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Conteudista: Prof.ª Dra. Aliny Antunes Revisão Textual: Esp. Anna Carolina Guimarães Objetivos da Unidade: Descrever a divisão anatômica do sistema nervoso; Compreender a formação celular e tecidual do sistema nervoso relacionando estas estruturas ao mecanismo de comunicação via sinapse. 📄 Material Teórico 📄 Material Complementar 📄 Referências Morfofisiologia do Sistema Nervoso – Fundamentação para Órgãos Centrais da Audição e da Fala Introdução O sistema nervoso é um sistema orgânico muito complexo, desempenha uma série de funções sendo responsável por controlar grande parte do corpo, tanto por meio de funções somáticas (voluntárias) quanto autônomas (involuntárias). Por isso, este sistema apresenta subdivisões especializadas e fortemente conectadas. Sendo assim, o sistema nervoso é um conjunto de órgão que estão comprometidos com a comunicação e a integração do indivíduo. A compreensão celular do tecido nervoso é fundamental, pois os neurônios são os principais tipos de células associadas ao sistema nervoso. Estes são eletricamente ativos e liberam sinais químicos para as células-alvo, sendo responsáveis pela computação e pela comunicação que o sistema nervoso fornece. Desse modo, é essencial entender a morfofisiologia do sistema nervoso para se chegar à compreensão de sua função e das patologias a ele relacionadas. O sistema nervoso é dividido anatomicamente em dois componentes principais: O sistema nervoso é dividido, funcionalmente, em dois componentes principais: 1 / 3 📄 Material Teórico Sistema nervoso central (SNC): consiste no cérebro e na medula espinal; Sistema nervoso periférico (SNP): nervos periféricos e gânglios. O Sistema Nervoso Central (SNC) consiste no encéfalo e na medula espinal. Ao analisarmos tanto a divisão embriológica quanto a morfológica (anatômica), analogicamente o telencéfalo e o diencéfalo correspondem, anatomicamente, ao cérebro; o metencéfalo corresponde à região de origem da ponte e do cerebelo; e o mielencéfalo corresponde ao bulbo. O Sistema Nervoso Periférico (SNP) consiste em gânglios (agrupamentos de corpos celulares nervosos) e nervos periféricos, que se conectam uns aos outros e ao sistema nervoso central. Esta parte do sistema nervoso não está protegida por ossos, pois encontra-se distribuída por todo corpo. Sistema nervoso somático: movimentos voluntários conscientes, podemos dizer que consiste em nervos que conectam o cérebro e a medula espinal aos músculos e aos receptores sensoriais da pele; Sistema nervoso autônomo: regula as funções dos órgãos internos, como a pressão arterial e a taxa de respiração, que funcionam sem esforço consciente – dividido em três subdivisões: • Sistema nervoso simpático: envolvido em funções que requerem respostas rápidas (ou seja, estresse, perigo iminente e resposta de luta ou fuga); • Sistema nervoso parassimpático: regula funções que não requerem uma resposta rápida; • Sistema nervoso entérico: envolvido no controle gastrointestinal. Nesta Unidade, objetivamos relacionar os diferentes estágios de desenvolvimento com as estruturas adultas do sistema nervoso, demonstrar a estrutura básica de um neurônio, descrever as mudanças que ocorrem na membrana que resultam no potencial de ação permitindo, assim, a ocorrência de sinapses. Distinguir as principais estruturas que compõem os sistemas nervoso central e periférico. Descrever os componentes do sistema nervoso autônomo. Células e Tecido Nervoso O tecido nervoso é uma das quatro principais classes de tecidos básicos. É um tecido especializado encontrado no sistema nervoso central e no sistema nervoso periférico. Consiste em células de suporte chamadas neuroglia e neurônios. Importante! A região eferente do sistema nervoso visceral corresponde ao sistema nervoso autônomo, que controla o funcionamento das vísceras do organismo por meio de sistemas antagonistas chamados sistema simpático e sistema parassimpático. Figura 1 – Estrutura geral do tecido nervoso Fonte: Adaptada de KREBS, 2015 #ParaTodosVerem: imagem ilustrativa com desenhos de vários tipos de células do tecido neuronal em tons pastel, com fundo bege e ao centro células em formar geométricas em cilindros e losangos para representar o tecido neuronal, destacando o neurônio. Fim da