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CONSTRUÇÕES INTELIGENTES E 
SUSTENTÁVEIS
2
Paloma Regina Bueno dos Santos
São Paulo
Platos Soluções Educacionais S.A 
2022
CONSTRUÇÕES INTELIGENTES E SUSTENTÁVEIS
1ª edição
3
2022
Platos Soluções Educacionais S.A
Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César
CEP: 01418-002— São Paulo — SP
Homepage: https://www.platosedu.com.br/
Head de Platos Soluções Educacionais S.A
Silvia Rodrigues Cima Bizatto
Conselho Acadêmico
Alessandra Cristina Fahl
Ana Carolina Gulelmo Staut
Camila Turchetti Bacan Gabiatti
Camila Braga de Oliveira Higa
Giani Vendramel de Oliveira
Gislaine Denisale Ferreira
Henrique Salustiano Silva
Mariana Gerardi Mello
Nirse Ruscheinsky Breternitz
Priscila Pereira Silva
Coordenador
Mariana Gerardi Mello
Revisor
Cristiane Higueras Simó
Editorial
Beatriz Meloni Montefusco
Carolina Yaly
Márcia Regina Silva
Paola Andressa Machado Leal
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ 
Santos, Paloma Regina Bueno dos
Construções inteligentes e sustentáveis / Paloma 
Regina Bueno dos Santos. – São Paulo: Platos Soluções 
Educacionais S.A., 2022.
32 p.
ISBN 978-65-5356-414-5
1. Construções sustentáveis. 2. Habitação 
autossuficiente. 3. Cidades inteligentes. I. Título.
CDD 624.1 
_____________________________________________________________________________ 
Evelyn Moraes – CRB 010289/O
S237c 
© 2022 por Platos Soluções Educacionais S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou 
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo 
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de 
informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A.
4
SUMÁRIO
Apresentação da disciplina __________________________________ 05
Introdução às smart cities ___________________________________ 06
Sustentabilidade e soluções em cidades inteligentes ________ 17
Os desafios para a construção de cidades inteligentes _______ 27
Habitação autossuficiente e seus sistemas alternativos ______ 37
CONSTRUÇÕES INTELIGENTES E SUSTENTÁVEIS
5
Apresentação da disciplina
Na atualidade em que vivemos, o uso da tecnologia está atrelado a 
praticamente todos os fatores da vida humana, não sendo diferente 
no meio da construção. Dessa forma, esta disciplina tem o propósito 
de abordar conceitos e caracterizar temas como smart cities, 
sustentabilidade nas cidades, os desafios de incorporar essas temáticas 
no planejamento e a habitação autossuficiente.
Vamos trabalhar juntos diversos conceitos e problemáticas, a fim de 
contextualizar e entender os desafios que as cidades inteligentes e 
sustentáveis têm para serem implantadas no Brasil, além da importância 
do uso da tecnologia como aliada para combater os impactos 
ambientais. Durante a disciplina, veremos questões práticas, com 
situações-problema reais para gerarmos uma reflexão sobre o tema e 
fixarmos os conceitos aprendidos.
Assim, conheceremos mais sobre essa temática que tem ganhado cada 
vez mais pauta de discussão e que usa a tecnologia como ferramenta 
para transformar nossas cidades em cidades mais sustentáveis e 
inteligentes.
Bons estudos!
6
Introdução às smart cities
Autoria: Paloma Regina Bueno dos Santos
Leitura crítica: Cristiane Higueras Simó
Objetivos
• Conhecer os conceitos e definições acerca de smart 
cities, assim como as aplicações de suas tecnologias.
• Compreender as motivações da implantação de 
cidades inteligentes.
• Analisar e compreender o mercado das smart cities e 
alguns de seus principais focos de aplicação.
7
1. Introdução
Atualmente quando se ouve o termo smart (inteligente) é difícil 
identificar um único objeto ligado diretamente a esse termo, pois 
afinal, tudo hoje é smart, desde equipamentos, eletroeletrônicos, 
eletrodomésticos, móveis, acessórios, enfim, até nossa casa pode ser 
smart!
O significado da palavra inteligente no dicionário Michaelis (2022, 
[s.p.]), refere-se à “habilidade de aproveitar a eficácia de uma situação e 
utilizá-la na prática de outra atividade” e ainda “capacidade de resolver 
situações novas com rapidez e êxito, adaptando-se a elas por meio do 
conhecimento adquirido”. Na atualidade, contribuir com as facilidades 
do dia a dia seja no trabalho ou em qualquer aspecto social, possibilita 
com que um equipamento seja caracterizado, por exemplo, como 
inteligente, pois permite facilidades no seu manuseio e contribui para 
uma melhor qualidade de vida.
Geralmente o termo smart é relacionado a conceitos positivos, 
“inteligentes” “sustentáveis” “engenhosos”, entre diversos outros, que 
nos remetem a propostas assertivas, que asseguram uma melhor 
funcionalidade, sem desperdícios e com reaproveitamento máximo. 
Como esses conceitos são desenvolvidos no âmbito das cidades? Vamos 
descobrir!
1.1 O que são as smart cities?
Como a maior parte de coisas intituladas smarts, as smart cities não 
podem ser categorizadas com apenas uma definição, segundo Morozov 
e Bria (2019):
[...] O que para alguns se refere em essência ao uso sensato e 
ecologicamente sustentável dos recursos da cidade, para outros significa 
8
a instalação de dispositivos inteligentes e interativos que prometem uma 
experiência urbana livre de inconveniências e ajudam a tornar as cidades 
ambientes ainda mais atraentes para o que tietes das cidades como 
Richard Florida chamam de “classe criativa” [...]. (MOROZOV; BRIA, 2019, p. 
15)
De uma maneira ou de outra, a proposta das cidades inteligentes é 
melhorar a qualidade de vida da população, com um planejamento 
e gestão urbana adequados, e com o uso da tecnologia e de todas as 
inovações atuais, que traga não somente uma melhoria espacial, mas, 
também, que envolva uma diminuição do consumo de recursos naturais, 
reaproveitamento e descarte mínimo de insumos, além de outros tantos 
fatores que constroem uma cidade mais sustentável.
A figura a seguir (Figura 1) representa a tecnologia aliada ao 
desenvolvimento das cidades.
Figura 1 – Smart Cities
Fonte: Shutterstock.com.
As smarts cities surgem de uma aliança público-privada, com empresas 
que tem o interesse de implementar seus produtos nas cidades. E aqui 
9
há um ponto crucial: além de muitos pontos positivos, é importante 
mencionar que as cidades inteligentes foram alvo, também, de muitas 
críticas.
As críticas tinham como fundamento a visão utópica criada para 
solucionar os problemas das cidades, não havendo conexão com os 
problemas reais, de fato, atrelados às cidades. Além de uma crítica 
dura, a obsessão pelo controle e vigilância, em que não só não prioriza 
os cidadãos durante o desenvolvimento, mas sim as corporações e a 
iniciativa privada.
