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AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PERÍCIA COMERCIAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Núbbia Mendonça Oliveira 
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
Atos introdutórios à perícia contábil comercial 
Nesta etapa, vamos abordar aspectos conceituais introdutórios sobre a 
função do profissional da perícia, considerando a necessidade social e as 
oportunidades no mercado para a realização de perícia comercial pelas 
organizações. 
TEMA 1 – ASPECTOS CONCEITUAIS E LEGISLAÇÃO BÁSICA 
A Perícia Contábil no Brasil começou a ser divulgada por volta de 1924, no 
I Congresso Brasileiro de Contabilidade (CBC). Na ocasião, os participantes 
discutiram a necessidade de segregar as funções em três classes profissionais: 
contador, guarda-livros e perito (Sá, 2019). No mesmo evento, foram discutidos 
diversos temas relacionados, com destaque para os seguintes: 
• Oficialização da perícia judicial; 
• Fiscalização dos trabalhos do perito contador; 
• Correlação entre remuneração das atividades e horas despendidas de 
trabalho. 
A criação do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), através do 
Decreto-lei n. 9.295, de 27 de maio de 1946, alterado pela Lei n. 12.249/2010, 
apresentou as atribuições do contador, instituindo a perícia contábil no Brasil. 
Embora o Código de Processo Civil (CPC), por meio do Decreto-lei n. 1.608/1939, 
já indicasse algumas regras sobre a perícia, foram diversas as alterações ao longo 
dos anos que permitiram um aperfeiçoamento da perícia brasileira. O Quadro 1 
elenca algumas modificações históricas. 
Quadro 1 – Perícia contábil: modificações relevantes na legislação 
Legislação Introduções, Alterações e Descrições 
Decreto-lei n. 8.579 de 
08/01/1946 
Alterações introduzidas Normas periciais 
Decreto-lei n. 7.661 de 
21/06/1945 (legislação 
falimentar) 
Em seus art. 63, inciso VI; 
93, parágrafo único; 169, 
Estabelecimento de regras de Perícia 
Contábil, atribuindo esta definição ao 
contador. Em dias atuais, regras 
 
 
3 
Alterações dadas pela 
Lei n. 4.983 de 
18/05/1966 
inciso VI; 211 e 212, 
incisos I e II 
aplicadas pela Lei de Regularização 
de Empresas e Falência (Lei n. 
11.101/05) 
Lei n. 5.869 de 
11/01/1973 (segundo 
CPC) 
Modificações e 
complementações. 
Aperfeiçoamento nas perícias judiciais 
com ampla, clara e aplicável 
legislação 
Lei n. 13.105 de 
16/03/2015 (Novo CPC, 
em vigor 17/03/2017) 
Decreto-lei n. 5.452 de 
01/05/1943; 
Lei n. 5.584 de 
26/06/1970; 
Lei n. 11.960 de 
09/06/2008 
Consolidações das Leis do Trabalho 
(CLT), atualizações da Lei Processual 
Trabalhista (LPT) e atualizações do 
Código Processual Penal (CPP), 
combinadas às jurisprudências de 
natureza processual 
Fonte: Magalhães, 2017. 
A conduta profissional, assim como as diretrizes relacionadas aos trabalhos 
desenvolvidos pela perícia, é descrita nas normas divulgadas pelo CFC. No site 
institucional do conselho, encontramos o conjunto de normas divididas em duas 
responsabilidades: profissional e técnica. 
A Resolução CFC n. 1.328/2011 dispõe sobre a estrutura das normas 
brasileiras de contabilidade, enquanto a Resolução CFC n. 1.548/2018 trata das 
revisões, alterando, incluindo e excluindo textos das normas exigentes, totalmente 
ou parcialmente, conforme o novo padrão estabelecido. As NBCs de caráter 
profissional disciplinam regras de exercícios para a conduta profissional, moral e 
ética do contador, auditor e perito, como vemos no quadro a seguir. 
Quadro 2 – Estrutura das normas de contabilidade profissional 
NBC Atribuição Legislação 
NBC PG Profissional Geral Resolução n. 803/96 e Resolução n. 1.307/10, revogadas 
pela NBC PG 01, de 14/02/2019 
NBC PA Auditor 
Independente 
Resolução n. 1.201/09 aprova NBC PA 01, com base na 
International Standards on Quality Managment (ISQM) 2 da 
International Federation of Accountants (IFAC), da nova 
redação a NBC PA 02, em 09/02/2021 
NBC PP Perito Resolução n. 1.244/09, revogada pela NBC PP 01 (R1) de 
19/03/2020 
Fonte: CFC, 2011. 
As NBCs técnicas apresentam regulamentação separadamente para cada 
ramo de atividade desempenhado na sociedade. Assim, garantem aos 
 
 
4 
profissionais um campo para a observação, em conformidade com as regras, além 
de uma melhor transparência e licitude das operações desenvolvidas pelas 
organizações. A seguir, o Quadro 3 apresenta as NBC publicada pelo CFC. 
Quadro 3 – Estrutura das Normas Brasileira de Contabilidade: técnica 
Norma Classificação Descrição a qual se destina 
 
