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FACULDADE DE TECNOLOGIA DO AMAPÁ-META CURSO DE BACHARELADO EM RADIOLOGIA LUCIANA DOS SANTOS FREITAS A IMPORTÂNCIA DOS EXAMES DE MEDICINA NUCLEAR PARA O PLANEJAMENTO EM ONCOLOGIA Macapá 2024 LUCIANA DOS SANTOS FREITAS INTRODUÇÃO A Medicina Nuclear é a especialidade médica que realiza procedimentos diagnósticos e terapêuticos utilizando baixas doses de radiação. Ela utiliza fontes radioativas incorporadas às moléculas utilizadas no funcionamento celular de determinados Tecidos do corpo. O aumento da expectativa de vida e o consequente envelhecimento da população tem como consequências diretas o surgimento de diversas patologias como o câncer. Neste contexto, o diagnóstico precoce, assim como a busca por novas estratégias de tratamento têm se tornado alvo de inúmeros estudos em todo o mundo. Atualmente, a grande maioria das decisões clínicas relacionadas ao diagnóstico e ao tratamento de diferentes patologias é direcionada por exames de imagem. A utilização de ferramentas diagnósticas como a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) é amplamente difundida há décadas. Embora essas técnicas sejam essenciais para o diagnóstico e tratamento de patologias como o câncer, elas são capazes de mapear a anatomia e a morfologia de tumores; no entanto, não transmitem informações sobre o seu metabolismo. Diferentemente destas tecnologias de imagem ( voltadas predominantemente para definições anatômicas da doença), a tomografia por emissão de pósitrons (PET) fornece imagens da função do metabolismo corporal. O exame de PET é capaz de demonstrar as alterações bioquímicas antes da detecção de uma anormalidade estrutural evidente, permitindo um diagnóstico precoce. A atividade metabólica pode ser captada através da utilização de fluordesoxiglicose (FDG) administrado por via intravenosa. O (FDG) é um análogo da glicose ligado ao Flúor l8 (18F .FDG), que pode ser detectado em regiões onde seu metabolismo está aumentado como, por exemplo, em lesões tumorais. Por identificar mudanças que ocorrem no metabolismo das células, as imagens mostrar pequenas lesões que ocorrem não são detectadas em outros exames de imagem. O equipamento de PET-CT é híbrido, sendo que a tomografia computadorizada e a PET registram simultaneamente as imagens Anatômicas e de atividade metabólica das células em um único exame . O exame de PET-CT possui várias vantagens se Comparado ao exame de PET somente; entre elas destaca-se a capacidade de localizar com precisão anatômica um aumento De atividade de F-FDG . O exame de PET-CT possui várias indicações, principalmente relacionadas à oncologia, entre os quais podemos citar: Diferenciação de lesões benignas de malignas, detecção de tumor primário, estadiamento de tumores malignos, avaliação de Resposta terapêutica, detecção de recorrência tumoral . Além disso, o PET-CT neurológico pode ser realizado para Localização de foco epileptogênico e diagnóstico diferencial de demências como Alzheimer e Parkinson. Outra indicação é o PETCT cardiológico, utilizado para avaliação da viabilidade miocardia, sarcoidose cardíaca e endocardite infecciosa. DESENVOLVIMENTO Atualmente, um dos grandes desafios dos sistemas de saúde, é buscar um equilibrio entre a utilização de métodos diagnósticos precisos nos cuidados ao paciente e os custos elevados associados à incorporação dessas tecnologias (), O PET CTé uma tecnologia relativamente nova no Brasil, se comparada a outras tecnologias como a TC e a RM, que ainda são amplamente utilizadas como ferramentas diagnósticas. Os exames de PET utilizando FDG já eram realizados desde a década de 80, no entanto, em meados dos anos 2000 um grande avanço tecnológico foi alcançado com a incorporação de tomografia