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MÓDULO 17 FRENTE B 45Bernoulli Sistema de Ensino FÍSICA Ondas Estacionárias Quando um pulso ou uma onda se propaga através de uma corda, por exemplo, a energia é transmitida por meio dessa corda, dizemos, então, que a onda é progressiva, ou seja, a energia progride ao longo da corda. A figura a seguir mostra, em cinco instantes diferentes, uma onda que se desloca entre os pontos A e B de uma corda elástica. Observe que a onda e a energia transmitida por ela se deslocam de uma extremidade à outra da corda. Veja ainda que a primeira metade da onda, que possui uma crista, se desloca de A para B sempre na parte superior da figura. Ou seja, enquanto a onda se propaga de A para B, a parte da onda que caminha na frente será sempre uma crista (ou sempre um vale). A B A B A B A B A B Quando encontra a extremidade B, fixa, a onda é refletida com inversão de fase. Assim, a primeira metade da onda volta, após a reflexão, contendo um vale que vai se superpor à segunda metade da onda (que apresenta um vale), produzindo uma interferência construtiva. Após essa interferência, a segunda metade da onda sofre reflexão e volta contendo uma crista. A onda, assim, caminha para a esquerda, de forma ainda progressiva, com os mesmos valores de velocidade, frequência e comprimento de onda. Agora a parte da onda que caminha na frente é sempre um vale. Numa situação real, à medida que a onda se propaga, a sua amplitude vai diminuindo com o passar do tempo. Ou seja, a energia da onda vai, na maioria das vezes, reduzindo-se gradativamente. O mesmo acontece com um pêndulo que, posto em oscilação, tem a sua amplitude de oscilação reduzida gradativamente até parar por completo. Isso ocorre porque o sistema transfere energia para o meio que o cerca. Se um agente externo fornece energia ao pêndulo, de maneira e frequência convenientes, ele pode manter a sua oscilação por longos períodos, como acontece com um relógio de pêndulo. Você, provavelmente, já deve ter se divertido em um balanço de cordas. Se uma pessoa empurra o balanço, fornecendo-lhe energia com a mesma frequência de oscilação do sistema e em fase com ele, a amplitude de oscilação do balanço pode ser alterada significativamente. Caso a energia fornecida ao balanço seja igual à energia transferida por ele ao meio circundante, a amplitude de oscilação do balanço permanece sempre a mesma. Entretanto, se a energia que o agente externo fornece ao balanço é maior que a energia que o sistema transfere ao meio, a amplitude de oscilação do balanço aumenta gradativamente. Nesses casos, dizemos que o sistema entra em ressonância com o agente externo. Todo corpo material apresenta uma ou mais frequências naturais de vibração. Se um corpo recebe energia de um agente externo, numa das suas frequências naturais, ele começa a ressoar, e isso pode levar o sistema a oscilar eternamente ou a entrar em colapso. Muitos são os exemplos que ilustram essa situação. Um recipiente de vidro pode estourar se uma onda sonora, com frequência igual a uma das frequências naturais de vibração das moléculas do vidro, incidir sobre o recipiente. Um cálculo renal, por exemplo, pode ser desintegrado pela incidência de uma onda ultrassônica de frequência apropriada. ONDAS ESTACIONÁRIAS EM CORDAS Considere, agora, uma corda fixa nas extremidades e que um oscilador produza uma série de pulsos sucessivos, com amplitude desprezível, de determinada frequência em uma das extremidades. Os pulsos vão se propagar através da corda, e cada um deles será refletido nas extremidades fixas desta. Nessas extremidades, a corda não pode oscilar e tais pontos ficarão, portanto, em repouso. Dependendo do valor da frequência imposta pelo oscilador, pode acontecer um padrão de interferência na corda, de modo que determinados pontos desta fiquem em permanente repouso devido a uma constante interferência destrutiva, e outros pontos vibrem transversalmente, com amplitude