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CURSO: PEDAGOGIA 
DISCIPLINA: EDUCAÇÂO INCLUSIVA 
PROFESSORA: Angela Maria de souza 
 
 
 
 
 
EMENTA DA DISCIPLINA 
 
 
 
Aspectos históricos, políticos e científicos da educação especial. Legislação. 
Aprendizagem e desenvolvimento na inclusão. Transtornos de aprendizagem. 
Educação Especial e inclusão social (autismo, deficiência auditiva, 
deficiência visual, deficiência intelectual e Alta capacidade, dotação e talentos). 
Recursos e procedimentos na educação inclusiva. 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÂO 
 
 
A Educação Inclusiva mais conhecida como Inclusão teve as suas origens na 
Educação Especial. O desenvolvimento no âmbito da Educação Especial envolveu 
uma série de etapas durante as quais os sistemas educativos experimentaram 
diferentes formas de dar resposta às crianças com deficiência e aos alunos com 
dificuldades de aprendizagem. A educação especial sempre foi um complemento 
para o ensino regular se tornando Integração. O direito à educação está assegurado 
na Constituição Federal a todos os cidadãos, onde se prevê a garantia de uma 
educação de qualidade para todos. 
Pensar na questão da inclusão escolar de alunos com necessidades 
educacionais especiais requer um olhar que considere a igualdade de oportunidades 
e a valorização das diferenças humanas, como também, a necessidade de 
implementação de uma prática que garanta não apenas o acesso, mas, sobretudo, a 
participação e aprendizagem de todos. 
As práticas de educação especial foram levadas para as escolas de ensino 
regular através de um método conhecido por “Integração”. O maior problema com a 
integração foi a passagem para o ensino regular não ter sido acompanhada por 
mudanças na organização das escolas, nos seus currículos e nas estratégias de 
ensino e aprendizagem. Esta falha de mudança organizacional provou ser uma das 
maiores barreiras à implementação de políticas de educação inclusiva. Uma reflexão 
aprofundada levou à redefinição de “necessidades educativas especiais”. 
 Desta visão resulta que o progresso é mais provável se reconhecermos que 
as dificuldades que os alunos apresentam resultam da forma corrente de 
organização das escolas e de métodos de ensino muito rígidos. Ficou demonstrado 
que as escolas necessitam de ser reestruturadas e que a pedagogia precisa de ser 
desenvolvida de forma a responder positivamente à diversidade de alunos – olhando 
para as diferenças individuais não como problemas a ser encarados, mas como 
oportunidades para enriquecer o ensino. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
Para se falar em Educação Inclusiva, temos que iniciar com Educação 
Especial. 
 
As recentes alterações propostas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
(LDB) fez com que algumas confusões surgissem acerca da nomenclatura mais 
adequada para as instituições de ensino que atendessem todas as crianças da 
comunidade, independente das suas limitações físicas ou cognitivas. 
 
A educação especial consiste na utilização de ferramentas didáticas 
específicas para atender as limitações que a criança possui, sejam elas físicas ou 
cognitivas. A educação especial, no entanto, não possui um papel de integrador da 
criança com a sociedade, por ser aplicada fora do contexto da educação regular. 
 
A educação inclusiva por sua vez é um sistema educacional híbrido que alia a 
educação regular com a educação especial, isto é, as crianças com algum tipo de 
deficiência são inseridas no ambiente escolar normal, para que não haja o 
comprometimento do rendimento escolar dessas crianças é necessária a 
estruturação física da escola e capacitação dos professores para lidar com esses 
alunos diferenciados. 
 
A educação especial tem sido aos poucos colocada de lado em prol da 
educação inclusiva, que permite que a criança se sinta inserida na sociedade, 
independente das suas limitações sejam elas físicas (surdez, cegueira ou paralisia) 
ou cognitivas (patologias ou síndromes que causam algum tipo de retardo mental). 
Com a utilização da tecnologia e processos didáticos mais lúdicos é possível inserir 
praticamente qualquer indivíduo na sociedade e no mercado de trabalho, sendo 
esse um passo fundamental na construção de uma sociedade mais justa e 
igualitária. 
 
SURGIMENTO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL 
 
 É importante contextualizar a Educação Especial desde os seus primórdios 
até a atualidade, para que se perceba que as escolas especiais são as principais 
responsáveis pelos avanços da inclusão, longe de serem responsáveis pela 
negação do direito das pessoas com necessidades educacionais especiais, de terem 
acesso à educação. Evidencia-se que a inclusão ou a exclusão das pessoas com 
deficiência estão intimamente ligadas às questões culturais. 
No Brasil, até a década de 50, praticamente não se falava em Educação 
Especial. Foi a partir de 1970, que a educação especial passou a ser discutida, 
tornando-se uma preocupação dos governos com a criação de instituições públicas 
e privadas, órgãos normativos federais e estaduais e de classes especiais. 
A educação é responsável pela socialização, que é a possibilidade de uma 
pessoa conviver com qualidade na sociedade, tendo, portanto, um caráter cultural 
acentuado, viabilizando a integração do indivíduo com o meio. 
Tem-se a Declaração de Salamanca (1994) como marco e início da 
caminhada para a Educação Inclusiva. A inclusão é um processo educacional 
através do qual todos os alunos, incluído, com deficiência, devem ser educados 
juntos, com o apoio necessário, na idade adequada e em escola de ensino regular. 
Historicamente, a educação especial tem sido considerada como educação 
de pessoas com deficiência, seja ela mental, auditiva, visual, motora, física múltipla 
ou decorrente de distúrbios evasivos do desenvolvimento, além das pessoas 
superdotadas que também têm integrado o alunado da educação especial. 
 
LINHA DO TEMPO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO BRASIL 
 
Brasil colônia 
 
PRÁTICAS ISOLADAS DE EXCLUSÃO 
Pessoas com deficiência 
✓ Confinadas nas famílias; 
✓ Recolhidas em Santas Casas ou prisões. 
 
O Brasil Império (1822-1889) 
 
Século XIX 
✓ Primeiras ações de atendimento às pessoas com deficiência. 
 
Contexto do Império 
 
Sociedade elitista, rural, escravocrata e com limitada participação política. Era 
pouco propicio à assimilação das diferenças, principalmente as das pessoas com 
deficiência. 
 
Imperial Instituto dos Meninos Cegos – 1854 
 
✓ Criado por D. Pedro II – 1854; 
✓ Local: Rio de Janeiro; 
✓ Modelo do Instituto de Meninos Cegos de Paris; 
✓ No primeiro ano atendia Rio de Janeiro e Ceará. 
 
 
Imperial Instituto dos Surdos-mudos – 1857 
 
✓ Criado por Huet – 1857. 
✓ Currículo elementar incorporado de algumas matérias do secundário. 
✓ Ensino profissionalizante: 
✓ técnicas agrícolas. 
✓ Oficinas profissionalizantes de encadernação e sapataria. 
Os Institutos no Império 
✓ Funcionavam como internato; 
✓ Inspirados nos conceitos iluministas; 
✓ Tinham como objetivo central inserir seus alunos na sociedade brasileira, ao 
fornecer-lhes o ensino das letras, das ciências, da religião e de alguns ofícios. 
 
O Brasil República 
✓ Tímidas iniciativas; 
✓ Primeiros centros de reabilitação física; 
✓ Deficiência intelectual: Pestalozzi e Apae; 
 
Primeiros estudos no Brasil – início do século XX; 
✓ Deficiência intelectual tratada na perspectiva educacional; 
✓ Sociedade civil e novas organizações voltadas para as pessoas com 
deficiência. 
 
Movimento Apaeano 
 
1954 - Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Rio de Janeiro): Beatrice 
Bemis 
1955 – Inauguração do Conselho Deliberativo da APAE. 
1962 – 1º Encontro Nacional de Dirigentes Apaeanos 
16 APAEs – 12 participaram - Serviços de educação, saúde e assistência social 
 
Movimento de integração 
✓ Declaração dos Direitos Humanos (1948): assegura o direito de todos à 
educação. 
✓ Lei 4.024/61 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional _ LDB): 
recomenda a integração, no sistema geralde ensino, a educação das 
pessoas com deficiência. 
 
