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CURSO: PEDAGOGIA DISCIPLINA: EDUCAÇÂO INCLUSIVA PROFESSORA: Angela Maria de souza EMENTA DA DISCIPLINA Aspectos históricos, políticos e científicos da educação especial. Legislação. Aprendizagem e desenvolvimento na inclusão. Transtornos de aprendizagem. Educação Especial e inclusão social (autismo, deficiência auditiva, deficiência visual, deficiência intelectual e Alta capacidade, dotação e talentos). Recursos e procedimentos na educação inclusiva. INTRODUÇÂO A Educação Inclusiva mais conhecida como Inclusão teve as suas origens na Educação Especial. O desenvolvimento no âmbito da Educação Especial envolveu uma série de etapas durante as quais os sistemas educativos experimentaram diferentes formas de dar resposta às crianças com deficiência e aos alunos com dificuldades de aprendizagem. A educação especial sempre foi um complemento para o ensino regular se tornando Integração. O direito à educação está assegurado na Constituição Federal a todos os cidadãos, onde se prevê a garantia de uma educação de qualidade para todos. Pensar na questão da inclusão escolar de alunos com necessidades educacionais especiais requer um olhar que considere a igualdade de oportunidades e a valorização das diferenças humanas, como também, a necessidade de implementação de uma prática que garanta não apenas o acesso, mas, sobretudo, a participação e aprendizagem de todos. As práticas de educação especial foram levadas para as escolas de ensino regular através de um método conhecido por “Integração”. O maior problema com a integração foi a passagem para o ensino regular não ter sido acompanhada por mudanças na organização das escolas, nos seus currículos e nas estratégias de ensino e aprendizagem. Esta falha de mudança organizacional provou ser uma das maiores barreiras à implementação de políticas de educação inclusiva. Uma reflexão aprofundada levou à redefinição de “necessidades educativas especiais”. Desta visão resulta que o progresso é mais provável se reconhecermos que as dificuldades que os alunos apresentam resultam da forma corrente de organização das escolas e de métodos de ensino muito rígidos. Ficou demonstrado que as escolas necessitam de ser reestruturadas e que a pedagogia precisa de ser desenvolvida de forma a responder positivamente à diversidade de alunos – olhando para as diferenças individuais não como problemas a ser encarados, mas como oportunidades para enriquecer o ensino. EDUCAÇÃO INCLUSIVA Para se falar em Educação Inclusiva, temos que iniciar com Educação Especial. As recentes alterações propostas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) fez com que algumas confusões surgissem acerca da nomenclatura mais adequada para as instituições de ensino que atendessem todas as crianças da comunidade, independente das suas limitações físicas ou cognitivas. A educação especial consiste na utilização de ferramentas didáticas específicas para atender as limitações que a criança possui, sejam elas físicas ou cognitivas. A educação especial, no entanto, não possui um papel de integrador da criança com a sociedade, por ser aplicada fora do contexto da educação regular. A educação inclusiva por sua vez é um sistema educacional híbrido que alia a educação regular com a educação especial, isto é, as crianças com algum tipo de deficiência são inseridas no ambiente escolar normal, para que não haja o comprometimento do rendimento escolar dessas crianças é necessária a estruturação física da escola e capacitação dos professores para lidar com esses alunos diferenciados. A educação especial tem sido aos poucos colocada de lado em prol da educação inclusiva, que permite que a criança se sinta inserida na sociedade, independente das suas limitações sejam elas físicas (surdez, cegueira ou paralisia) ou cognitivas (patologias ou síndromes que causam algum tipo de retardo mental). Com a utilização da tecnologia e processos didáticos mais lúdicos é possível inserir praticamente qualquer indivíduo na sociedade e no mercado de trabalho, sendo esse um passo fundamental na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. SURGIMENTO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL É importante contextualizar a Educação Especial desde os seus primórdios até a atualidade, para que se perceba que as escolas especiais são as principais responsáveis pelos avanços da inclusão, longe de serem responsáveis pela negação do direito das pessoas com necessidades educacionais especiais, de terem acesso à educação. Evidencia-se que a inclusão ou a exclusão das pessoas com deficiência estão intimamente ligadas às questões culturais. No Brasil, até a década de 50, praticamente não se falava em Educação Especial. Foi a partir de 1970, que a educação especial passou a ser discutida, tornando-se uma preocupação dos governos com a criação de instituições públicas e privadas, órgãos normativos federais e estaduais e de classes especiais. A educação é responsável pela socialização, que é a possibilidade de uma pessoa conviver com qualidade na sociedade, tendo, portanto, um caráter cultural acentuado, viabilizando a integração do indivíduo com o meio. Tem-se a Declaração de Salamanca (1994) como marco e início da caminhada para a Educação Inclusiva. A inclusão é um processo educacional através do qual todos os alunos, incluído, com deficiência, devem ser educados juntos, com o apoio necessário, na idade adequada e em escola de ensino regular. Historicamente, a educação especial tem sido considerada como educação de pessoas com deficiência, seja ela mental, auditiva, visual, motora, física múltipla ou decorrente de distúrbios evasivos do desenvolvimento, além das pessoas superdotadas que também têm integrado o alunado da educação especial. LINHA DO TEMPO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO BRASIL Brasil colônia PRÁTICAS ISOLADAS DE EXCLUSÃO Pessoas com deficiência ✓ Confinadas nas famílias; ✓ Recolhidas em Santas Casas ou prisões. O Brasil Império (1822-1889) Século XIX ✓ Primeiras ações de atendimento às pessoas com deficiência. Contexto do Império Sociedade elitista, rural, escravocrata e com limitada participação política. Era pouco propicio à assimilação das diferenças, principalmente as das pessoas com deficiência. Imperial Instituto dos Meninos Cegos – 1854 ✓ Criado por D. Pedro II – 1854; ✓ Local: Rio de Janeiro; ✓ Modelo do Instituto de Meninos Cegos de Paris; ✓ No primeiro ano atendia Rio de Janeiro e Ceará. Imperial Instituto dos Surdos-mudos – 1857 ✓ Criado por Huet – 1857. ✓ Currículo elementar incorporado de algumas matérias do secundário. ✓ Ensino profissionalizante: ✓ técnicas agrícolas. ✓ Oficinas profissionalizantes de encadernação e sapataria. Os Institutos no Império ✓ Funcionavam como internato; ✓ Inspirados nos conceitos iluministas; ✓ Tinham como objetivo central inserir seus alunos na sociedade brasileira, ao fornecer-lhes o ensino das letras, das ciências, da religião e de alguns ofícios. O Brasil República ✓ Tímidas iniciativas; ✓ Primeiros centros de reabilitação física; ✓ Deficiência intelectual: Pestalozzi e Apae; Primeiros estudos no Brasil – início do século XX; ✓ Deficiência intelectual tratada na perspectiva educacional; ✓ Sociedade civil e novas organizações voltadas para as pessoas com deficiência. Movimento Apaeano 1954 - Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Rio de Janeiro): Beatrice Bemis 1955 – Inauguração do Conselho Deliberativo da APAE. 1962 – 1º Encontro Nacional de Dirigentes Apaeanos 16 APAEs – 12 participaram - Serviços de educação, saúde e assistência social Movimento de integração ✓ Declaração dos Direitos Humanos (1948): assegura o direito de todos à educação. ✓ Lei 4.024/61 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional _ LDB): recomenda a integração, no sistema geralde ensino, a educação das pessoas com deficiência. ✓ Movimento de inclusão ✓ Final da década de 80 início dos anos 90. ✓ Rompem com a dualidade do sistema: Escolas X Escolas Especiais Comuns Alunos X Alunos Especiais Normais EDUCAÇÃO INCLUSIVA: UMA VISÃO HISTÓRICA Com os movimentos internacionais surge a educação inclusiva, ainda