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TARCÍSIO TITO SALGADO LOGÍSTICA práticas, técnicas e processos de melhorias 4ª edição atualizada Editora Senac São Paulo – São Paulo – 2023 Sumário Nota do editor 1. O que é logística? Uma sequência ordenada: a logística funciona assim! Voltando no tempo A logística no Brasil E onde estão as oportunidades de trabalho para o profissional de logística? O profissional de logística: títulos, cargos e perfil que as empresas procuram 2. Entendendo o funcionamento de uma empresa para entender a logística O planejamento estratégico A previsão de vendas A administração do estoque 3. O estoque Entendendo melhor como o estoque interfere no lucro de uma empresa Categorização dos produtos Conflitos entre as áreas operacionais (Compras, Vendas e Produção) e a área Financeira em relação ao estoque Administrando os níveis de estoque com auxílio de parâmetros Nível de serviço 4. A operação logística: compras, recebimento, armazenagem, separação, expedição e distribuição Compras Recebimento Armazenagem Separação Expedição Distribuição 5. Tecnologia e técnicas aplicadas à logística e novas tendências que vão revolucionar a logística e seu emprego O WMS O TMS Tecnologia de automação Tecnologias e técnicas de integração entre a indústria e o varejo Comércio eletrônico Tendências mundiais 6. Entendendo os custos logísticos Passo a passo dos custos de um armazém 7. Cadeia de suprimentos: onde as empresas se integram O desafio da integração da cadeia de suprimentos Classificação das cadeias de suprimentos Oportunidades de melhorias na CS 8. Logística reversa: um braço operacional da sustentabilidade Na prática 9. O olhar analítico: identificando oportunidades de melhorias nos processos logísticos A lista de oportunidades Atitudes que fazem a diferença Ciclo de oportunidades das melhorias Como fazer a análise Anexo – Faça você: desafio de construir uma operação de armazenagem Bibliografia Índice Sobre o autor Nota do editor A logística empresarial pode ser considerada um campo relativamente novo de estudo. O primeiro livro dedicado ao tema data da década de 1960. A publicação re�etia a necessidade de o público conhecer melhor e de forma mais sistematizada práticas que haviam mudado e estavam mudando o dia a dia nas empresas. No começo do século XX, Henry Ford, com sua produção em série de automóveis, intensi�cara a necessidade de estocar e de movimentar insumos e produtos. Já em meados do século, a Toyota, no Japão, aliava as técnicas dos norte-americanos com a disciplina oriental para implementar metodologias que, ao melhorar o desempenho, permitiam redução de estoques e, consequentemente, dos custos. Um pouco mais tarde, a rede Walmart promovia uma revolução no varejo. No �m do século, a globalização traria a necessidade de os administradores compartilharem informações com clientes e fornecedores, de modo que promovesse a integração e a otimização dos processos. Essa pulsante evolução da logística, relatada no início deste livro, prepara o leitor para a complexidade desse assunto, constantemente alimentado pelo compartilhamento de novas práticas. Mas é na estruturação das informações e na clareza com que são apresentadas que se constitui o diferencial de Logística: práticas, técnicas e processos de melhorias. Em um aprofundamento crescente, o leitor vai se apropriando dos temas e, por �m, é convidado a elaborar um projeto. Esta publicação do Senac São Paulo é destinada aos pro�ssionais que os empresários buscam: pessoas preparadas para sugerir e propor um aprimoramento constante no local onde trabalham. 1 O que é logística? Quase todos os dias os jornais apresentam as dificuldades que o Brasil tem por falta de uma estrutura adequada nos portos, nas estradas e nas ferrovias. Esses entraves afetam o crescimento do país e a lucratividade das empresas. Você já pensou na quantidade de situações que envolvem a relação fornecedor–cliente, produtor–distribuidor, vendas–entregas e outros aspectos que fazem parte do cotidiano do mercado? O objetivo deste capítulo é começar a esclarecer essas questões e apresentar o mercado de trabalho da área de logística: o que os empregadores procuram? Que tipo de profissional preciso ser? A logística tem uma história antiga, mas ainda assim muita gente se confunde na hora de de�ni-la. A maioria diz que é o transporte por caminhões; outros falam que é o depósito que armazena determinados produtos. Existem aqueles que “culpam” a logística pelo atraso das entregas. Nos telejornais, pudemos ver muitas notícias sobre a logística para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. Durante a pandemia do coronavírus (covid-19), uma doença infecciosa causada pelo vírus SARS-CoV-2, em 2020 e 2021, vivenciamos no Brasil e no mundo a vital importância e contribuição das operações logísticas, que salvaram muitas vidas. Com o isolamento das pessoas em casa, foi crucial a rápida adaptação de restaurantes, de supermercados, do comércio em geral e, principalmente, da tecnologia de aplicativos nos smartphones, disponibilizados com extrema agilidade para que as operações continuassem, isso sem falar dos entregadores de aplicativos, os motoboys. Quantas atividades foram necessárias para que as entregas fossem realizadas no tempo, lugar e qualidade exigidos? Após esses eventos, as reportagens avaliavam o que deu certo e o que deu errado no planejamento logístico. Parece até uma palavra “mágica”, que se encaixa em tudo no dia a dia. E isso é verdade: a logística está em tudo. Logística é movimento e depende de planejamento. Você pode falar de logística de guerra (como é o caso da Ucrânia e Rússia em 2022), de logística de turismo, logística da saúde no enfrentamento de uma epidemia ou pandemia... ou seja, de algo que exige um movimento planejado. Mas, neste livro, o foco é a chamada logística empresarial: aquela que envolve as várias indústrias, como a automobilística, a de medicamentos, a de alimentos, a têxtil, a de eletroeletrônicos, a de telecomunicações, a de combustíveis e a da construção civil. A logística empresarial abrange os seguintes processos: → logística de compras (também chamada de logística de suprimentos); → logística de produção; → logística de armazenagem; → logística de distribuição física ou de transportes; → logística de serviços. Neste livro, o foco está nas logísticas de compras, de armazenagem e de distribuição. Uma sequência ordenada: a logística funciona assim! A logística caminha rigorosamente por meio de processos e atividades executados sequencialmente, em cada empresa e em todas as empresas que, juntas, formam uma cadeia[1], chegando ao cliente �nal. A logística perfeita é aquela que �ui naturalmente, sem resistência, até seu destino. No caso de uma empresa industrial, a logística natural é: COMPRAR MATERIAIS ➜ ARMAZENAR ➜ PRODUZIR ➜ DISTRIBUIR As atividades administrativas são necessárias para dar suporte a essas operações, por isso as empresas planejam no curto, no médio e no longo prazos. As empresas de�nem quanto precisam vender para pagar as contas (as �xas e as variáveis) e ainda obter lucro. A partir disso, precisam administrar todos os recursos necessários para atender ao cliente. Esses recursos são os funcionários, os equipamentos, a tecnologia, as instalações, e ainda precisam pagar os tributos (impostos, taxas, etc.), que não são poucos. A esse respeito, a Reforma Tributária continua em pauta há anos e o país precisa solucionar mais esta questão rapidamente para ser competitivo no mercado internacional. Acompanhe seu status no site de notícias o�ciais do Senado. Até a elaboração deste texto, a sitação ainda é de negociação entre deputados e senadores. Enquanto isso, o Custo Brasil vai aumentando e perdemos competitividade no mercado interno e externo. A logística entra como um importante elemento para ajudar em todo esse funcionamento de uma empresa, porque está ligada ao “como”, ao fazer acontecerdemonstra que uma quantidade de material/produto é consumida/vendida todos os meses, e no mês de junho essa quantidade chega a zero. Neste mesmo mês, recebe-se nova quantidade, o que é conhecido como reposição de estoque ou compra, e que novamente eleva o seu nível de estoque. Agora, imaginemos o que aconteceria se o estoque do material terminasse no dia 5 de junho, mas a compra só chegasse à empresa no dia 15 de junho? Uma das hipóteses é que a fábrica poderia parar por falta de matéria-prima ou embalagem. Seria necessário comprar alguma quantidade em caráter de emergência, ou, o que é ainda mais grave, a empresa perderia vendas se fossem produtos prontos para faturamento. Para evitar tal situação, ou seja, para impedir que o estoque seja “zerado”, é importante de�nir os parâmetros de estoque, identi�cados na �gura a seguir: → PP: ponto de pedido; → Est. Max. ou Emax: estoque máximo; → Est. Min. ou Emin: estoque mínimo (ou segurança); → TR: tempo de reposição (lead time de compra). Figura 3.2. Gráfico com parâmetros de estoque Na maioria das situações, o conjunto desses parâmetros nos ajuda a evitar que um material ou produto falte ou �que em excesso em nosso estoque. E como isso funciona no dia a dia? É necessário que tenhamos controle sobre cada item a ser monitorado por meio de uma planilha eletrônica, de um sistema (soware) ou de �chas (Kardex) em que constem essas informações (parâmetros) em quantidade. Por exemplo, no caso do produto utilizado em nosso exercício das páginas 41-42, a coxinha de frango (agora em embalagens congeladas): suponhamos que o consumo médio mensal seja de 1.000 coxinhas (média de consumo dos últimos seis meses). Enquanto pudermos controlar o estoque “visualmente”, olhando para nosso freezer ou congelador, �ca fácil saber quando o estoque está acabando, ou seja, saberemos que devemos produzir ou comprar mais coxinhas quando o congelador estiver quase vazio. Mas, quando tivermos vários congeladores ou vários produtos em nossa lista de vendas, será inevitável estabelecer um controle mais rígido, com as seguintes informações e lançamentos em uma �cha ou planilha: PRODUTO: ESTOQUE MÍNIMO: ESTOQUE MÁXIMO: PONTO DE PEDIDO: CONSUMO MÉDIO MENSAL: TEMPO DE REPOSIÇÃO: E como de�nimos essas quantidades? Tudo dependerá do consumo do período. Se o consumo médio mensal (Cm) é de 1.000 unidades (recomenda-se que sejam considerados, pelo menos, os consumos médios dos últimos seis meses), e o fornecedor precisa de dois meses para entregar o pedido (TR), necessito ter em estoque uma quantidade mínima (Emin) para não perder as vendas ou parar a produção até que receba a nova encomenda (pedido de compra). Mas quanto devo pedir? Logicamente, os números não são iguais todos os dias. As vendas podem ser maiores, tanto diária quanto mensalmente (acima ou abaixo do previsto), e também o fornecedor pode atrasar a entrega. Por isso, é importante manter um controle diário de todos os fatos ocorridos, ou seja, fazendo os lançamentos acerca da movimentação do estoque (vendas, compras, extravios, perdas, reservas, etc.). Todos os fatos que possam alterar o saldo de estoque devem ser registrados diariamente e, se possível, várias vezes ao dia. Segue um modelo simples para ilustrar como devem estar organizadas as informações para que os lançamentos possam ocorrer diariamente e durante o mês (seja por meio de um soware, seja por uma planilha eletrônica ou um caderno): Ficha de estoque Produto: 0001 – Coxinha de frango congelada Estoque máximo: ____ Estoque mínimo: ____ Ponto de pedido: ____ Tempo de reposição: _____ dias Consumo médio mensal (média últimos 6 meses): _____ Data Ocorrência Entrada em estoque Saída do estoque Saldo do dia __/__ __/__ __/__ __/__ Figura 3.3. Exemplo de ficha de estoque Agora, vamos entender e calcular nossos parâmetros de ponto de pedido, estoque mínimo e estoque máximo? O ponto de pedido (ou de reposição) é a quantidade a partir da qual devemos estar alertas, pois indica o momento de iniciar o processo de compras para que o fornecedor entregue o material em uma data limite, evitando que o estoque �que “zerado” e prejudique as vendas. O ponto de pedido é calculado a partir dos seguintes elementos: → Estoque mínimo ou segurança (Emin): quantidade mínima para evitar falta de material no estoque, enquanto o fornecedor não entrega o material; → Consumo médio mensal (Cm): quantidade média consumida do material (pelo menos) nos últimos 6 meses; → Tempo de reposição (TR): tempo necessário entre a realização do pedido até a chegada do material na empresa (dias ou meses de que o fornecedor necessita para atender um pedido. Importante: o tempo deve estar na mesma base do consumo médio). Está dividido em três etapas: o tempo para a emissão e entrega do pedido ao fornecedor; o tempo para o fornecedor produzir ou separar o produto e entregar à empresa; e o tempo para a empresa receber, inspecionar e disponibilizar o produto para uso ou venda. Se uma dessas fases for comprometida, é possível que haja um atraso na entrega e que a empresa �que sem estoque, gerando consequências impactantes. Vejamos a fórmula básica para calcular o ponto de pedido: PP = Cm × TR + Emin Antes de inserir os números na fórmula, é necessário calcular o estoque mínimo (Emin). Faremos isso por meio da seguinte fórmula: Emin = Cm × K[4] K é um fator de segurança arbitrário. Ele é proporcional ao grau de atendimento desejado para o item. Por exemplo, se desejamos que o item tenha um nível de atendimento de 90%, isso signi�ca que em somente 10% das vezes o estoque será zero. Então, vamos aplicá-lo à fórmula: Emin = 1.000 × 0,9 Emin = 900 Agora, para completar o cálculo do ponto de pedido, vamos substituir, na fórmula, os números necessários, considerando TR = 2 meses: PP = (Cm × TR) + Emin PP = (1.000 × 2) + 900 PP = 2.900 Em seguida, vamos calcular o estoque máximo que deveremos manter na empresa para este produto. Esse indicador é importante para evitar exageros nas compras e estoques muito lotados. A fórmula para o estoque máximo é: Emax = (Emin + Cm) × TR Então, substituindo na fórmula: Emax = (900 + 1.000) × 2 Emax = 3.800 Agora, vamos atualizar o cadastro do nosso produto na �cha de estoque, lembrando que esta pode ser uma tela apresentada pelo sistema/soware E.R.P. de sua empresa ou uma �cha em papel. O importante é que tenhamos disponíveis essas informações de movimentação do estoque, assim como os parâmetros atualizados para análises e decisões. Ficha de estoque Produto: 0001 – Coxinha de Frango congelada Estoque máximo: 3.800 Estoque mínimo: 900 Ponto de pedido: 2.900 Tempo de reposição: 2 meses Consumo médio mensal (média últimos 6 meses): 1.000 Data Ocorrência Entrada em estoque Saída do estoque Saldo do dia 1.000 01.06 Venda – 200 800 01.06 Devolução ao fornec. – 100 700 02.06 Venda – 150 550 10.06 Compra 3.000 – 3.550 Figura 3.4. Exemplo de ficha de estoque preenchida O objetivo aqui não foi ensiná-lo a gerir um estoque, e sim demonstrar como o estoque impacta os custos de uma empresa, e a importância de ter um controle (registro) das transações de movimentação. No exemplo utilizado, caso conseguíssemos reduzir o prazo de entrega do fornecimento (TR) para um mês, nosso estoque máximo seria reduzido em 50% (de 3.800 para 1.900), e o ponto de pedido, de 2.900 cairia para 1.900. Além disso, se conseguíssemos ainda melhores garantias com qualidade e prazo, poderíamos reduzir as incertezas e o nosso estoque mínimo (segurança). Exempli�cando: se o fornecedor estivesse próximo à nossa empresa e entregasse o pedido no mesmo dia, o nosso TR seria zero e não precisaríamos de estoque de segurança. Assim, economizaríamos espaço e dinheiro para armazenar 900 unidades de coxinha em nossos congeladores. O nosso estoque máximo seria o próprio consumo médio. Se analisarmos as fórmulas, veremos que todos os parâmentros são dependentes do TR. Quanto menor o TR, menos estoque é necessáriomanter. Nas empresas que utilizam técnicas de JIT (Just In Time), o estoque é praticamente zero. Imagine o impacto que teríamos nos resultados da empresa considerando que reduziríamos investimentos em estoque (dinheiro parado/custo de oportunidade), bem como custos de pedidos e de armazenagem (equipamentos, depreciação, seguro, manutenção e mão de obra). Imagine, então, se considerarmos cem, quinhentos, mil ou dez mil itens de estoque, como é o caso do varejo e das indústrias automobilísticas! Agora você pode entender melhor o motivo do sucesso dos japoneses nas décadas passadas, pois já utilizavam essas técnicas de redução de estoques. Portanto, como pro�ssional de logística, você sempre terá oportunidades para realizar melhorias em sua empresa, principalmente neste importante e rico assunto: o estoque. Lembre- se: reduzir investimentos em estoque impacta diretamente o aumento de lucro da empresa. Vale a pena pesquisar mais sobre o assunto. Nível de serviço Atender às necessidades do cliente entregando seus pedidos na data e na quantidade solicitadas exige manter estoques. Mas, como você viu, a manutenção de estoques envolve custos, por isso os gestores precisam de�nir qual o nível dos serviços que serão oferecidos ao cliente, classi�cando- os em A, B e C. Quanto mais alto for o nível de serviços, maior será o custo de armazenagem. Acompanhe como a classi�cação ABC aplicada ao faturamento de clientes se relaciona com o nível de serviços: os clientes classe A são aqueles que representam aproximadamente 80% do faturamento e, em geral, eles são apenas 20% da carteira de clientes. Também são os mais exigentes, com prazo e frequência de entrega recorrentes (às vezes, mais de uma vez por semana), agendamento de horário, embalagens especiais, rastreamento e acompanhamento de cargas via internet, motoristas com acompanhantes para descarga, etc. Em resumo, os gastos são altos, por isso devem ser compensados pela quantidade comprada pelo cliente mensalmente. Os demais clientes compram quantidades menores, sem tais custos e com frequência de entregas menores (quinzenais ou mensais). Além disso, apresentam maior tolerância ao atraso e não �xam horário de entrega, ou seja, geram menor custo. A “moral da história” é: cada cliente exige um nível de serviço (custo) diferente, e essa política precisa ser aplicada de uma forma bem pensada, caso contrário, será oferecido um serviço (custo) que o cliente não reconhece como “ganhador de pedido” – logo, desnecessário. Como é feita a classificação ABC Para de�nir o que é prioridade em um estoque, o administrador precisa conhecer quais são os itens “nobres” com que ele trabalha. Essa classi�cação é feita com base na Lei de Pareto, cuja história remonta ao século XIX. Em 1897, o economista, engenheiro e sociólogo italiano Vilfredo Pareto, ao desenvolver um estudo sobre a distribuição de renda e riqueza da sua região, identi�cou que existia um padrão nessa distribuição. Ele constatou que grande parte da riqueza se concentrava em poucas pessoas, na seguinte proporção: 20% da população detinha 80% da riqueza. Como você acabou de ver (no texto “Nível de serviço”), esse princípio também se aplica na administração de materiais, já que a experiência mostra que, em média, 20% dos itens estocados representam 80% do valor total administrado. O que isso quer dizer? Que quem faz a gestão do estoque pode se concentrar em poucos itens mais importantes e, mesmo assim, obter grandes resultados. Trocando em miúdos: se uma empresa produz 50 produtos, provavelmente dez representam 80% do faturamento. Analisando a produção, provavelmente 80% do custo de produção esteja localizado em 20% do processo. O mesmo acontece com os itens comprados, ou seja: 80% do custo de compras estão concentrados em 20% dos itens-fornecedores. Traduzindo isso em estratégia: se o relevante nos negócios está concentrado em 20% e se a administração bem-feita deles signi�ca 80% do resultado, então o segredo é saber identi�car quais são esses itens mais importantes. É a chamada curva ABC, ou seja, itens em quantidade menor responsáveis por uma participação maior nos resultados. Figura 3.5. A curva ABC Como você pode ver na �gura, no eixo horizontal está a quantidade de itens, com marcadores em 20, 50 e 100. No eixo vertical, está o percentual do valor que eles representam. Os produtos A são apenas 20 em quantidade, mas representam 80% do valor. Os produtos B são 30 em quantidade (50 menos 20) e representam 15% do valor (95% menos 80%). Os produtos C são 50 em quantidade (100 menos 50) e representam 5% do valor (100% menos 95%). Mas vale ressaltar que a proporção 20-80 para os produtos classe A pode apresentar maior ou menor concentração, dependendo do tipo de produto e empresa. Às vezes, cinco itens representam 80% do valor do estoque. O passo a passo para a classificação ABC Para fazer a classi�cação, é preciso elaborar uma planilha. E, para elaborar essa planilha, seja em programa de computador próprio para isso ou de forma manual, são necessárias três informações básicas: 1. Identi�cação do material ou produto. 2. Valor unitário (custo ou valor de venda). 3. Quantidade de material consumido no estoque para atender a produção ou o produto vendido para atender o pedido de clientes. É importante saber que tipo de material está sendo analisado na curva ABC, pois os valores podem ser unitários ou custos médios. Veja: → estoque de matéria-prima: custo de aquisição ou custo médio; → embalagens: custo de aquisição ou custo médio; → materiais diversos: custo de aquisição ou custo médio; → componentes comprados: custo de aquisição ou custo médio; → material em processo: custo de fabricação ou custo médio; → produto acabado: custo médio ou custo de venda. Passo a passo para compor a planilha: 1. Escolher dez itens (�ctícios) do estoque. 2. Identi�car os itens com seu código ou descrição. 3. Anotar o preço unitário. 4. Anotar o consumo total do período em análise (pode ser anual, semestral, na maioria dos casos). 5. Multiplicar o valor unitário pelo consumo/vendas. 6. Totalizar o valor de todos os itens em análise. Esse total será a base para ser feita a classi�cação dos itens em importância de valor, ou seja, em A, B e C. O exemplo a seguir é de uma loja de materiais de construção. Item Código do material Custo unitário Consumo do período (unidades) Valor consumido (custo × consumo) 1 mat-001 0,20 60.000 12.000,00 2 mat-002 0,15 60.000 9.000,00 3 mat-003 25,00 30.000 750.000,00 4 mat-004 5,00 30.000 150.000,00 5 mat-005 85,00 1.000 85.000,00 6 mat-006 122,00 600 73.200,00 7 mat-007 2.300,00 300 690.000,00 8 mat-008 65,00 200 13.000,00 9 mat-009 800,00 50 40.000,00 10 mat-010 1.500,00 10 15.000,00 TOTAL 182.160 1.837.200,00 A etapa a seguir é classi�car a planilha em ordem decrescente de valor consumido. Perceba que os itens antes classi�cados por quantidade mudaram de linha, ou seja, não necessariamente os itens com maiores quantidades serão de�nidos como “classe A”. O mesmo ocorre com os valores. A ponderação multiplicando o valor pela quantidade vai demonstrar quais são os itens importantes nesta análise. A seguir, é calculado o percentual de participação de cada item sobre o valor total da planilha (estoque). Para isso, é dividido o valor consumido de cada item pelo valor total da planilha. O resultado é o percentual de participação do item no total. Observe o exemplo a seguir: ou seja Item Código do material Custo unitário Consumo do período (unidades) Valor consumido (custo × consumo) Participação sobre o total (%) 1 mat-003 25,00 30.000 750.000,00 40,82 2 mat-007 2.300,00 300 690.000,00 37,56 3 mat-004 5,00 30.000 150.000,00 8,16 4 mat-005 85,00 1.000 85.000,00 4,63 5 mat-006 122,00 600 73.200,00 3,98 6 mat-009 800,00 50 40.000,00 2,18 7 mat-010 1.500,00 10 15.000,00 0,82 8 mat-008 65,00 200 13.000,00 0,71 9 mat-001 0,20 60.000 12.000,00 0,65 10 mat-002 0,15 60.000 9.000,00 0,49 TOTAL 182.1601.837.200,00 100,00 Agora você pode observar que os itens com custo unitário alto ou quantidades altas não necessariamente são itens classi�cados como os primeiros da lista. A próxima etapa consiste em calcular o percentual acumulado para identi�car os materiais por classe A, B ou C. Para isso, são somados os percentuais, acumulando-os até o último item. Veja na planilha a seguir que o percentual acumulado é a soma do percentual da coluna participação. Nesse exemplo, o item 2 tem participação de 37,56% e é somado ao item 1, com participação de 40,82%, totalizando os 78,38%, e assim sucessivamente até o último item da planilha. Já é possível identi�car quais itens estão contemplados na faixa dos 80%, na dos 15% e na faixa dos 5%. A partir disso, a empresa de�nirá estratégias e políticas coerentes com sua importância. Isso é política de estoque. Item Código do material Custo unitário Consumo do período (unidades) Valor consumido (Custo de aquisição ou custo médio × Consumo) Participação sobre o total (%) Acumulado (%) 1 mat- 003 25,00 30.000 750.000,00 40,82 40,82 CLASSE A 2 mat- 007 2.300,00 300 690.000,00 37,56 78,38 3 mat- 004 5,00 30.000 150.000,00 8,16 86,54 CLASSE B 4 mat- 005 85,00 1.000 85.000,00 4,63 91,17 5 mat- 006 122,00 600 73.200,00 3,98 95,16 6 mat- 009 800,00 50 40.000,00 2,18 97,33 7 mat- 010 1.500,00 10 15.000,00 0,82 98,15 CLASSE C 8 mat- 008 65,00 200 13.000,00 0,71 98,86 9 mat- 001 0,20 60.000 12.000,00 0,65 99,51 10 mat- 002 0,15 60.000 9.000,00 0,49 100,00 TOTAIS 182.160 1.837.200,00 100,00 Do livro para a prática Para exercitar a técnica de classificação ABC de produtos, é possível utilizar, como exemplo, o produto culinário do capítulo 2. Com base na lista de materiais que compõem o produto coxinha de frango, você pode elaborar uma planilha com cada matéria -prima (custo de aquisição, quantidade aplicada na receita), fazer a multiplicação pela quantidade de vendas previstas para um mês (por exemplo, 2.500) e fazer a classificação dos itens, em classe A (80% do valor total), B (15% do valor total) e C (5% do valor total). [1] Política, aqui, não tem a ver com a das eleições (vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores, presidente). Política de estoque quer dizer estratégia, plano e modelos matemáticos para garantir o abastecimento da fábrica e que os pedidos de clientes sejam atendidos, sem gerar excesso ou falta de estoques. [2] Elas são detalhadas no capítulo 5. [3] O custo de armazenagem é detalhado no capítulo 6. [4] Obs.: Existem outras fórmulas para o cálculo do estoque mínimo, como o método da raiz quadrada, o método da porcentagem de consumo, entre outros. Cada método é adequado para cada tipo ou complexidade de produto e perfil de consumo/demanda. Para entender mais sobre estoque mínimo (ou segurança), você pode pesquisar sobre esses outros métodos. 