✓ Movimento de inclusão 
✓ Final da década de 80 início dos anos 90. 
✓ Rompem com a dualidade do sistema: 
 
Escolas X Escolas 
Especiais Comuns 
 
 
Alunos X Alunos 
Especiais Normais 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA: UMA VISÃO HISTÓRICA 
 
Com os movimentos internacionais surge a educação inclusiva, ainda mesmo 
sem ter essa denominação essa consciência (que hoje impera), começou a se 
fortalecer em diversos pontos do mundo como, Estados Unidos, Europa e a parte 
inglesa do Canadá. 
 O movimento cresceu, ganhou muitos adeptos em progressão geométrica 
como resultados de vários fatores, entre eles, o desdobramento de um fenômeno 
que se caracterizou a fase Pós-Segunda Guerra Mundial. Feridos da guerra se 
tornaram deficientes. Uma vez reabilitados, voltariam a produzir. Ao redor deles, foi 
surgindo uma legião multidisciplinar de defensores de seus direitos. Eram cidadãos 
que se sentiam, de algum modo, responsáveis pelos soldados que tinham ido 
representar a pátria no front, há décadas. Apesar de danos e perdas, o saldo foi 
positivo. O mundo começou a acreditar na capacidade das pessoas com deficiência. 
 
Ou seja, uma modalidade de ensino para todos. 
A educação Inclusiva, que vem sendo divulgada por meio de Educação 
Especial, teve sua origem nos Estados Unidos, quando a lei pública 94.142, de 
1975, resultado dos movimentos sociais de pais e alunos com deficiência, que 
reivindicavam o acesso de seus filhos com necessidades educacionais especiais às 
escolas de qualidades (STAINBAK E STAINBAK, 1999, p.36). 
A preocupação com a defesa dos princípios fundamentais extensivos aos 
portadores de necessidades educacionais especiais ampliou os movimentos em 
favor de inclusão. 
Os cinco princípios da educação inclusiva são: 
1. Toda pessoa tem o direito de acesso à educação 
2. Toda pessoa aprende 
3. O processo de aprendizagem de cada pessoa é singular 
4. O convívio no ambiente escolar comum beneficia todos 
5. A educação inclusiva diz respeito a todos 
 
De acordo com Carvalho (1999) a formulação e a implementação de políticas 
voltadas para a integração de pessoas portadoras de deficiência têm sido inspiradas 
por uma série de documentos contendo declaração, recomendações e normas 
jurídicas internacionais e nacionais envolvidas com a temática da deficiência. 
Diferenças principais entre a Integração e a Inclusão (Porter, 1997) 
 
Integração Inclusão 
Centrada no aluno Centrada na sala de aula 
Resultados diagnóstico-prescritivos Resolução de problemas em 
colaboração 
Programa para o aluno Estratégias para os professores 
Colocação adequada às 
necessidades dos alunos 
Sala de aula favorecendo a 
adaptação e o apoio 
 
As mudanças propostas ao longo da história têm amparo nas mudanças sociais. 
(Representadas pelas políticas públicas) SASSAKI (1997) divide a história em quatro 
fases: 
✓ Exclusão - Se trata de deixar de lado, fingir que algo não existe. 
✓ Segregação - Significa "separar " as pessoas num só lugar e por último 
✓ Integração - As pessoas com deficiência têm de se adequar à sociedade 
dominante, às suas regras. 
✓ Inclusão - É na realidade ainda é um sonho significa: Aceitar as diferenças, 
valorizar cada pessoa, conviver dentro da diversidade humana. 
 
 BEYER (2006) explica as quatro fases através de uma figura ilustrativa, 
facilitando a compreensão. 
 
 
 
 
 
A LEGALIDADE 
 
Legislação que regulamenta a Educação Especial no Brasil 
 
1988 – Constituição Federal 
O artigo 208, que trata da Educação Básica obrigatória e gratuita dos 4 anos 
aos 17 anos, afirma que é dever do Estado garantir “atendimento educacional 
especializado aos portadores de deficiência, (hoje termo utilizado pela ONU Pessoa 
com Deficiência) preferencialmente na rede regular de ensino”. 
 
1989 – Lei Nº 7.853 
O texto dispõe sobre a integração social das pessoas com deficiência. Na 
área da Educação, por exemplo, obriga a inserção de escolas especiais, privadas e 
públicas, no sistema educacional e a oferta, obrigatória e gratuita, da Educação 
Especial em estabelecimento público de ensino. 
 
1990 – Lei Nº 8.069 
Mais conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Lei Nº 
8.069 garante, entre outras coisas, o atendimento educacional especializado às 
crianças com deficiência preferencialmente na rede regular de ensino. 
 
1994 – Política Nacional de Educação Especial 
Em termos de inclusão escolar, o texto é considerado um atraso, pois propõe 
a chamada “integração instrucional”, um processo que permite que ingressem em 
classes regulares de ensino apenas as crianças com deficiência que “(...) possuem 
condições de acompanhar e desenvolver as atividades curriculares programadas do 
ensino comum, no mesmo ritmo que os alunos ditos normais”. 
 
 
1996 – Lei Nº 9.394 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) em vigor tem um capítulo 
específico para a Educação Especial. Nele, afirma-se que “haverá, quando 
necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às 
peculiaridades da clientela de Educação Especial”. 
 
1999 – Decreto Nº 3.298 
O decreto regulamenta a Lei nº 7.853/89, que dispõe sobre a Política Nacional 
para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência e consolida as normas de 
proteção, além de dar outras providências. 
 
2001 – Lei Nº 10.172 
O Plano Nacional de Educação (PNE) anterior, criticado por ser muito 
extenso, 25 tinha quase 30 metas e objetivos para as crianças e jovens com 
deficiência. Entre elas, afirmava que a Educação Especial, “como modalidade de 
educação escolar”, deveria ser promovida em todos os diferentes níveis de ensino e 
que “a garantia de vagas no ensino regular para os diversos graus e tipos de 
deficiência” era uma medida importante. 
 
2001 – Resolução CNE/CEB Nº 2 
O texto do Conselho Nacional de Educação (CNE) institui Diretrizes Nacionais 
para a Educação Especial na Educação Básica. Entre os principais pontos, afirma 
que “os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas 
organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais 
especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade 
para todos”. 
2002 – Resolução CNE/CP Nº1/2002 
A resolução dá “diretrizes curriculares nacionais para a formação de 
professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de 
graduação plena”. Sobre a educação inclusiva, afirma que a formação deve incluir 
“conhecimentos sobre crianças, adolescentes, jovens e adultos, aí incluídas as 
especificidades dos alunos com necessidades educacionais especiais”. 
 
2002 – Lei Nº 10.436/02 
Reconhece como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira 
de Sinais (Libras). 
 
2005 – Decreto Nº 5.626/05 
O decreto regulamenta a Lei Nº 10.436, de 2002. 
2006 – Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos 
Documento elaborado pelo Ministério da Educação (MEC), Ministério da 
Justiça, Unesco e Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Entre as metas está a 
inclusão de temas relacionados às pessoas com deficiência nos currículos das 
escolas. 
2007 – Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) 
No âmbito da educação inclusiva, o PDE trabalha com a questão da 
infraestrutura das escolas, abordando a acessibilidade das edificações escolares, da 
formação docente e das salas de recursos multifuncionais 
 
2007 – Decreto Nº 6.094/07 
O texto dispõe sobre a implementação do Plano de Metas Compromisso 
Todos pela Educação do MEC. Ao destacar o atendimento às necessidades 
educacionais especiais dos alunos com deficiência, o documento reforça a inclusão 
deles no sistema público de ensino. 
 
2008 – Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação 
Inclusiva 
Documento que traça o histórico do processo de inclusão escolar no Brasil 
para embasar“políticas públicas promotoras de uma Educação de qualidade para 
todos os alunos”. 
2008 – Decreto Nº 6.571 
Dispõe sobre o atendimento educacional especializado (AEE) na Educação 
Básica e o define como “o conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e 
pedagógicos organizados institucionalmente, prestado de forma complementar ou 
suplementar à formação dos alunos no ensino regular”. O decreto obriga a União a 
prestar apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de ensino no oferecimento 
da modalidade. Além disso, reforça que o AEE deve estar integrado ao projeto 
pedagógico da escola. 
 