mesmo sem ter essa denominação essa consciência (que hoje impera), começou a se fortalecer em diversos pontos do mundo como, Estados Unidos, Europa e a parte inglesa do Canadá. O movimento cresceu, ganhou muitos adeptos em progressão geométrica como resultados de vários fatores, entre eles, o desdobramento de um fenômeno que se caracterizou a fase Pós-Segunda Guerra Mundial. Feridos da guerra se tornaram deficientes. Uma vez reabilitados, voltariam a produzir. Ao redor deles, foi surgindo uma legião multidisciplinar de defensores de seus direitos. Eram cidadãos que se sentiam, de algum modo, responsáveis pelos soldados que tinham ido representar a pátria no front, há décadas. Apesar de danos e perdas, o saldo foi positivo. O mundo começou a acreditar na capacidade das pessoas com deficiência. Ou seja, uma modalidade de ensino para todos. A educação Inclusiva, que vem sendo divulgada por meio de Educação Especial, teve sua origem nos Estados Unidos, quando a lei pública 94.142, de 1975, resultado dos movimentos sociais de pais e alunos com deficiência, que reivindicavam o acesso de seus filhos com necessidades educacionais especiais às escolas de qualidades (STAINBAK E STAINBAK, 1999, p.36). A preocupação com a defesa dos princípios fundamentais extensivos aos portadores de necessidades educacionais especiais ampliou os movimentos em favor de inclusão. Os cinco princípios da educação inclusiva são: 1. Toda pessoa tem o direito de acesso à educação 2. Toda pessoa aprende 3. O processo de aprendizagem de cada pessoa é singular 4. O convívio no ambiente escolar comum beneficia todos 5. A educação inclusiva diz respeito a todos De acordo com Carvalho (1999) a formulação e a implementação de políticas voltadas para a integração de pessoas portadoras de deficiência têm sido inspiradas por uma série de documentos contendo declaração, recomendações e normas jurídicas internacionais e nacionais envolvidas com a temática da deficiência. Diferenças principais entre a Integração e a Inclusão (Porter, 1997) Integração Inclusão Centrada no aluno Centrada na sala de aula Resultados diagnóstico-prescritivos Resolução de problemas em colaboração Programa para o aluno Estratégias para os professores Colocação adequada às necessidades dos alunos Sala de aula favorecendo a adaptação e o apoio As mudanças propostas ao longo da história têm amparo nas mudanças sociais. (Representadas pelas políticas públicas) SASSAKI (1997) divide a história em quatro fases: ✓ Exclusão - Se trata de deixar de lado, fingir que algo não existe. ✓ Segregação - Significa "separar " as pessoas num só lugar e por último ✓ Integração - As pessoas com deficiência têm de se adequar à sociedade dominante, às suas regras. ✓ Inclusão - É na realidade ainda é um sonho significa: Aceitar as diferenças, valorizar cada pessoa, conviver dentro da diversidade humana. BEYER (2006) explica as quatro fases através de uma figura ilustrativa, facilitando a compreensão. A LEGALIDADE Legislação que regulamenta a Educação Especial no Brasil 1988 – Constituição Federal O artigo 208, que trata da Educação Básica obrigatória e gratuita dos 4 anos aos 17 anos, afirma que é dever do Estado garantir “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, (hoje termo utilizado pela ONU Pessoa com Deficiência) preferencialmente na rede regular de ensino”. 1989 – Lei Nº 7.853 O texto dispõe sobre a integração social das pessoas com deficiência. Na área da Educação, por exemplo, obriga a inserção de escolas especiais, privadas e públicas, no sistema educacional e a oferta, obrigatória e gratuita, da Educação Especial em estabelecimento público de ensino. 1990 – Lei Nº 8.069 Mais conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Lei Nº 8.069 garante, entre outras coisas, o atendimento educacional especializado às crianças com deficiência preferencialmente na rede regular de ensino. 1994 – Política Nacional de Educação Especial Em termos de inclusão escolar, o texto é considerado um atraso, pois propõe a chamada “integração instrucional”, um processo que permite que ingressem em classes regulares de ensino apenas as crianças com deficiência que “(...) possuem condições de acompanhar e desenvolver as atividades curriculares programadas do ensino comum, no mesmo ritmo que os alunos ditos normais”. 1996 – Lei Nº 9.394 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) em vigor tem um capítulo específico para a Educação Especial. Nele, afirma-se que “haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de Educação Especial”. 1999 – Decreto Nº 3.298 O decreto regulamenta a Lei nº 7.853/89, que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência e consolida as normas de proteção, além de dar outras providências. 2001 – Lei Nº 10.172 O Plano Nacional de Educação (PNE) anterior, criticado por ser muito extenso, 25 tinha quase 30 metas e objetivos para as crianças e jovens com deficiência. Entre elas, afirmava que a Educação Especial, “como modalidade de educação escolar”, deveria ser promovida em todos os diferentes níveis de ensino e que “a garantia de vagas no ensino regular para os diversos graus e tipos de deficiência” era uma medida importante. 2001 – Resolução CNE/CEB Nº 2 O texto do Conselho Nacional de Educação (CNE) institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Entre os principais pontos, afirma que “os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos”. 2002 – Resolução CNE/CP Nº1/2002 A resolução dá “diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena”. Sobre a educação inclusiva, afirma que a formação deve incluir “conhecimentos sobre crianças, adolescentes, jovens e adultos, aí incluídas as especificidades dos alunos com necessidades educacionais especiais”. 2002 – Lei Nº 10.436/02 Reconhece como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais (Libras). 2005 – Decreto Nº 5.626/05 O decreto regulamenta a Lei Nº 10.436, de 2002. 2006 – Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos Documento elaborado pelo Ministério da Educação (MEC), Ministério da Justiça, Unesco e Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Entre as metas está a inclusão de temas relacionados às pessoas com deficiência nos currículos das escolas. 2007 – Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) No âmbito da educação inclusiva, o PDE trabalha com a questão da infraestrutura das escolas, abordando a acessibilidade das edificações escolares, da formação docente e das salas de recursos multifuncionais 2007 – Decreto Nº 6.094/07 O texto dispõe sobre a implementação do Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação do MEC. Ao destacar o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos com deficiência, o documento reforça a inclusão deles no sistema público de ensino. 2008 – Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Documento que traça o histórico do processo de inclusão escolar no Brasil para embasar“políticas públicas promotoras de uma Educação de qualidade para todos os alunos”. 2008 – Decreto Nº 6.571 Dispõe sobre o atendimento educacional especializado (AEE) na Educação Básica e o define como “o conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucionalmente, prestado de forma complementar ou suplementar à formação dos alunos no ensino regular”. O decreto obriga a União a prestar apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de ensino no oferecimento da modalidade. Além disso, reforça que o AEE deve estar integrado ao projeto pedagógico da escola. 2009 – Resolução Nº 4 CNE/CEB O foco dessa resolução é orientar o estabelecimento do atendimento educacional especializado (AEE) na Educação Básica, que deve ser realizado no contraturno e preferencialmente nas chamadas salas de recursos multifuncionais das escolas regulares. A resolução do CNE serve de orientação para os sistemas de ensino cumprirem o Decreto Nº 6.571. 2011 - Decreto nº 7.612, de 17 de novembro de 2011 Institui o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Plano Viver sem Limite. 2012 – Lei nº 12.764 A lei institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. 