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12/03/2023, 09:41 Ead.br
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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO CIVIL –MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO CIVIL –
CONCRETOS E ARGAMASSASCONCRETOS E ARGAMASSAS
CONTROLE DE QUALIDADE DOCONTROLE DE QUALIDADE DO
CONCRETOCONCRETO
Autor: Me. Ítalo Vale Monte Júnior
Revisor : Paula De L ima Sa lum
IN IC IAR
1.00
12/03/2023, 09:41 Ead.br
https://ambienteacademico.com.br/mod/url/view.php?id=772416 2/52
introdução
Introdução
Nesta unidade você estudará o controle de qualidade do concreto como importante ferramenta
para atingir a durabilidade das estruturas de concreto armado, requerida nos projetos estruturais.
Os processos construtivos evoluem constantemente para atender as necessidades dos usuários. Do
mesmo modo, os materiais são modi�cados por necessidades econômicas e ambientais, seja para
garantir maior desempenho ou reduzir o impacto ao meio ambiente.
Nesse sentido, destaca-se a in�uência da dosagem do concreto para garantir as propriedades
necessárias à boa aplicação e desempenho requeridos ao material, diante dos cenários de inovação
na construção civil.
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A dosagem é o estudo do proporcionamento dos materiais constituintes do concreto para atender
características especí�cas da mistura, como: a trabalhabilidade, a resistência e a durabilidade. Ao
proporcionamento dos materiais constituintes do concreto é dado o nome de traço.
A boa trabalhabilidade do concreto é alcançada quando a mistura tiver a consistência adequada à
aplicação do material e a capacidade de reter os agregados e a água de amassamento. Essas
Aspectos Gerais Sobre aAspectos Gerais Sobre a
Dosagem do ConcretoDosagem do Concreto
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características não são parâmetros especi�cados no projeto estrutural, e sim alcançados com um
proporcionamento adequado dos materiais constituintes do concreto.
Neville (2016, p. 754) comenta que o projeto estrutural impõe dois parâmetros para a dosagem do
concreto: a resistência e a durabilidade.
Nesse sentido, a normalização brasileira, por meio da NBR 6118 (ABNT, 2014) e da NBR 12655
(ABNT, 2015), de�ne limites para orientar os projetistas das estruturas e tecnologistas do concreto
quanto à resistência e durabilidade, relacionando esses parâmetros ao tipo de sistema estrutural e a
classe de agressividade à qual a estrutura será exposta quando construída.
A agressividade do meio ambiente se relaciona às ações físicas e químicas que atuam sobre as
estruturas de concreto (ABNT, 2014, p. 16), sendo adotadas quatro classes com ações de
agressividade de fraca a muito forte, conforme demonstrado no Quadro 3.1.
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Classe de
agressividade
ambiental
Agressividade
Classi�cação geral
do tipo de ambiente
para efeito de
projeto
Risco de
deterioração da
estrutura
I Fraca Rural Submersa Insigni�cante
II Moderada Urbana Pequeno
III Forte
Marinha Industrial
Grande
IV Muito forte
Industrial 
Respingos de maré
Elevado
Pode-se admitir um microclima com uma classe de agressividade mais branda (uma classe
acima) para ambientes internos secos (salas, dormitórios, banheiros, cozinhas e áreas de
serviço de apartamentos residenciais e conjuntos comerciais ou ambientes com concreto
revestido com argamassa e pintura).
Pode-se admitir uma classe de agressividade mais branda (uma classe acima) em obras em
regiões de clima seco, com umidade média relativa do ar menor ou igual a 65%, partes da
a,b
a 
a,b
a,c
a 
b 
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Quadro 3.1 - Classe de agressividade ambiental (CAA)
Fonte: ABNT (2014, p. 17).
A de�nição da classe de agressividade ambiental servirá para estabelecer parâmetros adotados na
dosagem do concreto, além de orientar o projetista da estrutura.