Computadorizada ao aparelho de PET, formando equipamentos híbridos PET-CTI4) Em 2014, conforme a portaria n 1.340, de 1° de dezembro de 2014, o exame de PET-CT foi incorporado como tecnologia em saúde no SUS. No entanto, por ser considerado um exame de alto custo, somente é autorizado a sua realização em três tipos de patologias: linfomas, câncer de pulmão e câncer colorretal com metástase hepática. Tendo em vista o número ainda restrito de pacientes com acesso ao exame de PET-CT, é importante a mensuração e o gerenciamento dos indicadores acerca dos exames realizados e do perfil dos pacientes atendidos, com vistas a otimizar os eguipamentos disponíveis no Sus e ampliar o acesso aos usuários da rede de atenção à saúde (RAS). A Medicina Nuclear é uma modalidade médica que emprega radionuclídeos em procedimentos diagnósticos e terapêuticos e tem por finalidade avaliar o funcionamento e o metabolismo do órgão ou tecido e os radiofármacos utilizados necessitam mostrar afinidade com o órgão ou tecido que está sendo investigado. Desta forma, o radiofármaco é absorvido no órgão de interesse e essa absorção acontece diferentemente entre órgãos em condições normais e patológicas (OLIVEIRA, 2015). Por meio do uso de quantidades mínimas de substâncias radioativas, conhecidas como radiofármacos (R.F), é possível acessar o funcionamento dos órgãos e tecidos vivos, realizando imagens, diagnósticos e tratamentos. Os R.F são aplicados tanto para fins de diagnóstico quanto terapêuticos, permitindo que a medicina nuclear possa diagnosticar uma variedade de doenças, como embolia pulmonar, infecções agudas, infarto do miocárdio, câncer, obstruções renais, demências, entre outras. Além disso, a medicina nuclear pode ajudar a definir o tipo e a extensão do câncer presente no organismo, auxiliando o oncologista na escolha da melhor conduta terapêutica para cada caso específico, como a terapia alvo (GUIMARÃES, 2023). Existem diversos tipos de cintilografia para uma diversidade de suspeitas e patologias. Segundo a SBMN (Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear) existe a cintilografia óssea, a cintilografia de perfusão do miocárdio, cintilografia renal DMSA e DTPA, cintilografia de perfusão cerebral, cintilografia da tireoide, cintilografia pulmonar, cintilografia hepatobiliar e cintilografia de paratireoide. A iodoterapia é uma terapia e um tratamento para CA de tireoide, hipotireoidismo e hipertireoidismo. A terapia com Iodo-131 (I-131) é considerada de fácil administração, efeito rápido e de médio custo. Produz uma tireoidite intensa secundária à radiação, seguida por progressiva fibrose intersticial e atrofia glandular, resultando em destruição da capacidade de síntese da glândula tireoide (RAYMUNDO, 2010). Pode ser dito que as cintilografias são exames de imagem da medicina nuclear que utilizam radiação ionizante na formação da imagem, para que seja avaliado o funcionamento de órgãos e tecidos do corpo. Em relação a importância do exame para os pacientes oncológicos ele é de grande valia quando se fala de sítios de metástases, já que a cintilografia óssea é um exame padrão ouro no diagnóstico de metástases ósseas. Os exames na medicina nuclear são muitos, porém quando se fala de câncer (CA) os exames mais comuns a serem feitos são as cintilografias de tireoide e óssea. A cintilografia da tireoide é um exame que não precisa de um quite específico para ser feito, ele é feito somente com o tecnécio 99 (99mTc). CINTILOGRAFIA ÓSSEA SEGUNDO A SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA NUCLEAR. Informações gerais sobre o exame: exame de imagem diagnóstico usado para avaliar a distribuição da atividade de formação/remodelação óssea em todo o esqueleto. Indicações: 1. Cintilografia Óssea: pesquisa