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2 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias V O LU M E 1 E.O. AprEndizAgEm 1. (Upe-ssa 1 2022) A Filosofia aparece na Grécia por volta do século VII, antes de nossa era. Os primeiros fi- lósofos foram designados pré-socráticos; Tales, Herácli- to e Parmênides são alguns desses primeiros filósofos. Embora cada um deles tivesse um pensamento bastan- te peculiar, havia um problema comum que norteava a filosofia em seus primeiros anos de vida. Assinale a alternativa que corresponde ao debate fun- damental dos pré-socráticos. a) Procuravam definir o princípio de todas as coisas, isto é, aquilo pelo qual existem e subsistem todas as coisas. b) Procuravam definir a essência de Deus, ou seja, como é possível criar o mundo a partir de seu exterior. c) Procuravam estabelecer quais as melhores leis para a Pólis, isto é, qual a melhor forma de governo. d) Procuravam distinguir a essência humana da essência dos outros seres, quer dizer, as características basilares do gênero humano. e) Procuravam estabelecer um método científico, ou seja, comprovar empiricamente a importância da filosofia. 2. (Upe-ssa 1 2022) Observe a tirinha de Mafalda: Com os Sofistas e com Sócrates, a filosofia passa tam- bém a se perguntar sobre as ações humanas. Além de problematizar os modos de vida, a filosofia também propunha, e ainda hoje propõe, modelos ou formas de agir no mundo e nas relações com os outros. Assinale a alternativa que corresponde à área da filoso- fia responsável em discutir as ações humanas. a) Estética d) Religião b) Ontologia e) Epistemologia c) Ética 3. (Uepg-pss 1 2022) Sobre os mitos gregos, assinale o que for correto. 01) Eles apresentam uma religião de base politeísta. 02) Eles trazem também em suas narrativas a repre- sentação de fenômenos da natureza. 04) Eles se baseiam numa teologia monoteísta. 08) A religião politeísta apresentada na mitologia grega traz o antropomorfismo como uma de suas ca- racterísticas. 4. (Enem 2021) Sócrates: “Quem não sabe o que uma coisa é, como poderia saber de que tipo de coisa ela é? Ou te parece ser possível alguém que não conhece ab- solutamente quem é Mênon, esse alguém saber se ele é belo, se é rico e ainda se é nobre? Parece-te ser isso pos- sível? Assim, Mênon, que coisa afirmas ser a virtude?”. PLATÃO. MênOn. RiO de JAneiRO: PUC-RiO; SÃO PAULO: LOyOLA, 2001 (AdAPTAdO). A atitude apresentada na interlocução do filósofo com Mênon é um exemplo da utilização do(a) a) escrita epistolar. b) método dialético. c) linguagem trágica. d) explicação fisicalista. e) suspensão judicativa. 5. (Ufu 2021) “Meti-me, então, a explicar-lhe que su- punha ser sábio, mas não o era. A consequência foi tornar-me odiado dele e de muitos dos circunstantes. Ao retirar-me, ia concluindo de mim para comigo: ‘Mais sábio do que esse homem eu sou; é bem provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tam- pouco suponho saber”. PLATÃO, defeSA de SóCRATeS, v. ii. SÃO PAULO: AbRiL CULTURAL, 1972, P. 15. APUd ARAnHA, M.L.A. e MARTinS, M.H.P. fiLOSOfAndO. SÃO PAULO, MOdeRnA: 2009. INTRODUÇÃO À FILOSOFIA: PRÉ-SOCRÁTICOS, SOFISTAS E SOCRÁTES COMPETÊNCIA(s) x, x, x, x e x HABILIDADE(s) x, x, x, x, x, x e x CH MÓDULO 1 TA TI AN A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 3 V O LU M E 1 A partir do trecho, é correto afirmar que a sabedoria de Sócrates consiste em a) reconhecer a própria ignorância e ver nisso uma grande virtude. b) recusar-se a reconhecer a sabedoria alheia por pura vaidade. c) atribuir valor ao conhecimento dos sábios sem lhes fazer críticas. d) acreditar que ele e os outros são conhecedores de importantes verdades. 6. (Uece 2021) Considere o seguinte trecho da obra de John Burnet sobre o surgimento da filosofia na Grécia: “Foi somente após se desarticularem a visão tradicional do mundo e as normas costumeiras de vida que os gre- gos começaram a sentir as necessidades que a filosofia da natureza e da conduta procuram satisfazer”. bURneT, J. A AURORA dA fiLOSOfiA gRegA. TRAd. bRAS. veRA RibeiRO. RiO de JAneiRO: ediTORA PUC-RiO, 2006. No que diz respeito ao surgimento da filosofia na Gré- cia, a tese de John Burnet defende que a) a filosofia rearticula a visão tradicional do mundo e as formas de conduta. b) há uma ruptura entre a filosofia da natureza e da conduta e a visão tradicional. c) a filosofia mantém, transmutando-a numa nova forma dircursiva, a mitologia. d) a filosofia, embora tenha mudado a visão da natu- reza, mantém a ética anterior. 