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ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA 1. Orçamento público Instrumento de gestão utilizado pelos governos para organizar os seus recursos �nanceiros → as despesas só podem ser realizadas se forem previstas ou incorporadas ao orçamento. Refere-se ao planejamento �nanceiro que de�ne como o governo irá utilizar os recursos arrecadados (receitas), como impostos e taxas, para �nanciar as despesas do Estado, em um período especí�co. 1.1. Funções a. Função alocativa: O governo dirige a utilização dos recursos totais da economia criando incentivos para desenvolver certos setores econômicos em relação a outros → classi�cações de despesas para alocar os recursos públicos ➔ Provisão de bens meritórios e públicos; ➔ Desenvolver mais alguns setores que outros. Objetivos: corrigir falhas de mercado quando estes não conseguirem atender de forma e�ciente a demanda; oferecer bens públicos essenciais; fomentar o desenvolvimento econômico e social. b. Função distributiva ou redistributiva: Reduzir as desigualdades socioeconômicas dentro da sociedade, utilizando o orçamento público para transferir recursos de forma a bene�ciar as camadas menos favorecidas, promovendo uma distribuição mais justa de renda e de oportunidades. ➔ Reduzir as desigualdades sociais e inter-regionais; ➔ Melhorar a posição de algumas pessoas. Objetivos: reduzir desigualdades de renda; promover justiça social; criar oportunidades para todos. c. Função estabilizadora: Manter a estabilidade econômica de um país, especialmente em momentos de crise econômica, in�ação, ou recessão. ➔ Intervenção direta na economia; ➔ Estabilizar preços, taxas, demandas… Objetivos: controlar a in�ação, reduzindo gastos e aumentando a arrecadação de impostos; estimular o crescimento econômico em recessões; manter o nível de emprego. 1.2. Técnicas orçamentárias a. Orçamento Clássico ou Tradicional: Controle da legalidade da atuação ( �scalização do poder legislativo sobre o executivo); Centrado no controle das despesas: �xar despesas e prever receitas com ênfase nos gastos (não se questionam objetivos e metas do Governo, nem com os resultados ou impacto social). Critério utilizado para a classi�cação dos gastos: Unidade Administrativa (classi�cação institucional) e elemento de despesa (objeto do gasto), e as projeções eram feitas em função dos orçamentos executados nos anos anteriores, recaindo nas mesmas falhas e na perpetuação dos erros. b. Orçamento de Desempenho/ Funcional: Interesse no que o governo fazia ( ações orçamentárias ) e não só no que comprava ( elemento da despesa ) → foco nos resultados. Ênfase no desempenho organizacional e avaliação dos resultados, em termo de e�cácia (não de efetividade). Possui duas dimensões: o objeto do gasto e um programa de trabalho, contendo as ações desenvolvidas. c. Orçamento de Programa (4.320/1964): Atual e mais moderno orçamento público. Ligado ao planejamento e representa o maior nível de classi�cação das ações governamentais. Integra planejamento e orçamento com objetivos e metas a alcançar. Ênfase nas realizações e na avaliação de resultados, que abrange a e�cácia (alcance das metas) e a efetividade (análise do impacto �nal das ações). Prioriza o planejamento e a execução de programas e projetos especí�cos. Cada programa tem objetivos, metas e indicadores para avaliar os resultados. Possibilita melhor controle da execução dos programas de trabalho, identi�cação dos gastos, das funções, da situação, das soluções, dos objetivos, recursos etc. d. Orçamento Base Zero: Toda despesa é considerada nova, independentemente de tratar-se de despesa continuada oriunda de período passado ou se tratar de uma despesa inédita/nova. Cada despesa precisa ser justi�cada e aprovada anualmente para ser incluída no orçamento. Exige que o administrador justi�que, a cada ano, todas as dotações solicitadas em seu orçamento, incluindo alternativas, análise de custo, �nalidade, medidas de desempenho, e as consequências da não aprovação do orçamento. A ênfase é na e�ciência, e não se preocupa com as classi�cações orçamentárias, mas com o porquê de se realizar determinada despesa. Principais características: foca em objetivos e metas atuais; analisa o custo-benefício dos projetos e atividades; identi�ca e elimina duplicidades; assegura a alocação racional de recursos; fornece subsídio p/ tomada de decisão (apresenta várias opções, vários “pacotes de decisão”); facilita o controle de resultados → é incompatível com qualquer planejamento de médio ou longo prazo. e. Orçamento Participativo: Restringido ao âmbito municipal. A alocação de alguns recursos contidos no Orçamento Público é decidida com a participação direta da população , ou através de grupos organizados da sociedade civil, como a associação de moradores, a qual decide as prioridades de investimentos em obras e serviços a serem realizados, a cada ano, com os recursos do orçamento. f. Orçamento incremental: Método em que o orçamento é baseado no valor gasto no ano anterior , com ajustes incrementais, seja para aumentos ou cortes. É realizado através de ajustes marginais nos seus itens de receita e despesa. A partir dos gastos atuais, propõe um aumento percentual para o ano seguinte, considerando apenas o aumento ou diminuição dos gastos, sem análise de alternativas possíveis 1.3. Princípios orçamentários a. Legalidade: estabelece que o orçamento deve respeitar as limitações legais em relação às receitas e gastos (PPA, LDO e LOA). b. Universalidade: TODAS as receitas e TODAS as despesas do governo devem estar incluídas no orçamento, sem exceções, garantindo que o documento re�ita a totalidade das �nanças públicas → indispensável para o controle parlamentar. c. Unidade: um orçamento para cada ente federativo. O orçamento anual compreenderá obrigatoriamente as despesas e receitas relativas a todos os Poderes, órgãos, fundos, tanto da administração Direta quanto da Indireta (menos as entidades), em um único documento . d. Totalidade: possibilidade de coexistência de múltiplos orçamentos que devem estar consolidados , de forma a permitir uma visão geral do conjunto das �nanças públicas. Refere-se à abrangência do orçamento, assegurando que todos os recursos �nanceiros do Estado sejam incluídos, evitando a existência de orçamentos paralelos. e. Anualidade: o orçamento deve ser elaborado e autorizado para um determinado período de tempo , geralmente um ano. - Exceção: Créditos ESPECIAIS e EXTRAORDINÁRIOS autorizados nos últimos 4 meses do exercício, reabertos nos limites de seus saldos, serão incorporados ao orçamento do exercício subsequente. f. Exclusividade: estabelece que o orçamento deve tratar exclusivamente da previsão de receitas e �xação de despesas , sem incluir assuntos estranhos, mantendo o foco na gestão �nanceira → limita o conteúdo da lei orçamentária. - Exceção: Autorização para abertura de créditos SUPLEMENTARES e contratações de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita. g. Equilíbrio: o orçamento deveser elaborado de forma que as despesas previstas não superem as receitas estimadas , promovendo responsabilidade �scal e sustentabilidade �nanceira. É vedado a realização de operações de crédito que excedam o montante das despesas de capital, ressalvadas as autorizadas mediante créditos SUPLEMENTARES ou ESPECIAIS com �nalidade precisa, aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta. Isto é, o endividamento só pode ser admitido para a realização