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66 Unidade III Unidade III 7 IMPACTO AMBIENTAL Em um mundo cada vez mais interconectado e dependente dos recursos naturais, é fundamental a compreensão do impacto que nossas ações têm sobre o meio ambiente. Desse modo, a Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) surge como uma resposta a essa necessidade, fornecendo uma análise detalhada dos impactos ambientais e da viabilidade social e econômica de um empreendimento. Esse estudo permite ainda tomar medidas preventivas e mitigatórias em relação aos danos ambientais, pois o AIA consiste em um instrumento de política ambiental reconhecido internacionalmente como um mecanismo de prevenção de danos ambientais por se tratar de uma atividade preditiva de consequências de ações atuais em relação ao meio ambiente. No Brasil, os primeiros projetos de AIA envolveram projetos hidroelétricos na década de 1970. Nesse período, o país contava com uma progressiva expansão territorial e econômica, o que impulsionou investimentos governamentais. A construção da rodovia Transamazônica e da barragem Itaipu são exemplos desses projetos (Sànchez, 2006). Para essas atividades, pode‑se considerar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) como uma ferramenta norteadora de análise que consiste fundamentalmente em um processo sistemático, de natureza técnico‑científica, cuja finalidade é prever e avaliar os impactos ambientais que podem ser gerados por atividades ou empreendimentos que utilizam os recursos ambientais ou que sejam considerados efetiva ou potencialmente poluidores. Além desse estudo, outras análises podem ser realizadas de acordo com o tamanho e até mesmo com a complexidade dos empreendimentos. Para isso, instituições de natureza federal, estadual e municipal auxiliam no direcionamento de estudos e documentos necessários para serem providenciados e analisados conforme a demanda dos projetos. Neste tópico, será apresentada a importância da Avaliação de Impacto Ambiental e dos estudos realizados nesse processo, assim como os principais componentes e regulamentos para realizá‑los. 7.1 Principais leis e instituições envolvidas na AIA no Brasil A AIA foi introduzida e norteada preliminarmente no Brasil a partir de uma série de regulamentações e introduzida com a Lei n. 6.803, de 2 de julho de 1980, que dispunha de modo discreto sobre as diretrizes básicas para o zoneamento industrial nas áreas críticas de poluição. No entanto, a AIA se consolidou a partir da Lei n. 6.938, de 31 de agosto de 1981 (Política Nacional do Meio Ambiente – PNMA), que mencionou a AIA para servir inicialmente como subsídio ao planejamento territorial dos locais reconhecidos pela criticidade da poluição. O Decreto n. 88.351, de 1º de junho de 1983, regulamentou essa lei e determinou que o EIA deveria ser realizado segundo critérios básicos, 67 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o que viria a ocorrer em 1986, através da sua Resolução n. 1. Essa resolução, aprovada em 23 de janeiro de 1986, enumerava as atividades necessárias para a análise de impacto ambiental. Além disso, determinava as diretrizes e atividades técnicas para a elaboração de um EIA, o conteúdo mínimo desse documento e do relatório gerado, chamado relatório de impacto ambiental e também conhecido como Rima. Ela também estabeleceu a exigência da presença de uma equipe multidisciplinar habilitada, não dependente direta ou indiretamente do proponente do projeto e que será responsável tecnicamente pelos resultados apresentados. Também definiu que os custos referentes à realização do EIA/Rima correrão à conta do proponente (art. 8º). O art. 2º define que o EIA/Rima deve ser submetido à aprovação do órgão estadual competente e, em caráter supletivo, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A este cabe, também, a aprovação do EIA/Rima para o licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente, que, por lei, é de competência federal. Os arts. 10 e 11 estabelecem os procedimentos para manifestação de forma conclusiva do órgão estadual competente ou do Ibama – ou, quando couber, do município – sobre o Rima apresentado. Sempre que julgarem necessário, esses órgãos realizarão audiência pública para informar sobre o projeto e seus impactos ambientais, além de discutir o Rima. O EIA é um importante instrumento de gestão ambiental, previsto na legislação brasileira e incluso sobretudo no art. 225 da Constituição Federal (CF) de 1988, que visa avaliar os efeitos que as atividades humanas têm sobre o meio ambiente. A CF/88, finalmente, fixou, por meio de seu art. 225, IV, a obrigatoriedade de o Poder Público exigir estudo prévio de impacto ambiental para a instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, despontando como a primeira Carta Magna do planeta a inscrever a obrigatoriedade do estudo de impacto no âmbito constitucional. Em 1997, a resolução Conama n. 237 regulamentou, em normas gerais, as competências para o licenciamento nas esferas federal, estadual e distrital e as etapas do procedimento de licenciamento. Essa resolução atribuiu ao órgão ambiental responsável, além do EIA, a definição de outros estudos ambientais pertinentes ao processo de licenciamento ambiental para empreendimentos que não sejam potencialmente causadores de significativa degradação ambiental (Cetesb, 2019). Importantes resoluções do Conama podem ser mencionadas e estão descritas a seguir como apoio ao processo de Avaliação de Impacto Ambiental e vinculadas também ao processo de licenciamento ambiental que licencia as atividades desde a etapa inicial de planejamento até a operação de empreendimentos efetivamente poluidores ou causadores de degradação ambiental: 68 Unidade III • Resolução Conama n. 237/97: estabelece procedimentos e critérios utilizados no licenciamento ambiental, de forma a efetivar a utilização do sistema de licenciamento como instrumento de gestão ambiental, instituído pela Política Nacional do Meio Ambiente. • Resolução Conama n. 6/86: trata dos modelos de publicação de pedidos de licenciamento, em quaisquer de suas modalidades, sua renovação e a respectiva concessão de licença. • Resolução Conama n. 11/86: altera e acrescenta atividades no art. 2º da Resolução n. 1/86. • Resolução Conama n. 6/87: estabelece regras gerais para o licenciamento ambiental de obras de grande porte de interesse relevante da União, como a geração de energia elétrica. • Resolução Conama n. 10/87: estabelece como pré‑requisito para licenciamento de obras de grande porte a implantação de uma estação ecológica pela instituição ou empresa responsável pelo empreendimento com a finalidade de reparar danos ambientais causados pela destruição de florestas e outros ecossistemas. • Resolução Conama n. 5/88: dispõe sobre licenciamento das obras de saneamento para as quais seja possível identificar modificações ambientais significativas. • Resolução Conama n. 8/88: dispõe sobre licenciamento de atividade mineral e o uso do mercúrio metálico e do cianeto em áreas de extração de ouro. • Resolução Conama n. 9/90: estabelece normas específicas para o licenciamento ambiental de extração mineral das classes I, III, IV, V, VI, VII, VIII e IX. • Resolução Conama n. 10/90: estabelece critérios específicos para o licenciamento ambiental de extração mineral da classe II. Além das referências que acabamos de mencionar, os órgãos ambientais e as instituições envolvidas no processo de licenciamento direcionam uma legislação básica, em âmbito federal, estadual e municipal, que deve ser observada e cumprida no momento da solicitação do licenciamento ambiental: • a Constituição Federal; • as Leis Orgânicas municipais; • o Código de Águas; • o Código Florestal; • o Estatuto da Terra; 69 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL • as resoluções do Conama sobre padrões de qualidade do ar e da água e sobre unidadesA consulta pública considera o envolvimento e a intermediação de um agente governamental que negocia entre as partes envolvidas. Na etapa da apresentação do projeto, o objetivo da consulta pública é analisar as intenções do proponente e os objetivos do projeto. Na determinação do escopo, os principais objetivos são identificar grupos interessados, identificar as preocupações do público, incluir ou excluir questões de escopo do EIA, aprimorar os termos de referência e considerar alternativas ao projeto. Já na elaboração do EIA, os objetivos concentram‑se em identificar e caracterizar os impactos, disseminar as informações sobre o método de estudo e os seus resultados, além de incluir os conhecimentos da população local sobre o meio ambiente de modo a compor as medidas mitigatórias e compensatórias. A etapa de análise técnica propõe conhecer os pontos de vista do público para eventuais considerações. Na etapa de decisão do processo, os objetivos são levar em conta a opinião dos interessados e considerar a distribuição social do ônus e dos benefícios do projeto como um dos elementos da decisão. Na etapa de acompanhamento, os objetivos da consulta são contribuir com o cumprimento dos compromissos assumidos e permitir que reclamações possam ser consideradas e atendidas. As fases mais usuais de audiências públicas são na etapa de tomada de decisão (Sànchez, 2006). Nesse processo, há uma exposição que permite que os cidadãos tenham todas as informações relevantes sobre os impactos sobre a comunidade. Além disso, nessa etapa os cidadãos podem se expressar, apresentar suas preocupações, identificar a necessidade de medidas mitigatórias e compensatórias e legitimar os processos de decisão. Embora esse cenário possa apresentar uma ideia de confronto e de negociação, o comportamento da sociedade e a condução da audiência pode variar de acordo com a proposta. Em uma consulta pública, o projeto é apresentado pelo proponente, e muitas vezes são convidados especialistas para maiores esclarecimentos sobre a proposta. A escolha do local e uma prévia divulgação são condições que favorecem o conhecimento do estudo. A convocação para a realização de pelo menos uma audiência pública está regulamentada pela Resolução Conama n. 9, de 1987. A decisão do estudo cabe ao órgão licenciador, assim como a definição dos compromissos assumidos publicamente pelo empreendedor. Desse modo, a AIA está diretamente vinculada ao processo de licenciamento ambiental com o objetivo, sobretudo, de demonstrar a viabilidade ambiental do projeto. 