 
NBC TG 
 
 
Completa 
Aborda diversas operações, como: ativo imobilizado, redução ao 
valor recuperável, arrendamentos etc. 
Simplificada Atente as pequenas e médias empresas 
Específicas Representa as entidades diversas e operações específicas, 
entidade desportiva, cooperativas, entidade sem finalidade de 
lucros etc.; 
NBC TSP Técnica Setor Público 
NBC TA Técnica Auditoria Independente de Informação Contábil Histórica 
NBC TASP Técnica Auditoria de Informação Contábil Histórica Aplicável ao Setor 
Público 
NBC TR Técnica Revisão de Informação Contábil Histórica 
NBC TO Técnica Asseguração de Informação não Histórica 
NBC TSC Técnica Serviço Correlato 
NBC TI Técnica Auditoria Interna 
NBC TP Técnica Perícia 
Fonte: CFC, 2011. 
1.1 Perícia contábil 
O CFC apresenta um conteúdo atualizado e esclarecedor que disciplinam 
a Perícia Contábil. Os temas do CFC são variados de acordo com as 
necessidades apresentadas ao longo do tempo pela sociedade, com o intuito de 
uniformizar as divergências existentes, o CFC, no item 2 da NBC TP 01 (R1) de 
19.03.2020, definiu a Perícia Contábil como: 
A Perícia Contábil é o conjunto de procedimentos técnico-científicos 
destinados a levar à instância decisória elementos de prova necessários a 
subsidiar a justa solução do litígio ou constatação de um fato, mediante laudo 
pericial contábil e/ou parecer perícia contábil, em conformidade com as normas 
jurídicas e profissionais, e a legislação especifica no que for pertinente. 
Continuando com as definições sobre perícia, sabemos que ao avançar dos 
anos foram altamente difundidas e apresentados diversos estudos acerca de sua 
definição, ainda assim não é possível expor um conceito definitivo sobre perícia, 
 
 
5 
nem em fontes bibliográficas nem incisivos em nossa legislação. Embora tenha 
ocorrido inúmeras edições do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) 
auxiliando os trabalhos da perícia não há um conceito que expresse 100% de 
intelecção, ainda que haja normas e técnicas processuais que estabeleçam 
condições legais para a execução dos trabalhos da Perícia Judicial (Magalhães, 
2017). 
Uma visão abrangente da perícia é o trabalho desenvolvido pelos 
profissionais, com a natureza empírica em cada situação existente. Com isso, a 
execução necessita de rigidez, conhecimento específico e profundo da área de 
trabalho, seja qual for a área científica pode haver perícia, no entanto, cada 
processo pode ser classificado de acordo com sua natureza, de origem 
operacional, administrativa, judicial, extrajudicial ou arbitral. Podemos citar 
também a natureza dos fatos e a natureza da regulamentação das profissões 
(Magalhães, 2017). Continuaremos com esse assunto em um tema mais adiante. 
1.2 Perito 
No texto anterior foi apresentada uma breve introdução em Perícia 
Contábil, agora vamos iniciar a observação sobre o papel do Perito, que também 
possui suas classificações em perito oficial; perito do juízo; e perito-
assistente. Vejamos a definição ampla de Perito segundo a NBC PP 01, item 2, 
27.02.2015 de: “O Perito é um Contador regularmente registrado em Conselho 
Regional de Contabilidade, que exerce a atividade pericial de forma pessoal, 
devendo ser profundo conhecedor, por suas qualidades e experiência, da matéria 
periciada.” 
Em 2016, o Conselho Federal de Contabilidade por meio da Resolução 
CFC n. 1.502 de 19.02.2016 ealterado pela Resolução CFC n. 1.513 de 
26.10.2016 criou o Cadastro Nacional de Peritos Contábeis (CNPC), visando 
oferecer ao judiciário e à toda sociedade uma lista de profissionais qualificados 
para atuarem como Peritos Contábeis, assim o sistema CFC e os Conselhos 
Regionais de Contabilidade (CRC’s) podem identifica-los e dar maior notoriedade 
à ação do poder judiciário, podendo selecionar profissionais por questões 
geográficas, especialidades e disponibilidade dos cadastrados. A NBC, apresenta 
as classificações de Perito presentes na disponibilidade do Juízo, conforme o 
Quadro 4. 
 
 
6 
Quadro 4 – Classificações de natureza profissional do perito 
Classificação Descrição Regulação 
Perito oficial O perito oficial é investido na função por lei, sendo 
pertencente a órgão especial do Estado destinado, 
exclusivamente, a produzir pericias, exercendo a 
atividade por profissão 
NBC PP 01, editada 
em 27/02/2015, item 
3 
Perito do juízo Perito do juízo é nomeado pelo juiz, árbitro, 
autoridade pública ou privada para o exercício da 
perícia contábil 
NBC PP 01, editada 
em 27/02/2015, item 
4 
Perito-assistente Perito-assistente é o contratado e indicado pela 
parte em perícias contábeis 
NBC PP 01, editada 
em 27/02/2015, item 
5 
Fonte: CFC, 2020. 
Considerando o novo CPC de 2016, o intuito do CNPC é fornecer aos juízes 
oportunidades para que sejam assistidos por peritos quando a prova do fato 
depende de conhecimento específico, disponibilizando aos tribunais consultas aos 
conselhos de classe para a formação de uma carteira com os profissionais 
desejados. 
Saiba mais 
Em 2017, o CFC realizou o primeiro EQT de Perícia Contábil para 
profissionais que não tinham experiência em perícia. A partir de 2018, para se 
inserir no Cadastro Nacional de Peritos Contábeis (CNPC), o profissional deve ser 
aprovado no Exame de Qualificação Técnica (EQT), mesmo que tenha 
experiência comprovada. Após inscritos no CNPC, os profissionais precisam 
cumprir o Programa de Educação Profissional Continuada, que comprova a 
realização de requisitos de qualificação técnica. Hoje em dia, encontramos mais 
de 5 mil inscritos no Cadastro. Saiba mais em: CFC – Conselho Federal de 
Contabilidade. CNPC. Disponível em: . Acesso 
em: 16 fev. 2023. 
TEMA 2 – ATO PERICIAL: PARA ALÉM DO DEVER PROFISSIONAL 
Neste tema, vamos tentar compreender a perícia para além do dever 
profissional, definindo o ato que leva à verdade e identificando os motivos que 
levam a sociedade a solucionar conflitos. 
 