de investimento ou abatimento da dívida. h. Especialização/ discriminação: cada despesa deve ser detalhada e especi�cada no orçamento, evitando o uso de classi�cações genéricas e garantindo maior controle e transparência sobre os gastos públicos, de forma a que se possa saber a origem dos recursos e sua aplicação. - Exceção: os Programas Especiais de Trabalho que, por sua natureza, não possam cumprir-se subordinadamente às normas gerais de execução da despesa poderão ser custeadas por dotações GLOBAIS, classi�cadas como Despesas de Capital. i. Orçamento bruto: todas as receitas e despesas devem constar no orçamento em seus valores totais , sem deduções, para dar uma visão completa das operações �nanceiras j. Não vinculação do produto dos impostos: impede a vinculação de receitas especí�cas a certas despesas, órgãos ou fundos. - Exceções previstas na Constituição: destinação dos impostos para ensino e saúde; manutenção das atividades da Adm. Tributária; prestação de Garantias às operações de crédito por antecipação de receita; prestações de garantia e contragarantia à União, pelos Estados e Municípios; pagamento de débitos com a União, pelos Estados e Municípios; destinação das receitas aos fundos constitucionais. k. Tesouraria: determina que os recursos �nanceiros do governo devem ser centralizados em uma única conta, facilitando o controle e a gestão e�ciente dos fundos públicos. As disponibilidades de caixa da União serão depositadas no Banco Central; as dos Estados, DF e Municípios e dos órgãos e entidades do Poder Público e das Empresas por ele controladas, serão depositadas em instituições �nanceiras o�ciais, salvo os casos previstos em lei. 1.4. Ciclos orçamentários Período de tempo em que o Poder Público elabora, aprova, executa, controla e avalia os programas do setor público. Trata-se de um processo estruturado, dividido em etapas que organizam como os recursos públicos serão planejados, alocados, executados e controlados. A iniciativa de elaboração é privativa do PODER EXECUTIVO , seja na União, nos Estados ou nos Municípios. Essa atribuição é privativa do Presidente da República , sendo ela indelegável (Art.84, CF/88). Apesar do Poder Executivo ser o responsável em enviar a proposta orçamentária ao Poder Legislativo, cada poder (Legislativo, Judiciário e Ministério Público) possui sua autonomia para criar a sua própria proposta, os quais a enviam ao Poder Executivo, que a consolida e a encaminha ao Legislativo. ETAPAS a. Elaboração da proposta: o Poder Executivo estima receitas e �xa despesas , apresentando dados de forma padronizada. Artigo 165, CF/88 : Estabelece as três leis orçamentárias (Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei Orçamentária Anual) e de�ne as competências de cada uma delas. b. Apreciação legislativa: o Poder Legislativo (senadores e deputados) recebe os projetos de lei, discute, emenda e aprova. Essa aprovação se dá por maioria simples . Durante a fase de discussão, o projeto de Lei Orçamentária pode ser alterado pelos congressistas na Comissão Mista, por meio das chamadas Emendas Parlamentares. c. Execução orçamentária: esta fase consiste na arrecadação de receitas e realização de despesas, ou seja, o Poder Público executa o que foi planejado e aprovado. Orçamentária Financeira Utilização das dotações dos créditos designados na Lei Orçamentária Anual (LOA). Execução do recurso �nanceiro propriamente dito, de modo a subsidiar a realização dos projetos e atividades programadas. d. Monitoramento e avaliação 1 : consiste na veri�cação do cumprimento das ações a serem realizadas durante a execução do orçamento. O acompanhamento dos programas implementados permite avaliar os resultados e fazer ajustes. Artigo 166, CF/88 : Trata do processo legislativo para a aprovação do orçamento, incluindo os procedimentos para emendas e discussões nas comissões de orçamento. e. Fiscalização: o Poder Legislativo �scaliza o que foi realizado ao longo do ano. O Tribunal de Contas detém a competência de apreciar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República, mediante um parecer prévio. Sendo de responsabilidade do Congresso Nacional o julgamento anual dessas contas, de modo a constatar se o chefe do executivo agiu com responsabilidade durante a execução do orçamento aprovado. Artigo 70, CF/88 : A �scalização contábil, �nanceira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo (exercido por uma entidade ou órgão independente, fora da estrutura administrativa do órgão �scalizado, com auxílio do TC), e pelo sistema de controle interno (dentro do próprio órgão ou entidade pública) de cada Poder. Artigos 71-75, CF/88 . 1 A e�cácia trata do atingimento das metas em relação ao que foi traçado. A e�ciência é a relação entre os recursos utilizados e as metas alcançadas em relação ao que foi estabelecido. A efetividade permite identi�car os efeitos produzidos no mundo externo em decorrência dos programas implementados. ➔ A Controladoria-Geral da União, órgão central do sistema de controle interno do Poder Executivo federal, é responsável pela �scalização da aplicação de recursos públicos federais repassados, por meio de convênios, aos municípios. 2. Orçamento público no Brasil 2.1. Plano Plurianual (PPA) Instrumento de planejamento governamental que de�ne as prioridades, metas e objetivos do governo para um período de quatro anos . Ou seja, �xa, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas do Governo para as despesas da capital, as despesas correntes derivadas das despesas de capital e os programas de duração continuada. Se inicia no segundo ano de mandato de um presidente e se prolonga até o �nal do primeiro ano do mandato de seu sucessor. O Projeto de Lei do PPA é encaminhado à Câmara Legislativa no dia 15 de setembro do 1º ano de mandato do Governador e tem vigência até o 1º ano de mandato do próximo governo (o último foi de 2024 a 2027). ➔ No DF, o PPA será elaborado com vistas ao desenvolvimento econômico e social, podendo ser revisto ou modi�cado quando necessário, mediante lei especí�ca. ➔ Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício �nanceiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no PPA ou sem lei que autoriza a inclusão, sob pena de crime de responsabilidade.Artigo 165, § 1º - A lei que instituir o plano plurianual estabelecerá, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada. 2.2. Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) Vínculo entre o PPA e a LOA. Estabelece as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício �nanceiro do ano seguinte, ajudando a organizar a aplicação dos recursos públicos de acordo com as diretrizes políticas e econômicas → �xa a despesa pública autorizada para um exercício �nanceiro . Serve como orientação para a elaboração da LOA, pois �xa parâmetros e limites que deverão ser seguidos no orçamento anual, garantindo que a LOA esteja alinhada com as metas �scais estabelecidas. Art. 165, § 2º/CF - A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da administração pública federal, estabelecerá as diretrizes de política �scal e respectivas metas, em consonância com trajetória sustentável da dívida pública, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências �nanceiras o�ciais de fomento. Art. 166, § 4º/CF - As emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias não poderão ser aprovadas quando incompatíveis com o plano plurianual. ➔ A LDO também deve conter: anexo de riscos �scais (conterá a avaliação e as providências necessárias em relação aos passivos contingentes e a outros riscos capazes de afetar as contas públicas) e anexo metas �scais (estoque de dívida, resultado primário requerido, projeção de receitas, projeção de despesas obrigatórias, despesas discricionárias, projeção de juros e resultado nominal). 