4 A operação logística: compras, recebimento, armazenagem, separação, expedição e distribuição Os capítulos 2 (funcionamento da empresa) e 3 (estoque) apresentaram aspectos que orientam a operação logística. Orientam porque a operação logística precisa garantir que o que foi determinado pelo planejamento da empresa realmente aconteça, e tem de fazer isso respeitando a política de estoque. Neste capítulo 4, você vai caminhar pelas atividades que são a essência da logística: comprar, receber, armazenar, separar, expedir e distribuir. Segundo os especialistas, melhorias feitas nessas etapas podem representar um grande diferencial competitivo para uma empresa. Assim, é importante conhecer cada um desses processos operacionais sem nunca perder a visão do todo. Em seu crescimento profissional, o percurso é esse mesmo: conhecer o funcionamento de cada parte para ter condição de identificar pontos que podem ser melhorados – não só na atividade que você está analisando como também no encadeamento delas. Para começar este capítulo, é preciso voltar um pouco no tempo. Na década de 1980, os empresários do Ocidente, motivados pelas indústrias japonesas do outro lado do mundo, concentraram suas forças para otimizar a produção. Houve uma grande evolução nas técnicas e tecnologias para ganhos de qualidade, redução de custos e melhoria do nível de serviços produtivos. O desa�o, agora, é outro: é a logística, a operação. Figura 4.1. Processos logísticos dentro da empresa Conforme você viu no [capítulo 2], a partir do momento em que é de�nida a previsão de vendas, várias áreas da empresa planejam suas ações futuras, ou seja: quanto comprar de matéria-prima, quanto produzir, onde e como armazenar, quando e como entregar. A �gura 4.1 mostra como as diversas áreas de uma empresa se relacionam com os processos logísticos de receber, armazenar, separar, expedir e entregar produtos. A partir desse ponto, você vai entender melhor cada um desses processos. Compras O processo se inicia após o planejamento de necessidades, mais conhecido como MRP (é a sigla de Material Requirement Planning, ou Planejamento de Necessidades de Materiais), que sugere as ordens de compras e de produção. O cálculo que o MRP[1] utiliza é o seguinte: com base na previsão de vendas, o sistema veri�ca quanto há em estoque daquele determinado produto e subtrai esta quantidade. Também subtrai os pedidos de compra pendentes com fornecedor (se produto comprado) ou ordem de fabricação (caso de produção interna). A partir daí, o sistema sugere quanto comprar ou quanto produzir, o que é chamado de necessidade líquida. Con�ra este exemplo: O mesmo processo acontece com os componentes da estrutura do produto, como a embalagem individual, etiquetas, caixa de embarque, etc. Após a negociação com o fornecedor, as empresas transmitem o pedido de compra por telefone, eletronicamente, via EDI ou mesmo por fax, com cópia aos setores de Recebimento e Financeiro (Contas a Pagar e Fluxo de Caixa). Existem muitas empresas utilizando contratos com entregas planejadas semanalmente, evitando custo de emissão e transmissão de pedidos. Figura 4.2. O processo logístico de comprar Con�ra aqui alguns aspectos importantes referentes a compra que afetam produtividade e custos. → Pedido via EDI (Eletronic Data Interchange, ou Troca Eletrônica de Dados): a transmissão de pedidos de compras via tecnologia EDI permite agilidade e segurança na transmissão de informações. Os setores do varejo e da indústria já experimentam essa tecnologia. (Lembrando, no próximo capítulo as tecnologias e técnicas serão detalhadas.) → Qualidade assegurada: outra técnica que depende do grau de integração e con�ança entre fornecedor e cliente (e um bom contrato, é claro) é a garantia de entrega dos materiais sem necessidade de inspeção no recebimento. Existem casos na indústria automobilística em que fornecedores são responsáveis por abastecer diretamente a linha de produção. → Indicadores de ciclo do pedido: estabelecer alguns indicadores é fundamental para acompanhar o serviço realizado na parceria. Indicadores de desempenho do fornecedor permitem medir o nível de serviços prestados em relação a outros fornecedores. São parâmetros para exigir melhorias ou propor recompensas. Exemplos de indicadores: entregas no prazo, divergências de quantidades ou preços, erros na documentação (nota �scal). Recebimento No ato do recebimento físico do material ou produto, além da con�rmação da existência de um pedido de compra, é importante a qualidade das informações da nota �scal (preços, impostos, etc.). Em seguida, é feita a conferência cega, para con�rmar se o número de caixas (ou embalagem) descritas na nota �scal é igual ao da contagem física. Após liberar o caminhão, inicia-se a contagem detalhada (por amostragem ou outro critério), com o objetivo de veri�car o conteúdo das caixas. Paralelamente, informações como impostos, valores e classi�cação �scal são validados. Os materiais que necessitam de inspeção de qualidade são testados e avaliados pela área técnica. Figura 4.3. O processologístico de receber Con�ra aqui alguns aspectos importantes referentes a recebimento que afetam produtividade e custos. → Data de validade, data de expiração, lote de fabricação e temperaturas: produtos farmacêuticos, alimentícios, congelados, químicos e outros que necessitam de veri�cação de datas, medição de temperaturas ou cuidados mais técnicos normalmente exigem uma tecnologia de código de barras acompanhada de coletores de dados (radiofrequência, ou RF), além de um sistema de recebimento que permita que os produtos sejam rastreados – por exemplo, um WMS (Warehouse Management System, ou Sistema de Gestão do Armazém). Mais detalhes sobre as tecnologias no [capítulo 5]. → Tecnologia da informação: algumas empresas recebem a nota �scal via tecnologia EDI. Essa ação permite que o cliente tenha informações da entrega horas ou dias antes do caminhão estacionar nas docas. Com isso, é possível antecipar a conferência e a validação da nota �scal, bem como preços e condições de pagamento, além de planejar equipamentos e pessoal no setor de recebimento, caso a entrega seja grande (carretas). → Equipamentos de descarga e unitização[2]: a adequação dos equipamentos no recebimento é fundamental para a produtividade e a redução de custos. O uso de niveladores nas docas é um exemplo. A descarga manual, além de demorada, é custosa. A unitização das cargas com �lme stretch também é um fator de produtividade e segurança para a movimentação e armazenagem das cargas. Logicamente, essas recomendações são para grandes volumes e paletizados. → Indicadores: especi�camente alguns indicadores são recomendados na medição do desempenho do setor de recebimento, avaliando tempo de recebimento conferindo documentação, tempo de entrada e liberação do caminhão, e tempo de descarga do material até liberação para armazenagem. Do livro para a prática Para confirmar que as ações de comprar e receber (inbound) são fundamentalmente as mesmas tanto em uma pequena empresa como em uma grande – o que muda é apenas a complexidade das atividades –, você pode utilizar o exemplo do capítulo 2, da produção da coxinha. CENÁRIO 1: • Descreva passo a passo como seriam as atividades dos processos de compras e recebimento dos materiais e ingredientes necessários para atender a um pedido específico de mil coxinhas, na produção caseira. • Descreva quem seleciona o fornecedor e os produtos, e como isso é feito. • Descreva quem e de que forma avalia a qualidade dos produtos e confere a quantidade; quais providências caso os produtos estejam fora das especificações esperadas. CENÁRIO 2: • Faça uma pesquisa em alguma empresa ou comércio em que você já tenha trabalhado ou que conheça e descreva essas mesmas fases-atividades e compare com os cenários anteriores. Armazenagem Quando se fala em armazenagem, pode-se considerar qualquer tipo de material e �nalidade, ou seja, matérias-primas e componentes para abastecer a produção (Almoxarifado) ou produtos acabados para atender aos pedidos de clientes (Depósito ou Centro de Distribuição). A denominação pouco importa. O que há de relevante e comum é a administração desse espaço físico, que necessita de organização, endereçamento para guardar os materiais, processos e procedimentos detalhando as atividades e responsabilidades, equipamentos adequados à movimentação e à armazenagem, pessoas treinadas e capacitadas, além de sistemas para atender aos pedidos enviados pelos clientes, sejam internos (produção) ou externos (varejo, distribuidores, etc.). Diante dessas necessidades, existe uma “regra” citada por vários especialistas sobre a armazenagem: evitar estoques. Trata-se de uma tarefa e tanto, a�nal, algum estoque é necessário manter, visando oferecer o melhor serviço ao cliente. Como foi visto no capítulo 3, isso deve ser feito com o menor custo possível. Você já sabe que o modo como um estoque é administrado faz grande diferença no desempenho de uma empresa. Por isso, con�ra as características que tornam um armazém (local de estocagem) um ambiente e�ciente: → o espaço físico é organizado; ou seja, há um desenho com um �uxo que considera a lógica de armazenamento e movimentação interna de modo a minimizar esforços e evitar movimentações desnecessárias; → os processos de trabalho são bem-de�nidos, documentados e divulgados; → existem endereçamentos[3] inteligentes e práticos para armazenagem dos produtos, de modo que todas as pessoas que ali trabalham entendam e cumpram essas recomendações; → os equipamentos de movimentação (empilhadeiras, paleteiras) e de armazenamento (prateleiras, estruturas porta-paletes) são adequados aos volumes e pesos dos produtos; → a tecnologia é adequada, contemplando equipamentos como coletores, impressoras de etiquetas de código de barras e antenas de radiofrequência, além de sistemas de gestão como WMS; → a equipe é quali�cada e treinada para saber lidar com os recursos materiais e o sistema de informações e também mantê-los. Dependendo do tipo do produto, as pessoas que trabalham no estoque precisam seguir normas de segurança para lidar com eles. A�nal, existem itens que são in�amáveis ou que são nocivos à saúde, etc. Assim, neste ambiente há diretrizes sobre manuseio de produtos e também sobre o uso de EPIs (equipamentos de proteção individual, como luvas e capacetes). Você viu, logo acima, que o texto citou a atividade de inventariar o produto. Vale a pena, portanto, saber mais sobre o que é inventariar. Imagine um supermercado com centenas de produtos (alguns com milhares) em suas prateleiras. Teoricamente, a quantidade que foi transferida pelo depósito menos a que foi vendida deveria ser exatamente a que encontraríamos nas prateleiras, caso realizássemos uma contagem. Deveria, mas não é, e por quê? Porque ocorrem quebras, avarias, roubos, degustação indevida, violação de embalagens e erros de lançamentos que podem gerar divergências. Por isso, periodicamente, as empresas realizam uma contagem do estoque para garantir que as informações que constam dos sistemas ou �chas de controle sejam iguais às encontradas �sicamente. Existem várias técnicas simples para essa conferência, assim como algumas mais so�sticadas, com uso de tecnologias de coletores e código de barras – sobre este assunto, você vai ter mais informações no [capítulo 5]. Figura 4.4. O processo logístico de armazenar O trabalho dentro de um armazém exige bastante agilidade e �exibilidade dos envolvidos. Assim, é possível responder com e�ciência a uma demanda que, se não for bem administrada, pode levar o armazém a �car rapidamente desorganizado. Importante: os produtos liberados pelo setor de recebimento devem ser conferidos antes de armazenados. Isso porque, a partir deste momento, qualquer falta, extravio ou avaria no produto passa a ser de responsabilidade da equipe de armazenagem. Con�ra aqui alguns aspectos importantes referentes a armazenagem que afetam produtividade e custos. → Fluxo inteligente: o maior custo em armazenagem está na movimentação, pois isso implica o uso de equipamentos, energia e pessoal. Logo, a lógica do �uxo da operação é vital para economia de tempo e de recursos. Por isso, o �uxo a ser elaborado deve levar em conta tempo e métodos para cada um dos principais produtos, e esses produtos devem estar localizados mais próximos à expedição. Produtos não devem �car “passeando” dentro do armazém. Importante também: produtos pesados devem ser mantidos perto da expedição e em locais baixos. Além disso, a movimentação deles deve ser reduzida ao máximo. → Tecnologia de código de barras: a utilização de etiqueta nos paletes/caixas e no endereço das estruturas de armazenagem é fundamental para a organização e a manutenção do armazém. Muitas empresas têm adotado um sistema de coletores para os produtos classe A, ou seja, somente os mais importantes de seu estoque (quantidade- valor). Mas o uso de tecnologia de coletores de código de barras sem um sistema e�ciente de gestão de estoque é insu�ciente para garantir a precisãodo estoque. Muitas empresas adquirem sistemas especialistas em armazenagem (como o WMS) para garantir a qualidade das informações pelos coletores. → Rastreamento: a capacidade de fazer o rastreamento de medicamentos, produtos químicos e alimentos deve ter o suporte de tecnologia de RF, de etiquetas de código de barras e de coletores de dados. Isso porque, no caso de um recall de medicamentos, alimentos ou produtos químicos, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) irá exigir relatórios sobre o estoque e o destino desses produtos num determinado período de tempo. → Controle do estoque e do inventário: um controle simples, mas e�ciente, do estoque é fundamental dentro de um armazém, mas sua aplicação tem deixado a desejar há décadas. Apesar do uso de sistemas integrados so�sticados e caros em muitas empresas, como o ERP (Enterprise Resource Planning, ou Planejamento de Recursos Empresariais), ainda são comuns as divergências de estoque (ou seja, falta ou sobra produtos dentro do armazém). Um dos fatores que mais contribuem para essas divergências são os cadastros de produtos “confusos” e imprecisos, além, é claro, da desorganização e do despreparo da equipe. Tipos e características de materiais A complexidade da armazenagem depende do tipo de material. Vários fatores podem fazer com que sejam exigidos cuidados especiais: → fragilidade; → capacidade de combustão; → volatização (ou seja, o produto pode se reduzir a gás ou vapor); → oxidação; → risco/capacidade de explosão; → radiação; → corrosão; → in�amabilidade; → volume, peso e forma. Determinados materiais também podem exigir equipamentos de movimentação e estruturas especiais, além de EPIs adequados. Layout do armazém Imagine que você precisasse desenhar um armazém. O layout é o desenho desse espaço que afeta diretamente a produtividade e a segurança das operações. Assim, os primeiros passos para fazer o desenho de um armazém seriam: → identi�car a localização de todos os obstáculos (por exemplo, colunas, área de extintores, rotas de fuga); → localizar as áreas de recebimento e expedição; → localizar as áreas de separação e estocagem; → de�nir o sistema de localização de estoque (ou seja, o endereçamento). Levando em conta essas necessidades, seria possível fazer opções de desenho, sempre de modo a aproveitar ao máximo o espaço. Vale ressaltar que, em armazém, quando se fala nesse assunto, não se deve considerar apenas a área quadrada, mas também a cúbica[4]. Figura 4.5. Exemplo de layout de armazém que funciona como Centro de Distribuição 1. Doca. Pode ser de recebimento ou de saída. Afinal, o armazém pode funcionar desta forma: de manhã, só recebe; de tarde só faz a expedição. Para entendermos melhor o fluxo, considere o número 1 como uma doca de recebimento. 2. O produto é armazenado, respeitando o endereçamento. 3. A partir daqui, imagine a saída da carga. Aqui aconteceriam a separação dos produtos e a disponibilização deles para que sejam conferidos e expedidos. Lembrando, os processos de separação e expedição serão explicados logo mais à frente, neste capítulo. 4. A esteira, quando utilizada nessa área, faz a movimentação dos produtos da área de separação para as áreas de rotas da(s) transportadora(s). 5. Doca de saída. Con�ra aqui alguns aspectos importantes referentes a armazenagem que afetam produtividade e custos. → Localização: está ligada à vocação/�nalidade do armazém. Caso seja abastecer a produção, ele estará situado o mais perto possível da fábrica. Caso seja atender aos clientes varejistas-distribuidores, ele estará mais próximo das principais rotas (cidades/estado) de distribuição. → Itens de maior giro e mais pesados: os itens com maior giro no estoque devem ser mantidos próximos à área de expedição. Essa medida proporciona redução de custos de localização e menor movimentação interna. Quanto aos itens pesados, eles devem, como regra geral, permanecer nas partes mais baixas das estruturas e próximos à expedição, pelo mesmo motivo. → Acessibilidade: os corredores e portas de acesso devem facilitar o acesso e a movimentação dos produtos. Os corredores devem existir nas quantidades e larguras adequadas, ou seja, muito pequenos podem di�cultar as manobras e causar acidentes. As portas precisam ter altura e largura su�cientes para o trânsito de equipamentos e produtos em paletes. Atenção especial às regulamentações de segurança. Por exemplo: acessos rápidos em caso de incêndio. Estruturas de armazenagem Este é um dos pontos fundamentais na organização de um armazém. A forma como os produtos são acondicionados garante a qualidade da guarda, evitando avarias, e também facilita o acesso das pessoas que ali trabalham para a movimentação necessária. Produtos pesados exigem estruturas porta-paletes, que podem ser de vários níveis (andares). Já os produtos mais leves podem ser armazenados em prateleiras ou sistemas mais simples. Qualquer que seja o produto ou a estrutura, é fundamental utilizar os recursos certos para obter ganho de espaço, produtividade e segurança. Veja, então, alguns tipos de estruturas e recursos de armazenagem mais utilizados. 1. Estrutura porta-paletes (já citada). 2. Drive-in – Drive-thru. 3. Push-back. 4. Estruturas dinâmicas. 5. Cantilever. 6. Estruturas de prateleiras. Estrutura porta-paletes Antes de ir para os detalhes dessa estrutura, vale a pena você conhecer mais sobre este pequeno e fundamental equipamento: o palete. Figura 4.6. Palete padrão da Abras/PBR[5] O palete apresenta vantagens importantes na organização de um armazém: → permite a verticalização da armazenagem; → traz economia de movimentação de várias caixas ao mesmo tempo; → possibilita a unitização dos materiais; → padroniza as medidas na armazenagem e no transporte; → permite agilidade nos processos de carga e descarga e de movimentação dos materiais; → facilita a contagem (inventário físico) dos materiais por meio da identi�cação dos paletes etiquetados; → permite a automação dos lançamentos em massa (por meio das etiquetas de código de barras). Mas algumas di�culdades também são encontradas com o uso do palete: → o controle dos paletes enviados aos clientes, que na maioria das vezes não retornam à origem ou são trocados por outros de qualidade inferior; → os paletes têm vida curta e são frágeis, principalmente os de madeira. Sofrem ação do tempo e de cupins. Palete com duas entradas: é confeccionado com longarinas (em vez de tocos) e utilizado para mercadorias que precisam de suportes mais resistentes por questões de segurança. Recomendado para uso em porta-paletes, tem um inconveniente: a empilhadeira só pode entrar com os garfos por dois lados. Figura 4.7. Palete com duas entradas com reforço inferior Figura 4.8. Palete com duas entradas sem reforço inferior Palete com quatro entradas: como já indica sua denominação, este tipo possui quatro entradas para empilhadeiras ou carros paleteiros. Ele é confeccionado com tábuas superiores e, assim como os paletes com duas entradas, pode ser vazado ou ter a face superior fechada (assoalhados). É utilizado como palete descartável, de movimentação (estocagem) ou retornável. Figura 4.9. Palete com quatro entradas com reforço paralelo Palete dupla face: tem uma face superior e uma inferior, podendo ser reversível ou não. Na forma reversível, as duas faces são iguais; na não reversível, em geral a face superior é mais reforçada do que a inferior. Figura 4.10. Palete duas faces/entrada dupla face fechado Palete descartável ou one way: é um tipo de palete não retornável. Figura 4.11. Palete descartável Conhecidos os tipos de paletes, agora você vai ao detalhamento das estruturas porta- paletes. Elas são próprias para grandes quantidades. Em relação ao empilhamento de blocos (palete sobre palete), oferecem as vantagens da armazenagem sem pressão e do acesso direto aos paletes. Figura 4.12. Estrutura porta-paletes No armazém, quando se fala sobre capacidade, é preciso considerarnão somente a área quadrada, mas também a cúbica. Por isso, devemos calcular as dimensões das embalagens a serem armazenadas. Um palete padrão PBR tem medida de 1,00 m × 1,20 m, logo, sua área quadrada é de 1,20 m² (1,00 m × 1,20 m). A altura que esse palete pode compor, com várias caixas sobre ele, irá fornecer a área cúbica. Exemplificando: se o produto em caixas sobre o palete alcançar a altura de 1,50 m, a área cúbica será de 1,80 m³ (1,00 m × 1,20 m × 1,50 m). Assim, se o estoque for composto de 200 paletes, a área cúbica mínima ocupada deste produto será de 360 m³ (200 × 1,80 m³). Logicamente, é preciso considerar os espaços de alguns centímetros entre os paletes que permitam a movimentação dentro da estrutura. As estruturas porta-paletes são instaladas de acordo com a necessidade do produto. Por exemplo, uma indústria tem seu palete de�nido com a altura de 1,50 m. Suponha que a caixa do produto tenha as seguintes dimensões: 20 cm de largura, 20 cm de profundidade e 25 cm de altura. Se calcularmos, haverá 30 caixas (6 × 5) por lastro (camada) no palete. Se o palete tem 1,50 m de altura, logo há 6 camadas (1,50 m de altura do palete dividido por 0,25 m de altura da caixa). No total, haverá 180 caixas por palete. Figura 4.13. Exemplo ilustrativo de formação de lastro no palete 1. Visão de cima da primeira camada (lastro) do palete. Aqui, como você vê, são dez caixas por lastro. 2. Primeiro lastro montado. 3. Segundo lastro em montagem. 4. Quinto lastro em montagem. Para fazer essa organização, foi necessário efetuar os cálculos de cubagem (metragem cúbica). Drive-in – Drive-thru Neste tipo de estrutura, diversas unidades de carga �cam armazenadas uma atrás da outra até o fundo, sobre duas travessas. Os paletes devem ser armazenados primeiramente nos andares superiores até serem completados em direção aos andares inferiores. No drive- in, o sistema que predomina é o UEPS, ou LIFO[6]. No drive-thru (ou through, “através de”), o sistema que predomina é o PEPS ou FIFO[7]. As empilhadeiras têm a possibilidade de entrar nas áreas da estrutura e só podem ser operadas por um lado. É o que se chama de drive-in. Em contrapartida, a mercadoria pode entrar na estrutura por um lado enquanto no lado oposto está sendo feita a retirada. É o que se chama de drive-thru. Portanto, a velocidade da movimentação de cargas nas estantes profundas transitáveis de acesso duplo é maior. Além disso, existem duas vantagens: grande aproveitamento cúbico do espaço e eliminação de corredores. Figura 4.14. Drive-in – Drive-thru Push-back Consiste em colunas dispostas em sequência, formando um canal. A inclinação dos canais é de 3% a 5%. Nesse sistema, a mercadoria é colocada e retirada pelo mesmo lado. Caso já existam unidades de carga em um dos canais, é preciso empurrá-las contra a inclinação, com a nova unidade de carga a ser armazenada. Quando a mercadoria é retirada, os paletes já existentes no canal deslizam automaticamente para a frente. Normalmente, colocam-se de três a cinco paletes sequenciais em cada canal. É aplicado no sistema UEPS ou LIFO. Neste caso, a empilhadeira não caminha dentro da estrutura. Figura 4.15. Push-back Estruturas dinâmicas Consistem em colunas dispostas em sequência, formando um canal. A mercadoria entra por um lado da estrutura e sai pelo outro. Assim que um palete é retirado, os paletes seguintes se aproximam, deslizando sobre as superfícies rolantes, que têm leve inclinação. A velocidade de deslizamento é mantida sob controle por rolos de frenagem. Um dispositivo de separação automático evita que o palete dianteiro seja comprimido pelo que vem atrás. Este tipo de estrutura é aplicada no sistema PEPS (“primeiro que entra é o primeiro a sair”), ou FIFO. Figura 4.16. Estruturas dinâmicas Cantilever Este tipo de estrutura praticamente não possui limite de comprimento. Ela armazena materiais longos, como barras, tubos e placas de vários comprimentos, logo, pode ser prolongada de acordo com a necessidade. O princípio é o mesmo das prateleiras domésticas quando se usa a “mão-francesa”. Cada coluna possui prateleiras de sustentação à carga. A distância entre as colunas é determinada pelo peso do material armazenado. Elementos de contenção opcionais nas prateleiras podem ser usados para aumentar a segurança da carga. Figura 4.17. Cantilever Estruturas de prateleiras Permitem a armazenagem de mercadorias com grande sortimento de artigos em quantidades pequenas a médias. O sistema de estruturas é universalmente utilizado para livros, peças pequenas, assim como para peças de difícil manejo, com ou sem transportador de carga, em todos os segmentos. A grande quantidade de componentes e acessórios possibilita um ajuste individual do sistema de estruturas às condições de espaço e de uso existentes. Reforçando, as estruturas de armazenagem precisam re�etir a necessidade da operação e as características dos produtos. Estruturas muito altas exigem equipamentos de movimentação (empilhadeiras) mais so�sticados e caros. Estruturas frágeis e baratas podem custar caro em caso de um acidente com empilhadeiras. O peso dos produtos/paletes deve ser calculado, assim como as estruturas precisam ser adequadas, tanto em altura (níveis) como em resistência. É preciso muito cuidado com adaptações e improvisos, tanto para estrutura como para operação dos equipamentos. Figura 4.18. Estruturas de prateleiras Equipamentos de movimentação Aqui, é importante conhecer mais sobre as paleteiras e as empilhadeiras. Ambas são usadas para movimentação e armazenagem dos paletes. A paleteira, que também é chamada de paleteira hidráulica, transpalete ou carro hidráulico, basicamente realiza o trabalho de movimentar o palete de um lugar para outro no nível do solo. A empilhadeira, como o nome diz, consegue empilhar, elevar o palete a alturas diversas, de acordo com o modelo do equipamento. Pode ser movida a gás ou eletricidade ou ser do tipo hidráulica. Operacionalizar paleteiras mais so�sticadas e empilhadeiras é uma tarefa de grande responsabilidade e que traz riscos, por isso exige treinamento do pro�ssional. O trabalhador tem o dever de zelar pela mercadoria e pelo equipamento que está conduzindo. Um acidente envolvendo empilhadeiras pode trazer graves consequências, daí a necessidade da quali�cação de quem as opera – além do uso de EPIs. A seguir são apresentados alguns modelos de equipamento de movimentação e armazenagem. Figura 4.19. Transpaleteira manual Este modelo, em que o operador trabalha em pé, movimenta o palete de um lado para o outro no nível do solo. Figura 4.20. Transpaleteira elétrica Assim como a manual, movimenta o palete no nível do solo, mas não o empilha. É mais robusta que a manual, indicada para cargas mais pesadas. Figura 4.21. Empilhadeira patolada para operador em pé Figura 4.22. Empilhadeira elétrica contrabalançada Neste modelo, o operador dirige o equipamento. Figura 4.23. Empilhadeira retrátil (elevação de até 12 metros) A vantagem deste modelo é a altura que consegue atingir. Figura 4.24. Empilhadeira trilateral Este modelo não necessita de espaço para realizar as manobras, por isso é indicada para corredores estreitos. Con�ra aqui alguns aspectos importantes referentes a armazenagem que afetam produtividade e custos. → Adequação ao tipo de produto: a movimentação precisa estar adequada ao per�l dos produtos e da operação. Armazéns verticalizados requerem equipamentos mais so�sticados e custos mais altos. Às vezes são comprados equipamentos mais baratos que, ao longo do tempo, tornam-se “caros” por conta do consumo de energia e da manutenção. → Oportunidade de melhoria: a movimentação representa o maior custo do armazém, pois envolve, além da mão de obra, tudo o que é relacionado aos equipamentos, como combustível, manutenção, depreciação ou aluguel. Por isso, prestar atenção a esse processo e identi�car pontos de melhoria é uma ótima oportunidade de crescer pro�ssionalmentena empresa. Do livro para a prática CENÁRIO 1: • Faça uma visita a um supermercado e observe como os produtos estão organizados. Observe as categorias dos produtos (higiene pessoal, limpeza, utilidades domésticas, bebidas, massas, cereais, grãos, frutas e verduras, congelados, bolos e pães, produtos matinais, etc.). Anote aproximadamente quantas ruas separam as gôndolas (prateleiras). Anote quantos níveis possui cada gôndola. Observe quantas unidades de cada produto estão lá expostas. Desenhe e transfira essa organização para uma folha de papel. CENÁRIO 2: • Faça o mesmo procedimento, só que em um pequeno mercado de bairro. • Agora compare o tamanho e a quantidade de gôndolas. Você provavelmente encontrará as mesmas categorias de produtos, entretanto em menor variedade. Agora faça uma avaliação da distribuição dos espaços, corredores, altura das gôndolas, identificação dos produtos nas etiquetas e seus códigos de barras. Elas são eficientes em sua opinião? Observe ou pergunte a um funcionário do supermercado como é o processo de reposição desses produtos nas gôndolas, para evitar falta. Como deve ser a organização do estoque (estruturas e endereçamento) atrás daquela porta? Que equipamentos utilizam para movimentar os produtos (paletes, transpaleteiras, empilhadeiras)? Eles utilizam alguma tecnologia para a pesagem dos produtos? Como será o processo de inventário (contagem)? Separação A separação (ou picking) surge com os pedidos de clientes ou da produção. Depende diretamente da organização e da qualidade dos processos anteriores, principalmente do endereçamento, da armazenagem e da movimentação interna. Se a empresa trabalha com tecnologia de coletores e código de barras, é grande a chance de localização rápida do produto. Mas existem aqueles casos em que somente uma pessoa consegue localizar algo no estoque; quando ela falta, o tempo de separação sobe substancialmente. Dois entraves “clássicos” quando o assunto é picking: alta movimentação de produtos por falta de espaço no estoque e empilhamento de produtos nos corredores (o que di�culta o acesso com empilhadeiras ou paleteiras). O pro�ssional que separa os pedidos tem a responsabilidade de informar aos responsáveis pela organização do estoque sobre qualquer divergência de localização do produto, embalagem avariada, etc. A área de armazenagem pode ser operada pelo mesmo funcionário, sendo um operador de empilhadeira ou de outro equipamento, com as mesmas capacidades e habilidades. Em algumas empresas, as operações de recebimento e armazenamento ocorrem no período da manhã, e as operações de separação e expedição �cam para o período da tarde, por isso a possibilidade de os trabalhos serem realizados pela mesma pessoa. Figura 4.25. O processo logístico de separar Con�ra aqui alguns aspectos importantes referentes a separação de pedidos que afetam produtividade e custos. → Tipo de separação: o tipo de operação determina o que é mais recomendado: separação pedido a pedido ou por “onda” (vários pedidos com o mesmo item ao mesmo tempo). Há casos em que os pedidos são separados pelo número de série do produto (eletrônicos). Mais uma vez, vale ressaltar a importância de um bom sistema de gestão do armazém e do endereçamento do estoque. → Área de picking: alguns tipos de produtos exigem uma área de picking separada. Medicamentos, por exemplo. Eles são estocados em caixas, em estruturas porta-paletes, entretanto os pedidos são feitos em unidades. Logo, há necessidade de uma área de picking de itens fracionados para facilitar a separação, ou seja, uma área com as caixas abertas. Neste caso, é necessário o controle de reabastecimento a essa área. Em geral, a área de picking é localizada na parte inferior (chão) da estrutura porta-paletes, e há um operador responsável em “descer” e abrir os paletes. → Área de conferência para a expedição: os produtos são segregados em uma área para conferência pelos pro�ssionais da expedição, de acordo com o critério de separação utilizado (ou seja, por pedido, por item, por região, por transportadora, por rota, etc.). Expedição No processo de expedição acontecem a conferência dos produtos separados e sua segregação nas docas ou na área de transportadoras/regiões/rotas. A rotina é parecida com a de recebimento: conferem-se os produtos separados com os respectivos pedidos. E, então, os produtos são destinados às áreas de despacho. O pro�ssional desta área é responsável por garantir que os produtos relacionados nos pedidos e separados no estoque estejam nas especi�cações e quantidades corretas. Ele também precisa veri�car se as condições das embalagens estão perfeitas. Somente após essas con�rmações os documentos o�ciais – como nota �scal e documentos de transporte – podem ser emitidos. Con�ra aqui alguns aspectos importantes referentes a expedição que afetam produtividade e custos. → Roteirização: normalmente é feita por um programa de computador especí�co, o TMS (Transportation Management System, ou Sistema de Gestão de Transportes), que sugere o melhor modal de transporte, as melhores rotas e as respectivas transportadoras. Alguns exemplos de distribuição de produtos e serviços são (1) entrega em domicílio de produtos comprados nas lojas de varejo ou pela internet; (2) distribuição de produtos dos centros de distribuição para lojas de varejo; (3) distribuição de bebidas em bares e restaurantes; (4) distribuição de dinheiro para