7. (Ufu 2020) “Tenho isto em comum com as parteiras: sou estéril em sabedoria; e aquilo que há anos muitos censuram em mim, que interrogo os outros, mas nunca respondo por mim porque não tenho pensamentos sá- bios a expor, é censura justa”. (Teeteto, 15c). O trecho acima é do livro Teeteto, de Platão, no qual Sócrates (469 – 399 a.C.) descreve sua arte chamada de maiêutica, em grego, o parto, sendo que, pelo que se entende pelo excerto, a principal caracterização da maiêutica é a aporia, que pode ser entendida como um método de refletir filosoficamente que a) reforça as hipóteses sem fundamentação. b) desvela a ignorância dos interlocutores. c) valoriza os pensamentos intransigentes. d) aceita a opinião comum como sabedoria. 8. (Ufu 2020) “[...] em lugar de querer apresentar a fi- losofia como inovação radical, como queria Burnet; e também, em lugar de apresentar a filosofia como pura continuação do herdado, como queria Conford quando afirma que a filosofia era continuação racional do que os mitos narravam, Vernant apresenta as condições his- tóricas, culturais e políticas que marcaram o surgimento da filosofia.” CHAUÍ, MARiLenA. inTROdUçÃO à fiLOSOfiA: dOS PRé-SOCRáTiCOS A ARiSTóTeLeS. SÃO PAULO: CiA dAS LeTRAS, 2002. P. 36. (AdAPTAdO) De acordo com o excerto acima, a terceira corrente compreende o surgimento da Filosofia de um modo diferente de suas antecessoras, pois considera que a origem da Filosofia foi a) promovida pela influência oriental e pelo fenôme- no do milagre grego. b) impulsionada pela genialidade do povo grego sem influência externa. c) decorrente da história e não do súbito despertar do espírito helênico. d) provocada pela expansão do domínio grego sobre os povos bárbaros. 9. (Uece 2020) Atente para a seguinte passagem que expressa uma das mais importantes e longevas formas de explicação e de interpretação do mundo e da vida humana: “Odin é o mais poderoso e mais velho dos deuses. Ele conhece muitos segredos. Abriu mão de um dos seus olhos em troca de sabedoria. Odin tem muitos nomes. É o Pai de Todos, o senhor dos mortos, o deus da força”. gAiMAn, neiL. MiTOLOgiA nóRdiCA. RiO de JAneiRO: inTRÍnSeCA, 2018. P. 19-20 (AdAPTAdO). Sobre esta forma de explicação da realidade, é correto afirmar que a) se trata da forma racional-filosófica de pensamen- to, subjacente à cultura dos povos da antiguidade, tais como gregos, romanos e nórdicos. b) se refere ao conhecimento artístico, tão caracterís- tico das formas de expressão do início da vida social humana. c) representa a maneira mitológica de explicação da realidade, baseada, essencialmente, na existência de seres sobrenaturaisque conduzem a vida humana. d) explicita o conhecimento científico ainda em seu iní- cio, baseado na proposição de percepções hipotéticas sobre a origem dos humanos a partir das divindades. 10. (Enem 2017) Uma conversação de tal natureza transforma o ouvinte; o contato de Sócrates paralisa e embaraça; leva a refletir sobre si mesmo, a imprimir à atenção uma direção incomum: os temperamentais, como Alcibíades, sabem que encontrarão junto dele todo o bem de que são capazes, mas fogem porque re- ceiam essa influência poderosa, que os leva a se censu- rarem. E sobretudo a esses jovens, muitos quase crian- ças, que ele tenta imprimir sua orientação. bRéHieR, e. HiSTóRiA dA fiLOSOfiA. SÃO PAULO: MeSTRe JOU, 1977. O texto evidencia características do modo de vida so- crático, que se baseava na a) contemplação da tradição mítica. b) sustentação do método dialético. c) relativização do saber verdadeiro. d) valorização da argumentação retórica. e) investigação dos fundamentos da natureza. TA TI AN A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias V O LU M E 1 E.O. FixAçãO 1. (Enem 2022) Advento da Polis, nascimento da filoso- fia: entre as duas ordens de fenômenos, os vínculos são demasiado estreitos para que o pensamento racional não apareça, em suas origens, solidário das estruturas sociais e mentais próprias da cidade grega. Assim reco- locada na história, a filosofia despoja-se desse caráter de revelação absoluta que às vezes lhe foi atribuído, saudando, na jovem ciência dos jônios, a razão intem- poral que veio encarnar-se no Tempo. A escola de Mileto não viu nascer a Razão; ela construiu uma Razão, uma primeira forma de racionalidade. Essa razão grega não é a razão experimental da ciência contemporânea. veRnAnT, J. P. ORigenS dO PenSAMenTO gRegO. RiO de JAneiRO: difeL, 2002. Os vínculos entre os fenômenos indicados no trecho fo- ram fortalecidos pelo surgimento de uma categoria de pensadores, a saber: a) Os epicuristas, envolvidos com o ideal de vida feliz. b) Os estoicos, dedicados à superação dos infortúnios. c) Os sofistas, comprometidos com o ensino da retórica. d) Os peripatéticos, empenhados na dinâmica do ensino. e) Os poetas rapsodos, responsáveis pela narrativa do mito. 2. (Uece 2021) Observe a seguinte passagem do diálo- go entre Sócrates e Glauco em A República: “Sócrates – Não afirmamos ser impossível à parte ra- cional da alma ter opiniões contrárias, ao mesmo tem- po, sobre as mesmas coisas? Glauco – Afirmamos, e