o papel da justiça como instituição na organização das 
sociedades.
BNCC (2018)
Competência C5
Identificar e combater as diversas formas de injustiça, preconceito 
e violência, adotando princípios éticos, democráticos, inclusivos 
e solidários, e respeitando os Direitos Humanos.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS501
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, 
tempos e espaços, identificando processos que contribuem 
para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a 
cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência 
democrática e a solidariedade.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
42
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
43
2013
ANÁLISE DA EDIÇÃO
A prova de 2013 segue a tendência quantitativa e qualitativa da edição anterior 
em relação à Filosofia: foram sete itens com estilos parecidos. Em termos de autores, por 
exemplo, dos sete utilizados, quatro haviam aparecido também na prova de 2012: Maquiavel, 
Montesquieu, Kant e Descartes, sendo que, no caso deste último, são dois itens sobre ele 
nesta mesma prova. Dos sete itens, um é de filosofia antiga (Aristóteles) e os outros seis são 
de filosofia moderna.
Em relação à matriz do Enem, assim como em 2012, foram mobilizadas cinco 
habilidades: a H12 e a H23 tiveram dois itens cada e a H1, a H4 e a H20 contaram com um 
item cada. As habilidades H1, H4 e H23 haviam sido representadas na prova de 2012. Já 
a H12, “Analisar o papel da justiça como instituição na organização das sociedades”, que 
até 2010 era a habilidade com mais itens de Filosofia, com quatro itens, desde então, não 
aparecia no exame. Por outro lado, a H20, “Selecionar argumentos favoráveis ou contrários 
às modificações impostas pelas novas tecnologias à vida social e ao mundo do trabalho”, 
nunca havia sido demandada por um item de Filosofia, configurando também a primeira vez 
que uma habilidade da competência C4, “Entender as transformações técnicas e tecnológicas 
e seu impacto nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vida 
social”, foi acionada por um item da área. Quanto à distribuição de competências exigidas 
pelos itens de Filosofia, a prova de 2013 amplia a cobertura da prova de 2012 de duas para 
quatro competências: são dois itens requisitando habilidades da competência C1, dois da C3, 
um da C4 e dois da C5. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
44
PCN
Em termos dos PCN, todos os sete itens exercitam a competência 1a, “Ler textos 
filosóficos de modo significativo”. Além dela, dois itens (o 36 sobre Kant e o 41 sobre Descartes 
e Bacon) exigem simultaneamente a competência 2, “Articular conhecimentos filosóficos e 
diferentes conteúdos e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas Artes e em 
outras produções culturais”, e a competência 3, “Contextualizar conhecimentos filosóficos, 
tanto no plano de sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-biográfico; o 
entorno sócio-político, histórico e cultural; o horizonte da sociedade científico-tecnológica.” 
Outros dois itens trabalham a competência 1a em conjunção somente com a competência 3, 
de contextualização: o 22, sobre a teoria da independência entre os poderes em Montesquieu, 
e o 24, que insere o modelo do panóptico de Bentham como uma característica das sociedades 
contemporâneas.
Com exceção dos dois itens sobre Descartes, que utilizaram textos de fonte secundária 
e com adaptações(04 e 41), todos os outros sete textos são de fonte primária, mantendo 
a proporção de primária para secundária em relação à prova de 2012. Com cinco textos 
sinalizando adaptações para três textos sem estas, a proporção é muito próxima à de 2012, 
que foi de seis textos adaptados para dois sem essa indicação.
PCN+
Quanto aos eixos temáticos de Filosofia dos PCN+, observa-se aqui mais uma vez uma 
distribuição parecida com a de 2012. Foram três itens no eixo I, “Poder e Democracia” – dois 
abordam o tema I.2, “A democracia contemporânea”: um com texto de Montesquieu e um com 
texto de Habermas. O terceiro item nesse eixo, sobre o panóptico de Bentham, trabalha o 
tema I.3, “O avesso da democracia”. O eixo II, “Construção do Sujeito Moral”, foi representado 
por dois itens: o 27, com texto de Aristóteles, trabalhou o tema II.1, “Autonomia e liberdade”, e 
o 10, com texto de Maquiavel, o tema 3. Já no eixo III, “O Que É Filosofia”, foram três itens. Dois 
se inserem no tema III.1, “Filosofia, mito e senso comum”: o item 4, com texto de Descartes, e 
o 36, com texto de Kant. Também nesse eixo está o item 31, que compara Descartes a Bacon, 
acionando assim o tema III.2, “Filosofia, ciência e tecnocracia”. 
OCEM
A prova de 2013 traz cinco conteúdos de Filosofia propostos pelas Ocem, sendo que 
três aparecem pela primeira vez: o conteúdo 9, “a ética antiga; Platão, Aristóteles e filósofos 
helenistas”, o 21, “razão e entendimento; razão e sensibilidade; intuição e conceito”, e o 
23, “idealismo alemão; filosofias da história”. O conteúdo 17, “teoria do conhecimento nos 
modernos; verdade e evidência; ideias; causalidade; indução; método”, novidade até o ano 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
45
anterior, aparece pelo segundo ano consecutivo, em um item sobre o papel da dúvida segundo 
Descartes (item 04). Na falta de conteúdos mais específicos para a filosofia política nas Ocem, 
o 22, “éticas do dever; fundamentações da moral; autonomia do sujeito”, é o ponto de contato 
mais próximo nas Ocem para três itens da prova que abordam questões clássicas da filosofia 
política: o 10 sobre Maquiavel, o 22 sobre Montesquieu e o 24 sobre Bentham. 
BNCC
No exercício de pensar os itens de Filosofia de edições anteriores em termos das 
habilidades da nova BNCC, três itens (o 2013.04 sobre Descartes, o 2013.41 sobre Descartes 
e Bacon e o 2013.36 sobre Kant) atenderiam a habilidade EM13CHS101, “Identificar, 
analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com 
vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, 
políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais”. Outros três itens (o 2013.10 sobre 
Maquiavel, o 2013.22 sobre Montesquieu e o 2013.24 sobre o panóptico de Bentham) 
atenderiam a EM13CHS603, “Analisar a formação de diferentes países, povos e nações 
e de suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando conceitos políticos 
básicos (Estado, poder, formas, sistemas e regimes de governo, soberania etc.)”. O item sobre 
Aristóteles (2013.27) seria o único a atender a EM13CHS501, “Analisar os fundamentos 
da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando processos que contribuem 
para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, o 
empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade”.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
46
APRESENTAÇÃO DOS ITENS E SUA CORRESPONDÊNCIA AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS
2013.04 (DESCARTES, SILVA/DÚVIDA HIPERBÓLICA)
TEXTO I 
Há já algum tempo eu me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas 
falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios 
tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto. Era necessário tentar 
seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até 
então dera crédito, e começar tudo novamente a fim de estabelecer um saber firme e 
inabalável. 
DESCARTES, R. Meditações concernentes à Primeira Filosofia. 
São Paulo: Abril Cultural, 1973 (adaptado). 
TEXTO II 
É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo 
de busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a 
partir daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será seguramente 
nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma dúvida. 
SILVA, F. L. Descartes: a metafísica da modernidade. 
São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado). 
A exposição e a análise do projeto cartesiano indicam que, para viabilizar a reconstrução 
radical do conhecimento, deve-se 
A retomar o método da tradição para edificar a ciência com legitimidade. 
B questionar de forma ampla e profunda as antigas ideias e concepções. 
C investigar os conteúdos da consciência dos homens menos esclarecidos. 
D buscar uma via para eliminar da memória saberes antigos e ultrapassados. 
E encontrar ideias e pensamentos evidentes que dispensam ser questionados.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
47
QUADRO 10
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2013.04 (DESCARTES, SILVA) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 17 Teoria do conhecimento nos modernos; verdade e evidência; 
ideias; causalidade; indução; método.
Enem (2009)
Competência C01 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H04 Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes 
sobre determinado aspecto da cultura.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão 
de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, 
geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e 
culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
48
2013.10 (MAQUIAVEL / O PRÍNCIPE)
Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que temido ou temido que amado. 
Responde-se que ambas as coisas seriam de desejar; mas porque é difícil juntá-las, 
é muito mais seguro ser temido que amado, quando haja de faltar uma das duas. 
Porque dos homens se pode dizer, duma maneira geral, que são ingratos, volúveis, 
simuladores, covardes e ávidos de lucro, e enquanto lhes fazes bem são inteiramente 
teus, oferecem-te o sangue, os bens, a vida e os filhos, quando, como acima disse, o 
perigo está longe; mas quando ele chega, revoltam-se. 
MAQUIAVEL, N. O príncipe. 
Rio de Janeiro: Bertrand, 1991. 
A partir da análise histórica do comportamento humano em suas relações sociais e 
políticas, Maquiavel define o homem como um ser 
A munido de virtude, com disposição nata a praticar o bem a si e aos outros. 
B possuidor de fortuna, valendo-se de riquezas para alcançar êxito na política.
C guiado por interesses, de modo que suas ações são imprevisíveis e inconstantes. 
D naturalmente racional, vivendo em um estado pré-social e portando seus direitos 
naturais. 
E sociável por natureza, mantendorelações pacíficas com seus pares.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
49
QUADRO 11
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2013.10 (MAQUIAVEL) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) II.3 Ética e política.
Ocem (2006) 22 Éticas do dever; fundamentações da moral; autonomia do sujeito.
Enem (2009)
Competência C5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar 
os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma 
atuação consciente do indivíduo na sociedade.
Enem (2009)
Habilidade H23 Analisar a importância dos valores éticos na estruturação política 
das sociedades.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício da 
cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS603
Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de 
suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando 
conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e 
regimes de governo, soberania etc.).
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
50
2013.22 (MONTESQUIEU / DO ESPÍRITO DAS LEIS)
Para que não haja abuso, é preciso organizar as coisas de maneira que o poder seja 
contido pelo poder. Tudo estaria perdido se o mesmo homem ou o mesmo corpo dos 
principais, ou dos nobres, ou do povo, exercesse esses três poderes: o de fazer leis, 
o de executar as resoluções públicas e o de julgar os crimes ou as divergências dos 
indivíduos. Assim, criam-se os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, atuando de 
forma independente para a efetivação da liberdade, sendo que esta não existe se uma 
mesma pessoa ou grupo exercer os referidos poderes concomitantemente. 
MONTESQUIEU, B. Do espírito das leis. 
São Paulo: Abril Cultural, 1979 (adaptado). 
A divisão e a independência entre os poderes são condições necessárias para que 
possa haver liberdade em um Estado. Isso pode ocorrer apenas sob um modelo político 
em que haja 
A exercício de tutela sobre atividades jurídicas e políticas. 
B consagração do poder político pela autoridade religiosa. 
C concentração do poder nas mãos de elites técnico-científicas. 
D estabelecimento de limites aos atores públicos e às instituições do governo. 
E reunião das funções de legislar, julgar e executar nas mãos de um governante eleito.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
51
QUADRO 12
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2013.22 (MONTESQUIEU) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) I.2 A democracia contemporânea.
Ocem (2006) 22 Éticas do dever; fundamentações da moral; autonomia do sujeito.
Enem (2009)
Competência C3
Compreender a produção e o papel histórico das instituições 
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes 
grupos, conflitos e movimentos sociais.
Enem (2009)
Habilidade H12 Analisar o papel da justiça como instituição na organização das 
sociedades.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício 
da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS603
Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de 
suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando 
conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e 
regimes de governo, soberania etc.).
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
52
2013.24 (BENTHAM / O PANÓPTICO)
O edifício é circular. Os apartamentos dos prisioneiros ocupam a circunferência. Você 
pode chamá-los, se quiser, de celas. O apartamento do inspetor ocupa o centro; 
você pode chamá-lo, se quiser, de alojamento do inspetor. A moral reformada; a 
saúde preservada; a indústria revigorada; a instrução difundida; os encargos públicos 
aliviados; a economia assentada, como deve ser, sobre uma rocha; o nó górdio da Lei 
sobre os Pobres não cortado, mas desfeito – tudo por uma simples ideia de arquitetura! 
BENTHAM, J. O panóptico. 
Belo Horizonte: Autêntica, 2008. 
Essa é a proposta de um sistema conhecido como panóptico, um modelo que mostra 
o poder da disciplina nas sociedades contemporâneas, exercido preferencialmente por 
mecanismos 
A religiosos, que se constituem como um olho divino controlador que tudo vê. 
B ideológicos, que estabelecem limites pela alienação, impedindo a visão da dominação 
sofrida.
C repressivos, que perpetuam as relações de dominação entre os homens por meio da 
tortura física. 
D sutis, que adestram os corpos no espaço-tempo por meio do olhar como 
instrumento de controle. 
E consensuais, que pactuam acordos com base na compreensão dos benefícios gerais 
de se ter as próprias ações controladas.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
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QUADRO 13
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2013.24 (BENTHAM) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) I.3 O avesso da democracia.
Ocem (2006) 22 Éticas do dever; fundamentações da moral; autonomia do sujeito.
Enem (2009)
Competência C3
Compreender a produção e o papel histórico das instituições 
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes 
grupos, conflitos e movimentos sociais.
Enem (2009)
Habilidade H12 Analisar o papel da justiça como instituição na organização das 
sociedades.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício 
da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS603
Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de 
suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando 
conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e 
regimes de governo, soberania etc.).
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
54
2013.27 (ARISTÓTELES / A POLÍTICA)
A felicidade é, portanto, a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do mundo, e 
esses atributos não devem estar separados como na inscrição existente em Delfos “das 
coisas, a mais nobre é a mais justa, e a melhor é a saúde; porém a mais doce é ter o 
que amamos”. Todos estes atributos estão presentes nas mais excelentes atividades, e 
entre essas a melhor, nós a identificamos como felicidade. 
ARISTÓTELES. A Política. 
São Paulo: Cia. das Letras, 2010. 
Ao reconhecer na felicidade a reunião dos mais excelentesatributos, Aristóteles 
a identifica como 
A busca por bens materiais e títulos de nobreza. 
B plenitude espiritual e ascese pessoal. 
C finalidade das ações e condutas humanas. 
D conhecimento de verdades imutáveis e perfeitas. 
E expressão do sucesso individual e reconhecimento público.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
55
QUADRO 14
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2013.27 (ARISTÓTELES) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) II.1 Autonomia e liberdade.
Ocem (2006) 9 A ética antiga; Platão, Aristóteles e filósofos helenistas.
Enem (2009)
Competência C5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar 
os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma 
atuação consciente do indivíduo na sociedade.
Enem (2009)
Habilidade H23 Analisar o papel da justiça como instituição na organização das 
sociedades.
BNCC (2018)
Competência C5
Identificar e combater as diversas formas de injustiça, preconceito 
e violência, adotando princípios éticos, democráticos, inclusivos e 
solidários, e respeitando os Direitos Humanos.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS501
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, 
tempos e espaços, identificando processos que contribuem 
para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a 
cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência 
democrática e a solidariedade.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
56
2013.36 (KANT / CRÍTICA DA RAZÃO PURA)
Até hoje admitia-se que nosso conhecimento se devia regular pelos objetos; porém, 
todas as tentativas para descobrir, mediante conceitos, algo que ampliasse nosso 
conhecimento, malogravam-se com esse pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, 
experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafísica, admitindo que os 
objetos se deveriam regular pelo nosso conhecimento. 
KANT, I. Crítica da razão pura. 
Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1994 (adaptado). 
O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhecido como revolução 
copernicana na filosofia. Nele, confrontam-se duas posições filosóficas que 
A assumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento. 
B defendem que o conhecimento é impossível, restando-nos somente o ceticismo. 
C revelam a relação de interdependência entre os dados da experiência e a reflexão 
filosófica. 
D apostam, no que diz respeito às tarefas da filosofia, na primazia das ideias em 
relação aos objetos.
E refutam-se mutuamente quanto à natureza do nosso conhecimento e são ambas 
recusadas por Kant.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
57
QUADRO 15
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2013.36 (KANT) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS 
REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado pelo 
item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 23 Idealismo alemão; filosofias da história.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H01 Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes 
documentais acerca de aspectos da cultura.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão 
de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, 
geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e 
culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
58
2013.41 (CUPANI/MODERNIDADE)
Os produtos e seu consumo constituem a meta declarada do empreendimento 
tecnológico. Essa meta foi proposta pela primeira vez no início da Modernidade, 
como expectativa de que o homem poderia dominar a natureza. No entanto, essa 
expectativa, convertida em programa anunciado por pensadores como Descartes e 
Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de um prazer de poder”, “de um 
mero imperialismo humano”, mas da aspiração de libertar o homem e de enriquecer sua 
vida, física e culturalmente. 
CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques. 
ScientiaeStudia, São Paulo, v. 2, n. 4, 2004 (adaptado). 
Autores da filosofia moderna, notadamente Descartes e Bacon, e o projeto iluminista 
concebem a ciência como uma forma de saber que almeja libertar o homem das 
intempéries da natureza. Nesse contexto, a investigação científica consiste em 
A expor a essência da verdade e resolver definitivamente as disputas teóricas ainda 
existentes. 
B oferecer a última palavra acerca das coisas que existem e ocupar o lugar que outrora 
foi da filosofia. 
C ser a expressão da razão e servir de modelo para outras áreas do saber que 
almejam o progresso.
D explicitar as leis gerais que permitem interpretar a natureza e eliminar os discursos 
éticos e religiosos.
E explicar a dinâmica presente entre os fenômenos naturais e impor limites aos 
debates acadêmicos.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
59
QUADRO 16
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2013.41 (DESCARTES E BACON) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) III.2 Filosofia, ciência e tecnocracia.
Ocem (2006) 21 Razão e entendimento; razão e sensibilidade; intuição e conceito.
Enem (2009)
Competência C4
Compreender a produção e o papel histórico das instituições 
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes 
grupos, conflitos e movimentos sociais.
Enem (2009)
Habilidade H20
Selecionar argumentos favoráveis ou contrários às modificações 
impostas pelas novas tecnologias à vida social e ao mundo do 
trabalho.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentesfontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão 
de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, 
geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e 
culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
61
ANÁLISE DA EDIÇÃO
Além de ter o maior número de itens de Filosofia até então, a edição do Enem 
de 2014 traz algumas outras novidades na abrangência dos textos utilizados. Dos oito 
itens de Filosofia da prova, quatro são de filosofia antiga (14, 19, 24 e 25), dois itens 
cobrem o período moderno (04 e 29) e dois focam questões de filosofia contemporânea (12 
e 14). Em relação à Matriz de Referência do Enem, a gama de habilidades mobilizadas 
passa a seis, maior número até então: a H1 e a H4 tiveram dois itens cada e a H12, a H15, 
a H23 e a H24 tiveram um item cada. Quanto à distribuição por competências, são quatro 
itens na C1, dois na C3 e dois na C5. 
PCN
Esta edição tem uma proporção maior de itens com textos de outros registros, com 
cinco itens (2014.11 com texto de Jean-Pierre Vernant, 2014.12 com texto sobre clonagem 
humana, 2014.19 com texto de Tucídides, 2014.29 com texto de Galileo Galilei e 2014.25 
com pintura de Rafael Sanzio) acionando assim a competência 1b, “Ler, de modo filosófico, 
textos de diferentes estruturas e registros”. Tal diversidade de textos favoreceu a mobilização 
da competência 2, “Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos e modos 
discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas Artes e em outras produções culturais”, e 
da competência 3, “Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de sua origem 
2014
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
62
específica, quanto em outros planos: o pessoal-biográfico; o entorno sócio-político, histórico 
e cultural; o horizonte da sociedade científico-tecnológica”. Com exceção do item 4, sobre 
a dúvida metódica em Descartes, e do 24, sobre a noção de felicidade no pensamento de 
Epicuro, que exigiam apenas a habilidade 1a, “Ler textos filosóficos de modo significativo”, 
todos os outros cinco itens, que demandaram a habilidade 1b, mobilizaram também as 
habilidades 2, de articular, e 3, de contextualizar. 
Dos oito textos-base utilizados, quatro indicam conter adaptações e três não as têm. 
Só um texto é de fonte secundária (sobre Descartes mais uma vez). Um dos textos-base 
é uma reprodução de parte da afresco “Escola de Atenas”, do pintor renascentista Rafael 
Sanzio, sendo o único item de Filosofia na prova do Enem desde 2010 que tem uma imagem 
como suporte. 
PCN+
A distribuição de itens de Filosofia pelos eixos dos PCN+ segue a tendência dos dois 
anos anteriores, com foco menor no eixo II em relação aos outros dois eixos. 
O eixo I, que focaliza a democracia, perde um item quando comparado ao ano anterior, 
de quatro para três. Foram dois itens no tema 1, “A democracia grega”: o 11, com texto de 
Jean-Pierre Vernant, e o 19, que pede ao respondente comparar o pensamento de Tucídides 
com o de Aristóteles. Nesse eixo houve ainda um item no tema 2, “A democracia 
contemporânea”, tratando sobre Habermas. 
No eixo II, “Construção do Sujeito Moral”, assim como em 2013, foi aplicado um único 
item, no tema 1, “Autonomia e liberdade”. Na edição deste ano, foi utilizado um texto de 
Epicuro. 
O eixo III, “O Que É Filosofia”, predominante nesta edição, teve quatro itens. Três deles 
contemplaram o tema 1, “Filosofia, mito e senso comum”: o 4, com texto de Descartes; o 29, 
sobre Galilei; e o 25, que pede para o respondente analisar a imagem da Escola de Atenas do 
pintor renascentista Rafael. O item 12, sobre bioética, trabalhou o tema 2, “Filosofia, ciência 
e tecnocracia”. 
OCEM
Em relação à cobertura de conteúdos das Ocem, a prova de 2014 é sem precedentes: 
foram sete nesta edição. O conteúdo 7, “teoria das ideias em Platão; conhecimento e opinião; 
aparência e realidade”, que havia aparecido pela última vez em 2012, é mobilizado aqui pela 
imagem do afresco “Escola de Atenas”. O conteúdo 8, “a política antiga; a República de Platão; 
a Política de Aristóteles”, é contemplado em dois itens: um com texto de Jean-Pierre Vernant 
sobre a ágora ateniense e um comparando textos de Aristóteles e Tucídides. Os conteúdos 9, 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
63
“a ética antiga; Platão, Aristóteles e filósofos helenistas”, e 21, “razão e entendimento; razão 
e sensibilidade; intuição e conceito”, ocorrem pelo segundo ano consecutivo: o primeiro com 
um item sobre Epicuro e o segundo com um item sobre Galilei. O conteúdo 28, que havia 
aparecido em 2012, retorna no item 14, sobre Habermas. E o conteúdo 29, “epistemologias 
contemporâneas; Filosofia da ciência; o problema da demarcação entre ciência e metafísica”, 
que a rigor nunca havia aparecido antes, tem seu primeiro representante no item 12 sobre 
bioética.
BNCC
Quanto à BNCC, três itens (2014.04 sobre Descartes, 2014.25 sobre a Escola de 
Atenas e 2014.29 sobre Galilei) atenderiam a habilidade EM13CHS101, “Identificar, analisar 
e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à 
compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, 
econômicos, sociais, ambientais e culturais”. Outros três itens (2014.11 sobre Vernant, 2014.14 
sobre Habermas e 2014.19 sobre Tucídides e Aristóteles) atenderiam a EM13CHS603, 
“Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de suas experiências políticas 
e de exercício da cidadania, aplicando conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, 
sistemas e regimes de governo, soberania etc.)”. O item sobre Epicuro (2014.24) atenderia a 
EM13CHS501, “Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, 
identificando processos que contribuem para a formação de sujeitos éticos que valorizem a 
liberdade, a cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência democrática e a 
solidariedade”, enquanto o item sobre bioética (2014.12) seria um dos três de Filosofia da 
história do Enem nesses vinte anos a atender a EM13CHS504, “Analisar e avaliar os impasses 
ético-políticos decorrentes das transformações culturais, sociais, históricas, científicas e 
tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de 
indivíduos, grupos sociais, sociedades e culturas”.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
64
APRESENTAÇÃO DOS ITENS E SUA CORRESPONDÊNCIA AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS
2014.04 (SILVA/DESCARTES)
É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo 
de busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a 
partir daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será seguramente 
nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma dúvida. 
SILVA, F. L. Descartes: a metafísica da modernidade. 
São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado). 
Apesar de questionar os conceitos da tradição, a dúvida radical da filosofia cartesiana 
tem caráter positivo por contribuir para o(a) 
A dissolução do saber científico.
B recuperação dos antigos juízos. 
C exaltação do pensamento clássico. 
D surgimento do conhecimento inabalável. 
E fortalecimento dos preconceitos religiosos.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
65
QUADRO 17
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2014.04 (SILVA/DESCARTES) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002)III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 17 Teoria do conhecimento nos modernos; verdade e evidência; 
ideias; causalidade; indução; método.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H4 Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre 
determinado aspecto da cultura.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão 
de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, 
geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e 
culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
66
2014.11 (VERNANT / ISONOMIA)
Compreende-se assim o alcance de uma reivindicação que surge desde o nascimento 
da cidade na Grécia antiga: a redação das leis. Ao escrevê-las, não se faz mais que 
assegurar-lhes permanência e fixidez. As leis tornam-se bem comum, regra geral, 
suscetível de ser aplicada a todos da mesma maneira. 
VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego. 
Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1992 (adaptado). 
Para o autor, a reivindicação atendida na Grécia antiga, ainda vigente no mundo 
contemporâneo, buscava garantir o seguinte princípio:
A Isonomia – igualdade de tratamento aos cidadãos. 
B Transparência – acesso às informações governamentais. 
C Tripartição – separação entre os poderes políticos estatais. 
D Equiparação – igualdade de gênero na participação política. 
E Elegibilidade – permissão para candidatura aos cargos públicos.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
67
QUADRO 18
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2014.11 (VERNANT) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1b
2
3
1b) Ler, de modo filosófico, textos de diferentes estruturas e 
registros.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) I.1 A democracia grega.
Ocem (2006) 08 A política antiga; a República de Platão; a Política de Aristóteles.
Enem (2009)
Competência C5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar 
os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma 
atuação consciente do indivíduo na sociedade.
Enem (2009)
Habilidade H24 Relacionar cidadania e democracia na organização das socie- 
dades.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício da 
cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS603
Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de 
suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando 
conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e 
regimes de governo, soberania etc.).
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
68
2014.12 (CONNOR / BIOÉTICA)
Panayiotis Zavos “quebrou” o último tabu da clonagem humana – transferiu embriões 
para o útero de mulheres, que os gerariam. Esse procedimento é crime em inúmeros 
países. Aparentemente, o médico possuía um laboratório secreto, no qual fazia seus 
experimentos. “Não tenho nenhuma dúvida de que uma criança clonada irá aparecer 
em breve. Posso não ser eu o médico que irá criá-la, mas vai acontecer”, declarou Zavos. 
“Se nos esforçarmos, podemos ter um bebê clonado daqui a um ano, ou dois, mas 
não sei se é o caso. Não sofremos pressão para entregar um bebê clonado ao mundo. 
Sofremos pressão para entregar um bebê clonado saudável ao mundo”. 
CONNOR, S. Disponível em: www.independent.co.uk. 
Acesso em: 14 ago. 2012 (adaptado). 
A clonagem humana é um importante assunto de reflexão no campo da bioética que, 
entre outras questões, dedica-se a
A refletir sobre a vida e os valores éticos do homem. 
B legitimar o predomínio da espécie humana sobre as demais espécies animais no 
planeta. 
C relativizar, no caso da clonagem humana, o uso dos valores de certo e errado, de 
bem e mal. 
D legalizar, pelo uso das técnicas de clonagem, os processos de reprodução humana e 
animal.
E fundamentar técnica e economicamente as pesquisas sobre células-tronco para uso 
em seres humanos.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
69
QUADRO 19
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2014.12 (CONNOR/BIOÉTICA) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1b
2
3
1b) Ler, de modo filosófico, textos de diferentes estruturas e 
registros.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) III.2 Filosofia, ciência e tecnocracia.
Ocem (2006) 29 Epistemologias contemporâneas; Filosofia da ciência; o problema 
da demarcação entre ciência e metafísica.
Enem (2009)
Competência C5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar 
os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma 
atuação consciente do indivíduo na sociedade.
Enem (2009)
Habilidade H23 Analisar a importância dos valores éticos na estruturação política 
das sociedades.
BNCC (2018)
Competência C5
Identificar e combater as diversas formas de injustiça, preconceito 
e violência, adotando princípios éticos, democráticos, inclusivos e 
solidários, e respeitando os Direitos Humanos.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS504
Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes 
das transformações culturais, sociais, históricas, científicas e 
tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos 
nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, 
sociedades e culturas.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
70
2014.14 (HABERMAS / CONSCIÊNCIA MORAL)
Uma norma só deve pretender validez quando todos os que possam ser concernidos 
por ela cheguem (ou possam chegar), enquanto participantes de um discurso prático, a 
um acordo quanto à validade dessa norma. 
HABERMAS, J. Consciência moral e agir comunicativo.
Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989. 
Segundo Habermas, a validez de uma norma deve ser estabelecida pelo(a) 
A liberdade humana, que consagra a vontade. 
B razão comunicativa, que requer um consenso. 
C conhecimento filosófico, que expressa a verdade.
D técnica científica, que aumenta o poder do homem. 
E poder político, que se concentra no sistema partidário.
QUADRO 20
QUADRO-SÍNTESEDO ITEM 2014.14 (HABERMAS) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) I.2 A democracia contemporânea.
Ocem (2006) 28 Marxismo e Escola de Frankfurt.
Enem (2009)
Competência C3
Compreender a produção e o papel histórico das instituições 
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes 
grupos, conflitos e movimentos sociais.
Enem (2009)
Habilidade H12 Analisar o papel da justiça como instituição na organização das 
sociedades.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício 
da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS603
Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e 
de suas experiências políticas e de exercício da cidadania, 
aplicando conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, 
sistemas e regimes de governo, soberania etc.).
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
71
2014.19 (TUCÍDIDES E ARISTÓTELES)
TEXTO I 
Olhamos o homem alheio às atividades públicas não como alguém que cuida apenas de 
seus próprios interesses, mas como um inútil; nós, cidadãos atenienses, decidimos as 
questões públicas por nós mesmos na crença de que não é o debate que é empecilho 
à ação, e sim o fato de não se estar esclarecido pelo debate antes de chegar a hora da 
ação.
TUCÍDIDES. História da Guerra do Peloponeso. 
Brasília: UnB, 1987 (adaptado). 
TEXTO II 
Um cidadão integral pode ser definido por nada mais nada menos que pelo direito de 
administrar justiça e exercer funções públicas; algumas destas, todavia, são limitadas 
quanto ao tempo de exercício, de tal modo que não podem de forma alguma ser 
exercidas duas vezes pela mesma pessoa, ou somente podem sê-lo depois de certos 
intervalos de tempo prefixados. 
ARISTÓTELES. Política. 
Brasília: UnB, 1985. 
Comparando os textos I e II, tanto para Tucídides (no século V a.C.) quanto para 
Aristóteles (no século IV a.C.), a cidadania era definida pelo(a)
A prestígio social. 
B acúmulo de riqueza. 
C participação política. 
D local de nascimento. 
E grupo de parentesco.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
72
QUADRO 21 
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2014.19 (TUCÍDIDES E ARISTÓTELES) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
1b
2
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
1b) Ler, de modo filosófico, textos de diferentes estruturas e 
registros.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) I.1 A democracia grega.
Ocem (2006) 08 A política antiga; a República de Platão; a Política de Aristóteles.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H04 Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre 
determinado aspecto da cultura.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício 
da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS603
Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de 
suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando 
conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e 
regimes de governo, soberania etc.).
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
73
2014.24 (EPICURO / DOUTRINAS PRINCIPAIS)
Alguns dos desejos são naturais e necessários; outros, naturais e não necessários; 
outros, nem naturais nem necessários, mas nascidos de vã opinião. Os desejos que 
não nos trazem dor se não satisfeitos não são necessários, mas o seu impulso pode 
ser facilmente desfeito, quando é difícil obter sua satisfação ou parecem geradores de 
dano. 
EPICURO DE SAMOS. Doutrinas principais. In: SANSON, V. F. Textos de filosofia.
Rio de Janeiro: Eduff, 1974. 
No fragmento da obra filosófica de Epicuro, o homem tem como fim
A alcançar o prazer moderado e a felicidade. 
B valorizar os deveres e as obrigações sociais. 
C aceitar o sofrimento e o rigorismo da vida com resignação. 
D refletir sobre os valores e as normas dadas pela divindade. 
E defender a indiferença e a impossibilidade de se atingir o saber.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
74
QUADRO 22
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2014.24 (EPICURO) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) II.1 Autonomia e liberdade.
Ocem (2006) 09 A ética antiga; Platão, Aristóteles e filósofos helenistas.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H01 Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes 
documentais acerca de aspectos da cultura.
BNCC (2018)
Competência C5
Identificar e combater as diversas formas de injustiça, preconceito 
e violência, adotando princípios éticos, democráticos, inclusivos 
e solidários, e respeitando os Direitos Humanos.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS501
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, 
tempos e espaços, identificando processos que contribuem 
para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a 
cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência 
democrática e a solidariedade.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
75
2014.25 (RAFAEL / ESCOLA DE ATENAS)
SANZIO, R. Detalhe do afresco A Escola de Atenas.
No centro da imagem, o filósofo Platão é retratado apontando para o alto. Esse gesto 
significa que o conhecimento se encontra em uma instância na qual o homem descobre a 
A suspensão do juízo como reveladora da verdade. 
B realidade inteligível por meio do método dialético. 
C salvação da condição mortal pelo poder de Deus. 
D essência das coisas sensíveis no intelecto divino. 
E ordem intrínseca ao mundo por meio da sensibilidade.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
76
QUADRO 23
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2014.25 (RAFAEL/ESCOLA DE ATENAS) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1b
2
3
1b) Ler, de modo filosófico, textos de diferentes estruturas e 
registros.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos e 
modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas Artes 
e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 07 A teoria das ideias em Platão; conhecimento e opinião;aparência 
e realidade.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H01 Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes 
documentais acerca de aspectos da cultura.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão 
de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, 
geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e 
culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
77
2014.29 (GALILEI / REVOLUÇÃO CIENTÍFICA)
A filosofia encontra-se escrita neste grande livro que continuamente se abre perante 
nossos olhos (isto é, o universo), que não se pode compreender antes de entender a 
língua e conhecer os caracteres com os quais está escrito. Ele está escrito em língua 
matemática, os caracteres são triângulos, circunferências e outras figuras geométricas, 
sem cujos meios é impossível entender humanamente as palavras; sem eles, vagamos 
perdidos dentro de um obscuro labirinto. 
GALILEI, G. O ensaiador. 
São Paulo: Abril Cultural, 1978. (Os Pensadores).
No contexto da Revolução Científica do século XVII, assumir a posição de Galileu 
significava defender a
A continuidade do vínculo entre ciência e fé dominante na Idade Média. 
B necessidade de o estudo linguístico ser acompanhado do exame matemático. 
C oposição da nova física quantitativa aos pressupostos da filosofia escolástica. 
D importância da independência da investigação científica pretendida pela Igreja. 
E inadequação da matemática para elaborar uma explicação racional da natureza.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
78
QUADRO 24
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2014.29 (GALILEI) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 21 Razão e entendimento; razão e sensibilidade; intuição e conceito.
Enem (2009)
Competência C3
Compreender a produção e o papel histórico das instituições 
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes 
grupos, conflitos e movimentos sociais.
Enem (2009)
Habilidade H15 Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, 
econômicos ou ambientais ao longo da história.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de 
ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, 
políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
79
ANÁLISE DA EDIÇÃO
Como a prova do ano anterior, a edição de 2015 traz oito itens de Filosofia, com uma 
boa distribuição entre os períodos da filosofia ocidental: três itens de filosofia antiga (itens 19, 
28 e 34), um de medieval (item 17), dois de moderna (itens 16 e 26) e dois de contemporânea 
(03 e 42). Eles cobrem quatro competências, sendo dois na C1, um na C2, dois na C3 e três 
na C5. Em termos de habilidades, a H12 e a H23 são representadas por dois itens cada, 
enquanto a H1, a H3, a H10 e a H24 têm um item cada. Vemos nesta prova uma expansão 
qualitativa de habilidades mobilizadas por itens de Filosofia, sendo a primeira ocorrência da 
H3 e da H10 em itens com temáticas ou abordagens associadas a essa área. É também a 
primeira vez que a competência C2 é mobilizada por um item de Filosofia. 
PCN
Com exceção do item 3, com texto-base do educador Paulo Freire, e do 28, com texto-
base do historiador Jean-Pierre Vernant, que acionaram a competência 1b, “Ler, de modo 
filosófico, textos de diferentes estruturas e registros”, todos os outros seis itens exigiram a 
competência 1a, “Ler textos filosóficos de modo significativo”. Além daqueles dois itens, três 
(o 17, com texto de Tomás de Aquino sobre a monarquia; o 34, com texto de Nietzsche sobre 
o pensamento pré-socrático; e o 42, com texto de Simone de Beauvoir sobre a condição da 
mulher) mobilizaram ainda simultaneamente as competências 2, “Articular conhecimentos 
2015
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
80
filosóficos e diferentes conteúdos e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais”, e 3, “Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto 
no plano de sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-biográfico; o entorno 
sócio-político, histórico e cultural; o horizonte da sociedade científico-tecnológica.” Quanto 
ao tipo de texto, foram utilizados sete de fonte primária e somente um de fonte secundária, 
sendo seis sem adaptações e dois com essa sinalização, havendo assim uma proporção maior 
de textos de fonte primária e sem adaptações do que nos anos anteriores. 
PCN+
Em relação aos eixos temáticos dos PCN+, a edição de 2015 retoma alguns aspectos 
da prova de 2013, com foco menor em política e epistemologia e maior em ética, invertendo 
o quadro de 2014. 
O eixo I, que focaliza a democracia, cai de três para um único item, sobre a democracia 
ateniense, atendendo o tema 1, com texto-base de Vernant. 
O eixo II, com foco em ética, cresce de um para quatro itens, sendo predominante 
nesta edição. Um item, sobre o pensamento de Paulo Freire, atende o tema 1, “Autonomia e 
liberdade”, enquanto os outros três itens desse eixo foram no tema 3, “Ética e Política”: o 17, 
com texto de Tomás de Aquino; o 26, com texto de Hobbes; e o 42, com texto de Simone de 
Beauvoir.
No eixo III, “O Que É Filosofia”, dois itens abordaram o tema 1, “Filosofia, mito e senso 
comum”: o 16, com texto de Hume, e o 34, com texto de Nietzsche. 
OCEM
Na prova de 2015, foram contemplados sete conteúdos das Ocem, cinco recorrentes e 
dois novos. O conteúdo 26, “fenomenologia; existencialismo”, tema de destaque na filosofia 
contemporânea, foi abordado pela primeira vez, ainda que tangencialmente, no item 42, que 
utiliza um texto de Simone de Beauvoir e pede uma contextualização histórica em relação 
aos movimentos por igualdade de gênero. Dos três itens sobre filosofia antiga, um abordou 
o conteúdo 6, “filosofia pré-socrática; uno e múltiplo; movimento e realidade”, com um texto 
de Nietzsche, atendendo assimpela primeira vez, ainda que também tangencialmente, o 
conteúdo 25, “crítica à metafísica na contemporaneidade; Nietzsche; Wittgenstein; Heidegger”. 
Os outros dois itens sobre filosofia antiga atenderam o conteúdo 8, “política antiga; a República 
de Platão; a Política de Aristóteles”: um com texto de James Rachels sobre o personagem 
Trasímaco na República de Platão e outro com texto de Vernant sobre a política ateniense. 
O conteúdo 20, “o contratualismo”, foi abordado no item 26, sobre Hobbes, autor que 
estava ausente da prova desde 2001. O item 16, sobre a epistemologia de David Hume, 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
81
acionou pelo quarto ano consecutivo o conteúdo 17, “teoria do conhecimento nos modernos; 
verdade e evidência; ideias; causalidade; indução; método”. Já o conteúdo 22, “éticas do dever; 
fundamentações da moral; autonomia do sujeito”, aparece de maneira tangencial, sendo o 
conteúdo mais próximo do item 3, que trata da questão do pensamento autônomo na filosofia 
de Paulo Freire. O item 17, que traz um texto de Tomás de Aquino defendendo a monarquia, 
não encontra espaço nas Ocem.9 
BNCC
No exercício de reflexão sobre como itens de Filosofia podem ser utilizados para 
trabalhar as habilidades e competências da BNCC, três itens (o 2015.17 sobre Aquino, o 
2015.26 sobre Hobbes e o 2015.28 sobre Vernant) atenderiam a habilidade EM13CHS603, 
“Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de suas experiências políticas 
e de exercício da cidadania, aplicando conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, 
sistemas e regimes de governo, soberania etc.).” Dois itens (o 2015.16 e o 2015.34) 
atenderiam a habilidade EM13CHS101, “Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e 
narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas 
e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e 
culturais”. Outros três itens (o 2015.03 sobre Freire, o 2015.13 sobre Trasímaco e Sócrates 
e o 2015.42 sobre Beauvoir) atenderiam a EM13CHS501, “Analisar os fundamentos da 
ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando processos que contribuem 
para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, o 
empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade”.
9 Para análise mais aprofundada, ver Macedo, 2021.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
82
APRESENTAÇÃO DOS ITENS E SUA CORRESPONDÊNCIA AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS
2015.03 (FREIRE/PENSAMENTO AUTÔNOMO)
Apesar de seu disfarce de iniciativa e otimismo, o homem moderno está esmagado por 
um profundo sentimento de impotência que o faz olhar fixamente e, como que paralisado, 
para as catástrofes que se avizinham. Por isso, desde já, saliente-se a necessidade de 
uma permanente atitude crítica, o único modo pelo qual o homem realizará sua vocação 
natural de integrar-se, superando a atitude do simples ajustamento ou acomodação, 
apreendendo temas e tarefas de sua época. 
FREIRE, P. Educação como prática da liberdade. 
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011.
 
Paulo Freire defende que a superação das dificuldades e a apreensão da realidade atual 
será obtida pelo(a)
 
A desenvolvimento do pensamento autônomo. 
B obtenção de qualificação profissional. 
C resgate de valores tradicionais. 
D realização de desejos pessoais. 
E aumento da renda familiar.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
83
QUADRO 25 
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2015.03 (FREIRE) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1b
2
3
1b Ler, de modo filosófico, textos de diferentes estruturas e 
registros.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) II.1 Autonomia e liberdade.
Ocem (2006) 22 Éticas do dever; fundamentações da moral; autonomia do sujeito.
Enem (2009)
Competência C5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar 
os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma 
atuação consciente do indivíduo na sociedade.
Enem (2009)
Habilidade H23 Analisar a importância dos valores éticos na estruturação política 
das sociedades.
BNCC (2018)
Competência C5
Identificar e combater as diversas formas de injustiça, preconceito 
e violência, adotando princípios éticos, democráticos, inclusivos e 
solidários, e respeitando os Direitos Humanos.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS501
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, 
tempos e espaços, identificando processos que contribuem 
para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a 
cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência 
democrática e a solidariedade.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
84
2015.13 (RACHELS / SÓCRATES)
Trasímaco estava impaciente porque Sócrates e os seus amigos presumiam que a 
justiça era algo real e importante. Trasímaco negava isso. Em seu entender, as pessoas 
acreditavam no certo e no errado apenas por terem sido ensinadas a obedecer às regras 
da sua sociedade. No entanto, essas regras não passavam de invenções humanas. 
RACHELS, J. Problemas da filosofia.
Lisboa: Gradiva, 2009. 
O sofista Trasímaco, personagem imortalizado no diálogo A República, de Platão, 
sustentava que a correlação entre justiça e ética é resultado de 
A determinações biológicas impregnadas na natureza humana. 
B verdades objetivas com fundamento anterior aos interesses sociais. 
C mandamentos divinos inquestionáveis legados das tradições antigas. 
D convenções sociais resultantes de interesses humanos contingentes. 
E entimentos experimentados diante de determinadas atitudes humanas.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
85
QUADRO 26 
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2015.13 (RACHELS/SÓCRATES) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) II.1 Autonomia e liberdade.
Ocem (2006) 08 A política antiga; a República de Platão; a Política de Aristóteles.
Enem (2009)
Competência C5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e 
valorizar os fundamentos da cidadania e da democracia, 
favorecendo uma atuação consciente do indivíduo na sociedade.
Enem (2009)
Habilidade H23 Analisar a importância dos valores éticos na estruturação 
política das sociedades.
BNCC (2018)
Competência C5
Identificar e combater as diversas formas de injustiça, preconceito 
e violência, adotando princípios éticos, democráticos, inclusivos 
e solidários, e respeitando os Direitos Humanos.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS501
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, 
tempos e espaços, identificando processos que contribuem 
para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a 
cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência 
democrática e a solidariedade.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
86
2015.16 (HUME / INVESTIGAÇÃO SOBRE O ENTENDIMENTO HUMANO)
Todo o poder criativo da mente se reduz a nada mais doANÁLISE DA EDIÇÃO .....................................................................................................................97
APRESENTAÇÃO DOS ITENS E SUA CORRESPONDÊNCIA 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS ..................................................................................... 101
2017 ............................................................................................................................................. 119
ANÁLISE DA EDIÇÃO .................................................................................................................. 119
APRESENTAÇÃO DOS ITENS E SUA CORRESPONDÊNCIA 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS ..................................................................................... 122
2018 ............................................................................................................................................. 139
ANÁLISE DA EDIÇÃO .................................................................................................................. 139
APRESENTAÇÃO DOS ITENS E SUA CORRESPONDÊNCIA 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS ..................................................................................... 142
CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................................................... 157
QUADRO-RESUMO .................................................................................................................................. 159
REFERÊNCIAS ............................................................................................................................................ 163
ANEXOS
ANEXO A: PCN-EM: COMPETÊNCIAS E HABILIDADES SEREM 
DESENVOLVIDAS EM FILOSOFIA (1999) ................................................................................... 171
ANEXO B: PCN+: EIXOS TEMÁTICOS EM FILOSOFIA (2002) .............................................. 173
ANEXO C: CONTEÚDOS DE FILOSOFIA DAS ORIENTAÇÕES 
CURRICULARES PARA O ENSINO MÉDIO: CIÊNCIAS HUMANAS 
E SUAS TECNOLOGIAS (2006) ...................................................................................................... 175
ANEXO D: MATRIZ DE REFERÊNCIA DE CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS 
TECNOLOGIAS (2009) ....................................................................................................................... 177
ANEXO E: BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR (2018) 
– COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE CIÊNCIAS HUMANAS 
E SOCIAIS APLICADAS PARA O ENSINO MÉDIO ................................................................... 181
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
5
LISTA DE QUADROS
QUADRO 1 Quantidade e posição dos itens de Ciências Humanas (2012-2018) 
analisados neste estudo .................................................................................................17
QUADRO 2 Exemplo de quadro-síntese de cada item analisado em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................18
QUADRO 3 Quadro-síntese do item 2012.02 (Kant) em termos de sua adesão 
aos documentos referenciais utilizados .....................................................................29
QUADRO 4 Quadro-síntese do item 2012.07 (Montesquieu) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................31
QUADRO 5 Quadro-síntese do item 2012.09 (Habermas) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................33
QUADRO 6 Quadro-síntese do item 2012.25 (Platão) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................35
QUADRO 7 Quadro-síntese do item 2012.28 (Anaxímenes e Basílio Magno) 
em termos de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ..................38
QUADRO 8 Quadro-síntese do item 2012.30 (Descartes e Hume) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................40
QUADRO 9 Quadro-síntese do item 2012.31 (Maquiavel) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................41
QUADRO 10 Quadro-síntese do item 2013.04 (Descartes, Silva) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................47
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
6
QUADRO 11 Quadro-síntese do item 2013.10 (Maquiavel) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................48
QUADRO 12 Quadro-síntese do item 2013.22 (Montesquieu) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................50
QUADRO 13 Quadro-síntese do item 2013.24 (Bentham) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................52
QUADRO 14 Quadro-síntese do item 2013.27 (Aristóteles) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................54
QUADRO 15 Quadro-síntese do item 2013.36 (Kant) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................56
QUADRO 16 Quadro-síntese do item 2013.41 (Descartes e Bacon) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................56
QUADRO 17 Quadro-síntese do item 2014.04 (Silva/Descartes) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................64
QUADRO 18 Quadro-síntese do item 2014.11 (Vernant) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................66
QUADRO 19 Quadro-síntese do item 2014.12 (Connor/Bioética) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................69
QUADRO 20 Quadro-síntese do item 2014.14 (Habermas) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................70
QUADRO 21 Quadro-síntese do item 2014.19 (Tucídides e Aristóteles) 
em termos de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ..................72
QUADRO 22 Quadro-síntese do item 2014.24 (Epicuro) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................73
QUADRO 23 Quadro-síntese do item 2014.25 (Rafael/Escola de Atenas) 
em termos de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ..................76
QUADRO 24 Quadro-síntese do item 2014.29 (Galilei) em termos de sua 
adesão aos documentos referenciais utilizados ......................................................77
QUADRO 25 Quadro-síntese do item 2015.03 (Freire) em termos de sua 
adesão aos documentos referenciais utilizados ......................................................82
QUADRO 26 Quadro-síntese do item 2015.13 (Rachels/Sócrates) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................84
QUADRO 27 Quadro-síntese do item 2015.16 (Hume) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................86
QUADRO 28 Quadro-síntese do item 2015.17 (Aquino) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................88
QUADRO 29 Quadro-síntese do item 2015.26 (Hobbes) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................90
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
7
QUADRO 30 Quadro-síntese do item 2015.28 (Vernant) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................91
QUADRO 31 Quadro-síntese do item 2015.34 (Nietzsche/Pré-socráticos) 
em termos de sua adesão aos documentos referenciaisque a faculdade de compor, 
transpor, aumentar ou diminuir os materiais que nos fornecem os sentidos e a 
experiência. Quando pensamos em uma montanha de ouro, não fazemos mais do 
que juntar duas ideias consistentes, ouro e montanha, que já conhecíamos. Podemos 
conceber um cavalo virtuoso, porque somos capazes de conceber a virtude a partir de 
nossos próprios sentimentos, e podemos unir a isso a figura e a forma de um cavalo, 
animal que nos é familiar. 
HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano. 
São Paulo: Abril Cultural, 1995. 
Hume estabelece um vínculo entre pensamento e impressão ao considerar que 
A os conteúdos das ideias no intelecto têm origem na sensação. 
B o espírito é capaz de classificar os dados da percepção sensível. 
C as ideias fracas resultam de experiências sensoriais determinadas pelo acaso. 
D os sentimentos ordenam como os pensamentos devem ser processados na memória. 
E as ideias têm como fonte específica o sentimento cujos dados são colhidos na 
empiria.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
87
QUADRO 27 
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2015.16 (HUME) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS 
REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 17 Teoria do conhecimento nos modernos; verdade e evidência; 
ideias; causalidade; indução; método.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H01 Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes 
documentais acerca de aspectos da cultura.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de 
ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, 
políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
88
2015.17 (AQUINO / MONARQUIA)
Ora, em todas as coisas ordenadas a algum fim, é preciso haver algum dirigente, 
pelo qual se atinja diretamente o devido fim. Com efeito, um navio, que se move para 
diversos lados pelo impulso dos ventos contrários, não chegaria ao fim de destino, se 
por indústria do piloto não fosse dirigido ao porto; ora, tem o homem um fim, para o 
qual se ordenam toda a sua vida e ação. Acontece, porém, agirem os homens de modos 
diversos em vista do fim, o que a própria diversidade dos esforços e ações humanas 
comprova. Portanto, precisa o homem de um dirigente para o fim. 
AQUINO, T. Do reino ou do governo dos homens: ao rei do Chipre. 
 In: Escritos políticos de São Tomás de Aquino. Petrópolis: Vozes, 1995 (adaptado). 
No trecho citado, Tomás de Aquino justifica a monarquia como o regime de governo 
capaz de 
A refrear os movimentos religiosos contestatórios. 
B promover a atuação da sociedade civil na vida política. 
C unir a sociedade tendo em vista a realização do bem comum. 
D reformar a religião por meio do retorno à tradição helenística. 
E dissociar a relação política entre os poderes temporal e espiritual.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
89
QUADRO 28
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2015.17 (AQUINO) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) II.3 Ética e política.
Ocem (2006) - As Ocem não sugerem conteúdos compatíveis com este item.
Enem (2009)
Competência C3
Compreender a produção e o papel histórico das instituições 
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes 
grupos, conflitos e movimentos sociais.
Enem (2009)
Habilidade H12 Analisar o papel da justiça como instituição na organização das 
sociedades.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício da 
cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS603
Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de 
suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando 
conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e 
regimes de governo, soberania etc.).
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
90
2015.26 (HOBBES / LEVIATÃ)
A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito, que, 
embora por vezes se encontre um homem manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito 
mais vivo do que outro, mesmo assim, quando se considera tudo isto em conjunto, a diferença 
entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que um deles possa com 
base nela reclamar algum benefício a que outro não possa igualmente aspirar. 
HOBBES, T. Leviatã. 
São Paulo: Martins Fontes, 2003. 
Para Hobbes, antes da constituição da sociedade civil, quando dois homens desejavam 
o mesmo objeto, eles 
A entravam em conflito 
B recorriam aos clérigos. 
C consultavam os anciãos. 
D apelavam aos governantes. 
E exerciam a solidariedade.
QUADRO 29
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2015.26 (HOBBES) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS 
REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) II.3 Ética e política.
Ocem (2006) 20 O contratualismo.
Enem (2009)
Competência C3
Compreender a produção e o papel histórico das instituições 
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes 
grupos, conflitos e movimentos sociais.
Enem (2009)
Habilidade H12 Analisar o papel da justiça como instituição na organização das 
sociedades.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício 
da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS603
Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de 
suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando 
conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e 
regimes de governo, soberania etc.).
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
91
2015.28 (VERNANT / ÁGORA)
O que implica o sistema da pólis é uma extraordinária preeminência da palavra sobre 
todos os outros instrumentos do poder. A palavra constitui o debate contraditório, a 
discussão, a argumentação e a polêmica. Torna-se a regra do jogo intelectual, assim 
como do jogopolítico. 
VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego.
Rio de Janeiro: Bertrand, 1992 (adaptado). 
Na configuração política da democracia grega, especial a ateniense, a ágora tinha por 
função 
A agregar os cidadãos em torno de reis que governavam em prol da cidade. 
B permitir aos homens livres o acesso às decisões do Estado expostas por seus 
magistrados. 
C constituir o lugar onde o corpo de cidadãos se reunia para deliberar sobre as 
questões da comunidade. 
D reunir os exércitos para decidir em assembleias fechadas os rumos a serem tomados 
em caso de guerra. 
E congregar a comunidade para eleger representantes com direito a pronunciar-se em 
assembleias.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
92
QUADRO 30
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2015.28 (VERNANT) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1b
2
3
1b) Ler, de modo filosófico, textos de diferentes estruturas e 
registros.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) I.1 A democracia grega.
Ocem (2006) 08 Política antiga; a República de Platão; a Política de Aristóteles.
Enem (2009)
Competência C5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar 
os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma 
atuação consciente do indivíduo na sociedade.
Enem (2009)
Habilidade H24 Relacionar cidadania e democracia na organização das 
sociedades.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício 
da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS603
Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de 
suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando 
conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e 
regimes de governo, soberania etc.).
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
93
2015.34 (NIETZSCHE/PRÉ-SOCRÁTICOS)
A filosofia grega parece começar com uma ideia absurda, com a proposição: a água é a 
origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la 
a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo 
sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; 
e enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida, está 
contido o pensamento: Tudo é um. 
NIETZSCHE, F. Crítica moderna. In: Os pré-socráticos. 
São Paulo: Nova Cultural, 1999. 
O que, de acordo com Nietzsche, caracteriza o surgimento da filosofia entre os gregos?
A O impulso para transformar, mediante justificativas, os elementos sensíveis em 
verdades racionais. 
B O desejo de explicar, usando metáforas, a origem dos seres e das coisas. 
C A necessidade de buscar, de forma racional, a causa primeira das coisas existentes. 
D A ambição de expor, de maneira metódica, as diferenças entre as coisas. 
E A tentativa de justificar, a partir de elementos empíricos, o que existe no real.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
94
QUADRO 31
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2015.34 (NIETZSCHE/PRÉ-SOCRÁTICOS) EM TERMOS DE SUA 
ADESÃO AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos e 
modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais.
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 06 Filosofia pré-socrática; uno e múltiplo; movimento e realidade.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as identi- 
dades.
Enem (2009)
Habilidade H03 Associar as manifestações culturais do presente aos seus 
processos históricos.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de 
ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, 
políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
95
2015.42 (BEAUVOIR / O SEGUNDO SEXO)
Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, 
econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o 
conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o 
castrado que qualificam o feminino. 
BEAUVOIR, S. O segundo sexo. 
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. 
Na década de 1960, a proposição de Simone de Beauvoir contribuiu para estruturar um 
movimento social que teve como marca o(a) 
A ação do Poder Judiciário para criminalizar a violência sexual. 
B pressão do Poder Legislativo para impedir a dupla jornada de trabalho. 
C organização de protestos públicos para garantir a igualdade de gênero. 
D oposição de grupos religiosos para impedir os casamentos homoafetivos. 
E estabelecimento de políticas governamentais para promover ações afirmativas.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
96
QUADRO 32
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2015.42 (BEAUVOIR) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) II.3 Ética e política.
Ocem (2006) 25 Fenomenologia; existencialismo.
Enem (2009)
Competência C2 Compreender as transformações dos espaços geográficos como 
produto das relações socioeconômicas e culturais de poder.
Enem (2009)
Habilidade H10
Reconhecer a dinâmica da organização dos movimentos sociais 
e a importância da participação da coletividade na transformação 
da realidade histórico-geográfica.
BNCC (2018)
Competência C5
Identificar e combater as diversas formas de injustiça, preconceito 
e violência, adotando princípios éticos, democráticos, inclusivos 
e solidários, e respeitando os Direitos Humanos.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS501
Analisar os fundamentosda ética em diferentes culturas, 
tempos e espaços, identificando processos que contribuem 
para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a 
cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência 
democrática e a solidariedade.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
97
ANÁLISE DA EDIÇÃO
A prova de 2016 traz nove itens de Filosofia, sendo a edição com maior número de 
itens da área nos vinte anos analisados. Eles cobrem oito habilidades da Matriz de Referência 
do Enem – também o maior número de habilidades cobertas até então: a H3 é mobilizada 
por dois itens, enquanto a H1, H4, H14, H20, H21, H23 e H25 têm um item cada. Duas 
dessas habilidades são mobilizadas pela primeira vez por itens de Filosofia: o item 2016.25, 
com texto de Hans Jonas, demanda a H20, “Selecionar argumentos favoráveis ou contrários 
às modificações impostas pelas novas tecnologias à vida social e ao mundo do trabalho”, 
e o item 2016.15, com texto de Adorno e Horkheimer, atende a H21, “Identificar o papel 
dos meios de comunicação na construção da vida social”. No total, os nove itens mobilizam 
quatro competências de Ciências Humanas: quatro itens demandam a C1, um a C3, um a C4 
e três a C5. São dois itens de filosofia antiga, dois de moderna e cinco de contemporânea 
(incluindo um que pede elementos precursores do existencialismo em Shakespeare). Todos 
os dez textos-base utilizados são de fontes primárias, sendo sete sem adaptações e três com 
essa sinalização. 
PCN
Oito dos nove itens desta edição mobilizaram a competência 1a, “Ler textos filosóficos 
de modo significativo”, enquanto o item 6, que solicitava do respondente identificar elementos 
2016
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
98
precursores do existencialismo em um texto de Shakespeare, exigia também a competência 
1b, “Ler, de modo filosófico, textos de diferentes estruturas e registros”. Além deste item, 
outros quatro exigiam também do respondente simultâneamente a competência 2, “Articular 
conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos e modos discursivos nas Ciências Naturais 
e Humanas, nas Artes e em outras produções culturais”, e a competência 3, “Contextualizar 
conhecimentos filosóficos, tanto no plano de sua origem específica, quanto em outros planos: 
o pessoal-biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o horizonte da sociedade 
científico-tecnológica.” São eles: o 23, que requer do respondente a comparação entre 
o pensamento de Heráclito e o de Parmênides no contexto do pensamento pré-socrático; o 
25, que, a partir do texto de Hans Jonas, exige do respondente articular tecnologia e ética 
para pensar sobre responsabilidades da geração atual em relação às gerações futuras; 
o 28, que a partir de texto biográfico de Diógenes Laércio sobre a vida de Pirro, exige 
do respondente extrair características do ceticismo; e o 37, que requer do respondente 
associar texto alegórico de Nietzsche com elementos da doutrina niilista. Dois itens pedem 
simultaneamente a competência de leitura (1a) e a de articulação (2): o 20, com texto de 
René Descartes comparando a construção do conhecimento filosófico com a de outros tipos 
de conhecimento; e o 24, com texto de Iris Marion Young comparando diferentes definições 
de democracia. Outros dois itens exigem simultaneamente a competência de leitura (1a) 
e a de contextualização sociocultural (3): o item 1, que insere a noção de felicidade de 
Schopenhauer no contexto da tradição filosófica ocidental; e o 15, que analisa a crítica de 
Adorno e Horkheimer no contexto da sociedade contemporânea.
PCN+
Como em 2014, o foco maior desta edição foi em epistemologia, objeto predominante 
do eixo III, com cinco itens: sendo três itens (23, 28 e 37) no tema 1, “filosofia, mito, e senso 
comum”; um item (25) no tema 2, “filosofia, ciência e tecnocracia”; e um item (15) no tema 
3, “filosofia e estética”. O eixo I, sobre democracia, mantém-se com um único item como no 
ano anterior, que passou do tema 1, “a democracia ateniense”, para o tema 2, “a democracia 
contemporânea”, e exigiu do respondente identificar as diferentes concepções de democracia 
contemporânea a partir do texto de Iris Marion Young. O eixo II, sobre ética, foi abordado 
por três itens, todos no tema 1, “Autonomia e liberdade”: o item 1, com texto-base de 
Schopenhauer; o 6, que compara texto de Shakespeare com elementos do existencialismo; 
e o 20, sobre Descartes. 
OCEM
Foram abordados oito conteúdos das Ocem para a filosofia nesta edição. Em termos 
de períodos da filosofia ocidental, o item 23, que convida o respondente a comparar o 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
99
pensamento de dois filósofos pré-socráticos, Heráclito e Parmênides, exige pelo segundo ano 
consecutivo o conteúdo 6, “filosofia pré-socrática; uno e múltiplo; movimento e realidade”. 
O item 28, por outro lado, aborda o período helenístico com um texto de Diógenes Laércio 
sobre o ceticismo de Pirro, exigindo assim o conteúdo 9, “a ética antiga; Platão, Aristóteles e 
filósofos helenistas”, trazendo pela primeira vez um item do período helenista para o exame. 
Os dois itens de filosofia moderna discutem de certa forma o tema da autonomia do 
sujeito: o item 1 traz um texto de Schopenhauer e aborda a questão da vontade, sendo o 
representante mais próximo do conteúdo 24, “razão e vontade; o belo e o sublime na Filosofia 
alemã”, nos vinte anos analisados. Já o item 20, com um texto de Descartes sobre a importância 
do pensamento crítico, exige o conteúdo 21, “razão e entendimento; razão e sensibilidade; 
intuição e conceito”.
Na interface com a filosofia contemporânea, temos dois itens que tratam de elementos 
precursores do existencialismo. O item 37, com texto de Nietzsche sobre o niilismo, aborda o 
conteúdo 25, “crítica à metafísica na contemporaneidade; Nietzsche; Wittgenstein; Heidegger”. 
O item 6 traz um fragmento da obra de Shakespeare e pede para o respondente identificar 
elementos precursores do existencialismo, atendendo assim o conteúdo 26, “fenomenologia; 
existencialismo”. Os conteúdos 25 e 26 haviam sido abordados de maneira tangencial na 
prova de 2015, sendo em ambos os casos sua única ocorrência anterior. Vemos na prova de 
2016, portanto, um amadurecimento do tratamento desses dois conteúdos.
Outros dois itens trazem questões associadas ao conteúdo 28, “marxismo e Escola 
de Frankfurt”. O item 15 traz texto de Adorno e Horkheimer sobre a indústria cultural e o 24 
traz texto da filósofa americana Iris Marion Young sobre diferentes conceitos de democracia, 
dialogando com o pensamento de Habermas sobre democracia comunicativa. Por último, 
o item 25 apresenta texto do filósofo Hans Jonas para discutir questões de tecnologia e 
sustentabilidade, transitando na intersecção entre ética e filosofia da ciência, atendendo 
assim o conteúdo 29, “epistemologias contemporâneas; Filosofia da ciência; o problema da 
demarcação entre ciência e metafísica”, e o conteúdo 22, “éticas do dever; fundamentações 
da moral; autonomia do sujeito”.
BNCC
Nesta edição, cinco itens (o 2016.06 sobre Shakespeare, o 2016.20 sobre Descartes, o 
2016.28 sobre Pirro, o 2016.37 sobre Nietzsche e o 2016.23 sobre Heráclito e Parmênides) 
atenderiam a habilidade EM13CHS101, “Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e 
narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas 
e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais.” O item 2016.01, sobre Schopenhauer, seria o único a atender a EM13CHS501, 
“Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando 
processos que contribuem para a formação de sujeitos éticos quevalorizem a liberdade, a 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
100
cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade”, 
enquanto o 2016.24, sobre Young, seria o único a atender a habilidade EM13CHS603, 
“Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de suas experiências políticas 
e de exercício da cidadania, aplicando conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, 
sistemas e regimes de governo, soberania etc.).”
Dois itens (o 2016.15 sobre Adorno e o 2016.25 sobre Jonas), do total de três em vinte 
anos do Enem até 2018, atenderiam a EM13CHS504, “Analisar e avaliar os impasses ético-
políticos decorrentes das transformações científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo 
e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, sociedades 
e culturas”. Esses três últimos itens da competência C5 seriam também os candidatos mais 
fortes da Filosofia para representar a competência C4, “Analisar as relações de produção, 
capital e trabalho em diferentes territórios, contextos e culturas, discutindo o papel dessas 
relações na construção, consolidação e transformação das sociedades”, em particular a 
habilidade EM13CHS401, “Identificar e analisar as relações entre sujeitos, grupos, classes 
sociais e sociedades com culturas distintas diante das transformações técnicas, tecnológicas 
e informacionais e das novas formas de trabalho ao longo do tempo, em diferentes espaços 
(urbanos e rurais) e contextos”, ou a habilidade EM13CHS403, “Caracterizar e analisar os 
impactos das transformações tecnológicas nas relações sociais e de trabalho próprias da 
contemporaneidade, promovendo ações voltadas à superação das desigualdades sociais, da 
opressão e da violação dos Direitos Humanos.” O item 15 seria o único item desta edição a 
representar a competência 3, em particular a habilidade EM14CHS303, “Debater e avaliar o 
papel da indústria cultural e das culturas de massa no estímulo ao consumismo, seus impactos 
econômicos e socioambientais, com vistas à percepção crítica das necessidades criadas pelo 
consumo e à adoção de hábitos sustentáveis”.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
101
APRESENTAÇÃO DOS ITENS E SUA CORRESPONDÊNCIA AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS
2016.01 (SCHOPENHAUER/AFORISMO)
Sentimos que toda satisfação de nossos desejos advinda do mundo assemelha-se 
à esmola que mantém hoje o mendigo vivo, porém prolonga amanhã a sua fome. 
A resignação, ao contrário, assemelha-se à fortuna herdada: livra o herdeiro para 
sempre de todas as preocupações. 
SCHOPENHAUER, A. Aforismo para a sabedoria da vida. 
São Paulo: Martins Fontes, 2005. 
O trecho destaca uma ideia remanescente de uma tradição filosófica ocidental, segundo 
a qual a felicidade se mostra indissociavelmente ligada à 
A consagração de relacionamentos afetivos. 
B administração da independência interior. 
C fugacidade do conhecimento empírico. 
D liberdade de expressão religiosa. 
E busca de prazeres efêmeros.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
102
QUADRO 33
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2016.01 (SCHOPENHAUER) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) II.1 Autonomia e liberdade.
Ocem (2006) 24 Razão e vontade; o belo e o sublime na Filosofia alemã.
Enem (2009)
Competência C5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar 
os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma 
atuação consciente do indivíduo na sociedade.
Enem (2009)
Habilidade H23 Analisar a importância dos valores éticos na estruturação política 
das sociedades.
BNCC (2018)
Competência C5
Identificar e combater as diversas formas de injustiça, preconceito 
e violência, adotando princípios éticos, democráticos, inclusivos e 
solidários, e respeitando os Direitos Humanos.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS501
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, 
tempos e espaços, identificando processos que contribuem 
para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a 
cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência 
democrática e a solidariedade.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
103
2016.06 (SHAKESPEARE / EXISTENCIALISMO)
Ser ou não ser – eis a questão. 
Morrer – dormir – Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo! 
Os sonhos que hão de vir no sono da morte 
Quando tivermos escapado ao tumulto vital 
Nos obrigam a hesitar: e é essa a reflexão 
Que dá à desventura uma vida tão longa. 
SHAKESPEARE, W. Hamlet.
Porto Alegre: L&PM, 2007. 
Este solilóquio pode ser considerado um precursor do existencialismo ao enfatizar a 
tensão entre 
A consciência de si e angústia humana. 
B inevitabilidade do destino e incerteza moral. 
C tragicidade da personagem e ordem do mundo. 
D racionalidade argumentativa e loucura iminente. 
E dependência paterna e impossibilidade de ação.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
104
QUADRO 34
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2016.06 (SHAKESPEARE/HAMLET) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1b
2
3
1b) Ler, de modo filosófico, textos de diferentes estruturas e 
registros.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
emodos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) II.1 Autonomia e liberdade.
Ocem (2006) 26 Fenomenologia; existencialismo.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H04 Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre 
determinado aspecto da cultura.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de 
ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, 
políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
105
2016.15 (ADORNO; HORKHEIMER / INDÚSTRIA CULTURAL)
Hoje, a indústria cultural assumiu a herança civilizatória da democracia de pioneiros 
e empresários, que tampouco desenvolvera uma fineza de sentido para os desvios 
espirituais. Todos são livres para dançar e para se divertir, do mesmo modo que, 
desde a neutralização histórica da religião, são livres para entrar em qualquer uma das 
inúmeras seitas. Mas a liberdadede escolha da ideologia, que reflete sempre a coerção 
econômica, revela-se em todos os setores como a liberdade de escolher o que é sempre 
a mesma coisa. 
ADORNO, T.; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: 
fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Zahar, 1985. 
A liberdade de escolha na civilização ocidental, de acordo com a análise do texto, é 
um(a) 
A legado social. 
B patrimônio político. 
C produto da moralidade. 
D conquista da humanidade. 
E ilusão da contemporaneidade.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
106
QUADRO 35
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2016.15 (ADORNO; HORKHEIMER) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) III.3 Filosofia e estética.
Ocem (2006) 28 Marxismo e Escola de Frankfurt.
Enem (2009)
Competência C5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar 
os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma 
atuação consciente do indivíduo na sociedade.
Enem (2009)
Habilidade H21 Identificar o papel dos meios de comunicação na construção da 
vida social.
BNCC (2018)
Competência
C5 Identificar e combater as diversas formas de injustiça, preconceito 
e violência, adotando princípios éticos, democráticos, inclusivos e 
solidários, e respeitando os Direitos Humanos.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS504
Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes 
das transformações culturais, sociais, históricas, científicas e 
tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos 
nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, 
sociedades e culturas.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
107
2016.20 (DESCARTES / AUTONOMIA DO SUJEITO PENSANTE)
Nunca nos tornaremos matemáticos, por exemplo, embora nossa memória possua todas 
as demonstrações feitas por outros, se nosso espírito não for capaz de resolver toda 
espécie de problemas; não nos tornaríamos filósofos, por ter lido todos os raciocínios 
de Platão e Aristóteles, sem poder formular um juízo sólido sobre o que nos é proposto. 
Assim, de fato, pareceríamos ter aprendido, não ciências, mas histórias. 
DESCARTES, R. Regras para a orientação do espírito. 
São Paulo: Martins Fontes, 1999. 
Em sua busca pelo saber verdadeiro, o autor considera o conhecimento, de modo crítico, 
como resultado da 
A investigação de natureza empírica. 
B retomada da tradição intelectual. 
C imposição de valores ortodoxos. 
D autonomia do sujeito pensante. 
E liberdade do agente moral.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
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QUADRO 36
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2016.20 (DESCARTES) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
PCN+ (2002) II.1 Autonomia e liberdade.
Ocem (2006) 21 Razão e entendimento; razão e sensibilidade; intuição e conceito.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H01 Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes 
documentais acerca de aspectos da cultura.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de 
ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, 
políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
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2016.23 (HERÁCLITO E PARMÊNIDES)
TEXTO I 
Fragmento B91: Não se pode banhar duas vezes no mesmo rio, nem substância mortal 
alcançar duas vezes a mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da mudança, 
dispersa e de novo reúne. 
HERÁCLITO. Fragmentos (Sobre a natureza). 
São Paulo: Abril Cultural, 1996 (adaptado). 
TEXTO II 
Fragmento B8: São muitos os sinais de que o ser é ingênito e indestrutível, pois é 
compacto, inabalável e sem fim; não foi nem será, pois é agora um todo homogêneo, 
uno, contínuo. Como poderia o que é perecer? Como poderia gerar-se? 
PARMÊNIDES. Da natureza.
São Paulo: Loyola, 2002 (adaptado). 
Os fragmentos do pensamento pré-socrático expõem uma oposição que se insere no 
campo das 
A investigações do pensamento sistemático. 
B preocupações do período mitológico. 
C discussões de base ontológica. 
D habilidades da retórica sofística. 
E verdades do mundo sensível.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
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QUADRO 37 
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2016.23 (HERÁCLITO E PARMÊNIDES) EM TERMOS DE SUA 
ADESÃO AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 06 Filosofia pré-socrática; uno e múltiplo; movimento e realidade.
Enem (2009)
Competência C3
Compreender a produção e o papel histórico das instituições 
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes 
grupos, conflitos e movimentos sociais.
Enem (2009)
Habilidade H14
Comparar diferentes pontos de vista, presentes em textos 
analíticos e interpretativos, sobre situação ou fatos de natureza 
histórico-geográfica acerca das instituições sociais, políticas e 
econômicas.
