Prévia do material em texto
REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. Recinto Momotus momota Reflexão sobre as especificidades e características da ave Momotus momota, juntamente com uma análise da legislação, a fim de criar um recinto adequado para a espécie em um zoológico. Reflection on the specifications and characteristics of the bird Momotus momota, along with an analysis of the legislation, in order to create an appropriate enclosure to the species in a zoo. Originals received: 2024 Ingrid Isabelly Araújo Rodrigues Estudante de Medicina Veterinária Instituição: Universidade São Judas Tadeu (USTJ) – Campus Vila Leopoldina Endereço: São Paulo, Brasil RA: 82315804 Julia Pereira Silva Estudante de Medicina Veterinária Instituição: Universidade São Judas Tadeu (USTJ) – Campus Vila Leopoldina Endereço: São Paulo, Brasil RA: 823110088 Laura Mendes Ihara Estudante de Medicina Veterinária Instituição: Universidade São Judas Tadeu (USTJ) – Campus Vila Leopoldina Endereço: São Paulo, Brasil RA: 823121227 1 REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. RESUMO O Brasil é um país que possui uma abrangente fauna e flora e, por ser um local rico em diversas espécies distintas, é comum o desconhecimento da população em relação à natureza do próprio lugar em que vivem. Por isso, há a necessidade de informar, de forma clara e objetiva, o conhecimento acerca de um dos animais que aqui residem, o udu-de-coroa-azul-do-nordeste, do reino Animalia, filo Chordata, classe Aves, ordem Coraciiformes, família Momotidae, gênero Momotus, espécie Momotus momota e subespécie Momotus momota marcgravianus. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo traçar as características da ave, com a finalidade de criar um recinto zoológico ideal para a espécie viver em harmonia, de acordo com as suas peculiaridades. Palavras-chave: Recinto. Aves. Zoológico. Momotus momota. Animais Silvestres. Brasil. ABSTRACT Brazil is a country with a substantial fauna and flora and, as it is a place rich in many distinct species, it is common for the population to be unaware regarding the nature of the location they live in. Because of that, there’s the need to inform, clearly and objectively, the knowledge about one of the animals that reside in here, udu-de-coroa-azul-do-nordeste (in Portuguese) or Amazonian motmot (in English), belonging in the kingdom Animalia, phylum Chordata, class Aves, order Coraciiformes, family Momotidae, genus Momotus, species Momotus momota and subspecies Momotus momota marcgravianus. In this context, the present work’s objective is to trace the bird's characteristics, with the purpose of creating an ideal zoo enclosure for the species to live in harmony, according to their peculiarities. Keywords: Enclosure. Birds. Zoo. Momotus momota. Wild Animals. Brazil. 2 REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. INTRODUÇÃO O Momotus momota marcgravianus (ou udu-de-coroa-azul-do-nordeste) é uma ave que vive do norte da América do Sul ao norte da Argentina, sendo principalmente encontrada em território brasileiro. Este animal pode medir entre 41 a 46 centímetros de comprimento e pesar cerca de 145 gramas. A cor de seu corpo é azul e verde, tendo a parte da cabeça com detalhes pretos. Além disso, o Momotus possui um canto semelhante ao de uma coruja, sendo mais frequente no início ou final do dia. Em relação à sua alimentação, são seres insetívoros, ou seja, se alimentam de insetos. No entanto, em um estudo feito pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, foi detectado, além de artrópodes, alguns frutos em seu organismo. No que diz respeito ao período reprodutivo, é iniciado a partir do mês de julho a novembro. Porém, para essas aves, a formação de ninhos é de extrema relevância, sendo construídos, normalmente, em buracos de barrancos em rios, com mais de 1 metro e estreito, onde a fêmea deposita de três a quatro ovos brancos. No entanto, em locais sem buracos, os pássaros aproveitam a entrada de buracos de tatu para iniciar a escavação do túnel, abaixo do nível do solo. Já em relação ao seu status de conservação, O Momotus momota marcgraviana está presente na Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção publicada pelo Ministério do Meio Ambiente em de 08 de junho de 2022, por meio da PORTARIA MMA Nº 148 e é reconhecido como em perigo, indicando que apesar de ainda não estar extinto, existe um risco grande e real de ameaça a sobrevivência da espécie. Dessa forma, foi necessário a criação de normas de conservação ex-situ, para prevenir a extinção de mais animais. Nesse contexto, no Brasil, as normas de conservação ex-situ para espécies como o Momotus momota são regidas principalmente pela legislação ambiental, como a Lei de Proteção à Fauna (Lei nº 5.197/1967) e a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998). Essas leis estabelecem diretrizes para a conservação e proteção da fauna brasileira, incluindo a regulamentação da criação e manejo de espécies em cativeiro. Além disso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) é a agência responsável pela regulamentação e fiscalização das