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DIREITO ADMINISTRATIVO Responsabilidade Civil do Estado Livro Eletrônico Presidente: Gabriel Granjeiro Vice-Presidente: Rodrigo Calado Diretor Pedagógico: Erico Teixeira Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi Gerência de Produção de Conteúdo: Magno Coimbra Coordenadora Pedagógica: Élica Lopes Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) está protegido por direitos autorais do Gran Cursos Online. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às penalidades previstas civil e criminalmente. CÓDIGO: 230303515263 DIOGO SURDI Diogo Surdi é formado em Administração Pública e é professor de Direito Administrativo em concursos públicos, tendo sido aprovado para vários cargos, dentre os quais se destacam: Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil (2014), Analista Judiciário do TRT-SC (2013), Analista Tributário da Receita Federal do Brasil (2012) e Técnico Judiciário dos seguintes órgãos: TRT-SC, TRT-RS, TRE-SC, TRE-RS, TRT-MS e MPU. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi SUMÁRIO Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 Responsabilidade Civil Do Estado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 1. Conceito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 2. Evolução das Teorias de Responsabilização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 2.1. Teoria da Irresponsabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 2.2. Teoria da Culpa Civil (ou Culpa Comum) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 2.3. Teoria da Culpa Administrativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 2.4. Teoria do Risco Administrativo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 2.5. Teoria do Risco Integral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 2.6. Teoria do Risco Social . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 3. Responsabilidade Decorrente de Ação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 3.1. Ação de Indenização e Ação Regressiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 3.2. Denunciação à Lide e Litisconsórcio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 4. Responsabilidade Decorrente de Omissão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 4.1. Omissão Genérica e Omissão Específica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 5. Diferenças Entre as Responsabilidades Decorrentes de Ação e Omissão . . . . . . 34 6. Responsabilidade das Prestadoras de Serviço Público . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 7. Responsabilidade dos Notários (Tabeliães e Registradores) . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 8. Responsabilidade Decorrente de Obras Públicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 9. Responsabilidade por Atos Legislativos e Judiciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 mapas mentais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 Questões de Concurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 Gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73 Gabarito Comentado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 4 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi APREsEntAÇÃoAPREsEntAÇÃo Olá, pessoal, tudo bem? Espero que sim! Na aula de hoje, estudaremos a Responsabilidade Civil do Estado, assunto repleto de entendimentos jurisprudenciais do STF e do STJ. Obs.: Para Otimizar a Preparação: É importante focar na diferença entre as responsabilidades objetiva e subjetiva, bem como compreender a previsão da Constituição Federal relacionados com a responsabilidade civil do Estado (art. 37, § 6º). Grande Abraço a todos e boa aula! Diogo O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 5 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADORESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO 1 . C1 . ConCEitoonCEito O Estado, como pessoa jurídica de direito público, possui como principal atividade assegurar a integridade e o bem estar da coletividade. Para que isso ocorra, o Poder Público, por meio dos diversos órgãos e entidades que compõem a administração pública, faz uso do exercício dos agentes públicos. Assim, é por meio dos agentes públicos que o Estado consegue realizar ações concretas para alcançar os seus objetivos. Caso tais ações resultem em danos aos particulares, nada mais justo do que a responsabilização do Estado e a obrigação deste em indenizar aqueles que forem lesados. A atuação dos agentes públicos, por sua vez, pode dar ensejo a três diferentes esferas de responsabilização, sendo elas a penal (para os crimes e contravenções), a administrativa (para as infrações disciplinares) e a civil (para as situações que acarretem danos patrimoniais ou morais). Importante salientar que tais esferas são independentes entre si e podem ser aplicadas, via de regra, de forma cumulativa. EXEMPLO Caso um servidor público utilize, mediante chantagem e extorsão, o veículo da repartição em que trabalha para atividades particulares e, durante o trajeto, avance o sinal vermelho e colida com um veículo particular, teremos a responsabilização nas três esferas. Neste caso, além de ser responsabilizado administrativamente pelo ato de improbidade administrativa e penalmente por ter praticado crime de extorsão, responderá o servidor civilmente pelos prejuízos que tenha causado a terceiros. Na hipótese, a responsabilidade civil será do Estado, que terá a obrigação de indenizar os particulares pelos prejuízos causados pela ação do servidor. Cumpre salientar que o conceito de agente público, para efeito de responsabilização, é bastante amplo, abrangendo inclusivemesmo sentido é o entendimento do STF, que, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 608880, fixou a seguinte tese: JURISPRUDÊNCIA Nos termos do artigo 37 §6º da Constituição Federal, não se caracteriza a responsabilidade civil objetiva do Estado por danos decorrentes de crime praticado por pessoa foragida do sistema prisional, quando não demonstrado o nexo causal direto entre o momento da fuga e a conduta praticada. Responsabilidade pelos atos praticados por Presos Foragidos Para a configuração da responsabilidade Deve ser demonstrado o nexo causal direto entre o momento da fuga e a conduta praticada. Situações que não ensejam a responsabilidade do Estado a) crime praticado após um período considerável de tempo b) formação de quadrilha com a finalidade de cometer algum crime 4.1. OMISSÃO GENÉRICA E OMISSÃO ESPECÍFICA4.1. OMISSÃO GENÉRICA E OMISSÃO ESPECÍFICA Como analisado, vigora em nosso ordenamento a regra de que a responsabilização decorrente de ações do Poder Público é de caráter objetivo, ao passo que a responsabilização decorrente de omissões do Poder Público, por sua vez, é de caráter subjetivo. No que se refere às situações de omissão, no entanto, temos que diferenciar a omissão genérica da omissão específica. A omissão genérica pode ser compreendida como as situações em que a omissão ou falha na prestação dos serviços públicos atinge toda a coletividade. São situações em que o Estado não atua especificamente em um caso concreto, de forma que sua possível omissão ou falha prejudica toda a população. Situações de omissão genérica são aquelas em que o particular, se sentindo lesado, deve provar que houve omissão ou falha na prestação do serviço. Logo, tais hipóteses são conceituadas como de caráter subjetivo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 33 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi EXEMPLO Se diversos acidentes ocorrerem, no horário noturno, tendo em vista a falta de iluminação pública (ou iluminação insuficiente) nas ruas de uma determinada cidade, a responsabilização da administração pública será genérica, uma vez que toda a coletividade tinha a possibilidade direta de ser afetada pela situação (qualquer motorista poderia sofrer as consequências da falta de iluminação). A omissão específica, por outro lado, são situações em que a omissão ou falha estatal não afeta diretamente a coletividade como um todo, mas sim apenas os particulares que estiverem na situação em questão. Nas hipóteses de omissão específica, basta a comprovação de houve dano e que este foi decorrente de uma atuação estatal. Não há a necessidade, desta forma, de comprovação de dolo, fraude ou omissão pública. Por isso mesmo, estamos diante de situações de caráter objetivo. EXEMPLO Todas as situações em que o Estado está na condição de garante são situações de omissão específica: detentos de um presídio público, estudantes de escola pública e pacientes de um hospital público são exemplos deste tipo de omissão. Na hora da prova, podemos identificar as situações de omissão genérica e específica da seguinte forma: a) se a questão apenas solicitar qual a teoria aplicada para as hipóteses de omissão, devemos responder que é a omissão genérica, de caráter subjetivo. b) se o enunciado mencionar um caso concreto e você perceber que, se o Estado tivesse atuado, o dano poderia ser evitado, estamos diante da omissão específica, de caráter objetivo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 34 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi 5. DIFERENÇAS ENTRE AS RESPONSABILIDADES 5. DIFERENÇAS ENTRE AS RESPONSABILIDADES DECoRREntEs DE AÇÃo E omissÃoDECoRREntEs DE AÇÃo E omissÃo Podemos traçar um paralelo entre os dois tipos de responsabilização, possibilitando a sedimentação da matéria mediante o quadro abaixo. Ressalta-se que a responsabilidade decorrente de omissão, como já apresentado, pode ainda ser dividida entre omissão genérica (que é a regra geral) e omissão específica. Responsabilidade por ação Responsabilidade por omissão (regra geral) Teoria do risco administrativo Teoria da culpa administrativa Conceito constitucional Conceito doutrinário Teoria objetiva, de forma que não há necessidade de comprovação de dolo ou culpa Teoria subjetiva, de forma que há a necessidade de comprovação de que houve omissão ou falha na prestação do serviço público. Danos decorrentes de ações do Poder Público, com a ressalta dos casos de omissão em que a administração atua na condição de garante Danos decorrentes de omissões do Poder Público, com a ressalva dos casos de omissão em que a administração atua na condição de garante Para ensejar dano, o causador do mesmo deve estar investido na condição de agente público Para ensejar dano, o serviço pode ter sido não prestado ou prestado de maneira falha 6 . REsPonsABiLiDADE DAs PREstADoRAs DE sERviÇo 6 . REsPonsABiLiDADE DAs PREstADoRAs DE sERviÇo PÚBLiCoPÚBLiCo De acordo com o dispositivo constitucional que cuida da responsabilidade civil do Estado (art. 37, §6º), as prestadoras de serviço público (concessionárias, permissionárias e autorizatárias), ainda que não integrem a administração pública, respondem pelos danos que causarem a terceiros como decorrência dos serviços prestados. Art. 37, §6º, As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Durante muito tempo, o entendimento da doutrina (com diversos julgados dos tribunais superiores) era no sentido de apenas haver responsabilização por parte das prestadoras de serviço público se os danos fossem causados perante terceiros que fossem usuários dos serviços prestados pelas delegatárias. No julgamento do RE 591.874/MS, o STF pacificou o entendimento de que a responsabilidade das prestadoras de serviço público abrange tanto a atuação de terceiros usuários quanto não usuários: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 35 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi JURISPRUDÊNCIA O plenário do supremo tribunal federal firmou entendimento no sentido de que o dano causado por empresa prestadora de serviço público a terceiro não usuário do serviço deve ser analisado sob a ótica da teoria da responsabilidade objetiva. Havendo o caso de ser julgado à luz da teoria do risco administrativo, em face do que dispõe o art. 37, § 6º da constituição federal. EXEMPLO O Poder Público delegou a prestação de serviço de transporte intermunicipal de passageiros a uma concessionária. Certo dia, um ônibus da empresa em questão, por culpa do motorista, acabou por ocasionar o atropelamento de um pedestre. Nesta situação, independente da vítima ser ou não usuária dos serviços prestados pela concessionária, temos que a empresa prestadora de serviços públicos responderá pelo dano causado com base na teoria do risco administrativo, de caráter objetivo e, por isso mesmo, sem a necessidade decomprovação de dolo ou culpa para a sua configuração. Importante salientar que em caso de insuficiência financeira da prestadora de serviços públicos, deve o Poder Público arcar com a responsabilização, que, por isso mesmo, é considerada subsidiária por parte do Estado. Nestas situações, inicialmente tenta-se cobrar o valor da empresa que prestou o serviço público. Caso a pessoa jurídica não possua condições financeiras de arcar com o valor da condenação, e considerando que é dever do Poder Público garantir a integridade da população, deverá o Estado indenizar o particular pelos danos causados pelas delegatárias. Obs.: Para garantir o bem estar da coletividade, o Poder Público deve oferecer uma série de serviços públicos à população. Diversos destes serviços, no entanto, não são executados diretamente pela administração, que delega a sua execução para as empresas privadas prestadoras de serviços públicos (concessionárias, permissionárias e autorizatárias). Quando tais empresas não conseguem indenizar os particulares pelos danos por elas causados, deverá o Poder Público (que é o detentor da titularidade dos serviços públicos) efetuar, em caráter subsidiário, o respectivo pagamento. 7. RESPONSABILIDADE DOS NOTÁRIOS (TABELIÃES E 7. RESPONSABILIDADE DOS NOTÁRIOS (TABELIÃES E REGISTRADORES)REGISTRADORES) Tal como acontece com as empresas prestadoras de serviço público, o tabelião e o registrador respondem pelos danos causados perante terceiros. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 36 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi De acordo com a doutrina, o notário é um agente delegado (também classificado como particular em colaboração com o Poder Público). Para exercer esta função, deve o particular realizar concurso público. Uma vez aprovado, recebe a delegação para o exercício de um serviço público, com a peculiaridade de que, a partir de então, responde pela atividade por sua conta e risco, devendo, caso seja necessário, utilizar o seu próprio patrimônio para ressarcir os danos causados. O ofício de notas não é uma pessoa jurídica, mas sim uma estrutura organizada pelo notário, que é quem recebe a delegação para a prestação de serviços públicos. Dessa forma, ainda que o notário contrate empregados ou estabeleça prepostos com a finalidade de agilizar a prestação dos serviços, em caso de dano perante terceiros é o notário (titular da serventia extrajudicial) quem deve responder por eles. Pois bem! Até meados de 2016, a responsabilidade dos notários era de caráter objetivo. Como consequência, tais agentes deveriam indenizar os particulares em caso de dano, independente da conduta ter ou não sido considerada dolosa ou culposa. A responsabilidade civil dos notários se assemelhava, em muitos aspectos, à responsabilização dos demais agentes estatais. Com a alteração promovida pela Lei 13.286, de 2016, a Lei 8.935 (que é a Lei dos Cartórios), passou a vigorar, em seu artigo 22, com a seguinte redação: Art. 22, Os notários e oficiais de registro são civilmente responsáveis por todos os prejuízos que causarem a terceiros, por culpa ou dolo, pessoalmente, pelos substitutos que designarem ou escreventes que autorizarem, assegurado o direito de regresso. Parágrafo único. Prescreve em três anos a pretensão de reparação civil, contado o prazo da data de lavratura do ato registral ou notarial. Com a alteração legislativa, tivemos profundas mudanças na responsabilização dos notários e no prazo prescricional para que os particulares ajuízem a respectiva ação indenizatória. Assim, nos dias atuais, precisamos memorizar que a responsabilidade civil dos notários ocorre de forma subjetiva, dependendo, para a sua efetivação, da comprovação, por parte do particular que se sentir lesado, da existência de dolo ou culpa. Além disso, é necessário que a propositura da ação se efetive no prazo prescricional de 3 anos (e não mais de 5 anos) contados da data em que o notário ou oficial lavrou o respectivo ato. Antes da entrada em vigor da Lei 13.286/2016: a) Os notários e oficiais respondiam de forma objetiva b) O prazo prescricional era de 5 anos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 37 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Após a entrada em vigor da Lei 13.286/2016: a) Os notários e oficiais respondem de forma subjetiva b) O prazo prescricional é de 3 anos. Não obstante as disposições da Lei 13.286/2016, o STF, em 2019, no julgamento do RE 842846, estabeleceu que o Estado responde, objetivamente, pelos danos causados por notários e registradores, sendo assegurado, inclusive, a possibilidade de regresso contra o responsável em caso de dolo ou culpa. JURISPRUDÊNCIA O Estado responde, objetivamente, pelos danos causados por notários e registradores. O Estado responde, objetivamente, pelos atos dos tabeliães e registradores oficiais que, no exercício de suas funções, causem dano a terceiros, assentado o dever de regresso contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa, sob pena de improbidade administrativa. O Estado possui responsabilidade civil direta, primária e objetiva pelos danos que notários e oficiais de registro, no exercício de serviço público por delegação, causem a terceiros. Destaca-se que, ainda que o julgamento do STF tenha sido a favor da responsabilidade objetiva do Estado com relação aos danos dos notários, as disposições da Lei 13.286/2016 não foram revogadas. Sendo assim, para fins de prova, devemos seguir, como regra geral, o entendimento do STF (responsabilidade objetiva). Para questões bastante específicas e que exijam as disposições da Lei 13.286/2016, aconselha-se que seja adotado o entendimento acerca da responsabilidade subjetiva dos notários e tabeliães. 006. 006. (CEBRASPE/CESPE/DP RS/DPE RS/2022) Cada um dos próximo item apresenta uma situação hipotética seguida de uma assertiva, a ser julgada de acordo com o entendimento dos tribunais superiores acerca da responsabilidade civil do Estado. O Estado foi condenado ao pagamento de indenização a particular, por ato culposo praticado por tabelião. Nessa situação hipotética, o agente estatal competente tem a obrigação de ingressar com ação regressiva em desfavor do tabelião causador do dano ao particular, sob pena de caracterização de improbidade administrativa, já que o direito de regresso é indisponível e obrigatório. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 38 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi No julgamento do RE 842846, o STF fixou o entendimento de que JURISPRUDÊNCIA O Estado responde, objetivamente, pelos atos dos tabeliães e registradores oficiais que, no exercício de suas funções, causem dano a terceiros, assentado o dever de regresso contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa, sob pena de improbidade administrativa. Certo. 8. RESPONSABILIDADE DECORRENTE DE OBRAS PÚBLICAS8. RESPONSABILIDADE DECORRENTE DE OBRAS PÚBLICAS Quando o próprio Estado é quem executa uma obra pública, não resta a menor dúvida de que, em caso de danos causados, deve haver a responsabilizaçãocom base na teoria do risco administrativo, ou seja, sem a necessidade de comprovação de dolo ou culpa para a sua configuração. Por outro lado, quando o Poder Público contrata uma empreiteira para a realização da obra, devemos observar que a responsabilização estatal, via de regra, é afastada nos casos de danos decorrentes de obras públicas. Duas situações, no entanto, ensejam a responsabilização da administração pública quando esta contrata a execução de uma obra por meio de uma empreiteira: a) A primeira hipótese trata das situações em que a obra, ainda eu realizada de forma regular e sem a presença de dolo ou culpa da atividade do empreiteiro, causa, pelo seu simples objeto, danos aos particulares. EXEMPLO Determinado Município contrata uma empreiteira para a realização da obra pública de troca dos tubos de esgoto de diversos pontos da cidade. Para isso, a empreiteira terá que perfurar diversos pontos de ruas e avenidas, inclusive no horário diurno. A clínica BETA, no período de realização da obra, tinha fechado um pacote para o tratamento de um grande número de pacientes. Com a realização da obra, o barulho durante o dia impossibilitará, por um certo período, que os tratamentos sejam realizados, incorrendo a clínica em dano patrimonial. b) A segunda situação cuida dos casos em que o empreiteiro age com dolo ou culpa e é condenado a ressarcir os particulares pelos danos causados. No entanto, como a empreiteira não possui capacidade financeira para tal, deve o Poder Público (patrocinador da obra e garantidor do bem estar coletivo) indenizar o particular. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 39 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi EXEMPLO Durante a construção de uma ponte, a empreiteira gama, por culpa de seus funcionários, derruba uma imensa chapa de concreto em cima de um estacionamento particular, causando a destruição de uma grande quantidade de veículos. Ajuizada a ação indenizatória e tendo sido a empresa condenada a ressarcir os prejuízos causados, alega esta não possuir condições para tal. Neste caso, deve o Poder Público proceder às devidas indenizações e, posteriormente, considerando que houve culpa da empreiteira, ajuizar a ação de ressarcimento. 9 . REsPonsABiLiDADE PoR Atos LEGisLAtivos E 9 . REsPonsABiLiDADE PoR Atos LEGisLAtivos E JUDiCiAisJUDiCiAis Diferentemente do que ocorre com os atos emanados pela administração pública, os atos legislativos e judiciais não admitem, em regra, a responsabilização estatal. Vigora para tais atos, por isso mesmo, a teoria da irresponsabilidade estatal. No entanto, cumpre salientar que apenas os atos legislativos e judiciais típicos é que estão submetidos a não responsabilização. Como cada um dos três poderes da república exerce funções típicas e atípicas, tanto o legislativo quanto o judiciário praticam diversos atos de administração pública, tais como a realização de concurso público e a contratação, por meio de licitação, para a execução de obras públicas. Em todos estes atos, ou seja, naqueles em que os poderes legislativo e judiciário estiverem exercendo a função atípica de administração pública, a responsabilização do Poder Público segue as mesmas regras até o momento expostas, ou seja, risco administrativo para as condutas comissivas e culpa administrativa para as condutas omissivas. No tocante aos atos legislativos, duas são as possibilidades apontadas pela doutrina em que cabe a responsabilização estatal: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 40 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi a) leis de efeitos concretos: Normalmente, as normas editadas pelo poder legislativo possuem as características da generalidade (destinadas a toda a coletividade) e da abstração (não tratarem de situações concretas, mas sim de casos em tese). Com as leis de efeitos concretos, no entanto, isso não ocorre. Tais normas possuem destinatários certos e determinados, sendo consideradas leis apenas em sentido formal. Materialmente, aproximam-se em muito dos atos administrativos. EXEMPLO Lúcia é dona de uma pousada que se caracteriza pela tranquilidade proporcionada aos seus hóspedes. Lei do poder legislativo, no entanto, determina que a área que faz divisa com a pousada seja transformada em um parque industrial, de forma que as indústrias que ali se instalarem terão benefícios fiscais por certo período de tempo. Neste caso, estamos diante de uma lei de efeitos concretos (uma vez que foi a lei quem determinou a criação do parque industrial) que trará danos ao estabelecimento de Lúcia. 007. 007. (FGV/ATCE/TCE-AM/TCE-AM/MINISTÉRIO PÚBLICO DE CONTAS/2021) A Assembleia Legislativa do Estado Alfa, após regular e formal processo legislativo, editou uma lei estadual declarando o imóvel de João como de utilidade pública, para fins de desapropriação. O imóvel objeto do ato legislativo estava alugado por João a Fernanda e, em razão da lei, o contrato de locação foi rescindido. Após três anos, o Estado Alfa desistiu de proceder à desapropriação e João conseguiu reunir provas de que nunca existiu a utilidade pública declarada anteriormente pela lei. Em razão dos danos materiais sofridos por João, como aqueles decorrentes da rescisão do contrato de locação, eventual ação indenizatória: a) não deve ser ajuizada, eis que a lei estadual seguiu regular e formal processo legislativo, e o poder público tem a discricionariedade de dar prosseguimento ou não à desapropriação; b) não deve ser ajuizada, pois atos legislativos não dão azo à responsabilidade civil do estado, pelos princípios da independência e separação dos Poderes; c) deve ser ajuizada em face da Assembleia Legislativa, que foi a responsável pelo ato legislativo inconstitucional, diante de sua responsabilidade civil objetiva; d) deve ser ajuizada em face do Estado Alfa, diante de sua responsabilidade civil objetiva em razão da lei de efeitos concretos editada, com base na teoria do risco administrativo; e) deve ser ajuizada em face da Assembleia Legislativa, diante de sua responsabilidade civil subjetiva em razão dos efeitos materiais da lei editada, com base em sua personalidade judiciária. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 41 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi A Assembleia Legislativa faz parte do Estado Alfa. Consequentemente, os danos causados pelos servidores da Assembleia devem ser objeto de ação perante o respectivo Estado, e não perante a o órgão ou, ainda, perante o servidor público. Isso ocorre na medida em que vigora em nosso ordenamento jurídico a teoria do risco administrativo, de natureza objetiva. Um ponto que merece ser destacado é que, na situação descrita, estamos diante de uma situação que é exceção à responsabilidade pela prática de atos legislativos. Como regra geral, os atos legislativos não estão sujeitos à responsabilização civil. Contudo, nas leis de efeitos concretos (como na situação apresentada), a responsabilização é perfeitamente possível. Letra d. b) leis declaradas inconstitucionais pelo STF: No âmbito doDireito Constitucional, temos que o controle de constitucionalidade das leis pode ser exercido de duas formas: por meio do controle difuso (onde a declaração de inconstitucionalidade atinge apenas aquele que ajuizou a ação) e por meio do controle concentrado (onde a declaração tem efeitos para toda a coletividade). Em ambos os casos, caso haja a declaração de inconstitucionalidade pelo STF (e apenas por este), poderá haver a responsabilização pelos danos causados aos particulares. No que se refere aos atos judiciais, a lógica é a mesma, ou seja, a irresponsabilidade do Poder Público, conforme entendimento já pacificado pelo STF (RE 111.609-SC): JURISPRUDÊNCIA A orientação que veio a predominar nesta corte, em face das constituições anteriores a de 1988, foi a de que a responsabilidade objetiva do Estado não se aplica aos atos do poder judiciário a não ser nos casos expressamente declarados em lei. Duas são as situações que dão ensejo à responsabilidade estatal: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 42 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi a) casos em que o Juiz responde por dolo ou fraude (com a intenção de prejudicar terceiro): Se o magistrado atuar com a intenção de prejudicar alguma das partes (ou até mesmo terceiro não relacionado com um processo específico), poderá ocorrer a responsabilização estatal. Importante frisar que com a entrada em vigor do Novo Código de Processo Civil (NCPC), a responsabilidade do magistrado passou a ser de forma regressiva. A consequência lógica deste dispositivo é que as eventuais ações judiciais de indenização deverão ser propostas, inicialmente, contra o Estado, e não diretamente contra o magistrado. Posteriormente, em caso de condenação, a responsabilização do agente público ocorrerá regressivamente. O fundamento para tal responsabilização é o artigo 143 do Novo Código Processual Civil, que assim expressa: Art. 143. O juiz responderá, civil e regressivamente, por perdas e danos quando: I – no exercício de suas funções, proceder com dolo ou fraude; II – recusar, omitir ou retardar, sem justo motivo, providência que deva ordenar de ofício ou a requerimento da parte. b) casos de erro judiciário: Estabelece a Constituição Federal, em seu artigo 5º, LXXV, que O Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença. Havendo erro por parte do Poder Judiciário, estará o Estado obrigado a indenizar o particular pelos danos decorrentes da decisão. Como consequência, verificando o Poder Público que o magistrado agiu com dolo ou culpa, poderá ajuizar a competente ação de ressarcimento. EXEMPLO Em decisão ocorrida em 1999, um magistrado condenou Isaías à pena de prisão por 15 anos. Em 2005, restou comprovado que Isaías não era o autor do fato ensejador da prisão, motivo pelo qual o mesmo foi libertado. No entanto, considerando que Isaías ficou preso por aproximadamente 6 anos, deverá o Estado indenizá-lo pelo erro judiciário. Caso se comprove que a decisão do magistrado foi tomada com base em motivos particulares ou com o interesse de prejudicar Isaías (dolo ou culpa), poderá o Estado ajuizar Ação Regressiva contra o juiz. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 43 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi 008. 008. (CEBRASPE/CESPE/PROC DF/PG DF/2022) Julgue o item subsequente, relativos aos direitos dos usuários de serviços públicos, a tombamento, à responsabilidade do Estado, a atos de improbidade administrativa e ao Plano Distrital de Política para Mulheres (PDPM). Em regra, atos jurisdicionais não são aptos a gerar indenização com base no regime jurídico da responsabilidade do Estado. A regra geral é a de que os atos jurisdicionais, assim como ocorre com os atos legislativos, não sejam objeto de responsabilização civil do Estado. Apenas nas hipóteses legalmente admitidas é que a responsabilidade poderá ocorrer em relação a tais espécies de atos. Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 44 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi RESUMORESUMO A responsabilidade civil do Estado, também conhecida como responsabilidade extracontratual, pode ser entendida como o meio através do qual as ações e omissões do Poder Público são passíveis de indenização aos particulares. O motivo da responsabilidade civil do Estado também ser conhecida como extracontratual deve-se ao fato de não estar fundamentada em um pacto expresso com os particulares. Se assim o fosse, ou seja, se estivéssemos diante de uma responsabilidade contratual, a responsabilização do Poder Público estaria condicionada à celebração de um contrato (ou outra espécie de pacto) com cada um dos administrados. Quatro são os elementos necessários para que reste configurada a responsabilidade civil do Estado: a) ato causado por um agente público ou decorrente de uma omissão do Poder Público. b) ocorrência de dano, que poderá ser patrimonial ou moral. c) nexo de causalidade entre o dano sofrido pelo particular e o ato praticado pelo agente público. d) alteridade, que implica na obrigação de que o prejuízo sofrido tenha sido provocado por outra pessoa que não o particular lesado e que não estejamos diante de uma situação em que o dano foi provocado por culpa exclusiva da vítima. Diversas foram as teorias que tentaram explicar a forma como deveria ocorrer a responsabilização do Estado diante de danos causados aos particulares. A teoria civilista tinha como principal objetivo tentar equiparar os agentes públicos aos particulares, de forma que apenas haveria responsabilidade do Estado nas estritas hipóteses em que o particular lesado conseguisse provar que o agente tivesse agido com dolo ou culpa. As teorias publicistas, por sua vez, representaram um grande avanço para os administrados. Por meio delas, não haveria mais a necessidade de comprovação de dolo ou culpa do Estado, mas sim apenas a configuração de dano aos particulares decorrente da atividade pública ou então a omissão ou falha na prestação de um serviço público. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 45 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi A teoria da irresponsabilidade afirmava que o rei era uma entidade enviada por Deus e que, por isso mesmo, não cometia erros. Assim, ainda que houvesse situações em que a administração pública causasse danos à população, a responsabilização jamais ocorreria. Importante salientar que a teoria da irresponsabilidade não chegou a vigorar majoritariamente em nosso país. No entanto, a mesma é utilizada, nos dias atuais, para a responsabilização dos atos legislativos e judiciários. Evoluindo no conceito de responsabilização do Poder Público, a teoria da culpa comum tinha como principal propósitoigualar a relação entre o Estado e os administrados com a relação entre particulares. Dessa forma, a administração pública apenas seria responsabilizada por eventuais prejuízos causados à coletividade caso os particulares lesados conseguissem provar que houve dolo (intenção) ou culpa dos agentes públicos no desempenho de suas atividades. No entanto, como o ônus da prova era do particular (que tinha que provar a culpa ou dolo do agente público), eram raras as situações em que os administrados conseguiam receber alguma indenização do Poder Público. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 46 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Com o aparecimento do Estado do bem estar social, coube ao Poder Público o oferecimento de condições sociais e direitos que iam muito além das atividades básicas até então asseguradas. Uma vez que o Estado tem a obrigação de prestar serviços públicos de qualidade para a população, o que se leva em conta, para efeitos de verificação da responsabilidade, não é o agente público (como ocorria na teoria da culpa civil), mas sim o serviço público como um todo. Por este motivo, tal teoria também é conhecida como culpa anônima. Ainda que seja uma teoria de caráter subjetivo (com a necessidade da comprovação de dolo ou culpa no desempenho do serviço público prestado), a teoria da culpa administrativa foi um dos maiores avanços no âmbito da responsabilização estatal. Basta observarmos, por exemplo, que tal teoria é a utilizada, em nosso ordenamento, para as hipóteses de omissão ou falha na prestação dos serviços públicos, sendo exigidos, para sua configuração, os seguintes elementos: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 47 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Por meio da teoria do risco administrativo, o Estado é obrigado a indenizar o particular em todas as situações em que aconteça dano, ainda que não haja dolo ou culpa do agente público na prestação dos serviços estatais. O risco administrativo, dessa forma, representa o maior avanço na responsabilização do Poder Público: se antes, por meio das teorias da culpa civil e da culpa administrativa, exigia-se a comprovação de dolo, culpa ou fraude (teorias de caráter subjetivo), com o risco administrativo a obrigação do Estado passou a existir com a simples existência de dano para o particular. Assim, podemos afirmar que todas as condutas dos agentes públicos causadoras de danos, sejam elas lícitas ou ilícitas, dão ensejo à responsabilização estatal. Para que a teoria do risco administrativo esteja configurada, os seguintes elementos são necessários: A doutrina admite que sejam analisados os excludentes de responsabilidade, que podem ser de caráter total ou parcial. No primeiro caso, estamos diante de uma situação em que o particular foi o único culpado pelos danos causados, gerando, como consequência, a exclusão da responsabilização do Poder Público. Na segunda situação, ambas as partes foram culpadas pelo dano, motivo que faz com que a responsabilização do Estado seja atenuada. Sobre os excludentes de responsabilização, a doutrina amplamente majoritária adota os seguintes entendimentos: a) culpa exclusiva da vítima ou de terceiro: exclusão da responsabilidade do Estado. b) culpa concorrente da vítima ou de terceiro: atenuação da responsabilidade do Estado. c) caso fortuito ou força maior: quase sempre tratados como sinônimos, implicando na exclusão da responsabilização (corrente majoritária) ou na atenuação da responsabilização (entendimentos minoritários). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 48 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi A teoria do risco integral em muito se assemelha à do risco administrativo, com a diferença de que no primeiro caso não são admitidos os excludentes total ou parcial de responsabilidade. Dessa forma, o risco integral determina que o Poder Público está obrigado a indenizar todos os danos que envolvam a atuação estatal, ainda que estes se originem de eventos da natureza, de caso fortuito ou força maior ou até mesmo de culpa exclusiva da vítima. Tal situação coloca o Estado na qualidade de “segurado universal”. Obs.: As situações em que a teoria do risco integral são admitidas são as seguintes: a) o dano decorrente de operações nucleares; b) os atentados terroristas em aeronaves; c) o dano ambiental; A teoria do risco social pode ser entendida como a coletivização da responsabilidade objetiva. Nestas situações, ainda que o particular tenha sofrido um dano, é a coletividade (normalmente por meio das contribuições tributárias) que financia a responsabilização. As teorias de responsabilização apresentadas podem ser resumidas por meio do seguinte quaro sinótico: Teoria da irresponsabilidade estatal O Estado jamais era responsabilizado pelos danos causados. Teoria da culpa civil (culpa anônima) Para que houvesse responsabilização, o particular deveria comprovar a culpa do agente estatal. (subjetiva) Teoria da culpa administrativa Para que haja responsabilização, o particular deve comprovar a omissão ou falha na prestação do serviço público. (subjetiva) Teoria do risco administrativo Para que haja responsabilização, basta que haja uma conduta do Poder Público causadora de danos aos particulares. (objetiva) Teoria do risco integral O Estado é responsabilizado por todos os danos decorrentes de suas ações, ainda que tenha ocorrido a culpa do particular ou o dano seja proveniente de eventos alheios (caso fortuito, força maior ou eventos da natureza). Teoria do risco social Em certas situações, a responsabilização estatal é compartilhada por toda a coletividade. (objetiva) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 49 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi As teorias subjetivas são assim chamadas pelo fato de haver a necessidade de comprovação da culpa do agente público ou da falha ou omissão dos serviços prestados. O sujeito da prestação do serviço público deve ter atuado com culpa ou dolo. Nas teorias objetivas, ao contrário, não há a necessidade de tal comprovação. Uma vez ocorrido o dano, ainda que este não seja resultante de culpa ou dolo do Poder Público, caberá ao Estado indenizar o particular. Estabelece a Constituição Federal (artigo 37, §6º) que As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. A previsão estabelece a teoria do risco administrativo. De acordo com esta teoria, as pessoas que estão obrigadas a responder pelos danos causados a particulares podem ser divididas em dois grupos: a) pessoas jurídicas de direito público: todaa administração direta, as autarquias e fundações públicas e as empresas públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviços públicos. b) pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos: são as delegatárias de serviço público (concessionárias, permissionárias e autorizatárias). O fluxo da ação de responsabilização civil pode ser visualizado da seguinte forma: a) Inicialmente, o agente público, agindo em nome do Estado, pratica uma ação (independentemente de ser ou não com dolo ou culpa) que resulta em dano ao particular. b) Comprovado o dano, o Estado deve indenizar o particular pelos prejuízos causados, conforme ação de indenização proposta por este. c) Tendo indenizado o particular, o Poder Público deve, nos casos em que tiver ocorrido dolo ou culpa do agente público, ajuizar a competente ação regressiva. Enquanto a ação de indenização proposta pelo particular lesado possui natureza objetiva (uma vez que independe de dolo ou culpa do agente público para a sua configuração), a ação regressiva possui natureza subjetiva (de forma que apenas poderá ser proposta caso o Estado comprove que o seu agente praticou a ação com dolo (intenção) ou culpa). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 50 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Diferentemente do que ocorre com os danos decorrentes de ações do Poder Público, não há uma disposição constitucional que regulamente qual a teoria a ser utilizada quando estamos diante de omissão de serviço público por parte do Estado. Coube à jurisprudência, neste sentido, estabelecer que a teoria a ser utilizada seria a da culpa administrativa. Por meio de tal teoria, temos que o Estado está obrigado a indenizar os particulares que tiverem sofrido danos decorrentes de omissão do serviço público ou de falha na sua prestação. Na responsabilidade civil por omissão, ao contrário do que ocorre na responsabilidade por ação, cabe ao particular a prova de que houve omissão ou falha na prestação do serviço público estatal. Por isso mesmo, estamos diante de uma teoria subjetiva. Uma pequena ressalva deve ser feita, conforme mencionado anteriormente, para as situações em que o Poder Público atua na qualidade de garante, ou seja, nas situações em que o Estado deve garantir a integridade das pessoas que estejam sob a sua custódia. Em todas estas situações, responde o Poder Público, em caso de dano, de maneira objetiva, ou seja, sem a necessidade de comprovação de dolo ou culpa do agente e sem a obrigação do particular comprovar a omissão ou falha no serviço público prestado Um ponto que merece ser destacado é a questão da responsabilidade civil em razão dos presos foragidos. Ainda que o Estado, no âmbito do sistema prisional, esteja na condição de garante, não são todos os atos praticados pelos presos foragidos que dão ensejo a uma eventual responsabilização do Poder Público. Nesta situação, para que a responsabilidade civil seja configurada, deve ser demonstrado o nexo causal direto entre o momento da fuga e a conduta praticada. Caso o preso foragido pratique algum ato que cause dano ao particular após um período considerável de tempo, ou então quando haja a formação de quadrilha com o objetivo de O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 51 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi praticar o ato danoso, não há nexo causal direto entre a fuga e o ato praticado, motivo pelo qual o STF entende não haver o dever do Poder Público de ser responsabilizado. Responsabilidade pelos atos praticados por Presos Foragidos Para a configuração da responsabilidade Deve ser demonstrado o nexo causal direto entre o momento da fuga e a conduta praticada. Situações que não ensejam a responsabilidade do Estado a) crime praticado após um período considerável de tempo b) formação de quadrilha com a finalidade de cometer algum crime Podemos traçar um paralelo entre os dois tipos de responsabilização, possibilitando a sedimentação da matéria mediante o quadro abaixo. Responsabilidade por ação Responsabilidade por omissão (regra geral) Teoria do risco administrativo Teoria da culpa administrativa Conceito constitucional Conceito doutrinário Teoria objetiva, de forma que não há necessidade de comprovação de dolo ou culpa Teoria subjetiva, de forma que há a necessidade de comprovação de que houve omissão ou falha na prestação do serviço público. Danos decorrentes de ações do Poder Público, com a ressalta dos casos de omissão em que a administração atua na condição de garante Danos decorrentes de omissões do Poder Público, com a ressalva dos casos de omissão em que a administração atua na condição de garante Para ensejar dano, o causador do mesmo deve estar investido na condição de agente público Para ensejar dano, o serviço pode ter sido não prestado ou prestado de maneira falha Diferentemente do que ocorre com os atos emanados pela administração pública, os atos legislativos e judiciais não admitem, em regra, a responsabilização estatal. Vigora para tais atos, por isso mesmo, a teoria da irresponsabilidade estatal. No tocante aos atos legislativos, duas são as possibilidades apontadas pela doutrina em que cabe a responsabilização estatal: a) leis de efeitos concretos: Normalmente, as normas editadas pelo poder legislativo possuem as características da generalidade (destinadas a toda a coletividade) e da abstração (não tratarem de situações concretas, mas sim de casos em tese). b) leis declaradas inconstitucionais pelo STF: No âmbito do Direito Constitucional, temos que o controle de constitucionalidade das leis pode ser exercido de duas formas: por meio do controle difuso (onde a declaração de inconstitucionalidade atinge apenas aquele que ajuizou a ação) e por meio do controle concentrado (onde a declaração tem efeitos para toda a coletividade). Em ambos os casos, caso haja a declaração de inconstitucionalidade pelo STF (e apenas por este), poderá haver a responsabilização pelos danos causados aos particulares. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 52 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi No que se refere aos atos judiciais, a lógica é a mesma, ou seja, a irresponsabilidade do Poder Público. Duas são as situações que dão ensejo à responsabilidade estatal: a) casos em que o Juiz responde por dolo ou fraude (com a intenção de prejudicar terceiro): Se o magistrado atuar com a intenção de prejudicar alguma das partes (ou até mesmo terceiro não relacionado com um processo específico), poderá ocorrer a responsabilização estatal. b) casos de erro judiciário: Estabelece a Constituição Federal, em seu artigo 5º, LXXV, que O Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença. Havendo erro por parte do Poder Judiciário, estará o Estado obrigado a indenizar o particular pelos danos decorrentes da decisão. Como consequência, verificando o Poder Público que o magistrado agiu com dolo ou culpa, poderá ajuizar a competente ação de ressarcimento. O conteúdo destelivro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 53 de 107www.grancursosonline.com.br MAPAS MENTAISMAPAS MENTAIS O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 54 de 107www.grancursosonline.com.br O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 55 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi QUESTÕES DE CONCURSOQUESTÕES DE CONCURSO 001. 001. (IADES/ADFA/SEAGRI DF/SEAGRI DF/ADMINISTRADOR/2023) No que tange à responsabilidade civil do Estado, assinale a alternativa correta. a) As pessoas jurídicas de direito público responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. b) As pessoas jurídicas de direito público e todas as pessoas de direito privado responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. c) O direito de regresso contra o responsável apenas pode ser exercido nos casos de dolo. d) O servidor público responsável pelo dano responde por ele de forma objetiva e tem direito de regresso contra o Estado. e) As pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos não responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. 002. 002. (IADES/GPPGG/SEPLAD DF/SEPLAD DF/ADMINISTRAÇÃO/2023) Quanto à responsabilidade civil do Estado por danos causados pelos seus agentes, é correto afirmar que o entendimento doutrinário do art. 37, § 6º, da Constituição Federal de 1988 – segundo o qual a ação somente pode ser proposta em face do Estado, não sendo lícito acionar diretamente o agente público – exprime a perspectiva da teoria do(a) a) duplo grau administrativo. b) duplo controle administrativo. c) dupla liberação. d) monismo administrativo. e) dupla garantia. 003. 003. (CEBRASPE/CESPE/AUX PER (POLC AL)/POLC AL/2023) Relativamente à responsabilidade do Estado e aos princípios da administração pública, julgue o item que se segue. Em casos de dano a pessoas causado por evento da natureza, o Estado poderá ser responsabilizado civilmente por omissão. 004. 004. (UFMT/OF (PM MT)/PM MT/COMBATENTE/2022) Leia o seguinte trecho extraído de artigo jurídico: A responsabilidade civil do Estado possui o seu fundamento legal nas disposições que foram estabelecidas no art. 37, § 6º, da vigente Constituição Federal de 1988. Ao administrado que suportar uma lesão decorrente de um ato praticado por um servidor, ou mesmo por um integrante das forças policiais, civis ou militares, bastará demonstrar o nexo de causalidade O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 56 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi entre o fato e o dano suportado para que possa ser indenizado. Essa responsabilidade é de natureza objetiva e não exige a comprovação de culpa por parte do lesado em razão do ato que foi praticado pelo agente que se encontrava a serviço do Estado. (...) Mas, apesar da natureza da responsabilidade que foi estabelecida pelo vigente texto constitucional, ao ser acionado judicialmente o Estado poderá provar que não foi o responsável pelo evento suportado pelo administrado. No exercício de sua defesa em juízo, o Estado poderá suscitar a ocorrência de uma das causas denominadas de excludentes da responsabilidade, como por exemplo, a culpa exclusiva ou concorrente da vítima, atos de terceiros, atos de multidões, ou mesmo o caso fortuito ou a força maior, que poderão excluir ou até mesmo reduzir a quantia a ser paga ao particular a título de indenização por danos materiais e ou morais. Se eventualmente, o Estado for acionado judicialmente em razão de atos praticados pelos integrantes das forças policiais, civis ou militares, poderá alegar em sua defesa, contestação, que o ato foi praticado sob o manto da coação administrativa, que autoriza o uso da força para a manutenção ou restabelecimento da ordem pública, tranquilidade e salubridade pública, e também é uma causa de exclusão da responsabilidade na lição de Otto Mayer. (ROSA, Paulo Tadeu Rodrigues. Excludentes de responsabilidade em face da autuação das forças policiais. Disponível em: https://www.jurisite.com.br/textos_juridicos/excludentes-de-responsabilidade-do-estado-em-face-da- -atuacao-das-forcas-policiais/. Acesso em: 05 jan. 2022.) Considerando o tema tratado no texto, qual a teoria adotada no direito pátrio para fundamentar a responsabilidade civil do Estado em razão de ato praticado por um servidor ou mesmo por um integrante das forças policiais, civis ou militares, segundo a jurisprudência e a doutrina dominantes? a) Teoria do risco administrativo b) Teoria do risco integral c) Teoria da culpa administrativa d) Teoria da culpa anônima e ) Teoria da culpa do serviço 005. 005. (AOCP/ANA PREV (IPE PREV)/IPE PREV/ANALISTA DE SISTEMAS/2022) Em relação à responsabilidade civil do Estado, a prescrição para as ações de reparação civil contra o Estado ocorre em a) dois anos. b) três anos. c) quatro anos. d) cinco anos. e) dez anos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 57 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi 006. 006. (SELECON/GM (SÃO GONÇALO)/PREF SÃO GONÇALO/NÍVEL III/2022) Eduardo Gibbs é perito oficial e recebe para análise um caso em que existe um quesito sobre a responsabilidade da vítima no evento que gerou o pedido de indenização contra o Estado. Observada a responsabilidade objetiva, uma das causas excludentes consiste na: a) ausência de dano material b) omissão do agente estatal c) discutibilidade do dano moral d) culpa exclusiva da vítima 007. 007. (FCC/ANA JD (DPE AM)/DPE AM/CIÊNCIAS JURÍDICAS/2022) A responsabilidade civil do Estado pelos danos causados por seus agentes é a) objetiva em relação a terceiros e permite o direito de regresso do Estado contra o servidor público responsável independentemente de dolo ou culpa. b) subjetiva em relação a terceiros e permite o direito de regresso do Estado contra o servidor público responsável nos casos de dolo ou culpa. c) objetiva em relação a terceiros e permite o direito de regresso do Estado contra o servidor público responsável nos casos de dolo ou culpa. d) subjetiva em relação a terceiros e permite o direito de regresso do Estado contra o servidor responsável independentemente de dolo ou culpa. e) objetiva em relação a terceiros e não permite o direito de regresso do Estado contra o servidor público responsável. 008. 008. (SELECON/ADTND (AMAZUL)/AMAZUL/ANALISTA DE NEGÓCIOS 40 HORAS/2022) Segundo a teoria da responsabilidade civil objetiva do Estado, se um agente público de um município causa dano patrimonial a um particular, quem responde pelo dano é: a) o município. b) o agente público. c) o município e o agentepúblico solidariamente. d) o agente público e o município subsidiariamente. 009. 009. (QUADRIX/AG (CRF GO)/CRF GO/ADMINISTRATIVO/2022) Quanto à responsabilidade civil do Estado, julgue o item. O Estado, segundo o direito positivo atual, não é obrigado a responder pelos danos que seus agentes causarem a terceiros. 010. 010. (QUADRIX/AG (CRF GO)/CRF GO/ADMINISTRATIVO/2022) Quanto à responsabilidade civil do Estado, julgue o item. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 58 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi A teoria da irresponsabilidade do Estado ainda é amplamente aplicada, sendo atualmente adotada no Brasil. 011. 011. (CEV UECE/ANA GES (METROFOR)/METROFOR/DIREITO/2022) Segundo o parágrafo 6º do artigo 37 da Lei Maior, “as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”. Com base nesta norma constitucional, a doutrina defende que a responsabilidade civil do Estado é a) objetiva, fundamentada pela teoria do risco administrativo. b) objetiva, fundamentada pela teoria da culpa civil. c) subjetiva, fundamentada pela teoria do risco integral. d) subjetiva, fundamentada pela teoria da culpa administrativa. 012. 012. (VUNESP/INV POL (PC SP)/PC SP/2022) A respeito da responsabilidade civil do Estado, é correto afirmar que a) a soberania estatal, assegurada na Carta Constitucional de 1988, impede que o ente estatal seja responsabilizado por danos causados aos cidadãos do próprio país, permitindo apenas a responsabilização por danos causados a nações estrangeiras. b) a responsabilização civil do Estado prescinde da comprovação do nexo causal entre ação ou omissão de agente ou órgão estatal e o dano causado a terceiro, sendo materialização da chamada teoria da “responsabilidade objetiva”. c) a chamada “teoria do risco integral” pressupõe a responsabilização do Estado por danos causados a terceiros exclusivamente no caso de dolo ou culpa grave dos agentes estatais e desde que o dano seja causado em decorrência da prestação de serviço público. d) as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. e) o desenvolvimento legislativo, doutrinário e jurisprudencial da noção de responsabilidade do Estado por danos causados aos cidadãos não contribui para a construção da noção jurídico-política de Estado Democrático de Direito. 