2.3. Lei de Orçamento Anual (LOA) = Orçamento Público Estima as receitas e �xa as despesas para um período de 1 ano → detalha todos os gastos e receitas previstos para o ano seguinte. Especi�ca de onde o governo espera arrecadar recursos (receitas) e onde ele planeja aplicá-los (despesas). Isso inclui gastos com saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, entre outros. Deve seguir as diretrizes estabelecidas pela LDO, visando manter o equilíbrio entre as receitas e despesas → a arrecadação esperada deve cobrir os gastos planejados, evitando dé�cits. DIVISÃO EM ORÇAMENTOS ESPECÍFICOS Orçamento Fiscal: as despesas e receitas dos órgãos públicos que fazem parte dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). Orçamento da Seguridade Social: despesas com saúde, previdência social e assistência social, garantindo direitos fundamentais da população. Orçamento de Investimento das Estatais: refere-se às empresas públicas que recebem recursos do governo e inclui investimentos voltados para a expansão e melhoria de serviços. Art. 165, § 5º - A lei orçamentária anual, compatível com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias, compreenderá: I - o orçamento �scal (OF) referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; II - o orçamento de investimento das empresas (OI) em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; III - o orçamento da seguridade social (OSS) , abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público. § 8º - A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à �xação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei. PRAZOS NO ÂMBITO FEDERAL ➔ Estes prazos não são determinantes para os Estados e Municípios, pois cada ente federativo possui autonomia para determinar os seus próprios prazos. Envío ao Congresso Devolução para sanção PPA Até quatro meses antes do encerramento do primeiro exercício �nanceiro. (31/08 - do primeiro ano do mandato do presidente). Até o encerramento da sessão legislativa (22/12). LDO Até oito meses e meio antes do encerramento do Até o encerramento do da sessão legislativa exercício �nanceiro. (15/04 - anualmente) (17/07). LOA Até quatro meses antes do encerramento do exercício �nanceiro (31/08 - anualmente). Até o encerramento da sessão legislativa (22/12). 2.4. Estrutura Programática É a classi�cação básica do orçamento-programa. Tem como �nalidade demonstrar as realizações do governo e o resultado pretendido. Programa: organiza as ações do governo para alcançar objetivos especí�cos. Cada programa é alinhado a políticas públicas e contém metas que devem ser cumpridas ao longo do tempo (ex.: “Saúde da Família”, “Bolsa Família” e “Segurança Pública”). ➔ Compõe-se de 04 algarismos, contém objetivo de�nido, mensurado por indicadores no plano plurianual. Ações: atividades ou projetos especí�cos que o governo executa para alcançar os objetivos do programa. A ação pode ser uma obra, a compra de equipamentos, a contratação de serviços, etc. ● Projeto: ações temporárias com início e �m (ex.: construção de uma estrada ou escola) → resulta na expansão ou aperfeiçoamento da ação do governo limitadas no tempo. ● Atividade: ações contínuas e permanentes que envolvem manutenção ou custeio (ex.: pagamento de salários). ● Operação especial: atividades que não resultam diretamente em um bem ou serviço (ex.: pagamento de dívidas) → não contribuem para a manutenção das ações do governo. ➔ A codi�cação das ações é composta de 4 algarismos cujos códigos iniciais são: para projeto 1, 3, 5; atividade 2, 4, 6 ou 8; operações especiais e a reserva de contingência 9. Subtítulo: os projetos, atividades e operações especiais são desdobrados em subtítulos, para especi�car a localização geográ�ca (física) integral ou parcial da ação desenvolvida, sem alteração da �nalidade e das metas estabelecidas na ação. O código conterá 4 (quatro) algarismos com apenas 01 (um) produto/meta, que deverá ser o da ação a qual está vinculada. 2.5. Créditos Ordinários E Adicionais Créditos ordinários: são aqueles previstos originalmente na LOA (fazem parte do orçamento aprovado antes do início do exercício �nanceiro). Esses créditos cobrem as despesas correntes e de capital que já foram planejadas para o ano, sem necessidade de autorização adicional. No entanto, durante a execução do orçamento, é possível que ocorram situações não previstas em sua elaboração, o que permite a utilização de créditos adicionais. Créditos adicionais: suplementam o orçamento ordinário, sendo autorizados por leis especí�cas ao longo do ano. Servem para ajustar o orçamento diante de novas necessidades ou insu�ciências, garantindo que os órgãos públicospossam continuar a execução de suas atividades → alterações no orçamento para atender despesas não previstas ou insu�cientemente previstas Crédito suplementar Alteração quantitativa. Reforça uma dotação existente no orçamento original. É usado quando os recursos previstos para uma ação ou projeto se mostram insu�cientes. Autorizado por lei e aberto mediante decreto. Crédito especial Alteração qualitativa. Destina-se a despesas que não estavam previstas no orçamento original. Ele cria uma nova dotação que não existia na LOA. Autorizado por lei e aberto mediante decreto. Crédito extraordinário Utilizado para cobrir despesas urgentes e imprevisíveis, como em casos de guerra, calamidade pública ou emergência. Aberto mediante medida provisória. 3. Programação e execução orçamentária e �nanceira Programação orçamentária e �nanceira: processo de planejamento da utilização dos recursos, que ocorre após a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA). Nessa fase, o governo organiza e distribui os recursos de maneira a garantir que as despesas sejam realizadas conforme o cronograma de arrecadação e a necessidade dos serviços públicos. ➔ Deve ser feita em até 30 dias após a aprovação da LOA. Execução orçamentária e �nanceira: etapa onde as ações planejadas na programação são realizadas. Ela abrange todos os processos necessários para que os recursos previstos no orçamento sejam aplicados na prestação de serviços públicos e na implementação de políticas. A execução se dá por meio de etapas especí�cas: ● Empenho: É o primeiro passo da execução. O empenho é o comprometimento do governo com a realização de uma despesa, ou seja, uma espécie de "reserva" do recurso. Ele ocorre quando um serviço é contratado ou uma compra é feita → compromete o crédito. ● Liquidação: Nessa fase, veri�ca-se se a despesa foi efetivamente realizada. A liquidação comprova que o bem ou serviço foi entregue, ou que o direito do credor foi atendido, e é o passo necessário antes de realizar o pagamento → recebe o bem ou serviço. ● Pagamento: O pagamento é a última etapa da execução. Após a liquidação, o governo faz o pagamento ao credor, efetivando a saída dos recursos → �nanceiro. 