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Direito penal IV Tipo: · Sujeitos (ativo e passivo) O sujeito ativo também é chamado de agente. Ou seja, é quem pratica a infração. Classificação dos crimes quanto ao agente: Comum - pode ser praticado por qualquer pessoa. Próprio - o crime próprio exige uma qualidade especial do sujeito ativo. Ex: crime praticado por funcionário público e infanticidio De mão própria - o crime de mão própria é aquele que não admite a co-autoria. Embora admita a participação. Ou seja, não tem coautores mas tem partícipes. O sujeito passivo é dividido em · direto, também chamado de imediato ou eventual, esse sujeito passivo direto é A VÍTIMA que tentaram contra. · indireto, também chamado de sujeito passivo mediato ou constante, e é chamado de constante porque nunca muda, sendo o sujeito passivo indireto O ESTADO. · Objetos (jurídico e material) O objeto jurídico é o bem jurídico envolvido. É a vida humana extra-uterina. O objeto material é a pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta. · Núcleo (verbo do tipo penal) Núcleo é a conduta aplicada pelo sujeito. *Existem crimes que são plurinucleares, ou seja, possuem mais de um verbo, uma conduta. Ex: art:122. Sendo nesses casos chamados de crimes de ação múltipla ou crime de conteúdo variado, ou ainda, tipo penal misto. · Elemento subjetivo · Consumação/tentativa · Ação penal · Penas CRIMES CONTRA A PESSOA Crimes contra a vida Compete ao processo do júri processar e julgar crimes dolosos contra a vida A conduta de um crime doloso poderá ser: · Comissiva (quando há a prática de uma ação) · Omissiva (quando a ausência de uma ação levou ao crime). *Dos crimes contra a vida o único que tem modalidade culposa é o Homicídio. Ou seja, crime culposo contra a vida é uma excepcionalidade. *O único crime contra a vida que não vai a júri é o homicídio culposo. Os crimes contra a vida são: HOMICÍDIO SIMPLES - A previsão legal para o crime de homicídio simples está no caput do art. 121 do Código Penal que descreve a conduta punível como sendo matar alguém. O preceito sancionador impõe pena de seis a vinte anos de reclusão. Essa é, sem dúvida, a descrição mais simples de um crime que consta na legislação penal brasileira. Contém apenas um núcleo, consistente no verbo matar, e o elemento objetivo alguém, que designa o titular do bem jurídico protegido pela norma. O homicídio simples é a eliminação da vida extra-uterina praticada por outrem, atingindo bem jurídico tutelado pelo ordenamento jurídico que é a eliminação da vida humana extra-uterina. Tal conceito é importante para diferenciar o homicídio do aborto (vida endo-uterina) e do suicídio (que não é praticado por outrem). O matar alguém diz respeito à morte de um homem por outro homem. Objeto jurídico:Protege-se a vida humana extra-uterina, que passa a existir depois do parto, que é o bem jurídico mais importante, sendo imperativo da ordem constitucional Sujeito ativo: é crime comum e de forma livre, ou seja, pode ser praticado por qualquer pessoa em grupo ou não, empregando ou não armas. Sujeito passivo: é alguém, qualquer ser humano, sem distinções, que seja a partir do início do parto. Alguém que tenha vida humana extra-uterina. -Consumação e Tentativa: A consumação é dada sempre com a morte da vítima. Sempre que age dolosamente o autor quer atingir o núcleo, seja esta intenção direta ou indireta. A tentativa ocorre quando, iniciado o ataque, a prática seja interrompida por circunstâncias alheias à vontade do agente, caso contrário, seria desistência voluntária. Elementos objetivos: A conduta típica é matar alguém, é o núcleo do tipo. O homicídio pode ocorrer por meios diretos (quando a ação pretende a morte imediata como disparo de arma de fogo) ou indiretos (quando a ação é mediata como acionar um cão para atacar alguém). Os meios podem ser físicos (armas), patológicos (transmissão de moléstia por meio de vírus ou bactéria) ou psíquicos e morais (provocação de emoção violenta a um cardíaco). -Elementos Subjetivos: o dolo é a vontade de matar alguém, não exigindo qualquer fim especial. Está no foro íntimo do autor e é caracterizado pelo animus necandi. Esta distinção é importante, pois havendo o elemento subjetivo de animus necandi e não consumado o evento delituoso, este configura tentativa de homicídio e não lesão corporal. HOMICÍDIO PRIVILEGIADO - o crime privilegiado é atenuante de pena e ocorre quando o agente está impelido por forte valor social ou moral e age imediatamente após injusta provocação. Ressalte-se que o crime privilegiado é doloso e deve estar conjugado juntamente com o art. 121, “caput’, por isso a causa de sua diminuição é estabelecida na pena deste artigo de 1/6 a 1/3, podendo ser até menor do que a pena base. Em outras palavras, ele não é delito autônomo e sim causa de diminuição de pena. Figuras típicas do homicídio privilegiado: 1. Relevante Valor Social: significa que o delito é entendido pela sociedade como justificável. É aquele que diz respeito aos interesses da vida coletiva. Ex.: patriota mata traidor da pátria, sujeito mata perigoso bandido da comunidade a fim de segurar a tranqüilidade e etc. 2. Relevante Valor Moral: é uma questão moral individual, particular do agente, movida por sentimentos de compaixão e piedade. A eutanásia, por exemplo, não foi excluída a culpabilidade pelo direito penal brasileiro, entretanto este agente goza de diminuição de pena, pois há relevante valor moral, ou seja, o agente pretende acabar com o sofrimento de um doente irremediavelmente perdido. 3. Sob Violenta Emoção Logo Em Seguida De Injusta Provocação Da Vítima: é um elemento temporal e exige que estejam presentes as duas figuras. A caracterização ressaltada pelo legislador de “logo em seguida” expressa que é imprescindível que o ato tenha ocorrido imediatamente após injusta provocação e que o agente já estivesse sob forte emoção, o que dificultaria seu autocontrole. HOMICÍDIO QUALIFICADO - foi um meio que o legislador encontrou de agravar o crime em determinadas hipóteses em que os meios ou recursos empregados pelo agente demonstram uma maior periculosidade e menor possibilidade de defesa da vítima, podendo estar presente mais de uma delas, desde que compatíveis: 1. mediante paga ou promessa de recompensa: (quanto aos motivos, subjetiva): É o chamado homicídio mercenário, quando o agente recebe pagamento para praticar o crime, ou comete porque teve uma promessa de ser recompensado por isso. Assim, responderá por crime qualificado não só quem recebe o valor, mas também quem pagou o prometido. 2. Motivo torpe, é aquele demonstrado pela maldade do sujeito na sua motivação. É motivo abjeto, repugnante, ignóbil, desprezível, profundamente imoral, mais baixo na escala de valores éticos e denota maior desaprovação espiritual do agente. Ex: Matar para receber herança, porque descobriu que a namorada não é virgem, por rivalidade profissional e etc. 3. por motivo fútil (quanto aos motivos, subjetiva): compreende-se aquele sem importância, frívolo, leviano, ninharia, insignificante. Há inteira desproporção entre o crime e a motivação. Os tribunais têm reconhecido como fútil discussão entre marido e mulher, rompimento de namoro, discussão familiar sem importância, por ter a vítima rido do acusado e etc. 4. com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum (quanto ao meio empregado, objetiva): qualificadoras, pois denotam a maior periculosidade do agente e dificuldade em defesa da vítima e eventualmente também podem causar perigo coletivo. O meio insidioso é o uso de fraude ou armadilha, clandestinos da vítima que não permitem que ela saiba que está sendo atacada. Ex.: armadilha: sabotar o motor de um automóvel. Meio cruel, por sua vez, é sujeitar a vítima a graves e inúteis vexames ou sofrimentos. Meio bárbaro, brutal, que aumenta inútilmente o sofrimento da vítima, partida de um ânimo calmo que permite a escolha dos meios capazes de infligir o padecimento desejado à vítima. A tortura, por exemplo, é cruel. Para serameaça do roubo utilizando-se de arma de fogo de uso restrito ou proibido. A pena, nesses casos, será aplicada em DOBRO (o que, como nos ensina a doutrina, caracteriza MAJORANTE, e não QUALIFICADORA). Roubo qualificado: Art. 157, § 3º Se da violência resulta: I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e multa; · Não importa se a lesão corporal grave foi causada de forma proposital (dolosa) ou acidental (culposa). Em ambos os casos, incidirá a qualificadora. Ademais, o roubo qualificado por lesão grave é hediondo. II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa. (LATROCÍNIO) · A segunda parte do § 3º do art. 157 apresenta a previsão para o famoso latrocínio, que nada mais é do que o roubo com resultado morte. Características do latrocínio: 1. Crime hediondo. 2. A morte decorre da violência em razão do roubo. Dessa forma, se o autor decidir matar a vítima por outros motivos que não estão relacionados com o roubo (como por exemplo, por vingança), deve responder pelo concurso entre os crimes de roubo e homicídio. 