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Matéria: Educação de Jovens e Adultos 
Assunto: Temas 1 ao 8 
Curso de Pedagogia 
Licenciatura – 6º Período 
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Anhanguera – Curso de Pedagogia – Educação de Jovens e Adultos – Temas 1 ao 8 ........... Página 2 de 22 
 
Nos primórdios da história da educação de adultos no país, eram os jesuítas que 
organizavam e ministravam o ensino, com objetivos delimitados: ensinar a ler e 
escrever, para a leitura do catecismo e determinações da corte. Com a catequização 
de indígenas e para os trabalhadores conseguirem cumprir suas obrigações com o 
Estado, os jesuítas ensinavam as crianças e tinham como finalidade chegar aos pais 
para catequizá-los. Depois da expulsão dos jesuítas, a educação ficou bastante 
desorganizada, somente durante o Império, com a necessidade de oferecer educação 
ao segmento da aristocracia portuguesa, surgiram iniciativas para a educação de 
adultos, no entanto, essas iniciativas foram pouco significativas para essa 
modalidade de ensino. 
Após a Primeira Guerra Mundial, com a urbanização e a industrialização, tornou-se 
necessário pensar em uma educação que atendesse à demanda da burguesia, 
entretanto, esse ensino estava voltado essencialmente para essa nova classe social, 
a grande maioria continuava analfabeta e marginalizada. Só em 1930 que a 
Educação de Jovens e Adultos alcançou prestígio no Brasil, quando a sociedade 
brasileira passava por modificações, associadas, principalmente, ao processo de 
industrialização e absorção populacional nos centros urbanos. Embora, neste 
período, a EJA ainda não fosse vista com resultados efetivos, o oferecimento do 
ensino básico e gratuito foi muito estimulado pelo Governo, que atribuiu 
responsabilidades aos Estados e Municípios. Com o fim da revolução de 1930, foi 
implantado um plano de educação elementar no país, mais precisamente com a 
Constituição de 1934, criou-se o Plano Nacional de Educação, sendo neste período, a 
educação de adultos considerada um dever do Estado. 
Nas décadas de 1950 e 1960, tornou-se fundamental oferecer educação ao povo, com 
a finalidade de acompanhar o desenvolvimento que acontecia no país e qualificar a 
mão de obra para o trabalho nas indústrias. Houve um profundo movimento de 
educação de adultos e de alfabetização. 
No princípio dos anos sessenta, surge uma grande referência para a Educação de 
Jovens e Adultos: o educador Paulo Freire, anunciando uma pedagogia diferenciada 
– a educação popular. A educação popular é articulada à ação política em conjunto 
com os grupos populares, que eram os intelectuais, estudantes, pessoas ligadas à 
igreja católica. Em 1964, foi aprovado o Plano Nacional de Educação. 
Neste processo histórico de formação do sujeito, o sonho e a esperança de 
modificação da sociedade fazem parte constitutiva. Para Freire, a educação deveria 
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Anhanguera – Curso de Pedagogia – Educação de Jovens e Adultos – Temas 1 ao 8 ........... Página 3 de 22 
ter como fundamentos básicos o respeito ao outro e à aceitação das limitações do 
outro. Suas contribuições para a educação apontaram o surgimento de novas 
relações humanas, com base em uma realidade material distinta, com a superação 
de antigas dicotomias, com a dicotomia entre o trabalho manual e o trabalho 
intelectual, prática e teoria, ensinar e aprender, conhecer o conhecimento existente 
e cria o novo conhecimento, um novo sistema educacional pode então surgir. 
Dessa forma, a educação libertadora, torna-se o esforço sistemático a serviço dos 
ideais de equidade de uma nova sociedade. Se, na antiga sociedade, o seu sistema 
educacional estava comprometido com a preservação do “status quo”, agora a 
educação deve-se tornar fundamental ao processo de permanente libertação. Seu 
método baseia-se na descoberta da realidade; em palavras-chave (geradoras), ou 
seja, o que é comum ao contexto; tematização (significação contextualizada) e 
problematização (conscientização). Paulo Freire entendia que a leitura do mundo 
precede à escrita e a educação pertence ao povo, não aos governos. Para Freire, não 
há perspectiva de intervenção nem de mudança social sem projeto, sem um sonho 
possível. Em 1964, grupos de educadores articulados conseguiram que fosse 
aprovado o Plano Nacional de Alfabetização que previa a disseminação de uma nova 
e ousada proposta pedagógica de alfabetização por todo o Brasil. Logo após esse 
período, com o golpe militar, essa proposta educacional foi reprimida e pouco se 
alfabetizou nessa época. 
Na década de 1970, ainda no regime militar, é iniciada a ação do Movimento 
Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), que tinha como objetivo acabar com o 
analfabetismo em 10 anos. 
Nesse período, foi implantado o ensino supletivo, que se configurou como um marco 
importante na EJA, sendo criados Centros de Estudos Supletivos em todo o país, com 
a proposta de ser um modelo de educação do futuro, atendendo às necessidades de 
uma sociedade em processo de modernização. O objetivo era escolarizar um grande 
número de pessoas, mediante um baixo custo operacional, satisfazendo as 
necessidades de um mercado de trabalho competitivo, com exigência de 
escolarização cada vez maior. 
 