3.1. Descentralização Orçamentária E Financeira Uma vez arrecadada a receita na execução orçamentária e �nanceira, ocorre a �xação da despesa, ou seja, a liberação de crédito → ocorre ainda na etapa de planejamento. Quando a LOA é aprovada, a Secretaria Orçamentária e Financeira - SOF libera o crédito ( dotação ) aos órgãos, os quais podem movimentar os créditos de maneira interna ( provisão ) ou externa ( destaque ). Quando a despesa é empenhada (comprometimento do crédito) e liquidada (recebida), a Secretaria do Tesouro Nacional - STN faz a transferência do recurso ( cota ) aos órgãos, que ao receber o recurso poderá repassar a outro ministério (externo) ou dentro do mesmo ministério ( sub-repasse ). ● Dotação: movimentação de crédito da Secretária Orçamentária e Financeira para os Ministérios. ● Destaque: movimentação de crédito externo → de um órgão para outro. ● Provisão: movimentação de crédito interno → dentro do mesmo órgão. ➔ Apesar da movimentação dos créditos orçamentários, são mantidas as classi�cações institucional, funcional, programática e econômica. Orçamentária Financeira Execução do crédito (orçamento) liberado para os órgãos públicos executarem a despesa orçamentária. Execução do recurso (pagamento das despesas) liberado do órgão central para as unidades gestoras. 3.2. Acompanhamento Da Execução Conforme a LRF, até 30 dias após a publicação da LOA, o Poder Executivo, junto com os demais poderes, o Ministério Público da União e a Defensoria Pública da União, estabelecerá a programação �nanceira e publicará o cronograma de execução mensal de desembolso (art. 8°, caput), onde deve constar os recursos orçamentários da LOA, os créditos adicionais, os restos a pagar e as restituições de receitas. Metas bimestrais de arrecadação: o Poder Executivo também publicará o relatório resumido de execução orçamentária em até 30 dias após o encerramento de cada bimestre. 4. Receita pública Montante total em recursos recolhidos pelo Tesouro Nacional e que serão incorporados ao patrimônio do Estado. Essas receitas servem para custear as despesas públicas e as necessidades de investimentos públicos. Ingressos Extraorçamentários Ingressos Orçamentários Entradas compensatórias. São recursos �nanceiros de caráter temporário e não integram a LOA. Não são receitas públicas. Ex.: depósitos em caução, �anças, inscrição em restos a pagar 2 , operações de crédito por Antecipação de Receita Orçamentária (ARO), emissão de moeda… Recurso �nanceiro disponível ao erário. Integram o patrimônio do Poder Público, aumentam-lhe o saldo �nanceiro. Estão previstos na LOA. São receitas públicas. ➔ O tributo é a principal fonte de receitas e compreende impostos, taxas, contribuições de melhoria, empréstimos compulsórios e contribuições especiais. A. Classi�cação segundo a CATEGORIA ECONÔMICA Receitas correntes (primárias): são arrecadadas dentro do exercício, ou seja, de 1º de janeiro a 31 de dezembro, e aumentam as disponibilidades �nanceiras do Estado. Receitas de capital (�nanceiras): aumentam as disponibilidades �nanceiras do Estado, porém, não provocam efeito sobre o patrimônio líquido, uma vez que geram sempre uma contrapartida (ex.: empréstimo internacional). 2 A inscrição de Restos a Pagar do Exercício será computada na Receita Extraorçamentária para COMPENSAR sua inclusão na despesa ORÇAMENTÁRIA do exercício. Exemplos: Impostos, Taxas e Contribuições: Obrigações compulsórias (ex.: Imposto de Renda). Receitas Patrimoniais: Provenientes de bens públicos (ex.: aluguel de imóveis públicos). Receitas de Transferências: Recursos recebidos de outros entes federativos (ex.: Fundo de Participação dos Municípios). B. Classi�cação segundo a FONTE DE RECURSO Receitas derivadas: derivam do poder de polícia do Estado em tributar a população (receita tributária - impostos, taxas e contribuições de melhoria). São obtidas pelo poder público por meio da soberania estatal, ou seja, o Estado é investido de autoridade para determinar que os cidadãos e empresas destinem parte de sua renda para o �nanciamento das atividades governamentais. Receitas originárias: decorrem do patrimônio do estado e são originadas da cobrança de serviços prestados pelo Estado, decorrentes da exploração de atividades econômicas pela Adm. Pública. C. Outras classi�cações Receitas primárias (ou receitas não �nanceiras): provenientes da arrecadação tributária com impostos, taxas e contribuições de melhoria, que compõem a chamada “carga tributária”. Além disso, o governo consegue auferir receita por meio do seu patrimônio, as chamadas receitas patrimoniais, agropecuárias, industriais, serviços, entre outras. Receitas �nanceiras: oriundas de operações de crédito (empréstimos), alienação de ativos, etc., que não provoquem alterações patrimoniais (o ente público nãotem ganhos efetivos em seu patrimônio). Uma vez que ocorre apenas uma permutação entre contas, essas receitas não entram na apuração do resultado primário. Criam uma obrigação de pagamento futuro e/ou extinguem um direito de natureza �nanceira. Esses recursos têm caráter �nanceiro e são contabilizados como receita �nanceira. 4.1. Classi�cação Segundo A Natureza Este tipo de classi�cação é utilizada por todos os entes da Federação e visa identi�car a origem do recurso segundo o fato gerador: acontecimento real que ocasionou o ingresso da receita nos cofres públicos. A classi�cação da receita pública por natureza é formada por um código de 8 dígitos, chamado de código de natureza da receita. DÍGITO SIGNIFICADO 1º Categoria Econômica 2º Origem 3º Espécie 4º a 7º Desdobramento para identi�cação de peculiaridades da receita 8º Tipo CATEGORIA ECONÔMICA: Receitas Correntes (código 1) e Receitas de Capital (código 2). ● Receitas intraorçamentárias: dígitos 7 e 8. Realizadas entre órgãos e demais entidades da Administração Pública integrantes dos ORÇAMENTOS FISCAL e da SEGURIDADE SOCIAL do MESMO ENTE federativo. Ex.: imagine que a União recebeu R$ 800 milhões em tributos federais e resolveu remanejar R$ 100 milhões para alguns órgãos. Dessa maneira a receita que deve ser contabilizada são os R$ 800 mi. Aqueles órgãos que estiverem recebendo a transferência de R$ 100 mi não poderão contabilizar este valor como receita corrente ou de capital. Caso contrário, estariam contabilizando em dobro um mesmo valor. Seria como se União estivesse recebendo R$ 900 mi, e não os R$ 800 mi. Dessa maneira, ingressos intraorçamentários não representam novas entradas de recursos, mas apenas remanejamento de receitas entre seus órgãos. ORIGEM: é o detalhamento das categorias econômicas Receitas Correntes e Receitas de Capital, com vistas a identi�car a PROCEDÊNCIA das receitas no momento em que ingressam nos cofres públicos. Algumas arrecadações dependem da existência de um fator gerador inicial a partir do qual, por decurso de prazo sem pagamento, originam-se outros: primeiro (principal); segundo (juros e multa de mora); terceiro (inscrição em dívida ativa) e quarto (juros e multa sobre dívida ativa). ESPÉCIE: nível de classi�cação VINCULADO À ORIGEM, permite quali�car com maior detalhe o fato gerador das receitas. TIPO: identi�car o tipo de arrecadação a que se refere aquela natureza. ● “0”, quando se tratar de natureza de receita não valorizável ou agregadora; ● “1”, quando se tratar da arrecadação Principal da receita; ● “2”, quando se tratar de Multas e Juros de Mora da respectiva receita; ● “3”, quando se tratar de Dívida Ativa da respectiva receita; e ● “4”, quando se tratar de Multas e Juros de Mora da Dívida Ativa da respectiva receita. 