 
7 
2.1 Busca pela verdade 
Podemos dizer que a verdade sobre fatos e atos empresariais é essencial 
para a sociedade como um todo, desde tempos muito antigos, pois são igualmente 
antigas as manifestações de interesse sobre a apuração da verdade dos fatos. 
Nesse contexto, os meios contábeis ajudam a averiguar a verdade. Com o passar 
do tempo, o conhecimento cresceu, até que a técnica de verificação para 
conseguir prova passasse a contar com tecnologias avançadas, um progresso de 
dimensão compatível às grandes metodologias, resultado de um fluxo de 
informação diária em volume expressivo, considerando os dados eletrônicos que 
são produzidos freneticamente todos os dias (Sá, 2002). 
A primeira menção literária à noção de perícia comercial recomenta a um 
famoso trabalho editado em 1921 pelo “Jornal do Brasil”, no Rio de Janeiro, 
intitulado “Perícia em Contabilidade Comercial”, de João Luiz dos Santos. Depois, 
em 1929, entrou em vigor o Decreto n. 5.746, que modificou a Lei de Fallencias. 
Embora não abrangente, ele serviu para regular a exigência de que as tarefas 
periciais deveriam ser de responsabilidade apenas do contador. 
Voltando à ideia de busca pela verdade, as incorporações dos profissionais 
de contabilidade na área da perícia proporcionaram o surgimento de diversas 
instituições por todas as regiões do Brasil. O ano de 1931 foi marcante para o 
desenvolvimento dos preceitos da perícia, em especial pela criação da Câmara 
de Peritos Contadores, que auxiliou os profissionais com as escritas em 
contabilidade. Essa influência foi marcante em estudos posteriores, desenvolvidos 
pelo Conselho Federal de Contabilidade. 
Assim, a perícia contábil entrou em maior evidência. A necessidade social 
de organização e desenvolvimento de uma boa convivência com os diversos 
grupos sociais fez com que a perícia buscasse minimizar conflitos existentes, 
agindo como mediador em cenários divergentes de normas, doutrinas e da 
legislação em vigor. Essas manifestações surgem da incerteza nas ações 
desenvolvidas por várias mãos em uma determinada entidade. A imperfeição e a 
inadequação levaram à necessidade de realização da perícia contábil 
(Magalhães, 2017). 
Vejamos algumas razões para que uma perícia seja contratada ou 
designada: 
• Métodos imperfeitos, ou seja, sujeitos a distorções e erros; 
 
 
8 
• Indivíduos imperfeitos ocasionalmente operam sistemas inadequados; 
• Existem diversas irregularidades administrativas e contábeis, de modo que 
toda entidade merece ser observada. 
O profissional de contabilidade busca manter em ordem os bens e as 
operações da entidade, conforme seus serviços são solicitados, uma vez que a 
confiabilidade é um princípio importante que deve ser seguido pelas partes. Ou 
seja, o perito contábil atende as necessidades sociais, em busca da verdade sobre 
os atos e fatos administrativos desempenhados por outros. Sendo assim, além do 
dever ético-profissional, o profissional precisa considerar normas que o guiam no 
desenvolvimento de ações honestas em seus trabalhos, buscando atender aos 
interesses públicos, a partir de um dever coletivo e pessoal. 
Saiba mais 
Desde 2017, o Brasil, por meio do CFC, passou a utiliza Noclar – Não 
Conformidade com Leis e Regulações, editada pelo International Ethics Standards 
Board for Accountants (Iesba) em 2016. Trata-se de uma norma internacional que 
obriga os profissionais contadores a denunciar aos órgãos de fiscalização 
quaisquer irregularidades contábeis que possam descobrir de seus clientes. O 
Noclar permite que as organizações deixem de lado o princípio da 
confidencialidade e denunciem atos ilegais, desde que seja para o benefício 
público. O contador é um valioso parceiro em qualquer projeto, seja qual for o seu 
estágio, econômico ou financeiro. Saiba mais: CFC – Conselho Federal de 
Contabilidade. Aplicação da Noclar no Brasil é tema de reunião na Ifac. 1 mar. 
2018. Disponível em: . Acesso em: 16 fev. 2023. 
TEMA 3 – PERÍCIA CONTÁBIL: ANÁLISE DE IRREGULARIDADES 
Compreendemos anteriormente que a sociedade sempre busca pela 
verdade, o que fomenta a necessidade de realização de perícia contábil. Agora, 
vamos identificar os motivos implícitos para o atendimento a essa necessidade de 
solução de conflitos. 
A necessidade pela perícia contábil vem da busca pela verdade sobre os 
fatos e atos desenvolvidos pelas organizações. Diversos tipos de conflitos levam 
à necessidade da perícia, de modo que o uso de recursos legais faz com que a 
tomada de decisão por um juiz seja realizada com zelo. Nesse contexto, é preciso 
 
 
9 
considerar que muitas decisões requerem um profissional especializado capaz de 
efetuar uma análise técnica específica, a partir de um conhecimento amplo para 
desvendar as diversas irregularidades existentes em determinado caso 
(Magalhães, 2017). O quadro a seguir apresenta uma classificação das 
irregularidades que justificam o uso de uma perícia contábil na entidade. 
Quadro 5 – Irregularidades classificadas como administrativas e contábeis 
IRREGULARIDADES 
ADMINISTRATIVAS CONTÁBEIS 
1) Adulterações 6) Imperfeições 1) Adulterações 6) Imperfeições técnicas 
2) Culpas 7) Negligências 2) Culpas 
profissionais 
7) Negligências 
profissionais3) Erros 8) Responsabilidades 3) Erros técnicos 8) Responsabilidades 
profissionais 
4) Fraudes 9) Simulações 4) Fraudes 9) Simulações 
5) Infrações 5) Infrações 
Fonte: Magalhães, 2017. 
As sociedades empresariais contam com profissionais que apresentam 
interesses próprios, normalmente ancorados em manifestações próprias da 
gestão econômico-financeiro da entidade. Os agentes pertencentes à 
administração utilizam técnicas para acompanhar os objetivos propostos pelo 
plano da empresa, agindo em conformidade com as normas profissionais e as 
regras legais, sempre observando a ética profissional de cada classe de 
indivíduos comprometida com a gestão da sociedade empresária (Magalhães, 
2017). 
Os profissionais são levados a agir por conta de deficiências técnicas, 
falhas morais ou estados deturpados, ou ainda quando o comportamento da 
administração não apresenta a necessária perfeição material, infringindo regras 
legais, princípios profissionais e vivências éticas. Em outras palavras, são 
movidos por imperfeições, infrações, erros, fraudes, negligências no 
desenvolvimento dos trabalhos, além de adulterações e falhas nas simulações. 
3.1 Irregularidades administrativas 
São as irregularidades responsáveis por danos a interesses particulares ou 
de outros, com consequências para a gestão administrativa e possibilidade de 
 
