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RECURSO ESPECIAL OBJETIVO O recurso especial tem como objetivo analisar se as decisões judiciais realizadas dentro do processo estão em conformidade com a lei vigente e com a jurisprudência e está previsto na Constituição Federal de 1988 e regrado através do Código de Processo Civil de 2015 (Novo CPC) para assim dar uniformidade à interpretação da legislação federal. Um ponto relevante no recurso especial é que ele não se presta para rediscutir matéria de fato, conforme prevê a já consolidada Súmula n. 07 do STJ: Súmula n° 07 - A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. Também existe o entendimento de que discussões sobre cláusulas contratuais não podem ser objeto de recurso especial, conforme Súmula n° 05 do STJ: Súmula n° 05 - A simples interpretação de clausula contratual não enseja recurso especial. Isso se dá por ser o Superior Tribunal de Justiça uma instância extraordinária, focada em uniformizar o entendimento sobre a legislação federal - não servindo como uma terceira instância, revisora dos julgamentos dos Tribunais. O recurso especial como observado destina-se a discutir matérias relativas à legislação federal, mas não adentra a seara constitucional que é competência do STF conforme indica a Súmula n° 126 do STJ: Súmula n° 126 - É inadmissível recurso especial, quando o acordão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantê-lo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário. No entanto, no Novo CPC/2015 criou uma dinâmica nova na admissibilidade do recurso especial que versar sobre matéria constitucional, conforme dispõe em seu Art. 1.032: Art. 1.032. Se o relator, no Superior Tribunal de Justiça, entender que o recurso especial versa sobre questão constitucional, deverá conceder prazo de 15 (quinze) dias para que o recorrente demonstre a existência de repercussão geral e se manifeste sobre a questão constitucional. Parágrafo único. Cumprida a diligência de que trata o caput , o relator remeterá o recurso ao Supremo Tribunal Federal, que, em juízo de admissibilidade, poderá devolvê-lo ao Superior Tribunal de Justiça. No recurso especial sobre questão constitucional, o relator do STJ poderá intimar o recorrente para que se manifeste sobre eventual repercussão geral da matéria, remetendo os autos para juízo de admissibilidade do Supremo Tribunal Federal, que devolverá o recurso ao STJ, ou avocará para si a competência de julgamento, em uma espécie de fungibilidade recursal - algo completamente inédito ao âmbito do recurso dirigidos aos Tribunais Superiores. Também cabe recurso especial contra acórdão proferido no julgamento de agravo de instrumento desde que cumpridos seus requisitos e hipóteses de admissibilidade conforme Súmula n° 86 do STJ: Súmula n° 86 - Cabe recurso especial contra acordão proferido no julgamento de agravo de instrumento. FINALIDADE A finalidade do recurso especial (REsp) é uniformizar o entendimento dos tribunais e demais órgãos judiciais a respeito das normas jurídicas federais em todo o país. Verifica-se uma dúplice finalidade: uma pública e outra privada. É público seu fim, tendo em vista sua função de provocar o S.T. J de forma a evitar as decisões conflitantes dos tribunais de apelação, na sua labuta jurisdicional, sendo a defesa do direito objetivo e a unificação da jurisprudência. O outro fim tem índole predominante política, isto é, de fazer justiça do caso concreto, aparecendo, destarte, o recurso como meio impugnativo da parte para reparar um agravo a direito seu, ainda que a decisão contenha em si algo mais grave, qual seja a contravenção da lei. A finalidade principal do recurso especial é, porém, a primeira, de preservação da ordem pública, de modo particular, neste recurso, das normas infraconstitucionais. Daí por que não se compreende o recurso especial por motivo ou questão de fato. Trata-se de modalidade de recurso extraordinário lato sensu, destinado, por previsão constitucional, a preservar a unidade e a autoridade do direito federal, sob a inspiração de que nele o interesse público, refletido na correta interpretação da lei, deve prevalecer sobre os interesses das partes. FUNDAMENTOS LEGAIS O fundamento legal do recurso especial está no artigo 105, inciso III, alíneas a, b e c da CF/88 que estabelece as hipóteses em que o recurso pode ser interposto, mas é o Novo CPC que traz os regramentos a respeito do funcionamento do recurso dentro do âmbito processual. Na CF/88 o recurso pode ser interposto nos casos de violação de lei federal, legalidade de ato de governo local e divergência jurisprudencial. Este recurso é de fundamentação vinculada, portanto o recorrente poderá alegar apenas as matérias previstas nas alíneas do art. 105, III, da Constituição Federal. Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I - processar e julgar, originariamente: a) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos de responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais; b) os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal; c) os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas mencionadas na alínea a, ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral; d) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I, "o", bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos; e) as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados; f) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões; g) os conflitos de atribuições entre autoridades administrativas e judiciárias da União, ou entre autoridades judiciárias de um Estado e administrativas de outro ou do Distrito Federal, ou entre as deste e da União; h) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição de órgão, entidade ou autoridade federal, da administração direta ou indireta, excetuados os casos de competência do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal; i) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias; j) os conflitos entre entes federativos, ou entre estes e o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços, relacionados aos tributos previstos nos arts. 156-A e 195, V; II - julgar, em recurso ordinário: a) os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória; b) os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão; c) as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional, de um lado, e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País; III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida: a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência; b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal; c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. § 1º Funcionarãojunto ao Superior Tribunal de Justiça: I - a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados, cabendo-lhe, dentre outras funções, regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e promoção na carreira; II - o Conselho da Justiça Federal, cabendo-lhe exercer, na forma da lei, a supervisão administrativa e orçamentária da Justiça Federal de primeiro e segundo graus, como órgão central do sistema e com poderes correicionais, cujas decisões terão caráter vinculante. § 2º No recurso especial, o recorrente deve demonstrar a relevância das questões de direito federal infraconstitucional discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que a admissão do recurso seja examinada pelo Tribunal, o qual somente pode dele não conhecer com base nesse motivo pela manifestação de 2/3 (dois terços) dos membros do órgão competente para o julgamento. § 3º Haverá a relevância de que trata o § 2º deste artigo nos seguintes casos: I - ações penais; II - ações de improbidade administrativa; III - ações cujo valor da causa ultrapasse 500 (quinhentos) salários mínimos; IV - ações que possam gerar inelegibilidade; V - hipóteses em que o acórdão recorrido contrariar jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça; VI - outras hipóteses previstas em lei. O Código de Processo Civil de 2015 traz o ordenamento a respeito do recurso em seu artigo 1.029. De acordo com o Novo CPC, o recurso especial deve ser interposto perante o presidente do tribunal recorrido. O Código também estipula qual é o conteúdo que deve estar presente dentro do recurso especial, apontando seus itens da seguinte maneira: Art. 1.029. O recurso extraordinário e o recurso especial, nos casos previstos na Constituição Federal , serão interpostos perante o presidente ou o vice-presidente do tribunal recorrido, em petições distintas que conterão: I – a exposição do fato e do direito; II – a demonstração do cabimento do recurso interposto; III – as razões do pedido de reforma ou de invalidação da decisão recorrida. Um parágrafo importante (parágrafo 1º do artigo 1.029) que o Novo CPC traz a respeito da aplicação do recurso especial é que, nos casos onde a fundamentação dele se dá por conta de divergência jurisprudencial entre o acórdão proferido e o entendimento de outros tribunais, cabe à parte interessada apontar a divergência. Art. 1.029. § 1º Quando o recurso fundar-se em dissídio jurisprudencial, o recorrente fará a prova da divergência com a certidão, cópia ou citação do repositório de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que houver sido publicado o acórdão divergente, ou ainda com a reprodução de julgado disponível na rede mundial de computadores, com indicação da respectiva fonte, devendo-se, em qualquer caso, mencionar as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados. E, por fim, também é regulado pelo artigo 255 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça: Art. 255. O recurso especial será interposto na forma e no prazo estabelecido na legislação processual vigente e recebido no efeito devolutivo, salvo quando interposto do julgamento de mérito do incidente de resolução de demandas repetitivas, hipótese em que terá efeito suspensivo. REQUISITOS O artigo 105 da Constituição Federal brasileira estabelece os pressupostos cumulativos e alternativos para o cabimento do recurso especial. Os pressupostos cumulativos devem ser preenchidos em todos os recursos especiais. Já os pressupostos alternativos, basta que um deles seja preenchido. É fundamental apresentar esses pressupostos para que recurso especial passe pelo juízo de admissibilidade e seja julgado o mérito. São pressupostos cumulativos de admissibilidade (artigo 105, caput, da CF): · Decisão de única ou última instância: Deve haver o esgotamento das vias ordinárias de impugnação (o prévio exaurimento de instância), ou seja, a parte deve seguir com a interposição dos demais recursos até que nenhum deles seja mais cabível no caso concreto. · Decisão proferida por tribunal: Só é admissível a interposição de recurso especial contra decisões proferidas pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais de Justiça. Por isso que não se admite recurso especial contra decisões proferidas pelas Turmas Recursais dos Juizados Especiais, conforme a súmula 203 do STJ: Súmula n° 203 - Não cabe recurso especial contra decisão proferida por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais. O