de metástases ósseas, avaliação da atividade osteoblástica antes de terapia para dor óssea com radionuclídeos; 2. Cintilografia Óssea Trifásica: osteomielite, pioartrite, artrites, diagnósticodiferencial de dor óssea localizada, tumores ósseos primários, fratura de estresse, osteonecrose, fratura oculta, distrofia simpática reflexa, infarto ósseo, viabilidade do enxerto ósseo, avaliação de próteses ósseas. Contraindicações: gravidez e amamentação Duração do exame: aproximadamente 3 horas Preparo: 1. Não é necessário preparo antes da chegada no serviço 2. No Serviço de Medicina Nuclear: a não ser que clinicamente contraindicado, o paciente deve ser orientado a realizar hidratação oral entre o momento da injeção do radiofármaco e a imagem tardia (3-4 copos água); urinar sempre que necessário; imediatamente antes da aquisição pedir para o paciente esvaziar a bexiga; encorajar o paciente a manter hidratação oral abundante durante as 24 horas após o exame. Osteomielites, celulites, edema, artrites, neoplasias, doenças metabólicas ósseas; sintomas atuais, achados do exame físico; resultados de estudos de imagens prévios como cintilografia óssea, radiografias convencionais, tomografia computadorizada e ressonância magnética; terapias que podem afetar os resultados como antibióticos, esteróides, quimioterapia, radioterapia, difosfonatos ou terapia com ferro; exames laboratoriais relevantes (ex: PSA em pacientes com câncer de próstata); anormalidades renais anatômicas ou funcionais. Radiofármaco: metilenodifosfonato de sódio-99mTc (MDP-99mTc); pirofosfato-99mTc Marcação e controle de qualidade: deve ser sempre realizado, de acordo com as normas do Fabricante, entretanto, deve-se respeitar os critérios de aceitação farmacopeicos (pH 4,0 – 7,8 e Pureza radioquímica > 90%). Dose adulto: 20-30 mCi Dose infantil: 250 – 300 μCi / kg (mínimo de 0,5-1,0 mCi) Aquisição: Colimador: alta resolução Energia: janela de 15% em 140 keV Se Cintilografia Óssea Trifásica, realizar fluxo sanguíneo, equilíbrio e tardias. Fluxo Sanguíneo Imagens dinâmicas iniciadas imediatamente após a administração do radiofármaco em bolus Projeção da área de interesse 1 imagem / 2 segundos durante 80 segundos Matriz 64x64 ou maior Equilíbrio Adquiridas 3-5 minutos após a administração do traçador Projeção idem ao fluxo (pode adicionar equilíbrio de outra região suspeita) 300.000-500.000 contagens (150-200 mil para extremidades são suficientes) Matriz 128x128 ou maior Varredura de corpo inteiro (scan) 2-4 horas após a administração do traçador Posicionamento: decúbito dorsal horizontal com os braços para baixo Projeções: anterior e posterior Velocidade calculada de acordo com o rate do tórax; cada projeção anterior e posterior deve ter pelo Menos1,5 milhões contagens Matrix 256x1024 Obs.: alternativa ao scan – imagens spot de corpo inteiro nas projeções anterior e posterior; primeiramente adquirir uma imagem do tórax com 500.000 a 1 milhão contagens; as demais imagens podem ser adquiridas pelo mesmo tempo da primeira; Imagens estáticas adicionais da área de interesse. Realizada na cintilografia óssea trifásica (mesma projeção do fluxo) e sempre que necessário 300.000-500.000 contagens. Matrix 128x128 ou maior Imagens tomográficas (SPECT) Opcional; projeção da área de interesse Aquisição usual: SPECT 360 graus, órbita circular 10 a 40 seg/step; 60 step Matrix 64x64 ou maior SPECT/CT (imagens SPECT associadas a uma tomografia computadorizada) Realizada em equipamentos híbridos Indicações: realizar uma localização anatômica precisa das alterações na cintilografia óssea; ajudar No diagnóstico diferencial de alterações indeterminadas na cintilografia óssea (ex.: diagnóstico Diferencial entre uma metástase óssea e um processo degenerativo); A