Figura 2 – Vigilância das smart cities
Fonte: Shutterstock.com.
Com base no que será discutido nesse material, e segundo Morozov 
(2019), podemos definir que o termo smart se refere a toda e qualquer 
tecnologia avançada implementada em cidades com o intuito de 
otimizar o uso de seus recursos, transformar o comportamento e 
hábito dos usuários, produzir novas riquezas ou prometer novos tipos 
de ganho no que se refere, por exemplo, à flexibilidade, segurança e 
sustentabilidade.
10
1.2 Motivações para implantação de uma cidade 
inteligente
Para entender o surgimento das cidades inteligentes, é necessário 
entender a forma como as cidades podem se reinventar, se transformar. 
A cidade pode ser vista como um reflexo de seu povo, conforme o tempo 
avança, vamos evoluindo enquanto sociedade, com novos hábitos, 
novos ideais, novas formas de pensar e agir, a vida se transforma, evolui, 
e as cidades acompanham a sua população nesse processo.
E é com base nessas mudanças que se transformam também os 
problemas de uma cidade. Logo, é importante para o planejamento da 
ação entender qual é a dinâmica desse espaço para com as pessoas 
que habitam e transitam diariamenteem suas ruas, fazendo com que, 
assim, seja possível extrair um diagnóstico, a fim de traçar as diretrizes 
e soluções. Podemos dizer, então, que as motivações para o surgimento 
do conceito de smart cities vem não somente na etapa de soluções e 
diretrizes, mas, também, na etapa de diagnóstico.
A esfera da sustentabilidade e meio ambiente, nesse quesito da 
motivação, é forte, como explicam Morozov e Bria (2019):
[...] Os muitos predecessores que, em detrimento da dimensão 
tecnológica, enfatizaram a dimensão ecológica do caráter smart – a cidade 
verde, a cidade eco-friendly, a cidade sustentável, a cidade carbono-
zero –, também são raramente evocados, mesmo que a necessidade de 
corte das emissões de poluentes e dos custos de energia tenha sido o 
principal motor a levar as cidades a experimentar tecnologias inteligentes 
e continue a ser o fator responsável por humanizar a pauta da smart city 
corporativa [...]. (MOROZOV, 2019, p. 26)
Levando em conta a perspectiva da cidade, pode-se entender as 
motivações que levaram à escolha de soluções da smart cities, e elas são 
classificadas, de forma geral, em duas: normativas e pragmáticas.
11
As normativas se referem a esforços de longo prazo, levando em conta 
tecnologias capazes de atingir metas políticas, como criar ambientes 
mais agradáveis e inclusivos, com menos discriminação e que sejam 
capazes de aumentar o desenvolvimento econômico.
Já as pragmáticas, há uma variedade muito grande dos objetivos, que 
vão mudar de cidade para cidade. Por exemplo, em uma cidade que 
deseja reforçar a segurança e policiamento, particularmente em época 
de Copa do Mundo, e opta pelo uso e implantação das câmeras smart. 
Nota-se que há uma situação pontual para ser implantada.
Um exemplo interessante do uso inteligente da tecnologia foi na cidade 
de Rotterdã (Holanda), em que foi implantado um sensor semafórico 
para as bicicletas, um dos meios de transporte mais utilizados. Com isso, 
assim que os sensores ficam molhados, eles começam a priorizar os 
ciclistas, diminuindo o tempo médio de espera em 40 segundos.
As figuras 3 e 4 a seguir exemplificam o sensor de Rotterdã (Holanda).
Figura 3 – Sensores de chuva
Fonte: https://www.hypeness.com.br/2016/03/semaforos-inteligentes-priorizam-ciclistas-
em-dias-de-chuva/. Acesso em: 28 set. 2022
https://www.hypeness.com.br/2016/03/semaforos-inteligentes-priorizam-ciclistas-em-dias-de-chuva/
https://www.hypeness.com.br/2016/03/semaforos-inteligentes-priorizam-ciclistas-em-dias-de-chuva/
12
Figura 4 – Sensor molhado
Fonte: https://www.hypeness.com.br/2016/03/semaforos-inteligentes-priorizam-ciclistas-
em-dias-de-chuva/. Acesso em: 28 set. 2022.
1.3 O mercado das smart cities
O conceito de cidade inteligente precisa ser contextualizado no cenário 
em que se encontra. Por exemplo, analisar e avaliar as condições 
específicas de cada país, afinal, estes representam grandes diferenças 
em relação ao desenvolvimento e até mesmo as suas necessidades.
O Brasil, um país em desenvolvimento, apresenta necessidades 
particulares relacionadas à avaliação de sua infraestrutura urbana em 
suas cidades, por exemplo, o que já não ocorre nas cidades de países 
desenvolvidos, que já possuem uma infraestrutura mais consolidada e 
funcional.
A partir disso, existem alguns fatores importantes atrelados ao conceito 
de cidade inteligente, e um deles são as Tecnologias da Informação e 
Comunicação (TIC). Segundo Neto (2018):
[...] a criação de uma infraestrutura de TIC capaz de suportar o tráfego 
de informações provenientes de diferentes fontes e de suportar cidades 
https://www.hypeness.com.br/2016/03/semaforos-inteligentes-priorizam-ciclistas-em-dias-de-chuva/
https://www.hypeness.com.br/2016/03/semaforos-inteligentes-priorizam-ciclistas-em-dias-de-chuva/
13
inteligentes que se esforçam pela construção inteligente aliada a 
sustentabilidade é um dos grandes desafios a ser percorrido. (NETO, 2018, 
p. 26)
Para essa infraestrutura, a TIC a ser implantada deve abranger alguns 
pontos, tais como:
a. Internet das Coisas.
b. Segurança de dados.
c. Redes de sensores.
d. Tecnologia de informação e comunicação.
e. Banda larga móvel.
Muitas empresas têm se adiantado nesse aspecto. Vamos tratar, agora, 
sobre algumas multinacionais que estão moldando o mercado desse 
seguimento.
1.3.1 Siemens
A Siemens trabalha com plataformas de manutenção prediais, 
desenvolvendo sistemas de transformação de inteligência integrada 
a infraestruturas, ou seja, sistemas automatizados que integram 
proteção contra incêndios, automação predial, ventilação, aquecimento, 
segurança, condicionamento de ar, além de administração de energia 
(MOROZOV; BRIA, 2019).
14
Figura 5 – Siemens
Fonte: Shutterstock.com. 
