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Conteudista: Prof. Dr. Luciano Rossi Revisão Textual: Prof.ª M.ª Sandra Regina Fonseca Moreira Objetivos da Unidade: Apresentar ao(à) aluno(a) uma visão crítica sobre a utilização da inteligência artificial na economia; Discutir os impactos da tecnologia na indústria, na agricultura e no comércio, focando na otimização de processos e suas implicações sociais; Analisar as principais inovações, baseadas em inteligência artificial, aplicadas à gestão. ˨ Material Teórico ˨ Material Complementar ˨ Referências Aplicações da Inteligência Artificial na Economia A Indústria 4.0 Caro(a) estudante, anteriormente foram discutidos alguns aspectos importantes a partir das aplicações de inteligência artificial. Vimos que, a partir da evolução da indústria, a sociedade sofreu impactos significativos. O surgimento de meios de produção, que apresentavam algum nível de tecnologia embarcada, resultou em aumento de produtividade, redução dos custos de produção e melhoria na qualidade dos produtos. Os avanços, que culminaram no contexto atual, ocorreram de forma gradual e, atualmente, é possível pontuar alguns marcos desse desenvolvimento. O que conhecemos como “Revolução Industrial” é definida, por especialistas, como resultado de três momentos distintos. O primeiro momento tem como marco inicial o desenvolvimento de teares mecânicos (1780). Esse aparato era movido por motores a vapor e possibilitou a centralização dos processos produtivos, o que dá origem ao que chamamos de fábrica. 1 / 3 ˨ Material Teórico Leitura Revolução Industrial Conheça os detalhes históricos a respeito da Revolução Industrial a seguir. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE O segundo momento marcante dessa evolução ocorreu 100 anos depois do surgimento do tear mecânico. O engenheiro mecânico norte-americano Henry Ford foi o primeiro a considerar uma linha de produção seriada para a produção em massa de veículos automotores. O Ford T foi o primeiro modelo produzido nesse conceito, o que resultou em um novo conceito de produção, conhecido como “fordismo”, e que tornou Henry Ford um dos homens mais ricos de todo o mundo. A indústria automobilística foi também responsável pelo terceiro marco da revolução industrial. No final da década de 1960, a General Motors desenvolveu uma alternativa à tecnologia para automação utilizada na época. Tratava-se do controlador lógico programável (CLP), um aparato eletrônico composto por hardware e software que possibilitava o controle e o monitoramento de máquinas, de forma individual, até linhas de produção inteiras. Atualmente, os processos produtivos continuam evoluindo a partir de novas tecnologias emergentes. Desse modo, estamos vivenciando a transformação ao mesmo tempo em que tentamos compreendê-la. Esse novo marco evolutivo é denominado Indústria 4.0, e está baseado em tecnologias que utilizam a expansão da Internet e a inteligência artificial. A Internet das coisas (IoT) é o resultado da aplicação de diferentes tecnologias que possibilitam a integração e a interação de diferentes objetos à Internet. Nesse contexto, além de computadores, smartphones e outros assemelhados, pode-se integrar à Internet objetos como sensores, atuadores e outros tipos de equipamentos, desde que contenham com um endereço IP para sua identificação na rede. Além disso, o desenvolvimento de objetos inteligentes completa o cenário para a automatização industrial em um nível nunca visto. https://www.historiadomundo.com.br/idade-moderna/revolucao-industrial.htm A Figura 1 apresenta os quatro marcos da evolução da indústria com as respectivas características de cada momento histórico. Figura 1 – Os marcos da Revolução Industrial e suas principais características A Indústria 4.0 é o resultado da utilização de sistemas inteligentes e altamente integrados que possibilitam a autogestão dos processos, a customização de produtos e a manutenção dos benefícios da produção em massa. Os sistemas Ciber-físicos constituem um importante diferencial na nova dinâmica da produção industrial e são definidos a partir de três características principais dos equipamentos que os compõem: Representação virtual; Conexão por meio da IoT; Comunicação em tempo real. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE As perspectivas relativas à Indústria 4.0 ainda são temas de estudos por parte de especialistas. Isso ocorre por conta de o tema ser muito recente, a primeira menção foi feita em 2011 na Alemanha. Porém, já é possível relacionar alguns conceitos importantes, descritos a seguir: Leitura Indústria 4.0: Entenda seus Conceitos e Fundamentos Para aprofundar seus conhecimentos a respeito da Indústria 4.0 acesse o Portal da Indústria, disponível a seguir. Operação em tempo real: devido à conectividade, os dados referentes aos processos integrados podem ser obtidos e tratados de forma, praticamente, instantânea. Desse modo, os eventos ligados ao processo podem ser identificados e as decisões podem ser tomadas em tempo real; Virtualização: o parque fabril, bem como outros ambientes de interesse, pode ser monitorado a partir de representações virtuais. Esse monitoramento é possibilitado por meio da utilização de sensores que mapeiam pontos críticos de controle em todo o processo; Descentralização: cada componente ou módulo do processo de fabricação pode receber comandos e fornecer informações a respeito do andamento do processo, o que possibilita que haja uma independência operacional, resultando no aprimoramento do processo como um todo; https://www.portaldaindustria.com.br/industria-de-a-z/industria-4-0/ Além dos conceitos inerentes à Indústria 4.0, há um conjunto de elementos que são considerados como pilares, os quais são descritos a seguir: Orientação a serviços: possibilita a implementação de um conjunto de ferramentas de software cuja arquitetura é orientada a serviços; Modularidade: com a descentralização e a independência modular, é possível o ajustamento automático da organização modular de modo que produtos customizados sejam produzidos sem a perda de características de produção em massa. Big Data e ciência de dados: o nível de automatização de processos produtivos, observado na Indústria 4.0, resulta na produção de um grande volume de dados. Esses dados se adequam às características descritas a partir de conceito de Big Data, os quais demandam técnicas apropriadas para sua análise; Robôs autônomos: a utilização de robôs em linhas de produção não é uma novidade. Porém, na Indústria 4.0, os robôs têm novas capacidades, não limitando-se a tarefas puramente repetitivas. Além disso, há uma integração maior entre robôs e humanos, com maior nível de segurança; Simulação: a disponibilização de informações sobre o processo produtivo, em tempo real, possibilita a realização de simulações que podem ser úteis para a testagem de diferentes parametrizações a partir de modelos virtuais; Integração de sistemas: além da possibilidade de integração de diferentes sistemas no contexto interno da organização, a Indústria 4.0 prevê a integração com redes externas, o que elevará o nível de automação; Internet das coisas industrial: trata-se da conexão de máquinas, equipamentos, computadores e outros artefatos presentes no processo de produção, de modo a possibilitar a obtenção de respostas em tempo real; Segurança: a interconectividade em diferentes contextos do processo fabril demandará uma atenção especial quanto a critérios de segurança da informação, A Indústria 4.0 já é uma realidade em diferentes países. No Brasil, a grande maioria das indústrias não enquadram suas operações nos conceitos considerados pela Indústria 4.0. Nesse cenário, o setor produtivo que mais avançou, nos últimos anos, foi a indústria automotiva. Os principais desafios para a implantação da Indústria 4.0 no Brasil, de forma ampla, foram listados pela FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) como sendo: resultando em um ambiente propício para o desenvolvimento de novas soluções nesta área; Nuvem: a utilização de serviços de computação em nuvem não é uma novidade para grande parte das empresas. No entanto, no contexto da Indústria 4.0, a demanda por esse tipo de serviço aumentará; Fabricação de aditivos: com a descentralização dos processos produtivos e a interconexão entre eles, a necessidade de estoques será reduzida por conta da utilização de tecnologias emergentes como, por exemplo, impressoras 3D; Realidade aumentada: essa tecnologia pode auxiliar na operação dos processos produtivos, no treinamento de mão de obra, na manutenção de máquinas e equipamentos e na parametrização de processos customizados. Criação de um programa nacional de manufatura avançada; Realização de acordos de cooperação internacional; Criação de uma rede de ambientes de testes e demonstrações (testbed); Criação de linhas de fomento; Engajamento de empresas de pequeno e médio portes. A Agricultura como Importante Consumidor de Tecnologia As aplicações de soluções baseadas em inteligência artificial são possíveis de serem observadas em diferentes setores. Um setor em particular, que é consumidor voraz de tecnologia, é o agronegócio. A forma como os processos agropecuários evoluíram é muito impressionante. Máquinas realizam a semeadura ou a colheita da safra, orientadas por satélite. As características climáticas e da terra são