BNCC (2018)
Competência
C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de 
ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, 
políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
FonteGM: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
111
2016.24 (YOUNG / CONCEPÇÕES DE DEMOCRACIA)
A democracia deliberativaafirma que as partes do conflito político devem deliberar entre 
si e, por meio de argumentação razoável, tentar chegar a um acordo sobre as políticas 
que seja satisfatório para todos. A democracia ativista desconfia das exortações à 
deliberação por acreditar que, no mundo real da política, onde as desigualdades 
estruturais influenciam procedimentos e resultados, processos democráticos que 
parecem cumprir as normas de deliberação geralmente tendem a beneficiar os 
agentes mais poderosos. Ela recomenda, portanto, que aqueles que se preocupam 
com a promoção de mais justiça devem realizar principalmente a atividade de oposição 
crítica, em vez de tentar chegar a um acordo com quem sustenta estruturas de poder 
existentes ou delas se beneficia.
YOUNG, I. M. Desafios ativistas à democracia deliberativa. 
Revista Brasileira de Ciência Política, n. 13, jan./abr. 2014.
As concepções de democracia deliberativa e de democracia ativista apresentadas 
no texto tratam como imprescindíveis, respectivamente, 
A a decisão da maioria e a uniformização de direitos. 
B a organização de eleições e o movimento anarquista. 
C a obtenção do consenso e a mobilização das minorias. 
D a fragmentação da participação e a desobediência civil. 
E a imposição de resistência e o monitoramento da liberdade.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
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QUADRO 38
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2016.24 (YOUNG) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
PCN+ (2002) I.2 A democracia contemporânea.
Ocem (2006) 28 Marxismo e Escola de Frankfurt.
Enem (2009)
Competência C5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar 
os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma 
atuação consciente do indivíduo na sociedade.
Enem (2009)
Habilidade H25 Identificar estratégias que promovam formas de inclusão social.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício da 
cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS603
Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de 
suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando 
conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e 
regimes de governo, soberania etc.).
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
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2016.25 (JONAS / O PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE)
A promessa da tecnologia moderna se converteu em uma ameaça, ou esta se associou 
àquela de forma indissolúvel. Ela vai além da constatação da ameaça física. Concebida 
para a felicidade humana, a submissão da natureza, na sobremedida de seu sucesso, 
que agora se estende à própria natureza do homem, conduziu ao maior desafio já 
posto ao ser humano pela sua própria ação. O novo continente da práxis coletiva que 
adentramos com a alta tecnologia ainda constitui, para a teoria ética, uma terra de 
ninguém. 
JONAS, H. O princípio da responsabilidade. 
Rio de Janeiro: Contraponto; Editora PUC-Rio, 2011 (adaptado). 
As implicações éticas da articulação apresentada no texto impulsionam a necessidade 
de construção de um novo padrão de comportamento, cujo objetivo consiste em 
garantir o (a) 
A pragmatismo da escolha individual. 
B sobrevivência de gerações futuras. 
C fortalecimento de políticas liberais. 
D valorização de múltiplas etnias. 
E promoção da inclusão social.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
114
QUADRO 39
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2016.25 (JONAS) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) III.2 Filosofia, ciência e tecnocracia.
Ocem (2006) 22 Éticas do dever; fundamentações da moral; autonomia do sujeito.
Enem (2009)
Competência C4
Entender as transformações técnicas e tecnológicas e seu impacto 
nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento 
e na vida social.
Enem (2009)
Habilidade H20
Selecionar argumentos favoráveis ou contrários às modificações 
impostas pelas novas tecnologias à vida social e ao mundo do 
trabalho.
BNCC (2018)
Competência C5
Identificar e combater as diversas formas de injustiça, preconceito 
e violência, adotando princípios éticos, democráticos, inclusivos e 
solidários, e respeitando os Direitos Humanos.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS504
Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes 
das transformações culturais, sociais, históricas, científicas e 
tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos 
nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, 
sociedades e culturas.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
115
2016.28 (DIÓGENES LAÉRCIO / PIRRO)
Pirro afirmava que nada é nobre nem vergonhoso, justo ou injusto; e que, da mesma 
maneira, nada existe do ponto de vista da verdade; que os homens agem apenas 
segundo a lei e o costume, nada sendo mais isto do que aquilo. Ele levou uma vida 
de acordo com esta doutrina, nada procurando evitar e não se desviando do que quer 
que fosse, suportando tudo, carroças, por exemplo, precipícios, cães, nada deixando ao 
arbítrio dos sentidos. 
LAÉRCIO, D. Vidas e sentenças dos filósofos ilustres. 
Brasília: Editora UnB, 1988. 
O ceticismo, conforme sugerido no texto, caracteriza-se por: 
A Desprezar quaisquer convenções e obrigações da sociedade. 
B Atingir o verdadeiro prazer como o princípio e o fim da vida feliz. 
C Defender a indiferença e a impossibilidade de obter alguma certeza. 
D Aceitar o determinismo e ocupar-se com a esperança transcendente. 
E Agir de forma virtuosa e sábia a fim de enaltecer o homem bom e belo.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
116
QUADRO 40
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2016.28 (DIÓGENES LAÉRCIO) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 09 A ética antiga; Platão, Aristóteles e filósofos helenistas.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H03 Associar as manifestações culturais do presente aos seus 
processos históricos.
BNCC (2018)
Competência
C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientaise culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de 
ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, 
políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
117
2016.37 (NIETZSCHE / NIILISMO)
Vi os homens sumirem-se numa grande tristeza. Os melhores cansaram-se das suas 
obras. Proclamou-se uma doutrina e com ela circulou uma crença: Tudo é oco, tudo é 
igual, tudo passou! O nosso trabalho foi inútil; o nosso vinho tornou-se veneno; o mau 
olhado amareleceu-nos os campos e os corações. Secamos de todo, e se caísse fogo 
em cima de nós, as nossas cinzas voariam em pó. Sim; cansamos o próprio fogo. Todas 
as fontes secaram para nós, e o mar retirou-se. Todos os solos se querem abrir, mas os 
abismos não nos querem tragar! 
NIETZSCHE, F. Assim falou Zaratustra. 
Rio de Janeiro: Ediouro, 1977. 
O texto exprime uma construção alegórica, que traduz um entendimento da doutrina 
niilista, uma vez que
A reforça a liberdade do cidadão. 
B desvela os valores do cotidiano. 
C exorta as relações de produção. 
D destaca a decadência da cultura. 
E amplifica o sentimento de ansiedade.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
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QUADRO 41
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2016.37 (NIETZSCHE) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais.
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 25 Crítica à metafísica na contemporaneidade; Nietzsche; 
Wittgenstein; Heidegger.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as identi- 
dades.
Enem (2009)
Habilidade H03 Associar as manifestações culturais do presente aos seus pro- 
cessos históricos.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de 
ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, 
políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Elaboração própria.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
119
ANÁLISE DA EDIÇÃO
Em 2017 foram oito itens de Filosofia no exame: três sobre filosofia antiga (itens 65, 66 
e 88), três sobre o período moderno (itens 48, 49, 85) e dois sobre a filosofia contemporânea 
(itens 64 e 84). Foram seis habilidades cobertas: dois itens na H3 e na H23, enquanto a H1, 
a H11, a H12 e a H24 foram representadas por um item cada. É a primeira ocorrência da 
habilidade H11, “Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço”, em 
um item de Filosofia (item 66). 
Enquanto em 2016 todos os itens utilizaram fontes primárias, neste ano a proporção foi 
a metade: quatro utilizaram fontes primárias (64, 65, 85 e 88) e quatro secundárias (48, 49, 
66 e 84). A proporção entre textos com e sem adaptações também se inverteu, sendo cinco 
textos adaptados (49, 64, 65, 84 e 88) e três sem essa indicação (48, 66 e 85). O único item 
com texto de fonte primária e sem adaptações é o 85, sobre Kant.
PCN
Sete itens mobilizam a competência 1a, “Ler textos filosóficos de modo significativo”, 
enquanto o item 49, que trata sobre a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, 
envolve a leitura filosófica de textos de outros registros (competência 1b). Por mobilizar 
conhecimentos sobre o contexto histórico, este item atende simultaneamente a compe- 
2017
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
120
tência 2, “Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos e modos discursivos nas 
Ciências Naturais e Humanas, nas Artes e em outras produções culturais”, e a competência 3, 
“Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de sua origem específica, quanto em 
outros planos: o pessoal-biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o horizonte 
da sociedade científico-tecnológica.”
Outros dois itens desta edição também mobilizam conjuntamente essas duas 
competências de articular (2) e contextualizar (3): o 64, que pede para o respondente associar 
o pensamento de John Rawls ao liberalismo moderno; e o 65, que pede para o respondente 
associar a teoria do átomo a Demócrito, dentro do contexto pré-socrático descrito por Hegel.
PCN+
Em comparação com a edição anterior, a prova de 2017 apresenta menos itens sobre 
epistemologia e mais itens sobre filosofia política. O eixo I, com foco em democracia, cresce 
de um para três itens em relação ao ano anterior. Os três itens foram dentro do tema 2, 
“A democracia contemporânea”: o 64, sobre Rawls; o 84, sobre Habermas; e o 66, sobre a 
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. 
O eixo II, com foco em ética, manteve-se com três itens como no ano anterior, todos 
eles no tema 1, “Autonomia e liberdade”: o 88, sobre Aristóteles; o 85, sobre Kant; e o 48, 
sobre Bentham. 
O eixo III, “O Que É Filosofia”, decresce em relação ao ano anterior, de quatro para dois 
itens, ambos no tema 1, “Filosofia, mito e senso comum”: o 65, com texto de Hegel sobre os 
pré-socráticos, e o 66, com texto de Bréhier sobre Sócrates. 
OCEM
Dos conteúdos propostos para a filosofia pelas Ocem, sete foram abordados nesta 
edição do exame. Entre os itens de filosofia antiga, o 65 usa um texto de Hegel sobre 
Demócrito, cobrindo o conteúdo 6, “filosofia pré-socrática; uno e múltiplo; movimento e 
realidade”, numa proposta parecida com a do item de Nietzsche em 2015. O item 88 trata 
da Política de Aristóteles, cobrindo o conteúdo 8, “a política antiga; a República de Platão; a 
Política de Aristóteles”. Já o item 66 traz um texto de fonte secundária sobre o modo de vida 
socrático, que perpassa os conteúdos 7, “teoria das ideias em Platão; conhecimento e opinião; 
aparência e realidade”; 8, “a política antiga; a República de Platão; a Política de Aristóteles”; e 
9, “a ética antiga; Platão, Aristóteles e filósofos helenistas”. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
121
Dos itens de filosofia moderna, o 85, sobre o imperativo categórico de Kant, é o que mais 
converge com as Ocem. De fato, de todos os 12 itens analisados que abordam de alguma forma 
o recorrente conteúdo 22, “éticas do dever; fundamentações da moral; autonomia do sujeito”, 
entre 2006e 2018, este é o que o faz com maior propriedade. Os outros dois itens sobre esse 
período são mais difíceis de pensar em termos das Ocem. O item 48, sobre o utilitarismo de 
Bentham, não encontra espaço algum nesse documento, ao menos que possamos considerar 
o mesmo conteúdo 22, embora aqui com bem menos propriedade do que no item sobre Kant. 
O item 49, que traz um texto sobre a “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão” e 
discute a universalização do princípio da igualdade civil, também não dialoga bem com as 
Ocem, tendo como ponto de contato mais próximo o conteúdo 19, “teorias do sujeito na 
filosofia moderna”, que nunca havia sido abordado nas edições anteriores do exame.
Entre os itens de filosofia contemporânea, percebe-se também essa lacuna nas Ocem 
em relação aos teóricos da democracia contemporânea. O item 84, sobre Habermas, pela 
afiliação do autor corresponderia ao conteúdo 28, “marxismo e Escola de Frankfurt”, por 
falta de um espaço mais adequado. Já o item 64, que pede para o respondente associar o 
pensamento de John Rawls ao liberalismo do período moderno, não encontra correspondência 
tão clara nas Orientações. O conteúdo das Ocem que talvez permitisse esse tipo de exercício 
seria o 20, “o contratualismo”, pela relação que ele tem com o liberalismo. 
BNCC
Quanto às habilidades propostas pela BNCC que encontrariam equivalentes nos 
itens de Filosofia desta edição, as proporções são semelhantes às de 2015. Três itens 
(o 2017.64 sobre Rawls, o 2017.84 sobre Habermas e o 2017.88 sobre Aristóteles) atenderiam 
a habilidade EM13CHS603, “Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de 
suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando conceitos políticos básicos 
(Estado, poder, formas, sistemas e regimes de governo, soberania etc.)”. Já o 2017.49, sobre a 
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, atenderia com propriedade a EM13CHS605, 
“Analisar os princípios da declaração dos Direitos Humanos, recorrendo às noções de justiça, 
igualdade e fraternidade, identificar os progressos e entraves à concretização desses direitos 
nas diversas sociedades contemporâneas e promover ações concretas diante da desigualdade 
e das violações desses direitos em diferentes espaços de vivência, respeitando a identidade 
de cada grupo e de cada indivíduo.”
Dois itens (o 2017.65 sobre Hegel e o 2017.66 sobre Sócrates) atenderiam a habilidade 
EM13CHS101, “Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em 
diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos 
históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.” Outros dois itens 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
122
(o 2017.48 sobre Bentham e o 2017.85 sobre Kant) atenderiam a EM13CHS501, “Analisar 
os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando processos 
que contribuem para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a 
autonomia, o empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade”.
APRESENTAÇÃO DOS ITENS E SUA CORRESPONDÊNCIA AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS
2017.48 (RACHELS/BENTHAM)
A moralidade, Bentham exortava, não é uma questão de agradar a Deus, muito menos 
de fidelidade a regras abstratas. A moralidade é a tentativa de criar a maior quantidade 
de felicidade possível neste mundo. Ao decidir o que fazer, deveríamos, portanto, 
perguntar qual curso de conduta promoveria a maior quantidade de felicidade para 
todos aqueles que serão afetados. 
RACHELS, J. Os elementos da filosofia moral. 
Barueri: Manole, 2006.
Os parâmetros da ação indicados no texto estão em conformidade com uma 
A fundamentação científica de viés positivista.
B convenção social de orientação normativa. 
C transgressão comportamental religiosa. 
D racionalidade de caráter pragmático. 
E inclinação de natureza passional.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
123
QUADRO 42 
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2017.48 (BENTHAM) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) II.3 Ética e política.
Ocem (2006) 22 Éticas do dever; fundamentações da moral; autonomia do sujeito.
Enem (2009)
Competência C5
Compreender a produção e o papel histórico das instituições 
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes 
grupos, conflitos e movimentos sociais.
Enem (2009)
Habilidade H23 Analisar o papel da justiça como instituição na organização das 
sociedades.
BNCC (2018)
Competência C5
Identificar e combater as diversas formas de injustiça, preconceito 
e violência, adotando princípios éticos, democráticos, inclusivos e 
solidários, e respeitando os Direitos Humanos.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS501
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, 
tempos e espaços, identificando processos que contribuem 
para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a 
cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência 
democrática e a solidariedade.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
124
2017.49 (FORTES / ILUMINISMO)
Fala-se muito nos dias de hoje em direitos do homem. Pois bem: foi no século XVIII – 
em 1789, precisamente – que uma Assembleia Constituinte produziu e proclamou em 
Paris a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Essa Declaração se impôs 
como necessária para um grupo de revolucionários, por ter sido preparada por uma 
mudança no plano das ideias e das mentalidades.
FORTES, L. R. S. O Iluminismo e os reis filósofos. 
São Paulo: Brasiliense, 1981 (adaptado). 
Correlacionando temporalidades históricas, o texto apresenta uma concepção de 
pensamento que tem como uma de suas bases a 
A modernização da educação escolar. 
B atualização da disciplina moral cristã. 
C divulgação de costumes aristocráticos. 
D socialização do conhecimento científico.
E universalização do princípio da igualdade civil.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
125
QUADRO 43
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2017.49 (ILUMINISMO) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1b
2
3
1b) Ler, de modo filosófico, textos de diferentes estruturas e 
registros.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) I.2 A democracia contemporânea.
Ocem (2006) 19 Teorias do sujeito na filosofia moderna.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as identi- 
dades.
Enem (2009)
Habilidade H03 Associar as manifestações culturais do presente aos seus pro- 
cessos históricos.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício 
da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS605
Analisar os princípios da declaração dos Direitos Humanos, 
recorrendo às noções de justiça, igualdade e fraternidade, 
identificar os progressos e entraves à concretização desses 
direitos nas diversas sociedades contemporâneas e promover 
ações concretas diante da desigualdade e das violaçõesdesses 
direitos em diferentes espaços de vivência, respeitando a 
identidade de cada grupo e de cada indivíduo.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
126
2017.64 (RAWLS / LIBERALISMO)
Uma sociedade é uma associação mais ou menos autossuficiente de pessoas que em 
suas relações mútuas reconhecem certas regras de conduta como obrigatórias e que, 
na maioria das vezes, agem de acordo com elas. Uma sociedade é bem ordenada não 
apenas quando está planejada para promover o bem de seus membros, mas quando é 
também efetivamente regulada por uma concepção pública de justiça. Isto é, trata-se 
de uma sociedade na qual todos aceitam, e sabem que os outros aceitam, o mesmo 
princípio de justiça. 
RAWLS, J. Uma teoria da justiça. 
São Paulo: Martins Fontes, 1997 (adaptado).
A visão expressa nesse texto do século XX remete a qual aspecto do pensamento 
moderno? 
A A relação entre liberdade e autonomia do Liberalismo. 
B A independência entre poder e moral do Racionalismo. 
C A convenção entre cidadãos e soberano do Absolutismo. 
D A dialética entre indivíduo e governo autocrata do Idealismo.
E A contraposição entre bondade e condição selvagem do Naturalismo.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
127
QUADRO 44
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2017.64 (RAWLS) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) I.2 A democracia contemporânea.
Ocem (2006) 20 O contratualismo.
Enem (2009)
Competência C3
Compreender a produção e o papel histórico das instituições 
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes 
grupos, conflitos e movimentos sociais.
Enem (2009)
Habilidade H12 Analisar o papel da justiça como instituição na organização das 
sociedades.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício 
da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS603
Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e 
de suas experiências políticas e de exercício da cidadania, 
aplicando conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, 
sistemas e regimes de governo, soberania etc.).
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
128
2017.65 (HEGEL / DEMÓCRITO)
A representação de Demócrito é semelhante à de Anaxágoras, na medida em 
que um infinitamente múltiplo é a origem; mas nele a determinação dos princípios 
fundamentais aparece de maneira tal que contém aquilo que para o que foi formado 
não é, absolutamente, o aspecto simples para si. Por exemplo, partículas de carne e de 
ouro seriam princípios que, através de sua concentração, formam aquilo que aparece 
como figura. 
HEGEL, G. W. F. Crítica moderna. In: SOUZA, J. C. (Org.). Os pré-socráticos: 
vida e obra. São Paulo: Nova Cultural, 2000 (adaptado). 
O texto faz uma apresentação crítica acerca do pensamento de Demócrito, segundo o 
qual o “princípio constitutivo das coisas” estava representado pelo(a)
A número, que fundamenta a criação dos deuses. 
B devir, que simboliza o constante movimento dos objetos. 
C água, que expressa a causa material da origem do universo. 
D imobilidade, que sustenta a existência do ser atemporal. 
E átomo, que explica o surgimento dos entes.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
129
QUADRO 45
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2017.65 (HEGEL/DEMÓCRITO) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 06 Filosofia pré-socrática; uno e múltiplo; movimento e realidade.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H03 Associar as manifestações culturais do presente aos seus 
processos históricos.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de 
ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, 
políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
130
2017.66 (BRÉHIER / SÓCRATES)
Uma conversação de tal natureza transforma o ouvinte; o contato de Sócrates paralisa 
e embaraça; leva a refletir sobre si mesmo, a imprimir à atenção uma direção incomum: 
os temperamentais, como Alcibíades, sabem que encontrarão junto dele todo o bem de 
que são capazes, mas fogem porque receiam essa influência poderosa, que os leva a se 
censurarem. É sobretudo a esses jovens, muitos quase crianças, que ele tenta imprimir 
sua orientação.
BRÉHIER, E. História da filosofia. 
São Paulo: Mestre Jou, 1977. 
O texto evidencia características do modo de vida socrático, que se baseava na 
A contemplação da tradição mítica. 
B sustentação do método dialético. 
C relativização do saber verdadeiro. 
D valorização da argumentação retórica. 
E investigação dos fundamentos da natureza.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
131
QUADRO 46
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2017.66 (BRÉHIER/SÓCRATES) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 7-8-9
7) teoria das ideias em Platão; conhecimento e opinião; 
aparência e realidade.
8) a política antiga; a República de Platão; a Política de 
Aristóteles.
9) a ética antiga; Platão, Aristóteles e filósofos helenistas.
Enem (2009)
Competência C3
Compreender a produção e o papel histórico das instituições 
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes 
grupos, conflitos e movimentos sociais.
Enem (2009)
Habilidade H11 Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no 
espaço.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientaise culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de 
ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, 
políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
132
2017.84 (VITALE / HABERMAS)
O conceito de democracia, no pensamento de Habermas, é construído a partir de 
uma dimensão procedimental, calcada no discurso e na deliberação. A legitimidade 
democrática exige que o processo de tomada de decisões políticas ocorra a partir de 
uma ampla discussão pública, para somente então decidir. Assim, o caráter deliberativo 
corresponde a um processo coletivo de ponderação e análise, permeado pelo discurso, 
que antecede a decisão.
VITALE, D. Jürgen Habermas, modernidade e democracia deliberativa. 
 Cadernos do CRH (UFBA), v. 19, 2006 (adaptado). 
O conceito de democracia proposto por Jürgen Habermas pode favorecer processos 
de inclusão social. De acordo com o texto, é uma condição para que isso aconteça o(a)
A participação direta periódica do cidadão. 
B debate livre e racional entre cidadãos e Estado. 
C interlocução entre os poderes governamentais. 
D eleição de lideranças políticas com mandatos temporários. 
E controle do poder político por cidadãos mais esclarecidos.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
133
QUADRO 47
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2017.84 (VITALE/HABERMAS) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) I.2 A democracia contemporânea.
Ocem (2006) 28 Marxismo e Escola de Frankfurt.
Enem (2009)
Competência C5
Compreender a produção e o papel histórico das instituições 
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes 
grupos, conflitos e movimentos sociais.
Enem (2009)
Habilidade H24 Relacionar cidadania e democracia na organização das 
sociedades.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício 
da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS603
Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de 
suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando 
conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e 
regimes de governo, soberania etc.).
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
134
2017.85 (KANT / FALSA PROMESSA)
Uma pessoa vê-se forçada pela necessidade a pedir dinheiro emprestado. Sabe 
muito bem que não poderá pagar, mas vê também que não lhe emprestarão nada se 
não prometer firmemente pagar em prazo determinado. Sente a tentação de fazer 
a promessa; mas tem ainda consciência bastante para perguntar a si mesma: não é 
proibido e contrário ao dever livrar-se de apuros desta maneira? Admitindo que se 
decida a fazê-lo, a sua máxima de ação seria: quando julgo estar em apuros de dinheiro, 
vou pedi-lo emprestado e prometo pagá-lo, embora saiba que tal nunca sucederá.
KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. 
São Paulo: Abril Cultural, 1980. 
De acordo com a moral kantiana, a “falsa promessa de pagamento” representada no 
texto 
A assegura que a ação seja aceita por todos a partir da livre discussão participativa. 
B garante que os efeitos das ações não destruam a possibilidade da vida futura na 
terra. 
C opõe-se ao princípio de que toda ação do homem possa valer como norma 
universal. 
D materializa-se no entendimento de que os fins da ação humana podem justificar os 
meios. 
E permite que a ação individual produza a mais ampla felicidade para as pessoas 
envolvidas.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
135
QUADRO 48
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2017.85 (KANT) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS 
REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) II.3 Ética e política.
Ocem (2006) 22 Éticas do dever; fundamentações da moral; autonomia do sujeito.
Enem (2009)
Competência C5
Compreender a produção e o papel histórico das instituições 
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes 
grupos, conflitos e movimentos sociais.
Enem (2009)
Habilidade H23 Analisar a importância dos valores éticos na estruturação política 
das sociedades.
BNCC (2018)
Competência C5
Identificar e combater as diversas formas de injustiça, preconceito 
e violência, adotando princípios éticos, democráticos, inclusivos e 
solidários, e respeitando os Direitos Humanos.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS501
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e 
espaços, identificando processos que contribuem para a formação 
de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, 
a autonomia, o empreendedorismo, a convivência democrática 
e a solidariedade.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
136
2017.88 (ARISTÓTELES / ÉTICA A NICÔMACO)
Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele mesmo e tudo 
o mais é desejado no interesse desse fim; evidentemente tal fim será o bem, ou antes, 
o sumo bem. Mas não terá o conhecimento, porventura, grande influência sobre essa 
vida? Se assim é, esforcemo-nos por determinar, ainda que em linhas gerais apenas, o 
que seja ele e de qual das ciências ou faculdades constitui o objeto. Ninguém duvidará 
de que o seu estudo pertença à arte mais prestigiosa e que mais verdadeiramente 
se pode chamar a arte mestra. Ora, a política mostra ser dessa natureza, pois é ela 
que determina quais as ciências que devem ser estudadas num Estado, quais são 
as que cada cidadão deve aprender, e até que ponto; e vemos que até as faculdades 
tidas em maior apreço, como a estratégia, a economia e a retórica, estão sujeitas a ela. 