 
Analfabetismo: é uma palavra utilizada no português corrente para designar a 
condição daqueles que não sabem ler e escrever. 
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Anhanguera – Curso de Pedagogia – Educação de Jovens e Adultos – Temas 1 ao 8 ........... Página 4 de 22 
Educação popular: é uma educação comprometida e participativa orientada pela 
perspectiva de realização de todos os direitos do povo. 
Unesco: é a sigla para Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e 
Cultura. 
Mobral: Movimento Brasileiro de Alfabetização 
Conscientização: é mais do que saber o que se passa ao seu redor, é acima de tudo um 
processo histórico na EJA. 
 
 
O aspecto histórico de desigualdade que acompanha a sociedade atual desde a 
colonização e que colocou negros, índios, migrantes e trabalhadores braçais em 
situação de marginalização em relação à apropriação dos bens culturais, tem nessa 
modalidade de ensino a possibilidade de recuperar essa dívida social. 
Sendo assim, em relação às pessoas analfabetas ou pouco letradas, essa função 
reparadora da EJA é de suma importância para o crescimento psicossocial desses 
sujeitos. Considerando a educação, “direito de todos e dever do Estado”, cabe a 
mesma, pelas políticas públicas, proporcionar a diminuição das desigualdades não 
somente no campo da equiparação na distribuição de renda, como também na oferta 
de conhecimentos para os que foram socialmente excluídos na sociedade moderna. 
Não somente as pessoas analfabetas, mas também os sujeitos que tiveram sua 
escolaridade interrompida fazem parte da clientela da EJA e precisam ter a garantia 
de acesso à escola e ofertas de vagas para oportunizar a equalização, ou seja, devem 
ser garantidas a esse cidadão maiores oportunidades de acesso e permanência na 
escola, em função da sua histórica desigualdade social, que impossibilitou sua 
permanência regular no ambiente escolar. Abordando a EJA dessa forma, pode-se 
concluir que ela possibilita não somente a retomada do estudo, mas, sobretudo, o 
desenvolvimento das potencialidades de jovens e adultos que, por razões variadas, 
não puderam concluí-lo na faixa etária prevista. 
Retomando o aporte histórico, na década de 1990, a EJA perdeu espaço no governo 
com a extinção da Fundação EDUCAR e passou a ser obrigação dos estados e 
municípios devido à necessidade de diminuição dos gastos do governo federal. 
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Anhanguera – Curso de Pedagogia – Educação de Jovens e Adultos – Temas 1 ao 8 ........... Página 5 de 22 
Nos anos 1990, outro marco importante para Educaçãode Jovens e Adultos foi a 5ª 
Conferência Internacional sobre EJA (Confintea), realizada em julho de 1997, em 
Hamburgo, na Alemanha, que teve como objetivo manifestar a importância da 
aprendizagem de jovens e adultos e conceber compromissos regionais numa 
perspectiva de educação ao longo da vida, que viesse facilitar a participação de todos 
no desenvolvimento sustentável e equitativo, de promover uma cultura de paz 
baseada na liberdade, justiça e respeito mútuo e construir uma relação sinérgica 
entre educação formal e não formal, demonstrando que o desenvolvimento das 
sociedades exige de seus membros capacidade de descobrir e potencializar os 
conhecimentos e aprendizagens de forma global e permanente. 
Em 6 de setembro 1996, no Seminário Nacional de Jovens e Adultos, em Natal/RN, 
foi divulgado (mas só foi implantado no Brasil em 1997) o Programa de 
Alfabetização Solidária (PAS), uma organização não governamental, sem fins 
lucrativos e de utilidade pública, vinculado ao Conselho Comunitário Solidário e à 
Casa Civil da Presidência da República, sendo uma campanha de alfabetização 
marcada por parcerias entre os poderes públicos federal, estadual e municipal, 
empresas, organizações da sociedade civil, fundações e outras instituições. Seu 
começo foi atribuído para as regiões Norte e Nordeste por haver um grande índice 
de analfabetos, maior do que a média nacional. Percorrida sua história, a 
Alfabetização Solidária (PAS) fez grandes conquistas, chegando aos municípios do 
Centro-Oeste e do Sudeste. 
A partir de 2003, a EJA tem novo impulso, com a criação da Secretaria Extraordinária 
para a Erradicação do Analfabetismo, cujo objetivo é erradicar o analfabetismo. Foi 
lançado o Programa Brasil Alfabetizado, com projetos voltados para a alfabetização 
de jovens e adultos e formação de alfabetizadores. Muitos avanços foram 
conquistados ao longo dos anos, mas ainda é necessário muito para acabar com o 
analfabetismo no país e um dos maiores impasses é a descontinuidade das políticas 
públicas nas mudanças de governo. 
Segundo Souza (2011, p. 63), a face da exclusão social no contexto escolar é visível 
nos índices de repetência e desistência escolar, que geram distorção idade-série, 
além de uma série de outras perdas, como laços de amizade e perda da identidade 
etária. 
Dados estatísticos demonstram que a maior média de anos de estudo por parte da 
população encontra-se na Região Sudeste, em contraste como o Nordeste. Alguns 
fatores se destacam como justificativa para tal contraste, tais como cita Souza (2011, 
p. 62): 
1. Concentração populacional da região Sudeste; 
2. Concentração de escolas no espaço urbano; 
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3. Maior facilidade de acesso à escola; 
4. Maior organização política da população na reinvindicação, direcionada ao 
poder público, de escolas, creches, infraestrutura, etc.; 
5. Disparidades sociais no interior das regiões, relacionadas a emprego, 
alimentação e saúde; 
6. A concentração de renda de um lado e a pobreza de outro, realidade que 
reproduz em cada canto do Brasil. 
 