mapeadas a partir de sensores distribuídos por toda a área de plantio. Como resultado dos avanços tecnológicos sobre os processos na agricultura e pecuária podemos destacar a produtividade e a qualidade dos produtos. Considerando, mais especificamente, as aplicações em inteligência artificial, é possível observar que, além de produtividade e qualidade, o setor agropecuário pode operar de maneira mais sustentável, reduzindo os impactos ao meio ambiente, por exemplo, pela redução do uso de agrotóxicos. Devido às características dos processos envolvidos na produção agropecuária e também do contexto produtivo, o gerenciamento desses processos é difícil de ser realizado sem a ajuda da tecnologia. Nesse contexto, a utilização de sistemas inteligentes, de aparatos de monitoramento, de veículos autônomos, dentre outras possibilidades tecnológicas, faz com que o agronegócio no Brasil seja um dos principais consumidores de tecnologia. Leitura Agricultura 4.0: Conceito, Tecnologias, Vantagens e Desafios Analogamente ao conceito da Indústria 4.0, o emprego da tecnologia no campo é conhecido como Agricultura 4.0. Conheça mais a seguir. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Os grandes produtores agrícolas contam, atualmente, com o auxílio de drones para o monitoramento das lavouras. Os drones possibilitam que imagens sejam utilizadas, em tempo real, para a identificação de eventuais problemas e para a atuação imediata neles. Além disso, o produtor rural conta com uma série de sensores que monitoram diferentes aspectos da lavoura, como umidade, temperatura, presença de pragas, entre outros. Nesse sentido, é possível utilizar aplicativos que mapeiam a plantação e indicam a necessidade de utilização de defensivos agrícolas, de forma pontual e localizada, minimizando, assim, o impacto ao meio ambiente e aos custos. O monitoramento tecnológico produz uma infinidade de dados sobre as operações. Com a utilização de técnicas de aprendizado de máquina é possível a identificação de padrões nesses dados que vão indicar, por exemplo, a presença ou ausência de nutrientes em determinadas áreas da plantação, possibilitando que haja uma correção, antes mesmo dos efeitos serem observados. https://www.totvs.com/blog/gestao-agricola/agricultura-4-0/ Figura 2 – Cabine de comando de uma colheitadeira Fonte: sanjuan.edu O clima é outro fator de impacto na produtividade no campo. Se não é possível controlar o clima, é importante que previsões mais assertivas e precoces sejam disponibilizadas, de modo a permitir alguma intervenção que amenize o impacto à lavoura. Nesse contexto, o produtor rural tem acesso a previsões climáticas mais pontuais, e não apenas da região na qual está inserido. É possível prever com alto grau de exatidão a temperatura, vento, chuva, geada, seca, enfim, qualquer evento climático que impactará a plantação. De posse dessas informações, é possível realizar um reforço na irrigação ou na utilização de fertilizantes, por exemplo. Um grande trunfo ao produtor rural é a possibilidade de utilizar veículos que baseiam sua operação com algum grau de inteligência artificial. A tecnologia para a utilização de veículos autônomos no campo já existe e a inteligência artificial deverá elevar essa capacidade a outros níveis. Além da precisão nas operações, é possível ao veículo autônomo identificar eventos e reagir a eles. Por exemplo, um trator autônomo pode identificar a presença de chuva forte e mudar a rota de operação de modo a evitar possíveis riscos, tanto para o equipamento quanto para a lavoura. Nessa mesma linha, é possível, para um veículo autônomo, a utilização de dados históricos para a dosagem precisa de, por exemplo, defensivos agrícolas. Outra possibilidade é a identificação de maturidade para colheita de frutos, mesmo que estejam em um mesmo pé. O ambiente rural é cercado por muitas variáveis que impactam, diretamente, no contexto produtivo. Exatamente por isso é que esse ambiente é um terreno fértil para a utilização de tecnologia e aplicações em inteligência artificial. A utilização de grandes bancos de dados, a necessidade de poder de processamento, o consumo de sensores dos mais variados tipos, a utilização de veículos autônomos, a necessidade de predições assertivas são características que tornam a produção agrícola um potencial consumidor de tecnologia, elevando a gestão no campo a um nível de automatização, por vezes, superior ao observado em outros contextos. Outro argumento para o uso da inteligência artificial no campo é a necessidade de aumento de produção. A população mundial vem crescendo ano após ano e a produção de alimentos deve acompanhar esse crescimento. Uma forma de aumentar