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NÃO PODE FALTAR HISTÓRIA DO AUTISMO Danilo J. Goulart dos Santos Imprimir CONVITE AO ESTUDO Olá, aluno! Começamos aqui nosso percurso de estudos sobre o TEA, que é o Transtorno do Espectro Autista. Por muito tempo esse transtorno foi classi�cado como autismo, termo que ainda é entendido popularmente como sua de�nição. Nesta jornada, estudaremos a história do autismo, veremos como ele foi descrito pela primeira vez e quais classi�cações psiquiátricas foram empregadas para a compreensão desse transtorno do neurodesenvolvimento. Você já parou para pensar de onde vem o autismo? O que pode causar o autismo? Atualmente, a ciência descreve várias hipóteses em relação à origem desse transtorno, porém essas hipóteses mudaram muito ao decorrer dos anos, em conjunto com o avanço dos estudos cientí�cos na área do desenvolvimento. Sabemos que fatores genéticos e ambientais podem in�uenciar o desenvolvimento do autismo, contudo, na história desse transtorno, causas afetivas e relacionais também já foram consideradas e contribuíram muito para a compreensão e intervenção junto às pessoas autistas. Como se classi�ca o autismo hoje? Você já deve ter parado para re�etir sobre o signi�cativo aumento de diagnósticos de pessoas com esse transtorno nos últimos anos. Quais os fatores que in�uenciaram esse crescimento exponencial? Há algum elemento social, ambiental, genético envolvido ou a classi�cação psicopatológica se tornou responsável por esse fenômeno? Estamos mais especializados e com um olhar clínico mais apurado para veri�car esses desvios 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 1/18 do desenvolvimento? Nossa cultura normalizadora tem sido cada vez mais intolerante com os diversos e singulares processos de desenvolvimento, o que acaba tornando-os patológicos? Qual o papel e a in�uência dos manuais psiquiátricos para a produção desse fenômeno? Desse modo, nesta unidade, você entenderá, a partir da história do autismo, como as de�nições e compreensões sobre esse transtorno in�uenciaram as hipóteses de origem, bem como sua estreita relação com o aumento signi�cativo de diagnósticos nos tempos atuais. É relevante levar em consideração que vivemos em um mundo globalizado, no qual, em tempos de smartphones, a conexão tecnológica passa a ser constitutiva dos processos subjetivos de desenvolvimento. Hoje, as relações sociais são atravessadas pela tecnologia das redes sociais, assim como o tempo se transforma, tornando a rapidez um imperativo. Vamos juntos nessas re�exões! Bons estudos! PRATICAR PARA APRENDER Olá, estimado aluno! Vamos iniciar nossos estudos? Nesta seção, discutiremos sobre a história do autismo. Nos últimos anos, esse transtorno tem sido um tema bastante debatido nas escolas, nas áreas da saúde e na sociedade de forma geral. Você já parou para pensar em como o autismo se tornou um assunto tão falado? Por que houve um aumento tão signi�cativo de crianças com esse diagnóstico? Imagino que essas perguntas nos levem a re�etir sobre esse transtorno, como também sobre o número de pessoas com esse diagnóstico. Talvez você já conheça alguma pessoa com TEA ou ainda vai conhecer em sua prática pro�ssional. 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 2/18 Nas últimas décadas, nosso mundo passou por grandes transformações. A principal delas foi a relação com a tecnologia. Com isso, as relações sociais passaram a ser mediadas pelas redes sociais, o que indiretamente transformou o modo pelo qual nos relacionamos, assim como as formas de aprendizagem e de desenvolvimento. No que diz respeito às crianças, atualmente temos acompanhado que boa parte do tempo elas passam interagindo com as tecnologias, por meio de jogos, vídeos e brincadeiras. Isso, de fato, altera as relações sociais e de progresso, visto que o cérebro humano, em intensa transformação, se adapta e reponde a esses novos estímulos. Será que as transformações sociais, tecnológicas e cientí�cas tiveram impacto no diagnóstico de autismo? A história do autismo acompanha esses mesmos fatores, re�etindo diretamente nas compreensões e intervenções que hoje estão disponíveis. Cientistas das áreas da infância e adolescência descreveram sintomas que hoje consideramos como TEA. Mas como isso se deu no decorrer dos anos? Quais aspectos do desenvolvimento são importantes para essa leitura nosológica? Nesta seção, nosso percurso se apoiará nesses questionamentos e em como a evolução dos estudos sobre o autismo foram se modi�cando a partir de autores como Kanner e Asperger. A importância de estudar essa história se deve ao alto número de pessoas com esse diagnóstico, mas também à necessidade de compreendermos o quanto a inclusão escolar de pessoas com TEA impactou a atuação dos pro�ssionais de educação, especialmente do professor especialista em educação especial. Conhecer o autismo, suas classi�cações e de�nições capacita você, pro�ssional, para uma leitura diagnóstica da situação pedagógica e de inclusão, o que bene�ciará seu trabalho e a orientação junto aos demais envolvidos no âmbito educacional. 