caixas eletrônicos de bancos; (5) distribuição de combustíveis para postos de gasolina; (6) distribuição de artigos de toalete (toalhas, roupa de cama, etc) para hotéis, restaurantes e hospitais; (7) entrega domiciliar de correspondência. Aqui são consideradas algumas restrições, como, por exemplo, os limites de tempo da jornada do trabalhador e aspectos relativos ao trânsito (velocidade máxima, horário de carga/descarga, tamanho máximo de veículos nas vias públicas). → Emissão de documentos: a emissão da nota �scal já alimenta o sistema TMS para o cálculo do frete, e, em muitos casos, a NF é enviada às transportadoras eletronicamente, via EDI. As transportadoras, então, já providenciam a emissão do CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Carga) e enviam o veículo adequado, com capacidade e acomodação das cargas previamente planejadas. O caminhão encosta na doca de expedição sem burocracia. Esta é uma etapa de grande importância no que se refere ao aumento de produtividade e redução de custos. → Entrega: as entregas são acompanhadas por meio de telefonemas entre o motorista e as empresas ou por tecnologias de comunicação e monitoramento via satélite (GPS), permitindo troca de informações instantâneas, além de acompanhamento via internet. Figura 4.26. O processo logístico de expedir Distribuição Antes de ir para os detalhes desta etapa, vale ressaltar uma importante diferença: distribuição física não é o mesmo que canais de distribuição, embora no dia a dia as duas se relacionem. Os canais de distribuição são de�nidos pela área de Marketing, que avalia a melhor forma de disponibilizar os produtos ao cliente �nal. A maioria das empresas utiliza o varejo (supermercados, lojas, etc.) para que o consumidor realize suas compras. O varejo pode ser atendido diretamente pela indústria (venda direta ou canal direto) ou por um intermediário (como, por exemplo, os distribuidores e atacadistas). Figura 4.27. Canais de distribuição (Marketing) No caso deste livro, quando se refere a distribuição física, basicamente se fala em transporte. De�nindo melhor, o transporte é a função da logística que tem como �nalidade entregar o produto ao cliente por meio dos canais de distribuição. É pelo transporte que medimos o quanto somos e�cientes e e�cazes no cumprimento da missão de disponibilizar o produto certo, na hora certa, no local certo. O transporte pode ser a diferença competitiva para uma empresa. No Brasil, ele representa nada menos que dois terços do custo logístico. Então, é claro que os gestores estão atentos às políticasde estoque, que podem de�nir uma maior frequência de entrega de produtos e os meios de transporte mais adequados. Figura 4.28. Canais de distribuição e distribuição física Modais de transportes Impossível falar em possíveis melhorias na etapa de distribuição física sem relembrar a situação da infraestrutura de transportes no país. Conforme você leu no começo do livro, os modais (meios de transporte) podem ser o rodoviário, o ferroviário, o aeroviário, o aquaviário e o dutoviário. O principal modal no Brasil é o rodoviá rio, representando mais de 60% do transporte de cargas. O modal é escolhido de acordo com a distância e o volume da mercadoria. Quadro 4.1. Principais características de cada um dos modais Modal Custos fixos Custos variáveis Vantagens Rodoviário Baixos (rodovias com fundos públicos) Médios (combustível e manutenção) Disponibilidade Ferroviário Altos (equipamentos, terminais e vias férreas) Baixos (Segunda melhor capacidade e disponibilidade) Aeroviário Altos (aeronaves e manuseio das cargas) Altos (combustível, mão de obra e equipamentos) Velocidade Aquaviário Médios (navios e equipamentos) Baixos (capacidade para grande tonelagem) Capacidade Dutoviário Mais elevado (construção, controle, estações e bombeamento) Mais baixos (custo de mão de obra irrelevante) Confiabilidade É possível perceber a grande oportunidade representada pelo modal ferroviário, que demonstra ser o segundo melhor em capacidade e disponibilidade. Entretanto, no Brasil, esse modal está bastante comprometido e longe de ser uma opção de competitividade no médio prazo. O quadro 4.2. mostra a distribuição dos modais de alguns paí ses desenvolvidos e a comparação com o Brasil. Quadro 4.2. Matriz de Transportes nos países (% de TKU) País Rodoviário Ferroviário Cabotagem Dutoviário Hidroviário Extensão territorial m² AUSTRÁLIA 27% 55% 14% 4% 0% 7.692.000 BRASIL 61% 21% 12% 4% 2% 8.516.000 CANADÁ 19% 34% 3% 40% 4% 9.985.000 CHINA 35% 14% 25% 3% 23% 9.597.000 UNIÃO EUROPEIA 50% 11% 32% 3% 4% 4.233.000 EUA 43% 27% 3% 22% 5% 9.834.000 JAPÃO 51% 5% 44% 0% 0% 377.975 Fonte: adaptado de Alvarenga, 2020. Mais uma vez, percebemos a grande oportunidade de desenvolvimento, caso o país realmente invista em infraestrutura e, principalmente, em educação fundamental e técnica de qualidade a partir de hoje, preparando nossos jovens para assumir o grande desa�o de crescer e prosperar neste imenso campo a ser ocupado pro�ssionalmente. O país, infelizmente, ainda tem grande parte de seu orçamento comprometida com a dívida interna, recurso esse que gira em torno de 50% do PIB nacional. Qualquer 10% deste PIB, se dedicado à educação, mudaria o país em 10 anos e, em 20 anos, estaríamos entre as melhores e mais prósperas nações do planeta. Recomendo a você, leitor, que conheça o Plano Plurianual (PPA) para compreender as políticas, metas e caminhos; a Lei de Diretrizes Orçamentátias (LDO), para entender as prioridades e metas e, �nalmente, a Lei Orçamentária Anual (LOA), que detalha onde serão gastos os nossos impostos (saúde, educação, segurança pública, etc.). Você vai se surpreender em saber que vive em um país rico, porém que ainda não sabe administrar o seu (o nosso) dinheiro. É como na vida pessoal da maioria: “Gasta-se mais do que recebe.” Tenho certeza que vai mudar seu conceito do país e quem sabe ajudá-lo a ser melhor… começando por você. Con�ra a seguir alguns aspectos importantes referentes a distribuição física que afetam produtividade e custos. → Tecnologia da informação para integrar cliente, transportador, vendedor e distribuição: esses recursos podem ser utilizados para uma boa roteirização e também têm impacto nos seguintes aspectos: transportadoras comprometidas com o nível das entregas (tempo e qualidade), disponibilização de informações aos clientes sobre o status dos pedidos, plano de contingência para eventuais greves, acidentes em estradas, roubos de cargas, etc. → Terceirização: atualmente há uma forte tendência de as indústrias e os comércios contratarem serviços terceirizados para realizar a distribuição física dos produtos. Esses agentes, já citados no começo do livro, são conhecidos como Operadores Logísticos, ou 3PL (ird-Party Logistics). Eles podem executar atividades de armazenagem e distribuição física de produtos a custos menores e com qualidade. A razão é simples: eles oferecem serviços especializados com alta tecnologia de equipamentos e sistemas, além de manter pro�ssionais quali�cados em sua equipe. Os Operadores Logísticos compartilham e otimizam todos esses recursos com vários clientes. Consequentemente, reduzem os custos e aumentam a produtividade. [1] Importante: não confunda MRP com MRP II, que é a sigla de Manufacturing Resources Planning, ou Planejamento dos Recursos de Manufatura. MRP II se refere a um conceito mais amplo, que considera preço unitário de materiais-fornecedores, capacidade e custos de produção, custos de equipamentos e data de manutenção, além de capacidade e custos de mão de obra. [2] Unitização é o processo de reunir cargas de mesma natureza, ou diversas, em um só volume, para fins de movimentação, armazenamento ou transporte. Em geral elas estão sobre um palete. [3] Endereçamento é a localização do produto ou do material em um armazém. Ele orienta o operador sobre o lugar onde o produto deve ser armazenado. No momento de localizar, separar ou inventariar o produto, é pelo endereço que o encontramos. Exemplo de endereço: RUA, LADO (PAR OU ÍMPAR), PRÉDIO, ANDAR, APTO. (sim, esse termo também é usado, às vezes, em armazéns). Veja dois exemplos de como o endereçamento é informado: A-1-1-2-1; A-2-1-3-2. No primeiro exemplo, o produto estaria na Rua A, no Lado Ímpar, no Prédio 1, no Andar 2, no Apto. 1. No segundo exemplo, o produto estaria na Rua A, no Lado Par, no Prédio 1, no Andar 3, no Apto. 2. [4] Veja explicações mais detalhadas sobre área cúbica no item “Estruturas de armazenagem”, mais adiante. [5] PBR é a abreviação de “padrão brasileiro”. [6] UEPS é a sigla de “último que entra é o primeiro a sair”. LIFO é a sigla em inglês (“last in first out”). O significado é o mesmo. [7] PEPS é a sigla de “primeiro que entra é o primeiro a sair”. Em inglês, diz-se FIFO, de “first in first out”. 5 Tecnologia e técnicas aplicadas à logística e novas tendências que vão revolucionar a logística e seu emprego Como vimos no início do livro, logística é movimento. Movimento planejado, organizado. A tecnologia é hoje um pilar sem o qual fica difícil executar com sucesso todas as tarefas da logística. O objetivo deste capítulo é apresentar as ferramentas, técnicas e práticas que estão fazendo a diferença no dia a dia das empresas. E elas só funcionam porque têm o apoio da tecnologia. Para iniciar este assunto, vale a pena olhar novamente para a �gura que mostra como as diversas áreas de uma empresa estão ligadas. Essa �gura foi mostrada no capítulo anterior e é reproduzida aqui: Figura 5.1. Processos logísticos dentro da empresa Agora, observe o quadro 5.1. Ele descreve as atividades das diversas áreas e as informações geradas por elas. Quadro 5.1. Atividades das áreas de uma empresa que afetam a logística Área Atividades básicas Informações produzidas Marketing Previsão de vendas Promoções Metas de vendas Cronograma de ações promocionais Vendas Negociações e vendas Pedidos PCP Planejamento de compras e produção Capacidade da produção Ordens de compras Ordens de fabricação Compras Cotação Pedidos com quantidades, datas de entrega e valores Produção Fabricação Quantidades produzidas e custo Recebimento Conferência de materiais e pedidos Quantidades recebidas e divergências Armazenagem Estocagem e movimentação Quantidades movimentadas (entrada e saída) e saldo de estoque Área Atividades básicas Informações produzidas Separação (picking) Separação de produtos Materiais separados para o cliente Expedição Planejamento de rotas Contratação de transportadoraEmissão de documentos Emissão de nota fiscal e de CT-e (Conhecimento de Transporte Eletrônico) Administração das entregas Gestão de fretes Transportadora Coleta e entregas Comprovante de entregas e faturas de fretes Como você pode observar, cada área da empresa ligada à logística recebe, processa, armazena e gera informações. Essas informações podem ser processadas manualmente, por planilhas eletrônicas, ou estar integradas por um sistema um programa de computador que compartilhe os dados e informações com as demais áreas. Esses programas, muito usados pelas grandes e médias empresas, são conhecidos como ERP (Enterprise Resource Planning, ou Planejamento de Recursos Empresariais). Entretanto, dependendo da atividade, as necessidades de controle e detalhamento de informações podem ser tão especí�cas que a maioria dos ERPs de mercado não consegue atendê-las. É o que acontece com transportadoras e com as empresas de serviços denominadas Operadores Logísticos, que costumam utilizar sowares especialistas. Dois exemplos desses programas especialistas foram citados no capítulo anterior: o TMS, para transporte, e o WMS, para armazéns e centros de distribuição. O quadro 5.2 complementa o anterior, ao apresentar o tipo de sistema de informação (soware) que as diversas áreas de uma empresa utilizam. Quadro 5.2. Áreas das empresas e seus sistemas de informações Área Atividades básicas Informações produzidas Software de apoio Marketing Previsão de vendas Promoções Metas de vendas Cronograma de ações promocionais ERP Vendas Negociações e vendas Pedidos ERP (Pedidos) PCP Planejamento de compras e produção Capacidade da produção Ordens de compras Ordens de fabricação ERP (MRP) Compras Cotação Pedidos com quantidades, datas de entrega e valores ERP (Compras) Produção Fabricação Quantidades produzidas e custo ERP (Produção) Recebimento Conferência de materiais e pedidos Quantidades recebidas e divergências ERP (Materiais) Armazenagem Estocagem e movimentação Quantidades movimentadas (entrada e saída) e saldo de estoque ERP (Materiais e WMS) Área Atividades básicas Informações produzidas Software de apoio Separação (picking) Separação de produtos Materiais separados para o cliente ERP (Materiais e WMS) Expedição Planejamento de rotas Contratação de transportadora Emissão de documentos Emissão de nota fiscal e de CT-e (Conhecimento de Transporte Eletrônico) Administração das entregas Gestão de fretes ERP (WMS e TMS) Transportadora Coleta e entregas Comprovante de entregas e faturas de fretes ERP (TMS) A �gura 5.2, a seguir, retoma o que foi mostrado na 5.1, só que agora com a visão de integração de sistemas de informação. Figura 5.2. Funções integradas no ERP O WMS O WMS (Warehouse Management System, ou Sistema de Gestão do Armazém) é um sistema de informações integrado com as demais funções da empresa que, como o nome diz, tem a �nalidade principal de administrar o armazém, almoxarifado ou centro de distribuição. Vimos que as preocupações com custos, produtividade, con�abilidade, rastreabilidade e precisão das informações são necessárias para obter um bom desempenho no armazém. Como o ideal é minimizar os estoques na medida do possível, esta ferramenta, o WMS, permite planejar, organizar, controlar e garantir o estoque utilizando tecnologias avançadas, como coletores de código de barras, radiofrequência e etiquetas. O quadro a seguir mostra algumas funcionalidades de um bom soware WMS de mercado. Quadro 5.3. Funcionalidades do WMS Processos contemplados Atividades controladas pelo WMS Controle de portaria Registro de entrada e saída de veículos/notas fiscais Controle do pátio e prioridade de descarga Identificação dos dados do veículo/motorista/notas fiscais (entrada e saída) Lançamento de data e horário de chegada Controle de portaria Liberação para entrada Início de operação Fim de operação e saída efetiva Agendamento de carga Controle da habilitação do motorista para transporte de cargas perigosas/controladas Processos contemplados Atividades controladas pelo WMS Recebimento de produtos Previsão de recebimento de produtos via integração Controle do recebimento físico Conferência do recebimento de produtos Recebimento em modo cross docking Conferência das devoluções Registro de divergências e avarias Sugestão da quantidade de paletes a serem usados Identificação dos produtos com código de barras Controle de inspeção e qualidade dos produtos Controle de lote (fabricação, data de vencimento) Controle de produtos serializados (nº de série) Lançamento de serviços executados na entrada Lançamento no livro da Junta Comercial Flexibilidade no uso de coletor de dados Processos contemplados Atividades controladas pelo WMS Armazenagem Identificação da localização física (rua, prateleira, boxes, etc.) Algoritmo de alocação inteligente de espaço físico Maximização da utilização de recursos Sugestão para endereçamento automático Controle dos endereços dos produtos Endereços disponíveis para armazenamento Planejamento de armazenagem com prioridade (por produto e grupo/produto) Atualização dos estoques Controle de área de separação (picking) Gestão da capacidade no palete Atribuições automáticas de tarefas Ressuprimento Processos contemplados Atividades controladas pelo WMS Inventário Status do estoque (por endereços, produto, dados logísticos) Fechamento por auditoria Inventário de endereços vazios Conciliação com sistema corporativo Contagem sem interrupção da operação Atendimento total aos órgãos governamentais Contagem cíclica (por range de local, produto, zona e grupo de produto) Controle do inventário rotativo Implementação da auditoria de estoques Processos contemplados Atividades controladas pelo WMS Separação (picking) e expedição Auditoria de picking Instrução via RF Separação por pedido e carga Gestão de estoque ideal e reposição por ponto mínimo Tarefas geradas automaticamente Previsão de expedição Integração das notas fiscais do depositante Controle de lotes (PEPS/FIFO) Operação de separação (picking) Conferência da separação Emissão das etiquetas de identificação dos volumes Lançamento de serviços executados na saída Auditoria da conferência (double check) Conferência por checkout Processos contemplados Atividades controladas pelo WMS Gestão das entregas Controle de mercadorias em trânsito Identificação do local de entrega Rastreamento do veículo (GPS) Rotas Monitoramento dos tempos Produtividade Gestão de avarias na entrega Conferência de pedidos Automação Identificação (código de barras) em produtos, paletes, endereços e recursos humanos Coleta de dados via rede de coletores portáteis e fixos Leitura óptica das etiquetas de identificação via coletores de dados Rastreabilidade Produtos Clientes (nota fiscal × produtos) Endereços Recursos humanos Como podemos observar, esse programa contempla todas as atividades de um armazém, desde o recebimento até a expedição e a entrega. Em geral, cada setor do armazém é responsável por atualizar o sistema WMS, seja por meio de coletores de código de barras, seja por digitação manual. Por exemplo: no recebimento devem ser informados os dados das notas �scais recebidas com o código de materiais e os respectivos valores, quantidades, divergências, número de pedido, etc. No setor de armazenamento, devem ser informados a quantidade armazenada e seu respectivo endereço de localização nas prateleiras/estruturas porta-paletes, utilizando ou não etiquetas e coletores de código de barras, etc. O mesmo acontece com separação e expedição. Portanto, em empresas com grandes volumes de operações, em geral, cada setor atualiza suas informações no ato da tarefa (real-time). Em empresas com volumes menores, pode acontecer de uma única pessoa atualizar toda a movimentação do armazém duas ou três vezes ao dia, mas isso não é recomendável. Para operar este soware, o pro�ssional recebetreinamento do próprio fornecedor do WMS, pois as informações às vezes variam de um fornecedor para outro. Apesar de as funcionalidades em geral serem semelhantes, a forma e as transações podem ser diferentes. Portanto, dominar um soware de WMS não necessariamente credencia a operacionalizar outro, embora ajude bastante. O mercado de consultores em WMS com conhecimento em processos logísticos é muito carente de pro�ssionais, portanto, bastante promissor �nanceiramente. O TMS O TMS (Transportation Management System, ou Sistema de Gestão de Transportes) permite o planejamento e o monitoramento das atividades envolvidas desde a etapa de programar uma coleta, passando pela consolidação da carga até sua efetiva entrega e pagamento. Alguns desses programas possuem funcionalidades de gestão dos veículos da frota, como combustíveis, pneus, manutenção preventiva e custos. A capacidade de rastreamento da frota é outra funcionalidade importante deste soware. Quadro 5.4. Funcionalidades do TMS Processos contemplados Atividades controladas pelo TMS Manutenção Controle de garantia de peças e mão de obra aplicada Controle por componentes (pneu, motor, câmbio) Suprimentos Controle de materiais em oficinas próprias Controle de requisições e de compras Controle de fretes de terceiros Cadastro de transportadoras Cadastro de rede de transporte Direcionadores de tarifas e taxas Registros de embarque Cálculo da provisão de frete Emissão da pré-fatura e conferência de fretes. Operação – carga Rastreamento lógico das cargas Controle de transbordo e de entrega e coleta Tráfego Liberação de embarque, ordem de transporte, registro de portaria, registro de eventos, gestão do motorista Processos contemplados Atividades controladas pelo TMS Faturamento de transporte Cadastro de clientes e terceiros; cadastro de taxas e tarifas; cadastro da rede de transportes; requisição de transporte; ordem de coleta; registros de notas fiscais; emissão de conhecimentos e manifestos de carga e emissão de fatura de cobrança dos clientes Custo Custos de manutenção: informações alimentadas pelo sistema de manutenção e suprimentos de forma integrada Custos de operações: informações alimentadas pelo sistema de operações de forma integrada Planejamento Montagem das rotas; cálculo de dimensionamento de equipamentos; cálculo de renovação da frota; montagem de orçamento do transporte; controle orçamentário e análise das variáveis Rastreamento Interface com rastreadores GPS; interfaces com tecnologias embarcadas nos veículos; leitores de código de barras e transmissão de dados via wireless As atividades de distribuição física envolvendo planejamento das rotas, transportadoras, montagem de cargas, emissão de documentos �scais, acompanhamento das entregas e rastrea mento podem ser contempladas por um programa TMS. Em alguns casos, empresas especializadas em transportes precisam adquirir sowares mais completos e complexos para a função de roteirização ou mesmo para “montar carga”, de modo a obter o melhor aproveitamento dos caminhões. Aqui também existem programas que realizam somente tais funções. Como podemos perceber, também não é possível uma única pessoa operacionalizar o TMS. Cada setor opera e atualiza suas informações. O treinamento, como no caso do WMS, é oferecido pelo fornecedor do soware, já que existem variações de funcionalidades, preços, complexidade e segurança. O mercado para pro�ssionais consultores em transportes com conhecimento em TMS também é carente e promissor �nanceiramente. Tecnologia de automação No início, este tipo de tecnologia – por exemplo, radiofrequência e código de barras – não era usado em armazéns, mas nos pontos de venda. Quando os empresários perceberam quanto os coletores de radiofrequência e código de barras ajudavam no aumento da produtividade, passaram a utilizá-los também na retaguarda, ou seja, no armazém. Com isso, essa tecnologia de automação tornou-se um fator decisivo para a melhoria de desempenho dos centros de distribuição. Por exemplo, imagine um processo de inventário em um centro de distribuição de um supermercado ou hipermercado sem o uso da tecnologia de código de barras. Trabalhoso, não? Código de barras Os códigos de barras representam uma numeração que pode ter várias �nalidades: identi�cam produtos, caixas de embarque, locais de armazenamento, paletes retornáveis, documentos como a nota �scal, contêineres, cargas em geral. A identi�cação acontece pela captura dos dados presentes no código, por meio de leitores (scanners) e coletores de código de barras. A informação coletada �ca registrada na memória do coletor e é transmitida para o computador, ou até para um microterminal, via ondas de rádio (Wi-Fi), infravermelho ou Bluetooth. É um meio rápido de identi�cação – é só nos lembrarmos da agilidade que os códigos de barras oferecem quando pagamos as compras no caixa de uma loja ou um supermercado. Imagine antigamente, quando eram digitados os preços ou o código na máquina registradora. As �las aumentavam, assim como a possibilidade de erros. Basicamente, existem os códigos lineares e os bidimensionais. Os lineares são utilizados em embalagens individuais que encontramos nas prateleiras dos supermercados e farmácias (alimentícios, de higiene, de limpeza) e também nas caixas de papelão para embarque e transporte. Os bidimensionais são mais comuns em medicamentos, porque permitem conter informações em pequenas embalagens. Código de barras utilizado em produtos de consumo (código linear) Este código foi desenvolvido especi�camente para leitura no ponto de venda, por ser ágil na captura da informação. Permite codi�car as embalagens de produtos com o código de barras com 8, 12 ou 13 dígitos (os GTIN-8, GTIN-12 e GTIN-13). O código padrão utilizado no Brasil é o GTIN-13, ou seja, 13 posições (12 mais o dígito de controle). Figura 5.3. Código de barras GTIN-13 Originalmente, a estrutura do código tinha um signi�cado especí�co: as três primeiras posições identi�cavam o país de origem – ou seja, 789 signi�cando fabricado no Brasil, para, em caso de exportação, o país de destino conseguir identi�car o de origem. As quatro posições seguintes identi�cavam o fabricante. As outras cinco identi�cavam o código do produto unitário. O último dígito é de controle. Entretanto, com a globalização o funcionamento não é mais necessariamente esse. Atualmente, uma empresa alemã produz na China para vender exclusivamente no Brasil, logo a estrutura descrita acima já pode transmitir outra informação. Mesmo assim, prevalecem a origem e o fabricante. Códigos de barras utilizados em caixas de embarque ou peças (código linear) O código da �gura 5.4 (página a seguir) é o GS1-128, utilizado na gestão logística e de rastreabilidade. É útil principalmente na identi�cação de unidades logísticas que precisem de informações adicionais, como número serial, número de lote, data de validade, quantidades, número do pedido do cliente, etc. É um código muito utilizado em paletes. Figura 5.4. Código GS1-128 Figura 5.5. Código ITF-14 O código da �gura 5.5 é o ITF-14, usado para a identi�cação de itens comerciais que não passam pelo caixa do varejo. Esse tipo de código de barras é mais recomendado para impressão direta em caixas de papelão, por exemplo. GS1 DataMatrix (código bidimensional) Este símbolo bidimensional tem aplicações especiais, pois permite codi�car informações em espaços muito menores que os códigos lineares e agregar informações adicionais, como código do produto, lote e validade. Tornou-se o principal código do segmento hospitalar, por permitir a identi�cação de itens tão pequenos quanto uma ampola de 5 ml, o que possibilita que seja rastreado (e, consequentemente, mais seguro para o paciente). O GS1 DAtaMatrix exige um leitor de código de barras bidimensional, existente em hospitais e redes de farmácias. Esse código não pode ser identi�cado em pontos de venda que possuem apenaso que foi planejado. Ela é fundamental para a saúde �nanceira do negócio, porque uma empresa, sabemos, tem o objetivo de dar lucro; e a logística tem o papel de, ao facilitar a operação, evitar perdas e reduzir custos – e redução de custos quer dizer aumento de lucros. A logística empresarial é um campo relativamente novo de estudo, tanto que o primeiro livro educacional que abordou os benefícios da gestão logística foi publicado apenas em 1961, nos Estados Unidos. Então, diante de tantas de�nições que existem sobre o que é a logística, você pode se basear naquela divulgada pelo CLM (Council of Logistics Management, ou Conselho de Gerenciamento de Logística): Logística é o processo de planejamento, implantação e controle do fluxo eficiente e eficaz de mercadorias, serviços e das informações relativas desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender às exigências dos clientes. Pode-se encerrar com este complemento: o objetivo da logística é tornar disponíveis produtos e serviços no local e na data em que são necessários, garantindo a qualidade. Sua missão é contribuir com as demais áreas da empresa para satisfazer as necessidades do cliente. Voltando no tempo Na história da humanidade, você pode identi�car a logística com a pergunta “Como?”