2014 – Plano Nacional de Educação (PNE) A meta que trata do tema no atual PNE é a de número 4. Sua redação é: “Universalizar, para a população de 4 a 17 anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados”. O entrave para a inclusão é a palavra “preferencialmente”, que, segundo especialistas, abre espaço para que as crianças com deficiência permaneçam matriculadas apenas em escolas especiais. 2015 – Lei n.o146 – Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI) A LBI está em vigor desde janeiro de 2016. O capítulo IV aborda o direito à Educação, com base na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que deve ser inclusiva e de qualidade em todos os níveis de ensino; garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, por meio da oferta de serviços e recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras. O AEE também está contemplado, entre outras medidas. 2016 – Lei n.o409 – Dispõe sobre a reserva de vagas para pessoas com deficiência nos cursos técnico de nível médio e superior das instituições federais de ensino. As pessoas com deficiência serão incluídas no programa de cotas de instituições federais de educação superior, que já contempla estudantes vindos de escolas públicas, de baixa renda, negros, pardos e indígenas. O cálculo da cota será baseado na proporcionalidade em relação à população, segundo o censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). LEIS PRINCIPAIS | MUNDO 1990 – Declaração Mundial de Educação para Todos No documento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), consta: “as necessidades básicas de aprendizagem das pessoas portadoras de deficiências requerem atenção especial. É preciso tomar medidas que garantam a igualdade de acesso à Educação aos portadores de todo e qualquer tipo de deficiência, como parte integrante do sistema educativo”. O texto ainda usava o termo “portador”, hoje não mais utilizado. 1994 – Declaração de Salamanca O documento é uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) e foi concebido na Conferência Mundial de Educação Especial, em Salamanca. O texto trata de princípios, políticas e práticas das necessidades educativas especiais, e dá orientações para ações em níveis regionais, nacionais e internacionais sobre a estrutura de ação em Educação Especial. No que tange à escola, o documento aborda a administração, o recrutamento de educadores e o envolvimento comunitário, entre outros pontos. 1999 – Convenção da Guatemala A Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência, mais conhecida como Convenção da Guatemala, resultou, no Brasil, no Decreto nº 3.956/2001. O texto brasileiro afirma que as pessoas com deficiência têm “os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que outras pessoas e que estes direitos, inclusive o direito de não ser submetidas a discriminação com base na deficiência, emanam da dignidade e da igualdade que são inerentes a todo ser humano”. O texto ainda utiliza a palavra “portador”. 2001 – Decreto legislativo 198 – Aprova o texto da Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência (Convenção da Guatemala). 2006 – Realização da Convenção da ONU em Nova York Nesta Convenção foi apresentado o texto que abordava os Direitos das pessoas com deficiência, fundamentados nos direitos humanos e na cidadania, visando a inclusão social. A Convenção assegura que pessoas com deficiência desfrutem os mesmos direitos humanos de qualquer outra pessoa: elas são capazes de viver suas vidas como cidadãos plenos, que podem dar contribuições valiosas à sociedade, se tiverem as mesmas oportunidades que os outros têm. O artigo 24, que aborda a Educação, é claro: “Para efetivar esse direito sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades, os Estados Partes assegurarão sistema educacional inclusivo em todos os níveis, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida “. 2009 – Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência A convenção foi aprovada pela ONU e tem o Brasil como um de seus signatários, tendo sido ratificada pelo Congresso Nacional com força de norma constitucional. Ela afirma que os países são responsáveis por garantir um sistema de educação inclusiva em todas as etapas de ensino. Na contemporaneidade, o enfrentamento do desafio de uma escola inclusiva não significa que a instituição deva diminuir o nível de exigência dos educandos. É indispensável trabalhar os conteúdos estabelecidos nas propostas curriculares. Compete à escola acompanhar o discente e ajudá-lo a superar as barreiras impostas no cotidiano, de modo a superá-las e obter sucesso em sua aprendizagem. Segundo Porter (1997, p57), existem quatro princípios norteadores do sucesso da escola inclusiva: ✓ Formação contínua – a formação de professores, quer do ensino regular quer de educação especial, é fundamental para a monitorização de conhecimentos e competências; ✓ Diferenciação curricular – o currículo comum deve assegurar um ensino diversificado, de modo a possibilitar o acesso à aprendizagem de todos os alunos do grupo-turma; ✓ Ensino com níveis diversificados - o professor do ensino regular deve preparar as unidades curriculares de acordo com as necessidades dos alunos; ✓ Equipes de resolução de problemas – a existência dessas equipes são uma valia para a escola inclusiva, no sentido de contribuírem para a resolução dos problemas escolares, bem como, por fazerem um acompanhamento direto a todos os professores. Estrutura Organizacional MEC/CNE Conselho Nacional de Educação Conselho Nacional de Educação - Secretaria Executiva 1 Compreendendo o processo de aprendizagem e desenvolvimento na Inclusão O professor, ao iniciar o processo de inclusão de uma criança com necessidades educacionais especiais associadas ao autismo infantil, pode sentir-se incapaz de interagir com essa criança. A sensação é de que a criança apenas se recusa a interagir com o professor e a aprender qualquer coisa proposta por ele. Isso acontece porque algumas habilidades necessárias para o aprendizado e presentes mesmo em crianças com deficiênciamental, consideradas pela maioria dos professores comuns a todas as crianças, não são encontradas nas crianças autistas. Essa criança pode ter, além de retardo mental e problemas de aprendizado, como uma criança com deficiência mental, problemas nas áreas de percepção, comunicação (tanto receptiva como expressiva), interação social e comportamento, característicos do autismo e cruciais para o desenvolvimento da aprendizagem. O ponto de partida é a chamada tríade de dificuldades, comunicação, interação social e uso da imaginação presentes na criança com autismo, e tem como principal consequência: Maior facilidade de relacionamento com o universo concreto do que com o de ideias abstratas, o que explica, por exemplo: ✓ a maior facilidade em receber e transmitir comunicação por meio da troca de cartões do que por meio da linguagem verbal; ✓ a dificuldade de imitação da maioria dessas crianças e o porquê da conveniência de ensinar por meio da estrutura dos materiais ou do apoio físico em vez da demonstração ou da comunicação verbal; ✓ a facilidade que a maioria dessas crianças tem em memorizar sequências de objetos em contrapartida à dificuldade em memorizar ideias em sequência; ✓ a dificuldade em estabelecer relações entre eventos e, consequentemente, estabelecer generalizações; ✓ a dificuldade de a maioria dessas crianças, principalmente nos três primeiros anos de vida, em aprender por exploração do ambiente ou por tentativas, o que torna necessário ensinar o acerto, pois, caso contrário, a criança poder· aprender o erro; ✓ a ausência de reações a demonstrações de afeto ou elogios de pais e professores, o que impede, nessas crianças, o aparecimento de um mecanismo, comum a maioria das crianças, de aprender para agradar pais ou professores. TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM OU DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM? É importante diferenciar o transtorno de aprendizagem da dificuldade de aprendizagem. A dificuldade de aprendizagem é uma condição passageira que acontece quando influências do mundo externo dificultam o processo de aprendizagem. Diversos fatores podem causar dificuldades de