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 3/18 Além disso, estudar o autismo e a sua história prepara você para conseguir lidar com as angústias dos pais, que terão o professor como uma das referências no cuidado e progresso de seus �lhos, bem como no raciocínio interventivo frente aos desa�os da inclusão escolar, considerando as di�culdades de aprendizagem e comportamentais que a pessoa com autismo pode manifestar. Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você lecione para uma turma dos anos iniciais do Ensino Fundamental e nunca tenha ministrado aulas para crianças diagnosticadas com TEA. Neste ano, você recebe Miguel, um menino de 6 anos com o diagnóstico de TEA. Miguel é uma criança bastante agitada e que apresenta muita di�culdade com a comunicação expressiva e receptiva, repetindo falas dos desenhos animados preferidos e, muitas vezes, as perguntas que lhe são dirigidas. Suas di�culdades são expressas por uma fala inteligível, o que di�culta bastante sua compreensão. Com isso, quando Miguel não é compreendido, ele �ca nervoso, chegando a se bater às vezes. Sua di�culdade na comunicação receptiva faz com que tenha pouca compreensão das instruções verbais realizadas por você durante a sua aula ou até mesmo diante de intervenções pontuais com ele. Com essa situação, você �cou bastante interessada e curiosa para entender sobre esse transtorno, do qual já tinha ouvido falar apenas por parte de outros professores. Você, como professora, provavelmente conhecerá um ou mais alunos com esse diagnóstico. Vamos re�etir: você já parou para pensar quais são as causas do autismo? Por que esse transtorno tem aumentado signi�cativamente nos últimos tempos? Imagine que você, enquanto professora desse menino, começou a ler sobre o autismo e recebeu muitas informações da internet, mas �cou confusa em relação às nomenclaturas encontradas e sua descoberta. 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 4/18 Até aqui, já compreendemos como o TEA foi descrito e apresentado à comunidade cientí�ca, assim como as hipóteses para o desenvolvimento desse transtorno. Vimos, também, o quanto os percursos históricos sobre essa temática moldam a forma como compreendemos determinados fenômenos e como nos relacionamos com ele. Isso não é diferente na sala de aula e nos processos de aprendizagem. Ou seja, entender o autismo a partir das concepções atuais nos ajuda a pensar em estratégias clínicas e pedagógicas que facilitam e permitem que os processos de aprendizagem sejam mais efetivos. Sendo assim, diante desses questionamentos,como podemos ajudar na inclusão de Miguel na sala de aula? Quais estratégias de aprendizagem podem bene�ciar a compreensão dessa criança? Quais técnicas comportamentais poderiam ajudar na condução das instruções com a criança em sala de aula? Você, enquanto professora, como organizaria a sala, os demais alunos e os conteúdos para melhor receber Miguel? Vamos discutir? Conhecer o mundo do autismo é, sem dúvida, fascinante. É uma jornada que promove a todos os envolvidos a aquisição de muito conhecimento, além de ser muito instigante e interessante. Vamos juntos nesse percurso! CONCEITO-CHAVE Em 1943, o psiquiatra austríaco radicado nos Estados Unidos Leo Kanner (1894- 1981) descreveu características fundamentais do desenvolvimento infantil nas áreas das relações afetivas com o meio: solidão autística extrema, inabilidade no uso da linguagem para comunicação, aspecto físico aparentemente normal, comportamentos ritualísticos, início precoce e incidência predominante no sexo masculino. Tal caracterização recebeu o nome de Distúrbio Autístico do Contato Afetivo. 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 5/18 Rapidamente, essa descrição nosológica do desenvolvimento atípico de crianças foi absorvida pela Psiquiatria Infantil. Com isso, o autismo infantil, denominação utilizada pela Classi�cação Internacional de Doenças – 10ª edição (CID-10), foi separada do que até então era compreendido como sintoma autístico de psicose infantil. Pouco mais de três décadas depois, Kanner propôs uma classi�cação nosológica que diferenciaria o autismo infantil de um sintoma da esquizofrenia ou da psicose infantil. São eles: Perda do interesse social e da responsividade; Alterações de linguagem que vão desde a ausência de fala até o uso peculiar; Comportamentos bizarros, ritualísticos e compulsivos; Jogo limitado e rígido; Início precoce do quadro, ou seja, antes dos 30 meses de vida. Durante os primeiros anos de descrição dessa nova psicopatologia do desenvolvimento, a relação afetiva no desenvolvimento teve centralidade na tentativa de compreensão, sendo muitas vezes responsabilizada pela “produção” do autismo em crianças. Kanner e outros psiquiatras da época consideraram que as relações afetivas precoces poderiam ser responsáveis pelo transtorno, visto que as crianças tinham como principal característica o “fechamento” em si mesmas, recusando-se, assim, a se relacionarem socialmente. Para tal, essa teoria relacionada à ausência de afetividade parental se tornou o grande ponto de intervenção médica-terapêutica na época. Por muito tempo foi popularizado o termo “mãe-geladeira”, referente à ausência de afetividade dos cuidadores, que até então eram considerados os responsáveis por “causar” esse transtorno. Tal concepção, hoje em desuso, foi infeliz em sua contribuição, uma vez que a culpa do desenvolvimento atípico dos �lhos recaía integralmente nos pais. 