2009 – Resolução Nº 4 CNE/CEB 
O foco dessa resolução é orientar o estabelecimento do atendimento 
educacional especializado (AEE) na Educação Básica, que deve ser realizado no 
contraturno e preferencialmente nas chamadas salas de recursos multifuncionais 
das escolas regulares. A resolução do CNE serve de orientação para os sistemas de 
ensino cumprirem o Decreto Nº 6.571. 
2011 - Decreto nº 7.612, de 17 de novembro de 2011 
Institui o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Plano Viver 
sem Limite. 
2012 – Lei nº 12.764 
A lei institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com 
Transtorno do Espectro Autista. 
2014 – Plano Nacional de Educação (PNE) 
A meta que trata do tema no atual PNE é a de número 4. Sua redação é: 
“Universalizar, para a população de 4 a 17 anos com deficiência, transtornos globais 
do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à educação 
básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede 
regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de 
recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou 
conveniados”. O entrave para a inclusão é a palavra “preferencialmente”, que, 
segundo especialistas, abre espaço para que as crianças com deficiência 
permaneçam matriculadas apenas em escolas especiais. 
2015 – Lei n.o146 – Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI) 
A LBI está em vigor desde janeiro de 2016. 
O capítulo IV aborda o direito à Educação, com base na Convenção sobre os 
Direitos das Pessoas com Deficiência, que deve ser inclusiva e de qualidade em 
todos os níveis de ensino; garantir condições de acesso, permanência, participação 
e aprendizagem, por meio da oferta de serviços e recursos de acessibilidade que 
eliminem as barreiras. 
O AEE também está contemplado, entre outras medidas. 
2016 – Lei n.o409 – Dispõe sobre a reserva de vagas para pessoas com deficiência 
nos cursos técnico de nível médio e superior das instituições federais de ensino. 
As pessoas com deficiência serão incluídas no programa de cotas de instituições 
federais de educação superior, que já contempla estudantes vindos de escolas 
públicas, de baixa renda, negros, pardos e indígenas. 
O cálculo da cota será baseado na proporcionalidade em relação à população, 
segundo o censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
 
LEIS PRINCIPAIS | MUNDO 
1990 – Declaração Mundial de Educação para Todos 
No documento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a 
Ciência e a Cultura (Unesco), consta: “as necessidades básicas de aprendizagem 
das pessoas portadoras de deficiências requerem atenção especial. É preciso tomar 
medidas que garantam a igualdade de acesso à Educação aos portadores de todo e 
qualquer tipo de deficiência, como parte integrante do sistema educativo”. O texto 
ainda usava o termo “portador”, hoje não mais utilizado. 
 
1994 – Declaração de Salamanca 
O documento é uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) e 
foi concebido na Conferência Mundial de Educação Especial, em Salamanca. O 
texto trata de princípios, políticas e práticas das necessidades educativas especiais, 
e dá orientações para ações em níveis regionais, nacionais e internacionais sobre a 
estrutura de ação em Educação Especial. No que tange à escola, o documento 
aborda a administração, o recrutamento de educadores e o envolvimento 
comunitário, entre outros pontos. 
 
1999 – Convenção da Guatemala 
A Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de 
Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência, mais conhecida como 
Convenção da Guatemala, resultou, no Brasil, no Decreto nº 3.956/2001. O texto 
brasileiro afirma que as pessoas com deficiência têm “os mesmos direitos humanos 
e liberdades fundamentais que outras pessoas e que estes direitos, inclusive o 
direito de não ser submetidas a discriminação com base na deficiência, emanam da 
dignidade e da igualdade que são inerentes a todo ser humano”. O texto ainda utiliza 
a palavra “portador”. 
 
2001 – Decreto legislativo 198 – Aprova o texto da Convenção Interamericana para 
a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras 
de Deficiência (Convenção da Guatemala). 
 
2006 – Realização da Convenção da ONU em Nova York 
Nesta Convenção foi apresentado o texto que abordava os Direitos das pessoas 
com deficiência, fundamentados nos direitos humanos e na cidadania, visando a 
inclusão social. 
A Convenção assegura que pessoas com deficiência desfrutem os mesmos direitos 
humanos de qualquer outra pessoa: elas são capazes de viver suas vidas como 
cidadãos plenos, que podem dar contribuições valiosas à sociedade, se tiverem as 
mesmas oportunidades que os outros têm. 
O artigo 24, que aborda a Educação, é claro: “Para efetivar esse direito sem 
discriminação e com base na igualdade de oportunidades, os Estados Partes 
assegurarão sistema educacional inclusivo em todos os níveis, bem como o 
aprendizado ao longo de toda a vida “. 
 
 
2009 – Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência 
A convenção foi aprovada pela ONU e tem o Brasil como um de seus 
signatários, tendo sido ratificada pelo Congresso Nacional com força de norma 
constitucional. Ela afirma que os países são responsáveis por garantir um sistema 
de educação inclusiva em todas as etapas de ensino. 
 
Na contemporaneidade, o enfrentamento do desafio de uma escola inclusiva não 
significa que a instituição deva diminuir o nível de exigência dos educandos. É 
indispensável trabalhar os conteúdos estabelecidos nas propostas curriculares. 
Compete à escola acompanhar o discente e ajudá-lo a superar as barreiras impostas 
no cotidiano, de modo a superá-las e obter sucesso em sua aprendizagem. Segundo 
Porter (1997, p57), existem quatro princípios norteadores do sucesso da escola 
inclusiva: 
✓ Formação contínua – a formação de professores, quer do ensino regular quer 
de educação especial, é fundamental para a monitorização de conhecimentos 
e competências; 
✓ Diferenciação curricular – o currículo comum deve assegurar um ensino 
diversificado, de modo a possibilitar o acesso à aprendizagem de todos os 
alunos do grupo-turma; 
 
✓ Ensino com níveis diversificados - o professor do ensino regular deve 
preparar as unidades curriculares de acordo com as necessidades dos 
alunos; 
 
✓ Equipes de resolução de problemas – a existência dessas equipes são uma 
valia para a escola inclusiva, no sentido de contribuírem para a resolução dos 
problemas escolares, bem como, por fazerem um acompanhamento direto a 
todos os professores. 
 
Estrutura Organizacional MEC/CNE 
Conselho Nacional de Educação 
 
 
Conselho Nacional de Educação - Secretaria Executiva 1 
 
 
 
 
 
Compreendendo o processo de aprendizagem e desenvolvimento na Inclusão 
 
O professor, ao iniciar o processo de inclusão de uma criança com 
necessidades educacionais especiais associadas ao autismo infantil, pode sentir-se 
incapaz de interagir com essa criança. 
A sensação é de que a criança apenas se recusa a interagir com o professor 
e a aprender qualquer coisa proposta por ele. Isso acontece porque algumas 
habilidades necessárias para o aprendizado e presentes mesmo em crianças com 
deficiênciamental, consideradas pela maioria dos professores comuns a todas as 
crianças, não são encontradas nas crianças autistas. 
Essa criança pode ter, além de retardo mental e problemas de aprendizado, 
como uma criança com deficiência mental, problemas nas áreas de percepção, 
comunicação (tanto receptiva como expressiva), interação social e comportamento, 
característicos do autismo e cruciais para o desenvolvimento da aprendizagem. 
O ponto de partida é a chamada tríade de dificuldades, comunicação, 
interação social e uso da imaginação presentes na criança com autismo, e tem como 
principal consequência: 
 
Maior facilidade de relacionamento com o universo concreto do que com o de ideias 
abstratas, o que explica, por exemplo: 
 
✓ a maior facilidade em receber e transmitir comunicação por meio da troca de 
cartões do que por meio da linguagem verbal; 
✓ a dificuldade de imitação da maioria dessas crianças e o porquê da 
conveniência de ensinar por meio da estrutura dos materiais ou do apoio 
físico em vez da demonstração ou da comunicação verbal; 
✓ a facilidade que a maioria dessas crianças tem em memorizar sequências de 
objetos em contrapartida à dificuldade em memorizar ideias em sequência; 
✓ a dificuldade em estabelecer relações entre eventos e, consequentemente, 
estabelecer generalizações; 
✓ a dificuldade de a maioria dessas crianças, principalmente nos três primeiros 
anos de vida, em aprender por exploração do ambiente ou por tentativas, o 
que torna necessário ensinar o acerto, pois, caso contrário, a criança poder· 
aprender o erro; 
✓ a ausência de reações a demonstrações de afeto ou elogios de pais e 
professores, o que impede, nessas crianças, o aparecimento de um 
mecanismo, comum a maioria das crianças, de aprender para agradar pais ou 
professores. 
 
TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM OU DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM? 
 
É importante diferenciar o transtorno de aprendizagem da dificuldade de 
aprendizagem. 
A dificuldade de aprendizagem é uma condição passageira que acontece 
quando influências do mundo externo dificultam o processo de aprendizagem. 
Diversos fatores podem causar dificuldades de aprendizagem, como questões 
emocionais, problemas familiares, alimentação inadequada e um ambiente 
desfavorável. 
 