 
Desigualdade social: acontece quando a distribuição de renda é feita de forma 
diferente sendo que a maior parte fica com poucos. 
Escolaridade: é o cumprimento de um determinado ciclo de estudos. 
Potencialidades: conjunto de habilidades e competências de um indivíduo. 
Confintea: Conferência Internacional sobre EJA 
PAS: Programa de Alfabetização Solidária 
 
 
Com base em estatísticas atualizadas os sistemas de ensino desenvolveram esforços, 
nos últimos anos, no afã de propiciar um atendimento mais aberto a adolescentes e 
jovens tanto no que se refere ao acesso à escolaridade obrigatória, quanto a 
iniciativas de caráter preventivo para diminuir a distorção idade/ano. 
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma categoria organizacional constante da 
estrutura da educação nacional, com finalidades e funções específicas. 
Como já foi dito anteriormente, um marco importante para educação de jovens e 
adultos foi a 5ª Conferência Internacional sobre EJA(Confintea), que teve como 
objetivo manifestar a importância da aprendizagem de jovens e adultos e conceber 
compromissos regionais numa perspectiva de educação ao longo da vida que viesse 
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facilitar a participação de todos no desenvolvimento sustentável e equitativo, de 
promover uma cultura de paz baseada na liberdade, justiça e respeito mútuo e 
construir uma relação sinérgica entre educação formal e não formal. 
Apesar do investimento realizado e dos esforços despedidos pelos órgãos 
governamentais, em implementar uma política pública de EJA, o retorno obtido nem 
sempre é o esperado, principalmente pela expectativa destes jovens e adultos terem 
rapidez na conclusão do curso. 
Não são poucas as razões que explicam esse quadro: 
• Falta de tempo para frequentar um curso regular. 
• Já possuírem conhecimentos prévios dos conteúdos básicos. 
• Cansaço depois de cumprida sua jornada de trabalho. 
• Necessidade de comprovante de escolaridade por exigência do mercado de 
trabalho. 
De acordo com o parecer CEB nº 15/1998, esses sujeitos têm um perfil que precisa 
ser considerado dentro das propostas da EJA: 
[...] são adultos ou jovens adultos, via de regra mais pobres e com vida escolar mais 
acidentada. Estudantes que aspiram a trabalhar, trabalhadores que precisam 
estudar, a clientela do ensino médio tende a tornar-se mais heterogênea, tanto etária 
quanto socioeconomicamente, pela incorporação crescente de jovens adultos 
originários de grupos sociais, até o presente, sub-representados nessa etapa da 
escolaridade. 
Procurando atender a resolução CNE/CEB nº 1/2000 que institui as Diretrizes 
Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos, em que a mesma 
destaca que a EJA, como modalidade da educação básica, deve considerar o perfil dos 
alunos e sua faixa etária ao propor um modelo pedagógico, de modo a assegurar: 
• Equidade: distribuição específica dos componentes curriculares, a fim de 
propiciar um patamar igualitário de formação e restabelecer a igualdade 
de direitos e de oportunidades em face do direito à educação; 
• Diferença: identificação e reconhecimento da alteridade própria e 
inseparável dos jovens e dos adultos em seu processo formativo, da 
valorização do mérito de cada um e do desenvolvimento de seus 
conhecimentos e valores. 
Ainda segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais para EJA, essa modalidade deve 
desempenhar três funções: 
• Função reparadora: não se referindo apenas à entrada dos jovens e adultos no 
âmbito dos direitos civis, pela restauração de um direito negado – o direito a 
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uma escola de qualidade – mas também ao reconhecimento da igualdade 
ontológica de todo e qualquer ser humano de ter acesso a um bem real, social 
e simbolicamente importante. Não se pode confundir a noção de reparação 
com a de suprimento. Para tanto, é indispensável um modelo educacional que 
crie situações pedagógicas satisfatórias para atender às necessidades 
específicas de jovens e adultos. 
• Função equalizadora: relaciona-se à igualdade de oportunidade, que 
possibilite oferecer aos indivíduos novas inserções no mundo do trabalho, na 
vida social, nos espaços da estética e nos canais de participação. A equidade é 
a forma pela qual os bens sociais são distribuídos tendo em vista maior 
igualdade, dentro de situações específicas. Nessa linha, a EJA representa uma 
possibilidade de efetivarum caminho de desenvolvimento a todas as pessoas, 
de todas as idades, permitindo que jovens e adultos atualizem seus 
conhecimentos, mostrem habilidades, troquem experiências e tenham acesso 
a novas formas de trabalho e cultura. 
• Função qualificadora: refere-se à educação permanente, com base no caráter 
incompleto do ser humano, cujo potencial de desenvolvimento e de 
adequação pode se atualizar em quadros escolares ou não escolares. Mais que 
uma função, é o próprio sentido da educação de jovens e adultos. 
 