descrição. Existem seis tipos de neuroglia – quatro no sistema nervoso central e dois no SNP. Essas células gliais estão envolvidas em muitas funções especializadas, além do suporte dos neurônios. Neuroglia no SNC inclui astrócitos, células microgliais, células ependimárias e oligodendrócitos. No SNP, as células satélites e as células de Schwann são os dois tipos de neuroglia. Astrócitos: têm o formato de uma estrela e são as células gliais mais abundantes do SNC. Eles têm muitos processos de irradiação que ajudam a aderir aos neurônios e capilares. Eles sustentam e protegem os neurônios e os ancoram às linhas de suprimento de nutrientes; Os neurônios são células nervosas altamente especializadas que geram e conduzem impulsos nervosos. Um neurônio típico consiste em dendritos, o corpo celular e um axônio. Os dendritos são responsáveis por responder aos estímulos; eles recebem sinais de entrada para o corpo celular. Os axônios são responsáveis por transmitir impulsos a longas distâncias do corpo celular e são circundados por uma camada gordurosa esbranquiçada chamada bainha de mielina. O corpo celular é como uma fábrica para o neurônio, é o principal centro biossintético de um neurônio e contém as organelas usuais para a síntese de proteínas e outras substâncias químicas. Células Microgliais: são pequenas e ovoides com processos espinhosos. Eles são encontrados no SNC. Quando o micro-organismo invasor ou neurônios mortos estão presentes, as células microgliais podem se transformar em um macrófago fagocítico e ajudar na limpeza dos restos neuronais; Células Ependimárias: são células ciliadas e revestem as cavidades centrais do cérebro e da medula espinal, onde formam uma barreira bastante permeável entre o líquido cefalorraquidiano que preenche essas cavidades e as células dos tecidos do SNC; Oligodendrócitos: produzem uma capa isolante chamada bainha de mielina no SNC; Células Satélites: circundam os corpos celulares dos neurônios no Sistema Nervoso Periférico (SNP). Eles são análogos aos astrócitos do SNC; Células de Schwann: envolvem todas as fibras nervosas do sistema nervoso periférico e formam bainhas de mielina ao redor das fibras nervosas. Sua função é semelhante à dos oligodendrócitos. Importante! A bainha de mielina é uma estrutura de revestimento lipídica, que é encontrada em neurônios mielínico (quando revestido por uma bainha lipídica de mielina, a qual aumenta a velocidade de transmissão do impulso). Mas também podemos encontrar neurônios amielínicos (sem revestimento nenhum). Figura 2 – A. Esquema de um neurônio mielinizado; B. Micrografia de corte semifino; C. Eletromicrografia de neurônio Fonte: Adaptada de MARTINEZ, 2014 #ParaTodosVerem: imagem ilustrativa com desenhos de um neurônio, bem como exemplificando suas partes em A. Em B, micrografia de corte semifino em cor azul. Em C, eletromicrografia de neurônio evidenciando núcleo, nucléolo, substância de Nissl e outras organelas do pericário neuronal. Observe, em C, o núcleo neuronal elétron-lúcido. Fim da descrição. Várias doenças podem resultar da desmielinização dos axônios. As causas dessas doenças não são as mesmas; alguns têm causas genéticas, alguns são causados por patógenos e outros são o resultado de doenças autoimunes. Embora as causas sejam variadas, os resultados são muito semelhantes. O isolamento de mielina dos axônios está comprometido, tornando a sinalização elétrica mais lenta. A Esclerose Múltipla (EM) é uma dessas doenças. É um exemplo de doença autoimune. Os anticorpos produzidos pelos linfócitos (um tipo de glóbulo branco) marcam a mielina como algo que não deveria estar no corpo. Isso causa inflamação e destruição da mielinano sistema nervoso central. À medida que o isolamento ao redor dos axônios é destruído pela doença, ocorrem cicatrizes. É daí que vem o nome da doença: esclerose significa endurecimento do tecido, como ocorre em uma cicatriz. Várias cicatrizes são encontradas na substância branca do cérebro e da medula espinal. O controle da musculatura esquelética e lisa fica comprometido, afetando não apenas os movimentos, mas também o controle de órgãos, como a bexiga. Neurofisiologia Para entender como os neurônios são capazes de se comunicar, é necessário descrever o papel de uma membrana excitável na geração desses sinais. A