Observa-se nas Tabelas 3.1 e 3.2 que o consumo de cimento e sua proporção com a água (a/c), além
da resistência à compressão do concreto, são os critérios utilizados na dosagem da mistura que
in�uenciam a durabilidade da estrutura.
estrutura protegidas de chuva em ambientes predominantemente secos ou regiões onde
raramente chove.
Ambientes quimicamente agressivos, tanques industriais, galvanoplastia, branqueamento
em indústrias de celulose e papel, armazéns de fertilizantes, indústrias químicas.
c 
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Tabela 3.1 - Correspondência entre a classe de agressividade e a qualidade do concreto
Fonte: Adaptada de ABNT (2014, p. 18).
Concreto Tipo 
Classe de agressividade (Tabela 6.1, da NBR 6118)
I II III IV
Relação
água/cimento em
massa
CA ≤ 0,65 ≤ 0,60 ≤ 0,55 ≤ 0,45
CP ≤ 0,60 ≤ 0,55 ≤ 0,50 ≤ 0,45
Classe de concreto
(ABNT NBR 8953)
CA > C20 > C25 > C30 > C40
CP > C25 > C30 > C35 > C40
O concreto empregado na execução das estruturas deve cumprir os requisitos
estabelecidos na ABNT NBR 12655.
CA corresponde a componentes e elementos estruturais de concreto armado.
CP corresponde a componentes e elementos estruturais de concreto protendido.
a b, c
a 
b 
c 
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Tabela 3.2 - Correspondência entre a classe de agressividade e a qualidade do concreto
Fonte: Adaptada de ABNT (2015, p. 12).
Concreto Tipo 
Classe de agressividade
I II III IV
Relação
água/cimento em
massa
CA ≤ 0,65 ≤ 0,60 ≤ 0,55 ≤ 0,45
CP ≤ 0,60 ≤ 0,55 ≤ 0,50 ≤ 0,45
Classe de concreto
(ABNT NBR 8953)
CA > C20 > C25 > C30 > C40
CP > C25 > C30 > C35 > C40
Consumo de
cimento Portland
por metro cúbico
de concreto (kg/m³)
CA e CP ≥ 260 ≥ 280 ≥ 320 ≥ 360
CA   Componentes e elementos estruturais de concreto armado
CP   Componentes e elementos estruturais de concreto protendido
a b, c
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De acordo com Neville (2016, p. 760), a resistência à compressão média necessária a uma
determinada idade, em geral aos 28 dias, determina a relação água/cimento nominal do concreto.
Nesse caso, é necessário entendermos a diferença entre a resistência de dosagem e a resistência
característica do concreto, especi�cada no projeto estrutural.
Tutikian e Helene (2011, p. 428) esclarecem que a resistência média prevista na dosagem não é
diretamente o (previsto em projeto), e sim o , que é calculado pela Equação 1:
Em que:
 é a resistência média do concreto à compressão, prevista para a idade dias, em megapascals
(MPa);
 é a resistência característica do concreto à compressão, aos dias, em megapascals (MPa); e
 é o desvio padrão da dosagem, em megapascals (MPa).
É indicada a idade de dias, pois cabe ao projetista estrutural, em conjunto com o tecnologista do
concreto, a indicação dessa idade para avaliação da resistência do concreto, visto que esse
parâmetro deverá ser função das características do sistema construtivo (TUTIKIAN; HELENE, 2011, p.
428).
fck fcmj
  =   +  1, 65 .  S                (Eq.1)fcmj fck d
fcmj j
fck j
Sd
j
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O desvio padrão ( ) utilizado na Equação 1 para o cálculo do depende das condições de
preparo do concreto na obra, e foi prescrito pela ABNT NBR 12655 (ABNT, 2015, p. 17) em três
formas:
Condição A ( = 4,0 MPa) — aplicável a todas as classes de resistência do concreto;
cimento e agregado medidos em massa; água de amassamento medida em massa ou
volume com dispositivo dosador e corrigido em função da umidade dos agregados;
Condição B ( = 5,5 MPa) — aplicável às classes de resistências C10 a C20; cimento
medido em massa; água de amassamento medida em volume com dispositivo dosador e
os agregados medidos em massa combinado com volume,levando em conta a umidade
da areia;
Condição C ( = 7,0 MPa) — aplicável apenas aos concretos com classe de resistências
C10 e C15; cimento medido em massa; os agregados medidos em volume; a água de
amassamento medida em volume e sua quantidade corrigida em função da estimativa de
umidade dos agregados.