com razão. Sócrates – Portanto, a parte da alma que formula uma opinião à margem da medida não poderá ser a mesma que opina com medida. Glauco – Com efeito, não. Sócrates – Mas por certo que a parte que confia na me- dida e no cálculo é a melhor parte da alma. Glauco – Sem dúvida.” PLATÃO. A RePúbLiCA, 602d-603A. TRAd. PORT. MARiA HeLenA dA ROCHA PeReiRA. – 9ª ediçÃO. LiSbOA: CALOUSTe gULbenkiAn, 2001. AdAPTAdO. No contexto do diálogo acima, o trecho “ser impossí- vel à parte racional da alma ter opiniões contrárias, ao mesmo tempo, sobre as mesmas coisas” expressa a) a tese psicológica da alma unitária. b) a exigência ética de não mentir. c) o princípio lógico da identidade. d) a impossibilidade do discurso falso. 3. (Unesp 2021) A crítica de Sócrates aos sofistas con- siste em mostrar que o ensinamento sofístico limita-se a uma mera técnica ou habilidade argumentativa que visa a convencer o oponente daquilo que se diz, mas não leva ao verdadeiro conhecimento. A consequência disso era que, devido à influência dos sofistas, as deci- sões políticas na Assembleia estavam sendo tomadas não com base em um saber, ou na posição dos mais sá- bios, mas na dos mais hábeis em retórica, que poderiam não ser os mais sábios ou virtuosos. (dAniLO MARCOndeS. iniCiAçÃO à HiSTóRiA dA fiLOSOfiA, 2010.) De acordo com o texto, a crítica socrática aos sofistas dizia respeito a) ao entendimento de que o verdadeiro conhecimento baseava-se no exercício da retórica. b) à desvalorização da pluralidade de opiniões e de posi- cionamentos político-ideológicos. c) ao prevalecimento das técnicas discursivas nas decisões da Assembleia acerca dos rumos das cidades-Estado. d) ao predomínio de líderes pouco sábios e com poucas virtudes na composição da Assembleia. e) à defesa de formas tirânicas de exercício do poder de- senvolvida pela retórica convincente. 4. (Enem digital 2020) Há um tempo, belas e boas são todas as ações justas e virtuosas. Os que as conhecem nada podem preferir-lhes. Os que não as conhecem, não somente não podem praticá-las como, se o tentam, só cometem erros. Assim praticam os sábios atos belos e bons, enquanto os que não o são só podem descambar em faltas. E se nada se faz justo, belo e bom que não pela virtude, claro é que na sabedoria se resumem a justiça e todas as mais virtudes. XenOfOnTe. diTOS e feiTOS MeMORáveiS de SóCRATeS. APUd CHALiTA, g. vivendO A fiLOSOfiA. SÃO PAULO: áTiCA, 2005. Ao fazer referência ao conteúdo moral da filosofia so- crática narrada por Xenofonte, o texto indica que a vida virtuosa está associada à a) aceitação do sofrimento como gênese da felicidade suprema. b) moderação dos prazeres com vistas à serenidade da alma. c) contemplação da physis como fonte de conheci- mento. d) satisfação dos desejos com o objetivo de evitar a melancolia. e) persecução da verdade como forma de agir corre- tamente. 5. (Uece 2020) Antes do surgimento do pensar racional- -filosófico, os povos antigos possuíam outra forma de explicação do mundo: o pensamento mítico. Considerando as características do conhecimento míti- co, atente para o que se afirma a seguir e assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso. ( ) A mitologia foi a segunda forma de explicação so- bre o mundo, sucedendo as explicações fornecidas pe- las ciências dos antigos povos, como a agrimensura e a astrologia. TA TI AN A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 5 V O LU M E 1 ( ) Os mitos eram transmitidos por gerações, princi- palmente através da forma narrativa e faziam parte da tradição cultural de um povo, não sendo originários da criação por parte de um indivíduo específico. ( ) A mitologia explicava a origem do mundo e depen- dia da adesão, pelas pessoas, de um conjunto de verda- des tidas como inquestionáveis e imunes à crítica. ( ) Baseado, principalmente, nas forças da natureza – physis –, as mitologias antigas, ao contrário das re- ligiões que as sucederam, evitavam o recurso às forças sobrenaturais como fonte de explicação da existência. A sequência correta, de cima para baixo, é: a) F, V, V, F. b) V, F, V, F.c) F, V, F, V. d) V, F, F, V. 6. (Enem digital 2020) Os sofistas inventam a educa- ção em ambiente artificial, o que se tornará uma das características de nossa civilização. Eles são os profis- sionais do ensino, antes de tudo pedagogos, ainda que seja necessário reconhecer a notável originalidade de um Protágoras, de um Górgias ou de um Antifonte, por exemplo. Por um salário, eles ensinavam a seus alunos receitas que lhes permitiam persuadir os ouvintes, de- fender, com a mesma habilidade, o pró e o contra, con- forme o entendimento de cada um. HAdOT, P. O qUe é A fiLOSOfiA AnTigA? SÃO PAULO: LOyOLA, 2010 (AdAPTAdO). O texto apresenta uma característica dos sofistas, mes- tres da oratória que defendiam a(o) a) ideia do bem, demonstrado na mente com base na teoria da reminiscência. b) relativismo, evidenciado na convencionalidade das instituições políticas. c) ética, aprimorada pela educação de cada indivíduo com base na virtude. d) ciência, comprovada empiricamente por meio de conceitos universais. e) religião, revelada pelos mandamentos das leis di- vinas. 