4.2. Etapas E Estágios ➔ Nem todos os estágios da receita estarão presentes para todas as receitas públicas. ➔ São dependentes da ordem de ocorrência dos fenômenos econômicos. PREVISÃO: estimativa de arrecadação da receita constante na LOA (arrecadada no exercício seguinte). Devem considerar os efeitos das alterações na legislação; a variação do índice de preços, do crescimento econômico ou de qualquer outro fator relevante; e serão acompanhadas de demonstrativos de sua evolução nos últimos 3 anos, da projeção para os dois anos seguintes àquele a que se referirem e da metodologia de cálculo e premissas utilizadas. Objetivo: garantir equilíbrio entre receitas e despesas, baseando-se em dados econômicos e históricos. LANÇAMENTO: procedimento administrativo que identi�ca o contribuinte, a base do cálculo e o valor devido dos tributos → veri�car a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo, identi�car o sujeito passivo (pessoa devedora) e propor aplicação da penalidade cabível (ex.: IPTU). Nem todas as receitas passam por essa etapa → aplicável em receitas tributárias. ● Lançamento por declaração (misto): declaração do sujeito passivo à autoridade administrativa → o contribuinte informa ao agente cobrador e este calcula o valor do tributo e realiza o lançamento da receita (ex.: transmissão causa mortis e doação, imposto de importação); ● Lançamento por homologação (autolançamento): o sujeito passivo antecipa o pagamento sem qualquer prévio exame da autoridade administrativa. Posteriormente, a autoridade �scalizará o pagamento e o homologará (ex.: imposto de renda). ● Lançamento direto (de ofício): ocorre em relação aos tributos sobre os quais o poder público já possui todas as informações necessárias (em bancos de dados), bastando à autoridade administrativa consultá-las para obtenção dos valores e demais condições necessárias ao lançamento (ex.: IPTU e IPVA). Ocorre independentemente da declaração do sujeito passivo. ARRECADAÇÃO: entrega dos recursos devidos ao Tesouro, realizado pelos contribuintes ou devedores aos agentes arrecadadores ou bancos autorizados. Ocorre somente 1 vez, vindo em seguida o recolhimento (ex.: guia de recolhimento da União - GRU). RECOLHIMENTO: consiste na transferência dos valores arrecadados à conta especí�ca do Tesouro. Esse recolhimento é realizado pelo agente arrecadador e deve proceder-se em observância ao princípio da unidade de tesouraria. Superávit Orçamentário Dé�cit Orçamentário Ocorre quando as receitas públicas previstas e arrecadadas são maiores do que as despesas públicas executadas em um determinado período. Ocorre quando as despesas públicas executadas são maiores do que as receitas previstas e arrecadadas no mesmo período. Pode indicar a necessidade de maior controle dos gastos ou Representa uma sobra de recursos, que pode ser utilizada para investimentos futuros, amortização de dívidas ou formação de reservas �nanceiras. Um superávit indica maior capacidade de planejamento e execução das políticas públicas sem endividamento. aumento de receitas. Frequentemente leva ao endividamento público para cobrir o dé�cit. Um dé�cit pode ser tolerável em curto prazo para �nanciar investimentos estratégicos, mas pode se tornar um problema estrutural se recorrente. 5. Despesa pública As despesas públicas, �xadas na LOA, representam os gastos autorizados para o governo nas diversas atividades e programas que compõem o orçamento público. Nesse conjunto estão as despesas com pessoal, educação, saúde, transporte, segurança, etc. O orçamento, mais do que de�nir os valores das despesas, aponta o que, onde e em que quantidade o cidadão e a sociedade receberão de bens e serviços oferecidos pelo Estado em retribuição aos tributos pagos. 5.1. Tipos De Despesa Despesas Correntes Gastos de manutenção e funcionamento dos serviços públicos em geral que não contribuem, diretamente, para a formação ou aquisição de um bem de capital. Despesas de Capital Despesas que contribuirão para a produção ou geração de novos bens ou serviços e integrarão o patrimônio público. Contribuem, diretamente,para a formação ou aquisição de um bem de capital. Despesas Discricionárias Livre para ser usado nas demais ações governamentais, a critério do governador. São realizadas a partir da disponibilidade de recursos orçamentários. Despesas Obrigatórias Valor com destino de�nido por lei. São aquelas cuja execução o ente público não tem a discricionariedade para suspender (quase 90% da receita). Despesas Primárias Gastos realizados pelo governo para prover bens e serviços públicos à população, tais como saúde, educação, construção de rodovias, além de gastos necessários para a manutenção da estrutura do Estado (manutenção da máquina pública). Despesas Financeiras Resultantes do pagamento de uma dívida do governo ou da concessão de um empréstimo tomado pelo governo em favor de outra instituição ou pessoa. Logo, as despesas �nanceiras extinguem uma obrigação ou criam um direito, ambos de natureza �nanceira. 5.2. Classi�cação segundo A Natureza 3 3 Para outras classi�cações: https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/2209/1/Or%C3%A7ament o%20P%C3%BAblico%20Conceitos%20B%C3%A1sicos%20-%20M%C3% B3dulo%20%20%284%29.pdf É a forma de organizar as despesas públicas em categorias que expliquem sua origem, �nalidade e tipo. Esse tipo de classi�cação, tem por �nalidade possibilitar a obtenção de informações macroeconômicas sobre os efeitos dos gastos do setor público na economia e compõe-se de: CATEGORIA ECONÔMICA: 1º dígito. Despesas correntes e de capital → Qual o efeito econômico da realização da despesa? Propicia elementos para a avaliação do efeito econômico das transações do setor público e ênfase no efeito dos gastos sobre a economia → representa a �nalidade econômica da despesa. GRUPO DE NATUREZA DA DESPESA: 2º dígito. Subdivide a categoria econômica em: ● Para despesas correntes : despesas de custeio (manutenção das atividades do dia a dia) e transferências correntes (repasses sem contrapartida, como aposentadorias e benefícios sociais). ● Para despesas de capital : investimentos (construção, aquisição de bens ou serviços para gerar acréscimo patrimonial), inversões �nanceiras (aquisição de imóveis ou participações acionárias) e amortização da dívida (pagamento da dívida pública). MODALIDADE DE APLICAÇÃO: 3º e 4º dígito. Agregação de elementos de despesa → Como serão aplicados os recursos e quem executará a despesa? Indica se os recursos serão aplicados diretamente pela unidade detentora do crédito orçamentário ou transferidos, ainda que na forma de descentralização, a outras esferas de governo, órgãos ou entidades. ELEMENTO DA DESPESA: 5º e 6º dígito. Objetos de gasto → O que será adquirido? Não consta na LOA e são utilizados apenas na execução do orçamento e como informação complementar na elaboração do mesmo. 