013. 013. (VUNESP/DEL POL (PC SP)/PC SP/2022) A respeito da responsabilidade civil extracontratual da Administração, assinale a alternativa correta. a) A responsabilidade civil objetiva se aplica a danos causados a pessoas que possuam vínculo especial (estatutário ou contratual) com o estado. b) O Direito Brasileiro adota a teoria da culpa anônima. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 59 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi c) Por força da disposição constitucional, a Administração não pode ser eximida, em relações contratuais, da responsabilização por caso fortuito ou força maior. d) Ainda que a conduta estatal seja lícita, ficará caracterizada a responsabilidade do Estado quando comprovada a ilicitude do dano. e) As pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos somente respondem de forma objetiva a danos causados aos usuários do serviço público. 014. 014. (FGV/INV POL (PC RJ)/PC RJ/2022) João, investigador policial da Polícia Civil do Estado Alfa, cumpria diligência determinada por delegado de polícia no bojo de inquérito policial que apura crime de associação para o tráfico de drogas. Para tanto, João realizava o mapeamento de determinada rua, quando, por descuido, deixou sua arma cair no chão, causando um disparo que atingiu a perna de Maria, moradora da comunidade. Após receber alta no hospital onde foi atendida, Maria procurou a Defensoria Pública e ajuizou ação indenizatória em face: a) de João, diretamente, com base em sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessária a comprovação de ter o policial agido com culpa ou dolo; b) de João, diretamente, com base em sua responsabilidade civil subjetiva e solidária, sendo necessária a comprovação de ter o policial agido com culpa ou dolo; c) da Polícia Civil do Estado Alfa, com base em sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessária a comprovação de ter agido João com culpa ou dolo; d) do Estado Alfa, com base em sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessária a comprovação de ter agido João com culpa ou dolo; e) do Estado Alfa, com base em sua responsabilidade civil subjetiva, sendo necessária a comprovação de ter agido João com culpa ou dolo. 015. 015. (FGV/OAB UNI NAC/OAB/2022) Márcio é policial militar do Estado Ômega e, ao longo de suas férias, em movimentada praia no litoral do Estado Alfa, durante festa em que se encontrava à paisana, envolveu-se em uma briga, durante a qual sacou a arma da corporação, que sempre portava, e desferiu tiros contra Bernardo, que veio a óbito imediato. Mirtes, mãe de Bernardo, pretende ajuizar ação indenizatória em decorrência de tal evento. Sobre a situação narrada, assinale a afirmativa correta. a) A ação indenizatória não poderá ser ajuizada em face do Estado Ômega, na medida em que o fato ocorreu no território do Estado Alfa. b) A ação deverá ser ajuizada em face da União, que é competente para promover a segurança pública. c) Há legitimidade passiva do Estado Ômega, considerando que Márcio tinha a posse de uma arma da corporação, em decorrência da qualidade de agente público. d) O Estado Ômega deve responder civilmente pela conduta de Márcio, já que o ordenamento jurídico pátrio adotou a teoria do risco integral. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 60 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi 016. 016. (FGV/JE TJMG/TJ MG/2022) A Constituição Federal adotou a teoria da responsabilidade objetiva do Estado, através da qual o Estado responde, em razão de sua atividade, se causar danos a terceiros. Sobre a responsabilidade objetiva do Estado, analise as afirmativas a seguir. I – Na responsabilidade objetiva, o particular deve demonstrar o ato da administração pública, o dano e o nexo de causalidade, preenchendo os requisitos para a indenização. II – Na responsabilidade objetiva, se houver a culpa da vítima, afasta-se o dever de indenizar, pois o Estado não responde sempre. III – Não é preciso provar a culpa do Estado, em caso de responsabilidade subjetiva, ocorrendo omissão estatal que provoque danos ao particular. Está correto o que se afirma em a) I, somente. b) II e III, somente. c) I, II e III. d) I e II, apenas. 017. 017. (FGV/TNS (SSP AM)/SSP AM/2022) José é servidor público ocupante do cargo efetivo de Técnico de Nível Superior da Secretaria de Segurança Pública do Estado Alfa e, no exercícioda função, praticou ato ilícito que, com nexo causal, causou danos materiais a Davi, usuário do serviço público, inexistindo qualquer causa de exclusão da responsabilidade. No caso em tela, eventual ação indenizatória deverá ser ajuizada por Davi em face a) da Secretaria de Segurança Pública do Estado Alfa, com base em sua responsabilidade civil subjetiva, sendo necessário se comprovar o elemento subjetivo na conduta do agente, que deverá responder em ação regressiva, caso haja condenação da referida Secretaria e João tenha agido com culpa ou dolo. b) da Secretaria de Segurança Pública do Estado Alfa, com base em sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessário se comprovar o elemento subjetivo na conduta de João, que não está sujeito à ação regressiva, pela teoria do risco administrativo. c) de João, diretamente, com base em sua responsabilidade civil subjetiva, sendo necessário se comprovar o elemento subjetivo em sua conduta, e o Estado Alfa está sujeito à ação regressiva, pela teoria do risco administrativo, caso João seja condenado. d) do Estado Alfa, com base em sua responsabilidade civil subjetiva, sendo necessário se comprovar o elemento subjetivo na conduta de João, que não está sujeito à ação regressiva, pela teoria do risco administrativo. e) do Estado Alfa, com base em sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessário se comprovar o elemento subjetivo na conduta de João, que deverá responder em ação regressiva, caso haja condenação do referido Estado e o agente tenha agido com culpa ou dolo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 61 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi 018. 018. (FGV/ALUN OF (PM AM)/PM AM/2022) O PM José, da Polícia Militar do Estado Alfa, e sua equipe realizavam operação policial em determinada comunidade para reprimir o tráfico de drogas e, durante troca de tiros com criminosos, atingiu a perna da criança Maria, de 4 anos, moradora da localidade. O laudo de confronto balístico tornou incontestável o fato de que o projétil de arma de fogo que lesionou a criança partiu do fuzil do Policial José. A criança Maria, representada pelos seus pais, procurou a Defensoria Pública e ajuizou ação indenizatória em face a) de José, por sua responsabilidade civil direta e objetiva, sendo desnecessária a comprovação de ter agido com dolo ou culpa, com base na teoria do risco administrativo. b) do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil subjetiva, sendo necessária a comprovação de ter agido o PM José com dolo ou culpa. c) da Polícia Militar do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil subjetiva, sendo necessária a comprovação de ter agido o PM José com dolo ou culpa. d) do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessária a comprovação de ter agido o PM José com dolo ou culpa, com base na teoria do risco administrativo. e) da Polícia Militar do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessária a comprovação de ter agido o PM José com dolo ou culpa, com base na teoria do risco administrativo. 019. 019. (FGV/ESC POL (PC AM)/PC AM/4ª CLASSE/2022) Maria, Escrivã de Polícia Civil do Estado Gama, no exercício da função, no bojo de um inquérito policial, ao digitar um ato de indiciamento cujo conteúdo estava sendo ditado pelo Delegado Titular, de forma dolosa, com objetivo de prejudicar André, seu antigo desafeto, inseriu a qualificação completa de André como sendo indiciado. Mesmo sabendo que André não tinha qualquer relação com os fatos investigados, Maria induziu a Autoridade Policial a erro. Meses depois, André foi citado em ação penal e, após se inteirar dos fatos, conseguiu reunir provas não apenas de sua inocência, mas também de que se tratou de uma armação dolosamente feita por Maria. Eventual ação indenizatória manejada por André deverá ser ajuizada em face da(o) a) Polícia Civil do Estado Gama, por sua responsabilidade civil objetiva, assegurado o direito de regresso em face de Maria. b) Polícia Civil do Estado Gama, por sua responsabilidade civil subjetiva, vedado o direito de regresso em face de Maria. c) Estado Gama, por sua responsabilidade civil objetiva, assegurado o direito de regresso em face de Maria. d) Estado Gama, por sua responsabilidade civil subjetiva, assegurado o direito de regresso em face de Maria. e) Maria, por sua responsabilidade civil objetiva, vedado o direito de regresso em face do Estado Gama. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 62 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi 020. 020. (FGV/AJ (TJDFT)/TJDFT/APOIO ESPECIALIZADO/ADMINISTRAÇÃO/2022) Armando, tinha interesse em compreender as teorias que dispõem sobre a responsabilidade civil extracontratual da Administração Pública. Após ampla pesquisa, identificou a teoria adotada no direito brasileiro para justificar a responsabilização objetiva da Administração Pública por atos praticados por seus servidores, constatando, ainda, que essa responsabilização pode ser afastada se houver culpa exclusiva da vítima. Trata-se da teoria: a) dos atos de império, sendo a responsabilização afastada, na hipótese indicada, porque o dano decorreu de ato de outrem, não de ato de império; b) da culpa administrativa, sendo a responsabilização afastada, na hipótese indicada, porque o dano não pode ser atribuído ao mau funcionamento do serviço; c) do risco integral, sendo a responsabilização afastada, na hipótese indicada, em razão da presença do elemento subjetivo culposo no agir da vítima; d) do risco administrativo, sendo a responsabilização afastada, na hipótese indicada, em razão da ausência do nexo de causalidade entre o atuar estatal e o dano causado; e) da culpa do serviço público, sendo a responsabilização afastada, na hipótese indicada, porque o mau funcionamento do serviço, ainda que tenha ocorrido, não foi preponderante. 021. 021. (FGV/TJ (TJDFT)/TJDFT/ADMINISTRATIVA/2022) Joana, servidora pública estadual, no exercício regular de suas funções, estava operando uma empilhadeira em um galpão da Secretaria Municipal de Obras do Município Beta. Nesse contexto, causou danos ao veículo automotor que se encontrava estacionado, de Tiago, o qual comparecera ao prédio anexo, da mesma repartição, para solicitar uma licença de construção. Nesse caso, a responsabilidade civil pelos danos causados ao bem de Tiago é: a) do Município Beta ou de Joana, mas apenas se for demonstrada a culpa desta última; b) do Município Beta, apenas se for demonstrada a culpa de Joana; c) do Município Beta, sendo demonstrada, ou não, a culpa de Joana; d) do Município Beta, ainda que haja culpa exclusiva de Tiago; e) apenas de Joana, sendo demonstrada, ou não, a sua culpa. 022. 022. (FGV/AS (SEMSA MANAUS)/PREF MANAUS/CONDUTOR DE AMBULÂNCIA CATEGORIA/2022) João, servidor público ocupante do cargo efetivo de Assistente em Saúde Condutor de Ambulância do Município de Manaus, no exercício da função, não observou o sinal vermelho e bateu o veículo que conduzia no carro de Joaquim, que trafegava observando regularmente as leis de trânsito. No caso em tela, de acordo com a Constituição da República, sem necessidade de comprovar que João agiu com dolo ou culpa, Joaquim deve direcionar ação indenizatória em face O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e aqualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 63 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi a) do próprio João, que deve indenizar imediatamente Joaquim, sob pena de perder o cargo. b) da Secretaria Municipal de Transporte de Manaus, órgão onde João está lotado. c) da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus, órgão ao qual João está vinculado. d) do Estado do Amazonas, pois se aplica a responsabilidade civil objetiva do Estado. e) do Município de Manaus, que possui direito de regresso contra João, comprovado seu dolo ou culpa. 023. 023. (FGV/AUX (MPE SC)/MPE SC/2022) Joana, ocupante do cargo de auxiliar administrativo do Ministério Público do Estado Alfa, durante atendimento no balcão da Secretaria da Promotoria onde está lotada, recebeu do cidadão José uma representação escrita, narrando graves fatos ilícitos que ensejariam a atuação do Ministério Público, que o noticiante imputava a determinada sociedade empresária. Tendo em vista que o sócio administrador da referida sociedade é irmão de Joana, a servidora resolveu não dar andamento à notícia e rasgou o documento escrito trazido por José. Diante da não atuação do Ministério Público no caso, exclusivamente em razão da conduta de Joana, José sofreu comprovados danos materiais. Inconformado com a conduta da servidora e a omissão do parquet, José ajuizou ação indenizatória em face: a) de Joana, por sua responsabilidade civil objetiva, de maneira que não será necessária a comprovação de ter agido a servidora com dolo ou culpa; b) do Ministério Público do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil objetiva, de maneira que não será necessária a comprovação de ter agido Joana com dolo ou culpa; c) do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil objetiva, de maneira que não será necessária a comprovação de ter agido Joana com dolo ou culpa; d) do Ministério Público do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil subjetiva, de maneira que será necessária a comprovação de ter agido Joana com dolo ou culpa; e) do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil subjetiva, de maneira que será necessária a comprovação de ter agido Joana com dolo ou culpa. 024. 024. (FGV/ES (SEMSA MANAUS)/PREF MANAUS/ADVOGADO/2022) Fernando, servidor público do Município Alfa, conduzia veículo oficial em via pública, imprimindo velocidade bem superior à permitida. Em razão da conduta culposa por imprudência, Fernando abalroou o carro de Moacir, que sofreu danos materiais. Moacir ajuizou ação indenizatória em face do Município Alfa, e obteve sentença, que acaba de transitar em julgado, com a procedência do pedido. Observado o texto constitucional e o entendimento do Supremo Tribunal Federal, com intuito de ser ressarcido pelo prejuízo que sofreu, o Município Alfa deve ajuizar ação regressiva em face de Fernando, com base em sua responsabilidade civil O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 64 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi a) subjetiva, pois o agente público tem o dever de ressarcir os cofres públicos independentemente da comprovação de ter agido com culpa ou dolo, incidindo no caso narrado a teoria do risco administrativo que dispensa a comprovação do elemento subjetivo para fins de ressarcimento ao erário. b) subsidiária, pois o agente público tem o dever de ressarcir o erário municipal, independentemente de ter agido com culpa ou dolo, incidindo no caso narrado a teoria da dupla garantia: a primeira para o particular Moacir que teve assegurada a responsabilidade em face do Município; e a segunda para o servidor Fernando, que somente responderá perante o ente público. c) objetiva, pois o agente público tem o dever de ressarcir o erário municipal, independentemente de ter agido com dolo ou culpa, incidindo no caso narrado a teoria do risco administrativo que dispensa a comprovação do elemento subjetivo para fins de ressarcimento ao erário. d) subjetiva, pois o agente público tem o dever de ressarcir o erário municipal, porque agiu com culpa, incidindo no caso narrado a teoria da dupla garantia: a primeira para o particular Moacir que teve assegurada a responsabilidade objetiva, não necessitando comprovar dolo ou culpa de Fernando; e a segunda para o servidor Fernando, que somente responderá perante o ente municipal. e) objetiva, pois o agente público tem o dever de ressarcir o erário municipal, porque agiu com culpa, incidindo no caso narrado a teoria da dupla garantia: a primeira para o particular Moacir que teve assegurada a responsabilidade subjetiva, não necessitando comprovar dolo ou culpa de Fernando; e a segunda para o servidor Fernando, que somente responderá perante o ente municipal. 025. 025. (FGV/CONT DIST (TJ TO)/TJ TO/CIÊNCIAS CONTÁBEIS/2022) João, servidor público ocupante do cargo efetivo de contador/distribuidor do Tribunal de Justiça do Estado Ômega, no exercício de suas funções, destruiu os autos físicos de um processo judicial em que seu desafeto Antônio figurava como parte autora, com o objetivo de prejudicá-lo. Em razão do ato ilícito praticado por João, o jurisdicionado Antônio sofreu danos materiais e morais. Inconformado, Antônio contratou advogado e ajuizou ação indenizatória em face: a) de João, na qualidade de responsável direto pelo ato ilícito, e é desnecessária a comprovação de ter agido o agente público João com dolo ou culpa; b) do Tribunal de Justiça do Estado Ômega, e é necessária a comprovação de ter agido o agente público João com dolo ou culpa; c) do Tribunal de Justiça do Estado Ômega, e é desnecessária a comprovação de ter agido o agente público João com dolo ou culpa; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 65 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi d) do Estado Ômega, e é necessária a comprovação de ter agido o agente público João com dolo ou culpa; e) do Estado Ômega, e é desnecessária a comprovação de ter agido o agente público João com dolo ou culpa. 026. 026. (FGV/TJ (TJ TO)/TJ TO/APOIO JUDICIÁRIO E ADMINISTRATIVO/2022) Pedro, chefe do setor de transportes da Prefeitura do Município Alfa, foi informado de que um dos motoristas vinculados ao órgão, conduzindo o veículo oficial durante o expediente, colidira com outro veículo, daí decorrendo lesões corporais no motorista deste último. Preocupado, levou o fato ao conhecimento do seu superior e indagou se o ocorrido acarretaria a responsabilidade civil do Município pelos danos causados ao outro motorista. Foi-lhe respondido, corretamente, que o Município: a) somente será responsabilizado se for demonstrada a culpa de Pedro; b) será responsabilizado independentemente da culpa de Pedro, salvo se tiver ocorrido culpa exclusiva da vítima; c) não será responsabilizado, pois a atuação de Pedro, à margem da juridicidade, não lhe pode ser imputada; d) será responsabilizado independentemente da culpa de Pedro, mesmo que tenha ocorrido culpa exclusiva da vítima; e) somente será responsabilizado pela indenização de metade dos danos causados, cabendo a outra metade a Pedro. 027. 027. (FGV/AG SG PEN (DEPEN MG)/DEPEN MG/2022) Mário, servidor público estadual, ao conduzir em serviço automóvel pertencente à autarquia estadual em que estava lotado,aqueles que exercem suas atribuições em caráter temporário ou sem o recebimento de remuneração. DICA A principal finalidade do Poder Público é garantir o bem estar da coletividade. Para alcançar este bem estar, o Estado promove uma série de ações. Como o Estado é uma pessoa jurídica, suas ações são executadas pelos agentes públicos . Em caso de dano decorrente das ações de tais agentes, é o Estado quem deve ser responsabilizado . O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 6 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi A responsabilidade civil do Estado, também conhecida como responsabilidade extracontratual, pode ser entendida como o meio através do qual as ações e omissões do Poder Público são passíveis de indenização aos particulares. O motivo da responsabilidade civil do Estado também ser conhecida como extracontratual deve-se ao fato de não estar fundamentada em um pacto expresso com os particulares. Se assim o fosse, ou seja, se estivéssemos diante de uma responsabilidade contratual, a responsabilização do Poder Público estaria condicionada à celebração de um contrato (ou outra espécie de pacto) com cada um dos administrados. Quatro são os elementos necessários para que reste configurada a responsabilidade civil do Estado: a) ato causado por um agente público ou decorrente de uma omissão do Poder Público. b) ocorrência de dano, que poderá ser patrimonial ou moral. c) nexo de causalidade entre o dano sofrido pelo particular e o ato praticado pelo agente público. d) alteridade, que implica na obrigação de que o prejuízo sofrido tenha sido provocado por outra pessoa que não o particular lesado e que não estejamos diante de uma situação onde o dano foi provocado por culpa exclusiva da vítima. EXEMPLO Carlos, agente público de saúde, está levando uma paciente para consultar no hospital regional. Por imprudência, adentra com o veículo da repartição na contramão, situação que acaba por ocasionar um acidente com outro veículo que trafegava normalmente. Houve um ato causado por agente público?Houve um ato causado por agente público? Certamente que sim. Houve dano?Houve dano? Afirmativo, uma vez que a colisão trouxe prejuízo ao particular. Houve nexo de causalidade?Houve nexo de causalidade? Sim, pois o dano apenas ocorreu em virtude da ação do agente público. Houve alteridade?Houve alteridade? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 7 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Considerando que o prejuízo foi praticado por outra pessoa que não o particular e que não houve culpa exclusiva desta (que transitava legalmente com seu veículo), podemos afirmar que tal requisito também está preenchido. Logo, uma vez que os quatro requisitos estão preenchidos, estamos diante da responsabilidade civil do Estado. 2 . EvoLUÇÃo DAs tEoRiAs DE REsPonsABiLiZAÇÃo2 . EvoLUÇÃo DAs tEoRiAs DE REsPonsABiLiZAÇÃo Diversas foram as teorias que tentaram explicar a forma como deveria ocorrer a responsabilização do Estado diante de danos causados aos particulares. Neste contexto, a responsabilização do Poder Público passou pelo período da completa irresponsabilidade, evoluiu para a teoria civilista e, posteriormente, para as teorias publicistas. A teoria civilista tinha como principal objetivo tentar equiparar os agentes públicos aos particulares, de forma que apenas haveria responsabilidade do Estado nas estritas hipóteses em que o particular lesado conseguisse provar que o agente tivesse agido com dolo ou culpa. As teorias publicistas, por sua vez, representaram um grande avanço para os administrados. Por meio delas, não haveria mais a necessidade de comprovação de dolo ou culpa do Estado, mas sim apenas a configuração de dano aos particulares decorrente da atividade pública ou então a omissão ou falha na prestação de um serviço público. Pode-se afirmar, dessa forma, que a evolução das teorias de responsabilização do Poder Público está diretamente ligada à própria evolução das atividades estatais. Se antes o Estado O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 8 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi se preocupava apenas com as necessidades básicas da população, nos dias atuais é dever da administração pública assegurar o bem estar de toda a coletividade, dando ensejo ao surgimento do “Estado do bem estar social”. 2 .1 . tEoRiA DA iRREsPonsABiLiDADE2 .1 . tEoRiA DA iRREsPonsABiLiDADE Fruto dos regimes absolutistas, afirmava que o rei era uma entidade enviada por Deus e que, por isso mesmo, não cometia erros. Assim, ainda que houvesse situações em que a administração pública causasse danos à população, a responsabilização jamais ocorreria. Como o Estado, na maioria das vezes, era fruto do feudalismo e das regalias, parte da doutrina chama a teoria da irresponsabilidade estatal de regalista ou feudal. Dado o seu caráter injusto, e considerando que o Poder Público também tinha a obrigação de garantir a integridade e o bem estar social da coletividade, a irresponsabilidade do Estado deixou de ser aplicada com o passar dos anos (Estados Unidos e França foram os últimos países a abandonar tal corrente). Importante salientar que a teoria da irresponsabilidade não chegou a vigorar majoritariamente em nosso país. No entanto, a mesma é utilizada, nos dias atuais, para a responsabilização dos atos legislativos e judiciários. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 9 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi 2.2. TEORIA DA CULPA CIVIL (OU CULPA COMUM)2.2. TEORIA DA CULPA CIVIL (OU CULPA COMUM) Evoluindo no conceito de responsabilização do Poder Público, a teoria da culpa comum tinha como principal propósito igualar a relação entre o Estado e os administrados com a relação entre particulares. Dessa forma, a administração pública apenas seria responsabilizada por eventuais prejuízos causados à coletividade caso os particulares lesados conseguissem provar que houve dolo (intenção) ou culpa dos agentes públicos no desempenho de suas atividades. No entanto, como o ônus da prova era do particular (que tinha que provar a culpa ou dolo do agente público), eram raras as situações em que os administrados conseguiam receber alguma indenização do Poder Público. Como havia a necessidade da ocorrência de um ato com dolo ou culpa dos agentes públicos, tal teoria é classificada como subjetiva. Salienta-se que tal teoria é a aplicada, atualmente, no âmbito das relações entre particulares, sendo necessário, para a sua configuração, a presença dos seguintes elementos: EXEMPLO João e sua família estão viajando de férias à bordo de seu veículo. Um pedestre que ali se encontra, por imprudência, joga um objeto na pista, de forma que João não consegue desviar e acaba tendo que passar, com seu veículo,calculou mal o espaço para fazer uma curva e, ainda que não estivesse em excesso de velocidade, acabou colidindo contra o automóvel de Lucas, que estava corretamente estacionado na via pública. Acerca desse cenário, a responsabilidade civil do Estado no caso descrito é a) aquiliana e objetiva, nos termos da teoria do risco administrativo. b) extracontratual e subjetiva, nos termos da teoria do risco administrativo. c) contratual e objetiva, nos termos da teoria do risco integral. d) contratual e subjetiva, nos termos da teoria do risco integral. e) aquiliana e objetiva, nos termos da teoria do risco integral. 028. 028. (FGV/AJ TRT16/TRT 16/ADMINISTRATIVA/”SEM ESPECIALIDADE”/2022) Joaquim, servidor público federal do Tribunal Regional do Trabalho da Wª Região, no exercício da função, com objetivo de prejudicar seu vizinho Antônio, seu antigo desafeto, arquivou indevidamente um O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 66 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi processo de reclamação trabalhista em que Antônio figurava como reclamante. Em razão da conduta ilícita de Joaquim, Antônio sofreu danos materiais e morais. Inconformado com o ocorrido, Antônio ajuizou ação indenizatória em face a) do TRT da Wª Região, por sua responsabilidade civil objetiva. b) do TRT da Wª Região, por sua responsabilidade civil subjetiva. c) de Joaquim, diretamente, por sua responsabilidade civil objetiva. d) da União, por sua responsabilidade civil subjetiva. e) da União, por sua responsabilidade civil objetiva. 029. 029. (CEBRASPE (CESPE)/ADM (FUB)/FUB/2022) A respeito da responsabilidade civil do Estado, julgue o item que se segue. Somente os danos ocasionados por agentes pertencentes aos quadros das pessoas jurídicas de direito público dão ensejo à responsabilidade civil do Estado. 030. 