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Centro Universitário Nobre
UNIFAN
BEATRIZ PORTUGAL KRUSCHEWSKY
GEOVANNA REIS ALMEIDA
MARIA CLARA PATRIOTA LIMA
NOEMÍ ABREU DE SOUZA
RAFAELA CARVALHO ARAUJO
Análise do filme “A ilha do medo”
Feira de Santana-BA
2024
BEATRIZ PORTUGAL KRUSCHEWSKY
GEOVANNA REIS ALMEIDA
MARIA CLARA PATRIOTA LIMA
NOEMI ABREU DE SOUZA
RAFAELA CARVALHO ARAUJO
Análise do filme “A ilha do medo”
Trabalho realizado seguindo as exigências
da disciplina de Matriz do Pensamento
Cognitivista da turma do 5° semestre de
psicologia.
Orientador: Bruna Pinheiro
Feira de Santana-BA
2024
1
1. Contextualização
No filme o personagem Andrew Laeddis se encontra a dois anos internado em um
hospital psiquiátrico, o que o levou a desenvolver uma realidade própria. Para o público,
a obra apresenta a perspectiva de Laeddis, que se revela como um delegado federal
denominado Teddy, um homem branco que aparenta estar na faixa dos trinta a quarenta
anos, de estatura mediana e de cabelos castanhos escuros. No entanto, ele não aceita
que na verdade está participando de uma forma de tratamento na qual todos os
indivíduos do hospital psiquiátrico atuam na realidade construída por Laeddis, visando
romper o ciclo repetitivo em que ele se encontra. Nessa perspectiva, a Terapia Cognitiva
Comportamental (TCC) surge como uma abordagem terapêutica relevante para o caso
de Andrew (Teddy).
A TCC é um sistema de psicoterapia fundamentado na teoria que sugere que a
maneira como uma pessoa organiza suas experiências influencia suas emoções e
condutas (Dattilio & Freeman, 1998). Segundo essa teoria, as emoções não são
moldadas pelas situações em si, mas pela interpretação que a pessoa faz delas. Assim,
os transtornos psicológicos surgem de uma forma distorcida ou disfuncional de
enxergar os eventos, afetando, consequentemente, os sentimentos e os
comportamentos (Beck, Rush, Shaw & Emery, 1997). Com isso, a TCC procura
reconhecer esses padrões de pensamento disfuncionais que impactam as emoções e
os comportamentos da pessoa. Ao alterar esses padrões, a Terapia
Cognitivo-Comportamental (TCC) tem como objetivo gerar transformações duradouras
no bem-estar emocional e nas condutas problemáticas do paciente. As suas principais
características são, a reestruturação das cognições, a exposição gradual a estímulos e
o desenvolvimento de habilidades (American Psychological Association, 2017; Beck,
2013).
De acordo com Beck (1997), o tratamento fundamenta-se em três
componentes essenciais: pensamentos automáticos, crenças (intermediárias e
centrais)e comportamentos. A TCC se destaca pela colaboração do terapeuta e
paciente na identificação de distorções cognitivas, substituindo-as por
pensamentos mais eficazes, além de alterar comportamentos problemáticos por
meio de intervenções práticas, como as técnicas de exposição e reestruturação
cognitiva.
No caso de Teddy, a terapia pode auxiliá-lo na identificação e confronto de suas
crenças distorcidas acerca de si mesmo e do mundo, promovendo substituições por
interpretações mais realistas e adaptativas (Beck, 2013). Ademais, a exposição gradual
2
a situações que despertam seu trauma pode ajudar a diminuir a ansiedade e favorecer
uma percepção mais precisa do seu entorno (Foa & Kozak, 1986).
2. Levantamento das possíveis problemáticas
Andrew é um ex-combatente da segunda guerra mundial que participou da
libertação do campo de concentração de Dachau, onde vivenciou muitas cenas de
morte e violência, o que lhe gerou traumas, fazendo com que recorresse ao abuso de
álcool. Após o fim da guerra, ele deixa o exército, e então, ingressa na carreira
policial, tornando-se um delegado de polícia.
O motivo pelo qual Andrew Laeddis foi internado no hospital psiquiátrico é o
fato de ter assassinado a sua esposa Dolores Chanal, diagnosticada com depressão
maníaca suicida, após chegar em casa e descobrir que a mesma havia tirado a vida
de seus três filhos. Os relacionamentos do personagem principal da trama são
complexos e os seus sentimentos de culpa e impotência quanto a tragédia de sua
família são um gatilho constante para seus sintomas.
