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EJA RESUMO 1 Histórico da Educação de Jovens e Adultos no Brasil “Esse olhar para o passado, entretanto, não representa apenas um apanhado histórico sobre aquilo que foi desenvolvido nessa modalidade de educação. Trata-se de uma tentativa de entender quais foram suas preocupações norteadoras, buscando fazer uma avaliação destas e visando estabelecer pontos de referência para uma nova percepção do que representa uma EJA hoje, mais focada no desenvolvimento da cidadania e em acordo com os interesses e necessidades dos TRABALHADORESESTUDANTES que atualmente recorrem a estes cursos, na expectativa de concluírem sua formação básica e de adquirirem conhecimentos sociais úteis e relevantes.” (BASEGIO; BORGES, 2013, p. 13) Séculos XVI-XVII: predomínio da educação religiosa - ação educacional/cultural direcionada para a catequização e ensino de ofícios ao público indígena adulto e instrução, com foco em interesses políticos, para filhos de colonos. Séculos XVII-XVIII: educação religiosa e filantrópica - escolas para colonizadores e descendentes – poucos avanços na educação de jovens e adultos. Século XIX: educação filantrópica – classes para instrução de adultos, (baixa frequência). Em 1834 as províncias passam a ter responsabilidade sobre a educação; em 1881 veta-se o voto para analfabetos; em 1891 a educação é assumida pelo estado como pública, mas os direitos para frequentar a escola ainda eram exclusivos para uma minoria da população. Pessoas negras, indígenas e do gênero feminino não eram consideradas como cidadãs no século XIX. Século XX: impulso das transformações sociais e processo de industrialização para as reformas educacionais. Movimentos de lutas para reivindicação de direitos. Escolas noturnas para adultos surgem em 1925, pelo Decreto 16.782/A. Até o final de 1930, a história da EJA não se separa da história das demais modalidades educacionais. Revolução de 1930 e Revolução Constitucionalista de 1932: impulsos para mudanças no papel do Estado brasileiro e na Educação de Jovens e Adultos. MOVIMENTOS DE DEMOCRATIZAÇÃO DE OPORTUNIDADES PARA ESCOLARIZAÇÃO DE ADULTOS Após a década de 40: a EJA passa a ser parte das políticas de educação nacional. Instauram-se campanhas e movimentos para a erradicação do analfabetismo. Dentre os muitos, destacam-se: - Fundo nacional de ensino primário, criado em 1942 - Serviço e Campanha de Educação de Adultos, criado em 1947 - Campanha de Educação Rural, em 1952 - Campanha Nacional de Erradicação ao Analfabetismo, em 1958 - Campanha O Movimento da Cultura Popular, ocorrido de 1961 a 1964 - Centro Popular de Cultura, de 1962 a 1964 - Movimento da Educação de Base, de 1961 a 1967 - Movimento de Pé no Chão Também se Aprende a Ler, de 1961 a 1964 - Programa Nacional de Alfabetização, de 1963 a 1964) Paulo Freire participou direta ou indiretamente da maior parte das campanhas e movimentos de luta para a EJA ADVENTO DO REGIME MILITAR · Repressão de movimentos populares para cultura e educação · Evasão e esvaziamento escolar · MOBRAL (Lei 5.379): Movimento Brasileiro de Alfabetização, de 1967 a 1980 – legitimação da ideologia militar · Alto índice de analfabetismo · Domínio de escrita rudimentar · Diretrizes e caráter diferentes das propostas em movimentos populares de anos anteriores · Supletivo: educação compensatória, incipiente e superficial, com caráter assistencialista REDEMOCRATIZAÇÃO NACIONAL · Nova Constituição, em 1988: a educação passa a ser um direito universal a ser provido pelo Estado · Ampliação de possibilidades teórico-metodológicas para a educação de jovens e adultos · Construção de diretrizes para as escolas de EJA, com perspectiva democrática · Paradigma freireano . Criação do MOVA (Movimento de Alfabetização) MOVA Criado por Paulo Freire em 1990, enquanto secretário municipal de educação de São Paulo, o MOVA intencionava levar a sociedade à reflexão para combater o analfabetismo de jovens e adultos no Brasil. Nesse mesmo contexto, foram construídas diretrizes para a autonomia das escolas que ofertavam a EJA. Fundamentos: análise crítica e reflexiva das experiências de vida dos estudantes da EJA. A metodologia e a didática pedagógica partiam da realidade pautada na existência vivida, intencionando despertar a consciência crítica, que estava muito além da mera aprendizagem da leitura e da escrita. “Ideia do diálogo com os saberes do povo e a valorização destes saberes.” (BASEGIO; BORGES, 2013, p. 16) VERTENTE CRÍTICA DA EJA Evasão escolar: manutenção dos ciclos de pobreza . Reconhecimento dos possíveis prejuízos ocasionados pela falta de acesso aos conhecimentos formais . Combate à infantilização das práticas utilizadas, metodologias e fundamentos didáticos na EJA . Defasagem educacional predominante para pessoas em