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 6/18 Em 1944, ano seguinte à descrição dos sintomas autísticos feita pelo psiquiatra Kanner, outro psiquiatra, Hans Asperger (1906-1980), estudando um grupo de crianças em uma clínica em Viena, na Áustria, realizou a descrição de um quadro de desenvolvimento que denominou como Psicopatia Autista na Infância, o qual posteriormente ganhou seu nome: Síndrome de Asperger. No entanto, qual seria a relação entre a Síndrome de Asperger e o autismo infantil, descrito por Kanner? Veja, Hans Asperger descreveu seus achados com as seguintes características: Distanciamento social; Formalidade linguística. No estudo intitulado Psicopatia autista na infância, o psiquiatra austríaco relata que, mesmo com a inteligência dentro da normalidade, essas crianças apresentavam di�culdades em compreender a comunicação não verbal e em demonstrar empatia por outras pessoas. Asperger ainda aponta essas crianças como desajeitadas, com linguagem articulada e excessivamente formal, porém mantendo diálogos restritos em assuntos de seu interesse. Curiosamente, o psiquiatra costumava denominar essas crianças como “pequenos professores”. A semelhança nos aspectos do desenvolvimento social, da linguagem e de comportamentos restritos aproximava as categorias diagnósticas descritas tanto por Kanner como por Asperger. Entretanto, é importante destacar que Kanner, por estar nos Estados Unidos, fez com que seus estudos tomassem maiores dimensões na época. Vale destacar que ambos os psiquiatras não tinham conhecimento da obra um do outro. O ambiente da guerra contribuiu para que a descoberta de Hans Asperger permanecesse desconhecida por mais tempo. Outro fato que merece destaque é que Kanner recebeu in�uência nos Estados Unidos por estudiosos do desenvolvimento humano, enquanto Asperger, ainda na Europa, baseou seus achados nos conhecimentos sobre a esquizofrenia e nos 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 7/18 Transtornos de Personalidade, tendo Bleuler (1857-1939), psiquiatra conhecido pela descrição da esquizofrenia, como seu mestre. Os estudos sobre a Síndrome de Asperger foram popularizados apenas no ano de 1981, por meio da psiquiatra britânica Lorna Wing (1928-2014), grande estudiosa do autismo. Seu papel foi fundamental aos estudos atuais e classi�cações sobre esse transtorno. Nessa época, os conhecimentos que se tinham sobre o autismo derivavam da teoria psicanalítica. Tal teoria, a partir de Kanner, considerava a relação parental como responsável por esse transtorno. Contudo, Lorna Wing, a partir de um estudo inglês, produziu uma nova descrição apresentando a possibilidade de uma causalidade genética para o transtorno e também a�rmou haver um prejuízo nas capacidades imaginativas. Vocês notaram que a história da evolução do autismo passa por descobertas importantes em relação ao quadro diagnóstico? Todas essas descrições foram necessárias para que hoje pudéssemos ter uma compreensão mais integral sobre a intensidade das di�culdades das pessoas com TEA. Você já pensou em como deve ter sido essa época em que haviam poucas respostas em relação à diferenciação do desenvolvimento atípico de crianças que pouco interagiam com seus pares, bem como apresentavam muitas di�culdades de comunicação? Observa-se que o entendimento sobre o autismo carrega o peso de uma etiologia ainda desconhecida por parte da ciência, o que gera intensa curiosidade em relação a essa temática. O fato é que até hoje a ciência não sabe responder qual a etiologia do autismo, ou seja, quais as causas desse transtorno do neurodesenvolvimento, se ele é decorrente de um fator genético, visto que os cientistas ainda não conseguiram determinar tal a�rmação, ou então quais os fatores ambientais que puderam contribuir para essa manifestação. Sabe-se, até o momento, que em alguns casos o autismo se apresenta precocemente, sendo possível observar em bebês alterações nas relações sociais recíprocas, por exemplo. 