O transtorno de aprendizagem é uma condição neurológica que afeta a 
aprendizagem e o processamento de informações. Diferente da dificuldade de 
aprendizagem, o transtorno de aprendizagem é permanente. 
O Transtorno de Aprendizagem caracterizado por Silva e Capellini (2013) é a 
apresentação de uma disfunção neurológica (ou hereditária), que é responsável pela 
alteração do processamento cognitivo, linguístico, auditivo e visual, podendo ser o 
agente principal perante o insucesso na leitura, escrita, cálculos matemáticos e 
outros, já que diante dessas decorrências, os mecanismos cognitivos encontram-se 
alterados. 
 
Nesse sentido, o ajustamento do Sistema Nervoso Central (SNC) é um 
quesito fundamental para que ocorra a aprendizagem normalmente. Entretanto, 
Fonseca (2016), afirma que a incapacidade de aprendizagem pode estar relacionada 
a uma lesão ou uma destruição na anatomia funcional de alguma parte do cérebro. 
E no caso de dificuldade de aprendizagem devido a um transtorno, pode tratar-se de 
uma desorganização funcional ao cérebro. Ainda, “a disfunção do SNC pode ser 
motivada por ausência de informação, ou por deficiente processamento e 
tratamento. Em qualquer dos casos, o comportamento da aprendizagem encontra-se 
desajustado” (FONSECA; 2016 p. 334). 
 
 
 
Os Transtornos de Aprendizagem (disfunções neurológicas) manifestam-se 
logo na infância, e não decorrem única e exclusivamente de uma deficiência 
intelectual, da falta de oportunidades de aprender, ou ainda, de alguma doença 
adquirida. Devido a isso é importante que a criança seja diagnosticada o mais breve 
possível para que o mesmo não afete sua vida de forma negativa. 
 
Vale ressaltar a importância de um olhar multidisciplinar, em que haja 
profissionais tanto da área da saúde, como da educação, uma vez que o psicólogo, 
o neurologista, o pediatra, o psiquiatra, o psicopedagogo, o neuropsicologia, o 
fonoaudiólogo etc., são profissionais habilitados para olhar questões relacionadas a 
esses transtornos e diagnosticá-los. 
Embora seja importante também, que haja um acompanhamento combinado 
entre os profissionais, mas que este não se restrinja apenas a prática clínica, pois a 
participação da família e da escola é fundamental para estimular continuamente a 
criança. Uma vez que a escola tem o compromisso social de proporcionar uma 
formação completa ao aluno, oferecendo condições básicas de vivências e 
estimulação da curiosidade do ambiente social, independentemente das 
necessidades que a criança apresente. 
ALGUNS TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM: 
Dislexia: “[…] transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica, 
caracterizada por dificuldade no reconhecimento preciso e/ou fluente da palavra, na 
habilidade de decodificação e em soletração.” (Associação Brasileira de Dislexia; 
2016). 
Dislalia: “[…] Distúrbio de articulação comumente observado na sociedade, que 
consiste na dificuldade de pronunciar determinados sons, podendo interferir também 
no aprendizado da escrita. […] É característico da dislalia o erro de pronúncia, 
podendo ocorrer omissão, substituição, distorção ou acréscimo de sons às 
palavras.” (SOUZA e FONTANAR; 2015) 
Discalculia: “Caracteriza-se como um transtorno específico que afeta a aquisição 
normal das habilidades aritméticas em crianças com inteligência normal e 
adequadas oportunidades de escolarização.” (SILVA e SANTOS; 2011). 
Atualmente, a descrição dos Transtornos de Aprendizagem é encontrada em 
manuais internacionais de diagnóstico, tanto CID 10, elaborado pela organização 
Mundial de Saúde (1992), como no DSM-IV, organizado pela Associação Psiquiátrica 
Americana (1995). 
 
A Política Nacional de Educação Especial de 2008 
Trouxe novas concepções à atuação da educação especial, em nossos 
sistemas de ensino. 
De substitutiva do ensino comum para alunos com deficiência, a educação 
especial se volta atualmente à tarefa de complementar a formação dos alunos que 
constituem seu público-alvo, por meio do ensino de conteúdos e utilização de 
recursos que lhes conferem a possibilidade de acesso, permanência e participação 
nas turmas comuns de ensino regular, com autonomia e independência. 
Os objetivos da educação especial na perspectiva da educação inclusiva 
asseguram a inclusão escolar de alunos com deficiência, transtorno do espectro 
autista (TEA) e altas habilidades/superdotação, orientando os sistemas de ensino 
para: 
O Conselho Nacional de Educação, por meio da Resolução CNE/CEB nº 
4/2009, estabelece as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional 
Especializado na Educação Básica, definindo que: 
 
Art. 5º O AEE é realizado, prioritariamente, nas salas de recursos multifuncionais da 
própria escola ou em outra de ensino regular, no turno inverso da escolarização, não 
sendo substitutivo às classes comuns, podendo ser realizado, em centro de 
atendimento educacional especializado de instituição especializada da rede pública 
ou de instituição especializada comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins 
lucrativos, conveniadas com a secretaria de educação ou órgão equivalente dos 
estados, do Distrito Federal ou dos municípios. 
 
A concepção da educação inclusiva compreende o processo 
educacional como um todo, pressupondo a implementação de uma política 
estruturante nos sistemas de ensino que altere a organização da escola, de 
modo a superar os modelos de integração em escolas e classes especiais. A 
escola deve cumprir sua função social, construindo uma proposta pedagógica 
capaz de valorizar as diferenças, com a oferta da escolarização nas classes 
comuns do ensino regular e do atendimento as necessidades específicas dos 
seus alunos. 
 Essa concepçãoestá expressa nas Diretrizes Nacionais da Educação 
Básica, instituídas pela Resolução CNE/CEB nº 4/2010, conforme disposto no 
seu art. 1º: 
 
 § 1º Os sistemas de ensino devem matricular os estudantes com deficiência, 
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas 
classes comuns do ensino regular e no atendimento educacional 
especializado (AEE), complementar ou suplementar à escolarização ofertado 
em sala de recursos multifuncionais ou em centros de AEE da rede pública ou 
de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos. 
 
Portanto, todos os alunos público alvo da educação especial deve ser 
matriculado nas classes comuns, em uma das etapas, níveis ou modalidade 
da educação básica, sendo o atendimento educacional especializado – AEE 
ofertado no turno oposto ao do ensino regular. As salas de recursos 
multifuncionais cumprem o propósito da organização de espaços, na própria 
escola comum, dotados de equipamentos, recursos de acessibilidade e 
materiais pedagógicos que auxiliam na promoção da escolarização, 
eliminando barreiras que impedem a plena participação dos alunos público 
alvo da educação especial, com autonomia e independência, no ambiente 
educacional e social. 
 
Alunos Público Alvo do AEE 
 
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação 
Inclusiva tem como objetivos, a oferta do atendimento educacional especializado, a 
formação dos professores, a participação da família e da comunidade e a articulação 
intersetorial das políticas públicas, para a garantia do acesso dos alunos com 
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou 
superdotação, no ensino regular. 
 
O QUE É AEE (Atendimento Educacional Especializado)? 
Um serviço da Educação Especial que: Identifica, Elabora e Organiza recursos 
pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação 
dos alunos, considerando as suas necessidades específicas. O AEE complementa 
e/ou suplementa a formação do aluno com vistas à autonomia e independência na 
escola e fora dela. 
 
 Os alunos público-alvo do AEE são definidos da seguinte forma: 
 
✓ Alunos com deficiência - aqueles que têm impedimentos de longo prazo de 
natureza física, intelectual, mental ou sensorial, os quais, em interação com 
diversas barreiras, podem ter obstruído sua participação plena e efetiva na 
escola e na sociedade; 
 
✓ Alunos com transtornos globais do desenvolvimento - aqueles que 
apresentam um quadro de alterações no desenvolvimento neuropsicomotor, 
comprometimento nas relações sociais, na comunicação ou estereotipias 
motoras. Incluem-se nessa definição alunos com autismo, síndrome de 
Asperger, síndrome de Rett e espectros autista, psicose infantil; 
 
 
✓ Alunos com altas habilidades ou superdotação - aqueles que apresentam um 
potencial elevado e grande envolvimento com as áreas do conhecimento 
humano, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, 
psicomotora, artes e criatividade. 
 