tomografia computadorizada (CT) pode ser adquirida com baixa dose (mais usual) especialmente quando o objetivo é apenas a localização anatômica. Outras imagens opcionais: Imagens tardias de 24 horas – podem auxiliar na relação alvo/BG e na avaliação dos ossos da bacia pela redução da atividade da bexiga. Obs.: a cateterizarão da bexiga deve ser reservada apenas para quando a visualização dos ossos da Bacia for essencial; Imagens com colimador pin hole – recomendado para uma magnificação da área de interesse, com uso especialmente indicado na avaliação das articulações coxofemorais em crianças. Importância da cintilografia com marcadores ósseos na Amiloidose Cardíaca: Apesar da biópsia endomiocárdica ainda ser citada como padrão ouro para o diagnóstico de AC, a investigação recentemente tornou-se mais acessível, devido à incorporação de radiotraçadores ósseos. Diversos estudos demonstraram a capacidade da cintilografia com DPD-99mTc (2,3-DicarboxyPropano-1,1- Difosfonado marcado com tecnécio 99 metaestável) e pirofosfato-99mTc (Pirofosfato marcado com tecnécio 99 metaestável) em discriminar o subtipo de amiloide, diferenciando o tipo AL do TTR.1-10 Eles são os traçadores com melhor performance. De maneira geral, esses traçadores apresentam captação cardíaca mais intensa na ACTTR. O MDP-99mTc (hidroximetilenodifosfonato marcado com tecnécio 99 metaestável) é o Marcador ósseo mais utilizado na prática clínica, mas seu desempenho no diagnóstico de ACTTR parece ser abaixo do ideal em comparação com o DPD-99mTc e o pirofosfato-99mTc (SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA NUCLEAR). CINTILOGRAFIA DA TIREOIDE A função da glândula tireoide está sob o controle hipotalâmico/hipofisário-tireoide, no modelo clássico de feedback negativo. A glândula tireoide secreta dois hormônios importantes, a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3), que exercem profundo efeito sobre o metabolismo corporal. As funções desses dois hormônios são qualitativamente idênticas, porém diferem quanto à rapidez e a intensidade de ação, sendo a T3 cerca de quatro vezes mais ativa que a T4, porém está presente no sangue em menor quantidade (em uma proporção de 20 T4 para 1 T3) e persiste por um tempo muito menor (OLIVEIRA, 2015). Um dos principais métodos de imagens para a avaliação da glândula tireoide é a Cintilografia, que consiste na obtenção de imagens da glândula tireoide após a administração do radiofármaco, e tem por finalidade avaliar o formato e o funcionamento da glândula e correlacionar achados físicos com anormalidades na imagem. Os principais radiotraçadores empregados na cintilografia de tireoide são o tecnécio-99m (99mTc) e o iodo-131 (131I) (OLIVEIRA, 2015). A função da glândula tireoide está sob o controle hipotalâmico/hipofisário-tireoide, no modelo clássico de feedback negativo. A glândula tireoide secreta dois hormônios importantes, a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3), que exercem profundo efeito sobre o metabolismo corporal. As funções desses dois hormônios são qualitativamente idênticas, porém diferem quanto à rapidez e a intensidade de ação, sendo a T3 cerca de quatro vezes mais ativa que a T4, porém está presente no sangue em menor quantidade (em uma proporção de 20 T4 para 1 T3) e persiste por um tempo muito menor (OLIVEIRA, 2015). No hipotireoidismo, há falta de hormônios tireoidianos, ocorre aumento da secreção de TSH no sangue. Com o aumento do estímulo, a glândula tireoide começa a crescer na tentativa de conseguir produzir mais hormônios tireoidianos. Já no hipertireoidismo consiste em um estado hiper metabólico causado pelo aumento da função da glândula tireoide, e por consequência, o aumento dos níveis circulantes de T3 e T4 livres. As causas mais