aprendizagem, como questões emocionais, problemas familiares, alimentação inadequada e um ambiente desfavorável. O transtorno de aprendizagem é uma condição neurológica que afeta a aprendizagem e o processamento de informações. Diferente da dificuldade de aprendizagem, o transtorno de aprendizagem é permanente. O Transtorno de Aprendizagem caracterizado por Silva e Capellini (2013) é a apresentação de uma disfunção neurológica (ou hereditária), que é responsável pela alteração do processamento cognitivo, linguístico, auditivo e visual, podendo ser o agente principal perante o insucesso na leitura, escrita, cálculos matemáticos e outros, já que diante dessas decorrências, os mecanismos cognitivos encontram-se alterados. Nesse sentido, o ajustamento do Sistema Nervoso Central (SNC) é um quesito fundamental para que ocorra a aprendizagem normalmente. Entretanto, Fonseca (2016), afirma que a incapacidade de aprendizagem pode estar relacionada a uma lesão ou uma destruição na anatomia funcional de alguma parte do cérebro. E no caso de dificuldade de aprendizagem devido a um transtorno, pode tratar-se de uma desorganização funcional ao cérebro. Ainda, “a disfunção do SNC pode ser motivada por ausência de informação, ou por deficiente processamento e tratamento. Em qualquer dos casos, o comportamento da aprendizagem encontra-se desajustado” (FONSECA; 2016 p. 334). Os Transtornos de Aprendizagem (disfunções neurológicas) manifestam-se logo na infância, e não decorrem única e exclusivamente de uma deficiência intelectual, da falta de oportunidades de aprender, ou ainda, de alguma doença adquirida. Devido a isso é importante que a criança seja diagnosticada o mais breve possível para que o mesmo não afete sua vida de forma negativa. Vale ressaltar a importância de um olhar multidisciplinar, em que haja profissionais tanto da área da saúde, como da educação, uma vez que o psicólogo, o neurologista, o pediatra, o psiquiatra, o psicopedagogo, o neuropsicologia, o fonoaudiólogo etc., são profissionais habilitados para olhar questões relacionadas a esses transtornos e diagnosticá-los. Embora seja importante também, que haja um acompanhamento combinado entre os profissionais, mas que este não se restrinja apenas a prática clínica, pois a participação da família e da escola é fundamental para estimular continuamente a criança. Uma vez que a escola tem o compromisso social de proporcionar uma formação completa ao aluno, oferecendo condições básicas de vivências e estimulação da curiosidade do ambiente social, independentemente das necessidades que a criança apresente. ALGUNS TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM: Dislexia: “[…] transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizada por dificuldade no reconhecimento preciso e/ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação e em soletração.” (Associação Brasileira de Dislexia; 2016). Dislalia: “[…] Distúrbio de articulação comumente observado na sociedade, que consiste na dificuldade de pronunciar determinados sons, podendo interferir também no aprendizado da escrita. […] É característico da dislalia o erro de pronúncia, podendo ocorrer omissão, substituição, distorção ou acréscimo de sons às palavras.” (SOUZA e FONTANAR; 2015) Discalculia: “Caracteriza-se como um transtorno específico que afeta a aquisição normal das habilidades aritméticas em crianças com inteligência normal e adequadas oportunidades de escolarização.” (SILVA e SANTOS; 2011). Atualmente, a descrição dos Transtornos de Aprendizagem é encontrada em manuais internacionais de diagnóstico, tanto CID 10, elaborado pela organização Mundial de Saúde (1992), como no DSM-IV, organizado pela Associação Psiquiátrica Americana (1995). A Política Nacional de Educação Especial de 2008 Trouxe novas concepções à atuação da educação especial, em nossos sistemas de ensino. De substitutiva do ensino comum para alunos com deficiência, a educação especial se volta atualmente à tarefa de complementar a formação dos alunos que constituem seu público-alvo, por meio do ensino de conteúdos e utilização de recursos que lhes conferem a possibilidade de acesso, permanência e participação nas turmas comuns de ensino regular, com autonomia e independência. Os objetivos da educação especial na perspectiva da educação inclusiva asseguram a inclusão escolar de alunos com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades/superdotação, orientando os sistemas de ensino para: O Conselho Nacional de Educação, por meio da Resolução CNE/CEB nº 4/2009, estabelece as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, definindo que: Art. 5º O AEE é realizado, prioritariamente, nas salas de recursos multifuncionais da própria escola ou em outra de ensino regular, no turno inverso da escolarização, não sendo substitutivo às classes comuns, podendo ser realizado, em centro de atendimento educacional especializado de instituição especializada da rede pública ou de instituição especializada comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com a secretaria de educação ou órgão equivalente dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios. A concepção da educação inclusiva compreende o processo educacional como um todo, pressupondo a implementação de uma política estruturante nos sistemas de ensino que altere a organização da escola, de modo a superar os modelos de integração em escolas e classes especiais. A escola deve cumprir sua função social, construindo uma proposta pedagógica capaz de valorizar as diferenças, com a oferta da escolarização nas classes comuns do ensino regular e do atendimento as necessidades específicas dos seus alunos. Essa concepçãoestá expressa nas Diretrizes Nacionais da Educação Básica, instituídas pela Resolução CNE/CEB nº 4/2010, conforme disposto no seu art. 1º: § 1º Os sistemas de ensino devem matricular os estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas classes comuns do ensino regular e no atendimento educacional especializado (AEE), complementar ou suplementar à escolarização ofertado em sala de recursos multifuncionais ou em centros de AEE da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos. Portanto, todos os alunos público alvo da educação especial deve ser matriculado nas classes comuns, em uma das etapas, níveis ou modalidade da educação básica, sendo o atendimento educacional especializado – AEE ofertado no turno oposto ao do ensino regular. As salas de recursos multifuncionais cumprem o propósito da organização de espaços, na própria escola comum, dotados de equipamentos, recursos de acessibilidade e materiais pedagógicos que auxiliam na promoção da escolarização, eliminando barreiras que impedem a plena participação dos alunos público alvo da educação especial, com autonomia e independência, no ambiente educacional e social. Alunos Público Alvo do AEE A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva tem como objetivos, a oferta do atendimento educacional especializado, a formação dos professores, a participação da família e da comunidade e a articulação intersetorial das políticas públicas, para a garantia do acesso dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, no ensino regular. O QUE É AEE (Atendimento Educacional Especializado)? Um serviço da Educação Especial que: Identifica, Elabora e Organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando as suas necessidades específicas. O AEE complementa e/ou suplementa a formação do aluno com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela. Os alunos público-alvo do AEE são definidos da seguinte forma: ✓ Alunos com deficiência - aqueles que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, intelectual, mental ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem ter obstruído sua participação plena e efetiva na escola e na sociedade; ✓ Alunos com transtornos globais do desenvolvimento - aqueles que apresentam um quadro de alterações no desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento nas relações sociais, na comunicação ou estereotipias motoras. Incluem-se nessa definição alunos com autismo, síndrome de Asperger, síndrome de Rett e espectros