 
 
Distorção idade/ano: é a defasagem entre a idade e a série que o aluno deveria estar 
cursando. 
Equidade: é a forma pela qual os bens sociais são distribuídos tendo em vista maior 
igualdade, dentro de situações específicas. 
CNE: Conselho Nacional de Educação. 
CEB: Câmara de Educação Básica. 
Diretrizes: Conjunto de instruções ou indicações para se tratar e levar a termo um 
plano, uma ação diretiva. 
 
 
 
 
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Como foi apresentado anteriormente, a primeira Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional - Lei n° 4.024/1961 - reconheceu a educação como direito de 
todos e estabeleceu em seu artigo 27 que “O ensino primário é obrigatório a partir 
dos sete anos e só será ministrado na língua nacional. Para os que o iniciaram depois 
dessa idade poderão ser formadas classes especiais ou cursos supletivos 
correspondentes ao seu nível de desenvolvimento”. 
De acordo com a Lei n° 5.692/1971 – LDB – o ensino supletivo se destinava a “suprir 
a escolaridade regular para adolescentes e adultos, que não a tinham seguido ou 
concluído na idade própria”. 
O MEC, a partir da vigência da Lei n° 5.692/1971, promoveu ampla difusão do ensino 
supletivo. A iniciativa mais promissora a implantação dos Centros de Ensino 
Supletivo, abertos aos que desejavam realizar estudos na faixa de escolaridade 
posterior às séries iniciais do ensino de 1º grau. Em 1990, o Brasil participou da 
Conferência Mundial de Educação para Todos, em Jomtien, na Tailândia, durante a 
qual se reforçou a necessidade de expansão e melhoria do atendimento público na 
escolarização de jovens e adultos. Porém, somente em 1994 foi concluído o Plano 
Decenal, fixando metas para o atendimento de jovens e adultos pouco escolarizados. 
Na LDBEN nº 9.394/1996, a seção dedicada à educação básica de jovens e adultos 
reafirmou o direito destes a um ensino básico adequado às suas condições, e o dever 
do poder público de oferecê-lo gratuitamente, na forma de cursos e exames 
supletivos. A lei alterou a idade mínima para realização de exames supletivos para 
14 anos, no Ensino Fundamental, e 18, no Ensino Médio, além de incluir a educação 
de jovens e adultos no sistema de ensino regular. 
Como já foi dito um marco importante para a educação de jovens e adultos foi a 5ª 
Conferência Internacional sobre Educação de Jovens e Adultos (Confintea), realizada 
em julho de 1997, em Hamburgo, na Alemanha, e precedida por uma Conferência 
Regional preparatória da América Latina e Caribe (realizada no Brasil), em janeiro de 
1997. 
Os objetivos da 5ª Confintea levaram em consideração as conferências anteriores e 
o cenário daquele momento que se configurava por esses movimentos: a 
Conferência Mundial de Educação para Todos (1990), em Jomtien, Tailândia; a 
Declaração e o Decênio Mundial do Desenvolvimento Cultural promovido pela 
Unesco (1988-1997); o Decênio Mundial promovido pelo PNUD (1991-2000); a 
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Conferência Mundial de População do Cairo (1994); a Cúpula de Desenvolvimento 
Social de Copenhague (1995); a Conferência Mundial da Mulher de Pequim (1995); a 
Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI; a Comissão Mundial de 
Cultura e Desenvolvimento. 
A Conferência de Hamburgo teve entre seus objetivos: manifestar a importância da 
aprendizagem de jovens e adultos e conceber compromissos regionais numa 
perspectiva de educação ao longo da vida que visasse facilitar a participação de todos 
no desenvolvimento sustentável e equitativo, de promover uma cultura de paz 
baseada na liberdade, justiça e respeito mútuo e de construir uma relação sinérgica 
entre educação formal e não formal. Os documentos produzidos na Confintea 
demonstram que a EJA deve seguir novas orientações devido ao processo de 
transformações socioeconômicas e culturais vivenciadas a partir das últimas 
décadas do século XX, levando em conta que o desenvolvimento das sociedades 
exige de seus membros capacidade de descobrir e potencializar os conhecimentos e 
aprendizagens de forma global e permanente. 
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, em seu art. 214, declara: A 
lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração plurianual, visando à 
articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração 
das ações do Poder Público que conduzem à: I – erradicação do analfabetismo; II – 
universalização do atendimento escolar; III – melhoria da qualidade de ensino; IV – 
formação para o trabalho; V – promoção humanística, científica e tecnológica do 
país. 
Segundo Souza (2010), o PNE menciona como metas questões que são históricas nas 
demandas por EJA no Brasil e que integram os debates da Conferência Nacional de 
Educação, a saber: responsabilidade do Estado com a educação, democratização 
quanto ao acesso e permanência das pessoas na escola, gestão democrática, processo 
de formação dos profissionais da EJA, diversidade das parcerias no desenvolvimento 
da EJA. 
O Plano também aborda questões apontadas em Relatórios Sínteses dos Enejas. O 
Eneja é um evento público decorrente do debate internacional sobre EJA. Foram 
realizados 11 encontros no Brasil e eles demonstram que a sociedade civil 
organizada está participando, debatendo, propondo políticas públicas de educação. 
 