3. Se a morte decorrer da grave ameaça, não haverá latrocínio, mas sim roubo em concurso com o delito de homicídio. Como por exemplo de um ataque cardíaco em razão do medo causado pela prática do delito, o entendimento majoritário é de que também ocorrerá o concurso entre os delitos de roubo e homicídio 4. A consumação do latrocínio ocorre com a morte da vítima. · Se a intenção inicial do agente era matar tão somente matar a vítima, e depois da consumação do delito este decide subtrair os seus bens, a doutrina entende que há crime de homicídio em concurso com o furto. Lembre-se de que o latrocínio é crime contra o patrimônio, consistindo na morte como MEIO para atingir o referido bem jurídico. Consumação do latrocínio: Por fim, a consumação do delito de latrocínio é diferente da que ocorre com o roubo, e requer uma análise de quatro possibilidades: 1) Consuma-se a morte e a subtração: Latrocínio consumado; 2) Consuma-se a morte sem se consumar a subtração: Latrocínio consumado: Roubo de uso: Por envolver uma maior reprovabilidade da conduta do autor, que usa de violência ou grave ameaça em sua conduta, o entendimento majoritário de nossos tribunais é que não se pode falar em roubo de uso da mesma forma que se fala em furto de uso. Assim, note que é incabível falar na atipicidade da conduta do indivíduo que pratica um roubo sob alegação de que iria apenas utilizar a coisa e logo em seguida devolvê-la. · EXTORSÃO Art. 158. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa: Pena – reclusão, de quatro a dez anos, e multa · Delito pluriofensivo, visto que ofende mais de um bem jurídico (atingindo o patrimônio, a integridade física e psíquica e a liberdade pessoal da vítima). Também é um delito comum, que pode ser praticado por qualquer pessoa Esse é um delito muito parecido com o do roubo, cuja diferença principal está obviamente na ausência do verbo subtração. Dessa forma, note que o autor dependerá muito mais de uma ação positiva por parte da vítima, que terá de fazer ou deixar de fazer alguma coisa para que o autor do delito obtenha a vantagem por ele almejada. Exemplo: Indivíduo, mediante grave ameaça realizada com arma de fogo, força a vítima a realizar saques em um caixa eletrônico ou a realizar compras utilizando seu cartão de débito Extorsão X Roubo: Consumação: A obtenção da vantagem é desnecessária para a consumação do delito de extorsão. “STJ, Súmula n. 96. O crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da vantagem indevida.” Tentativa: Por se tratar de delito plurissubsistente, a tentativa é perfeitamente possível, a exemplo da carta extorsionária interceptada ou da situação da vítima que não se intimida com a ação delituosa. Extorsão majorada: As possibilidades de extorsão majorada estão previstas no parágrafo 1º do art. 158: Art. 158, § 1º Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, aumenta-se a pena de um terço até metade. Extorsão qualificada: São as mesmas qualificadoras do delito de roubo: Art. 158, § 2º Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo anterior. Art. 157, § 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da multa. Extorsão com restrição de liberdade da vítima: possui uma previsão própria de sanção penal, contida no parágrafo 3º do art. 158: Art. 158, § 3º Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, § § 2º e 3º, respectivamente. Essa previsão é relativamente mais recente que as demais (foi incluída em 2009 no CP), e tem por objetivo tipificar a conduta apelidada pela mídia como sequestro relâmpago. Extorsão mediante sequestro: Art. 159. Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço do resgate: Vide Lei n. 8.072, de 25.7.90 (Vide Lei n. 10.446, de 2002) Pena – reclusão, de oito a quinze anos. · Crime comum, hediondo e permanente. É crime hediondo, pois integra o rol de crimes contido na lei 8.072/90. Destacadamente, a extorsão mediante sequestro é crime hediondo independentemente de qualquer resultado adicional, mesmo em sua forma simples (independentemente de sua modalidade – Art. 1º, IV, da Lei n. 8.072/90). · O delito de extorsão mediante sequestro se consuma com a privação da liberdade do ofendido, de modo que a obtenção ou não da vantagem (resgate) é irrelevante para sua consumação. Além disso, é crime permanente, de modo que, enquanto durar a privação da liberdade da vítima, os autores se encontrarão em flagrante delito. Qualificadoras: 1. Se o sequestro dura mais de 24 horas. 2. Se o sequestrado é menor de 18 ou maior de 60. 3. Se o crime é cometido por banda ou quadrilha (associação criminosa). 4. Se o fato resultar em lesão corporal grave. 5. Se o fato resulta em morte. Delação premiada: Com o objetivo de privilegiar a recuperação da vítima em segurança, o legislador incluiu o parágrafo 4º do art. 159, criando uma modalidade de delação premiada específica para o delito de extorsão mediante sequestro. Art. 159, § 4º Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade, facilitando a libertação do sequestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços. Segundo a doutrina, deve ocorrer a efetiva libertação da vítima. Se o autor ajudar as autoridades, mas não houver êxito na libertação do sequestrado, não incidirá o benefício previsto no § 4º. Extorsão indireta: Art. 160. Exigir ou receber, como garantia de dívida, abusando da situação de alguém, documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou contra terceiro: Pena – reclusão, de um a três anos, e multa · O autor, portanto, força a vítima a assinar ou entregar algum documento que pode ser usado contra ela futuramente para fins de instauração de procedimento criminal, o que lhe garante uma maneira de coagir a vítima a quitar sua dívida regularmente. Tal prática é comumente realizada pelos chamados agentes de usura (agiotas), como forma de garantir o recebimento de dívidas decorrentes de sua atividade image1.pngqualificadora, no entanto, não é preciso que seja insidioso e cruel, mas sim um ou outro. 5. à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido (quanto à execução): São aquelas hipóteses em que o agente se vale da boa-fé da vítima para maior segurança na prática do seu ato, revelando covardia do autor. Ex.: país da Suzane Richthofen dormindo não achavam que ela os mataria, senão não teriam dormido. Na traição está presente o elemento confiança, é um vínculo com pessoas do seu convívio. É a quebra da confiança que a vítima depositava no agente e que este, desta confiança, aproveita-se para matar a vítima. Atinge a vítima descuidada e confiante. Emboscada ou tocaia também é uma traição, mas sem vínculo de confiança. É quando o agente espera a passagem ou chegada da vítima, descuidada, para aferir. Configura-se dissimulação o uso de um artifício para se aproximar da vítima, que distraia a sua atenção. Ex.: disfarce de policial. 6. para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime (por conexão, subjetivo): Este caso configura, em rigor, motivo torpe. Desta forma, como conexão teleológica, o agente o homicídio é perpetrado para execução de outro crime (ex.: matar para poder provar incêndio) ou consequencial, quando é praticado para ocultar ou assegurar impunidade de outro crime (ex.: matar testemunhas). 7. Impossível ou difícil defesa: Quando a vítima não tinha condições de escapar daquela situação, sempre muito difícil ou até mesmo impossível. Ex.: Sujeito deixa o gás aberto e tranca todas as saídas com a vítima dentro do local. É qualificadora também. Obs:Lembrando-se, porém, que se a norma é repetida como agravante, ela não poderá ser considerada duas vezes para aumento de pena, pois não se pode julgar um sujeito duas vezes pelo mesmo crime. Assim, se houver qualificadora + agravante, aplica-se agravante, nada impede, no entanto, que presentes duas agravantes apliquem-se as duas. -Aumento de pena no homicídio doloso (artigo 121 § 4º segunda parte): a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. HOMICÍDIO CULPOSO - O homicídio culposo é aquele destituído de intencionalidade, com uma pena extremamente baixa. Ele ocorre, segundo Maggiore, por conduta voluntária de ação ou omissão, que produz um resultado jurídico não querido ou previsto, mas que era previsível e poderia ter sido evitado se tivesse sido tomada a devida atenção. Aumento de pena no homicídio culposo:prevista na primeira parte do § 4º do artigo 121 Sendo o aumento de 1/3.: 1. se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício: ainda que culposo, poderá ser agravado se um profissional não adotou uma norma técnica que, dado seu ofício deveria conhecer, o que não pode se confundir, portanto, com conduta convencional. É o exemplo do médico que não esteriliza seus instrumentos para fazer cirurgia. 