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 8/18 Torna-se válido ressaltar que a aproximação das teorias de Kanner e Asperger ocorreu apenas nos anos de 1979, após a tradução para o inglês da descrição de Asperger. Com isso, passou-se a utilizar as nomenclaturas de autismo infantil, descrito por Kanner, e Síndrome de Asperger, descrito por Asperger. Os estudiosos da época tiveram receio, porém acabaram concordando que se tratava de duas descrições nosológicas distintas. Na primeira, de Kanner, a criança apresenta grande prejuízo na aquisição da fala e uma intensa di�culdade com as relações sociais, bem como comportamentos restritos e estereotipados. Já na descrição de Asperger, a linguagem verbal está presentee com aspectos requintados do vocabulário, aproximando-se da descrição de Kanner no que diz respeito às interações sociais que não apresentavam qualidade, uma vez que as crianças com Síndrome de Asperger utilizavam-se da fala, principalmente para os seus interesses restritos, perdendo, muitas vezes, o valor dialógico da comunicação. Até os dias atuais, a apresentação clínica de ambos os diagnósticos é bem distinta, mesmo sendo contemplada pela mesma nomenclatura: TEA. O autismo infantil e a Síndrome de Asperger são descritos e classi�cados por meio dos manuais diagnósticos de doenças, são eles: a CID-10, que é a Classi�cação Internacional de Doenças em sua 10ª edição, e o Manual Diagnóstico e Estatísticos dos Transtornos Mentais (DSM), tradução da obra originalmente escrita em inglês: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. Em resumo, o primeiro é um documento da Organização Mundial da Saúde (OMS), enquanto o segundo trata-se de um manual feito pela Associação Psiquiátrica Americana (APA). Na décima revisão da CID, o autismo e a Síndrome de Asperger aparecem como subcategorias dos Transtornos Globais do Desenvolvimento, já que ambos apresentam comprometimento nas áreas da comunicação, interação social e 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 9/18 comportamentos restritos. O documento também aponta que os dois transtornos devem ocorrer antes dos três anos de idade e acometem predominantemente pessoas do sexo masculino. Vale destacar que a diferenciação sintomatológica da Síndrome de Asperger em relação ao autismo infantil concentra-se na linguagem, pois não apresenta prejuízos para sua aquisição nem em relação aos aspectos cognitivos, visto que essa síndrome não manifesta rebaixamento da inteligência, fato que se observa em muitos casos de autismo infantil. Para a classi�cação da CID-10, os Transtornos Globais do Desenvolvimento estão subcategorizados em: Autismo infantil; Autismo atípico; Síndrome de Rett; Outro Transtorno Desintegrativo da Infância; Transtorno com Hipercinesia Associada a Retardo Mental e a Movimentos Estereotipados; Síndrome de Asperger; Outros Transtornos Globais do Desenvolvimento; Transtornos Globais Não Especi�cados do Desenvolvimento. Contudo, as classi�cações popularizadas e mais utilizadas se referem ao autismo infantil e à Síndrome de Asperger, às quais nos deteremos aqui. Na CID-10, a de�nição para o autismo infantil é descrita da seguinte forma: 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 10/18 Já a Síndrome de Asperger é caracterizada por uma alteração qualitativa das interações sociais recíprocas, semelhante à observada no autismo, com um repertório de interesses e atividades restrito, prosódia monótona ou estereotipada e tendência monotemática. Ela se diferencia do autismo essencialmente pelo fato de que não acompanha um atraso e nenhuma de�ciência de linguagem ou no desenvolvimento cognitivo. A autora Natalie Mas também aponta que Os manuais estatísticos e descritivos dos transtornos mentais seguem atualizações de acordo com as mudanças e avanços cientí�cos da área. Desse modo, em 2014, o DSM lançou sua 5ª edição com mudanças signi�cativas em relação ao autismo, a principal delas é a própria nomenclatura, que agora é tida como TEA, excluindo subcategorias e considerando os transtornos de desenvolvimentos como um espectro. Na mesma linha seguirá a CID-11, que atualmente está em processo de validação e tradução, prevista para entrar em vigor em janeiro de 2022. Ela manterá a tendência norte-americana de classi�cação. Fique tranquilo, pois estudaremos melhor a classi�cação atual na terceira seção de nosso livro. Transtorno global do desenvolvimento que é caracterizado: a) por um desenvolvimento anormal ou alterado, manifestado antes da idade de três anos; b) pela apresentação de uma perturbação característica do funcionamento em cada um dos três domínios seguintes: interações sociais, comunicação, comportamento focalizado e repetitivo; c) além disso, o transtorno se acompanha comumente de numerosas outras manifestações inespecí�cas, como por exemplo: fobias, perturbações de sono ou da alimentação, crises de birra ou agressividade (autoagressividade). Inclui: Autismo Infantil, Psicose Infantil, Síndrome de Kanner, Transtorno Autístico. Exclui: Psicopatia Autista (F84.5). (OMS, 1997, p. 76) “ [...] os sujeitos que apresentam este transtorno são, em geral, muito desajeitados. As anomalias persistem frequentemente na adolescência e idade adulta. Além disso, o transtorno é acompanhado, muitas vezes, de episódios psicóticos no início da idade adulta. O diagnóstico inclui: Psicopatia Autística, Transtorno Esquizoide da Infância. (OMS, 2008, p. 78 apud MAS, 2018, p. 21) “ 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 11/18 Com exceção da Síndrome de Rett, que apresenta etiologia de base genética, as demais subcategorias descritas se agruparam, de�nindo todo o “espectro” do autismo. Muito foi discutido e ainda se discute sobre o autismo. O que é importante