Institucionalização do AEE no Projeto Político Pedagógico 
 
 Conforme dispõe a Resolução CNE/CEB nº 4/2009, art. 10º, o Projeto 
Político Pedagógico - PPP da escola de ensino regular deve institucionalizar a oferta 
do AEE, prevendo na sua organização: 
I - Sala de recursos multifuncionais: espaço físico, mobiliários, materiais 
didáticos, recursos pedagógicos e de acessibilidade e equipamentos específicos; 
II - Matrícula no AEE de alunos matriculados no ensino regular da própria 
escola ou de outra escola; 
 III - Cronograma de atendimento aos alunos; 
 IV - Plano do AEE: identificação das necessidades educacionais específicas 
dos alunos, definição dos recursos necessários e das atividades a serem 
desenvolvidas; 
 V - Professores para o exercício do AEE; 
 VI - Outros profissionais da educação: tradutor intérprete de Língua Brasileira 
de Sinais, guia-intérprete e outros que atuem no apoio, principalmente ás atividades 
de alimentação, higiene e locomoção; 
 VII - Redes de apoio no âmbito da atuação profissional, da formação, do 
desenvolvimento da pesquisa, do acesso a recursos, serviços e equipamentos, entre 
outros que maximizem o AEE. 
Para fins de planejamento, acompanhamento e avaliação dos recursos e 
estratégias pedagógicas e de acessibilidade, utilizadas no processo de 
escolarização, a escola institui a oferta do atendimento educacional especializado, 
contemplando na elaboração do PPP (Anexo I), aspectos do seu funcionamento, tais 
como 
✓ Carga horária para os alunos do AEE, individual ou em pequenos 
grupos, de acordo com as necessidades educacionais específicas; 
✓ Espaço físico com condições de acessibilidade e materiais 
pedagógicos para as atividades do AEE; 
✓ Professores com formação para atuação nas salas de recursos 
multifuncionais; 
✓ Profissionais de apoio às atividades da vida diária e para a 
acessibilidade nas comunicações e informações, quando necessário; 
✓ Articulação entre os professores da educação especial e do ensino 
regular e a formação continuada de toda a equipe escolar; 
✓ Participação das famílias e interface com os demais serviços públicos 
de saúde, assistência, entre outros necessários; 
✓ Oferta de vagas no AEE para alunos matriculados no ensino regular 
da própria escola e de outras escolas da rede pública, conforme 
demanda; 
✓ Registro anual no Censo Escolar MEC/INEP das matriculas no AEE. 
 
 Professor do Atendimento Educacional Especializado - AEE 
 
Conforme Resolução CNE/CEB n.4/2009, art. 12, para atuar no atendimento 
educacional especializado, o professor deve ter formação inicial que o habilite para 
exercício da docência e formação específica na educação especial. 
O professor do AEE tem como função realizar esse atendimento de forma 
complementar ou suplementar à escolarização, considerando as habilidades e as 
necessidades específicas dos alunos público alvo da educação especial. 
 
 As atribuições do professor de AEE contemplam: 
 
✓ Elaboração, execução e avaliação do plano de AEE do aluno; 
✓ Definição do cronograma e das atividades do atendimento do aluno; 
✓ Organização de estratégias pedagógicas e identificação e produção de 
recursos acessíveis; 
✓ Ensino e desenvolvimento das atividades próprias do AEE, tais como: Libras, 
Braille, orientação e mobilidade, Língua Portuguesa para alunos surdos; 
informática acessível; Comunicação Alternativa e Aumentativa - CAA, 
atividades de desenvolvimento das habilidades mentais superiores e 
atividades de enriquecimento curricular; 
✓ Acompanhamento da funcionalidade e usabilidade dos recursos de tecnologia 
assistiva na sala de aula comum e ambientes escolares; 
✓ Articulação com os professores das classes comuns, nas diferentes etapas e 
modalidades de ensino; 
✓ Orientação aos professores do ensino regular e às famílias sobre os recursos 
utilizados pelo aluno; 
✓ Interface com as áreas da saúde, assistência, trabalho e outras. 
 
 
Garantir o acesso de todos os alunos ao ensino regular (com participação, 
aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados de ensino; 
 
Formar professores para o AEE e demais professores para a inclusão; 
 
Prover acessibilidade arquitetônica, nos transportes, nos mobiliários, comunicações 
e informação; 
Estimular a participação da família e da comunidade; 
 
Promover a articulação intersetorial na implementação das políticas públicas 
educacionais; 
 
Oferecer o atendimento educacional especializado (AEE). 
 
 
INCLUSÃO ESCOLAR 
 
A educação inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado na 
concepção de direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores 
indissociáveis, e que avança em relação à ideia de equidade formal ao 
contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da 
escola. 
A inclusão é uma inovação, cujo sentido tem sido muito distorcido e um 
movimento muito polemizado pelos mais diferentes segmentos educacionaise 
sociais. No entanto, inserir alunos com déficits de toda ordem, permanentes ou 
temporários, mais graves ou menos severos no ensino regular nada mais é do que 
garantir o direito de todos à educação – E assim diz a Constituição! 
 
ALGUNS EXEMPLOS 
 
 
 O que é Autismo? 
 
 A partir do último Manual de Saúde Mental – DSM-V, que é um guia de 
classificação diagnóstica, todos os distúrbios do autismo, incluindo Síndrome de 
Asperger, juntaram-se em um único diagnóstico chamado Transtornos do Espectro 
Autista – TEA. 
 
 Quais as características do TEA? 
 
 O TEA caracteriza-se por dificuldades significativas na comunicação e na 
interação social, além de alterações de comportamento. Suas características são 
identificadas geralmente, antes de a criança completar três anos. De acordo com o 
quadro clínico, eles podem ser divididos em três grupos: 
 
Grupo 1: ausência completa de qualquer contato interpessoal, dificuldade em 
aprender a falar, incidência de movimentos estereotipados e repetitivos. 
 
Grupo 2: A pessoa com TEA é voltada para si mesma, não estabelece contato 
visual com as pessoas nem com o ambiente. 
 
Grupo 3: domínio da linguagem, inteligência normal ou até superior, menor 
dificuldade de interação social. Geralmente, esses são os estudantes que 
conseguem avançar em sua escolarização. 
 
 
 Como se dá o Diagnóstico? 
 
 O diagnóstico é basicamente clínico. Leva em conta o comprometimento e o 
histórico do indivíduo, norteia-se pelos critérios 
estabelecidos pelo DSM–V (Manual de Diagnóstico e Estatística da Sociedade 
Norte-Americana de Psiquiatria) e pelo CID-10 (Classificação Internacional de 
Doenças da OMS). 
 
 
 Qual o tratamento? 
 
 
 O tratamento é feito por uma equipe multidisciplinar. Dentre os profissionais 
que podem ser necessários podemos citar: médico, psicólogo, fonoaudiólogo, 
terapeuta ocupacional, fisioterapeuta e/ ou educador físico. Não existe tratamento 
padrão que possa ser utilizado, cada indivíduo exige acompanhamento individual, de 
acordo com suas necessidades. 
 
 
 Necessidades Educacionais Especiais (NEE) da pessoa com TEA 
 
 
 Em se tratando de ensino superior, os estudantes com autismo usualmente 
apresentam inteligência média ou acima da média. Nesse contexto, precisam ser 
incentivados a desenvolver pensamentos de alto nível para que possam aumentar 
suas habilidades de compreensão e expressão além de ampliar seu repertório 
social. 
Deficiência é o termo empregado para definir a ausência ou a disfunção de 
uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatômica. As deficiências podem ser 
congênitas (nascem com a pessoa) ou adquiridas. As várias deficiências podem 
agrupar-se em cinco conjuntos distintos, sendo eles: 
 
Deficiência Visual 
Deficiência Auditiva 
Deficiência Mental 
Deficiência Física 
Deficiência Múltipla 
 
 
DEFICIÊNCIA VISUAL 
 Deficiência visual é a perda ou redução das funções básicas do olho e do 
sistema visual. Existem dois grupos de deficiência: 
 
 
Cegueira – há perda total da visão ou pouca capacidade de enxergar. Seu processo 
de aprendizagem será através dos sentidos remanescentes (tato, audição, olfato, 
paladar) utilizando o sistema BRAILE como principal meio de comunicação escrita. 
 
 
Baixa visão – define-se pelo comprometimento do funcionamento visual dos olhos, 
mesmo depois de tratamento ou correção. O processo educativo do aluno com baixa 
visão se desenvolverá, por meios visuais com emprego de recursos específicos 
como escrita ampliada, lupa, entre outros. 
 
DEFICIÊNCIA AUDITIVA 
 
A deficiência auditiva é a perda parcial ou total da audição em um ou ambos 
os ouvidos. Pode ser de nascença ou causada por doenças. 
É definido surdo toda pessoa cuja audição não é funcional no dia-a-dia, e 
considerado parcialmente surdo todo aquele cuja capacidade de ouvir, ainda que 
deficiente, é funcional com ou sem prótese auditiva. Tipos de deficiência auditiva: 
 
DEFICIÊNCIA AUDITIVA CONDUTIVA 
São geralmente de grau leve ou moderado, variando de 25 a 65 decibel. Os 
casos de deficiência auditiva condutiva podem ser tratados com o uso do aparelho 
auditivo ou com implante de ouvido médio. 
 