Ora, como a política utiliza as demais ciências e, por outro lado, legisla sobre o que 
devemos e o que não devemos fazer, a finalidade dessa ciência deve abranger as das 
outras, de modo que essa finalidade será o bem humano. 
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. In: Pensadores. 
São Paulo: Nova Cultural, 1991 (adaptado). 
Para Aristóteles, a relação entre o sumo bem e a organização da pólis pressupõe que 
A o bem dos indivíduos consiste em cada um perseguir seus interesses. 
B o sumo bem é dado pela fé de que os deuses são os portadores da verdade. 
C a política é a ciência que precede todas as demais na organização da cidade. 
D a educação visa formar a consciência de cada pessoa para agir corretamente. 
E a democracia protege as atividades políticas necessárias para o bem comum.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
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137
QUADRO 49
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2017.88 (ARISTÓTELES) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.utilizados ..................93
QUADRO 32 Quadro-síntese do item 2015.42 (Beauvoir) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ........................................95
QUADRO 33 Quadro-síntese do item 2016.01 (Schopenhauer) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados .....................................101
QUADRO 34 Quadro-síntese do item 2016.06 (Shakespeare/Hamlet) 
em termos de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ...............103
QUADRO 35 Quadro-síntese do item 2016.15 (Adorno; Horkheimer) 
em termos de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ...............105
QUADRO 36 Quadro-síntese do item 2016.20 (Descartes) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados .....................................107
QUADRO 37 Quadro-síntese do item 2016.23 (Heráclito e Parmênides) 
em termos de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ...............109
QUADRO 38 Quadro-síntese do item 2016.24 (Young) em termos de sua 
adesão aos documentos referenciais utilizados ...................................................111
QUADRO 39 Quadro-síntese do item 2016.25 (Jonas) em termos de sua 
adesão aos documentos referenciais utilizados ...................................................113
QUADRO 40 Quadro-síntese do item 2016.28 (Diógenes Laércio) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados .....................................115
QUADRO 41 Quadro-síntese do item 2016.37 (Nietzsche) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados .....................................117
QUADRO 42 Quadro-síntese do item 2017.48 (Bentham) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados .....................................122
QUADRO 43 Quadro-síntese do item 2017.49 (Iluminismo) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados .....................................124
QUADRO 44 Quadro-síntese do item 2017.64 (Rawls) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados .....................................126
QUADRO 45 Quadro-síntese do item 2017.65 (Hegel/Demócrito) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados .....................................128
QUADRO 46 Quadro-síntese do item 2017.66 (Bréhier/Sócrates) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados .....................................130
QUADRO 47 Quadro-síntese do item 2017.84 (Vitale/Habermas) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados .....................................132
QUADRO 48 Quadro-síntese do item 2017.85 (Kant) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados .....................................138
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
8
QUADRO 49 Quadro-síntese do item 2017.88 (Aristóteles) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados .....................................136
QUADRO 50 Quadro-síntese do item 2018.49 (Merleau-Ponty) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados .....................................142
QUADRO 51 Quadro-síntese do item 2018.51 (Aquino) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados .....................................144
QUADRO 52 Quadro-síntese do item 2018.52 (Hobbes e Rousseau) 
em termos de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ...............146
QUADRO 53 Quadro-síntese do item 2018.66 (Odalia/Iluminismo) 
em termos de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ...............148
QUADRO 54 Quadro-síntese do item 2018.79 (Epicuro) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados .....................................150
QUADRO 55 Quadro-síntese do item 2018.83 (Agostinho) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados .....................................152
QUADRO 56 Quadro-síntese do item 2018.89 (Cunha/Modelo científico) 
em termos de sua adesão aos documentos referenciais utilizados ...............154
QUADRO 57 Quadro-síntese do item 2018.90 (Bobbio/Kelsen) em termos 
de sua adesão aos documentos referenciais utilizados .....................................156
QUADRO 58 Quadro-resumo da adesão dos itens de Filosofia da prova 
de Ciências Humanas do Enem de 2012 a 2018 aos referenciais 
curriculares consultados ..............................................................................................159
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
9
APRESENTAÇÃO
Wivian Weller
Universidade de Brasília
A pesquisa Filosofia no Enem: 2012-2018, de Ester Pereira Neves de Macedo, analisa a 
cobertura de itens de Filosofia nas provas de Ciências Humanas do Exame Nacional do Ensino 
Médio (Enem), tendo em vista a reforma do ensino médio (Lei nº 13.415/2017), a publicação 
da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em dezembro de 2018, e a Resolução nº 3 do 
Conselho Nacional de Educação, de 21 de novembro de 2018, que atualizou as Diretrizes 
Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Trata-se de um estudo organizado de forma a 
atualizar e aprofundar a análise oferecida no trabalho Filosofia no Enem: um estudo analítico 
dos conteúdos relativos à Filosofia ao longo das edições do Enem entre 1998 e 2011, também 
de sua autoria. 
Além do diagnóstico da adesão dos itens de Filosofia aplicados no Enem entre 2012 
e 2018 aos principais documentos norteadores do período, incluindo a nova BNCC, a autora 
demonstra em todo o percurso um compromisso com o fortalecimento da Filosofia no ensino 
médio de forma dialogada com as diversas esferas da comunidade acadêmica, escolar e 
administrativa. Conforme apresentado pela autora na introdução, a inserção de itens dessa 
área no exame “não se deu de maneira linear nem automática [...] mas foi construída a partir 
de um esforço da equipe técnica responsável, da qual a autora fez parte, e de professores 
de universidades federais parceiras e das redes de ensino estaduais e municipais [...] esses 
atores vêm buscando ao longo dos anos maneiras de cultivar uma inserção maior da Filosofia 
na prova, com todas as dificuldades envolvidas em fazer jus à área em uma avaliação de larga 
escala”.
A presente investigação foi desenvolvida durante o pós-doutorado no âmbito da linha 
de pesquisa Estudos Comparados em Educação (Ecoe) do Programa de Pós-Graduação 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
10
em Educação da Universidade de Brasília e do grupo de pesquisa Gerações e Juventude 
(Geraju). A expertise da autora na temática contribuiu significativamente com as discussões 
do grupo de pesquisa. No que diz respeito às atividades acadêmico-científicas e de extensão 
desenvolvidas nesse período, consideramos que Ester Macedo não só atendeu plenamente os 
objetivos propostos em seu projeto inicial, como superou as expectativas e metas previstas, 
demonstrando o rigor e a qualidade da pesquisa realizada, bem como a relevância do tema, 
que até então contava com pouquíssimos estudos. Registramos e agradecemos a inestimável 
colaboração deixada pela pesquisadora para o Programa de Pós-Graduação em Educação 
e para a educação pública do Distrito Federal. Os resultados de sua pesquisa, da qual este 
título avulso é parte central, certamente irão gerar uma relevante contribuição para melhor 
compreensão da Filosofia e de sua importância não só nos exames em larga escala, mas na 
formação integral dos jovens que se encontram no ensino médio.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
11
INTRODUÇÃO
Este título avulso, denominado Filosofia no Enem 2012-2018: uma análise da cobertura 
de Filosofia no exame e de sua adesão aos documentos norteadores, acompanha e em parte 
fundamentaPCN+ (2002) 08 A política antiga; a República de Platão; a Política de Aristóteles.
Ocem (2006) 22 Éticas do dever; fundamentações da moral; autonomia do sujeito.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as identi- 
dades.
Enem (2009)
Habilidade H01 Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes 
documentais acerca de aspectos da cultura.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício 
da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS603
Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de 
suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando 
conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e 
regimes de governo, soberania etc.).
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
139
ANÁLISE DA EDIÇÃO
Como no ano anterior, em 2018 foram oito itens de Filosofia: um sobre o período 
helenístico (79), dois no espectro mais amplo do medievo cristão (51 e 83), três sobre 
o período moderno (49, 52, 66) e dois de filosofia contemporânea (89 e 90). Foram sete 
habilidades cobertas: dois itens na H1, enquanto as habilidades H2, H4, H15, H23, H24 e 
H30 foram mobilizadas por um item cada. Duas dessas habilidades são cobertas por itens de 
Filosofia pela primeira vez: a H15 e a H30, sendo também a primeira vez que a competência 
6 é demandada por um item nessa área do conhecimento.
Em relação ao uso de fontes, mantém-se a tendência equilibrada entre fontes 
primárias e secundárias, sendo cinco textos de fontes primárias e três de fontes secundárias. 
Em termos da proporção entre textos com e sem adaptações, volta-se a favorecer os textos 
sem adaptações, presentes em sete itens, enquanto somente dois contêm essa indicação.
PCN
Seis dos oito itens (49, 51, 52, 79, 83, 90) exigem a competência de leitura de textos 
filosóficos (1a). Desses, dois também fazem uso de uma segunda competência: o item 52, 
que demanda do respondente comparar a visão de Hobbes com a de Rousseau para extrair 
o ponto de divergência, envolvendo assim a competência de articular (2); e o item 79, que, ao 
inserir o pensamento de Epicuro no contexto do helenismo, envolve também a competência 
de contextualização sociocultural (3). Dois itens exercitam a competência 1b, “Ler, de modo 
2018
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
140
filosófico, textos de diferentes estruturas e registros”. Ambos exigem simultaneamente 
a competência de articular conhecimentos (2) e a competência de contextualizar (3). São 
eles: o item 66, sobre a formação do sujeito no Iluminismo, mobilizando habilidades típicas 
de história para analisar o contexto do Antigo Regime; e o item 89, que, ao utilizar texto 
jornalístico, articula conhecimentos na intersecção com as ciências naturais na interação entre 
modelo científico e senso comum. 
PCN+
O ano de 2018 segue um padrão parecido com o de 2016, com menos itens sobre 
política e mais itens sobre epistemologia. O eixo I, sobre democracia, decresce de três itens 
no ano anterior para um item neste ano. Como os três itens de 2017, o único item desse eixo 
nesta edição aborda o tema 2, “A democracia contemporânea”, com o texto-base de Norberto 
Bobbio. 
O eixo II, “Construção do Sujeito Moral”, é contemplado com três itens nesta edição. Dois 
abordam o tema 1, “Autonomia e liberdade”: o item 79 sobre Epicuro e o 66 sobre Iluminismo. 
O terceiro item nesse eixo está no tema 3, “Ética e política”, e pede para o respondente 
comparar os pensamentos de Hobbes e Rousseau. 
No eixo III, “O Que É Filosofia”, foram quatro itens, todos no tema 1, “Filosofia, mito e 
senso comum”: o 83, com texto de Agostinho de Hipona; o 51, com texto de Tomás de Aquino; 
o 49, com texto de Merleau-Ponty; e o 89, com texto jornalístico sobre modelos científicos. 
OCEM
Dois conteúdos das Ocem são abordados pela primeira vez nesta prova, ambos dentro 
do campo da filosofia medieval cristã. O item com o texto de São Tomás de Aquino cobre 
pela primeira vez o conteúdo 16, “Provas da existência de Deus; argumentos ontológico, 
cosmológico, teleológico”. O item 51, com texto de Santo Agostinho, na interface entre a 
antiguidade e o período medieval, aborda pela primeira vez o conteúdo 13, “Tempo e 
eternidade; conhecimento humano e conhecimento divino”.
O período mais antigo representado nesta prova foi o helenismo, mediante a máxima 
do filósofo Epicuro apresentada no item 79, que exigiu assim o conteúdo 9, “a ética antiga; 
Platão, Aristóteles e filósofos helenistas”. 
Nos itens de filosofia moderna, o 52, que pede para o respondente comparar os 
pensamentos de Hobbes e Rousseau, cobre o conteúdo 20, “o contratualismo”. O item 66, sobre 
o Iluminismo, segue uma proposta parecida com a de 2017, com adesão ainda maior ao texto 
do conteúdo 19, “Teorias do sujeito na filosofia moderna”, com a tese defendida no texto-base 
de que é neste período que “o homem começa a tomar consciência de sua situação na história”. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
141
Já numa perspectiva contemporânea, o item 89, sobre o surgimento de modelos científicos, 
aborda o conteúdo 29, “Epistemologias contemporâneas; Filosofia da ciência; o problema da 
demarcação entre ciência e metafísica”.
BNCC
Em relação às habilidades de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas propostas 
pela BNCC, quatro itens (o 2018.49 sobre Merleau-Ponty, o 2018.51 sobre Aquino, o 
2018.83 sobre Agostinho e o 2018.89 sobre modelos científicos) atenderiam a habilidade 
EM13CHS101, “Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em 
diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos 
históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais”. 
Dois itens (o 2018.52 e o 2018.90) atenderiam a EM13CHS603, “Analisar a formação de 
diferentes países, povos e nações e de suas experiências políticas e de exercício da cidadania, 
aplicando conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e regimes de governo, 
soberania etc.)”. Um terceiro na competência 6 da BNCC, o 2018.66 sobre o Iluminismo, 
mobilizaria a EM13CHS605, “Analisar os princípios da declaração dos Direitos Humanos, 
recorrendo às noções de justiça, igualdade e fraternidade, identificar os progressos e entraves 
à concretização desses direitos nas diversas sociedades contemporâneas e promover ações 
concretas diante da desigualdade e das violações desses direitos em diferentes espaços de 
vivência, respeitando a identidade de cada grupo e de cada indivíduo”. 
Finalmente, o item 2018.79, sobre Epicuro, seria o único a exigir a competência 5 
da BNCC, em particular a EM13CHS501, “Analisar os fundamentos da ética em diferentes 
culturas, tempos e espaços, identificando processos que contribuem para a formação de 
sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, 
a convivência democrática e a solidariedade”.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
142
APRESENTAÇÃO DOS ITENS E SUA CORRESPONDÊNCIA 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS
2018.49 (MERLEAU-PONTY/ELOGIO DA FILOSOFIA)
O filósofo reconhece-se pela posse inseparável do gosto da evidência e do sentido da 
ambiguidade. Quando se limita a suportar a ambiguidade, esta se chama equívoco. Sempre 
aconteceu que, mesmo aqueles que pretenderam construir uma filosofia absolutamente 
positiva, só conseguiram ser filósofos na medida em que, simultaneamente, se recusaram o 
direito de se instalar no saber absoluto.O que caracteriza o filósofo é o movimento que leva 
incessantemente do saber à ignorância, da ignorância ao saber, e um certo repouso neste 
movimento. 
MERLEAU-PONTY. Elogio da Filosofia. 
Lisboa: Guimarães, 1998.
O texto apresenta um entendimento acerca dos elementos constitutivos da atividade 
do filósofo, que se caracteriza por
A reunir os antagonismos das opiniões ao método dialético. 
B ajustar a clareza do conhecimento ao inatismo das ideias. 
C associar a certeza do intelecto à imutabilidade da verdade. 
D conciliar o rigor da investigação à inquietude do questionamento. 
E compatibilizar as estruturas do pensamento aos princípios fundamentais.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
143
QUADRO 50
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2018.49 (MERLEAU-PONTY) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 22 Éticas do dever; fundamentações da moral; autonomia do 
sujeito.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H01 Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes 
documentais acerca de aspectos da cultura.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão 
de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, 
geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e 
culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
144
2018.51 (AQUINO / SUMA TEOLÓGICA)
Desde que tenhamos compreendido o significado da palavra “Deus”, sabemos, de 
imediato, que Deus existe. Com efeito, essa palavra designa uma coisa de tal ordem 
que não podemos conceber nada que lhe seja maior. Ora, o que existe na realidade e 
no pensamento é maior do que o que existe apenas no pensamento. Donde se segue 
que o objeto designado pela palavra “Deus”, que existe no pensamento, desde que se 
entenda essa palavra, também existe na realidade. Por conseguinte, a existência de 
Deus é evidente. 
TOMÁS DE AQUINO. Suma teológica. 
Rio de Janeiro: Loyola, 2002.
O texto apresenta uma elaboração teórica de Tomás de Aquino caracterizada por 
A reiterar a ortodoxia religiosa contra os heréticos. 
B sustentar racionalmente doutrina alicerçada na fé. 
C explicar as virtudes teologais pela demonstração. 
D flexibilizar a interpretação oficial dos textos sagrados.
E justificar pragmaticamente crença livre de dogmas.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
145
QUADRO 51 
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2018.51 (AQUINO) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 16 Provas da existência de Deus; argumentos ontológico, 
cosmológico, teleológico.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H02 Analisar a produção da memória pelas sociedades humanas.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão 
de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, 
geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e 
culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
146
2018.52 (HOBBES E ROUSSEAU)
TEXTO I 
Tudo aquilo que é válido para um tempo de guerra, em que todo homem é inimigo de 
todo homem, é válido também para o tempo durante o qual os homens vivem sem 
outra segurança senão a que lhes pode ser oferecida por sua própria força e invenção. 
HOBBES, T. Leviatã. 
São Paulo: Abril Cultural, 1963. 
TEXTO II 
Não vamos concluir, com Hobbes que, por não ter nenhuma ideia de bondade, o homem 
seja naturalmente mau. Esse autor deveria dizer que, sendo o estado de natureza aquele 
em que o cuidado de nossa conservação é menos prejudicial à dos outros, esse estado 
era, por conseguinte, o mais próprio à paz e o mais conveniente ao gênero humano. 
ROUSSEAU, J-J. Discurso sobre a origem e o fundamento da desigualdade 
entre os homens. São Paulo: Martins Fontes, 1993 (adaptado). 
Os trechos apresentam divergências conceituais entre autores que sustentam um 
entendimento segundo o qual a igualdade entre os homens se dá em razão de uma 
A predisposição ao conhecimento. 
B submissão ao transcendente. 
C tradição epistemológica. 
D condição original. 
E vocação política.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
147
QUADRO 52
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2018.52 (HOBBES E ROUSSEAU) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
PCN+ (2002) II.3 Ética e política.
Ocem (2006) 20 O contratualismo.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H04 Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre 
determinado aspecto da cultura.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício 
da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS603
Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de 
suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando 
conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e 
regimes de governo, soberania etc.).
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
148
2018.66 (ODALIA / ILUMINISMO)
O século XVIII é, por diversas razões, um século diferenciado. Razão e experimentação 
se aliavam no que se acreditava ser o verdadeiro caminho para o estabelecimento 
do conhecimento científico, por tanto tempo almejado. O fato, a análise e a indução 
passavam a ser parceiros fundamentais da razão. É ainda no século XVIII que o homem 
começa a tomar consciência de sua situação na história.
ODALIA, N. In: PINSKY, J.; PINSKY, C. B. História da cidadania. 
São Paulo: Contexto, 2003. 
No ambientecultural do Antigo Regime, a discussão filosófica mencionada no texto 
tinha como uma de suas características a
A aproximação entre inovação e saberes antigos. 
B conciliação entre revelação e metafísica platônica. 
C vinculação entre escolástica e práticas de pesquisa. 
D separação entre teologia e fundamentalismo religioso. 
E contraposição entre clericalismo e liberdade de pensamento.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
149
QUADRO 53
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2018.66 (ODALIA/ILUMINISMO) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1b
2
3
1b) Ler, de modo filosófico, textos de diferentes estruturas e 
registros.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; 
o horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) II.1 Autonomia e liberdade.
Ocem (2006) 19 Teorias do sujeito na filosofia moderna.
Enem (2009)
Competência C3
Compreender a produção e o papel histórico das instituições 
sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes 
grupos, conflitos e movimentos sociais.
Enem (2009)
Habilidade H13
Analisar a atuação dos movimentos sociais que contribuíram 
para mudanças ou rupturas em processos de disputa pelo 
poder.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício 
da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS605
Analisar os princípios da declaração dos Direitos Humanos, 
recorrendo às noções de justiça, igualdade e fraternidade, 
identificar os progressos e entraves à concretização desses 
direitos nas diversas sociedades contemporâneas e promover 
ações concretas diante da desigualdade e das violações desses 
direitos em diferentes espaços de vivência, respeitando a 
identidade de cada grupo e de cada indivíduo.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
150
2018.79 (EPICURO / TEMPERANÇA)
A quem não basta pouco, nada basta. 
EPICURO. Os pensadores. 
São Paulo: Abril Cultural, 1985.
Remanescente do período helenístico, a máxima apresentada valoriza a seguinte 
virtude: 
A Esperança, tida como confiança no porvir. 
B Justiça, interpretada como retidão de caráter. 
C Temperança, marcada pelo domínio da vontade. 
D Coragem, definida como fortitude na dificuldade.
E Prudência, caracterizada pelo correto uso da razão.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
151
QUADRO 54
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2018.79 (EPICURO) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
2
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano 
de sua origem específica, quanto em outros planos: 
o pessoal-biográfico; o entorno sócio-político, histórico 
e cultural; o horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) II.1 Autonomia e liberdade.
Ocem (2006) 09 A ética antiga; Platão, Aristóteles e filósofos helenistas.
Enem (2009)
Competência C5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e 
valorizar os fundamentos da cidadania e da democracia, 
favorecendo uma atuação consciente do indivíduo na sociedade.
Enem (2009)
Habilidade H23 Analisar a importância dos valores éticos na estruturação 
política das sociedades.
BNCC (2018)
Competência C5
Identificar e combater as diversas formas de injustiça, 
preconceito e violência, adotando princípios éticos, 
democráticos, inclusivos e solidários, e respeitando os Direitos 
Humanos.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS501
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, 
tempos e espaços, identificando processos que contribuem 
para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a 
cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência 
democrática e a solidariedade.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
152
2018.83 (AGOSTINHO / CONFISSÕES)
Não é verdade que estão ainda cheios de velhice espiritual aqueles que nos dizem: 
“Que fazia Deus antes de criar o céu e a terra? Se estava ocioso e nada realizava”, dizem 
eles, “por que não ficou sempre assim no decurso dos séculos, abstendo-se, como 
antes, de toda ação? Se existiu em Deus um novo movimento, uma vontade nova para 
dar o ser a criaturas que nunca antes criara, como pode haver verdadeira eternidade, se 
n´Ele aparece uma vontade que antes não existia?” 
AGOSTINHO. Confissões. 
São Paulo: Abril Cultural, 1984.
A questão da eternidade, tal como abordada pelo autor, é um exemplo da reflexão 
filosófica sobre a(s)
A essência da ética cristã. 
B natureza universal da tradição. 
C certezas inabaláveis da experiência. 
D abrangência da compreensão humana. 
E interpretações da realidade circundante.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
153
QUADRO 55
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2018.83 (AGOSTINHO) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado pelo 
item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 13 Tempo e eternidade; conhecimento humano e conhecimento 
divino.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H01 Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes 
documentais acerca de aspectos da cultura.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão 
de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, 
geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e 
culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
154
2018.89 (CUNHA / MODELO CIENTÍFICO)
No início da década de 1990, dois biólogos importantes, Redford e Robinson, produziram 
um modelo largamente aceito de “produção sustentável” que previa quantos indivíduos 
de cada espécie poderiam ser caçados de forma sustentável baseado nas suas taxas 
de reprodução. Os seringueiros do Alto Juruá tinham um modelo diferente: a quem 
lhes afirmava que estavam caçando acima do sustentável (dentro do modelo), eles 
diziam que não, que o nível da caça dependia da existência de áreas de refúgio em que 
ninguém caçava. Ora, esse acabou sendo o modelo batizado de “fonte-ralo” proposto 
dez anos após o primeiro por Novaro, Bodmer e o próprio Redforde que suplantou o 
modelo anterior. 
CUNHA, M. C. Relações e dissenções entre saberes 
 tradicionais e saber científico. Revista USP, n. 75, set./nov. 2007.
No contexto da produção científica, a necessidade de reconstrução desse modelo, 
conforme exposto no texto, foi determinada pelo confronto com um(a) 
A conclusão operacional obtida por lógica dedutiva. 
B visão de mundo marcada por preconceitos morais. 
C hábito social condicionado pela religiosidade popular. 
D conhecimento empírico apropriado pelo senso comum. 
E padrão de preservação construído por experimentação dirigida.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
155
QUADRO 56
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2018.89 (CUNHA/MODELO CIENTÍFICO) EM TERMOS DE SUA 
ADESÃO AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1b
2
3
1b) Ler, de modo filosófico, textos de diferentes estruturas e 
registros.
2) Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos 
e modos discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas 
Artes e em outras produções culturais. 
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; 
o horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 29 Epistemologias contemporâneas; Filosofia da ciência; o problema 
da demarcação entre ciência e metafísica.
Enem (2009)
Competência C6
Compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas 
interações no espaço em diferentes contextos históricos e 
geográficos.