1.3.2 IBM
A IBM oferece soluções para a segurança pública e policiamento, com 
base na tecnologia de centros de operação inteligentes, que combatem 
o crime em tempo real. Por exemplo, como descreve Morozov (2019):
[...] Em Atlanta e em Chicago, por exemplo, a IBM usa tecnologias 
de reconhecimento facial, de monitoramento avançado por vídeo e 
de vigilância ostensiva para fornecer informações precisas à polícia, 
permitindo que as autoridades detectem padrões na prática de crimes 
com base na análise de Big Data [...]. (MOROZOV, 2019, p. 31)
1.3.3 Cisco
A Cisco tem como solução a integração de dados de diversos tipos 
diferentes de sensores, a fim de administrar esses dados em prol de 
serviços urbanos. Esses serviços urbanos podem aparecer nas mais 
diversas categorias, como energia, e-governo e logística. Promove, 
15
também, plataformas mais recentes da “Internet de todas as coisas”, que 
se baseia no conceito de que todos os dispositivos ou equipamentos do 
mundo, em algum dado momento, serão conectados.
Figura 6 – Cisco
Fonte: Shutterstock.com.
1.3.4 Phillips
A Phillips também pode ser citada como uma empresa que vem 
crescendo muito no ramo de smart cities com a iluminação em LED 
conectada. Apresenta sistemas de controle inteligente da iluminação 
voltados à segurança e proteção nos espaços públicos. Já dentro das 
residências e edifícios, traz a promessa de eficiência energética, além da 
diminuição de gastos com manutenção.
Pode-se concluir que, de forma geral, a tecnologia está muito presente 
na vida da sociedade, e cada vez mais fará parte de sua essência, seja 
em seus smartphones, computadores, em suas casas, ou até mesmo em 
suas cidades.
16
Referências
CORTESE, Tatiana T. P.; KNIESS, Cláudia T.; MACCARI, Emerson A. Cidades 
Inteligentes e Sustentáveis. São Paulo: Manole, 2017.
LEITE, Carlos; AWAD, Juliana di C. Cidades Sustentáveis: Cidades inteligentes – 
Desenvolvimento sustentável num planeta urbano. Porto Alegre: Bookman, 2012.
MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Inteligência. [s.p.]. 
Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/busca?id=PqO2A. Acesso em: 9 nov. 
2022.
MOROZOV, Evgeny; BRIA, Francesca. A cidades inteligente – Tecnologias urbanas 
e democracia. São Paulo: Ubu Editora, 2019.
NETO, Vicente S. Cidades inteligentes: Guia para construção de centros urbanos 
eficientes e sustentáveis. São Paulo: Editora Érica, 2018.
https://michaelis.uol.com.br/busca?id=PqO2A
17
Sustentabilidade e soluções em 
cidades inteligentes
Autoria: Paloma Regina Bueno dos Santos
Leitura crítica: Cristiane Higueras Simó
Objetivos
• Conhecer os conceitos e definições sobre o termo 
sustentabilidade, e suas aplicações dentro das 
cidades.
• Compreender o formato da cidade sustentável e 
inteligente.
• Analisar e compreender quais as soluções 
empregadas, com exemplos de soluções reais.
18
1. Introdução
Neste tema será trabalhado o conceito de sustentabilidade que, 
literalmente, tem a ver com a capacidade de sustentação de um sistema. 
A sustentabilidade tem um vasto panorama de aplicação, sendo o 
foco aqui, trabalhar principalmente a aplicação desta na construção e 
principalmente nas cidades.
A ideia, desde seu surgimento, é conseguir balancear dois pontos 
importantesnas nossas cidades: o desenvolvimento econômico e a 
conservação do meio ambiente. Dessa forma, pode-se definir de forma 
superficial, que a sustentabilidade é quando conseguimos ter um 
desenvolvimento que não esgote os recursos para o futuro.
1.1 Definição de sustentabilidade
Sustentabilidade é um termo em destaque desde a década de 1990, e 
como menciona Cortese, Kniess e Maccari (2017):
[...] está relacionada à busca da conciliação entre o desenvolvimento 
econômico, a preservação ambiental e os aspectos sociais, existentes em 
qualquer sociedade. As três dimensões do desenvolvimento sustentável 
(econômico, social e ambiental) devem estar presentes no segmento que 
pretende atingir esse objetivo [...]. (CORTESE, KNIESSE; MACCARI, 2017, p. 
103)
Essas três dimensões do desenvolvimento sustentável mencionada 
pelos autores são a base para garantir que a sustentabilidade esteja 
inteiramente presente, seja em uma construção, uma ação, ou até 
mesmo uma cidade. A Figura 1 demonstra o tripé da sustentabilidade 
mencionado acima.
19
Figura 1 – Tripé da sustentabilidade
Fonte: https://meiosustentavel.com.br/sustentabilidade. Acesso em: 4 out. 2022.
O seguimento da construção civil é um dos segmentos que mais 
consome recursos naturais e energéticos do mundo, e ainda gera 
um valor considerável de resíduos. Devido a isso, é um seguimento 
que precisa aplicar a sustentabilidade em seus processos, de forma 
a transformar o meio ambiente, gerando menos impacto ambiental, 
tanto em suas atividades, como na fabricação de seus materiais, e suas 
operações e usos.
Durante o ciclo de vida da construção civil (Figura 2), muitas são as 
etapas em que se desprende o uso de recursos, que podem ser: o 
solo; a energia; a água; e os materiais utilizados. Todos eles interferem 
diretamente no nosso meio ambiente e, por isso, o impacto tão grande 
da construção civil na esfera ambiental. Diante disso tudo, Kilbert (2003 
apud CORTESE; KNIESS; MACCARI, 2017) estabeleceu cinco princípios 
básicos da construção sustentável de edifícios:
1. Redução do consumo de recursos naturais que não sejam 
renováveis.
https://meiosustentavel.com.br/sustentabilidade
20
2. Possível reutilização de recursos.
3. Reciclagem de materiais quando o edifício está em fim de vida e 
uso de recursos recicláveis.
4. Proteção dos sistemas naturais na realização de todas as 
atividades.
5. Eliminação de materiais tóxicos e subprodutos, em todo o ciclo de 
vida, de acordo com a lógica de produção mais limpa.
Figura 2 – Construção civil
Fonte: Shutterstock.com. 
1.2 A cidade sustentável
O conceito de cidade sustentável, assim como da sustentabilidade em si, 
como vimos anteriormente, visa uma cidade que atenda aos objetivos 
sociais, ambientais, políticos e culturais, assim como também os físicos e 
econômicos de sua população. A cidade deve ser balanceada, seguindo 
um modelo de desenvolvimento que encontre um equilíbrio de forma 
eficiente, entre os recursos que são primordiais para manter o seu 
funcionamento, tanto nas fontes de entrada, onde pode-se citar a terra 
21
urbana e seus recursos naturais, como água, energia, alimento etc. 
quanto nos insumos de saída, onde se encontram os resíduos, esgoto, 
poluição, entre outros.
Ou seja, podemos compreender que todos os recursos das cidades são 
utilizados da forma mais eficiente possível, em que os suprimentos, o 
manuseio e manejo de forma sustentável, além de uma distribuição 
igualitária para toda a população sejam atendidos, afinal são primordiais 
para a construção dessa nova forma de cidade, a cidade sustentável.