Percebe-se que a dosagem do concreto reúne informações estabelecidas no projeto estrutural e
procedimento teórico-experimental para de�nir o proporcionamento dos materiais que servirão à
boa aplicação do material, além de inibir os mecanismos de deterioração do concreto como a
lixiviação, o ataque por sulfatos e a reação álcali-agregado.
A lixiviação acontece pela dissolução dos compostos hidratados da pasta de cimento por ação de
águas puras, carbonáticas ou chuvas ácidas, e nesse caso a dosagem do concreto ajudaria evitando
Sd fcmj
Sd
Sd
Sd
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a ocorrência da �ssuração plástica. Já as expansões deletérias do concreto por sulfatos e álcali-
agregado podem ser evitadas modi�cando os constituintes da mistura, no caso o cimento e o
agregado.
O ataque por sulfato acontecerá por solo e água contaminada por sulfato, podendo ser evitado com
cimento resistente a sulfato. E a reação álcali-agregado ocorre devido à reatividade de agregados
aos álcalis do cimento, sobre a ação de umidade da estrutura, podendo ser evitada analisando
previamente se o agregado não é reativo, de acordo com método de ensaio prescrito na ABNT NBR
15577-4.
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saiba mais
Saiba mais
O artigo mostra como o efeito expansivo da reação álcali-
agregado (RAA) promove a �ssuração da peça estrutural
acometida por essa manifestação patológica que ocorre em
concretos com agregado reativo aos álcalis do cimento
Portland na presença de umidade. Por essa característica do
RAA, é comum o dano em peças estruturais enterradas
como fundações de edifícios ou submersas com barragens e
pontes em concreto, tornando difícil e onerosa a reparação
da estrutura. Desse modo, é importante avaliar a
reatividade dos agregados em obras com essas
características.
Fonte: Pereira et al. (2018, p. 1).
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praticar
Vamos Praticar
O estudo da durabilidade das estruturas de concreto armado e protendido tem evoluído graças ao maior
conhecimento dos mecanismos de transporte de líquidos e de gases agressivos nos meios porosos, como o
concreto.
MEDEIROS, M. H. F.; ANDRADE, J. J. O.; HELENE, P. Durabilidade e vida útil das estruturas de concreto
(Capítulo 22). In: ISAIA, G. C. (Org). Concreto : ciência e tecnologia. 1. ed. São Paulo: IBRACON, v. 1. p. 773-
808. 2011.
Responda a alternativa correta em relação aos requisitos de durabilidade do concreto prescritos na ABNT
NBR 6118 e ANBT NBR 12655.
a) O aumento no consumo de cimento reduz a possibilidade da reação álcali-agregado.
b) O ataque por sulfatos no concreto ocorre apenas quando a estrutura sofre �ssuração plástica.
c) Quanto menor a relação água/cimento maior poderá ser a classe de agressividade do concreto.
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d) Consumo de cimento inferior a 200 kg/m³ é indicado apenas para estruturas de concreto na
classe agressividade I.
e) A baixa resistência do concreto promove maior resistência ao ataque por sulfatos.
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As recorrentes mudanças nas características dos materiais alteraram as propriedades do concreto
ao longo do tempo. Muitas vezes essas mudanças ocorreram por necessidades econômicas e
sustentáveis da indústria do cimento.
O cimento Portland — que atualmente é composto por adições minerais e apresenta maior controle
no processo de fabricação, se comparado ao cimento produzido no século XIX — é um dos exemplos
Aplicações de MétodosAplicações de Métodos
de Dosagemde Dosagem
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da evolução dos materiais que alteraram as propriedades do concreto.
Assim, o estudo da dosagem do concreto é necessário para concebermos misturas adequadas ao
uso do concreto.