 
10 
punição ao causador, quando é feita a identificação dos indivíduos responsáveis 
pela verdade encontrada. As respostas que invocam culpabilidade podem 
acarretar responsabilidades diferentes, a depender dos, como sanções, 
ressarcimentos e punições, tudo em conformidade com leis e normas. O quadro 
a seguir define as responsabilidades em três decorrências. 
Quadro 6 – Responsabilidade das irregularidades da gestão administrativa 
Responsabilidade Decorrência Punições 
Criminal Ato ilícito penal São aplicadas ao culpado as sanções da lei penal 
Civil Ato ilícito civil O culpado deve ressarcir ou indenizar aquele que 
sofreu o dano moral 
Administrativa Falta, imprudência 
ou negligência 
Conforme a culpa implicada nos atos da gestão, 
são aplicadas as punições 
Fonte: Magalhães, 2017. 
Assim, sabemos que a perícia e a revisão levam a descobertas e à 
evidenciação de irregularidades administrativas, com aplicação de medidas ou 
sanções, o que leva ao estabelecimento da verdade dos fatos, com definição das 
responsabilidades por autoridade maior ou atribuição de obrigações pecuniárias 
e justiças aos de direito. 
Vejamos agora cada uma das irregularidades administrativas, 
ordenadas por Magalhães (2017). No entanto, é importante ressaltar que existem 
ainda outras situações, não mencionadas, que podem ser inseridas nesse 
conjunto de irregularidades, cada uma com as suas especificidades: 
1) Adulterações, alteração de fatos e coisas com a finalidade de enganar 
outros em interesse próprio. Podendo ser adulteração de mercadorias, 
adicionado ingredientes ou retirando algo afim de diminuir o teor de 
qualidade dos produtos, alterando pesos e medias para ludibriar o 
consumidor, adulterar documentos, títulos de capitalização, créditos ou 
contratos para refletir em condições e valores. Qualquer adulteração que 
resulte na parte interessada um prejuízo, fazendo-a agir de forma 
amistosa, policial ou judicial, com exames perícias ou vistorias técnicas; 
2) Culpas, o indivíduo que comete omissão por negligencia é culpado. 
Podemos separar a culpa, em levíssima: quando não se usava de todos 
os cuidados em fatos especiais; leve: quando há ausência de cuidados 
que deveriam existir para regular alguns atos da vida; grave: quando há 
culpa sem má-fé, o indivíduo que não cuidava das coisas dos outros 
como se fossem suas; e gravíssima: quando há excesso de negligencia 
ao ponto que culmina em má-fé. Em linhas gerais, a culpa causa dano a 
alguém, e faz com que seu autor responda moralmente, seja ineficiente 
e de boa-fé, de direito ao deixar de cumprir uma obrigação explícita ou 
mesmo de má-fé. Assim como a culpabilidade, também há o dano 
ocasionado a um patrimônio podendo ser classificado em perdas leves 
ou graves, próximas ou remotas, diretas ou indiretas. A apuração da 
 
 
11 
culpa fixará a responsabilidade como material ou moral, a perícia dará a 
resposta no sentido dessa indagação; 
3) Erros, diversas irregularidades, em suma o que não está certo, que 
não é real ou verdadeiro está errado. Os erros podem ser considerados 
como voluntários, aqueles que caracterizam faltas, simulações, fraudes, 
crimes, culpas etc. ou involuntários quando há ignorância, boa-fé, falhas 
físicas ou psíquicas. Os erros podem ser classificados como: omissão, 
técnica mal desenvolvida, falsas situações de direito, imprevisão, 
incompreensão, decisões inconvenientes, cálculos inexatos etc. As 
consequências dos erros são sempre maléficos a gestão 
administrativas, quando os erros substanciais não atingem 
materialmente o patrimônio da entidade, os erros formais podem trazer 
efeitos morais e psicológicos com melhora próxima ou remota, direta ou 
indireta. Por isso a revisão contábil permite que os erros sejam 
encontrados e possam ser corrigidos; 
4) Fraudes, o ato de enganar outro em benefício próprio ou burlar a lei 
em benefício próprio. Embora se admita “prova por indícios ou 
circunstancias” a fraude não se presume ela tem que ser provada por 
quem acusa. Na gestão administrativa econômica fraudes são atos 
como adulterações de peso ou medidas, substituição ou subtração de 
mercadorias, furtos, roubo ou desvio de produtos e valores, apropriação 
indébita, cálculos errados, documentos falsificados ou falsos, 
irresponsabilidade em prestação de contas, abuso de poder e funções. 
Fraude leva a falência quando atos praticados em detrimento aos 
interesses dos credores. A fraude contra os fisco, deixar de pagar 
impostos, taxas e contribuições, por meio de sonegação, declarações 
falsas, quaisquer formas de omissão pra escapar das obrigações fiscais. 
A perícia contábil desempenha a função de verificar ou investigar fraudes 
afim de culminar as sanções da lei; 
5) Infrações, ação da administração deve estar de acordo com as 
normas instituídas. Os proprietários devem ter orientação e direção 
pelos administradores, assim como as leis regem a organização e os 
negócios, além das normas e diretrizes organiza as relações entre 
indivíduos e coisas, a ordem social sendo respeitada por meio de regras 
gerais. São tais princípios que a gestão dos negócios devem observar 
para a manutenção da ordem, as infrações são transgressões das 
normas que prejudicam o andamento administrativo. A infração pode ser 
o ato de violar o estatuto da empresa no que tange a posição jurídica 
dos sócios/investidores/associados e mais, podendo ser a inobservância 
de ordens e instruções, ou mesmo burlar ou desobedecer as leis 
impostas pela matéria administrativa, pessoas interessadas ou mesmo 
o poder público, podendo ser uma infração denunciada ou manifestada; 
6) Imperfeições, são evidentes ou ocultas, sempre determináveis por 
suas causas e efeitos. A ação administrativa acontece para atender a 
finalidade patrimonial, praticando atos voltados para esses fins, seus 
colaboradores, administradores e todos que estão à disposição da 
empresa estabelecem uma relação com os negócios desempenhados 
pela mesma. Geralmente as ações administrativas tendem à cautela e à 
proteção dos interesses da entidade, sem desamparar os interesses de 
outros, e por várias causas e fatores divergentes a ação administrativa, 
em suas manifestações pode vir a se contaminar com imperfeições, 
conscientes ou inconscientes, que distorcem a normalidade da 
realização dos negócios. São imperfeiçoes administrativas o acúmulo de 
funções desencontradas e reverencia a parentes próximos, ações que 
afetam a integridade patrimonial própria e de terceiros; 
7) Negligencias, para se alcançar os fins eleitos e não haver desordem 
na ação executiva, ou falhas nas operações patrimoniais,a 
administração deve zelar pela ordem e proteção dos atos e fatos da 
gestão. No entanto acontecem falhas humanas, sejam físicas ou 
psíquica, ausências de proteção e zelo com influência nos atos e fatos 
causadores do dano. Tais falhas debilitam a eficiência das ações 
resultando em imperfeições ou falta que desfavorecem a integridade da 
entidade. A negligência tem efeito imediato ou remoto, os quais exigem 
 