A cidade sustentável deve buscar inovação, com novos modelos 
de gestão e desenvolvimento, diferentes dos modelos praticados 
anteriormente, levando em conta parâmetros advindos das cidades 
compactas. Observe a explicação de Leite (2012) sobre as cidades 
compactas:
[...] Esse modelo é baseado em um eficiente sistema de mobilidade urbana 
que conecte os núcleos adensados em rede, promovendo maior eficiência 
nos transportes públicos e gerando um desenho urbano que encoraje a 
caminhada e o ciclismo, além de novos formatos de carros (compactos, 
urbanos, e de uso como serviço avançado) [...]. (LEITE, 2012, p. 136)
A cidade compacta rompe com a modelo de desenvolvimento atual e 
a predominância do automóvel, pois ela tem o objetivo de “encurtar” 
distâncias, de trabalhar com bairros que possuem setorização funcional 
(Figura 3), ou seja, diversos usos compartilhando o mesmo espaço a 
fim de que a população tenha menores deslocamentos, e estes possam 
ser feitos a pé, onde o pedestre consiga desfrutar dos caminhos, 
com calçadas e passeios públicos confortáveis, acessíveis e que 
promovam o bem-estar ao cidadão. Afinal, um menor número de carros 
circulando, reduz o trânsito e, consequentemente, gera menos poluição, 
melhorando a qualidade do ar, ou seja, é uma cidade voltada a atender 
o indivíduo, que pensa na escala do pedestre.
22
Figura 3 – Esquema funcional de cidade compacta
Fonte: https://www.researchgate.net/figure/FIGURA-2-Esquema-funcional-da-Cidade-
Compacta_fig2_319364291. Acesso em: 4 out. 2022
De acordo com Leite (2012), a cidade sustentável baseia-se nesse 
modelo de desenvolvimento que faz a promoção de altas densidades, de 
um modo qualificado, utilizando um adequado e planejado uso misto do 
solo, integrando as funções urbanas de habitação, serviço e comércio.
A ideia é que, com isso, a população residente possua mais 
oportunidades de interação social, mas com o sentimento de segurança 
pública, que nos dias atuais é algo muito debatido, estabelecendo, 
dessa forma, um senso de comunidade, com calçadas e espaços de uso 
coletivo vivos e dinâmicos, um mix de usos e proximidade entre eles.
Para finalizar, outro ponto importante dessa nova forma de cidade, 
é pensar um crescimento ordenado do território, tendo como base o 
crescimento integrado ao sistema de mobilidade, como pode-se ver na 
Figura 4.
https://www.researchgate.net/figure/FIGURA-2-Esquema-funcional-da-Cidade-Compacta_fig2_319364291
https://www.researchgate.net/figure/FIGURA-2-Esquema-funcional-da-Cidade-Compacta_fig2_319364291
23
Figura 4 – Sistema de mobilidade
Fonte: Shutterstock.com.
1.3 Soluções sustentáveis
Visto todos os problemas urbanos que as cidades enfrentam e pensando 
em soluções sustentáveis para melhorar a qualidade de vida e o bem-
estar causando o mínimo de impacto possível, existem diversos fatores 
diferente que podemos nos apoiar para que essas mudanças ocorram.
A primeira delas seria esse desenvolvimento sustentável que foi 
mencionado anteriormente, em que podemos citar medidas como a 
redução da emissão de gás carbônico, seguindo a premissa das cidades 
compactas onde a mobilidade é funcional e é fomentado o uso da 
bicicleta ou o próprio trajeto a pé, diminuindo o trânsito e o uso do 
carro.
Outro problema atrelado às cidades são as enchentes, por exemplo, 
quando os bueiros entopem e a água fica sem escoamento. Dentro das 
propostas sustentáveis a ideia de aumentar as áreas verdes funciona 
não somente para uma melhora na qualidade do ar e do espaço, mas 
também para o próprio escoamento da água. Um bom exemplo é o 
bueiro inteligente, que consiste em um sistema de sensores instalados 
24
que avisam quando ele está se enchendo, o que permite que o sistema 
alerte e contacte uma equipe de limpeza para o local para resolver o 
problema com muito mais eficiência. No Rio de Janeiro (RJ) já existem 
soluções semelhantes para essa implantação, como podemos observar 
na Figura 5.
Figura 5 – Bueiros inteligentes
Fonte: https://cbic.org.br/sustentabilidade/2018/11/12/startups-criando-solucoes-para-
resolver-problemas-urbanos-e-tornar-cidades-mais-inteligentes-e-sustentaveis/. Acesso 
em: 4 out. 2022.
Os prédios planejados e as edificações construídas de forma sustentável 
também podem ser considerados dentro da cidade inteligente. 
Exemplos disso são prédios projetados para tratamento de esgoto e 
para gerar sua própria energia,usando a luz do sol. Além de edificações 
bioclimáticas, que minimizam o consumo de energia, aproveita ao 
máximo a energia solar e, também, a diminuição com a climatização 
interna. Isso é possível com uma arquitetura bem planejada e estudada, 
aproveitando ventos predominantes, estudo solar, posicionamento de 
aberturas, entre outras formas de minimizar os gastos energéticos. Não 
podemos deixar de mencionar os materiais empregados na construção, 
e todos os processos de construção, que estes também devem se dar de 
forma sustentável, gerando o mínimo de resíduo possível e favorecendo 
https://cbic.org.br/sustentabilidade/2018/11/12/startups-criando-solucoes-para-resolver-problemas-urbanos-e-tornar-cidades-mais-inteligentes-e-sustentaveis/
https://cbic.org.br/sustentabilidade/2018/11/12/startups-criando-solucoes-para-resolver-problemas-urbanos-e-tornar-cidades-mais-inteligentes-e-sustentaveis/
25
o fornecimento de produtos locais. A Figura 6 demonstra alguns fatores 
relevantes para uma construção sustentável.
Figura 6 – Construção sustentável
Fonte: https://sustentarqui.com.br/como-construcoes-sustentaveis-contribuem-para-os-
ods-da-onu/. Acesso em: 4 out. 2022
A iluminação pública é um outro fator extremamente importante, o uso 
do LED e a automatização dos postes, por exemplo, são algumas das 
formas para melhorar a eficiência energética, diminuindo os gastos com 
energia, ou até mesmo transformando a energia gasta em uma energia 
limpa. Um exemplo são pontos de ônibus que possuem painéis solares 
para suprir a energia gasta durante o uso.
Pode-se perceber, assim, que são muitos os fatores que transformam 
uma cidade em inteligente e sustentável, e há muitos desafios nesse 
percurso, mas a tecnologia é uma poderosa aliada capaz de tornar 
possível esse sonho.
https://sustentarqui.com.br/como-construcoes-sustentaveis-contribuem-para-os-ods-da-onu/
https://sustentarqui.com.br/como-construcoes-sustentaveis-contribuem-para-os-ods-da-onu/
26
Referências
CORTESE, Tatiana T. P.; KNIESS, Cláudia T.; MACCARI, Emerson A. Cidades 
Inteligentes e Sustentáveis. São Paulo: Manole, 2017.