030. (CEBRASPE (CESPE)/DP RS/DPE RS/2022) Cada um dos próximo item apresenta uma situação hipotética seguida de uma assertiva, a ser julgada de acordo com o entendimento dos tribunais superiores acerca da responsabilidade civil do Estado. Uma professora da rede estadual de ensino recebia, havia meses, ofensas e ameaças de agressão e morte feitas por um dos alunos da escola. Em todas as oportunidades, ela reportou o ocorrido à direção da escola, que, acreditando que nada ocorreria, preferiu não admoestar o aluno. Em determinada data, dentro da sala de aula, esse aluno desferiu um soco no rosto da professora, causando-lhe lesões aparentes, o que a motivou a ingressar com demanda judicial indenizatória contra o Estado. Nessa situação hipotética, não há responsabilidade do Estado, já que o dano foi provocado por terceiro. 031. 031. (CEBRASPE (CESPE)/DP RS/DPE RS/2022) Cada um dos próximo item apresenta uma situação hipotética seguida de uma assertiva, a ser julgada de acordo com o entendimento dos tribunais superiores acerca da responsabilidade civil do Estado. Um detento em cumprimento de pena em regime fechado empreendeu fuga do estabelecimento penal. Decorridos aproximadamente três meses da fuga, ele cometeu o crime de latrocínio, em conjunto com outros agentes. Sabendo da fuga, a família da vítima ingressou com ação para processar o Estado. Nessa situação hipotética, há responsabilidade estatal, haja vista a omissão na vigilância e na custódia de pessoa que deveria estar presa, além da negligência da administração pública no emprego de medidas de segurança carcerária. 032. 032. (CEBRASPE (CESPE)/AAMB (ICMBIO)/ICMBIO/2022) No que diz respeito ao direito administrativo, julgue o item a seguir. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 67 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi O Estado tem responsabilidade subsidiária por danos materiais causados a candidatos em concurso público organizado por pessoa jurídica de direito privado no caso de cancelamento das provas por indícios de fraude. 033. 033. (CEBRASPE (CESPE)/AAAJ (DP DF)/DP DF/DIREITO E LEGISLAÇÃO/2022) Acerca da responsabilidade civil do Estado, dos serviços públicos e da organização administrativa, julgue o seguinte item. A responsabilização civil do Estado pressupõe, conjunta e necessariamente, as implicações penais e administrativas decorrentes do dano. 034. 034. (CEBRASPE (CESPE)/TCE TCE RJ/TCE RJ/TÉCNICO/2022) João, servidor público, praticou ato administrativo que causou prejuízo a um particular. Percebendo a ilegalidade decorrente da prática desse ato, João revogou-o. Mesmo assim, o particular resolveu pedir indenização e ajuizou ação de responsabilidade civil do Estado em face do ato de João, alegando que o dano já havia sido concretizado. A partir dessa situação hipotética, julgue o item a seguir. Para fins de responsabilidade civil do Estado, é necessário que João tenha agido na condição de servidor público. 035. 035. (CEBRASPE (CESPE)/PER OF (PC PB)/PC PB/CRIMINAL/ÁREA GERAL/2022) A responsabilidade civil do Estado impõe que a) a ilicitude do agente seja um ato antijurídico. b) o ato de improbidade seja crime próprio de servidor público. c) a prescrição quinquenal contra a fazenda pública restrinja-se a pessoas jurídicas de direito público da administração direta e indireta. d) seja confirmado o nexo causal entre o fato administrativo e o dano provocado pela conduta, para a comprovação da responsabilidade objetiva do Estado. e) a ação regressiva contra servidor que cause ilícito e aja com dolo ou culpa seja imprescritível. 036. 036. (CEBRASPE (CESPE)/ADM (FUB)/FUB/2022) A respeito da responsabilidade civil do Estado, julgue o item que se segue. Segundo a jurisprudência do STF, os danos ocasionados a determinada pessoa em razão de crime cometido por foragido do sistema prisional ensejam a responsabilidade civil do Estado, ainda que o nexo de causalidade seja presumido, dado o dever estatal de vigilância em relação aos presidiários sob sua custódia. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 68 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi 037. 037. (CEBRASPE (CESPE)/JE TJMA/TJ MA/2022) Após um plano de fuga bem sucedido, um presidiário praticou o crime de estupro de vulnerável, mediante violência, causando a morte da vítima. Indignados com o ocorrido, os pais da vítima ingressaram com ação judicial na qual requereram a condenação do Estado à concessão de pensão vitalícia e pagamento de indenização por danos morais, alegando a responsabilidade objetiva estatal e a falha na prestação do serviço de segurança pública como fundamentos do pedido. Nessa situação hipotética, considerada a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre o tema, a demanda deverá ser julgada a) procedente, pois a responsabilidade objetiva no caso torna presumida a ocorrência do dano moral. b) improcedente no que se refere ao pedido de concessão de pensão vitalícia, dada a condição de vulnerabilidade da vítima. c) procedente, em virtude da ocorrência da falha no serviço de segurança do presídio. d) improcedente, pois não é possível estabelecer o nexo causal entre a fuga do preso e o dano causado em decorrência do crime. e) improcedente, pois a responsabilidadecivil por dano resultante de omissão do Estado é subjetiva. 038. 038. (FGV/AG POL (RN)/PC RN/2021) Maria, escrivã de Polícia Civil no Estado Alfa, ao digitar o auto de qualificação do investigado João da Silva de Tal, no bojo de inquérito policial, cometeu erro de grafia, de maneira que acabou escrevendo o nome de outra pessoa, quase homônima, que nenhuma relação tinha com o caso, João da Salva de Tal. Diante de tal erro no procedimento de identificação, por falta de cuidado de Maria na fase investigatória, João da Salva de Tal foi denunciado pelo Ministério Público, respondeu à ação penal, mas ao final foi absolvido. Após procurar a Defensoria Pública, João da Salva de Tal manejou ação indenizatória em face: a) do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessária a comprovação do elemento subjetivo do dolo ou culpa de Maria; b) da Polícia Civil do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil subjetiva, sendo necessária a comprovação do elemento subjetivo do dolo ou culpa de Maria; c) de Maria, por sua responsabilidade civil subjetiva, sendo desnecessária a comprovação do elemento subjetivo do dolo ou culpa em sua conduta; d) do delegado titular da delegacia, por sua responsabilidade civil solidária, pela culpa in vigilando, sendo desnecessária a comprovação do dolo ou culpa de Maria; e) da Polícia Civil do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessária a comprovação do elemento subjetivo do dolo ou culpa de Maria. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 69 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi 039. 039. (CEBRASPE (CESPE)/AGFEP (DEPEN)/DEPEN/2021) Jorge, chefe de repartição vinculada a órgão público federal, determinou, de forma expressa, que todos os servidores deveriam tratar os administrados com respeito e urbanidade e que não toleraria ofensa verbal. No entanto, Bruno, um de seus subordinados que exerce cargo em comissão e não possui cargo efetivo, cometeu grave insubordinação em serviço ao insultar Fernanda, uma administrada que havia solicitado informações sobre o andamento de processo que tramitava no referido órgão. Jorge, na figura de autoridade pública competente, abriu processo administrativo disciplinar contra Bruno, que culminou na aplicação de pena de suspensão por 90 dias ao insubordinado. Considerando essa situação hipotética e os dispositivos da Lei n.º 8.112/1990 e da Lei n.º 9.784/1999, bem como as disposições a respeito dos poderes administrativos e da responsabilidade civil do Estado no direito brasileiro, julgue o item subsequente. Fernanda, caso tenha se sentido ofendida por ter sido destratada, poderá ajuizar ação de responsabilidade civil contra a União, devendo comprovar o dolo ou a culpa de Bruno para eventualmente lograr êxito na ação. 040. 040. (CEBRASPE (CESPE)/ANA MIN (MPE AP)/MPE AP/PSICOLOGIA/2021) Acerca da responsabilidade civil do Estado, julgue os itens a seguir. I – A teoria adotada no Brasil sobre a responsabilidade civil do Estado é a teoria da culpa administrativa. II – Se determinado agente público, nessa qualidade, causou dolosamente um dano à terceiro, então é facultado a este propor ação diretamente contra o agente público. III – Nas causas em que o Estado for condenado por ato de agente público, este poderá responder regressivamente, de maneira subjetiva, perante o Estado. Assinale a opção correta. a) Apenas o item I está certo. b) Apenas o item III está certo. c) Apenas os itens I e II estão certos. d) Apenas os itens II e III estão certos. e) Todos os itens estão certos. 041. 041. (FGV/ASS ADM (TCE-PI)/TCE-PI/2021) Antônio, ocupante do cargo efetivo de Assistente de Administração de determinado Tribunal de Contas estadual, está lotado no setor de protocolo, onde recebe documentos e correspondências externas. Por descuido, ao receber ofício subscrito por certo Prefeito Municipal, Antônio acabou se distraindo e colocou o documento numa pilha de papéis que seriam destruídos e, em seguida, o incinerou. Por O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 70 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi não ter sido juntado o ofício ao correlato processo administrativo, o Prefeito jurisdicionado acabou sendo multado pela Corte de Contas e alega que sofreu danos materiais e morais. No caso narrado, em tese, aplicar-se-ia a responsabilidade civil: a) subjetiva do Tribunal de Contas, sendo necessária a comprovação de ter agido Antônio com dolo ou culpa; b) objetiva do Tribunal de Contas, sendo necessária a comprovação de ter agido Antônio com dolo ou culpa; c) objetiva de Antônio, sendo desnecessária a comprovação de ter agido com dolo ou culpa; d) subjetiva do Estado, sendo necessária a comprovação de ter agido Antônio com dolo ou culpa; e) objetiva do Estado, sendo desnecessária a comprovação de ter agido Antônio com dolo ou culpa. 042. 042. (INSTITUTO AOCP/AG (ITEP RN)/ITEP RN/TÉCNICO FORENSE/2021) No Brasil, como regra geral, a responsabilidade civil objetiva do Estado, insculpida no art. 37, §6º da Constituição Federal, adota a teoria a) do risco integral. b) do risco administrativo. c) do risco suscitado. d) da responsabilidade subjetiva. e) da culpa do serviço. 043. 043. (CEBRASPE (CESPE)/OF (CBM AL)/CBM AL/2021) Com relação à organização administrativa e à responsabilidade civil do Estado, julgue o item seguinte. A Caixa Econômica Federal é empresa pública prestadora de serviços de natureza privada e possui responsabilidade objetiva pelos atos praticados pelos seus agentes. 044. 044. (CEBRASPE (CESPE)/OF (CBM AL)/CBM AL/2021) Com relação à organização administrativa e à responsabilidade civil do Estado, julgue o item seguinte. Caso uma viatura do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Alagoas se envolva em um acidente de trânsito com um veículo particular e disso resultem danos materiais e morais ao condutor do veículo particular, este não será indenizado pelo Estado se não for provado culpa ou dolo do condutor da viatura, subsistindo a responsabilidade subjetiva do Estado. 045. 045. (QUADRIX/AG ADM (CRBM 4 PA)/CRBM 4 (PA RO)/2021) Acerca de atos administrativos e de controle e responsabilização da Administração, julgue o item a seguir. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 71 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Na modalidade de risco administrativo, a Administração tem o dever de indenizar os prejuízos causados por seus agentes, não cabendo, em nenhuma hipótese, a alegação de culpa exclusiva da vítima. 046. 046. (QUADRIX/AG ADM (CRBM 4 PA)/CRBM 4 (PA RO)/2021) Acerca de atos administrativos e de controle e responsabilização da Administração, julgue o item a seguir. A responsabilidade civil dos servidores públicos é subjetiva, ou seja, deve-se demonstrar se a sua conduta decorreu de dolo ou culpa. 047. 047. (QUADRIX/AG ADM (CRBM 4 PA)/CRBM 4 (PA RO)/2021) Acerca de atos administrativos e de controle e responsabilização da Administração, julgue o item a seguir. A responsabilidade civil do Estado, na modalidade de risco integral, não admitea alegação das excludentes de responsabilidade, razão pela qual os prejuízos causados a terceiros devem ser indenizados independentemente de sua origem. 048. 048. (VUNESP/PROC (PREF JUNDIAÍ)/PREF JUNDIAÍ/2021) No que diz respeito à responsabilidade do Estado por atos legislativos, é correto afirmar que a) com base no princípio da separação de poderes, o STF já assentou que o Estado não pode ser responsabilizado por atos legislativos. b) o Supremo Tribunal Federal adotou o entendimento de que lei declarada inconstitucional em ação direta não enseja a responsabilidade estatal. c) o fundamento jurídico que autoriza a condenação do Estado por atos legislativos é a teoria do risco integral. d) a responsabilidade estatal por atos legislativos somente é admitida quando haja previsão de indenização expressa na própria norma. e) há possiblidade de responsabilizar o Estado em decorrência da edição de lei de efeitos concretos que cause prejuízos a terceiros. 049. 049. (VUNESP/NER (TJ GO)/TJ GO/PROVIMENTO/2021) Assinale a alternativa correta sobre a responsabilidade civil extracontratual do Estado pelos atos dos tabeliães e registradores, que, no exercício de suas funções, causem danos a terceiros, segundo tese firmada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Tema 777. a) o Estado responde, objetivamente, assentado o dever de regresso contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa, sob pena de improbidade administrativa. b) o Estado responde, subjetivamente, assegurado o direito de regresso contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 72 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi c) o Estado responde, subsidiariamente, pelos danos, uma vez comprovada a impossibilidade de pagamento do Cartório, com o direito de regresso contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa. d) o Estado responde, objetivamente, facultado ao poder público exercer o direito de regresso contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa. 050. 050. (FCC/AJ TRT17/TRT 17/ADMINISTRATIVA/CONTABILIDADE/2022) Considere que uma empresa concessionária de serviço público de transporte de passageiros esteja sendo acionada judicialmente por usuários que alegam ter sofrido danos físicos decorrentes de manobra realizada por motorista da concessionária, freando bruscamente o ônibus em que se encontravam. Considerando a disciplina constitucional aplicável ao tema, tem-se que a responsabilização civil da empresa a) é de natureza subsidiária em relação ao poder público titular do serviço, este que possui responsabilidade subjetiva primária pelos danos causados aos usuários de serviço objeto de concessão ou permissão. b) é de natureza subjetiva, demandando a comprovação de conduta dolosa ou culposa de agente da concessionária que tenha relação direta com os danos sofridos pelos usuários. c) é solidária em relação ao poder concedente, sendo que apenas a responsabilidade deste último é de natureza objetiva e prescinde de comprovação de culpa. d) prescinde da comprovação de culpa do motorista, bastando a comprovação do nexo de causalidade e a ausência de excludentes, tais como força maior ou culpa exclusiva da vítima. e) depende da comprovação da falha na prestação do serviço, representada por negligência, imperícia ou imprudência de seus agentes ou fiscalização deficiente do poder concedente. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 73 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi GABARITOGABARITO 1. a 2. e 3. C 4. a 5. d 6. d 7. c 8. a 9. E 10. E 11. a 12. d 13. d 14. d 15. c 16. a 17. e 18. d 19. c 20. d 21. c 22. e 23. c 24. d 25. e 26. b 27. a 28. e 29. E 30. E 31. E 32. C 33. E 34. C 35. d 36. e 37. d 38. a 39. E 40. b 41. e 42. b 43. E 44. E 45. E 46. C 47. C 48. e 49. a 50. d O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 74 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi GABARITO COMENTADOGABARITO COMENTADO 001. 001. (IADES/ADFA/SEAGRI DF/SEAGRI DF/ADMINISTRADOR/2023) No que tange à responsabilidade civil do Estado, assinale a alternativa correta. a) As pessoas jurídicas de direito público responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. b) As pessoas jurídicas de direito público e todas as pessoas de direito privado responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. c) O direito de regresso contra o responsável apenas pode ser exercido nos casos de dolo. d) O servidor público responsável pelo dano responde por ele de forma objetiva e tem direito de regresso contra o Estado. e) As pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos não responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. Letra A: Certa. A alternativa está de acordo com o §6º do artigo 37, que determina que As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Letra B: Errada. Com base no artigo mencionado, é possível observar que apenas as pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos (e não todas as pessoas jurídicas de direito privado) é que responderão com base nas regras da responsabilidade objetiva. Letra C: Errada. O direito de regresso contra o responsável poderá ser exercido nos casos de dolo ou de culpa. Letra D: Errada. Quem responde pelo dano, inicialmente, é o Poder Público. Posteriormente, em caso de dolo ou culpa do agente estatal, o Estado ajuizará uma ação regressiva contra o servidor. Letra E: Errada. Diferente do que afirmado, as pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. Letra a. 002. 002. (IADES/GPPGG/SEPLAD DF/SEPLAD DF/ADMINISTRAÇÃO/2023) Quanto à responsabilidade civil do Estado por danos causados pelos seus agentes, é correto afirmar que o entendimento O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 75 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi doutrinário do art. 37, § 6º, da Constituição Federal de 1988 – segundo o qual a ação somente pode ser proposta em face do Estado, não sendo lícito acionar diretamente o agente público – exprime a perspectiva da teoria do(a) a) duplo grau administrativo. b) duplo controle administrativo. c) dupla liberação. d) monismo administrativo. e) dupla garantia. Em breve síntese, a teoria da dupla garantia estabelece que o particular lesado por algum dano decorrente da atividadedo Poder Público somente poderá demandar o ente público ou a pessoa jurídica de direito privado, e não o agente estatal responsável pelo cometimento do dano. A faculdade de ajuizar uma ação contra o agente que causou o dano é medida que apenas é possível para o Poder Público, e, ainda assim, somente nos casos de dolo ou de culpa. Logo, é correto afirmar que estamos diante de uma dupla garantia, a saber: a) para o particular, a garantia de que não precisará comprovar dolo ou culpa do autor do dano. b) para o servidor, a garantia de que apenas responderá, em ação regressiva, perante o Poder Público. JURISPRUDÊNCIA RESPONSABILIDADE CIVIL – INDENIZAÇÃO – RÉU AGENTE PÚBLICO – ARTIGO 37, § 6º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – ALCANCE – ADMISSÃO NA ORIGEM – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PROVIMENTO. (RE 1027633) A vítima somente poderá ajuizar a ação de indenização contra o Estado; se este for condenado, poderá acionar o servidor que causou o dano em caso de dolo ou culpa; o ofendido não poderá propor a demanda diretamente contra o agente público. Letra e. 003. 003. (CEBRASPE/CESPE/AUX PER (POLC AL)/POLC AL/2023) Relativamente à responsabilidade do Estado e aos princípios da administração pública, julgue o item que se segue. Em casos de dano a pessoas causado por evento da natureza, o Estado poderá ser responsabilizado civilmente por omissão. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 76 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Em determinadas situações, os danos decorrentes de eventos da natureza ensejarão a responsabilidade civil do Estado por omissão. Como exemplo, podemos citar os riscos de que, com as chuvas, ocorra um desmoronamento e atinja uma escola pública. Caso os moradores já tivessem alertado o Poder Público sobre o problema, eventual dano causado em razão do desmoronamento é fruto da omissão estatal, que não adotou as medidas cabíveis para evitar o ocorrido. Certo. 004. 004. (UFMT/OF (PM MT)/PM MT/COMBATENTE/2022) Leia o seguinte trecho extraído de artigo jurídico: A responsabilidade civil do Estado possui o seu fundamento legal nas disposições que foram estabelecidas no art. 37, § 6º, da vigente Constituição Federal de 1988. Ao administrado que suportar uma lesão decorrente de um ato praticado por um servidor, ou mesmo por um integrante das forças policiais, civis ou militares, bastará demonstrar o nexo de causalidade entre o fato e o dano suportado para que possa ser indenizado. Essa responsabilidade é de natureza objetiva e não exige a comprovação de culpa por parte do lesado em razão do ato que foi praticado pelo agente que se encontrava a serviço do Estado. (...) Mas, apesar da natureza da responsabilidade que foi estabelecida pelo vigente texto constitucional, ao ser acionado judicialmente o Estado poderá provar que não foi o responsável pelo evento suportado pelo administrado. No exercício de sua defesa em juízo, o Estado poderá suscitar a ocorrência de uma das causas denominadas de excludentes da responsabilidade, como por exemplo, a culpa exclusiva ou concorrente da vítima, atos de terceiros, atos de multidões, ou mesmo o caso fortuito ou a força maior, que poderão excluir ou até mesmo reduzir a quantia a ser paga ao particular a título de indenização por danos materiais e ou morais. Se eventualmente, o Estado for acionado judicialmente em razão de atos praticados pelos integrantes das forças policiais, civis ou militares, poderá alegar em sua defesa, contestação, que o ato foi praticado sob o manto da coação administrativa, que autoriza o uso da força para a manutenção ou restabelecimento da ordem pública, tranquilidade e salubridade pública, e também é uma causa de exclusão da responsabilidade na lição de Otto Mayer. (ROSA, Paulo Tadeu Rodrigues. Excludentes de responsabilidade em face da autuação das forças policiais. Disponível em: https://www.jurisite.com.br/textos_juridicos/excludentes-de-responsabilidade-do-estado-em-face-da- -atuacao-das-forcas-policiais/. Acesso em: 05 jan. 2022.) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 77 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Considerando o tema tratado no texto, qual a teoria adotada no direito pátrio para fundamentar a responsabilidade civil do Estado em razão de ato praticado por um servidor ou mesmo por um integrante das forças policiais, civis ou militares, segundo a jurisprudência e a doutrina dominantes? a) Teoria do risco administrativo b) Teoria do risco integral c) Teoria da culpa administrativa d) Teoria da culpa anônima e ) Teoria da culpa do serviço A teoria adotada no direito pátrio para fundamentar a responsabilidade civil do Estado em razão de ato praticado por um servidor ou mesmo por um integrante das forças policiais, civis ou militares, é a teoria do risco administrativo. De acordo com esta teoria, de natureza objetiva, basta ao particular lesado demonstrar o nexo de causalidade entre o fato e o dano suportado para que possa ser indenizado. A teoria do risco administrativo admite o exercício dos excludentes e dos atenuantes de responsabilidade. Na exclusão, a culpa do Poder Público é afastada (como acontece, por exemplo, em caso de culpa exclusiva da vítima). Na atenuação, a culpa é reduzida, uma vez que há, no caso, culpa de ambas as partes (agente público e particular) para que o dano tenha ocorrido. Letra a. 005. 005. (AOCP/ANA PREV (IPE PREV)/IPE PREV/ANALISTA DE SISTEMAS/2022) Em relação à responsabilidade civil do Estado, a prescrição para as ações de reparação civil contra o Estado ocorre em a) dois anos. b) três anos. c) quatro anos. d) cinco anos. e) dez anos. O prazo prescricional das ações de reparação civil contra o Estado é de 5 anos, conforme previsão do artigo 1º do Decreto 20.910/1932, de seguinte teor: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 78 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Letra d. 006. 006. (SELECON/GM (SÃO GONÇALO)/PREF SÃO GONÇALO/NÍVEL III/2022) Eduardo Gibbs é perito oficial e recebe para análise um caso em que existe um quesito sobre a responsabilidade da vítima no evento que gerou o pedido de indenização contra o Estado. Observada a responsabilidade objetiva, uma das causas excludentes consiste na: a) ausência de dano material b) omissão do agente estatal c) discutibilidade do dano moral d) culpa exclusiva da vítima Dentre as situações elencadas, apenas a Letra D estabelece uma situação ensejadora de exclusão de responsabilidade. Na culpa exclusiva da vítima, o Poder Público não possui nenhuma obrigação de indenizar o particular, haja vista que o dano foi causado em razão de uma conduta exclusivamente praticada pela vítima, e não pelo agente estatal. Letra d. 007. 007. (FCC/ANA JD (DPE AM)/DPE AM/CIÊNCIAS JURÍDICAS/2022) A responsabilidade civildo Estado pelos danos causados por seus agentes é a) objetiva em relação a terceiros e permite o direito de regresso do Estado contra o servidor público responsável independentemente de dolo ou culpa. b) subjetiva em relação a terceiros e permite o direito de regresso do Estado contra o servidor público responsável nos casos de dolo ou culpa. c) objetiva em relação a terceiros e permite o direito de regresso do Estado contra o servidor público responsável nos casos de dolo ou culpa. d) subjetiva em relação a terceiros e permite o direito de regresso do Estado contra o servidor responsável independentemente de dolo ou culpa. e) objetiva em relação a terceiros e não permite o direito de regresso do Estado contra o servidor público responsável. A responsabilidade civil do Estado pelos danos causados por seus agentes é objetiva em relação a terceiros, e permite o direito de regresso do Estado contra o servidor público O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 79 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi responsável nos casos de dolo ou culpa. Neste sentido, inclusive, é o texto do artigo 37, §6º, da Constituição Federal, de seguinte redação: Art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Ao mencionar que a responsabilidade é objetiva, o que está se afirmando é que não há a necessidade de comprovação de dolo ou culpa do agente para que o Estado seja obrigado a indenizar o particular. Letra c. 008. 008. (SELECON/ADTND (AMAZUL)/AMAZUL/ANALISTA DE NEGÓCIOS 40 HORAS/2022) Segundo a teoria da responsabilidade civil objetiva do Estado, se um agente público de um município causa dano patrimonial a um particular, quem responde pelo dano é: a) o município. b) o agente público. c) o município e o agente público solidariamente. d) o agente público e o município subsidiariamente. Se um agente público de um município causa dano patrimonial a um particular, caberá ao Poder Público (no caso, o Município) responder pelo dano. Posteriormente, caso o Município verifique que o agente agiu com dolo ou culpa, será ajuizada a competente ação regressiva. Letra a. 009. 009. (QUADRIX/AG (CRF GO)/CRF GO/ADMINISTRATIVO/2022) Quanto à responsabilidade civil do Estado, julgue o item. O Estado, segundo o direito positivo atual, não é obrigado a responder pelos danos que seus agentes causarem a terceiros. Diferente do eu afirmado, e tendo em vista a teoria do risco administrativo (de natureza objetiva), o Estado é obrigado a responder pelos danos que seus agentes causarem a terceiros. Posteriormente, em caso de dolo ou culpa, o Estado ajuíza uma ação regressiva contra o servidor. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 80 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Errado. 