ressaltar é que todo o processo de construção diagnóstica inaugurado por Kanner e Asperger acabou criando uma nova categoria nosológica que passou a excluir o autismo do grupo das psicoses. ASSIMILE É importante assimilar a diferenciação da classi�cação diagnóstica entre autismo infantil, conceito proposto pelo psiquiatra Kanner, do diagnóstico da Síndrome de Asperger, proposto por Hans Asperger. Lembre-se de que o primeiro cientista considera prejuízos qualitativamente alterados nas áreas da comunicação, interação social e comportamentos repetitivos e/ou estereotipados, enquanto para a Síndrome de Asperger não existe atraso na aquisição da linguagem, porém há di�culdade qualitativa na compreensão da comunicação verbal, sendo apresentada clinicamente por meio de uma fala rebuscada e com repertório restrito de interesse. REFLITA Como vimos anteriormente, há uma diferenciação clínica signi�cativa na apresentação do autismo infantil e da Síndrome de Asperger. Como você considera essa diferenciação na sua prática no ambiente escolar? Quais os benefícios que esse entendimento pode trazer para a compreensão desses diagnósticos? EXEMPLIFICANDO Diante de um aluno com diagnóstico de autismo infantil, podemos inferir que há um comprometimento qualitativo nas áreas da comunicação, interação social e nos comportamentos repetitivos e/ou estereotipados. No entanto, com um aluno com Síndrome de Asperger, o prejuízo no 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 12/18 desenvolvimento está centrado na compreensão da comunicação, na reciprocidade emocional ou na empatia com os pares. No primeiro caso, é importante dominarmos os conceitos do autismo infantil, visto que, havendo di�culdade cognitiva e comportamental mais acentuada, nossa intervenção estará com foco direcionado a essa organização do material e a estruturas que facilitem sua compreensão. Já no caso de uma criança com Síndrome de Asperger, nossa atuação deverá focar o estímulo das habilidades sociais recíprocas e o aumento do repertório comunicativo, que são os maiores dé�cits desse quadro clínico. Dessa maneira, nosso material pedagógico deve tomar como tema central as habilidades a serem desenvolvidas, considerando sempre os estilos cognitivos e comportamentais dos alunos, com vistas a um processo de aprendizagem mais especí�co e inclusivo. Mas não se esqueça: sempre haverá a necessidade de avaliar pedagogicamente esse aluno para conhecer suas habilidades e di�culdades, uma vez que atuar pedagogicamente com a avaliação é atuar de forma inclusiva. FOCO NA BNCC Vimos, nesta seção, a história dadescrição do autismo infantil e da Síndrome de Asperger. Entendemos como as categorias nosológicas se diferem clinicamente, exigindo do pro�ssional de educação uma capacidade analítica para intervir diante das especi�cidades das di�culdades de desenvolvimento apresentadas. Diante disso, é importante reforçar que, mesmo diante de categorias descritivas sintomatológicas no autismo, cada sujeito se desenvolve de maneira única, sendo fruto da sua relação com sua comunidade, cultura, raça, gênero e classe social. Sabemos que isso, de certo modo, atravessa os processos de desenvolvimento, assim como os acessos aos cuidados necessários de cada pessoa. Portanto, cada pessoa é única em seu processo de desenvolvimento. No que se refere a um aluno com TEA, o importante 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 13/18 para nós é sabermos como o TEA interfere em seu desenvolvimento. Não se esqueça: o aluno NÃO é o TEA, isto é, as características do transtorno in�uenciarão, sim, em seu desenvolvimento, mas NÃO serão um impeditivo quanto à evolução em seu desenvolvimento. Outro aspecto fundamental é a importância na frequência de pessoas com TEA em salas de aula comuns, para que, além da garantia desse direito, elas também sejam bene�ciadas e estimuladas com relação ao desenvolvimento das suas necessidades biopsicossociais. VOCABULÁRIO Etiologia: substantivo feminino; ramo do conhecimento cujo objeto é a pesquisa e a determinação das causas e origens de um determinado fenômeno; Medicina: estudo das causas das doenças. Nosologia: substantivo feminino; Medicina: ramo da medicina que estuda e classi�ca as doenças. Bom, aluno, encerramos aqui nossa primeira seção sobre a história e classi�cação do autismo. Assim, fechamos nosso primeiro capítulo. Espero que o conteúdo apresentado tenha despertado o seu interesse em aprender mais sobre essa história tão importante da psicopatologia infantil, bem como sobre a história do autismo. Aprofunde seus estudos, pesquise e discuta sobre o tema com o professor! Boa sorte! Seguiremos neste percurso procurando compreender as hipóteses da origem do autismo, assunto que instiga muita gente. Vamos lá! FAÇA A VALER A PENA Questão 1 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 14/18 O autismo foi descrito nos anos de 1943 e 1944 por diferentes autores. Embora ambos fossem austríacos, não se conheceram e tampouco estudaram a obra um do outro. O primeiro foi Leo Kanner, com a descrição do autismo de