7. (Uece 2019) A dialética não é um mero método que organiza, mentalmente, na cabeça do filósofo, a reali- dade que lhe é exterior. Ao contrário, a dialética é, para autores como Hegel e Marx, a única forma de ler a rea- lidade sem traí-la ou distorcê-la, pois é na própria reali- dade que se situam as contradições dialéticas. Ciente dessa compreensão, assinale a opção que expri- me corretamente essa identificação da contradição do real com a forma de pensar. a) O filósofo, ao olhar para o real, identifica-o como um mundo ausente de negações, fixo e imóvel, como o ser no poema de Parmênides. b) Como pensou Platão, o devir dos entes finitos lhes permite participar de ideias contraditórias, mas estas próprias ideias não devêm. c) Como pensou Heráclito, a própria realidade é reple- ta de mudanças e conflitualidades, o que faz com que o filósofo a pense mutável e contraditória. d) A realidade, como pensou Demócrito, é um turbi- lhão de átomos agregando-se e desagregando-se em uma queda perpétua no vazio. 8. (Uel 2019) Leia o texto a seguir. Os corcéis que me transportam, tanto quanto o ânimo me impele, conduzem-me, depois de me terem dirigido pelo caminho famoso da divindade [...] E a deusa aco- lheu-me de bom grado, mão na mão direita tomando, e com estas palavras se me dirigiu: [...] Vamos, vou dizer- -te – e tu escuta e fixa o relato que ouviste – quais os únicos caminhos de investigação que há para pensar, um que é, que não é para não ser, é caminho de con- fiança (pois acompanha a realidade): o outro que não é, que tem de não ser, esse te indico ser caminho em tudo ignoto, pois não poderás conhecer o não-ser, não é possível, nem indicá-lo [...] pois o mesmo é pensar e ser. PARMênideS. dA nATURezA, fRAgS. 1-3. TRAd. JOSé TRindAde SAnTOS. 2. ed. SÃO PAULO: LOyOLA, 2009. P. 13-15. Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filoso- fia de Parmênides, assinale a alternativa correta. a) Pensar e ser se equivalem, por isso o pensamento só pode tratar e expressar o que é, e não o que não é – o não ser. b) A percepção sensorial nos possibilita conhecer as coisas como elas verdadeiramente são. c) O ser é mutável, eterno, divisível, móvel e, por isso, a razão consegue conhecê-lo e expressá-lo. d) A linguagem pode expressar tanto o que é como o que não é, pois ela obedece aos princípios de contra- dição e de identidade. e) O ser é e o não ser não é indica que a realidade sensível é passível de ser conhecida pela razão. 9. (Ufu 2019) Sócrates buscou verdades absolutas, en- quanto os sofistas, por sua vez, afirmaram que a verda- de era construída pela linguagem, logo, para eles, todo conhecimento era relativo. “Embora em sua época tenha sido confundido com os sofistas, Sócrates travou uma polêmica profunda com estes filósofos. Ele procurava um fundamento último para as interrogações humanas (O que é o bem? O que é a virtude? O que é a justiça?)”. COTRiM, giLbeRTO e feRnAndeS, MiRnA. fUndAMenTOS de fiLOSOfiA. SÃO PAULO: SARAivA, 2017. P. 284 Com base nas considerações e no excerto acima, diz-se que Sócrates buscava principalmente a) valores relativos. b) verdades morais. c) domínio retórico. d) ensinar dogmas. TA TI AN A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 6 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias V O LU M E 1 10. (Ufpr 2019) Quando soube daquele oráculo, pus-me a refletir assim: “Que quererá dizer o Deus? Que sentido oculto pôs na resposta? Eu cá não tenho consciência de ser nem muito sábio nem pouco; que quererá ele então significar declarando-me o mais sábio? Naturalmente não está mentindo, porque isso lhe é impossível”. Por longo tempo fiquei nessa incerteza sobre o sentido; por fim, muito contra meu gosto, decidi-me por uma inves- tigação, que passo a expor. (PLATÃO. defeSA de SóCRATeS. TRAd. JAiMe bRUnA. COLeçÃO OS PenSAdOReS. vOL. ii. SÃO PAULO: viCTOR CiviTA, 1972, P. 14.) O texto acima pode ser tomado como um exemplo para ilustrar o modo como se estabelece, entre os gregos, a passagem do mito para a filosofia. Essa passagem é caracterizada: a) pela transição de um tipo de conhecimento racio- nal para um conhecimento centrado na fabulação. b) pela dedicação dos filósofos em resolver as incer- tezas por meio da razão. c) pela aceitação passiva do que era afirmado pela divindade. d) por um acento cada vez maior do valor conferido ao discurso de cunho religioso. e) pelo ateísmo radical dos pensadores gregos, sendo Sócrates, inclusive, condenado por isso. E.O. AprOFundAmEntO 1. (Uepg-pss 1 2023) Sobre as ideias filosóficas dos pré- -socráticos Heráclito e Parmênides, assinale o que for correto. 