a produtividade é tornar as terras agrícolas mais produtivas, sem degradar o solo a longo prazo. Nesse sentido, a inteligência artificial pode fornecer os meios para que essa produtividade seja alcançada e para que os danos ao meio ambiente sejam minimizados. Comércio Eletrônico O comércio eletrônico é um resultado direto da evolução tecnológica. A possibilidade de se fazer a aquisição de bens de forma remota é um atrativo adicional para o consumo. Além da questão do conforto, a compra via Internet possibilita o acesso a produtos que, no contexto analógico, talvez não pudessem ser acessados. Uma navegação despretensiosa pela Internet pode resultar em uma avalanche publicitária, na qual produtos que foram escolhidos a partir de suas preferências, mesmo que não declaradas explicitamente, lhes são apresentados. Nesse contexto, a inteligência artificial tem sido utilizada para tornar os processos mais assertivos e impactantes ao consumidor virtual. Assim, vamos discutir de que modo a inteligência artificial vem sendo utilizada na área do comércio eletrônico. Uma aplicação muito conhecida da inteligência artificial são os sistemas de recomendação. Esse tipo de sistema é muito utilizado em serviços de streaming dos mais variados tipos. Um sistema de recomendação utiliza dados do usuário para mapear seu perfil e realizar recomendação de conteúdos mais relevantes para aquele usuário em particular. Quem vive com outras pessoas e é assinante de algum serviço de streaming pode perceber que cada pessoa tem um conjunto de recomendações diferente. Quando você acessa o serviço com suas credenciais, o sistema reconhece seu perfil e apresenta uma tela totalmente personalizada, ou seja, os itens apresentados são escolhidos de acordo com seu perfil de usuário. No contexto do comércio eletrônico, os sistemas de recomendação são utilizados para a criação de vitrines virtuais. O mecanismo é o mesmo, de acordo com a análise do seu perfil de consumo é possível, para o sistema, configurar uma vitrine que apresente produtos com maior probabilidade de lhes serem atraentes. Além disso, é possível que seu perfil seja atualizado em tempo real. A partir das escolhas que você faça na plataforma de compra, o sistema de recomendação vai atualizando seu perfil e apresenta produtos que façam mais sentido naquela navegação. Note que toda dinâmica de mapeamento de perfil e seleção de produtos para a vitrine é feita de forma automática, sem nenhuma atuação por parte de pessoas. Assim, as vitrines de recomendação são autônomas, característica que é resultado da aplicação de técnicas da inteligência artificial. Os sistemas de recomendação apresentam itens que possam ser mais atrativos para as pessoas, de forma personalizada. Porém, é possível que estejamos procurando por algo que não tenha sido identificado por um sistema de recomendação. Nesse sentido, os mecanismos de busca têm um papel importante. Todos que utilizam a Internet com certa frequência estão familiarizados com os buscadores. Utilizamos os buscadores de diferentes formas para encontrar algo de interesse. Esse tipo de busca é também considerado no contexto do comércio eletrônico e impactado pela inteligência artificial. A inteligência artificial é utilizada nos mecanismos de busca de modo a incrementar seu poder. Existem diferentes características que são implementadas na chamada busca inteligente. Podemos citar a velocidade com a qual as respostas são obtidas. Em um ambiente de compras virtuais, quando começamos a digitar o nome de um item de interesse, quase instantaneamente as sugestões vão sendo apresentadas ao usuário. Mesmo quando a palavra que estamos utilizando na busca é grafada de maneira errada, o mecanismo de busca inteligente é capaz de inferir a palavra correta por meio de similaridade fonética. Essa capacidade dos mecanismos de busca inteligentes é baseada na semelhança que existe entre os sons das letras, retornando os itens corretos mesmo que o nome para busca tenha sido digitado incorretamente. O nosso comportamento nas plataformas de compras também é utilizado para melhorar o processo de busca inteligente. Quando clicamos ou visitamos um produto com uma cor específica, essa informação fica armazenada. Se em um outro momento realizarmos uma busca por aquele item específico, o buscador irá oferecer primeiro os itens que tenham a cor que especificamos por meio da navegação anterior, essa característica é chamada de busca comportamental. Não somente através de texto é possível realizar buscas por produtos. Uma área muito desenvolvida da inteligência artificial é o processamento de linguagem natural (PLN). Além de várias aplicações populares, o PLN permite que as buscas sejam realizadas a partir da fala do usuário, facilitando, por exemplo, a busca por itens com nomes estrangeiros ou difíceis de serem escritos. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Leitura Introdução ao Processamento de Linguagem Natural usando Python Para aprofundar seus conhecimentos sobre o Processamento de Linguagem Natural e suas aplicações, leia o artigo a seguir. http://www.facom.ufu.br/~wendelmelo/terceiros/tutorial_nltk.pdf Na mesma linha do PLN, outra área muito importante na inteligência artificial é a busca por imagem. Neste caso, ao invés de um texto ou uma fala, a busca se baseia em uma imagem de um produto para o qual queremos encontrar itens similares. Há, ainda, a possibilidade de se tirar uma fotografia de um produto e realizar a busca a partir dela. O processo de realizar aquisições via Internet possui diferentes etapas. Pode ser que o comprador queira obter mais informações a respeito do produto, antes de finalizar sua compra. Ou ainda, pode querer fazer uma reclamação após receber o seu pedido. Para atender a esses tipos de demanda, as plataformas de compras, comumente, disponibilizavam um canal de comunicação, via telefone ou por chat. Os serviços de telemarketing, que abrangem o nosso exemplo, sempre foram grandes empregadores, sendo responsáveis por absorver um tipo de mão de obra que não tem muita experiência de mercado. O atendimento via chatbot é uma aplicação baseada em diferentes áreas da inteligência artificial, como, por exemplo, o PNL e Aprendizagem de Máquina. Esse tipo de serviço é disponibilizado no próprio portal de compras e possibilita ao comprador interagir com um programa que analisa as questões e produz as melhores respostas. Desse modo, o atendimento é agilizado, pois grande parte das questões dos consumidores são semelhantes entre si e, para aquelas que são mais difíceis de serem respondidas, o chatbot pode iniciar o atendimento e, posteriormente, direcionar para um atendente humano. Importante notar que, atualmente, há serviços de chatbot nos quais as pessoas literalmente conversam com a máquina. Os serviços de chatbot, além de agilizar o atendimento ao usuário, são responsáveis pela efetiva realização de negócios, por sanarem dúvidas que poderiam impactar na decisão de compra. Além disso, com o constante avanço tecnológico, principalmente na área da inteligência artificial, o atendimento via chatbot é altamente personalizado, o que potencializa a satisfação do consumidor. Quando um usuário de uma plataforma de compras online desiste da aquisição após ter selecionado alguns produtos para o seu carrinho de compras virtual, a inteligência artificial não permite que essas informações sejam perdidas. Considerando o perfil do comprador em associação com os itens que foram escolhidos em uma compra não finalizada é possível identificar outros produtos que tenham potencial de agradar ao comprador, e encaminhar esses itens via e-mail. Desse modo, dois conceitos são possíveis de serem destacados: a automatização da operação e a personalização do conteúdo do e-mail, de modo que uma nova transação seja concretizada. Aplicações de IA em Gestão A área da gestão empresarial é uma das mais impactadas pelos avanços tecnológicos. Principalmente a partir do surgimento dos sistemas de gestão integrados. Os sistemas de gestão são responsáveis por fornecer suporte aos diferentes processos de negócios. Esse tipo de sistema é responsável por garantir mais agilidade e assertividade aos processos gerenciados. Existem categorias que classificam os sistemas de gestão integrados. Os sistemas do tipo ERP (Enterprise Resource Planning), sigla para planejamento de recursos empresariais, cuida de todos os processos internos da organização. Processos financeiros, de recursos humanos, produtivos, fiscais, dentre outros, são gerenciados de forma integrada por sistemas deste tipo. É importante destacar a integração observada nesses sistemas, por exemplo, um único banco de dados é utilizado por diferentes módulos do sistema. Essa integração resulta em menor risco de perda de integridade dos dados e atualizações mais assertivas. Outra categoria de sistemas integrados são os chamados CRM’s (Customer Relationship Management), sigla para gerenciamento do relacionamento com o cliente, que são responsáveis pelos processos que envolvem diretamente o cliente. O objetivo desse tipo de sistema é centralizar as ações de vendas, marketing e pós-vendas, de modo a manter o foco na experiência do cliente, criando fidelidade e fornecendo informações para ações estratégicas da organização. Finalmente, os sistemas conhecidos por SCM (Supply Chain Management), sigla para gerenciamento