5.3. Etapas E Estágios 1. Fixação: inclusão das despesas no orçamento público por meio da LOA. 2. Execução: estágios pelos quais passam a execução das despesas. EMPENHO: 1º estágio da execução. Se caracteriza pelo ato emanado de autoridade competente que compromete parcela de dotação orçamentária disponível. Consiste na reserva de uma parte do orçamento para garantir que o valor necessário à realização da despesa estará disponível → gera obrigação jurídica do ente público para com o fornecedor. Art. 58. Lei nº 4.320/1964: O empenho de despesa é o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de pagamento pendente ou não de implemento de condição. LIQUIDAÇÃO: 2º estágio da execução. consiste na veri�cação objetiva do cumprimento contratual, de onde nasce o direito adquirido pelo credor, tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito. Nesta etapa são realizados os atos de conferência do objeto contratado, que pode ser serviços prestados ou bens fornecidos ou entregues → Veri�cação de que a despesa foi efetivamente realizada conforme contratado ou previsto. Art. 63. Lei nº 4.320/1964: A liquidação da despesa consiste na veri�cação do direito adquirido pelo credor tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito. § 1° Essa veri�cação tem por �m apurar: I - a origem e o objeto do que se deve pagar; II - a importância exata a pagar; III - a quem se deve pagar a importância, para extinguir a obrigação. § 2º A liquidação da despesa por fornecimentos feitos ou serviços prestados terá por base: I - o contrato, ajuste ou acôrdo respectivo; II - a nota de empenho; III - os comprovantes da entrega do material ou da prestação efetiva do serviço. PAGAMENTO: transferência do valor devido ao credor, encerrando a obrigação �nanceira do ente público. Art. 64. Lei nº 4.320/1964: A ordem de pagamento é o despacho exarado por autoridade competente, determinando que a despesa seja paga. Parágrafo único. A ordem de pagamento só poderá ser exarada em documentos processados pelos serviços de contabilidade. 5.4. Restos a Pagar São despesas empenhadas (comprometidas no orçamento) mas não pagas até o �nal do exercício �nanceiro, sendo transferidas para pagamento no exercício seguinte. Tem por �nalidade garantir que despesas autorizadas no orçamento continuem válidas no exercício seguinte, respeitando a vinculação com o orçamento anterior. Processados Não Processados Refere-se às despesas que já foram liquidadas. Isso signi�ca que o governo con�rmou a entrega do bem ou a prestação do serviço, mas o pagamento não foi efetuado até 31 de dezembro. Refere-se às despesas que foram empenhadas, mas ainda não liquidadas. Isso signi�ca que o serviço ainda não foi prestado ou o bem não foi entregue até o �nal do exercício. ➔ Apenas despesas que foram empenhadas até 31 de dezembro podem ser inscritas como restos a pagar. ➔ Caso os restos a pagar não sejam liquidados no exercício seguinte e percam sua utilidade, podem ser cancelados. ➔ A Lei de Responsabilidade Fiscal (LC nº 101/2000) exige que haja disponibilidade �nanceira para o pagamento de restos a pagar ao �nal do mandato de um gestor público, evitando "heranças �nanceiras" negativas. Art. 42. LC nº 101/2000: É vedado ao titular de Poder ou órgão referido no art. 20, nos últimos dois quadrimestres do seu mandato, contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja su�ciente disponibilidade de caixa para este efeito. Parágrafo único. Na determinação da disponibilidade de caixa serão considerados os encargos e despesas compromissadas a pagar até o �nal do exercício. 5.5. Despesas de Exercícios Anteriores As Despesas de Exercícios Anteriores referem-se às dívidas reconhecidas para as quais não existe empenho inscrito em Restos a Pagar, seja pela sua anulação ou pela não emissão da nota de empenho no momento oportuno. As DEA são gastos que deveriam ter sido pagos em exercícios �nanceiros anteriores, mas por algum motivo não foram registrados ou pagos a tempo, e por isso precisam ser reconhecidos e pagos no exercícioatual → só podem ser pagas quando forem devidamente reconhecidas e comprovadas. A. DIFERENÇAS ENTRE DEA E RESTOS A PAGAR Aspecto DEA Restos a pagar Origem Não foram empenhadas ou inscritas no Despesas empenhadas, mas não pagas a tempo exercício correto. Execução Pagas com recursos do orçamento atual. Pagas com recursos vinculados ao orçamento anterior. Registro Não têm vinculação com restos a pagar. São obrigatoriamente registradas como restos a pagar. Art. 37. Lei nº 4.320/1964: As despesas de exercícios encerrados, para as quais o orçamento respectivo consignava crédito próprio, com saldo su�ciente para atendê-las, que não se tenham processado na época própria, bem como os Restos a Pagar com prescrição interrompida e os compromissos reconhecidos após o encerramento do exercício correspondente poderão ser pagos à conta de dotação especí�ca consignada no orçamento, discriminada por elementos, obedecida, sempre que possível, a ordem cronológica. 6. Lei de responsabilidade �scal (LC, nº 101/2000) A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), instituída pela Lei Complementar nº 101/2000, é um marco legal que estabelece normas para a responsabilidade na gestão �scal, orientada por planejamento, controle, transparência e equilíbrio �scal → prevenção de riscos e correção de desvios capazes de afetar o equilíbrio (entre receitas e despesas) das contas públicas. PLANEJAMENTO TRANSPARÊNCIA CONTROLE RESPONSABILIDADE Objetivos: assegurar o equilíbrio das contas públicas, promovendo maior transparência, controle e e�ciência no uso dos recursos públicos e garantir que os entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) administrem suas receitas e despesas de forma responsável, evitando dívidas excessivas e promovendo a sustentabilidade �scal. Esta lei reforça o princípio de anualidade ao estabelecer que as obrigações assumidas no exercício sejam compatíveis com os recursos �nanceiros obtidos no mesmo exercício. A. ASPECTOS FUNDAMENTAIS 1. Limites de gastos: de�ne limites máximos para despesas com o pessoal (os salários e encargos devem respeitar o percentual da Receita Corrente Líquida - RCL) → União até 50% da RCL e Estados e Municípios até 60% da RCL.; e para a dívida pública (limites para o endividamento). ➔ Não serão computadas as despesas de indenização por demissão de servidores ou empregados; relativas a incentivos à demissão voluntária; etc. 2. Endividamento e responsabilidade: proíbe que o governo contraia dívida para pagar despesas correntes (salários, aluguéis, etc.), salvo em situações excepcionais aprovadas pelo Legislativo e exige que novas dívidas sejam compatíveis com a capacidade de pagamento do ente público. 3. Controle de restos a pagar: obriga que gestores mantenham recursos su�cientes para quitar despesas empenhadas no exercício �nanceiro, evitando que sejam transferidas dívidas excessivas para o mandato seguinte. 4. Ajustes �scais: Quando um ente ultrapassa os limites de despesa com pessoal ou endividamento, a LRF impõe medidas corretivas, como redução de cargos e funções e suspensão de reajustes salariais. Art. 9º - Se veri�cado, ao �nal de um bimestre, que a realização da receita poderá não comportar o cumprimento das metas de resultado primário ou nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais, os Poderes e o Ministério Público promoverão, por ato próprio e nos montantes necessários, nos trinta dias subseqüentes, limitação de empenho e movimentação �nanceira, segundo os critérios �xados pela LDO. § 1º No caso de restabelecimento da receita prevista, ainda que parcial, a recomposição das dotações cujos empenhos foram limitados dar-se-á de forma proporcional às reduções efetivadas. § 2º Não serão objeto de limitação as despesas que constituam obrigações constitucionais e legais do ente, inclusive aquelas destinadas ao pagamento do serviço da dívida, e as ressalvadas pela LDO. 5. Transparência e prestação de contas: obriga os entes públicos a divulgar relatórios periódicos, como o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO), apresentado bimestralmente, e o Relatório de Gestão Fiscal (RGF), publicado ao �nal de cada quadrimestre. 