. Veja só: → Como foi possível a locomoção das pedras para a construção das pirâmides no Egito? → Como os romanos conquistaram a Europa e a África? Além da estratégia, como eles garantiam o deslocamento e o suprimento de água, de alimento, dos veículos de transporte (os animais) e de armamentos? → Como, nas duas guerras mundiais[2], as três forças armadas se articulavam para agir em sintonia e garantir o abastecimento de combustível, munição, alimentação e medicamentos? → Mais recentemente, com a pandemia de covid-19, tivemos um grande exemplo na história da humanidade em que todos os setores da indústria, do comércio, do serviço, da tecnologia, dos laboratórios e das universidades de pesquisas precisaram se “reinventar” para evitar que a economia do mundo parasse. Dedique um tempo para pesquisar os aspectos logísticos impactados neste desa�ador período da história do século XXI. Pergunte-se: Quais foram as principais mudanças ocorridas para que as pessoas continuassem a se alimentar, se vestir, se comunicar, estudar em escolas e universidades, entre outros? Pesquise e troque ideias em seu grupo de estudo ou em sala de aula. En�m, na ida do homem à Lua, na fabricação de automóveis, no dia a dia, existem vários exemplos: ir ao trabalho, ir à escola, dar conta das tarefas da casa. Você realiza diversas atividades sequenciais com determinada �nalidade. Se alguma delas atrasar ou estiver inadequada, o resultado �nal será comprometido; ou seja, chegar tarde ao trabalho, atrasar o almoço, deixar de entregar um pedido ao cliente... Do livro para a prática Pense em uma tarefa diária – por exemplo, fazer compras no supermercado, ir ao cinema ou ao shopping, ir de ônibus para o trabalho – ou mesmo uma tarefa de seu trabalho. Escreva-a em uma folha de papel, detalhando-a passo a passo. Peça para outra pessoa ler o que você escreveu. Se ela entender todo o processo, a sua logística está perfeita, porque fluiu naturalmente, sem resistência, do 1º ao último passo. O início da logística empresarial No Ocidente, a logística empresarial teve seu embrião na Revolução Industrial, que se iniciou na Inglaterra, no século XVIII, e se espalhou pelo mundo no século XIX. A Revolução Industrial substituiu a mão de obra artesanal pelas máquinas, com produções em grandes quantidades. Mas foi o empresário norte-americano Henry Ford que inovou em 1913 ao adotar, em sua fábrica de automóveis, a produção em série do famoso modelo Ford T. Com isso ele reduziu o custo de produção, mas intensi�cou a necessidade de estocar e de movimentar insumos e produtos. Ou seja, surgiu a necessidade de estruturar: → as compras e os recebimentos (a logística de suprimentos – inbound); → o processo fabril em série (ou seja, a logística de produção); → o estoque (a logística de armazenagem); → a entrega às lojas (a logística de distribuição ou de transportes). Algumas décadas depois da inovação promovida por Henry Ford, outro fato marcante ocorreu – só que na Ásia, mais precisamente no Japão. Com o �m da Segunda Guerra Mundial, o impossível parecia estar instalado nesse pequeno país formado por ilhas, sem riquezas naturais, e que estava afundado em dívidas de guerra e em situação de escassez. Pois o povo determinado[3] assumiu suas dívidas, e, em duas décadas, tornou-se um exemplo de organização e trabalho, consolidando a história da logística integrada e empresarial. Tudo começou numa tecelagem que se transformou em indústria de motocicletas e, posteriormente, de automóveis (inclusive veículos de guerra): a Toyota. Eles �zeram a diferença a partir da década de 1960, com metodologias, disciplina e melhores práticas, aumentando a e�ciência e o desempenho da indústria automobilística, evitando o desperdício na produção, reduzindo estoques e, consequentemente, os custos. Os segredos deles: → disciplina; → comprometimento; → técnicas (utilizaram as criadas pelos norte-americanos); → tecnologias e matérias-primas disponíveis no Ocidente. Os dois primeiros princípios (disciplina e comprometimento) são os mais desa�adores para as pessoas do Ocidente, pois já fazem parte da cultura do povo oriental. Pouco tempo depois, já na década de 1980, os automóveis japoneses tinham “invadido” os Estados Unidos, causando a queda das indústrias norte-americanas, que perderam a liderança mundial de sua principal fonte geradora de empregos e receitas. Ainda hoje os modelos das técnicas fabris japonesas são adaptados pelas indústrias europeias, pela chinesa, que já é uma potência na produção e venda em vários setores da economia, e pela coreana no mercado automobilístico e de eletroeletrônicos. Na década de 1990, com a globalização e o aumento das incertezas econômicas, a proliferação de produtos e seus menores ciclos de vida – o ciclo de vida de um produto tem quatro estágios: introdução, crescimento, maturidade e declínio – tornaram a gestão empresarial mais complexa, principalmente nos setores de consumo (alimentos, higiene e limpeza, eletrônicos e tecnológicos). Os administradores precisaram mudar suas crenças e compartilhar informações com clientes e fornecedores como um dos primeiros passos para a integração e a otimização da logística em cadeia. É importante conhecer esse cenário para entender melhor o ambiente em que você trabalhará. Do livro para a prática Você pode fazer este exercício usando a internet ou conversando com seus familiares mais velhos. Procure saber quanto tempo um produto permanecia no mercado de consumo nos anos 1970, 1980 e 1990, comparando com os dias atuais. Por exemplo: quanto tempo um modelo de TV se mantinha sem alterações significativas em sua tecnologia. Outros exemplos: telefone, carro e produtos de limpeza. É uma maneira de constatar, na prática, o que está sendo dito neste trecho do capítulo. A logística no varejo: a grande surpresa Nessa mesma época – década de 1990 –, nos Estados Unidos, a rede Walmart iniciou a maior revolução logística do varejo, ou seja, no comércio que lida diretamente com o cliente �nal (como supermercados e farmácias). A diretriz da rede norte-americana, de “menor preço todos os dias”, exigiu o desenvolvimento de técnicas de logística e impulsionou o desenvolvimento da tecnologia – a�nal, a maioria das técnicas depende da tecnologia[4] para funcionar bem. Alguns exemplos de tecnologias ligadas à logística: → RF (radiofrequência); → código de barras; → EDI (eletronic data interchange, ou troca eletrônica de dados). Alguns exemplos de técnicas utilizadas na logística: → cross docking (atravessando a doca); → VMI (vendor managed inventory, ou estoque gerenciado pelo fornecedor); → ECR (Efficient Consumer Response, ou Resposta E�cienteleitores lineares, como padarias, supermercados, lojas e magazines. Figura 5.6. GS1 DataMatrix Leitor de códigos de barras Este equipamento óptico realiza a leitura das barras impressas sobre uma superfície plana, “traduzindo” a informação contida no código. Con�ra os tipos mais comuns: → esferográ�co: consiste numa espécie de “caneta” passada sobre o código. Já não é mais tão utilizado atualmente; → scanner: são os que vemos nos caixas dos supermercados; → laser: utilizado principalmente para a leitura de código que esteja em local um pouco mais distante (como num palete em andar alto, por exemplo). O laser é apontado para o código; → leitor CCD: utiliza uma matriz com centenas de pequenos sensores de luz alinhados na cabeça do leitor; → leitor com câmeras: fotografa o produto, o que é importante para veri�car suas condições desde a liberação até a chegada ao destino, por exemplo. Coletores de dados Trata-se de um equipamento portátil usado para a coleta de informações que, mais tarde, serão trabalhadas por um sistema especí�co. Esse coletor é bastante comum em empresas que fornecem gás, água, energia elétrica, pela facilidade na obtenção de informações relativas ao consumo. Caso o equipamento tenha uma impressora acoplada, os boletos de cobrança podem ser entregues na hora da medição. Esse equipamento também é usado na coleta de dados como pedidos, em inventário de estoque e na comanda de bares e restaurantes, só para citar alguns exemplos mais comuns. Figura 5.7. Coletores de dados Impressoras de transferência térmica As chamadas impressoras TT são aquelas que utilizam cera derretida para imprimir sobre papel ou algum outro material. A cera, sob a forma de uma placa contínua, �ca presa num rolo plástico. Quando ela é aquecida, é borrifada sobre o papel (ou outro material) por um mecanismo parecido com o das impressoras de jato de tinta – uma cor em cada passada. Podem ser três ou quatro cores, dependendo da so�sticação do equipamento. A impressão �ca bem mais nítida do que a realizada por uma impressora de jato de tinta. O uso das impressoras TT na indústria inclui: → rótulos de código de barras, uma vez que os rótulos impressos por impressoras térmicas não têm durabilidade, ou para fazer etiquetas de roupas (por exemplo, tamanhos de camisas); → impressão de rótulos plásticos para embalagens de produtos químicos, pois os tipos de plástico baratos derretem nas impressoras a laser. Figura 5.8. Impressora TT A RFID RFID é a abreviação de Radio Frequency Identi�cation, ou Identi�cação por Radiofrequência. Diferentemente do feixe de luz utilizado no sistema de código de barras para captura de dados, essa tecnologia utiliza a frequência de radio. A radiofrequência conta com as chamadas “etiquetas inteligentes”: etiquetas eletrônicas com um microchip instalado que são colocadas nos produtos. Esse microchip mede menos de 1 milímetro e é envolto em uma antena também muito pequena (o tamanho pode variar de poucos milímetros a alguns centímetros). Com isso, a captura dos dados pode acontecer sem necessidade de leitura direta. Ou seja, os produtos podem conter o microchip num local não visível ao olho humano. Essas etiquetas inteligentes têm a capacidade de armazenar dados enviados por transmissores. Elas respondem a sinais de rádio de um transmissor e enviam de volta informações sobre sua localização e identi�cação. O microchip envia sinais para as antenas, que capturam os dados e os retransmitem para leitores especiais. Os dados passam, então, por �ltros e chegam aos diferentes sistemas de uma empresa, conforme a necessidade. Com isso, é possível saber, em tempo real, informações sobre estoque, preço, prazo de validade, lote, etc. Figura 5.9. Exemplo ilustrativo da RFID Do livro para a prática Faça uma lista com os tipos de comércio que você conhece, próximos ao seu bairro ou trabalho (supermercados, padarias, farmácias, etc.), que utilizam a tecnologia de coletores de código de barras no momento de passar no caixa (checkout). Agora, reflita e liste quais seriam as consequências caso essa tecnologia não existisse no supermercado, na farmácia, etc. Tecnologias e técnicas de integração entre a indústria e o varejo Como você tem visto ao longo do livro, quanto mais integrada a logística entre a produção e o varejo, maior o ganho de produtividade e, consequentemente, maior a satisfação do cliente. A experiência das grandes empresas ao longo dos anos foi consolidando tecnologias e técnicas que hoje são adotadas em diversas outras. O EDI Esta é sigla de Eletronic Data Interchange[1], ou Troca Eletrônica de Dados. O EDI é uma tecnologia de informação que depende exclusivamente de transmissão eletrônica de arquivos. As informações trafegam e são compartilhadas entre as empresas através de redes de telecomunicações. Possui regras e padrões de comunicações de�nidos internacionalmente e conhecidos como padrão EDIFACT. Alguns dos documentos trocados entre as empresas: → pedido de compras; → nota �scal e fatura; → posição de estoque; → quantidade vendida; → parâmetros de estoque (mínimo, máximo, ponto de reposição); → transações �nanceiras (contas a pagar e contas a receber). Esses documentos eletrônicos são a base para o funcionamento do VMI, explicado em seguida. O VMI O nome completo é Vendor Managed Inventory, ou Estoque Gerenciado pelo Fornecedor. O VMI é uma técnica que permite à indústria acompanhar a venda de seus produtos no varejo e repor automaticamente os estoques quando necessário. Ele depende de informações diárias enviadas de forma eletrônica, utilizando tecnologias como o EDI ou outro sistema de informações. O ECR É a sigla de Efficient Consumer Response[2], ou Resposta E�ciente ao Consumidor. Essa técnica surgiu nos Estados Unidos, com a rede de varejo Walmart. A �nalidade é reduzir estoque e a falta de produtos no varejo, proporcionando ao consumidor um melhor nível de serviço, como datas mais recentes e produtos mais frescos. O ECR funciona a partir de quatro estratégias: 1. Sortimento eficiente na loja: garantir que o consumidor sempre encontre o produto que ele está procurando. Para isso, é necessária uma gestão e�ciente do per�l dos consumidores daquela determinada loja. 2. Reabastecimento contínuo: garantir que sempre haja produtos na quantidade necessária na gôndola, sem excesso no estoque do varejo. Para isso, é necessária a utilização de técnicas e tecnologias de EDI e de VMI. 3. Promoção eficiente: garantir que as promoções das lojas atendam realmente aos consumidores e contribuam para a �delidade deles em relação àquele estabelecimento comercial e à marca do produto. Esta estratégia depende do compartilhamento de informações entre o varejo e a indústria. Em geral, o per�l dos consumidores varia de loja para loja e de região para região. 4. Introdução eficiente de produto: possibilitar uma disponibilização mais rápida e e�ciente de novos produtos desenvolvidos pela indústria, evitando falta e descompasso entre a divulgação e a entrega nos pontos de venda. O cross docking É uma técnica utilizada principalmente nos processos de distribuição. No cross docking – que quer dizer “atravessando a doca” –, o produto recebido em um armazém ou centro de distribuição não é estocado, e sim direcionado para a expedição a �m de ser entregue ao destino �nal o mais rápido possível. Por exemplo: um centro de distribuição de uma rede de supermercados recebe uma carga muito grande de determinado produto que deve ser enviado às lojas com certa urgência. Caso tenha de armazenar a carga para, em seguida, separá-la e fazer a expedição às lojas, além do tempo gasto haverá custos com movimentação, pessoal, equipamentos e embalagens. Pelo cross docking, há a transferência do produto diretamente do recebimento às docas de saída de cada loja, sem passar pela armazenagem. Assim, o caminhão com destino a determinada loja é carregado com os produtos já separados no processo tradicional.É importante entender que esse processo depende de planejamento prévio para saber o quanto deve ser destinado e quais são as docas para expedição. Como exemplo do cross docking, podemos citar o que foi implementado por uma grande indústria de produtos de higiene e limpeza e seu cliente, que possuía 30 lojas. A indústria recebia pedidos dessas lojas. Os pedidos eram faturados, e as notas �scais, emitidas com o endereço de cada loja. Entretanto, o caminhão seguia para um centro de distribuição que, diariamente (uma ou duas vezes ao dia), abastecia as lojas com diversos produtos. Assim que o caminhão da indústria chegava ao recebimento do cliente, os operadores de empilhadeira já destinavam os produtos às docas das lojas, sem passar pela armazenagem, nas quantidades solicitadas com as suas respectivas notas �scais. No horário programado para o caminhão abastecer determinada loja, todos os produtos já estavam separados na respectiva doca, inclusive os originados pelo sistema de cross docking. O JIT Esta é a sigla de Just in Time e quer dizer “a tempo”. Apesar de ser uma técnica criada na indústria – pela Toyota – foi estendida para o comércio. Basicamente, o Just in Time objetiva comprar, fabricar ou transferir somente na hora exata, evitando estoques desnecessários. O conceito central é: primeiro vender para depois fabricar. Para isso funcionar, todos os envolvidos, fornecedores, fabricantes e distribuidores devem estar muito organizados, alinhados e conectados, de modo a evitar falta de produto no processo, pois o estoque muitas vezes é su�ciente para poucas horas de produção. Temos um exemplo da mesma indústria de produtos de higiene e limpeza e do mesmo cliente citados no trecho referente ao cross docking. Os estoques das lojas eram repostos pela indústria somente quando o consumidor efetivava a compra no caixa da loja. Pelo EDI e pelo VMI, as informações eram enviadas à indústria; no dia seguinte, acontecia a entrega dos produtos no primeiro horário. Comércio eletrônico Comércio eletrônico ou e-commerce é a venda de produtos ou serviços de forma eletrônica (internet). Um negócio eletrônico (e-business), quando acontece entre uma empresa e outra empresa, é chamado de business-to- business, ou B2B; quando ocorre entre uma empresa e o consumidor, tem o nome de business-to-consumer, ou B2C. O comércio eletrônico está abordado neste capítulo porque todo o funcionamento dele, incluindo a logística, tem como base a tecnologia. É através dela que as empresas mostram seus produtos em seus sites, informam os preços, anunciam promoções. E é pela tecnologia que o cliente consegue escolher um produto, “customizá-lo” (ou seja, de�nir suas características de acordo com o que deseja) e pagar por ele (com cartão de crédito, pela geração de um boleto bancário ou sendo direcionado ao site do banco, para débito direto). O sucesso de um comércio eletrônico está baseado em três pilares fundamentais: manter um site fácil de navegar e que esteja sempre funcionando, realizar as entregas na data prometida e ter uma tecnologia que permita ao cliente acompanhar o andamento do pedido (rastreamento). Se fosse feito um resumo das transações do e-business que se tornam possíveis por causa da tecnologia, poderíamos falar em: → �uxo de informações; → negociação de preços e contratos com clientes e fornecedores; → realização e acompanhamento de pedidos; → recebimento de pagamentos dos clientes. É crescente o número de grandes varejos e indústrias dos setores eletroeletrônico, alimentício, automobilístico, de materiais de escritório, de móveis e de eletrodomésticos, entre outros, que se utilizam do e-business para aumentar suas vendas e reduzir custos operacionais. Para o pro�ssional de logística, é um mercado promissor e, ao mesmo tempo, desa�ador, porque as operações relativas a armazenagem e transporte precisam funcionar muito bem para que o cliente seja atendido em suas necessidades. Esse tipo de negócio tem alguns fatores negativos. Um deles é o custo maior com frete, pois as entregas são unitárias. Os custos também são maiores em manuseio nos estoques e na infraestrutura de tecnologia de informação. O quadro 5.5 mostra como diferentes aspectos do e-business podem representar uma vantagem ou uma desvantagem. É importante conhecer isso para se tornar um pro�ssional de logística mais bem-informado. Quadro 5.5. Impactos de diversos fatores nos custos de um comércio eletrônico Fator- chave Impacto do e-business no custo Estoque Reduz Transporte Aumenta Instalação Reduz Informação Melhora a coordenação e reduz custos com o compartilhamento de informações Alto investimento inicial Fonte: Chopra & Meindel, 2006. Do livro para a prática Faça uma pesquisa sobre os casos de sucesso e de fracasso na história do comércio eletrônico mundial. No Brasil, temos casos de dois grandes varejos com resultados opostos, que alertam sobre a importância da operação logística como fator de sucesso. Descubra quais são eles. Tendências mundiais Por meio da história de empresas como Microso, Apple, Intel, Google, Uber, Amazon e dezenas de outras, temos acompanhando a evolução da tecnologia impulsionada pelo Vale do Silício, localizado na Califórnia, Estados Unidos. No Brasil, temos as empresas Buscapé, iFood, Easy Taxi, entre outras, que produzem e comercializam produtos e serviços diferentes. No entanto, todas apresentam um ponto em comum: elas dependem da tecnologia e da internet. Mas se a internet existe há mais de 20 anos, por que apenas agora observamos tantas mudanças? A resposta é inovação. Com a descoberta de novos materiais, como o silício e o nanomaterial grafeno, que é duzentas vezes mais forte que o aço, cuja espessura é um milhão de vezes mais �na do que um �o de cabelo humano e que também é um e�ciente condutor de eletricidade, as tecnologias puderam se expandir de modo exponencial. Isso signi�ca que, de acordo com a previsão de especialistas do Fórum Econômico Mundial (FEM), nas próximas duas décadas a forma como produzimos e comercializamos sofrerá uma grande transformação. Por exemplo, já vivenciamos novas maneiras de nos relacionar por meio das mídias sociais (WhatsApp, Instagram, Face book, etc.), que têm preocupado as operadoras de celulares em razão da substituição da comunicação por telefone por serviços de mensagem instantânea, como o WhatsApp. A seguir, vamos expor alguns dos impactos positivos e negativos das novas tecnologias para a logística e para o emprego. Mudanças Perspectiva até 2025 Alguns impactos positivos (+) e negativos (–) Armazenamento de dados e imagens gratuito Serão ilimitados, gratuitos e financiados por propagandas publicitárias. (+) Sistemas jurídicos, históricos acadêmicos, extensão da memória pessoal. (–) Perda da privacidade. Internet das coisas Tudo e todos poderão estar conectados por sensores, permitindo novos serviços em tempo real. Será possível rastrear e acompanhar pacientes em tratamento, animais, produtos, veículos, etc. (+) Qualidade de vida, meio ambiente, segurança, eficiência na logística, conhecimentos adicionais de comportamento. (–) Perda da privacidade, perda de emprego, risco de hacking. Fonte: adaptado de Schwab, 2016. Mudanças Perspectiva até 2025 Alguns impactos positivos (+) e negativos (–) A casa conectada Poderão ser controlados a distância luzes, ventilação, áudio, vídeo, eletrodomésticos, sistemas de segurança, etc. (+) Conforto, economia de energia, segurança e chamadas de emergência. (–) Perda da privacidade, perda de emprego, risco de hacking. Big Data Governos poderão conhecer a população sem a necessidade de realizar o censo para atualizar as políticas públicas. Indústrias e governos aprimorarão a prestação de serviços conhecendo melhor a população. (+) Decisões melhores e em tempo real, redução da complexidade para os cidadãos. (–) Perda da privacidade, perda de emprego, risco de hacking. Fonte: adaptado de Schwab, 2016. Mudanças Perspectivaaté 2025 Alguns impactos positivos (+) e negativos (–) Carros sem motoristas Empresas como Google, Audi e outras estão realizando testes avançados nessa área. As pessoas optarão por carros autônomos com menor custo de transporte; os transportes coletivos também serão autônomos. (+) Mais segurança, menos estresse, mobilidade para deficientes e idosos, menor tarifa. (–) Perda de trabalho para motoristas, risco de hacking, redução da venda de automóveis e de seguros. Carros elétricos A BMW, por exemplo, anunciou que até 2025 vai produzir carros elétricos em massa; a empresa norte- americana Tesla já produz somente carros elétricos. (+) Substituição do petróleo, meio ambiente, novas indústrias. (–) Redução das indústrias da cadeia automotiva e respectivos empregos. Fonte: adaptado de Schwab, 2016. Mudanças Perspectiva até 2025 Alguns impactos positivos (+) e negativos (–) Drones para transportar humanos Conhecemos drones que realizam várias tarefas de transporte de objetos, rastreamento e segurança, e agora seu uso já é uma realidade no transporte de pessoas. (+) Menos trânsito, menos estresse, nova indústria. (–) Riscos de transportação nociva ou de comércio ilícito caso não haja controle ou regulamentação, risco de hacking. Inteligência Artificial (I.A.) para funções administrativas Grande parte das funções com procedimentos padrões nas empresas pode ser substituída, como auditorias, apoio administrativo, etc. (+) Reduções de custo, ganho de eficiência. (–) Perda de empregos. Robótica e serviços Influenciará atividades como a agricultura, indústrias, serviços, bancos e varejos. Na indústria automotiva, a robótica já consegue substituir 80% da produção. (+) Mais tempo para lazer, caixas eletrônicos, checkout de autoatendimento. (–) Redução de empregos, risco de hacking. Fonte: adaptado de Schwab, 2016. Mudanças Perspectiva até 2025 Alguns impactos positivos (+) e negativos (–) Economia compartilhada Por meio da cultura de consumo compartilhado, poderão ser compartilhados automóveis, casas, quartos, etc. (+) Menor impacto ambiental, menor produção de bens, melhor utilização dos bens, novos empregos (motorista do Uber também faz entregas), maior acesso a recursos físicos úteis. (–) Menos ofertas de trabalho de longo prazo, dificuldade para mensurar essa economia. Impressão 3-D – Indústria Impressão de peças, brinquedos de plástico, alumínio, aço inoxidável, cerâmica, etc. (+) Desenvolvimento acelerado de produtos, designers de produtos, uso em sala de aula. (–) Aumento de resíduos no meio ambiente, fechamento de indústrias e redução de empregos. Fonte: adaptado de Schwab, 2016. Mudanças Perspectiva até 2025 Alguns impactos positivos (+) e negativos (–) Impressão 3-D – Saúde humana Já foram construídas vértebras da coluna vertebral e logo poderão ser produzidos ossos e órgãos humanos. (+) Próteses e implantes dentários personalizados. (–) Ética e controle da produção de órgãos. Fonte: adaptado de Schwab, 2016. Frey e Osborne, em pesquisa publicada pela Oxford Martin School, em 2013, estimam que 47% das pro�ssões nos Estados Unidos estão ameaçadas de serem substituídas por robôs e pela inteligência arti�cial (I.A) em alguns anos, possivelmente em dez ou vinte anos. Observe a seguir o quadro adaptado do estudo desses pesquisadores. Fonte: adaptado de Frey e Osborne, 2013. Nesse quadro, pode-se observar que as atividades operacionais da logística (tanto em produção quanto em movimentação e transportes) correm o risco de ser substituídas pela tecnologia, particularmente por seu caráter repetitivo. Desse modo, reforçamos que o pro�ssional dessa área mais procurado pelas empresas é aquele que apresenta um per�l analítico, que sugere melhorias e trabalha por projetos em equipe. [1] Apesar de o “nome por extenso” ser feminino, o mercado fala “o EDI”. [2] Assim como no caso do EDI, apesar do nome feminino, o mercado fala “o ECR”. 6 Entendendo os custos logísticos Neste capítulo, detalhamos quais são os componentes dos custos de transportes, armazenagem e administrativos. Juntos, eles formam os chamados custos logísticos. Também é explicada a diferença entre custos de estoque e de armazenagem, um tema que muita gente confunde. Para ampliar o conhecimento, no final do capítulo é feito um passo a passo da composição dos custos de um armazém. A busca da e�ciência e da e�cácia dos processos logísticos tem como objetivo a redução dos custos, que podem ser classi�cados em quatro categorias: → custos de transporte; → custos de armazenagem; → custos administrativos; → custos de manutenção de estoques. Importante, aqui, levar em conta que há diferença entre custo de estoques e custo de armazenagem. O custo de estoque é a somatória dos custos de manutenção de uma política com nível de estoque alto. Quando os estoques são mantidos muito altos com o objetivo de atender melhor os pedidos, é preciso haver ótimas ferramentas de controle, caso contrário, poderão �car elevados também os custos �nanceiros (dinheiro parado no estoque ou custo de oportunidade[1]), sem falar em outros impactos: seguros para evitar incêndios, obsolescências (materiais que podem �car fora de linha, vencidos), materiais avariados no estoque (excesso de movimentação ou parados por muito tempo), roubos, etc. Grande parte das estratégias, técnicas e tecnologias estudadas está dirigida à redução dos estoques – e não só dentro de uma empresa, mas em toda a cadeia de suprimentos[2]. Hoje as competições já acontecem entre cadeias de suprimentos concorrentes (principalmente as asiáticas). Reforçando, a Toyota buscou diminuir os estoques em todos os processos e, consequentemente, reduziu gastos (dinheiro) em armazenagem (estruturas, prédios, luz, água, impostos e manutenção predial, despesas com segurança e com depreciação), movimentação (menos equipamentos e de porte menor, menos pessoal envolvido) – en�m, gastos para manter os estoques altos (com alto nível de serviço e capacidade de responder as solicitações). Apesar de armazenagem e estoques terem percentuais de custos representativos, é o de transporte que absorve grande parte do custo logístico total. O quadro 6.1 mostra a participação de cada item nessa conta. Quadro 6.1. Composição do custo logístico Item % (2006) % (2014) Transporte 59,6 58,2 Armazenagem 5,3 6,8 Administração 3,8 3,4 Estoque 31,3 31,6 TOTAL 100 100 Fonte: adaptado de Lima, 2016. Observando o quadro, constatamos que o transporte – no caso do Brasil, nesta pesquisa – representa quase 60% do custo logístico e é o “vilão”, principalmente pelos fatores já mencionados, como a de�ciente infraestrutura em rodovias e ferrovias. Um indicador importante para o cenário da logística no Brasil é o custo logístico comparado com o PIB. Veja a pesquisa publicada pelo Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain): Figura 6.1. Custos logísticos em relação ao PIB – comparação entre Brasil e Estados Unidos Fonte: Ilos, 2013. Observe que, na comparação com os Estados Unidos, os custos logísticos brasileiros (em 2010) ainda se encontravam muito altos. Agora, veja o quadro 6.2, que mostra a comparação entre os custos logísticos brasileiros nos anos de 2006, 2010, 2012, 2014 e 2015. Quadro 6.2. Representação dos custos logísticos no PIB brasileiro Item % PIB 2006 % PIB 2010 % PIB 2012 % PIB 2014 % PIB 2015 Transporte 7,5% 6,3% 7,1% 6,8% 6,8% Armazenagem 0,7% 0,7% 0,8% 0,8% 0,9% Administração 0,5% 0,4% 0,4% 0,4% 0,5% Estoque 4% 3,2% 3,2% 3,7% 4,5% Total 12,6% 10,6% 11,5% 11,7% 12,7% Fonte: adaptado de Lima, 2016. A representatividade dos custos logísticos, no período de 2006 a 2010, em relação ao PIB caiu de 12,6% para 10,6%. Basicamente, a redução ocorreu nos níveis de transporte e nos investimentos em estoques. Nesses setores, as melhorias podem acontecer pelo uso crescente de transportes terceirizados e, no caso dos estoques, pela adoção de políticas, técnicas e tecnologias para uma melhor gestão. Também pode ter ocorrido a terceirizaçãoda administração dos estoques por Operadores Logísticos. Observando os anos de 2014 e 2015, podemos perceber uma pequena queda em custos de transportes e um aumento nos investimentos em estoques. No caso dos transportes, nesse período os preços dos combustíveis estavam sendo subsidiados pelo Governo Federal, e a queda na procura por transporte reduziu os preços, pois já estávamos em crise. O aumento em estoques pode representar as matérias-primas que eram importadas e os produtos em estoque, provocados pela desaceleração da demanda, impactando assim este custo. Os demais itens da tabela (armazenagem e administração) permaneceram inalterados. Figura 6.2. Custos de transporte Fonte: adaptado de Lima, 2006, e Ilos, 2013. As �guras 6.2, 6.3 e 6.4 detalham os itens que compõem os custos de transporte, de estoques e de armazenagem. Os administrativos, citados no começo deste capítulo, não têm uma �gura separada porque são custos que permeiam todos os outros. Do livro para a prática Imagine que você faz transporte de carga e que o gasto por quilômetro rodado é R$ 0,50. Você terá de fazer entregas em cinco locais, gastando uma hora em cada parada. 1. Para fazer essa simulação, escolha cinco endereços de um bairro ou uma região que você conheça e trace um roteiro. Como apoio, você pode utilizar um site como o [Google Maps], indicando o ponto de partida e o destino. 2. Veja, no site, qual o melhor roteiro (sequência) que você faria para as cinco entregas. 3. Anote a quilometragem e o tempo que você gastaria. (O site fornece essa informação.) 4. Multiplique pelo gasto por quilômetro para saber qual o valor daquela rota realizada. Essa simulação consegue lhe dar uma ideia do que uma transportadora precisa considerar em cada trabalho. Mas, no dia a dia, a situação é bem mais complexa porque é necessário fazer cálculos, levando em conta o tipo de mercadoria, o peso dela, as especificidades da carga, as possíveis restrições nos locais e nos horários de https://maps.google.com.br/ entrega... Sem falar que cada transportadora possui, em sua frota, caminhões mais leves, mais pesados... São vários os fatores a considerar! Para praticar ainda mais, a internet pode continuar ajudando: é possível baixar, gratuitamente, planilhas para cálculo de custos de transportes. Um endereço é https://www.dti.ufv.br/dtr/plancusto/plan.htm. Figura 6.3. Custos de estoques Fonte: adaptado de Lambert, 1999. Figura 6.4. Custos de armazenagem Fonte: adaptado de Lima, 2000. https://www.dti.ufv.br/dtr/plancusto/plan.htm Passo a passo dos custos de um armazém Como exemplo mais prático, vamos nos aprofundar nos custos de um armazém. Observe as planilhas a seguir. Elas mostram os passos necessários para organizar esses custos. Essas planilhas podem servir de base para o desa�o de logística proposto no �nal do livro, no Anexo. 