010. 010. (QUADRIX/AG (CRF GO)/CRF GO/ADMINISTRATIVO/2022) Quanto à responsabilidade civil do Estado, julgue o item. A teoria da irresponsabilidade do Estado ainda é amplamente aplicada, sendo atualmente adotada no Brasil. A teoria da irresponsabilidade do Estado não é amplamente adotada em nosso ordenamento jurídico. Aqui, vigora a teoria da risco administrativo, de natureza objetiva, por meio do qual o Estado é responsável por indenizar os danos causados por seus agentes aos particulares, independente de dolo ou culpa. Errado. 011. 011. (CEV UECE/ANA GES (METROFOR)/METROFOR/DIREITO/2022) Segundo o parágrafo 6º do artigo 37 da Lei Maior, “as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”. Com base nesta norma constitucional, a doutrina defende que a responsabilidade civil do Estado é a) objetiva, fundamentada pela teoria do risco administrativo. b) objetiva, fundamentada pela teoria da culpa civil. c) subjetiva, fundamentada pela teoria do risco integral. d) subjetiva, fundamentada pela teoria da culpa administrativa. O mencionado artigo constitucional faz menção à teoria do risco administrativo, que possui natureza objetiva. Sendo assim, os danos causados pelos agentes públicos deverão ser indenizados pelo Poder Público, independente de dolo ou culpa. Posteriormente, ao verificar que o agente agiu com dolo ou culpa, o Poder Público ajuíza uma ação regressiva de ressarcimento. Letra a. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 81 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi 012. 012. (VUNESP/INV POL (PC SP)/PC SP/2022) A respeito da responsabilidade civil do Estado, é correto afirmar que a) a soberania estatal, assegurada na Carta Constitucional de 1988, impede que o ente estatal seja responsabilizado por danos causados aos cidadãos do próprio país, permitindo apenas a responsabilização por danos causados a nações estrangeiras. b) a responsabilização civil do Estado prescinde da comprovação do nexo causal entre ação ou omissão de agente ou órgão estatal e o dano causado a terceiro, sendo materialização da chamada teoria da “responsabilidade objetiva”. c) a chamada “teoria do risco integral” pressupõe a responsabilização do Estado por danos causados a terceiros exclusivamente no caso de dolo ou culpa grave dos agentes estatais e desde que o dano seja causado em decorrência da prestação de serviço público. d) as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. e) o desenvolvimento legislativo, doutrinário e jurisprudencial da noção de responsabilidade do Estado por danos causados aos cidadãos não contribui para a construção da noção jurídico-política de Estado Democrático de Direito. Letra A: Errada. Em nosso ordenamento jurídico, é permitida a responsabilização por danos causados aos cidadãos do próprio país, diferente do que afirmado pela alternativa. Letra B: Errada. O nexo causal é elemento imprescindível para a configuração do dano, ensejando, posteriormente, a responsabilização do Poder Público. Letra C: Errada. No risco integral, não há a necessidade de dolo ou culpa, de forma que o Poder Público é responsável por todos os danos causados à coletividade. Dito de outra forma, a teoria do risco integral não admite excludentes de responsabilização. Letra D: Certa. Trata-se da regra geral e constitucionalmente prevista acerca da responsabilidade civil do Estado. Art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direitopúblico e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Letra E: Errada. O desenvolvimento legislativo, doutrinário e jurisprudencial da noção de responsabilidade do Estado por danos causados aos cidadãos contribui, diferente do que afirmado, para a construção da noção jurídico-política de Estado Democrático de Direito. Letra d. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 82 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi 013. 013. (VUNESP/DEL POL (PC SP)/PC SP/2022) A respeito da responsabilidade civil extracontratual da Administração, assinale a alternativa correta. a) A responsabilidade civil objetiva se aplica a danos causados a pessoas que possuam vínculo especial (estatutário ou contratual) com o estado. b) O Direito Brasileiro adota a teoria da culpa anônima. c) Por força da disposição constitucional, a Administração não pode ser eximida, em relações contratuais, da responsabilização por caso fortuito ou força maior. d) Ainda que a conduta estatal seja lícita, ficará caracterizada a responsabilidade do Estado quando comprovada a ilicitude do dano. e) As pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos somente respondem de forma objetiva a danos causados aos usuários do serviço público. Letra A: Errada. A responsabilidade civil objetiva se aplica aos danos causados de forma geral, independentemente da existência de um vínculo jurídico específico com o Poder Público. Letra B: Errada. A teoria predominantemente adotada em nosso ordenamento jurídico é a do risco administrativo. Letra C: Errada. Na responsabilidade contratual (decorrente da celebração de um contrato administrativo), o Estado deverá responder inclusive em relação aos excludentes de responsabilidade. Na responsabilidade extracontratual (civil), é que as situações de caso fortuito ou de força maior podem ser utilizadas como excludentes ou atenuantes de responsabilização. Letra D: Certa. Quando comprovada a ilicitude do dano, a responsabilidade do Estado ficará caracterizada, ainda que a conduta estatal seja lícita. Dito de outra forma, mesmo a conduta lícita do agente público poderá ensejar, em caso de dano ao particular, a responsabilização do Poder Público. Letra E: Errada. O STF possui entendimento sedimentado de que as pessoas jurídicas de direito privado, quando prestadoras de serviços públicos, respondem de forma objetiva pelos danos causados tanto aos usuários quanto aos não usuários do serviço público que está sendo prestado. Letra d. 014. 014. (FGV/INV POL (PC RJ)/PC RJ/2022) João, investigador policial da Polícia Civil do Estado Alfa, cumpria diligência determinada por delegado de polícia no bojo de inquérito policial que apura crime de associação para o tráfico de drogas. Para tanto, João realizava o mapeamento de determinada rua, quando, por descuido, deixou sua arma cair no chão, causando um disparo que atingiu a perna de Maria, moradora da comunidade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 83 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Após receber alta no hospital onde foi atendida, Maria procurou a Defensoria Pública e ajuizou ação indenizatória em face: a) de João, diretamente, com base em sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessária a comprovação de ter o policial agido com culpa ou dolo; b) de João, diretamente, com base em sua responsabilidade civil subjetiva e solidária, sendo necessária a comprovação de ter o policial agido com culpa ou dolo; c) da Polícia Civil do Estado Alfa, com base em sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessária a comprovação de ter agido João com culpa ou dolo; d) do Estado Alfa, com base em sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessária a comprovação de ter agido João com culpa ou dolo; e) do Estado Alfa, com base em sua responsabilidade civil subjetiva, sendo necessária a comprovação de ter agido João com culpa ou dolo. Na situação narrada, e tendo em vista a teoria da responsabilidade civil objetiva, Maria deve ajuizar uma ação de indenização contra o Estado Alfa. Neste momento inicial, não serão levados em conta o dolo ou a culpa do agente público. Após o pagamento da indenização, o Estado irá verificar se João agiu com dolo ou culpa, propondo, em caso positivo, a competente ação de ressarcimento. Letra d. 015. 015. (FGV/OAB UNI NAC/OAB/2022) Márcio é policial militar do Estado Ômega e, ao longo de suas férias, em movimentada praia no litoral do Estado Alfa, durante festa em que se encontrava à paisana, envolveu-se em uma briga, durante a qual sacou a arma da corporação, que sempre portava, e desferiu tiros contra Bernardo, que veio a óbito imediato. Mirtes, mãe de Bernardo, pretende ajuizar ação indenizatória em decorrência de tal evento. Sobre a situação narrada, assinale a afirmativa correta. a) A ação indenizatória não poderá ser ajuizada em face do Estado Ômega, na medida em que o fato ocorreu no território do Estado Alfa. b) A ação deverá ser ajuizada em face da União, que é competente para promover a segurança pública. c) Há legitimidade passiva do Estado Ômega, considerando que Márcio tinha a posse de uma arma da corporação, em decorrência da qualidade de agente público. d) O Estado Ômega deve responder civilmente pela conduta de Márcio, já que o ordenamento jurídico pátrio adotou a teoria do risco integral. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 84 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Letra A: Errada. A ação indenizatória deve ser proposta contra o Estado Ômega, que é onde o agente público encontra-se vinculado funcionalmente. Letra B: Errada. A ação de indenização deve ser julgada contra o Estado Ômega, e não contra a União. Letra C: Certa. Considerando que Márcio tinha, em decorrência da qualidade de agente público, a posse de uma arma da corporação, a ação de indenização deve ser proposta contra o Estado Ômega, que possui, no caso, legitimidade passiva. Letra D: Errada. O Estado Ômega realmente deve responder civilmente pela conduta de Márcio. No entanto, a responsabilização deve ocorrer com base na teoria do risco administrativo, e não do risco integral. Letra c. 016. 016. (FGV/JE TJMG/TJ MG/2022) A Constituição Federal adotou a teoria da responsabilidade objetiva do Estado, através da qual o Estado responde, em razão de sua atividade, se causar danos a terceiros. Sobre a responsabilidade objetiva do Estado, analise as afirmativas a seguir. I – Na responsabilidade objetiva, o particular deve demonstrar o ato da administração pública, o dano e o nexo de causalidade, preenchendo os requisitos para a indenização. II – Na responsabilidade objetiva, se houver a culpa da vítima, afasta-se o dever de indenizar, pois o Estado não responde sempre. III – Não é preciso provar a culpa do Estado, em caso de responsabilidade subjetiva, ocorrendo omissão estatal que provoque danos ao particular. Estácorreto o que se afirma em a) I, somente. b) II e III, somente. c) I, II e III. d) I e II, apenas. Item I: Certa. O ato da administração pública, o dano e o nexo de causalidade são elementos que devem ser demonstrados para que ocorra a responsabilidade civil do Estado com base na teoria objetiva. Em sentido oposto, não há necessidade de comprovação do dolo ou da culpa do servidor público. Item II: Errada. Na responsabilidade objetiva, se houver a culpa da vítima, teremos a exclusão (em caso de culpa exclusiva) ou a atenuação (em caso de culpa concorrente) da responsabilidade civil do Estado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 85 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Item III: Errada. Ocorrendo omissão estatal que provoque danos ao particular, estaremos diante da teoria de responsabilização subjetiva. Logo, há a necessidade de comprovação da culpa do Estado. Letra a. 017. 017. (FGV/TNS (SSP AM)/SSP AM/2022) José é servidor público ocupante do cargo efetivo de Técnico de Nível Superior da Secretaria de Segurança Pública do Estado Alfa e, no exercício da função, praticou ato ilícito que, com nexo causal, causou danos materiais a Davi, usuário do serviço público, inexistindo qualquer causa de exclusão da responsabilidade. No caso em tela, eventual ação indenizatória deverá ser ajuizada por Davi em face a) da Secretaria de Segurança Pública do Estado Alfa, com base em sua responsabilidade civil subjetiva, sendo necessário se comprovar o elemento subjetivo na conduta do agente, que deverá responder em ação regressiva, caso haja condenação da referida Secretaria e João tenha agido com culpa ou dolo. b) da Secretaria de Segurança Pública do Estado Alfa, com base em sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessário se comprovar o elemento subjetivo na conduta de João, que não está sujeito à ação regressiva, pela teoria do risco administrativo. c) de João, diretamente, com base em sua responsabilidade civil subjetiva, sendo necessário se comprovar o elemento subjetivo em sua conduta, e o Estado Alfa está sujeito à ação regressiva, pela teoria do risco administrativo, caso João seja condenado. d) do Estado Alfa, com base em sua responsabilidade civil subjetiva, sendo necessário se comprovar o elemento subjetivo na conduta de João, que não está sujeito à ação regressiva, pela teoria do risco administrativo. e) do Estado Alfa, com base em sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessário se comprovar o elemento subjetivo na conduta de João, que deverá responder em ação regressiva, caso haja condenação do referido Estado e o agente tenha agido com culpa ou dolo. A situação nos mostra que José praticou ato ilícito que, com nexo causal, causou danos materiais a Davi, usuário do serviço público. Logo, com base na reponsabilidade civil objetiva, a ação de indenização deve ser proposta contra o Estado Alfa, que é onde João está vinculado funcionalmente. No momento do ajuizamento da ação, não há necessidade de comprovação de dolo ou culpa da conduta do servidor. Contudo, caso o Estado verifique, após o pagamento da indenização, que José agiu com dolo ou culpa, ajuizará a competente ação regressiva de ressarcimento contra o agente público. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 86 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Letra e. 018. 018. (FGV/ALUN OF (PM AM)/PM AM/2022) O PM José, da Polícia Militar do Estado Alfa, e sua equipe realizavam operação policial em determinada comunidade para reprimir o tráfico de drogas e, durante troca de tiros com criminosos, atingiu a perna da criança Maria, de 4 anos, moradora da localidade. O laudo de confronto balístico tornou incontestável o fato de que o projétil de arma de fogo que lesionou a criança partiu do fuzil do Policial José. A criança Maria, representada pelos seus pais, procurou a Defensoria Pública e ajuizou ação indenizatória em face a) de José, por sua responsabilidade civil direta e objetiva, sendo desnecessária a comprovação de ter agido com dolo ou culpa, com base na teoria do risco administrativo. b) do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil subjetiva, sendo necessária a comprovação de ter agido o PM José com dolo ou culpa. c) da Polícia Militar do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil subjetiva, sendo necessária a comprovação de ter agido o PM José com dolo ou culpa. d) do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessária a comprovação de ter agido o PM José com dolo ou culpa, com base na teoria do risco administrativo. e) da Polícia Militar do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessária a comprovação de ter agido o PM José com dolo ou culpa, com base na teoria do risco administrativo. Aqui, estamos diante de uma situação em que a ação indenizatória deve ser proposta diretamente contra o Estado Alfa, em razão da responsabilidade civil objetiva. Para o ajuizamento da ação, não é necessária a comprovação do dolo ou da culpa do agente público responsável pelo disparo. Após, com base na teoria do risco administrativo, o Estado verifica se o PM José agiu com dolo ou culpa. Em caso positivo, o Estado ajuíza a competente ação regressiva de ressarcimento. Letra d. 019. 019. (FGV/ESC POL (PC AM)/PC AM/4ª CLASSE/2022) Maria, Escrivã de Polícia Civil do Estado Gama, no exercício da função, no bojo de um inquérito policial, ao digitar um ato de indiciamento cujo conteúdo estava sendo ditado pelo Delegado Titular, de forma dolosa, com objetivo de prejudicar André, seu antigo desafeto, inseriu a qualificação completa de O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 87 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi André como sendo indiciado. Mesmo sabendo que André não tinha qualquer relação com os fatos investigados, Maria induziu a Autoridade Policial a erro. Meses depois, André foi citado em ação penal e, após se inteirar dos fatos, conseguiu reunir provas não apenas de sua inocência, mas também de que se tratou de uma armação dolosamente feita por Maria. Eventual ação indenizatória manejada por André deverá ser ajuizada em face da(o) a) Polícia Civil do Estado Gama, por sua responsabilidade civil objetiva, assegurado o direito de regresso em face de Maria. b) Polícia Civil do Estado Gama, por sua responsabilidade civil subjetiva, vedado o direito de regresso em face de Maria. c) Estado Gama, por sua responsabilidade civil objetiva, assegurado o direito de regresso em face de Maria. d) Estado Gama, por sua responsabilidade civil subjetiva, assegurado o direito de regresso em face de Maria. e) Maria, por sua responsabilidade civil objetiva, vedado o direito de regresso em face do Estado Gama. Inicialmente, devemos saber que eventual ação indenizatória manejadapor André deverá ser ajuizada contra o Estado Gama, tendo como fundamento a responsabilidade civil objetiva. Posteriormente, ao verificar que Maria agiu de forma dolosa, deve o Estado ajuizar a ação regressiva de ressarcimento. Art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Letra c. 020. 020. (FGV/AJ (TJDFT)/TJDFT/APOIO ESPECIALIZADO/ADMINISTRAÇÃO/2022) Armando, tinha interesse em compreender as teorias que dispõem sobre a responsabilidade civil extracontratual da Administração Pública. Após ampla pesquisa, identificou a teoria adotada no direito brasileiro para justificar a responsabilização objetiva da Administração Pública por atos praticados por seus servidores, constatando, ainda, que essa responsabilização pode ser afastada se houver culpa exclusiva da vítima. Trata-se da teoria: a) dos atos de império, sendo a responsabilização afastada, na hipótese indicada, porque o dano decorreu de ato de outrem, não de ato de império; b) da culpa administrativa, sendo a responsabilização afastada, na hipótese indicada, porque o dano não pode ser atribuído ao mau funcionamento do serviço; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 88 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi c) do risco integral, sendo a responsabilização afastada, na hipótese indicada, em razão da presença do elemento subjetivo culposo no agir da vítima; d) do risco administrativo, sendo a responsabilização afastada, na hipótese indicada, em razão da ausência do nexo de causalidade entre o atuar estatal e o dano causado; e) da culpa do serviço público, sendo a responsabilização afastada, na hipótese indicada, porque o mau funcionamento do serviço, ainda que tenha ocorrido, não foi preponderante. A responsabilização objetiva da Administração Pública por atos praticados por seus servidores ocorre com base na teoria do risco administrativo. Nesta teoria, há a necessidade de comprovação do nexo de causalidade entre a ação estatal e o dano causado. Além disso, é importante salientar que a teoria do risco administrativo admite a presença de excludentes ou atenuantes de responsabilização, que ocorrem, respectivamente, em caso de culpa exclusiva ou concorrente da vítima. Letra d. 021. 021. (FGV/TJ (TJDFT)/TJDFT/ADMINISTRATIVA/2022) Joana, servidora pública estadual, no exercício regular de suas funções, estava operando uma empilhadeira em um galpão da Secretaria Municipal de Obras do Município Beta. Nesse contexto, causou danos ao veículo automotor que se encontrava estacionado, de Tiago, o qual comparecera ao prédio anexo, da mesma repartição, para solicitar uma licença de construção. Nesse caso, a responsabilidade civil pelos danos causados ao bem de Tiago é: a) do Município Beta ou de Joana, mas apenas se for demonstrada a culpa desta última; b) do Município Beta, apenas se for demonstrada a culpa de Joana; c) do Município Beta, sendo demonstrada, ou não, a culpa de Joana; d) do Município Beta, ainda que haja culpa exclusiva de Tiago; e) apenas de Joana, sendo demonstrada, ou não, a sua culpa. No caso prático demonstrado, a responsabilidade civil pelos danos causados ao bem de Tiago é do Município Beta, contra quem deverá ser ajuizada a competente ação indenizatória, independente de dolo ou culpa de Joana. Posteriormente, em caso de comprovação de dolo ou culpa de Joana, deverá o Estado ajuizar a ação regressiva contra a servidora. Outro ponto a ser destacado é que a teoria do risco integral, que é aplicada ao caso, admite os excludentes ou atenuantes de responsabilização. Logo, eventual culpa exclusiva de Tiago afasta a responsabilização estatal. Letra c. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 89 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi 022. 022. (FGV/AS (SEMSA MANAUS)/PREF MANAUS/CONDUTOR DE AMBULÂNCIA CATEGORIA/2022) João, servidor público ocupante do cargo efetivo de Assistente em Saúde Condutor de Ambulância do Município de Manaus, no exercício da função, não observou o sinal vermelho e bateu o veículo que conduzia no carro de Joaquim, que trafegava observando regularmente as leis de trânsito. No caso em tela, de acordo com a Constituição da República, sem necessidade de comprovar que João agiu com dolo ou culpa, Joaquim deve direcionar ação indenizatória em face a) do próprio João, que deve indenizar imediatamente Joaquim, sob pena de perder o cargo. b) da Secretaria Municipal de Transporte de Manaus, órgão onde João está lotado. c) da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus, órgão ao qual João está vinculado. d) do Estado do Amazonas, pois se aplica a responsabilidade civil objetiva do Estado. e) do Município de Manaus, que possui direito de regresso contra João, comprovado seu dolo ou culpa. No caso narrado, Joaquim deve direcionar ação indenizatória em face do Município de Manaus, não havendo necessidade de comprovar que João agiu com dolo ou culpa. Posteriormente, após o pagamento da indenização ao particular, o Município de Manaus deve verificar se João agiu com dolo ou culpa. Em caso positivo, o Poder Público ajuizará a competente ação regressiva de ressarcimento contra o servidor. Letra e. 023. 023. (FGV/AUX (MPE SC)/MPE SC/2022) Joana, ocupante do cargo de auxiliar administrativo do Ministério Público do Estado Alfa, durante atendimento no balcão da Secretaria da Promotoria onde está lotada, recebeu do cidadão José uma representação escrita, narrando graves fatos ilícitos que ensejariam a atuação do Ministério Público, que o noticiante imputava a determinada sociedade empresária. Tendo em vista que o sócio administrador da referida sociedade é irmão de Joana, a servidora resolveu não dar andamento à notícia e rasgou o documento escrito trazido por José. Diante da não atuação do Ministério Público no caso, exclusivamente em razão da conduta de Joana, José sofreu comprovados danos materiais. Inconformado com a conduta da servidora e a omissão do parquet, José ajuizou ação indenizatória em face: a) de Joana, por sua responsabilidade civil objetiva, de maneira que não será necessária a comprovação de ter agido a servidora com dolo ou culpa; b) do Ministério Público do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil objetiva, de maneira que não será necessária a comprovação de ter agido Joana com dolo ou culpa; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 90 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi c) do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil objetiva, de maneira que não será necessária a comprovação de ter agido Joana com dolo ou culpa; d) do Ministério Público do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil subjetiva, de maneira que será necessária a comprovação de ter agido Joana com dolo ou culpa; e) do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil subjetiva, de maneira que será necessária a comprovação de ter agido Joana com dolo ou culpa. José deve,na situação narrada, ajuizar ação indenizatória em face do Estado Alfa, tendo em vista a responsabilidade civil objetiva do ente federativo. E justamente por estarmos diante de uma teoria objetiva, não há necessidade de comprovação de dolo ou culpa por parte da conduta de Joana. Tais elementos (dolo ou culpa) apenas serão analisados em momento posterior, ensejando, se for o caso, o ajuizamento de ação regressiva de ressarcimento. Letra c. 024. 024. (FGV/ES (SEMSA MANAUS)/PREF MANAUS/ADVOGADO/2022) Fernando, servidor público do Município Alfa, conduzia veículo oficial em via pública, imprimindo velocidade bem superior à permitida. Em razão da conduta culposa por imprudência, Fernando abalroou o carro de Moacir, que sofreu danos materiais. Moacir ajuizou ação indenizatória em face do Município Alfa, e obteve sentença, que acaba de transitar em julgado, com a procedência do pedido. Observado o texto constitucional e o entendimento do Supremo Tribunal Federal, com intuito de ser ressarcido pelo prejuízo que sofreu, o Município Alfa deve ajuizar ação regressiva em face de Fernando, com base em sua responsabilidade civil a) subjetiva, pois o agente público tem o dever de ressarcir os cofres públicos independentemente da comprovação de ter agido com culpa ou dolo, incidindo no caso narrado a teoria do risco administrativo que dispensa a comprovação do elemento subjetivo para fins de ressarcimento ao erário. b) subsidiária, pois o agente público tem o dever de ressarcir o erário municipal, independentemente de ter agido com culpa ou dolo, incidindo no caso narrado a teoria da dupla garantia: a primeira para o particular Moacir que teve assegurada a responsabilidade em face do Município; e a segunda para o servidor Fernando, que somente responderá perante o ente público. c) objetiva, pois o agente público tem o dever de ressarcir o erário municipal, independentemente de ter agido com dolo ou culpa, incidindo no caso narrado a teoria do risco administrativo que dispensa a comprovação do elemento subjetivo para fins de ressarcimento ao erário. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 91 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi d) subjetiva, pois o agente público tem o dever de ressarcir o erário municipal, porque agiu com culpa, incidindo no caso narrado a teoria da dupla garantia: a primeira para o particular Moacir que teve assegurada a responsabilidade objetiva, não necessitando comprovar dolo ou culpa de Fernando; e a segunda para o servidor Fernando, que somente responderá perante o ente municipal. e) objetiva, pois o agente público tem o dever de ressarcir o erário municipal, porque agiu com culpa, incidindo no caso narrado a teoria da dupla garantia: a primeira para o particular Moacir que teve assegurada a responsabilidade subjetiva, não necessitando comprovar dolo ou culpa de Fernando; e a segunda para o servidor Fernando, que somente responderá perante o ente municipal. Em razão da conduta culposa por imprudência, Fernando abalroou o carro de Moacir, que sofreu danos materiais. Logo, após efetuar o pagamento da indenização ao particular, deve o Estado ajuizar ação regressiva em face de Fernando. Aqui, um ponto importante: a ação regressiva de ressarcimento, que é ajuizada contra o servidor, possui natureza subjetiva. E isso ocorre na medida em que, para o ajuizamento da ação, é necessário que seja comprovada a presença de dolo ou culpa do agente público. Também é importante destacar que a situação narrada configura a teoria da dupla garantia. Em breve síntese, o STF entende que, com base na teoria da dupla garantia, o particular lesado somente poderá demandar o ente público ou a pessoa jurídica de direito privado objetivando a reparação do dano causado, não sendo possível ajuizar ação contra o agente causador do dano. Logo, a medida implica em uma dupla garantia: para o particular (que não terá a necessidade de comprovar dolo ou culpa do autor do dano) e para o servidor (que apenas responderá, em ação regressiva, perante o ente estatal). Letra d. 025. 