Método ACI-ABCP
O método de dosagem ACI–ABCP é uma adaptação brasileira do método americano de dosagem,
prescrito pelo American Concrete Institute, feita pela Associação Brasileira de Cimento Portland.
De acordo com Bauer (2019, p. 247-250), o método ACI-ABCP se limita ao uso de agregados britados
e areia de rio, tem consistência semiplástica à �uida e é aplicado a concretos com classe de
resistência C12 a C35 e não a concretos com agregados leves.
O método ACI-ABCP pode ser descrito em quatro etapas. A primeira é caracterizada pelo
reconhecimento das propriedades físicas dos materiais:
massas especí�cas do cimento, areia e brita;
resistência normal do cimento aos 28 dias;
massa unitária compactada da brita;
módulo de �nura da areia;
e diâmetro máximo da brita.
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Na segunda etapa, são de�nidos parâmetros de dosagem do concreto.
Primeiro, calcula-se a resistência de dosagem do concreto, aos dias, pela Equação 1 (
).
Logo após o cálculo de , de�ne-se a relação água/cimento (a/c) por observação na Figura 3.1.
j
  =     +  1, 65 .  fcmj fck Sd
fcmj
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Projeta-se o valor do , identi�cado na abscissa do grá�co, sobre a reta da resistência normal do
cimento que será utilizado na produção do concreto. Ao tocar a reta, esse ponto é projetado de
interseção sobre a ordenada do grá�co, identi�cando assim a relação água/cimento.
Figura 3.1 - Grá�cos para determinação da relação (fator) água/cimento em função das resistências
do concreto e cimento aos 28 dias
Fonte: Adaptada de Bauer (2019, p. 247-250).
fcj
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Referindo-se ao identi�cado no grá�co, Bauer (2019, p. 247-250) reforça que é necessário
con�rmar a adequação do parâmetro aos critérios de durabilidade estabelecidos na ABNT NBR 6118
e na ABNT NBR 12655, de acordo com a classe de agressividade a qual a estrutura de concreto
armado será construída.
Na terceira etapa, são calculados os consumos dos materiais. Inicia-se com a de�nição da
quantidade de água aproximada no traço, a partir da observação na Tabela 3.3, relacionando o
abatimento do concreto com o diâmetro máximo do agregado graúdo e identi�cando o consumo de
água (Ca) em litros por metro cúbico de concreto.
Abatimento (mm)
Água para agregado com dimensões (litro/m )
9,5 19 25 32 38
40-60 220 195 190 185 180
60-80 225 200 195 190 185
80-100 230 205 200 195 190
Tabela 3.3 - Consumo aproximado de água (litros / m³)
Fonte: Adaptada de Bauer (2019, p. 247-250).
a/c
3 
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Na sequência, calcula-se o consumo de cimento ( ), dividindo o consumo de água ( ) pela relação
água/cimento ( ), de acordo com a Equação 2:
Para calcular o consumo de brita ( ), inicialmente é necessário observar, na Tabela 3.4, o volume
de brita ( ), relacionando o módulo de �nura da areia com o diâmetro máximo da brita.
Cc Ca
a/c
Cc  =               (Eq. 2)
Ca
a/c
Cb
Vb
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Módulo de �nura
Dimensão máxima do agregado (mm)
9,5 19 25 32 38
1,8 0,645 0,770 0,795 0,820 0,845
2,0 0,625 0,750 0,775 0,800 0,825
2,2 0,605 0,730 0,755 0,780 0,805
2,4 0,585 0,710 0,735 0,760 0,785
2,6 0,565 0,690 0,715 0,740 0,765
2,8 0,545 0,670 0,695 0,720 0,745
3,0 0,525 0,650 0,675 0,700 0,725
3,2 0,505 0,6300,655 0,680 0,705
3,4 0,485 0,610 0,635 0,660 0,685
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Tabela 3.4 - Volume compactado de agregado graúdo por metro cúbico de concreto
Fonte: Adaptada de Bauer (2019, p. 247-250).