atividades relacionadas à fauna silvestre no Brasil. O IBAMA emite licenças e 3 REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. autorizações para a criação e manejo de animais em cativeiro, e as normas específicas para o cuidado do Momotus momota e outras espécies estão incluídas nas regulamentações e normativas do IBAMA. Entre os cuidados de aves e os cuidados específicos do Momotus Momota estão: recinto com 2 aves/8m2, recinto com água renovável, comedouro removível e laváveis, poleiros, ninhos ou substratos para a confecção de ninhos, altura de no mínimo 2m coberto com alambrado, presença de solário, abrigo, área de fuga, área com incidência solar direta, proteção contra intempéries. Além de vegetação arbórea e arbustiva, piso de terra, sombreamento, comedouro no alto e espelho d’água. Por conseguinte, tais animais também apresentam propensão a adquirir diversas doenças, como inflamações nos sacos aéreos. Além disso, algumas das doenças mais comuns entre as aves são a coriza, bronquite, asma e aerossaculite. Isso ocorre pelo fato desses animais serem sensíveis a alterações como correntes de ar, janelas abertas e mudanças climáticas bruscas, o que pode acabar afetando o sistema respiratório. Outros problemas ocasionados, geralmente em gaiolas, são intoxicações por metal. Essas enfermidades ocorrem quando há ingestão de metais pesados como chumbo, zinco e cobre, no qual os sintomas costumam variar e gerar vômitos e convulsões. Ademais, a falta de informação quanto a criação de aves também podem gerar problemas, como obesidade, gordura no fígado e outras doenças relacionadas a alimentação inadequada, devido às crenças equivocadas de que penosas se beneficiam de mix de sementes, que na verdade é gorduroso e não possui a quantidade de nutrientes necessária. Higiene e cuidado no oferecimento dos alimentos e água são essenciais para a saúde das aves, tendo a salmonelose como uma das principais doenças causadas por esse descuido (causada pela coccidiose e giardia) contraída através de alimentos contaminados que não foram higienizados corretamente. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Esta pesquisa foi feita por estudantes de veterinária para a realização do trabalho final da matéria de Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres no ano de 2024. 4 REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. Para a regulamentação da criação do recinto, objetivo principal do trabalho, os temas foram sorteadosentre os grupos da sala e, após obtido as informações referente a espécie designada as estudantes, o Momotus Momota, foi realizada uma pesquisa de campo para avaliar as condições dos recintos na prática no zoológico de São Paulo, no dia 03 de maio de 2024, na visita foram observadas as condições das aves, as especificações do recinto como espaçamento, facilidade do visitante em ver o animal, vegetação presente, disponibilidade de água e comida, número de animais em cada recinto, entre outros aspectos importantes, como o local de abrigo em caso de tempestades e rota de fuga para os espectadores. Além disso, foram feitas diversas pesquisas em sites de referência para examinar melhor as características da ave, a fim de criar um ambiente propício para a vida do animal, fontes como Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio foram amplamente utilizadas para proporcionar uma visão mais rica em detalhes sobre o Momotus Momota para abranger o conhecimentos dos estudantes. Com a ajuda do software Autocad, especializado em auxiliar na montagem de desenhos 2D e 3D, foi desenvolvido e modelado uma planta baixa do recinto para o Momotus Momota, com detalhes aprimorados e pensados justamente no bem-estar da espécie. RESULTADOS E DISCUSSÃO O desenvolvimento para a criação do recinto tem como base vários aspectos distintos que discutimos, em tese é iniciado pelo estudo da ave, onde é de extrema importância a análise do local de originalidade da espécie, como solo e vegetação nativas. A partir deste momento é realizada a seleção das árvores, medidas como altura e espessura da vegetação são levadas em consideração para inclusão no recinto, as árvores são inseridas no local com o objetivo de fazer com que a ave não fique estressada com o novo local, o que pode levar a morte, e esteja em contato com a natureza, para que, assim, elas consigam exercer seu comportamento habitual. Além disso, as árvores servem como local de abrigo em mudanças climáticas leves. No local onde originalmente o pássaro faz o ninho, foi implantado um lago artificial com fonte 5 REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. renovável que possui 8m de comprimento e 3m de largura, acompanhando o tamanho do recinto, possuindo barrancos na lateral, para possibilitar o animal de criar seus ninhos, quando necessário. O desenvolvimento da estrutura possui 40m² totais, sendo 8m de largura, 5m de comprimento e 12m de altura, para comportar as árvores e arbustos de em média 4m, para possibilitar uma visão amplificada dos visitantes foi instalado uma ponte dentro do recinto, revestida com uma grade para melhor visão, sem permitir que alimentos e lixo