base dessa comunicação é o potencial de ação, que demonstra como mudanças na membrana podem constituir um sinal. Como vimos anteriormente, a membrana plasmática é uma bicamada fosfolipídica de permeabilidade seletiva, ou seja, ela é responsável por regular os transportes de particular do meio extra para o intracelular e vice-versa. A maioria das células do corpo usam partículas carregadas, íons, para criar uma carga através da membrana celular, regulando o movimento Atenção, estudante! Aqui, reforçamos o acesso ao material online para que você teste seus conhecimentos de forma interativa. Será muito importante para o entendimento da disciplina. iônico entre o fluido extracelular e o citosol. Proteínas transmembranar, especificamente proteínas de canal, tornam isso possível. Vários canais de transporte passivos, bem como bombas de transporte ativo, são necessários para gerar um potencial de membrana e um potencial de ação. De especial interesse é a proteína transportadora referida como a bomba de sódio/potássio que move os íons de sódio (Na+) para fora de uma célula e íons de potássio (K+) para dentro de uma célula, regulando, assim, a concentração de íons em ambos os lados da membrana celular. O estado elétrico da membrana celular pode ter várias variações. Um potencial é uma distribuição de carga através da membrana celular, medida em milivolts (mV). A concentração de íons em fluidos extracelulares e intracelulares é amplamente equilibrada, com uma carga neutra. No entanto, uma ligeira diferença de carga ocorre bem na superfície da membrana, tanto interna quanto externamente. É a diferença nessa região muito limitada que tem todo o poder dos neurônios (e células musculares) para gerar sinais elétricos, incluindo potenciais de ação. Importante! A bomba de sódio/potássio requer energia (ATP), por isso também é conhecida como ATPase. A concentração de Na+ é maior fora da célula do que dentro, e a concentração de K+ é maior dentro da célula do que fora. Isso significa que essa bomba está movendo os íons contra os gradientes de concentração de sódio e potássio, razão pela qual requer energia. Na verdade, a bomba, basicamente, mantém esses gradientes de concentração. Quando a célula está em repouso e os canais iônicos estão fechados, os íons são distribuídos através da membrana de uma forma muito previsível. A concentração de Na+ fora da célula é maior do que a concentração dentro. Além disso, a concentração de K+ dentro da célula é maior do que fora. O citosol contém uma alta concentração de ânions, na forma de íons fosfato e proteínas carregadas negativamente. Com os íons distribuídos através da membrana nessas concentrações, a diferença de carga é medida em -70 mV, o valor descrito como o potencial de membrana em repouso. Figura 3 – Potencial de membrana Fonte: Adaptada de TOTORA, 2016 #ParaTodosVerem: imagem ilustrativa com desenhos simbolizando uma membrana plasmática e a distribuição das cargas positivas e negativas no meio intra e extracelular. Com fundo azul temos a representação do líquido extracelular e em bege o citosol. Fim da descrição. O potencial de membrana em repouso descreve o estado estacionário da célula, que é um processo dinâmico que é equilibrado por vazamento e bombeamento de íons. Sem qualquer influência externa, não mudará. Para iniciar um sinal elétrico, o potencial da membrana precisa mudar. Esta mudança inicia-se com a abertura dos canais de sódio (que está em maior concentração fora da célula). Como o Na+ é carregado positivamente com sua entrada, o citosol se tornará menos negativo. Isso é conhecido como despolarização. À medida que o potencial da membrana atinge valores positivos (+30mV), outros canais dependentes desta voltagem se abrem, e assim o K+ começa a se difundir para fora da célula, levando consigo uma carga positiva, o potencial de membrana começa a se mover de volta para sua voltagem de repouso (ficando mais negativo). Isso é chamado de repolarização, que retorna o potencial de membrana ao valor de repouso (-70 mV). Figura 5 – Potencial de ação e a transmissão do impulso nervoso Fonte: ODYA; MAGGIE, 2020 #ParaTodosVerem: imagem ilustrativa em preto e branco com desenhos simbolizando uma membrana plasmática e a distribuição das cargas positivas e negativas no meio intra e extracelular