DEFICIÊNCIA AUDITIVA SENSORIONEURAL 
A perda de audição neurossensorial decorre de danos ocasionados pelas 
células sensoriais auditivas ou no nervo auditivo. Ela pode ser de grau leve, 
moderada, severa ou profunda. 
 
DEFICIÊNCIA AUDITIVA MISTA 
A deficiência auditiva mista é uma associação de uma perda auditiva Sensorioneural 
e condutiva. Decorrente de problemas em ambos os ouvidos: interno e externo ou 
médio. 
 
DEFICIÊNCIA AUDITIVA NEURAL 
 A deficiência auditiva neural é comumente profunda e permanente. Aparelhos 
auditivos e implantes cocleares não amenizam a deficiência auditiva, visto que o 
nervo não é capaz de transmitir informações sonoras para o cérebro. 
 
DEFICIÊNCIA MENTAL 
Deficiência mental é a designação que caracteriza os problemas que 
acontecem no cérebro e levam a um baixo rendimento, mas que não afetam outras 
regiões ou áreas cerebrais. 
 
Esse tipo de deficiência caracteriza-se por registrar um funcionamento 
intelectual geral, significativamente abaixo da média, oriundo do período de 
desenvolvimento, concomitante com limitações associadas a duas ou mais áreas da 
conduta adaptativa ou da capacidade do indivíduo em responder adequadamente às 
demandas da sociedade, nos seguintes aspectos: comunicação, cuidados pessoais, 
habilidades sociais, desempenho na família e comunidade, independência na 
locomoção, saúde e segurança, desempenho escolar, lazer e trabalho. (Adotada 
pelo Brasil em 1992 – AAMD –Associação Americana de Deficiência Mental). 
Segundo Rocha (2016, p. 11), há quatro níveis de retardo mental que é dado por 
variação do quociente de inteligência (ou Q.I.): 
 
RETARDO MENTAL LEVE 
O retardo mental leve pode não ser diagnosticado até que as crianças 
afetadas ingressem na escola, já que suas aptidões sociais e comunicativas podem 
ser adequadas nos anos pré-escolares Este é equivalente ao que foi certa vez 
chamado “educável”. Este grupo constitui o maior segmento de pessoas com retardo 
mental – aproximadamente 85%. À medida que ganham idade, entretanto, os 
déficits cognitivos como fraca capacidade para fazer abstrações e pensamento 
egocêntrico podem diferenciá-las de outras crianças de sua idade. Embora os 
indivíduos levemente retardados sejam capazes de funções acadêmicas no nível 
elementar superior e suas aptidões vocacionais sejam suficientes, para que se 
sustentem em alguns casos, a assimilação social pode ser difícil. Déficits de 
comunicação, fraca autoestima e dependência podem contribuir para sua relativa 
falta de espontaneidade social. Alguns indivíduos levemente retardados podem ter 
relacionamentos com companheiros que exploram seus déficits. Na maioria dos 
casos, as pessoas com retardo mental leve podem atingir grau de sucesso social e 
ocupacional em um ambiente de suporte. 
 
RETARDO MENTAL MODERADO 
O retardo mental moderado tende a ser diagnosticado mais precocemente 
que o retardo mental leve, porque as aptidões comunicativas desenvolvem-se mais 
lentamente nas pessoas com retardo mental moderado e seu isolamento social pode 
iniciar nos primeiros anos de educação de primeiro grau. Embora as conquistas 
acadêmicas, geralmente, sejam limitação ao nível elementar mediano, as crianças 
moderadamente retardadas beneficiam-se de um atendimento individual focalizado 
sobre o desenvolvimento de habilidade de autoajuda. As crianças com retardo 
mental moderado têm consciência de seus déficits e, frequentemente, sentem-se 
afastadas de seus pares e frustradas por suas limitações. Elas continuam 
necessitando de um nível relativamente alto de supervisão, mas podem tornar-se 
competentes em tarefas ocupacionais em ambientes de suporte. Elas podem 
aprender a viajar sozinhos a locais familiares. Constitui aproximadamente10% da 
população com retardo. 
 
RETARDO MENTAL SEVERO 
 O retardo mental severo geralmente se evidencia nos anos da pré-escola, já 
que a linguagem da criança afetada é mínima, e seu desenvolvimento motor é fraco. 
Algum desenvolvimento da linguagem pode ocorrer nos anos escolares, na 
adolescência, se a linguagem for fraca, ocorre a evolução de formas não verbais de 
comunicação. Eles se beneficiam de apenas em uma extensão limitada de 
treinamento em coisas como o alfabeto e contas simples. Eles podem ser ensinados 
a identificar palavras como homens, mulheres, ônibus e parada, por exemplo. A 
incapacidade de articularem plenamente suas necessidades pode reforçar os meios 
corporais de comunicação. Os enfoques comportamentais podem ajudar a promover 
algum grau de cuidados pessoais, embora os indivíduos com retardo mental severo 
geralmente necessitem de supervisão extensa. Este grupo constitui 3 a 4% da 
população com retardo. 
 
Retardo Mental Profundo 
 Constitui 1 a 2% da população com retardamento. As crianças com retardo mental 
profundo exigem supervisão constante e têm aptidões comunicativas e motoras 
severamente limitadas. Na idade adulta, algum desenvolvimento da linguagem pode 
estar presente, e habilidades simples de autoajuda podem ser adquiridas. Mesmo na 
idade adulta, necessitam de cuidados de enfermagem. 
 
DEFICIÊNCIA FÍSICA 
Podemos definir a deficiência física como “diferentes condições motoras que 
acometem as pessoas comprometendo a mobilidade, a coordenação motora geral e 
da fala, em consequência de lesões neurológicas, neuromusculares, ortopédicas, ou 
más formações congênitas ou adquiridas” (MEC,2004). 
A deficiência física se refere ao comprometimento do aparelho locomotor que 
compreende o sistema Osteoarticular, o Sistema Muscular e o Sistema Nervoso. As 
doenças ou lesões que afetam quaisquer desses sistemas, isoladamente ou em 
conjunto, podem produzir grandes limitações físicas de grau e gravidades variáveis, 
segundo os segmentos corporais afetados e o tipo de lesão ocorrida. (BRASIL, 
2006, p. 28) 
 
DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA 
A deficiência múltipla é a associação de duas ou mais deficiências, sejam 
intelectuais, físicas, distúrbios neurológicos, emocionais, linguagem e 
desenvolvimento educacional, vocacional, social e emocional. De acordo com alguns 
pesquisadores, a deficiência múltipla pode ser separada pelas seguintes dimensões: 
 
Física e psíquica associa a deficiência física à deficiência intelectual; associa a 
deficiência física à transtornos mentais. 
 
Sensorial e psíquica Engloba a deficiência auditiva associada à deficiência 
intelectual; A deficiência visual à deficiência intelectual; A deficiência auditiva à 
transtornos mentais; Perda visual à transtorno mental. 
 
Sensorial e física Associa a deficiência auditiva à deficiência física; A deficiência 
visual à deficiência física. 
Física, psíquica e sensorial: Traz a deficiência física associada à deficiência 
visual e à deficiência intelectual; A deficiência física associada à deficiência auditiva 
e à deficiência intelectual; A deficiência física associada à deficiência auditiva e à 
deficiência visual. 
 
DEFICIÊNCIA INTELECTUAL 
 
A Deficiência Intelectual, segundo a Associação Americana sobre Deficiência 
Intelectual do Desenvolvimento AAIDD, caracteriza-se por um funcionamento 
intelectual inferior à média (QI), associado a limitações adaptativas em pelo menos 
duas áreas de habilidades (comunicação, auto cuidado, vida no lar, adaptação 
social, saúde e segurança, uso de recursos da comunidade, determinação, funções 
acadêmicas, lazer e trabalho), que ocorrem antes dos 18 anos de idade. 
No dia a dia, isso significa que a pessoa com Deficiência Intelectual tem dificuldade 
para aprender, entender e realizar atividades comuns para as outras pessoas. 
Muitas vezes, essa pessoa se comporta como se tivesse menos idade do que 
realmente tem. 
A Deficiência Intelectual é resultado, quase sempre, de uma alteração no 
desempenho cerebral, provocada por fatores genéticos, distúrbios na gestação, 
problemas no parto ou na vida após o nascimento. Um dos maiores desafios 
enfrentados pelos pesquisadores da área é que em grande parte dos casos 
estudados essa alteração não tem uma causa conhecida ou identificada. 
 
