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Aula 02 Direito Civil p/ DPE-ES Professor: Paulo H M Sousa Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 1 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa AULA 02 FATO JURÍDICO. PROVA (ITENS 12, 13 E 16 DO EDITAL) Sumário Sumário .............................................................................................. 1 Considerações Iniciais ............................................................................ 2 12 - FATO JURÍDICO .............................................................................. 2 12.1 – Do fato ao direito: aquisição, modificação e extinção de direitos ........ 2 12.2 – Estrutura ................................................................................. 7 12.3 – Classificação ............................................................................ 8 12.4 – Invalidades dos atos jurídicos.................................................... 11 12.4.1. Nulidades ............................................................................. 13 12.4.2. Anulabilidades ....................................................................... 17 12.5 – Eficacização: condição, termo e encargo ..................................... 30 13 – ATO ILÍCITO................................................................................ 32 13.1. Classificação ............................................................................ 33 13.2. Pré-excludentes de juridicização (Excludentes de ilicitude) ............... 34 16 – PROVAS...................................................................................... 35 16.1. Noções gerais .......................................................................... 35 16.2. Espécies de provas ................................................................... 36 Questões ........................................................................................... 41 Questões com comentários................................................................. 41 Questões sem comentários................................................................. 45 Gabaritos ........................................................................................ 52 Questões com comentários................................................................. 54 Legislação pertinente ........................................................................... 61 Jurisprudência e Súmulas Correlatas....................................................... 62 Considerações Finais ............................................................................ 63 Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 2 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa AULA 02 – TEORIA GERAL DO DIREITO CIVIL: FATO JURÍDICO. PROVA Considerações Iniciais Na aula de hoje vamos continuar a tratar dos conceitos iniciais de Direito Civi l, com um tema super-relevantes, o fato jurídico, e outro não muito cobrado: a prova. O primeiro é um tema tecnicamente mais complexo, mas que cai com graaande frequência nas provas de Defensoria. Só para você ver, na última prova da DPE/ES, tivemos 3 itens envolvendo diretamente os temas que trataremos na aula de hoje, especificamente quanto aos defeitos do negócio jurídico e à prova. Um desses itens será deixado para mais adiante. Esse é, portanto, um tema quentíssimo de se esperar na sua prova, pelo que toda atenção é pouca! 12 - FATO JURÍDICO 12.1 – Do fato ao direito: aquisição, modificação e extinção de direitos Parte dessa disciplina não costuma cair isoladamente nas provas, à exceção dos chamados vícios de vontade e da prescrição e decadência. Ainda assim, a compreensão adequada da teoria do fato jurídico fará você compreender com muito mais facilidade a sequência do Direito Civil. Por isso, é muito importante retomarmos algumas noções gerais do fato jurídico. Dentro do mundo fático, alguns fatos são adjetivados pela incidência da norma jurídica e se tornam fatos especiais: são os fatos jurídicos. A norma jurídica imputa efeitos a determinados fatos, portanto. Por isso, um mesmo fato pode ter diferentes efeitos, a depender de determinados fatores. Por exemplo, entregar um presente a alguém tem, em geral, determinados efeitos previstos no contrato de doação; presentear um juiz, dias antes do meu julgamento, tem outros efeitos; presentear alguém com um bem de uma pessoa jurídica que se encontra em processo falimentar, outros efeitos; presentear um amigo com uma cartela de ecstasy, outros; presentear um consumidor com um produto defeito, outros, completamente diferentes; e assim por diante. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 3 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Segundo a teoria do fato jurídico trazida por Marcos Bernardes de Mello, a partir da obra de Pontes de Miranda, a inserção dos fatos no mundo jurídico ocorre na seguinte sequência: a) definição, pela norma, das hipóteses fáticas (definição normativa hipotética do fato jurídico). Ou seja, a lei prevê, hipoteticamente, determinados eventos; b) concreção da hipótese no mundo fático, ou seja, o fato ocorre no mundo real; c) consequente juridicização pela incidência da norma (imputação) e entrada do fato no plano da existência no mundo jurídico. Em outras palavras, a norma jurídica incide sobre o fato que ocorreu no mundo real, tornando aquele fato um fato jurídico e levando-o ao mundo jurídico; d) passagem do fato (juridicamente) existente ao plano da validade (válido, nulo ou anulável), ou seja, o fato real (que existe no mundo real apenas), passa a existir e valer dentro do mundo jurídico (existe juridicamente falando, não apenas na realidade); e) chegada do fato jurídico existente e válido ao plano da eficácia (verificação dos efeitos que o fato terá, pela adjetivação jurídica). O fato, agora jurídico, já existe e é válido, mas eu ainda preciso verificar se ele realmente produz o efeito jurídico que eu desejei ou se produz, ao menos, algum efeito jurídico outro, ainda que não desejado. Cuidado! Não confunda eficácia (que é a prescrição de determinados efeitos pelo Direito) com efetividade (que é o fato de os efeitos prescritos serem respeitados pela comunidade). Por exemplo, diz - se que a norma jurídica que prescreve dada punição ao jogo do bicho tem eficácia (produz determinados efeitos, como, por exemplo, a possibilidade de o Estado perseguir o contraventor e tomar seus bens), mas não efetividade (apesar de o Estado poder fazer isso, não faz). 1 ͻdefinição, pela norma, das hipóteses fáticas 2 ͻ concreção da hipótese no mundo fático 3 ͻ consequente juridicização pela incidência da norma 4 ͻpassagem do fato (juridicamente) existente ao plano da validade 5 ͻ chegada do fato jurídico existente e válido ao plano da eficácia Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 4 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Matematicamente, para Pontes de Miranda: Ou seja, se ocorre um determinado fato no mundo real (eu assino um documento), e esse fato é o suporte fático suficiente (esse papel é um contrato de locação, na forma da lei), há a incidência da norma e criam-se consequentes efeitos, pelo preceito (eu passo a dever aluguel, conforme o art. 565 do CC/2002: “Na locação de coisas, uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição.”). Em outras palavras, se o fato da vida real é suficiente pra preencher um suporte, eu aplico o preceito (a norma jurídica): é suficiente quetermo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito. Aqui há uma semelhança e uma diferença importantes entre a condição e o termo. Por isso, segundo o art. 135, ao termo inicial e final aplicam-se, no que couber, as disposições relativas à condição suspensiva e resolutiva. Isso porque a condição suspensiva se assemelha ao termo inicial e a condição resolutiva ao termo final. Qual a diferença? A CERTEZA! O termo é certo; a condição, incerta. É por isso que na condição suspensiva suspende-se a aquisição do direito e no termo inicial não; porque na condição eu não sei se a condição vai se implementar, no termo eu sei que ele vai ocorrer. Não há como se “fugir” do termo... Se houver uma condição resolutiva, o negócio será eficaz, tornando-se ineficaz quando do evento. A condição resolutiva, portanto, subordina a ineficácia do negócio a um evento (que é futuro e incerto). O mesmo ocorre em relação ao termo final, que subordina a ineficácia do negócio a um evento (que é futuro e certo, ao contrário da condição resolutiva). Já se houver uma condição suspensiva, o negócio será ineficaz, tornando-se eficaz quando do evento. A condição suspensiva, portanto, subordina a eficácia do negócio a um evento (que é igualmente futuro e incerto). O mesmo ocorre em relação ao termo inicial, que subordina a eficácia do negócio a um evento (que é futuro e certo, ao contrário da condição suspensiva). O CC/2002, além de regular o termo, também regula os prazos. Segundo o art. 132, salvo disposição em contrário, computam-se os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento: § 1o Se o dia do vencimento cair em feriado, considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte dia útil. § 2o Meado considera-se, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia. § 3o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. § 4o Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 32 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Caso não esteja previsto prazo, os negócios jurídicos entre vivos devem ser executados logo, exceto se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo (art. 134). O encargo, ou modo, por sua vez, impõe ao beneficiário de uma liberalidade uma dada obrigação. Por exemplo, eu doarei meu apartamento a você, desde que você cuide do cachorro da família até sua morte; ou eu doarei um terreno para você para que seja edificado um museu; ou eu doarei meu patrimônio a você com a obrigação de que você não derrube a casa de meus pais. Por isso, o encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, por força do art. 136 do CC/2002. No entanto, há exceção: quando expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva. Aí, na realidade, a situação mais parecerá uma condição do que um encargo propriamente dito. Caso se estabeleça encargo ilícito ou impossível, ele será simplesmente considerado não escrito. A exceção fica para o caso de o encargo ilícito ou impossível constituir o motivo determinante da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico (art. 137). Por isso, se estabeleço que doarei um carro a você SE você por aprovado na prova, sua aprovação é uma condição para o negócio. Se estabeleço que doarei meu carro a você QUANDO você fizer 18 anos, seu aniversário é um termo para o negócio. Se esbeleço que doarei o casso a você DESDE QUE você o mantenha original, a manutenção da originalidade consittui um encargo do negócio. 13 – ATO ILÍCITO Um suporte fático pode conter inúmeros fatos jurídicos diferentes ou um único fato jurídico ser uma complexidade de fatos que seja unitária. A classificação é feita pelos os elementos nucleares do fato: 1. a conformidade ou contrariedade com o direito; 2. a presença ou não de ato humano de vontade. Vale lembrar que o cerne tratado aqui é o elemento nuclear do suporte fático hipotético previsto na norma jurídica e não o suporte fático advindo do mundo real. Ou seja, não importa o nome que as pessoas dão a esse fato no mundo real, mas como o Direito o classifica. Assim, a compra e venda de um bem sem a previsão de preço não torna aquele contrato um contrato de compra e venda; ele será um contrato de doação. Não existe contrato de compra e venda sem preço, e ponto. Igualmente, não interessam outros fatos, por mais importantes que sejam, mas que nada têm a ver com a incidência da norma. Por exemplo, a causa da morte não interessa à transmissão da propriedade aos herdeiros. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 33 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Morreu, transfere, e ponto. Porém, a causa da morte pode ser relevante para outros fatos jurídicos, como para a anulação de uma doação do morto pela pessoa que o matou (art. 557, inc. I do CC/2002). Partindo daquela classificação, vejamos cada um dos fatos jurídicos. Vamos nos ater aos fatos jurídicos conforme o Direito, ou seja, as espécies lícitas. Em resumo, as espécies ilícitas são idênticas às lícitas, exceto em relação à conformidade/contrariedade com o Direito. 13.1. Classificação Fato ilícito em sentido estrito São as situações em que há imputabilidade de uma conduta a alguém, independentemente de culpa. São os casos de caso fortuito e força maior. Exemplo: o art. 1.251 estabelece que: Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se indenizar o dono do primeiro. Ou seja, eu não tenho nada a ver com o fato de um pedaço de terra ter se grudado ao meu, mas ainda assim eu terei de indenizar (fato ilícito). Muito cuidado aqui, pois nisso o Direito Civil é radicalmente diferente do Direito Penal, cuja ilicitude depende de comportamento humano (noção de delito: conduta típica, antijurídica e culpável). Ato-fato ilícito Ato humano cuja vontade é abstraída pela norma jurídica, ou seja, a vontade é irrelevante. O exemplo são todos os danos causados por menores, pois, segundo o ECA, os menores são inimputáveis, mas, para o Direito Civil, a vontade é irrelevante, gerando-se o dever de indenizar. Ato ilícito em sentido amplo O elemento distintivo dessa categoria é a “vontade determinante da conduta”. Essa conduta pode ser tanto uma ação como uma omissão. Segundo o art. 186 do CC/2002: Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Há de se cuidar porque a culpa não é elemento necessário da ilicitude, como dito. Veja-se a conhecida “culpa objetiva”, presumida ou invertida, ou a chamada responsabilidade civil sem culpa, ou responsabilidade civil objetiva. Cuidado! A vontade de conduta é necessária, não a vontade de causar dano. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 34 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Veja-se que o ato ilícito é uma conduta antijurídica, que não se circunscreve apenas ao Direito Civil. Segundo Cezar Fiúza (Direito civil: curso completo, p. 261): No Direito Civil, pode-se falar em ilícito na esfera dos contratos, da família, da propriedade, da posse etc. [...] Restringindo-se à esfera civil, os atos ilícitos podem ser contratuais, qunado consistirem na conduta antijurídica na celebração ou execução de um contrato [...] Há alguns atos que são ilícito intrinsecamente e desde o início, Também estes são iĺ ciitos para o Direito Civil na medida em que causem danos ressarcíveis. Exemplos seriam o homicídio,as lesões corporais, uma batida de carros, o estilhaçar de uma vidraça etc. Aqui, tratamos aqui do ato ilícito apenas dentro da classificação do Fato Jurídico, para distingui-lo das demais situações de ilicitude. Trataremos com mais detalhes quando chegarmos no Item 14 do seu Edital (Responsabilidade civil. Liquidação de danos patrimoniais e morais.) Para arrematar, vamos elencar as situações que afastam a antijuridicidade ou ilicitude do ato. O abuso de direito não serve como pré-excludente, pelo que ele gera dever de indenizar e é ilícito. O art. 187 do CC/2002 o delimita Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. Mesmo o silêncio pode ser encarado como abuso de direito, como, por exemplo, na venda de produto que se sabe que não poderá ser comercializado. Quais são as situações em que se pré-exclui a antijuridicidade? Vejamos: 13.2. Pré-excludentes de juridicização (Excludentes de ilicitude) 1. Legítima defesa O art. 188, inc. I do CC/2002 prevê a legítima defesa na seara privada: Não constituem atos ilícitos os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido. É a chamada autotutela ou autodefesa, numa quebra do monopólio estatal do uso da violência. Segundo Pontes de Miranda, é a aplicação da Lei pelo próprio interessado, em substituição ao juiz, quando o sujeito não respeita a norma. Espécies Ilícitas Fato ilícito em sentido estrito Ato-fato ilícito Ato ilícito em sentido amplo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 35 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa A legítima defesa real exime o violador de indenização, mas não a legítima defesa putativa (achei que ele iria me atacar e causei um dano a ele, mas ele não me atacaria) e nem a legítima defesa excessiva (na defesa, me “empolguei” e causei mais dano do que o necessário). 