LEITE, Carlos; AWAD, Juliana di C. Cidades Sustentáveis: Cidades inteligentes – 
Desenvolvimento sustentável num planeta urbano. Porto Alegre: Bookman, 2012.
MOROZOV, Evgeny; BRIA, Francesca. A cidades inteligente – Tecnologias urbanas 
e democracia. São Paulo: Ubu Editora, 2019.
NETO, Vicente S. Cidades inteligentes: Guia para construção de centros urbanos 
eficientes e sustentáveis. São Paulo: Editora Érica, 2018.
27
Os desafios para a construção de 
cidades inteligentes
Autoria: Paloma Regina Bueno dos Santos
Leitura crítica: Cristiane Higueras Simó
Objetivos
• Conhecer e compreender o cenário do Brasil no 
que diz respeito aos desafios para a construção de 
cidades mais sustentáveis e inteligentes.
• Compreender o papel da construção civil no 
desenvolvimento das cidades.
• Perceber como a construção civil é um setor 
importante para tal desenvolvimento.
28
1. Introdução
Neste tema, vamos abordar sobre os desafios que são encontrados na 
implantação de cidades inteligentes, de forma geral em todo o globo, 
especificamente no Brasil, que é um país em desenvolvimento. É de 
grande importância entender o contexto em que estamos e identificar 
possíveis divergências quanto à problemática e até mesmo a solução 
proposta em diversas cidades diferentes, levando em consideração 
toda a questão social, econômica e cultural que fazem com que essas 
divergências se ampliem ou diminuam.
Para isso, o primeiro passo é compreender esse contexto, o cenário 
brasileiro no que tange os conceitos urbanísticos e de planejamento 
urbano, suas leis e suas aplicações. Na sequência, falaremos de um setor 
que tem grande influência sobre esses desafios urbanos: a construção 
civil.
1.1 Cenário brasileiro
O Brasil é um país que apresenta muitos problemas em suas cidades, 
decorrente muitas vezes do formato de como elas foram elaboradas, 
afinal, muitas cidades, se não a maior parte delas, foram acontecendo 
conforme sua população foi aumentando. Logo, existem grandes 
problemáticas no cenário atual, que surgiram devido à própria evolução 
da população como sociedade, a forma de vida, a dinâmica social, entre 
diversos outros pontos que sofreram uma transformação com o tempo. 
As cidades são dinâmicas, elas crescem, elas se transformam, junto a 
seu povo.
A identificação e compreensão do cenário específico da regulação 
no Brasil tem o intuito de apresentar o desenvolvimento do direito 
urbanístico e, dessa forma, entender toda a sua evolução histórica, 
29
verificando suas limitações frente aos grandes desafios na reformulação 
das cidades atuais para as cidades inteligentes e sustentáveis.
Na maior parte dos textos e estudos referentes ao tema de direito 
urbanístico, nota-se uma compulsão pelo detalhamento técnico e 
vocabular dos termos e palavras que o compõem, que alguns autores 
denominam como “fetiche do conceito” (CORTESE; KNIESS; MACCARI, 
2017). O trecho a seguir aborda esse conceito:
[...] Essas referências doutrinárias pretendiam produzir o mesmo rigor 
empregado na descrição das competências e da atuação da administração 
pública, necessariamente minuciosa em razão da sensibilidade do 
“interesse público”, embora referida ênfase pouco contribuísse para a 
efetividade dos regramentos aos quais se submetia a atuação estatal. 
Cada palavra, cada expressão e cada derivação conceitual era tributária de 
longas explicações, amparadas em referencias do direito comparado mais 
avançado à época, ainda que ao custo da formação de verdadeira colcha 
de retalhos teórica, de duvidosa cientificidade [...]. (CORTESE; KNIESSE; 
MACCARI, 2017, p. 10)
Para exemplificar, podemos citar o conceito de zoneamento. Com 
uma definição clássica temos “repartição do território municipal a 
vista da destinação da terra, do uso do solo ou das características 
arquitetônicas”, segundo art. 30, VIII, da Constituição Federal (BRASIL, 
1988, [s.p.]). Mas, ainda, podemos interpretar como uma ação direta do 
Poder Público na ordem econômica e social, e, em consequência disso, 
na propriedade e direito de construir, com a finalidade de condicioná-los 
à sua função social. O que acabava gerando uma imprecisão conceitual, 
uma vez que o termo “função urbana elementar” não tinha definição, e 
justificativas como “interesse do bem-estar da população” ou “colocar 
cada coisa em seu lugar adequado” eram muito utilizadas sem algum 
aprofundamento. Podemos concluir, de fato, que o zoneamento não 
podia se orientar em satisfazer interesses particulares de determinados 
grupos, mas, devido a essas imprecisões se abriam brechas que 
permitiam esse determinado ato, enquanto a “função social” fora 
30
deixada de lado, sem grandes aprofundamentos (CORTESE; KNIESS; 
MACCARI, 2017). A Figura 1, a seguir, é um exemplo de zoneamento para 
ilustrar o conceito.
Figura 1 – Zoneamento de Toledo (PR)
Fonte: https://www.clubealuno.com.br/blog/post/24/o-que-%C3%A9-zoneamento-urbano. 
Acesso em: 16 out. 2022.
Na imagem, podemos perceber a cidade dividida em várias zonas, 
onde em cada uma delas há usos destinados, além de parâmetros para 
construção que seguem a função das atividades a que se destinam 
aquela determinada região. Apenas uma forma de exemplificar como 
o Poder Público, no caso municipal, apresenta a população, dentro 
do Plano Diretor da cidade, essas definições feitas pelo planejamento 
urbano.
O que é necessário extrair desse exemplo do zoneamento, que não é 
um caso único, no planejamento das cidades, e que os debates acerca 
das definições do planejamento da cidade são muito técnicos e pouco 
políticos, muito menos participativo e alinhado com as demandas da 
31
sociedade. Um grande problema era a forma desse debate, totalmente 
verticalizado, onde esferas do Poder decidiam o que seria feito, em uma 
política baseada em concessões de licenças, tanto de obras quanto de 
construções, chegando até mesmo na demolição das edificações,como 
cita Silva (2012 apud CORTESE; KNIESS; MACCARI, 2017):
[...] conscienciosa e inteligentemente, com energia e justiça. Trata-se de 
tarefa que deve incumbir o órgão local composto de técnicos com especial 
conhecimento da situação sobre a qual incidem aquelas normas e atos 
fixadores das zonas. Sua eficácia requer vigilância e fiscalização constantes 
e rigorosas, mas, talvez, ainda exija mais orientação que sanção; mas esta 
deverá recair, sem vacilações, sobre infratores impertinentes [...]. (SILVA, 
2012, p. 246 apud CORTESE; KNIESSE; MACCARI, 2017, p. 12)
Há um consenso entre os estudiosos sobre o assunto, em meios 
acadêmicos especializados, que existe uma grande rede de movimentos 
sociais que tem como principal pauta a reforma urbana, e isso comprova 
a incapacidade de imposição de definições e formatos adequados de 
ocupação das cidades. Logo, podemos definir que as cidades cresceram, 
e ainda crescem, de forma desregrada, e muito se deve à submissão do 
direito urbanístico oscilar entra tradições privatista e a ordem pública 
do direito de construção. Inclusive, um dos principais fios condutores 
do Estatuto da Cidade foi a tentativa de contenção de inúmeras 
irregularidades urbanas (CORTESE; KNIESS; MACCARI, 2017).