6.1. Planejamento Integração entre o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA), que deverá ser compatível com o PPA e com a LDO. Determina que o PPA, a LDO e a LOA devem incluir metas �scais e uma análise detalhada sobre riscos �scais que possam afetar as contas públicas. A LDO deve conter o Anexo de Metas Fiscais , que detalha: ● Metas anuais de resultado primário e nominal, relativas às receitas e despesas. ● Avaliação da situação �nanceira e patrimonial do ente público. ● Comparativo entre metas �xadas e resultados obtidos nos 3 anos anteriores. A LDO também deve conter o Anexo de Riscos Fiscais , que: ● Identi�ca possíveis passivos contingentes (obrigações potenciais) que possam impactar as contas públicas. ● Aponta medidas para mitigar esses riscos. Exige a ampla divulgação desses instrumentos para permitir o controle social e a �scalização por parte dos cidadãos e órgãos competentes. 6.2. Limites de despesa com pessoal O art. 20 detalha como os limites de gastos com pessoal devem ser repartidos entre os Poderes e órgãos públicos de cada ente federativo, considerando os limites globais de�nidos pelo art.19 (limite de gastos). UNIÃO 50% distribuído entre ESTADOS 60% distribuído entre MUNICÍPIO 60% distribuído entre Executivo Pode gastar até 40,9% da RCL Pode gastar até 49% da RCL. Pode gastar até 54% da RCL Legislativo (incluindo TCU e TCE) Pode gastar até 2,5% da RCL. Pode gastar até 3% da RCL. Pode gastar até 6% da RCL. Judiciário Pode gastar até 6% da RCL. Pode gastar até 6% da RCL. Ministério Público Pode gastar até 0,6% da RCL. Pode gastar até 2% da RCL. Se um Poder ou órgão ultrapassar os limites estabelecidos, poderá acarretar: Suspensão de contratações; Redução de cargos em comissão e funções de con�ança; Proibição de conceder aumentos ou reajustes salariais; o gestor público pode ser responsabilizado por improbidade administrativa, podendo sofrer penalidades, como inelegibilidade. 6.3. Regras de endividamento público Dívida pública é o conjunto de obrigações �nanceiras assumidas pelos entes públicos, sejam elas de curto ou longo prazo . Dívida pública contratual: Resultante de contratos de empréstimos ou �nanciamentos. O endividamento público está sujeito a limites globais da dívida consolidada (saldo das obrigações �nanceiras, excluídas as garantias) estabelecidos pelo Senado Federal , com base na Receita Corrente Líquida (RCL): O Congresso Nacional , por meio de projeto de lei, estabelece limites globais para o montante da dívida mobiliária federal (dívidas representadas por títulos emitidos pelo Tesouro Nacional no mercado �nanceiro para captação de recursos). Esses limites têm como objetivo controlar o endividamento público, garantindo que o governo federalnão exceda sua capacidade �nanceira. ➔ Os limites variam para União, Estados e Municípios e consideram critérios especí�cos para cada ente. ➔ Todo endividamento precisa ser autorizado em lei especí�ca (LOA ou lei complementar). ➔ É vedada a realização de operações de crédito que excedam os limites ou que �nanciem despesas correntes, exceto em situações excepcionais (como calamidade pública), assim como a utilização de receitas vinculadas como garantia de pagamento (Art. 38 da LRF). ➔ A União não pode realizar operações de crédito para �nanciar diretamente os Estados, Municípios ou o Distrito Federal, exceto no caso de reestruturação de dívidas (Art. 35 da LRF). ➔ Estados e Municípios não podem emitir títulos para �nanciar suas dívidas (exceto nos casos permitidos pela Constituição) (Art. 36 da LRF). ➔ É proibido contrair dívida para �nanciar despesas correntes (como salários), salvo se houver autorização legislativa especí�ca (Art. 167, III da CF/88). O gestor público deve divulgar as informações sobre o endividamento, incluindo relatórios periódicos: ● Relatório de Gestão Fiscal (RGF): Apresenta a evolução da dívida pública. ● Anexos de Riscos Fiscais (Art. 4º da LRF): Relatam riscos associados ao endividamento e estratégias de mitigação. Se os limites de endividamento forem ultrapassados, a LRF exige: Redução da dívida no prazo estabelecido; Vedação de novos empréstimos enquanto os limites não forem retomados; Responsabilização dos gestores públicos, com possibilidade de sanções administrativas, suspensão de transferências voluntárias e ações penais em caso de dolo ou má-fé. CAPÍTULO II Do Planejamento SEÇÃO II Da Lei de Diretrizes Orçamentárias Art. 4º A lei de diretrizes orçamentárias atenderá o disposto no § 2º do art. 165 da Constituição e: I – disporá também sobre: a) equilíbrio entre receitas e despesas; b) critérios e forma de limitação de empenho, a ser efetivada nas hipóteses previstas na alínea “b” do inciso II deste artigo, no art. 9º e no inciso II do § 1º do art. 31; e) normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas financiados com recursos dos orçamentos; f) demais condições e exigências para transferências de recursos a entidades públicas e privadas; § 1º Integrará o projeto de lei de diretrizes orçamentárias Anexo de Metas Fiscais, em que serão estabelecidas metas anuais, em valores correntes e constantes, relativas a receitas, despesas, resultados nominal e primário e montante da dívida pública, para o exercício a que se referirem e para os dois seguintes. § 2º O Anexo conterá, ainda: I – avaliação do cumprimento das metas relativas ao ano anterior; II – demonstrativo das metas anuais, instruído com memória e metodologia de cálculo que justifiquem os resultados pretendidos, comparando-as com as fixadas nos três exercícios anteriores, e evidenciando a consistência delas com as premissas e os objetivos da política econômica nacional; III – evolução do patrimônio líquido, também nos últimos três exercícios, destacando a origem e a aplicação dos recursos obtidos com a alienação de ativos; IV – avaliação da situação financeira e atuarial: a) dos regimes geral de previdência social e próprio dos servidores públicos e do Fundo de Amparo ao Trabalhador; b) dos demais fundos públicos e programas estatais de natureza atuarial; V – demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia de receita e da margem de expansão das despesas obrigatórias de caráter continuado. § 3º A lei de diretrizes orçamentárias conterá Anexo de Riscos Fiscais, onde serão avaliados os passivos contingentes e outros riscos capazes de afetar as contas públicas, informando as providências a serem tomadas, caso se concretizem. § 4º A mensagem que encaminhar o projeto da União apresentará, em anexo específico, os objetivos das políticas monetária, creditícia e cambial, bem como os parâmetros e as projeções para seus principais agregados e variáveis, e ainda as metas de inflação, para o exercício subseqüente. SEÇÃO III Da Lei Orçamentária Anual Art. 5º O projeto de lei orçamentária anual, elaborado de forma compatível com o plano plurianual, com a lei de diretrizes orçamentárias e com as normas desta Lei Complementar: I – conterá, em anexo, demonstrativo da compatibilidade da programação dos orçamentos com os objetivos e metas constantes do documento de que trata o § 1º do art. 4º; II – será acompanhado do documento a que se refere o § 6º do art. 165 da Constituição, bem como das medidas de compensação a renúncias de receita e ao aumento de despesas obrigatórias de caráter continuado; III – conterá reserva de contingência, cuja forma de utilização e montante, definido com base na receita corrente líquida, serão estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, destinada ao: b) atendimento de passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos. § 1º Todas as despesas relativas à dívida pública, mobiliária ou contratual, e as receitas que as atenderão, constarão da lei orçamentária