da cadeia de suprimentos, são responsáveis pelo gerenciamento dos processos logísticos. O SCM é responsável por gerenciar os insumos, matérias primas, componentes e demais itens consumidos no processo produtivo. Além disso, o SCM promove a coordenação e a colaboração de todos os envolvidos no processo, inclusive agentes externos. Com a popularização dos sistemas de gestão integrados, os processos de negócio atingiram um alto nível de automatização. Desse modo, a produção de dados a respeito dos processos organizacionais também aumentou de maneira importante. Não demorou para que os gestores percebessem que havia muita oportunidade de aprendizado naqueles conjuntos de dados. Assim, surge o conceito de BI (Business Intelligence), sigla para inteligência de negócio, que trata da transformação de dados brutos em informações que podem basear a tomada de decisão estratégica e nortear as ações cotidianas. Veja na Figura 3 as relações entre os sistemas integrados e a produção de conhecimento por meio da análise de dados. Figura 3 – Relação entre os sistemas integrados e produção de conhecimento por meio da análise de dados A economia digital é responsável por uma fatia importante do PIB de países desenvolvidos e em desenvolvimento. Estima-se que na América Latina essa fatia seja superior a 50%. Nesse contexto, as organizações investem cada vez mais em tecnologia da informação. Mais especificamente, os investimentos das organizações focam nos pilares da Terceira Plataforma, que incluem mobilidade, nuvem, big data e mídias sociais. Com o investimento crescente, as organizações têm seus modelos de negócios transformados. Essa transformação passa pelo surgimento de modelos mais integrados, conectados, inteligentes e focados em serviço. A integração e a conectividade tendem a dissipar as fronteiras entre os processos que compõem a cadeia de valor nas organizações. A inteligência desses modelos está ligada à captação das informações e à delegação de decisões para sistemas on-line equipados com algoritmos de inteligência artificial. Não há muito espaço para questionamento sobre o impacto que a inteligência artificial gerará nas organizações. Parece haver um consenso a esse respeito. A grande dúvida está ligada à sobrevivência da organização a partir da ruptura que a inteligência artificial promoverá. Nesse sentido, especialistas indicam três elementos importantes para o momento de transição, são eles: O trabalho colaborativo envolve a criação de equipes multidisciplinares que são responsáveis por alinhar as estratégias da organização, definir processos, políticas e padrões e estabelecer parcerias tecnológicas. A implantação de uma cultura data-driven prevê a substituição da intuição ou da experiência pessoal pela utilização de dados na tomada de decisão. Além disso, devido ao dinamismo do contexto atual, as organizações devem ser capazes de se moldarem, de forma rápida, às demandas que surgem. Nesses casos, a adaptação é um fator primordial para a perpetuação das organizações. A evolução tecnológica, principalmente aquelas decorrentes da inteligência artificial, impactam fortemente nas profissões, as quais podem ser substituídas por algoritmos de computador. No contexto corporativo, foi criado um método para classificar as ocupações em função do seu respectivo grau de suscetibilidade à tecnologia. O trabalho colaborativo; A cultura data-driven; Estrutura organizacional ágil e flexível. O método descreve que as profissões que ainda têm menor probabilidade de serem substituídas são aquelas ligadas às tarefas de percepção e manipulação, de criatividade e de inteligência social. Apesar dos avanços no campo da Visão Computacional, as máquinas não se igualam aos seres humanos quando se necessita de percepções mais complexas. A criatividade é outra característica humana difícil de ser copiada por um computador. Finalmente, o que chamamos de inteligência social, é uma capacidade inerentemente humana. Assim, tarefas que envolvem negociação, persuasão e cuidado são difíceis de serem realizadas por computadores. Parece razoável que as ocupações no futuro serão exercidas combinando as características essencialmente humanas com um alto grau de tecnologia. Essa combinação necessita do desenvolvimento das habilidades conhecidas como soft, juntamente com o aprendizado de habilidades hard. De todo modo, há uma valorização das competências humanas, as quais são descritas por estudiosos como: criatividade, colaboração, transparência, compartilhamento, mindfulness, inteligência emocional, capacidade de experimentação, empatia e espírito empreendedor. Essas características não são possíveis, até o presente momento, de serem