1ª etapa: custos com instalação Aluguel mensal (R$/m2) Custo anual Custo mensal Área 1.000 10,00 120.000,00 10.000,00 IPTU 5.000 5.000,00 416,67 Água/luz/telefone 8.000 8.000,00 666,67 Segurança 72.000 72.000,00 6.000,00 Manutenção predial (elétrica, hidráulica, etc.) 20.000 20.000,00 1.666,67 Limpeza 10.000 10.000,00 833,33 TOTAL 235.000,00 19.583,33 2ª etapa: custos com equipamentos de movimentação Quantidade Valor unitário (R$) Valor total (R$) Rem. do capital Depreciação Manutenção Custo anual Cust mens Paleteira manual 2 1.500,00 3.000,00 23,92 25,00 25,00 887,07 73,9 Empilhadeira 2 80.000,00 160.000,00 1.275,86 1.333,33 1.333,33 47.310,35 3.94 TOTAL 48.197,42 4.01 3ª etapa: custos com equipamentos de armazenagem Quantidade R$ Valor total (R$) Rem. do capital Depreciação Manutenção Custo anual Custo mensal Estrutura porta- paletes (4 níveis) 500 80,00 40.000,00 318,97 333,33 333,33 11.827,59 985,63 Paletes 1000 15,00 15.000,00 119,61 125,00 125,00 4.435,35 369,61 Seladora 2 2.000,00 4.000,00 31,90 33,33 33,33 1.182,76 98,56 Cintadora 1 2.000,00 2.000,00 15,95 16,67 16,67 591,38 49,28 Mesas de separação 4 2.000,00 8.000,00 63,79 66,67 66,67 2.365,52 197,13 TOTAL 20.402,59 1.700,22 4ª etapa: custos com tecnologia e sistemas Quantidade R$ Valor total (R$) Rem. do capital Depreciação Manutenção Custo anual Custo mensal Sistema de gestão (WMS) 1 80.000,00 80.000,00 637,93 666,67 666,67 23.655,17 1.971,26 Coletores de código de barras 4 2.500,00 10.000,00 79,74 83,33 83,33 2.956,90 246,41 TOTAL 23.655,17 1.971,26 5ª etapa: custos com pessoal operacional do armazém Número de funcionários Salário Valor total (R$) Encargos Benefícios (VR + uniformes) Salário c/ encargos (anual) Salário c/ encargos (mensal) Supervisor 1 2.500,00 2.500,00 1.350,00 500,00 52.200,00 4.350,00 Coordenador 2 1.500,00 3.000,00 1.620,00 500,00 61.440,00 5.120,00 Conferentes 3 880,00 2.640,00 1.425,60 500,00 54.787,20 4.565,60 Separadores 5 750,00 3.750,00 2.025,00 500,00 75.300,00 6.275,00 Auxiliar de depósito 5 650,00 3.250,00 1.755,00 500,00 66.060,00 5.505,00 Estoquistas 2 600,00 1.200,00 648,00 500,00 28.176,00 2.348,00 Operador de empilhadeira 2 1.000,00 2.000,00 1.080,00 500,00 42.960,00 3.580,00 Auxiliar de limpeza 1 600,00 600,00 324,00 500,00 17.088,00 1.424,00 TOTAL 21 18.940,00 10.227,60 4.000,00 398.011,20 33.167,60 6ª etapa: custos administrativos (não operacionais) Número de funcionários Salário Valor total (R$) Encargos Valor anual Valor mensal Faturista 1 1.200,00 1.200,00 648,00 500,00 28.176,00 2.348,00 Administrativo (RH/Materiais consumo, etc.) 1 1.000,00 1.000,00 540,00 500,00 24.480,00 2.040,00 TOTAL 2 52.656,00 4.388,00 TOTAL GERAL 777.922,38 64.826,87 7ª etapa: sugestões para elaboração de indicadores do armazém Alguns indicadores Custo de armazenagem por estrutura porta- palete/mês (R$) 129,65 Taxa anual de juros (%) 10 Custo de armazenagem por m2/mês (R$) 64,83 Encargos da folha de pagto. 54 Custo de armazenagem por m2 útil/mês (R$) 154,35 Benefícios (VT/VR/outros) (%) 500 Custo por funcionário por m2/mês(R$) 37,56 Depreciação dez anos 120 Custo por funcionário comando 21.608,96 Taxa de manutenção de equipamentos ao ano 10 % representatividade salário comando 25% [1] Custo de oportunidade corresponde aos juros que esse dinheiro poderia estar rendendo em um aplicação ou outro projeto, em vez de de ficar parado no estoque. [2] Ela é tema do próximo capítulo. 7 Cadeia de suprimentos: onde as empresas se integram Cadeia de suprimentos, ou CS: essa expressão, tão presente no dia a dia da logística, ainda causa muita dúvida entre os profissionais da área. Por isso, este capítulo se inicia apresentando as diversas definições sobre a CS. No entanto, mais importante que saber o quê, é saber o como. Ou seja, aproveitar a leitura para entender o funcionamento da cadeia de suprimentos e os fatores que têm impacto sobre ela. Nesta etapa do livro, percorridos os seis primeiros capítulos, você já tem uma boa visão da logística. Este é um capítulo mais teórico, mas de grande ajuda em seu dia a dia profissional. Compreender melhor a cadeia de suprimentos é a “cereja do bolo” para trabalhar de uma forma mais preparada, pensando sempre em melhorias para o ambiente de trabalho. Todo pro�ssional de logística está em contato com a cadeia de suprimentos, chamada de CS ou, em inglês, de Supply Chain. São apresentadas aqui de�nições que diversos autores �zeram sobre a CS. Vale a pena conhecê-las para entender melhor o tema deste capítulo. A logística/cadeia de suprimentos é um conjunto de atividades funcionais (transportes, controle de estoques, etc.) que se repetem inúmeras vezes ao longo do canal pelo qual matérias-primas vão sendo convertidas em produtos acabados, aos quais se agrega valor ao consumidor. (Ballou, 2006, p. 29) Uma cadeia de suprimentos engloba todos os estágios envolvidos, direta e indiretamente, no atendimento de um pedido de um cliente. A cadeia de suprimentos não inclui apenas fabricantes e fornecedores, mas também transportadoras, depósitos, varejistas e os própriosclientes. (Chopra, 2006, p. 3) A cadeia de suprimentos, também chamada Rede Logística, consiste em fornecedores, centros de produção, depósito, centros de distribuição, varejistas, além das matérias-primas, estoques de produtos em processos e produtos acabados que se deslocam entre instalações. (Simchi-Levi, 2010, p. 33) A CS é uma rede de companhias autônomas, ou semiautônomas, que são efetivamente responsáveis pela obtenção, produção e liberação de um determinado produto e/ou serviço ao cliente �nal. (Pires, 2010, p. 30) Como você pode perceber, os especialistas utilizam maneiras diferentes para de�nir basicamente o seguinte conceito: cadeia de suprimentos consiste na integração das empresas. Vamos, então, à de�nição do Council of Supply Chain Management Professionals (Conselho dos Pro�ssionais de Gestão de Cadeia de Suprimentos) sobre um grande desa�o: o gerenciamento da CS. O gerenciamento da cadeia de suprimentos abrange o planejamento e gestão de todas as atividades envolvidas na busca de fontes e compras, além de todas as atividades de gestão logística. Importante também é que inclui a coordenação e colaboração com os parceiros no canal, que podem ser fornecedores, intermediários, fornecedores de terceiros e clientes. Em essência, o gerenciamento da cadeia de suprimentos integra a gestão de suprimentos e da demanda dentro e entre empresas. (CSCMP, 2004) Os conceitos sobre CS foram apresentados para que, a partir deles, você entenda como é possível fazer melhor sempre. Só podemos melhorar o que conhecemos e o que medimos. As atividades para gerenciar a logística empresarial são diversas. A empresa em que você trabalha, a sua pro�ssão, a sua atividade, o seu dia a dia são um laboratório esperando novas descobertas e melhorias utilizando fórmulas antigas ou escrevendo novas. Aí reside o segredo do pro�ssional empreendedor que faz história. O desafio da integração da cadeia de suprimentos Uma cadeia de suprimentos que funciona bem atende ao consumidor �nal e gera lucros a todos os envolvidos. Portanto, aquela famosa frase “Um por todos e todos por um” se aplica perfeitamente a esta situação. Sabe-se que a competição, hoje, acontece nas cadeias de suprimento, logo, as empresas devem se organizar e trabalhar dentro da CS oferecendo todos os dias melhorias que agreguem valor ao produto, em qualquer processo, em qualquer atividade, seja em redução de custos ou melhoria do nível de serviço. O importante é ter a visão global, de modo que identi�que onde obter as integrações e as melhorias. Costuma-se dizer que a logística, como ciência, é “�lha” da administração de empresas e da economia. Pois bem: para gerenciar a CS, é preciso ter: → um olhar de economista, para compreender a extensão e o relacionamento da cadeia; → um olhar de administrador, a �m de de�nir os projetos estratégicos para as integrações; → e, por �m, o olhar do pro�ssional da logística, para as melhorias dos processos. A �gura 7.1 mostra os relacionamentos dentro de uma CS simples. Empresas brasileiras vêm implementando iniciativas para aprimorar seus processos internos e o nível de integração com seus principais fornecedores e clientes, mas ainda é pouco. Cabe lembrar o papel fundamental dos governos (federal, estaduais e municipais) na aceleração de projetos de infraestrutura, decisivos para a redução do custo Brasil[1] e melhoria dos processos logísticos. Figura 7.1. Cadeia de suprimentos Você pode ver na �gura 7.1 que o agente participa de um ou mais processos, seja agregando (valor) serviços, material, mão de obra ou apoiando a operação. Os principais agentes são: → fornecedores de matéria-prima, embalagens, componentes, equipamentos, tecnologias, soware, mão de obra especializada; → indústrias de transformação; → transportadoras rodoviárias, aéreas, ferroviárias, hidroviárias; → clientes distribuidores, atacadistas, varejistas e consumidores. Classificação das cadeias de suprimentos Uma maneira válida de entender a CS é identi�car suas classi�cações. Aqui serão utilizadas as do autor Slack (1993), que divide a CS em três fases: 1. Cadeia interna: são as operações e atividades que ocorrem dentro de uma empresa. Aqui estão as maiores oportunidades de melhorias da logística. Normalmente essas oportunidades são localizadas nos níveis dos estoques e de compras. Leve em conta que aproximadamente metade do custo de um produto está no valor de compra, por isso qualquer economia nesse processo/atividade tem impacto direto no resultado �nanceiro da empresa. Também acontece com o nível do estoque, que representa recursos �nanceiros já comprometidos com matéria-prima ou materiais. 2. Cadeia imediata: representa os fornecedores diretos e os clientes distribuidores (varejo, atacados, etc.). Esse é o primeiro passo para melhorias na cadeia de suprimentos. Com os fornecedores é possível implantar tecnologias como pedidos e notas �scais via EDI ou outras técnicas, como Just in Time e o ESI, por exemplo. Com os clientes, também o EDI, além do VMI. 3. Cadeia total: é a visão da cadeia contemplando os fornecedores dos fornecedores até a origem da matéria-prima e os clientes dos clientes até o consumidor �nal. As técnicas e tecnologias hoje disponíveis buscam integrar as cadeias internas e as imediatas e, por consequência, possibilitam a gestão tão sonhada da cadeia total. Neste livro, o foco está na cadeia interna e na imediata. Figura 7.2. Cadeias de suprimentos interna, imediata e total Fonte: adaptada de Slack, 1993. Oportunidades de melhorias na CS Uma cadeia de suprimentos que funciona bem é aquela em que há uma integração e�ciente entre fornecedores, fabricantes, depósitos e varejo. A pergunta seria: o que signi�ca integração e�ciente? Quando conseguimos visualizar uma cadeia simpli�cada, envolvendo os principais fornecedores e os principais clientes, as perguntas relevantes são: precisamos desses processos? Da forma como são realizados? Com esta tecnologia? Neste prazo? Nesta qualidade? O que poderíamos melhorar? O percurso básico para imaginar um projeto de melhoria em logística consistiria em: 1. Saber, dentro da empresa em questão, quais são os principais “problemas”. 2. Listá-los. 3. Classi�cá-los por grupos de oportunidades: clientes, fornecedores, tecnologia, técnicas, equipamentos, processos. 4. Priorizá-los. 5. Completar a lista com os demais agentes da cadeia, tais como: os principais clientes, os fornecedores e as transportadoras. Do livro para a prática Exercite o mapeamento de uma cadeia logística com base nas figuras 7.1 e 7.2. Escolha uma empresa que você conheça (ou seja, uma empresa em que trabalhe ou tenha trabalhado) e siga os passos descritos a seguir. 1. Identifique a empresa, o que ela produz ou faz na economia (fábrica, comércio, serviços). 2. Identifique os principais fornecedores da empresa. Dois são suficientes. Eles são chamados de “fornecedores de primeira camada”. 3. Agora identifique dois fornecedores (“segunda camada”) dos fornecedores de primeira camada, e assim por diante, até chegar aos fornecedores de matéria-prima básica (petróleo, minério de ferro, cultivo, lavoura, criação de gado, etc.). 4. Faça o mesmo com os clientes da empresa, identificando os principais (“primeira camada”) até chegar ao consumidor final. Agora tente representar esses agentes da cadeia de suprimentos graficamente, como mostrado na figura 7.2. Cadeia de suprimentos interna, imediata e total. Um caso real de integração da cadeia imediata entre a indústria e o varejo Em 1995, uma indústria de produtos de higiene pessoal e um grande atacadista iniciaram alguns testes de comunicação eletrônica (o EDI, explicado no capítulo 5) utilizando os padrões internacionais. O projeto estava orientado para a melhoria dos processos, reduzindo estoques e o tempo de entrega. Entretanto, a sua amplitude fez com que chegasse à integração das áreas �nanceiras (Contas a Pagar e Contas a Receber), trocando os pedidos e notas �scaiseletronicamente. Também as áreas de Marketing das empresas puderam compartilhar ações promocionais mais efetivas e o gerenciamento das gôndolas do cliente. Tudo isso por causa da troca de informações eletrônicas de vendas e estoque. Figura 7.3. Ciclo de pedido do cliente Os processos e atividades envolvendo o ciclo de pedidos foram automatizados passo a passo, começando pela administração de pedido de compras, indo para o recebimento físico dos produtos (inclusive contábil), a reposição automática dos estoques, o faturamento de pedido até o Contas a Pagar. Todas as atividades de um ciclo de pedido tradicional tornaram-se automáticas, sem interferência humana. Pedido de compra (primeira fase) A primeira experiência consistiu no envio do pedido eletrônico via EDI. A transferência do pedido era feita sem a participação do vendedor. Como era o processo: o comprador e o vendedor negociavam quantidades, preços e prazos. O comprador incluía o pedido em seu sistema de compras e entregava uma cópia ao vendedor. O vendedor digitava o pedido em seu equipamento palmtop ou no seu sistema de faturamento no escritório. O pedido era processado (veri�cação de estoque e crédito) e seguia para o armazém, para separação, emissão da nota �scal em papel e respectiva entrega do produto ao cliente. Como ficou: o comprador digitava o pedido em seu sistema de compras, que o transformava em pedido eletrônico e era transferido diariamente, via EDI, à caixa postal eletrônica da indústria. O vendedor não precisava digitar o pedido em seu equipamento. Todos os pedidos faturados pela indústria eram informados ao vendedor em seu palmtop. Após um período de três meses, ainda nesta fase, o sistema sugeria o pedido e o comprador, por amostragem, fazia a con�rmação. Assim, o pedido eletrônico seguia diretamente ao fornecedor, utilizando programas de computador especí�cos para isso. Figura 7.4. Estágios de emissão de pedido, da fase manual até a automática Impactos: houve bastante insegurança, inicialmente na qualidade e na �delidade das informações. Assim que superadas, os vendedores passaram a demonstrar preocupação, sem razão, com seus empregos por conta da evolução da tecnologia. Ganhos: inicialmente, poucos, pois ainda dependiam de negociação pedido a pedido. Foi priorizado o processamento do pedido na indústria, e houve a certeza de que a quantidade seria �dedigna. Todos os pedidos eram processados e informados aos vendedores. Nota fiscal eletrônica (segunda fase) Na fase seguinte, teve início a transmissão da nota �scal via EDI. Todo pedido faturado gerava uma nota �scal transmitida ao cliente na madrugada. Essa nota �scal era conferida e validada eletronicamente (valores e impostos). Qualquer divergência era informada e corrigida também eletronicamente. O cliente, na primeira hora de trabalho, já sabia qual produto/quantidade e qual nota �scal (em papel) receberia no centro de distribuição. Como era o processo: a transportadora entregava a nota �scal impressa e a mercadoria no recebimento do cliente. Somente nesse momento é que a nota �scal era conferida com o pedido, incluindo questões referentes a impostos. Como ficou: na indústria, logo após o faturamento, era impressa a nota �scal e gerada uma cópia dessa NF em arquivo eletrônico. Imediatamente era enviada por EDI à caixa postal eletrônica do cliente. Tudo isso durante a madrugada. O sistema do cliente, automaticamente, gerava um pedido de compra, baseado na nota �scal-EDI, e o inseria em seus arquivos. Gerava um relatório com todos os pedidos previstos para o recebimento no dia seguinte, incluindo o EDI-pedido, inclusive informações sobre a entrega, como horário e identi�cação dos caminhões e do motorista. Figura 7.5. Emissão de nota fiscal via EDI Impactos: exigiu revisão e a�namento dos cadastros de produtos e informações �scais (classi�cação �scal e ICMS, por exemplo) e maior integração entre as áreas �nanceiras e �scais das duas empresas. Ganhos: o lead time de recebimento e liberação dos caminhões foi consideravelmente reduzido e priorizado. Também os vendedores já recebiam antecipadamente informações sobre o faturamento e eventuais divergências, como falta de produto, quantidade a menos, etc. Os vendedores antecipavam-se caso os produtos fossem destinados a uma ação promocional no ponto de venda ou similar. Reposição automática sem necessidade de pedidos (terceira fase) A terceira fase foi a mais desa�adora em todos os aspectos, pois a partir desse momento a decisão de quando e quanto abastecer o estoque das lojas do cliente era agora (do sistema) da indústria. Tinha como base as informações de estoque e vendas das lojas. Não havia contato humano (vendedor ou comprador) em quaisquer atividades do ciclo do pedido, mas todos tinham informações para acompanhá-lo passo a passo. A falta ou a sobra de produtos nas lojas, pelo conceito de reposição automática, não mais deveriam existir. Caso ocorressem, seriam avaliados, pelos analistas, os parâmetros de estoque ou a necessidade de ajuste no sistema. Como era o processo: após a implantação da primeira fase, os pedidos ainda tinham a liberação prévia do comprador, que analisava, além dos parâmetros dos estoques, as tendências e os comportamentos de mercado para tomada de decisões. Como ficou: diariamente o sistema do cliente informava, via EDI, a quantidade em estoque de cada produto por loja. Também eram informados, via EDI, os parâmetros para realizar o cálculo do pedido (estoque mínimo e máximo, ponto de reposição e a frequência mínima de entrega na semana). O sistema diariamente veri�cava item a item, loja a loja, se a quantidade em estoque era igual ou menor que o ponto de reposição e, nesses casos, calculava a quantidade necessária de reposição sem ultrapassar o estoque máximo. A regra geral era esta: somavam-se todos os itens daquela loja, gerava-se um pedido “virtual”, que era faturado, com emissão da nota �scal, devolvendo as informações ao cliente via EDI, conforme descrito anteriormente. Figura 7.6. Reposição automática de produtos com base no estoque do cliente Impactos e ganhos: abrangentes e em diversas áreas, pois o modelo de reposição automática modi�cou e eliminou várias atividades, além de trazer novo per�l de negócios. Vale detalhar melhor esses impactos e ganhos por áreas. É o que será explicado a seguir. Nas áreas comerciais Impacto: vendedores e compradores perdem o poder de decisão sobre quanto e quando repor mercadorias. Inicialmente, esse fato gerou insegurança e di�culdades na implantação. Ganhos: o consumidor, no ato de adquirir o produto e passar no caixa da loja, é quem de�ne o que e quanto deve ser reposto na loja. O tempo dos vendedores e compradores é utilizado em gestão e ações efetivas para melhorar as vendas e/ou serviços, como promoções nas lojas, rentabilizar as categorias, analisando as informações de quais produtos vendem mais e em quais lojas, por exemplo. Nas áreas de separação e distribuição Impactos: a frequência de pedidos e entregas aumenta, afetando a equipe de separação. Também, e principalmente, a última parte do ciclo do pedido, ou seja, a entrega. Algumas lojas tinham frequência quinzenal, e, de repente, começou a ser semanal. Isso muda o per�l do veículo, a consolidação/otimização de cargas e, consequentemente, traz mais custos de fretes. Aqui há reclamações do pessoal de distribuição, pois tentam otimizar o frete, de preferência com entrega única e carga su�ciente para completar um caminhão. Ganhos: a frequência maior de entregas para este cliente evita a concentração no �nal do mês, minimizando atrasos, erros de separação e falta de transportes. No ciclo do pedido Impacto: os cadastros e informações eletrônicas precisam ser exatos para evitar correções posteriores. Ganho: o ciclo do pedido torna-se muito rápido, ou seja, desde a identi�cação da necessidade de repor o produto até seu faturamento, tudo ocorre em pouco tempo. Todasas vendas ocorridas no dia já são repostas no dia seguinte. Na área financeira (Contas a Receber e fluxo de caixa) Impacto: como a tendência é aumentar a quantidade de notas �scais durante a semana, os valores a receber dos clientes são menores. Ganhos: a maior quantidade de notas �scais pode evitar possíveis atrasos ou calote nos pagamentos, porque alguns clientes atrasam faturas com altos valores. Outra vantagem para o administrador �nanceiro é o �uxo constante, quase diário, de entrada de dinheiro na empresa. Na área de Marketing Impacto: em geral, são os vendedores que decidem o uso dessa verba e, muitas vezes, são “direcionados” a fechar as metas de vendas ou “desovar” produtos encalhados no estoque, sem considerar o retorno �nanceiro da ação na loja. Ganho: as informações de vendas loja a loja são diárias, e a equipe de Marketing consegue entender e destinar melhor os investimentos em ações promocionais em produtos que realmente podem trazer resultados na loja. No consumidor Ganho: sem rupturas nas gôndolas, cria-se �delidade com a loja. Um dos maiores ganhos efetivamente é a satisfação do consumidor, pois sempre encontra na prateleira o produto de sua preferência. No aumento das vendas Impacto: algumas lojas tiveram queda na receita. Ganhos: na experiência citada, houve um incremento médio de 25% nas vendas dos produtos no grupo de lojas. A garantia de haver o produto na prateleira traz aumento das vendas. Algumas lojas ultrapassaram 124%. Na redução dos estoques Impactos: erro no dimensionamento do estoque máximo (parâmetro) ocasionando frequência de entregas desbalanceadas, ou seja, muitas entregas na semana ou nenhuma. Isso gera custos de fretes desnecessários. Cada loja tinha seu per�l de entregas (semanal ou quinzenal), e era necessário alinhar os parâmetros às necessidades de cada loja. Ganhos: as lojas mantêm seus estoques dentro do limite máximo, o que lhes garante trabalhar sem excessos. Com a política de repor somente o que é vendido, a loja repõe (investe) apenas os itens que têm giro. Muitas das ações promocionais em lojas ocorrem com o propósito de “desovar” os estoques que estão vencendo, sem giro ou efetivamente ocupando espaço por compra excessiva. Na previsão de vendas e no alinhamento com a produção Impacto: pouco relevante, porque um só cliente não interfere na produção. Ganhos: a indústria pode se bene�ciar com as informações de estoque e vendas do cliente, para alinhar/a�nar seu plano de compras e produção, principalmente se for uma marca própria ou com acabamento e/ou embalagem especí�ca. Informação é (mais) poder Impacto: erros relativos a informações, cadastros, falta de materiais, atrasos nas entregas são agora dinâmicos, e todos �cam informados no mesmo dia. Ganhos: inicia-se um novo per�l do vendedor, agora muito mais de gestor de conta, com tempo e energia direcionados a somar vantagens e não “tirar pedido”. Os vendedores recebiam informações em seu palmtop sobre os pedidos e as entregas (ciclo do pedido). Sem a obrigação de “tirar pedido” para abastecer as gôndolas, agora visitam as lojas e observam a exposição e o espaço dos produtos nas prateleiras, bem como preços, descontos aplicados e as ações da concorrência. O tempo antes utilizado em salas de espera agora é utilizado para pensar e sugerir ações que possam aumentar as vendas. Trade-off[2] Apesar do aumento nas frequências de entregas (custo com fretes), os resultados com vendas e redução de estoque são compensadores. Dependendo da categoria do produto (alimentos, higiene e limpeza, etc.), os ganhos podem ser ainda maiores. O desa�o é começar um projeto dessa abrangência com colaboração das várias áreas do fornecedor e do cliente. [1] O conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem o investimento no país, dificultando o desenvolvimento. Exemplos de fatores que formam o custo Brasil são os impostos muito elevados, a corrupção e as más condições de estradas e portos – isso foi abordado no primeiro capítulo do livro. [2] Essa expressão, comum na área comercial, refere-se a uma situação em que é necessário fazer uma escolha: às vezes, perde-se em um aspecto para ganhar em outro. O importante é olhar o todo. 8 Logística reversa: um braço operacional da sustentabilidade Aqui, você vai pensar “de trás para a frente”. Um capítulo rápido sobre a logística reversa, que está diretamente ligada à questão da sustentabilidade e que, por essa razão, representa um promissor campo de trabalho. Antes de percorrermos os caminhos da logística reversa, vamos contextualizar a sustentabilidade, que é e será cada vez mais o propósito maior da logística. Enquanto a logística empresarial (que é a que você viu ao longo do livro) e também a reversa objetivam atender o consumidor com competitividade, menor custo e operacionalizar o retorno dos produtos pós- venda ou destinação do pós-consumo, a sustentabilidade tem uma missão e uma visão muito mais ampla, global e de longuíssimo prazo, por meio de produtos e processos sustentáveis. Para isso, a sustentabilidade tem como princípio orientar a inovação na concepção de produtos (novas matérias- primas), na fabricação (processos mais limpos), no uso e na destinação �nal do material de maneira que haja reaproveitamento e/ou não agressão ao meio ambiente e, consequentemente, a toda a vida no planeta. Vamos seguir um pouco do caminho que esta “bandeira” da sustentabilidade tem percorrido em nossa história recente, diria até que acompanhando o �nal do ciclo da industrialização “cega” ou inconsciente para as questões ambientais. Vamos pontuar algumas datas e fases desse caminho: Em abril de 1987, a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – ou Comissão Brundtland, como �cou conhecida – publicou um relatório inovador intitulado “Nosso futuro comum”, que trazia o seguinte conceito: “O desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que encontra as necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender suas próprias necessidades”. Em 2010, a Organização das Nações Unidas (ONU), durante a Cúpula Mundial Sobre Desenvolvimento Sustentável, na Declaração de Johannesburgo estabeleceu que o desenvolvimento sustentável se baseia em três pilares: → desenvolvimento econômico; → desenvolvimento social; e → proteção ambiental. A sustentabilidade foi uma semente que demorou a germinar, porém, possui raízes profundas desde os anos de 1990, período de re�exões e questionamentos sobre as origens de epidemias e pandemias, �zeram com que os governantes mundiais e a sociedade dessem real atenção aos relatórios cientí�cos de alertas publicados nos anos 1980, onde registraram as ações de nosso modelo econômico sobre o planeta e suas consequências principalmente às lavouras, por causa do desmatamento, da extração, do uso inadequado de matérias-primas e da produção de lixos. Em nossa trajetória neste livro, estudamos a origem da industrialização e entendemos a sua importância no desenvolvimento da sociedade. Vimos que a inteligência humana, por meio da engenharia e da ciência, foi utilizada para trazer mais conforto, segurança e bem-estar à humanidade. Porém, a ilusão de que a felicidade se conseguiria pelo consumo e por descartes rápidos de bens, vestuários, cosméticos, eletroeletrônicos e, principalmente, pela in�uência de um “marketing não saudável” em reduzir o ciclo de vida dos produtos para aumentar as vendas trouxeram, após meio século, “a conta para pagar”. Até então, as boas práticas para melhor uso dos materiais e dos bons hábitos de vida só se aplicavam às empresas por meio de Ciclos de Qualidade, 5S e outras técnicas de origem japonesa. Também surgiu a International Organization for Standardization (ISO), uma organização fundada em 1946 e sediada em Genebra, na Suíça, cujo propósito é desenvolver e promover normas e boas práticas de qualidade fabril que possam ser padronizadas e utilizadaspor todos os países do mundo. Na área ambiental temos o conjunto ISO 14000, formado pelas seguintes normas: → ISO 14001: trata do Sistema de Gestão Ambiental (SGA). → ISO 14004: trata do Sistema de Gestão Ambiental, sendo destinada ao uso interno da Empresa. → ISO 14010: são normas sobre as Auditorias Ambientais. São elas que asseguram credibilidade a todo processo de certi�cação ambiental. → ISO 14031: são normas sobre Desempenho Ambiental. → ISO 14020: são normas sobre Rotulagem Ambiental. → ISO 14040: são normas sobre a Análise do Ciclo de Vida do Produto. Na prática A Fundação Vanzolini aplica metodologia (baseada na ISO 14040 – Análise do Ciclo de Vida do Produto) para auxiliar empresas brasileiras na Gestão Ambiental, a �m de obter certi�cação de garantia de sustentabilidade em seu processo produtivo e assim se habilitar a vender a outros países. O projeto Produção Mais Limpa identi�ca os procedimentos de seus fornecedores de matérias-primas, passando pelo processo produtivo da empresa e destinação �nal do produto. Com esse diagnóstico as empresas se ajustam às normas, seja por mudanças de processos, equipamentos, fornecedores ou treinamento de pessoal. A esse respeito, observe a �gura 8.1, que apresenta o �uxograma trabalho de produção mais limpa. Figura 8.1. Trabalho de produção mais limpa Fonte: adaptado de ABNT, 2009. Já no �nal do século XX, tiveram início os movimentos “verdes” para proteção ao meio ambiente e as empresas já aplicavam os princípios dos 3 R’s (reduzir, reutilizar e reciclar), que depois se ampliou para 5 R’s (repensar, reduzir, recusar, reutilizar e reciclar). Em seguida, a logística reversa tornou operacional os R’s. Também surgiu o conceito de Economia Circular em 1989, no artigo dos economistas e ambientalistas britânicos David W. Pearce e R. Kerry Turner. Na época, eles demonstraram que a economia tradicional (ou linear) não