Enem (2009)
Habilidade H30 Avaliar as relações entre preservação e degradação da vida no 
planeta nas diferentes escalas.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de 
ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, 
políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
156
2018.90 (BOBBIO / KELSEN)
Um dos teóricos da democracia moderna, Hans Kelsen, considera elemento essencial 
da democracia real (não da democracia ideal, que não existe em lugar algum) o método 
da seleção dos líderes, ou seja, a eleição. Exemplar, neste sentido, é a afirmação de 
um juiz da Corte Suprema dos Estados Unidos, por ocasião de uma eleição de 1902: 
“A cabine eleitoral é o templo das instituições americanas, onde cada um de nós é 
sacerdote, ao qual é confiada a guarda da arca da aliança e cada um oficia do seu 
próprio altar”.
BOBBIO, N. Teoria geral da política. 
Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 (adaptado).
As metáforas utilizadas no texto referem-se a uma concepção de democracia 
fundamentada no(a)
A justificação teísta do direito.
B rigidez da hierarquia de classe. 
C ênfase formalista na administração. 
D protagonismo do Executivo no poder. 
E centralidade do indivíduo na sociedade.
QUADRO 57
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2018.90 (BOBBIO/KELSEN) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) I.2 A democracia contemporânea.
Ocem (2006) 28 Marxismo e Escola de Frankfurt.
Enem (2009)
Competência C5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e 
valorizar os fundamentos da cidadania e da democracia, 
favorecendo uma atuação consciente do indivíduo na 
sociedade.
Enem (2009)
Habilidade H24 Relacionar cidadania e democracia na organização das 
sociedades.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício 
da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, 
autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS603
Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e 
de suas experiências políticas e de exercício da cidadania, 
aplicando conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, 
sistemas e regimes de governo, soberania etc.).
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
157
Enquanto, em 2011, Sílvio Gallo apontava para a necessidade de referenciais provisórios, 
para serem “utilizados enquanto ganhemos consistência na produção de um currículo de 
Filosofia que possa, efetivamente, no futuro nortear a presença de conhecimentos de Filosofia 
nos exames de larga escala, como o Enem e o Encceja” (Gallo, 2013, p. 426), talvez possamos 
argumentar que, com a publicação da BNCC, agora temos tal documento norteador. 
No entanto, entre documento curricular e operacionalização no exame há um percurso longo, 
no qual o debate com diferentes setores é obrigatório. 
A implementação de políticas públicas não ocorre de maneira linear, líquida e certa. Ela é 
um trabalho complexo fruto de constante debate e em construção permanente, especialmente 
quando o campo em questão é educação (Mainardes, 2006; Alves, 2014; Garcia; Ferreira; 
Marsico, 2020; Pedro; Marsico, 2020). O caso da Filosofia no ensino médio mostra isso de 
maneira contundente, especialmente se considerarmos a fragilidade histórica da área nessa 
etapa. Observar sua evolução no Enem, retomando documentos anteriores, como os PCN, 
os PCN+ e as Ocem, além de ser fundamental para o aperfeiçoamento do exame, serve para 
o reconhecimento de desafios e possibilidades que a avaliação de larga escala traz quanto 
à operacionalização de referenciais curriculares.
Este título avulso apresentou 55 itens com temas ou abordagens relacionados à área 
de Filosofia aplicados nas provas de Ciências Humanas do Enem entre 2012 e 2018, de forma 
a dar continuidade à investigação Filosofia no Enem: um estudo analítico dos conteúdos 
relativos à Filosofia ao longo das edições do Enem entre 1998 e 2011, publicada pelo Inep em 
2015. Além da análise de adesão de cada um desses itens nos termos utilizados em pesquisa 
anterior (PCN, PCN+, Ocem e matriz de habilidades do Enem), este estudo inova em dois 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
158
aspectos: ao incluir a nova BNCC entre os referenciais empregados e ao fornecer uma análise 
da cobertura de Filosofia da prova por edição. 
Esse tipo de exercício é crucial neste momento em que, olhando para o passado, 
ultrapassa-se a marca de dez anos da obrigatoriedade da Filosofia no ensino médio (2008-
2018) e de vinte anos do Enem (1998-2018), ao mesmo tempo que, olhando para o futuro, 
refletimos sobre a recém-publicada BNCC e sobre como se darão a anunciada reforma do 
ensino médio e a consequente reformulação da matriz do exame. Em meio a tais reflexões, a 
Filosofia e o debate fazem-se necessários não só como objeto de estudo, mas também como 
forma de trabalho, seja para estudantes, professores e profissionais do ensino médio, seja 
para formuladores de políticas públicas, pesquisadores da área e sociedade em geral. 
Sob o ponto de vista do ciclo de políticas de Bowe, Ball e Gold (1992), debates sobre 
políticas públicas são importantes e estão sempre ativos em algumlocal do emaranhado de 
micro e macroesferas que compõem a sociedade. Entretanto, como as políticas educacionais 
têm ciclos de diferentes durações, há alguns pontos de inflexão em que esse tipo de interação 
entre as diversas esferas da sociedade é crucial. O momento atual é um deles. Embora seja 
um truísmo dizer que nenhum tempo tem volta, é importante frisar que o tempo escolar 
é particularmente irrecuperável. O tempo letivo, e o tempo escolar como um todo, é muito 
sensível em termos de oportunidades, expectativas e escolhas.
Por um lado, temos a Base Nacional Comum Curricular, que levou cerca de trinta 
anos para se materializar entre a promulgação da Constituição Federal de 1988, que previa 
conteúdos mínimos para o ensino fundamental (art. 205), passando pela LDB em 1996, que 
estendia essa previsão para o ensino médio (art. 9º, art. 26), até a publicação de um texto para 
o ensino fundamental em 2017 e para o ensino médio em 2018. Testemunhamos assim a 
construção de uma nova educação básica que vem se formando há cerca de trinta anos, num 
processo repleto de tensões entre diversas visões de mundo e sociedade e que se encontra 
longe de ser finalizado ou pacificado10 (Alves, 2014; Popkewitz, 2020; Santos; Ferreira, 2020; 
Aguiar; Tuttman, 2020; Castro, 2020). 
Por outro lado, em tempos de pandemia mundial, desenha-se no horizonte possi- 
velmente a maior crise socioeconômica da história nacional. Nesses tempos, mais do que 
nunca, em que nos vemos obrigados a repensar como nos organizamos como sociedade, essa 
interação entre universo acadêmico, escolar, político e administrativo torna-se crucial para 
enfrentar os desafios que se apresentam para nossa sociedade como um todo e para nossos 
jovens em particular (Silva, 2020; Sussekind; Maske, 2020; Pedro; Marsico, 2020). Nesse 
contexto, pensar como a Filosofia dialoga com nossos jovens e com as novas configurações 
da nossa sociedade é um processo que requer esforço coletivo e amplo diálogo.
 
10 “No ciclo de políticas descrito anteriormente, a simplicidade e a linearidade de outros modelos de análise de 
políticas são substituídas pela complexidade do ciclo de políticas. A abordagem do ciclo de políticas traz várias 
contribuições para a análise de políticas, uma vez que o processo político é entendido como multifacetado e 
dialético, necessitando articular as perspectivas macro e micro” (Mainardes, 2006, p. 55).
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
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UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
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FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
ANEXOS 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
171
PCN-EM: COMPETÊNCIAS E HABILIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS 
EM FILOSOFIA (1999)
Representação e comunicação
• Ler textos filosóficos de modo significativo.
• Ler, de modo filosófico, textos de diferentes estruturas e registros.
• Elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo.
• Debater, tomando uma posição, defendendo-a argumentativamente e mudando de 
posição face a argumentos mais consistentes.
Investigação e compreensão
• Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos e modos discursivos nas 
Ciências Naturais e Humanas, nas Artes e em outras produções culturais.
Contextualização sociocultural
• Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de sua origem específica, 
quanto em outros planos: o pessoal-biográfico; o entorno sócio-político, histórico e 
cultural; o horizonte da sociedade científico-tecnológica. 
Fonte: Brasil. MEC (1999, p. 64).
ANEXO A
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
173
PCN+: EIXOS TEMÁTICOS EM FILOSOFIA (2002)
Relações de Poder e Democracia
Temas Subtemas
1. A democracia grega
• A ágora e a assembleia: igualdade nas leis e no 
direito à palavra
• Democracia direta: formas contemporâneas 
possíveis de participação da sociedade civil
2. A democracia contemporânea
• Antecedentes:
– Montesquieu e a teoria dos três poderes
– Rousseau e a soberania do povo
• O confronto entre as ideias liberais e o socialismo
3. O avesso da democracia
• O conceito de cidadania
• Os totalitarismos de direita e esquerda
ANEXO B
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
174
A Construção do Sujeito Moral
Temas Subtemas
1. Autonomia e liberdade
• Descentração do indivíduo e o reconhecimento 
do outro
• As várias dimensões da liberdade (ética, 
econômica, política)
• Liberdade e determinismo
2. As formas da alienação moral
• O individualismo contemporâneo e a recusa do 
outro
• As condutas massificadas na sociedade 
contemporânea
3. Ética e política
• Maquiavel: as relações entre moral e política
• Cidadania: os limites entre o público e o privado
O Que É Filosofia
Temas Subtemas
1. Filosofia, mito e senso comum
• Mito e Filosofia: o nascimento da Filosofia na 
Grécia
• Mitos contemporâneos
• Do senso comum ao pensamento filosófico
2. Filosofia, ciência e tecnocracia
• Características do método científico
• O mito do cientificismo: as concepções 
reducionistas da ciência
• A tecnologia a serviço de objetivos humanos e os 
riscos da tecnocracia
• A bioética
3. Filosofia e estética
• Os diversos tipos de valor
• A arte como forma de conhecer o mundo
• Estética e desenvolvimento da sensibilidade e 
imaginação
Fonte: Brasil. MEC (2002, p. 52-53).
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
175
CONTEÚDOS DE FILOSOFIA DAS ORIENTAÇÕES CURRICULARES PARA 
O ENSINO MÉDIO: CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS (2006)
1) Filosofia e conhecimento; Filosofia e ciência; definição de Filosofia;
2) validade e verdade; proposição e argumento;
3) falácias não formais; reconhecimento de argumentos; conteúdo e forma;
4) quadro de oposições entre proposições categóricas; inferências imediatas em contexto categórico; 
conteúdo existencial e proposições categóricas;
5) tabelas de verdade; cálculo proposicional;
6) filosofia pré-socrática; uno e múltiplo; movimento e realidade;
7) teoria das ideias em Platão; conhecimento e opinião; aparência e realidade;
8) a política antiga; a República de Platão; a Política de Aristóteles;
9) a ética antiga; Platão, Aristóteles e filósofos helenistas;
10) conceitos centrais da metafísica aristotélica; a teoria da ciência aristotélica;
11) verdade, justificação e ceticismo;
12) o problema dos universais; os transcendentais;
13) tempo e eternidade; conhecimento humano e conhecimento divino;
14) teoria do conhecimento e do juízo em Tomás de Aquino; 
15) a teoria das virtudes no período medieval; 
16) provas da existência de Deus; argumentos ontológico, cosmológico, teleológico;
ANEXO C
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
176
17) teoria do conhecimento nos modernos; verdade e evidência; ideias; causalidade; indução; método;
18) vontade divina e liberdade humana;
19) teorias do sujeito na filosofia moderna;
20) o contratualismo;
21) razão e entendimento; razão e sensibilidade; intuição e conceito;
22) éticas do dever; fundamentações da moral; autonomia do sujeito;
23) idealismo alemão; filosofias da história;
24) razão e vontade; o belo e o sublime na Filosofia alemã;
25) crítica à metafísica na contemporaneidade; Nietzsche; Wittgenstein; Heidegger;
26) fenomenologia; existencialismo;
27) Filosofia analítica; Frege, Russell e Wittgenstein; o Círculo de Viena;
28) marxismo e Escola de Frankfurt;
29) epistemologias contemporâneas; Filosofia da ciência; o problema da demarcação entre ciência e 
metafísica;
30) Filosofia francesa contemporânea; Foucault; Deleuze. 
Fonte: Brasil. MEC (2006, p. 34-35).
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
177
MATRIZ DE REFERÊNCIA DE CIÊNCIAS HUMANAS 
E SUAS TECNOLOGIAS (2009)
COMPETÊNCIA DE ÁREA 1
Compreender os elementos culturais que constituem as identidades.
H1 – Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes documentais acerca de 
aspectos da cultura.
H2 – Analisar a produção da memória pelas sociedades humanas.
H3 – Associar as manifestações culturais do presente aos seus processos históricos.
H4 – Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre determinado aspecto 
da cultura.
H5 – Identificar as manifestações ou representações da diversidade do patrimônio cultural e 
artístico em diferentes sociedades.
COMPETÊNCIA DE ÁREA 2
Compreender as transformações dos espaços geográficos como produto das relações 
socioeconômicas e culturais de poder.
H6 – Interpretar diferentes representações gráficase cartográficas dos espaços geográficos.
H7 – Identificar os significados histórico-geográficos das relações de poder entre as nações.
ANEXO D
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
178
H8 – Analisar a ação dos estados nacionais no que se refere à dinâmica dos fluxos 
populacionais e no enfrentamento de problemas de ordem econômico-social.
H9 – Comparar o significado histórico-geográfico das organizações políticas e 
socioeconômicas em escala local, regional ou mundial.
H10 – Reconhecer a dinâmica da organização dos movimentos sociais e a importância da 
participação da coletividade na transformação da realidade histórico-geográfica.
COMPETÊNCIA DE ÁREA 3
Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, 
associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movimentos sociais.
H11 – Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço.
H12 – Analisar o papel da justiça como instituição na organização das sociedades.
H13 – Analisar a atuação dos movimentos sociais que contribuíram para mudanças ou 
rupturas em processos de disputa pelo poder.
H14 – Comparar diferentes pontos de vista, presentes em textos analíticos e nterpretativos, 
sobre situação ou fatos de natureza histórico-geográfica acerca das instituições 
sociais, políticas e econômicas.
H15 – Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, econômicos ou ambientais ao 
longo da história.
COMPETÊNCIA DE ÁREA 4
Entender as transformações técnicas e tecnológicas e seu impacto nos processos de 
produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vida social.
H16 – Identificar registros sobre o papel das técnicas e tecnologias na organização do 
trabalho e/ou da vida social.
H17 – Analisar fatores que explicam o impacto das novas tecnologias no processo de 
territorialização da produção.
H18 – Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas implicações 
socioespaciais.
H19 – Reconhecer as transformações técnicas e tecnológicas que determinam as várias 
formas de uso e apropriação dos espaços rural e urbano.
H20 – Selecionar argumentos favoráveis ou contrários às modificações impostas pelas novas 
tecnologias à vida social e ao mundo do trabalho.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
179
COMPETÊNCIA DE ÁREA 5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar os fundamentos da 
cidadania e da democracia, favorecendo uma atuação consciente do indivíduo na sociedade.
H21 – Identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social.
H22 – Analisar as lutas sociais e conquistas obtidas no que se refere às mudanças nas 
legislações ou nas políticas públicas.
H23 – Analisar a importância dos valores éticos na estruturação política das sociedades.
H24 – Relacionar cidadania e democracia na organização das sociedades.
H25 – Identificar estratégias que promovam formas de inclusão social.
COMPETÊNCIA DE ÁREA 6
Compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas interações no espaço em 
diferentes contextos históricos e geográficos.
H26 – Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações 
da vida humana com a paisagem.
H27 – Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em 
consideração aspectos históricos e (ou) geográficos.
H28 – Relacionar o uso das tecnologias com os impactos socioambientais em diferentes 
contextos histórico-geográficos.
H29 – Reconhecer a função dos recursos naturais na produção do espaço geográfico, 
relacionando-os com as mudanças provocadas pelas ações humanas.
H30 – Avaliar as relações entre preservação e degradação da vida no planeta nas diferentes 
escalas.
Fonte: Brasil. Inep (2009, p. 11-13).
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
181
BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR (2018) – COMPETÊNCIAS 
ESPECÍFICAS DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS PARA O 
ENSINO MÉDIO
COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 1 
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais nos 
âmbitos local, regional, nacional e mundial em diferentes tempos, a partir da pluralidade 
de procedimentos epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a compreender 
e posicionar-se criticamente em relação a eles, considerando diferentes pontos de vista e 
tomando decisões baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
Nessa competência específica, pretende-se ampliar as capacidades dos estudantes 
de elaborar hipóteses e compor argumentos com base na sistematização de dados (de 
natureza quantitativa e qualitativa); compreender e utilizar determinados procedimentos 
metodológicos para discutir criticamente as circunstâncias históricas favoráveis à emergência 
de matrizes conceituais dicotômicas (modernidade/atraso, Ocidente/Oriente, civilização/
barbárie, nomadismo/sedentarismo etc.), contextualizando-as de modo a identificar seu 
caráter redutor da complexidade efetiva da realidade; e operacionalizar conceitos como 
etnicidade, temporalidade, memória, identidade, sociedade, territorialidade, espacialidade etc. 
e diferentes linguagens e narrativas que expressem culturas, conhecimentos, crenças, valores 
e práticas.
ANEXO E
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
182
HABILIDADES
(EM13CHS101) Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em 
diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de 
processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, 
ambientais e culturais.
(EM13CHS102) Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, 
políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais 
(etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/
desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e 
comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
(EM13CHS103) Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a 
processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, 
com base na sistematização de dados e informações de diversas naturezas 
(expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos 
e geográficos, gráficos, mapas, tabelas, tradições orais, entre outros).
(EM13CHS104) Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a identificar 
conhecimentos, valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade e a 
diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
(EM13CHS105) Identificar, contextualizar e criticar tipologias evolutivas (populações nômades 
e sedentárias, entre outras) e oposições dicotômicas (cidade/campo, cultura/ 
natureza, civilizados/bárbaros, razão/emoção, material/virtual etc.), explicitando 
suas ambiguidades.
(EM13CHS106) Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica, diferentes gêneros 
textuais e tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, 
significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais, incluindo as escolares, 
para se comunicar, acessar e difundir informações, produzir conhecimentos, 
resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 2 
Analisar a formação de territórios e fronteiras em diferentes tempos e espaços, 
mediante a compreensão das relações de poder que determinam as territorialidades e o papel 
geopolítico dos Estados-nações.
Nessa competência específica, pretende-se comparar e avaliar a ocupação do espaço 
e a delimitação de fronteiras, como também o papel dos agentes responsáveis por essas 
transformações. Os atores sociais(na cidade, no campo, nas zonas limítrofes, em uma 
região, em um Estado ou mesmo na relação entre Estados) são produtores de diferentes 
territorialidades nas quais se desenvolvem diferentes formas de negociação e conflito, 
igualdade e desigualdade, inclusão e exclusão. Dada a complexidade das relações de poder 
que determinam as territorialidades, dos fluxos populacionais e da circulação de mercadorias, 
é prioritário considerar o raciocínio geográfico e estratégico, bem como o significado da 
história, da economia e da política na produção do espaço.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
183
HABILIDADES
(EM13CHS201) Analisar e caracterizar as dinâmicas das populações, das mercadorias e do 
capital nos diversos continentes, com destaque para a mobilidade e a fixação 
de pessoas, grupos humanos e povos, em função de eventos naturais, políticos, 
econômicos, sociais, religiosos e culturais, de modo a compreender e posicionar-
se criticamente em relação a esses processos e às possíveis relações entre eles.
(EM13CHS202) Analisar e avaliar os impactos das tecnologias na estruturação e nas dinâmicas 
de grupos, povos e sociedades contemporâneos (fluxos populacionais, 
financeiros, de mercadorias, de informações, de valores éticos e culturais etc.), 
bem como suas interferências nas decisões políticas, sociais, ambientais, 
econômicas e culturais.
(EM13CHS203) Comparar os significados de território, fronteiras e vazio (espacial, temporal 
e cultural) em diferentes sociedades, contextualizando e relativizando visões 
dualistas (civilização/barbárie, nomadismo/sedentarismo, esclarecimento/
obscurantismo, cidade/campo, entre outras).
(EM13CHS204) Comparar e avaliar os processos de ocupação do espaço e a formação de 
territórios, territorialidades e fronteiras, identificando o papel de diferentes 
agentes (como grupos sociais e culturais, impérios, Estados Nacionais e 
organismos internacionais) e considerando os conflitos populacionais (internos 
e externos), a diversidade étnico-cultural e as características socioeconômicas, 
políticas e tecnológicas.
(EM13CHS205) Analisar a produção de diferentes territorialidades em suas dimensões 
culturais, econômicas, ambientais, políticas e sociais, no Brasil e no mundo 
contemporâneo, com destaque para as culturas juvenis.
(EM13CHS206) Analisar a ocupação humana e a produção do espaço em diferentes tempos, 
aplicando os princípios de localização, distribuição, ordem, extensão, conexão, 
arranjos, casualidade, entre outros que contribuem para o raciocínio geográfico.
COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 3 
Analisar e avaliar criticamente as relações de diferentes grupos, povos e sociedades com 
a natureza (produção, distribuição e consumo) e seus impactos econômicos e socioambientais, 
com vistas à proposição de alternativas que respeitem e promovam a consciência, a ética 
socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional, nacional e global.
Nessa competência específica, propõe-se analisar os paradigmas que refletem 
pensamentos e saberes de diferentes grupos, povos e sociedades (incluindo-se os indígenas, 
quilombolas e demais povos e populações tradicionais), levando em consideração suas 
formas de apropriação da natureza, extração, transformação e comercialização de recursos 
naturais, suas formas de organização social e política, as relações de trabalho, os significados 
da produção de sua cultura material e imaterial e suas linguagens.
Considerando a presença, na contemporaneidade, da cultura de massa e das culturas 
juvenis, é importante compreender os significados de objetos derivados da indústria cultural, 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
184
os instrumentos publicitários utilizados, o funcionamento da propaganda e do marketing, 
sua semiótica e seus elementos persuasivos, os papéis das novas tecnologias e os aspectos 
psicológicos e afetivos do consumismo.
HABILIDADES
(EM13CHS301) Problematizar hábitos e práticas individuais e coletivos de produção, 
reaproveitamento e descarte de resíduos em metrópoles, áreas urbanas e rurais, 
e comunidades com diferentes características socioeconômicas, e elaborar e/ou 
selecionar propostas de ação que promovam a sustentabilidade socioambiental, 
o combate à poluição sistêmica e o consumo responsável.
(EM13CHS302) Analisar e avaliar criticamente os impactos econômicos e socioambientais de 
cadeias produtivas ligadas à exploração de recursos naturais e às atividades 
agropecuárias em diferentes ambientes e escalas de análise, considerando o 
modo de vida das populações locais – entre elas as indígenas, quilombolas 
e demais comunidades tradicionais –, suas práticas agroextrativistas e o 
compromisso com a sustentabilidade.
(EM13CHS303) Debater e avaliar o papel da indústria cultural e das culturas de massa no 
estímulo ao consumismo, seus impactos econômicos e socioambientais, com 
vistas à percepção crítica das necessidades criadas pelo consumo e à adoção 
de hábitos sustentáveis.
(EM13CHS304) Analisar os impactos socioambientais decorrentes de práticas de instituições 
governamentais, de empresas e de indivíduos, discutindo as origens dessas 
práticas, selecionando, incorporando e promovendo aquelas que favoreçam a 
consciência e a ética socioambiental e o consumo responsável.
(EM13CHS305) Analisar e discutir o papel e as competências legais dos organismos nacionais 
e internacionais de regulação, controle e fiscalização ambiental e dos acordos 
internacionais para a promoção e a garantia de práticas ambientais sustentáveis.
(EM13CHS306) Contextualizar, comparar e avaliar os impactos de diferentes modelos 
socioeconômicos no uso dos recursos naturais e na promoção da 
sustentabilidade econômica e socioambiental do planeta (como a adoção dos 
sistemas da agrobiodiversidade e agroflorestal por diferentes comunidades, 
entre outros).
COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 4
Analisar as relações de produção, capital e trabalho em diferentes territórios, contextos 
e culturas, discutindo o papel dessas relações na construção, consolidação e transformação 
das sociedades.
Nessa competência específica, pretende-se que os estudantes compreendam o 
significado de trabalho em diferentes culturas e sociedades, suas especificidades e os 
processos de estratificação social caracterizados por uma maior ou menor desigualdade 
econômico-social e participação política.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
185
Além disso, é importante que os indicadores de emprego, trabalho e renda sejam 
analisados em contextos específicos que favoreçam a compreensão tanto da sociedade e suas 
implicações sociais quanto das dinâmicas de mercado delas decorrentes. Já a investigação a 
respeito das transformações técnicas, tecnológicas e informacionais deve enfatizar as novas 
formas de trabalho, bem como seus efeitos, especialmente em relação aos jovens e às futuras 
gerações.
HABILIDADES
(EM13CHS401) Identificar e analisar as relações entre sujeitos, grupos, classes sociais e 
sociedades com culturas distintas diante das transformações técnicas, 
tecnológicas e informacionais e das novas formas de trabalho ao longo do 
tempo, em diferentes espaços (urbanos e rurais) e contextos.
(EM13CHS402) Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes 
espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estratificação e 
desigualdade socioeconômica.