Teddy apresenta uma série de sinais e sintomas que nos levam a crer que o
mesmo pode estar lidando com uma forma grave de esquizofrenia. De acordo com
o DSM-5 é possível analisar como principais sintomas:
Alucinação visual e auditiva: Teddy frequentemente apresenta alucinações,
como ver e conversar com sua esposa e filhos falecidos, refletindo uma desconexão
crescente com a realidade. De acordo com a APA (2014), alucinações são
experiências perceptivas que ocorrem sem estímulo externo, podendo ser visuais,
como imagens de pessoas, ou auditivas, como vozes. No caso de Teddy, essas
alucinações se manifestam de maneira intensa, como na cena em que ele vê e
interage com sua esposa, Dolores, acreditando que ela está presente, mesmo após
sua morte. Esses momentos o levam a agir com base em percepções distorcidas,
dificultando a distinção entre o real e o imaginário. Essa desconexão com a realidade
compromete sua capacidade de lidar com as situações ao seu redor, gerando
decisões confusas, comportamentos desordenados e agravando o sofrimento
emocional.
Delírios: Teddy apresenta crenças fixas e irracionais, características dos
delírios, que são crenças não passíveis de mudança, mesmo diante de evidências
claras e conflitantes (APA, 2014). Essas crenças podem envolver temas como
perseguição, referência, grandeza ou catástrofe. No caso de Teddy, observa-se um
delírio persecutório, exemplificado por sua crença de que está sendo vítima de
uma conspiração envolvendo médicos e o governo. Ele acredita firmemente que
estão realizando experimentos nos pacientes e que há uma grande trama na ilha,
3
mesmo quando a realidade contraria essa percepção.
De acordo com a APA (2014), os delírios persecutórios são os mais comuns
e envolvem a crença de que o indivíduo será prejudicado ou assediado por
pessoas ou organizações. Teddy acredita fielmente que está sendo manipulado,
mesmo quando a realidade mostra o contrário, demonstrando como esses delírios
moldam sua visão de mundo. Esse comportamento de desconfiança o impede de
ver as situações de forma objetiva, reforçando suas convicções irracionais e
dificultando a interação com os outros, tornando-o mais suscetível a agir de forma
defensiva e hostil em relação a pessoas e ambientes.
Comportamento desorganizado: O comportamento desorganizado é caracterizado
por ações inusitadas ou imprevisíveis que dificultam a realização de atividades diárias e
interferem na funcionalidade do indivíduo (Manual MSD, 2022). Teddy apresenta sinais
claros desse comportamento, como por exemplo, na cena em que está em uma sala de
interrogatório, onde age de forma agressiva e agitada, demonstrando dificuldade em
manter um comportamento controlado e coerente.
De acordo com o Manual MSD (2022), pessoas com comportamento
desorganizado podem realizar ações desconexas, como gritar ou xingar sem uma razão
aparente, ou ter dificuldade em tarefas rotineiras, como manter a higiene pessoal ou lidar
com responsabilidades cotidianas. No caso de Teddy, esses episódios de descontrole
evidenciam sua incapacidade de lidar com as demandas do ambiente, refletindo a
instabilidade de seu estado psicológico e afetando diretamente sua interação com outras
pessoas e situações.
Pensamentos desorganizados: No filme, Teddy apresenta raciocínios
confusos e desordenados, evidenciados em diversas conversas, onde ele se
distrai do assunto principal e muda de tema abruptamente, o que demonstra sua
dificuldade em manter um pensamento lógico. De acordo com o Manual MSD
(2022), o transtorno de pensamento se manifesta por meio do pensamento
desorganizado, evidenciado quando a fala se torna incoerente ou muda
abruptamente de um tema para outro. Esse tipo de pensamento pode ser
discretamente desorganizado, ou até mesmo completamente incoerente e
incompreensível, dificultando a comunicação clara e a compreensão das ideias do
indivíduo.