recurso especial só pode ser admitido caso a matéria em discussão tenha sido previamente analisada e debatida no julgamento da instância anterior. Logo, não é possível inovar questionando matéria que não tenha sido suscitada e apreciada na decisão recorrida. Já para os pressupostos alternativos de admissibilidade do recurso especial (artigo 105, III, da CF), basta apresentar uma dos seguintes situações: · Ataca decisão de tribunal estadual ou regional federal - o recurso especial tem como objetivo analisar as decisões de única ou última instância de tribunais estaduais ou regionais federais. Portanto, os tribunais de segunda instância. É importante destacar isso, pois decisões que vão contra a legislação federal cometidas em primeira instância ou em órgãos colegiados de Juizados Especiais não são passíveis de interposição de recurso especial, devendo esses casos ser analisados pela segunda instância. · Não discute fatos ou direito - como o objetivo do recurso especial é unicamente discutir uma decisão de única ou última instância de um tribunal estadual ou regional federal a respeito da sua conformidade com o ordenamento jurídico federal, não se admite a discussão dos fatos ou do direito específicos da causa concreta, mas apenas se a decisão proferida está de acordo com as normas federais ou não. É possível, no entanto, discutir se a angariação de uma prova específica está de acordo com o que determina a legislação federal, mas não se pode discutir se essa prova tem algum efeito sobre o processo ou se é importante para a causa. Isso se dá para garantir que os recursos especiais terão como objetivo primário a discussão da legalidade dos atos judiciais das instâncias apresentadas pelo artigo 105 da Constituição Federal, e não sobre questões necessariamente vinculadas ao caso concreto do processo. · Esgotamento dos recursos ordinários - o recurso especial, por ser um dos recursos extraordinários, só pode ser interposto uma vez que todas as possibilidades de recursos ordinários tenham se esgotado. Isso se dá para que a parte interessada não pule as instâncias e o devido procedimento jurídico para acessar o STJ. A parte deve tentar resolver o conflito entre a decisão e a lei federal de todas as formas ordinárias possíveis. Dessa forma, se for possível interpor apelação, embargos de declaração ou qualquer outro recurso cabível contra a decisão, ainda não será possível apresentar recurso especial, sendo esse o último recurso possível para discutir decisão judicial que vai contra a lei federal ou o entendimento de outros tribunais. · Prequestionamento das decisões judiciais – quando ocorrer o esgotamento dos recursos ordinários, a decisão judicial em questão deve ter sido prequestionada dentro das instâncias onde ela foi realizada, ou seja: não é possível a parte não ter questionado a decisão em momento algum no tribunal de segunda instância para entrar com o recurso especial, tentando acessar diretamente o STJ. Para que o recurso especial possa ser válido, é necessário que seja mostrado que a parte interessada questionou a decisão em todos os momentos onde tal questionamento era oportuno. Assim sendo, o recurso especial não pode ser utilizado como um recurso a mais nos casos a parte tenha perdido o prazo para apelar contra a decisão, mas para questionamentos que tenham fundamentação. Deve-se observar que no parágrafo 3º do artigo 941 Novo CPC, que o voto vencido dentro de um acórdão é o suficiente para suscitar o prequestionamento: Art. 941. § 3º O voto vencido será necessariamente declarado e considerado parte integrantedo acórdão para todos os fins legais, inclusive de pré-questionamento. O assunto também é discutido na Súmula 187 do STJ: Súmula n° 203 - É deserto o recurso interposto para o Superior Tribunal de Justiça, quando o recorrente não recolhe, na origem, a importância das despesas de remessa e retorno dos autos. Ainda sobre o prequestionamento, este deve ser feito pelo Tribunal, ainda que provocado via embargos de declaração pois, caso não se pronuncie, o recurso especial não será admitido, conforme Súmula 211 do STJ: Súmula n° 211 - Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo. Além disso, a questão federal deve ter sido discutida no acórdão em si, e não apenas no voto vencido, conforme Súmula 320 do STJ: Súmula n° 320 - A questão federal somente ventilada no voto vencido não atende ao requisito do prequestionamento. Ademais, esse recurso não convém para rediscutir fatos, é preciso esgotar os recursos ordinários e a decisão judicial precisa ter sido prequestionada em todos os momentos que era oportuno arrazoar nos autos. O recurso especial também possui os pré-requisitos de admissibilidade comuns a outros tipos de recursos, como o interesse da parte, a legitimidade do pedido, a inexistência de impedimento, o preparo e a tempestividade. · Tempestividade: o recurso especial deve ser protocolado no prazo de 15 (quinze) dias úteis; · Preparo: devem ser recolhidas as custas recursais, atualmente no valor de R$ 236,23, salvo se a parte for beneficiária da assistência judiciária gratuita; · Forma: o recurso especial deve ser apresentado em forma de petição, devidamente firmada por um advogado e encaminhada ao presidente do Tribunal que exarou a decisão recorrida; · Prequestionamento: a petição deve indicar que o Tribunal de origem abordou a matéria objeto do recurso especial na decisão recorrida; · Natureza da decisão recorrida: a decisão recorrida deve ter sido proferida em única ou última instância pelo Tribunal - ou seja, não podem