 
12 
apuração das causas e reconhecimento dos culpados. A negligência 
pode ser consciente, quando à responsabilidade dos causadores, é 
inconsciente ou ocasionados pela displicência quando tem fatores 
físicos ou psíquicos envolvidos; 
8) Responsabilidades, em ação administrativa a responsabilidade 
corresponde aquele que guarda pela boa conservação dos atos e fatos 
dentro de uma organização, preza pelo litigio, conserva os bens 
patrimoniais, trata da execução dos atos como se fosse o real 
proprietário. E com a falta dessas obrigações o resultado é uma perda 
material para o agente, podendo ser atribuído a responsabilidade civil, 
ressarcindo o dano causado a outros, por omissão ou ação ilícita, 
mesmo que direta ou indiretamente. Cada ação de irresponsabilidade 
responde a uma medida de punição, cabe ao perito no ato da sua 
investigação apresentar os limites da obrigação monetária, justificá-la e 
comprovar todos os pontos de observação; 
9) Simulações, consiste em mostrar os atos ou negócios de forma 
regular em determinado ponto, no entanto, a realidade das ações são 
simulados, contradizendo as normas jurídicas e a ética. A simulação são 
artifícios utilizados para encobrir irregularidades, podendo ser 
simulações denunciadas ou descobertas sendo necessário investigação 
extensa e profunda na congruência dos sinais, não se deixando levar por 
aparências inventadas, sendo a simulação premeditada, com 
características inerentes que buscam dificultar a averiguação dos 
profissionais de perícia. Normalmente o interesse monetário nos 
negócios, fazem com que obtenha sagacidade, engenho e ardis para 
enganar outros em benefícios próprio. Alguns exemplos de simulação 
são: credores inexistentes, títulos de favor, reservas ocultas, perdas 
inexistentes, operações fictícias, valores irregulares no saldo de caixa, 
dividas fantásticas, despensas irreais, e muito mais. A simulação 
também pode ser descoberta no ato de atrasar negócios ou protelações 
na execução de obrigações. 
3.2 Irregularidades contábeis 
Assim como acontece com as irregularidades administrativas, as contábeis 
aparecem lado a lado com as falhas da organização, podendo causar prejuízos 
em pequenas e grandes proporções, comprometendo a estabilidade da entidade 
e até a reputação moral e ética do administrador. A contabilidade entra com o 
papel importante de averiguar e contatar a conformidade administrativa. No 
entanto, falhas administrativas resultam em irregularidades contábeis 
(Magalhães, 2017). 
Magalhães (2017) ainda considera que os gestores das organizações 
confiam nos serviços desenvolvidos pela contabilidade, colocando em ordem os 
aspectos administrativos e técnicos, até o limite de suas atribuições específicas, 
de forma direta. Afinal, sabemos que a contabilidade é a representação dos fatos 
empresariais. 
Neste contexto, seja por incapacidade ou conhecimento, imprudência ou 
confiança, o profissional contábil comete irregularidades, que variam conforme a 
causa e os danos resultam em culpa, a exemplo de advertência, multa, suspensão 
e cassação, de acordo com o Decreto-lei n. 9.295/46, que criou o CFC e 
 