de um neurônio para exemplificar a mudança de cargas durante o potencial de ação. Fim da descrição. Sendo assim, o potencial de ação percorre o axônio à medida que canais iônicos dependentes de voltagem são abertos pela despolarização em expansão. Em axônios amielínicos, isso acontece de maneira contínua porque existem canais dependentes de voltagem em toda a membrana. Em axônios mielinizados, a propagação é descrita como saltatória, porque os canais dependentes de voltagem são encontrados apenas nos nós de Ranvier, e os eventos elétricos parecem "pular" de um nó para o próximo. A condução saltatória é mais rápida do que a contínua, o que significa que os axônios mielinizados propagam seus sinais mais rapidamente. A base do sinal elétrico dentro de um neurônio é o potencial de ação, que são necessários para viabilizar a comunicação entre os neurônios, esta comunicação chamamos de sinapses. Existem dois tipos de conexões entre células eletricamente ativas, sinapses químicas e sinapses elétricas. Em uma sinapse química, um sinal químico – a saber, um neurotransmissor – é liberado de uma célula e afeta a outra célula. Em uma sinapse elétrica, há uma conexão direta entre as duas células, de modo que os íons podem passar diretamente de uma célula para a outra. Se uma célula é despolarizada em uma sinapse elétrica, a célula unida também despolariza porque os íons passam entre as células. As sinapses químicas envolvem a transmissão de informações químicas (neurotransmissores) de uma célula para outra. Figura 6 – Sinapse química Fonte: ODYA; MAGGIE, 2020 #ParaTodosVerem: imagem ilustrativa com uma silhueta de um axônio e um dendrito simbolizando uma sinapse química em preto e branco. Fim da descrição. As sinapses químicas são muito mais comuns. Em uma sinapse química, o neurotransmissor é liberado do elemento pré-sináptico e se difunde pela fenda sináptica. O neurotransmissor se liga a uma proteína receptora e causa uma alteração na membrana pós-sináptica. Divisão Anatômica e Funcional do Sistema Nervoso Sistema Nervoso Central O Sistema Nervoso Central (SNC) desempenha um papel fundamental em receber informações de várias áreas do corpo e, em seguida, coordenar essa atividade para produzir as respostas do corpo. Este sistema é formado pelo encéfalo e pela medula espinal, ambos derivados do tubo neural embrionário e está contido no interior do esqueleto axial (protegido pelos ossos do crânio e vértebras da medula espinal) e por três membranas de revestimento que chamamos de meninges. Uma terceira forma de proteção é o líquido cefalorraquidiano, que fornece um Importante! A comunicação entre os neurônios é chamada de sinapses, a mais comum no organismo é a chamada sinapse química dependente de neurotransmissores (o outro tipo de sinapse é a elétrica, utilizada para sincronizar grupos de neurônios), que são substâncias liberadas pelo neurônio para dar continuidade ao impulso ou produzir uma resposta por um órgão efetuador (podem, inclusive, ser excitatórios ou inibitórios).Os mais conhecidos são: epinefrina (ou adrenalina), norepinefrina (ou noradrenalina), acetilcolina, histamina, serotonina, dopamina e GABA (ácido gama-aminobutírico). O excesso ou a falta de um determinado neurotransmissor pode ter relação com várias doenças físicas e psíquicas do sistema nervoso. amortecedor que limita o impacto entre o cérebro e o crânio ou entre a medula espinal e as vértebras. Meningite é uma inflamação das meninges (do encéfalo e/ou medula espinal), mas na prática, o termo se refere às infecções da pia-máter e da aracnoide-máter, normalmente com a participação do líquido cerebrospinal, mas as infecções chegam às meninges por diversas vias incluindo pela parte nasal da faringe. Sinais e sintomas incluem: cefaleia; rigidez nucal, isto é, rigidez do pescoço; febre; nível alterado de consciência e/ou irritabilidade; vômito; fotofobia; fonofobia. Sinal de Kernig – incapacidade de estender completamente o joelho devido à dor e à resistência quando a coxa é flexionada a 90 graus e Sinal de Brudzinski – flexão involuntária das coxas e dos joelhos quando o pescoço rígido é flexionado. Pode ser bacteriana (Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae tipo B; Neisseria meningiditis); viral (herpes simples; caxumba); fúngica (Cryptococcus