97 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL 8.5.1 Alguns aspectos observados na elaboração de um EIA/Rima Para a elaboração do EIA/Rima, importantes aspectos precisam ser observados e considerados, como os apresentados a seguir: • Independência da equipe em relação ao empreendedor: os estudos têm se restringido ao desenvolvimento de argumentações para justificar o projeto apresentado pelo empreendedor, não incorporando análises de alternativas tecnológicas e locacionais a esse projeto. • Descrição do empreendimento em função dos efeitos ambientais dele esperados. A equipe multidisciplinar pode não dominar o conhecimento científico necessário para prognosticar esses efeitos. Há vezes em que essas equipes encontram dificuldades para delimitar áreas de influência direta e indireta com base nos efeitos ambientais potenciais do projeto e das suas alternativas. • Proposição de medidas mitigadoras coerentes com os resultados da análise dos impactos, acompanhada de uma avaliação de sua eficiência e de indicação de equipamentos de controle e sistemas adequados de tratamento de despejos. • Apresentação de programa de acompanhamento e monitoramento dos impactos positivos e negativos do projeto, com nível de detalhamento que permita implementação imediata por parte do empreendedor e acompanhamento e fiscalização por parte do órgão de meio ambiente. • Elaboração do Rima, de forma objetiva e de fácil compreensão pelo público em geral. Apesar de seus benefícios, a AIA enfrenta desafios significativos, o que inclui muitas vezes a falta de recursos e capacidade técnica, prazos e interesse de partes interessadas. Além disso, a eficácia desse estudo para o sucesso de um projeto depende da implementação efetiva das medidas de mitigação propostas e do monitoramento contínuo dos impactos ambientais. Nesse processo, a sociedade civil de modo geral participa do processo de análise, analisando os benefícios propostos para a sociedade e o meio ambiente de modo mais sustentável. 98 Unidade III Resumo A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) desempenha um papel fundamental na promoção do desenvolvimento sustentável, garantindo que as atividades humanas sejam realizadas de forma a proteger e preservar o meio ambiente para as gerações presentes e futuras, reduzindo danos e impactos ambientais. Esse processo é preditivo e envolve previsões de ocorrências futuras, sendo realizado em várias etapas. A AIA integra diferentes estudos ambientais para definição de quais são as melhores ferramentas e avaliações empregadas para cada atividade de acordo com a magnitude dos impactos ambientais e das atividades de cada empreendimento. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) são ferramentas previstas em legislação que permitem a identificação e a avaliação de impactos ambientais, assim como medidas para mitigá‑los e acompanhá‑los em todas as fases de um empreendimento, desde o planejamento até as etapas de implementação, operação e desativação. Esse documento é elaborado por uma equipe técnica e especializada, com atribuições multidisciplinares, e analisado por uma equipe que envolve e considera a participação pública, por meio de audiências públicas, de modo a auxiliar os processos decisórios. Na AIA, estão envolvidas diferentes partes, como os empreendedores (ou proponentes do projeto), o órgão ambiental, a equipe técnica multidisciplinar e a sociedade, sendo que cada um tem responsabilidades nesse processo. A AIA é uma atividade que ocorre em consonância com processos de licenciamento ambiental para a concessão de licenças durante o planejamento, a implantação e a operação do empreendimento, permitindo que os impactos ambientais sejam minimizados com o cumprimento de diretrizes determinadas pelo poder público. Além disso, os empreendedores podem adotar um processo de gestão ambiental de modo a gerenciar os impactos ambientais e monitorá‑los durante toda a operação do empreendimento. 99 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL Exercícios Questão 1. (Enade 2019) A Constituição Federal de 1988, em seu art. 225, assegura a efetividade do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, atribuindo ao poder público a responsabilidade de exigir estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente. Considerando a legislação ambiental brasileira e as características do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (Rima), avalie as afirmativas: I – O EIA é um instrumento de avaliação de gestão ambiental realizado pelo órgão ambiental fiscalizador que deve analisar as consequências da implantação de um empreendimento. II – O EIA pode prever os possíveis impactos ambientais e é concretizado com o Rima, devendo ser divulgado aos grupos interessados com linguagem acessível, clara e objetiva. III – O EIA/Rima é exigido após adquirir a licença prévia de empreendimentos ou atividades que possam causar significativa degradação ambiental. IV – O EIA/Rima deve conter informações sobre as medidas mitigadoras para evitar uma possível paralisação do projeto e os impactos negativos ao meio ambiente. É correto apenas o que se afirma em: A) I. B) II. C) III. D) II e IV. E) I, III e IV. Resposta correta: alternativa B. Análisedas afirmativas I – Afirmativa incorreta. Justificativa: o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) é um documento cuja elaboração é de responsabilidade da empresa ou da pessoa cujas atividades possam causar degradação ambiental. Ele 100 Unidade III pode ser feito pelos próprios profissionais das empresas obrigadas à sua elaboração ou, ainda, por empresa especializada em consultoria técnica ambiental contratada para elaborá‑lo. II – Afirmativa correta. Justificativa: dependerá da elaboração de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do respectivo Relatório de Impacto Ambiental (Rima), a serem submetidos à aprovação do órgão estadual competente, o licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente. O Rima deve ser apresentado em linguagem clara e objetiva e deve ser ilustrado pelas mais diversas técnicas de comunicação visual, de modo que se possam entender as características e todas as consequências ambientais da implementação do projeto. III – Afirmativa incorreta. Justificativa: o EIA/Rima é um documento que deve ser submetido à aprovação do órgão competente para obtenção da licença prévia. IV – Afirmativa incorreta. Justificativa: o EIA define os mecanismos de compensação e de mitigação dos danos previstos em decorrência da implantação de atividades de grande potencial poluidor e de degradação do meio ambiente. Questão 2. Vimos, no livro‑texto, que, para a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (Rima), há aspectos que precisam ser observados no projeto de um empreendimento. Com relação a esse tema, considere os itens a seguir: I – Independência da equipe em relação ao empreendedor. II – Descrição do empreendimento em função dos efeitos ambientais dele esperados. III – Proposição de medidas mitigadoras coerentes com os resultados da análise dos impactos. IV – Apresentação de um programa de acompanhamento e monitoramento dos impactos positivos e negativos do projeto. V – Elaboração do Relatório de Impacto Ambiental (Rima), de forma objetiva e de fácil compreensão pelo público em geral. É correto o que se afirma em: 101 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL A) I, II, III, IV e V. B) I, II, III e IV, apenas. C) II, III e V, apenas. D) I, III e V, apenas. E) II e IV, apenas. Resposta correta: alternativa A. Análise da questão Vimos, no livro‑texto, que, para a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (Rima), há aspectos que precisam ser observados, como os explicados a seguir: • Independência da equipe em relação ao empreendedor. Vale destacar que, algumas vezes, os estudos têm se restringido ao desenvolvimento de argumentações para justificar o projeto apresentado pelo empreendedor, não incorporando as análises de alternativas tecnológicas e locacionais a esse projeto. • Descrição do empreendimento em função dos efeitos ambientais dele esperados. Deve‑se verificar se a equipe multidisciplinar realmente domina o conhecimento científico necessário para prognosticar esses efeitos. Há vezes em que a equipes multidisciplinares encontram dificuldades em delimitar áreas de influência direta e indireta com base nos efeitos ambientais potenciais do projeto e de suas alternativas. • Proposição de medidas mitigadoras coerentes com os resultados da análise dos impactos, acompanhamento e avaliação de sua eficiência e indicação de equipamentos de controle e sistemas adequados de tratamento de despejos. • Apresentação de um programa de acompanhamento e monitoramento dos impactos positivos e negativos do projeto, com nível de detalhamento que permita a implementação imediata por parte do empreendedor e o acompanhamento e a fiscalização por parte do órgão de meio ambiente. • Elaboração do Relatório de Impacto Ambiental (Rima), de forma objetiva e de fácil compreensão pelo público em geral. 102 REFERÊNCIAS Audiovisuais BOAS práticas no Gerenciamento de Resíduos em Serviços de Saúde. 2019. 1 vídeo (2 min). Publicado pelo canal HospitalMoinhos. 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No Brasil, o processo de Avaliação de Impacto Ambiental envolve uma série de leis e de órgãos e instituições federais, estaduais e municipais. Na esfera federal, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) é o principal órgão responsável por formular e implementar políticas públicas relacionadas ao meio ambiente. Esse órgão supervisiona e coordena as atividades de Avaliação de Impacto Ambiental em nível nacional. Outro órgão vinculado ao MMA dentro da esfera federal é o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e de Recursos Naturais (Ibama). Ele atua como órgão executivo do MMA, sendo responsável pela execução e fiscalização das políticas ambientais federais, e desempenha um papel fundamental na avaliação e no licenciamento de projetos que possam impactar o meio ambiente. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), também vinculado ao MMA, é responsável pela gestão das unidades de conservação federais e participa da avaliação de projetos que possam afetar essas áreas protegidas. A Agência Nacional de Águas (ANA) também exerce importante função, uma vez que é responsável pela gestão dos recursos hídricos no Brasil. Esse órgão realiza a Avaliação de Impacto Ambiental de projetos que envolvem corpos d’água, represas e outros recursos hídricos que necessitam de outorga para captação de águas superficiais. Considerando cada estado brasileiro, as responsabilidades para direcionamento de condicionantes necessárias para o licenciamento e o EIA cabem às Secretarias de Meio Ambiente, responsáveis por coordenar e executar políticas ambientais em nível estadual. Essas secretarias desempenham um papel crucial na avaliação de projetos que impactam o meio ambiente em seus respectivos estados. Os órgãos ambientais de cada estado, responsáveis pelo controle ambiental, também realizam processos de licenciamento e direcionamento para AIA. Cabe aos órgãos ambientais a responsabilidade de orientar os proponentes dos projetos e dos empreendimentos quanto: • às atividades que necessitam de licenciamento ambiental; • aos tipos de licenças a serem obtidas; • aos estudos ambientais e outros documentos técnicos semelhantes a serem elaborados; • aos documentos que devem ser apresentados para o pedido formal da licenciamento ambiental. 70 Unidade III Saiba mais Os órgãos ambientais licenciadores e responsáveis pela condução de AIA em esfera federal, estadual e municipal estão relacionados no Portal Nacional de Licenciamento Ambiental (PNLA), no site do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA): BRASIL. Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Órgãos licenciadores. Brasília, [s.d.]. Disponível em: https://tinyurl.com/ycxxc8mk. Acesso em: 14 maio 2024. Os órgãos municipais contam com a participação das Secretarias Municipais de Meio Ambiente, que têm a responsabilidade de orientar questões ambientais locais e participar da avaliação de projetos que impactam seus territórios. Alguns municípios têm departamentos específicos e conselhos que auxiliam nos projetos, concessão de documentos e licenças municipais. A Fundação Nacional de Povos Indígenas (Funai) também atua em projetos que impactam o território e as comunidades indígenas. Esses órgãos e instituições trabalham conjuntamente para garantir que projetos que possam afetar o meio ambiente sejam avaliados de forma criteriosa, visando minimizar os impactos negativos e promover o desenvolvimento sustentável. O quadro a seguir mostra as principais esferas e órgãos envolvidos na avaliação de impactos ambientais e suas funções mais relevantes: Quadro 4 – Estrutura dos principais órgãos envolvidos no AIA em esfera federal, estadual e municipal Órgão Federal Estadual Municipal Gerenciador ou coordenador Ministério do Meio Ambiente Secretaria de Estado do Meio Ambiente Secretaria do Verde e do Meio Ambiente Consultivo ou deliberativo Conama Consema Condema Executivo Ibama Secretaria do Meio Ambiente, órgãos ambientais, institutos florestais, entre outros Conselhos municipais e secretarias municipais Os empreendedores e proponentes de projetos ambientais também são elementos fundamentais no processo de AIA. Eles podem ser públicos ou privados e devem fornecer aos órgãos ambientais responsáveis as informações requeridas para a concessão de licenças ambientais a seu empreendimento. 71 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL Saiba mais Quais empreendimentos ou atividades são sujeitos ao licenciamento ambiental no Ibama? A competência para a condução do licenciamento ambiental pode ser da União, estados ou municípios. Os empreendimentos e atividades, no entanto, são licenciados por um único ente federativo. O Ibama é o órgão executor do licenciamento ambiental de competência da União. Para saber a relação de empreendimentos que são de competência do Ibama para o licenciamento, acesse: BRASIL. Ibama. Sobre o Licenciamento Ambiental Federal. Brasília, 2022. Disponível em: https://tinyurl.com/4wwsww4z. Acesso em: 14 maio 2024. 7.2 Avaliação de Impacto Ambiental como instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente No início da década de 1980, no Brasil, já havia uma mobilização social, influenciada por ações em ordem planetária com apoio ao movimento ambientalista. Neste contexto, o Estudo de Impacto Ambiental ganhou maior amplitude com a Lei n. 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente. Essa lei determinou, em seu art. 9º, o EIA como instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente, considerando o licenciamento e a revisão de atividades efetivas ou potencialmente poluidoras, que exigem a elaboração de EIA/Rima e/ou de outros documentos técnicos, os quais constituem instrumentos básicos de implementação da AIA. São exemplos o zoneamento ambiental, o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental e a criação de unidades de conservação, que condicionam e orientam a elaboração de estudos de impacto ambiental e de outros documentos técnicos necessários ao licenciamento ambiental, os cadastros técnicos, os relatórios de qualidade ambiental, as penalidades disciplinares ou compensatórias, os incentivos à produção, a instalação de equipamentos e a criação ou absorção de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade ambiental, que facilitam ou condicionam a condução do processo de AIA em suas diferentes fases. De modo a ampliar os sistemas anteriores a esse período, a Lei n. 6.938 considerou os projetos além das áreas industriais, estendendo‑se para projetos não industriais, urbanos e rurais, em áreas de poluição consideradas críticas ou não (Ab’Saber; Müller‑Plantenberg, 2006). 72 Unidade III 7.3 Instrumentos legais de implementação da AIA: EIA/Rima O processo de AIA envolve várias etapas, começando pela identificação dos impactos potenciais e a necessidade de cada estudo ambiental de acordo com atividades que causam ou não degradação ou são potencialmente poluidoras ou não. Isso requer uma análise detalhada do empreendimento. É importante ressaltar que a AIA não é apenas um requisito legal, mas consiste sobretudo em estudos que resultam em uma ferramenta de gestão ambiental e que contribui para tomar decisões considerando a viabilidade econômica, social e ambiental de um projeto. A descrição de alguns estudos ambientais empregados nos processos de licenciamento ambiental podem ser relacionados a seguir: • Estudo Ambiental Simplificado (EAS) e Relatório Ambiental Simplificado (RAS): são empregados para analisar e avaliar as consequências ambientais de atividades e empreendimentos considerados impactos ambientais de pequeno porte. Esses estudos são utilizados quando necessários procedimentos mais rápidos em processos de licenciamento ambiental. Por meio da Resolução Conama n. 279, de 27 de junho de 2001, foi estabelecidoo EAS. De acordo com a resolução, esse estudo trata de aspectos ambientais relacionados à localização, instalação, operação e ampliação de uma atividade ou empreendimento fornecendo informações para diagnóstico ambiental da região de localização do empreendimento. Ele é elaborado no processo de solicitação da licença prévia e não necessita obrigatoriamente de audiência pública. Cabe ao órgão ambiental licenciador definir qual instrumento será utilizado no processo de licenciamento, seja um RAS, EAS ou EIA/Rima. • Relatório Ambiental Preliminar (RAP): consiste em um estudo técnico elaborado por uma equipe multidisciplinar, que visa analisar a viabilidade ambiental de empreendimentos ou atividades consideradas potencial e efetivamente causadoras de degradação do meio ambiente. Aos empreendimentos que possam causar significativo impacto ambiental, poderá ser exigido esse documento durante o processo de requerimento da licença prévia. • EIA/Rima: esse estudo, conforme os arts. 5º e 6º da Resolução Conama n. 1/86, deve obedecer a algumas diretrizes gerais e atividades técnicas, como: contemplar todas as alternativas tecnológicas e de localização de projeto, confrontando‑as com a hipótese de não execução; definir os limites da área geográfica a ser direta e indiretamente afetada pelos impactos ambientais; avaliar a compatibilidade do empreendimento com planos e programas governamentais, propostos e em implantação na área de influência do projeto; elaborar diagnóstico ambiental da área de influência do projeto, considerando os meios físico, biológico e socioeconômico; identificar e avaliar os potenciais impactos ambientais do projeto gerados nas fases de planejamento, implantação e operação da atividade; definir as medidas mitigadoras dos impactos negativos, avaliando a eficiência de cada uma delas; e elaborar programa de acompanhamento e monitoramento das medidas propostas. 73 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL O órgão ambiental pode solicitar preliminarmente a elaboração de um Termo de Referência, que estabelece os critérios gerais e consiste em um instrumento orientador, o qual a equipe multidisciplinar responsável deverá tomar como base para a elaboração do EIA e do Rima. Além dos estudos apresentados, o quadro a seguir elenca os principais tipos de estudos previstos na legislação brasileira e suas respectivas referências legais: Quadro 5 – Tipos de estudos ambientais previstos na legislação brasileira Denominação Referência legal Aplicação Estudos ambientais Res. Conama n. 237, de 19 de dezembro de 1997 “São todos e quaisquer estudos relativos aos aspectos ambientais relacionados à localização, instalação, operação e ampliação de uma atividade ou empreendimento, apresentado como subsídio para a análise da licença requerida” Estudo prévio ambiental Constituição Federal, art. 225, 1º, IV (1998) Instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação ambiental Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental Res. Conama n. 1, de 23 de janeiro de 1986 Licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente exemplificadas no art. 2º da Resolução Projeto Básico Ambiental Res. Conama n. 6, de 16 de setembro de 1986 Obtenção de licença de instalação de empreendimentos do setor elétrico Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad) Decreto Federal n. 97.632, de 10 de abril de 1989 Obrigatoriedade de apresentação para todo empreendimento de mineração; deve ser incorporado no EIA para novos projetos Plano de Controle Ambiental (PCA) Res. Conama