caiam dentro do recinto e não permitindo o contato direto dos visitantes com os animais. Com isso, a ponte é localizada a 2.5m de altura do chão, possuindo uma extensão de 8m que acompanha o comprimento do recinto, com 2.5 m de altura e 1.5 m de largura, uma visão em 360° do recinto Os 40m² do recinto comporta 8 aves no total, sendo 4 machos e 4 fêmeas, a alimentação das aves será feita através de comedouros removíveis e laváveis, localizados próximos à grade na ponte, permitindo que os animais fiquem mais próximos aos visitantes, sem dar abertura ao toque, mas oferecendo uma experiência que proporciona uma visão única do animal. Ademais, juntamente com os comedouros foram adicionados poleiros nas grades da ponte e nas árvores. Além de tudo, para abrigo das aves em caso de mudanças climáticas bruscas, como chuvas fortes e sol escaldante, o recinto possui uma parte de telhado, funcionando como um refúgio para que as aves entrem e fiquem durante o tempo necessário, dentro do abrigo há comedouros e bebedouros à disposição do animal. Referente à rota de fuga dos visitantes, analisando a situação, a melhor escolha é a ponte, incluindo duas saídas e duas entradas interligadas, com fácil acesso em caso de acidente. Além disso, foi desenvolvida uma sala de reprodução, com acesso restrito impossibilitando a visita das pessoas. A sala foi pensada para impedir que haja reprodução em grande escala, contendo 2,5m de altura, 5m de comprimento e largura, com a finalidade de ser utilizada no período reprodutivo, que varia de julho a novembro, abrigando o casal que irá realizar o acasalamento e os filhotes que nasceram ou ainda estão na chocadeira. Ao lado, em outra ala, há outra entrada com a medida de 2.5m de 6 REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. altura e 5m de comprimento e largura, contendo um ambulatório responsável em cuidar das aves debilitadas e, após o tratamento, caso haja melhora, poderão voltar ao recinto. 7 REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. 8 REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. CONCLUSÃO Com o propósito de aprofundar e estender o aprendizado a respeito de uma das espécies que habitam o país, esta pesquisa busca também informar as características que precisam ser levadas em consideração na criação de um recinto, possibilitando que o animal viva confortavelmente na medida do possível e que o lugar oferece os recursos que a ave necessita para a sobrevivência. Desse modo, este estudo foi importante para determinar as especificações previstas na legislação sobre recintos, que prevê as formas corretas de manejo da espécie em cativeiro, além dos procedimentos que devem ser realizados. O conhecimento da espécie que será inserida no recinto é imprescindível, pois, é a partir disso, que será viável a continuação do planejamento. O referido artigo se faz necessário no contexto atual para divulgar as práticas pertinentes para recinto zoológico, que além de ser exposto para visitação pública conhecer o Momotus Momota, também é importante na preservação da espécie, que já encontra-se em perigo. Dessa forma, a disponibilização de dados referentes a ave e a montagem do recinto, é uma maneira de aprimorar o vínculo entre homem e natureza, a fim da criação de melhores locais de cuidados aos animais. REFERÊNCIAS DE MELO , Fernanda Pereira ; PIRATELLI , Augusto João . Biologia e ecologia do udu-de-coroa-azul (Momotus momota: Aves, Momotidae). Fauna Paraguay, 1999. Disponível em: http://www.faunaparaguay.com/Mel7.pdf. Acesso em: 17 maio 2024. ICMBio, 2024. Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade – SALVE. Disponível em: https://salve.icmbio.gov.br/. Acesso em: 17 maio 2024. 9 REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. https://salve.icmbio.gov.br/ REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. COSTA, Alan . Udu-de-coroa-azul: características, reprodução, alimentação, canto e hábitos. Pássaro.Org, 2022. Disponível em: https://www.passaro.org/udu-de-coroa-azul/amp/. Acesso em: 18 maio 2024. PRONI , Murilo . Udu-de-coroa-azul. Wiki aves, 2021. Disponível em: http://www.wikiaves.com.br/wiki/udu-de-coroa-azul#:~:text=O%20período%20reprodut ivo%20é%20de,três%20ou%20quatro%20ovos%20brancos.. Acesso em: 18 maio 2024. INSTRUÇÃO NORMATIVA IBAMA Nº 07, DE 30 DE ABRIL DE 2015. ICMBIO, .Disponível em: https://www.icmbio.gov.br/cepsul/images/stories/legislacao/Instrucao_normativa/2015/in _ibama_07_2015_institui_categorias_uso_manejo_fauna_silvestre_cativeiro.pdf. Acesso em: 18 maio 2024. Saúde animal: Doenças Comuns em Aves Exóticas. Hospital animal. Disponível em: http://hospitalanimal.net/saude-animal/doencas-comuns-em-aves-exoticas/. Acesso em: 19 maio 2024. Doenças de aves: veja quais são as mais comuns e o que fazer para evitá-las. Blog Petz, 2021. Disponível em: https://www.petz.com.br/blog/especies/aves/doencas-de-aves/amp/?gad_source=2/.Acesso em: 19 jun. 2024. 10 REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. REVISTA AVES EM AÇÃO –A3 Meio Ambiente e Medicina de Animais Silvestres. Page 11 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.4, p. 01-11. 2024.