Para concluir, é importante salientar que essa doutrina do direito 
urbanístico, a dinâmica como ela acontece, não somente freia como em 
muitos casos bloqueia o avanço da implantação desse novo conceito 
de cidade. Podemos ter um exemplo disso, e das dificuldades que são 
enfrentadas para a regulação de aplicativos de mobilidade, no caso 
do Uber, sinalizando, assim, que é um problema que gera impactos 
diretos sobre a economia do país, isso além dos quesitos políticos e 
sociais (CORTESE; KNIESS; MACCARI, 2017). Por fim, um vamos entender 
o objetivo da implantação dessas cidades inteligentes, que não tem 
a premissa de resolver todos os problemas enraizados de nossa 
32
sociedade, afinal, ela possui problemas bem mais amplos e profundos 
estruturalmente, e assim evitar o de atribuir a esse novo conceito um 
papel que não lhe pertence.
1.2 O setor da construção civil
A construção civil é um dos setores que mais consome recursos nas 
cidades, além da geração de resíduos, por isso, a importância de 
entender o papel que esse setor desempenha e as formas como ele 
pode se contribuir em ser um agente transformador nesse aspecto.
A construção sustentável (Figura 2 e 3) é um conceito amplamente 
discutido na sociedade, e vai além da preocupação ambiental, pois tem 
como pauta, também, a preocupação em melhoria na qualidade de 
vida da população, tanto individualmente quanto coletivo. Para isso, 
ela abraça a sustentabilidade econômica e social (CORTESE; KNIESS; 
MACCARI, 2017). Na Figura 3, há um exemplo de algumas decisões 
projetuais cabíveis para uma construção mais sustentável.
Figura 2 – Construções sustentáveis
Fonte: https://noventa.com.br/o-que-e-e-quais-sao-as-certificacoes-necessarias-para-a-
construcao-civil-sustentavel/. Acesso em: 16 out. 2022
33
Figura 3 – Exemplo de construção sustentável
Fonte: https://eescjr.com.br/blog/construcao-sustentavel-beneficios/. Acesso em: 16 out. 
2022
Porém, implantar essas construções sustentáveis trazem inúmeros 
desafios à forma de construir, em que pode-se destacar, principalmente, 
reduzir e otimizar o consumo de energia e da matéria-prima, o que 
leva à redução dos próprios resíduos gerados e, com isso, favorecem 
o meio ambiente e a qualidade desse ambiente construído. Sob essa 
ótica, o setor da construção civil e os governos criam um ciclo de vida 
do ambiente que é feito em duas direções. A primeira, dos empresários, 
que incentivam o desenvolvimento de novas tecnologias, de forma 
inovadora e sustentável, com alternativas menos poluentes e mais 
preservativas ao meio ambiente, e claro, economicamente viáveis. 
Já a segunda direção se destina ao poder público, que administra, 
principalmente na esfera local, em que ele promove práticas 
sustentáveis dentro do planejamento urbano, a partir de ferramentas 
como a própria legislação e código de edificações, incentivos fiscais e 
parcerias juntamente com as concessionárias que oferecem os serviços 
públicos de energia, água e esgoto para a população (CORTESE; KNIESS; 
MACCARI, 2017).
34
A construção civil desempenha um papel importante no que tange o 
desenvolvimento econômico e social do Brasil, muito se deve ao fato 
de ser o setor responsável pela redução nos déficits de habitação e 
infraestrutura, além de ser um dos setores que mais gera empregos 
diretos e indiretos no país. Mas, apesar dessa figura importante, 
lembre-se que a construção civil é um dos setores que mais impacta o 
meio ambiente, devido à toda a sua cadeia produtiva. Como exemplo, 
podemos analisar a massa gerada diariamente de Resíduos Sólidos 
urbanos (RSU), em que grande parte provém das atividades ligadas a 
esse setor.
Como forma de minimizar esses impactos, vale pontuar um dado 
bastante interessante, que a construção civil é um dos setores que mais 
investem em inovação tecnológica, com foco no desenvolvimento de 
ferramentas para minimização dos impactos ambientais que causam 
(CORTESE; KNIESS; MACCARI, 2017). Segundo John (2010 apud CORTESE; 
KNIESS; MACCARI, 2017), o desenvolvimento sustentável só poderá ser 
possível quando forem adotas as seguintes medidas:
• Otimizar as técnicas executivas vigentes – Construir mais utilizando 
menos insumos.
• Substituir matérias-primas naturais por materiais reciclados, dessa 
forma reduzindo o impacto ambiental e os resíduos descartados.
Os aspectos de construções sustentáveis que podemos relacionar à 
construção civil estão associados a: energia e sua utilização; sistemas 
de automação; ar-condicionado (um dos grandes vilões de gastos 
energéticos); ao conforto ambiental (ex.: o isolamento térmico e 
acústico; a utilização de materiais com certificação ambiental; e a 
racionalização da logística.
Logo, para atingir esses aspectos, a construção necessita ser mais 
“limpa”, minimizando os resíduos em obra e com um enfoque na 
35
reciclagem desses resíduos, o que podemos denominar de construção 
enxuta. Segundo Peretti (2014 apud CORTESE; KNIESS; MACCARI (2017), 
a base da filosofia da construção enxuta está na “eliminação dos 
desperdícios e na redução dos estoques dos materiais, racionalizando 
tempo e melhorando o uso da mão de obra, com foco no processo e no 
ambiente de trabalho” (DAVE; KOSKELA, 2009 apud CORTESE; KNIESS; 
MACCARI, 2017). No trabalho original de Koskela (1992 apud CORTESE; 
KNIESS; MACCARI, 2017), ele cita onze princípios sobre esse tipo de 
construção:
1. Reduzir atividades que não agregam valor.
2. Aumentar o valor do produto.
3. Reduzir a variabilidade da matéria-prima, processo e demanda dos 
clientes.
4. Reduzir tempo de ciclo.
5. Simplificar/reduzir o número de etapas ou padronizar elementos 
construtivos.