2. Se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante: Sobre omissão de socorro imediato à vítima, também acarreta no aumento da pena. Se da omissão de socorro decorre a morte da vítima, responderá, inclusive, por homicídio doloso. Ademais, a intenção de que haja qualificadora o que omite socorro para fugir e evitar a prisão é para evitar o sumiço do agente. Perdão Judicial (artigo 121 § 5º):onde o magistrado entende que o próprio sofrimento do agente pela prática do ato já é punição suficiente. Ex.: mãe que por descuido deixa a caixa d’água aberta e o filhinho se afogou será acusada por homicídio culposo, mas não terá que cumprir a pena, tendo perdão judicial, já que seu sofrimento já é suficientemente forte para uma punição corretora, sendo a sanção desnecessária. Aplica-se o perdão judicial de maneira análoga nos casos do CBT. INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO AO SUICÍDIO · Induzir: é criar, fazer florescer a idéia de suicídio em outra pessoa. Participação moral. · Instigar: ocorre quando a pessoa já tem vontade de se suicidar e é estimulada a concretizar o que quer fazer. Participação moral · Auxiliar: significa ajudar a pessoa com todos os meios possíveis para que se retire a vida. É diferente de interferência, pois quem interfere atua diretamente no evento morte. Quem auxilia, por exemplo, dá a arma para a pessoa, a corda para que ela se enforque e etc. O suicídio é a eliminação da própria vida. Por razões óbvias, é preso a impossibilidade de punição e que por razões políticas e éticas o Estado não pode punir o suicida, mesmo quanto à sua tentativa. O suicídio, porém, atinge um bem indisponível e não é o exercício de nenhum direito subjetivo (não há “direito de morrer”), por isso, é fato ilícito e a lei consta de normas para impedi-lo. Objeto jurídico: a vida humana Sujeito ativo: qualquer pessoa que pratica um dos atos previstos para colaborar com o evento morte. Sujeito passivo: homem capaz de ser induzido, aquele que tem alguma capacidade de resistência à conduta do sujeito ativo. Ressalte-se que quando o suicida é inimputável, apresenta capacidade de resistência nula sendo mero instrumento do agente, por isso não se caracterizaria o crime do art. 122, e sim homicídio típico. Elemento objetivo: (núcleo do tipo): Induzir, instigar ou auxiliar (são os núcleos do tipo) alguém a suicidar-se é crime. Elemento subjetivo: o dolo é a vontade de induzir, instigar ou auxiliar alguém à prática do suicídio. Desde que se tenha, comprovadamente, um nexo de causalidade entre a conduta do agente e o resultado suicídio. Lembrando-se que não há forma culposa para este crime. Consumação e tentativa: O crime consuma-se se houver o suicídio ou, não logrando o suicida concluí-lo, uma lesão corporal de natureza grave. A tentativa seria se o agente instiga, induz ou auxilia, mas o sujeito passivo não se matou. Esta situação, no entanto, não tem punição. O Código Penal brasileiro somente pune o agente se a vítima morrer ou sofrer lesão corporal grave, se não sofrer nada, não haverá punição. Formas qualificadoras: ele será qualificado pela pena duplicada se for realizado: · Motivo Egoístico: é elemento subjetivo do tipo, composto por finalidade que relata profundo desprezo do autor pela vida alheia, sendo superior a esta seus interesses individuais. Ex.: instigar alguém a se matar para receber herança ou seguro, por vingança, ódio ou mesmo maldade. · Vítima menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência: quanto a vítima menor, alguns entendem que seriam entre 14 e 18 anos, pois menor de 14 anos qualifica capacidade nula de resistir a instigação, induzimento ou auxílio, entretanto, é muito relativo. Alguns menores de 14 anos apresentam maturidade suficiente para entender o que ocorre. Quanto a diminuição na capacidade de resistência, pode ser por embriaguez ou desenvolvimento mental incompleto. INFANTICÍDIO - o infanticídio é crime próprio, pois exige características especiais (mãe e em estado puerperal) e material (pois para existir precisa ser consumado) e de livre execução. É delito autônomo e denominação jurídica própria, buscando o legislador uma pena mais amena do que o homicídio privilegiado, levando em consideração a situação fisiopsíquica da mãe. Entretanto, se não houver a presença do estado puerperal, será considerado homicídio é punido conforme art. 121. Ademais, devemos lembrar que ele deve ser praticado durante ou logo após o parto, após este lapso temporal também significaria punição consoante art. 121 e se for antes do parto é aborto, punido pelos arts. 124 a 128. Objeto jurídico: vida do recém-nascido ou do nascente (aquele que está em transição entre a vida endo-uterina e extra-uterina). Sujeito ativo: é a mãe em estado puerperal que mata o próprio filho. Há discussão, entretanto, na doutrina se é aplicável como infanticídio o co-autor do ato. Embasados no art. 30, alguns defendem que por ser elementar do crimee viabilizando a comunicação entre os agentes, favorecendo o concurso, é comunicável. Entretanto, outros defendem que por ser o estado puerperal situação personalíssima, e intransmissível, devendo o co-autor pagar por homicídio. Sujeito passivo: é o filho nascente ou recém-nascido, não sendo necessária, assim, a comprovação de sinal de vida extra-uterina. Elemento objetivo: a conduta típica é matar (por ação ou omissão) o próprio filho durante ou logo após o parto, aquela mãe que está sob estado puerperal (é o período de readaptação do corpo da mulher após o nascimento do bebe) Elemento subjetivo: vontade de causar a morte do filho nascente ou recém-nascido. O dolo é a vontade de matá-lo. Não há forma culposa de infanticídio. -Consumação e tentativa: consuma-se com a morte do recém-nascido ou nascente e sendo infanticídio crime plurissubsistente, é possível a tentativa. ABORTO - o aborto é a eliminação da vida intra-uterina, diferenciando-se do infanticídio, pois deve ocorrer durante a gestação. Não implicada em caracterização do aborto a necessidade de que o feto seja eliminado, simplesmente que seja morto. É crime comum, pois pode ser praticado por qualquer pessoa, não somente pela mãe, de forma livre, e material. Também é crime de dano, pois atinge bem jurídico tutelado. Aborto (128) Objeto jurídico: vida humana em formação, vida intra-uterina que existe desde a concepção até o momento do parto. Protege-se também a integridade corporal e a vida da mulher, no caso de aborto provocado por terceiro ou sem seu consentimento. Sujeito ativo: art. 124 é a gestante, tratando-se neste caso de crime especial, do art. 125 em diante, poderá ser qualquer pessoa o autor do delito. Sujeito passivo: é o feto. Alguns doutrinadores defendem que por o feto não ser titular de direitos, o sujeito passivo é o Estado ou a comunidade nacional. Também será sujeito passivo a mulher quando o aborto for praticado sem seu consentimento. Elemento objetivo: objeto material do delito é o produto da fecundação. Elemento subjetivo: é crime doloso, pois é necessário que o agente queira seu resultado ou assume seu risco. Não há no aborto crime culposo, por isso mesmo a imprudência da gestante que cause interrupção da gravidez não é conduta punível e terceiro que cause o aborto responde por lesão corporal culposa, se foi sem intenção. - Consumação e tentativa: consuma-se com a efetiva interrupção da gravidez que leva a morte do feto, sendo desnecessária sua expulsão. A tentativa ocorre quando, tomadas todas as manobras abortivas, não interrompe a gravidez, podendo, inclusive, levar a uma aceleração do parto. · Auto-aborto ou aborto consentido: o tipo de aborto previsto no art. 124 deve ser dividido em duas partes:Quando trata-se de provocar em si mesma é o auto-aborto, em que a mulher pratica crime especial, pois somente ela poderá praticá-lo. Na segunda parte do artigo é que se fala em aborto-consentido, considerando-se permitir que outrem lho provoque, neste caso, a estimulação, instigação, indução ou auxilio de outra pessoa no evento aborto, o que não significa que este terceiro tenha agido diretamente, não “colocou a mão na massa”. Sendo assim, este artigo pune exclusivamente a mãe que, sozinha, praticou o aborto. · Aborto provocado por terceiro (artigo 125):Neste caso a pena cominada é mais grave, pois foi feito o aborto sem o consentimento da gestante, sendo a gestante também vítima neste caso. Pode ocorrer por violência, ameaça ou fraude (ex.: fingir o médico que vai retirar um tumor da gestante e tirar o feto). Presume-se não haver o consentimento quando a gestante for menos de 14 anos ou se é alienada mental. · Provocar aborto com o consentimento da gestante (artigo 126):Este artigo ocorre quando o aborto é feito com consentimento da gestante. A gestante responderá pelo art. 124 e o terceiro pelo art. 126, com pena mais severa. A aceitação pode ser expressa ou tácita e deve existir do começo ao fim do evento (ou seja, até a consumação). Se durante o aborto a gestante revoga seu consentimento, o terceiro responderá sozinho pelo art. 125. Forma qualificada (artigo 127):Aumenta as penas do art. 125 e 126 se da ação do aborto a gestante sofrer lesões corporais graves (o que aumenta em 1/3) ou se ela vier a falecer (o que dobra a pena). Não se pune o aborto praticado por médico (Art 128):São duas as hipotéses: · Aborto necessário: São os casos de aborto legal que tornam lícita a pratica do aborto e excluem a criminalidade, culpabilidade ou punibilidade. O aborto necessário caracteriza o estado de necessidade. Entretanto, para evitar dificuldades, o legislador indicou que deve ser praticado por médico (embora a prática por profissionais amadores não indique crime também, podendo a gestante alegar estado de necessidade). A gestação deve, para que o aborto seja necessário, colocar em risco a vida da vítima. Ou seja, ainda que o risco não seja atual, prever que manter aquela gestação pode tirar a vida da mãe. Ex.: diabete, tuberculose, anemia profunda, cardiopatia, câncer uterino e etc. · Aborto no caso de gravidez resultante de estupro: Doutrinariamente chamado de “aborto sentimental”, é aquele que pode ser praticado quando a gravidez resultou de um estupro. Esta norma justifica-se, pois a mulher não é abrigada a cuidar de filho que resultou de coito violento e não desejado e também porque, geralmente, o autor do estupro tem problemas que podem ser hereditários. Deve haver, no entanto, o consentimento