considerava a reciclagem. A re�exão principal direcionou para o “R” repensar, questionando se realmente precisamos consumir determinado produto ou serviço, se o seu processo fabril é sustentável, ou seja: gera resíduos durante sua fabricação? A matéria-prima é sustentável? O seu destino após o consumo pode ser reutilizado, reciclado, seu descarte no ambiente é prejudicial? Um ponto de expectativa é a geração de novos postos de trabalho, já que muitos produtos deverão ser repensados, redesenhados, até mesmo com novos materiais e formas de produzir. Como a�rma Marly Monteiro de Carvalho, professora do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP e pesquisadora em Economia Circular, “Economia circular é projetar uma cadeia produtiva que, desde o início, não tenha perdas, resíduos, poluição e mantenha os produtos com maior tempo de uso” (CARVALHO, 2021). Por sua vez, Tereza Cristina Carvalho, professora do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica da USP, pesquisadora nas áreas de tecnologias digitais, inovação sustentável e economia circular, declara: Eu vejo na economia circular novas perspectivas de novos negócios e novas posições de trabalho. Na prática, toda empresa que gera resíduo, ao invés de procurar descartar, ela poderia veri�car a possibilidade de reaproveitar esse resíduo no negócio ou gerar outro negócio (CARVALHO, 2022). Como reforço à sustentabilidade, temos o conceito de ESG, Environmental, Social & Governance (Governança Social e Ambiental). O termo surgiu em 2005, pelo ex-secretário-geral da ONU, Ko� Annan. Sua intenção era convocar grandes instituições �nanceiras a adotarem boas práticas socioambientais. Na época, apenas 23 empresas assinaram o compromisso. Atualmente, o ESG é necessário para investidores optarem por suas escolhas na bolsa. Na prática, o ESG representa uma mudança de funcionamento para muitas empresas e instituições. Entre as iniciativas que podem ser feitas estão a redução da emissão de gases do efeito estufa, a preservação da biodiversidade natural, melhorias de condições de trabalho, inclusão de grupos minoritários e gestão transparente dos negócios. Segundo a�rma João Amato Neto, professor titular sênior do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP e presidente da diretoria executiva da Fundação Vanzolini: ESG diz respeito a empresas cujas práticas se estabelecem de acordo com critérios de sustentabilidade, não apenas com base no lucro. O ESG atua como um selo de qualidade de uma organização, pois, por meio da análise ambiental, social e de governança, é possível determinar como a empresa se posiciona em relação à sociedade e ao planeta, além de oferecer mais transparência ao investidor. (AMATO NETO, 2021) O que podemos observar é que, embora o desenvolvimento da logística seja anterior ao conceito de sustentabilidade, todas as iniciativas e práticas logísticas é que dão suporte aos três pilares citados acima. A concepção de um produto sustentável pertence ao marketing; a fabricação sustentável pertence aos engenheiros e técnicos, mas a movimentação, a guarda e o transporte em toda a cadeia de suprimentos pertencem à logística. Com isso, vale reforçar a grande oportunidade que a sustentabilidade representa em nosso mercado de trabalho, a�nal, cada vez mais serão necessários pro�ssionais de logística para dar conta da demanda de atender às necessidades do homem sem agredir a natureza (a si mesmo). O tema da sustentabilidade é fascinante e amplo, envolvendo economia (recursos e a indústria), sociologia (o homem em sociedade) e engenharia natural (a ciência), portanto, deve ser estudada à parte. Para este nosso capítulo, vale deixar, como sugestão de leitura, um importante link, da Casa Civil da Presidência da República em que você tem acesso ao texto completo da Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que trata da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Essa política nacional é, na verdade, o conjunto de princípios e ações adotados pelo Governo Federal, isoladamente ou em cooperação com estados, Distrito Federal, municípios ou particulares, para a gestão integrada e o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos. Ou seja, é um chamamento a toda sociedade para o assunto. O endereço é http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 21 jul. 2013. Há um trecho do texto da lei que vale a pena ser destacado aqui. Ele se refere aos quinze objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Ao lê- los, é possível perceber a participação efetiva da logística em todos eles: Art. 7º São objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos: I - proteção da saúde pública e da qualidade ambiental; II - não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos, bem como disposição �nal ambientalmente adequada dos rejeitos; III - estímulo à adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços; IV - adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias limpas como forma de minimizar impactos ambientais; V - redução do volume e da periculosidade dos resíduos perigosos; VI - incentivo à indústria da reciclagem, tendo em vista fomentar o uso de matérias-primas e insumos derivados de materiais recicláveis e reciclados; VII - gestão integrada de resíduos sólidos; VIII - articulação entre as diferentes esferas do poder público, e destas com o setor empresarial, com vistas à cooperação técnica e �nanceira para a gestão integrada de resíduos sólidos; IX - capacitação técnica continuada na área de resíduos sólidos; X - regularidade, continuidade, funcionalidade e universalização da prestação dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, com adoção de mecanismos gerenciais e econômicos que assegurem a recuperação dos custos dos serviços prestados, como forma de garantir sua sustentabilidade operacional e �nanceira, observada a Lei nº 11.445, de 2007; XI - prioridade, nas aquisições e contratações governamentais, para:a) produtos reciclados e recicláveis; b) bens, serviços e obras que considerem critérios compatíveis com padrões de consumo social e ambientalmente sustentáveis; XII - integração dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis nas ações que envolvam a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; XIII - estímulo à implementação da avaliação do ciclo de vida do produto; XIV - incentivo ao desenvolvimento de sistemas de gestão ambiental e empresarial voltados para a melhoria dos processos produtivos e ao reaproveitamento dos resíduos sólidos, incluídos a recuperação e o aproveitamento energético; XV - estímulo à rotulagem ambiental e ao consumo sustentável. Esses objetivos só poderão ser alcançados com o apoio da logística e de seus princípios de produtividade, competitividade e redução de custos, certo? Como sugestão, re�ita sobre o que diz a lei e veja onde você gostaria de trabalhar e prosperar. Agora vejamos como a logística reversa opera nas cadeias de suprimentos no atual sistema produtivo. Assim como foi feito no capítulo sobre cadeia de suprimento, vale a pena conhecer um pouco mais a de�nição de logística reversa. Embora os especialistas a�rmem que “o que é logística reversa” ainda está passando por mudanças, vale a pena ler o trecho reproduzido aqui de Paulo Roberto Leite: [Logística reversa é] a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o �uxo, e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós- venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, através dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa, entre outros. (Leite, 2002) Vejamos a ilustração dos processos da logística reversa. Figura 8.2. Fluxo logístico reverso Fonte: Leite, 2002. Podemos observar que os processos caminham no �uxo contrário da logística visando o consumidor. A �gura 8.3 detalha melhor os diversos caminhos que um produto pode seguir dentro da logística reversa. Ela inclui produtos que retornam por motivos de garantia e/ou qualidade ou por conta de acertos comerciais entre as empresas. A �gura também inclui produtos que após o uso e consumo pela sociedade devem ser descartados ou reciclados. Observe as diversas destinações que os produtos podem ter. Figura 8.3. Focos de atuação da logística reversa Fonte: Leite, 2002. Quadro 8.1. Motivos dos retornos e destinação Origem Motivo do retorno Destino Pós- venda Garantia/qualidade: os produtos apresentam defeitos de fabricação ou de funcionamento (verdadeiros ou não), avarias no produto ou na embalagem, etc. Comercial: erros de expedição, excesso de estoques no canal de distribuição, mercadorias em consignação, liquidação de estação de vendas, pontas de estoque, término de validade de produtos, problemas observados após a venda, recall de produtos. Substituição de componentes: substituição de componentes de bens duráveis e semiduráveis em manutenções e consertos ao longo de sua vida útil. Os produtos poderão ser submetidos a consertos ou reformas que permitam retornar ao mercado primário, ou a mercados diferenciados que denominamos secundários, agregando-lhes valor comercial novamente. Retorno ao estoque e ao ciclo de negócios pela redistribuição em outros canais de vendas Destino final, descarte. Retorno ao mercado primário ou secundário, ou envio a reciclagem ou para um destino final. Origem Motivo do retorno Destino Pós- consumo Em condições de uso: o bem durável e semidurável apresenta interesse de reutilização, e sua vida útil é estendida, adentrando no canal reverso de “reúso”. Fim de vida útil: bens duráveis – canal reverso de desmontagem e reciclagem industrial, sendo desmontados na etapa de “desmanche”. Descartáveis em condições de recuperação e descartáveis sem recuperação. Resíduos industriais. Mercado de segunda mão. Retornando ao mercado secundário ou à própria indústria, que o reutilizará na reciclagem industrial. Destino final: aterros sanitários, lixões e incineração com recuperação energética. Aterros, lixões, incineração e reciclagem. De maneira geral, três fatores estimulam o retorno de produtos: → consciência cada vez maior da população para a necessidade de reciclar e de se preocupar com o meio ambiente; → melhores tecnologias capazes de reaproveitar componentes e aumentar a reciclagem; → questões legais, quando a legislação obriga que as empresas recolham e deem destino apropriado aos produtos após o uso. A tecnologia e as técnicas estão aí disponíveis; a sociedade está exigindo processos mais “limpos”. Agora, cabe ao pro�ssional de logística usar a criatividade para propor melhorias não só nas operações das empresas, mas também nas atividades da logística reversa, o braço operacional da sustentabilidade. Do livro para a prática A proposta, aqui, é identificar a destinação dos produtos após serem comprados. Como você viu, os produtos podem retornar aos fabricantes caso tenham algum problema de qualidade, garantia, divergência... Ou, simplesmente, podem ser descartados após o uso. Mapeie as duas possibilidades (retorno ou descarte). 1. Escolha um produto para rastrear a logística reversa dele. (Por exemplo, pode ser um produto da cadeia do capítulo 7.) 2. Pesquise qual é o processo para a devolução caso haja defeito. O produto é consertado e retorna à loja como item de primeira linha ou é destinado a promoções e doações? 3. No caso de uso e consumo, qual é o destino final do produto? O descarte é direto no lixo ou ele é reaproveitado? O produto é todo reaproveitado como matéria-prima? Vai à cadeia secundária para a fabricação de produtos secundários ou retorna à cadeia primária? É desmontado para ter peças aproveitadas? Enfim, tente pesquisar e esgotar a destinação dos componentes. 9 O olhar analítico: identificando oportunidades de melhorias nos processos logísticos O conhecimento que você construiu até aqui já lhe dá condição de detectar pontos que podem ser melhorados num processo logístico. O objetivo deste capítulo é mostrar como fazer essa proposta de melhoria de uma maneira organizada, o que aumenta as chances de ser aceita – e você ser reconhecido como um profissional que faz a diferença. O princípio básico é que as melhorias estão contidas em processos que podem ser estruturados e detalhados até os menores níveis desejados. Se você conseguir identi�car as origens e os destinos de informações e/ou produtos, terá condição de identi�car e tomar decisões sobre qualquer iniciativa de melhoria, seja ela em tecnologia, equipamentos, processos e procedimentos, per�l de pessoas, estrutura e organização das áreas, etc. A intenção é que você, que desempenha um papel em qualquer setor logístico da empresa, quando identi�car oportunidades de melhorias, tenha ferramentas para estruturar uma proposta de forma simples, consistente e organizada. A lista de oportunidades Você pode iniciar o trabalho com uma lista de di�culdades, problemas, reclamações, en�m, temas que são constantemente citados e permanecem por muito tempo sem solução em sua área, departamento ou empresa. Uma forma de priorizar essas potenciais oportunidades é identi�car quais itens da lista visam melhorias aos clientes externos. Dedique especial atenção às atividades contempladas no ciclo do pedido. Atitudes que fazem a diferença É comum, nas empresas, pessoas comentarem que algumas atividades estão erradas ou que poderiam ser melhoradas. Mas muitas vezes elas só falam e nada propõem. Também já ouvimos colegas dizerem que estão cansados de avisar o chefe sobre algum problema e que ele não dá a devida atenção. É preciso levar em conta que, diariamente, o chefe ouve reclamações, sugestões e alertas de todo tipo, além de precisar lidar com preocupações com custos, faturamento, contas a pagar, �uxo de caixa, en�m, atribuições diversas que na maioria das vezes representam a solidão ou o “nervosismo”do administrador em determinadas situações. O que se espera de um pro�ssional, não importando a sua posição hierárquica, é que, além de identi�car problemas, possa sugerir alternativas – mas não nos corredores ou na hora do cafezinho, e sim de forma mais organizada. Só assim a proposta pode ser avaliada da maneira adequada e respeitada. Se esse trabalho terá um retorno positivo ou negativo, isso é uma decisão do chefe; faça a sua parte e, se for o caso, colecione propostas que poderão ser úteis em outro momento de sua vida pro�ssional. Tenha sempre em mente: conhecimento não se perde. Ciclo de oportunidades das melhorias Em geral, como já mencionado anteriormente, as maiores oportunidades de melhorias em logística estão no ciclo de atendimento do pedido, ou seja, nas atividades contempladas desde a emissão do pedido pelo cliente até a entrega da mercadoria. A �gura a seguir foi inicialmente mostrada no capítulo 7, mas é reproduzida aqui para que você tenha uma melhor visão desse rico cenário de possibilidades. Figura 9.1. Ciclo do pedido Neste momento, também é importante ter com clareza os chamados “ciclos logísticos”. Cada um tem atividades bem especí�cas, como mostra o quadro 9.1. Quadro 9.1. Ciclos logísticos e suas atividades Ciclo Atividades ou tarefas Suprimento Seleção de fontes de suprimento Colocação e expedição de pedidos de compra Transporte e recebimento Apoio à manufatura Abastecimento da linha de produção e transferência de materiais e peças dentro e entre fábricas Distribuição física[1] Preparação e transmissão do pedido pelo cliente Processamento de pedidos Separação de pedidos Transporte do pedido (mercadoria) Entrega ao cliente Fonte: adaptado de Bowersox, 2006. Concentre seu trabalho na área em que atua, ou seja, no ciclo correspondente. No caso do ciclo de distribuição (ou de pedido), para uma boa análise é necessário saber de alguns elementos: → informações de vendas e pedidos de clientes; → respectivos percentuais e sazonalidade; → característica e tamanho das cargas, por região/rota, tipo de modal; → regras de expedição; → tempos de entrega. Como fazer a análise Basicamente, este é o percurso a ser seguido: 1. De�nição de problemas e planejamento. 2. Coleta e análise de dados. 3. Recomendações e implementação. Definição de problemas e planejamento Serão utilizados alguns tópicos para exempli�car o tipo de questionamento feito. Quadro 9.2. Passos para identificar um problema Questões Questões gerais Serviço ao cliente Qual o fluxo de informações atual? Qual é o perfil dos pedidos e qual sua evolução? Como são recebidos os pedidos? Transportes Quais os modais usados atualmente? Qual é o perfil de peso dos pedidos e das cargas? Quais os procedimentos para solicitação de transportadoras, pagamento e troca de informações com elas? Qual o fluxo de informação da documentação dos embarques? Tecnologia Recebimento de pedidos Qual a tecnologia usada para recebimento de pedidos? Quais tecnologias os clientes estão pedindo? Processamento de pedidos Quais são os procedimentos de vinculação do estoque disponível para atendimento aos pedidos? Quais as limitações dos atuais procedimentos? Faturamento e EDI Como são transmitidos atualmente faturas, consultas, pagamentos e avisos de saídas de cargas? Fonte: adaptado de Bowersox, 2006. Questões Questões gerais Transportes Como são tomadas as decisões de programação, rotas e consolidação de cargas? Como é elaborada e comunicada às transportadoras e aos clientes a documentação de transportes? Fonte: adaptado de Bowersox, 2006. Identificando o sintoma para conhecer a causa Na prática, você conhece as oportunidades (problemas), só precisa listá- las e priorizá-las. Então, você deve, por desa�o, preparar uma lista com pelo menos dez itens, classi�cá-los em grau de importância e apresentá-los ao chefe. Ele provavelmente o ajudará a decidir qual o item mais importante para o setor ou a empresa. A partir daí, você já tem um aval para iniciar o projeto de melhoria. Se a ideia for recusada, pelo menos você já saberá que deve esperar outra oportunidade. Nunca desista. De posse da lista, ajuste o foco na atividade priorizada, para elaborar questões a serem respondidas. Neste momento, contextua lize e caracterize o problema, dando-lhe forma e rumo. O propósito é que você tenha um desenho, um mapa básico do que envolve o problema. Faça várias perguntas sem a preocupação de ordem ou lógica, certa ou errada. O objetivo é ter várias perguntas a serem respondidas, de modo a entender a amplitude do problema e suas interligações. Depois, selecione as ideias e organize-as de maneira que as possíveis respostas construam uma visão lógica e fácil para a sua análise e de todos os envolvidos no projeto. Sobre o problema, tenha em mente que as respostas devem atender às seguintes perguntas: O quê? Para quê? Como? Por quê? Quando? Onde? Qual? Caracterizando o problema/oportunidade O problema consiste em quê? Quais pessoas, áreas e processos estão envolvidos? Quais as possíveis causas em sua opinião e na dos demais envolvidos? Quantas vezes acontecem? Em que período? Em qual situação? É de origem interna ou externa? É de caráter tecnológico, pessoal, econômico, �scal? Nesta fase, você já conseguirá dar um formato ao problema e entendê-lo melhor. Coleta e análise de dados Criando a estrutura (fluxograma) para localizar as possíveis causas do problema Agora tente responder a pergunta “Como?” aos processos envolvidos. As respostas serão a base de um �uxo que você desenhará. Esse desenho, além de facilitar o entendimento de todos, tem outra grande vantagem: ele pode ser esboçado no momento da entrevista/levantamento e as pessoas envolvidas podem con�rmar ou corrigir qualquer desvio no entendimento. O próximo passo é agendar entrevista com as pessoas envolvidas e iniciar o “levantamento por parte”. A cada reunião realizada, organize e desenhe o �uxo de maneira que, além de claro e limpo, o desenho apresente sempre três pontos relevantes. São eles: entrada, processamento e saída das informações. Dessa forma, você garante que as informações sejam todas contempladas no levantamento. Figura 9.2. Fluxo geral Con�gure esse desenho para cada processo em estudo, conhecendo suas entradas e saídas. 1. Informações de entrada: quais são as informações e as áreas de origem? A informação deve servir para alimentar o processo em estudo, caso contrário pode ser um indicador de que recebemos informações e relatórios que não são utilizados na área, logo, que poderiam ser descartados. As perguntas “quais são as informações recebidas (relatórios eletrônicos em papéis, ligações telefônicas, e-mail, etc.) e de quem” já permitem o início de um microprocesso que poderá ser complementado e encaixado posteriormente. 2. Processo: é o “como?”. Como ele se desenvolve? É um cálculo? É uma preparação de relatório ou input a um sistema? Esse questionamento deve contribuir para desenvolver uma operação/atividade/processo e produzir um resultado (a saí da). A compreensão de como é feito o processo pode ajudar a identi�car a importância daquela atividade e se é relevante e agrega valor ou somente custo, ou seja, é desnecessária. 3. Saída: qual é a saída do processo? É uma informação eletrônica ou em papel? Atualização de sistema? Uma decisão? Qual o seu destino? Quem a recebe a utiliza realmente? Isso você saberá levantando as informações nas áreas-destino. Ou seja, você vai construindo uma rede de informações e processos que se interligam até o momento em que seu problema (oportunidade) foi localizado neste �uxo. Sabendo o que se faz, como se faz e para quê, você terá fechado o levantamento e o mapeamento de informações. Unindo os pontos Agora é organizar as informações novamente, interligando os vários processos, ou seja, a saída de um processo é a entrada em outro. A análise O processo de análise e identi�cação das causas do problema se inicia comao Consumidor); → JIT (Just In Time, ou A Tempo). A mudança ocorrida no varejo representou, para as grandes indústrias, uma revolução na forma de fazer negócios. As indústrias perceberam que o caminho estava no compartilhamento de informações propiciado pela tecnologia. Nós, no Brasil, só acordaríamos uma década depois (e muitos ainda dormem). Essa é outra passagem histórica da logística sobre a qual vale a pena você estudar/pesquisar. Do livro para a prática Faça uma pesquisa em sua empresa, na padaria do bairro ou com alguém mais velho perguntando como os pedidos de compras eram feitos pelos comerciantes e como chegavam até as indústrias nos anos 1990. E após a pandemia de covid-19, o que aconteceu com o formato de comercialização entre indústria-varejo, varejo- consumidor? Identifique quais foram os processos e tecnologias inovados ou aperfeiçoados. Perceba a mudança na qualidade e no tempo dos serviços. Fazendo a diferença Como você pode observar, existem culturas e crenças diferentes entre empresas, empresários e países que permitem escolher seu futuro. Essas histórias permanecem vivas no mundo dos negócios. Como existem empresas em vários estágios da logística (e algumas empresas estão entrando no mercado hoje), esses ensinamentos e aprendizados são sempre atuais e bem-vindos. Quanto aos pro�ssionais de logística, os empresários esperam que essas pessoas estejam preparadas para sugerir e propor melhorias constantes e que possam fazer a diferença na empresa. Sobre esse assunto é bom saber que, no Japão, os funcionários se reuniam diariamente após o expediente para relatar di�culdades e re�etir sobre oportunidades de melhorias, reduções de tarefas e atividades que gerassem otimização do tempo e diminuição dos custos. Do livro para a prática Caso tenha oportunidade, pesquise na internet sobre as técnicas de qualidade que as indústrias utilizaram a partir da década de 1960. Alguns exemplos: CCQ (Círculo de Controle de Qualidade), Diagrama de Causa e Efeito (Ishikawa) e TQM (Total Qualitiy Management, ou Gestão da Qualidade Total), 5S e Ciclo PDCA (Ciclo Deming). A logística no Brasil A situação atual da infraestrutura logística do Brasil deixa a desejar quando comparada à dos outros países do chamado Brics, o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Para con�rmar essa situação, basta ver as manchetes dos jornais ou fazer uma consulta em sites e revistas especializados em logística. No Brasil, em 2014, 67% das cargas foram transportadas por caminhões; isto é, modal[5] rodoviário; em 2016 foi 63%, e em 2019, 61%. Nos Estados Unidos, país da indústria automobilística, 43% das cargas viajam de caminhão (dados também de 2014 e que permaneceu 43% em 2019 – em 2012, eram 31%). Aqui, apenas 13% da malha rodoviária é pavimentada e, mesmo assim, 60% delas sem qualidade, comprometendo a segurança e gerando “quebras” dos veículos – ou seja, aumentando o custo do frete. O quadro 1.1 mostra que o Brasil tem uma enorme oportu nidade de crescimento se melhorar sua infraestrutura. A Índia, por exemplo, mesmo com uma área três vezes menor que a do Brasil, tem apresentado um PIB[6] (Produto Interno Bruto) superior – em 2019, US$ 2.875 trilhões contra US$ 1.878 trilhões – e possui sete vezes mais estradas pavimentadas e duas vezes mais ferrovias. A comparação com os Estados Unidos, então, é astronômica. Eles são 10% maiores em área que o Brasil, mas possuem vinte vezes mais estradas pavimentadas, oito vezes mais ferrovias, 42 vezes mais dutos e três vezes mais hidrovias. O PIB norte-americano é quase sete vezes maior do que o brasileiro. Se a matriz de transportes (principalmente rodoviária e ferroviária) brasileira fosse semelhante à dos Estados Unidos, o país reduziria seus custos logísticos e se tornaria mais competitivo mundialmente. Observe os números: o Brasil transportou 61% em 2019 (era 67% em 2014) de seus produtos por rodovias, a um preço de aproximadamente US$ 116 (em 2014 era US$ 126) por mil TKU (toneladas transportadas por quilômetro útil), e 21% em 2019 (em 2014 era 18%) por ferrovias, a um preço de aproximadamente US$ 18 (era US$ 23 em 2014) por mil TKU. Os Estados Unidos transportam 43% dos produtos por rodovias e 27% (era 32% em 2014) por ferrovias. Se pesquisarmos a tonelagem que o país transporta anualmente por rodovia e multiplicarmos pelo preço, teremos o montante gasto com esse tipo de transporte. Se cada percentual for transferido do modal rodoviário para o modal ferroviário, teremos uma economia expressiva nos custos logísticos de transportes. Logicamente, não temos capacidade para absorver essa transferência, pois nossa rede ferroviária é limitada, o que nos faz pensar na falta de investimentos e na demora em buscar investidores para tal empreendimento. Sugerimos que o leitor acompanhe as políticas de investimentos em logística pelo Governo Federal, bem como os países interessados em investir em ferrovias no Brasil. Em 2021, o Ministério da Infraestrutura divulgou o Programa de Autorizações Ferroviárias, Pro Trilhos, que foi criado por meio da Medida Provisória nº 1.065/21. O objetivo é, até 2035, o modal ferroviário representar 40% do transporte de cargas no país (BRASIL, 2021). Vamos acompanhar. Quadro 1.1.[7] Comparativo entre alguns países do Brics, Canadá e Estados Unidos na infraestrutura logística (2009 e 2014) País km pavimentados (1.000 km) Ferrovias (1.000 km) Dutos (1.000 km) Hidrovias (1.000 km) Área (km²) 2009 2014 2009 2014 2009 2014 2009 2014 Brasil 212 219 29 29 19 19 14 14 8.514.876 Canadá 516 716 47 47 99 100 0,6 0,6 9.984.670 China 1.576 1.576 77 86 58 87 110 110 9.536.499 EUA 4.210 4.375 227 225 793 2.225 41 41 9.371.175 Índia 1.565 1.569 63 64 23 35 15 15 3.287.590 Rússia 655 776 87 87 247 260 102 102 17.075.200 Fonte: Adaptado de Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain), 2014. Em 2019, o Brasil teve 221.000 km de estradas pavimentadas; o Canadá, 78.000 km de ferrovias; a China teve 140.000 km de ferrovias, 156.000 km de dutos e 129.000 km de hidrovias. Os EUA tiveram 293.000 km de ferrovias. Observe também os quadros 1.2 e 1.3: o Brasil, apesar de ser três vezes maior em extensão territorial do que a Argentina e com a malha rodoviária quase três vezes maior, possui três vezes menos estradas pavimentadas. Apenas como registro, o PIB argentino em 2011 foi três vezes menor que o brasileiro; em 2019, foi quatro vezes menor. Quadro 1.2. Extensão geográfica: comparação entre Argentina, Brasil e Estados Unidos País Extensão (milhões km²) Argentina 2,78 Brasil 8,51 EUA 9,83 Fonte: CIA Fact Book, 2011. Quadro 1.3. Malha rodoviária: comparação entre alguns países da América País Extensão da malha (1.000 km) Argentina 634 Brasil 1.736 Chile 81 EUA 6.531 México 366 Peru 103 Uruguai 78 Fonte: Ilos, 2011. Quanto à malha ferroviária, é possível notar um atraso brasileiro em relação a outros países da América. Veja, no quadro 1.4, que a malha ferroviária argentina é 30% maior que a do Brasil. Quadro 1.4. Malha ferroviária: comparação entre alguns países da América País Extensão da malha (1.000 km) Argentina 36.966 Brasil 28.538 Chile 7.082 EUA 224.792 México 17.166 Peru 2.020 Uruguai 1.641 Fonte: Ilos, 2010. Quanto aos portos, observe o quadro 1.5. Ele mostra que o Brasil possui um enorme gargalo em relação aos demais países analisados. Os Estados Unidos têm cinco vezes mais portos, o que possibilita um melhor desempenho, evitando concentrações, atrasos e a fragilidade das greves portuárias. Quadro 1.5. Número de portos e carga média movimentada: comparação entre alguns países da América em 2007 País Carga movimentada (milhões t) Número de portos Carga média por porto (1.000 t) Argentina 152,6 38 4.016 Brasil 693 46 15.065 Chile 75 34 2.207 EUA 2.348 239 9.824 México 241,9 37 6.537 Peru 19,1 26 734 Uruguai 15,5 8 1.941 Fonte: Ilos, 2007. Esse cenário levou o Governo Federal a anunciar, em agosto de 2012,uma vantagem: a de que todos os envolvidos estão visualizando o mesmo material (informação). Muitas vezes é preciso detalhar mais ainda os processos e as informações para compreender cálculos, controles, etc. Figura 9.3. Diagrama de fluxo de dados A �gura 9.3 mostra que foram identi�cados quatro processos na entrada de materiais na empresa. Observe que cada “caixa” é um processo, identi�cando o setor que o executa e também a sua sequência. Você também pode identi�car as setas que representam informações ou produtos que ligam um processo a outro, além de identi�car que há um acesso ou uma atualização a algum sistema (soware). O exemplo da �gura 9.3 termina na liberação dos materiais para armazenagem e a nota �scal para o setor Financeiro/Contas a Pagar. A partir desse diagrama, podem surgir várias perguntas importantes, e você pode detalhar ainda mais o processo. Por exemplo: 1- Recebimento de matéria-prima, ou 2- Teste de qualidade. Você também pode detalhar o que signi�ca a informação “Liberação” entre os processos 2 e 3. Um documento, uma etiqueta, um relatório de qualidade, en�m, é possível, a partir do �uxo geral, ir fazendo o detalhamento até o nível em que as “perguntas” iniciais do problema tiverem sido atendidas. As perguntas é que de�nem a amplitude do projeto. É possível, por exemplo, “explodir” (detalhar) o processo 1- Recebimento de matéria-prima. Os processos serão, então, identi�cados como 1.1., 1.2, 1.3, etc., para que todos saibam que eles “pertencem” a 1- Recebimento de matéria-prima, como mostra a �gura 9.4. Figura 9.4. Detalhamento em nível 1 Com essa técnica, você consegue visualizar melhor a interação entre as atividades e os processos, as áreas envolvidas e as informações. Uma apresentação com esses recursos torna-se muito produtiva. Existem programas de computador próprios para esse tipo de desenho, que podem auxiliá-lo a construir os �uxos e diagramas. Recomendações e implementação Como resultado do trabalho, pode surgir mais de uma alternativa para o problema. Nesse caso, você deve organizá-las em fases, para auxiliar a tomada de decisão dos administradores. É o que mostra o quadro 9.3. Quadro 9.3. Fases para solução dos problemas Fases Exemplos Identificar a melhor alternativa Geralmente aquela que atende melhor aos objetivos da atividade com menor custo total Avaliar custos e benefícios Melhoria dos serviços, redução e eliminação de custos Comparação dos custos e a capacidade de prestação de serviços existentes com as projetadas Avaliar riscos Considerar riscos externos: incerteza da demanda, ciclo do pedido, atitudes da concorrência Considerar riscos internos: mão de obra, produtividade, mudança de estratégia da empresa Fases Exemplos Elaborar uma apresentação (tarefa final) Definir o plano de implementação: listar todos os eventos necessários, sua sequência e pré-requisitos, com datas e responsáveis por cada evento Definir o cronograma: representação gráfica do plano de implementação, com todos os eventos e datas Definir o critério de aceitação (avaliar o sucesso do plano): - melhoria dos serviços: identificar maior disponibilidade dos produtos ou menor ciclo do pedido - redução de custos: definir as alterações esperadas, tanto positivas como negativas em todas as classes de custos - melhoria da eficiência Efetuar a implementação [1] Este ciclo, como você vê, é o do pedido do cliente, mostrado na figura 9.1. Anexo – Faça você: desafio de construir uma operação de armazenagem Como um exercício �nal do que você leu até aqui, imagine que você é um consultor e recebeu uma proposta para desenvolver e apresentar um projeto de estruturação ou melhoria de processos em um armazém, utilizando um produto existente no mercado (biscoito, congelado, xampu, desinfetante, televisor, roupa...). O objetivo não é criar um novo produto e sim estruturar um novo armazém. Como base para este desa�o, utilize as planilhas apresentadas no [capítulo 6]. Observe as etapas a serem percorridas. Cada uma delas está relacionada em um capítulo do livro. 