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Imputação ao pagamento (art. 352 a 355) 
 
 
A imputação ao pagamento, prevista nos artigos 352 a 355 do Código Civil, 
regula como o devedor deve direcionar o pagamento quando tem várias dívidas 
com o mesmo credor. 
 O devedor pode escolher qual dívida pagar (art. 352). Se ele não fizer essa 
escolha, o credor pode imputar o pagamento, desde que não seja para uma dívida 
não vencida ou em litígio (art. 353). Caso nenhum indique, o pagamento será 
aplicado à dívida mais onerosa (art. 354). Se as dívidas forem iguais em 
onerosidade, o pagamento vai para a dívida vencida mais antiga ou será dividido 
proporcionalmente (art. 355). 
 
Art. 352 – Direito de escolha do devedor: A regra inicial concede ao devedor o 
poder de definir a qual dívida o pagamento se destina, conferindo-lhe o controle 
sobre a extinção de suas obrigações. Esse dispositivo favorece o devedor, 
permitindo-lhe escolher pagar a dívida mais conveniente em determinado 
momento, seja por questões financeiras ou estratégicas. 
 
A doutrina entende que o artigo 352 consagra a autonomia do devedor, 
permitindo-lhe escolher qual dívida será paga. Segundo Maria Helena Diniz, por 
exemplo, esse direito tem como fundamento o princípio da liberdade contratual, 
que permite ao devedor, no momento do pagamento, decidir conforme seus 
interesses financeiros. A doutrina também destaca que essa liberdade é 
importante para que o devedor possa optar por quitar dívidas com juros mais 
altos ou vencimentos mais próximos, o que pode reduzir seus encargos futuros 
 
Os tribunais brasileiros, em diversos casos, reconhecem o direito do devedor de 
imputar o pagamento à dívida que ele considerar mais conveniente. A 
jurisprudência enfatiza que a autonomia do devedor deve ser respeitada, desde que 
o pagamento seja feito de forma clara e a escolha seja devidamente informada ao 
Curso: Direito Turno: Noturno Semestre: 3° 
 
Alunos: Rayssa Geovanna, Luiza Eduarda e Hivy Salomão 
 
credor. 
 
Art. 353 – Consentimento do credor: Caso o devedor não exerça seu direito de 
escolha, o credor pode imputar o pagamento a qualquer dívida. A exceção é que o 
credor não pode aplicar o pagamento a uma dívida não vencida ou em litígio, sem 
o consentimento do devedor. Esse artigo equilibra a relação, impedindo que o 
credor prejudique o devedor ao direcionar o pagamento a uma dívida não vencida 
ou discutida judicialmente. 
 
No caso de o devedor não fazer a imputação, a doutrina reconhece que o credor 
tem certa flexibilidade para direcionar o pagamento. No entanto, a obra de Carlos 
Roberto Gonçalves aponta que essa liberdade do credor é limitada, pois ele não 
pode imputar o pagamento a uma dívida ainda não vencida ou que estejam em 
litígio, sem o consentimento do devedor. Esse ponto reflete o equilíbrio entre os 
interesses das partes, evitando que o credor aja de forma abusiva. 
 
Os tribunais também têm decidido que, na ausência de uma indicação expressa 
por parte do devedor, o credor tem a possibilidade de escolher para qual dívida o 
pagamento será imputado. No entanto, os tribunais têm sido claros em estabelecer 
que essa imputação não pode ser feita de maneira arbitrária. 
 
Art. 354 – Dívida mais onerosa: Na ausência de manifestação de ambas as partes, 
o pagamento deve ser direcionado à dívida mais onerosa. Este critério é 
importante porque busca proteger o devedor de manter pendente uma obrigação 
que possa aumentar seu passivo, seja pelos juros ou por penalidades. A lógica é 
extinguir a dívida que traria mais prejuízos financeiros ao devedor. 
 
A doutrina, conforme ensina Silvio de Salvo Venosa, considera esse critério 
como uma forma de proteção ao devedor. A lógica é que, na ausência de 
manifestação das partes, o pagamento deve ser imputado à dívida que apresenta 
maior carga financeira, seja em termos de juros, multas ou penalidades. Isso 
evita que o devedor continue a ser onerado por uma dívida mais custosa 
enquanto paga outras menos onerosas. 
 
 
 
Art. 355 – Dívida vencida ou divisão proporcional: Se não houver distinção de 
onerosidade, o pagamento será imputado à dívida vencida primeiro. Esse critério 
temporal é simples e prático, privilegiando a ordem cronológica das obrigações. Em casos 
onde as dívidas venceram simultaneamente, o pagamento é distribuído 
proporcionalmente, o que garante a equidade entre as obrigações. 
 
Quando as dívidas são igualmente onerosas e o pagamento não é direcionado, o 
artigo 355 determina que o pagamento vá para a dívida vencida primeiro. Na 
visão de Caio Mário da Silva Pereira, essa regra prioriza a ordem temporal, o que 
simplifica a solução dos conflitos. A doutrina vê essa previsão como uma 
maneira de garantir previsibilidade e segurança nas relações contratuais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O critério de que o pagamento será imputado à dívida vencida primeiro, ou 
proporcionalmente, quando as dívidas tiverem vencido ao mesmo tempo, é frequentemente 
aplicado pelos tribunais. A jurisprudência segue a linha de que essa regra traz clareza e 
evita discussões entre as partes sobre a destinação do pagamento. 
Bibliografia: 
 
Site: 
JusBrasil - Erick Sugimoto 
 
SeDEP - Autor José Carlos Fortes, Imputação do pagamento – SEDEP 
 
Livros: 
PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de direito civil - v. 2: teoria geral das obrigações. 30. 
ed. Rio de Janeiro: Forense, 2018. 429 p. 
 
DIREITO CIVIL • VOL. 2 • Venosa - Silvio de Salvo Venosa 
 
Código Civil: 
 
Código Civil Comentado – Maria Helena Diniz, Doutrina 
 
Código Civil – planalto.gov.br 
 
https://ericksugimoto65.jusbrasil.com.br/
https://www.sedep.com.br/artigos/imputacao-do-pagamento/#:~:text=Para%20Maria%20Helena%20Diniz%20%282004%3A273%29%2C%20a%20imputa%C3%A7%C3%A3o%20do,por%20ser%20este%20insuficiente%20para%20solver%20a%20todos.

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