da gestante, não sendo necessária autorização judicial ou sentença condenatória do autor do estupro. LESÕES CORPORAIS - é ofensa à integridade física ou à saúde de outrem, ou seja, é dano ocasionado à normalidade do ponto de vista anatômico, fisiológico ou mental. A lesão corporal existe mesmo que a vítima concorde com ela, salvo em situações que não gerem distúrbio social, ou seja, colocar piercing, fazer tatuagem ou cirurgia plástica (Bens relativamente disponíveis) não são crimes. Não é necessário que a lesão derrame sangue e somente o elemento dor não é suficiente para configurar lesão corporal. Art. 129 - Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem. Ofender a integridade corporal - Fratura, fissura, escoriações, luxações, hematomas, equimoses… Se a violência empregada não possuir o condão de produzir alterações fisiológicas, não haverá crime de lesão corporal. Não haverá que se falar em lesão corporal, quando a conduta apenas produz dor e eritema. Ofender a saúde - Perturbações que cunho fisiológico ou mental. Vômitos, convulsões, paralisia, perturbação psiquica,, perda de sentido, choque nervoso… Ela pode ser por ação, quando for praticado de forma física (golpes, facadas, chutes) ou moral (assustar, por exemplo). Também pode ser por omissão quando o agente tinha o dever de evitar a lesão corporal, mas não o fez. Ex., deixar de prestar socorro. OBS: Cortar cabelo de outrem sem a sua permissão pode ser considerado crime de lesão corporal. Objeto Jurídico: integridade física ou saúde Sujeito Ativo: qualquer pessoa pode praticá-lo, pois trata-se de crime comum. Elementos subjetivos: Dolo - A vontade de agredir a integridade física de outrem (intenção de ferir). Sujeito Passivo: qualquer homem vivo, depois do parto, que não seja o próprio agente. Tipo Objetivo: o núcleo é ofender a integridade física ou a saúde de alguém. Quanto à saúde, será qualquer desequilíbrio funcional no organismo. Assim, a transmissão de moléstias ou distúrbios fisiológicos (inconsciência, insônia, estado de choque) são lesões corporais, pois ferem a saúde de outrem Obs:Também é considerado como lesão agravar ou fazer persistir lesão já existente. -Consumação e Tentativa: Também pode ser consumado, quando efetivamente se fere a integridade física ou as saúde de alguém, ou tentado se, se valendo de todos os meios possíveis, o agente foi parado por ações involuntárias, alheias a sua vontade. CPP, Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissãodo acusado. Parágrafo único. Dar-se-á prioridade à realização do exame de corpo de delito quando se tratar de crime que envolva: I - violência doméstica e familiar contra mulher; II - violência contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência Ação penal O art. 88 da lei 9.099 (lei dos juizados especiais) dispõe o seguinte: Art. 88. Além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial, dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de lesões corporais leves e lesões culposas. Portanto, segundo a lei dos juizados especiais, a lesão corporal leve e a lesão corporal culposa é crime de ação penal pública condicionada a representação do ofendido. Ocorre que, em 2006, a lei maria da penha, no art. 41, passou a disciplinar o seguinte: Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995. Portanto, temos o seguinte… A lesão corporal leve e a lesão corporal culposa são crimes de ação penal pública condicionada à representação, EXCETO na hipótese do crime praticado com violência doméstica e familiar contra a mulher. Na hipótese da lesão ser praticada com violência doméstica e familiar contra a mulher o crime SEMPRE será de ação penal pública incondicionada. As demais modalidades, grave, gravíssima ou seguida de morte são condicionadas à representação. - Modalidades: 1. Lesão corporal dolosa a) Simples (art. 129 caput) b) qualificada (art. 129, inciso 1 2 e 3) c) privilegiada Art. 129, inciso 4 e 5) 2. Lesão corporal culposa -Classificação das lesões: 1. Lesão Corporal Leve:É assim denominada por exclusão doutrinária. Será lesão corporal leve aquela que não seja grave, gravíssima ou seguida de morte. Trata-se de lesão corporal simples, sem qualificadoras. § 5°O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de multa: (a) se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior ( o agente comete o crime impelido por relevante valor social ou moral, logo em seguida provocação da vítima); (b) se as lesões são recíprocas 2. Lesão Corporal Grave (129 § 1º): são dos seguintes tipos a) Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias:Aqui, as atividades habituais não se referem ao trabalho, labor, mas sim às atividades do diaadia. Assim sendo, p. Ex., se uma criança fica privada de ir à escola por mais de 30 dias será considerado lesão corporal grave. Ademais, esta lesão deve ser comprovada por exame complementar médico. b) perigo de vida: Ou seja, se houver efetivo perigo de morrer por conta da lesão causada, que deve ser constatado por laudo pericial fundamentado no perigo. Tem entendido a jurisprudência causas de lesão corporal grave por perigo de vida, p. Ex., perfuração no estômago ou em veias arteriais. c) Debilidade permanente de membro, sentido ou função: Que cause debilidade em membros inferiores ou superiores, função ou sentido (olfato, tato, paladar), ainda que esta debilitação se enfraqueça com o uso de próteses. d) aceleração de parto: Esta aceleração diz respeito a antecipação dos efeitos do parto, ou seja, que da lesão gere o acontecimento do parto antes do termo final da gravidez. Se da lesão ocorrer o aborto, será considerada lesão gravíssima, como veremos. Se o bebê morrer depois do nascimento, ainda continua como grave. 3. Lesão Corporal Gravíssima (art. 129, § 2º):Também é denominação doutrinária, não está presente esta nomenclatura no Código Penal, mas assim se entende devido ao fato de a pena ser mais grave do que a prevista no parágrafo 1º. São aquelas que resultam: a) Incapacidade permanente para o trabalho: Assim, se da lesão decorrer a incapacidade permanente da vítima para qualquer atividade que lhe garanta subsistência, é considerado lesão gravíssima. b) enfermidade incurável: Ou seja, moléstia considerada pela medicina como sem previsão de cura. c) perda ou inutilização do membro, sentido ou função: Gere amputação, mutilação, por exemplo. d) deformidade permanente:Ou seja, uma deformidade significante e visível que fira a estética da vítima. e) aborto: Se da lesão decorrer o aborto da gestante, como já se disse, é considerado lesão corporal gravíssima, a menos que o agente não soubesse da gravidez, ocasião em que o crime será preterdoloso. 4. Lesão Corporal Seguida de Morte (art. 129, § 3º): Aqui é importante diferenciar a tentativa de homicídio da lesão corporal seguida de morte. Na lesão corporal seguida de morte há a ocorrência de um crime preterdoloso, onde a intenção do agente era somente realizar a lesão, não assumindo o risco de morte dela. Assim, o evento lesão é doloso e a morte é culposa. O que o diferencia da tentativa de homicídio, é que nessa já o “animus necandi”, enquanto naquela o falta. Assim, a intenção, a subjetividade do agente é importante para a distinção de ambos os crimes. Ademais, ressalta-se que para ser considerada lesão corporal seguida de morte deve haver nexo causal entre a lesão e a morte. Tem aceitado a jurisprudência exemplo clássico que é o agente empurrar a vítima para derrubá-la e esta de desequilibra, bate a cabeça no chão e morre. Se porventura a morte seguida da lesão não for culposa, não será esse crime e sim homicídio. 5. Lesão corporal privilegiado : se configura se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima. Sua aplicação leva à redução da pena de um sexto a um terço. Motivo de relevante valor moral é aquele que procura tutelar interesse particular do agente. É o caso da agressão contra alguém que tenha aplicado golpe financeiro no agente. Já o relevante valor social é aquele motivo que procura tutelar o interesse da sociedade na qual o agente se insere. É o caso da agressão contra pessoa que furtou bens doados, que seriam distribuídos para vítima de um desastre natural. Por último, o domínio de violenta emoção é algo passageiro, emoção capaz de retirar o agente do seu comportamento padrão. Lembrando que a ação (agressão) deve ser praticada logo após a injusta provocação da vítima. É o exemplo do pai que agride quem toca a genitália de sua filha em uma festa. -Diminuição de pena (art. 129§ 4º): Igual ao crime privilegiado. Se motivado por relevante valor moral ou social ou sob domínio de forte emoção, logo após injusta provocação da própria vítima, está autorizado o juiz a diminuir a pena. -Substituição da pena (art. 129§ 5º): Logo entende-se que o juiz pode substituir a pena, desde que não seja a lesão GRAVE e logo também a GRAVÍSSIMA, ou seja, na leve: ou se a lesão corporal foi recíproca, ou seja, todo mundo se estapeou. § 5°O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de multa: (a) se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior ( o agente comete o crime impelido por relevante valor social ou moral, logo em seguida provocação da vítima); (b) se as lesões são recíprocas. -Causa de aumento de pena (art. 129, inciso 7) § 7° Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos § § 4° e 6° do art. 121 deste Código (a) vítima menor de 14 ou maior de 60 anos; (b) Crime praticado por milícia privada, sob pretexto de prestação de serviço de segurança, ou, grupo de extermínio. -Lesão corporal culposa e aumento de pena: (a) Resulta da inobservÂncia de regra técnica (b) Se o agente deixa de prestar socorro imediato (c) se o agente procura diminuir as consequências do seu ato (d) se o agente foge para evitar prisão em flagrante. A lesão corporal gulosa pode ser passível de perdão judicial.Observe que é preciso constatar, por meio das provas, que as consequências da infração atingiram o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torna desnecessária. Lesão corporal e violência doméstica 1. § 90 Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou comquem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade. 2. § 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência. (Incluída pela Lei Maria da Penha). O agente tem que ter ciência da deficiência da vítima. 