Desconfianças e paranoias: Teddy está constantemente desconfiadodas pessoas
ao seu redor, especialmente em relação à equipe do hospital, e acredita que há uma
grande conspiração envolvendo eles. Em várias cenas, ele começa a se convencer de
que está sendo manipulado e vigiado por todos na ilha, recusando as explicações que
lhe são dadas. Esse comportamento pode ser relacionado ao transtorno de
personalidade paranoide, como descrito no Manual MSD (2023), que caracteriza uma
4
pessoa como alguém que suspeita constantemente que os outros estão planejando
enganá-la, explorá-la ou prejudicá-la, mesmo sem evidências concretas para sustentar
tais crenças. A pessoa com transtorno de personalidade paranoide tem dificuldades em
confiar nos outros, acreditando que seus motivos são hostis ou prejudiciais, mantendo
suas suspeitas de maneira infundada e persistente.
Esses sinais contribuem para um aumento da disfunção na vida de Teddy. Ele se
torna cada vez mais isolado e distante da realidade, o que afeta sua capacidade de
raciocinar de maneira lógica e racional. A desconfiança persistente, juntamente com
crenças delirantes, o distanciam de seus aliados e o levam a uma busca frenética e
autodestrutiva por respostas. Além disso, seu comportamento desordenado e a
dificuldade em pensar de maneira coerente resultam em decisões impulsivas e, muitas
vezes, equivocadas, que não só colocam sua própria segurança em risco, mas também a
das pessoas ao seu redor.
O principal sintoma apresentado no filme é a alucinação tanto visual quanto
auditiva de Teddy, relacionado a sua esposa. Esses episódios moldam grande parte
de sua realidade, e é em torno delas que a trama se desenvolve. Elas fornecem a
ele uma fuga psicológica de seus traumas e também serve como um mecanismo de
defesa contra a dor ao se lembrar dos eventos reais de sua vida.
3. Aporte Teórico
Diante do exposto, pode ser identificado algumas distorções cognitivas que são
formas distorcidas da realidade. Os Pensamentos Automáticos que Teddy apresenta
são negativos e distorcidos em alguns momentos. Por causa do que viveu e
experienciou na Segunda Guerra Mundial, ele é constantemente atormentado por
essas recordações traumáticas além de se convencer de que não consegue lidar com
a perda de sua esposa. Seus raciocínios recaem sobre conceitos como a rotulação
"Eu sou um fracasso", "Nada do que eu faça pode alterar o que ocorreu" ; a leitura
mental “Pensam que eu estou louco” e a personalização “Sinto que toda a culpa pelo
que acontece é minha. Preciso entender o que está acontecendo” (Beck, 2013).
As crenças intermediárias consistem em suposições, normas e posturas que os
indivíduos formam ao longo de suas vidas (Beck, 2011; Clark, Beck & Alford,
1999).Em suas crenças intermediárias, o personagem apresenta uma visão distorcida
sobre o mundo e a si mesmo como um indivíduo. É algo perceptível, que podemos
notar quando ele demonstra sentir culpa ou paranoia. Esses sentimentos o levam a
ter comportamentos evitativos, se encontrando na defensiva.
As crenças nucleares são definições centrais do indivíduo que estão enraizadas
nas suas percepções sobre si mesmo e ao outro impactando a maneira que ele lida
com o mundo. Para (Cunha,2008) essas crenças são definidas em três categorias:
Desamor, desvalor e desamparo. No caso de Teddy essas crenças nucleares dizem
5
respeito ao que ele acredita sobre si mesmo, moldando a visão que possui de si
próprio e na forma em que ele vai agir. No seu núcleo de dificuldade, ele demonstra
acreditar fielmente sobre sua própria falta de valor e grande falta de capacidade no
controle de sua vida.
DIAGRAMA DE CONCEITUALIZAÇÃO COGNITIVA - ADULTO E ADOLESCENTE
Dados relevantes da história: Experiências traumáticas na Segunda Guerra
Mundial, perda da esposa e dos filhos, desconfiança e paranoia.
Crenças Centrais: Desamor, desvalor e desamparo
Crenças-Regra: “Se isso aconteceu, a culpa é minha”
Estratégias Compensatórias ou de Manutenção de Crenças:
Fugir da realidade criando outra como forma de negação dos seus traumas.
Situação 1
Participação e vivência
traumática na Segunda Guerra
Mundial.
Situação 2
Morte de esposa e filhos.