6. Aumentar a flexibilidade de saída.
7. Aumentar a transparência do processo.
8. Fazer manutenção com foco no controle, visando eliminar perdas.
9. Gerar melhorias contínuas, visando reduzir desperdícios.
10. Criar balanceamento de melhorias entre fluxo e transformações.
11. Aplicar benchmarking.
Portanto, percebe-se como a construção civil é um setor importante 
para o desenvolvimento de cidades sustentáveis.
Referências
BRASIL. Presidência da República. Constituição da República Federativa do Brasil 
de 1988. Brasília: D.O.U., 1988.
CORTESE, Tatiana T. P.; KNIESS, Cláudia T.; MACCARI, Emerson A. Cidades 
Inteligentes e Sustentáveis. São Paulo: Manole, 2017.
36
LEITE, Carlos; AWAD, Juliana di C. Cidades Sustentáveis: Cidades inteligentes – 
Desenvolvimento sustentável num planeta urbano. Porto Alegre: Bookman, 2012.
MOROZOV, Evgeny; BRIA, Francesca. A cidades inteligente – Tecnologias urbanas 
e democracia. São Paulo: Ubu Editora, 2019.
NETO, Vicente S. Cidades inteligentes: Guia para construção de centros urbanos 
eficientes e sustentáveis. São Paulo: Editora Érica, 2018.
37
Habitaçãoautossuficiente e seus 
sistemas alternativos
Autoria: Paloma Regina Bueno dos Santos
Leitura crítica: Cristiane Higueras Simó
Objetivos
• Conhecer a importância das construções de 
habitações e edifícios autossuficientes.
• Compreender a relevância das construções que 
visam a sustentabilidade.
• Apresentar exemplos das ferramentas que podem 
ser implantadas para tal objetivo
38
1. Introdução
É sabido que há décadas estamos enfrentando problemas relacionados 
ao forte impacto ambiental que o homem teve e, ainda, tem sobre a 
natureza, logo, o tema que será abordado tem o objetivo de trazer 
reflexões e de demonstrar formas eficazes de solucionar os problemas 
encontrados.
Em um primeiro momento, serão levantados os principais problemas e a 
importância da conscientização para uma mudança na forma de pensar 
da sociedade, além de abordar meios eficientes para que isso ocorra, 
descrevendo um dos principais pilares: as construções autossuficientes. 
Na sequência, serão abordadas as principais ferramentas que podemos 
utilizar para atingir esse objetivo sustentável, descrevendo suas formas 
de aplicações e a minimização de seus impactos no meio ambiente.
1.1 Problemas ambientais
Conforme Ferreira (2014), não podemos dizer que a preocupação com 
as questões ambientais é novidade, afinal, é uma pauta que está nas 
principais discussões no Brasil e no mundo, seja nas esferas do governo, 
de organizações não governamentais, órgãos internacionais, além de 
estar presente na discussão dos mais diversos segmentos da sociedade.
Logo, os fatores causadores dos diversos tipos de impacto que temos 
são os mais variados, por exemplo, os desmatamentos, sem manejo e 
ilegal, o despejo in natura do esgoto doméstico e desperdício de água e 
energia, a ocupação humana nas cidades fruto de um não planejamento 
urbano e a industrialização cada vez mais acelerada. Todos esses fatores 
tornam preocupantes a situação das cidades tanto na atualidade quanto 
no futuro.
39
Sobre o clima, podemos citar questões que já foram comprovadas 
cientificamente sobre os efeitos danosos e nocivos a nossa atmosfera e 
a nossa saúde, como: o aumento na camada de ozônio; a precipitação da 
chuva ácida, principalmente em regiões extremamente industrializadas; 
o efeito estufa; e os diversos problemas respiratórios que são causados 
pela má qualidade do ar nas grandes cidades. Como explica Ferreira 
(2014):
[...] Todos os problemas mencionados são claramente provocados pela 
intensa e crescente atividade humana nas sociedades mais desenvolvidas 
e também nos países que se convencionou chamar de emergentes, como é 
o caso do Brasil, porém com reflexos em todas as regiões do mundo, sem 
exceção.
Há claros sinais de que as atividades humanas estão aumentando 
rapidamente a concentração dos gases do tipo efeito estufa “naturais” 
(CO² etc.), além de acrescentarem a atmosfera outros gases de efeito 
estufa, antes inexistentes, como o CFC, PFC, SF6, entre outros. Com isso, a 
temperatura da Terra aumenta muito rapidamente. As últimas décadas do 
século XX tiveram as mais altas temperaturas médias do último milênio, 
havendo claros indícios de intensificação das variações climáticas e da 
ocorrência de eventos extremos (secas, enchentes, furacões etc.) [...]. 
(FERREIRA, 2014, p. 3).
Nas imagens a seguir (Figura 1 e 2), percebemos um caso de enchente e 
de seca, consequências das mudanças climáticas que estamos sofrendo 
em decorrência da ação humana sobre a natureza.
40
Figura 1 – Enchentes
Fonte: Shutterstock.com. 
Figura 2 – Seca
Fonte: Shutterstock.com. 
41
1.2 A importância de soluções
Devido a esse cenário, segundo Ferreira (2014), cada vez mais 
caótico que enfrentamos, a indústria da construção civil tem um 
papel importante como principal setor que gera impacto no meio 
ambiente, dado a isso, também é o que mais investe em tecnologia e 
desenvolvimento de sistemas sustentáveis, a fim de minimizar esses 
impactos causados, e com isso assume uma grande importância para a 
criação e desenvolvimento desse novo ideário de cidade sustentável.
Alguns pontos podem ser levantados quando se trata desses sistemas 
sustentáveis, entre eles pode-se citar a utilização de forma mais racional 
dos recursos hídricos, principalmente no quesito do setor habitacional, 
com diversas formas alternativas de captação de água potável, 
armazenamento, distribuição e reuso. Outro sistema importante de ser 
trabalhado soluções é o sistema alternativo de coleta e tratamento do 
esgoto residencial, que pode ser trabalhado no próprio local, evitando, 
assim, o despejo em locais inapropriados. Com o mesmo afinco, 
conforme Ferreira (2014), é necessário pensar em uma fonte de energia 
mais limpa, que busca uma melhoria na integração entre o ser humano 
e a natureza.
Esses sistemas mencionados, de água, esgoto e energia são sistemas 
primordiais para trazer qualidade e bem-estar, pois são elementos 
básicos do dia a dia do ser humano, logo, a importância de trazer a 
sustentabilidade para esses setores, transformando-os em sistemas 
mais limpos, que impactam menos no meio ambiente e que ao mesmo 
tempo consigam ter uma integração entre si, de forma sustentável e 
inteligente.