mais ser cabíveis recursos ao próprio Tribunal; · Relevância da questão federal: a relevância da questão federal é um requisito do recurso especial, incluído pela Emenda Constitucional n. 125/2022, a qual deve ser demonstrada como preliminar à petição do recurso especial. QUANDO É CABÍVEL RECURSO ESPECIAL A Constituição Federal de 1988, no seu artigo 105, inciso III, alíneas a, b e c, aponta três situações onde é possível a aplicação de recurso especial. Portanto, para se entrar com o recurso no STJ, é necessário que a matéria tenha relação com um dos três pontos abaixo: “Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: III – julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida: a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência; b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal; c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.” Veremos, a seguir, cada uma das três possibilidades de interposição do recurso especial. · Contrariar lei federal - é quando a decisão judicial que sofre o recurso atenta contra uma lei federal ou a um tratado internacional onde o Brasil é um dos signatários. É importante destacar que a lei federal é toda aquela que é elaborada pelo Congresso Nacional ou pelo presidente da República, como leis ordinárias, medidas provisórias ou leis complementares. · Atos do governo local que afrontam a lei federal - é quando um ato de um governo local é validado pelo judiciário, mas o mesmo ato não é condizente com o texto normativo federal. Quando apontamos “atos” de governos locais (como governos municipais e estaduais), não se aplicam aqui as leis locais, mas sim atos infralegais, como decretos. · Interpretar a lei federal de forma divergente de outros tribunais - é o esforço que a Constituição Federal teve em possibilitar mecanismos que têm como objetivo a uniformização da interpretação da lei federal. É importante destacar que o tribunal que realizar a interpretação divergente tem que estar divergente de outros tribunais similares, não de outras turmas do mesmo tribunal. EFEITOS DO RECURSO ESPECIAL O efeito do recurso especial é devolutivo, devolvendo a discussão da decisão proferida para o judiciário, nesse caso, para que o STJ defina se a decisão proferida está de acordo com o entendimento da legislação federal ou da jurisprudência. É possível que lhe seja atribuído efeito suspensivo em casos excepcionais, em que comprovadas a probabilidade do direito e o risco de grave prejuízo à parte recorrente ou de perecimento de seu direito. O recurso especial tem efeito obstativo, pois, uma vez interposto, obsta a formação da coisa julgada formal, impedindo, assim, a preclusão da discussão a respeito dos capítulos do acórdão efetivamente impugnados. Na hipótese de julgamento por amostragem, o recurso especial terá efeito regressivo. De acordo com este efeito, poderá o órgão julgador da decisão atacada examinar o recurso. Em regra, o recurso especial não possui efeito suspensivo, assim, para obter efeito suspensivo no recurso especial, é preciso realizar uma petição ao relator, ou o fazer em sede de preliminar ao recurso especial - conforme dispõe o Art. 1.029 § 5º do Novo CPC/2015, nos casos que exista risco de dano grave ou irreparável. Art. 1.029. O recurso extraordinário e o recurso especial, nos casos previstos na Constituição Federal , serão interpostos perante o presidente ou o vice-presidente do tribunal recorrido, em petições distintas que conterão: ... § 5º O pedido de concessão de efeito suspensivo a recurso extraordinário ou a recurso especial poderá ser formulado por requerimento dirigido: I – ao tribunal superior respectivo, no período compreendido entre a publicação da decisão de admissão do recurso e sua distribuição, ficando o relator designado para seu exame prevento para julgá-lo; II - ao relator, se já distribuído o recurso; III – ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, no período compreendido entre a interposição do recurso e a publicação da decisão de admissão do recurso, assim como no caso de o recurso ter sido sobrestado, nos termos do art. 1.037. Nos Tribunais Superiores o ideal é incluir o pedido no recurso especial e fazer uma petição avulsa ao relator e nas razões, mas é preciso indicar com precisão os riscos que o cumprimento provisório da sentença irá gerar à parte utilizando o pedido de tutela de urgência previsto no artigo 300 do Novo CPC/2015, bem como de seus requisitos, para fundamentar o pedido de efeito suspensivo ao recurso especial. PRAZOS PARA O RECURSO ESPECIAL O Novo CPC apresenta o prazo de 15 dias úteis para que o recurso especial seja interposto conforme artigo 1.003, contados a partir da publicação da decisão que fere a lei federal ou a jurisprudência de outros tribunais e de acordo com o artigo 1.030 do Novo CPC, após o recebimento do recurso especial, o recorrido (no caso, o tribunal que proferiu a decisão) terá o prazo de 15 dias úteis para apresentar suas contrarrazões. Deverá ser interposto no prazo de 15 dias úteis perante o presidente ou o vice-presidente do tribunal recorrido, contados a partir da publicação da intimação da decisão que fere a lei federal ou a jurisprudência de outros tribunais. Ainda, conforme artigo 1.029 do Código de Processo Civil, conterá a exposição de fato e de direito, a demonstração do cabimento e as razões do pedido de reforma ou invalidação da decisão recorrida. Nesses prazos deve ser observada a ocorrência de feriado local - ou seja, todo aquele que não seja um feriado nacional - deve ser comprovado no momento da