01) Parmênides ilustrou sua teoria usando o exemplo de um rio, para mostrar que o movimento é ilusório. 02) O raciocínio apresentado por Parmênides é dedutivo. 04) Para Parmênides, tudo o que é real deve ser eterno e imutável e, ainda, ter uma unidade indivisível. 08) Heráclito propõe que todas as coisas são fundamen- talmente imutáveis. 2. (Unisc 2023) São conhecidos como “Pré-Socráticos” os filósofos que, historicamente, antecederam Sócrates. Viveram na Grécia Antiga entre os séculos VII e V a.C., aproximadamente. A grande preocupação dos filósofos Pré-Socráticos residiu em encontrar um elemento que pudesse ser entendido como o originador das coisas, da matéria e do mundo. Esse elemento foi buscado na natureza física, daí serem conhecidos, também, como “filósofos da natureza”. Além disso, foram esses filóso- fos os responsáveis pela transição da consciência mítica para a consciência filosófica, buscando uma explicação racional para a origem de todas as coisas. Assinale a alternativa que possui um elemento que não foi pensado pelos filósofos Pré-Socráticos como origi- nador das coisas. a) número, átomo, fogo, elétrons e prótons. b) fogo, número, átomo, ilimitado. c) água, número, fogo, ar. d) ilimitado, átomo, ar, fogo. e) água, ar, número, ilimitado. 3. (Unemat 2023) A característica central da explica- ção da natureza pelos primeiros filósofos é, portanto, o apelo à noção de causalidade, interpretada em termos puramente naturais. O estabelecimento de uma cone- xão causal entre determinados fenômenos naturais constituiassim a forma básica da explicação científica e é, em grande parte, por esse motivo, que consideramos as primeiras tentativas de elaboração de teorias sobre o real como o início do pensamento científico. Explicar é relacionar um efeito a uma causa que o antecede e o determina. Explicar é, portanto, reconstruir o nexo cau- sal existente entre os fenômenos da natureza, é tomar um fenômeno como efeito de uma causa. É a existência desse nexo que torna a realidade inteligível e nos per- mite considerá-la como tal. MARCOndeS, d. iniCiAçÃO à HiSTóRiA dA fiLOSOfiA. RiO de JAneiRO: zAHAR, 2010, P. 23. Assinale a alternativa que corresponde a noção de cau- salidade exposta no texto acima. a) Impossibilidade de a ciência estabelecer nexos cau- sais entre eventos naturais. b) Relação de causa e efeito entre dois fenômenos. c) Influência de causas desconhecidas ocultas em fe- nômenos naturais. d) Forma como o senso comum percebe os fenôme- nos naturais. e) Existência de nexos causais não verificáveis cien- tificamente. 4. (Uece 2023) Sócrates assim diz no diálogo Fédon: “A alma utiliza às vezes o corpo para observar alguma coisa por intermédio da vista, ou do ouvido, ou de outro sentido. Observar algo através do corpo é fazê-lo por intermédio de sentidos. Então a alma é arrastada pelo corpo na direção daquelas coisas que jamais permane- cem em si; e a alma se torna inconstante, agitada, e titubeia como se estivesse embriagada, por estar em contato com as coisas que nunca permanecem em si. Mas, quando a própria alma examina a realidade por si mesma, move-se em direção ao que é puro e sempre e imortal e do que se mantém de modo igual; e, sendo do mesmo gênero que ele, fica junto dele sempre quando lhe é possível. Por isso, ela cessa de vaguear e, na vizi- nhança desses seres dos quais falamos, passa também a manter-se de modo igual, pois lhe está próxima”. PLATÃO, fédOn, 79C-d. 1972, P. 89. SÃO PAULO: AbRiL CULTURAL, 1972A. (COLeçÃO OS PenSAdOReS) – AdAPTAdO. Considerando a passagem acima apresentada, assinale a afirmação verdadeira no que diz respeito à CONCEP- ÇÃO DA ALMA em Platão. a) Enquanto as coisas que a alma contempla são vari- áveis, mutáveis e finitas, ela própria se mantém em si, pura e imutável. Ela é o ponto parado do qual pode ser observada a mutabilidade do mundo. b) Há realidades que, por serem em si e por si mes- mas, não variam, não se modificam nem findam, mas a alma dos homens sempre se modifica e varia. As- sim, a alma não consegue contemplar o em si e por si. TA TI AN A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 7 V O LU M E 1 c) Quando a alma contempla o variável, mutável e finito, ela se comporta de modo variável, mutável e finito. Mas quando contempla o invariável, imutável e eterno, comporta-se em conformidade a ele. d) A alma é imortal, por isso ela não consegue con- templar o mutável, variável e finito. Ela sempre e ne- cessariamente contempla as realidades invariáveis, imutáveis e eternas. É o que Platão concebe como verdade. 