(EM13CHS403) Caracterizar e analisar os impactos das transformações tecnológicas nas 
relações sociais e de trabalho próprias da contemporaneidade, promovendo 
ações voltadas à superação das desigualdades sociais, da opressão e da 
violação dos Direitos Humanos.
(EM13CHS404) Identificar e discutir os múltiplos aspectos do trabalho em diferentes 
circunstâncias e contextos históricos e/ou geográficos e seus efeitoso número 42 da série documental Relatos de Pesquisa – Filosofia no Enem 1998-
2018: Um panorama da cobertura de Filosofia no exame à luz dos documentos norteadores 
ao longo de 20 anos. Ambos volumes fazem parte de projeto de pós-doutorado Estudos 
Comparados em Educação na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) 
com o Grupo de Pesquisa Gerações e Juventude (Geraju), sob a supervisão da Professora 
Doutora Wivian Weller, conforme processo 23036.006540/2018. A realização dos estudos 
de pós-doutorado foi aprovada na 44ª reunião ordinária da Comissão de Pós-Graduação 
do Programa de Pós-Graduação em Educação, realizada em 18 de dezembro de 2018 (em 
consonância com a Resolução Nº 14/2018, que dispõe sobre o estágio de pós-doutorado no 
Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Brasília).
O projeto teve como objetivo geral atualizar e aprofundar a análise oferecida no trabalho 
Filosofia no Enem: um estudo analítico dos conteúdos relativos à Filosofia ao longo das edições 
do Enem entre 1998 e 2011, contemplando os itens da área nas edições do Exame Nacional 
do Ensino Médio (Enem) entre 2012 e 2018, de forma a contribuir não só para a compreensão 
da evolução da presença desse campo de conhecimento na prova nos últimos anos, como 
oferecer subsídios e perspectivas para a área no exame à luz da nova Base Nacional Comum 
Curricular (BNCC). Realizado em 2012, como parte de uma consultoria com a Organização 
dos Estados Iberoamericanos (OEI), o primeiro estudo apresentava um panorama da presença 
da Filosofia nos primeiros quatorze anos no exame, além de uma análise pormenorizada de 
cada um dos itens da área aplicados, a partir da Matriz de Referência do Enem, dos Parâmetros 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
12
Curriculares Nacionais para o Ensino Médio – PCN-EM (1999), das Orientações Educacionais 
Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN+ (2002) e das Orientações 
Curriculares para o Ensino Médio – Ocem (2006). 
No presente estudo, são apresentados 55 itens com textos ou abordagens relacionados 
à Filosofia aplicados nas provas de Ciências Humanas do Enem entre 2012 e 2018. Além disso, 
cada uma das sete edições do exame em pauta será analisada em termos da distribuição dos 
itens de Filosofia ali presentes: seus aspectos quantitativos e qualitativos, seu atendimento 
das competências e habilidades de Ciências Humanas do Enem, sua cobertura dos diferentes 
períodos da filosofia ocidental e sua adesão aos referenciais curriculares para a área publicados 
entre 1998 e 2018.
Assim, além de trazer análises atualizadas nos termos utilizados no estudo anterior, 
este projeto avança em outros dois aspectos: a inclusão da recém-publicada BNCC entre 
os referenciais consultados e a apresentação de um perfil da cobertura da área de Filosofia 
de cada edição da prova entre 2012 e 2018. Esses dois avanços em relação ao Filosofia no 
Enem: 1998-2011 refletem duas mudanças importantes quanto à presença dessa área do 
conhecimento no exame desde que aquele primeiro estudo foi realizado em 2012. 
No que diz respeito à inclusão de uma análise dos itens aplicados em termos da BNCC, 
esse exercício, embora anacrônico, permite visualizar algumas possibilidades e limitações para 
a inclusão de itens de Filosofia nas futuras provas do Enem, como parte da adequação do exame 
ao novo ensino médio e à nova legislação. Como exemplificado ao longo deste estudo, não 
só são algumas competências e habilidades de Ciências Humanas da BNCC conceitualmente 
próximas às do Enem, como também, em termos de operacionalização por itens de Filosofia, 
a redação oferecida pelas habilidades da BNCC apresenta mais possibilidades para a área que 
a própria matriz atual do exame.1
A decisão de apresentar um volume separado com os itens selecionados, sua adesão 
aos referenciais consultados e uma análise da cobertura de Filosofia nas provas por edição 
diz respeito a outra mudança importante na presença dessa área no Enem desde 2012: a 
significativa ampliação de sua representatividade na prova. Enquanto entre 1998 e 2011 
a média de itens por ano girava entre um e dois, com cinco edições consecutivas (2004-
2008) sem nenhum item associado à área (Macedo, 2015), todas as sete edições analisadas 
neste estudo abrangem entre sete e nove itens com temas ou abordagens ligadas à Filosofia 
(Macedo, [2022a e 2022b]). Tal fato configura não só um aumento na média numérica de 
itens por edição, mas também uma estabilização da presença da área no exame nesse 
período, em contraste com a flutuação característica dos períodos anteriores (Macedo, 2015; 
Carneiro, 2015).
1 Para uma análise mais aprofundada, ver o Relato de Pesquisa nº 42, Filosofia no Enem 1998-2018: panorama 20 
anos, além dos artigos que serão publicados em breve, em particular “Debater para encontrar caminhos: a evolução 
da presença da Filosofia ao longo dos vinte anos do Enem (1998-2018)”, revista Pró-Posições da Unicamp, e 
“Filosofia nas Orientações Curriculares para o Ensino Médio e no Enem: lacunas temporais e conceituais”, revista 
Educação e Pesquisa da USP.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
13
Conforme ilustrado no volume 42 da série documental Relatos de Pesquisa, intitulado 
Filosofia no Enem 1998-2018: Um panorama da cobertura de Filosofia no exame à luz dos 
documentos norteadores ao longo de 20 anos, essa relativa consolidação da área no exame 
não se deu de maneira linear nem automática. Pelo contrário, ela foi construída a partir de 
um esforço da equipe técnica responsável, da qual a autora fez parte, e de professores de 
universidades federais parceiras e das redes de ensino estaduais e municipais selecionados 
por meio de edital. Na condição de elaboradores, revisores, pareceristas de questões e 
coordenadores de oficinas e de área ou assessores na montagem dos instrumentos, esses 
atores vêm buscando ao longo dos anos maneiras de cultivar uma inserção maior da Filosofia 
na prova, com todas as dificuldades envolvidas em fazer jus à área em uma avaliação de larga 
escala. Como disposto, por exemplo, no Relatório Pedagógico do Enem das edições de 2009 
a 2010:
As provas de 2009 e 2010 de Ciências Humanas e suas Tecnologias reafirmaram 
o caráter transdisciplinar do Enem ao envolverem temas e conceitos que buscavam 
combinar contribuições da Sociologia, Filosofia, Geografia e História. Nessa direção, o 
desafio maior da área de Ciências Humanas foi o de apresentar itens capazes de abranger 
os conhecimentos de disciplinas como Sociologia e Filosofia, que apenas recentemente 
foram incorporadas aos currículos da educação básica em todo o País, carecendo, por isso, 
de planos avaliativos e fórmulas didáticas já testadas e reconhecidas. Isso exigiu bastante 
criatividade das equipes responsáveis pela construção dos itens e maior sensibilidade da 
equipe de montagem do exame (Brasil. Inep, 2013, p. 61).
Incluir temáticas relacionadas a disciplinas como a Filosofia e a Sociologia no Enem 
envolve muitos desafios. Por um lado, há de se atentar para os documentos curriculares 
produzidos para as áreas no período, com as contradições e tensões que eles trazem entre si 
(Gallo, 2013). Ao mesmo tempo, é imprescindível atender o protocolo de montagem da prova, 
de forma a considerar todas as 30 habilidades da matriz e o desenho psicométrico da prova. 
Além de manter uma distribuição adequada das habilidades da matriz e das diferentes faixas 
de dificuldade, é necessário ainda manter um equilíbrio entre os componentes curriculares e 
as temáticas abordadas, tanto no que diz respeito à prova de Ciências Humanas quanto em 
relação a outras áreas do conhecimento, em particular Linguagens e Códigos. 
Fortalecer a Filosofia no ensino médio e abordá-la de maneira minimamente adequada 
em uma avaliação em larga escala como o Enem é, portanto, tarefasobre as 
gerações, em especial, os jovens, levando em consideração, na atualidade, as 
transformações técnicas, tecnológicas e informacionais.
COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 5
Identificar e combater as diversas formas de injustiça, preconceito e violência, adotando 
princípios éticos, democráticos, inclusivos e solidários, e respeitando os Direitos Humanos.
O exercício de reflexão, que preside a construção do pensamento filosófico, permite aos 
jovens compreender os fundamentos da ética em diferentes culturas, estimulando o respeito 
às diferenças (linguísticas, culturais, religiosas, étnico-raciais etc.), à cidadania e aos Direitos 
Humanos. Ao realizar esse exercício na abordagem de circunstâncias da vida cotidiana, os 
estudantes podem desnaturalizar condutas, relativizar costumes e perceber a desigualdade, 
o preconceito e a discriminação presentes em atitudes, gestos e silenciamentos, avaliando as 
ambiguidades e contradições presentes em políticas públicas tanto de âmbito nacional como 
internacional.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
186
HABILIDADES
(EM13CHS501) Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, 
identificando processos que contribuem para a formação de sujeitos éticos 
que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a 
convivência democrática e a solidariedade.
(EM13CHS502) Analisar situações da vida cotidiana, estilos de vida, valores, condutas etc., 
desnaturalizando e problematizando formas de desigualdade, preconceito, 
intolerância e discriminação, e identificar ações que promovam os Direitos 
Humanos, a solidariedade e o respeito às diferenças e às liberdades individuais.
(EM13CHS503) Identificar diversas formas de violência (física, simbólica, psicológica etc.), suas 
principais vítimas, suas causas sociais, psicológicas e afetivas, seus significados 
e usos políticos, sociais e culturais, discutindo e avaliando mecanismos para 
combatê-las, com base em argumentos éticos.
(EM13CHS504) Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes das transformações 
culturais, sociais, históricas, científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo 
e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, 
sociedades e culturas.
COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando diferentes posições e 
fazendo escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, 
autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
A construção da cidadania é um exercício contínuo, dinâmico e que demanda a 
participação de todos para assegurar seus direitos e fazer cumprir deveres pactuados por 
princípios constitucionais e de respeito aos direitos humanos. Assim, para que os estudantes 
compreendam a importância de sua participação e sejam estimulados a atuar como cidadãos 
responsáveis e críticos, essa competência específica propõe que percebam o papel da política 
na vida pública, discutam a natureza e as funções do Estado e o papel de diferentes sujeitos 
e organismos no funcionamento social e analisem experiências políticas à luz de conceitos 
políticos básicos.
Para o desenvolvimento dessa competência específica, a política será explorada 
como instrumento que permite às pessoas explicitar e debater ideias, abrindo caminho para 
o respeito a diferentes posicionamentos em uma dada sociedade. Desse modo, espera-se 
que os estudantes reconheçam que o debate público – marcado pelo respeito à liberdade, 
autonomia e consciência crítica – orienta escolhas e fortalece o exercício da cidadania e o 
respeito a diferentes projetos de vida.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
187
HABILIDADES
(EM13CHS601) Identificar e analisar as demandas e os protagonismos políticos, sociais e 
culturais dos povos indígenas e das populações afrodescendentes (incluindo 
as quilombolas) no Brasil contemporâneo considerando a história das Américas 
e o contexto de exclusão e inclusão precária desses grupos na ordem social e 
econômica atual, promovendo ações para a redução das desigualdades étnico-
raciais no país.
(EM13CHS602) Identificar e caracterizar a presença do paternalismo, do autoritarismo e do 
populismo na política, na sociedade e nas culturas brasileira e latino-americana, 
em períodos ditatoriais e democráticos, relacionando-os com as formas de 
organização e de articulação das sociedades em defesa da autonomia, da 
liberdade, do diálogo e da promoção da democracia, da cidadania e dos direitos 
humanos na sociedade atual.
(EM13CHS603) Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de suas experiências 
políticas e de exercício da cidadania, aplicando conceitos políticos básicos 
(Estado, poder, formas, sistemas e regimes de governo, soberania etc.).
(EM13CHS604) Discutir o papel dos organismos internacionais no contexto mundial, com vistas 
à elaboração de uma visão crítica sobre seus limites e suas formas de atuação 
nos países, considerando os aspectos positivos e negativos dessa atuação para 
as populações locais.
(EM13CHS605) Analisar os princípios da declaração dos Direitos Humanos, recorrendo às 
noções de justiça, igualdade e fraternidade, identificar os progressos e entraves 
à concretização desses direitos nas diversas sociedades contemporâneas 
e promover ações concretas diante da desigualdade e das violações desses 
direitos em diferentes espaços de vivência, respeitando a identidade de cada 
grupo e de cada indivíduo.
(EM13CHS606) Analisar as características socioeconômicas da sociedade brasileira – com base 
na análise de documentos (dados, tabelas, mapas etc.) de diferentes fontes – 
e propor medidas para enfrentar os problemas identificados e construir uma 
sociedade mais próspera, justa e inclusiva, que valorize o protagonismo de seus 
cidadãos e promova o autoconhecimento, a autoestima, a autoconfiança e a 
empatia.
Fonte: Brasil. MEC (2018, p. 571-579).desafiadora que exige 
esforço conjunto de uma rede de atores. Ao reunir nesta publicação os itens mais relacionados 
ao componente curricular Filosofia, as habilidades e competências do Enem associadas a eles 
e seus pontos de contato com os diferentes documentos curriculares publicados nos últimos 
vinte anos, este título avulso visa oferecer à comunidade envolvida com a Filosofia no ensino 
médio (seja na academia, na escola ou na elaboração de itens, de instrumentos e da nova 
matriz do exame) alguns elementos para lidar com essas dificuldades e construir maneira 
de superá-las, no espírito que pensadores dessa área nas escolas, como Lipman, Sharp e 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
14
Oscanyan (1980), Lipman (1988) e Matthews (1980, 1984), convencionaram chamar de 
comunidade de investigação (community of inquiry). Dessa forma, este estudo cumpre papel 
fundamental para alcançar o objetivo geral deste projeto, assim como os objetivos específicos, 
listados a seguir: 
a) Realizar diagnóstico sobre a adesão dos itens de Filosofia do Enem dos anos de 
2012 a 2018 aos referenciais curriculares então vigentes: PCN-EM (1999), PCN+ 
(2002) e Ocem (2006).
b) Realizar diagnóstico dos itens de Filosofia do Enem dos anos de 2012 a 2018 
tomando como parâmetros as competências e habilidades da BNCC (2018), de 
forma a detectar pontos de maior e menor facilidade de operacionalização.
c) Propor subsídios para a reformulação da Matriz de Referência de Ciências Humanas 
do Enem, do ponto de vista de temas e abordagens próprios da Filosofia.
d) Propor subsídios para os elaboradores e os revisores de itens de Filosofia do Banco 
Nacional de Itens do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio 
Teixeira (Inep), em especial aqueles envolvidos com o Enem.
e) Propor subsídios para professores e alunos de Filosofia, de forma a fortalecer a 
presença da área entre profissionais e discentes de ensino médio.
Enquanto o panorama apresentado em Relatos de Pesquisa: Filosofia no Enem 
1998-2018 apresenta uma visão mais macro desses elementos, sintetizando os principais 
resultados obtidos, e as outras publicações derivadas dessa pesquisa focam alguns aspectos 
de forma mais aprofundada, este título avulso é, dos produtos deste projeto, o mais alinhado 
aos objetivos específicos listados e o que subsidia e fundamenta todos os outros. 
Para situar o papel específico desta publicação no projeto maior de atualização e 
aprofundamento do Filosofia no Enem: 1998-2011, é proveitoso considerar dois autores 
que também encontram nesse estudo elementos importantes para suas próprias pesquisas: 
Ribeiro (2020), que compartilha o método de seleção de itens analisados2; e Carneiro (2015), 
que compartilha o método de análise propriamente dito. 
Silvio Carneiro, em seu texto “O Enem e a leitura de textos filosóficos: análise de alguns 
parâmetros para a sala de aula”, publicado no mesmo ano que o estudo citado, comenta: 
Recentemente foi publicado um estudo relevante que acompanha a trajetória da Filosofia 
nas questões do exame: Filosofia no Enem: um estudo analítico dos conteúdos relativos 
2 “O componente curricular de Filosofia, embora apresente características próprias bastante distintas, compartilha 
com a Sociologia similaridades quanto ao histórico de inserção no ensino médio e, desse modo, do estudo de 
Macedo decorreram informações relevantes que passaram a nortear o trabalho das equipes técnicas e pedagógicas 
da Daeb, tanto com foco no próprio exame como no fortalecimento desse conhecimento [...]. Vale ainda notar que 
tendo em vista a contribuição positiva oferecida aos trabalhos desenvolvidos na Daeb, o estudo citado apresenta 
proposta de continuidade em andamento, de modo a alcançar as edições seguintes do Enem, bem como oferecer 
contribuições que também vislumbrem a nova BNCC” (Ribeiro, 2020, p. 19-20).
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
15
à Filosofia ao longo das edições do Enem de 1998 a 2011, de Ester de Macedo. Trata-se 
de um documento importante para nossas preocupações não apenas pelos resultados 
da investigação, mas também por nos orientar um método de investigação do tema 
(método que me valho nesta apresentação em grande medida), bem como apresenta o 
grau de impacto do Enem em nossa sala de aula. Investigar estes três campos abertos por 
Macedo será a proposta de nossa apresentação. (Carneiro, 2015, p. 28).
Replicando a metodologia, Carneiro se propõe a atualizar o quadro-resumo desenvolvido 
para aquele estudo (Macedo, 2015, p. 105), completando com o que na sua visão seriam os 
resultados que essa mesma metodologia geraria para os itens de temáticas e abordagens de 
Filosofia aplicados no Enem entre 2012 e 2015:
A partir do diagnóstico de Macedo e o modo como a autora articula questões aos 
documentos de referência pedagógica do Enem, é possível desdobrar alguns efeitos 
sobre o conteúdo filosófico do Enem. Aventuro-me aqui a organizar as novas tendências 
dos itens de Filosofia (Carneiro, 2015, p. 32).
Embora apresente uma síntese fidedigna e uma análise generosa da metodologia 
adotada em Filosofia no Enem: 1998-2011, Carneiro comete alguns equívocos ao tentar 
reproduzir essa análise para as edições subsequentes, aplicada entre a realização do 
estudo original em 2012 e sua publicação em 2015. Por um lado, as correspondências 
entre os itens entre os itens de Filosofia e os dispositivos curriculares que eles materializam 
são uma interpretação subjetiva, não havendo uma “classificação oficial”. Nesse sentido, a 
interpretação de Carneiro é tão válida quanto a apresentada neste volume, e ambas estão 
sujeitas a divergências e são passíveis de outras interpretações. Contudo, no que diz respeito 
às habilidades e competências da Matriz de Referência do Enem associadas ao item situação 
é diferente. Oficialmente, cada item do Enem atende uma única habilidade,3 e não múltiplas, 
como às vezes Carneiro pressupõe4. Considerando que essa matriz de referência consiste 
em 30 habilidades, numa distribuição equilibrada dos 45 itens da prova, cada habilidade é 
atendida por um ou no máximo dois itens.
Esses equívocos de Carneiro são compreensíveis e remetem diretamente a pelo menos 
duas limitações do exame: 1) as exíguas possibilidades que a matriz atual do Enem oferece para 
temáticas e abordagens tipicamente filosóficas; e 2) a escassez de devolutivas pedagógicas 
do exame como um todo. Em relação à primeira limitação, poucas das 30 habilidades de 
Ciências Humanas da Matriz de Referência do Enem de 2009, na sua redação literal, abrem 
3 As habilidades atendidas por item do exame estão disponíveis nos microdados do Enem: http://inep.gov.br/
microdados.
4 Por exemplo, o item 22 da prova de 2013 ou os itens 5 e 12 de 2015, que na análise de Carneiro chegariam a 
mobilizar três competências e quatro habilidades (Carneiro, 2015).
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
16
espaço para conteúdos e abordagens de Filosofia compatíveis com o ensino médio.5 No que 
diz respeito à segunda limitação, há de se admitir que as informações relativas às habilidades 
e competências exigidas pelos itens do Enem não são facilmente acessíveis ao público. 
Os últimos Relatórios Pedagógicos do exame foram publicados em 2013 e 2015, referentes 
aos biênios 2009-2010 e 2011-2012, respectivamente. Mesmo neles, é apresentada apenas 
uma amostra de itens (um por competência, num total de seis por edição), não refletindo toda 
a gama daqueles utilizados. Já o mapa de itens, instrumento de devolutiva disponibilizado 
até 2012, foi descontinuado nas atualizações mais recentes do site do Inep. Os microdados 
que foram a fonte empregada neste estudo são públicos, atualizados e completos, porém seu 
formato não é o mais amigável. 
Poresses motivos, optou-se por apresentar cada um dos 55 itens selecionados e seus 
pontos de contato com os diferentes documentos norteadores consultados, não a partir 
do que teóricos como Iris Marion Young, seguindo Theodor Adorno, chamam de lógica de 
identidade, em que um entendimento está fechado e é distribuído ao mundo, mas numa lógica 
de redes, com suas intersecções, tensões e reconfigurações (Burbules, 1997; Bowe; Ball; Gold, 
1992; Mainardes, 2006; Süssekind; Maske, 2020). Colocando-se na posição de examinar a 
avaliação, este estudo se configura como uma meta-análise, que visa refletir sobre como o 
instrumento pode desempenhar seu papel de maneira cada vez melhor, em particular no que 
diz respeito à situação da Filosofia no exame. Este estudo num primeiro momento subsidia a 
equipe técnica e os colaboradores mais diretamente envolvidos com a elaboração e revisão 
de itens e a montagem de instrumentos do exame. Longe de estar isolada do mundo, essa 
equipe técnica depende, direta e indiretamente, de um diálogo constante com a comunidade 
acadêmica e escolar (Alves, 2014; Silva, 2020). Dessa forma, esta publicação não é apostila 
ou manual para estudantes, professores, elaboradores ou revisores de itens treinarem e 
replicarem o “modelo de item de Filosofia do Enem” (Freitas, 2005; Silva, 2020). Antes, é um 
convite a esses atores a pensarem como essa área do conhecimento vem se inserindo no 
ensino médio, seja na sala de aula, seja no exame, seja nos documentos oficiais, com suas 
possibilidades e limitações, e que horizontes podem ser construídos para ela em todas essas 
arenas (Mainardes, 2006; Alves, 2014; Silva, 2020; Pedro; Marsico, 2020).
Como no estudo anterior, a escolha dos itens para análise foi feita pela autora a partir 
de sua leitura dos cadernos de prova da aplicação principal do Enem nos anos observados 
e de sua interpretação subjetiva, por sua experiência tanto na área de Filosofia quanto nas 
atividades da equipe responsável pelo exame no Inep. Flávia Ghignone Braga Ribeiro, em sua 
5 “A Matriz de Referência para o Enem 2009 não apresenta, diretamente, competências e habilidades relativas à 
Filosofia, embora possamos ver em alguns dos ‘eixos cognitivos’ gerais e mesmo nas competências e habilidades 
relativas aos campos da História e da Geografia aspectos passíveis de serem desenvolvidos nas aulas de Filosofia. 
Esse fato se explica porque, como se sabe, apenas em 2008 foi sancionado pela Presidência da República o projeto 
de lei substitutivo da LDB que tornou Filosofia e Sociologia obrigatórias no currículo do ensino médio. A questão 
é, pois, pensar como a Filosofia pode integrar essa matriz de referência para o Enem” (Gallo, 2013, p. 415-416). 
Ver também Brasil. Inep (2013), Ribeiro (2020) e Macedo [(2021a)] e [(2021c)].
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
17
dissertação intitulada A presença e a abordagem da Sociologia no Exame Nacional do Ensino 
Médio a partir das diretrizes e orientações curriculares oficiais para a disciplina, defendida em 
2020, usa metodologia semelhante: 
Considerando os documentos citados, em uma primeira etapa e para identificar a 
presença da Sociologia no Enem, foi realizada a leitura de todos os cadernos de prova de 
Ciências Humanas, das edições de 2009 a 2018, e todas as 45 questões de cada caderno 
foram classificadas considerando as subáreas, Filosofia, Geografia, História e Sociologia. 
É importante ressaltar que o exame apresenta proposta de abordagem interdisciplinar 
e contextualizada e assim não prevê quantitativos mínimos ou equitativos ou qualquer 
distinção entre as subáreas que compõem uma área de conhecimento. Portanto, a 
classificação realizada neste estudo considera essa premissa, entendendo que todas 
as questões da prova buscam a interdisciplinaridade, mas que, ainda assim, é possível 
identificar a contribuição específica das subáreas que compõem a área de conhecimento 
de Ciências Humanas. Essa classificação foi realizada pela autora, pesquisadora do Inep 
e componente de equipe pedagógica da diretoria que realiza o exame, a partir de critérios 
usuais dessas equipes quando demandadas a alguma tarefa com esse teor. (Ribeiro, 
2020, p. 22).