PRINCIPAIS CAUSAS 
 
Os fatores de risco e causas que podem levar à Deficiência Intelectual podem 
ocorrer em três fases: pré-natais, perinatais e pós-natais. 
 
PRÉ-NATAIS 
Fatores que incidem desde o momento da concepção do bebê até o início do 
trabalho de parto: 
• Fatores genéticos 
http://www.aaidd.org/
• Alterações cromossômicas (numéricas ou estruturais) - provocam Síndrome 
de Down, entre outras. 
 
• Alterações gênicas (erros inatos do metabolismo): que provocam 
Fenilcetonúria, entre outras. 
• Fatores que afetam o complexo materno-fetal 
 
• Tabagismo, alcoolismo, consumo de drogas, efeitos colaterais de 
medicamentos teratogênicos (capazes de provocar danos nos embriões e 
fetos). 
• Doenças maternas crônicas ou gestacionais (como diabetes mellitus). 
 
• Doenças infecciosas na mãe, que podem comprometer o feto: sífilis, rubéola, 
toxoplasmose. 
 
• Desnutrição materna. 
 
PERINATAIS 
Fatores que incidem do início do trabalho de parto até o 30.º dia de vida do bebê: 
• Hipóxia ou anoxia (oxigenação cerebral insuficiente). 
• Prematuridade e baixo peso: Pequeno para Idade Gestacional (PIG). 
• Icterícia grave do recém-nascido (kernicterus). 
 
PÓS-NATAIS 
Fatores que incidem do 30.º dia de vida do bebê até o final da adolescência: 
• Desnutrição, desidratação grave, carência de estimulação global. 
• Infecções: meningites, sarampo. 
• Intoxicações exógenas: envenenamentos provocados por remédios, 
inseticidas, produtos químicos como chumbo, mercúrio etc. 
• Acidentes: trânsito, afogamento, choque elétrico, asfixia, quedas etc. 
 
PRINCIPAIS TIPOS DE DEFICIÊNCIA INTELECTUAL 
 
Entre os inúmeros fatores que podem causar a deficiência intelectual, 
destacam-se alterações cromossômicas e gênicas, desordens do 
desenvolvimento embrionário ou outros distúrbios estruturais e funcionais que 
reduzem a capacidade do cérebro. 
• Síndrome de Down – alteração genética que ocorre na formação do bebê, no 
início da gravidez. O grau de deficiência intelectual provocado pela síndrome é 
variável, e o coeficiente de inteligência (QI) pode variar e chegar a valores 
inferiores a 40. A linguagem fica mais comprometida, mas a visão é 
relativamente preservada. As interações sociais podem se desenvolver bem, no 
entanto podem aparecer distúrbios como hiperatividade, depressão, entre outros. 
• Síndrome do X-Frágil – alteração genética que provoca atraso mental. A 
criança apresenta face alongada, orelhas grandes ou salientes, além de 
comprometimento ocular e comportamento social atípico, principalmente timidez. 
• Síndrome de Prader-Willi – o quadro clínico varia de paciente a paciente, 
conforme a idade. No período neonatal, a criança apresenta severa hipotonia 
muscular, baixo peso e pequena estatura. Em geral a pessoa apresenta 
problemas de aprendizagem e dificuldade para pensamentos e conceitos 
abstratos. 
• Síndrome de Angelman – distúrbio neurológico que causa deficiência 
intelectual, comprometimento ou ausência de fala, epilepsia, atraso psicomotor, 
andar desequilibrado, com as pernas afastadas e esticadas, sono entrecortado e 
difícil, alterações no comportamento, entre outras. 
• Síndrome Williams – alteração genética que causa deficiência intelectual de 
leve a moderada. A pessoa apresenta comprometimento maior da capacidade 
visual e espacial em contraste com um bom desenvolvimento da linguagem oral 
e na música. 
 
CONCEITO DE ALUNOS COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTADOS 
 
A Política Nacional de Educação Especial define, como portadores de altas 
habilidades/superdotados, os educandos que apresentam notável desempenho eelevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos, isolados ou 
combinados, capacidade intelectual geral; aptidão acadêmica específica; 
pensamento criativo ou produtivo; capacidade de liderança; talento especial para 
artes e capacidade psicomotora. Dos tipos mencionados, destacam-se os seguintes: 
 
 
Tipo Intelectual: apresenta flexibilidade e fluência de pensamento, 
capacidade de pensamento abstrato para fazer associações, produção 
ideativa, rapidez do pensamento, compreensão e memória elevada, 
capacidade de resolver e lidar com problemas. 
 
Tipo Acadêmico: evidencia aptidão acadêmica específica, atenção, 
concentração; rapidez de aprendizagem, boa memória, gosto e motivação 
pelas disciplinas acadêmicas de seu interesse; habilidade para avaliar, 
sintetizar e organizar o conhecimento; capacidade de produção acadêmica. 
 
Tipo Criativo: relaciona-se à originalidade, imaginação, capacidade para 
resolver problemas de forma diferente e inovadora, sensibilidade para as 
situações ambientais, podendo reagir e produzir diferentemente e, até de 
modo extravagante; sentimento de desafio diante da desordem de fatos; 
facilidade de autoexpressão, fluência e flexibilidade. 
 
Tipo Social: revela capacidade de liderança e caracteriza-se por demonstrar 
sensibilidade interpessoal, atitude cooperativa, sociabilidade expressiva, 
habilidade de trato com pessoas diversas e grupos para estabelecer relações 
sociais, percepção acurada das situações de grupo, capacidade para resolver 
situações sociais complexas, alto poder de persuasão e de influência no 
grupo. 
 
Tipo Talento Especial: pode-se destacar tanto na área das artes plásticas, 
musicais, como dramáticas, literárias ou cênicas, evidenciando habilidades 
especiais para essas atividades e alto desempenho. 
 
Tipo Talento Espacial: destaca-se por apresentar habilidade e interesse 
pelas atividades psicomotoras, evidenciando desempenho fora do comum em 
velocidade, agilidade de movimentos, força, resistência, controle e 
coordenação motora. 
Esses tipos são considerados nas classificações internacionais, podendo 
haver várias combinações entre eles e, inclusive, o aparecimento de outros, 
relacionados a outros talentos e habilidades. 
 
 
Assim, em sala de aula, os alunos podem evidenciar maior facilidade 
para linguagem, para socialização, capacidade de conceituação expressiva 
ou desempenho escolar superior. No desempenho linguístico destacam-se o 
raciocínio verbal e vocabulário superior à idade, nível de leitura acima da 
média do grupo, habilidades de comunicação e linguagem criativa. 
 
A capacidade de conceituação inclui apreensão rápida da relação causa-
efeito, observação acurada, domínio dos fatos e manipulação dos símbolos, 
além de um raciocínio incomum. 
 
Na área da socialização, tais alunos apresentam facilidade de contato social, 
capacidade de liderança, relacionamento aberto e receptivo, além de 
sensibilidade aos sentimentos dos outros. 
 
O desempenho escolar compreende o alto nível de produção intelectual, a 
motivação para aprendizagem, a existência de metas e objetivos acadêmicos 
definidos, a atenção prolongada e centrada nos temas de seu interesse, além 
da persistência dos esforços face às dificuldades inesperadas. 
 
Entretanto, não se pressupõe que todos os alunos superdotados e/ou com 
altas habilidades apresentem todas essas características. Quando as 
apresentam, isso não se dá, necessariamente, em simultaneidade e no 
mesmo nível. O importante é que não se deve generalizar. Alunos podem ter 
desempenho expressivo em algumas áreas, médio ou baixo em outras, 
dependendo do tipo de alta habilidade/superdotação. 
 
Por outro lado, há outros que, embora apresentem altas habilidades/ 
superdotação, têm rendimento escolar inferior e merecem cuidados especiais, 
pois, frequentemente, manifestam falta de interesse e motivação para os 
estudos acadêmicos e para a rotina escolar, podendo também apresentar 
dificuldades de ajustamento ao grupo de colegas, o que desencadeia 
problemas de aprendizagem e de adaptação escolar. 
 