interposição do recurso, como ônus da parte recorrente, para fins de verificação da tempestividade do recurso. O JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL Em relação ao recurso especial, especificamente, a ConstituiçãoFederal aponta que é de competência exclusiva do Superior Tribunal de Justiça (STJ) discutir as matérias relacionadas a decisões judiciais que contrariem as normas federais interpostas por meio de recurso especial. O STJ, portanto, é colocado pela Constituição Federal como último órgão judicial a proteger e procurar uniformidade nacional a respeito da compreensão e aplicação das leis federais. Nos casos em que o recurso cabível contra a decisão não reconheça o recurso especial, o recurso cabível é o agravo interno ou agravo regimental, nos termos do Art. 1.021 do Código de Processo Civil: Os principais motivos para um recurso especial não ser conhecido são: · Ausência de Prequestionamento; · Não Esgotamento das Vias Ordinárias; · Deficiência na Fundamentação · Versar apenas sobre matéria constitucional; · Falta de Relevância da matéria; · Não observância dos Requisitos Formais; · Matéria consolidada em Súmula ou Jurisprudência; · Rediscussão de matéria fática; · Não demonstração do dissídio jurisprudencial. RECURSO EXTRAORDINÁRIO OBJETIVO Esse recurso é utilizado para garantir que haja uniformidade em julgamentos e todos estejam de acordo com a Constituição Federal de 1.998. O objetivo do recurso extraordinário é rediscutir as decisões que: contrariam dispositivos da Constituição, declararam a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal, julgam válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição e julgam válida lei local contestada em face de lei federal. Esse instituto processual pelo qual se reserva ao STF o julgamento de temas trazidos em recursos extraordinários que apresentem questões relevantes sob o aspecto econômico, político, social ou jurídico e que ultrapassem os interesses subjetivos da causa. A relevância da questão constitucional cuja apreciação pretende o recorrente deve ser demonstrada de forma clara e objetiva no recurso extraordinário e sua análise é da competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal (§ 3º do art. 102 da Constituição da República e § 2º do art. 1.035 do Código de Processo Civil). FINALIDADE O recurso extraordinário tem a finalidade de fazer com que o STF julgue causas decididas em única ou última instância quando a decisão recorrida e busca uniformizar a interpretação dada à Constituição Federal. Esse recurso julgado exclusivamente pelo STF, considera as decisões de tribunais estaduais ou federais que contrariam a CRFB e pode declarar a inconstitucionalidade de norma estadual ou federal. Nesses recursos a questão jurídica discutida é idêntica e se repetem de forma razoável nos tribunais de origem, que podem destacá-los e identificá-los como representativos da controvérsia para que, encaminhados aos tribunais superiores, tenham solução uniforme. Os relatores desses recursos nos tribunais superiores não estão, entretanto, vinculados a eles, podendo selecionar outros recursos como representativos da controvérsia (§§ 1º, 4º e 5º do artigo 1.036 do Código de Processo Civil). FUNDAMENTOS LEGAIS O recurso extraordinário foi incluído no ordenamento jurídico pela Emenda Constitucional n. 45/2004 e regulamentado pelos artigos 322 a 329 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e pelos artigos 1.029, 1.035 a 1.041 do Código de Processo Civil (Lei n. 13.105/2015) e está previsto na Constituição Federal/1988. O STF tem várias súmulas referentes ao recurso extraordinário que são: 272, 279, 280, 281, 282, 283, 284, 285, 286, 288, 291, 292, 299, 399, 400, 432, 454, 456, 513, 527, 528, 602, 635, 636, 637, 640, 728, 733 e 735 e os Enunciados 63, 84, 125 do CNJ. Súmula n° 272. Não se admite como ordinário recurso extraordinário de decisão denegatória de mandado de segurança. Súmula n° 279. Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. Súmula n° 280. Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário. Súmula n° 281. É inadmissível o recurso extraordinário, quando couber na justiça de origem, recurso ordinário da decisão impugnada. Súmula n° 282. É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada. Súmula n° 283. É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. Súmula n° 284. É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia. Súmula n° 285. Não sendo razoável a arguição de inconstitucionalidade, não se conhece do recurso extraordinário fundado na letra c do art. 101, III, da constituição federal. Súmula n° 286. Não se conhece do recurso extraordinário fundado em divergência jurisprudencial, quando a orientação do plenário do supremo tribunal federal já se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida. Súmula n° 288. Nega-se provimento a agravo para subida de recurso extraordinário, quando faltar no traslado o despacho agravado, a decisão recorrida, a petição de recurso extraordinário ou qualquer peça essencial à compreensão da controvérsia. Súmula n° 291. No recurso extraordinário pela letra d do art. 101, III, da constituição, a prova do dissídio jurisprudencial far-se-á por certidão, ou mediante indicação do diário da justiça ou de repertório de jurisprudência autorizado, com a transcrição do trecho que configure a divergência, mencionadas as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados. Súmula n° 292. Interposto o recurso extraordinário por mais de um dos fundamentos indicados no art. 101, III, da constituição, a