frequentes são hiperplasia difusa da tireoide associada à Doença de Graves, bócio multinodular hiperfuncionantes e adenoma hiperfuncionantes da tireoide (OLIVEIRA, 2015). O carcinoma diferenciado de tireoide pode ser dividido em dois tipos principais: o carcinoma papilífero e o carcinoma folicular. Quanto mais precoce for seu diagnóstico,maiores as chances de ser curável, O carcinoma papilar constitui a forma mais comum de câncer de tireoide, surgindo em qualquer idade. São lesões solitárias ou multifocais no interior da glândula tireoide, que se manifestam, na maioria das vezes, na forma de nódulos tireoidianos assintomáticos. O carcinoma medular é um tumor maligno incomum que se origina nas células C parafoliculares da glândula tireoide, representando de 3 a 10% de todos os tumores tireoidianos, sendo responsável por um amplo número de mortes em pacientes com câncer de tireoide (OLIVEIRA, 2015). O carcinoma folicular é segunda forma mais comum de câncer de tireoide, pode ocorrer em mulheres com idade mais avançada comparado aos carcinomas papilares, aumentando seu caso em áreas de carência de iodo. São nódulos solitários, podendo ser bem circunscritos ou infiltrativos apresentando-se indolores e de desenvolvimento lento. Os carcinomas anaplásicos são tumores indiferenciados do epitélio folicular tireoidiano e surgem a partir de tumores mais diferenciados em decorrência de uma ou mais alterações genéticas. Manifestam-se na forma de massa volumosa no pescoço, de rápido crescimento. Além disso, são agressivos e possuem um prognóstico ruim (OLIVEIRA, 2015). Nos procedimentos diagnósticos a distribuição do radiofármaco no corpo do paciente é notada a partir de aquisições tomográficas (SPECT e PET) ou planas, que são obtidas através de uma câmara cintilográfica. A avaliação da função dos órgãos ou tecidos se obtém pela Maior ou menor captação do composto pelo órgão investigado, ao contrário de outros métodos de imagem que priorizam a avaliação anatômica dos órgãos. Com a avaliação funcional dos órgãos ou tecido é possível muitas vezes obter-se diagnósticos e informações precoce de diversas patologias (SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA NUCLEAR). As principais indicações da cintilografia de tireoide são: determinação do estado funcional de nódulos, diagnóstico do hipertireoidismo (Graves e Plummer), detecção de metástases de carcinoma diferenciado de tireoide e avaliação de tireoide ectópica (sublingual ou localizada no mediastino) (OLIVEIRA, 2015). Para estudos cintilográficos da tireoide com pertecnetato livre (99mTcO4-) é necessário o preparo do paciente, suspendendo qualquer tipo de medicação que possa interferir na captação do 99mTcO4 – e do 131I pela glândula tireoide: o paciente deve suspender por 21 dias antes do exame hormônios tireoidianos sintéticos (os mais comumente usados são os de nome comercial Synthroid®, Eutirox® e Puran®) ou inibidores da síntese desses hormônios, no caso do hipertireoidismo (o mais comumente usados é o de nome comercial Tapazol®). Além da suspensão de medicamentos, o paciente deve adotar uma dieta com restrição de iodo, por 21 dias antes do exame, e não realizar exames com contraste iodado por três meses antes do procedimento cintilográfico (OLIVEIRA, 2015). O protocolo do exame envolve o posicionamento do paciente em decúbito dorsal e a aquisição das imagens anterior e oblíquas anteriores a 45º, com 250.000 contagens cada. O colimador ideal para a aquisição das imagens de tireoide é o pinhole, e deve ser usada uma janela de energia de 15 %, centrada no fotopico de 140 keV. As características físicas do 99mTcO4- são ideais para a detecção da gama-câmara (OLIVEIRA, 2015). A ausência de emissão de partículas e a meia-vida física relativamente curta