 
Tecnologia Assistiva é um termo ainda novo, utilizado para identificar todo o 
arsenal de Recursos e Serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar 
habilidades funcionais de pessoas com deficiência e consequentemente 
promover Vida Independente e Inclusão. 
Os Recursos são todo e qualquer item, equipamento ou parte dele, produto ou 
sistema fabricado em série ou sob medida utilizado para aumentar, manter ou 
melhorar as capacidades funcionais das pessoas com deficiência. Os Serviços, são 
definidos como aqueles que auxiliam diretamente uma pessoa com deficiência a 
selecionar, comprar ou usar os recursos acima definidos. 
• Recursos 
Podem variar de uma simples bengala a um complexo sistema 
computadorizado. Estão incluídos brinquedos e roupas adaptadas, 
computadores, softwares e hardwares especiais, que contemplam questões 
de acessibilidade, dispositivos para adequação da postura sentada, recursos 
para mobilidade manual e elétrica, equipamentos de comunicação alternativa, 
chaves e acionadores especiais, aparelhos de escuta assistida, auxílios 
visuais, materiais protéticos e milhares de outros itens confeccionados ou 
disponíveis comercialmente. 
 
Como se organiza o serviço de tecnologia assistiva na perspectiva da 
educação inclusiva? 
No atendimento educacional especializado, o professor fará, junto com o 
aluno, a identificação das barreiras que ele enfrenta no contexto educacional comum 
e que o impedem ou o limitam de participar dos desafios de aprendizagem na 
escola. Identificando esses "problemas" e também identificando as "habilidades do 
aluno", o professor pesquisará e implementará recursos ou estratégias que o 
auxiliarão, promovendo ou ampliando suas possibilidades de participação e atuação 
nas atividades, nas relações, na comunicação e nos espaços da escola. 
A sala de recursos multifuncional será o local apropriado para o aluno 
aprender a utilização das ferramentas de tecnologia assistiva, tendo em vista o 
desenvolvimento da autonomia. Não poderemos manter o recurso de tecnologia 
assistiva exclusivamente na sala multifuncional para que somente ali o aluno possa 
utilizá-lo. 
A tecnologia assistiva encontra sentido quando segue com o aluno, no 
contexto escolar comum, apoiando a sua escolarização. Portanto, o trabalho na sala 
se destina a avaliar a melhor alternativa de tecnologia assistiva, produzir material 
para o aluno e encaminhar estes recursos e materiais produzidos, para que eles 
sirvam ao aluno na escola comum, junto com a família e nos demais espaços que 
frequenta. 
São focos importantes do trabalho de tecnologia assistiva na perspectiva da 
educação inclusiva: 
• a tecnologia assistiva numa proposição de educação para autonomia, 
• a tecnologia assistiva como conhecimento aplicado para resolução de 
problemas funcionais enfrentados pelos alunos, e 
• a tecnologia assistiva promovendo a ruptura de barreiras que impedem ou 
limitam a participação destes alunos nos desafios educacionais. 
 
Auxílios para a vida diária; 
 
• Comunicação aumentativa (suplementar) e alternativa; 
 
• Recursos de acessibilidade ao computador; 
 
• Sistemas de controle de ambiente; 
 
• Projetos arquitetônicos de acessibilidade; 
 
• Órteses e próteses; 
 
• Adequação postural; 
 
• Auxílios de mobilidade; 
 
• Auxílios para cegos ou com visão sub-normal; 
 
• Auxílios para surdos ou com déficit auditivo; 
 
• Adaptações de veículos. 
 
SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS 
 
É o espaço localizado na escola de educação básica onde se realiza o 
Atendimento Educacional Especializado. Constituída de mobiliários, materiais 
didáticos, recursos pedagógicos e de acessibilidade e equipamentos específicos. 
 
Quem é a Pessoa com Necessidades Educacionais Especiais? 
 
É o educando que apresenta, em caráter permanente ou temporário, algum 
tipo de deficiência física, sensorial, cognitiva, múltipla, condutas típicas ou 
altas habilidades,necessitando por isso, de recursos especializados para 
desenvolver plenamente seu potencial e/ou superar ou minimizar suas dificuldades. 
 
 
 
 
ACESSIBILIDADE 
 
 É a possibilidade e a condição de alcance, percepção e entendimento para 
utilização com segurança e autonomia de edificações, espaços, mobiliários, 
equipamentos urbanos, meios de transporte e comunicação. Pode-se dizer que a 
acessibilidade não é apenas uma questão física e arquitetônica, mas expressa um 
processo amplo de inclusão. 
 
 
Pessoas com deficiência Redução, limitação ou inexistência das condições de 
percepção das características do ambiente ou da mobilidade e utilização de 
edificações, espaços, mobiliários, equipamentos urbanos e elementos, em caráter 
temporário ou permanente 
 
 LEGALIDADE 
Constituição Federal: A toda pessoa é garantido o direito de ir e vir, segundo 
a Constituição Federal que, em seu artigo 5º, estabelece que: “XV – é livre a 
locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos 
termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens”. O artigo 227 
define que: “§ 2º – A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos 
edifícios de uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo, a fim de 
garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência” e o artigo 244 
define que a lei disporá sobre a adaptação dos logradouros, dos edifícios de uso 
público e dos veículos de transporte coletivo atualmente existentes a fim de garantir 
acesso adequado às pessoas com deficiência. 
Leis Federais: As Leis Federais nos 10.048 e 10.098 de 2000 
estabeleceram normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade 
das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, temporária ou 
definitivamente. A primeira trata de atendimento prioritário e de acessibilidade nos 
meios de transportes e inova ao introduzir penalidades ao seu descumprimento; e a 
segunda subdivide o assunto em acessibilidade ao meio físico, aos meios de 
transporte, na comunicação e informação e em ajudas técnicas. 
 Decreto nº 5.296: As leis acima citadas foram regulamentadas por meio do 
Decreto nº 5.296, de 02.12.2004, que definiu critérios mais específicos para a 
implementação da acessibilidade arquitetônica e urbanística e aos serviços de 
transportes coletivos. No primeiro caso, no que se refere diretamente à mobilidade 
urbana, o decreto define condições para a construção de calçadas, instalação de 
mobiliário urbano e de equipamentos de sinalização de trânsito, de estacionamentos 
de uso público; no segundo, define padrões de acessibilidade universal para 
“veículos, terminais, estações, pontos de parada, vias principais, acessos e 
operação” do transporte rodoviário (urbano, metropolitano, intermunicipal e 
interestadual), ferroviário, aquaviário e aéreo. 
Artigo 9º da ONU: O artigo 9 da Convenção da ONU sobre os direitos da 
pessoa com deficiência, transformada em emenda constitucional pelo Decreto 
6949/2009, prevê a adoção de medidas apropriadas para assegurar o acesso, em 
igualdade de oportunidades com as demais pessoas, ao meio físico, ao transporte, à 
informação e comunicação, bem como a outros serviços e instalações abertos ao 
público, tanto na zona urbana quanto na zona rural. Inclui a identificação e a 
eliminação de obstáculos e barreiras à acessibilidade, devendo ser aplicadas, entre 
outros, a edifícios, rodovias, meios de transporte e outras instalações internas e 
externas, inclusive escolas, moradia, instalações médicas e local de trabalho, e 
informações, comunicações e outros serviços, inclusive serviços eletrônicos e 
serviços de emergência. 
 Lei Federal nº 13.146, 06 de julho de 2015: institui a Lei Brasileira de 
Inclusão da Pessoa com Deficiência. A LBI, Lei Brasileira de Inclusão, tem como 
base a Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) e é destinada a 
assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das 
liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando sua inclusão social e 
cidadania. 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
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educacionais especiais. 2. ed. Porto Alegre: Mediação, 2006. 
 
 
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165-184. 
 
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Ática, 2008. 
 
 
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Ibpex, 2008. 
 
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Vygotsky e o processo de formação de conceitos. São Paulo: Summus, 1992. p. 
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SANTOS, V. P. Interdisciplinaridade na sala de aula. São Paulo: Loyola, 2007. 
 
SANTOS, M.P. dos (1999) Educação Inclusiva e a Declaração de Salamanca: 
conseqüências ao sistema educacional brasileiro. In: Integração. MEC/SEESP. 
Brasília, vol. 22, dez. 1999. 
 
Portal Educar Para Crescer, “10 dicas simples para colaborar com a inclusão 
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SASSAKI, Romeo. Kazumi. Inclusão, o paradigma da próxima década. Mensagem, 
Brasília, v. 34, n. 83, p. 29, 1998. 
 
STAINBACK Susan. Inclusão: Um guia para Educadores: Tradução- Magda França 
Lopes. Porto Alegre: Artes Médicas. 2004. 
 
FONSECA, V. da. (2016). Dificuldades de aprendizagem. Rio de Janeiro: Wak 
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