3. A lesão corporal se aplica contra a mulher e também contra o homem. (Lembrar das questões de gênero). Lesão corporal funcional 1. § 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição, a pena é aumentada de um a dois terços.É importante destacar que, neste particular (lesão corporal funcional), na hipótese de lesão gravíssima ou seguida de morte, tem-se espécie de crime hediondo. Lesão corporal por condição do sexo feminino Se a lesão for praticada contra a mulher, por razoes da condição do sexo feminino.Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro anos). A pena do crime é de “reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos”. Observe que o próprio legislador majorou a pena em abstrato do tipo penal. Por isso, trata-se de modalidade de lesão corporal qualificada e não causa aumento de pena. É, de forma bastante evidente, um complemento do feminicídio. Aliás, o próprio dispositivo fala “nos termos do § 2º-A do art. 121“, ou seja, daquilo que justifica, pelo Código Penal, o feminicídio. Art. 121 (…) § 2°-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve: I – violência doméstica e familiar; II – menosprezo ou discriminação à condição de mulher. O feminicídio é uma modalidade qualificada de homicídio incluída pela lei 13.104/2015. Era estranho imaginar que o crime de homicídio praticado por razões da condição do sexo feminino era punido com mais rigor, quando a lesão corporal, praticada nas mesmas condições, não era. Por isso, a lei 14.188/21, de forma acertada, complementa a disciplina trazendo mais sentido ao tema. CRIMES CONTRA A HONRA · Nenhum crime contra a honra admite culpa. A honra é dividida em OBJETIVA E SUBJETIVA. Tudo aquilo que é subjetivo é visto do ponto de vista interno, ou seja, está dentro da mente da pessoa. Tudo aquilo que é objetivo, é externado, está fora da mente do sujeito. A Honra objetiva nada mais é do que a reputação que a vítima ostenta perante a sociedade e a terceiros e a honra subjetiva diz respeito à própria intimidade, o abalo pessoal que a vítima sofre internamente perante a ofensa. · DOLO DE OFENSA (Animus diffamandi vel injuriandi) - Só haverá crime se aquele que se a pessoa que formulou aquele comentário o fez com a intenção de ofensa. Ou seja, o dolo da ofensa é requisito essencial para o crime contra a honra. Quando inexiste dolo de ofensa: · Animus jocandi: Quando se trata de uma brincadeira. Claro que se a brincadeira é feita varias vees e o sujeito afirma que não está gostando, entra em dolo. · Animus narrandi: A vontade de narrar. Ex: a imprensa narra a questão. Se não tem dolo de ofensa não tem crime. · Animus criticandi: A crítica não configura crime contra honra a não ser que ela seja disfarçada como forma de ofender a pessoa. · TAMBÉM INEXISTE DOLO DE OFENSA EM CASO DE EXALTAÇÃO. Ou seja, se aconteceu no calor do momento, não há dolo de ofensa. SUJEITO ATIVO - Qualquer pessoa maior e capaz. SUJEITO PASSIVO - Qualquer pessoa. · CALÚNIA 1. Honra objetiva. O fato narrado é crime. A calúnia se consuma quando um terceiro toma conhecimento da imputação. Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa. § 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga. § 2º - É punível a calúnia contra os mortos. Exceção da verdade § 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo: I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível; II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141; III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. REQUISITOS PARA O CRIME DE CALÚNIA 1. Imputação de fato definido como crime - Ou seja, o simples fato de chamar alguém de ladrão não caracteriza crime de injúria, pois nesse caso deve haver um fato, ou seja, “uma história” de algo que aconteceu e essa história contada deve ser considerada um crime. Se o fato for uma contravenção penal não se configura calúnia e sim difamação. 2. Falsidade da imputação - A história precisa ser falsa. 3. Dolo de ofensa - Necessita querer ofender. SUJEITO ATIVO - Qualquer pessoa maior e capaz. SUJEITO PASSIVO - Qualquer pessoa. EXCEÇÃO DA VERDADE Serve para que o sujeito ativo possa provar que o fato imputado é verdadeiro. Se o fato é verdadeiro, não é calúnia. Exemplo: Caio começa a falar para todo mundo que Bruno toda sexta feira entra pela porta do fundo da padaria e começa a subtrair pães, bolos… Se isso realmente acontecesse estaria sendo realizado um crime. Se for mentira, responderá como calúnia, porém, se for provado que aquele fato é verdade, o sujeito não responderá por calúnia ( Exceção da verdade). Porém, existem algumas hipóteses em que a exceção da verdade é afastada e mesmo que prove que o fato é verdadeiro, ainda sim responderá por calúnia, são essas hipóteses: 1. Se o sujeito é absolvido, aquilo que eu disse contra ele, mesmo que seja provado verdade, eu responderei por calúnia. Isso porque se ele foi absolvido não há porque eu sair falando por aí. 2. Se for o presidente da república e chefe de governo estrangeiro. Por uma questão meramente política, pouco importa se é verdade ou não, eu responderei por calúnia. 3. Se o crime é perseguido por ação penal pública. OBSERVAÇÕES: · Se alguém, sabendo que a informação é falsa, a propala (passar pra frente via oral) ou a divulga (qualquer outro meio que não seja via oral, a punição é a mesma que a de quem fez a calúnia. · É punível calúnia contra os mortos. AÇÃO PENAL: Em regra, crimes de calúnia são crimes de AÇÃO PENAL PRIVADA. Ou seja, a própria vítima tem que denunciar. · Exceções: 1. Ação penal pública condicionada à requisição do ministro da justiça - Se for o presidente da república ou o chefe de governo estrangeiro. 2. Ação penal pública condicionada à representação. - Quando o crime é praticado contra funcionário público referente a sua função. Nesse caso, precisa da autorização da vítima para o promotor propor a denúncia. · DIFAMAÇÃO · Honra objetiva 139. Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. · Se consuma quando um terceiro toma conhecimento do fato. A diferença da difamação para a calúnia é que o fato descrito na calúnia é dado como crime e necessita ser falso e o fato descrito na difamação não é dado como crime e pouco importa se é verdadeiro ou falso. REQUISITOS PARA O CRIME DE DIFAMAÇÃO: 1. Imputação de fato - Tem que existir uma história. 2. Ofensa à reputação - A história inventada não se considera um crime. Pouco importa se o fato é verdadeiro ou falso, ou seja, haverá difamação mesmo que o fato seja falso. 3. Dolo de ofensa - Vontade de ofender. Exemplo: Carla conta para todo mundo que Fernanda toda semana vai a um motel trair o marido. Nesse caso, a conduta narrada por Carla não imputa crime a Fernanda, apenas atinge a honra da mesma perante terceiros. SUJEITO ATIVO - Qualquer pessoa maior e capaz. SUJEITO PASSIVO - Qualquer pessoa. CABE EXCEÇÃO DA VERDADE? Na difamação SOMENTE CABE EXCEÇÃO DA VERDADE EM 1 HIPÓTESE, isso porque, mesmo que prove que tal pessoa esteja fazendo a ação e seja comprovado, a vida dela não interessa e não pode ser explanada, então o fato de sair falando mesmo que seja verdade continua sendo crime de difamação.Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. - Nesse caso o sujeito não responderia por difamação. Exemplo: Fulano conta para todo mundo que beltrano, funcionario publico, escrevente do tribunal da justiça tá toda sexta feira saindo mais cedo, fugindo do trabalho para dormir, o fato que fulano tá contando, afeta a honra de beltrano, porém, se caso seja comprovado a verdade, pelo fato do sujeito ser funcionário público e esses fatos serem imputados em razão da sua função pública, não será considerado difamação. (Único cabimento da exceção da verdade em difamação) OBSERVAÇÕES: · Se o fato descrito for considerado contravenção penal, não será calúnia, será difamação. · Não cabe difamação contra os mortos. AÇÃO PENAL · O crime de difamação é crime de AÇÃO PENAL PRIVADA. Ou seja, a vítima que oferece a denúncia. · Exceções: 1. Ação penal pública condicionada à requisição do ministro da justiça - Se for o presidente da república ou o chefe de governo estrangeiro. 