Kanner, e o segundo foi Hans Asperger, com a descrição do que hoje é conhecido como Síndrome de Asperger. Em 1943, o psiquiatra austríaco Kanner descreveu a sintomatologia do desenvolvimento de crianças atípicas. Quais são esses aspectos apontados pelo cientista? a. Perda do interesse social; alterações de linguagem; comportamentos bizarros; e jogo limitado. b. Perda do interesse social; alterações de linguagem; comportamentos bizarros; e jogo simbólico. c. Perda do interesse de linguagem; comportamentos bizarros; e jogo limitado. d. Interesse social; alterações de linguagem; comportamentos restritos; e jogo limitado. e. Di�culdades nas relações sociais recíprocas e psicopatia. Questão 2 Em 1944, Hans Asperger descreveu, a partir de suas observações no Hospital Pediátrico em Viena, o comportamento atípico de algumas crianças. Suas características eram o distanciamento social e a formalidade linguística. Neste primeiro momento, Asperger denominou o quadro psicopatológico descrito acima como: a. Psicopatia autista na infância. b. Psicose infantil precoce. c. Esquizofrenia infantil. d. Autismo de Kanner. e. TEA Questão 3 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 15/18 REFERÊNCIAS AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual de diagnóstico e estatística de distúrbios mentais DSM-IV. São Paulo: Manole, 1994. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual de diagnóstico e estatística de distúrbios mentais DSM-5. São Paulo: Manole, 2014. ASPENGER e autismo: duas faces do mesmo espectro. Autismo e Realidade, 8 jul. 2019. Disponível em: https://autismoerealidade.org.br/2019/07/08/asperger-e- autismo-duas-faces-do-mesmo-espectro/. Acesso em: 30 jan. 2021. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: http://pt.slideshare.net/MinSaude/diretrizes-de-atenoreabilitao- da-pessoa-com-transtornos-do-espectro-do-autismo-tea. Acesso em: 30 jan. 2021. A história do autismo leva em consideração as várias de�nições decorrentes de Kanner e Asperger, porém a sua popularização e utilização diagnóstica ocorreu no ano de 1970, com a inclusão dessa psicopatologia nos manuais de doenças mentais. Com relação ao autismo, quais manuais norteiam nossa compreensão nos dias atuais? a. DSM e CID. b. DSM e Medicina Ocidental. c. CID-10 e Ciência positivista. d. DSM e OMS. e. DSM e APA. 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 16/18 https://autismoerealidade.org.br/2019/07/08/asperger-e-autismo-duas-faces-do-mesmo-espectro/ https://autismoerealidade.org.br/2019/07/08/asperger-e-autismo-duas-faces-do-mesmo-espectro/ http://pt.slideshare.net/MinSaude/diretrizes-de-atenoreabilitao-da-pessoa-com-transtornos-do-espectro-do-autismo-tea http://pt.slideshare.net/MinSaude/diretrizes-de-atenoreabilitao-da-pessoa-com-transtornos-do-espectro-do-autismo-tea BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Linha de cuidado para a atenção às pessoas com Transtornos do Espectro do Autismo e suas famílias na Rede de Atenção Psicossocial do SUS. 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Acesso em: 30 jan. 2021. 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 18/18 https://institutoneurosaber.com.br/quais-os-simbolos-que-representam-o-autismo/ https://institutoneurosaber.com.br/quais-os-simbolos-que-representam-o-autismo/ https://www.scielosp.org/pdf/icse/2015.v19n53/325-336/pt https://docs.bvsalud.org/biblioref/ses-sp/2013/ses-25063/ses-25063-3618.pdf https://institutopensi.org.br/blog-saude-infantil/simbolos-que-representam-o-autismo-saiba-o-significado/#:~:text=O%20logotipo%20da%20pe%C3%A7a%20de,%C3%A9%20a%20pe%C3%A7a%20que%20falta https://institutopensi.org.br/blog-saude-infantil/simbolos-que-representam-o-autismo-saiba-o-significado/#:~:text=O%20logotipo%20da%20pe%C3%A7a%20de,%C3%A9%20a%20pe%C3%A7a%20que%20falta https://institutopensi.org.br/blog-saude-infantil/simbolos-que-representam-o-autismo-saiba-o-significado/#:~:text=O%20logotipo%20da%20pe%C3%A7a%20de,%C3%A9%20a%20pe%C3%A7a%20que%20falta https://institutopensi.org.br/blog-saude-infantil/simbolos-que-representam-o-autismo-saiba-o-significado/#:~:text=O%20logotipo%20da%20pe%C3%A7a%20de,%C3%A9%20a%20pe%C3%A7a%20que%20falta https://www.scielo.br/j/rsbf/a/4R3nNtz8j9R9kgRLnb5JNrv/?lang=pt FOCO NO MERCADO DE TRABALHO HISTÓRIA DO AUTISMO Danilo J. Goulart dos Santos Imprimir SEM MEDO DE ERRAR Vamos retomar a nossa situação-problema: você é professora de uma turma comum dos anos iniciais do Ensino Fundamental e recebe, pela primeira vez, um aluno com diagnóstico de TEA, chamado Miguel. Esse estudante apresenta bastante di�culdade para compreender regras verbais, distraindo-se facilmente e repetindo constantemente as falas de desenhos animados que gosta. Quando não é compreendido, algumas vezes apresenta comportamentos autolesivos. Diante disso, vejamos algumas intervenções possíveis que vão ao encontro da compreensão sobre o TEA que temos atualmente. Primeiramente, considerando a di�culdade na comunicação receptiva, ou seja, na compreensão das instruções verbais dadas a ele, é indicado que você se dirija diretamente a ele, chamando-o pelo nome. Quando tiver a atenção dele, opte pelo uso de palavras-chave pouco complexas e que indiquem a ordem, por exemplo: “sente-se”, “banheiro”, “comer”, “atividade”, “guardar”, “esperar”, etc. Em momentos como esse, muitas vezes será importante dar o suporte físico, indicando a ordem com sinais claros ou até mesmo tocando a criança delicadamente, com o objetivo de direcioná-la à instrução dada. Outro recurso que pode ser utilizado nessas situações é a identi�cação visual das atividades, como marcar o local e o espaço onde a criança deve permanecer sentada, manter a carteira com poucos estímulos visuais, diminuindo, assim, a concorrência sensorial. 