Pensamento Automático
“Sou uma pessoa ruim e violenta
pois matei muitas pessoas na
guerra’’
Pensamento Automático
“A culpa é minha”
Significado do PA
Rotulação
Significado do PA
Personalização
Emoção
Medo e tristeza
Emoção
Culpa, tristeza e dor
Comportamento
Evitação das pessoas
Comportamento
Isolamento
6
Apêndice
1. Estruturação da Pesquisa
A entrevista foi realizada por meio de uma entrevista estruturada, conduzida de
forma online, utilizando mensagens de texto. A entrevista contou com 5 perguntas
direcionadas à psicóloga Cybele Cypriano, que possui mestrado e doutorado em saúde e
adota a abordagem da Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) em sua prática clínica.
O objetivo central do instrumento foi compreender como a Terapia Cognitiva
Comportamental é aplicada no caso clínico de Teddy, o personagem estudado do filme
“A ilha do medo”. Especificamente, procurou-se identificar a visão do psicólogo sobre a
esquizofrenia de Teddy, levando em conta o contexto de vulnerabilidade psicossocial em
que se encontra, bem como as técnicas da Teoria Cognitiva Comportamental (TCC) que
poderiam ser utilizadas para abordar seus sintomas e estabelecer as relações entre
esses sintomas e seu contexto de vida.
2. Pesquisa
A entrevista destaca a aplicação da reestruturação cognitiva como estratégia
central para abordar as crenças delirantes de Teddy, que alimentam suas alucinações e
falsas crenças, como a ideia de ser alvo de uma conspiração. De acordo com Ellis
(2002), essa técnica, fundamental na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), visa
identificar pensamentos automáticos disfuncionais, avaliar suas evidências e substituí-los
por crenças mais realistas. Nesse contexto, a psicóloga sugere o uso do questionamento
socrático, uma abordagem que permite explorar a lógica subjacente às crenças
delirantes, ajudando Teddy a reconhecer a desconexão com a realidade. Entretanto, a
literatura aponta que pacientes com delírios frequentemente apresentam resistência ao
questionamento direto devido à rigidez de suas crenças (Morrison, 2014). Por isso, é
crucial implementar essa técnica de forma gradual, inicialmente abordando crenças
menos centrais e fortalecendo o vínculo terapêutico, o que pode aumentar a adesão do
paciente ao tratamento e facilitar o progresso terapêutico.
A entrevistada ressalta o uso da psicoeducação como uma estratégia central no
caso de Teddy, permitindo que ele compreenda melhor seus sintomas e a forma como
suas crenças distorcidas influenciam seus comportamentos e emoções. Segundo Beck
(2013), a psicoeducação auxilia os pacientes a identificar e entender o impacto de
pensamentos automáticos disfuncionais, promovendo maior engajamento no tratamento.
No caso de Teddy, explicar como traumas e pensamentos automáticos afetam suas
emoções e percepções poderia ajudá-lo a reconhecer a desconexão entre suas crenças
e a realidade. Além disso, a psicoeducação viabiliza a criação de estratégias de
enfrentamento, como técnicas de autorregulação emocional e resolução de problemas,
que são fundamentais para melhorar sua funcionalidade.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem demonstrado eficácia no
tratamento de traumas, utilizando a reestruturação de pensamentos disfuncionais e a
exposição controlada a estímulos que provocam ansiedade ou revivem experiências
traumáticas, ajudando o paciente a processar essas experiências de forma mais
adaptativa.
Nesse contexto, a psicóloga propõe o uso da dessensibilização sistemática, uma
técnica baseada na exposição gradual amplamente validada na TCC para o manejo de
traumas (Foa et al., 2007). Dada a história de Teddy, marcada por traumas significativos,
7
como a perda de sua esposa e filhos, além de suas experiências como ex-combatente da
Segunda Guerra Mundial, essa abordagem poderia ser particularmente útil para ajudá-lo
a enfrentar emoções intensas de culpa e impotência. Contudo, a literaturaressalta a
necessidade de cautela na aplicação dessa técnica em pacientes com delírios, pois a
exposição a estímulos emocionais carregados pode exacerbar os sintomas psicóticos
(Beck & Rector, 2005). Por isso, é de extrema importância que o processo seja
conduzido de maneira gradual e com suporte terapêutico adequado.