Na sequência, calcula-se o consumo de brita ( ), multiplicando a massa unitária compactada
(MUcomp) da brita pelo seu volume ( ) identi�cado na Tabela 3.4, de acordo com a Equação 3:
Ao �nal da terceira etapa, calcula-se o volume de agregado miúdo ( ) considerando que é o
volume de material restante para completar a produção de 1 m³ de concreto, de acordo com a
Equação 4:
Em que:
, , são os consumos do cimento, brita e água, respectivamente.
, , são as massas especí�cas do cimento, brita e água, respectivamente.
3,6 0,465 0,590 0,615 0,640 0,665
Cb
Vb
Cb  =  V b .  MUcom           (Eq. 3)p
Vm
Vm  =  1 −         (Eq. 4)( + + )Cc
γc
Cb
γb
Ca
γa
Cc Cb Ca
γc γb γa
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De modo semelhante à brita, calcula-se o consumo de agregado miúdo ( ), multiplicando o
volume de agregado miúdo ( ) pela sua massa especí�ca ( ), de acordo com a Equação 5:
Por �m, na quarta etapa, apresenta-se o traço dividindo o consumo dos materiais pelo consumo do
cimento, de acordo com a Equação 6:
O método de dosagem ACI-ABCP, por ser em grande parte teórico, antes de utilizar o traço calculado
na obra, é recomendado experimentá-lo em laboratório. Deve-se veri�car o abatimento do concreto
e a resistência à compressão aos 28 dias.
praticar
Vamos Praticar
Cm
Vm γm
Cm  =  Vm .  γ         (Eq. 5)m
: : :           (Eq. 6)
Cc
Cc
Cm
Cc
Cb
Cc
Ca
Cc
12/03/2023, 09:41 Ead.br
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A dosagem é um simples processo de escolha de componentes adequados do concreto e de determinação
de suas quantidades relativas com o objetivo de produzir um concreto, o mais econômico possível, que
atenda a determinadas propriedades mínimas, especialmente resistência, durabilidade e consistência.
NEVILLE, A. M. Propriedades do Concreto . 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2016. p. 755. [Minha Biblioteca].
Um determinado traço de concreto apresentou os consumos de cimento, areia, brita e água equivalentes a:
Cc = 410 kg/m³; Cm = 800 kg/m³; Cb = 975 kg/m³; Ca = 205 kg/m³. Responda a alternativa correta sobre o
consumo dos materiais desse concreto.
a) São necessários 123 kg de cimento no traço para produzir 300 litros de concreto.
b) A relação água/cimento é igual a 2.
c) São necessários 159 kg de areia no traço para produzir 300 litros de concreto.
d) A relação aglomerantes/agregados é igual a 4.
e) O consumo desses materiais resulta no traço 1:2,3: 3,5: 0,50, em massa.
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Por muito tempo avaliou-se o concreto apenas por suas características mecânicas, resultando em
observações macroscópicas do material em sua grande maioria. Contudo, foi possível conhecer
melhor o comportamento do material a partir dos estudos em nível microscópico.
Evolução no Controle daEvolução no Controle da
Resistência do ConcretoResistência do Concreto
12/03/2023, 09:41 Ead.br
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Avaliação da Microestrutura do Concreto
A complexa interação entre os materiais do concreto produz efeitos que só são possíveis explicar
analisando a microestrutura do material. Desse modo, a evolução na tecnologia do concreto ocorreu
reconhecendo três fases do material: a fase agregado graúdo, fase pasta de cimento e zona de
transição na interface entre a pasta de cimento e o agregado graúdo.
Fase Agregado Graúdo
A fase agregado in�uencia a densidade de massa, rigidez e trabalhabilidade do concreto, conduzidos
principalmente pela massa unitária, resistência e rugosidade do agregado graúdo.
Segundo Mehta e Monteiro (2014, p. 27), a composição química e mineralógica do agregado graúdo
possivelmente in�uencia menos do que as características físicas como volume, tamanho e
distribuição dos poros. Contudo, Neville (2016, p. 317), referindo-se ao agregado miúdo, comenta
que no caso do calcário existe uma reação química com a pasta de cimento formando uma zona de
transição mais densa.