025. (FGV/CONT DIST (TJ TO)/TJ TO/CIÊNCIAS CONTÁBEIS/2022) João, servidor público ocupante do cargo efetivo de contador/distribuidor do Tribunal de Justiça do Estado Ômega, no exercício de suas funções, destruiu os autos físicos de um processo judicial em que seu desafeto Antônio figurava como parte autora, com o objetivo de prejudicá-lo. Em razão do ato ilícito praticado por João, o jurisdicionado Antônio sofreu danos materiais e morais. Inconformado, Antônio contratou advogado e ajuizou ação indenizatória em face: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 92 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi a) de João, na qualidade de responsável direto pelo ato ilícito, e é desnecessária a comprovação de ter agido o agente público João com dolo ou culpa; b) do Tribunal de Justiça do Estado Ômega, e é necessária a comprovação de ter agido o agente público João com dolo ou culpa; c) do Tribunal de Justiça do Estado Ômega, e é desnecessária a comprovação de ter agido o agente público João com dolo ou culpa; d) do Estado Ômega, e é necessária a comprovação de ter agido o agente público João com dolo ou culpa; e) do Estado Ômega, e é desnecessária a comprovação de ter agido o agente público João com dolo ou culpa. Em razão do ato ilícito praticado por João, o jurisdicionado Antônio sofreu danos materiais e morais. Consequentemente, deverá Antônio ajuizar uma ação indenizatória em face do Estado Ômega, sendo desnecessária, em razão da responsabilidade objetiva, a comprovação de dolo ou culpa por parte do agente público João. Letra e. 026. 026. (FGV/TJ (TJ TO)/TJ TO/APOIO JUDICIÁRIO E ADMINISTRATIVO/2022) Pedro, chefe do setor de transportes da Prefeitura do Município Alfa, foi informado de que um dos motoristas vinculados ao órgão, conduzindo o veículo oficial durante o expediente, colidira com outro veículo, daí decorrendo lesões corporais no motorista deste último. Preocupado, levou o fato ao conhecimento do seu superior e indagou se o ocorrido acarretaria a responsabilidade civil do Município pelos danos causados ao outro motorista. Foi-lhe respondido, corretamente, que o Município: a) somente será responsabilizado se for demonstrada a culpa de Pedro; b) será responsabilizado independentemente da culpa de Pedro, salvo se tiver ocorrido culpa exclusiva da vítima; c) não será responsabilizado, pois a atuação de Pedro, à margem da juridicidade, não lhe pode ser imputada; d) será responsabilizado independentemente da culpa de Pedro, mesmo que tenha ocorrido culpa exclusiva da vítima; e) somente será responsabilizado pela indenização de metade dos danos causados, cabendo a outra metade a Pedro. Na situação descrita, o Poder Público (Município Alfa) será responsabilizado independentemente da culpa de Pedro, uma vez que é aplicada, na situação, a responsabilidade civil objetiva (risco administrativo). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 93 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Nesta teoria,são admitidos os excludentes ou atenuantes de responsabilização. Assim, se tiver ocorrido culpa exclusiva da vítima, a responsabilidade civil do Poder Público estará afastada. Letra b. 027. 027. (FGV/AG SG PEN (DEPEN MG)/DEPEN MG/2022) Mário, servidor público estadual, ao conduzir em serviço automóvel pertencente à autarquia estadual em que estava lotado, calculou mal o espaço para fazer uma curva e, ainda que não estivesse em excesso de velocidade, acabou colidindo contra o automóvel de Lucas, que estava corretamente estacionado na via pública. Acerca desse cenário, a responsabilidade civil do Estado no caso descrito é a) aquiliana e objetiva, nos termos da teoria do risco administrativo. b) extracontratual e subjetiva, nos termos da teoria do risco administrativo. c) contratual e objetiva, nos termos da teoria do risco integral. d) contratual e subjetiva, nos termos da teoria do risco integral. e) aquiliana e objetiva, nos termos da teoria do risco integral. A responsabilidade civil do Estado também é conhecida como responsabilidade extracontratual ou aquiliana, implicando na obrigação do Poder Público em indenizar o particular que sofreu danos em razão de atos praticados por seus agentes. Na situação descrita, Mário, servidor público estadual, ainda que não estivesse em excesso de velocidade, acabou colidindo contra o automóvel de Lucas, que estava corretamente estacionado na via pública. Logo, a responsabilidade civil do Estado no caso descrito é aquiliana e objetiva, nos termos da teoria do risco administrativo. A teoria do risco administrativo é de natureza objetiva, de forma que não serão levados em conta, para os fins de indenização do particular, o fato do agente ter ou não agido com dolo ou culpa. Posteriormente, caso seja verificado que o servidor agiu com dolo ou culpa, o Estado deve ajuizar a competente ação regressiva de ressarcimento. Letra a. 028. 028. (FGV/AJ TRT16/TRT 16/ADMINISTRATIVA/”SEM ESPECIALIDADE”/2022) Joaquim, servidor público federal do Tribunal Regional do Trabalho da Wª Região, no exercício da função, com objetivo de prejudicar seu vizinho Antônio, seu antigo desafeto, arquivou indevidamente um processo de reclamação trabalhista em que Antônio figurava como reclamante. Em razão da conduta ilícita de Joaquim, Antônio sofreu danos materiais e morais. Inconformado com o ocorrido, Antônio ajuizou ação indenizatória em face O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 94 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi a) do TRT da Wª Região, por sua responsabilidade civil objetiva. b) do TRT da Wª Região, por sua responsabilidade civil subjetiva. c) de Joaquim, diretamente, por sua responsabilidade civil objetiva. d) da União, por sua responsabilidade civil subjetiva. e) da União, por sua responsabilidade civil objetiva. Ao arquivar indevidamente um processo de reclamação trabalhista em que Antônio figurava como reclamante, Joaquim causou danos materiais e morais a Antônio. Neste caso, pelo fato de Joaquim ser servidor público federal, deverá Antônio ajuizar uma ação indenizatória contra a União, tendo em vista a responsabilidade civil objetiva do mencionado ente federativo. Por estarmos diante de uma responsabilidade objetiva, não serão levados em conta, para fins de indenização ao particular, o dolo ou a culpa de Joaquim. Letra e. 029. 029. (CEBRASPE (CESPE)/ADM (FUB)/FUB/2022) A respeito da responsabilidade civil do Estado, julgue o item que se segue. Somente os danos ocasionados por agentes pertencentes aos quadros das pessoas jurídicas de direito público dão ensejo à responsabilidade civil do Estado. Além das pessoas jurídicas de direito público, os danos causados pelos agentes das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos estão sujeitos às regras da responsabilidade civil do Estado. Art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Errado. 030. 030. (CEBRASPE (CESPE)/DP RS/DPE RS/2022) Cada um dos próximo item apresenta uma situação hipotética seguida de uma assertiva, a ser julgada de acordo com o entendimento dos tribunais superiores acerca da responsabilidade civil do Estado. Uma professora da rede estadual de ensino recebia, havia meses, ofensas e ameaças de agressão e morte feitas por um dos alunos da escola. Em todas as oportunidades, ela reportou o ocorrido à direção da escola, que, acreditando que nada ocorreria, preferiu não admoestar o aluno. Em determinada data, dentro da sala de aula, esse aluno desferiu um soco no rosto da professora, causando-lhe lesões aparentes, o que a motivou a ingressar O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 95 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi com demanda judicial indenizatória contra o Estado. Nessa situação hipotética, não há responsabilidade do Estado, já que o dano foi provocado por terceiro. No caso narrado, o Estado encontra-se na condição de “garante”, tendo a obrigação de garantir a integridade das pessoas que estão sob a sua tutela. Além disso, é possível observar que o risco do dano era evidente, uma vez que a própria professora já tinha informado à escola sobre as constantes ameaças dos alunos. Com base no ocorrido, há sim responsabilidade civil do Estado, que ocorrerá de forma objetiva, ou seja, sem a necessidade de comprovação de dolo ou culpa para a sua efetivação. Aproveito para destacar o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme decisão proferida no Resp. 1.142.245-DF: JURISPRUDÊNCIA Trata-se, no caso, de agressão física perpetrada por aluno contra uma professora dentro de escola pública. Apesar de a direção da escola estar ciente das ameaças sofridas pela professora antes das agressões, não tomou qualquer providência para resguardar a segurança da docente ameaçada e afastar, imediatamente, o estudante da escola. O tribunal a quo, soberano na análise dos fatos, concluiu pela responsabilidade civil por omissão do Estado. Não obstante o dano ter sido causado por terceiro, existiam meios razoáveis e suficientes para impedi-lo e não foram utilizados pelo Estado. Assim, demonstrado o nexo causal entre a inação do Poder Público e o dano configurado, tem o Estado a obrigação de repará-lo. Logo, a Turma conheceu parcialmente do recurso e, nessa parte, negou-lhe provimento. Errado. 031. 031. (CEBRASPE (CESPE)/DP RS/DPE RS/2022) Cada um dos próximo item apresenta uma situação hipotética seguida de uma assertiva, a ser julgada de acordo com o entendimento dos tribunais superiores acerca da responsabilidade civil do Estado. Um detento em cumprimento de pena em regime fechado empreendeu fuga do estabelecimento penal. Decorridos aproximadamente três meses da fuga, ele cometeu o crime de latrocínio, em conjunto com outros agentes. Sabendo da fuga, a família da vítima ingressou com ação para processar o Estado. Nessa situação hipotética, há responsabilidade estatal, haja vista a omissão na vigilância e na custódia de pessoa que deveria estar presa, além da negligência da administração pública no emprego de medidas de segurança carcerária. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408,por cima do mesmo. Como resultado, temos que o automóvel de João é danificado, resultando, além dos danos materiais, em danos morais decorrentes da impossibilidade de concluir a viagem. Houve dano?Houve dano? Sim, pois o automóvel de João foi danificado e a viagem de férias teve que ser cancelada. Houve culpa?Houve culpa? Sim, uma vez que o pedestre agiu com imprudência ao jogar o objeto na pista. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 10 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi HHouve nexo de causalidade?ouve nexo de causalidade? Certamente, pois o dano apenas ocorreu em virtude do ato praticado pelo pedestre. Logo, deverá o particular ser indenizado com base na teoria da culpa comum. 2 .3 . tEoRiA DA CULPA ADministRAtivA2 .3 . tEoRiA DA CULPA ADministRAtivA Com o aparecimento do Estado do bem estar social, coube ao Poder Público o oferecimento de condições sociais e direitos que iam muito além das atividades básicas até então asseguradas. Se antes o Estado se preocupava em garantir a liberdade e os direitos civis e políticos da população (os direitos de primeira geração, também conhecidos como direitos negativos), com a entrada em vigor do “bem estar social”, passou o Poder Público a ter que oferecer uma série de novos direitos, tais como os sociais e culturais. Logo, dada a evolução dos direitos assegurados pelo Estado, a responsabilização estatal, como consequência, evoluiu no mesmo sentido. Uma vez que o Estado tem a obrigação de prestar serviços públicos de qualidade para a população, o que leva-se em conta, para efeitos de verificação da responsabilidade, não é o agente público (como ocorria na teoria da culpa civil), mas sim o serviço público como um todo. Por este motivo, tal teoria também é conhecida como culpa anônima. Ainda que seja uma teoria de caráter subjetivo (com a necessidade da comprovação de dolo ou culpa no desempenho do serviço público prestado), a teoria da culpa administrativa foi um dos maiores avanços no âmbito da responsabilização estatal. Basta observarmos, por exemplo, que tal teoria é a utilizada, em nosso ordenamento, para as hipóteses de omissão ou falha na prestação dos serviços públicos, sendo exigidos, para sua configuração, os seguintes elementos: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 11 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi EXEMPLO No bairro onde Alcides mora, as ruas constantemente são inundadas em virtude de problemas no encanamento das vias públicas. Alcides, preocupado com a situação, reúne os moradores do bairro e protocola, junto à prefeitura de sua cidade, um pedido para que o Poder Público resolva a situação. Seis meses depois, a cidade onde Alcides reside é atingida por fortes chuvas, de forma que sua casa é inundada e o mesmo perde uma série de móveis que guarneciam sua residência. Houve dano?Houve dano? Sim, pois Alcides perdeu bens móveis que até então eram de sua propriedade. Além disso, alguns destes bens podem ter um valor sentimental inestimável, o que daria ensejo à configuração, também, de dano moral. Houve falha ou omissão do poder público?Houve falha ou omissão do poder público? Certamente. Ainda que a prefeitura alegue que as chuvas são eventos da natureza alheios ao Poder Público, o fato de Alcides e os demais moradores terem protocolado pedido de solução para o problema (que residia no encanamento público), configura omissão/falha na obrigação do Estado de garantir a integridade da coletividade. Houve nexo de causalidade?Houve nexo de causalidade? Sim, pois os danos sofridos por Alcides apenas ocorreram em virtude da omissão/falha do Poder Público. 2 .4 . tEoRiA Do RisCo ADministRAtivo2 .4 . tEoRiA Do RisCo ADministRAtivo Por meio desta teoria, o Estado é obrigado a indenizar o particular em todas as situações em que aconteça dano, ainda que não haja dolo ou culpa do agente público na prestação dos serviços estatais. O risco administrativo, dessa forma, representa o maior avanço na responsabilização do Poder Público: se antes, por meio das teorias da culpa civil e da culpa administrativa, exigia-se a comprovação de dolo, culpa ou fraude (teorias de caráter subjetivo), com o risco administrativo a obrigação do Estado passou a existir com a simples existência de dano para o particular. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 12 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Assim, podemos afirmar que todas as condutas dos agentes públicos causadoras de danos, sejam elas lícitas ou ilícitas, dão ensejo à responsabilização estatal. Atualmente, esta teoria é aplicada para a responsabilização do Estado nos casos decorrentes de ação dos agentes públicos e para as situações em que o Poder Público estiver na situação de “garante”, ou seja, com a obrigação de manter a integridade das pessoas sob sua custódia. Para que a teoria do risco administrativo esteja configurada, os seguintes elementos são necessários: EXEMPLO Carlos, servidor público, está desempenhando regularmente suas atividades na repartição. A função de Carlos é a de arquivar e desarquivar processos. Certo dia, atendendo ao pedido de um advogado (que solicitara a carga dos autos de um processo), Carlos dirigiu-se ao arquivo da repartição. Ao retornar com o processo em mãos, no entanto, tropeçou e acabou derrubando todos os volumes em cima do advogado, que, com a queda, teve ferimentos leves. Houve dano?Houve dano? Sim, pois o advogado teve ferimentos. Houve nexo de causalidade?Houve nexo de causalidade? Sim, pois os danos ocorreram em virtude da atividade de Carlos. Logo, deverá haver a responsabilização do Poder Público. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 13 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi EXEMPLO Em um presídio regional, diversos presos, em protesto às péssimas condições de manutenção, organizam uma rebelião que tem como resultado a morte de cinquenta detentos. Nesta situação, notem que houve uma omissão do Poder Público. No entanto, ao contrário do que ocorre na teoria da culpa administrativa, aqui o Estado está na situação de garante, ou seja, obrigado a garantir a integridade de todas as pessoas que estejam sob a sua custódia. E isso vale não só para os presídios públicos, como também para as escolas públicas, hospitais públicos e todas as demais repartições em que for obrigação do Estado primar pela segurança das pessoas sob a sua guarda. Nestas situações, ainda que ocorra a omissão do Estado, a responsabilização deverá ocorrer com base na teoria do risco administrativo, ou seja, sem a necessidade de comprovação de omissão ou falha na atuação da administração pública. Importante salientar que, quando estivermos diante de uma conduta lícita do Poder Público, a responsabilização ocorrerá sempre que o dano ao particularvedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 96 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Importante questão para fixarmos o entendimento do STF acerca da possibilidade do Estado ser responsabilizado em razão da fuga dos presos que estão sob a sua custódia. No julgamento do RE 608880, o tribunal fixou a tese de que JURISPRUDÊNCIA Nos termos do artigo 37, § 6º, da Constituição Federal, não se caracteriza a responsabilidade civil objetiva do Estado por danos decorrentes de crime praticado por pessoa foragida do sistema prisional, quando não demonstrado o nexo causal direto entre o momento da fuga e a conduta praticada. Logo, para que a responsabilidade civil seja configurada, deve ser demonstrado o nexo causal direto entre o momento da fuga e a conduta praticada. Na situação narrada pela questão, o preso foragido praticou os crimes após o lapso temporal de 3 meses. Logo, não há que se falar na responsabilidade civil do Estado. Errado. 032. 032. (CEBRASPE (CESPE)/AAMB (ICMBIO)/ICMBIO/2022) No que diz respeito ao direito administrativo, julgue o item a seguir. O Estado tem responsabilidade subsidiária por danos materiais causados a candidatos em concurso público organizado por pessoa jurídica de direito privado no caso de cancelamento das provas por indícios de fraude. No julgamento do RE 662405, o STF fixou o entendimento de que JURISPRUDÊNCIA O Estado responde subsidiariamente por danos materiais causados a candidatos em concurso público organizado por pessoa jurídica de direito privado (art. 37, § 6º, da CRFB/88), quando os exames são cancelados por indícios de fraude. Certo. 033. 033. (CEBRASPE (CESPE)/AAAJ (DP DF)/DP DF/DIREITO E LEGISLAÇÃO/2022) Acerca da responsabilidade civil do Estado, dos serviços públicos e da organização administrativa, julgue o seguinte item. A responsabilização civil do Estado pressupõe, conjunta e necessariamente, as implicações penais e administrativas decorrentes do dano. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 97 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi A responsabilidade civil do Estado não pressupõe qualquer tipo de implicação nas esferas administrativa e penal. Isso ocorre na medida em que as três esferas de responsabilização são, como regra geral, independentes entre si, podendo inclusive serem acumuladas. Errado. 034. 034. (CEBRASPE (CESPE)/TCE TCE RJ/TCE RJ/TÉCNICO/2022) João, servidor público, praticou ato administrativo que causou prejuízo a um particular. Percebendo a ilegalidade decorrente da prática desse ato, João revogou-o. Mesmo assim, o particular resolveu pedir indenização e ajuizou ação de responsabilidade civil do Estado em face do ato de João, alegando que o dano já havia sido concretizado. A partir dessa situação hipotética, julgue o item a seguir. Para fins de responsabilidade civil do Estado, é necessário que João tenha agido na condição de servidor público. Para que o Estado seja responsabilizado pelos danos causados por João, há a necessidade de que este tenha agido na condição de servidor público. Isso implica em afirmar que os atos praticados na vida particular de João não serão objeto de responsabilização por parte do Poder Público, uma vez que não estão relacionados com a condição de agente estatal. Certo. 035. 035. (CEBRASPE (CESPE)/PER OF (PC PB)/PC PB/CRIMINAL/ÁREA GERAL/2022) A responsabilidade civil do Estado impõe que a) a ilicitude do agente seja um ato antijurídico. b) o ato de improbidade seja crime próprio de servidor público. c) a prescrição quinquenal contra a fazenda pública restrinja-se a pessoas jurídicas de direito público da administração direta e indireta. d) seja confirmado o nexo causal entre o fato administrativo e o dano provocado pela conduta, para a comprovação da responsabilidade objetiva do Estado. e) a ação regressiva contra servidor que cause ilícito e aja com dolo ou culpa seja imprescritível. Letra A: Errada. Para a caracterização do dano e consequente responsabilidade civil do Estado, não há a necessidade de ilicitude do agente, haja vista que estamos diante de uma responsabilidade de caráter objetivo. Letra B: Errada. Para que o dever de indenizar seja caracterizado, não há necessidade de o ato de improbidade ser caracterizado como crime próprio de servidor público. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 98 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Letra C: Errada. A prescrição alcança as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos. Letra D: Certa. Para a comprovação da responsabilidade objetiva do Estado, deve ser confirmado o nexo causal entre o fato administrativo e o dano provocado pela conduta. Isso ocorre na medida em que o nosso ordenamento adota, para as condutas comissivas, a responsabilidade objetiva, que, por sua vez, independe de dolo ou culpa do agente estatal. Letra E: Errada. A ação regressiva, como regra amplamente geral, não é mais imprescritível, medida que apenas ocorre com os atos de improbidade administrativa. Letra d. 036. 036. (CEBRASPE (CESPE)/ADM (FUB)/FUB/2022) A respeito da responsabilidade civil do Estado, julgue o item que se segue. Segundo a jurisprudência do STF, os danos ocasionados a determinada pessoa em razão de crime cometido por foragido do sistema prisional ensejam a responsabilidade civil do Estado, ainda que o nexo de causalidade seja presumido, dado o dever estatal de vigilância em relação aos presidiários sob sua custódia. O STF possui entendimento (RE 608880) no sentido de que JURISPRUDÊNCIA Nos termos do artigo 37 §6º da Constituição Federal, não se caracteriza a responsabilidade civil objetiva do Estado por danos decorrentes de crime praticado por pessoa foragida do sistema prisional, quando não demonstrado o nexo causal direto entre o momento da fuga e a conduta praticada”. Errado. 037. 037. (CEBRASPE (CESPE)/JE TJMA/TJ MA/2022) Após um plano de fuga bem sucedido, um presidiário praticou o crime de estupro de vulnerável, mediante violência, causando a morte da vítima. Indignados com o ocorrido, os pais da vítima ingressaram com ação judicial na qual requereram a condenação do Estado à concessão de pensão vitalícia e pagamento de indenização por danos morais, alegando a responsabilidade objetiva estatal e a falha na prestação do serviço de segurança pública como fundamentos do pedido. Nessa situação hipotética, considerada a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre o tema, a demanda deverá ser julgada O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 99 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi a) procedente, pois a responsabilidade objetiva no caso torna presumida a ocorrência do dano moral. b) improcedente no que se refere ao pedido de concessão de pensão vitalícia, dada a condição de vulnerabilidade da vítima. c) procedente, emvirtude da ocorrência da falha no serviço de segurança do presídio. d) improcedente, pois não é possível estabelecer o nexo causal entre a fuga do preso e o dano causado em decorrência do crime. e) improcedente, pois a responsabilidade civil por dano resultante de omissão do Estado é subjetiva. No julgamento do RE 608880, o STF fixou importante tese em relação à responsabilidade civil dos presos foragidos. JURISPRUDÊNCIA STF - RE 608880: Nos termos do artigo 37 §6º da Constituição Federal, não se caracteriza a responsabilidade civil objetiva do Estado por danos decorrentes de crime praticado por pessoa foragida do sistema prisional, quando não demonstrado o nexo causal direto entre o momento da fuga e a conduta praticada. Sendo assim, a responsabilidade apenas estará caracterizada quando ficar demonstrado o nexo causal direto entre o momento da fuga e a conduta praticada. Na situação apresentada pelo enunciado, não é possível estabelecer o nexo causal entre a fuga do preso e o dano causado em decorrência do crime. Logo, a demanda deverá ser julgada improcedente. Letra d. 038. 038. (FGV/AG POL (RN)/PC RN/2021) Maria, escrivã de Polícia Civil no Estado Alfa, ao digitar o auto de qualificação do investigado João da Silva de Tal, no bojo de inquérito policial, cometeu erro de grafia, de maneira que acabou escrevendo o nome de outra pessoa, quase homônima, que nenhuma relação tinha com o caso, João da Salva de Tal. Diante de tal erro no procedimento de identificação, por falta de cuidado de Maria na fase investigatória, João da Salva de Tal foi denunciado pelo Ministério Público, respondeu à ação penal, mas ao final foi absolvido. Após procurar a Defensoria Pública, João da Salva de Tal manejou ação indenizatória em face: a) do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessária a comprovação do elemento subjetivo do dolo ou culpa de Maria; b) da Polícia Civil do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil subjetiva, sendo necessária a comprovação do elemento subjetivo do dolo ou culpa de Maria; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 100 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi c) de Maria, por sua responsabilidade civil subjetiva, sendo desnecessária a comprovação do elemento subjetivo do dolo ou culpa em sua conduta; d) do delegado titular da delegacia, por sua responsabilidade civil solidária, pela culpa in vigilando, sendo desnecessária a comprovação do dolo ou culpa de Maria; e) da Polícia Civil do Estado Alfa, por sua responsabilidade civil objetiva, sendo desnecessária a comprovação do elemento subjetivo do dolo ou culpa de Maria. No caso apresentado, a ação do particular deve ser protocolada contra o Estado Alfa, que é o ente federativo do qual a Polícia Civil faz parte. A responsabilidade será objetiva, sem a necessidade de comprovação de dolo ou culpa. Após o pagamento da indenização, o Estado Alfa irá verificar se houve solo ou culpa por parte da servidora Maria. Em caso positivo, poderá ajuizar a ação de ressarcimento contra a agente estatal. Letra a. 039. 039. (CEBRASPE (CESPE)/AGFEP (DEPEN)/DEPEN/2021) Jorge, chefe de repartição vinculada a órgão público federal, determinou, de forma expressa, que todos os servidores deveriam tratar os administrados com respeito e urbanidade e que não toleraria ofensa verbal. No entanto, Bruno, um de seus subordinados que exerce cargo em comissão e não possui cargo efetivo, cometeu grave insubordinação em serviço ao insultar Fernanda, uma administrada que havia solicitado informações sobre o andamento de processo que tramitava no referido órgão. Jorge, na figura de autoridade pública competente, abriu processo administrativo disciplinar contra Bruno, que culminou na aplicação de pena de suspensão por 90 dias ao insubordinado. Considerando essa situação hipotética e os dispositivos da Lei n.º 8.112/1990 e da Lei n.