 
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Erradicação: articula um conjunto de ações visando à acabar, extirpar. 
Universalização: ato ou efeito de universalizar, tornar para todos. 
Conferência: reunião em que se discute um assunto comum: estar em conferência. 
PNE: Plano Nacional de Educação. 
Confintea: Conferência Internacional de Educação de Adultos. 
 
 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional atualmente em vigor deu nova 
identidade à Educação de Jovens e Adultos, conferindo-lhe o estatuto de direito de 
todo cidadão, dando-lhe um caráter de formação para a vida. 
Essa mudança tira de cena a ideia de um ensino meramente propedêutico, exigindo 
novas orientações teóricas e metodológicas para o ensino, tanto no que tange os 
conteúdos específicos, quanto aos procedimentos didático-pedagógicos. 
Particularmente, o sujeito deve ser considerado ativo na construção do seu 
conhecimento, pois a passividade em nada contribui para que as informações 
recebidas do exterior se processem em um nível interno de forma a permitir o seu 
crescimento individual. 
Dessa maneira, a atividade espontânea do sujeito menos experiente, se for bem 
interpretada pelo outro mais experiente, pode se constituir em uma importante base 
de edificação das interações sociais rumo ao desenvolvimento pessoal. 
O sujeito partilha as ações pelas relações estabelecidas entre ele e o meio, e as 
instituições como família, escola, igreja, são muito importantes para o 
estabelecimento de significado das ações individuais e sociais, por se constituírem 
em elementos de mediação para o sujeito. A escola se caracteriza por ser um processo 
de socialização sistematizado. 
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Dessa forma, é contexto indicado para o domínio da leitura e escrita, além de outros 
conteúdos formais que necessitam do desenvolvimento dos processos psicológicos 
superiores, como é o caso da atenção voluntária, da memória lógica e da formação 
de conceitos. Em relação à Educação de Jovens e Adultos, tais pressupostos são 
importantes para se garantir a compreensão do processo de ensino e da 
aprendizagem, considerando-se a ênfase na educação como mecanismo formal, 
culturalmente construído, que regularia e transformaria os processos psicológicos 
elementares em superiores. Ou seja, os processos elementares de origem biológica 
que ainda não sofreram as influências socioculturais, em processos superiores de 
pensamento lógico. 
Como ressalta Barbato (2005, p. 2): 
“(...) produzimos um ensino-aprendizado significativo ao considerarmos o 
conhecimento prévio e as práticas de cultura das comunidades, onde estamos 
interagindo, juntamente com o novo conhecimento que desenvolvemos com os 
alunos por meio de textos e outros materiais”. 
As formas de significar das comunidades onde se ensina são consideradas a partir 
dos conteúdos do que é conversado e escrito no cotidiano, como as situações-
problema: a história do local, os direitos à educação, à saúde etc., mas também às 
formas diferentes de interação no cotidiano: na escola, nas festas, na religião, nas 
famílias, no trabalho. 
Metodologicamente, quando se traz para a sala de aula a conversa sobre as situações-
problema locais, as festas, as práticas de cultura, assim como quando se presta 
atenção nas formas em que a escrita é utilizada na comunidade e usada em sala de 
aula, há colaboração para a construção saudável da situação de ensino-aprendizado. 
Sendo assim, o professor e o aluno dentro dessa perspectiva estão sempre 
negociando como será construído o conhecimento. De um lado, o professor estuda o 
conteúdo e os procedimentos de ensino e, diante da realidade do seu aluno, procura 
descobrir como esta pode contribuir para o processo ensino-aprendizagem. 
A educação de adultos implica um amplo processo de transformação, voltado para 
indivíduos de 15 anos ou mais. Esta idade é o marco de referência na separação entre 
a chamada ‘idade infantil’ da ‘idade adulta’. 
Tanto é assim que – seja no plano nacional, estabelecido pela legislação 
federal de ensino, seja no internacional, via recomendações da UNESCO – é 
precisamente este momento cronológico tomado como base para a verificação do 
cumprimento ou não da escola mínima. 
Segundo Souza (2010), processo de educação de adultos pode ser analisado sob duas 
dimensões indissociáveis: 
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• Valorização da experiência do aluno estagiário que já trabalha na EJA. 
• Valorização dos conhecimentos já construídos na EJA, seja pelas pesquisas 
acadêmicas, seja pelo aprofundamento das práticas desenvolvidas nos 
diferentes programas de EJA no Brasil. 
A articulação entre a prática e a teoria é essencial na formação do educador da EJA. 
Vale ressaltar o enfoque de Souza (2010), que analisa que as práticas da EJA que têm 
sido marcadas pela influência de duas concepções de educação: 
de um lado estão as práticas que dão excessiva ênfase às metodologias de ensino e à 
utilização de manuais didáticos, que facilitam a aquisição dos requisitos para a 
leitura e a escrita; de outro, estão as práticas que focalizam o conteúdo social no fazer 
educativo e os processos dialógicos que possam levar ao desenvolvimento da 
consciência crítica, da emancipação. 
 
Consciência crítica: é uma forma de relação com o mundo que busca compreendê-lo 
de modo concreto, analisando na realidade e não pelas aparências. 
Propedêutico: ensino propedêutico é aquele organizado com o único objetivo de 
levar o aluno a um nível mais adiantado. É sempre um ensino preparatório. A 
educação infantil prepara para o ensino fundamental que, por sua vez, prepara para 
o ensino médio. Este prepara para a universidade. 
Dimensões: são parâmetros utilizados para descrever um conceito ou um tema. 
Articulação: são conexões habituais existentes entre dois temas. 
Concepção: modo de ver, ponto de vista. 
 