neoformans); entre outras etiologias incluindo medicamentosa. O prognóstico depende da causa e da duração antes de iniciar o tratamento. O diagnóstico é feito por punção lombar. A meningite bacteriana é mais grave do que a viral e pode ser fatal, se não tratada. Figura 7 – Arcabouço ósseo do sistema nervoso central Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: imagem ilustrativa com uma silhueta de uma cabeça seccionada no plano sagital evidenciando ossos de formação da cabeça. Fim da descrição. Em termos de tecido, o SNC é dividido em substância cinzenta e substância branca. A massa cinzenta (córtex cerebral) compreende corpos celulares de neurônios e seus dendritos, células gliais e capilares. No cérebro, a massa cinzenta é encontrada, principalmente, nas camadas externas (periferia deste órgão) e de forma agrupada na parte central formando os núcleos da base, enquanto na medula espinhal ela forma o núcleo em forma de "H". A substância branca se refere às áreas do SNC que hospedam a maioria dos axônios, como maioria dos axônios é revestida de mielina – uma capa isolante gordurosa branca que ajuda os sinais nervosos a viajar de forma rápida e objetiva. No cérebro, a substância branca está mais interna (central) superfície cinza, transportando sinais por diferentes partes do cérebro. Na medula espinal, a substância branca é a camada externa que envolve o núcleo cinza. O encéfalo é dividido em dois hemisférios, um hemisfério direito e um hemisfério esquerdo, sendo subdividido em três regiões principais: tronco encefálico, que compreende o bulbo, a ponte e o mesencéfalo; cerebelo e cérebro, que compreende o diencéfalo e o telencéfalo. Figura 8 – Organização anatômica do Sistema nervoso central Fonte: Adaptada de COSENZA, 2012 #ParaTodosVerem: imagem ilustrativa com uma silhueta de um encéfalo, em tons de cinza, destacando suas subdivisões. Fim da descrição. O telencéfalo, ao ser examinado macroscopicamente, apresenta-se de forma enrugada ou pregueada. O volume do córtex cerebral é aumentado devido a circunvoluções denominadas giros, com depressões chamadas de sulcos. No encéfalo adulto, o número de giros limitados pelos sulcos é muito variado de indivíduo para indivíduo e mesmo entre os dois hemisférios. Somente alguns sulcos que chamamos de principais ou fissuras estão sempre presentes com posições definidas. Estes sulcos, de número e posição fixos, são os primeiros a aparecer no córtex (lisencefálico) do feto humano, por volta dos três meses de vida intrauterina, e sua falta ou distribuição anômala incorrerá em patologia. Os sulcos e os giros auxiliam da delimitação dos lobos cerebrais. Sendo assim, dividimos o telencéfalo em cinco lobos (frontal, parietal, occipital, temporal e insular). O lobo frontal está limitado posteriormente pelo sulco central e inferiormente pelo sulco lateral. Este lobo realiza o controle motor voluntário dos músculos esqueléticos; personalidade; processos intelectuais mais elevados (p. ex., concentração, planejamento e tomar decisões); comunicação verbal. O lobo parietal estende-se desde o sulco central, até a linha que define o sulco parieto-occipital. Este sulco é muito visível na face medial do cérebro e continua lateralmente. No lobo parietal, situam-se diferentes centros sensoriais, compreensão da fala e formulação de palavras para expressar pensamentos e emoções; interpretação de texturas e formas. O lobo temporal situa-se sob a fissura lateral (sulco lateral) de ambos os hemisférios cerebrais e passa sob o lobo parietal rostralmente, sem um limite claro, este lobo se relaciona com áreas auditivas, bem como o armazenamento (memória) de experiências auditivas e visuais. O lobo occipital corresponde à área cortical que se estende do sulco parieto-occipital até o polo posterior do cérebro. Em particular, o lobo occipital representa a área do córtex envolvida com o sistema visual, ou seja, realiza a integração dos movimentos de focalização dos olhos; correlação de imagens visuais com experiências visuais prévias e outros incentivos sensoriais; percepção consciente de visão. O lobo insular situado profundamente no hemisfério cerebral, na região mais medial do sulco lateral. Nesta região do cérebro, particularmente, são processadas informações sensitivas viscerais gerais, em especial