Características como a forma e a textura do agregado graúdo in�uenciam a aderência com a pasta
de cimento. Desse modo, o seixo rolado (cascalho natural), com formato arredondado e textura lisa,
promoverá menor resistência de aderência com a pasta de cimento do que a brita, com formato
achatado e textura rugosa, conforme demonstra a Figura 3.2.
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No caso de agregados graúdos leves, como a argila expandida com formato arredondado (Figura
3.3), a baixa resistência do agregado e a alta porosidade serão limitantes para concretos com
elevada resistência.
Figura 3.2 - Características do agregado graúdo – a) Cascalho natural; b) Pedra britada
Fonte: Vladimir Bilobaba / 123RF.
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Figura 3.3 - Características da argila expandida
Fonte: Anton Starikov / 123RF.
De todo modo, a argila expandida poderá ser aplicada em concreto leve estrutural (CLV), um
concreto especial.
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Outro aspecto importante que merece atenção na fase agregado é a formação de película de água
na superfície do agregado graúdo quando ocorre a exsudação do concreto. Essa película pode
reflita
Re�ita
Os agregados reciclados podem ser resíduos
industriais granulares que tenham propriedades
adequadas ao uso, como agregado ou proveniente
do bene�ciamento de entulho de construção ou
demolição selecionado para esta aplicação.
Se os agregados reciclados podem substituir os
agregados naturais, qual o motivo desse material
ainda ser pouco utilizado em concretos com função
estrutural? Re�ita sobre esse importante assunto
para a sustentabilidade da construção civil.
Fonte: Sbrighi Neto (2011, p. 237).
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reduzir a aderência do agregado graúdo com a pasta de cimento
Mehta e Monteiro (2014, p. 28) se referem ao fenômeno comentando que a dimensão e o formato
do agregado graúdo podem afetar a resistência do concreto devido à maior tendência do acúmulo
do �lme de água na superfície do concreto, conduzindo ao enfraquecimento da zona de transição.
Fase Pasta de Cimento
A pasta de cimento tem importante papel nas características do concreto nos estados fresco, por
controlar a viscosidade do material, e endurecido, por conferir resistência mecânica.
Mehta e Monteiro (2014, p. 29) descrevem a evolução da hidratação da pasta de cimento
mencionando a formação de etringita em poucos minutos e de hidróxido de cálcio (portlandita) em
poucas horas, além da possibilidade de transformação da etringita em monossulfoaluminato
hidratado alguns dias depois, a depender da relação alumina-sulfato do cimento Portland.
Segundo Paulon e Kirchheim (2011, p. 591), o hidróxido de cálcio (portlandita) é constituído de 20% a
25% do volume de sólidos na pasta de cimento hidratada e possui a forma de grandes cristais
prismáticos hexagonais, conforme ilustrado na Figura 3.4.
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Figura 3.4 - Características da argila expandida
Fonte: Adaptada de Paulon e Kirchheim (2011, p. 591).
A solução iônica sulfato/alumina da solução de hidratação favorece a formação do tiossulfato
hidratado (etringita) na forma de cristais prismáticos acicular (MEHTA; MONTEIRO, 2014, p. 32),
conforme ilustrado na Figura 3.5.
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https://ambienteacademico.com.br/mod/url/view.php?id=772416 32/52O reconhecimento da morfologia dos sólidos na pasta de cimento hidratada auxilia o estudo da
reatividade dos cimentos com materiais constituintes do concreto, principalmente as adições
minerais.
De acordo com Cincotto (2011, p. 385), as principais técnicas de avaliação quanti�cam a água
quimicamente combinada e produtos hidratados; determinam a evolução do calor de reação, além
Figura 3.5 - Morfologia da etringita e monossulfato hidratado
Fonte: Adaptada de Mehta e Monteiro (2011, p. 29).
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da evolução do endurecimento pela resistência mecânica em pasta.