 
Retomando as referências que foram abordadas anteriormente e, segundo as 
orientações da Confintea, a educação de jovens e adultos deve: 
• Priorizar a formação integral voltada para o desenvolvimento de 
capacidades e competências adequadas, para que todos possam enfrentar, 
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no marco do desenvolvimento sustentável, as novas transformações 
científicas e tecnológicas e seu impacto na vida social e cultural. 
• Elaborar e implementar currículos flexíveis, diversificados e 
participativos, que sejam também definidos a partir das necessidades e 
dos interesses do grupo, de modo a levar em consideração sua realidade 
sociocultural, científica e tecnológica e reconhecer seu saber. 
• Incentivar educadores e alunos a desenvolverem recursos de 
aprendizagem diversificados, utilizar os meios de comunicação de massa 
e promover a aprendizagem dos valores de justiça, solidariedade e 
tolerância, para que se desenvolva a autonomia intelectual e moral dos 
alunos envolvidos na EJA. 
Nesse sentido, pode-se afirmar novamente que a Educação de Jovens e Adultos não 
é apenas um processo inicial de alfabetização. 
A EJA resgata e incentiva o aluno a se transformar em um leitor das diversas 
linguagens visuais e, paralelamente, contribui com o resgate da importância da 
cidadania e do trabalho. 
Para Soares (2002), a educação age como uma chave indispensável para o exercício 
da cidadania na sociedade contemporânea vai se impondo cada vez mais nestes 
tempos de grandes mudanças e inovações nos processos produtivos. Ela possibilita 
ao indivíduo jovem ou adulto retomar seu potencial, desenvolver suas habilidades, 
confirmar competências adquiridas na educação extraescolar e, na própria vida, 
possibilitar um nível técnico e profissional mais qualificado. 
Dessa forma, o aluno da EJA atualiza conhecimentos, mostra habilidades, troca 
experiências e proporciona acesso a novas regiões da cultura e do trabalho. Além 
disso, a EJA amplia o conhecimento de jovens não empregados, desempregados, 
vacilantes, assim podem encontrar um ambiente com melhor capacitação para o 
mercado de trabalho e ampliar suas experiências socioculturais prévias. 
Segundo Soares (2002), um adulto pode ser analfabeto, marginalizado social e 
economicamente, porém esse analfabeto é, de certa forma, letrado, porque faz uso 
da escrita, envolve-se em práticas sociais de leitura e de escrita, pois se vive em um 
meio em que a leitura e a escrita têm presença forte, se interessa em ouvir a leitura 
de jornais feita por um alfabetizado, recebe cartas que outros leem para ele, dita 
cartas para que um alfabetizado as escreva, pede a alguém que lhe leia avisos ou 
indicações afixados em algum lugar. 
Esses sujeitos são motivados por material que é prático, aplicável ao seu trabalho ou 
situação de vida e centrado em problemas; trazem consigo o desejo de crescer e 
aprender. 
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Esse público geralmente resiste a situações de imposição de conteúdo, ordens, 
críticas, julgamentos, portanto, cabe ao professor ajudá-los a descobrir suas reais 
necessidades a partir da busca de casos, experiências e situaçõesde suas vidas que 
podem suscitar temas sobre os quais se pretende ensinar. 
Pensando dessa forma, a educação é uma ação de cidadania e construção de 
identidades como afirma Soares (2000, p. 45): 
Alfabetização e letramento são processos distintos, porém, são inseparáveis. 
 Alfabetização é a ação de ensinar a ler e escrever. Processo que não é por toda vida, 
mas sim aquisição de níveis diferentes e mais complexos de leitura e escrita. 
Letramento é a ação de ensinar e aprender as práticas sociais de leitura e escrita. 
Processo por toda vida, pois há diferentes tipos e níveis de letramento, dependendo 
das necessidades, das demandas do indivíduo e de seu meio, do contexto social e 
cultural. 
Assim, letrado é aquele que responde adequadamente às demandas sociais da leitura 
e da escrita. Essa nova visão de alfabetização é que define a especificidade da 
Educação de Jovens e Adultos e que direciona a prática pedagógica para a construção 
de metodologias de ensino próprias para o adulto. 
Esses sujeitos apresentam singularidades no processo ensino-aprendizagem, 
possuindo referenciais particulares, de acordo com Lopes & Souza (2005, p. 5): 
“Assim, percebe-se que na alfabetização de jovens e adultos deve-se utilizar 
inicialmente textos que façam parte do dia a dia deles para que assim eles possam 
construir sentidos.” 
Atualmente, aprender significa, antes de tudo, modificar posturas diante da vida, ou 
seja, um indivíduo realmente aprendeu quando houve uma mudança real e 
duradoura na forma de se posicionar em seu mundo. 
 