2. Exercício regular de direito O art. 188, inc. I do CC/2002 prevê o exercício regular de direito na seara privada: Não constituem atos ilícitos os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido. A rigor, exercer seu direito não causa dano. Há um exercício sem fim danoso, com exercício legítimo, responsabilidade e moderação do próprio direito. Quais são os limites ao exercício do direito? Geralmente, a jurisprudência os fixa, através da hierarquia de direitos. Assim, protestar o devedor não é abuso, mas utilizar um carro de som em frente ao seu local de trabalho é. 3. Estado de necessidade O art. 188, inc. II do CC/2002 prevê o estado de necessidade : Não constituem atos ilícitos a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente. A remoção de perigo iminente ocasiona destruição da coisa alheia; porém, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo, segundo o parágrafo único do mesmo dispositivo. 16 – PROVAS 16.1. Noções gerais Nada melhor do que falar em prova numa prova de concurso! A rigor, esse é um tema que tem pouco impacto nos exames, por duas razões. Primeiro, essa é uma matéria essencialmente afeita ao Processo Civil, logo é lá que caem questões mais “pesadas” sobre esse tema. Segundo, porque é um tema relativamente fácil, depois que se estuda Processo Civil, e resto é um conjunto meio disforme de regras com decoreba. De qualquer forma, é relevante estudar esse tema porque ele já caiu, como veremos adiante. Quando falamos, no início dessa aula, sobre o plano da existência dos fatos jurídicos, algumas coisas talvez te chamaram a atenção. Como, por exemplo, as situações em que o fato existe na realidade social, mas não existe para o Direito, por numerosas razões. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 36 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Uma delas é, assim, pela ausência de prova. Se você, num lugar sem câmeras, testemunhas ou qualquer outro meio de prova, me promete um bem, estamos diante de uma doação. Agora, na hora em que eu exijo a doação, você simplesmente pode dizer que nunca doou. Como eu farei para demonstrar a existência dessa doação? Por meio da prova. Se você não confessar, nem houver situação de presunção legal, dificilmente conseguirei provar que você efetivamente me doou algo. A doação existiu, no mundo fático, mas não no mundo jurídico, porque a incidência da norma nunca ocorrerá... Mas, então, como se prova um fato jurídico? Primeiro, tenho de atentar se o negócio jurídico não exige alguma forma especial; se exige, tenho de observar aquela forma. Se o negócio jurídico não exige forma especial ou em se tratando dos demais fatos jurídicos, segundo o art. 212 do CC/2002, prova-se mediante: I - confissão; II - documento; III - testemunha; IV - presunção; V - perícia. Vejamos cada uma dessas modalidades de prova. 16.2. Espécies de provas Confissão A confissão é a “rainha” das provas e, por isso, é irrevogável. Confessou, não pode mais voltar atrás. Daí nasce a regra relativa à paternidade, por exemplo. Aquele que reconhece a paternidade de um filho fora do casamento não pode, posteriormente “voltar atrás”, pois esse reconhecimento é como uma confissão. Claro que se decorreu de erro de fato ou de coação, estaremos diante de um vício de consentimento, que permite anulação desse reconhecimento, mas será necessário prová-lo. Veja-se que a anulação é limitada ao erro de fato, não se podendo anular a confissão decorrente de erro de direito. Assim, se confesso que te vendi um bem, não posso querer anular essa confissão porque não sabia que, ao confessar a venda, eu reconheço que realizei uma fraude contra credores. Esse é um erro de direito, não de fato. Além disso, o art. 214 do CC/2002 limita a anulação da confissão apenas ao erro e à coação, mas se entende também que o dolo é apto a anular a confissão (já que o dolo é “induzir alguém em erro). O art. 213 do CC/2002, por sua vez, estabelece uma regra óbvia: Não tem eficácia a confissão se provém de quem não é capaz de dispor do direito a que se referem os fatos confessados. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 37 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Pois bem. Você celebrou um contrato de doação com um terceiro. Posso eu confessar alguma coisa sobre essa negociação? Não! Pois eu não posso dispor desse direito. Posso, na qualidade de testemunha, testemunhas sobre a situação, mas nunca confessar. Quem confessa é aquele que pode dispor do direito, apenas. Por isso, a confissão feita pelo representante somente é eficaz nos limites em que este pode vincular o representado. Se outrem me representa num dado negócio jurídico, não poderá confessar fatos alheios a essa negociação. Se eu sou seu procurador para fechar a venda de um apartamento, não posso confessar sua paternidade/maternidade de uma criança, pois alheia à representação, por exemplo. Documento Pode-se provar, e é o mais comum na realidade processual brasileira pouco acostumada e um tanto reticente à prova oral, através de documento. Os documentos podem ser públicos ou particulares. Quando você escuta alguém falando numa “escritura pública de compra e venda” a pessoa nada mais está do que falando de um contrato de compra e venda feito sob forma escrita perante uma autoridade pública investida no poder estatal de dar àquele documento fé pública. Quando o CC/2002 trata da escritura, ele a trata daquela, lavrada no cartório de notas. Nesse caso, segundo o art. 215,essa escritura constituirá um documento dotado de fé pública, fazendo prova plena. A rigor, a escritura pública deve conter: I - data e local de sua realização; II - reconhecimento da identidade e capacidade das partes e de quantos hajam comparecido ao ato, por si, como representantes, intervenientes ou testemunhas; III - nome, nacionalidade, estado civil, profissão, domicílio e residência das partes e demais comparecentes, com a indicação, quando necessário, do regime de bens do casamento, nome do outro cônjuge e filiação; IV - manifestação clara da vontade das partes e dos intervenientes; V - referência ao cumprimento das exigências legais e fiscais inerentes à legitimidade do ato; VI - declaração de ter sido lida na presença das partes e demais comparecentes, ou de que todos a leram; VII - assinatura das partes e dos demais comparecentes, bem como a do tabelião ou seu substituto legal, encerrando o ato. Como todo documento público, em regra, a escritura deverá ser redigida na língua nacional. Por isso, os documentos redigidos em língua estrangeira devem ser traduzidos para o português para ter efeitos legais no Brasil. Mesmo os analfabetos ou aqueles que, por alguma outra razão, não podem escrever, podem celebrar negócios por meio de escritura pública. Nesse caso, a assinatura será a rogo (assinatura feita por terceiro a pedido da pessoa). Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 38 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Mesmo que não saiba português, pode fazer a escritura, explicando o tabelião a ela o que se fez, em sua língua. Por exemplo, se o tabelião sabe alemão e um alemão compra uma casa, o alemão pode assinar a escritura, caso o tabelião lhe explique o teor. Mas e se o tabelião não sabe alemão? Nesse caso, deverá comparecer tradutor público para servir de intérprete à pessoa. Se, no lugar (uma cidade muito pequena do interior distante, por exemplo), não houver tradutor público, será indicada outra pessoa capaz que, a juízo do tabelião, tenha idoneidade e conhecimento bastantes. Tamanha é a força desses documento públicos, por conta da fé pública, que têm a mesma força probante os traslados e as certidões, extraídos pelo tabelião ou oficial de registro, de instrumentos ou documentos lançados em suas notas, segundo aponta o art. 217. Eles, inclusive, serão considerados instrumentos públicos, se os originais se houverem produzido em juízo como prova de algum ato. Os atos judiciais, por sua vez, também se consideram documentos públicos. Por isso, fazem a mesma prova que os originais as certidões textuais de qualquer peça judicial, do protocolo das audiências, ou de outro qualquer livro a cargo do escrivão, sendo extraídas por ele, e por ele subscritas, assim como os traslados de autos, quando por outro escrivão consertados. Já o instrumento particular, não exige as formalidade dos documentos públicos. A rigor, suas formalidades são bem pequenas, já constituindo meio de prova daquilo que foi convencionado. Se lhe faltar algum elemento, não perde o valor completamente, pois a prova do instrumento particular pode ser suprida por outras de caráter legal, como a confissão, o testemunho, a perícia etc., segundo o parágrafo único do art. 221 do CC/2002. Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. Testemunha O NCPC revogou o art. 227 do CC/2002, em boa hora. Exemplificando ao absurdo, anteriormente, se você emprestasse, para um amigo, R$10.000,00, sendo que vocês dois estão com 45 pessoas ao redor, todas prestando atenção ao ato, segundo esse artigo você não poderia tentar provar esse empréstimo a ele! O NCPC, porém, manteve o parágrafo único, que estabelece que a prova testemunhal é admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito qualquer que seja o valor do negócio jurídico. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 39 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Mas, quem pode ser testemunha? O art. 228 do CC/2002 estabelece o rol dos “intestemunháveis”. Aqui, cuidado, novamente, pois a Lei 13.146/2015, o Estatuto da Pessoa com Deficiência revogou uma série de dispositivos. A rigor, as pessoas com deficiência não eram admitidas como testemunhas, já que eram absolutamente incapazes. Como o Estatuto acabou com essa noção, acabou também, consequentemente, com a noção geral de “incapacitação para testemunhar”. Mas, e como ficará o depoimento das pessoas com deficiência, eventualmente prejudicado exatamente pela deficiência? O §2º do art. 228 estabelece que a pessoa com deficiência poderá testemunhar em igualdade de condições com as demais pessoas, sendo-lhe assegurados todos os recursos de tecnologia assistiva. Ou seja, não simplesmente dispense a pessoa com deficiência, mas lhe dê meios para colaborar! Não podem ser admitidos como testemunhas: I - os menores de dezesseis anos; IV - o interessado no litígio, o amigo íntimo ou o inimigo capital das partes; V - os cônjuges, os ascendentes, os descendentes e os colaterais, até o terceiro grau de alguma das partes, por consanguinidade, ou afinidade. Excepcionalmente, porém, para a prova de fatos que só elas conheçam, pode o juiz admitir o depoimento das pessoas a que se refere este artigo. Nada mais justo e óbvio, não? Imagine que só o seu filho de 12 anos viu você entregando dinheiro para alguém. Como você vai provar que emprestou dinheiro para o seu amigo, se não com o testemunho do seu filho? Logicamente que o juiz analisará as coisas com ressalvas, mas analisará. DPE/ES – 2012 10 Admite-se prova exclusivamente testemunhal para comprovar os efeitos decorrentes do contrato firmado entre as partes. Comentários O item 10 está correto, por aplicação do art. 227, parágrafo único: “Qualquer que seja o valor do negócio jurídico, a prova testemunhal é admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito”. Presunção Existem duas presunções no Direito. De um lado, as presunção relativas, que admitem prova em contrário. Assim é, por exemplo, a presunção de inocência do Direito Penal; presume-se inocente até que o MO prove que é culpado. O marido presume-se pai dos filhos na constância do casamento, até que DNA prove que ele não é o pai. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 40 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Outro exemplo é o constante no art. 219: As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários. No entanto, o próprio parágrafo único desse artigo já traz exceção, ou seja, nem sempre tudo o que estiver escrito presume-se verdadeiro em relação ao signatário: Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de prová-las. Além disso, outras fontes de prova como áudios, textos, imagens, vídeos (Facebook, Whatsapp, Instagram, por exemplo), também servem de meio de prova, conforme estabelece o art. 225 do CC/2002. Porém, a contraparte pode impugnar essas provas, e, aí, a solução é, em geral, pericial. De outro, existem as presunções absolutas, que não admitem prova em contrário. O Direito Civil é pobre em presunções absolutas, assimcomo o Direito em geral. Via de regra, admite-se que se prove em contrário. A presunção de maternidade, por exemplo, era um das poucas presunções absolutas que tínhamos: nasceu daquela barriga, aquela é a mãe. No entanto, com o desenvolvimento científico, a barriga de aluguel fez essa presunção absoluta se tornar relativa; se nasceu daquela barriga, mas há maternidade por sub-rogação, ela não é a mãe... Perícia Por fim, o CC/2002 tem duas regras sobre perícia, apenas. Primeiro, diferentemente do Direito Penal, no qual o sujeito não é obrigado a fazer prova contra si, o art. 231 estabelece que aquele que se nega a submeter-se a exame médico necessário não poderá aproveitar-se de sua recusa. É por isso que, como veremos, o pretenso pai que se nega a fazer o teste de DNA é presumido pai, por extensão dessa regra (há regra própria em lei especial, mas ela segue exatamente o mesmo raciocínio dessa). Por isso, como consequência, se eu queria provar algo que depende dessa perícia e a pessoa se nega a se submeter a ela, não preciso mais provar aquilo por outros meios de prova: Art. 232. A recusa à perícia médica ordenada pelo juiz poderá suprir a prova que se pretendia obter com o exame. DPE/AM – 2013 29. Em relação à prova é correto afirmar que Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 41 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa (A) a recusa ao exame de DNA, quando ordenado pelo juiz, gera presunção relativa de paternidade. (B) os fatos jurídicos não podem ser provados por presunção. (C) é sempre nula a convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova. (D) o interrogatório das partes não pode ser determinado de ofício. (E) os documentos podem ser juntados a qualquer momento ao processo, sejam novos ou não. Comentários A alternativa A está correta, a teor do art. 231: “Aquele que se nega a submeter-se a exame médico necessário não poderá aproveitar-se de sua recusa”. A alternativa B está incorreta, já que a presunção é meio de prova, a exemplo do art. 219: “As declarações constantes de documentos assinados presumem- se verdadeiras em relação aos signatários.” A alternativa C está incorreta, conforme o art. 357, inc. III do CPC: “Não ocorrendo nenhuma das hipóteses deste Capítulo, deverá o juiz, em decisão de saneamento e de organização do processo definir a distribuição do ônus da prova, observado o art. 373”. A alternativa D está incorreta, de acordo com a regra expressa do art. 385 do CPC: “Cabe à parte requerer o depoimento pessoal da outra parte, a fim de que esta seja interrogada na audiência de instrução e julgamento, sem prejuízo do poder do juiz de ordená-lo de ofício.” A alternativa E está incorreta, consoante o art. 435 do CPC: “É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapô-los aos que foram produzidos nos autos.” Questões Questões com comentários As questões abaixo apresentação gabarito na sequência e, ao final, comentários: DPE/ES – 2012 10 Admite-se prova exclusivamente testemunhal para comprovar os efeitos decorrentes do contrato firmado entre as partes. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 42 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa DPE/ES – 2009 77. Será nulo o negócio jurídico se o motivo determinante de uma das partes for ilícito. DPE/BA – 2010 Julgue os próximos itens, a respeito dos defeitos e da nulidade dos negócios jurídicos. 29 Tanto nos casos de declaração de nulidade quanto nos de decretação de anulação do negócio jurídico, ocorre o retorno das partes à situação anterior. DPE/BA – 2010 Julgue os próximos itens, a respeito dos defeitos e da nulidade dos negócios jurídicos. 30 Caso o declaratário desconheça o grave dano a que se expõe o declarante ou pessoa de sua família, não ficará caracterizado o estado de perigo. DPE/BA – 2010 Julgue os próximos itens, a respeito dos defeitos e da nulidade dos negócios jurídicos. 31 Para que se caracterize lesão ao negócio jurídico, a desproporção entre a obrigação assumida pela parte declarante e a prestação oposta deve ser mensurada no momento da constituição do negócio. DPE/PB – 2014 3. Sob premente necessidade financeira, João vende a Luís imóvel por um terço do valor de mercado. Tal negócio é (A) nulo, pelo vício denominado coação, não podendo ser convalidado pela vontade das partes. (B) nulo, pelo vício denominado estado de perigo, não podendo ser convalidado pela vontade das partes. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 43 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa (C) anulável, pelo vício denominado lesão, podendo ser convalidado pela vontade das partes. (D) anulável, pelo vício denominado estado de perigo, podendo ser convalidado pela vontade das partes. (E) anulável, pelo vício denominado lesão, não podendo ser convalidado pela vontade das partes. DPE/AM – 2013 27. São nulos os atos (A) praticados com a reserva mental de se descumprir a avença, tenha ou não conhecimento do fato o destinatário da manifestação. (B) emanados de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. (C) quando a lei taxativamente os declarar nulos ou lhes proibir a prática sem cominar sanção. (D) praticados sob coação ou em fraude contra credores. (E) praticados pelos relativamente incapazes. DPE/AM – 2013 29. Em relação à prova é correto afirmar que (A) a recusa ao exame de DNA, quando ordenado pelo juiz, gera presunção relativa de paternidade. (B) os fatos jurídicos não podem ser provados por presunção. (C) é sempre nula a convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova. (D) o interrogatório das partes não pode ser determinado de ofício. (E) os documentos podem ser juntados a qualquer momento ao processo, sejam novos ou não. DPE/AM – 2011 27. Dentre os defeitos do negócio jurídico, o direito elenca aqueles relacionados aos vícios de consentimento. Desses, é correto afirmar que o erro Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 44 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa a) de direito é admitido no direito brasileiro para o não cumprimento do negócio, eximindo-se o interessado do cumprimento da lei. b) de direito sobre o motivo do negócio, é admitido e dá causa à sua anulação quando for seu motivo principal, não afastando o cumprimento da lei. c) de direito enquanto exceptio ignorantiae juris não afasta os efeitos da lei e do negócio em casos em que ficar demonstrada sua existência. d) referente à lei torna o negócio válido, mas essa lei aplicável a ele não será de cumprimento obrigatório. e) consubstancia exceptio ignorantiae juris, impedindo os efeitos da lei quando demonstrada a sua ignorância no negócio jurídico. DPE/RS – 2014 34. Conforme a teoria das invalidades e as categorias sistematizadas pelo Código Civil de 2002, considera-se como nulidade absoluta a situação em que o sujeito (A) confessa dívida em favor de amigo para fraudar a esposa deste em processo de separação. (B) assina caução excessivamente onerosa a instituição hospitalar por estar premido da necessidade de salvar familiar. (C) adquire bem com qualidade essencial que este não possui, em razão de induzimento doloso por parte do vendedor. (D) realiza negócio jurídico contra sua vontade, em razão de ameaça praticada pelo declaratário contra o declarantee sua família. (E) pratica doação de patrimônio que o coloca em situação de insolvência, com o objetivo de prejudicar credores. DPE/RS – 2011 42. Incidência dos Institutos da prescrição e da decadência na teoria das invalidades do negócio jurídico. (A) Segundo o Código Civil, as nulidades, por ofenderem interesse público, podem ser arguidas pelas partes, sendo vedado ao juiz conhecê-las de ofício em processo que verse sobre a validade de determinado negócio jurídico. (B) O negócio jurídico nulo não convalesce pelo decurso do tempo, razão pela qual apenas as anulabilidades estão sujeitas a prazos prescricionais. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 45 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa (C) A invalidade do instrumento contratual induz necessariamente a invalidade do negócio jurídico. (D) A decretação judicial é necessária para o reconhecimento de nulidades e anulabilidades, pois estas espécies de vícios não têm efeito antes de julgados por sentença. (E) Respeitada a intenção das partes, é cabível a manutenção do negócio jurídico no caso de reconhecimento de invalidade parcial, a qual não o prejudicará na parte válida se desta for separável. Questões sem comentários As questões abaixo apresentação gabarito, mas não apresentarão comentários específicos, pois orbitam em torno das questões acima. É pra você treinar! DPE/SP – 2012 39. Em relação aos defeitos do negócio jurídico, é correto afirmar: (A) O dolo recíproco enseja a anulação do negócio jurídico e a respectiva compensação das perdas e ganhos recíprocos. (B) O dolo do representante legal de uma das partes obriga o representado a responder civilmente perante a outra parte, independente do proveito que houver auferido. (C) O dolo do representante convencional de uma das partes obriga o representado a responder civilmente perante a outra parte, até o limite do proveito que houver auferido. (D) A caracterização da omissão dolosa em negócio bilateral exige a prova de que sem a omissão o negó- cio não teria sido celebrado. (E) O dolo de terceiro enseja a anulação do negócio jurídico, independente do conhecimento das partes contratantes. DPE/MG – 2014 49 Sobre defeitos do negócio jurídico, analise as afirmativas a seguir. I. Quando fundada na identidade ou na qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade, o erro é substancial. II. Haverá responsabilidade solidária por perdas e danos do representante legal e do representado quando o dolo for do primeiro. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 46 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa III. O negócio jurídico não será anulado pela lesão se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. IV. Os negócios ordinários indispensáveis à subsistência do devedor e de sua família presumem-se de boa-fé, descaracterizando-se a fraude contra credores. Estão INCORRETAS as afirmativas A) I e IV apenas. B) II e III apenas. C) I e II apenas. D) III e IV apenas. DPE/RN – 2006 34. Sobre o negócio jurídico tem-se que: (A) exigindo para sua validade o objeto possível e determinado, a sua impossibilidade no momento da formalização do negócio o invalida, ainda que relativa. (B) o silêncio não importa anuência quando for necessária a expressa declaração da vontade. (C) salvo se o permitir a lei, é anulável o negócio jurídico que o representante celebrar consigo mesmo, ainda que autorizado pelo representado. (D) somente as condições suspensivas consideradas fisicamente impossíveis invalidam os negócios jurídicos. DPE/RN – 2006 35. Constitui causa de nulidade do negócio jurídico o (A) erro substancial quanto à natureza do negócio. (B) obrigar-se à prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta, sob preeminente necessidade ou inexperiência, tendo disto conhecimento o credor. (C) não revestimento da forma prevista em lei. (D) dolo provocado de terceiro, quando a parte a quem aproveite dele devesse ter conhecimento. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 47 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa DPE/PR – 2012 43. Devido a dificuldades financeiras, Andrei teve de penhorar antigo relógio deixado de herança pelo seu falecido pai. O bem foi repassado a terceiro, deixando Andrei com um grande sentimento de culpa pelo ocorrido. Contudo, durante um almoço, Andrei vê o relógio que julga ser aquele que pertenceu ao seu genitor na posse de Marcus, seu colega de trabalho. Informando ao colega detalhes da história familiar e que possui a relojoaria como hobby, devido ao aprendizado que teve com seu pai, relojoeiro de profissão, Andrei questiona Marcus “se este venderia o relógio que era do seu pai pelo valor X”, o que é aceito pelo vendedor, que silencia tratar-se de peça que jamais pertenceu a família de Andrei, fato que vem a ser constatado pelo mesmo três semanas após a aquisição. O adquirente sentiu-se lesado por ter pago preço que considera desproporcional pelo bem, o qual não iria adquirir em razão da ausência de identidade do objeto adquirido. Trata-se de hipótese de (A) nulidade do negócio jurídico por simulação relativa. (B) anulabilidade do negócio jurídico por erro essencial de Andrei. (C) anulabilidade do negócio jurídico por dolo substancial praticado de forma omissiva por Marcus. (D) inexistência do negócio jurídico, por inidoneidade do objeto. (E) anulabilidade do negócio jurídico pela configuração de lesão. PGM/CWB – 2015 74 - Sobre o negócio jurídico no Código Civil, assinale a alternativa correta. a) O negócio jurídico em que se reconhece a existência de defeitos, como a lesão, o erro, a fraude contra credores ou a simulação, pode ser convalidado pelo mero transcurso do tempo dentro do qual a anulabilidade poderia ter sido invocada pelo prejudicado, que se manteve inerte. b) A fraude contra credores é considerada um defeito do negócio jurídico, porque prejudica uma das partes envolvidas na contratação, já que conduz ou agrava o estado de insolvência da outra parte. c) Se o juiz constatar a ocorrência de motivos imprevisíveis e supervenientes que alterem o equilíbrio da relação contratual, pode, de ofício, alterar o valor das prestações. d) O exercício regular de um direito, se for abusivo, não é considerado causa de exclusão da ilicitude. e) Se um contratante vende o automóvel de placa ASX-1145, pode adimplir a obrigação mediante a entrega de outro automóvel ao comprador, desde que de maior valor. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 48 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa DPE/MT – 2009 34. São causas de anulabilidade do negócio jurídico: (A) a simulação e a lesão. (B) a fraude à execução e o estado de perigo. (C) a fraude à execução e o dolo, quando este for a sua causa. (D) o não revestimento de forma prescrita em lei. (E) a coação e fraude contra credores. DPE/PA – 2015 29- Assinale a alternativa CORRETA. a) Considera-se ato-fato jurídico o ato cuja existência a lei submete à vontade do sujeito da relação, sem permitir, no entanto, que ele disponha sobre as conseqüências de seu proceder. b) O negócio jurídico está submetido, no plano da existência, ao completamento do suporte fático, por condições e termos. c) A capacidade de direito do agente é elemento complementar do suporte fático de um negócio jurídico. d) A tradição é ato real, o qual é considerado ato negocial na classificação doutrinária dosatos e fatos jurídicos. e) Os negócios jurídicos e os atos jurídicos strícto sensu diferenciam-se pela possibilidade de disposição de vontade no plano da eficácia, presente nos primeiros, ausente nos segundos. DPE/PA – 2009 41. Sobre o negócio jurídico, é licito preconizar que (A) são nulos quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. (B) pode também ser anulado por dolo de terceiro, ainda que a parte a quem aproveite dele não tivesse ou devesse ter conhecimento; de todo modo, ainda que subsista o negócio jurídico, o terceiro responderá por todas as perdas e danos da parte a quem ludibriou. (C) o negócio anulável pode ser confirmado expressa ou tacitamente pelas partes, salvo direito de terceiro. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 49 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa (D) o negócio jurídico será nulo de pleno direito se ambas as partes procederem com dolo. (E) é anulável o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. DPE/PA – 2009 50. São anuláveis os negócios jurídicos (A) simulados, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. (B) celebrados por pessoa absolutamente incapaz. (C) se não revestirem a forma prescrita em lei. (D) quando praticados em estado de perigo ou em fraude contra credores. (E) celebrados com dolo de uma das partes e nulos aqueles realizados sob coação que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. DPE/PA – 2006 12. O ordenamento jurídico reconhece à atividade volitiva do homem o poder criador de efeitos no mundo do direito. Os negócios jurídicos são declarações de vontade destinadas à produção de efeitos jurídicos desejados pelo agente. Sobre os negócios jurídicos se afirma: I. Há elementos essenciais e imprescindíveis à existência e validade do ato negocial, pois formam sua substância e dizem respeito à capacidade do agente, à licitude do objeto e à forma da emissão de vontade. II. Os negócios jurídicos podem ser sob condição, que é a cláusula que, por vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico, oneroso ou gratuito, a evento futuro e incerto. III. Todo ato jurídico pressupõe uma declaração de vontade e a capacidade do agente é indispensável para a validade da produção de feitos. A capacidade deverá ser a de exercer direitos e, para determinados atos negociais, a validade precisa da legitimação do agente. IV. Se inexistir correspondência entre a vontade declarada e o que o agente deseja exteriorizar, o negócio jurídico será anulável, pois os negócios que apresentarem vício de vontade são passíveis de anulação, não cabendo ao agente o direito de ratificar o ato. Somente é correto o que se afirma em: Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 50 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa a) I, II e III. b) I, III e IV. c) II, III e IV. d) I, II e IV. DPE/SE – 2012 2 Assinale a opção correta acerca dos negócios jurídicos. A- Os negócios jurídicos podem ser praticados pelo titular do direito negociado ou por seu representante; assim, qualquer manifestação de vontade do representante produz efeitos em relação ao representado. B- Na análise de um negócio jurídico bilateral, deve-se, em atendimento ao princípio da autonomia da vontade, aplicar o sentido literal da linguagem consubstanciado no negócio, e não, o da intenção dos contratantes. C- Ocorrerá defeito no negócio jurídico quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio; assim, considera- se substancial o erro quando, sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for ele o motivo único ou principal do negócio jurídico. D- O dolo provoca a nulidade dos negócios jurídicos, exceto quando praticado por terceiro, e, se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma delas poderá alegá-lo para anular o negócio ou reclamar indenização. E- Não provoca vício ao negócio jurídico o fato de as suas condições se sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes. DPE/SE – 2012 3 No que diz respeito às provas, assinale a opção correta. A- Segundo estatui o Código Civil brasileiro, ninguém está obrigado a produzir prova contra si; portanto, à pessoa é garantido o direito de se negar a submeter-se a exame médico necessário, sem qualquer consequência. B- Os contratos firmados por instrumento particular feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, provam as obrigações convencionais, independentemente do seu valor, e os seus efeitos se operam em relação a terceiros, independentemente de qualquer registro. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 51 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa C- A confissão, ato irrevogável, pode ser anulada se decorrer de erro de fato ou de coação e não terá eficácia se provier de quem não seja capaz de dispor do direito a que se referem os fatos confessados. D- A lei impede que sirvam como testemunhas aquele que tiver interesse no litígio e o amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes, podendo, contudo, o juiz, à sua conveniência, determinar o depoimento dessas pessoas. E- Em se tratando das obrigações provenientes de contrato, não se admite, ainda que subsidiariamente, a prova testemunhal caso o valor do negócio jurídico ultrapasse, na ocasião da celebração do contrato, o décuplo do maior salário mínimo vigente no país. DPE/SE – 2006 Julgue os itens a seguir, acerca do negócio jurídico. 88 Para que a remissão de dívida atraia o caráter de fraude contra credor, tornando o negócio jurídico anulável, faz-se necessário que o remitente, na condição de devedor, esteja em estado de insolvência ou na iminência de alcançá-lo por força da remissão. Tem-se como irrelevante, na caracterização da fraude, o conhecimento ou o desconhecimento do devedor em relação ao seu estado econômico ou financeiro. 89 Os defeitos dos negócios jurídicos que possibilitam sua anulação são o erro, o dolo, a coação, o estado de perigo, a lesão e a fraude contra credores. 90 Condição é cláusula de um negócio jurídico que deriva exclusivamente da vontade das partes, que subordina a eficácia ou a resolução do negócio jurídico a acontecimento futuro e incerto. As condições puramente potestativas são admitidas desde que expressas no contrato. DPE/SE – 2005 89 Os defeitos dos negócios jurídicos que possibilitam sua anulação são o erro, o dolo, a coação, o estado de perigo, a lesão e a fraude contra credores. 90 Condição é cláusula de um negócio jurídico que deriva exclusivamente da vontade das partes, que subordina a eficácia ou a resolução do negócio jurídico a acontecimento futuro e incerto. As condições puramente potestativas são admitidas desde que expressas no contrato. A respeito das normas contidas no Código Civil atinentes às pessoas jurídicas, julgue os itens que se seguem. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 52 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Gabaritos Gabaritos das questões com comentários DPE/ES – 2012 10. C DPE/ES – 2009 77. E DPE/BA – 2010 29. C 30. C DPE/PB – 2014 3. C DPE/AM – 2013 27. C 29. A DPE/AM – 201127. B DPE/RS – 2014 34. A DPE/RS – 2011 42. E Gabaritos das questões sem comentários Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 53 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa DPE/SP – 2012 39. D DPE/MG – 2015 49. C DPE/RN – 2006 34. B 35. C DPE/PR – 2012 43. C DPE/MT – 2009 34. E DPE/PA – 2015 29. E DPE/PA – 2009 41. C 50. D DPE/PA – 2006 12. A DPE/SE – 2012 2. C 3. C Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 54 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa DPE/SE – 2006 88. C 89. C 90. E DPE/SE – 2005 89. C 90. E Questões com comentários DPE/ES – 2012 10. Admite-se prova exclusivamente testemunhal para comprovar os efeitos decorrentes do contrato firmado entre as partes. Comentários O item 10 está correto, por aplicação do art. 227, parágrafo único: “Qualquer que seja o valor do negócio jurídico, a prova testemunhal é admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito”. DPE/ES – 2009 77. Será nulo o negócio jurídico se o motivo determinante de uma das partes for ilícito. Comentários O item 10 está incorreto, por aplicação do art. 140: “O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante”, incluído no rol das anulabilidades DPE/BA – 2010 Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 55 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Julgue os próximos itens, a respeito dos defeitos e da nulidade dos negócios jurídicos. 29 Tanto nos casos de declaração de nulidade quanto nos de decretação de anulação do negócio jurídico, ocorre o retorno das partes à situação anterior. Comentários O item 29 está correto, já que, como eu disse acima, na invalidação do ato, seja tal invalidade decorrente de uma nulidade, seja ela decorrente de anulabilidade, o objetivo é exatamente retornar as coisas ao estado anterior. DPE/BA – 2010 Julgue os próximos itens, a respeito dos defeitos e da nulidade dos negócios jurídicos. 30 Caso o declaratário desconheça o grave dano a que se expõe o declarante ou pessoa de sua família, não ficará caracterizado o estado de perigo. Comentários O item 30 está correto, já que, como eu disse acima, deve haver dolo da contraparte, ou seja, o outro tem de saber que a pessoa faria o negócio a qualquer custo. DPE/BA – 2010 Julgue os próximos itens, a respeito dos defeitos e da nulidade dos negócios jurídicos. 31 Para que se caracterize lesão ao negócio jurídico, a desproporção entre a obrigação assumida pela parte declarante e a prestação oposta deve ser mensurada no momento da constituição do negócio. Comentários O item 31 está correto, já que, como eu disse acima, a lesão se verifica no momento da assunção da obrigação, que será desproporcional. DPE/PB – 2014 3. Sob premente necessidade financeira, João vende a Luís imóvel por um terço do valor de mercado. Tal negócio é Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 56 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa (A) nulo, pelo vício denominado coação, não podendo ser convalidado pela vontade das partes. (B) nulo, pelo vício denominado estado de perigo, não podendo ser convalidado pela vontade das partes. (C) anulável, pelo vício denominado lesão, podendo ser convalidado pela vontade das partes. (D) anulável, pelo vício denominado estado de perigo, podendo ser convalidado pela vontade das partes. (E) anulável, pelo vício denominado lesão, não podendo ser convalidado pela vontade das partes. Comentários A alternativa A está incorreta, já que o exercício não traz informação alguma sobre João ter sido coagido a vender o bem; simplesmente se diz que ele o vendeu por um terço do valor. A alternativa B está incorreta, porque o exercício não menciona, em momento algum, que João passava por necessidade premente de salvar a si ou familiar, de qualquer natureza, mas apenas por necessidade financeira. A alternativa C está correta, pois, neste caso, ocorreu lesão, já que é possível visualizar a manifesta desproporção entre a prestação e a contraprestação, dando-se o negócio por premente necessidade financeira de João. A alternativa D está incorreta, pelas mesmas razões mencionadas na alternativa B, acima. A alternativa E está incorreta, porque, apesar de se tratar de situação de lesão, pode o negócio ser convalidado pelas partes, a teor do art. 157, § 2º do CC/2002, quando a contraparte reduzir equitativamente o valor da prestação, readequando o negócio. DPE/AM – 2013 27. São nulos os atos (A) praticados com a reserva mental de se descumprir a avença, tenha ou não conhecimento do fato o destinatário da manifestação. (B) emanados de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. (C) quando a lei taxativamente os declarar nulos ou lhes proibir a prática sem cominar sanção. (D) praticados sob coação ou em fraude contra credores. (E) praticados pelos relativamente incapazes. Comentários Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 57 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa A está incorreta, já que, segundo o art. 110, “A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento.” A alternativa B está incorreta, a teor do art. 138: “São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio.” A alternativa C está correta, de acordo com o art. 166, inc. VII: “É nulo o negócio jurídico quando a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção." A alternativa D está incorreta, na forma do art. 171, inc. II: “Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores.” A alternativa E está incorreta, consoante regra do art. 171, inc. I: “Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico por incapacidade relativa do agente”. DPE/AM – 2013 29. Em relação à prova é correto afirmar que (A) a recusa ao exame de DNA, quando ordenado pelo juiz, gera presunção relativa de paternidade. (B) os fatos jurídicos não podem ser provados por presunção. (C) é sempre nula a convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova. (D) o interrogatório das partes não pode ser determinado de ofício. (E) os documentos podem ser juntados a qualquer momento ao processo, sejam novos ou não. Comentários A alternativa A está correta, a teor do art. 231: “Aquele que se nega a submeter-se a exame médico necessário não poderá aproveitar-se de sua recusa”. A alternativa B está incorreta, já que a presunção é meio de prova, a exemplo do art. 219: “As declarações constantes de documentos assinados presumem- se verdadeiras em relação aos signatários.” A alternativa C está incorreta, conforme o art. 357, inc. III do CPC: “Não ocorrendo nenhuma das hipóteses deste Capítulo, deverá o juiz, em decisão de saneamento e de organização do processo definir a distribuição do ônus da prova, observado o art. 373”. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br58 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa D está incorreta, de acordo com a regra expressa do art. 385 do CPC: “Cabe à parte requerer o depoimento pessoal da outra parte, a fim de que esta seja interrogada na audiência de instrução e julgamento, sem prejuízo do poder do juiz de ordená-lo de ofício.” A alternativa E está incorreta, consoante o art. 435 do CPC: “É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapô-los aos que foram produzidos nos autos.” DPE/AM – 2011 27. Dentre os defeitos do negócio jurídico, o direito elenca aqueles relacionados aos vícios de consentimento. Desses, é correto afirmar que o erro a) de direito é admitido no direito brasileiro para o não cumprimento do negócio, eximindo-se o interessado do cumprimento da lei. b) de direito sobre o motivo do negócio, é admitido e dá causa à sua anulação quando for seu motivo principal, não afastando o cumprimento da lei. c) de direito enquanto exceptio ignorantiae juris não afasta os efeitos da lei e do negócio em casos em que ficar demonstrada sua existência. d) referente à lei torna o negócio válido, mas essa lei aplicável a ele não será de cumprimento obrigatório. e) consubstancia exceptio ignorantiae juris, impedindo os efeitos da lei quando demonstrada a sua ignorância no negócio jurídico. Comentários A alternativa A está incorreta, pois o erro de direito não pode afastar o cumprimento da lei. Nesse sentido, vide o art. 139, inc. III: “O erro é substancial quando, sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico.” A alternativa B está correta, pelas mesmas razões adiantadas já na alternativa A. A alternativa C está incorreta, porque apesar de não afastar o cumprimento da lei, o erro de direito é causa de anulação do negócio, que é afastado. A alternativa D está incorreta, pelas mesmas razões adiantadas já na alternativa A. A alternativa E está incorreta, exatamente pela mesma razão da alternativa C, mas de modo inverso, porque apesar de ser causa de anulação do negócio, que é afastado, não pode o erro de direito ser usado para afastar o cumprimento da lei. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 59 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa DPE/RS – 2014 34. Conforme a teoria das invalidades e as categorias sistematizadas pelo Código Civil de 2002, considera-se como nulidade absoluta a situação em que o sujeito (A) confessa dívida em favor de amigo para fraudar a esposa deste em processo de separação. (B) assina caução excessivamente onerosa a instituição hospitalar por estar premido da necessidade de salvar familiar. (C) adquire bem com qualidade essencial que este não possui, em razão de induzimento doloso por parte do vendedor. (D) realiza negócio jurídico contra sua vontade, em razão de ameaça praticada pelo declaratário contra o declarante e sua família. (E) pratica doação de patrimônio que o coloca em situação de insolvência, com o objetivo de prejudicar credores. Comentários Apesar de ser de 2014, esse exercício ainda usa a nominação dos vícios do CC/1916, distinguindo as nulidades absolutas das nulidades relativas, atualmente nominadas de nulidades e anulabilidades, respectivamente. A alternativa A está correta. Que vício é esse? A alternativa tem uma PEGADINHA maldosa, já que fala em “fraudar”. Na realidade, o que o sujeito fez? Ele simulou um negócio. Segundo o art. 167, § 1º, inc. I: “Haverá simulação nos negócios jurídicos quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem”. A alternativa B está incorreta, já que este é um caso de estado de perigo, cujo defeito gera a anulabilidade e não nulidade (“Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa.”). A alternativa C está incorreta, pois temos aí um caso de dolo, também anulável (“Art. 145. São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa”). A alternativa D está incorreta, porque essa situação retrata a coação, mais uma vez, anulável (“Art. 151. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens”). A alternativa E está incorreta, dado que a fraude contra credores, igualmente, gera anulação do negócio, e não sua nulidade (“Art. 158. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 60 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos”). DPE/RS – 2011 42. Incidência dos Institutos da prescrição e da decadência na teoria das invalidades do negócio jurídico. (A) Segundo o Código Civil, as nulidades, por ofenderem interesse público, podem ser arguidas pelas partes, sendo vedado ao juiz conhecê-las de ofício em processo que verse sobre a validade de determinado negócio jurídico. (B) O negócio jurídico nulo não convalesce pelo decurso do tempo, razão pela qual apenas as anulabilidades estão sujeitas a prazos prescricionais. (C) A invalidade do instrumento contratual induz necessariamente a invalidade do negócio jurídico. (D) A decretação judicial é necessária para o reconhecimento de nulidades e anulabilidades, pois estas espécies de vícios não têm efeito antes de julgados por sentença. (E) Respeitada a intenção das partes, é cabível a manutenção do negócio jurídico no caso de reconhecimento de invalidade parcial, a qual não o prejudicará na parte válida se desta for separável. Comentários A alternativa A está incorreta, por aplicação inversa do art. 177: “A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se pronuncia de ofício; só os interessados a podem alegar, e aproveita exclusivamente aos que a alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade.” A alternativa B está incorreta. Cuidado! O art. 169 assim estabelece: “O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo.” No entanto, como eu disse, há exceções, sendo que vimos uma delas já anteriormente, e veremos mais adiante outras. A alternativa C está incorreta, porque, como se verá adiante, a norma expressa do art. 183 estabelece que “A invalidade do instrumento não induz a do negócio jurídico sempre que este puder provar-se por outro meio.” A alternativa D está incorreta, pois, por força de aplicação do art. 177 somente a anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença. A alternativa E está correta, já que, de acordo com o art. 184: “Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico não o prejudicará na parte válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da obrigação principal.” Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 61 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Legislação pertinente Em relação à aula de hoje, não é necessário acrescentar legislação pertinente, já que tratamos detalhadamente das disposições do CC/2002 sobre os temas. É isso que se cobra nas provas.No entanto, vale a pena reler alguns dispositivos: Art. 138. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. Art. 145. São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa. Art. 146. O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos, e é acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo. Art. 151. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. § 1o Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico. Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz; II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; IV - não revestir a forma prescrita em lei; V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa; Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 62 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção. Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: I - por incapacidade relativa do agente; II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores. Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado: I - no caso de coação, do dia em que ela cessar; II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico; III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade. Art. 179. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabe lecer prazo para pleitear-se a anulação, será este de dois anos, a contar da data da conclusão do ato. Art. 188. Não constituem atos ilícitos: I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido; II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente. Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo. Jurisprudência e Súmulas Correlatas A questão das nulidades e anulabilidades, bem como da teoria do negócio jurídico, não encontra grande eco em súmulas ou jurisprudência. A parte que traz maiores discussões, as provas, são analisadas em pormenores lá no Processo Civil, pelo que vou evitar tecer maiores comentários aqui sobre esse tema, para que você não perca tempo! Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 63 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Considerações Finais Chegamos ao final desta aula. Na próxima, quando tratarmos da prescrição e da decadência, chegaremos ao final da Parte Geral do CC/2002. Curiosamente, essa parte da aula de hoje, apesar de ser mais genérica, cai com uma frequência enorme nas provas. Novamente, vale lembrar que a Parte Geral do CC/2002 é responsável, sozinha, por numerosas questões das últimas provas de DPEs. Quaisquer dúvidas, sugestões ou críticas entrem em contato conosco. Estou disponível no fórum no Curso, por e-mail e, inclusive, pelo Facebook. Aguardo vocês na próxima aula. Até lá! Paulo H M Sousa prof.paulosousa@yahoo.com.br https://www.facebook.com/PauloHenriqueSousa Fórum de Dúvidas do Portal do Alunoeu assine o tal documento para que o art. 565 seja aplicado? Sim. Então, aplique! Agora, nem sempre um fato que existe na realidade fática (eu doei a minha casa para você, mediante um aperto de mão), atrairá a aplicação de um preceito (art. 538 do CC/2002: “Considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra.”). Por quê? Porque o fato do mundo real não chegou a entrar no mundo jurídico porque ele não foi suficiente para preencher o suporte fático exigido no art. 541 do CC/2002 (“A doação far-se-á por escritura pública ou instrumento particular.”). Mas, o que acontece com essa “doação” que eu fiz? E eu te respondo te perguntando: se o fato do mundo real não conseguiu fazer com que a norma jurídica da doação fosse aplicada, esse fato existe, no mundo jurídico? Claro que não, pois a norma nem chegou a incidir, e se a norma não incidiu, o fato nem existe para o Direito. Ela existe no mundo fático? Existe; mas não no mundo jurídico. Porém, curiosamente, esse meu aperto de mão pode significar outra coisa. Como? Apesar de não ser suporte fático suficiente para o art. 541, o meu aperto de mão, com a entrega da chave da minha casa a você pode ser suporte fático suficiente para a aplicação de outro artigo, o art. 462 (“O contrato preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado.”). Assim, eu não fiz uma doação, mas um contrato preliminar de doação, ou uma “promessa de doação”, que atrai a indecência das normas sobre pré-contrato. se SF (suporte fático) então deve ser P (preceito) Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 5 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Agora, e se eu pensei em doar minha casa a você, disse a um vizinho que doaria a casa a você, mandei uma mensagem para a minha mulher falando que iria doar a casa a você, mas não falei nada para você? Nesse caso, todos esses fatos não são suficientes nem para aplicar o art. 541 nem para aplicar o art. 462. Ou seja, não existe nem doação, nem promessa. Existe alguma coisa no mundo jurídico? Não, apesar de no mundo fático existir muita coisa. Assim, visualizando-se um dado suporte fático pode criar, modificar ou extinguir direitos, a depender da situação. Podemos separar, didaticamente, esses três momentos, especificamente. Quando se cria um direito, seu titular o adquire. Essa aquisição pode ser originária ou derivada. Originária é a aquisição que não guarda relação com eventual titular anterior do direito, como no caso da ocupação de uma coisa ou no caso da pesca em águas internacionais; não há direito anterior. Já no caso da aquisição derivada, que é a mais comum, o titular do direito posterior relaciona-se diretamente com o titular do direito anterior, como no caso da compra e venda. Relevante essa distinção porque a análise da aquisição do direito pode ou não ter em conta a titularidade anterior. Em havendo aquisição derivada, teremos a sucessão, que pode ser a título universal (um todo patrimonial ou uma cota indistinta dele) ou singular (conjunto de direitos ou bens determinados). Igualmente, essa sucessão pode ser entre vivos ou em decorrência da morte, inter vivos ou causa mortis, respectivamente. Essa aquisição, seja ela derivada ou originária, pode significar um direito atual ou futuro. O direito futuro depende de um elemento acidental do negócio (termo, por exemplo), como veremos adiante. Se o direito for futuro, pode ele ser deferido ou não deferido. Será deferido se a aquisição depende única e exclusivamente do próprio titular, como na aceitação da herança; será não deferido se não depender apenas dele, mas de evento externo, como na promessa de recompensa, que depende de o titular efetivamente cumprir o encargo a ela inerente. Nessa categoria de direitos futuros, vale mencionar uma distinção relevante: Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 6 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Tanto o direito eventual quanto o condicional dependem de um evento futuro e incerto, mas ao passo que o direito eventual depende de um elemento inerente ao próprio fato, o direito condicional depende de um elemento externo ao ato, segundo a lição de Venosa. No entanto, adiciona o autor, o tratamento prático de ambos é idêntico. Por outro lado, temos a categoria dos direitos potestativos, que nada mais são do a faculdade ou poder conferida a alguém, que pode exercê-la livremente enquanto persistir a situação jurídica que lhe dá base. Nesse caso, a contraparte simplesmente se sujeita. É o caso do divórcio; enquanto perdurar a situação jurídica de um casamento, pode uma parte propor a correspondente ação de divórcio, pelo que a contraparte se sujeitará, pura e simplesmente. Quanto à modificação do direito, pouco a falar. A modificação pode ser subjetiva (modifica-se o titular, como num direito creditório) ou objetiva (como na dação em pagamento), seja esta alteração qualitativa (a dação) ou quantitativa (pagamento parcelado ao invés de à vista). Há direitos, porém, que não admitem determinadas modificações, como os direitos personalíssimos. Por fim, assim como se adquire e se modifica um direito, se extingue ele. Perder e extinguir compreendem situações diferentes; ao passo que perder um direito significa que ele entra na esfera jurídica de outro titular (perda da propriedade por usucapião), a extinção “acaba” com o direito, que não entra na esfera de titularidade de outrem (formação em curso superior de alimentando). No mais, a forma de exercitar os direitos é própria da ciência processual, pelo que me remeto às aulas de Processo Civil para detalhes mais aprofundados sobre os assuntos. Vejamos os elementos do fato jurídico detalhadamente a partir de agora. • Direito incompleto, que depende de evento futuro, mas já subsiste embrionariamente, pelo que goza de proteção jurídica mínima Direito eventual • Mera potência,sem proteção jurídica Expectativa de direito • Depende do implemento de dada condição (visto adiante) Direito condicional Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 7 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa 12.2 – Estrutura 1. Suporte fático O fato (evento ou conduta). Em cada ramo do direito nós temos nomes diferentes para essa mesma coisa: fattispecie, fato gerador, fato imponível, tipo legal, pressuposto de incidência. O suporte fático divide-se em dois elementos: 1. subjetivo: o suporte fático tem de referir-se a um sujeito de direitos. Parte importante é que se o sujeito do fato não for o sujeito da norma não há incidência. Assim, por exemplo, eu não pago IPVA porque não tenho carro, ou não devo IPVA porque o carro não está no meu nome, pelo que não há suporte fático suficiente para que eu me enquadre no suporte de contribuinte. Igualmente, o Banco do Brasil SA não pode ser considerado consumidor, porque não consegue se incluir no suporte fático de uma relação de consumo; 2. objetivo: podem servir de suporte fático quaisquer bens da vida, exceto os bens pré-excluídos ou inapropriáveis pelo homem. Se o elemento for parte do núcleo ou um elemento completante, o fato jurídico será inexistente sem que estejam esses elementos presentes. Exemplo é o art. 481 do CC/2002: se não existir preço num contrato de compra e venda, não existe contrato de compra e venda. Posso pensar em algum efeito? Não, porque não existe coisa alguma Se o elemento for complementar, ele se refere ao aperfeiçoamento do fato jurídico. Assim, se ele não estiver presente, o fato jurídico existe, mas será defeituoso. Os elementos complementares dividem-seem três: a. sujeito: capacidade, legitimação e perfeição da manifestação (sem vícios); b. objeto: licitude, possibilidade, determinação; c. forma: prescrita ou não defesa em lei. Se o elemento foi integrativo, falamos apenas de um carga eficacial especial geralmente não prevista nas situações comuns. Esses elementos são exclusivos dos negócios jurídicos. Um exemplo é o registro do imóvel. Se a pessoa não fizer o registro, o contrato de compra e venda existe, vale e é plenamente eficaz entre os contratantes. Mas, em geral os contratantes, nesse caso, querem que o contrato tenha efeito apenas entre eles? Evidente que não; quer-se que tenha efeitos em relação a terceiros. Como se faz isso? Com um elemento integrativo do registo da transferência junto à matrícula do imóvel, que dá uma eficácia real sobre a eficácia obrigacional comum. Assim, nessa ordem, podemos pensar no exemplo de um contrato de compra e venda assinado por nascituro (que será inexistente), por incapaz (será nulo ou anulável), a non domino (ineficaz mesmo entre partes) ou por capaz que não Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 8 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa registra o imóvel na matrícula (eficaz entre as partes, mas ineficaz perante terceiros). 