admissão apenas por um deles não prejudica o seu conhecimento por qualquer dos outros. Súmula n° 299. O recurso ordinário e o extraordinário interpostos no mesmo processo de mandado de segurança, ou de habeas corpus, serão julgados conjuntamente pelo tribunal pleno. Súmula n° 399. Não cabe recurso extraordinário, por violação de lei federal, quando a ofensa alegada for a regimento de tribunal. Súmula n° 400. Decisão que deu razoável interpretação à lei, ainda que não seja a melhor, não autoriza recurso extraordinário pela letra a do art. 101, III, da constituição federal. Súmula n° 432. Não cabe recurso extraordinário com fundamento no art. 101, III, d, da constituição federal, quando a divergência alegada for entre decisões da justiça do trabalho. Súmula n° 454. Simples interpretação de cláusulas contratuais não dá lugar a recurso extraordinário. Súmula n° 456. O supremo tribunal federal, conhecendo do recurso extraordinário, julgará a causa, aplicando o direito à espécie. Súmula n° 513. A decisão que enseja a interposição de recurso ordinário ou extraordinário não é a do plenário, que resolve o incidente de inconstitucionalidade, mas a do órgão (câmaras, grupos ou turmas) que completa o julgamento do feito. Súmula n° 527. Após a vigência do ato institucional 6, que deu nova redação ao art. 114, III, da constituição federal de 1967, não cabe recurso extraordinário das decisões do juiz singular. Súmula n° 528. Se a decisão contiver partes autônomas, a admissão parcial, pelo presidente do tribunal a quo, de recurso extraordinário que, sobre qualquer delas se manifestar, não limitará a apreciação de todas pelo supremo tribunal federal, independentemente de interposição de agravo de instrumento. Súmula n° 602. Nas causas criminais, o prazo de interposição de recurso extraordinário é de 10 (dez) dias. Súmula n° 635. Cabe ao presidente do tribunal de origem decidir o pedido de medida cautelar em recurso extraordinário ainda pendente do seu juízo de admissibilidade. Súmula n° 636. Não cabe recurso extraordinário por contrariedade ao princípio constitucional da legalidade, quando a sua verificação pressuponha rever a interpretação dada a normas infraconstitucionais pela decisão recorrida. Súmula n° 637. Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de tribunal de justiça que defere pedido de intervenção estadual em município. Súmula n° 640. É cabível recurso extraordinário contra decisão proferida por juiz de primeiro graunas causas de alçada, ou por turma recursal de juizado especial cível e criminal. Súmula n° 728. É de três dias o prazo para a interposição de recurso extraordinário contra decisão do tribunal superior eleitoral, contado, quando for o caso, a partir da publicação do acórdão, na própria sessão de julgamento, nos termos do art. 12 da lei 6055/1974, que não foi revogado pela lei 8950/1994. Súmula n° 733. Não cabe recurso extraordinário contra decisão proferida no processamento de precatórios. Súmula n° 735. Não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar. Súmula n° 63- CNJ. Contra decisões das turmas recursais são cabíveis somente os embargos declaratórios e o recurso extraordinário. Súmula n° 84- CNJ. Compete ao presidente da turma recursal o juízo de admissibilidade do recurso extraordinário, salvo disposição em contrário. (aprovado no XIV Encontro - São Luís/MA, nova redação aprovada no XXII encontro - Manaus/AM). Súmula n° 125- CNJ. Nos juizados especiais, não são cabíveis embargos declaratórios contra acórdão ou súmula na hipótese do art. 46 da lei nº 9.099/1995, com finalidade exclusiva de prequestionamento, para fins de interposição de recurso extraordinário (aprovado no XXI Encontro - Vitória/ES). REQUISITOS O recurso extraordinário é um recurso excepcional que visa tratar questões constitucionais. Para ser interposto, deve cumprir alguns requisitos, tanto comuns como específicos: · Requisitos comuns: interesse de agir, legitimidade, regularidade formal e inexistência de fato impeditivo ou extintivo do direito de recorrer · Requisitos específicos: não discutir matérias de fato ou provas, prévio esgotamento das vias ordinárias, decisão em única ou última instância e prequestionamento da causa. Esse recurso deve preencher o requisito de repercussão geral disposto no parágrafo 3° do artigo 102 da CF/88: Art. 102 (...) § 3º – No recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros. A definição de repercussão geral, citada acima, está prevista no artigo 1.035, § 1º do CPC: § 1º Para efeito de repercussão geral, será considerada a existência ou não de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico que ultrapassem os interesses subjetivos do processo.’’ Esse requisito é uma espécie de filtro, tendo como objetivo evitar que o STF enfrente demandas menos complexas. Ainda, a repercussão geral também está prevista no CPC como requisito de admissibilidade específico. Deixando claro que, na sua falta, o recurso não será admitido. Art. 1.035. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário quando a questão constitucional nele versada não tiver repercussão geral, nos termos deste artigo. Esse é um requisito exclusivo do recurso extraordinário, e sua análise é de competência exclusiva do STF. Ressaltando que o STF também possui o entendimento de que a matéria constitucional deve ter sido discutida nas decisões anteriores: Súmula n° 282. É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada. Desse modo, também é necessário que tenha havido o prequestionamento da matéria antes de interpor o recurso extraordinário. QUANDO É CABÍVEL RECURSO EXTRAORDINÁRIO O recurso extraordinário possui um rol que chamamos de taxativo, isto quer dizer que apenas as alternativas que estiverem autorizadas por lei é que poderão ser objeto dele. A Constituição Federal define no artigo 102, inciso III quando é cabível a interposição do recurso extraordinário, como vemos: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: III – julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição; b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição. d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal. Além disso, também é necessário que a parte demonstre a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso e são também para as matérias com recursos extraordinários múltiplos em que existe a manifestação do STF sobre a repercussão geral do tema. Nos recursos devem ser elencados os requisitos indicados na legislação e deve ser interposto os recursos em petições distintas, cada um tratando do seu objeto e fundamento. Nesse sentido, as petições dos recursos devem apresentar: · exposição do fato e do direito: o recorrente precisa apontar os fatos que acontecerem e relacioná-los com a norma jurídica; · demonstração do cabimento do recurso interposto: nessa fase, o recorrente precisa comprovar que preencheu os requisitos gerais de interposição do recurso — como tempestividade, preparo, cabimento etc. —, além de provar que observou os requisitos especiais— como repercussão geral, prequestionamento etc. A demonstração do cabimento não é facultativa, mas sim obrigatória; · razões do pedido de reforma ou de invalidação da decisão recorrida: o recorrente precisa apresentar de maneira cabal ao tribunal os motivos pelos quais acredita que o recurso deva ser aceito, de maneira a invalidar ou reformar a decisão recorrida. Nos casos de matérias isoladas em que o STF ainda não se manifestou sobre a matéria o recurso extraordinário será recebido por meio de petição, assim o recorrido deverá ser intimado a apresentar contrarrazões ao recurso interposto, no prazo de 15 dias, independente de despacho conforme o artigo 1.030 do CPC e o MP será intimado a manifestar-se de no prazo de 15 dias e será verificado se ocorreu o recolhimento das despesas recursais. . EFEITOS DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Os recursos extremos não possuem efeito suspensivo automático, mas ele pode ser requerido conforme parágrafo 5° do artigo 1.029 do CPC: Art. 1.029, § 5o O pedido de concessão de efeito suspensivo a recurso extraordinário ou a recurso especial poderá ser formulado por requerimento dirigido: I - ao tribunal superior respectivo, no período compreendido entre a publicação da decisão de admissão do recurso e sua distribuição, ficando o relator designado para seu exame prevento para julgá-lo; (NR) • II - ao relator, se já distribuído o recurso; III - ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, no período compreendido entre a interposição do recurso e a publicação da decisão de admissão do recurso, assim como no caso de o recurso ter sido sobrestado, nos termos do art. 1.037. Com relação aos efeitos produzidos ele é devolutivo, como disposto no artigo 995, do Novo Código de Processo Civil: Art. 995 - Os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo disposição legal ou decisão judicial em sentido diverso. Nos casos que o tema dos recursos é de repercussão geral reconhecida (§ 5º do artigo 135 do Código de Processo Civil), o relator determinará a suspensão de todos os processos em âmbito nacional, não só recursos, desde a primeira instância, individuais ou coletivos enquanto não for julgado o mérito do recurso, salvo se determinado de forma diversa pelo relator. PRAZOS PARA O RECURSO EXTRAORDINÁRIO O prazo para interposição do recurso extraordinário segue a regra geral que é de quinze dias e está previsto no artigo 1.003, § 5º do CPC. Art. 1.003. O prazo para interposição de recurso conta-se da data em que os advogados, a sociedade de advogados, a Advocacia Pública, a Defensoria Pública ou o Ministério Público são intimados da decisão. […]§ 5º Excetuados os embargos de declaração, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 (quinze) dias. O recurso extraordinário deve ser interposto por meio de uma petição escrita, acompanhada do recolhimento das custas recursais.O JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO A competência para julgar o recurso extraordinário é do STF e as hipóteses de aplicação estão contidas no artigo 102 da CF/88 e sua interposição deve ser feita perante o Presidente ou Vice-Presidente do tribunal recorrido O agravo em recurso extraordinário está previsto no art. 994 do CPC. E, esse recurso é cabível em face da decisão do Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional que inadmite, em juízo prévio de admissibilidade, recurso especial ou extraordinário. O recurso é um mecanismo para forçar a subida do processo, assim objetivando a revisão pelo STF conforme o artigo 1.042 do CPC. O julgamento da preliminar de repercussão geral será feito pelo STF sobre a existência, ou não, de repercussão geral de determinado tema. Geralmente a votação é realizada no Plenário Virtual, iniciando-se com a inserção do tema pelo relator, seguido dos campos “questão constitucional”, “repercussão geral” e “reafirmação de jurisprudência”, que devem ser analisados e votados. A inserção do tema no Plenário Virtual ocorre sempre às sextas-feiras e os demais ministros têm o prazo de vinte dias para votar (art. 324 do Regimento Interno do STF). A