 
 
Cidadania: é o conjunto de direitos e deveres pelo qual o cidadão, o indivíduo, está 
sujeito no seu relacionamento com a sociedade em que vive. 
Sociedade contemporânea: é a sociedade que se vive hoje, isto é, é a sociedade atual. 
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Contexto social: o contexto social de uma pessoa é determinado pelas condições de 
vida e de trabalho, pelo nível de rendimentos e pelo nível de escolarização, bem como 
pelas comunidades em que se integra. 
Experiências socioculturais: são experiências vivenciadas tanto no contexto social 
como no contexto cultural. 
 
 
 
Como já foi dito anteriormente um marco histórico na educação de adultos 
brasileira se deu com as contribuições de Paulo Freire a partir da década de 1980. 
Para ele a educação deveria ter como fundamentos básicos o respeito ao outro e a 
aceitação das limitações do outro. Seu método baseia-se na descoberta da realidade; 
em palavras chaves (geradoras), ou seja, o que é comum ao contexto; tematização 
(significação contextualizada) e problematização (conscientização). 
Paulo Freire entendia que a “leitura do mundo” precede a escrita e a educação 
pertence ao povo, não aos governos. 
Suas contribuições para a educação apontaram o surgimento de novas relações 
humanas, baseadas em uma realidade material distinta, com a superação de antigas 
dicotomias, com a dicotomia entre o trabalho manual e o trabalho intelectual, 
prática e teoria, ensinar e aprender, conhecer o conhecimento existente e criar o 
novo conhecimento, um novo sistema educacional pode então surgir. 
Desta forma, a educação libertadora, torna-se o esforço sistemático a serviço dos 
ideais de equidade de uma nova sociedade. Se, na antiga sociedade, o seu sistema 
educacional estava comprometido com a preservação do “status quo”, agora a 
educação deve-se tornar fundamental ao processo de permanente libertação. Ao 
tratar a alfabetização de adultos, Paulo Freire jamais a reduziu a um conjunto de 
métodos e técnicas. Porém não os subestimou, “naturalmente indispensáveis, os 
métodos e as técnicas se fazem e refazem na práxis”. 
O aprendizado da leitura e da escrita, como um ato criador, envolve a compreensão 
crítica da realidade. A educação para ser válida, deve considerar a vocação 
ontológica do homem – vocação de ser sujeito – e as condições em que ele vive: em 
tal lugar, em tal momento e em tal contexto. Os temas geradores nas ideias de Paulo 
Freire fazem parte do método de alfabetização de adultos e são extraídos a partir do 
levantamento de assuntos de interesse da comunidade e das palavras de conteúdo 
mais significativo, chamadas de “palavras geradoras”. São os coordenadores do 
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processo de alfabetização que mediante o convívio com a comunidade, coletam 
essas informações, de modo informal, nas conversas do dia a dia. 
Em termos de processo de planejamento, são as seguintes etapas propostas por 
Freire (1980, p. 42- 44): 
• 1ª fase: Descoberta do universo vocabular – é feito o levantamento com os 
grupos a serem trabalhados em encontros informais, são retidas apenas as 
palavras mais carregadas de sentido existencial – como as expressões 
típicas do povo, ligadas às suas práticas sociais, especialmente, as do 
trabalho. É uma fase essencial pelo convívio e pelas trocas realizados, 
como pelo conteúdo vivencial que se pode abstrair nas conversas; 
• 2ª fase: seleção de palavras dentro do universo vocabular - é realizada 
mediante os seguintes critérios: riqueza silábica; dificuldades fonéticas 
(apresentar, gradativamente, as dificuldades fonéticas) e o conteúdo 
prático das palavras; 
• 3ª fase: criação de situações existenciais - trata-se de situações 
problemáticas, codificadas, que levam em si elementos para que sejam 
decodificados pelos grupos com a colaboração do coordenador do 
processo de alfabetização; 
• 4ª fase: elaboração de fichas indicadoras – auxiliam os coordenadores 
• do debate em seu trabalho; 5ª fase: elaboração de fichas com famílias 
fonéticas – são fichas com famílias fonéticas das palavras geradoras 
levantadas junto à comunidade. 
Uma vez elaborado o material, em forma de diapositivos ou cartazes, constituídas as 
equipes de supervisores e de coordenadores, devidamente treinados nos debates 
relativos às situações já elaboradas e de posse de suas fichas indicadoras, começa o 
trabalho efetivo de alfabetização. 
Gadotti (2007) apresenta sucintamente as etapas centrais do método de 
alfabetização de adultos: 
a) A investigação temática, pela qual aluno e professor buscam, no universo 
vocabular do aluno e da sociedade em que ele vive, as palavras e temas 
centrais de sua biografa; 
b) A tematização, pela qual professor e aluno codificam e decodificam esses 
c) temas; ambos buscam o seu significado social, tomando assim consciência 
do mundo vivido. Descobrem-se assim novos temas geradores, 
relacionados com os que foram inicialmente levantados. Nesta fase, são 
elaboradas as fichas para a decomposição das famílias fonéticas, dando 
subsídios para a leitura e a escrita; 
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d) A problematização, na qual eles buscam superar uma primeira visão 
mágica por uma visão crítica, partindo para a transformação do contexto 
vivido. 
Enfim, o processo trabalhado é de discussão da realidade concreta, vivida, e sua 
análise crítica, por meio das trocas realizadas entre professores e alunos. O 
conhecimento sistematizado, todas as áreas do saber, passa a ser trabalhado nestas 
discussões e por meio de inúmeras atividades. 
 