 
13 
regulamentou a profissão contábil. Vale ressaltar que o art. 27 dá nova redação 
ao decreto, por meio da Lei n. 12.249/2010, que traz as descrições para multas 
(alíneas a, b, c), suspensão (alíneas d, e), cassação (alínea f) e advertência 
(alínea g). 
Vejamos agora as irregularidades contábeis citadas por Magalhães 
(2017), enfatizando o olhar profissional para as falhas administrativas: 
1) Adulterações, elencadas não somente adulterações que alteram a 
escrituração em alguma parte, mas também alterações em ementas, 
eliminação de partes ou aumento de escritas em registros etc. Quando 
as escriturações possuem indícios de alterações antigas, pode ser 
consideradas uma escrituração pervertida, com proposito de falsificação. 
As adulterações podem ser encontradas em contas, datas, peças 
contábeis criadas, quantias, históricos, livros contábeis, inventários, 
balanços, resultados financeiros e econômicos, além de relatórios e mais 
peças. Pode-se descobrir as adulterações por meio de observações, 
representações gráficas, raciocínio logico, confronto de informações, 
escriturações e documentos, sendo que tudo deverá ser comprovado 
com exames profissionais, com vestígios materiais que podem ser 
encontrados, como: substituição de folhas, rasuras, borrões, emendas, 
erros de soma e cálculos, espaços em branco, páginas faltando, 
raspagem, escritas à margem, ocultações ou duplicidades de livros, e 
omissões de palavras, saltos de linhas ou entrelinhas, etc.; 
2) Culpas profissionais, As imperfeições técnicas, a execução da 
contabilidade, erros técnicos e de escrituração, negligencia profissionais 
todos resultam em culpa profissional, causando direta ou indiretamente, 
prejuízos materiais e morais divergentes ao objetivo do patrimônio ou 
mesmo de terceiros envolvidos em negócios comerciais. Podemos citar 
algumas situações que levam a culpa profissional: um inventário de 
valores ou mercadorias, um levantamento de caixa com resultados 
inconsistentes podem trazer prejuízos; saldo de contas de terceiros que 
não correspondem à realidade das operações ou liquidações; registro 
errôneo, deixar de satisfazer as obrigações no dia de seu vencimento, 
tudo que é contrário ao correto traz inconvenientes para a gestão, 
informações erradas da contabilidade podem levar uma entidade a 
falência, infrações à legislação, ações imperfeitas importam culpa, 
quando executadas pela contabilidade, resultam prejuízo, devendo 
responder material ou moralmente pelos danos causados; 
3) Erros técnicos e de escrituração, os erros podem ser considerado 
como: substancial quando refere-se à natureza, quando se organiza 
livros com defeitos de função, impropriedades ou mesmo quando se 
considera ou classifica fatos de modo que não reflitam a verdade ou 
realidade; e formal no que refere-se ao desempenho, características das 
coisas, ou seja, representação gráfica defeituosa ou corrompida dos 
fatos. É importante ressaltar que todos os erros são inconsciente, por 
isso quando analisado e comprovado como simulação, fraude ou 
adulteração passa a ser considerado intencional; 
4) Fraudes, as fraudes na área contábil são motivadas pelo interesse 
próprio, com danos a terceiros. Neste ponto surge as falsificações, os 
lançamentos fraudulentos, classificações erradas de receita e despesa, 
duplicidades em saídas dinheiro ou omissão na entrada, até mesmo 
qualquer falsidade escrita que quando aplicada implica ação criminosa. 
O rigor matemático no processo de análise é notório, a contabilidade 
reflete os fatos reais e os meios informáticos, tecnológicos e analíticos 
corroboram no exame das provas. A existência de fraudes pode ser 
revelada em lançamentos que não espelham documentos ou mesmo 
comprovantes, lançamentos falsos que não se apoiam em operações 
 
 
14 
reais, por fim, todas as fraudes/erros que provem irregularidade instintiva 
de escrita, com intenção de enganar; 
5) Infrações, quando não há cumprimento de uma determinação 
administrativa, legal, ou mesmo cumprir em partes, com distorção ou 
alteração, além de desconsiderar normas ou conceitos a serem 
observados pela contabilidade. A não observância das formalidades 
descritas pela legislação societária ou código comercial é uma 
transgressão que invalida dos preceitos contábeis; 
6) Imperfeições, os trabalhos da área contábil devem obedecer os planos 
desenvolvidos e sua execução deveatender as normas vigentes. Mas 
uma vez que os planos estejam incompletos, normas incapazes ou 
inadequadas, causaram imperfeições, como desordem ou atraso nas 
escriturações, falta de evidências que justifique outras, repetição 
desordenadas como estornos, etc.; 
7) Negligências profissionais, todo profissional de contabilidade tenha a 
responsabilidade pela ordem na entidade, deve manter em organizado a 
escrituração, é uma obrigação moral seguir os preceitos da profissão. 
Caso contrário, a má conservação de livros, má apresentação de 
trabalhos e confecção de relatórios ou demonstrativos, ausência de 
verificações, acumulo de trabalhos para escriturar, qualquer ato que 
resulte em negligencia profissional deve ser apurado e examinado com 
a devida importância. Sendo que as imperfeições ou mesmo as 
omissões de lançamentos por negligencia, confundem os trabalhos de 
revisão e exames da perícia, podendo comprometer a situação da 
entidade e do administrador; 
8) Responsabilidades profissionais, mesmo que as falhas e culpas 
profissional sejam involuntárias, ou intencionais causando prejuízos por 
meio da fraude ou dolo, os responsável assumem os danos e pagam as 
consequências, com a perda da colocação profissional, ressarcimento 
do prejuízo ou mesmo ação criminal. Sendo assim o contador tem a 
responsabilidade profissional pelas ações e fundamentos irregulares que 
for praticado por ele, desde a culpa até a punição. Do mesmo modo 
citado nas irregularidade administrativas, podemos consultar as 
aplicações da responsabilidade profissional por culpa no Decreto-lei nº 
9.295/46 e a nova redação na Lei nº 12.249/2010, alíneas a, b, c, d, e, f 
e g.; 
9) Simulações, é caracterizada quando coisas e fatos administrativos 
não refletem a verdade, quando o profissional responsável contraria os 
conceitos e normas, com situações irreais ou irregulares. Podemos 
mencionar, as simulações de distribuição indevida, resultados falsos 
como déficit ou superávit, operações divergentes de débito ou crédito, 
despesas ou prejuízos, receitas ou lucros, dentre outras situações. 
Como vimos anteriormente, a necessidade de realização de uma perícia 
vem da verdade sobre as coisas, considerando os fatos administrativos 
apresentados pela contabilidade. Porém, são as irregularidades que mostram as 
ações que é preciso observar e a verdade que será revelada no desenvolvimento 
do exame pericial. 
Saiba mais 
Donald Ray Cressey realizou um estudo, nos anos 50, sobre a perda de 
confiança em pessoas com alto grau de responsabilidade em uma entidade, 
depois de entrevistas com fraudadores, a partir dos quais passou a conhecer os 
seus motivos. Em 1953, com a publicação de um livro, disseminou teoria do 
triângulo de fraudes. Essa tese está focada na ocorrência de fraudes, o que 
 