É de suma importância traçar diretrizes com a finalidade de realizar 
construções, principalmente habitações autossuficientes, capazes de 
no próprio ambiente que estejam: obter água potável, coletar e tratar 
o próprio esgoto produzido e, por fim, gerar energia elétrica limpa, 
42
que seja independente das concessionárias de abastecimento. Para 
isso, utilizando tecnologia existentes, de forma integrada, sustentável e 
inteligente. Ferreira (2014) explica que:
[...] Uma primeira forma de interligação entre os sistemas reside na 
utilização da energia elétrica produzida por intermédio de painéis 
fotovoltaicos para acionar diretamente uma bomba de recalque que 
trabalha com corrente de natureza continua, para utilização nos sistemas 
de captação de água de chuva e de água subterrânea [...]. (FERREIRA, 2014, 
p. 5)
O exemplo citado pelo autor é apenas uma forma de integração dos 
diversos sistemas. Para uma visão inicial acerca dos diversos aspectos 
que relacionam à habitação autossuficiente, observe na Figura 3, em 
formato esquemático, a relação entre os sistemas.
Figura 3 – Esquema de habitação autossuficiente
Fonte: adaptada de Ferreira (2014).
43
1.3 Construções autossuficientes
Chegou o momento de entendermos um pouco melhor como esses 
sistemas de água, esgoto e energia, funcionam na prática, quais são as 
formas de implantação que podemos fazer e como são integrados.
1.3.1 Sistemas para captação de água de chuva
A captação da água da chuva é uma forma eficiente de reaproveitar 
a água e reduzir o consumo em até 50%. Para Ferreira (2014), o tema 
chega a ter uma relevância nacional e é foco principal de políticas 
nacionais de incentivo, como por exemplo a Lei nº 13.501/2017, que 
estimula a criação de legislações estaduais e municipais fundadas no 
aproveitamento.
Um exemplo que podemos citar é um método indicado para atividades 
que não exijam a utilização de água potável, como: descargas; irrigação; 
lavagem de calçada ou carro (Figura 4). Seu funcionamento se inicia 
nas calhas, que canalizam a água das chuvas diretamente para um 
recipiente, em que a água será filtrada, a fim de eliminar impurezas e 
resíduos, e logo após ela é encaminhada para a cisterna (normalmente 
fica abaixo da terra), onde é armazenada. A partir de uma bomba, a água 
é bombeada para a caixa d’agua, localizado na cobertura da habitação, e 
de lá é distribuída para os locais de uso, que normalmente incluem usos 
não potáveis.
44
Figura 4 – Sistema de captação de água da chuva
Fonte: https://cedae.com.br/captacaoaguachuva. Acesso em: 25 outubro 2022
1.3.2 Sistemas para aproveitamento de energia solar
O sistema visa o aproveitamento da energia gerada pelo sol, tanto 
como fonte de calor quanto como fonte de luz, e é uma das alternativas 
energéticas mais promissoraspara enfrentar a situação atual e os 
desafios contemporâneos.
Temos duas formas de utilização, muito presentes atualmente, acerca 
da energia solar: a energia solar térmica e a energia solar fotovoltaica. 
A primeira utiliza o calor do sol para aquecer, principalmente, líquidos. 
Esse sistema é composto por coletores ou tubos a vácuo, normalmente 
45
instalados em coberturas, onde captam os raios solares e direcionam 
para a água do banho, sendo responsáveis por esquentar a água dos 
chuveiros. São muito eficientes, chegando a reduzir até 80% dos gastos 
com aquecimento da água, e esse dado só não é maior por contar com 
resistências elétricas em seus sistemas, devido aos dias nublados em 
que o sol está menos intenso e, consequentemente, não consegue 
aquecer até as temperaturas normalmente exigidas. Já a segunda 
maneira resulta de melhorias no campo tecnológico dos módulos e 
sistemas fotovoltaicos que firmaram a energia solar fotovoltaica com 
uma energia alternativa que é ecológica, viável e demanda pouca 
manutenção. Para Ferreira (2014), o sistema consiste em placas/
painéis fotovoltaicos e inversores, onde com a conversão direta da luz 
em eletricidade através do efeito fotovoltaico, a energia é gerada e 
distribuída para toda a residência, ou seja, todo o gasto energético de 
uma casa, como luz, aparelhos eletrodomésticos e eletroeletrônicos 
serão usados utilizando uma energia limpa e renovável.
Figure 5 – Energia solar
Fonte: https://www.soltaic.com.br/os-tipos-de-energia-solar/. Acesso em: 25 out. 2022
46
1.3.3 Sistemas para coleta e tratamento de esgoto
Por fim, temos os sistemas que visam tratar o esgoto, em que 
abordaremos dois sistemas usuais: a fossa séptica e o sanitário a seco, 
ou também chamado de fossa seca. A fossa séptica se trata de uma 
câmara que tem como objetivo reter os despejos domésticos dentro de 
um período já estabelecido, dessa forma, então, permite a separação 
dos sólidos, por meio da decantação, e o tratamento biológico do 
material, que consiste em bactérias digerirem a matéria orgânica. 
Normalmente, esse sistema é comum em locais em que não se tem uma 
rede de tratamento de esgoto próxima.
Figura 6 – Fossa séptica
Fonte: https://www.ecobacterias.com/como-funciona-uma-fossa-septica/. Acesso em: 25 
out. 2022.
Já o sanitário seco ou fossa seca (também conhecido como sanitário 
compostável ou composting toilet), usa um método de compostagem 
das fezes juntamente com serragem e papel higiênico, de forma a 
eliminar o uso da água para esgotá-lo e, com isso, gera um ótimo adubo 
orgânico. Como descreve Ferreira (2014), o mecanismo funciona com o 
47
rolamento do material + serragem + papel por uma rampa no interior 
da câmara, onde se aloja no fundo dessa câmara. Do lado de fora, 
uma chapa pintada de preto aquece o material e acelera o processo 
de compostagem, o que gera a morte de agentes patogênicos, como 
demostrada na Figura 7.
Figura 7 – Sanitário seco
Fonte: adaptada de Ferreira (2014).
Referências
CORTESE, Tatiana T. P.; KNIESS, Cláudia T.; MACCARI, Emerson A. Cidades 
Inteligentes e Sustentáveis. São Paulo: Manole, 2017.
FERREIRA, Antônio D. D. Habitação Autossuficiente – Interligação e integração 
de sistemas alternativos. Rio de Janeiro: Interciência, 2014.
LEITE, Carlos; AWAD, Juliana di C. Cidades Sustentáveis: Cidades inteligentes – 
Desenvolvimento sustentável num planeta urbano. Porto Alegre: Bookman, 2012.
MOROZOV, Evgeny; BRIA, Francesca. A cidades inteligente – Tecnologias urbanas 
e democracia. São Paulo: Ubu Editora, 2019.
48
	Sumário
	Apresentação da disciplina 
	Introdução às smart cities 
	Objetivos 
	1. Introdução 
	Referências 
	Sustentabilidade e soluções em cidades inteligentes
	Objetivos 
	1. Introdução 
	Referências 
	Os desafios para a construção de cidades inteligentes
	Objetivos 
	1. Introdução 
	Referências 
	Habitação autossuficiente e seus sistemas alternativos
	Objetivos 
	1. Introdução 
	Referências

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