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 1/4 Mais uma estratégia importante é pedir para as demais crianças da sala de aula que diminuam o volume das conversas, com a �nalidade de melhorar a atenção de Miguel, uma vez que ele tem di�culdades com a discriminação auditiva. Em relação à comunicação expressiva, uma dica é trabalhar com um tipo de comunicação alternativa, com desenhos e �guras do interesse da criança, para que facilite sua interação. Outras alternativas serão necessárias durante o processo de inclusão, considerando a complexidade desse processo e do contexto escolar, o que exige inúmeras intervenções que in�uenciam o desenvolvimento integral das crianças. Considerando a di�culdade atencional de Miguel, é indicado o menor número possível de estímulos visuais diante dele, pois isso o ajudaria a manter o foco direcionado às atividades. Sabemos que Miguel gosta muito de desenhos animados, com isso, para ganhar o foco atencional dele, incorpore os personagens dos desenhos nas atividades dadas. Isso também diminuirá a poluição visual no ambiente e produzirá um material mais organizado e estruturado, de acordo com o seu real interesse. O foco no trabalho pedagógico junto ao autista consiste na estruturação, organização e prática de atividades que utilizem algo que desperte a sua atenção e que partam sempre de algo que ele realmente goste. Esse é o primeiro passo! Não se esqueça disso! E você, já pensou em outras possíveis intervenções para seu aluno? Compartilhe com seus colegas para que vocês construam juntos mais alternativas que possam efetivar esse lindo trabalho da educação especial. Boa sorte! AVANÇANDO NA PRÁTICA ATENDIMENTO NO AEE (ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO) 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 2/4 Já re�etimos sobre uma situação em que você era professora de uma turma comum com um aluno autista. Agora, imagine-se como professora de AEE em uma sala de recursos multifuncionais, que representa uma importante estratégia para a inclusão de crianças com de�ciências ou transtornos em escolas regulares. Você recebe a família de um aluno com autismo que acabou de receber o diagnóstico. A mãe te aborda por considerar você uma referência em educação especial. Ela te faz a seguinte pergunta: “Meu �lho já passou por diversos pro�ssionais que disseram muitas coisas diferentes para mim. Falaram que ele tem autismo leve, outros disseram que tem Síndrome de Asperger, enquanto outros chegaram até a me culpar pelo atraso em seu desenvolvimento, alegando excesso de mimo. O que você acha sobre isso?”. Essa mãe apresenta um relato bastante comum à realidade das mães de crianças autistas. Isso ocorre porque, ainda hoje, muitos pro�ssionais não estão capacitados para realizarou lidar com o diagnóstico de TEA. Muitos deles ainda levam em consideração antigas descrições nosológicas ou até mesmo consideram o autismo como um transtorno afetivo, o que pode gerar a culpabilização por parte dos cuidadores. É uma situação bastante delicada, visto que isso atinge diretamente os processos de luto da idealização da criança “perfeita” e de aceitação da criança autista. Agora, re�ita: Como você responderia a essa angústia materna? O que você diria sobre as mudanças e diferenças diagnósticas? O que a história do autismo, suas de�nições e classi�cações te ensinaram sobre isso? Vamos discutir sobre? 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 3/4 RESOLUÇÃO Primeiramente, sabemos que o autismo, a partir da nova compreensão diagnóstica, inclui os diversos graus de manifestação. Sendo assim, crianças com autismo “leve”, em que os sinais são pouco aparentes, podem receber esse diagnóstico. Dessa forma, modi�ca-se o imaginário do autismo enquanto transtorno grave e com prognóstico fatalista. Outro ponto importante de discussão com essa mãe é sobre o processo de desenvolvimento da criança e a apresentação das características que diferenciam o autismo leve da Síndrome de Asperger. Vocês lembra quais eram? Se não, vale a pena fazer uma releitura. E, por �m, além de acolher a mãe por meio de uma escuta ativa, sem julgamentos, a orientação deve estar apoiada no entendimento de que o autismo, ainda que sem uma etiologia clara, tem como direção explicativa não somente a genética, mas também fatores ambientais, sendo possível, inclusive, observar casos em bebês cada vez mais precocemente. 