autista, psicose infantil; ✓ Alunos com altas habilidades ou superdotação - aqueles que apresentam um potencial elevado e grande envolvimento com as áreas do conhecimento humano, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotora, artes e criatividade. Institucionalização do AEE no Projeto Político Pedagógico Conforme dispõe a Resolução CNE/CEB nº 4/2009, art. 10º, o Projeto Político Pedagógico - PPP da escola de ensino regular deve institucionalizar a oferta do AEE, prevendo na sua organização: I - Sala de recursos multifuncionais: espaço físico, mobiliários, materiais didáticos, recursos pedagógicos e de acessibilidade e equipamentos específicos; II - Matrícula no AEE de alunos matriculados no ensino regular da própria escola ou de outra escola; III - Cronograma de atendimento aos alunos; IV - Plano do AEE: identificação das necessidades educacionais específicas dos alunos, definição dos recursos necessários e das atividades a serem desenvolvidas; V - Professores para o exercício do AEE; VI - Outros profissionais da educação: tradutor intérprete de Língua Brasileira de Sinais, guia-intérprete e outros que atuem no apoio, principalmente ás atividades de alimentação, higiene e locomoção; VII - Redes de apoio no âmbito da atuação profissional, da formação, do desenvolvimento da pesquisa, do acesso a recursos, serviços e equipamentos, entre outros que maximizem o AEE. Para fins de planejamento, acompanhamento e avaliação dos recursos e estratégias pedagógicas e de acessibilidade, utilizadas no processo de escolarização, a escola institui a oferta do atendimento educacional especializado, contemplando na elaboração do PPP (Anexo I), aspectos do seu funcionamento, tais como ✓ Carga horária para os alunos do AEE, individual ou em pequenos grupos, de acordo com as necessidades educacionais específicas; ✓ Espaço físico com condições de acessibilidade e materiais pedagógicos para as atividades do AEE; ✓ Professores com formação para atuação nas salas de recursos multifuncionais; ✓ Profissionais de apoio às atividades da vida diária e para a acessibilidade nas comunicações e informações, quando necessário; ✓ Articulação entre os professores da educação especial e do ensino regular e a formação continuada de toda a equipe escolar; ✓ Participação das famílias e interface com os demais serviços públicos de saúde, assistência, entre outros necessários; ✓ Oferta de vagas no AEE para alunos matriculados no ensino regular da própria escola e de outras escolas da rede pública, conforme demanda; ✓ Registro anual no Censo Escolar MEC/INEP das matriculas no AEE. Professor do Atendimento Educacional Especializado - AEE Conforme Resolução CNE/CEB n.4/2009, art. 12, para atuar no atendimento educacional especializado, o professor deve ter formação inicial que o habilite para exercício da docência e formação específica na educação especial. O professor do AEE tem como função realizar esse atendimento de forma complementar ou suplementar à escolarização, considerando as habilidades e as necessidades específicas dos alunos público alvo da educação especial. As atribuições do professor de AEE contemplam: ✓ Elaboração, execução e avaliação do plano de AEE do aluno; ✓ Definição do cronograma e das atividades do atendimento do aluno; ✓ Organização de estratégias pedagógicas e identificação e produção de recursos acessíveis; ✓ Ensino e desenvolvimento das atividades próprias do AEE, tais como: Libras, Braille, orientação e mobilidade, Língua Portuguesa para alunos surdos; informática acessível; Comunicação Alternativa e Aumentativa - CAA, atividades de desenvolvimento das habilidades mentais superiores e atividades de enriquecimento curricular; ✓ Acompanhamento da funcionalidade e usabilidade dos recursos de tecnologia assistiva na sala de aula comum e ambientes escolares; ✓ Articulação com os professores das classes comuns, nas diferentes etapas e modalidades de ensino; ✓ Orientação aos professores do ensino regular e às famílias sobre os recursos utilizados pelo aluno; ✓ Interface com as áreas da saúde, assistência, trabalho e outras. Garantir o acesso de todos os alunos ao ensino regular (com participação, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados de ensino; Formar professores para o AEE e demais professores para a inclusão; Prover acessibilidade arquitetônica, nos transportes, nos mobiliários, comunicações e informação; Estimular a participação da família e da comunidade; Promover a articulação intersetorial na implementação das políticas públicas educacionais; Oferecer o atendimento educacional especializado (AEE). INCLUSÃO ESCOLAR A educação inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que avança em relação à ideia de equidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola. A inclusão é uma inovação, cujo sentido tem sido muito distorcido e um movimento muito polemizado pelos mais diferentes segmentos educacionaise sociais. No entanto, inserir alunos com déficits de toda ordem, permanentes ou temporários, mais graves ou menos severos no ensino regular nada mais é do que garantir o direito de todos à educação – E assim diz a Constituição! ALGUNS EXEMPLOS O que é Autismo? A partir do último Manual de Saúde Mental – DSM-V, que é um guia de classificação diagnóstica, todos os distúrbios do autismo, incluindo Síndrome de Asperger, juntaram-se em um único diagnóstico chamado Transtornos do Espectro Autista – TEA. Quais as características do TEA? O TEA caracteriza-se por dificuldades significativas na comunicação e na interação social, além de alterações de comportamento. Suas características são identificadas geralmente, antes de a criança completar três anos. De acordo com o quadro clínico, eles podem ser divididos em três grupos: Grupo 1: ausência completa de qualquer contato interpessoal, dificuldade em aprender a falar, incidência de movimentos estereotipados e repetitivos. Grupo 2: A pessoa com TEA é voltada para si mesma, não estabelece contato visual com as pessoas nem com o ambiente. Grupo 3: domínio da linguagem, inteligência normal ou até superior, menor dificuldade de interação social. Geralmente, esses são os estudantes que conseguem avançar em sua escolarização. Como se dá o Diagnóstico? O diagnóstico é basicamente clínico. Leva em conta o comprometimento e o histórico do indivíduo, norteia-se pelos critérios estabelecidos pelo DSM–V (Manual de Diagnóstico e Estatística da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria) e pelo CID-10 (Classificação Internacional de Doenças da OMS). Qual o tratamento? O tratamento é feito por uma equipe multidisciplinar. Dentre os profissionais que podem ser necessários podemos citar: médico, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta e/ ou educador físico. Não existe tratamento padrão que possa ser utilizado, cada indivíduo exige acompanhamento individual, de acordo com suas necessidades. Necessidades Educacionais Especiais (NEE) da pessoa com TEA Em se tratando de ensino superior, os estudantes com autismo usualmente apresentam inteligência média ou acima da média. Nesse contexto, precisam ser incentivados a desenvolver pensamentos de alto nível para que possam aumentar suas habilidades de compreensão e expressão além de ampliar seu repertório social. Deficiência é o termo empregado para definir a ausência ou a disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatômica. As deficiências podem ser congênitas (nascem com a pessoa) ou adquiridas. As várias deficiências podem agrupar-se em cinco conjuntos distintos, sendo eles: Deficiência Visual Deficiência Auditiva Deficiência Mental Deficiência Física Deficiência Múltipla DEFICIÊNCIA VISUAL Deficiência visual é a perda ou redução das funções básicas do olho e do sistema visual. Existem dois grupos de deficiência: Cegueira – há perda total da visão ou pouca capacidade de enxergar. Seu processo de aprendizagem será através dos sentidos remanescentes (tato, audição, olfato, paladar) utilizando o sistema BRAILE como principal meio de comunicação escrita. Baixa visão – define-se pelo comprometimento do funcionamento visual dos olhos, mesmo depois de tratamento ou correção. O processo educativo