12.3 – Classificação Um suporte fático pode conter inúmeros fatos jurídicos diferentes ou um único fato jurídico ser uma complexidade de fatos que seja unitária. A classificação é feita pelos os elementos nucleares do fato: 1. a conformidade ou contrariedade com o direito; 2. a presença ou não de ato humano de vontade. Vale lembrar que o cerne tratado aqui é o elemento nuclear do suporte fático hipotético previsto na norma jurídica e não o suporte fático advindo do mundo real. Ou seja, não importa o nome que as pessoas dão a esse fato no mundo real, mas como o Direito o classifica. Assim, a compra e venda de um bem sem a previsão de preço não torna aquele contrato um contrato de compra e venda; ele será um contrato de doação. Não existe contrato de compra e venda sem preço, e ponto. Igualmente, não interessam outros fatos, por mais importantes que sejam, mas que nada têm a ver com a incidência da norma. Por exemplo, a causa da morte não interessa à transmissão da propriedade aos herdeiros. Morreu, transfere, e ponto. Porém, a causa da morte pode ser relevante para outros fatos jurídicos, como para a anulação de uma doação do morto pela pessoa que o matou (art. 557, inc. I do CC/2002). Suporte Fático Núcleo Inexistente Elemento completante Inexistente Elemento complementar, a. sujeito: capacidade, legitimação e perfeição da manifestação Defeito b. objeto: licitude, possibilidade, determinação Defeito c. forma: prescrita ou não defesa em lei Defeito Elemento integrativo Carga eficacial especial Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 9 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Partindo daquela classificação, vejamos cada um dos fatos jurídicos. Vamos nos ater aos fatos jurídicos conforme o Direito, ou seja, as espécies lícitas. Fato jurídico em sentido estrito É todo fato que independe da conduta humana na composição do suporte fático. Cuidado! A conduta humana pode estar presente, mas ela não interessa. Por exemplo, a frutificação de uma árvore ou o nascimento de uma criança, a maioridade e a morte. Em qualquer caso, o ato humano não é elemento necessário à composição do suporte fático suficiente, daí nominá-los de eventos, pois ocorrerão independentemente da vontade humana, naturalmente. Cuidado! Geralmente se chamam esses fatos de “naturais”. Não confunda com atos da natureza, eles são naturais pode são independentes da vontade humana. Atos-fatos jurídicos Outros fatos dependem de conduta humana para a concreção do suporte fático. Nos fatos jurídicos em sentido estrito não existia conduta humana nenhuma; aqui, existe conduta humana, mas a vontade humana não é relevante, pelo que não condutas avolitivas (sem vontade ou com vontade irrelevante). Temos, por exemplo, a caça ou a pesca. Precisa-se de uma conduta humana, ou o peixe ou o pássaro não se tornarão propriedade de ninguém, mas a vontade não interessa. Se eu queria apenas retirar o peixe do rio, mas não tomá-lo como minha propriedade isso não importa; se eu pesquei, pesquei e ponto. Atos jurídicos em sentido amplo Conforme Marcos Bernardes de Mello, ato jurídico é o fato jurídico cujo suporte fático tenha como núcleo uma exteriorização consciente de vontade, que tenha por objeto obter um resultado juridicamente protegido ou não proibido e possível. Em outras palavras, o suporte fático deve ser composto, primeiro, por uma exteriorização da vontade. Caso a pessoa não se exteriorize a vontade, inexiste o ato jurídico. Por exemplo, tenho vontade de comprar um carro, mas não exteriorizo, não contrato; tenho vontade de matar, mas não mato. Essa exteriorização se externa de determinada forma, ou através de uma manifestação de vontade (passar o cartão do ônibus na catraca) ou de uma declaração de vontade (afirma que vai se divorciar, acena com a mão num leilão). Segundo, o suporte fático deve ser composto pela consciência na vontade exteriorizada. A pessoa deve fazer a exteriorização com intuito de realizar aquela conduta relevante; se não há vontade de realizar aquele ato, ele é inexistente. Por exemplo, o aceno que eu fiz no leilão foi resultado de um espasmo muscular; não houve aceno, pelo que não houve aceitação da compra. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 10 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Havendo tais elementos, o suporte fático se compõe, produzindo duas situações distintas: 1. Ato jurídico em sentido estrito (ato não negocial) O direito acolhe a manifestação de vontade e pré-determina os efeitos que ela terá. Tais efeitos são inafastáveis e invariáveis, ou seja, são efeitos necessários, constituindo a chamada eficácia ex lege. Por exemplo, o art. 304 do CC/2002: Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor. O pagamento é um ato jurídico em sentido estrito, por quê? Não há necessidade de declarar, nem é necessário que queira constituir e nem se pode escolher efeitos outros que não previstos em lei. Se há um pagamento, inúmeros efeitos jurídicos se criam, independentemente da vontade das partes e mesmo contra a vontade das partes. Pagou, não ocorrem mais os efeitos da mora, e ponto. 2. Negócio jurídico (ato negocial) A manifestação de vontade não é apenas elemento do núcleo do suporte fático, mas se reconhece o poder de autorregulamento, dentro de certos limites, de modular os efeitos. São os chamados efeitos voluntários, ou eficácia ex voluntate. Nestes atos, o sistema jurídico não predetermina os efeitos do fato jurídico, ou seja, podem as pessoas escolher livremente a eficácia jurídica de sua atuação. Exemplo: no contrato de compra e venda a minha vontade é relevante para saber quais bens acessórios acompanharão o bem principal, como deixa claro o art. 94, como vimos: Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das circunstâncias do caso. Se as partes quiserem que as pertenças acompanhem, elas acompanham; se não, não acompanham. Podem, portanto, autorregularem- se. O ato negocial pode gerar-se de emanação de vontade de apenas um agente; são os chamados atos unilaterais. A vinculação dependerá da anuência da contraparte, mas isso são significa que o ato não produza, desde já, efeitos na esferajurídica alheia, como veremos mais adiante. A exemplo, o art. 854: Aquele que, por anúncios públicos, se comprometer a recompensar, ou gratificar, a quem preencha certa condição, ou desempenhe certo serviço, contrai obrigação de cumprir o prometido. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 11 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa 12.4 – Invalidades dos atos jurídicos Os elementos de existência estão presentes (uma pessoa assina um contrato e a outra, após assinar, promete cumprir certa obrigação), mas é necessário verificar que eles estão perfectibilizados. Se sim, o ato é válido, se não, se há um déficit, o ato é inválido; validade, portanto, é sinônimo de perfeição. Por isso, como regra, tenta-se um retorno ao status quo ante quando da invalidação do ato, pela ausência desses elementos que levam o ato à perfeição. Obviamente, necessário é atentar para a boa-fé de terceiros, mas isso não impede que se tente retornar as partes ao estado de coisas anterior. É, a rigor, a compreensão dada pelo art. 182: Anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam, e, não sendo possível restituí-las, serão indenizadas com o equivalente. DPE/BA – 2010 Julgue os próximos itens, a respeito dos defeitos e da nulidade dos negócios jurídicos. 29 Tanto nos casos de declaração de nulidade quanto nos de decretação de anulação do negócio jurídico, ocorre o retorno das partes à situação anterior. Comentários O item 29 está correto, já que, como eu disse acima, na invalidação do ato, seja tal invalidade decorrente de uma nulidade, seja ela decorrente de anulabilidade, o objetivo é exatamente retornar as coisas ao estado anterior. Espécies lícitas Fato jurídico em sentido estrito Atos-fatos jurídicos Atos jurídicos em sentido amplo Ato jurídico em sentido estrito (ato não negocial) Negócio jurídico (ato negocial) Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 12 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Assim, a invalidade (nulidade ou anulabilidade) é uma sanção àquele que infringe as normas jurídicas, no plano privado. Infelizmente, não podemos traçar uma Teoria Geral das Invalidades (ou Nulidades) porque há tantas exceções que a teoria se tornaria inútil. Ainda assim, só falaremos de validade nos atos jurídicos em sentido amplo, mas não no fato jurídico em sentido estrito (nascimento, morte), no ato-fato jurídico (caça, achado de tesouro) ou nos fatos ilícitos em sentido amplo (latrocínio, contrabando). Mas, você pode se perguntar, por quê? Porque é no ato jurídico em sentido amplo que a vontade é dirigida a obter determinados efeitos, uma vantagem a quem pratica. Quais são os pressupostos de validade dos atos jurídicos? Dividem-se em três categorias, segundo estabelece o art. 104, incisos do CC/2002: I. Sujeito A manifestação de vontade em si, se livre e perfeita. Se analisará se a exteriorização consciente de vontade se deu corretamente: a. Capacidade de agir A aptidão a tutelar seus próprios interesses: art. 1º do CC/2002 (possibilidade de ser titular de direitos e obrigações). Trata-se tanto da capacidade genérica quanto das capacidades específicas (capacidade de herdar, de negociar, de ser empresário), ou seja, a aptidão é pessoal. Por isso, pode ser a capacidade absoluta ou relativa (o praticado pelo absolutamente incapaz é nulo e pelo relativamente incapaz é anulável). b. Perfeição da manifestação: Não se questiona mais aqui a autenticidade da autoria (foi ou não foi ele, pois isso é elemento da existência). Sim, foi aquele agente que praticou. Sim, ele é capaz. Mas, além de ter capacidade, o sujeito tem que manifestar a vontade de maneira hígida e íntegra, ou seja, sem vícios (erro, dolo etc.) II. Objeto Se o ato está de acordo com o direito e a natureza (licitude, determinabil idade e possibilidade). III. Forma Atos relevantes exigem formas específicas. A regra, porém, é que todo ato tem forma (modo de exteriorização), que a rigor é qualquer uma, desde que seja um comportamento concludente, ou mesmo o silêncio, em certas situações. Assim, a falta de forma, ou a utilização de forma proibida, acarretará a invalidade (nulidade) do ato. Esse problema é, em geral, pequeno, porque vige a liberdade de formas (conforme os arts. 107 a 109 do CC/2002). Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 13 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Vamos agora ver as invalidades em suas espécies, as nulidades e as anulabilidades. 12.4.1. Nulidades As nulidades têm por núcleo os arts. 166 e 167 do CC/2002. Como regra, as nulidades podem ser alegadas por qualquer interessado, ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir, segundo dicção do art. 168. Por isso, segundo o parágrafo único desse mesmo artigo, as nulidades devem ser pronunciadas de ofício pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico. Nem o juiz, nem as partes podem suprir, assim, uma nulidade. Isso impede, também, que o negócio jurídico nulo seja confirmado pelas partes (ah, eu sei que é nulo, mas confirmo o negócio mesmo assim!), ou convalesça pelo decurso do tempo (prescrição ou decadência), segundo o art. 169 do CC/2002. Há uma norma excepcional, porém, que prevê decadência de ato nulo; é o caso do art. 48, parágrafo único do CC/2002, que vimos em aula passada: “Decai em três anos o direito de anular as decisões a que se refere este artigo, quando violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo, simulação ou fraude”, “Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria de votos dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso.” Vamos ver cada uma das situações. 1. Sujeito i. Capacidade de agir A incapacidade absoluta está exposta no art. 3º do CC/2002, conforme vimos em aula anterior, prevendo o art. 166, inc. I do CC/2002 a nulidade de atos praticados por absolutamente incapazes. Quando vamos verificar a incapacidade absoluta? a. menoridade Por razões biológicas e históricas, até os 16 é a pessoa incapaz, não podendo praticar qualquer ato jurídico. A realização desses atos se dá pelo representante. Cuidado! Sua prova pode questionar se todos os atos Não convalesce pelo decurso do tempo (prescrição e decadência) Nem o juiz nem as partes podem suprir Devem ser pronunciadas de ofício pelo juiz Podem ser alegadas por qualquer interessado e pelo MP NULIDADES Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 14 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa praticados pelo absolutamente incapaz são nulos. Se lermos o art. 166, inc. I do CC/2002 sem o devido cuidado, diríamos que sim. Mas a doutrina, por razões práticas, vai dizer que o ato praticado pelo absolutamente capaz, caso de pequena monta, é válido, ou os absolutamente incapazes não poderiam celebrar qualquer tipo de negócio. É só imaginar uma pessoa com 15 anos. Quer dizer que a entrada de cinema que ela comprou é nula? Ou a roupa pela qual pagou no shopping? Obviamente que não. b. ausência de discernimento Não basta estado patológico mental, há de se verificar se tal impede o discernimento e a consciência de atuação. Por isso, por exemplo, o psicopata, que é inimputável no Direito Penal, é capaz para determinados atos, no Direito Civil). Apesar de o mentalmente incapaz precisar de interdição, o ato é nulo mesmo sem que previamente tenha havido interdição. Mesmo que tenha momento de lucidez, nulo é o ato praticado por aquele que não possui discernimento. ii. Perfeição da manifestaçãoa. má-fé (objetiva) e iniquidade A boa-fé é, talvez, a situação mais corriqueira de negócio jurídico nulo. Todo negócio celebrado de má-fé é, assim, nulo. Por exemplo, é o que estabelece o art. 422 do CC/2002: Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé. A equidade funciona da mesma forma. Equidade é a igualdade “ajustada”, numa visão aristotélica de justiça, ou seja, a igualdade dos iguais e a desigualdade dos desiguais, na medida de sua desigualdade. É o caso de prestações excessivamente onerosas, que se tornam iníquas e, consequentemente nulas. Exemplo é o art. 478 do CC/2002: Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em vir tude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. b. simulação O que é simulação? Na linguagem jurídica é, segundo Pontes de Miranda: Ostenta-se o que não se quis; e deixa-se, inostensivo, aquilo que se quis. A nulidade da simulação está prevista no art. 167 do CC/2002: É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Mas, quando haverá simulação? O § 1º do artigo traz, nos incisos, as situações de simulação, de maneira exemplificativa: Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 15 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem (compra e venda de imóvel por “laranja”); II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira (compra e venda de um imóvel gratuitamente para o adúltero); III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados (faço um recibo pós- datado, para usar como prova, ou pagar menos tributos). Em regra, os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado são preservados, na dicção do art. 167, § 2º. c. Motivo determinante ilícito O motivo é a razão, o “porquê” do negócio. Em regra, o motivo é irrelevante, pois relevante é a causa, o fim do negócio (o para quê). Porém, a razão, o motivo, pode ser relevante, quando o motivo declarado for falso ou for ilícito. Se for falso, é o caso de erro (visto à frente), anulável ; se for ilícito, é nulo, conforme determina o art. 166, inc. III do CC/2002. O motivo tem de ser determinante, condutor do negócio e a ilicitude depende da lei, da moral, dos bons costumes, da boa-fé, segundo leciona o art. 122 do CC/2002: São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes. O motivo tem que ser comum, ou seja, se um sabia e o outro não, o motivo determinante não é ilícito. 2. Objeto a. ilicitude Nulidade prevista no art. 166, inc. II do CC/2002. Pode-se ter objeto ilícito tanto diretamente (por exemplo, um contrato para que o contratado mate alguém), quanto indiretamente (eu doo dinheiro ao matador de aluguel). O cuidado a se ter é que se tem de analisar os atos em conjunto, pois isoladamente são lícitos, eventualmente. No caso de infração direta, temos as nulidades textuais, ou seja, a Lei diz claramente que o ato é nulo, como no art. 489 do CC/2002: Nulo é o contrato de compra e venda, quando se deixa ao arbítrio exclusivo de uma das partes a fixação do preço. As nulidades virtuais, porém, são mais difíceis, já que a Lei não fala claramente que é nulo, sendo necessário uma construção doutrinária e jurisprudencial sobre cada caso. Exemplo disso é o art. 556 do CC/2002: Não se pode renunciar antecipadamente o direito de revogar a liberalidade por ingratidão do donatário. O artigo não menciona a sanção, mas se entende que é nulo. Ambas, nulidades textuais e virtuais estão previstas no art. 166, inc. VII do CC/2002. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 16 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa b. impossibilidade Nulidade também prevista no art. 166, inc. II do CC/2002. São quatro as situações de impossibilidade: i. cognoscitiva: impossibilidade de conhecer (guardar um lugar no céu); ii. lógica: contradição no negócio (as cláusulas ininteligíveis); iii. física: impossível no momento da execução da prestação (carro que dirige sozinho por qualquer lugar). Em geral, será sempre temporária, por conta dos avanços científicos, vide os carros que estão sendo desenvolvidos pelas montadoras e pelo Google; iv. jurídica: fisicamente é possível, mas não juridicamente, seja por lei ou por contrato. Por exemplo, a divisão da uma parcela de terra em porç ão menor que o módulo rural; fisicamente pode, mas juridicamente eu digo que não. c. indeterminabilidade Nulidade igualmente prevista no art. 166, inc. II do CC/2002. A indeterminação tem de ser absoluta, ou seja, não consigo determinar a prestação, de modo algum. Raríssima na prática, pelo que pouco importante na sua prova. 3. Forma A lei pode exigir forma específica ou proibir outras, em determinados atos, conforme estabelecem os incs. IV e V do art. 166 do CC/2002. Cuidado! Não confundir forma com instrumento no qual essa forma se realiza. Há inúmeros atos sem instrumento, mas com forma, como numa doação verbal, por exemplo. O ato nulo pode estar em instrumento válido, como a compra e venda em escritura particular, por exemplo; e o ato válido pode estar em instrumento nulo, como na escritura pública de compra e venda sem data, ou cujo oficial do registro foi afastado, por algum motivo. Mas, e por que isso é importante? No direito processual. Se o instrumento é nulo, a ação é uma, se a forma é nula, a ação é outra. Assim, se a nulidade ocorre porque o tabelião foi afastado, a ação é contra ele e contra o Estado. Se a nulidade decorre da falta de assinatura do vendedor, é contra ele que eu manejarei a ação. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 17 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa 12.4.2. Anulabilidades O núcleo das anulabilidades está no art. 171, mas ele é incompleto, pois faltam as anulabilidades específicas, que estão determinadas na lei e por ela espalhadas. Ao contrário das nulidades, as anulabilidades podem ser alegadas somente pelos interessados, segundo o art. 177 do CC/2002. Por isso, segundo esse mesmo dispositivo, as anulabilidades não podem ser pronunciadas de ofício pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico. Daí o negócio anulável poder ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiro, segundo regra do art. 172 do CC/2002. Essa confirmação, inclusive, nem precisa ser expressa, quando o negócio já foi cumprido em parte pelo devedor, ciente do vício que o inquinava, nos termos do art. 174. Com a confirmação extinguem-se todas as ações, ou exceções, de que contra ele dispusesse o devedor, a rigor, pelo teor do art. 175 do CC/2002. NULIDADES 1. Sujeito i . Capacidade de agir a. menoridade b. ausência de discernimento ii. Perfeição da manifestação a. má-fé (objetiva) e iniquidade b. simulação c. Motivo determinante i l ícito 2. Objeto a. i l icitude b. impossibilidade c. indeterminabilidade 3. Forma Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 18 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof.Paulo H M Sousa Não à toa, prevê o art. 183 que a invalidade do instrumento não induz a do negócio jurídico sempre que este puder provar-se por outro meio. Ou seja, mesmo inválido, anulável o instrumento, posso eu manter a validade do ato se puder prová-lo por outros meios legais. Por isso, as anulabilidades caducam. O art. 178 do CC/2002 estabelece quatro anos de prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado: I - no caso de coação, do dia em que ela cessar; II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico; III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade. Quando, porém, a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo para pleitear-se a anulação, será o prazo de dois anos, a contar da data da conclusão do ato, segundo o art. 179 do CC/2002. Quando for anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam. Se não for mais possível, serão indenizadas com o equivalente, na regra do art. 182. Por fim, em consonância com o princípio da conservação dos negócios jurídicos, o art. 184 do CC/2002 estabelece que: Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico não o prejudicará na parte válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da obrigação principal. DPE/RS – 2011 42. Incidência dos Institutos da prescrição e da decadência na teoria das invalidades do negócio jurídico. (A) Segundo o Código Civil, as nulidades, por ofenderem interesse público, podem ser arguidas pelas partes, sendo vedado ao juiz conhecê-las de Convalesce pelo decurso do tempo (prescrição e decadência) Podem ser supridas Não podem ser pronunciadas de ofício pelo juiz Não podem ser alegadas por qualquer interessado, apenas pelas próprias partes ANULABILIDADES Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 19 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa ofício em processo que verse sobre a validade de determinado negócio jurídico. (B) O negócio jurídico nulo não convalesce pelo decurso do tempo, razão pela qual apenas as anulabilidades estão sujeitas a prazos prescricionais. (C) A invalidade do instrumento contratual induz necessariamente a invalidade do negócio jurídico. (D) A decretação judicial é necessária para o reconhecimento de nulidades e anulabilidades, pois estas espécies de vícios não têm efeito antes de julgados por sentença. (E) Respeitada a intenção das partes, é cabível a manutenção do negócio jurídico no caso de reconhecimento de invalidade parcial, a qual não o prejudicará na parte válida se desta for separável. Comentários A alternativa A está incorreta, por aplicação inversa do art. 177: “A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se pronuncia de ofício; só os interessados a podem alegar, e aproveita exclusivamente aos que a alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade.” A alternativa B está incorreta. Cuidado! O art. 169 assim estabelece: “O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo.” No entanto, como eu disse, há exceções, sendo que vimos uma delas já anteriormente, e veremos mais adiante outras. A alternativa C está incorreta, porque, como se verá adiante, a norma expressa do art. 183 estabelece que “A invalidade do instrumento não induz a do negócio jurídico sempre que este puder provar-se por outro meio.” A alternativa D está incorreta, pois, por força de aplicação do art. 177 somente a anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença. A alternativa E está correta, já que, de acordo com o art. 184: “Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico não o prejudicará na parte válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da obrigação principal.” Vejamos as anulabilidades: 1. Sujeito i. Capacidade de agir a. falta de assentimento Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 20 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Prevista no art. 171, inc. I do CC/2002, trata da incapacidade relativa. O assentimento tem o sentido de aprovação, autorização. O correto não é dizer que a incapacidade relativa traz a anulabilidade, mas a falta de assentimento do responsável. Quando isso ocorrerá? Nas situações do art. 4º do CC/2002, cuja redação foi alterada pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015): I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; IV - os pródigos. Quem pratica o ato é sempre o incapaz, ao contrário do absolutamente incapaz, cujos atos são praticados pelo representante legal, em nome dele. Porém, para os relativamente incapazes os pais, tutores ou curadores devem assentir, seja no mesmo ato ou posteriormente, segundo dispõe o art. 176.Por isso, pode ocorrer de o relativamente incapaz praticar o ato, o responsável se negar a assentir e o incapaz requerer suprimento judicial do assentimento, caso a negativa seja por razão injusta. Por isso, pode ocorrer de o relativamente incapaz praticar o ato, o responsável se negar a assentir e o incapaz requerer suprimento judicial do assentimento, caso a negativa seja por razão injusta. Exceção à regra de que o ato praticado por incapaz sem assistência é anulável está no art. 180: O menor, entre dezesseis e dezoito anos, não pode, para eximir-se de uma obrigação, invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, declarou-se maior. Igualmente, se eu provo que o pagamento feito ao incapaz reverteu em benefício dele, o ato é válido, segundo o art. 181 do CC/2002: Ninguém pode reclamar o que, por uma obrigação anulada, pagou a um incapaz, se não provar que reverteu em proveito dele a importância paga. ii. Perfeição da manifestação (vícios de vontade) A vontade tem de ser exteriorizada. Se for interna, não se fala em vício, considerando-se o caso de reserva mental, conforme estabelece o art. 110). Se, porém, a vontade é exteriorizada defeituosamente, será inválida, segundo o art. 171, inc. II do CC/2002. São os seguintes casos: a. erro O erro nada mais é do que “a falsa representação psicológica da realidade”. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 21 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa O erro pode se dar quando não há paralelismo nas manifestações (empresto a caneta de ouro para o sujeito assinar um documento e ele acha que eu a doei), quando eu utilizo uma palavra plurívoca ou equívoca (carro A “completão”), quando minha vontade não é transmitida corretamente (pelo representante ou num anúncio incorreto), quando o objeto não corresponde ao que se negociou, qualitativa ou quantitativamente (brinco de ouro e folheado, obra de arte falsa), quando a pessoa não é ou não tem as qualidades imaginadas (só para os negócios intuitu personae: contratação de um pianista para um recital de órgão) ou mesmo quando acabo negociando algo errado (dito uma coisa a pessoa escreve errado e eu assinado sem ler). Quando se verificará o erro? Seus requisitos estão nos arts. 138 a 140 do CC/2002: I - interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a ele essenciais; II - concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoaa quem se refira a declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante; III - sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico. IV - não puder ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio; V - for razão determinante do negócio. DPE/ES – 2009 77. Será nulo o negócio jurídico se o motivo determinante de uma das partes for ilícito. Comentários O item 10 está incorreto, por aplicação do art. 140: “O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante”, incluído no rol das anulabilidades. Por isso, o erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir a declaração de vontade, não viciará o negócio quando, por seu contexto e pelas circunstâncias, se puder identificar a coisa ou pessoa cogitada. Igualmente, o erro de cálculo apenas autoriza a retificação da declaração de vontade. Tome cuidado com o erro de direito, pois no direito brasileiro ninguém pode escusar-se ao cumprimento da lei alegando seu desconhecimento (exceptio ignorantiae juris). Ou seja, o negócio poderá ser anulado, por erro, mas não pode o beneficiário da anulação negar-se ao cumprimento da lei. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 22 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Sempre que constatado o erro, o outro deverá indenizar. Pode-se, em qualquer caso, afastar a anulação se o outro consentir em cumprir de acordo com o que se pensara, conforme estabelece o art. 144 do CC/2002. DPE/AM – 2011 27. Dentre os defeitos do negócio jurídico, o direito elenca aqueles relacionados aos vícios de consentimento. Desses, é correto afirmar que o erro a) de direito é admitido no direito brasileiro para o não cumprimento do negócio, eximindo-se o interessado do cumprimento da lei. b) de direito sobre o motivo do negócio, é admitido e dá causa à sua anulação quando for seu motivo principal, não afastando o cumprimento da lei. c) de direito enquanto exceptio ignorantiae juris não afasta os efeitos da lei e do negócio em casos em que ficar demonstrada sua existência. d) referente à lei torna o negócio válido, mas essa lei aplicável a ele não será de cumprimento obrigatório. e) consubstancia exceptio ignorantiae juris, impedindo os efeitos da lei quando demonstrada a sua ignorância no negócio jurídico. Comentários A alternativa A está incorreta, pois o erro de direito não pode afastar o cumprimento da lei. Nesse sentido, vide o art. 139, inc. III: “O erro é substancial quando, sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico.” A alternativa B está correta, pelas mesmas razões adiantadas já na alternativa A. A alternativa C está incorreta, porque apesar de não afastar o cumprimento da lei, o erro de direito é causa de anulação do negócio, que é afastado. A alternativa D está incorreta, pelas mesmas razões adiantadas já na alternativa A. A alternativa E está incorreta, exatamente pela mesma razão da alternativa C, mas de modo inverso, porque apesar de ser causa de anulação do negócio, que é afastado, não pode o erro de direito ser usado para afastar o cumprimento da lei. b. dolo Dolo significa engano, embuste, traição, trapaça. É a ação ou omissão em induzir, fortalecer ou manter o outro na falsa representação da realidade para beneficiar a si ou a outrem, de modo que o negócio não se realizaria de outra maneira. Ou seja, o dolo nada mais é do que “induzir alguém em erro”. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 23 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa No dolo, portanto, não se exige qualquer sofisticação, basta “ajudar” o erro alheio que é dolo. Há linha tênue entre a propaganda enganosa e a exaltação das qualidades do produto. A doutrina e a jurisprudência entendem que o espalhafato e o exagero não são dolo. Porém, o silêncio, a depender do caso, pode ser considerado igualmente dolo, conforme estipula o art. 147 do CC/2002. E precisa o dolo ser praticado diretamente? Não, se terceiro colabora no dolo, desde que o outro negociante saiba ou devesse saber que aquilo não correspondia à realidade, é dolo, na dicção do art. 148. Por exemplo, enquanto estou comprando um produto pirata uma pessoa qualquer olha o produto e diz: “ah, esse aí é muito bom, já que é fabricado na Suíça, na longa tradição relojoeira de lá”, e o vendedor nada diz, se aproveitando da minha crença de que comprarei um relógio verdadeiramente suíço. Por isso, se o negócio se realizaria mesmo que eu soubesse que o produto era falso, mas não por aquele preço, há dolo incidental/acidental. Nesse caso, não se anula o negócio, apenas se indeniza o negociante prejudicado pelas perdas e danos, consoante regra do art. 146 do CC/2002. Por fim, o dolo deve ser a causa eficiente do negócio, conforme estabelece o art. 145 do CC/2002. Assim, se ambos sabiam do defeito, não é dolo invalidante, mas se caracteriza o dolo recíproco, conforme o art. 150, pelo que ninguém pode reclamar do negócio. Por exemplo, se eu compro um produto pirata, sabendo que era pirata, para me aproveitar do preço baixo, não posso alegar dolo da contraparte para receber meu dinheiro de volta. c. coação A vontade, aqui é viciada pelo medo de dano a si, à família, a outrem ou aos bens, segundo o art. 151 do CC/2002. O parágrafo único desse artigo diz que se a coação for contra terceiro, não pertencente à família do paciente, o juiz, com base nas circunstâncias, decidirá se houve coação. O dano tem de ser considerável, mas isso depende da análise judicial. O medo é igualmente relativo, pois varia de pessoa a pessoa, já que há mais fracos e mais fortes para suportar tortura psicológica, conforme estabelece o art. 152 do CC/2002. Assim, a ameaça com arma de brinquedo é coação, ainda que não seja suficiente para o aumento/qualificadora de pena do roubo. Há algumas situações que não caracterizam coação, ainda que pareçam, conforme estabelece o art. 153 do CC/2002: a ameaça do exercício normal de um direito e o simples temor reverencial. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 24 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa Tal qual no dolo, o coator pode ser terceiro, mas a parte beneficiada, para indenizar, deveria saber ou teria o dever de saber do temor. Se não soubesse, o terceiro coator é quem indeniza, mas o negócio continua válido, ou seja, há dever de indenizar independentemente da validade do negócio, conforme estabelecem os arts. 154 e 155 do CC/2002. d. estado de perigo Previsto no art. 156 do CC/2002: Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. É o caso do pai que, vendo o filho ser atingido por um tiro em confronto policial na rua, leva-o ao hospital, que exige soma excessiva para realizar a cirurgia. Tal qual a coação, o parágrafo único estendeu a verificação do estado de perigo a qualquer relação afetiva: Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz decidirá segundo as circunstâncias. Para que o estado de perigo se verifique devo analisar 5 pressupostos: 1. Dano: deve ser pessoal, não patrimonial, por mais importante que seja, ao contrário da coação; 2. Urgência e gravidade do dano/risco: que gera fundado temor, numa avaliação subjetiva, já que a ignorância e o desespero geralmente ocasionam temor exagerado, como, p.ex., a mãe que vê o filho com muito sangue no rosto, mas são apenas machucados na regiãodo supercílio, que habitualmente sangra bastante; 3. Relação de causa e efeito entre o perigo e o negócio: fiz o negócio para evitar o perigo; 4. Dolo da contraparte: o outro tem que saber que eu farei o negócio a qualquer custo; 5. Excessiva onerosidade: avaliada pelo negócio em si, e não em relação ao patrimônio do sujeito. DPE/BA – 2010 Julgue os próximos itens, a respeito dos defeitos e da nulidade dos negócios jurídicos. 30 Caso o declaratário desconheça o grave dano a que se expõe o declarante ou pessoa de sua família, não ficará caracterizado o estado de perigo. Comentários O item 30 está correto, já que, como eu disse acima, deve haver dolo da contraparte, ou seja, o outro tem de saber que a pessoa faria o negócio a qualquer custo. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 25 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa e. lesão A lesão, prevista no art. 157 do CC/2002, tem dois pressupostos: 1. Prestação manifestamente desproporcional: valorada pelo juiz. Por exemplo, vende a casa de 1 milhão por 100mil; 2. O negócio se deu por estado de necessidade ou inexperiência. A lesão é instituto controvertido, especialmente porque facilmente confundida com o estado de perigo. A lesão independe de o “lesador” saber do estado de necessidade ou inexperiência da contraparte; no estado de perigo, a desproporção da obrigação se origina exatamente porque eu sei que o outro precisa, sob risco de perder bem jurídico mais importante a ela. Na lesão ocorrida por inexperiência, o “lesado” às vezes sequer sabe que está sendo lesado. Como se mede a lesão no momento da assunção da prestação, pode o beneficiário manter o negócio, reduzindo a onerosidade a patamar justo, segundo o art. 157, § 2º do CC/2002. De qualquer forma, o juiz deve incitar as partes a evitar a anulação do negócio, na esteira do Enunciado nº. 149 da III Jornada de Direito Civil do CJF. DPE/BA – 2010 Julgue os próximos itens, a respeito dos defeitos e da nulidade dos negócios jurídicos. 31 Para que se caracterize lesão ao negócio jurídico, a desproporção entre a obrigação assumida pela parte declarante e a prestação oposta deve ser mensurada no momento da constituição do negócio. Comentários O item 31 está correto, já que, como eu disse acima, a lesão se verifica no momento da assunção da obrigação, que será desproporcional. DPE/PB – 2014 3. Sob premente necessidade financeira, João vende a Luís imóvel por um terço do valor de mercado. Tal negócio é (A) nulo, pelo vício denominado coação, não podendo ser convalidado pela vontade das partes. (B) nulo, pelo vício denominado estado de perigo, não podendo ser convalidado pela vontade das partes. Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 26 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa (C) anulável, pelo vício denominado lesão, podendo ser convalidado pela vontade das partes. (D) anulável, pelo vício denominado estado de perigo, podendo ser convalidado pela vontade das partes. (E) anulável, pelo vício denominado lesão, não podendo ser convalidado pela vontade das partes. Comentários A alternativa A está incorreta, já que o exercício não traz informação alguma sobre João ter sido coagido a vender o bem; simplesmente se diz que ele o vendeu por um terço do valor. A alternativa B está incorreta, porque o exercício não menciona, em momento algum, que João passava por necessidade premente de salvar a si ou familiar, de qualquer natureza, mas apenas por necessidade financeira. A alternativa C está correta, pois, neste caso, ocorreu lesão, já que é possível visualizar a manifesta desproporção entre a prestação e a contraprestação, dando-se o negócio por premente necessidade financeira de João. A alternativa D está incorreta, pelas mesmas razões mencionadas na alternativa B, acima. A alternativa E está incorreta, porque, apesar de se tratar de situação de lesão, pode o negócio ser convalidado pelas partes, a teor do art. 157, § 2º do CC/2002, quando a contraparte reduzir equitativamente o valor da prestação, readequando o negócio. 2. Objeto a. fraude contra credores Marcos Bernardes de Mello assim conceitua a fraude contra credores: Constitui fraude contra credores todo o ato de disposição e oneração de bens, créditos e direitos, a título gratuito ou oneroso, praticado por devedor insolvente, ou por ele tornado insolvente, que acarrete redução de seu patrimônio, em prejuízo de credor preexistente. São quatro os pressupostos de sua constituição: 1. ato de disposição: redução do patrimônio apto a saldar dívidas, por meio de quaisquer negócios: doação, venda, dação em pagamento, pagamento de credor quirografário antecipadamente, perdão de dívida, dar garantias a dívida e renúncia a direitos hereditários, segundo os arts. 158 e 159 do CC/2002; 2. Insolvência: mesmo grande redução patrimonial não leva à insolvência, pois o objetivo é assegurar os credores. A análise aqui é puramente matemática, na dicção do art. 158 do CC/2002; 3. Anterioridade do crédito: a dívida tem de ser anterior ao ato de disposição que leve à insolvência, segundo o §2º desse artigo); 4. Eventum damni: o evento deve trazer prejuízo, dano, ao credor. As ações em relação à fraude contra credores vão variar, conforme sejam dívidas civis (feitas por não-empresários ou por empresários em dívidas que Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 27 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa não sejam próprias da atividade empresarial) ou empresariais (feitas por empresários na atividade empresarial. Quanto à dívida civil é importante mencionar a Ação Anulatória, também chamada de Ação Pauliana (sim, eu tenho uma ação processual com o MEU NOME!) A Ação Pauliana independe de instauração de procedimento falimentar. Assim, a prova da fraude (concilium fraudis) ocorre na própria ação. Essa ação não atinge terceiros adquirentes de boa-fé, segundo norma do art. 161 do CC/2002. Porém, a ação pode ser manejada contra o devedor insolvente, quem com ele celebrou a estipulação e terceiros de má-fé: Art. 161. A ação, nos casos dos arts. 158 e 159, poderá ser intentada contra o devedor insolvente, a pessoa que com ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta, ou terceiros adquirentes que hajam procedido de má-fé. Se o credor quirografário receber do devedor insolvente o pagamento da dívida ainda não vencida, ficará obrigado a repor, em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores, aquilo que recebeu, nos termos do art. 162 do CC/2002. Além disso, segundo o art. 163, presumem-se fraudatórias dos direitos dos outros credores as garantias de dívidas que o devedor insolvente tiver dado a algum credor. Presumem-se, porém, de boa-fé e valem os negócios ordinários indispensáveis à manutenção de estabelecimento mercantil, rural, ou industrial, ou à subsistência do devedor e de sua família, segundo o art. 164 do CC/2002. Há ainda um rol bastante extenso de anulabilidades específicas tratadas em lei. Como, porém, falaremos de todo o Direito Civil nas próximas aulas, tratarei dessas anulabilidades no momento adequado a cada situação, para evitar um decoreba, agora. DPE/AM – 2013 27. São nulos os atos (A) praticados com a reserva mental de se descumprir a avença, tenha ou não conhecimento do fato o destinatário da manifestação. (B) emanados de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. (C) quando a lei taxativamente os declarar nulos ou lhes proibir a prática sem cominar sanção. (D) praticados sob coação ou em fraude contra credores.Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 28 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa (E) praticados pelos relativamente incapazes. Comentários A alternativa A está incorreta, já que, segundo o art. 110, “A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento.” A alternativa B está incorreta, a teor do art. 138: “São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio.” A alternativa C está correta, de acordo com o art. 166, inc. VII: “É nulo o negócio jurídico quando a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção." A alternativa D está incorreta, na forma do art. 171, inc. II: “Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores.” A alternativa E está incorreta, consoante regra do art. 171, inc. I: “Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico por incapacidade relativa do agente”. Anulabilidades 1. Sujeito i . Capacidade de agir a. falta de assentimento ii. Perfeição da manifestação (vícios de vontade) a. erro b. dolo c. coação d. estado de perigo e. lesão 2. Objeto a. fraude contra credores 3. Anulabilidades específicas Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 29 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa DPE/RS – 2014 34. Conforme a teoria das invalidades e as categorias sistematizadas pelo Código Civil de 2002, considera-se como nulidade absoluta a situação em que o sujeito (A) confessa dívida em favor de amigo para fraudar a esposa deste em processo de separação. (B) assina caução excessivamente onerosa a instituição hospitalar por estar premido da necessidade de salvar familiar. (C) adquire bem com qualidade essencial que este não possui, em razão de induzimento doloso por parte do vendedor. (D) realiza negócio jurídico contra sua vontade, em razão de ameaça praticada pelo declaratário contra o declarante e sua família. (E) pratica doação de patrimônio que o coloca em situação de insolvência, com o objetivo de prejudicar credores. Comentários Apesar de ser de 2014, esse exercício ainda usa a nominação dos vícios do CC/1916, distinguindo as nulidades absolutas das nulidades relativas, atualmente nominadas de nulidades e anulabilidades, respectivamente. A alternativa A está correta. Que vício é esse? A alternativa tem uma PEGADINHA maldosa, já que fala em “fraudar”. Na realidade, o que o sujeito fez? Ele simulou um negócio. Segundo o art. 167, § 1º, inc. I: “Haverá simulação nos negócios jurídicos quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem”. A alternativa B está incorreta, já que este é um caso de estado de perigo, cujo defeito gera a anulabilidade e não nulidade (“Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa.”). A alternativa C está incorreta, pois temos aí um caso de dolo, também anulável (“Art. 145. São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa”). A alternativa D está incorreta, porque essa situação retrata a coação, mais uma vez, anulável (“Art. 151. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens”). A alternativa E está incorreta, dado que a fraude contra credores, igualmente, gera anulação do negócio, e não sua nulidade (“Art. 158. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos”). Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 30 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa 12.5 – Eficacização: condição, termo e encargo Eventualmente, há a subordinação de um negócio jurídico a um elemento eficacial. De modo sucinto, o CC/2002, introdutoriamente, estabelece três elementos eficaciais que nos interessam: a condição, o termo e o encargo. Mas, como distingui-los? Primeiro, a condição está claramente disposta no Código: Art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. No entanto, não é qualquer condição que pode ser estipulada pelas partes. Ao contrário, o art. 122 estabelece que a condição não pode violar a lei, a ordem pública e os bons costumes. Ainda, são proibidas as condições que privem de todo efeito o negócio jurídico, ou que o sujeitem ao puro arbítrio de uma das partes. O art. 123, por sua vez, estabelece que invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas; II - as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita; III - as condições incompreensíveis ou contraditórias. No caso do inc. I, se a condição for impossível, o negócio não será atingido em sua validade. A condição, se for resolutiva, será tida simplesmente como inexistente (art. 124). A condição será resolutiva quando por fim ao negócio, extingui-lo. Assim, por exemplo, doarei mensalmente a você uma quantia em dinheiro enquanto você estiver na faculdade. No momento em que você sai da faculdade, resolve- se o negócio. A condição suspensiva, por sua vez subordina a eficácia do negócio. Assim, por exemplo, doarei uma quantia em dinheiro a você se você passar na prova. Se a condição for suspensiva, ainda não se adquire o direito, conforme regra do art. 125. Se for resolutiva, o direito já foi adquirido, vigorando até sua resolução, de acordo com o art. 127. Por isso, segundo o art. 128: Sobrevindo a condição resolutiva, extingue-se, para todos os efeitos, o direito a que ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua realização, salvo disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé. No entanto, mesmo que pendente condição suspensiva ou resolutiva, permite- se que o titular desse direito ainda eventual pratique os atos destinados a conservar tal direito (art. 130). Do contrário, se o titular do direito individual não pudesse fazê-lo, poderia vir a perder esse direito sem que pudesse sequer defende-lo. Por fim, se aquele que estipulou a condição manipule de má-fé a situação, de modo que a condição não se implemente, presume-se o implemento dessa Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 31 de 63 DIREITO CIVIL – DPE/ES Teoria e Questões Aula 02 – Prof. Paulo H M Sousa condição, em favor do outro. Ao contrário, se aquele a quem aproveita a condição age de má-fé para que ela se implemente, perderá o direito, por força do art. 129 do CC/2002. O termo, por sua vez, é aquilo que chamamos de “prazo” (na verdade, o prazo é o espaço de tempo entre o termo inicial e o termo final). É, portanto, um evento futuro e certo. Pode o termo ser inicial (“início do prazo”) ou final (“fim do prazo”). Como se trata de evento certo, o