0 V er a n ot aç õe s 22/09/2024, 21:44 lddkls221_tra_esp_aut_web https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=3324964 4/4 Nesta webaula veremos os símbolos que representam o autismo e seus signi�cados, conhecimento estes, basilares aos pro�ssionais de educação. Símbolos do autismo Você sabia que o símbolo do autismo é uma �ta feita com peças coloridas de um quebra-cabeças? Essa imagem representa o mistério e a complexidade desse transtorno em relação a sua causa e diferenças clínicas. A �ta é o símbolo mundial da conscientização sobre o autismo. Veja: Símbolo mundial da conscientização do autismo Fonte: Shutterstock. Além disso, o dia 2 de abril é considerado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, quando muitos monumentos ao redor do mundo são iluminados de azul, cor que foi escolhida para representar esse transtorno, visto que a maior prevalência é em meninos (de aproximadamente quatro meninos para uma menina). No entanto, como em todo estudo sobre o autismo, até mesmo o símbolo não tem unanimidade em sua escolha! Existem também outros símbolos que representam esse transtorno. Vejamos a seguir. In�nito colorido O símbolo colorido do in�nito é adotado pelo movimento da neurodiversidade. Por meio dele está representada a in�nidade de con�gurações e identidades das pessoas autistas. Transtorno do Espectro Autista História do autismo Você sabia que seu material didático é interativo e multimídia? Isso signi�ca que você pode interagir com o conteúdo de diversas formas, a qualquer hora e lugar. Na versão impressa, porém, alguns conteúdos interativos �cam desabilitados. Por essa razão, �que atento: sempre que possível, opte pela versão digital. Bons estudos! Quebra-cabeças O quebra-cabeças foi utilizado pela primeira vez no ano de 1963 e divulgado pela Autism Speaks, que é a maior organização de defesa do autismo dos Estados Unidos, muito popular em diversos países. Sem dúvida, há várias interpretações e signi�cados implícitos nesses símbolos. As cores fortes, por exemplo, representam a força e a esperança das famílias, enquanto o quebra-cabeças também pode signi�car o enigma desse transtorno, dado que ainda falta a peça da cura para completá-lo. Por dentro da BNCC Cada pessoa se desenvolve de forma única e sofre in�uência de fatores biopsicossociais (orgânicos, emocionais e sociais) em seu desenvolvimento. É sempre importante considerar a inclusão do aluno com TEA em turmas de ensino regular, garantindo, assim, o seu acesso à aprendizagem cognitiva, social, comunicacional e afetiva. Pesquise mais Para aprofundar seus conhecimentos sobre a história do autismo, seus símbolos e sobre a Síndrome de Asperger, pesquise e leia os textos indicados a seguir: NOVA classi�cação de doenças, CID-11, uni�ca Transtorno do Espectro Autismo: 6A02. Tismoo, 21 set. 2018. ASPENGER e autismo: duas faces do mesmo espectro. Autismo e Realidade, 8 jul. 2019. TAMANAHA, A. C.; PERISSINOTO, J.; CHIARI, B. M. Uma breve revisão histórica sobre a construção dos conceitos do Autismo Infantil e da síndrome de Asperger. Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, São Paulo, v. 13, n. 3, p. 296-299, 2008. RIOS, C. et al. Da invisibilidade à epidemia: a construção narrativa do autismo na mídia impressa brasileira. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, Botucatu, 2015, v. 19, n. 53, p. 325-335. NAZARI, A. C. G; NAZARI, J.; GOMES, M. A. Transtorno do espectro autista: discutindo o seu conceito e métodos de abordagem para o trabalho, p. 1-13, 2017. QUAIS os Símbolos que representam o autismo? Instituto NeuroSaber, 7 out. 2020. OS SÍMBOLOS do autismo. Autismo e Realidade, 22 mar. 2019. Esta última leitura é da Revista Brasileira Autismo e Realidade, que aborda diversos temas sobre o assunto, além de ser um importante instrumento de disseminação acerca desse transtorno, com vistas à diminuição das barreiras e do preconceito, tão comuns em nossa sociedade. Aproveite! https://tismoo.us/saude/diagnostico/nova-classificacao-de-doencas-cid-11-unifica-transtorno-do-espectro-do-autismo-6a02/ https://tismoo.us/saude/diagnostico/nova-classificacao-de-doencas-cid-11-unifica-transtorno-do-espectro-do-autismo-6a02/ https://autismoerealidade.org.br/2019/07/08/asperger-e-autismo-duas-faces-do-mesmo-espectro/ https://www.scielo.br/j/rsbf/a/4R3nNtz8j9R9kgRLnb5JNrv/?lang=pt https://www.scielo.br/j/rsbf/a/4R3nNtz8j9R9kgRLnb5JNrv/?lang=pt https://www.scielosp.org/pdf/icse/2015.v19n53/325-336/pt http://www.eventos.ufu.br/sites/eventos.ufu.br/files/documentos/transtorno_do_espectro_autista_discutindo_o_seu_conceito_e_metodos_de_abordagem_para_o_trabalho.pdf. https://institutoneurosaber.com.br/quais-os-simbolos-que-representam-o-autismo/ https://autismoerealidade.org.br/2019/03/22/os-simbolos-do-autismo/ Diante do exposto, percebe-se que Identi�car os símbolos que representam o autismo e seus signi�cados é o primeiro passo para conhecer o transtorno e ajudar a divulgar a conscientização do autismo, sendo assim, trata-se de um conhecimento elementar aos pro�ssionais de educação.