 
Pensamento crítico: é um julgamento propositado e reflexivo sobre o que acreditar 
ou o que fazer em resposta a uma observação, experiência, expressão verbal ou 
escrita, ou argumentos. 
Oprimido: aquele que é vítima de opressão. 
Função social: é espaço democrático dentro da sociedade contemporânea. 
Tematização: o domínio de assuntos preferencialmente tratados por determinado 
grupo.Vocação: tendência ou inclinação para um estado, uma profissão. 
 
 
O ensino para jovens e adultos no Brasil, mais especificamente a alfabetização 
destes, apresenta-se intensamente diversificado, tendo como início o trabalho feito 
pelos jesuítas que tentaram catequizar os índios e definindo como prioridade ao 
longo da história a erradicação do analfabetismo. 
O movimento mais característico na alfabetização de jovens e adultos, que 
historicamente situa-se no período do regime militar – a partir de 1964, foi o 
Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), tratando-se de uma iniciativa 
governamental de alfabetizar o maior número de pessoas no mais curto espaço de 
tempo. O MOBRAL representou um marco na educação de adultos, diferenciando-se 
das demais campanhas levadas anteriormente a 1973, por vários fatores 
reconhecidos por vários autores, a saber: 
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• Garantiu sua independência administrativa graças a organização – tratava-se 
de uma fundação. 
• O sistema de convênios permitiu maior descentralização e, portanto, melhor 
atendimento as peculiaridades regionais, assim como maior flexibilidade de 
soluções. 
• Os recursos financeiros eram de tal ordem que permitiam grandes 
investimentos. 
• O movimento não se restringiu ao processo de alfabetização. 
• Distribuiu gratuitamente aos seus alunos e professores farto e diversificado 
material. 
O fim do MOBRAL está relacionado ao fato de que ao se procurar exterminar o 
analfabetismo cogitou, como consequência, o desenvolvimento socioeconômico do 
país. 
O problema do analfabetismo tem inúmeras implicações, tem raízes no passado, e 
produto de uma série de situações. Havia necessidade de mudanças no contexto 
socioeconômico e principalmente na situação política da época. 
Com o advento da chamada “Nova República”, na perspectiva de “transição 
democrática”, o MOBRAL foi substituído por Programas de Alfabetização e Educação 
Integrada. É necessário observar que os estudos sobre a alfabetização de adultos 
perpassam pela compreensão do contexto educacional relacionado com fatores 
sociais que historicamente o determinam e sinalizam a produção do fracasso 
escolar. 
Pesquisas realizadas entre 1971-1981 e analisadas por Brandão (1983, p.55) 
conduzem à conclusão, dentre outras, de que “a contribuição da escola para o 
fracasso das crianças pobres já foi amplamente demonstrada” no momento em que 
se transferiu para a escola a superação de carências do bojo de necessidades da 
sociedade. 
Numa retrospectiva da história das políticas para EJA, além da CEAA, várias 
campanhas foram realizadas, porém não tiveram pleno sucesso. Entre essas 
campanhas, pode-se destacar: Campanha Nacional de Erradicação do Analfabetismo 
(1958, Governo Juscelino Kubitschek); Movimento de Educação de Base (1961, 
Confederação Nacional de Bispos do Brasil – CNBB); Movimento Brasileiro de 
Alfabetização (MOBRAL – Governos Militares); Fundação Nacional de Educação de 
Jovens e Adultos – Fundação Educar (1985, Governo José Sarney); Programa 
Nacional de Alfabetização e Cidadania – PNAC (1990, Governo Fernando Collor de 
Mello); Declaração Mundial de Educação para Todos (1993, assinada pelo Brasil em 
Jomtien, Tailândia); Plano Decenal de Educação para Todos (1993, Governo Itamar 
Franco); Programa Alfabetização Solidária (1997, Governo Fernando Henrique 
Cardoso). Programa Brasil Alfabetizado (2003, Governo Lula). 
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Na atualidade, segundo o portal do MEC, há o Programa Brasil Alfabetizado (PBA), 
cujo objetivo é promover a superação do analfabetismo entre jovens com 15 anos ou 
mais, adultos e idosos e contribuir para a universalização do ensino fundamental no 
Brasil. Sua concepção reconhece a educação como direito humano e a oferta pública 
da alfabetização como porta de entrada para a educação e a escolarização das pessoas 
ao longo de toda a vida. 
Pode-se ainda destacar o ProJovem, cujo objetivo é elevar a escolaridade de jovens 
com idade entre 18 e 29 anos, que saibam ler e escrever e não tenham concluído o 
ensino fundamental, visando à conclusão desta etapa por meio da modalidade de 
Educação de Jovens e Adultos integrada à qualificação profissional e o 
desenvolvimento de ações comunitárias com exercício da cidadania. 
Por fim, concorda-se com Souza (2010), que afirma que o desafio atual da sociedade 
brasileira não é propor mais metas para a educação ou mais projetos de EJA, mas 
avaliar os impactos qualitativos das experiências em cada canto do país. 
 
 
 
MOBRAL: Movimento Brasileiro de Alfabetização. 
ProJovem: Programa Nacional de Inclusão de Jovens. 
PROEJA: Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação 
Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos. 
PRONERA: Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária. 
PNAD: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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