5. (Ufu 2023) A obra Teeteto é famosa por ser aquela em que Sócrates se apresenta como parteiro de ideias e por investigar o que é o conhecimento. Uma das definições de conhecimento oferecida no diálogo é aquela segun- do a qual o conhecimento é opinião (doxa) verdadeira, sendo esta uma crença que está em conformidade com o modo como a realidade acontece. Sócrates, entretan- to, apresenta a seguinte objeção a essa definição: Sócrates. – Estás então a dizer que persuadir é fazer com que alguém opine? Teeteto. – Sem dúvida. Sócrates. – Então, quando os juízes foram justamente persuadidos acerca de assuntos dos quais apenas pode saber aquele que viu e não outro, nesse momento, ao decidir sobre esses assuntos por ouvir dizer e ao ad- quirir uma opinião verdadeira, ainda que tenham sido corretamente persuadidos, tomaram a sua decisão, sem saber se na realidade julgaram bem, não? [201a]. PLATÃO. TeeTeTO. 3. ed. TRAd. AdRiAnA MAnUeLA nOgUeiRA e MARCeLO bOeRi. LiSbOA: fUndAçÃO CALOUSTe gULbenkiAn, 2010. P. 302. (fRAgMenTO). Marque a alternativa que descreve corretamente a ob- jeção apontada por Sócrates no trecho citado. a) Ter opinião verdadeira é possuir um tipo de estado cognitivo que apenas aparentemente se conforma às coisas, uma vez que toda opinião é, para Platão, falsa. b) Ter opinião verdadeira sobre algo não é condição su- ficiente para se ter conhecimento sobre algo, uma vez que é possível dizer coisas verdadeiras sobre o mundo sem saber se o juízo realizado é justificado. c) Ter opinião verdadeira é intuir como é a realidade inteligível, uma vez que o domínio do sensível é apa- rente e enganador, não havendo nele verdade alguma. d) Ter opinião verdadeira é ter conhecimento, pois a proposição que apresenta a opinião verdadeira é exa- tamente a mesma que apresenta um juízo do conhe- cimento. 6. (Unesp 2023) Leia o excerto, baseado num documen- to maia do século XVI. Este é o princípio da concepção dos humanos, de quan- do se buscou o que devia compor a carne do homem. [...] De Paxil (Lugar da Fenda), Cayalá (de Água Amarga), esse é seu nome, vieram as espigas de milho amarelo e as espigas de milho branco. E estes são os nomes dos animais, dos que trouxeram a comida: Yac (Raposa Cinzenta), Utiú (Coiote), Quel (Peri- quito) e Hoh (Corvo). Esses quatro animais lhes deram a notícia das espigas de milho amarelo e das espigas de milho branco. [...] Foi assim que eles encontraram o milho — milho que compôs a carne da gente criada, da gente formada —, e a água, que se tornou o sangue, a linfa do ser humano. [...] E então puseram em palavras a criação, a formação de nossas primeiras mães, de nossos primeiros pais. De mi- lho amarelo e de milho branco se fez sua carne; apenas de alimento se fizeram os braços e as pernas do ser hu- mano. (POPOL vUH, 2019.) O excerto expõe a) uma visão estereotipada da criação humana, que contraria os preceitos básicos do pensamento cientí- fico da época. b) um reconhecimento das limitações alimentares locais e a incorporação de valores e princípios do ca- tolicismo europeu. c) um lamento dos nativos diante da dominação eu- ropeia e a reafirmação dos valores originais da comu- nidade indígena. d) uma representação mítica das origens do homem, que associa o processo da criação humana a elemen- tos do mundo natural. e) uma interpretação mitológica da criação da fauna nativa e a preocupação com a carência alimentar do período. 7. (Uece 2023) Da mesma forma que a Filosofia, a His- tória surgiu na época clássica da Grécia. Seu mais anti- go escrito que chegou aos nossos dias é a História, de Heródoto. No começo de sua narrativa, esse autor diz: “São apresentados aqui os resultados das investiga- ções de Heródoto de Halicarnassos, para que a memó- ria dos acontecimentos não se apague entre os homens com o passar do tempo; e para que os feitos maravilho- sos e admiráveis dos gregos e dos bárbaros não deixem de ser lembrados, inclusive as razões pelas quais eles guerrearam uns contra os outros”. HeRódOTO. HiSTóRiA, i, 1. – 3ª ed. bRASÍLiA, df: ediTORA UniveRSidAde de bRASÍLiA, 1988, P. 20 (TeXTO AdAPTAdO). Assim como a Filosofia, a narrativa de Heródoto teste- munha a transição do mito ao logos porque a) pretende salvaguardar namemória os feitos e os acontecimentos. b) escreve sobre os feitos humanos que são maravi- lhosos e admiráveis. c) expõe investigações sobre as causas das ações e dos acontecimentos. d) considera que as guerras de gregos e bárbaros não têm razão de ser. TA TI AN A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 8 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias V O LU M E 1 8. (Uel 2023) Leia o texto a seguir. O mito opõe-se ao logos, como a fantasia opõe-se à ra- zão e a palavra que relata à que demonstra. Logos e my- thos são as duas metades da linguagem, duas funções igualmente fundamentais da vida do espírito. O logos, sendo um raciocínio, pretende convencer; ele provoca em quem ouve a