Zona de Transição na Interface Pasta de Cimento/Agregado
Graúdo
A zona de transição é a região de contato entre a pasta de cimento Portland hidratada e o agregado.
Essa região é de importante interesse na tecnologia do concreto devido à ocorrência de
micro�ssuração na zona de transição quando o concreto é submetido a um estado de tensão.
Segundo Neville (2016, p. 316), durante a mistura do concreto as partículas de cimento seco são
incapazes de se acomodar de maneira adensada junto às partículas relativamente grandes do
agregado, promovendo maior porosidade nessa região do que na própria pasta de cimento.
Um resultado contrário ao comentado por Neville (2016, p. 316) foi constatado por Vargas, Restrepo-
Baena e Tobón (2017, p. 386) em concretos leves com agregados graúdos de pedra-pomes e argila
expandida. É demonstrado na Figura 3.6 os produtos de hidratação do cimento Portland (C-S-H e
CH) na zona de transição de um concreto produzido com agregado graúdo de argila expandida.
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Figura 3.6 - Zona de transição do concreto com argila expandida
Fonte: Adaptada de Vargas, Restrepo-Baena e Tobón (2017, p. 386).
Segundo Vargas, Restrepo-Baena e Tobón (2017, p. 381), os agregados leves contribuíram para a
formação de uma zona de transição mais densa e mais �na quando comparada à zona de transição
de um concreto convencional.
Nesse sentido, as superpozolanas, como a sílica ativa, o metacaulim e a cinza da casca do arroz,
quando adicionadas ao concreto promovem uma melhora notável na resistência à compressão,
devido ao re�namento dos poros e dos cristais presentes na pasta de cimento, melhorando a
resistência da matriz na zona de transição (DAL MOLIN, 2011, p. 293).
Percebe-se que o conhecimento das fases agregado, pasta de cimento e zona de transição na
interface é fundamental para aumentar as resistências mecânicas dos concretos, particularmente
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em se tratando de concreto especiais com elevada resistência e baixa densidade.
praticar
Vamos Praticar
A resistência e durabilidade do concreto são de suma importância para sua utilização. O fato de que a
resistência na região de contato entre a pasta de cimento e o agregado possa ser menor do que a
resistência do agregado ou da pasta fará com que ela se torne uma zona débil de desenvolvimento da
resistência do concreto (PAULON; KIRCHHEIM, 2011, p. 588).
PAULON, V.; KIRCHHEIM, A. P. Nanoestrutura e microestrutura do concreto endurecido (Capítulo 16). In:
ISAIA, G. C (Org). Concreto : ciência e tecnologia. 1. ed. v. 1, p. 585-614. São Paulo: IBRACON, 2011.
Indique a alternativa correta em relação à microestrutura do concreto.
a) As adições minerais no concreto aumentam a porosidade da matriz cimentícia.
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b) Características físicas do agregado, como a textura e a forma, não interferem na resistência do
concreto.
c) A zona de transição é uma região dentro do agregado graúdo.
d) A temperatura do concreto fresco aumenta com o uso de adições minerais.
e) As adições minerais melhoram as resistências na zona de transição do concreto.
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O controle tecnológico do concreto é o conjunto de ações para garantir a qualidade requerida ao
material, sendo normalmente realizado por empresa especializada. Nesse sentido, a ABNT NBR
12655 (ABNT, 2015) prescreve os critérios para aceitação do concreto na obra, seja o material
produzido no próprio canteiro ou usina.
Aplicação do ControleAplicação do Controle
Tecnológico do ConcretoTecnológico do Concreto
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Formação dos Lotes e Amostragem do Concreto
Para iniciar o controle da resistência do concreto é necessário de�nir a formação dos lotes da
estrutura de concreto, ou seja, dividir a estrutura em lotes sob as mesmas condições (classe de
resistência, família, procedimentos e equipamento), de acordo com o Quadro 3.2.
Quadro 3.2 - Valores para formação de lotes de concreto
Fonte: Adaptado de ABNT (2015, p. 16).