vulnerabilidade social . Entendimento de que as causas do analfabetismo se deslocam do indivíduo para a sociedade . Concepção de ensino crítico, contestador, com viés reflexivo e emancipatório O conhecimento resulta dos significados que a humanidade atribui às experiências de vida, em interação com o mundo. FINALIDADE DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL “O objetivo da aprendizagem e da educação de adultos é equipar as pessoas com as capacidades necessárias para que exerçam e realizem seus direitos e assumam controle de seus destinos. Elas promovem o desenvolvimento pessoal e profissional, apoiando assim o envolvimento mais ativo dos adultos com suas sociedades, comunidades e ambientes. Elas promovem o crescimento econômico sustentável e inclusivo, e perspectivas de trabalho decente para os indivíduos. São, portanto, ferramentas cruciais para reduzir a pobreza, melhorar a saúde e o bem-estar e contribuir para sociedades de aprendizagem sustentáveis.” (UNESCO, 2017, p. 7) TOCANDO EM FRENTE É possível contribuir com o desenvolvimento das pessoas e da sociedade por meio da compreensão da EJA e do entendimento de que a educação formal crítica favorece as interações pessoais e profissionais, amplia pontos de vista e promove a autonomia de pensamentos e ações. Conhecer e entender as memórias da EJA em seu percurso histórico pode ajudar a melhorar as pessoas que estão vivendo a EJA, seja como docente ou como discente. Afinal, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. ” (Paulo Freire) TOCANDO EM FRENTE, POR VEZES SEM SAIR DO LUGAR · História da EJA, marcos legais e políticas públicas: indissociabilidade · Base Nacional Comum Curricular (BNCC), publicada em 2018: ausência de orientações específicas para o desenvolvimento curricular da EJA · Movimentos para readequação das diretrizes operacionais · Decreto nº 9.7596 de 2019: extinção de colegiados e enfraquecimento de planejamentos · Lei nº 14.113, de 25 de dezembro de 2020: regulariza o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) – valor de repasse menor para a EJA LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL E A EJA - Lei 9.394/96 (LDBEN) Art. 37. A Educação de Jovens e Adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos nos ensinos fundamental e médio na idade própria e constituirá instrumento para a educação e a aprendizagem ao longo da vida. (Redação dada pela Lei nº 13.632, de 2018) CONFERÊNCIA GERAL DA UNESCO – 2015 Abordagem abrangente e sistemática - Reflete tendências globais - Orienta as possibilidades para transformar e expandir as oportunidades de educação para jovens e adultos, norteadas pelo princípio da equidade - Definição de três domínios-chave para EJA: alfabetização e habilidades básicas; educação contínua e habilidades profissionais, educação liberal, popular e comunitária; habilidades cidadãs - Descrição de cinco áreas transversais de ação: política pública, governança, financiamento, participação, inclusão e equidade, e qualidade Marco de extrema relevância: Conferência Internacional de Jovens e Adultos da UNESCO (CONFINTEA) SEGUINDO EM FRENTE DOCUMENTO NORTEADOR Recomendação sobre aprendizageme educação de adultos (UNESCO, 2015) Para políticas públicas destinadas à EJA: contribuições por meio de princípios que podem direcionar o desenvolvimento da aprendizagem e a educação de adultos, em consonância com o desenvolvimento e crescimento social e econômico sustentável, inclusivo, bem como a preservação do ambiente e a superação de fragilidades, riscos e precariedades sociais. Qualidade e inclusão na EJA, para todos, ao longo de toda vida MARCO DE APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA BASE: ALFABETIZAÇÃO - Concretização do direito à educação; - Pacto internacional sobre os direitos econômicos, políticos, sociais e culturais do Conselho Econômico e social das Nações Unidas: reconhecimento das rápidas mudanças globais e dos desafios na revisão das condições para que o direito à educação para todos, ao longo da vida, se concretize. Desafio: Divergências entre o proposto e o vivido nas políticas públicas nacionais. RECOMENDAÇÕES DA ONU - POLÍTICAS PÚBLICAS DESTINADAS À EJA - Fortalecer a aprendizagem ao longo da vida, bem como suas contribuições para o desenvolvimento das sociedades - Envolver todas as partes interessadas no desenvolvimento de políticas, incluindo estudantes - Proporcionar estruturas e mecanismos adequados e flexíveis para se adaptar às necessidades, questões e desafios futuros - Conscientizar, por meio de legislação, instituições e compromisso político contínuo, sobre o direito à EJA e aos pilares fundamentais no sistema educacional - Divulgar informações relevantes para a sociedade, destacando os amplos benefícios da educação - Instigar a motivação dos educandos image1.png