2. Ação penal pública condicionada à representação. - Quando o crime é praticado contra funcionário público referente a sua função. Nesse caso, precisa da autorização da vítima para o promotor propor a denúncia. · INJÚRIA · Honra subjetiva Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. § 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena: I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria; II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria. § 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência. Na injúria, o crime se configura quando a vítima toma conhecimento da situação. O simples fato aqui de xingar alguém e essa pessoa ficar ciente, já configura crime. Ou seja, não precisa de uma história em si. Pena de 1 a 6 meses. Menor pena dentro dos crimes contra a honra · A injúria pode ser verbal, escrita ou gestual. SUJEITO ATIVO - Qualquer pessoa maior e capaz. SUJEITO PASSIVO - Qualquer pessoa. *Pessoa jurídica não pode ser vítima de injúria e não há injúria contra mortos. REQUISITOS PARA O CRIME DE INJÚRIA 1. Ataque a dignidade ou decoro 2. Dolo de ofensa PERDÃO JUDICIAL · PROVOCAÇÃO. Quando a vítima provoca o ofensor e ele irritado o ofende praticando a injúria. Nesse caso o juiz pode deixar de aplicar a pena por entender que a própria vítima provocou essa situação. · RETORSÃO IMEDIATA. Quando ocorre retorsão imediata. Ou seja, houve 2 injúrias. Primeiro o sujeito injúria o outro e por revolta o outro devolve a injúria. Nesse caso, quem devolveu a injúria pode ter o seu perdão decretado pelo juiz (Extinção de punibilidade). INJÚRIA REAL (animus injuriandi) § 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência. · A injúria real é uma qualificadora. · Na injúria real, o sujeito irá empregar violência ou vias de fato para injuriar. Porém, nesse caso, a intenção não é a de agredir e sim um meio utilizado para humilhar, para diminuir, menosprezar. Exemplo: Uma pessoa mais forte que dá um tapa na cara do outro. Nesse caso a intenção não é agredir e sim mostrar que é melhor humilhar o outro. “Reduzir a humanidade da pessoa” Exemplo: um torcedor jogou uma pipoca em um jogador. Nesse caso, foi utilizado vias de fato para ofender. A intenção não seria machucar e sim humilhar. OBSERVAÇÕES: · O que diferencia da lesão corporal, não seria a conduta, seria o DOLO, pois na lesão corporal, o ânimos lesenti, seria a vontade de agredir, nesse caso, seria a intenção de injuriar. · Injúria racial é crime imprescritível e inafiançável. INJÚRIA PRECONCEITUOSA OU RACIAL § 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. · DOS CRIMES DE INJÚRIA É O MAIS GRAVE. “Tipo de racismo”. Saiu do código penal como injúria e entrou na lei 7779 passando a ser crime de racismo e a multa passou a ser de 2 a 5 anos. Passou a ser ação penal pública incondicionada. IMPORTANTÍSSIMO. REQUISITOS PARA O CRIME DE INJÚRIA PRECONCEITUOSA OU RACIAL 1. utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: 2. Especial fim de discriminar ou menosprezar o ofendido 3. Dolo de HUMILHAÇÃO. INJÚRIA RACIAL X RACISMO Injúria racial - Ofensa feita a uma determinada pessoa. /Honra subjetiva /Ação penal pública condicionada Racismo - Discriminar todo um grupo social / dignidade humana / Ação penal pública incondicionada. DISPOSIÇÕES COMUNS DOS CRIMES CONTRA HONRA Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qualquer dos crimes é cometido: I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro; II - contra funcionário público, em razão de suas funções, ou contra os Presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Lei nº 14.197, de 2021) (Vigência) III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da injúria. IV - contra criança, adolescente, pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou pessoa com deficiência, exceto na hipótese prevista no § 3º do art. 140 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 14.344, de 2022) Vigência § 1º - Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena em dobro. § 2º Se o crime é cometido ou divulgado em quaisquer modalidades das redes sociais da rede mundial de computadores, aplica-se em triplo a pena. CAUSAS DE EXCLUSÃO DO CRIME NÃO ENTRA CALÚNIA. Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível: I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador; II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar; III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que preste no cumprimento de dever do ofício. Parágrafo único - Nos casos dos n. I e III, responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade. Ou seja, mesmo que tenha acontecido xingamentos no calor do momento e houve a exclusão do crime não se da o direito de outros sairem compartilhando, esses “fofoqueiros "responderão pelo crime. RETRATAÇÃO NOS CRIMES CONTRA HONRA Art. 143 - O querelado ( Sujeito que cometeu crime contra honra) que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação, fica isento de pena. Ou seja, se antes da sentença o réu se retratou, ele não receberá pena. Nesse caso, não cabe para o crime de injúria. Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a difamação utilizando-se de meios de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim desejar o ofendido, pelos mesmos meios em que se praticou a ofensa. (Incluído pela Lei nº 13.188, de 2015) Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria, quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela ofensa. AÇÃO PENAL NOS CRIMES CONTRA HONRA Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, salvo quando, no caso do art. 140, § 2º, da violência resulta lesão corporal. Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do inciso I do caput do art. 141 deste Código, e mediante representação do ofendido, no caso do inciso II do mesmo artigo, bem como no caso do § 3º do art. 140 deste Código.(Redação dada pela Lei nº 12.033. de 2009) Ação penal nos crimes contra honra em regra é uma iniciativa contra a ação penal privada, isso porque, é a própria vítima que irá processar o criminoso, se a vítima, for advogado por exemplo, poderá advogar em causa própria. · A petição inicial da ação penal privada é queixa crime Exceções: 1. Crime contra honra do presidente da república ou chefe de governo estrangeiro. Nesses casos, a ação penal é pública, condicionada à requisição do ministro da justiça. 2. Crime contra honra de funcionário público em razão de suas funções. Nesse caso, pelo código penal seria ação penal pública condicionada a representação do ofendido. Só que, para o STF, também pode ser ação penal privada, ou seja, pode ele mesmo fazer por intermédio de advogado, ajuizar a queixa crime. 3. A injúria preconceituosa, é crime de ação penal pública condicionada a representação do ofendido. 4. Injúria racial, assim como todos os crimes da 7716, são de ação penal pública incondicionada. 5. Existem crimes contra honra que estão no código eleitoral, é aplicado o código eleitoral quando é em relação a propaganda eleitoral. Todos os crimes do código eleitoral são de ação penal pública incondicionada. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO Esses crimes são caracterizados pela subtração, destruição, danificação, apropriação indevida ou obtenção ilícita de benefícios em relação a bens materiais. Esses crimes visam a obtenção de benefícios econômicos indevidos às custas de outras pessoas ou causar prejuízo material. Assim, eles podem ocorrer de diferentes formas e em diferentes contextos, como assaltos, furtos, roubos, fraudes financeiras, danos a propriedades, entre outros. Os crimes contra o patrimônio são delitos que envolvem a violação dos direitos de propriedade e a lesão aos bens materiais de terceiros. Características: · Violação do direito de propriedade Os crimes contra o patrimônio envolvem a violação do direito de propriedade de outra pessoa. Isso significa que alguém interfere indevidamente nos direitos de posse, uso, disposição ou fruição de um bem pertencente a outra pessoa. · Prejuízo material Esses crimes causam prejuízo material, financeiro ou econômico às vítimas. Isso pode ocorrer por meio da subtração, destruição, danificação, apropriação indevida ou obtenção ilícita de benefícios em relação aos bens materiais. · Condutas ilícitas Os crimes contra o patrimônio envolvem condutas ilícitas, como furto, roubo, estelionato, apropriação indébita, dano, entre outros. Cada tipo de crime possui características específicas e é tipificado pela legislação penal. · Intenção de obtenção de benefício Geralmente, os crimes contra o patrimônio são cometidos com o objetivo de obter algum tipo de benefício econômico indevido. Isso pode ser alcançado por meio da subtração de bens, fraude, engano ou outras formas de obtenção ilícita de vantagens. · Lesão ao patrimônio alheio Esses crimes afetam o patrimônio de terceiros, ou seja, bens que pertencem a outras pessoas ou entidades. Eles podem ocorrer em diversas situações, como assaltos, furtos, danos a propriedades, fraudes financeiras, entre outros. · FURTO Art. 155. Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. § 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno. § 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa. § 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico. Furto qualificado § 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido: I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa; II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza; III - com emprego de chave falsa; IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas. § 5º - A pena é de reclusão de 3 (três) a 8 (oito) anos, se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996) Classificação: Crime comum, material, doloso(não se admitindo a forma culposa), de dano, de forma livre, comissivo em regra, instantâneo ou permanente, unissubjetivo, plurissubsistente, não transeunte e admite tentativa. Entendemos exequível o cometimento de furto por omissão. Sujeito ativo: Qualquer pessoa, salvo o proprietário ou possuidor da coisa. Sujeito passivo: É a pessoa física ou jurídica que detenha a posse ou propriedade da coisa. Objeto material: Coisa alheia Móvel. A conduta criminosa recai sobre a coisa alheia móvel, que são considerados os animais, aeronaves, os navios, os títulos de crédito, os talões de cheques, os frutos, as árvores, etc. O furto de gado é conhecido como abigeato. As coisas de uso comum também podem ser objeto de furto, como a água e luz. · A coisa abandonada (res derelicta) e a coisa de ninguém (res nullius) não podem ser objeto material de furto, pois não são coisas alheias. Se o agente pensou que se tratava de coisa abandonada e dela se apoderou, haverá erro de tipo que excluirá o dolo. · Quanto a cadáver, se a subtração for com intuito de lucro haverá caso de furto, caso contrário, o crime será de subtração de cadáver, previsto no art. 211 do CP. Quem subtrair cadáver de faculdade de medicina com o fim de retirar o ouro existente na arcada dentária incorrerá em crime de furto. O dolo do agente é genérico, a vontade deve ser livre e consciente de subtrair coisa alheia móvel e específico com a intenção de assenhorar-se da coisa em definitivo, contido na expressão "para si ou para outrem" (animus furandi) Furto de uso: O furto de uso nada mais é do que a conduta do indivíduo que subtrai um objeto com a intenção de utilizá-lo e devolvê-lo logo em seguida.O furto de uso, em nosso ordenamento jurídico, é fato atípico, ou seja, não é uma conduta criminosa e não está abarcada pelo tipo penal do art. 155, devido à ausência de ânimo de apossamento definitivo, elemento indispensável para a configuração do furto. O furto de uso somente será reconhecido se não for exigível outra conduta do agente a não ser sacrificar direito alheio, como subtrair o veículo da vítima para socorrer o filho ao hospital, por exemplo. Logo, será excluído o dolo e, consequentemente, o fato será considerado atípico se o agente subtrair coisa alheia pensando ser própria (erro de tipo). · É pacifico na jurisprudência o reconhecimento do estado de necessidade em caso de furto famélico. É imperativo que a conduta do agente se realize com o único objetivo de saciar a fome, num estado de extrema penúria, não podendo esperar mais, por ser a situação insuportável e que somente por meio do ato ilícito consiga resolver o problema de falta de alimentação. Consumação: a consumação do delito de furto se dá no momento em que o autor remove a coisa – ou seja, quando a coisa passa para seu domínio. Dessa forma, não há a necessidade de uma posse pacífica do objeto furtado. Uma vez que o indivíduo coloca suas mãos no objeto e o toma para si, mesmo que este objeto por quaisquer meios e a qualquer título, se encontre na chamada esfera de proteção da vítima, de modo que a fuga logo após o furto caracteriza a inversão da posse, e o furto está consumado mesmo havendo perseguição imediata e consequente retomada do objeto (teoria do amotio). Sendo crime instantâneo, a consumação se verifica no exato instante em que o delito é cometido. O crime também restará consumado quando a coisa estiver ocultada, mesmo encontrando-se perto da vítima. Tentativa:Na tentativa a consumação não ocorre por circunstâncias alheias à vontade do agente. A tentativa é perfeitamente admissível na hipótese de o agente não conseguir subtrair a coisa por circunstâncias alheias à sua vontade. Também caracteriza a tentativa na hipótese de ser perseguido pela polícia e preso logo após a subtração, pois a coisa não saiu da esfera de proteçãoe disponibilidade da vítima. Desistência voluntária e arrependimento eficaz: Diferentemente da tentativa em que a não consumação ocorre por circunstâncias alheias à vontade do agente, na desistência voluntária e no arrependimento eficaz (art. 15), a execução é interrompida pela própria vontade do agente (medo, remorso, baixa qualidade do objeto material, dor de barriga). · Ocorre desistência voluntária, por exemplo, se A ingressa na residência de B, mas por qualquer motivo, desde que voluntário, desiste de prosseguir e foge sem nada levar. Responde por invasão de domicílio. · Arrependimento é considerado eficaz se A subtrair um livro de B e antes de ter sua posse tranquila devolve o objeto. Sua conduta foi de encontro com a continuidade do processo de execução de uma típica iniciada. Art. 15. O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados. Arrependimento posterior: Causa de redução de pena. Art. 16. Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços. O arrependimento posterior é uma causa especial de diminuição de pena e só tem aplicação nos crimes materiais, pois seu reconhecimento se verifica com a reparação do dano ou a restituição da coisa. O indivíduo que, voluntariamente, decorrido de alguns dias após o furto de um veículo, arrepende-se e comunica à vítima o local onde o mesmo se encontra será beneficiado por esta entidade criminal. Repouso noturno: Causa de aumento de pena. É o período em que as pessoas descansam de acordo com os costumes de cada região do País, a vítima encontra-se mais vulnerável e por isso a pena será aumentada de um terço. Doutrina e jurisprudência são pacíficas ao admitirem sua aplicação apenas ao furto simples. · A jurisprudência e a doutrina majoritária entendem que não há a necessidade de que a vítima esteja presente no local do furto. Também não é necessário que a vítima esteja repousando. Praticado o furto no horário do repouso noturno, portanto, incidir a majorante. Furto de Pequeno Valor e Criminoso Primário (PRIVILEGIADO):Se o criminoso é primário e é de pequeno valor a coisa furtada o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços ou aplicar somente a pena de multa. Pequeno valor é aquele em que a coisa furtada não ultrapassa o valor equivalente ao salário mínimo vigente à época do fato criminoso. Furto privilegiado - qualificado: Outro debate um pouco mais avançado e bastante relevante está na compatibilidade entre o furto privilegiado previsto no § 2º e as modalidades de furto qualificado. Em outras palavras: Seria possível a existência de furto privilegiado-qualificado? · Para o STJ, é possível a existência do furto privilegiado-qualificado. Súmula n. 511. É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 155 do CP nos casos de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva. Furto de energia elétrica:Equipara-se a coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico. Captar energia antes de sua passagem pelo aparelho medidor configura o delito, considerado permanente, possibilitando, assim, a prisão em flagrante do agente enquanto perdurar seu efeito. Se o agente, porém, alegrar o relógio de luz e passar a pagar metade da energia elétrica consumida, o crime será de estelionato. A ligação clandestina para a utilização de TV por assinatura, conhecida como "gato", para nós, não pode ser equiparada a furto de energia elétrica. O fato é ilícito, mas não chega a ser típico. A conduta deve ser apurada na esfera cível. A energia elétrica quando subtraída depois é armazenada, causa perda patrimonial, diferentemente do sinal de TV a cabo, em que sua utilização não gera dano, isto é, não há perda de energia de valor econômico, mas ausência de ganho por parte da empresa. Furto qualificado: § 4º A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido: I – com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa; · A violência aqui é empregada contra obstáculo que está impedindo a subtração da coisa.Essa qualificadora depende de perícia para sua comprovação por se tratar de conduta que deixa vestígios. Não é possível aplicar o princípio da insignificância quando o furto é praticado com destruição ou rompimento de obstáculo. II – com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza; · O abuso de confiança é o delito praticado utilizando-se da facilidade que surge com a existência de uma relação de confiança entre autor e vítima. Também não admite o princípio da insignificância. · O furto mediante fraude, ocorre quando o agente utiliza de algum artifício para fazer com que a vítima reduza sua vigilância sobre o bem, iludindo-a momentaneamente, de modo a subtraí-lo. Cuidado para não confundir o furto mediante fraude com o estelionato. No estelionato, o agente engana a vítima que entrega a coisa de forma voluntária. No furto mediante fraude, o agente engana a vítima para ele próprio subtrair a coisa! Seguindo esse raciocínio é que se dá o entendimento dos tribunais no sentido de que a subtração de valores mediante fraude de internet e clonagem de cartões configura FURTO mediante FRAUDE. · Escalada/Destreza. A modalidade mediante escalada é simples: O agente adentra o local do furto de uma forma anormal, superando um obstaculo que exige um maior esforço de sua parte. Como numa residência subindo uma árvore ou um muro alto, cavar um túnel, por incrível que pareça, também pode configurar essa qualificadora. Quanto à destreza, é a modalidade que trata da habilidade especial do autor em subtrair a coisa sem ser notado (como ocorre com o batedor de carteiras). Observação importante se dá no sentido de que, para a doutrina, se a vítima perceber a subtração, não deve incidir a qualificadora.