do aluno com baixa visão se desenvolverá, por meios visuais com emprego de recursos específicos como escrita ampliada, lupa, entre outros. DEFICIÊNCIA AUDITIVA A deficiência auditiva é a perda parcial ou total da audição em um ou ambos os ouvidos. Pode ser de nascença ou causada por doenças. É definido surdo toda pessoa cuja audição não é funcional no dia-a-dia, e considerado parcialmente surdo todo aquele cuja capacidade de ouvir, ainda que deficiente, é funcional com ou sem prótese auditiva. Tipos de deficiência auditiva: DEFICIÊNCIA AUDITIVA CONDUTIVA São geralmente de grau leve ou moderado, variando de 25 a 65 decibel. Os casos de deficiência auditiva condutiva podem ser tratados com o uso do aparelho auditivo ou com implante de ouvido médio. DEFICIÊNCIA AUDITIVA SENSORIONEURAL A perda de audição neurossensorial decorre de danos ocasionados pelas células sensoriais auditivas ou no nervo auditivo. Ela pode ser de grau leve, moderada, severa ou profunda. DEFICIÊNCIA AUDITIVA MISTA A deficiência auditiva mista é uma associação de uma perda auditiva Sensorioneural e condutiva. Decorrente de problemas em ambos os ouvidos: interno e externo ou médio. DEFICIÊNCIA AUDITIVA NEURAL A deficiência auditiva neural é comumente profunda e permanente. Aparelhos auditivos e implantes cocleares não amenizam a deficiência auditiva, visto que o nervo não é capaz de transmitir informações sonoras para o cérebro. DEFICIÊNCIA MENTAL Deficiência mental é a designação que caracteriza os problemas que acontecem no cérebro e levam a um baixo rendimento, mas que não afetam outras regiões ou áreas cerebrais. Esse tipo de deficiência caracteriza-se por registrar um funcionamento intelectual geral, significativamente abaixo da média, oriundo do período de desenvolvimento, concomitante com limitações associadas a duas ou mais áreas da conduta adaptativa ou da capacidade do indivíduo em responder adequadamente às demandas da sociedade, nos seguintes aspectos: comunicação, cuidados pessoais, habilidades sociais, desempenho na família e comunidade, independência na locomoção, saúde e segurança, desempenho escolar, lazer e trabalho. (Adotada pelo Brasil em 1992 – AAMD –Associação Americana de Deficiência Mental). Segundo Rocha (2016, p. 11), há quatro níveis de retardo mental que é dado por variação do quociente de inteligência (ou Q.I.): RETARDO MENTAL LEVE O retardo mental leve pode não ser diagnosticado até que as crianças afetadas ingressem na escola, já que suas aptidões sociais e comunicativas podem ser adequadas nos anos pré-escolares Este é equivalente ao que foi certa vez chamado “educável”. Este grupo constitui o maior segmento de pessoas com retardo mental – aproximadamente 85%. À medida que ganham idade, entretanto, os déficits cognitivos como fraca capacidade para fazer abstrações e pensamento egocêntrico podem diferenciá-las de outras crianças de sua idade. Embora os indivíduos levemente retardados sejam capazes de funções acadêmicas no nível elementar superior e suas aptidões vocacionais sejam suficientes, para que se sustentem em alguns casos, a assimilação social pode ser difícil. Déficits de comunicação, fraca autoestima e dependência podem contribuir para sua relativa falta de espontaneidade social. Alguns indivíduos levemente retardados podem ter relacionamentos com companheiros que exploram seus déficits. Na maioria dos casos, as pessoas com retardo mental leve podem atingir grau de sucesso social e ocupacional em um ambiente de suporte. RETARDO MENTAL MODERADO O retardo mental moderado tende a ser diagnosticado mais precocemente que o retardo mental leve, porque as aptidões comunicativas desenvolvem-se mais lentamente nas pessoas com retardo mental moderado e seu isolamento social pode iniciar nos primeiros anos de educação de primeiro grau. Embora as conquistas acadêmicas, geralmente, sejam limitação ao nível elementar mediano, as crianças moderadamente retardadas beneficiam-se de um atendimento individual focalizado sobre o desenvolvimento de habilidade de autoajuda. As crianças com retardo mental moderado têm consciência de seus déficits e, frequentemente, sentem-se afastadas de seus pares e frustradas por suas limitações. Elas continuam necessitando de um nível relativamente alto de supervisão, mas podem tornar-se competentes em tarefas ocupacionais em ambientes de suporte. Elas podem aprender a viajar sozinhos a locais familiares. Constitui aproximadamente10% da população com retardo. RETARDO MENTAL SEVERO O retardo mental severo geralmente se evidencia nos anos da pré-escola, já que a linguagem da criança afetada é mínima, e seu desenvolvimento motor é fraco. Algum desenvolvimento da linguagem pode ocorrer nos anos escolares, na adolescência, se a linguagem for fraca, ocorre a evolução de formas não verbais de comunicação. Eles se beneficiam de apenas em uma extensão limitada de treinamento em coisas como o alfabeto e contas simples. Eles podem ser ensinados a identificar palavras como homens, mulheres, ônibus e parada, por exemplo. A incapacidade de articularem plenamente suas necessidades pode reforçar os meios corporais de comunicação. Os enfoques comportamentais podem ajudar a promover algum grau de cuidados pessoais, embora os indivíduos com retardo mental severo geralmente necessitem de supervisão extensa. Este grupo constitui 3 a 4% da população com retardo. Retardo Mental Profundo Constitui 1 a 2% da população com retardamento. As crianças com retardo mental profundo exigem supervisão constante e têm aptidões comunicativas e motoras severamente limitadas. Na idade adulta, algum desenvolvimento da linguagem pode estar presente, e habilidades simples de autoajuda podem ser adquiridas. Mesmo na idade adulta, necessitam de cuidados de enfermagem. DEFICIÊNCIA FÍSICA Podemos definir a deficiência física como “diferentes condições motoras que acometem as pessoas comprometendo a mobilidade, a coordenação motora geral e da fala, em consequência de lesões neurológicas, neuromusculares, ortopédicas, ou más formações congênitas ou adquiridas” (MEC,2004). A deficiência física se refere ao comprometimento do aparelho locomotor que compreende o sistema Osteoarticular, o Sistema Muscular e o Sistema Nervoso. As doenças ou lesões que afetam quaisquer desses sistemas, isoladamente ou em conjunto, podem produzir grandes limitações físicas de grau e gravidades variáveis, segundo os segmentos corporais afetados e o tipo de lesão ocorrida. (BRASIL, 2006, p. 28) DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA A deficiência múltipla é a associação de duas ou mais deficiências, sejam intelectuais, físicas, distúrbios neurológicos, emocionais, linguagem e desenvolvimento educacional, vocacional, social e emocional. De acordo com alguns pesquisadores, a deficiência múltipla pode ser separada pelas seguintes dimensões: Física e psíquica associa a deficiência física à deficiência intelectual; associa a deficiência física à transtornos mentais. Sensorial e psíquica Engloba a deficiência auditiva associada à deficiência intelectual; A deficiência visual à deficiência intelectual; A deficiência auditiva à transtornos mentais; Perda visual à transtorno mental. Sensorial e física Associa a deficiência auditiva à deficiência física; A deficiência visual à deficiência física. Física, psíquica e sensorial: Traz a deficiência física associada à deficiência visual e à deficiência intelectual; A deficiência física associada à deficiência auditiva e à deficiência intelectual; A deficiência física associada à deficiência auditiva e à deficiência visual. DEFICIÊNCIA INTELECTUAL A Deficiência Intelectual, segundo a Associação Americana sobre Deficiência Intelectual do Desenvolvimento AAIDD, caracteriza-se por um funcionamento intelectual inferior à média (QI), associado a limitações adaptativas em pelo menos duas áreas de habilidades (comunicação, auto cuidado, vida no lar, adaptação social, saúde e segurança, uso de recursos da comunidade, determinação, funções acadêmicas, lazer e trabalho), que ocorrem antes dos 18 anos de idade. No dia a dia, isso significa que a pessoa com Deficiência Intelectual tem dificuldade para aprender, entender