n. 9, de 6 de dezembro de 1990 Res. Conama n. 286, de 20 de agosto de 2001 Res. Conama n. 23, de 7 de dezembro de 1994 Obtenção de licença de instalação de empreendimentos de mineração: “[...] contentará os projetos executivos de minimização dos impactos ambientais [...]” (Brasil, 1990) Obtenção de licença de instalação de empreendimentos de irrigação Obtenção de licença de operação para a produção de petróleo e gás Relatório de Controle Ambiental (RCA) Res. Conama n. 10, de 6 de dezembro de 1990 Res. Conama n. 23, de 7 de dezembro de 1994 Obtenção de licença de instalação de empreendimentos de extração de bens minerais de uso imediato na construção civil Obtenção de licença prévia para perfuração de poços de petróleo Estudo de Viabilidade Ambiental (EVA) Res. Conama n. 23, de 7 de dezembro de 1994 Obtenção de licença prévia para pesquisa da viabilidade econômica de um campo petrolífero Relatório de Avaliação Ambiental (RAA) Res. Conama n. 23, de 7 de dezembro de 1994 Obtenção de licença de instalação para perfuração de poços de petróleo Estudo de Viabilidade de Queima (EVQ) Res. Conama n. 264, de 20 de março de 2000 (revogada: Res. Conama n. 499, de 6 de outubro 2020) Licenciamento de coprocessamento de resíduos em fornos de cimento Plano de Encerramento Res. Conama n. 273, de 29 de novembro de 2000 Desativação de postos de combustíveis 74 Unidade III Denominação Referência legal Aplicação Relatório Ambiental Simplificado (RAS) Res. Conama n. 279, de 27 de junho de 2001 Obtenção de licença prévia de empreendimentos do setor elétrico de pequeno potencial de impacto Plano de Emergência Individual Res. Conama n. 293, de 12 de dezembro de 2001 (revogada pela Res. Conama n. 398, de 11 de junho de 2008) Licenciamento de portos organizados, instalações portuárias ou terminais, dutos, plataformas e instalação de apoio Plano de Contingência Plano de Emergência Plano de Desativação Res. Conama n. 316, de 29 de outubro de 2002 Licenciamento de unidades de tratamento térmico de resíduos Encerramento de atividades dos sistemas de tratamento térmico de resíduos Relatório Ambiental Preliminar (RAP) Res. SMA‑SP n. 42, de 29 de dezembro de 1994 Para instruir requerimentos de licenciamento ambiental de empreendimentos que possam causar impacto significativo Estudo Ambiental Simplificado (EAS) Res. SMA‑SP n. 54, de 30 de novembro de 2004 Para analisar e avaliar as consequências ambientais de atividades e empreendimentos considerados de impactos ambientais muito pequenos e não significativos Estudo de Análises de Risco (EAR) Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) Plano de Ação de Emergência (PAE) Norma Técnica Cetesb P4.261, de 20 de agosto de 2003 Para o licenciamento de atividades perigosas Plano de desativação Dec. Estadual SP 47.400, de 4 de dezembro de 2002 Para o encerramento de empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental Fonte: Sànchez (2006, p. 86‑87). Observação O Termo de Referência é um documento que auxilia na determinação da abrangência, dos procedimentos e dos critérios gerais para a elaboração do EIA e o respectivo Rima. Esse documento serve de apoio para a elaboração do EIA e fornece subsídios capazes de nortear o desenvolvimento de estudos ambientais necessários no processo de licenciamento ambiental de um empreendimento. 75 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL 7.4 Etapa de acompanhamento no processo de AIA A figura a seguir ilustra as etapas do processo de AIA. Esse processo, segundo Sànchez (2006), pode ser divido em três principais etapas: etapa inicial, etapa detalhada e etapa pós‑aprovação, caso o empreendimento tenha sido aprovado. Apresentação de uma proposta A proposta pode causar impactos ambientais significativos? Não SimTalvez Licenciamento ambiental convencional Determinação do escopo do estudo Análise técnica Eloboração do EIA e RIMA Consulta pública Decisão Reprovação Aprovação Monitoramento e gestão ambiental Acompanhamento Avaliação ambiental inicial Licenciamento apoiado em estudo de impacto ambiental Etapa inicial: triagem Etapa pós-aprovação Análise detalhada Figura 4 – Processo de AIA Fonte: Sànchez (2006, p. 96). 76 Unidade III A etapa inicial desse processo consiste em determinar a necessidade ou não de avaliar detalhadamente os impactos ambientaisde um empreendimento. Nessa etapa é possível identificar, de acordo com a legislação brasileira, se um empreendimento que vai passar pelo processo de licenciamento ambiental precisa realizar um EIA. Nesse caso, o órgão ambiental recomendará outros instrumentos de monitoramento e acompanhamento ambiental, de acordo com outras legislações. Esse monitoramento pode ser por exemplo em relação à emissão de poluentes, destinação de resíduos, entre outros parâmetros. A outra etapa consiste em uma análise detalhada que envolve apenas os empreendimentos que podem causar impactos ambientais significativos. Nessa etapa, as principais atividades são concentradas na elaboração do EIA, desde a elaboração do escopo até a decisão de viabilidade do empreendimento. A última etapa compreende o monitoramento e o acompanhamento de um estudo aprovado. No caso dos empreendimentos aprovados, os impactos ambientais identificados durante o estudo poderão ser gerenciados pelo processo de gestão ambiental. Conforme observado na figura anterior, o início do processo de Avaliação de Impacto Ambiental se caracteriza pela apresentação da proposta pelo proponente. Essa proposta pode ser um projeto, programa ou políticas. Após essa etapa, a proposta que não apresenta impactos ambientais significativos é conduzida para um processo de licenciamento ambiental sem a necessidade de elaboração de um EIA/Rima. Na etapa inicial, ainda pode haver dúvidas em relação aos impactos causados pela proposta apresentada, em que não são claras as consequências das atividades do empreendimento. Nesse caso, um estudo simplificado pode ser requerido para enquadrar a proposta em uma das três categorias: • são necessários estudos aprofundados; • não são necessários estudos aprofundados; • há dúvidas sobre o potencial de causar impactos significativos ou sobre as medidas de controle. Quando há a necessidade da realização de EIA e antes de ser realizada uma análise detalhada, é necessário que seja determinado um escopo. Para isso é importante, a partir de um plano de trabalho, que o projeto esteja centralizado para as questões mais específicas. Com isso, esses resultados preliminares vão mostrar como poderão ser qualificados e quantificados os impactos ambientais. 77 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL Observação Os projetos ambientais podem ser enfatizados a partir do setor de atuação. Por exemplo, projetos de construção de barragens podem centralizar atenção na análise da qualidade da água da região, nos remanescentes de vegetação nativa e na presença de populações e atividades na área e no entorno. Assim será possível analisar a extensão e a magnitude desse e dos demais impactos analisados. A elaboração do EIA/Rima é realizada a partir de uma criteriosa análise preliminar, a partir de um Termo de Referência que pode conter elementos de base para o estudo. O estudo é elaborado por uma equipe multidisciplinar que conta com profissionais de diferentes áreas de atuação e especialização com base para realizá‑lo com maior abrangência e confiabilidade de dados. O conteúdo desse estudo é de caráter técnico, no entanto, o relatório Rima é elaborado em uma linguagem simplificada de modo a facilitar o entendimento a todos os envolvidos e afetados pelo projeto. Após a elaboração do EIA/Rima, é realizada a análise técnica desse estudo tanto por uma equipe multidisciplinar quanto por técnicos responsáveis pela análise de viabilidade do empreendimento. Nessa etapa ainda podem ser consultados alguns órgãos envolvidos, como instituições responsáveis pelo fornecimento de água e energia. Esse processo passa ainda por uma consulta pública em que as pessoas envolvidas e diretamente afetadas emitem um parecer sobre as consequências apresentadas. Normalmente esse processo ocorre por meio de uma audiência pública. Se aprovado o projeto, o processo passa para a etapa de monitoramento e gestão ambiental, que estabelece parâmetros para acompanhar os impactos ambientais em todas as etapas do projeto, desde o funcionamento até a desativação e o encerramento das atividades. O monitoramento permite a avaliação da conformidade com os requisitos e exigências da legislação e a gestão permite a implementação de um plano de controle e mitigação de impactos ambientais. Por fim, o acompanhamento visa administrar as etapas de implementação do projeto de modo a acompanhar a conformidade com as leis e requisitos normativos. Lembrete Devido ao fato de o Brasil possuir uma extensa área territorial, a estrutura institucional para avaliação de impactos ambientais está regulamentada de forma setorial. Assim, cada estado e município poderá nortear e definir os estudos e condições para os estudos ambientais conforme as características e a legislação de cada região. 