(passa a existir furto comum, simples). III – com emprego de chave falsa; · Considera-se chave falsa todo e qualquer instrumento, com ou sem forma de chave como a gazua, moca, alfinete, arame etc. Capaz de abrir fechadura ou dispositivo análogo. · Se a verdadeira chave encontra-se na fechadura haverá o furto simples, pois "porta fechada com chave na fechadura é porta aberta", mas se for conseguida ardilosamente para o cometimento do delito, como, por exemplo, subtraí-la da bolsa da vítima para depois adentrar sua residência, qualificadora será fraude. IV – mediante concurso de duas ou mais pessoas. · Praticado por mais de um autor dificultando a resistência da vítima. § 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. · Requer o tipo penal o elemento subjetivo especial (dolo específico), ou seja, deve o agente ter consciência de que está ultrapassando os limites de um Estado ou país com o objeto material. É necessário, portanto, para a consumação do delito, que o veículo tenha transportado as fronteiras do Estado ou do território nacional. · FURTO DE COISA COMUM (ART.156) Art. 156. Subtrair o condômino, coerdeiro ou sócio, para si ou para outrem, a quem legitimamente a detém, a coisa comum: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. § 1º - Somente se procede mediante representação. § 2º - Não é punível a subtração de coisa comum fungível, cujo valor não exceda a quota a que tem direito o agente. O furto de coisa comum consiste na subtração de uma coisa comum por parte do condômino, coerdeiro ou sócio. Dessa forma, trata-se de crime próprio, visto que não é qualquer pessoa que pode praticá-lo, mas apenas os indivíduos listados no art. 156. A conduta consiste em subtrair, que tem o significado de retirar, pegar coisa comum de quem legitimamente a detém, isto é, a coisa que pertence não apenas ao agente, mastambém a outras pessoas. Condômino é o proprietário que divide o domínio da mesma coisa com outras pessoas. Herdeiro é o sucessor que concorre a uma herança (patrimônio falecido que transmite aos herdeiros) deixada pelo de cujus. Sócio é o membro de uma sociedade (reunião de duas ou mais pessoas que mediante contrato se obriga, a combinar seus esforços ou bens para a consecução de fins comuns). · Não é punível a subtração de coisa fungível, cujo valor não exceda a quota a que tem direito o agente, coisa fungível é aquela que pode ser substituída por outra da mesma espécie, qualidade e quantidade. Trata-se de causa excludente de ilicitude. Por outro lado, haverá o delito em estudo se a coisa foi infungível, qual seja, a que não por ser substituída por outra. · O crime é de ação pública condicionada a representação. Somente se procede mediante representação do ofendido. · ROUBO Art. 157. Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência à pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência: Pena – reclusão, de quatro a dez anos, e multa. § 1º Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro Crime comum. Qualquer pessoa pode praticar o delito de roubo, visto que não há necessidade de nenhuma qualidade especial por parte do agente. No roubo, o autor utiliza de violência ou grave ameaça, ou de qualquer forma reduz a capacidade de resistência da vítima. A violência pode ser: A) física (vis absoluta) que compreende as vias de fato, lesão corporal leve, grave ou morte (essas duas últimas qualificam o delito); B) moral (vis compulsiva) que se constata em atemorizar ou amedrontar a vítima com ameaças, gestos ou simulações, como a de portar arma, por exemplo. A ameaça pode ser dirigida à vítima ou a terceiro; C) imprópria é a que reduz a capacidade de resistir, como a superioridade física do agente, colocar droga na bebida da vítima, jogar areia nos seus olhos, hipnotizá-la, induzi-la a ingerir bebida alcoólica até a embriaguez etc. · Objetos que estão presos ao corpo como brinco, corrente, relógio, pulseira etc., e que são arrancados pelo ladrão caracterizam o roubo. Quando soltos como boné, óculos, bolsa, celular etc., o crime é de furto. Observações: 1. O roubo não admite a aplicação do princípio da insignificância. 2. O roubo é um delito pluriofensivo. Pluriofensivo, pois a conduta do agente ofende mais de um bem jurídico. A subtração vai lesar o patrimônio do indivíduo que teve seu bem subtraído, enquanto a violência e a grave ameaça ofendem a integridade física e psíquica da vítima. 3. Crime complexo. Adoutrina classifica o roubo como crime complexo, o qual reúne em sua definição dois tipos penais distintos: O constrangimento ilegal e o furto. Nesse sentido, tem como bens jurídicos tutelados a liberdade individual e o patrimônio. Roubo próprio:(Violência aplicada antes) No roubo próprio a violência ou grave ameaça é praticada antes ou durante a subtração da coisa. No impróprio ela é cometida logo depois de subtraída a coisa para assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa. · Consumação - o roubo se consuma quando o agente obtém a posse da coisa, mesmo que tal posse seja obtida por um pequeno espaço de tempo e não seja pacífica. Roubo impróprio: (Violência empregada depois). É aquele em que o agente logo depois de subtraída a coisa emprega violência contra a pessoa ou grave ameaça a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro. · Consumação - Na jurisprudência, tem-se entendido como consumado o delito quando ocorre a subtração dos bens da vítima, mediante violência ou grave ameaça, ainda que, em seguida, o próprio ofendido detenha o agente e recupere a res. · Tentativa - Não é possivel a tentativa de roubo impróprio. Ou o agente emprega a violência ou a grave ameaça, logo depois de subtraída a coisa e o crime se consuma, ou não subtrai a coisa, mas emprega violência para fugir e, então, o crime será de tentativa de furto em concurso material de lesão corporal. Qualificadora X Majorante: Em termos simples, a qualificadora ocorre quando o texto da lei traz novos elementos ao tipo penal, e esses novos elementos aumentam a pena máxima e mínima. A majorante, por outro lado, ocorre quando o dispositivo prevê uma fração de aumento da pena. Roubo majorado: Art. 157. § 2º I - Revogado II - se há o concurso de duas ou mais pessoas; A doutrina prevalente assevera que não há necessidade de estarem todos os agentes presentes no local do crime, basta haver o concurso de duas ou mais pessoas. III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância. A norma tutela aqueles que transportam valores. Qualquer tipo de valor como ouro, dinheiro, pedras preciosas etc. O agente deve saber que a vítima está transportando valores, dolo direto, portanto. IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior; Para a consumação do delito é necessário que o veículo seja levado para outro Estado ou país, não havendo, assim, possibilidade de ocorrer tentativa. Ou leva e ingressa com o veículo em outro Estado ou país e o crime está consumado, ou não ingressa e o crime será de furto ou roubo conforme a circunstância. V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade. O objeto do agente, após o emprego da violência ou grave ameaça, é manter a vítima em seu poder e assim facilitar a subtração. A restrição de liberdade da vítima deve ser por tempo razoável, suficiente para que o agente consuma o delito sem ser descoberto pela polícia. VI – se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. VII - S e a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma branca. § 2º-A. A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços): I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo; II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum. , § 2º-B. Se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido, aplica-se em dobro a pena prevista no caput deste artigo. · Em 2018 ocorreu a revogação do inciso I do § 2º do art. 157 pela Lei n. 13.654/18. A referida norma previa uma modalidade de roubo circunstanciado ou majorado pelo chamado emprego de arma. Antigamente, considerava-se arma para efeitos de aplicação da majorante qualquer tipo de arma, seja de fogo, arma branca ou qualquer outro tipo de objeto que aumentasse o risco à integridade física da vítima (como uma chave de fenda, por exemplo). · Logo, durante o período que se iniciou com a vigência da Lei n. 13.654/18 e até o início da vigência da Lei n. 13.968/19 (pacote anti crime) o roubo foi praticado com qualquer arma que não seja de fogo consistiu em hipótese de roubo simples. · A atual previsão contida no art. 157, § 2º-A do inciso I do CP limita a possibilidade de aumento de pena à hipótese de a violência ser cometida mediante emprego de arma de fogo [...] · Entretanto, com a vigência do pacote anti crime foi inserida majorante específica para a prática de violência ou grave ameaça com armas brancas, na figura do inciso VII do artigo em estudo: CP, Art. 157, § 2º A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até metade: VII – se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma branca; (Incluído pela Lei n. 13.964, de 2019) · Seguimos com as atualizações do § 2º-A do art. 157 do CP. Como ocorria antes da Lei n. 13.654/18, o roubo com emprego de arma de fogo não apenas continua como roubo majorado, mas atualmente possui aumento de pena maior (fixo em 2/3). I · A última atualização quanto ao delito de roubo é um endurecimento da reprimenda daquele que pratica a violência ou grave