anual. § 2º O refinanciamento da dívida pública constará separadamente na lei orçamentária e nas de crédito adicional. § 3º A atualização monetária do principal da dívida mobiliária refinanciada não poderá superar a variação do índice de preços previsto na lei de diretrizes orçamentárias, ou em legislação específica. § 4º É vedado consignar na lei orçamentária crédito com finalidade imprecisa ou com dotação ilimitada. § 5º A lei orçamentária não consignará dotação para investimento com duração superior a um exercício financeiro que não esteja previsto no plano plurianual ou em lei que autorize a sua inclusão, conforme disposto no § 1º do art. 167 da Constituição. § 6º Integrarão as despesas da União, e serão incluídas na lei orçamentária, as do Banco Central do Brasil relativas a pessoal e encargos sociais, custeio administrativo, inclusive os destinados a benefícios e assistência aos servidores, e a investimentos. SEÇÃO IV Da Execução Orçamentária e do Cumprimento das Metas Art. 8º Até trinta dias após a publicação dos orçamentos, nos termos em que dispuser a lei de diretrizes orçamentárias e observado o disposto na alínea “c” do inciso I do art. 4º, o Poder Executivo estabelecerá a programação financeira e o cronograma de execução mensal de desembolso. Parágrafo único. Os recursos legalmente vinculados a finalidade específica serão utilizados exclusivamente para atender ao objeto de sua vinculação, ainda que em exercício diverso daquele em que ocorrer o ingresso. Art. 9° Se verificado, ao final de um bimestre, que a realização da receita poderá não comportar o cumprimento das metas de resultado primário ou nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais, os Poderes e o Ministério Público promoverão, por ato próprio e nos montantes necessários, nos trinta dias subseqüentes, limitação de empenho e movimentação financeira, segundo os critérios fixadospela lei de diretrizes orçamentárias. § 1º No caso de restabelecimento da receita prevista, ainda que parcial, a recomposição das dotações cujos empenhos foram limitados dar-se-á de forma proporcional às reduções efetivadas. § 2º Não serão objeto de limitação as despesas que constituam obrigações constitucionais e legais do ente, inclusive aquelas destinadas ao pagamento do serviço da dívida, e as ressalvadas pela lei de diretrizes orçamentárias. § 3º No caso de os Poderes Legislativo e Judiciário e o Ministério Público não promoverem a limitação no prazo estabelecido no caput, é o Poder Executivo autorizado a limitar os valores financeiros segundo os critérios fixados pela lei de diretrizes orçamentárias. § 4º Até o final dos meses de maio, setembro e fevereiro, o Poder Executivo demonstrará e avaliará o cumprimento das metas fiscais de cada quadrimestre, em audiência pública na comissão referida no § 1º do art. 166 da Constituição ou equivalente nas Casas Legislativas estaduais e municipais. § 5º No prazo de noventa dias após o encerramento de cada semestre, o Banco Central do Brasil apresentará, em reunião conjunta das comissões temáticas pertinentes do Congresso Nacional, avaliação do cumprimento dos objetivos e metas das políticas monetária, creditícia e cambial, evidenciando o impacto e o custo fiscal de suas operações e os resultados demonstrados nos balanços. SEÇÃO II Das Despesas com Pessoal SUBSEÇÃO II Do Controle da Despesa Total com Pessoal Art. 23º Se a despesa total com pessoal, do Poder ou órgão referido no art. 20, ultrapassar os limites definidos no mesmo artigo, sem prejuízo das medidas previstas no art. 22, o percentual excedente terá de ser eliminado nos dois quadrimestres seguintes, sendo pelo menos um terço no primeiro, adotando-se, entre outras, as providências previstas nos §§ 3º e 4º do art. 169 da Constituição. § 1° No caso do inciso I do § 3° do art. 169 da Constituição, o objetivo poderá ser alcançado tanto pela extinção de cargos e funções quanto pela redução dos valores a eles atribuídos. § 2º É facultada a redução temporária da jornada de trabalho com adequação dos vencimentos à nova carga horária. § 3º Não alcançada a redução no prazo estabelecido, e enquanto perdurar o excesso, o ente não poderá: I – receber transferências voluntárias; II – obter garantia, direta ou indireta, de outro ente; III – contratar operações de crédito, ressalvadas as destinadas ao refinanciamento da dívida mobiliária e as que visem à redução das despesas com pessoal. § 4º As restrições do § 3º aplicam-se imediatamente se a despesa total com pessoal exceder o limite no primeiro quadrimestre do último ano do mandato dos titulares de Poder ou órgão referidos no art. 20. CAPÍTULO VII Da Dívida e do Endividamento SEÇÃO VI Dos Restos a Pagar Art. 42º. É vedado ao titular de Poder ou órgão referido no art. 20, nos últimos dois quadrimestres do seu mandato, contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para este efeito. Parágrafo único. Na determinação da disponibilidade de caixa serão considerados os encargos e despesas compromissadas a pagar até o final do exercício. CAPÍTULO IX Da Transparência, Controle e Fiscalização SEÇÃO I Da Transparência da Gestão Fiscal Art. 48º. São instrumentos de transparência da gestão fiscal, aos quais será dada ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso público: os planos, orçamentos e leis de diretrizes orçamentárias; as prestações de contas e o respectivo parecer prévio; o Relatório Resumido da Execução Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal; e as versões simplificadas desses documentos. Parágrafo único. A transparência será assegurada também mediante incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante os processos de elaboração e de discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos. SEÇÃO II Da Escrituração e Consolidação das Contas Art. 50º. Além de obedecer às demais normas de contabilidade pública, a escrituração das contas públicas observará as seguintes: I – a disponibilidade de caixa constará de registro próprio, de modo que os recursos vinculados a órgão, fundo ou despesa obrigatória fiquem identificados e escriturados de forma individualizada; II – a despesa e a assunção de compromisso serão registradas segundo o regime de competência, apurando-se, em caráter complementar, o resultado dos fluxos financeiros pelo regime de caixa; III – as demonstrações contábeis compreenderão, isolada e conjuntamente, as transações e operações de cada órgão, fundo ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional, inclusive empresa estatal dependente; IV – as receitas e despesas previdenciárias serão apresentadas em demonstrativos financeiros e orçamentários específicos; V – as operações de crédito, as inscrições em Restos a Pagar e as demais formas de financiamento ou assunção de compromissos junto a terceiros, deverão ser escrituradas de modo a evidenciar o montante e a variação da dívida pública no período, detalhando, pelo menos, a natureza e o tipo de credor; VI – a demonstração das variações patrimoniais dará destaque à origem e ao destino dos recursos provenientes da alienação de ativos. § 1º No caso das demonstrações conjuntas, excluir-se-ão as operações intragovernamentais. § 2º A edição de normas gerais para consolidação das contas públicas caberá ao órgão central de contabilidade da União, enquanto não implantado o conselho de que trata o art. 67. § 3º A Administração Pública manterá sistema de custos que permita a avaliação e o acompanhamento da gestão orçamentária, financeira e patrimonial.