 
15 
segundo o autor está ligado à existência conjunta de três dimensões: pressão, 
oportunidade e racionalização. Para saber mais, procure pelo livro Other people’s 
money: a study of the social psychology of embezzlement. 
TEMA 4 – NICHOS DE MERCADO DO PERITO 
O termo perícia vem do latim peritia, que significa “conhecimento adquirido 
pela experiência”, tendo como palavras relacionadas: ciência, experiência, 
habilidade, sabedoria, prática ou arte. Podemos dizer que a perícia é um trabalho 
profissional realizado por um indivíduo que apresenta habilidades específicas e 
conhecimento especial em algum assunto, ou seja, um especialista (Lopes, 2018; 
Sá, 2019). 
O mercado da contabilidade e o mundo dos negócios têm se mostrado cada 
vez mais competitivos, tecnológicos e ativos. Nada diferente do mercado da 
perícia contábil, que exige que os profissionais sejam cada vez mais intrépidos, 
com habilidades diferentes, pensamentos inovadores, sempre alinhados com 
novas tecnologias e competências (Bueno; Franco, 2021). Essas particularidades 
da especialidade do profissional definem os nichos de mercado para os peritos. 
Tais segmentos consideram necessidades que vão ao encontro da experiência e 
da reputação. São muitas as oportunidades de atuação de um profissional perito, 
conforme exemplifica o quadro a seguir. 
Quadro 7 – Perito: possibilidades de serviços 
Exames periciais complementares e suplementares 
Laudo de perito nomeado por Juiz ou árbitro 
Parecer sobre laudo de outro perito 
Serviços de análises preliminares 
Notas técnicas de clarificação 
Avaliações de conformidade 
Testemunho técnico 
Junta de peritos 
Júri técnico 
Fonte: Hoog, 2012. 
A nomeação de um perito pela autoridade do juiz será acordada conforme 
as especialidades do perito. Por exemplo, conhecimento ligado a áreas 
trabalhistas, comercial, contábil e tributária. Um dos maiores contratempos 
 
 
16 
enfrentados pelos peritos está na adaptação às novas tecnologias, considerando 
a adoção do Processo Judicial Eletrônico, que fez com que os trabalhos de 
resolução de litígios passassem a ser executados e apresentados por meio 
eletrônico, o que exigiu diversas adaptações do profissional (Bueno; Franco, 
2021). 
Os nichos de mercado do perito variam conforme o seu portfólio de 
conhecimento e a sua conduta profissional. Grandes possibilidades podem ser 
demandadas por um seleto grupo de pessoas com diferentes interesses 
econômicos, financeiros e contábeis, com prioridades específicas e notórias para 
o desenvolvimento da prestação de serviços (Hoog, 2012). 
Sabemos que o mercado de trabalho para o perito é muito lucrativo. No 
entanto, é menos explorado do que poderia. Isso acontece por conta dos desafios 
que precisam ser enfrentados para que a perícia se torne uma fonte de renda 
única. 
Podemos nos perguntar: “Quais são os desafios presentes na perícia 
contábil? O que o perito pode fazer para que esteja pronto para enfrentar esses 
desafios? São perguntas pertinentes, pois os desafios surgem no 
desenvolvimento da atividade, de modo que é preciso estar preparado para 
solucionar conflitos, pois essa atitude diferencia o profissional. Quando um perito 
se especializa em algo, ele expande o seu nicho de mercado, o seu portfólio 
profissional (Hoog, 2012). 
Hoog (2012) relata fatores que compõem o nicho de mercado, para além 
da especialização: 
• Qualidade do serviço: baixos, moderado, alto, estratégia e agilidade em 
resolução de conflitos; 
• Marketing profissional: publicações, educação continuada, infraestrutura, 
etiqueta profissional; 
• Área geográfica: cidades, estados ou países aptos para a atuação; 
• Preço: alto, moderado, baixo, descontos e formas de pagamento; 
• Garantia: conhecimento científico, autonomia, confiabilidade, 
independência de juízo, lealdade contatada. 
A NBC PP 01 (R1), de 2020, determina que o profissional deve se atentar 
às seguintes responsabilidades: 
 
 
17 
• Reconhecer obrigatoriedade ética e de direito, lealdade, honestidade, 
idoneidade na resolução de suas atividades, com ciência das penalidades 
e sanções; 
• Responsabilidades sociais, éticas, profissionais e legais presentes no 
ato de aceitação do trabalho solicitado pelo juiz; 
• Garantir imparcialidade no desenvolvimento de suas atribuições, além de 
igualdade de tratamento entre as partes, principalmente entre os peritos-
assistentes. 
Para finalizar esta seção, todo profissional precisa estabelecer, de acordo 
com suas habilidades, o seu nicho de mercado. Além disso, por meio do Programa 
de Educação Continuada e de literaturas relacionadas à especialização, ele deve 
se aperfeiçoar. 
Saiba mais 
Muitos profissionais de contabilidade se perguntam sobre o mercado de 
trabalho de perícia, expressando receio quanto à área e muitas vezes não 
encontrando oportunidades de trabalho. O juiz arbitral, perito grafotécnico e 
professor Gleibe Pretti, em seu canal Jus Expert, destaca a importância de confiar 
no seu trabalho e de não sentir medo. O perito não deve ter receio da quantidade 
de pessoas que encontra na mesma profissão, poisse o profissional se dedica e 
dá o melhor de si, logo as portas se abrem. Saiba mais: COMO É o mercado de 
trabalho para o perito judicial? Jus Expert, 2022. Disponível em: 
. Acesso em: 16 fev. 2023. 
TEMA 5 – PANORAMA PROFISSIONAL DE EXCLUSIVIDADE NO BRASIL 
Nesta etapa, desenvolvemos conceitos fundamentais, considerando a 
finalidade de uma perícia, a busca social pela verdade dos fatos administrativos, 
as irregularidades administrativas e contábeis que justificam a perícia, além do 
nicho de mercado da área. 
Considerando esse contexto, vamos analisar o artigo publicado por 
Miranda et al. (2020), que trabalha o tema da exclusividade profissional. O objetivo 
dessa pesquisa é apresentar um panorama da atividade profissional do perito no 
Brasil. 
É importante destacar as especificidades apresentadas por essa pesquisa, 
que utilizou o banco de dados do Cadastro Nacional de Peritos Contábil (CNPC). 
 