reproduzidas por máquinas. Assim, os profissionais do futuro serão aqueles que tenham essas características e que saibam lidar bem com os avanços tecnológicos. Além dos impactos gerados pela automatização de tarefas, existem outros desdobramentos, no campo da inteligência artificial, que impactam a gestão das organizações. Considerando somente o contexto interno, as organizações hoje têm disponível um grande volume de dados a respeito de seus próprios processos organizacionais, que são resultado da utilização dos sistemas de gestão integrados. Os dados armazenados pelas organizações podem ser utilizados para muitas aplicações. Em um nível mais superficial, os dados, depois de estruturados, padronizados e normalizados, são utilizados para a representação do momento atual da organização, por meio de dashboards. Os dashboards são conjuntos de representações gráficas que descrevem o comportamento da organização em diferentes setores. Cada representação em um dashboard, comumente descreve a evolução de um indicador chave de desempenho (KPI – Key Performance Indicator). Assim, os desempenhos, individuais e coletivos, podem ser acompanhados, muitas vezes em tempo real, de modo que seja possível aos gestores realizar correções de rota quando se observa um distanciamento da meta estabelecida. A partir dos dados organizacionais, é possível também a aplicação de tarefas de aprendizado de máquina, que é uma das áreas da inteligência artificial. Nesse contexto, é possível considerar dois tipos de aprendizado: o supervisionado e o não supervisionado. O primeiro considera tarefas cujo objetivo é a obtenção de modelos, ou funções, preditivos. Esses modelos são treinados para capturar um determinado padrão a partir dos dados. Esse padrão pode ser considerado para predizer alguma característica desconhecida em um novo registro. Por exemplo, é possível predizer o impacto nas vendas de um produto a partir do número de ações de marketing que são executadas. Além disso, outros fatores podem ser considerados de modo a incrementar o poder de predição, como o meio de comunicação utilizado, período do ano, eventos que ocorram pontualmente, dentre outros. As tarefas associadas ao aprendizado não supervisionado são ligadas, principalmente, à obtenção de agrupamentos ou clusters. Nesse caso, se busca identificar objetos de dados que sejam similares entre si. A partir dessa identificação, é possível criar conjuntos homogêneos de objetos de dados, o que pode ser útil para a definição de uma série de estratégias, por exemplo. Seja qual for a técnica considerada para a extração de conhecimento relevante a partir do conjunto de dados organizacional, o certo é que as organizações estão, cada dia mais, baseando suas decisões operacionais, táticas ou estratégicas em análises robustas de dados. Desse modo, o espaço para a tomada de decisão baseada em intuição ou percepção pessoal é cada vez menor, o que pode resultar em decisões mais assertivas por parte das organizações. Atualmente, as organizações, em diferentes áreas, perceberam que existem muitas outras oportunidades de descoberta de conhecimento com a expansão da exploração de dados para além das fronteiras físicas da organização. Os ambientes virtuais, como as redes sociais, são terreno fértil para esse tipo de aplicação. Desse modo, a presença digital das organizações vem aumentando de forma importante. Tornando as ações de marketing digital fundamentais para a perpetuação da organização a partir de planejamentos estratégicos baseados no aprendizado que os dados externos podem proporcionar, tanto sobre os próprios produtos e serviços, quanto sobre o ambiente externo de forma ampla. Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Indústria 4.0 – A Quarta Revolução Industrial 2 / 3 ˨ Material Complementar Industria 4.0 - A Quarta Revolução Industrial https://www.youtube.com/watch?v=ulnv9U20SZ4 Agricultura 4.0: Como Robôs Podem Ajudar no Campo Inteligência Artificial: O Futuro do Ecommerce é Agora Agricultura 4.0: como robôs podem ajudar no campo INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: O FUTURO DO ECOMMERCE É AGORA https://www.youtube.com/watch?v=zDQiaLArg0M https://www.youtube.com/watch?v=ktHVe3zA8Dw Qual é o Valor que a Inteligência Artificial Pode Criar Para Empresas e Sociedade? Qual é o valor que a Inteligência Arti�cial pode criar para empresa… https://www.youtube.com/watch?v=hLMMgp4WD4o BROOKSHEAR, J. G. Ciência da Computação: uma visão abrangente. 11ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2013. (e-book) COPPIN, B. Inteligência Artificial. Rio de Janeiro: LTC, 2010. (e-book) FACELI, K. et al. 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