A entrevista ressalta a importância da conexão entre terapeuta e paciente,
destacando que Teddy pode inicialmente apresentar resistência ao tratamento devido à
sua desconfiança. Estudos sobre a Terapia Cognitiva Cognitiva Comportamental (TCC)
indicam que uma aliança terapêutica sólida é um dos fatores mais determinantes para o
sucesso da intervenção, especialmente em casos que envolvem delírios ou desconfiança
acentuada (Freeman et al., 2013). Nesse contexto, validar as emoções de Teddy,
conforme sugerido na entrevista, é uma estratégia fundamental para reduzir sua
resistência e criar um ambiente acolhedor e seguro. Kohlenberg e Tsai (1991) apontam
que a validação não apenas facilita a aceitação do tratamento, mas também fortalece a
cooperação terapêutica, um elemento crucial para o engajamento do paciente em
técnicas como a reestruturação cognitiva e a exposição.
A psicóloga destaca que os principais desafios ao aplicar a TCC em um paciente
como Teddy incluem a resistência ao tratamento, intensificada pela desconfiança e pelos
delírios. Teddy pode encontrar grande dificuldade em reconhecer que sua percepção da
realidade está distorcida, especialmente se acreditar que os médicos estão tentando
manipulá-lo. Beck e Rector (2005) ressaltam que uma desconfiança exacerbada,
combinada com rigidez cognitiva, pode dificultar significativamente a construção de uma
aliança terapêutica. No caso de Teddy, sua crença de estar sendo manipulado
compromete sua disposição em aceitar intervenções. Para lidar com essa resistência, é
indispensável que o terapeuta adote uma abordagem colaborativa e empática, conforme
indicado por Rangé (2011), promovendo confiança e engajamento ao longo do processo
terapêutico.
3. Proposta de intervenção
A proposta de intervenção para Teddy, fundamentada na Terapia
Cognitivo-Comportamental (TCC), visa reduzir os sintomas psicóticos, como alucinações
e delírios, além de abordar comportamentos desorganizados e promover o
aprimoramento cognitivo do mesmo. A intervenção será conduzida por meio de
estratégias focadas na superação dos traumas decorrentes de sua experiência na guerra
e da perda de sua família, buscando uma reestruturação das crenças disfuncionais e a
melhoria da percepção e das respostas emocionais de Teddy.
Nas sessões iniciais, o foco será no estabelecimento de uma forte aliança
terapêutica e na psicoeducação, ambos essenciais para que Teddy desenvolva confiança
tanto no terapeuta quanto no tratamento. Essa etapa ajudará Teddy a entender a origem
de seus sintomas, como delírios e confusão, e como esses aspectos conectam com seus
pensamentos, emoções e comportamentos. Conforme destacam Rangé (2011) e Beck
(2013), uma relação terapêutica baseada em empatia e na validação das vivências do
paciente é fundamental para lidar com a resistência e a desconfiança comuns em
indivíduos com crenças delirantes. Durante esse processo, Teddy receberá informações
claras e personalizadas, além de orientações sobre as possibilidades de tratamento para
seus sintomas.
8
A proposta de intervenção terapêutica para Teddy está prevista para durar de 12 a
16 sessões, dependendo da resposta do paciente com o tratamento. As sessões serão
planejadas e organizadas pelo terapeuta, contando com um início, meio e fim. As
sessões iniciais acontecerão semanalmente e, conforme o indivíduo for progredindo, a
frequência dos encontros com o terapeuta pode mudar para ocorrer a cada quinzena.
Além de terapia, é imprescindível que Teddy faça acompanhamento psiquiátrico
contínuo, que pode acontecer mensalmente para ajuste de medicações se necessário.
A primeira fase das sessões seria destinada para avaliação do paciente e preparação
para o início da jornada, sendo assim, para Teddy e o terapeuta criarem laços, devido às
suas questões de confiança. A segunda fase contará com a introdução de técnicas de
reestruturação cognitiva, desafiando as crenças distorcidas, delírios e alucinações do
paciente. Na terceira parte, Teddy deve estar seguro o suficiente para que o terapeuta o
exponha a seus traumas de acordo com suas limitações, como por exemplo, vendo
imagens de seus entes queridos que faleceram.
Ao entrar em contato com os materiais que possuem ligação com seus traumas, a
técnica de reestruturação poderia ser utilizada pelo terapeuta, nesse caso, para desfazer
o valor traumático e alterar os sentimentos sentidos por Teddy ao entrar em contato com
isso. Caminhando para o final das sessões, deve-se iniciar o início do encerramento,
assim, o terapeuta deve trabalhar na avaliação de progressos de Teddy e possíveis
desafios, além disso, deve formular juntamente a ele, estratégias de enfrentamento. Por
fim, um plano de manutenção deve ser apresentado, onde o terapeuta vai sugerir que o
paciente volte para o consultório com menor frequência, caso precise.