1. Identi�car (escolher) o ramo de atividade e o tipo de produto a ser armazenado (setor alimentício, higiene e limpeza, eletroeletrônico, etc.). (Capítulo 2.) 2. Descrever as características físicas do produto acabado (embalagem de venda ao mercado distribuidor – por exemplo, caixa com 12 unidades). Dimensionar o tamanho da embalagem (área cúbica altura × largura × profundidade). (Capítulo 2.) 3. Estimar a demanda (quantidade de vendas). Essa informação vai auxiliar no cálculo do tamanho da área de armazenagem. (Capítulo 2.) 4. De�nir os processos envolvidos no armazém (desde o recebimento até a expedição), contemplando: - �uxograma (diagrama) dos processos (recebimento e conferência, armazenamento, separação e expedição); - descrição das atividades relevantes em cada processo; - elaboração de manual de boas práticas para os processos. (Capítulo 4.) 5. De�nir os equipamentos para movimentação dos produtos e valores de custo (empilhadeiras, paleteiras, etc.) (Capítulo 4.) 6. De�nir os equipamentos de armazenamento e valores de custo (estruturas porta-paletes, prateleiras, etc.) (Capítulo 4.) 7. De�nir as tecnologias e sistemas e valores de custo (coletores de dados, impressoras de código de barras, soware WMS, entre outros). (Capítulo 5.) 8. De�nir a estrutura de pessoal para operar e administrar o armazém com base nos processos de�nidos (quantidade de funcionários para cada setor, além do salário previsto). (Capítulo 4.) 9. Elaborar o layout do armazém, demonstrando: - área de recebimento e docas; - área de inspeção e qualidade (se houver); - área de armazenagem com as estruturas, corredores; - área de separação e expedição; - áreas de apoio, como escritório, vestiário e refeitório. (Capítulo 4.) 10. Elaborar a planilha de custos de armazenagem, contemplando: - custos com instalação; - custos com equipamentos de movimentação; - custos com equipamentos de armazenamento; - custos com tecnologia e sistemas; - custos com pessoal; - custos administrativos; - custo total do armazém. (Capítulo 6.) 11. Elaborar e desenhar a cadeia de suprimentos em que a empresa está inserida (principais fornecedores e principais clientes da cadeia imediata). (Capítulo 7.) 12. Identi�car/sugerir melhoria nos processos: descrever o quê, onde e como tal melhoria poderia ser implantada. (Capítulo 9.) Bibliografia ALVARENGA, Henrique. “Matriz de transportes do Brasil à espera dos investimentos.” Em Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), 21 ago. 2020. Disponível em https://www.ilos.com.br/web/matriz-de-transportes-do- brasil-a-espera-dos-investimentos/ AMATO NETO, João. ESG – BOAS práticas ambientais, sociais e de governança | BC. 2021. Publicado pelo canal Observatório do Terceiro Setor. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=5Nj_NUGOQQc&t=0s. Acesso em 8 jun. 2022. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 14040: gestão ambiental – avaliação do ciclo de vida – princípios e estrutura. Rio de Janeiro: ABNT, 2009. Versão corrigida 2014. BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/Logística empresarial. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006. BENVENUTTI, Maurício. 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Entendendo melhorcomo o estoque interfere no lucro de uma empresa Entendendo o funcionamento de uma empresa para entender a logística Entendendo os custos logísticos Equipamentos de movimentação Estrutura porta-paletes Estruturas de armazenagem Estruturas de prateleiras Estruturas dinâmicas Expedição Fazendo a diferença Finalidade da logística GS1 DataMatrix (código bidimensional) Identi�cando o sintoma para conhecer a causa Impressoras de transferência térmica Layout do armazém Leitor de códigos de barras Logística reversa: um braço operacional da sustentabilidade Modais de transportes Na prática Nível de serviço Nota do editor Nota �scal eletrônica (segunda fase) O cross docking O desa�o da integração da cadeia de suprimentos O ECR O EDI O estoque O início da logística empresarial O JIT O olhar analítico: identi�cando oportunidades de melhorias nos processos logísticos O passo a passo para a classi�cação ABC O planejamento estratégico O pro�ssional de logística: títulos, cargos e per�l que as empresas procuram O que é logística? O TMS O VMI O WMS Oportunidades de melhorias na CS Passo a passo dos custos de um armazém Pedido de compra (primeira fase) Per�l analista de informações Per�l analista de negócios Per�l de suporte (consultor) Per�l operacional Push-back Recebimento Recomendações e implementação Reposição automática sem necessidade de pedidos (terceira fase) Separação Sobre o autor Tecnologia de automação Tecnologia e técnicas aplicadas à logística e novas tendências que vão revolucionar a logística e seu emprego Tecnologias e técnicas de integração entre a indústria e o varejo Tendências mundiais Tipos e características de materiais Um caso real de integração da cadeia imediata entre a indústria e o varejo Uma sequência ordenada: a logística funciona assim! Unindo os pontos Voltando no tempo Sobre o autor Tarcísio Tito Salgado é formado em administração de empresas com especialização em neurolinguística e mestrado em educação (psicologia da educação). Trabalhou em empresas multinacionais e nacionais nos ramos industriais e comerciais como a Philco, Brastemp-Whirlpool, Santista Têxtil, Editora Globo, Colgate-Palmolive e Café do Ponto, nas áreas de desenvolvimento de sistemas, organização e métodos, trade-marketing, planejamento e operações de vendas. Na área de serviços, atuou em empresa de tecnologia e desenvolvimento de soware para logística. Tem experiência na docência em cursos de gestão, planejamento estratégico, logística e sustentabilidade para graduação, pós-graduação e técnicos. Desenvolve e escreve cursos para educação a distância (EaD). Atua na educação corporativa desde 2015, em desenvolvimento e capacitação de competências comportamentais para a equipe na empresa Stralog Operador Logístico. ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DO SENAC NO ESTADO DE SÃO PAULO Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor do Departamento Regional Luiz Francisco de A. Salgado Superintendente Universitário e de Desenvolvimento Luiz Carlos Dourado EDITORA SENAC SÃO PAULO Conselho Editorial Luiz Francisco de A. Salgado Luiz Carlos Dourado Darcio Sayad Maia Lucila Mara Sbrana Sciotti Luís Américo Tousi Botelho Gerente/Publisher Luís Américo Tousi Botelho Coordenação Editorial Ricardo Diana Prospecção Dolores Crisci Manzano Administrativo Verônica Pirani de Oliveira Comercial Aldair Novais Pereira Edição de Texto Vanessa Rodrigues Coordenação de Arte Antonio Carlos De Angelis Editoração Eletrônica Fabiana Fernandes Veridiana Freitas Sandra Regina Santana Coordenação de Revisão de Texto Janaina Lira Revisão de Texto Luiza Elena Luchini Gabriela L. Adami Janaina Lira Sandra Brazil Ilustrações Flávia da Silva Dutra Capa Antonio Carlos De Angelis Ilustração da Capa designalldone © iStock Coordenação de E-books Rodolfo Santana Produção do ePub Daniele Lippert dos Santos Proibida a reprodução sem autorização expressa. Todos os direitos desta edição reservados à Editora Senac São Paulo Avenida Engenheiro Eusébio Stevaux, 823 – Prédio Editora Jurubatuba – CEP 04696-000 – São Paulo – SP Tel. (11) 2187-4450 editora@sp.senac.br https://www.editorasenacsp.com.br mailto:editora@sp.senac.br https://www.editorasenacsp.com.br/ © Editora Senac São Paulo, 2023 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Simone M. P. Vieira – CRB 8ª/4771) Salgado, Tarcísio Tito Logística: práticas, técnicas e processos de melhorias / Tarcísio Tito Salgado. – 4. ed. atual. - São Paulo : Editora Senac São Paulo, 2023. Bibliografia. e-ISBN 978-85-396-3934-2 (ePub/2023) 1. Administração de materiais 2. Logística 3. Operações logísticas 4. Tecnologias logísticas I. Título. 22-1803s CDD – 658.78 BISAC BUS078000 Índice para catálogo sistemático: 1. Logística : Administração de materiais 658.78 EDITORAEDITORASENACSP.com.brSENACSP.com.br MODAMODAGASTRONOMIAGASTRONOMIAGESTÃOEGESTÃOE NEGÓCIOSNEGÓCIOSDESIGNDESIGNARTESARTESTECNTECN OLOGIAOLOGIAHOTELARIAHOTELARIATURISMOTURISMOFOFO TOGRAFIATOGRAFIACOMUNICAÇÃOCOMUNICAÇÃOMEIOMEIO AMBIENTEAMBIENTECIÊNCIASHUMANASCIÊNCIASHUMANAS CIÊNCIASDANATUREZACIÊNCIASDANATUREZASAÚDESAÚDE https://pt-br.facebook.com/editorasenacsp/ https://www.instagram.com/editorasenacsp/ https://twitter.com/editorasenacsp https://www.editorasenacsp.com.br/ Nota do editor 1. O que é logística? Uma sequência ordenada: a logística funciona assim! Voltando no tempo A logística no Brasil E onde estão as oportunidades de trabalho para o profissional de logística? O profissional de logística: títulos, cargos e perfil que as empresas procuram 2. Entendendo o funcionamento de uma empresa para entender a logística O planejamento estratégico A previsão de vendas A administração do estoque 3. O estoque Entendendo melhor como o estoque interfere no lucro de uma empresa Categorização dos produtos Conflitos entre as áreas operacionais (Compras, Vendas e Produção) e a área Financeira em relação ao estoque Administrando os níveis de estoque com auxílio de parâmetros Nível de serviço 4. A operação logística: compras, recebimento, armazenagem, separação, expedição e distribuição Compras Recebimento Armazenagem Separação Expedição Distribuição 5. Tecnologia e técnicas aplicadas à logística e novas tendências que vão revolucionar a logística e seu emprego O WMS O TMS Tecnologia de automação Tecnologias e técnicas de integração entre a indústria e o varejo Comércio eletrônico Tendências mundiais 6. Entendendo os custos logísticos Passo a passo dos custos de um armazém 7. Cadeia de suprimentos: onde as empresas se integram O desafio da integração da cadeia de suprimentos Classificação das cadeias de suprimentos Oportunidades de melhorias na CS 8. Logística reversa: um braço operacional da sustentabilidade Na prática 9. O olhar analítico: identificando oportunidades de melhorias nos processos logísticos A lista de oportunidades Atitudes que fazem a diferença Ciclo de oportunidades das melhorias Como fazer a análise Anexo – Faça você: desafio de construir uma operação de armazenagem Bibliografia Índice Sobre o autoro Programa de Investimentos em Logística (PIL), prevendo aplicação de R$ 133 bilhões em nove trechos de rodovias (nos próximos vinte anos) e em doze trechos de ferrovias (nos próximos 25 anos). Na época, os especialistas da área a�rmavam que o Brasil precisaria investir R$ 2,5 trilhões adicionais nos próximos 25 anos para acabar de vez com aquelas cenas, comuns nos noticiários, de enormes �las de caminhões nos portos, navios à espera para atracar e falta de espaço nos armazéns. Em 2015, o Governo Federal anunciou uma “nova etapa” do PIL, buscando uma retomada após a crise que se agravava no país, com a previsão de R$ 198,4 bilhões em investimentos (equivalente a 3% do PIB de 2015). Depois de 4 anos da primeira etapa do programa, o Ministro dos Transportes, em entrevista concedida à Confederação Nacional dos Transportes, foi questionado sobre o tímido investimento de 0,19% do PIB, equivalente a R$ 11,2 bilhões, representando apenas 16% da verba prevista para 3 anos (2015 a 2018). O Ministro explicou que, com o lançamento do PPI (Programa de Parcerias de Investimento), o foco seria a cooperação estratégica com o setor privado para realizar investimentos na área de infraestrutura e logística. Já o Programa Crescer trabalha apenas com a proposta de realizar as concessões com 100% do capital privado, diferente do PIL, que tinha a previsão de investimentos públicos e não incluía setores como energia e saneamento. Bem, em 2021, com novo Governo Federal, um novo plano surge. É o Plano Nacional de Logística (PNL) 2035, que complementa o PNL 2025, o qual substituiu o PIL do governo anterior. Segundo o Ministro da Infraestrutura, este será um “Projeto de Estado” transformador, permitindo que o modal ferroviário saia dos 21% e chegue aos 36%, ou até 40%, até o ano de 2035 (BRASIL, 2021). Para isso, novas ferrovias devem ser construídas e outras atualizadas com muita agilidade e menos burocracia jurídica. Na verdade, esse é o sonho dos empresários brasileiros há muitas décadas, porque diversas matérias-primas e produtos poderiam ser transportados por um modal com valor de frete muito inferior. O plano, que também contempla os modais aquaviários (rios e cabotagem), certamente deve ser integrado com melhorias e ampliações das estradas federais e estaduais, tendo em vista que algumas delas serão aliviadas de seu tráfego intenso. Realmente são muitos programas, várias siglas, vários governos, e na prática temos um paradoxo: quanto mais e�cientes somos na produção de alimentos, mais perdemos por falta de infraestrutura de armazenamento e transporte. Com isso, os preços dos alimentos estão sempre in�uenciando nossa in�ação. Quadro 1.6. Trechos rodoviários previstos para receber investimentos do Governo Federal até 2032 Estado(s) Rodovia BA BR 101 – Entroncamento BA-698 (Mucuri) com BR-324 ES/MG BR 262 – Entroncamento BR-381 (João Monlevade) com BR-101 GO/TO BR-153 – Entroncamento BR-060 (Anápolis) com TO-080 GO/MG BR-050 – Entroncamento BR-040 (Cristalina) com divisa SP/MG MT BR-163 – Sinop até divisa MT/MS MS BR-163/267/262 – Divisa MT/MS até divisa PR/MS DF/GO/MG BR-060/153/262 – Entroncamento BR-251 com divisa SP/MG; BR-381 MG BR-116 – Divisa MG/RJ (Além Paraíba) até divisa BA/MG (Divisa Alegre) DF/GO/MG BR-040 – Entroncamento BR-251 (DF) – Juíz de Fora Fonte: Ministério dos Transportes, 2012. Quadro 1.7. Trechos ferroviários previstos para receber investimentos do Governo Federal até 2032 Estado(s) Ferrovia SP Ferroanel SP-Tramo Norte SP Ferroanel SP-Tramo Sul SP Acesso ao Porto de Santos MT/GO Lucas do Rio Verde-Uruaçu GO/MG/RJ Uruaçu-Corinto-Campos RJ/ES Rio de Janeiro-Campos-Vitória MG/BA Belo Horizonte-Salvador BA/PE Salvador-Recife SP/MS Estrela d’Oeste-Panorama-Maracaju MS/SC Maracaju-Mafra SP/PR/RS São Paulo-Mafra-Rio Grande MA/PA Açailândia-Vila do Conte Fonte: Ministério dos Transportes, 2012. Os economistas brasileiros constataram na década dos anos de 2010 que o Brasil deixou de crescer nos últimos anos por falta de oferta e não de demanda, ou seja, tínhamos compradores externos e internos, mas estávamos, e continuamos, despreparados para aumentar a produção com custos competitivos – uma situação agravada pela falta de mão de obra especializada. Continuamos importando técnicos dos países vizinhos e da Europa. Além disso, vivemos uma situação problemática na produção de alimentos: produzimos muito mais do que consumimos e, mesmo assim, temos falta de alimentos – um sinal de que nossa logística de armazenagem e distribuição ainda é ine�ciente e geradora de custos. Por isso os preços são altos. O lado “positivo” dessa situação é que os pro�ssionais de logística têm boas oportunidades de emprego e de crescimento. Basta empenhar-se em sua boa formação e buscar continuamente ampliar seu conhecimento. Do livro para a prática Para atualizar o conhecimento sobre esse tema, faça uma pesquisa sobre a nova regulamentação para Lei dos Portos, publicada no Diário Oficial. É o Decreto nº 10.672, de 12 de abril de 2021, que altera o Decreto nº 8.033, de 27 de junho de 2013, que regulamenta o disposto na Lei nº 12.815, de 5 de junho de 2013, e as demais disposições legais que regulam a exploração de portos organizados e de instalações portuárias. O endereço é https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-n-10.672-de-12-de-abril-de-2021- 313497821. Acesso em: 9 jun. 2022. E onde estão as oportunidades de trabalho para o profissional de logística? Apesar da crise econômica que o Brasil vem atravessando desde a década de 2010 e cujos impactos foram maiores em 2020, por causa da pandemia de covid-19 que surpreendeu toda a economia mundial – sobre esses períodos, consulte também os sites do [Banco Mundial] e do [Fundo Monetário Internacional, o FMI], duas referências fundamentais para o seu estudo –, o mercado de logística continua em alta, mas faltam pro�ssionais quali�cados. As empresas que melhor remuneram no país há mais de 10 anos necessitam de pro�ssionais de várias áreas de atuação na logística de cadeia interna ou imediata (veja as de�nições no [capítulo 7]), mas elas não têm conseguido preencher suas vagas por falta de mão de obra especializada. Empresas de médio e pequeno portes estão investindo em treinamento e capacitação, seja por meio https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-n-10.672-de-12-de-abril-de-2021-313497821 https://brasilaberto.worldbank.org/pt/benchmark https://www.imf.org/en/Countries/ResRep/BRA da educação corporativa em suas instalações ou por cursos pelo Sistema “S”, para ganhar tempo na preparação destes pro�ssionais técnicos e atender à demanda do mercado. Desse modo, o país como um todo perde oportunidades. O per�l do pro�ssional de logística que as empresas procuram na atualidade não é para “carregar caixa”, mas para “pensar fora da caixa”. Claro que estamos exagerando para levá-lo a re�etir que, em breve, as caixas de produtos sequer serão tocadas por mãos humanas durante os processos de fabricação, armazenagem e distribuição, o que já acontece em alguns setores industriais. Estamos em mais uma etapa desse momento histórico que pode ser descrito como o início da chamada Quarta Revolução Industrial[8], conceito difundido por autores como Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial (recomendo ao leitor que acesse e se inscreva no site do Fórum Econômico Mundial para acompanhar as tendências tecnológicas e econômicas: www.weforum.org. Eles enviam semanalmente notícias por e-mail em inglês, porém você pode traduzir as mensagens, caso necessite). Mudanças em diversos campos da vida estão acontecendo rapidamente, basta observarmos, por exemplo, como nos comunicávamos há uma década, assistíamos a �lmes e pesquisávamos nossas dúvidas de língua portuguesa, ou como eram os videogames, os automóveis, etc. Atualmente, temos equipamentos como as impressoras 3-D, que já substituem algumas pequenas fábricas de moldes e produzem brindes e brinquedos “customizados”, peças de automóveise até órgãos humanos para estudos em laboratórios e universidades. Vivenciamos novos conceitos de comercialização, negócios, inclusive trabalho home office (principalmente após a pandemia de covid-19), de modo que as pessoas conhecem os produtos – alguns podem até ser testados antes –, compram e pagam por meios virtuais (computador ou celular), e depois os recebem em casa ou baixam virtualmente. As empresas sabem quais são os hábitos dos consumidores, os locais que frequentam, suas preferências, e oferecem produtos e serviços por meio de aplicativos de fácil uso em seu celular. Isso só é possível porque existe um conceito de Big Data, um grande banco de dados que consegue cruzar todas as informações de cada pessoa e, assim, prever tendências e possibilidades de consumo. Temos o mundo ao alcance http://www.weforum.org/ das mãos, entretanto, o alimento, o vestuário, os móveis, etc. ainda não podem ser materializados em nossa residência, e por isso a logística de distribuição e de transporte é necessária. Diante dessa perspectiva, pretende-se que o leitor que trabalha em uma empresa ou mesmo que esteja ingressando no mercado de trabalho em algum ponto da cadeia logística re�ita sobre onde estará daqui a 10 anos e qual contribuição pode oferecer hoje à empresa para a qual trabalha e à sua vida pro�ssional. O pro�ssional do futuro é aquele que busca conhecimento para se renovar e, se possível, inovar. Não podemos nos ater a empecilhos, como falta de dinheiro ou de tempo para estudar em plena era da informação. É preciso utilizar a tecnologia e aproveitar o vasto material disponível na internet. As próximas décadas do mercado de trabalho mundial estão sendo redesenhadas, algumas frentes agilizadas e outras inovadas, e mudanças estão acontecendo nos países mais desenvolvidos, preocupados com as próximas gerações e com aspectos globais. É importante saber onde estão acontecendo essas inovações e como afetarão sua pro�ssão e sua vida. Veja algumas iniciativas e práticas no [capítulo 5]. De volta ao presente, a logística se encontra em vários setores da economia: na indústria, no comércio, em serviços públicos e privados de vários tipos. Em todos esses setores, o pro�ssional de logística pode iniciar sua carreira nas áreas operacionais de suprimentos, armazenagem e transporte. Ele também pode especializar-se em planejamento, análise e suporte para os sistemas de sowares e tecnologias utilizados em logística, por exemplo, WMS, TMS e coletores de código de barras. Dependendo da quali�cação e da experiência do pro�ssional, e conforme sua evolução e conhecimento, ele poderá atuar em áreas mais técnicas, como análises, pesquisas ou projetos, e também em cargos mais especializados e mais bem remunerados, como de liderança e gerenciamento. Atualmente, as empresas de serviços denominadas Operadores Logísticos, ou 3PL (ird-Party Logistics, ou operadores logísticos terceirizados), são as mais recomendadas para quem está começando. Essas empresas são especializadas em fazer logística “customizada” (ou seja, de acordo com as necessidades do cliente), com o mais alto grau de pro�ssionalismo e menores custos. A tendência é que cada vez mais indústrias e estabelecimentos comerciais utilizem esses serviços terceirizados, como ocorreu durante e após a pandemia de covid-19 (leia também sobre a Lei nº 13.429/2017 do Governo Federal sobre a terceirização). Além da indústria, do comércio e dos serviços, o pro�ssional de logística tem a opção de trabalhar em empresas do governo. Outra alternativa promissora é o Terceiro Setor[9], formado por organizações não governamentais (ONGs), fundações, entidades �lantrópicas, organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) e outras formas de organizações ou associações sem �ns lucrativos, que têm como objetivo gerar serviços de caráter público. O terceiro setor está regulado pelas Leis nº 9.637/98, nº 9.790/99, nº 12.101/09 e nº 91/1935 e pelo Decreto Legislativo nº 3.100/99, além do novo marco dado pela Lei nº 13.019/2014. Atualmente, no Brasil, aproximadamente 70% dos empregos são oferecidos pelo setor de serviços, onde o Terceiro Setor se inclui. O profissional de logística: títulos, cargos e perfil que as empresas procuram Para conhecer melhor o per�l que as empresas procuram, é preciso pesquisar a realidade do mercado. Ao acessar sites de oferta de empregos, encontramos diversas oportunidades para o pro�ssional que é capaz de propor e implementar melhorias em alguma das áreas do processo logístico[10], por exemplo, recebimento, arma ‐ zenagem, separação, expedição, etc. O per�l do pro�ssional de logística mais procurado é analítico, que propõe soluções para os problemas e tem facilidade de relacionamento com outros setores da empresa (veja no [capítulo 5] mais sobre as pesquisas de tendências de empregos nos Estados Unidos e que também re�etirão no mundo). As empresas buscam pro�ssionais que não se acomodem em seus cargos de conferente, auxiliar, almoxarife, operador de empilhadeira e outras funções operacionais iniciais. Aqueles que se destacam e superam as expectativas, em geral, assumem novas posições dentro da companhia em que trabalham ou mesmo em outra. É comum uma empresa contratar um funcionário sem muita prática operacional, mas com potencial e inclinação analítica. Ainda que demande tempo para seu preparo, essa é uma opção de investimento. Vamos analisar os quadros a seguir, criados com base em pesquisa realizada em sites de emprego que buscam pro�ssionais de logística. Um fato interessante é que os vários títulos dos cargos que aparecem nas vagas são similares, mas, ao veri�car os requisitos necessários, nota-se que pertencem a uma atividade especí�ca: compras, recebimento, armazenagem, expedição, transportes, etc. Como destacamos, as ofertas de emprego são direcionadas principalmente aos pro�ssionais com per�l analítico. A seguir, agrupamos algumas habilidades de que o mercado precisa e o tipo de capacitação necessária. Perfil de suporte (consultor) Este per�l é para os pro�ssionais que têm capacidade de identi�car problemas e propor soluções, individualmente ou em equipe. É muito requisitado em situações menos complexas, como em empresas menores, assim como mais complexas, como em empresas maiores. É necessário conhecer a operação, mapear os processos e saber apresentar propostas. Quadro 1.8. O que o mercado procura – perfil de suporte (consultor) Habilidades que o mercado procura Capacitação que o profissional necessita ter • Identificar oportunidades de melhorias e otimização de processos operacionais • Identificar desvios ou gargalos • Identificar necessidades de recursos (tecnológicos, de equipamentos, humanos, de infraestrutura, etc.) • Propor, desenvolver, executar e gerenciar projetos de melhorias dos processos operacionais • Prestar suporte às estratégias de coordenação da operação logística • Técnicas de levantamento de informações • Técnicas de mapeamento (fluxogramas) de processos • Técnicas de identificação de causa e efeitos • Técnicas de planejamento de projetos e cronogramas • Técnicas de elaboração de propostas Perfil analista de informações Neste per�l, o pro�ssional precisa conhecer as bases de dados (sowares) e saber extrair as informações mais relevantes para a tomada de decisão, conhecidas como indicadores-chave de desempenho (KPI, do inglês Key Performance Indicator). Essas informações podem ser extraídas para qualquer área da logística (compras, estoque, armazém, transportes, etc.). Quadro 1.9. O que o mercado procura – perfil analista de informações Habilidades que o mercado procura Capacitação que o profissional necessita ter • Desenvolver e monitorar indicadores de desempenho dos processos logísticos • Elaborar relatórios técnicos/estatísticos • Analisar custos e demais rotinas da área de logística • Elaborar, analisar e controlar a provisão e as despesas de fretes • Conhecimento de sistema integrado de gestãoempresarial (ERP) • Conhecimentos de pacote Office (Excel, Word) Perfil analista de negócios Neste caso, o per�l volta-se para as negociações. Pode ser em compras, negociando com fornecedores; em transportes, negociando com transportadoras; e também internamente, negociando para consolidar o planejamento da demanda de vendas (saiba mais no capítulo 2, no tópico [Previsão de vendas]). Quadro 1.10. O que o mercado procura – perfil analista de negócios Habilidades que o mercado procura Capacitação que o profissional necessita ter • Negociar com fornecedores • Planejar e gerir a demanda • Conhecimentos específicos na área de compras • Conhecimentos específicos na área de administração de estoques Perfil operacional Este per�l é mais operacional e especí�co. Contempla as atividades de recebimento e inspeção, armazenagem e movimentação, separação, inventário, expedição, administração dos transportes e entregas. Veja no [capítulo 5] as tendências para as atividades operacionais no futuro. Quadro 1.11. O que o mercado procura – perfil operacional Habilidades que o mercado procura Capacitação que o profissional necessita ter • Inventariar os estoques • Conhecer as atividades específicas nas áreas operacionais do