º 9.784/1999, bem como as disposições a respeito dos poderes administrativos e da responsabilidade civil do Estado no direito brasileiro, julgue o item subsequente. Fernanda, caso tenha se sentido ofendida por ter sido destratada, poderá ajuizar ação de responsabilidade civil contra a União, devendo comprovar o dolo ou a culpa de Bruno para eventualmente lograr êxito na ação. Na situação apresentada, Bruno cometeu grave insubordinação em serviço ao insultar Fernanda, sendo inclusive penalizado com a sanção de suspensão. Ainda assim, poderá Fernanda, caso tenha se sentido ofendida por ter sido destratada, ajuizar uma ação de responsabilidade civil contra a União, não havendo a necessidade, contudo, da comprovação de dolo ou culpa por parte do agente responsável pela ofensa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 101 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Esta desnecessidade de comprovação decorre do fato de que a responsabilidade civil é, no caso, objetiva, conforme previsão constitucional. Art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Errado. 040. 040. (CEBRASPE (CESPE)/ANA MIN (MPE AP)/MPE AP/PSICOLOGIA/2021) Acerca da responsabilidade civil do Estado, julgue os itens a seguir. I – A teoria adotada no Brasil sobre a responsabilidade civil do Estado é a teoria da culpa administrativa. II – Se determinado agente público, nessa qualidade, causou dolosamente um dano à terceiro, então é facultado a este propor ação diretamente contra o agente público. III – Nas causas em que o Estado for condenado por ato de agente público, este poderá responder regressivamente, de maneira subjetiva, perante o Estado. Assinale a opção correta. a) Apenas o item I está certo. b) Apenas o item III está certo. c) Apenas os itens I e II estão certos. d) Apenas os itens II e III estão certos. e) Todos os itens estão certos. Item I: Errada. A teoria adotada no Brasil sobre a responsabilidade civil do Estado é a do risco administrativo, de natureza objetiva. Item II: Errada. A doutrina amplamente majoritária afirma que a ação de responsabilização não pode ser proposta diretamente contra o agente responsável pelo dano, mas sim perante o Estado. Item III: Certa. Após a condenação e o pagamento da respectiva indenização, o Estado verifica se o agente agiu com dolo ou culpa. Em caso positivo, poderá o Poder Público ajuizar a competente ação regressiva de ressarcimento. Pela necessidade de verificação do dolo ou da culpa, é correto afirmar que a ação regressiva é de natureza subjetiva. Letra b. 041. 041. (FGV/ASS ADM (TCE-PI)/TCE-PI/2021) Antônio, ocupante do cargo efetivo de Assistente de Administração de determinado Tribunal de Contas estadual, está lotado no setor de O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 102 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi protocolo, onde recebe documentos e correspondências externas. Por descuido, ao receber ofício subscrito por certo Prefeito Municipal,Antônio acabou se distraindo e colocou o documento numa pilha de papéis que seriam destruídos e, em seguida, o incinerou. Por não ter sido juntado o ofício ao correlato processo administrativo, o Prefeito jurisdicionado acabou sendo multado pela Corte de Contas e alega que sofreu danos materiais e morais. No caso narrado, em tese, aplicar-se-ia a responsabilidade civil: a) subjetiva do Tribunal de Contas, sendo necessária a comprovação de ter agido Antônio com dolo ou culpa; b) objetiva do Tribunal de Contas, sendo necessária a comprovação de ter agido Antônio com dolo ou culpa; c) objetiva de Antônio, sendo desnecessária a comprovação de ter agido com dolo ou culpa; d) subjetiva do Estado, sendo necessária a comprovação de ter agido Antônio com dolo ou culpa; e) objetiva do Estado, sendo desnecessária a comprovação de ter agido Antônio com dolo ou culpa. No caso, estamos diante de uma conduta negligente de Antônio. Considerando que o servidor faz parte do Tribunal de Contas Estadual, a ação de responsabilidade civil deverá ser proposta perante o respectivo Estado, não havendo necessidade de comprovação de dolo ou culpa. Por isso mesmo, estamos diante de uma teoria objetiva. Posteriormente, caso o Estado verifique que Antônio agiu com dolo (intenção) ou culpa, poderá ser ajuizada a ação de ressarcimento contra o servidor. Letra e. 042. 042. (INSTITUTO AOCP/AG (ITEP RN)/ITEP RN/TÉCNICO FORENSE/2021) No Brasil, como regra geral, a responsabilidade civil objetiva do Estado, insculpida no art. 37, §6º da Constituição Federal, adota a teoria a) do risco integral. b) do risco administrativo. c) do risco suscitado. d) da responsabilidade subjetiva. e) da culpa do serviço. O mencionado artigo da Constituição Federal adota a teoria do risco administrativo, de caráter objetivo. De acordo com esta teoria, não há necessidade de comprovação do dolo ou da culpa do servidor para que a ação de indenização seja possível perante o Poder Público. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 103 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Letra b. 043. 043. (CEBRASPE (CESPE)/OF (CBM AL)/CBM AL/2021) Com relação à organização administrativa e à responsabilidade civil do Estado, julgue o item seguinte. A Caixa Econômica Federal é empresa pública prestadora de serviços de natureza privada e possui responsabilidade objetiva pelos atos praticados pelos seus agentes. A Caixa Econômica Federal é empresa pública exploradora de atividade econômica, não estando abrangida, por isso mesmo, pela regra da responsabilidade civil objetiva. Em sentido contrário, apenas as empresas estatais prestadoras de serviços públicos é que respondem de acordo com as regras da responsabilidade objetiva. Art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Errado. 044. 044. (CEBRASPE (CESPE)/OF (CBM AL)/CBM AL/2021) Com relação à organização administrativa e à responsabilidade civil do Estado, julgue o item seguinte. Caso uma viatura do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Alagoas se envolva em um acidente de trânsito com um veículo particular e disso resultem danos materiais e morais ao condutor do veículo particular, este não será indenizado pelo Estado se não for provado culpa ou dolo do condutor da viatura, subsistindo a responsabilidade subjetiva do Estado. Não há necessidade de comprovação do dolo ou da culpa para fins de responsabilização estatal pelos eventuais danos cometidos pelos servidores. Logo, diante da situação apresentada, a ação de indenização poderá ser proposta perante o Estado, não havendo necessidade de comprovação do dolo ou da culpa do servidor no momento do acidente. Errado. 045. 045. (QUADRIX/AG ADM (CRBM 4 PA)/CRBM 4 (PA RO)/2021) Acerca de atos administrativos e de controle e responsabilização da Administração, julgue o item a seguir. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 104 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Na modalidade de risco administrativo, a Administração tem o dever de indenizar os prejuízos causados por seus agentes, não cabendo, em nenhuma hipótese, a alegação de culpa exclusiva da vítima. A modalidade de risco administrativo admite, ao contrário do que afirmado pela questão, a alegação de culpa exclusiva da vítima ou, ainda, de culpa concorrente. Em tais hipóteses, a responsabilidade do Poder Público será, respectivamente, excluída ou abrandada. Errado. 046. 046. (QUADRIX/AG ADM (CRBM 4 PA)/CRBM 4 (PA RO)/2021) Acerca de atos administrativos e de controle e responsabilização da Administração, julgue o item a seguir. A responsabilidade civil dos servidores públicos é subjetiva, ou seja, deve-se demonstrar se a sua conduta decorreu de dolo ou culpa. Isso mesmo. Ao passo que a responsabilidade da Administração Pública é objetiva (não dependendo da comprovação de dolo ou culpa), a responsabilização dos agentes (por meio de ação regressiva) dependerá da comprovação de uma atuação com dolo ou culpa. Certo. 047. 047. (QUADRIX/AG ADM (CRBM 4 PA)/CRBM 4 (PA RO)/2021) Acerca de atos administrativos e de controle e responsabilização da Administração, julgue o item a seguir. A responsabilidade civil do Estado, na modalidade de risco integral, não admite a alegação das excludentes de responsabilidade, razão pela qual os prejuízos causados a terceiros devem ser indenizados independentemente de sua origem. A grande diferença entre o risco integral e o risco administrativo é que, no primeiro caso, não são admitidas excludentes de responsabilização. Consequentemente, os prejuízos causados a terceiros devem ser indenizados pelo Poder Público, independentemente de sua origem. Certo. 048. 048. (VUNESP/PROC (PREF JUNDIAÍ)/PREF JUNDIAÍ/2021) No que diz respeito à responsabilidade do Estado por atos legislativos, é correto afirmar que a) com base no princípio da separação de poderes, o STF já assentou que o Estado não pode ser responsabilizado por atos legislativos. b) o Supremo Tribunal Federal adotou o entendimento de que lei declarada inconstitucional em ação direta não enseja a responsabilidade estatal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 105 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi c) o fundamento jurídico que autoriza a condenação do Estado por atos legislativos é a teoria do risco integral. d) a responsabilidade estatal por atos legislativos somente é admitida quando haja previsão de indenização expressa na própria norma. e) há possiblidade de responsabilizar o Estado em decorrência da edição de lei de efeitos concretos que cause prejuízos a terceiros. Em relação à responsabilidade do Estadopor atos legislativos, a regra geral é a não responsabilização do Poder Público. Uma das situações em que a responsabilidade ocorrerá, no entanto, é quando estivermos diante da edição de lei de efeitos concretos que cause prejuízos a terceiros. Letra e. 049. 049. (VUNESP/NER (TJ GO)/TJ GO/PROVIMENTO/2021) Assinale a alternativa correta sobre a responsabilidade civil extracontratual do Estado pelos atos dos tabeliães e registradores, que, no exercício de suas funções, causem danos a terceiros, segundo tese firmada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Tema 777. a) o Estado responde, objetivamente, assentado o dever de regresso contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa, sob pena de improbidade administrativa. b) o Estado responde, subjetivamente, assegurado o direito de regresso contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa. c) o Estado responde, subsidiariamente, pelos danos, uma vez comprovada a impossibilidade de pagamento do Cartório, com o direito de regresso contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa. d) o Estado responde, objetivamente, facultado ao poder público exercer o direito de regresso contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa. No Tema 777, que versa sobre a responsabilidade civil do Estado em decorrência de danos causados a terceiros por tabeliães e oficiais de registro no exercício de suas funções, o STF fixou a seguinte tese: JURISPRUDÊNCIA O Estado responde, objetivamente, pelos atos dos tabeliães e registradores oficiais que, no exercício de suas funções, causem dano a terceiros, assentado o dever de regresso contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa, sob pena de improbidade administrativa”. Letra a. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 106 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi 050. 050. (FCC/AJ TRT17/TRT 17/ADMINISTRATIVA/CONTABILIDADE/2022) Considere que uma empresa concessionária de serviço público de transporte de passageiros esteja sendo acionada judicialmente por usuários que alegam ter sofrido danos físicos decorrentes de manobra realizada por motorista da concessionária, freando bruscamente o ônibus em que se encontravam. Considerando a disciplina constitucional aplicável ao tema, tem-se que a responsabilização civil da empresa a) é de natureza subsidiária em relação ao poder público titular do serviço, este que possui responsabilidade subjetiva primária pelos danos causados aos usuários de serviço objeto de concessão ou permissão. b) é de natureza subjetiva, demandando a comprovação de conduta dolosa ou culposa de agente da concessionária que tenha relação direta com os danos sofridos pelos usuários. c) é solidária em relação ao poder concedente, sendo que apenas a responsabilidade deste último é de natureza objetiva e prescinde de comprovação de culpa. d) prescinde da comprovação de culpa do motorista, bastando a comprovação do nexo de causalidade e a ausência de excludentes, tais como força maior ou culpa exclusiva da vítima. e) depende da comprovação da falha na prestação do serviço, representada por negligência, imperícia ou imprudência de seus agentes ou fiscalização deficiente do poder concedente. No caso apresentado, a empresa concessionária de serviço público de transporte de passageiros deve ser responsabilizada de acordo com as regras da responsabilidade objetiva, conforme previsão do texto constitucional. Art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Neste caso, a indenização ao particular ocorre independente da culpa do motorista, não dependendo, igualmente, da comprovação da falha na prestação do serviço. Logo, para que a responsabilização ocorra, basta a comprovação do nexo de causalidade e a ausência de excludentes de responsabilização (como, por exemplo, a força maior ou a culpa exclusiva da vítima). Letra d. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br Abra caminhos crie futuros gran.com.br O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. Sumário Apresentação Responsabilidade Civil Do Estado 1. Conceito 2. Evolução das Teorias de Responsabilização 2.1. Teoria da Irresponsabilidade 2.2. Teoria da Culpa Civil (ou Culpa Comum) 2.3. Teoria da Culpa Administrativa 2.4. Teoria do Risco Administrativo 2.5. Teoria do Risco Integral 2.6. Teoria do Risco Social 3. Responsabilidade Decorrente de Ação 3.1. Ação de Indenização e Ação Regressiva 3.2. Denunciação à Lide e Litisconsórcio 4. Responsabilidade Decorrente de Omissão 4.1. Omissão Genérica e Omissão Específica 5. Diferenças Entre as Responsabilidades Decorrentes de Ação e Omissão 6. Responsabilidade das Prestadoras de Serviço Público 7. Responsabilidade dos Notários (Tabeliães e Registradores) 8. Responsabilidade Decorrente de Obras Públicas 9. Responsabilidade por Atos Legislativos e Judiciais Resumo Mapas Mentais Questões de Concurso Gabarito Gabarito Comentadofor anormal, específico ou extraordinário. No entanto, seria altamente perigoso se esta teoria não admitisse excludentes de responsabilização. Se assim o fosse, o Estado seria obrigado a indenizar todos os danos envolvendo ações do Poder Público, mesmo que o agente estatal não tivesse sido o culpado pelo respectivo dano. Para evitar que isso ocorra, a doutrina admite que sejam analisados os excludentes de responsabilidade, que podem ser de caráter total ou parcial. No primeiro caso, estamos diante de uma situação em que o particular foi o único culpado pelos danos causados, gerando, como consequência, a exclusão da responsabilização do Poder Público. Na segunda situação, ambas as partes foram culpadas pelo dano, motivo que faz com que a responsabilização do Estado seja atenuada. EXEMPLO Um servidor público está dirigindo o veículo oficial. Um particular, embriagado, atravessa na contramão e colide com o veículo estatal, causando danos aos dois veículos. Aplicando o excludente total, temos que a administração não está obrigada a indenizar os danos causados, que devem ser, em sua totalidade, responsabilizados pelo particular. Agora imaginemos que este servidor estivesse dirigindo o veículo público quando, por imprudência, guiou o mesmo para a contramão. No entanto, não percebe o servidor que um veículo particular, que estava vindo em sentido contrário, também estava na contramão. Quando ambos os carros tentam retornar para a pista correta, há uma colisão entre eles, exatamente em cima da faixa que divide as duas pistas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 14 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi E agora, o que fazer? Responsabilizar a administração ou o particular?E agora, o que fazer? Responsabilizar a administração ou o particular? Neste caso, percebam que os dois veículos estavam errados quando houve a colisão, de forma que não seria justo a administração ser responsabilizada por todo o dano causado. Da mesma forma, não seria correto responsabilizar apenas o particular. Assim, aplicando o excludente parcial de responsabilidade, temos que a administração apenas arcará com a indenização proporcionalmente aos danos causados. Sobre os excludentes de responsabilização, a doutrina amplamente majoritária adota os seguintes entendimentos: a) culpa exclusiva da vítima ou de terceiro: exclusão da responsabilidade do Estado. b) culpa concorrente da vítima ou de terceiro: atenuação da responsabilidade do Estado. c) caso fortuito ou força maior: quase sempre tratados como sinônimos, implicando na exclusão da responsabilização (corrente majoritária) ou na atenuação da responsabilização (entendimentos minoritários). Ainda com relação aos excludentes de responsabilização, devemos conhecer o entendimento do STJ no sentido de afirmar que as esferas criminal e civil são independentes. Logo, caso estejamos diante de uma situação em que haja excludente de ilicitude penal, a conduta, ainda assim, poderá gerar a responsabilidade civil do Poder Público. JURISPRUDÊNCIA Resp. 1266517. A Administração Pública pode responder civilmente pelos danos causados por seus agentes, ainda que estes estejam amparados por causa excludente de ilicitude penal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 15 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi 001. 001. (CEBRASPE/CESPE/PJ/MPE SE/MPE SE/2022) Com base na doutrina clássica e na jurisprudência do STF, é correto afirmar que, quanto à responsabilidade civil do Estado, a Constituição Federal de 1988 adota, em regra, a a) teoria da culpa anônima. b) teoria da irresponsabilidade. c) teoria da falta do serviço. d) teoria do risco integral. e) teoria do risco administrativo. Quanto à responsabilidade civil do Estado, a Constituição Federal de 1988 adota, em regra, a teoria do risco administrativo, de caráter objetivo. De acordo com esta teoria, a responsabilidade ocorrerá quando estiverem presentes os seguintes elementos: dano, conduta do agente e nexo de causalidade. Letra e. 2 .5 . tEoRiA Do RisCo intEGRAL2 .5 . tEoRiA Do RisCo intEGRAL A teoria do risco integral em muito se assemelha à do risco administrativo, com a diferença de que no primeiro caso não são admitidos os excludentes total ou parcial de responsabilidade. Dessa forma, o risco integral determina que o Poder Público está obrigado a indenizar todos os danos que envolvam a atuação estatal, ainda que estes se originem de eventos da natureza, de caso fortuito ou força maior ou até mesmo de culpa exclusiva da vítima. Tal situação coloca o Estado na qualidade de “segurado universal”. De acordo com a doutrina majoritária, tal teoria é rejeitada como forma de responsabilização dos atos da administração pública. No entanto, parte da doutrina (em especial a professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro) afirma que, em determinadas situações, o Estado está obrigado a indenizar o particular com base na teoria do risco integral. Tais situações, de acordo com este entendimento doutrinário, são as seguintes: a) o dano decorrente de operações nucleares; b) os atentados terroristas em aeronaves; c) o dano ambiental; Importante salientar que não são raras as vezes em que as bancas afirmam que não é admitido, em nosso ordenamento, a teoria do risco integral. Por outro lado, as situações O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 16 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi acima, quando expostas, podem ter como resposta que a teoria que as fundamenta é a do risco integral. Assim, ainda que pareça estarmos diante de uma contradição, temos que analisar as questões caso a caso, resolvendo-as da seguinte forma: 2 .6 . tEoRiA Do RisCo soCiAL2 .6 . tEoRiA Do RisCo soCiAL Como decorrência da evolução da responsabilização estatal, o STF já tem se manifestado pela existência do “risco social”. Por meio desta teoria, a responsabilização mudaria de foco para sua comprovação, passando do agente causador do dano para a vítima do mesmo. Logo, como trata-se de entendimento recente, é bastante provável que as bancas organizadoras comecem a exigir o conhecimento do assunto. Neste sentido, merece destaque o entendimento de José dos Santos Carvalho Filho: Em tempos atuais, tem-se desenvolvido a teoria do risco social, segundo a qual o foco da responsabilidade civil é a vítima, e não o autor do dano, de modo que a reparação estaria a cargo de toda a coletividade, dando ensejo ao que se denomina de socialização dos riscos - sempre com o intuito de que o lesado não deixe de merecer a justa reparação pelo dano sofrido. A teoria do risco social veio à tona com a realização da Copa do Mundo de 2014. Com a publicação da Lei Geral da Copa (Lei 12.663/2012), o artigo 23 da norma foi objeto de ADI junto ao STF. Vejamos o teor do artigo em questão: Art. 23, A União assumirá os efeitos da responsabilidade civil perante a FIFA, seus representantes legais, empregados ou consultores por todo e qualquer dano resultante ou que tenha surgido em função de qualquer incidente ou acidente de segurança relacionado aos eventos,exceto se e na medida em que a FIFA ou a vítima houver concorrido para a ocorrência do dano. O motivo da ADI foi que a norma regulamentadora da Copa do Mundo apresentava uma situação que confrontava com a teoria da responsabilidade objetiva vigente em nosso ordenamento (risco administrativo), de forma que estava-se estabelecendo uma clara O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 17 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi hipótese de responsabilidade por risco integral (uma vez que a união estaria obrigada a assumir a responsabilidade por todos os danos relacionados à realização da Copa do Mundo). Em decisão histórica, o STF decidiu que a presente situação não caracterizava risco administrativo ou risco integral. Na hipótese, estávamos diante da Teoria do Risco Social. JURISPRUDÊNCIA Reputou que a espécie configuraria a teoria do risco social, uma vez tratar de risco extraordinário assumido pelo Estado, mediante lei, em face de eventos imprevisíveis, em favor da sociedade como um todo. Acrescentou que o artigo impugnado não se amoldaria à teoria do risco integral, porque haveria expressa exclusão dos efeitos da responsabilidade civil na medida em que a FIFA ou a vítima houvesse concorrido para a ocorrência do dano. Anotou que se estaria diante de garantia adicional, de natureza securitária, em favor de vítimas de danos incertos que poderiam emergir em razão dos eventos patrocinados pela FIFA, excluídos os prejuízos para os quais a entidade organizadora ou mesmo as vítimas tivessem concorrido. O fundamento desta teoria é que diante de um evento que traz benefícios para toda a coletividade (tal como a realização da Copa do Mundo), a responsabilização estatal deve ser partilhada por toda a população. Assim, o risco social pode ser entendido como a coletivização da responsabilidade objetiva. Nestas situações, ainda que o particular tenha sofrido um dano, é a coletividade (normalmente por meio das contribuições tributárias) que financia a responsabilização. EXEMPLO Caso um empregado sofra um dano decorrente de acidente de trabalho, não poderá ele acionar o empregador diretamente. Mas receberá do Poder Público um auxílio previdenciário como forma de indenização pelos danos sofridos. E como quem contribui para o financiamento da seguridade social é, dentre outros, a população em geral, estamos diante da responsabilidade baseada no risco social. As teorias de responsabilização apresentadas podem ser resumidas por meio do seguinte quaro sinótico: Teoria da irresponsabilidade estatal O Estado jamais era responsabilizado pelos danos causados. Teoria da culpa civil (culpa anônima) Para que houvesse responsabilização, o particular deveria comprovar a culpa do agente estatal. (subjetiva) Teoria da culpa administrativa Para que haja responsabilização, o particular deve comprovar a omissão ou falha na prestação do serviço público. (subjetiva) Teoria do risco administrativo Para que haja responsabilização, basta que haja uma conduta do Poder Público causadora de danos aos particulares. (objetiva) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 18 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Teoria do risco integral O Estado é responsabilizado por todos os danos decorrentes de suas ações, ainda que tenha ocorrido a culpa do particular ou o dano seja proveniente de eventos alheios (caso fortuito, força maior ou eventos da natureza). Teoria do risco social Em certas situações, a responsabilização estatal é compartilhada por toda a coletividade. (objetiva) DICA As teorias subjetivas são assim chamadas pelo fato de haver a necessidade de comprovação da culpa do agente público ou da falha ou omissão dos serviços prestados . O sujeito da prestação do serviço público deve ter atuado com culpa ou dolo . nas teorias objetivas, ao contrário, não há a necessidade de tal comprovação . Uma vez ocorrido o dano, ainda que este não seja resultante de culpa ou dolo do Poder Público, caberá ao Estado indenizar o particular . 3 . REsPonsABiLiDADE DECoRREntE DE AÇÃo3 . REsPonsABiLiDADE DECoRREntE DE AÇÃo A responsabilidade da administração pública pode ser, conforme já afirmamos, tanto por ação quanto por omissão. E é a constituição federal, por meio do artigo 37, § 6º, que apresenta o principal dispositivo a ser seguindo quanto à responsabilidade estatal: Art. 37, §6º, As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. De início, temos que as pessoas que estão obrigadas a responder pelos danos causados a particulares podem ser divididas em dois grupos: a) pessoas jurídicas de direito público: toda a administração direta, as autarquias e fundações públicas e as empresas públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviços públicos. b) pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos: são as delegatárias de serviço público (concessionárias, permissionárias e autorizatárias). Enquanto as empresas públicas e as sociedades de economia mista exploradoras de atividade econômica, ainda que integrantes da administração pública indireta, não O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 19 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi respondem com base na teoria do risco administrativo perante terceiros, as concessionárias, permissionárias e autorizatárias, mesmo que não integrem a administração pública, respondem com base em tal teoria. Logo, nas situações em que ocorrer danos aos particulares decorrentes de ação do Poder Público, a teoria a ser aplicada será a do risco administrativo. 002. 