4. Conclusão
Este trabalho destacou a aplicação da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
no tratamento de Teddy, personagem de A Ilha do Medo, abordando as intervenções
terapêuticas necessárias para lidar com seus sintomas psicóticos, como alucinações e
delírios, dentro do contexto de traumas de guerra e perda familiar. A análise revelou que
técnicas como a reestruturação cognitiva e a psicoeducação são fundamentais para o
manejo de crenças delirantes e para a compreensão dos sintomas por parte do paciente.
Essas estratégias, quando associadas a uma aliança terapêutica sólida, podem facilitar a
adesão ao tratamento e promover melhorias na funcionalidade de Teddy.
Entretanto, a literatura e a entrevista indicam que a resistência ao tratamento é um
desafio significativo, especialmente devido à desconfiança generalizada de Teddy. Isso
exige intervenções graduais e personalizadas, sempre sustentadas por uma relação
terapêutica empática. Além disso, a combinação de técnicas para tratar tanto os
sintomas psicóticos quanto os traumas de Teddy deve ser cuidadosamente planejada
para evitar exacerbações emocionais.
Uma limitação importante foi a impossibilidade de explorar variáveis contextuais,
como a rede de apoio familiar, que poderiam impactar positivamente o tratamento.
Apesar disso, a proposta de intervenção estruturada, com sessões terapêuticas
combinadas a acompanhamento psiquiátrico, sugere que é possível alcançar avanços
significativos, mesmo diante da complexidade do quadro de Teddy.
Para futuras pesquisas, sugere-se investigar a eficácia de abordagens terapêuticas
combinadas, como a TCC e terapias de terceira onda (ex.: Terapia de Aceitação e
Compromisso), que poderiam complementar o tratamento de sintomas psicóticos e
traumas. Além disso, incluir familiares ou cuidadores no processo de psicoeducação
pode ampliar as possibilidades de apoio e tratamento.
Em síntese, a TCC demonstrou ser uma abordagem eficaz para o manejo de
quadros psicóticos complexos, desde que seja adaptada à realidade do paciente e
sustentada por uma relação terapêutica sólida. Apesar das dificuldades inerentes ao
9
tratamento de sintomas psicóticos, intervenções cuidadosas e técnicas bem aplicadas
podem proporcionar melhorias significativas na qualidade de vida de pacientes como
Teddy
10
Anexo
Perguntas:
1. Como a Terapia Cognitivo-Comportamental pode ser aplicada para tratar os sintomas
de delírio e confusão que Teddy apresenta ao longo do filme?
2. Quais técnicas específicas da TCC poderiam ser utilizadas para ajudar Teddy a
confrontar e processar suas experiências traumáticas?
3. De que maneira a distorção cognitiva influencia o comportamento de Teddy, e como
isso poderia ser abordado em um tratamento de TCC?
4. Como a relação entre o terapeuta e o paciente pode impactar a eficácia da TCC no
tratamento de Teddy, considerando suas crenças e medos?5. Quais são os desafios que um psicólogo enfrentaria ao aplicar a TCC em um paciente
com características semelhantes às de Teddy?
11
Referências:
American Psychiatric Association. (2014). AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION
DSM-5 ®
American Psychological Association. (2017). Diretrizes de prática clínica para o
tratamento do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) em adultos.
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Beck, A. T., & Rector, N. A. (2005). Abordagens cognitivas para esquizofrenia:
Teoria e terapia. Annual Review of Clinical Psychology, 1, 577–606.
https://doi.org/10.1146/annurev.clinpsy.1.102803.144205 .
Beck, A.T., Rush, A.J., Shaw, B.F. & Emery, G. (1997). Terapia cognitiva
da depressão. Porto Alegre: Artes Médicas.
Clark, D. A., Beck, A. T., & Alford, B. A. (1999). Fundamentos científicos da teoria e
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Rangé, B. P. (2011). Psicoterapias cognitivo-comportamentais: Um diálogo
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Tamminga, C. (2022). Transtorno de pensamento. Manual MSD.
Zimmerman, M. (2023). Transtorno de personalidade paranoide. Manual
MSD.

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