78 Unidade III 8 PLANEJAMENTO E PREVISÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS A abordagem do planejamento e da previsão de impactos ambientais que será apresentada neste tópico se refere ao modo como o estudo de impacto é realizado, às principais ferramentas empregadas nesse estudo e ao fluxo de diagnóstico ambiental para a análise do empreendimento até as etapas de prognóstico ambiental, medida mitigadora e acompanhamento. O diagnóstico ambiental mostra as atividades de um empreendimento, assim como os aspectos ambientais, sociais e econômicos da área afetada pelo projeto. Em seguida, são realizadas previsões sobre a magnitude e a extensão desses impactos, levando em consideração fatores como o tipo de atividade, o ecossistema local e as condições climáticas. Essa etapa consiste no prognóstico e exibirá o possível cenário do futuro empreendimento de modo a minimizar os impactos e monitorá‑los. No diagnóstico ambiental é identificada a magnitude dos impactos, e a partir desse levantamento é possível preparar um plano de gestão para o empreendimento. A previsão de impactos difere da avaliação, uma vez que informa sobre a intensidade dos impactos ambientais, ou seja, consiste em uma estimativa futura dentro de uma margem. Uma vez identificados e previstos os impactos, o próximo passo é avaliá‑los em termos de sua significância e magnitude. Isso envolve comparar os impactos esperados com critérios ambientais e regulatórios estabelecidos, bem como considerar os efeitos cumulativos de múltiplos projetos na mesma área. A previsão retrata de modo quantitativo os impactos, como os níveis de ruído ou de emissão de poluentes. Por outro lado, a avaliação de impactos implica descrever a importância que a intensidade dos impactos ambientais pode ocasionar. Por exemplo, elevados níveis de ruído podem ocasionar desconforto e incômodo, assim como a emissão de poluentes atmosféricos proporciona riscos à saúde e à qualidade do ar. Com base nessa avaliação, são propostas medidas de mitigação para reduzir ou evitar impactos adversos. As medidas de mitigação podem incluir a implementação de tecnologias mais limpas, a realocação de atividades para áreas menos sensíveis, o reflorestamento de áreas degradadas, a compensação ambiental e o monitoramento contínuo dos impactos ao longo do ciclo de vida do projeto. Além disso, o EIA também pode destacar oportunidades para promover o desenvolvimento sustentável, como a criação de empregos verdes, a proteção da biodiversidade e o uso eficiente dos recursos naturais. O conteúdo do estudo, assim como as principais etapas do diagnóstico, prognóstico, monitoramento e acompanhamento, serão contextualizados neste tópico. 79 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL 8.1 Objetivos de estudos de impactos ambientais Como já apresentado no tópico 7, a AIA envolve um conjunto de métodos e técnicas de gestão ambiental que identifica, prognostica e avalia os impactos ocasionados por futuros empreendimentos. Compreende um quadro de prospecção das possibilidades de danos ambientais causados por um empreendimento e permite mitigá‑lo ou compensá‑lo. A AIA permanece ainda na etapa de pós‑aprovação da atividade ouempreendimento, quando é necessário o monitoramento e o acompanhamento da implantação do projeto. De acordo com Sànchez (2006), o AIA, que compreendia inicialmente projetos de engenharia, atualmente inclui planos, programas e políticas que direcionam esse estudo para avaliação ambiental estratégica (AAE). Um objetivo fundamental nesse contexto é alcançar e integrar o desenvolvimento social e econômico de um determinado local com a implantação de um empreendimento, projeto ou plano governamental, mas que seja avaliado de modo a garantir a sustentabilidade dos recursos. Embora para realizar o AIA seja necessário um conjunto de técnicas e ferramentas de avaliação preditiva de impactos ambientais, a sua realização não é uma alternativa definitiva para que não haja impactos ambientais na construção de novos projetos e empreendimentos, mas mostra as melhores possibilidades para minimizar os impactos ou até mesmo compensá‑los. Sànchez (2006) reforça que o AIA auxilia na decisão, na concepção e no planejamento de projetos, como instrumento de negociação social e como instrumento de gestão ambiental. A tomada de decisão diante de um processo de AIA envolve, além de analisar a conformidade de um projeto com as alternativas propostas para mitigação de impactos, considerar a viabilidade ambiental do projeto, levando em conta aspectos e impactos socioeconômicos e socioambientais que estão inseridos. Os projetos analisados também precisam ser debatidos com os envolvidos diretamente no processo e negociados, por isso faz‑se necessária a etapa de consulta pública como requisito decisório. Esse processo levanta a necessidade do cumprimento de compromissos pelo empreendedor que contempla as medidas mitigadoras e compensatórias, etapas que podem ser gerenciadas a partir de um sistema de gestão ambiental implementado, até mesmo com apoio de normas do sistema ISO 14001. 8.2 Principais etapas do processo e atividades na elaboração de um EIA Como já apresentado anteriormente, o EIA é realizado após uma etapa de triagem e, muitas vezes, de estudos preliminares, ou até mesmo a partir de um plano de trabalho e de um termo de referência. A figura a seguir ilustra as sete principais etapas na preparação de um estudo ambiental: 80 Unidade III Planejamento Execução An ál ise d os im pa ct os Plano de trabalho/Termo de referência Estudo de base Identificação dos impactos Previsão dos impactos Avaliação dos impactos Plano de gestão Estudo de impacto amiental Relatório de impacto ambiental Caracterização das alternativas para o empreendimento Reconhecimento ambiental inicial Identificação preliminar dos impactos Determinação do escopo Plano de trabalho Figura 5 – Principais etapas no planejamento e execução de um estudo ambiental Fonte: Sànchez (2006, p. 166). Um EIA está estruturado em uma etapa de planejamento e de execução. O planejamento é apoiado no reconhecimento ambiental e na caracterização do projeto proposto. Realizado pela equipe multidisciplinar, nessa etapa são realizadas análises de conformidade com a proposta do projeto e com a legislação ambiental, como a legislação de uso de solo e de zoneamento ambiental, por exemplo. Outra legislação importante que deve ser levada em consideração é o Código Florestal, que delimita as restrições para supressão da vegetação de acordo com as características da área. 81 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL Algumas atividades preparatórias para a realização de um EIA podem ser elencadas segundo Sànchez (2006): • levantamento de bases cartográficas; • levantamento de fotografias aéreas; • imagens de satélites; • levantamento preliminar de dados socioambientais; • levantamento preliminar de estudo da região; • compilação de dados sobre o projeto e estudo dos documentos de projetos (plantas, memorial descritivo, entre outros); • reuniões com proponente e levantamento da equipe necessária; • visitas a empreendimentos semelhantes; • visita de campo e diálogos informais para reconhecimento da área e do entorno; • levantamento da legislação aplicável; • orçamentos para execução dos serviços. Na fase preliminar, os impactos são levantados a partir de uma lista de prováveis impactos ambientais. Nessa etapa, todo o reconhecimento da área e do entorno e a coleta de documentação de apoio, como mencionado nas atividades preparatórias, servem como subsídios para a identificação de impactos. Uma ferramenta que auxilia o reconhecimento de prováveis impactos é a elaboração de um checklist, que consiste em uma lista de verificação com alguns impactos já conhecidos. A consulta de especialistas na área auxilia nessa etapa de identificação de prováveis impactos. Para uma AIA, na etapa de planejamento a seleção do escopo prevê as principais questões que devem ser consideradas para a avaliação de impactos ambientais de acordo com critérios científicos e culturais. Mesmo que os empreendimentos sejam de mesma natureza, podem causar diferentes impactos de acordo com a área em que estiverem estabelecidos. Por exemplo, empreendimentos localizados em território de comunidades indígenas precisam considerar as questões culturais e sociais que envolvem esses grupos. Para definir o escopo de um estudo ambiental podem ser levadas em consideração a opinião e as experiências de especialistas na área da atividade, assim como uma análise da localização, considerando características do patrimônio histórico e cultural dessa região. Sànchez (2006) ressalta que o termo de referência consiste em uma etapa de definição e direcionamento para o estudo ambiental. O termo plano de trabalho também descreve o documento que pode ser utilizado como escopo do EIA. 82 Unidade III A próxima etapa de estudo ambiental são os estudos de base, que consistem na escolha dos métodos de coleta de dados, de quais informações são mais relevantes e que devem ser consideradas, além de eventual necessidade de análises laboratoriais. Nessa etapa são definidas previamente as áreas geográficas do estudo, mas pode‑se alterar a definição das áreas de influência direta e indireta, conforme a Resolução Conama n. 1/86, de acordo com estudos posteriores. A análise dos impactos concentra as principais atividades: identificação dos impactos, previsão dos impactos e avaliação dos impactos. A partir da identificação preliminar dos impactos ambientais obtidos com os estudos de base, a previsão é realizada de uma maneira geral quantitativa a partir de alguns parâmetros denominados indicadores ambientais, que mostram a qualidade ambiental do ambiente. A previsão de impactos ambientais é fundamentada em métodos e modelos matemáticos que consideram os conceitos ecológicos e sociais para quantificação dos parâmetros ambientais. Por exemplo, a emissão de poluentes atmosféricos de uma determinada atividade industrial ou minerária permite determinar a condição do ambiente e o indicador ambiental a ser considerado (concentração de poluentes atmosféricos). De modo geral, a previsão de impactos informa a intensidade dos impactos ambientais. A avaliação dos impactos envolve a interpretação dos dados coletados e projetados no estudo para apresentar o seu grau de significância. Exemplo de aplicação Considere um exemplo de descrição para a previsão de impactos ambientais: “Devido aos despejos de efluentes e mesmo após tratamento, a concentração de zinco nas águas de um corpo receptor deverá atingir 10 mg/L nas piores condições de diluição, ou seja, com uma vazão mínima num período consecutivo de 7 dias e período de retorno de 10 anos (Q7,10). Como o empreendimento implicará a drenagem completa da área úmida conhecida localmente como Brejo do Matão, a espécie Brejus brasiliensis, recentemente descrita e considerada endêmica da região, correrá o risco de desaparecer.” A interpretação dos níveis do metal zinco de 10 mg/L permitirá a discussão da implicação dessa concentração de metal na saúde da população residente nas proximidades ou queutiliza a água desse rio para diferentes atividades e para os peixes da região. A discussão pode, ainda, questionar se esse hábitat de fato será destruído. A previsão de impactos ambientais pode determinar a aprovação ou não de um Estudo de Impacto Ambiental. Fonte: Sànchez (2006, p. 172). A Resolução Conama n. 1/86 estabelece, em seu art. 6º, que todo EIA deve considerar a definição de medidas mitigadoras de impactos negativos. Essas ações, além de minimizar os impactos ambientais, permitem que sejam