Limites superiores
Solicitação principal dos elementos da estrutura
Compressão ou
compressão e �exão
Flexão simples
Volume de concreto 50 m³ 100 m³
Número de andares 1 1
Tempo de concretagem 3       dias de concretagem 
Este período deve estar compreendido no prazo total máximo de 7 dias, que inclui
eventuais interrupções para tratamento de juntas.
1)
1) 
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Durante a operação de concretagem que forma um lote, devem ser coletadas amostras
aleatoriamente, formando exemplares constituídos por dois corpos de prova (mesma amassada)
para cada idade de rompimento, sendo os dois corpos de prova moldados no mesmo ato. A
resistência do exemplar será a maior entre os dois corpos de prova.
Tipos de Controle de Resistência do Concreto
O controle da resistência do concreto pode ser feito por amostragem parcial ou por amostragem
total, sendo a amostra representada por um volume de concreto retirado do lote para fornecer
informações relativas aos ensaios.
Controle do Concreto por Amostragem Total
Imaginemos a concretagem de uma laje com volume total de concreto de 50 m³, sendo o
fornecimento do concreto realizado por caminhão betoneira com 5 m³, em cada caminhão,
totalizando 10 caminhões betoneira para realizar toda concretagem. Desse modo, cada caminhão
betoneira será uma amostra do lote que é a laje. Logo, quando são retirados exemplares de todas as
amostras que compõem o lote, dizemos que se trata de uma amostragem total.
Ainda nessa situação �ctícia da amostragem total (laje com 50 m³ de concreto), deseja-se avaliar a
resistência à compressão do concreto nas idades de 7 e 28 dias. Assim, temos 10 exemplares (cada
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caminhão), totalizando 40 corpos de prova, visto que são moldados 2 corpos de prova para cada
idade de ruptura, em cada exemplar.
Nesse caso, em que todas as betonadas (amostras) são representadas por exemplares, o valor da
resistência característica estimada à compressão do concreto (fck,est) é a própria resistência do
exemplar (fc, betonada) que representa o concreto da betonada.
Controle Estatístico do Concreto por Amostragem Parcial
A logística da operação de controle tecnológico é di�cultada em situações que necessitam de
grandes quantidades de corpos de prova em um mesmo lote, além de elevar o custo do controle.
Nesses casos, é permissível realizar o controle da resistência com base em cálculos estatísticos.
Imaginamos novamente aquela situação �ctícia da concretagem da laje com volume total de 50 m³,
só que agora a produção do concreto será na obra pela de betoneira com capacidade de 400 litros.
Nesse caso, se o controle da resistência do concreto fosse por amostragem total, seriam necessárias
125 betonadas [125 = 50 m³ / 0,40 m³] para completar toda a concretagem da laje, sendo moldados
600 corpos de prova, visto que para cada betonada são moldados2 corpos de prova por idade de
ruptura.
Em cenários semelhantes a esse, são retirados exemplares de betonadas distintas, com no mínimo
seis exemplares para os concretos do grupo I (classes de resistência até C50, inclusive) e de 12
exemplares para os concretos do grupo II (classes de resistência superior a C50).
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O cálculo da resistência característica à compressão (fck,est), na idade especi�cada, para lotes com
número de exemplares 6 ≤ nPaulo: IBRACON, 2011.
TUTIKIAN, B. F.; HELENE, P. Dosagem dos Concretos de Comento Portland (Capítulo 12). In: ISAIA, G.
C. (Org). Concreto : ciência e tecnologia. 1. ed. v. 1. p. 415-451. São Paulo: IBRACON, 2011.
http://dx.doi.org/10.1590/s1517-707620180003.0509
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VARGAS, P.; RESTREPO-BAENA, O.; TOBÓN, J. I. Microstructural analysis of interfacial transition zone
(ITZ) and its impact on the compressive strength of lightweight concretes. Construction and
Building Materials . 137:381–389, 2017. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1016/j.conbuildmat.2017.01.101 . Acesso em: 31 dez. 2019.
http://dx.doi.org/10.1016/j.conbuildmat.2017.01.101
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