fazem com que a dose de radiação no paciente por unidade de dose administrada seja a menor entre todos os radiotraçadores para tireoide. Isto permite que a dose de 99mTcO4- administrada para o exame seja significativamente maior que a de 131I, consequentemente, a taxa de contagem quando o 99mTcO4 – é usado é maior (mais rápida) que a do 131I. Assim, para o mesmo número de contagens, uma imagem adquirida com 131I leva substancialmente mais tempo do que uma imagem adquirida com 99mTcO4 (OLIVEIRA, 2015). IODOTERAPIA Os hormônios da tireoide são então absorvidos pelo sangue e transportados às outras partes do organismo para realizar sua função. Para que seja formada a quantidade normal de T3 e T4, são necessárias a ingestão de cerca de 50 mg de iodo a cada ano, aproximadamente 1 mg por semana, na forma de iodeto. Quando ingerido via oral, o iodo é absorvido pelo trato gastrointestinal. Normalmente, a maior parte do iodeto é ligeiramente excretada pelos rins, mas cerca de um quinto é seletivamente removido do sangue circulante pelas células da tireoide. Uma vez dentro da glândula, o iodo é incorporado aos hormônios tireoidianos (OLIVEIRA, 2015). A iodoterapia consiste na administração, por via oral, do iodo-131, que é um elemento radioativo. Seu preparo inclui uma dieta pobre em iodo por aproximadamente duas semanas antes da realização desse procedimento e o aumento de um hormônio chamado TSH. Existem duas maneiras de aumentar o TSH. Uma, mais antiga, que consiste em suspender a reposição do hormônio da tireoide por 30 dias. E a outra, mais moderna, envolve duas injeções com o hormônio TSH que são aplicadas antes da iodoterapia (HOSPITAL SANTA PAULA). Determinados radionuclídeos emitem radiação beta, com um poder maior de ionização nos tecidos em relação à radiação gama. Estes radionuclídeos podem ser utilizados com finalidade terapêutica como, por exemplo, o iodo-131 que permite a diminuição seletiva do parênquima glandular nos casos de hipertireoidismo ou também no tratamento de metástases do carcinoma diferenciado de tireoide (SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA NUCLEAR). Para a realização da cintilografia com 131I, o paciente deve suspender os hormônios tireoidianos e medicamentos por um período de 21 dias para assegurar um TSH endógeno máximo, garantindo assim, boa sensibilidade do exame. O procedimento de captação é realizado da mesma forma que a captação para a cintilografia com 99mTcO4 -, no entanto, serve apenas para quantificar a função da glândula, pois a dose de 131I a ser administrada no paciente para a realização do exame geralmente é fixa, de 1 mCi. Esta dose é administrada por via oral, chegando aos folículos em 20 a 30 minutos. A imagem é adquirida inicialmente 24 horas após a administração da dose. Se a primeira imagem for negativa ou duvidosa, em pacientes com fortes suspeitas de carcinoma, imagens tardias de 48 e 72 horas podem ser requeridas (OLIVEIRA, 2015). Considerou-se sucesso terapêutico a obtenção de eutireoidismo ou hipotireoidismo, por se julgar que o controle clínico do hipotireoidismo pós iodoterapia seja mais simples que o do hipertireoidismo. Entre as correlações analisadas, não foi possível afirmar que existe associação entre o tipo de resposta ao tratamento e o sexo do paciente, ou seja, independente do sexo do paciente a resposta ao tratamento é a mesma. Nos pacientes que alcançaram eutireoidismo, as doses de Iodo-131 variaram de 9,45 a 20 mCi, com uma média de 13,45. Já nos pacientes que permaneceram em hipertireoidismo, as doses variaram de 6,58 a 8,9 mCi, com uma média de 8,25. Os pacientes que obtiveram hipotireoidismo foram submetidos a doses entre 6 e 20 mCi, resultando em uma média de 12,8. Um bom conhecimento da história clínica, dos