necessidade de fazer um julgamento. O logos é verdadeiro se for correto e conforme à “lógi- ca”; é falso se dissimular algum embuste secreto (um “sofisma”). Mas o “mito” não tem outro fim senão ele mesmo. Quer se acredite nele ou não, ao bel-prazer, por um ato de fé, quer seja considerado “belo” ou verossí- mil, ou simplesmente porque se deseja acreditar nele. O mito se vê, assim, atraindo a sua volta toda a parte irracional do pensamento humano: ele é, pela própria natureza, aparentado da arte em todas as suas criações. gRiMAL, PieRRe. MiTOLOgiA gRegA. TRAd. de ReJAne JAnOwiTzeR. PORTO ALegRe, RS: L&PM, 2013. P. 8. Com base no texto e nos conhecimentos sobre o surgi- mento da Filosofia na Grécia Antiga, assinale a alterna- tiva correta. a) O logos e o mito são expressões humanas: o primei- ro busca explicar e convencer, já o segundo procura encantar. b) O logos e o mito são duas formas de fundamentar argumentos verdadeiros, usando método bem estrutu- rado. c) O mito é belo e verossímil por incitar o raciocínio a descobrir as relações que explicam certos fenômenos naturais. d) O logos encanta por dizer respeito ao irracional e, contrário ao mito, persuade revelando os desejos hu- manos. e) O mito e o logos não buscam revelar a verdade so- bre as coisas do mundo, mas convencem pela fantasia. 9. (Uece 2023) Leia com atenção a seguinte citação: “É no plano político que a razão, na Grécia, primeira- mente se exprimiu, constituiu-se e formou-se. A experi- ência social pôde tornar-se entre os gregos o objeto de uma reflexão positiva, porque se prestava, na cidade, a um debate público de argumentos. O declínio do mito data do dia em que os primeiros sábios puseram em discussão a ordem humana, procuraram defini-la em si mesma, traduzi-la em fórmulas acessíveis à sua inteli- gência, aplicar-lhe a norma do número e da medida”. veRnAnT, JeAn-PieRRe. AS ORigenS dO PenSAMenTO gRegO. – 2ª ed. RiO de JAneiRO; SÃO PAULO: difeL, 1977, P. 42. Considerando a passagem acima, assinale a opção que corresponde à explicação da tese de Jean-Pierre Ver- nant de que a filosofia “é filha da pólis” a) A cidade grega clássica era planejada, construída e instituída em princípios racionais por filósofos, mate- máticos, técnicos, dentre outros. b) Os gregos deliberaram, em assembleia de cida- dãos, abandonar as narrativas poéticas e adotar um estilo racional de vida. c) O uso da matemática para estabelecer a norma do número e da medida da vida política criou as condi- ções para nascer a filosofia. d) A vida política grega antiga se caracterizava pela argumentação, criando uma cultura que serviu de base ao surgimento da filosofia. 10. (Utfpr 2023) “A partir deste ponto de vista devemos encarar a história da filosofia grega como o processo de racionalização progressiva da concepção religiosa do mundo implícita nos mitos. Se o representarmos por uma série de círculos concêntricos a partir da exteriori- dade da periferia para a interioridade do centro, vere- mos que o processo pelo qual o pensamento racional toma posse do mundo se realiza na forma de uma pene- tração progressiva que vai das esferas exteriores para as mais profundas e interiores, até chegar, com Sócrates e Platão, ao centro, quer dizer, à alma”. fOnTe: JAegeR, w. PAidéiA. TRAdUçÃO de ARTUR M. PARReiRA. 4.ed. SÃO PAULO: MARTinS fOnTeS, 2001, P. 192. Com base no texto e sobre a relação entre mito e filoso- fia na Grécia, é correto afirmar: a) O pensamento mítico e o filosófico apresentam-se interligados e a Filosofia necessita do mito para se estruturar como campo do conhecimento. b) A Filosofia na Grécia Clássica é fruto de um salto de conhecimento realizado por um povo privilegiado que teve como ponto de partida o conhecimento re- ligioso. c) Enquanto o mito é uma narrativa cujo conteúdo não se questiona, a Filosofia problematiza e convida à discussão. No mito a inteligibilidade é dada e na Filosofia ela é procurada. d) Com o surgimento da Filosofia, o pensamento mí- tico é banido de modo definitivo das sociedades pri- mitivas, pois havia perdido força explícita em relação à verdade sobre o mundo. e) Nos povos primitivos as explicações míticas esta- vam circunscritas unicamente aos fenômenos e vivên- cias religiosas das comunidades. E.O. COmplEmEntAr 1. (Uece 2023) “A relação que constatamos entre o nas- cimento do filósofo e o aparecimento do cidadão não é para nos surpreender. A Cidade (pólis) realiza no plano das formas sociais uma separação entre a sociedade e a natureza; e essa separação pressupõe, no plano das formas mentais, o exercício de um pensamento racio- nal. Com a Cidade, a ordem política se separou da or- ganização cósmica; a Cidade aparece como objeto de uma constante indagação e reflexão, de uma discussão apaixonada e, ao mesmo tempo, argumentada”. veRnAnT, J.