estabelecidos planos para acompanhamento e gestão dessas medidas. Esse procedimento é conhecido como plano de gestão, e sua implementação é considerada uma importante 83 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL fase do processo de AIA. No Plano de Gestão Ambiental também podem ser consideradas medidas compensatórias, ou seja, aquelas que compensam perdas de meio ambiente, seja ele presente no meio biótico, como a vegetação nativa, ou até mesmo uma construção parte de um patrimônio cultural. Os impactos ambientais positivos também são incentivados e considerados no plano de gestão, como a criação de empregos. Os incentivos podem ser, por exemplo, um programa de formação de mão de obra. Outra consideração relevante para um Plano de Gestão Ambiental é a indicação de estudos complementares após o EIA de modo a apoiar possíveis lacunas durante o processo de AIA. Por fim, o Plano de Monitoramento e acompanhamento deve fazer parte do plano de gestão. Sànchez (2006) atribui quatro objetivos ao monitoramento dos impactos de um projeto: • verificação dos impactos reais do projeto; • comparação dos impactos com as previsões; • acompanhar e alertar sobre os impactos ultrapassarem limites; • avaliar as previsões do EIA e recomendar melhorias de estudos de impactos ambientais futuros. O monitoramento ambiental de um projeto visa acompanhar os impactos ambientais, e não a qualidade ambiental, pois é atribuição do estado executá‑la e divulgá‑la. Os arts. 5º e 6º da Resolução Conama n. 1/86 consideram que, para a elaboração de um EIA, devem ser atendidas as seguintes diretrizes: Art. 5° I – Contemplar todas as alternativas tecnológicas e de localização do projeto, confrontando‑as com a hipótese de não execução do projeto; II – Identificar e avaliar sistematicamente os impactos ambientais gerados nas fases de implantação e operação da atividade; III – Definir os limites da área geográfica a ser direta ou indiretamente afetada pelos impactos, denominada área de influência do projeto, considerando, em todos os casos, a bacia hidrográfica na qual se localiza; lV – Considerar os planos e programas governamentais, propostos e em implantação na área de influência do projeto, e sua compatibilidade. Parágrafo único. Ao determinar a execução do Estudo de Impacto Ambiental o órgão estadual competente, ou a SEMA ou, no que couber ao Município, fixará as diretrizes adicionais que, pelas peculiaridades do projeto e características ambientais da área, forem julgadas necessárias, inclusive os prazos para conclusão e análise dos estudos. 84 Unidade III Art. 6º O Estudo de Impacto Ambiental desenvolverá, no mínimo, as seguintes atividades técnicas: I – Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto completa descrição e análise dos recursos ambientais e suas interações, tal como existem, de modo a caracterizar a situação ambiental da área, antes da implantação do projeto, considerando: a) o meio físico – o subsolo, as águas, o ar e o clima, destacando os recursos minerais, a topografia, os tipos e aptidões do solo, os corpos d’água, o regime hidrológico, as correntes marinhas, as correntes atmosféricas; b) o meio biológico e os ecossistemas naturais – a fauna e a flora, destacando as espécies indicadoras da qualidade ambiental, de valor científico e econômico, raras e ameaçadas de extinção e as áreas de preservação permanente; c) o meio sócioeconômico – o uso e ocupação do solo, os usos da água e a sócioeconomia, destacando os sítios e monumentos arqueológicos, históricos e culturais da comunidade, as relações de dependência entre a sociedade local, os recursos ambientais e a potencial utilização futura desses recursos. II – Análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas, através de identificação, previsão da magnitude e interpretação da importância dos prováveis impactos relevantes, discriminando: os impactos positivos e negativos (benéficos e adversos), diretos e indiretos, imediatos e a médio e longo prazos, temporários e permanentes; seu grau de reversibilidade; suas propriedades cumulativas e sinérgicas; a distribuição dos ônus e benefícios sociais. III – Definição das medidas mitigadoras dos impactos negativos, entre elas os equipamentos de controle e sistemas de tratamento de despejos, avaliando a eficiência de cada uma delas. IV – Elaboração do programa de acompanhamento e monitoramento dos impactos positivos e negativos, indicando os fatores e parâmetros a serem considerados. Parágrafo único. Ao determinar a execução do Estudo de Impacto Ambiental, o órgão estadual competente; ou a SEMA ou quando couber, o Município fornecerá as instruções adicionais que se fizerem necessárias, pelas peculiaridades do projeto e características ambientais da área. 85 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL A figura a seguir ilustra os principais conteúdos que devem constar em um EIA: Caracterização do empreendimento Informações gerais Área de influência Diagnóstico ambiental Análise dos impactos ambientaisPrograma de monitoramento RIMA E I A Medidas mitigadoras Figura 6 – Principais conteúdos de um Estudo de Impactos Ambientais Conforme a figura, o EIA deve apresentar uma introdução com descrição do empreendimento e da organização do estudo e de sua estrutura. As informações gerais contemplam os principais dados do empreendedor, ou seja, do proponente do projeto ou da equipe que elaborou o estudo ambiental. Os principais itens são: • nome, razão social, endereço etc.; • histórico do empreendimento; • nacionalidade de origem e das tecnologias; • porte e tipos de atividades desenvolvidas; • objetivos e justificativas no contexto econômico‑social do país, região, estado e município; • localização geográfica e vias de acesso; • etapas de implantação; • empreendimentos associados e/ou similares. 86 Unidade III No documento são apresentadas as justificativas econômicas e socioambientais do empreendimento no contexto dos municípios, da região e da área de atuação a que pertencem. São descritos adicionalmente os itens que caracterizam o empreendimento, como as instalações e os equipamentos que serão implantados. Esses dados constaram nas licenças ambientais e precisam especificar ainda o porte, a área ocupada, a extensão e a capacidade instalada (Cetesb, 2019). As etapas de um empreendimento podem ser divididas em períodos. Enquanto alguns empreendimentos requerem maior atenção em uma etapa inicial, como planejamento e implantação, outros precisam de atenção em relação à desativação e ao fechamento, como no caso de empresas mineradoras e aterros sanitários. A etapa de planejamento consiste na execução de estudos técnicos e de levantamentos de características do solo e de ocupação da área que podem ser afetados por impactos físicos, bióticos e antrópicos. A etapa de implantação consiste nas atividades necessárias para a construção do empreendimento e eventual deslocamento de populações humanas. A operação corresponde à etapa de realização e funcionamento do empreendimento. Essa etapa pode ocasionar impactos mais significativos dependendo da atividade a ser exercida. A desativação e o fechamento correspondem às etapas finais. Enquanto a desativação requer um planejamento específico, o fechamento consiste no encerramento definitivo das atividades. Os impactos nessas duas etapas devem ser previstos e acompanhados por um Plano de Desativação. O empreendimento deveainda ser caracterizado para cada uma das fases do projeto, como planejamento, implantação, operação e desativação. Cada uma dessas fases deve apresentar os objetivos e as justificativas do projeto, assim como sua relação e compatibilidade com políticas setoriais, planos e programas governamentais. A caracterização do empreendimento conta ainda com a descrição do projeto e suas alternativas tecnológicas e locacionais, especificando área de influência, matérias‑primas, mão de obra, fontes de energia, processos e técnica operacionais, prováveis efluentes, emissões, resíduos de energia e geração de emprego. As análises tecnológicas consideram alternativas viáveis para estrutura, métodos de construção e aspectos técnicos do projeto em relação aos equipamentos que constam no projeto. Já as alternativas locacionais consideram se a área e o layout do projeto atenderão ao objetivo do empreendimento. Pode‑se considerar alguns exemplos de indicadores para alternativa locacional, como: estimativa de vegetação nativa a ser suprimida (ha); intervenção em unidades de conservação e outras áreas de proteção ambiental (ha); volumes de solo e rocha movimentados; estimativa do número de famílias a serem desapropriadas e/ou reassentadas, entre outros (Cetesb, 2019). Na etapa de caracterização do empreendimento devem ser quantificados todos os componentes, instalações e equipamentos necessários para a infraestrutura do empreendimento. Devem ser inseridos: imagem de satélite ou foto aérea, localização no contexto regional, plantas, ilustrações, quantificação de insumos, mão de obra e cronograma de execução, assim como os efluentes, resíduos e emissões a serem gerados pela operação do empreendimento. A área de influência do projeto consiste na área geográfica a ser direta ou indiretamente afetada pelos impactos e deve ser apresentada por limites geográficos a serem estabelecidos em função da abrangência dos impactos ambientais. Deve ainda ser considerada a bacia hidrográfica na qual se localiza. 