002. (CEBRASPE/CESPE/DPF/PF/2021) Acerca da responsabilidade civil do Estado, julgue o item que se seguem. Conforme a teoria do risco administrativo, uma empresa estatal dotada de personalidade jurídica de direito privado que exerça atividade econômica responderá objetivamente pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, resguardado o direito de regresso contra o causador do dano. Uma empresa estatal dotada de personalidade jurídica de direito privado que exerça atividade econômica não responderá objetivamente pelos danos que seus agentes causarem a terceiros. Em sentido diverso, a responsabilidade civil das estatais exploradoras de atividade econômica ocorrerá de forma semelhante ao que ocorre com as demais empresas privadas (subjetivamente). Apenas para as empresas públicas ou sociedades de economia mista prestadoras de serviços públicos é que a responsabilidade será objetiva, conforme previsão constitucional. Errado. A teoria do risco administrativo é considerada uma teoria objetiva, pois não leva em conta quem foi o agente que praticou o dano, mas sim se o mesmo foi cometido pela administração pública no âmbito do direito público. Neste sentido, a doutrina aponta que o termo agente públicos deve ser entendido em seu sentido lato, amplo, abrangendonão apenas aqueles formalmente investidos de cargos públicos, mas sim todos que, mesmo transitoriamente ou sem remuneração, desempenhem funções públicas. No entanto, é fator imprescindível para restar configurada a responsabilidade estatal que o agente público, ao praticar o dano, assim o faça devido a sua condição de agente, ainda que extrapole suas atribuições. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 20 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi EXEMPLO Vamos imaginar um policial que, ao sair da repartição e ainda estando com o uniforme de trabalho, verifica um assalto sendo praticado e não pensa duas vezes antes de atirar com o objetivo de acertar o assaltante. Nesta situação, suponhamos que a bala tenha acertado um pedestre que ali passeava, e que, devido ao tiro, teve sérios ferimentos. Não há dúvidas, no caso narrado, de que a atuação do policial se deu em razão da sua Não há dúvidas, no caso narrado, de que a atuação do policial se deu em razão da sua condição de agente público, não é mesmo?condição de agente público, não é mesmo? Assim, ainda que não mais estivesse no horário de trabalho, deverá o Estado indenizar o particular lesado dos danos a ele causados. Situação diferente ocorreria, por exemplo, se o policial, estando em seu dia de folga, utilizasse a arma da repartição para acertar algum inimigo pessoal seu. Vejam que, ainda que a arma utilizada seja a da repartição e que a pessoa que tenha atirado seja um policial, o mesmo não se encontra na condição de agente público, mas sim movido por motivos de ordem pessoal, alheios as suas atribuições funcionais. O próprio STF já decidiu neste sentido, por meio do RE 363.423/SP: JURISPRUDÊNCIA RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. LESÃO CORPORAL. DISPARO DE ARMA DE FOGO PERTENCENTE À CORPORAÇÃO. POLICIAL MILITAR EM PERÍODO DE FOLGA. Caso em que o policial autor do disparo não se encontrava na qualidade de agente público. Nessa contextura, não há falar de responsabilidade civil do Estado. Recurso extraordinário conhecido e provido. De tudo o que expomos, percebe-se que a teoria do risco administrativo (teoria objetiva) é a regra em nosso ordenamento jurídico. 3 .1 . AÇÃo DE inDEniZAÇÃo E AÇÃo REGREssivA3 .1 . AÇÃo DE inDEniZAÇÃo E AÇÃo REGREssivA Vamos relembrar o dispositivo constitucional que trata da responsabilidade civil do Estado (artigo 37, § 6º): Art. 37, §6º, As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 21 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Agora o que nos interessa é a parte final do dispositivo, ou seja, o momento posterior ao ato que causou lesão ao particular. De acordo com o artigo acima, a administração possui assegurado para si o direito de impetrar uma ação regressiva contra o servidor público que causar dano a algum particular, mas isso somente será possível no caso de dolo (intenção do agente) ou culpa. EXEMPLO Inicialmente, o agente público, agindo em nome do Estado, pratica uma ação (independente de ser ou não com dolo ou culpa) que resulta em dano ao particular. Comprovado o dano, o Estado deve indenizar o particular pelos prejuízos causados, conforme ação de indenização proposta por este. Tendo indenizado o particular, o Poder Público pode, nos casos em que tiver ocorrido dolo ou culpa do agente público, ajuizar a competente ação regressiva. Logo, temos que enquanto a ação de indenização proposta pelo particular lesado possui natureza objetiva (uma vez que independe de dolo ou culpa do agente público para a sua configuração), a ação regressiva possui natureza subjetiva (de forma que apenas poderá ser proposta caso o Estado comprove que o seu agente praticou a ação com dolo (intenção) ou culpa). 003. 003. (FGV/ATCE/TCE-AM/TCE-AM/AUDITORIA GOVERNAMENTAL/2021) O Estado do Amazonas foi condenado a indenizar a contribuinte Maria, que sofreu danos materiais decorrentes de ato ilícito praticado, no exercício da função, pelo Auditor Fiscal de tributos estaduais Antônio. A Procuradoria Geral do Estado pretende ingressar com ação de regresso em face do Auditor Antônio, visando ao ressarcimento do prejuízo causado ao Estado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 22 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi De acordo com o texto constitucional e com a doutrina de Direito Administrativo, a ação indenizatória ajuizada por Maria contra o Estado está lastreada na responsabilidade civil: a) objetiva, assim como a ação regressiva do Estado contra o Auditor Antônio, não havendo que se perquirir acerca do dolo ou culpa do agente, eis que ambos os processos têm os mesmos fatos como causa de pedir; b) subjetiva, assim como a ação regressiva do Estado contra o Auditor Antônio, havendo que se comprovar a existência do dolo ou culpa do agente, eis que ambos os processos têm os mesmos fatos como causa de pedir; c) subjetiva do ente público, em que há necessidade de se demonstrar o dolo ou culpa do Auditor Antônio, mas é inviável a ação de regresso do Estado contra o agente público, pois agiu no exercício das funções, exceto se tiver cometido algum crime; d) subjetiva do ente público, em que não há necessidade de se demonstrar o dolo ou culpa do Auditor Antônio, mas a ação de regresso do Estado contra o agente público está baseada na responsabilidade civil objetiva, sendo imprescindível a demonstração do elemento subjetivo do agente; e) objetiva do ente público, em que não há necessidade de se demonstrar o dolo ou culpa do Auditor Antônio, mas a ação de regresso do Estado contra o agente público está baseada na responsabilidade civil subjetiva, sendo imprescindível a demonstração do elemento subjetivo do agente. No caso apresentado, a ação indenizatória ajuizada por Maria contra o Estado está lastreada na responsabilidade civil objetiva do Poder Público. Por estarmos diante de uma teoria objetiva, não há necessidade de comprovação do dolo ou da culpa do agente. Posteriormente, após indenizar o particular lesado, verifica o Estado se o agente estatal agiu com dolo ou culpa. Em caso positivo, pode ajuizar uma ação de ressarcimento. Logo, se considerarmos que a ação regressiva apenas é possível quando o agente comprovadamente agiu com dolo ou culpa, é correto afirmar que esta ação é de natureza subjetiva. Letra e. Como o Estado está obrigado a promover ações que viabilizem o ressarcimento ao erário, e considerando que um possível acordo com o agente causador do dano pode, a depender do valor global do prejuízo causado, levar um grande lapso de tempo, a Constituição Federal assegura (e aqui trata-se de uma grande prerrogativa do Estado), a imprescritibilidade da ação de ressarcimento. Assim, caso um acordo tenha sido firmado entre o Estado e o agente causador do dano, e este, posteriormente, venha a ser demitido (quebrando o vínculocom o Poder Público e O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 23 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi impossibilitando que seja realizado o desconto em folha de pagamento), poderá o Estado, à qualquer tempo, ajuizar a ação de ressarcimento. Temos apenas que tomar o cuidado para não confundirmos a imprescritibilidade da ação de ressarcimento (regressiva) com o prazo prescricional previsto em lei para que o particular ajuíze a ação indenizatória contra o Estado. No tocante a este prazo, temos que ter bastante cuidado: Inicialmente, e seguindo a literalidade do artigo 1º do Decreto 20.910, de 1932, toda a doutrina e os Tribunais Superiores eram unânimes em afirmar que o prazo prescricional era de 5 anos. Art. 1º, As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Com a entrada em vigor do novo Código Civil, de 2002, muitos autores, baseados no artigo 206, § 3º, V, do citado diploma, passaram a considerar que o prazo para ajuizamento da Ação de Indenização passou a ser de 3 anos. Art. 206. Prescreve: § 3º Em três anos: V – a pretensão de reparação civil; Ao julgar o Resp. 1251993/PR, o STJ colocou fim ao impasse, afirmando claramente que o prazo prescricional para o ajuizamento das Ações de Indenização contra o Poder Público é de 5 anos. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO.AÇÃO DE INDENIZAÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. PRAZO PRESCRICIONAL.DECRETO N. 20.910/32. QUINQUENAL. TEMA OBJETO DE RECURSO REPETITIVO.SÚMULA 168/STJ. INCIDÊNCIA. 1. A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que a prescrição contra a Fazenda Pública é quinquenal, mesmo em ações indenizatórias, uma vez que é regida pelo Decreto n. 20.910/32.Orientação reafirmada em recurso submetido ao regime do art. 543-Cdo CPC (REsp 1251993/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 19.12.2012). EXEMPLO Caio, agente público, praticou conduta que resultou em dano ao particular. Este, por sua vez, ajuizou ação indenizatória contra o Poder Público (para tal, ele possui o prazo de 5 anos contados da prática do ato). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 24 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Julgada procedente a ação, o Poder Público procedeu à indenização do particular lesado. Posteriormente, verificou a administração que Caio, na conduta que resultou em dano ao particular, agira com culpa. Nesta situação, e considerando que o Estado é obrigado a promover as ações destinadas ao ressarcimento dos cofres públicos, firmou-se acordo mediante o qual o Estado estava autorizado a descontar um percentual da remuneração de caio como forma de ressarcimento. Dois meses depois, no entanto, Caio pediu exoneração do cargo, situação que impossibilitou a continuidade dos pagamentos como forma de ressarcimento. Nesta situação, promoveu a administração pública a ação de ressarcimento (imprescritível, uma vez que baseada no princípio da indisponibilidade do interesse público). E caso Caio venha a falecer antes do término do ressarcimento, será que a dívida se E caso Caio venha a falecer antes do término do ressarcimento, será que a dívida se esgota?esgota? Depende! Caso Caio tenha bens e estes tenham sido transferidos aos sucessores, estes serão responsabilizados até o limite do valor do patrimônio transferido. A imprescritibilidade das ações de ressarcimentos decorrentes de ilícitos civis, contudo, sofreu alterações após o julgamento do Recurso Extraordinário 669069, realizado pelo STF em fevereiro de 2016. Se até o aquele momento todas as ações de ressarcimento decorrentes de ilícitos cíveis eram pacificamente consideradas imprescritíveis, a jurisprudência, após o julgado em questão, inclina-se no sentido de admitir que as ações de ressarcimento, salvo as hipóteses expressamente ressalvadas, são prescritíveis. JURISPRUDÊNCIA RE 669069/MG, rel. Min. Teori Zavascki, 3.2.2016. (RE-669069) É prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de ilícito civil. Esse o entendimento do Plenário, que em conclusão de julgamento e por maioria, negou provimento a recurso extraordinário em que discutido o alcance da imprescritibilidade da pretensão de ressarcimento ao erário prevista no § 5º do art. 37 da CF (“§ 5º - A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento”). A Corte pontuou que a situação em exame não trataria de imprescritibilidade no tocante a improbidade e tampouco envolveria matéria criminal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 25 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Em 2018, em nova decisão sobre a imprescritibilidade das ações de ressarcimento, o STF manifestou-se, no julgamento do RE 852475, peça imprescritibilidade da ação de ressarcimento decorrente de ato doloso de improbidade administrativa. Com base neste importante julgado, devemos levar para a prova as seguintes informações: a) A ação de ressarcimento não mais é imprescritível para todos os danos decorrentes de ilícitos civis. b) No caso de ilícito civil que envolva matéria criminal, a ação de ressarcimento continua sendo imprescritível, podendo o Estado ajuizar o ressarcimento a qualquer tempo. c) No caso de ação de ressarcimento decorrente de improbidade administrativa, e considerando que atualmente apenas são admitidos atos com natureza dolosa, a eventual ação de ressarcimento é imprescritível. c) Não há, ainda, uma definição acerca do prazo prescricional para as demais ações de ressarcimento (aquelas que não são decorrentes de improbidade culposa ou de matéria criminal). Ainda assim, uma eventual questão de prova cobrando o assunto deve ter como resposta o prazo de 5 anos. Podemos memorizar os prazos prescricionais das ações de indenização e de ressarcimento por meio do seguinte quadro: 004. 004. (CEBRASPE/CESPE/TCE TCE RJ/TCE RJ/TÉCNICO/2022) João, servidor público, praticou ato administrativo que causou prejuízo a um particular. Percebendo a ilegalidade decorrente da prática desse ato, João revogou-o. Mesmo assim, o particular resolveu pedir indenização e ajuizou ação de responsabilidade civil do Estado em face do ato de João, alegando que o dano já havia sido concretizado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 26 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi A partir dessa situação hipotética, julgue o item a seguir. O Estado poderá ser condenado a pagar indenização ao particularem razão do dano causado por João, desde que o particular comprove o dolo ou a culpa do servidor público na prática do ato. Para que o Estado seja condenado a indenizar o particular, não há necessidade de comprovação do dolo ou da culpa do servidor, uma vez que vigora, em nosso ordenamento, a responsabilidade objetiva do Estado. Art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Errado. 3 .2 . DEnUnCiAÇÃo À LiDE E LitisConsÓRCio3 .2 . DEnUnCiAÇÃo À LiDE E LitisConsÓRCio Com a atuação estatal que resulte em danos aos particulares, muito se questiona se estes poderão acionar diretamente os agentes públicos causadores do dano, se a ação de indenização deve ser direcionada apenas para o Poder Público ou ainda se ambas as partes (Poder Público e agente) podem figurar conjuntamente no polo passivo da demanda. Boa parte destas dúvidas foram sanadas com o julgamento, pelo STF, do recurso extraordinário 327.904: JURISPRUDÊNCIA A ação de indenização há de ser promovida contra a pessoa jurídica causadora do dano e não contra o agente público, em si, que só responderá perante a pessoa jurídica que fez a reparação, mas mediante ação regressiva. Notem que com a presente decisão, o STF reforçou a garantia tanto do particular prejudicado quanto do agente público causador do dano. No que se refere ao particular prejudicado, temos que este possui uma maior garantia de que irá receber a competente indenização. Como a ação de indenização apenas pode ser promovida contra o Estado, e não dire-Como a ação de indenização apenas pode ser promovida contra o Estado, e não dire- tamente contra o agente que causou o dano, a possibilidade do Poder Público pagar a tamente contra o agente que causou o dano, a possibilidade do Poder Público pagar a dívida é muito maior do que a do agente, concordam?dívida é muito maior do que a do agente, concordam? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 27 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Admitindo-se que a ação de indenização apenas pode ser proposta diretamente contra a pessoa jurídica, evita-se a embaraçosa situação em que o particular ajuíza ação contra o agente público, ganha a causa e posteriormente vem a não receber o valor indenizatório. EXEMPLO Luiz, em seu primeiro dia de trabalho, e estando no exercício regular de suas atividades, pratica uma ação que resulta em dano patrimonial a Tavares. Fazendo uso de seu direito, Tavares promove a ação de indenização perante o Poder Público. Comprovado o dano, deve o poder estatal indenizar Tavares e ajuizar, caso tenha ocorrido dolo ou culpa, ação regressiva contra Luiz. Caso houvesse a possibilidade de Tavares ajuizar a ação de indenização contra Luiz, mesmo que a decisão fosse pela condenação do servidor haveria a possibilidade de Tavares não receber o valor em questão, uma vez que Luiz fora recém admitido no serviço público e, a depender do valor total da condenação, não teria recursos para quitar o valor do dano. Da mesma forma, a decisão em questão representa uma garantia ao agente público que causou o dano, uma vez que apenas poderá ser demandado judicialmente mediante ação regressiva proposta pelo Poder Público. EXEMPLO Tício, servidor público, recebe a ordem de serviço de dirigir-se até a empresa alfa com a finalidade de verificar se os produtos lá existentes estão sendo vendidos dentro do prazo de validade. Lá chegando, constata que apenas um produto encontrava-se fora desta situação. Mesmo assim, não pensa duas vezes antes de aplicar a sanção de interdição do estabelecimento por 5 dias. A empresa alfa, sentindo-se prejudicada, ajuíza a competente ação judicial com a finalidade de ser indenizada pelo “dano moral” decorrente do excesso de exação de Tício. Caso fosse admitido que a empresa litigasse contra o agente público causador do dano, teríamos que Tício, ainda que eventualmente não tivesse agido com dolo ou culpa, poderia ser condenado a indenizar a empresa pelos danos decorrentes de sua ação. Entretanto, como a ação somente pode ser proposta perante o Poder Público, temos que a empresa alfa apenas poderá litigar contra o Estado, que, em caso de condenação, deverá ressarcir a empresa pelos danos morais causados. Já sabemos que o particular que se sentir lesado apenas poderá ajuizar a ação de indenização perante o Estado (e não diretamente perante o agente público). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 28 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi mas será qmas será que o Poder Público, uma vez demandado, poderá denunciar à lide o agente ue o Poder Público, uma vez demandado, poderá denunciar à lide o agente causador do dano, isto é, chamar o servidor que praticou a conduta para a mesma ação causador do dano, isto é, chamar o servidor que praticou a conduta para a mesma ação em que está sendo verificado se houve ou não dano ao particular?em que está sendo verificado se houve ou não dano ao particular? Inicialmente, vejamos o significado da expressão “denunciação à lide”: lide, no âmbito jurídico, tem o significado de litígio, ou seja, uma questão a ser resolvida pelo poder judiciário ante o argumento de cada uma das partes do processo. Denunciar à lide, de maneira bem simples, nada mais é do que “chamar” uma terceira pessoa ao processo. Assim, se João está litigando com Maria, pode ser necessário, para o correto desenrolar do processo, denunciar à lide Letícia, que possui informações cabais para o correto posicionamento do juiz. No âmbito da responsabilidade civil do Estado, temos uma grande divergência entre os principais tribunais de nosso país: De acordo com o STF (e seguindo o entendimento da doutrina majoritária), não é possível a denunciação à lide no âmbito das ações que envolvam a Responsabilidade Civil do Estado. Neste sentido já se manifestou o tribunal, conforme teor no julgamento do RE 344.133: JURISPRUDÊNCIA Extrai-se da Constituição Federal de 1988 a distinção entre a possibilidade de imputação da responsabilidade civil, de forma direta e imediata, à pessoa física do agente estatal, pelo suposto prejuízo a terceiro, e o direito concedido ao ente público de ressarcir-se, mediante ação de regresso, perante o servidor autor de ato lesivo a outrem, nos casos de dolo ou de culpa. Consectariamente, se a ação indenizatória é intentada contra a pessoa jurídica de direito público, resta, necessariamente, afastada a legitimidade passiva do agente, não se podendo cogitar de legitimação passiva concorrente. (precedentes do STF, RE n. 327904/SP e RE n. 344.133- 7/PE). O STJ, porém, possui diversas decisões em sentido oposto, conforme o julgado abaixo, ocorrido em 2013: JURISPRUDÊNCIA Na hipótese de dano causado a particular por agente público no exercício de sua função, há de se conceder ao lesado a possibilidade de ajuizar ação diretamente contra o agente, contra o Estado ou contra ambos. (STJ. 4ª Turma. REsp 1.325.862-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 5/9/2013). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação oudistribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 29 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi E o pior, pessoal: Ainda que haja esta divergência entre as principais Cortes do nosso país, a ESAF, no concurso para Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de 2012, promoveu a seguinte questão: 005. 005. (ESAF/RFB/2012/AUDITOR) Em relação ao tema da Responsabilidade Civil do Estado, analise as questões a seguir, identificando se são verdadeiras (V) ou falsas (F). Após a análise das opções, assinale aquela que apresenta a sequência correta. ( ) � Segundo a posição majoritária da doutrina administrativista, o fato de ser atribuída responsabilidade objetiva a pessoa jurídica não significa exclusão do direito de agir diretamente contra aquele agente do Poder Executivo que tenha causado o dano. ( ) � O cidadão prejudicado pelo evento danoso poderá mover ação contra pessoa jurídica de direito público e contra o agente do Poder Executivo responsável pelo fato danoso em litisconsórcio facultativo, já que são eles ligados por responsabilidade solidária. ( ) � Como a responsabilidade do agente causador do dano acompanha a responsabilização do Estado, será cabível ação de regresso quando o Estado houver sido responsabilizado objetivamente ainda que o agente não tenha agido com dolo ou culpa. ( ) � São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao Erário movidas pelo Estado contra seus servidores que tenham praticado ilícitos dos quais decorram prejuízos aos cofres públicos. a) V, V, V, V b) F, V, V, V c) V, F, V, V d) V, V, F, V e) V, V, V, F.] O item I está correto, uma vez que, após ser responsabilizada, a administração pública pode impetrar ação regressiva contra o servidor, no caso de dolo ou culpa. O item II foi a grande controvérsia da questão, uma vez que ambos os tribunais superiores (STJ e STF), conforme verificado, possuem entendimentos opostos no que se refere à possibilidade do particular mover, diretamente, ação contra o Poder Público, contra o servidor ou ainda em litisconsórcio. E você, na hora da prova, o que marcaria? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 30 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Muitos candidatos marcariam falso, seguindo o entendimento majoritário. A ESAF, no entanto, seguiu o entendimento do STJ, alegando ser o mais recente. Trata-se de questão polêmica, e que, mesmo após os recursos, não foi anulada pela banca, de forma que o gabarito é correto. O item III está errado, sendo o tradicional entendimento, ou seja, com a responsabilização do Estado, pode este entrar com ação regressiva contra o servidor, mas apenas nos casos de dolo ou culpa. O item IV está certo, uma vez que a ação de ressarcimento aos cofres públicos é imprescritível. Letra d. DICA Para fins de prova, devemos levar as seguintes informações: a) No que se refere à ação de indenização, não é possível a denunciação à lide, ou seja, chamar um terceiro (no caso, o agente público) para o processo. (STF); b) na ação de indenização, não é admitido o litisconsórcio, ou seja, ajuizar ação contra o Poder Público concomitantemente com o servidor. (STF); c) Como tratam-se de entendimentos do STF, entende-se que estes são os que devem ser seguidos pelas bancas organizadoras . d) Questões como a da ESAF devem ser analisadas em seu contexto, de forma que a única maneira de acertarmos é conhecendo a literalidade dos principais julgados sobre o assunto. no caso, a banca optou por seguir a ementa do stJ no julgamento do Resp. 1.325.862. 4 . REsPons4 . REsPonsABiLiDADE DECoRREntE DE omissÃoABiLiDADE DECoRREntE DE omissÃo Diferentemente do que ocorre com os danos decorrentes de ações do Poder Público, não há uma disposição constitucional que regulamente qual a teoria a ser utilizada quando estamos diante de omissão de serviço público por parte do Estado. Coube à jurisprudência, neste sentido, estabelecer que a teoria a ser utilizada seria a da culpa administrativa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 31 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Por meio de tal teoria, temos que o Estado está obrigado a indenizar os particulares que tiverem sofrido danos decorrentes de omissão do serviço público ou de falha na sua prestação. Importante salientar que a omissão a que esta teoria faz referência abrange não apenas a falta de serviço público como também o serviço público insuficiente. Na responsabilidade civil por omissão, ao contrário do que ocorre na responsabilidade por ação, cabe ao particular a prova de que houve omissão ou falha na prestação do serviço público estatal. Por isso mesmo, estamos diante de uma teoria subjetiva. EXEMPLO A omissão de serviço público ensejando dano aos particulares a falta de iluminação pública noturna em uma via bastante movimentada. Caso ocorra um acidente, poderá o particular, alegando que o motivo do mesmo foi a falta de iluminação, acionar o poder judiciário ensejando a respectiva indenização. Uma pequena ressalva deve ser feita, conforme mencionado anteriormente, para as situações em que o Poder Público atua na qualidade de garante, ou seja, nas situações em que o Estado deve garantir a integridade das pessoas que estejam sob a sua custódia. Em todas estas situações, responde o Poder Público, em caso de dano, de maneira objetiva, ou seja, sem a necessidade de comprovação de dolo ou culpa do agente e sem a obrigação do particular comprovar a omissão ou falha no serviço público prestado. Como exemplo, vejamos uma decisão proferida pelo STJ: JURISPRUDÊNCIA A Administração Pública está obrigada ao pagamento de pensão e indenização por danos morais no caso de morte por suicídio de detento ocorrido dentro de estabelecimento prisional mantido pelo Estado. Nessas hipóteses, não é necessário perquirir eventual culpa da Administração Pública. Na verdade, a responsabilidade civil estatal pela integridade dos presidiários é objetiva em face dos riscos inerentes ao meio no qual foram inseridos pelo próprio Estado. (STJ REsp 1.305.259 –SC) Um ponto que merece ser destacado é a questão da responsabilidade civil em razão dos presos foragidos. Ainda que o Estado, no âmbito do sistema prisional, esteja na condição de garante, não são todos os atos praticados pelos presos foragidos que dão ensejo a uma eventual responsabilização do Poder Público. Nesta situação, para que a responsabilidade civil seja configurada, deve ser demonstrado o nexo causal direto entre o momento da fuga e a conduta praticada. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para daniel moura - 10763753408, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 32 de 107www.grancursosonline.com.br DiREito ADministRAtivo Responsabilidade Civil do Estado Diogo Surdi Caso o preso foragido pratique algum ato que cause dano ao particular após um período considerável de tempo, ou então quando haja a formação de quadrilha com o objetivo de praticar o ato danoso, não há nexo causal direto entre a fuga e o ato praticado, motivo pelo qual não há a responsabilização do Poder Público. Neste