e realizar atividades comuns para as outras pessoas. Muitas vezes, essa pessoa se comporta como se tivesse menos idade do que realmente tem. A Deficiência Intelectual é resultado, quase sempre, de uma alteração no desempenho cerebral, provocada por fatores genéticos, distúrbios na gestação, problemas no parto ou na vida após o nascimento. Um dos maiores desafios enfrentados pelos pesquisadores da área é que em grande parte dos casos estudados essa alteração não tem uma causa conhecida ou identificada. PRINCIPAIS CAUSAS Os fatores de risco e causas que podem levar à Deficiência Intelectual podem ocorrer em três fases: pré-natais, perinatais e pós-natais. PRÉ-NATAIS Fatores que incidem desde o momento da concepção do bebê até o início do trabalho de parto: • Fatores genéticos http://www.aaidd.org/ • Alterações cromossômicas (numéricas ou estruturais) - provocam Síndrome de Down, entre outras. • Alterações gênicas (erros inatos do metabolismo): que provocam Fenilcetonúria, entre outras. • Fatores que afetam o complexo materno-fetal • Tabagismo, alcoolismo, consumo de drogas, efeitos colaterais de medicamentos teratogênicos (capazes de provocar danos nos embriões e fetos). • Doenças maternas crônicas ou gestacionais (como diabetes mellitus). • Doenças infecciosas na mãe, que podem comprometer o feto: sífilis, rubéola, toxoplasmose. • Desnutrição materna. PERINATAIS Fatores que incidem do início do trabalho de parto até o 30.º dia de vida do bebê: • Hipóxia ou anoxia (oxigenação cerebral insuficiente). • Prematuridade e baixo peso: Pequeno para Idade Gestacional (PIG). • Icterícia grave do recém-nascido (kernicterus). PÓS-NATAIS Fatores que incidem do 30.º dia de vida do bebê até o final da adolescência: • Desnutrição, desidratação grave, carência de estimulação global. • Infecções: meningites, sarampo. • Intoxicações exógenas: envenenamentos provocados por remédios, inseticidas, produtos químicos como chumbo, mercúrio etc. • Acidentes: trânsito, afogamento, choque elétrico, asfixia, quedas etc. PRINCIPAIS TIPOS DE DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Entre os inúmeros fatores que podem causar a deficiência intelectual, destacam-se alterações cromossômicas e gênicas, desordens do desenvolvimento embrionário ou outros distúrbios estruturais e funcionais que reduzem a capacidade do cérebro. • Síndrome de Down – alteração genética que ocorre na formação do bebê, no início da gravidez. O grau de deficiência intelectual provocado pela síndrome é variável, e o coeficiente de inteligência (QI) pode variar e chegar a valores inferiores a 40. A linguagem fica mais comprometida, mas a visão é relativamente preservada. As interações sociais podem se desenvolver bem, no entanto podem aparecer distúrbios como hiperatividade, depressão, entre outros. • Síndrome do X-Frágil – alteração genética que provoca atraso mental. A criança apresenta face alongada, orelhas grandes ou salientes, além de comprometimento ocular e comportamento social atípico, principalmente timidez. • Síndrome de Prader-Willi – o quadro clínico varia de paciente a paciente, conforme a idade. No período neonatal, a criança apresenta severa hipotonia muscular, baixo peso e pequena estatura. Em geral a pessoa apresenta problemas de aprendizagem e dificuldade para pensamentos e conceitos abstratos. • Síndrome de Angelman – distúrbio neurológico que causa deficiência intelectual, comprometimento ou ausência de fala, epilepsia, atraso psicomotor, andar desequilibrado, com as pernas afastadas e esticadas, sono entrecortado e difícil, alterações no comportamento, entre outras. • Síndrome Williams – alteração genética que causa deficiência intelectual de leve a moderada. A pessoa apresenta comprometimento maior da capacidade visual e espacial em contraste com um bom desenvolvimento da linguagem oral e na música. CONCEITO DE ALUNOS COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTADOS A Política Nacional de Educação Especial define, como portadores de altas habilidades/superdotados, os educandos que apresentam notável desempenho eelevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos, isolados ou combinados, capacidade intelectual geral; aptidão acadêmica específica; pensamento criativo ou produtivo; capacidade de liderança; talento especial para artes e capacidade psicomotora. Dos tipos mencionados, destacam-se os seguintes: Tipo Intelectual: apresenta flexibilidade e fluência de pensamento, capacidade de pensamento abstrato para fazer associações, produção ideativa, rapidez do pensamento, compreensão e memória elevada, capacidade de resolver e lidar com problemas. Tipo Acadêmico: evidencia aptidão acadêmica específica, atenção, concentração; rapidez de aprendizagem, boa memória, gosto e motivação pelas disciplinas acadêmicas de seu interesse; habilidade para avaliar, sintetizar e organizar o conhecimento; capacidade de produção acadêmica. Tipo Criativo: relaciona-se à originalidade, imaginação, capacidade para resolver problemas de forma diferente e inovadora, sensibilidade para as situações ambientais, podendo reagir e produzir diferentemente e, até de modo extravagante; sentimento de desafio diante da desordem de fatos; facilidade de autoexpressão, fluência e flexibilidade. Tipo Social: revela capacidade de liderança e caracteriza-se por demonstrar sensibilidade interpessoal, atitude cooperativa, sociabilidade expressiva, habilidade de trato com pessoas diversas e grupos para estabelecer relações sociais, percepção acurada das situações de grupo, capacidade para resolver situações sociais complexas, alto poder de persuasão e de influência no grupo. Tipo Talento Especial: pode-se destacar tanto na área das artes plásticas, musicais, como dramáticas, literárias ou cênicas, evidenciando habilidades especiais para essas atividades e alto desempenho. Tipo Talento Espacial: destaca-se por apresentar habilidade e interesse pelas atividades psicomotoras, evidenciando desempenho fora do comum em velocidade, agilidade de movimentos, força, resistência, controle e coordenação motora. Esses tipos são considerados nas classificações internacionais, podendo haver várias combinações entre eles e, inclusive, o aparecimento de outros, relacionados a outros talentos e habilidades. Assim, em sala de aula, os alunos podem evidenciar maior facilidade para linguagem, para socialização, capacidade de conceituação expressiva ou desempenho escolar superior. No desempenho linguístico destacam-se o raciocínio verbal e vocabulário superior à idade, nível de leitura acima da média do grupo, habilidades de comunicação e linguagem criativa. A capacidade de conceituação inclui apreensão rápida da relação causa- efeito, observação acurada, domínio dos fatos e manipulação dos símbolos, além de um raciocínio incomum. Na área da socialização, tais alunos apresentam facilidade de contato social, capacidade de liderança, relacionamento aberto e receptivo, além de sensibilidade aos sentimentos dos outros. O desempenho escolar compreende o alto nível de produção intelectual, a motivação para aprendizagem, a existência de metas e objetivos acadêmicos definidos, a atenção prolongada e centrada nos temas de seu interesse, além da persistência dos esforços face às dificuldades inesperadas. Entretanto, não se pressupõe que todos os alunos superdotados e/ou com altas habilidades apresentem todas essas características. Quando as apresentam, isso não se dá, necessariamente, em simultaneidade e no mesmo nível. O importante é que não se deve generalizar. Alunos podem ter desempenho expressivo em algumas áreas, médio ou baixo em outras, dependendo do tipo de alta habilidade/superdotação. Por outro lado, há outros que, embora apresentem altas habilidades/ superdotação, têm rendimento escolar inferior e merecem cuidados especiais, pois, frequentemente, manifestam falta de interesse e motivação para os estudos acadêmicos e para a rotina escolar, podendo também apresentar dificuldades de ajustamento ao grupo de colegas, o que desencadeia problemas de aprendizagem e de adaptação escolar. Tecnologia Assistiva é um termo ainda novo, utilizado para identificar todo o arsenal de Recursos e Serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e consequentemente promover Vida Independente e Inclusão. Os Recursos são todo e qualquer item, equipamento ou parte dele, produto ou sistema fabricado em série ou sob medida utilizado para aumentar, manter ou melhorar as capacidades funcionais das pessoas com deficiência. Os Serviços, são definidos como aqueles que auxiliam diretamente uma pessoa com deficiência a selecionar, comprar ou usar os recursos acima definidos. • Recursos Podem variar de uma simples bengala a um complexo sistema computadorizado. Estão incluídos brinquedos e roupas adaptadas, computadores, softwares e hardwares especiais, que contemplam questões de acessibilidade, dispositivos para adequação da postura sentada, recursos para mobilidade manual e elétrica, equipamentos de comunicação alternativa, chaves e acionadores especiais, aparelhos de escuta assistida, auxílios visuais, materiais protéticos e milhares de outros itens confeccionados ou disponíveis comercialmente. Como se organiza o serviço de tecnologia assistiva na perspectiva da educação inclusiva? No atendimento educacional especializado, o professor fará, junto com o aluno, a identificação das barreiras que ele enfrenta no contexto educacional comum e que o impedem ou o limitam de participar dos desafios de aprendizagem na escola. Identificando esses "problemas" e também identificando as "habilidades do aluno", o professor pesquisará e implementará recursos ou estratégias que o auxiliarão, promovendo ou ampliando suas possibilidades de participação e atuação nas atividades, nas relações, na comunicação e nos espaços da escola. A sala de recursos multifuncional será o local apropriado para o aluno aprender a utilização das ferramentas de tecnologia assistiva, tendo em vista o desenvolvimento da autonomia. Não poderemos manter o recurso de tecnologia assistiva exclusivamente na sala multifuncional para que somente ali o aluno possa utilizá-lo. A tecnologia assistiva encontra sentido quando segue com o aluno, no contexto escolar comum, apoiando a sua escolarização. Portanto, o trabalho na sala se destina a avaliar a melhor alternativa de tecnologia assistiva, produzir material para o aluno e encaminhar estes recursos e materiais produzidos, para que eles sirvam ao aluno na escola comum, junto com a família e nos demais espaços que frequenta. São focos importantes do trabalho de tecnologia assistiva na perspectiva da educação inclusiva: • a tecnologia assistiva numa proposição de educação para autonomia, • a tecnologia assistiva como conhecimento aplicado para resolução de problemas funcionais enfrentados pelos alunos, e • a tecnologia assistiva promovendo a ruptura de barreiras que impedem ou limitam a participação destes alunos nos desafios educacionais. Auxílios para a vida diária; • Comunicação aumentativa (suplementar) e alternativa; • Recursos de acessibilidade ao computador; • Sistemas de controle de ambiente; • Projetos arquitetônicos de acessibilidade; • Órteses e próteses; • Adequação postural; • Auxílios de mobilidade; • Auxílios para cegos ou com visão sub-normal; • Auxílios para surdos ou com déficit auditivo; • Adaptações de veículos. SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS É o espaço localizado na escola de educação básica onde se realiza o Atendimento Educacional Especializado. Constituída de mobiliários, materiais didáticos, recursos pedagógicos e de acessibilidade e equipamentos específicos. Quem é a Pessoa com Necessidades Educacionais Especiais? É o educando que apresenta, em caráter permanente ou temporário, algum tipo de deficiência física, sensorial, cognitiva, múltipla, condutas típicas ou altas habilidades,necessitando por isso, de recursos especializados para desenvolver plenamente seu potencial e/ou superar ou minimizar suas dificuldades. ACESSIBILIDADE É a possibilidade e a condição de alcance, percepção e entendimento para utilização com segurança e autonomia de edificações, espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, meios de transporte e comunicação. Pode-se dizer que a acessibilidade não é apenas uma questão física e arquitetônica, mas expressa um processo amplo de inclusão. Pessoas com deficiência Redução, limitação ou inexistência das condições de percepção das características do ambiente ou da mobilidade e utilização de edificações, espaços, mobiliários, equipamentos urbanos e elementos, em caráter temporário ou permanente LEGALIDADE Constituição Federal: A toda pessoa é garantido o direito de ir e vir, segundo a Constituição Federal que, em seu artigo 5º, estabelece que: “XV – é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens”. O artigo 227 define que: “§ 2º – A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios de uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo, a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência” e o artigo 244 define que a lei disporá sobre a adaptação dos logradouros, dos edifícios de uso público e dos veículos de transporte coletivo atualmente existentes a fim de garantir acesso adequado às pessoas com deficiência. Leis Federais: As Leis Federais nos 10.048 e 10.098 de 2000 estabeleceram normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, temporária ou definitivamente. A primeira trata de atendimento prioritário e de acessibilidade nos meios de transportes e inova ao introduzir penalidades ao seu descumprimento; e a segunda subdivide o assunto em acessibilidade ao meio físico, aos meios de transporte, na comunicação e informação e em ajudas técnicas. Decreto nº 5.296: As leis acima citadas foram regulamentadas por meio do Decreto nº 5.296, de 02.12.2004, que definiu critérios mais específicos para a implementação da acessibilidade arquitetônica e urbanística e aos serviços de transportes coletivos. No primeiro caso, no que se refere diretamente à mobilidade urbana, o decreto define condições para a construção de calçadas, instalação de mobiliário urbano e de equipamentos de sinalização de trânsito, de estacionamentos de uso público; no segundo, define padrões de acessibilidade universal para “veículos, terminais, estações, pontos de parada, vias principais, acessos e operação” do transporte rodoviário (urbano, metropolitano, intermunicipal e interestadual), ferroviário, aquaviário e aéreo. Artigo 9º da ONU: O artigo 9 da Convenção da ONU sobre os direitos da pessoa com deficiência, transformada em emenda constitucional pelo Decreto 6949/2009, prevê a adoção de medidas apropriadas para assegurar o acesso, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, ao meio físico, ao transporte, à informação e comunicação, bem como a outros serviços e instalações abertos ao público, tanto na zona urbana quanto na zona rural. Inclui a identificação e a eliminação de obstáculos e barreiras à acessibilidade, devendo ser aplicadas, entre outros, a edifícios, rodovias, meios de transporte e outras instalações internas e externas, inclusive escolas, moradia, instalações médicas e local de trabalho, e informações, comunicações e outros serviços, inclusive serviços eletrônicos e serviços de emergência. Lei Federal nº 13.146, 06 de julho de 2015: institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. A LBI, Lei Brasileira de Inclusão, tem como base a Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) e é destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando sua inclusão social e cidadania. REFERÊNCIAS BEYER, H. O. Inclusão e avaliação na escola: de alunos com necessidades educacionais especiais. 2. ed. Porto Alegre: Mediação, 2006. FACION, J. R. (Org.). Inclusão escolar e suas implicações. In: CASTRO, R. C. M.; ______. A formação de professores. 2. ed. rev. e atual. Curitiba: Ibpex, 2009. p. 165-184. JOSÉ, E. A.; COELHO, M. T. Problemas de aprendizagem. 12. ed. São Paulo: Ática, 2008. LAKOMY, A. M. Teorias cognitivas da aprendizagem. 2. ed. rev. e atual. Curitiba: Ibpex, 2008. LA TAILLE, Y. (Org.). Teorias psicogenéticas em discussão. In: OLIVEIRA, M. K. Vygotsky e o processo de formação de conceitos. São Paulo: Summus, 1992. p. 23-34. MITTLER, P. 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