repercussão geral pode ser declarada com maioria simples, ou seja, bastam quatro votos para definir se a questão tem repercussão geral. Já a ausência de repercussão geral exige um quórum qualificado, sendo necessários oito votos para reconhecê-la (§ 3º do art. 102 da Constituição da República). As omissões computam-se a favor da existência de repercussão geral. O resultado apurado no Plenário Virtual no sentido de afirmar que a questão em julgamento tem natureza infraconstitucional observava a maioria simples dos votos. Essa regra foi modificada pela Emenda Regimental n. 47/2012. Desde então, nos termos da nova redação do § 2º do artigo 324 do RISTF, a afirmação de que determinada questão tem natureza infraconstitucional é apurada a partir dos votos de 2/3 dos ministros votantes. Após o julgamento de mérito da questão constitucional objeto da repercussão geral, a tese proferida no recurso paradigma pode ser replicada pelas instâncias de origem, as quais devem: · Negar seguimento a RE que discuta questão constitucional a qual o STF não tenha reconhecido existência de repercussão geral ou a RE interposto contra acórdão que esteja em conformidade com o entendimento do STF exarado no regime da repercussão (artigo 1030, I, a, do CPC). · Encaminhar o processo ao órgão julgador para o juízo de retratação se o acórdão recorrido divergir do entendimento do STF exarado no regime da repercussão geral (artigo 1.030, II, do CPC). · Mantido o acórdão divergente pelo tribunal de origem, o recurso extraordinário será remetido ao STF, ou seja, na forma de representativo da controvérsia, para fins de análise de repercussão geral, com suspensão do trâmite de todos os processos pendentes em sua área de jurisdição (artigo 1.036, § 1º, do CPC). · Sobrestar recurso que verse sobre questão constitucional da repercussão geral ainda não decidida pelo STF (artigo 1.030, III, do CPC). · Selecionar recurso (só válido para os novos REs) como representativo da controvérsia constitucional, nos termos do § 6º do art. 1036 (art. 1030, IV, do CPC). O agravo em recurso extraordinário está previsto no art. 994 do CPC. E, esse recurso é cabível em face da decisão do Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional que inadmite, em juízo prévio de admissibilidade, recurso especial ou extraordinário. O recurso é um mecanismo para forçar a subida do processo, assim objetivando a revisão pelo STF. Portanto, o artigo 1042 do CPC dispõe: Art. 1.042. Cabe agravo contra decisão do presidente ou do vice-presidente do tribunal recorrido que inadmitir recurso extraordinário ou recurso especial, salvo quando fundada na aplicação de entendimento firmado em regime de repercussão geral ou em julgamento de recursos repetitivos. (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) I – indeferir pedido formulado com base no art. 1.035, § 6º, ou no art. 1.036, § 2º, de inadmissão de recurso especial ou extraordinário intempestivo; I – ( Revogado ); (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) II – inadmitir, com base no art. 1.040, inciso I, recurso especial ou extraordinário sob o fundamento de que o acórdão recorrido coincide com a orientação do tribunal superior; II – ( Revogado ); (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) III – inadmitir recurso extraordinário, com base no art. 1.035, § 8º, ou no art. 1.039, parágrafo único, sob o fundamento de que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inexistência de repercussão geral da questão constitucional discutida. III – ( Revogado ). (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016). Apesar de serem julgados por órgãos distintos, é preciso observar que, se o recurso extraordinário prejudicar o recurso especial, o relator suspenderá o julgamento deste último e, em seguida, enviará os autos ao STF para o julgamento do primeiro. Caso haja entendimento diferente do relator, o STF devolverá os autos do processo ao STJ, visando ao julgamento, cuja decisão deverá ser acatada pelo relator. Dessa forma, ambos os recursos têm fundamentação restrita, inerente apenas à ofensa à matéria constitucional ou à legislação federal. Quando o recurso especial ou extraordinário é indeferido. Nesse sentido, o artigo 1.030, parágrafos 1º e 2º, do Novo CPC, dispõe sobre o tema: Art. 1.30 (...) § 1º Da decisão de inadmissibilidade proferida com fundamento no inciso V caberá agravo ao tribunal superior, nos termos do art. 1.042. § 2º Da decisão proferida com fundamento nos incisos I e III caberá agravo interno, nos termos do art. 1.021. Nesse sentido, há previsão expressa do não cabimento do agravo em recurso especial e extraordinário que não admite o recurso por causa de repetitivo ou repercussão geral, de acordo com o caput do artigo 1.042 do CPC/15, o que, consequentemente, resulta no cabimento do agravo interno. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Constituição de 1.988: Constituição da República Federativa do Brasil, 1.988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 11 nov. 2024. BRASIL. Enunciado 63 CNJ. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/juizados-especiais/enunciados-fonaje/enunciados-civeis/. Acesso em: 15 nov. 2024. BRASIL. Enunciado 64 CNJ. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/juizados-especiais/enunciados-fonaje/enunciados-civeis/. Acesso em: 15 nov. 2024. BRASIL. Enunciado 125 CNJ. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/juizados-especiais/enunciados-fonaje/enunciados-civeis/. Acesso em: 15 nov. 2024. 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