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Como a censura afetou os livros 
durante a ditadura?
1 1. Como funcionava o sistema de 
censura?
A censura durante a ditadura militar no 
Brasil (1964-1985) impactou drasticamente 
a produção literária, com mais de 500 livros 
oficialmente banidos das livrarias e 
bibliotecas. O Decreto-Lei 1.077, 
promulgado em 26 de janeiro de 1970, criou 
o Departamento de Censura e Diversões 
Públicas (DCDP), que empregava mais de 
250 censores em tempo integral. Grandes 
editoras como a Civilização Brasileira, 
Brasiliense e Paz e Terra foram 
especialmente visadas, tendo cerca de 
25% de suas publicações vetadas entre 
1970 e 1974. Em casos emblemáticos, como 
o da Editora Civilização Brasileira, seu 
proprietário Ênio Silveira foi preso sete 
vezes e teve mais de 100 títulos de seu 
catálogo censurados.
2 2. Quais eram os temas mais 
censurados?
A censura seguia critérios específicos 
estabelecidos pelo DCDP, que classificava 
as obras em três categorias de risco: 
"subversivas", "pornográficas" e 
"atentatórias à moral e aos bons costumes". 
Entre as obras mais perseguidas estavam 
"Em Câmara Lenta" de Renato Tapajós 
(1977), que permaneceu proibido por 
denunciar a tortura, "Bar Don Juan" de 
Antônio Callado (1971), censurado por 
retratar a luta armada, e "Aracelli, Meu 
Amor" de José Louzeiro (1976), vetado por 
expor a corrupção policial. Textos 
acadêmicos também sofreram censura, 
como "A Revolução Brasileira" de Caio 
Prado Júnior (1966) e "O Poder Jovem" de 
Arthur José Poerner (1968), este último 
apreendido por abordar o movimento 
estudantil.
3 3. Qual foi o impacto da lista 
negra oficial?
A lista negra oficial do regime, descoberta 
em 1988 nos arquivos do DCDP, continha 
430 livros explicitamente proibidos. Entre 
os casos mais notórios estavam as obras 
de Jorge Amado, tendo "Capitães da Areia", 
"Tereza Batista Cansada de Guerra" e 
"Tieta do Agreste" censuradas 
simultaneamente em 1975. Rubem Fonseca 
teve "Feliz Ano Novo" (1975) recolhido das 
livrarias 48 horas após seu lançamento, 
permanecendo proibido até 1989. Ignácio 
de Loyola Brandão viu seu romance "Zero" 
(1976) ser vetado após três meses de 
vendas, com 30 mil exemplares 
apreendidos. Até mesmo Chico Buarque, 
usando o pseudônimo Julinho da Adelaide, 
teve seu livro "Fazenda Modelo" (1974) 
censurado por sua alegoria ao regime 
militar.
4 4. Como se organizou a 
resistência à censura?
A resistência à censura se organizou em 
redes clandestinas sofisticadas. A "Rede de 
Bibliotecas Populares" (REBIP), criada em 
1973, mantinha 37 pontos de distribuição 
em São Paulo e Rio de Janeiro, onde obras 
proibidas eram reproduzidas em 
mimeógrafos e distribuídas em sistemas de 
rodízio. Editoras como a Expressão Popular, 
fundada em 1974, especializaram-se em 
publicar textos censurados com capas 
falsas de romances permitidos. Livrarias 
como a Leonardo da Vinci, no Rio de 
Janeiro, e a Duas Cidades, em São Paulo, 
mantinham fundos falsos onde escondiam 
livros proibidos. O "Projeto Cultural Frei 
Tito", organizado por dominicanos em 1972, 
conseguiu introduzir mais de 5.000 
exemplares de obras censuradas no país 
através de rotas que passavam por Uruguai 
e Paraguai. Essas redes de resistência 
foram fundamentais para manter viva a 
circulação de ideias durante o período mais 
duro da repressão.

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