 
18 
O levantamento desenvolvido encontrou 556 peritos em todas as regiões do país. 
Os autores utilizaram um enfoque quali-quanti, por meio de análise descritiva dos 
dados e uma análise das diferenças significativas na avaliação de variáveis não 
paramétricas. A pesquisa foi respondida de dezembro de 2019 a janeiro de 2020, 
com três ondas de envios por e-mail e questionários desenvolvidos pelo sistema 
Lime Survey. 
5.1 Noções preliminares 
Primeiramente, ficou evidente que os homens são maiorias: 72,5% da 
amostra, somando 403 peritos, com faixa etária média de 47 anos e 11,5 anos de 
experiência média na área. O perito contábil costuma atuar individualmente na 
maior parte das vezes, principalmente na esfera judicial, com maior concentração 
nas áreas financeira, contábil e trabalhista. 
A exclusividade é o ponto de destaque desta seção. Antes, vale ressaltar a 
autonomia profissional. Em sua maioria, os pesquisados atuam como profissional 
autônomo no cadastro de peritos: 74,6% exercem atividade como pessoa física e 
11,5% como pessoa jurídica. Podemos observar que 86,1% são autônomos e que 
13,9% dos profissionais estão distribuídos entre funcionários de escritórios de 
perícia ou advocacia, sócios de escritórios de perícia e servidores públicos, como 
controladores e departamentos de polícia. 
A declaração dos profissionais mostrou, em janeiro de 2020, que mais da 
metade (53,6%) dos pesquisados não tem a perícia como sua atividade principal. 
Essa população justificativa esse fato por sua insatisfação com a remuneração da 
área. 
Figura 1 – Percentual de rendimentos da perícia versus exclusividade profissional 
 
Fonte: Miranda et al., 2020. 
 
53,6% dos rendimentos
21,9% dos rendimentos
24,5% dos rendimentos
Até 30% (baixa exclusividade)
De 31% a 70% (média exclusividade)
Acima de 70% (alta exclusividade)
53,6% dos rendimentos 
 
 
 
19 
5.2 Soluções levantadas sobre a exclusividade em perícia 
Os peritos pesquisados que se dedicam a essa função exclusivamente 
somam apenas 24,5% da amostra, o que nos leva a perguntar: Por que 
encontramos adesão tão baixa aos serviços periciais entre os profissionais 
registrados? Os profissionais pesquisados listam diversos problemas enfrentados 
no desenvolvimento da função, como falta de apoio dos conselhos de classe com 
aplicações e defesas de atividade; dificuldade de entendimento nos processos de 
nomeação de peritos; além de outras adversidades que não foram sanadas com 
a introdução do CNPC. Assim, podemos supor que, se os órgãos responsáveis 
pela normatização, fiscalização, regulação, além de outras entidades vinculadas, 
atuarem em busca da solução dos problemas levantados, certamente teremos 
uma melhor aderência profissional de novos peritos no CNPC. 
5.3 Resultados 
De modo geral, os peritos concordam que a atividade de perícia é pouco 
considerada nas universidades. Por conta disso, os acadêmicos finalizam o curso 
de graduação sabendo pouco sobre o assunto. Contudo, admite-se que a perícia 
é valorizada na sociedade. Assim, aqueles que priorizam a profissão acreditam 
cada dia mais que verão melhorias na área, considerando que as novas 
tecnologias alteram as perspectivas de trabalho, aumentando a satisfação aos 
trabalhadores da perícia. Os resultados evidenciados no artigo, tendo em vista a 
responsabilidade atribuída ao perito contábil, nos levam a refletir sobre a 
fragilidade do fio que liga o perito à sua atividade profissional. 
Reflita sobre a questão da exclusividade. Avalie se concorda com os 
achados de Miranda et al. (2020) e pondere as suas expectativas para a atividade 
profissional de perícia contábil, levantando questionamentos sobre a atribuição de 
responsabilidades e a fixação de remuneração dos dias atuais. 
 
 
 
20 
REFERÊNCIAS 
BUENO, A. de M.; FRANCO, C. C. da S. A carreira e os desafios para se tornar 
um Perito-Contador. Revista Núcleo do Conhecimento, v. 1, p. 173-186, 2021. 
Disponível em: . Acesso em: 16 fev. 2023. 
CFC – Conselho Federal de Contabilidade. NBC PP 01 (R1), de 19 de março de 
2020. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 mar. 2020. 
CFC – Conselho Federal de Contabilidade. Resolução CFC n. 1.328, de 22 de 
março de 2011. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 mar. 2011. 
HOOG, W. A. Z. Prova pericial contábil: Aspectos práticos e fundamentais. 10. 
ed. Curitiba: Juruá, 2012. 
LOPES, A. C. T. Perícia contábil sem enrolação. São Paulo: Editora Biblioteca 
24 horas, 2018. 
MAGALHÃES, A. de D. F. Perícia contábil. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017. 
MIRANDA, J. et. al. Perícia Contábil: Um panorama de seus profissionais e de 
suas atividades no Brasil. In. CONGRESSO INTERNACIONAL DE 
CONTABILIDADE DA USP, 20, 2020, São Paulo. Anais... São Paulo, 2020. 
Disponível em: 
. 
Acesso em: 16 fev. 2023. 
SÁ, A. L. de. Perícia contábil. 11 ed. São Paulo: Atlas, 2019. 
_____. Teoria da contabilidade. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

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