dados patológicos e do estadiamento dos pacientes com câncer diferenciado de tireoide melhor definem os riscos e as doses de radioiodo a serem administradas no tratamento complementar dessa patologia. Esta doença já é bem estudada há tempo e a conduta de radioiodoterapia complementar bem aceita, no entanto, um dos pontos chaves do sucesso terapêutico final é a primeira abordagem terapêutica com 131I, a fim que ela seja definitiva e com menores efeitos adversos (JUNIOR, 2012). CONCLUSÃO Conclui-se que para a realização da cintilografia de tireoide, iodoterapia e cintilografia ósseaé indispensável que o Tecnólogo em Radiologia conheça detalhadamente o protocolo do exame para sua execução correta, incluindo a determinação correta da dose que será administrada, o preparo do paciente e a aquisição das imagens. Dessa forma, a obtenção da melhor qualidade de imagem com a menor dose de radiação para o paciente depende diretamente da capacitação desse profissional. Apesar de o 131I ser considerado o traçador ideal do metabolismo tireoidiano e de apresentar algumas indicações específicas, como para determinados tipos de carcinoma de tireoide e para tireoide ectópica, fornece uma imagem de baixa qualidade e expõe o paciente a uma dose maior de radiação, entretanto se visar a destruição de células cancerígenas é um ótimo recurso terapêutico. Já o 99mTc permite com que a dose administrada para o exame seja maior e, consequentemente, produz uma imagem de melhor qualidade, permitindo melhor avaliação da glândula. Além disso, a duração do exame com 99mTc é mais curta e, portanto, mais confortável para o paciente, com redução das repetições por movimentação. O conhecimento das indicações das cintilografias com 99mTc e com 131I, juntamente com a análise das hipóteses diagnósticas e histórico do paciente, são fundamentais para a escolha do radiotraçador ideal, visando sempre o melhor diagnóstico e/ou tratamento para o paciente. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMORIM, Bárbara Juarez et al. 2016. GUIDELINE PARA CINTILOGRAFIA ÓSSEA E CINTILOGRAFIA ÓSSEA TRIFÁSICA. Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear. Disponível em: https://sbmn.org.br/. Acesso em: 13 set. 2024. BANDÃO, Simone Cristina Soares. GUIDELINE DE CINTILOGRAFIA COM MARCADORES ÓSSEOS PARA PESQUISA DE AMILOIDOSE CARDÍACA POR TRANSTIRRETINA. Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear. Disponível em: https://sbmn.org.br/. Acesso em: 15 set. 2024. JUNIOR, Luciano Monteiro Prado et al. 2012. ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DE PORTADORES DE CÂNCER DIFERENCIADO DE TIREÓIDE TRATADOS COM IODOTERAPIA. Disponível em: https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rmsbr/article/view/3685. Acesso em: 11 set. 2024. RAYMUNDO, Anelise Rocha et al. AVALIAÇÃO DA RESPOSTA À IODOTERAPIA NO TRATAMENTO DO HIPERTIREOIDISMO DA DOENÇA DE GRAVES.Disponível em: https://www.revistaendocrino.com.br/_files/ugd/413992_b0923f5b12a647ff90729626d20693 c8.pdf#page=18. Acesso em: 18 set. 2024. SANTA ANA, Hospital. IODOTERAPIA: COMO FUNCIONA? 2024. Disponível em: Iodoterapia: entenda para que serve e como funciona (santapaula.com.br). Acesso em: 21 set. 2024. OLIVEIRA, Bianca Cristina. 2015. CINTILOGRAFIA DE TIREOIDE COM 99mTc E COM 131I: UMA ANÁLISE COMPARATIVA. Disponível em: https://ric.cps.sp.gov.br/handle/123456789/18616. Acesso em: 17 set. 2024. https://sbmn.org.br/ https://sbmn.org.br/ https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rmsbr/article/view/3685 https://www.revistaendocrino.com.br/_files/ugd/413992_b0923f5b12a647ff90729626d20693c8.pdf#page=18 https://www.revistaendocrino.com.br/_files/ugd/413992_b0923f5b12a647ff90729626d20693c8.pdf#page=18 https://ric.cps.sp.gov.br/handle/123456789/18616