87 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL A figura a seguir mostra uma representação da área de influência de suas divisões na elaboração do Estudo de Impacto Ambiental: ADAADA AIDAID AIIAII Figura 7 – Representação das áreas de influência de um empreendimento Fonte: Cetesb (2019, p. 24). A área diretamente afetada (ADA) representa a área diretamente envolvida e que sofrerá os impactos da implantação e operação do empreendimento. Por sua vez, a área de influência direta (AID) será a área diretamente afetada pelos impactos diretos de implantação e operação do empreendimento. Já a área de influência indireta (AII) pode ser considerada a área real ou potencialmente sujeita aos impactos indiretos do empreendimento. As áreas afetadas podem ser ilustradas por mapeamento e apresentar as justificativas para a determinação das áreas de influência. O diagnóstico ambiental consiste na caracterização atual do ambiente natural, ou seja, antes da implantação do projeto, considerando: as variáveis suscetíveis de sofrer direta ou indiretamente efeitos em todas as fases do projeto; os fatores ambientais físicos, biológicos e antrópicos de acordo com o tipo e porte do empreendimento; e as informações gráficas ou cartográficas com as AIs em escalas compatíveis com o nível de detalhamento dos fatores ambientais considerados. O diagnóstico ambiental será realizado por meio de consulta de campo ou até mesmo por referências bibliográficas. A apresentação dessas informações poderá ser feita de forma gráfica ou cartográfica para os meios físicos, bióticos e socioeconômicos. O quadro a seguir mostra os principais parâmetros considerados para cada meio no diagnóstico ambiental da área de influência: 88 Unidade III Quadro 6 – Principais parâmetros considerados no diagnóstico ambiental da área de influência Meio físico: subsolo, águas, ar e clima Meio biológico e os ecossistemas naturais: fauna e flora Meio antrópico ou socioeconômico Condições meteorológicas e clima Qualidade do ar Níveis de ruído Caracterização geológica e geomorfológica Usos e aptidões dos solos Recursos hídricos: – Hidrologia superficial – Hidrogeologia – Oceanografia física – Qualidade das águas – Usos das águas Ecossistemas terrestres: – Descrição da cobertura vegetal – Descrição geral das inter‑relações fauna‑fauna e fauna‑flora Ecossistemas aquáticos: – Mapeamento das populações aquáticas – Identificação de espécies indicadoras biológicas Ecossistemas de transição: – Banhados, manguezais, brejos, pântanos etc. Dinâmica populacional Uso e ocupação do solo Nível de vida Estrutura produtiva e de serviços Organização social A identificação e avaliação dos impactos ambientais permite as devidas quantificações e espacializações em cada fase do empreendimento (planejamento, implantação, operação e desativação). A análise dos impactos consiste na identificação, valoração e interpretação dos prováveis impactos em todas as fases do projeto e para cada um dos fatores ambientais pertinentes (impactos sobre o meio físico, sobre o meio biológico e sobre o meio antrópico). Nessa etapa é realizada uma previsão da magnitude e interpretação, no caso da possibilidade de acidentes. De acordo com a AI e com os fatores ambientais considerados, o impacto ambiental pode ser: • diretos e indiretos; • benéficos e adversos; • temporários, permanentes e cíclicos; • imediatos, a médio e a longo prazo; • reversíveis e irreversíveis; • locais e regionais. 89 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL Para a previsão da magnitude dos impactos, poderá ser empregado um conjunto de métodos de estudos para identificar a inter‑relação e a magnitude dos impactos, como: • listas de checagem/controle (checklist), que identifica consequências; • matrizes de interação (matriz de Leopold); • método ad hoc (grupo multidisciplinar); • análise de redes de interações ou diagramas de interações (networks); • mapeamento por superposição (overlays) aplicados a sistemas geográficos. Os métodos empregados no EIA precisam ser mencionados, assim como cada etapa considerada. Observação Alguns impactos podem ser descritos de forma sintética. São exemplos de impactos encontrados na construção de barragens, conforme Sànchez (2006): perda e alteração de hábitats pelo enchimento do reservatório; perda de animais por afogamento; proliferação de vetores; perda de terras agrícolas; aumento da arrecadação tributária municipal e aumento da demanda de bens e serviços. As listas de verificação (checklist) são instrumentos fáceis e simples de serem empregados. Permitem um levantamento quando a equipe envolvida não tem muita experiência. As matrizes são ferramentas também usualmente empregadas, dispostas em duas listas, uma em linhas e a outra em colunas. Nesse processo, é possível estabelecer uma correlação entre os impactos e seus critérios de análise e mensurá‑los de acordo a sua magnitude em uma escala arbitrária de 0 a 10. A matriz proposta por Leopold em 1971 consolidou essa ferramenta. No entanto, atualmente há uma série de variações dessa matriz. Ela pode ser estruturada também a partir de etapas do projeto e interação com o meio ambiente, ou até mesmo organizada como uma lista de ações e uma lista de impactos, sendo a sua classificação de acordo com a natureza do impacto e a sua possibilidade de ocorrência. A figura a seguir mostra um exemplo de matriz de identificação de impactos potenciais para projetos de linhas de transmissão e subestação de energia elétrica. 90 Unidade III Impacto potencial Fontes de impactos Projeto Operação Pré‑construção Construção Pós‑construção Operação e manutenção To po gr af ia e m ap ea m en to Aq ui siç ão d e di re ito s Tr an sp or te e c irc ul aç ão Pr ep ar aç ão d os a ce ss os Re m oç ão d a ve ge ta çã o Tr an sp or te e c irc ul aç ão Ex pl or aç ão d e pe dr ei ra s/ ar ei eira s Es ca va çã o e te rra pl en ag em Co ns tr uç ão e o br as c on ex as Ge st ão d e po lu en te s e re síd uo s De sm ob ili za çã o Or de na m en to e re cu pe ra çã o Pr es en ça , f un ci on am en to e m an ut en çã o M an ut en çã o da fa ix a de d om ín io De sa tiv aç ão e d em ol iç ão El em en to s d o m ei o M ei o na tu ra l So lo Qualidade dos solos Vertente de equilíbrio Ág ua Qualidade das águas superficiais Perfil dos corpos d’água Qualidade das águas subterrâneas Escoamento nos rios Escoamento superficial e infiltração Ar Qualidade do ar Ambiente sonoro Flo ra / fa un a Espécies Habitats M ei o hu m an o Espaço urbano e periurbano Espaço de lazer e turismo Espaço agrícola Espaço florestal Espaço patrimonial Infraestrutura Pa isa ge m Campo visual Elemento particular da paisagem Figura 8 – Matriz de identificação de impactos: projeto de linha de transmissão e subestação de energia elétrica Fonte: Sànchez (2006, p. 206). Os diagramas de interação são outro método de identificação de impactos ambientais. Esses diagramas mostram uma relação de causa e efeito a partir de uma ação. Sànchez (2006) menciona os efeitos e as consequências da urbanização nos processos ambientais como clima, fauna e flora e as condições ambientais de modo geral. O aumento da população causa demanda por serviços de saúde pública e saneamento ambiental. Uma limitação para essa ferramenta é a dificuldade em apresentar um maior detalhamento para sistemas mais complexos. 91 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL Os modelos matemáticos também permitem a previsão de impactos ambientais, como a dispersão de poluentes atmosféricos, propagação de ruídos, fluxo de veículos em determinada área, previsão de efeitos hidrológicos e barragens. Comparação e extrapolação, assim como experimentos de laboratório e de campo, permitem a previsão de alguns impactos ambientais. Alguns exemplos de impactos preliminarmente identificados em EIAs de túneis urbanos (metrôs, túneis viários) nas fases de instalação e operação: • Fase de instalação: — deslocamentos de moradores; — movimentações de equipamentos; — transtornos ao tráfego local; — ruídos e vibrações; — geração de bota‑foras. • Fase de funcionamento/operação: — ruídos; — emissão concentrada de gases de exaustão; — impacto visual; — alterações hidrológicas/hidrogeológicas. 8.3 Plano de Gestão Ambiental: remediação ambiental, medidas mitigadoras e compensatórias As medidas mitigadoras de um EIA é um conteúdo que envolve ações a serem executadas a fim de reduzir os impactos adversos de um empreendimento. Essas medidas estão inseridas em um Plano de Gestão Ambiental que são compromissos assumidos em caso de aprovação de um empreendimento. O Plano de Gestão Ambiental pode estar inserido em um sistema de gestão ambiental orientado pela norma ISO 14001. As medidas mitigadoras ou de atenuação minimizam os impactos ambientais adversos. Tais medidas de recuperação ambiental de um ambiente também degradado fazem parte de um sistema de gestão ambiental. 92 Unidade III O Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad), embora compulsório para atividades de mineração, pode constituir um dos documentos necessários para a gestão ambiental. As medidas mitigadoras podem ser classificadas quanto a: • sua natureza (preventivas ou corretivas); • fase do empreendimento em que deverão ser implementadas; • o fator ambiental a que se destina; • o prazo de permanência de sua aplicação; • a responsabilidade por sua implementação. Alguns impactos ambientais não podem ser evitados, ou não podem ser reduzidos, ou até mesmo têm elevada magnitude e severidade. Nessas situações, são adotadas medidas compensatórias para os danos ambientais. Sànchez (2006) cita a perda de uma porção de vegetação nativa ou perda de hábitat como uma situação que não é possível minimizar. Na legislação brasileira, a Resolução Conama n. 10/1987 previa a implantação de Estações Ecológicas, preferencialmente próximas às áreas do empreendimento. No entanto, a Lei Federal n. 9.985/2000 prevê que: Nos casos de licenciamento ambiental de empreendimentos de significativo impacto ambiental, assim considerado pelo órgão competente, com fundamento em Estudo de Impacto Ambiental e respectivo – EIA/Rima – o empreendedor é obrigado a apoiar a implantação e manutenção de unidade de conservação do Grupo de Proteção Integral (Brasil, 2000a). De modo geral, a compensação ambiental deve ser proporcional entre o impacto e a compensação exigida, ou no mínimo equivalente. As medidas compensatórias preferencialmente representam a substituição dos componentes afetados e que possam ser implementadas em áreas contíguas à área afetada ou em mesma bacia hidrográfica. 8.4 Prevenção de riscos e atendimento a emergências: plano de monitoramento Neste item do EIA serão apresentados os programas de acompanhamento da evolução dos impactos ambientais positivos e negativos causados pelo empreendimento, considerando‑se as fases de planejamento, de implementação, de operação e de desativação e, quando for o caso, de acidentes. Deverão ser mencionados os parâmetros selecionados para avaliação, a rede de amostragem proposta, os métodos de coleta e análise das amostragens, a periodicidade das amostragens para cada parâmetro, de acordo com os fatores ambientais, e os métodos a serem empregados para o armazenamento e o tratamento dos dados. 