Os 55 itens de Ciências Humanas do Enem analisados nesta publicação são listados a 
seguir. 
QUADRO 1
QUANTIDADE E POSIÇÃO DOS ITENS DE CIÊNCIAS HUMANAS (2012-2018) ANALISADOS 
NESTE ESTUDO
Ano Número de itens de Filosofia Posição (prova azul)
2012 7 2, 7, 9, 25, 28, 30, 31
2013 7 4, 10, 22, 24, 27, 36, 41
2014 8 4, 11, 12, 14, 19, 24, 25, 29
2015 8 3, 13, 16, 17, 26, 28, 34, 42
2016 9 1, 6, 15, 20, 23, 24, 25, 28, 37
2017 8 48, 49, 64, 65, 66, 84, 85, 88
2018 8 49, 51, 52, 66, 79, 83, 89, 90
Fonte: Elaboração própria, com base em Macedo (2015). 
Na sequência, são apresentados 55 itens mais relacionados à área de Filosofia 
aplicados nas provas de Ciências Humanas do Enem entre 2012 e 2018. Primeiramente, é 
feita uma breve análise em termos da cobertura de Filosofia para cada uma das sete edições. 
Em seguida, os itens selecionados em cada prova serão apresentados individualmente, 
acompanhados por um quadro-síntese com a correspondência entre o item em questão e os 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
18
documentos referenciais consultados. Esse quadro segue o modelo utilizado no estudo de 
2015, replicado por Carneiro (2015, p. 30), que comenta: 
Macedo nos oferece um método interessante para avaliarmos a presença da Filosofia no 
Enem, associando as questões de cunho filosófico aos documentos de referência curricular 
(...). A cada questão, Macedo organiza um quadro que referencia o item às habilidades e 
competências indicadas nos documentos pedagógicos de referência do Enem.
Nesse quadro, conforme estudo publicado em 2015, são apresentadas, em primeiro 
lugar, as habilidades e os tópicos dos PCN, dos PCN+ e das Ocem atendidos pelo item. 
Em seguida, virão a competência e a habilidade da matriz de 2009 que ele mobiliza. Além 
disso, esse quadro passa a listar também as competências e as habilidades da BNCC que 
o item poderia operacionalizar, sendo essa uma das inovações deste estudo em relação a 
seu predecessor. É a partir desse quadro que foi construída não só a análise daquela edição 
específica, mas também o panorama apresentado em Relatos de Pesquisa nº 42 da série 
documental do Inep e os outros estudos derivados deste trabalho.
QUADRO 2
EXEMPLO DE QUADRO-SÍNTESE DE CADA ITEM ANALISADO EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) III.1 Filosofia, mito e senso comum.
Ocem (2006) 07 Teoria das ideias em Platão; conhecimento e opinião; aparência e 
realidade.
Enem (2009)
Competência C1 Compreender os elementos culturais que constituem as 
identidades.
Enem (2009)
Habilidade H01 Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes 
documentais acerca de aspectos da cultura.
BNCC (2018)
Competência C1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais 
e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em 
diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos 
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a 
compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, 
considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões 
baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS101
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas 
expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de 
ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, 
políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Elaboração própria, com base em Macedo (2015). 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURADE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
19
Seguindo o padrão utilizado em Filosofia no Enem: 1998-2011, a referência a cada 
item será no formato “prova.item”, sinalizando assim a posição da questão no caderno azul da 
aplicação principal da edição analisada. Além dessas informações, acrescentam-se também, 
entre parênteses, o autor do texto-base e uma palavra- chave, geralmente o assunto do texto-
base ou da fonte que ele foi extraído. Por exemplo, o primeiro item analisado é o de posição 
02 no caderno azul da aplicação principal da edição de 2012 que traz um texto de Kant sobre 
esclarecimento. A referência a ele é feita da seguinte forma: “2012.02 (Kant/Esclarecimento)”. 
Em caso de itens com dois textos-base, é apresentado em parênteses apenas o nome dos 
dois autores, por exemplo: “2012.30 (Descartes e Hume)”. Um quadro-resumo ao final deste 
volume lista todos os itens selecionados e como foram contabilizados nas análises efetuadas 
no volume 42 da série Relatos de Pesquisa que acompanha este título avulso e nos outros 
produtos resultantes deste estudo.6 
6 “Reitera-se que o objetivo do exame é alcançar a interdisciplinaridade, então não há na Daeb/Inep um protocolo 
para tal classificação sendo possível e comum que existam divergências com outros pesquisadores considerando 
o próprio caráter interdisciplinar das questões e a subjetividade envolvida na classificação” (Ribeiro, 2020, p. 24).
20
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
ANÁLISE DOS ITENS 
DE FILOSOFIA APLICADOS 
NO ENEM POR EDIÇÃO 
(2012-2018) 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
23
2012
ANÁLISE DA EDIÇÃO
Dos sete itens relacionados à filosofia aplicados na edição de 2012 do exame, dois 
(itens 25 e 28) cobrem o período da antiguidade, quatro (itens 3, 7, 30 e 31) versam sobre o 
período moderno e um (item 09) diz respeito à filosofia contemporânea. Em todo o período 
entre 2009 e 2011, cada uma dessas áreas havia sido contemplada apenas uma vez. 
Dos nove textos utilizados na prova de 2012, sete indicavam ter sofrido adaptações e 
somente dois não faziam essa sinalização. Esse quadro mais do que inverte a situação entre 
os oito textos-base usados entre 2009 e 2011, em que somente três indicavam adaptações, 
enquanto outros cinco não as apontavam. Comparado ao período anterior, o contraste é ainda 
mais forte: de dez textos-base utilizados entre 1998 e 2008, oito eram originais e apenas dois 
indicavam ter sido adaptados. Isso é significativo, porque quanto menos adaptações, maior a 
fidedignidade do texto e mais próximo o contato real do respondente com os autores originais. 
Nesse sentido, observa-se que os dois itens de filosofia antiga da prova são de 
fonte secundária e indicam ter adaptações, enquanto todos os itens de filosofia moderna 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
24
e contemporânea são de fonte primária, sinalizando um contato mais mediado aos autores 
do período antigo em relação aos do período moderno. No entanto, essa edição marca um 
fortalecimento da presença desse período da filosofia ocidental, antes só representada por 
um único item em 2009, que utilizava fonte secundária para tratar da filosofia política de 
Aristóteles (2009.58). Se considerarmos a matriz anterior, o item mais próximo do campo da 
filosofia antiga seria o 2000.04, sobre Cícero e Ulpiano. 
A filosofia moderna, que contou com quatro itens nesta edição, também só havia sido 
contemplada com um item na matriz atual (relacionado a Maquiavel, 2010.27). Na matriz 
anterior, ela havia sido contemplada seis vezes: em 1999, com um item sobre Copérnico e 
Da Vinci (posição 31); em 2000, com dois itens sobre Locke (52 e 53); em 2001, com dois 
itens sobre Hobbes e Bobbio (31 e 32); e, em 2003, com um item sobre Montesquieu (48). 
A filosofia contemporânea, contemplada com um item sobre Habermas nessa prova, 
também só havia contado com uma ocorrência desde 2009, com um item sobre Foucault 
em 2010 (34). Na matriz anterior, ela havia sido contemplada duas vezes, em dois itens na 
prova de 2001 que comparavam a visão de Nobert Bobbio com a de Thomas Hobbes (31 e 
32). Todos os outros itens entre 2009 e 2011 vinham de fontes secundárias e manuais de 
Filosofia, não tendo sido consideradas estritamente como “filosofia contemporânea” neste 
estudo. 
Em termos de competências, esta edição contou com três itens na competência C1 
e quatro na C5. Temos assim uma prevalência equilibrada entre essas duas competências. 
Esse fato é uma raridade, dado que em todo o período entre 1998 e 2008 havia ênfase na 
competência C1 e ausência total da C5, enquanto entre 2009 e 2011 foi o contrário. Há 
mais itens na competência C1 do que em todo o período entre 2009 e 2011, em que foram 
aplicados apenas dois itens nessa competência. 
Quanto a habilidades, são dois itens na H4 e na H23 e um na H1, na H24 e na H25. 
Os itens que mobilizam a H4 na prova de 2012 abordam temáticas centrais na Filosofia, 
mas que não haviam sido exploradas no exame. Cada um desses itens utiliza dois textos-
base. O primeiro é o item 28 do caderno azul, que compara o pensamento pré-socrático de 
Anaxímenes de Mileto com o do filósofo medieval Basílio Magno em relação a suas respectivas 
visões sobre a origem do universo. O segundo é o item 30 do mesmo caderno, que compara 
as visões dos filósofos René Descartes e David Hume sobre a origem do conhecimento. 
A outra habilidade a contar com dois itens de Filosofia na prova de 2012 foi a H23, “Analisar 
a importância dos valores éticos na estruturação política das sociedades”. Desde 2009, a H23 
havia sido a habilidade com o maior número de itens de Filosofia, com dois itens na prova de 
2010 e o único item da prova de 2011, num total de três itens dos oito aplicados entre 2009 
e 2011. 
Acompanhando a divisão por competências, os itens da prova de 2012 podem ser 
divididos em dois grupos: um de caráter mais epistemológico, na competência C1, outro de 
caráter mais ético, na competência C5. Contudo, as semelhanças entre os itens dentro de cada 
grupo vão além de convergência temática, abrangendo formato também. Os de estilo mais 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
25
epistemológico (itens 25, 28 e 30 do caderno azul) pedem para o respondente situar os autores 
em pauta quanto a suas visões em relação à origem do conhecimento (no caso dos itens 25 
e 30) ou à origem do universo (no caso do item 28). Os da competência C5, de caráter mais 
ético (02, 07, 31 e 09), focam a questão da autonomia. Já o item 31, com texto de Maquiavel, 
por exemplo, traz essas duas características (foca a autonomia e convida o respondente 
a situar o autor em relação à sua tradição), enquanto o item 9, com texto de Habermas, é o 
único nesta prova que foge a esses dois padrões.7
PCN
Quanto aos PCN de 1999, todos os sete itens da prova de 2012, a princípio, exigem 
a habilidade 1a, “Ler textos filosóficos de modo significativo”. Além desta, três itens exigem 
também a habilidade 2, “Articular conhecimentos filosóficos e diferentes conteúdos e modos 
discursivos nas Ciências Naturais e Humanas, nas Artes e em outras produções culturais”. São 
eles: o item 28, que articula o pensamento do pré-socrático Anaxímenes com o do medieval 
Basílio Magno em relação ao princípio constitutivo das coisas; o item 30, que articula o 
pensamento de Descartes com o de Hume sobre a origem das ideias; e o item 31, que articula 
o pensamento de Maquiavel com o humanismo renascentista quanto ao rompimento com a 
tradição medieval. Este último, assim como o que compara o pensamento de Anaxímenes com 
o de Basílio Magno, ao fazer referência explícita ao contexto desses pensadores, demandatambém a competência 3, de contextualização sociocultural. A habilidade requisitada aqui é 
“Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de sua origem específica, quanto em 
outros planos: o pessoal-biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o horizonte 
da sociedade científico-tecnológica”. Outros dois itens desta edição também exercitam 
essa competência de contextualização sociocultural. São eles: o item 2, que insere a noção 
de esclarecimento de Kant no contexto da modernidade; e o item 9, que insere os direitos 
culturais das minorias no contexto das democracias contemporâneas, segundo o pensamento 
de Habermas.
PCN+
Em termos dos PCN+, os itens de 2012 são relativamente bem distribuídos nos três 
eixos, se comparados à situação dos anos anteriores. São dois itens (itens 7 e 9) no eixo I, 
“Poder e Democracia”, dois (itens 2 e 31) no eixo II, “Construção do Sujeito Moral”, e três (itens 
25, 28 e 30) no eixo III, “O Que É Filosofia”. A distribuição equilibrada dos itens de 2012 em 
7 Para análise mais aprofundada da distribuição dos itens de Filosofia no Enem em termos das habilidades 
e competências da matriz de Ciências Humanas do exame, ver Macedo [(2022)].
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
26
relação aos temas dos PCN+ é um forte contraste com a oscilação que marcou os períodos 
anteriores. Os itens de Filosofia entre 1998 e 2008 concentravam-se exclusivamente nos 
eixos II e III. Já com a reformulação do exame em 2009, os itens foram deslocados do eixo 
III, com foco em epistemologia, para o eixo I, focalizado em democracia. A prova de 2012 
reequilibra essa distribuição, recolocando no mapa o eixo III, que estava ausente desde 2001.
OCEM
Conforme demonstrado em estudo anterior, entre a publicação das Ocem em 2006 
e a edição de 2011, somente 6 dos 30 conteúdos de Filosofia sugeridos haviam sido exigidos 
no Enem. Essa situação se mantinha mesmo levando em conta as temáticas presentes no 
exame antes da publicação das Ocem em 2006.8 Em 2012 esse quadro se altera. Foram seis 
conteúdos das Ocem nesta edição: o mesmo número de todos os quatorze anos anteriores 
somados. São exigidos pela primeira vez no Enem cinco conteúdos: o 6, “filosofia pré-socrática; 
uno e múltiplo; movimento e realidade”, o 7, “teoria das ideias em Platão; conhecimento 
e opinião; aparência e realidade”, o 17, “teoria do conhecimento nos modernos; verdade e 
evidência; ideias; causalidade; indução; método”, o 18, “vontade divina e liberdade humana”, 
e o 28, “marxismo e Escola de Frankfurt” conforme descritos abaixo. 
O único conteúdo das Ocem desta prova que havia ocorrido anteriormente foi 
o 22, “éticas do dever; fundamentações da moral; autonomia do sujeito”. De fato, esse foi o 
conteúdo mais exigido nos anos anteriores, em cinco dos oito itens de Filosofia no Enem desde 
a publicação das Ocem em 2006 (com mais outros dois itens com temáticas compatíveis 
com esse conteúdo se considerarmos as provas anteriores à publicação dessas orientações 
curriculares). Essa disparidade na distribuição de conteúdos das Ocem mostra o foco do 
exame em questões de ética, conforme apontado anteriormente, em detrimento de outras 
áreas centrais da Filosofia, como epistemologia e filosofia antiga.
Uma característica das Ocem sinalizada em estudos anteriores (Macedo, 2015 e 
2021) é a falta de sugestões de temas de filosofia política, em particular aqueles ligados 
aos fundamentos filosóficos da democracia, temática que domina todo o primeiro eixo dos 
PCN+, denominado “Relações de Poder e Democracia”, além do tema “3. Ética e Política” 
no eixo II, “A Construção do Sujeito Moral”. A prova de 2012 traz dois exemplos de itens de 
Filosofia que transitam nessa lacuna das Ocem. O primeiro é o item 7 sobre Montesquieu, 
que é um clássico, a ponto de ter subtema só para ele nos PCN+, dentro do eixo “Poder e 
Democracia”. Nas Ocem, porém, não é óbvio qual conteúdo abarcaria o trabalho desse autor. 
Para os fins deste estudo, pela vinculação teórica do autor e pela temática discutida no item, 
foi considerado o conteúdo 20, “o contratualismo”. De maneira semelhante, na falta de um 
8 Para análise mais aprofundada da cobertura dos conteúdos propostos pelas Ocem para a Filosofia nos itens do 
Enem entre 1998 e 2018, ver Macedo ([2021]).
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
27
conteúdo específico nas Ocem para tratar de questões sobre democracia contemporânea, 
o item 9, sobre Habermas, é classificado como representante do conteúdo 28, “marxismo e 
Escola de Frankfurt, pela vinculação do autor.
Dos itens de filosofia antiga, o item 25, com texto-base de Zingano, que trata da 
origem da teoria das ideias de Platão em Parmênides, exige pela primeira vez, e com bastante 
propriedade, o conteúdo 7, “teoria das ideias em Platão; conhecimento e opinião; aparência e 
realidade”. O item 28, que compara a filosofia pré-socrática de Anaxímenes com o pensamento 
medieval de Basílio, atende o conteúdo 6, “filosofia pré-socrática; uno e múltiplo; movimento 
e realidade”, e talvez também o 12, “o problema dos universais; os transcendentais”, ou o 13, 
“tempo e eternidade; conhecimento humano e conhecimento divino”. 
O item 30, que compara Descartes a Hume, demanda pela primeira vez o conteúdo 17, 
“teoria do conhecimento nos modernos; verdade e evidência; ideias; causalidade; indução; 
método”, que se torna recorrente nos anos posteriores. O item 2, sobre Kant, mobiliza o 
conteúdo 22, “éticas do dever; fundamentações da moral; autonomia do sujeito”, atendendo 
todos os três conceitos-chave do conteúdo. O item 31, sobre Maquiavel, por tratar de livre-
arbítrio e autonomia tem uma proposta semelhante à do item sobre Kant e à do item sobre 
Montesquieu, mas por abordar o livre-arbítrio em relação ao poder do acaso e de Deus, ele 
atende o conteúdo 18, “vontade divina e liberdade humana”. 
BNCC
Se transpostos em termos da Base Nacional Comum Curricular, três itens aplicados 
nesta edição (o 2012.25 sobre Platão e Parmênides, o 2012.28 sobre Anaxímenes e Basílio 
Magno e o 2012.30 sobre Descartes e Hume) poderiam ser utilizados para atender a habilidade 
EM13CHS101, “Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas 
em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e 
eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais”. Dois 
itens (o 2012.02 e o 2012.31) atenderiam a EM13CHS501, “Analisar os fundamentos da 
ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando processos que contribuem 
para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, 
o empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade”. Outros dois itens (o 
2012.07 sobre Montesquieu e o 2012.09 sobre Habermas) atenderiam a EM13CHS603, 
“Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de suas experiências políticas 
e de exercício da cidadania, aplicando conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, 
sistemas e regimes de governo, soberania etc.).”
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
28
APRESENTAÇÃO DOS ITENS E SUA CORRESPONDÊNCIA AOS 
DOCUMENTOS REFERENCIAIS
2012.02 (KANT/ESCLARECIMENTO)
Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. 
A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de 
outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não 
se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se 
de si mesmo sem a direção de outrem. Tem coragem de fazer uso de teu próprio 
entendimento, tal é o lema do esclarecimento. A preguiça e a covardia são as causas 
pelas quais uma tão grande parte dos homens,depois que a natureza de há muito os 
libertou de uma condição estranha, continuem, no entanto, de bom grado menores 
durante toda a vida. 
KANT, I. Resposta à pergunta: o que é esclarecimento? 
Petrópolis: Vozes, 1985 (adaptado). 
Kant destaca no texto o conceito de Esclarecimento, fundamental para a compreensão 
do contexto filosófico da Modernidade. Esclarecimento, no sentido empregado por 
Kant, representa 
A a reivindicação de autonomia da capacidade racional como expressão da maioridade. 
B o exercício da racionalidade como pressuposto menor diante das verdades eternas. 
C a imposição de verdades matemáticas, com caráter objetivo, de forma heterônoma. 
D a compreensão de verdades religiosas que libertam o homem da falta de 
entendimento. 
E a emancipação da subjetividade humana de ideologias produzidas pela própria 
razão.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
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QUADRO 3
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2012.02 (KANT) EM TERMOS DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS 
REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado pelo 
item
Descrição
PCN (1999)
1a
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano 
de sua origem específica, quanto em outros planos: o 
pessoal-biográfico; o entorno sócio-político, histórico e 
cultural; o horizonte da sociedade científico-tecnológica.
PCN+ (2002) II.2 Formas de alienação moral.
Ocem (2006) 22 Éticas do dever; fundamentações da moral; autonomia do 
sujeito.
Enem (2009)
Competência C5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e 
valorizar os fundamentos da cidadania e da democracia, 
favorecendo uma atuação consciente do indivíduo na 
sociedade.
Enem (2009)
Habilidade H23 Analisar a importância dos valores éticos na estruturação 
política das sociedades.
BNCC (2018)
Competência C5
Identificar e combater as diversas formas de injustiça, 
preconceito e violência, adotando princípios éticos, 
democráticos, inclusivos e solidários, e respeitando os Direitos 
Humanos.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS501
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, 
tempos e espaços, identificando processos que contribuem 
para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a 
cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência 
democrática e a solidariedade.
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
30
2012.07 (MONTESQUIEU / DO ESPÍRITO DAS LEIS)
É verdade que nas democracias o povo parece fazer o que quer; mas a liberdade política 
não consiste nisso. Deve-se ter sempre presente em mente o que é independência e 
o que é liberdade. A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem; se um 
cidadão pudesse fazer tudo o que elas proíbem, não teria mais liberdade, porque os 
outros também teriam tal poder. 
MONTESQUIEU. Do Espírito das Leis. 
São Paulo: Editora Nova Cultural, 1997 (adaptado). 
A característica de democracia ressaltada por Montesquieu diz respeito 
A ao status de cidadania que o indivíduo adquire ao tomar as decisões por si mesmo. 
B ao condicionamento da liberdade dos cidadãos à conformidade às leis. 
C à possibilidade de o cidadão participar no poder e, nesse caso, livre da submissão às 
leis. 
D ao livre-arbítrio do cidadão em relação àquilo que é proibido, desde que ciente das 
consequências. 
E ao direito do cidadão exercer sua vontade de acordo com seus valores pessoais.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
31
QUADRO 4
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2012.07 (MONTESQUIEU) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999) 1a 1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
PCN+ (2002) I.2 A democracia contemporânea.
Ocem (2006) 20 O contratualismo.
Enem (2009)
Competência C5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e 
valorizar os fundamentos da cidadania e da democracia, 
favorecendo uma atuação consciente do indivíduo na sociedade.
Enem (2009)
Habilidade H24 Relacionar cidadania e democracia na organização das 
sociedades.
BNCC (2018)
Competência C6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando 
diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício 
da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade.
BNCC (2018)
Habilidade EM13CHS603
Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de 
suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando 
conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e 
regimes de governo, soberania etc.).
Fonte: Elaboração própria. 
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
32
2012.09 (HABERMAS / A INCLUSÃO DO OUTRO)
Na regulação de matérias culturalmente delicadas, como, por exemplo, a linguagem 
oficial, os currículos da educação pública, o status das Igrejas e das comunidades 
religiosas, as normas do direito penal (por exemplo, quanto ao aborto), mas também em 
assuntos menos chamativos, como, por exemplo, a posição da família e dos consórcios 
semelhantes ao matrimônio, a aceitação de normas de segurança ou a delimitação das 
esferas pública e privada – em tudo isso reflete-se amiúde apenas o autoentendimento 
ético-político de uma cultura majoritária, dominante por motivos históricos. Por causa de 
tais regras, implicitamente repressivas, mesmo dentro de uma comunidade republicana 
que garanta formalmente a igualdade de direitos para todos, pode eclodir um conflito 
cultural movido pelas minorias desprezadas contra a cultura da maioria. 
HABERMAS, J. A inclusão do outro: estudos de teoria política.
São Paulo: Loyola, 2002.
A reivindicação dos direitos culturais das minorias, como exposto por Habermas, 
encontra amparo nas democracias contemporâneas, na medida em que se alcança 
A a secessão, pela qual a minoria discriminada obteria a igualdade de direitos na 
condição da sua concentração espacial, num tipo de independência nacional. 
B a reunificação da sociedade que se encontra fragmentada em grupos de diferentes 
comunidades étnicas, confissões religiosas e formas de vida, em torno da coesão de 
uma cultura política nacional. 
C a coexistência das diferenças, considerando a possibilidade de os discursos de 
autoentendimento se submeterem ao debate público, cientes de que estarão 
vinculados à coerção do melhor argumento. 
D a autonomia dos indivíduos que, ao chegarem à vida adulta, tenham condições de 
se libertar das tradições de suas origens em nome da harmonia da política nacional. 
E o desaparecimento de quaisquer limitações, tais como linguagem política ou distintas 
convenções de comportamento, para compor a arena política a ser compartilhada.
FILOSOFIA NO ENEM 2012-2018: 
UMA ANÁLISE DA COBERTURA DE FILOSOFIA NO EXAME 
E DE SUA ADESÃO AOS DOCUMENTOS NORTEADORES
33
QUADRO 5
QUADRO-SÍNTESE DO ITEM 2012.09 (HABERMAS) EM TERMOS DE SUA ADESÃO 
AOS DOCUMENTOS REFERENCIAIS UTILIZADOS
Referencial
Elemento 
mobilizado 
pelo item
Descrição
PCN (1999)
1a
3
1a) Ler textos filosóficos de modo significativo.
3) Contextualizar conhecimentos filosóficos, tanto no plano de 
sua origem específica, quanto em outros planos: o pessoal-
biográfico; o entorno sócio-político, histórico e cultural; o 
horizonte da sociedade científico-tecnológica. 
PCN+ (2002) I.2 A democracia contemporânea.
Ocem (2006) 28 Marxismo e Escola de Frankfurt.
Enem (2009)
Competência C5
Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar 
os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma 
atuação consciente do indivíduo na sociedade.
Enem (2009)
Habilidade H25 Identificar estratégias que promovam formas de inclusão

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