-P. A fORMAçÃO dO PenSAMenTO POSiTivO nA gRéCiA ARCAiCA. in: MiTO e PenSAMenTO enTRe OS gRegOS. TRAdUçÃO de HAigAnUCH SARiAn. RiO de JAneiRO: PAz e TeRRA, 1990, P. 462-263. (TeXTO AdAPTAdO) Com base na citação anterior, é correto afirmar que a filosofia grega nasceu TA TI AN A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 9 V O LU M E 1 a) do pensamento racional exercitado no debate e na argumentação na Cidade. b) quando se abandonou a discussão sobre o Cosmo, voltando-se para a política. c) do prolongamento da tradição mito-poética rural na nova realidade urbana. d) do afastamento do cidadão da vida na Cidade e seu interesse pelo Cosmo. 2. (Unesp 2022) A filosofia, além do privilégio históri- co de ter sido a primeira tentativa de compreensão do mito, tem consciência, desde a sua origem, do seu pa- rentesco com ele. A filosofia, se não é filha, é, pelo me- nos, irmã mais nova do mito e estabeleceu desde o seu berço uma fascinante relação de amizade e confronto com esse irmão mais velho. O alvorecer da filosofia na tradição ocidental mistura as suas luzes e sombras com as do mito que a precedeu na odisseia da humanidade.(MARCeLO PeRine. “MiTO e fiLOSOfiA”. in: PHiLOSOPHOS, 2002. AdAPTAdO.) A relação apresentada no texto expressa uma passa- gem transformadora na filosofia referente à a) organização da pólis. b) reflexão sobre a ética. c) expansão do território grego. d) valorização das figuras divinas. e) racionalização da natureza. 3. (Ufpr 2021) Considere o seguinte texto: Não vos deixeis enganar! É vossa curta vista, não a es- sência das coisas, que vos faz acreditar ver terra firme onde quer que seja no mar do vir-a-ser e perecer. Usais nomes das coisas, como se estas tivessem uma duração fixa: mas mesmo o rio, em que entrais pela segunda vez, não é o mesmo da primeira vez. (HeRáCLiTO de éfeSO. COLeçÃO OS PenSAdOReS. vOL. i. SÃO PAULO: viCTOR CiviTA, 1973, P. 109.) Com base no texto e no conhecimento sobre o pensa- mento de Heráclito de Éfeso, considere as seguintes afirmativas: 1. Em todas as coisas, tem-se a constante transformação e não realidades fixas. 2. Os olhos e os ouvidos são más testemunhas para os homens. 3. A ideia de que tudo se transforma diz respeito ao mundo físico, sendo que em sua essência as coisas não se alteram. 4. O vir-a-ser e o perecer conduzem as pessoas ao en- gano. Assinale a alternativa correta. a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira. b) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras. c) Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras. d) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras. e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras. 4. (Enem PPL 2019) Tomemos o exemplo de Sócrates: é precisamente ele quem interpela as pessoas na rua, os jovens no ginásio, perguntando: “Tu te ocupas de ti?” O deus o encarregou disso, é sua missão, e ele não a aban- donará, mesmo no momento em que for ameaçado de morte. Ele é certamente o homem que cuida do cuidado dos outros: esta é a posição particular do filósofo. fOUCAULT, M. diTOS e eSCRiTOS. RiO de JAneiRO: fORenSe UniveRSiTáRiA, 2004. O fragmento evoca o seguinte princípio moral da filoso- fia socrática, presente em sua ação dialógica: a) Examinar a própria vida. b) Ironizar o seu oponente. c) Sofismar com a verdade. d) Debater visando a aporia. e) Desprezar a virtude alheia. 5. (Unicentro 2019) É comum se afirmar que Sócrates era um filósofo dado ao diálogo e que se encontrar com ele para debater era sempre uma atividade de risco. Isso porque a forma dialogal preferida desse pensador consistia em colocar em prática a sua Maiêutica, cuja primeira parte era a Ironia. Essa Ironia Socrática deve ser interpretada como a) uma postura de deboche e desconsideração em relação ao saber popular da época. b) uma etapa do método socrático segundo o qual o saber dos filósofos pitagóricos precisava ser ironizado para demonstrar sua fragilidade e inconsistência. c) um método criado por Sófocles e adotado por Só- crates para provar a existência de seres superiores, também chamados deuses. d) uma prática discursiva criada pelos sofistas e ado- tada por Sócrates para defender a importância da filosofia crítica. e) uma etapa do método socrático que consiste em utilizar-se de perguntas com o objetivo de levar o in- terlocutor a reconhecer a impropriedade de seu saber e, assim, torná-lo apto a construir um novo saber a partir das ideias inatas. gAbAritO E.O. Aprendizagem 1. A 2. C 3. 01 + 02 + 08 = 11 4. B 5. A 6. B 7. B 8. C 9. C 10. B E.O. Fixação 1. C 2. C 3. C 4. E 5. A 6. B 7. C 8. A 9. B 10. B E.O. Aprofundamento 1. 02 + 04 = 06 2. A 3. B 4. C 5. B 6. D 7. C 8. A 9. D 10. C E.O. Complementar 1. A 2. E 3. B 4. A 5. E TA TI AN A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30 T AT IA N A C O LA R ES B AR BO SA 3 26 99 33 98 30