93 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL Assim como as medidas mitigadoras e compensatórias, o plano de monitoramento de um projeto de AIA está descrito no plano de gestão do empreendimento. Além disso, alguns impactos incertos e não esperados podem ocorrer de alguma forma durante as operações do empreendimento. Com isso, durante a elaboração do EIA, é possível inserir um estudo de riscos, inclusive no plano de gestão ambiental. Esse estudo pode conter ações para um plano de gerenciamento de riscos e um plano de atendimento a emergências. O plano de gerenciamento de riscos envolve as medidas a serem implantadas em caso de ocorrência de um acidente. Essas medidas e a necessidade de apresentação desses planos são definidas pelo órgão ambiental responsável pelo processo de licenciamento ambiental. Já o plano de atendimento a emergências ambientais (PAE) é exigido em alguns empreendimentos, por exemplo, no Estado de São Paulo, para o transporte rodoviário de produtos perigosos no país, e em particular nas rodovias desse estado (Cetesb, 2019). No quadro a seguir são apresentados alguns programas de monitoramento e gestão ambiental empregados em processos de AIA: Quadro 7 – Programas de monitoramento de gestão ambiental empregados em processo de AIA Plano de Gestão Ambiental das Obras Estabelece diretrizes voltadas aos trabalhos de monitoramento e supervisão ambiental para avaliar a eficácia e acompanhar a aplicação das medidas propostas nos programas ambientais para implantação do empreendimento Programa de Controle de Erosão e Assoreamento Apresenta medidas para minimizar a ocorrência de movimentação de massa e perda de solo e seu carreamento para corpos d’água do entorno do empreendimento Programa de Monitoramento da Qualidade das Águas Superficiais Apresenta medidas para a avaliação periódica da qualidade da água em corpos d’água que possam ser impactos negativamente por um empreendimento (carreamento de sedimentos, lançamento de efluentes e outras substâncias potenciaimente poluidoras) por meio do acompanhamento dos parâmetros associados aos potenciais impactos ambientais Programa de Monitoramento da Qualidade das Águas Subterrâneas Apresenta medidas para a avaliação periódica da ocorrência de contaminação da água subterrânea (por exemplo, infiltração de hidrocarbonetos e efluentes) Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil Sistematiza e define os procedimentos para a gestãodos resíduos das atividades de construção, reforma, reparos e demolições, bem com por aqueles resultantes da remoção de vegetação e escavação de solos Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos Sistematiza e define os procedimentos referentes à geração, segregação, acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e disposição final dos resíduos das atividades operacionais do empreendimento, bem como a eliminação dos riscos, a proteção à saude e ao ambiente Programa de Gerenciamento de Efluentes Apresenta medidas para tratamento e para atendimento aos padrões de lançamento dos efluentes em corpos receptores Programa de Controle e Redução de Emissões Atmosféricas Apresenta ações para acompanhamento sistemático da massa ou concentração de poluentes emitidos pelo empreendimento durante a operação do empreendimento e propõe medidas para redução e/ou compensação de tais emissões 94 Unidade III Programa de Monitoramento de Ruído Avalia junto a receptores potencialmente críticos, os níveis de ruído emitidos pelo empreendimento durante a operação e propõe medidas para redução de tais níveis, se ultrapassados níveis máximos de referência Programa de Monitoramento de Impactos em Edificações devido a Sismos e Vibrações Avalia os níveis de vibrações induzidos pelo empreendimento e os possíveis danos respectivos a edificações lindeiras Programa de Gerenciamento de Áreas Contaminadas Apresenta conjunto de medidas que visem minimizar os riscos a que estão sujeitos a população e o meio ambiente em virtude da existência de áreas contaminadas, através do conhecimento das características dessas áreas e dos impactos por elas causados, bem como as formas de intervenção necessárias Programa de Monitoramento e Conservação da Fauna Silvestre Prevê medidas de salvaguarda da mastofauna, avifauna e herpetofauna locais, através de ações de prevenção, mitigação e compensação de interferência do empreendimento com a fauna silvestre Programa de Monitoramento e Conservação da Ictiofauna Prevê medidas de monitoramento e salvaguarda de ictiofauna, visando sua conservação, através de ações de prevenção, mitigação e compensação de interferência do empreendimento Programa de Supressão da Vegetação Apresenta medidas de prevenção e mitigação de supressão de vegetação necessária para implantação do empreendimento, como delimitação e indicação dos exemplares a serem suprimidos, acompanhamento da atividades de supressão, entre outros Programa de Reflorestamento e Enriquecimento Florestal Apresenta medidas compensatórias e de enriquecimento florestal, sobretudo o que se refere à supressão de vegetação nativa e eventual intererência em Áreas de Preservação Permanente (APP) Programa de Compensação Ambiental Subsidia a decisão da Câmara de Compensação Ambiental (CCA) da Secretaria do Meio Ambiente (SMA), sobre o valor percentual e o destino dos recursos advindos da compensação ambiental pelo empreendimento de acordo com o disposto na Lei n. 9.985/2000, regulamentada pelo Decreto Federal n. 4.340/2002 Plano de Recuperação de Áreas Degradadas Apresenta o conjunto de métodos, instruções e materiais necessários para o retorno do sítio degradado a uma forma de uso do solo, visando à obtenção de uma estabilidade ambiental Programa de Gerenciamento de Riscos Ambientais Define as políticas e as diretrizes de um sistema de gestão, com vista à prevenção de acidentes, em instalações ou atividades potencialmente perigosas Programa de Desativação ou Encerramento Prevê a realização de medidas de recuperação da qualidade ambiental e monitoramento das áreas que serão desativadas ou desacupadas, como aterros, cavas de mineração, canteiro de obras e áreas de empréstimo Programa de Controle de Tráfego Apresenta medidas que minimizem os efeitos adversos da movimentação de veículos na vias do entorno do empreendimento Programa de Gerenciamento e Monitoramento da Área de Disposição de Sedimentos Apresenta medidas para a gestão ambiental do local de disposição do material dragado Programa de Desapropriação e Reassentamento Realiza o cadastro socioeconômico de população afetada e prevê medidas mitigadoras e compensatórias dos desapropriados ou realocados devido à implantação do empreendimento Programa de Treinamento e Capacitação Apresenta medidas de capacitação da mão de obra, prioritariamente local, para ser absorvida na implantação do empreendimento; assim como o treinamento dos trabalhadores sobre a importância do respeito ao meio ambiente, fornecendo subsídios para que realizem suas atividades sempre garantindo a segurança e conforto ambiental das áreas e comunidades afetadas pelas obras Programa de Contratação e Desmobilização de Mão de Obra Apresenta medidas de planejamento da contratação e desmobilização de mão de obra para empreendimentos com impactos sobre a geração de massa salarial 95 DESCARTE DE RESÍDUOS E IMPACTO/SANEAMENTO AMBIENTAL Programa de Comunicação Social Apresenta medidas de comunicação, desde o planejamento até a operação, com a população sobre as características do empreendimento por meio de diferentes formas de divulgação, na mídia local e/ou regional, como panfletos, internet, jornais, ou mesmo através de reuniões previamente agendadas com os diferentes setores interessados. Esse programa pode ter interface com outros programas, divulgando suas ações ambientais e sociais Programa de Prospecção e Resgate Arqueológico O programa prevê prospecções intensivas (aprimoradas a partir do diagnóstico arqueológico realizado) nos compartimentos ambientais de maior potencial da área de influência direta do empreendimento e nos locais que sofrerão impactos indiretos potencialmente lesivos ao patrimônio arqueológico, como áreas de reassentamento de população, expansão urbana ou agrícola e serviços e obras de infraestrutura Programa de Educação Patrimonial Trata‑se de processos educativos na construção coletiva do conhecimento, através do diálogo entre os agentes sociais e pela participação eletiva das comunidades detentoras das referências culturais onde convivem noções de patrimônio cultural diversas Plano de Gestão Ambiental da Operação Estabelece, implementa, mantém e aprimora um sistema de gestão ambiental para a operação do empreendimento Fonte: Cetesb (2019). 8.5 Processos decisórios Após a elaboração do EIA, de acordo com o art. 9º da Resolução Conama n. 1/86, deverá ser apresentado separadamente o Rima, refletindo as conclusões do estudo de maneira clara e concisa. Nesse documento deverão constar as informações técnicas expressas em linguagem acessível ao público, ilustradas por mapas com escalas adequadas, quadros, gráficos e outras técnicas de comunicação visual, de modo que possam entender claramente as possíveis consequências ambientais do projeto e suas alternativas, comparando as vantagens e desvantagens de cada uma delas. O conteúdo do Rima deverá apresentar: • objetivos e justificativas do projeto; • descrição do projeto e suas alternativas tecnológicas e locacionais; • síntese dos resultados dos estudos de diagnóstico; • descrição dos impactos ambientais; • caracterização da qualidade ambiental futura da AI; • descrição dos efeitos esperados das medidas mitigadoras; • programa de acompanhamento e monitoramento; • recomendação quanto à alternativa mais favorável. Tanto o EIA quanto o Rima são documentos que serão submetidos à análise técnica de modo a fundamentar a tomada de decisão sobre a aprovação ou não do projeto. Os analistas podem elaborar uma lista de verificação para atribuição de nota para o estudo a partir de critérios definidos. 96 Unidade III Além da análise dos analistas, o estudo também é submetido à participação pública, de modo que a opinião da sociedade seja levada em consideração na tomada de decisão. Esse processo é desejável em sociedades democráticas que valorizam a opinião pública e ocorre no Brasil, principalmente por meio de audiências públicas em diferentes fases do processo de AIA e com diferentes objetivos.