máxima, em decorrência de uma constante interferência construtiva. Quando tal padrão é obtido, a onda formada é chamada de onda estacionária. Nesse caso, não mais percebemos a onda propagar-se, ou seja, a energia deixa de progredir na corda e fica aprisionada, oscilando apenas entre os pontos de constante interferência destrutiva – chamados nós (N) da onda estacionária. Frente B Módulo 17 46 Coleção 6V Os pontos da corda de maior amplitude de vibração são chamados de ventres (V) da onda estacionária. As diversas situações nas quais se produz uma onda estacionária na corda são conhecidas como harmônicos ou modos de vibração da corda (cada uma com sua respectiva frequência). Nessas situações, a corda entra em ressonância com o oscilador. Assim, os pontos da corda correspondentes aos ventres vibram com a maior amplitude possível (para aquela energia que o agente externo fornece). A menor frequência, portanto, o maior comprimento de onda, que permite a formação de uma onda estacionária é chamada de 1º harmônico da onda ou de frequência fundamental. A figura a seguir mostra o 1º harmônico obtido numa corda elástica, de comprimento L, presa nas extremidades e posta a oscilar com frequência f1. Quando um padrão semelhante ao mostrado na figura é obtido, percebemos a corda vibrar como um todo, nesse caso, para cima e para baixo, e não vemos a onda deslocar-se através da corda. Observe que a distância entre os dois nós é igual a meio comprimento de onda (λ/2). V L N N f1 L = (λ1/2) ⇒ λ1= 2L 1º harmônico ou harmônico fundamental Usando a equação das ondas, a frequência fundamental (f1) pode ser calculada por: f1 = v/λ1 ⇒ f1 = v/2L Em que v é o módulo da velocidade das ondas incidentes e refletidas nas extremidades da corda. Se a frequência do oscilador aumenta, a frequência imposta à corda também aumenta. Como já dito, existem diversos padrões de ondas estacionárias – chamados harmônicos – nos quais a corda vibra com frequências múltiplas da frequência fundamental. Em todas essas situações, a distância entre dois nós consecutivos (ou duas cristas adjacentes) é igual a meio comprimento de onda (λ/2). As figuras a seguir mostram o 2º e o 3º harmônicos. Observe que os pontos da corda onde estão os ventres oscilam, alternadamente, para baixo e para cima. V V V V 2º harmônico L = 2(λ2/2) ⇒ λ2 = L L = 3(λ3/2) ⇒ λ3= 2L/3 3º harmônico V N N N N N N Nf2 f3 L L As frequências dos harmônicos mostrados são: f2 = v/λ2 ⇒ f2 = v/L ⇒ f2 = 2(v/2L) ⇒ f2 = 2f1 f3 = v/λ3 ⇒ f3 = v/(2L/3) ⇒ f3 = 3(v/ 2L) ⇒ f3 = 3f1 Os valores das frequências dos possíveis modos de vibração da corda devem ser, sempre, múltiplos inteiros da frequência fundamental. Assim, a frequência de qualquer dos harmônicos pode ser determinada por: fN = N.f1 , em que N = 1, 2, 3, ... Na equação anterior, N representa o número do harmônico correspondente e, claro, a quantidade de ventres presentes na onda estacionária. PARA REFLETIR Em uma corda de violão, por exemplo, basta um toque para produzir uma onda estacionária na corda. Explique. ONDAS ESTACIONÁRIAS EM TUBOS SONOROS Tubo fechado Considere um tubo, de comprimento L, fechado em uma extremidade e aberto na outra, preenchido com ar ou outro gás qualquer. Um tubo com tais características é chamado de tubo fechado. As partículas de ar em seu interior vibram de maneira aleatória, devido à agitação térmica, conforme visto no estudo de gases. Imagine que um alto-falante, por exemplo, seja colocado em vibração, com frequência f, na extremidade aberta do tubo, como mostra a figura a seguir: f v A vibração do alto-falante produz compressões e rarefações do ar no interior do tubo, de forma que uma onda longitudinal se propaga para a direita com velocidade v, comprimento de onda λ e frequência f. Essa onda é refletida pela extremidade fechada do tubo e volta com os mesmos valores de frequência e comprimento de onda e com velocidade de mesmo módulo. Assim, haverá uma superposição das ondasincidente e refletida.