armazém, como recebimento, armazenagem, separação de materiais e expedição • Ter conhecimentos específicos nas áreas de transporte, como emissão de documentos de transportes e acompanhamento das entregas • Conhecimentos em tecnologia de coletores de dados e impressoras de etiquetas de código de barras • Conhecimentos em programas de computador (softwares) específicos de logística para gerir o armazém (WMS) e o transporte (TMS) Atitudes esperadas dos candidatos Independentemente da área em que o pro�ssional atue, as seguintes atitudes conferem destaque e são elementos para promoções: → iniciativa; → comprometimento; → colaboração; → responsabilidade; → multifuncionalidade; → comunicação; → dinamismo; → orientação para a resolução de problemas. Finalidade da logística As habilidades e as competências dos pro�ssionais têm como objetivo as seguintes melhorias: → reduzir custos nos processos logísticos; → reduzir riscos; → reduzir prazos; → aumentar a produtividade; → melhorar o serviço e a comunicação com o cliente. Em pesquisas recentes, realizadas pela GVcelog (REIS et al., 2012 e 2014), é possível constatar que as empresas têm tido di�culdade para encontrar pro�ssionais com essas quali�cações, e não somente no nível operacional, mas também no nível gerencial. Isso é um indicador importante de oportunidade e de risco. Participaram da pesquisa empresas dos setores industriais (53%) e de serviços (29%); 83% delas têm mais de 500 funcionários e 61% têm o faturamento acima de R$ 50 milhões mensais. Como pode ser observado no quadro 1.12, que foi desenvolvido com base nessas pesquisas, as competências mais relevantes tanto para o nível operacional como para o gerencial são as de relacionamento, seja com o público interno (outros departamentos), seja com o público externo (fornecedores e clientes). Esse indicador é também uma oportunidade para as escolas prepararem melhor os alunos para trabalhar em grupos e por projetos. O desa�o de compartilhar ideias, respeitar as diferenças e comprometer-se com o outro para alcançar um objetivo comum é um bom treino para o mercado de trabalho (veja sobre tendências da economia compartilhada no [capítulo 5]). Ainda nesse mesmo quadro, na classi�cação do grupo de competências centrais, as principais competências de nível operacional estão relacionadas às funções de distribuição, armazenagem e transportes. Como já mencionado, você pode trabalhar em uma área de armazenagem ou de transporte, mas se dominar várias áreas, estará apto a cargos de gerenciamento. No quadro, pode-se constatar ainda que, entre as competências mais relevantes aos gerentes, estão a capacidade de relacionamento com o público externo e de tomar decisões estratégicas. Se analisarmos as cinco primeiras competências de ambos os níveis, três delas são comuns entre eles. No grupo de competências avançadas, para o nível operacional, é fundamental estar apto a controlar vários estoques ao mesmo tempo (centros de distribuição/estocagem) e a desenvolver estratégias para entregar o produto em locais com restrições (planejamento de transportes). Para o nível gerencial, entre as primeiras exigências está o conhecimento integrado das várias áreas e atividades da empresa (saiba mais no [capítulo 2]), o que demonstra a importância de constituir uma área de logística colaborativa e de serviços ao cliente. Além disso, entre as competências avançadas estão a responsabilidade social e a sustentabilidade ambiental, que se re�ete na preocupação com o meio ambiente desde a entrega, com uso de transportes responsáveis, à logística reversa das embalagens (o tema será abordado no [capítulo 8]). Observando o grupo de competências em fundamentos, que apresenta as bases para exercer cada função, são necessários conhecimentos de custos para ambos os níveis. Para o nível operacional é primordial ter conhecimentos de organização e método; para o gerencial é preciso ter conhecimentos de análise de investimentos, para poder justi�car projetos. Quadro 1.12. Classificação das competências do profissional de logística Competências centrais Nível operacional Nível gerencial Relacionamento com o público interno 1 3 Conhecimentos em distribuição 2 5 Conhecimentos em armazenagem 3 10 Conhecimentos em transportes 4 11 Relacionamento com o público externo 5 1 Serviço ao cliente 6 6 Conhecimentos em logística integrada 7 8 Gerenciamento de estoques 8 12 Gerenciamento de sistemas de informação 9 17 Negociação 10 4 Conhecimentos em previsão de demanda 11 9 Gestão de projetos 12 7 Conhecimentos em agregação de pedidos 13 16 Conhecimentos em sistema tributário 14 14 Capacidade de tomar decisões estratégicas 15 2 Conhecimentos em desconto por quantidade 16 15 Conhecimentos em logística internacional 17 19 Conhecimentos em promoções comerciais 18 18 Fonte: adaptado de Reis et al., 2012 e 2014. Conhecimentos em teoria da administração 19 13 Competências avançadas Nível operacional Nível gerencial Gerenciamento de estoques em múltiplas instalações 1 5 Conhecimentos em restrições dos centros urbanos 2 4 Conhecimentos em planejamento integrado 3 1 Conhecimentos em sustentabilidade ambiental 4 6 Gerenciamento de grande base de dados de fornecedores 5 3 Responsabilidade social 6 2 Competências em fundamentos Nível operacional Nível gerencial Conhecimentos em organização e métodos 1 3 Conhecimentos em gestão de custos 2 1 Conhecimentos em estatística e probabilidades 3 4 Conhecimentos em matemática financeira 4 5 Conhecimentos em pesquisa operacional 5 6 Conhecimentos em análise de investimentos 6 2 Fonte: adaptado de Reis et al., 2012 e 2014. Com base nas pesquisas da GVCelog de 2012 e 2014, classi�ca mos as competências por grupos de aplicações no quadro 1.13 para uma melhor compreensão das necessidades das empresas brasi leiras. As classi�cações são: → conhecimentos de relacionamentos; → conhecimentos de gestão; → conhecimentos especí�cos de áreas; → conhecimentos especí�cos de uma atividade; → conhecimentos para otimizar recursos; → conhecimentos da cadeia de suprimentos e seus impactos a terceiros; → conhecimentos para elaborar informações �nanceiras. No quadro, identi�cam-se as atividades de logística e as competências mais exigidas para cada uma. O domínio delas, especialmente das competências de gestão, pode propiciar uma melhor remuneração. Quadro 1.13. Competências do profissional de logística classificadas por atividade operacional Fonte: adaptado de Reis et al., 2012 e 2014. Para estudo, propomos o seguinte exercício: 1. Identi�que no quadro quais atividades podem ser classi�cadas como operacionais, de análise ou de planejamento. 2. Indique quais são as competências mais requisitadaspor atividade. 3. Incremente o quadro com atividades mais detalhadas e classi�que-as com as suas respectivas competências. Esse exercício auxiliará na re�exão da complexidade de todas as atividades contempladas pela logística, seja interna ou externa. Em suma, as pesquisas demonstram que a empresa moderna, por meio da logística, liga as atividades de uma organização de maneira horizontal, ou seja, um �uxo contínuo desde o início do processo (suprimentos/compras) até a entrega do produto ao cliente, e o ciclo, então, repete-se. Assim, a responsabilidade pelos custos não é só do departamento de contabilidade de custos, a responsabilidade por investir dinheiro em estoque não é só do departamento �nanceiro e a responsabilidade pela entrega do pedido não é só da transportadora. O pro�ssional de logística moderno absorve conhecimentos de outras áreas de suporte para que possa tomar decisões diariamente e identi�car possibilidades de melhorias. Ele é um administrador que tem o olhar global da empresa, mas principalmente o comprometimento de entregar o melhor serviço possível. Para isso deve relacionar-se bem com todas as áreas da empresa com foco na ação e no resultado. No Brasil, nas décadas de 1970 e 1980, os presidentes/CEO de empresas eram pro�ssionais oriundos da área �nanceira, pois vivía mos uma crise de in�ação. Na década de 2000, tinham origem em marketing e em vendas. Hoje, muitas corporações escolhem os pro�ssionais da área de logística por sua visão global com foco na ação. [1] No capítulo 7 você terá mais informações sobre este assunto, que é a chamada cadeia de suprimentos. [2] A Primeira Guerra Mundial durou de 1914 a 1918. A Segunda Guerra Mundial teve início em 1939 e terminou em 1945, com o bombardeio das cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. [3] Esse assunto é um “clássico”. Caso tenha oportunidade, procure saber mais para entender melhor como a economia e a logística dependem principalmente da cultura colaborativa de um povo unido e comprometido com as futuras gerações. [4] Essas tecnologias e técnicas serão abordadas em mais detalhes no capítulo 5. [5] Modais são meios de transporte pelos quais os produtos ou mercadorias chegam aos seus destinos. São divididos por rodoviário, ferroviário, aeroviário, aquaviário e dutoviário (por dutos). [6] O PIB é a soma dos bens e serviços produzidos em um país. Com isso, acaba sendo um dos mais importantes indicadores da “saúde econômica” desse país. [7] O quadro demonstra que, no período indicado, os Estados Unidos investiram mais em todos os modais. [8] Lembrando: a Primeira Revolução Industrial ocorreu entre 1760 e 1840, com o surgimento das ferrovias, das máquinas a vapor e o início da produção mecânica substituindo o trabalho do artesão. A segunda foi entre o final de 1800 e o início de 1900, com a eletricidade, o petróleo e a linha de produção de veículos e produtos em massa. A terceira teve início na década de 1960, com os semicondutores que possibilitaram o desenvolvimento de computadores de grande porte, passando pelos computadores pessoais na década de 1980 e chegando à internet na década de 1990. [9] Tenha um olhar diferenciado para o Terceiro Setor. Ele é composto de organizações surgidas da dificuldade do Estado em dar conta de suas atribuições, está em crescimento e é o mais carente de gestão logística. Uma instituição do Terceiro Setor que não atua de forma eficiente em sua gestão de compras, de armazenagem ou de transportes corre o risco de perder contratos (captação de recursos) e, com isso, encerrar suas atividades. Assim, é grande a possibilidade de iniciar a carreira em logística trabalhando no Terceiro Setor. [10] Os processos logísticos são o tema do capítulo 4. 2 Entendendo o funcionamento de uma empresa para entender a logística Agora que você já tem uma visão ampla e histórica da logística, é hora de dirigir mais a atenção aos elementos que o ajudarão no seu dia a dia profissional e que também o auxiliarão a resolver o desafio proposto no final do livro. Este capítulo vai tratar de três processos: o planejamento estratégico da empresa, a previsão de vendas e a administração do estoque. O planejamento estratégico Toda empresa possui um planejamento estratégico, determinando qual a direção a ser seguida e o que precisa ser feito para seus objetivos serem atingidos. Ele é transformado em: → planos mercadológicos, que são aqueles que envolvem o mix de marketing[1] e ajudam a estabelecer as metas de vendas; → planos de suprimentos: o assunto aqui são as compras de matérias- primas e embalagens, além da relação com os fornecedores; → planos de armazéns e transportes; → planos industriais, que se referem a máquinas, equipamentos, manutenção, operários; → planos �nanceiros, que dizem respeito a quanto a empresa gasta, ganha e precisa investir para crescer; → planos em recursos humanos, tecnologias e sistemas. O orçamento da empresa, chamado de budget, é composto de cada um desses planos e por quanto cada área deve gastar para atingir seus objetivos. Geralmente, o orçamento é elaborado no último trimestre do ano, para vigorar no ano seguinte. Os gastos são detalhados mês a mês, identi�cando as necessidades de recursos humanos, tecnológicos, materiais e �nanceiros. Esse plano detalhado orienta os gastos e os impactos na logística. Exempli�cando: investimentos em promoções e propaganda no varejo podem aumentar as vendas acima da expectativa, ocasionando falta de transporte, espaço, recursos de armazenagem e embalagens. Ou seja, a logística acaba tendo essa relação direta com os planos da empresa. Do livro para a prática Para exercitar seu conhecimento e entender a complexidade do planejamento orçamentário de uma empresa, elabore uma planilha sobre os seus gastos de casa. Pode ser em programa de computador próprio ou em papel mesmo. Faça o planejamento financeiro para o(s) próximo(s) ano(s) com os seguintes grupos de receitas (o que entra) e despesas (o que sai). 1. RECEITAS: Grupo: salário. Grupo Outros: mesada, aposentadoria, etc. 2. DESPESAS: a. Habitação: aluguel, condomínio, luz, água, telefone residencial, TV por assinatura, etc. b. Alimentação: supermercado, etc. c. Saúde: plano de saúde, medicamentos, dentista, médico, etc. d. Transporte: bilhetes de ônibus ou, em caso de veículo próprio, combustível, seguro, IPVA, multas, etc. e. Pessoais: cabeleireiro, vestuário, presentes, telefone celular, etc. f. Educação: escola, cursos de aprimoramento, etc. g. Lazer: cinema, restaurante, passeios, etc. h. Filhos ou familiares: escola, material, médicos, alimentação específica, dentista, etc. i. Animais de estimação: ração, veterinário, vacinas, etc. j. Empréstimos: bancos, cartões de crédito. Totais em R$: diante de cada grupo-item, preencha com os respectivos valores, mês a mês, por um período de 12 meses (no mínimo). Depois de lançar todos os itens e respectivos valores, verifique-os mês a mês e o total anual, para ver se os saldos são positivos ou negativos e, assim, quais as decisões para investir o que sobra ou sanear o que falta. Para ter uma ideia, veja este modelo simplificado: Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Receitas R$ 1.500,00 R$ 1.500,00 R$ 1.300,00 R$ 1.300,00 R$ 1.300,00 Despesas R$ 1.300,00 R$ 1.300,00 R$ 1.300,00 R$ 1.344,00 R$ 1.385,00 Saldo do mês R$ 200,00 R$ 200,00 – R$ (44,00) R$ (85,00) A previsão de vendas[2] A previsão – ou estimativa – de vendas é um dos processos que afetam a logística como um todo. Com base em quanto, quando, onde e para quem a empresa vai vender, a área de Compras (ou Suprimentos) providencia as matérias-primas e embalagens; a área de Produção planeja os equipamentos e os operadores; o mesmo acontece com o armazém e os caminhões para o transporte. No momento da elaboração do orçamento da empresa, no caso especí�co da previsão de vendas, precisa ser estimada a venda total (em peças, caixas, toneladas, etc.). O número global é, então,separado por produto para os doze meses do ano. Normalmente, com base em histórico e outras informações, de�ne-se a quantidade a ser comercializada a cada mês, produto a produto. Os números precisam ser analisados e validados pelos outros departamentos da empresa, porque em cada um deles existem fatores que têm impacto sobre a previsão de vendas. Veja, a seguir, quais são esses fatores. → Compras: o departamento de Compras tem impacto na previsão de vendas porque lida com matéria-prima. Assim, por exemplo, uma restrição da matéria-prima afeta a produção e, consequentemente, as vendas. A restrição de matéria-prima pode ter várias causas: problemas de importação, falta de algum produto, fornecedor em greve, entre outros. → Finanças: limitação de crédito para clientes, problemas no �uxo de caixa de empresa. Tudo isso tem impacto na previsão de vendas. → Armazenagem e Transporte: as vendas geralmente se concentram na última semana do mês, e isso pode gerar falta de caminhões. Outros fatores: greve de caminhoneiros; estradas interditadas; falta de espaço no armazém; falta de mão de obra para separação e expedição; equipamentos inadequados; necessidade de alugar espaço adicional em depósito de terceiros. → Vendas: alguns fatores que afetam a previsão de vendas seriam: aumento de vendas ocasionada por novos clientes; um cliente que exige redução do tempo de entrega da mercadoria (o chamado lead time); ações comerciais dos concorrentes (que podem diminuir a expectativa de vendas do mês); ações promocionais em grandes clientes (o que pode aumentar as vendas). → Marketing: lançamento de novos produtos; promoções nacionais ou especí�cas por região; priorização de determinada linha de produto ou de uma região geográ�ca; degustação (disponibilização do produto para que o consumidor o experimente). → Planejamento e Controle da Produção (PCP) e Produção: limite de capacidade da fábrica; greves; férias; falta de mão de obra; manutenção de equipamento. Esses fatores ligados a fabricação e produção têm relação direta com a estimativa de vendas. Todos esses impactos são discutidos em uma reunião na qual é elaborado um documento que, além de o�cializar os números da estimativa de vendas, detalha as ações necessárias para que essa estimativa se concretize. E quais ações podem ser essas? → Promoções: todas as ações promocionais previstas, suas datas, em quais produtos, para quais regiões. → Compra de matéria-prima ou de embalagens: necessidades extras ou reduções dos pedidos de compras junto aos fornecedores. → Produção: necessidade de horas extras, reprogramação dos equipamentos. → Armazenagem e separação: necessidade adicional de mão de obra, equipamentos, espaço adicional (locação), transferências. → Transportadoras: necessidade adicional de transportes; mudança de tipo de veículo ou do modal de transporte. → Cotas de vendas: distribuição das metas de vendas para cada vendedor por produto. → Fluxo de caixa: aumento ou redução de recursos �nanceiros para pagamentos (de fornecedores, horas extras) com base na nova previsão de vendas. Observe que, nessas ações, existe um encadeamento, uma lógica, já que uma área impacta a outra. Por exemplo, a de�nição de cotas às equipes de vendas deve contemplar todas as outras limitações das áreas de suporte. Isso quer dizer que o vendedor só poderá vender determinada quantidade numa região e num determinado tempo de entrega se a empresa tiver o produto em estoque e/ou o transporte. Caso contrário, o cliente não será atendido conforme planejado. Figura 2.1. Processo de elaboração de previsão de vendas e ações geradas Nesse processo interdepartamental e multifuncional que é a de�nição da previsão de vendas, periodicamente (em geral, uma vez por mês) são revisados os números de vendas para o próximo período, con�rmando ou alterando o que foi planejado no orçamento anual. São analisados aspectos econômicos, �scais, �nanceiros, de marketing e também as tendências, com base no histórico de vendas. Os números que vão sendo revistos formam a base para o andamento da empresa, porque: → ... a equipe de Vendas obtém suas metas; → ... a de Compras planeja seus estoques de embalagens e matéria-prima; → ... a de Produção estrutura seu cronograma de capacidade de máquina e mão de obra; → ... o Armazém planeja a sua capacidade de estocagem e a movimentação de matéria-prima, embalagens, produtos acabados, pessoal e equipamentos; → ... a equipe de Distribuição Física planeja as transportadoras e rotas. Em resumo, a logística é a execução dos planos relativos a vendas. Logo, qualquer informação que modi�que os números planejados tem impacto direto na logística de suprimentos, armazenagem e transportes. A administração do estoque A partir da demanda conhecida, um fator importante é a administração de estoque e suas políticas. Desde já, é importante conhecer as diferenças entre gestão (administração) de estoque e gestão do armazém. Gerir o estoque diz respeito à estratégia adotada para atender a demanda e suas variações, e isso está ligado à realidade das vendas (preços, concorrentes, etc.). Também tem relação com a entrega de materiais e embalagens pelos fornecedores e com os riscos no abastecimento – por exemplo: atraso, falta, etc. Esses fatores podem interferir na disponibilidade de estoque e, consequentemente, no nível de serviço ao cliente. Gerir o armazém signi�ca acondicionar os materiais e produtos da forma mais e�ciente e organizada possível para evitar gastos desnecessários com equipamentos, combustíveis, energia, movimentação, adequando o tamanho do armazém e o �uxo interno. Tudo para fazer a operação �uir sem faltas ou sobras no estoque, ao menor custo possível. Do livro para a prática Aqui é possível exercitar uma previsão de vendas e seus relacionamentos externos (fornecedores e clientes) e internos (capacidade de produção e financeiro). Imagine que você produza salgadinhos para festas. Um dos produtos é a coxinha de frango, que pesa aproximadamente 30 gramas. O exercício é elaborar planos de compras e fabricação em diferentes cenários. CENÁRIO 1: • Produza mil coxinhas de frango. • Elabore uma lista de materiais (receita com todos os componentes necessários para a produção da coxinha). • Elabore a receita, desde o pré-preparo até fritura e embalagem. • Elabore planilha de gastos financeiros com todos os ingredientes individualmente e total (receita para mil coxinhas). CENÁRIO 2: Agora é necessário produzir para estocar e vender, além de atender às encomendas, aproximadamente 30 mil coxinhas ao ano. • Elabore um plano mês a mês, com as quantidades necessárias de cada matéria-prima, além de embalagens necessárias, com os respectivos valores. • Para incrementar, estime que serão vendidas aproximadamente 12 mil coxinhas nos meses de maio, outubro e dezembro (4 mil em cada mês). • Agora, o fator limitante: a sua produção é limitada em 2.500 coxinhas por mês. CENÁRIO 3: Crie situações de: • Restrições financeiras (sem dinheiro para comprar e/ou sem crédito com os fornecedores): cliente não pagou a entrega. • Restrições de fornecimento: fornecedor não entregou a matéria- prima ou o preço da farinha subiu 30%. • Restrições de produção: fogão ou fornos em manutenção; sem cozinheiro capacitado, etc. • Aumento de demanda: pedido adicional de um cliente importante no mês de maio, por exemplo. Outras restrições. [1] São os conhecidos 4Ps do marketing: produto (suas características físicas e funcionais), promoção (inclui comunicação e propaganda), preço (quanto o consumidor está disposto a pagar) e praça (este “p” quer dizer os canais de distribuição). [2] Você pode chamar isto também de “demanda”. Está nos dicionários: a demanda é a quantidade de uma mercadoria (ou de um serviço) que o consumidor está disposto a comprar. 3 O estoque O planejamento de nenhuma empresa pode funcionar sem uma administração dos estoques correta. Este capítulo é um complemento do anterior,ou seja, ainda a etapa de entender o funcionamento de uma empresa para compreender melhor a logística. Mesmo que em seu dia a dia você não tenha a atribuição de planejar ou administrar o estoque, é importante ter em mente que todo profissional de logística tem seu trabalho ligado a essa atividade. Por isso, ampliar o conhecimento sobre esse universo é fundamental para a sua profissão. Geralmente, quando uma empresa passa por uma crise ou por algum processo de ajuste que tem como objetivo melhorar sua saúde �nanceira, os encarregados desse ajuste vão direto olhar para o estoque. Enquanto o Marketing de uma empresa tem como objetivo aumentar o lucro, a Logística deve reduzir os custos. Assim, a administração do estoque tem impacto direto no lucro e nos custos. O desa�o de manter a disponibilidade de produtos, evitando faltas ou sobras, atendendo às necessidades de produção (no caso de materiais) e das vendas aos clientes (no caso de produto acabado) pode gerar lucro ou prejuízo. É por essa razão que muitas vezes os consultores responsáveis por avaliar por que uma empresa não está tão “bem das pernas”, ou aqueles que procuram ganhos por redução de custos, reviram as políticas de estoque pelo avesso, procurando o que pode ser melhorado ali. É uma área sensível e de extrema importância, com impactos em toda a empresa. Administrar bem os estoques se resume em duas atividades: → garantir informações exatas sobre todos os itens que existem ali; → aplicar as políticas[1] adequadas à empresa. A exatidão das informações depende da organização física do estoque, e sobre esse assunto você terá mais informações no capítulo 4, no item [Armazenagem]. O capítulo 4 descreve os processos logísticos e as operações realizadas pelo pro�ssional da área, como você. Armazenar é um processo logístico. As políticas de estoque são de�nidas por aquele planejamento da empresa abordado no capítulo 2 e por outros fatores, como a classi�cação e a importância dos produtos (sobre isso, você vai saber logo mais, neste capítulo mesmo). Uma política de estoque adequada à necessidade e ao objetivo de uma empresa mantém o giro e evita excesso ou falta de produtos. Para chegar a esse difícil equilíbrio, o gestor do estoque precisa prever: → possíveis incertezas da demanda; → ações promocionais dos concorrentes; → as restrições e incertezas dos fornecedores. Existem técnicas e tecnologias[2] que ajudam nesse trabalho, mas ainda assim é um desa�o manter e atualizar todos os parâmetros necessários, porque o mercado consumidor é muito sensível a fatores econômicos e promocionais, portanto, muda muito rapidamente. Assim, podemos resumir da seguinte forma: um estoque com informações precisas e política adequada é capaz de... → ... garantir o abastecimento de materiais e embalagens à produção dentro da empresa e, também, os produtos acabados aos clientes, mantendo o nível de estoque o mais baixo possível; → ... evitar faltas ou excessos, perdas ou extravios; → ... manter os custos baixos, pois utiliza menos equipamentos, mão de obra e espaço físico. Entendendo melhor como o estoque interfere no lucro de uma empresa As pessoas costumam pensar que, para aumentar lucros, uma empresa deve apenas vender mais. Claro que esse é um dos objetivos para ela crescer e prosperar, mas não é o único. Lucro é a diferença entre vendas (ou seja, o que se fatura) e gastos (ou seja, custos e despesas). Isso signi�ca que redução de gastos também traz aumento no lucro, e não só apenas vender mais. Melhorar a lucratividade com aumento de vendas exige maior gasto de compras de materiais, de fabricação, de embalagens, de estocagem. Melhorar a lucratividade por meio do estoque não exige nada disso; basta uma boa administração dele. Por isso, gerir um estoque é viver com o constante desa�o de reduzir o “dinheiro parado” no armazém[3], e isso se faz evitando que haja mercadoria de mais ou de menos, tomando cuidado para que os produtos não percam a validade e adotando rotinas que evitem retrabalhos. Em resumo: menor quantidade estocada e por menor tempo gera redução de gastos em armazenagem e movimentação – logo, aumento nos lucros. Categorização dos produtos Os produtos existentes em um estoque podem ser de�nidos em quatro categorias: 1. Matérias-primas: são os produtos que vão receber um processo de transformação em uma linha de produção, como os polipropilenos (base para os materiais plásticos) ou uma chapa de aço (que poderá se transformar em um gabinete para máquina de lavar roupa ou uma porta de automóvel). 2. Embalagens, peças ou componentes comprados: são itens já transformados comprados de fornecedores, como embalagens, caixas, parafusos, banco de carros. 3. Produtos em processos: são as matérias-primas que já sofreram alguma transformação. No caso da chapa de aço, é a porta que ainda receberá furos e dobras em uma estamparia. Veja que nesta fase a matéria-prima já agregou custos de mão de obra e materiais auxiliares, por isso esse produto deve permanecer o menor tempo possível nessas condições – a�nal, não é possível vendê-lo na situação em que está e, muito menos, devolvê-lo ao fornecedor. Ou seja, é custo e, portanto, deve ser minimizado ao máximo, evitando excessos, erros de fabricação, etc. 4. Produtos acabados: este é o objetivo �nal de todo o processo fabril, ou seja, disponibilizar o produto ao cliente. Nesta fase já foram agregados vários materiais, mão de obra, gastos com armazenagem, movimentação e despesas gerais. Quanto mais cedo encontrar seu destino, ou seja, o cliente �nal, melhor. Conflitos entre as áreas operacionais (Compras, Vendas e Produção) e a área Financeira em relação ao estoque Como o objetivo �nanceiro em relação ao estoque é minimizar o investimento em materiais/produtos dentro da empresa, surge um con�ito entre as áreas operacionais, pois o departamento de Compras consegue maiores descontos quando negocia grandes quantidades; em contrapartida, o departamento Financeiro questiona se não seria melhor aplicar o dinheiro em outro investimento ou em um projeto com retorno maior ou melhor. Por exemplo: se o desconto obtido na compra de um material em maior quantidade é de 10%, mas haverá despesas com a gestão da armazenagem, com a movimentação, além de riscos de obsolescência, etc., esses custos poderão superar o desconto conseguido. Não seria melhor aplicar o valor em algum outro investimento? O mesmo ocorre com o material em processo de fabricação. A produção pode garantir mais segurança no estoque de peças ao produzir lotes maiores, mas, sob o viés �nanceiro, a questão é a mesma: precisamos dessa quantidade adicional? Teremos espaço para armazená-la? E os custos da mão de obra, dos equipamentos, etc.? Será que compensa? A área Financeira, portanto, desempenha um papel fundamental, e deve demonstrar e justi�car às áreas operacionais – em vez de entrar em con�ito com elas – que o melhor investimento é também o de “não perder dinheiro”. Caso os acréscimos de estoque não sejam feitos em razão de fatores contingenciais – como greve de fornecedores, manutenção preventiva na fábrica, ações promocionais no varejo, etc. –, é importante ponderar e justi�car tais investimentos no estoque. Administrando os níveis de estoque com auxílio de parâmetros O maior desa�o na administração dos estoques é garantir que não falte material para a fabricação ou produtos para a venda. Também é importante que não haja excesso de material. Então, como o administrador pode minimizar tais con�itos, reduzindo as perdas? Uma das ferramentas é a parametrização de ressuprimentos, que são os indicadores de estoque mínimo, estoque máximo e ponto de pedido. Para entender melhor a importância desses indicadores (ou parâmetros de estoque), observe a �gura a seguir, que apresenta uma �utuação do estoque de determinado produto ou categoria de produtos em um grá�co conhecido como dente de serra. Figura 3.1. Gráfico dente de serra (flutuação do estoque) Esse grá�co de nível do estoque