a recepção do paladar, por exemplo. Está envolvido com a memória e a integração com outras atividades cerebrais. Figura 9 – Divisão do cérebro em lobos cerebrais Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons #ParaTodosVerem: imagem ilustrativa de um encéfalo, destacando suas subdivisões em lobos. Em vermelho, temos o destaque do lobo frontal; em azul, do lobo parietal; o lobo occipital está destacado em verde; e o lobo temporal destacado em laranja. Fim da descrição. Na parte posterior do tronco, localiza-se a coluna vertebral, no canal vertebral, encontra-se a medula espinal; através dos forames intervertebrais passam os ramos dos nervos espinais. Nestes locais também se encontram os gânglios sensitivos dos nervos espinais (ou gânglios da raiz posterior). A coluna vertebral possui curvaturas fisiológicas, o que lhe confere um formato em duplo S. As regiões cervical e lombar da coluna vertebral possuem uma curvatura convexa de concavidade posterior, chamada lordose (lordose cervical e lordose lombar), enquanto a região torácica e o sacro/cóccix possuem curvaturas côncavas anteriormente posicionadas, constituindo a cifose (cifose torácica e cifose sacral). As curvaturas da coluna vertebral dos adultos não são exatamente correspondentes aos diferentes segmentos da coluna vertebral. Deste modo, a lordose cervical refere-se às vértebras cervicais I–VI, a cifose torácica é caracterizada da vértebra cervical VI até a vértebra torácica IX, e a lordose lombar corresponde da vértebra torácica IX até a vértebra lombar V. A medula espinal tem forma cilíndrica e ocupa o canal vertebral, com, aproximadamente, 45 centímetros de comprimento. O limite entre a medula espinal e o bulbo do tronco encefálico ocorre no nível do forame magno, enquanto seu limite inferior situa-se no nível da segunda vértebra lombar (L2). Na medula espinal, penetram axônios que carreiam informações da periferia e do meio interno (vísceras) e dela partem axônios que se dirigem aos músculos e glândulas. Desse modo, eles são um ponto de junção entre o SNC e o SNP. Importante! Os traumatismos raquimedulares são comuns e podem advir de acidentes com automóveis e motocicletas, quedas, lesões desportivas e feridas por projéteis de armas de fogo. O dano à medula espinal e aos nervos espinais também pode estar associado a fraturas vertebrais; infecções vertebrais; tumores vertebrais, primários e secundários;e herniação de discos intervertebrais. Figura 10 – Medula espinal Fonte: SNELL, 2021 #ParaTodosVerem: imagem ilustrativa de uma estrutura cilíndrica exemplificando a medula espinhal. A: vista posterior, mostrando as intumescências cervical e lombossacral. B: três segmentos da medula espinal mostrando as coberturas de dura-máter, aracnoide-máter e pia-máter. Fim da descrição. Atenção, estudante! Aqui, reforçamos o acesso ao material online para que você teste seus conhecimentos de forma Sistema Nervoso Periférico O Sistema Nervoso Periférico (SNP) é a parte do sistema nervoso que, em uma classificação que observe um critério anatômico, situa-se além das meninges, sendo constituído por nervos, gânglios e terminações nervosas. Por definição de nervo é formado pela união de vários axônios; enquanto o gânglio é um aglomerado de corpos de neurônios fora do sistema nervoso central; e terminações nervosas são estruturas especializadas na captação de estímulos. Assim, o sistema nervoso periférico está presente em todos os tecidos corporais e, usualmente, conecta-se ao sistema nervoso central por meio dos nervos cranianos e espinais. Os nervos espinais são organizados em 31 (trinta e um) pares (oito cervicais, doze torácicos, cinco lombares, cinco sacrais, um coccígeo), contendo uma mistura de fibras sensitivas (aferentes) e motoras (eferentes). Eles se originam ao longo da medula espinal como séries contínuas de raízes nervosas, posteriores e anteriores, que se unem formando os nervos espinais. interativa. Será muito importante para o entendimento da disciplina. Figura 11 – Sistema nervoso central e periférico Fonte: TORTORA, 2016 #ParaTodosVerem: imagem ilustrativa com uma silhueta de um corpo destacando o sistema nervoso periférico. Os componentes do sistema nervoso central são o encéfalo e a medula espinal destacado em cinza, encontrados dentro de caixas ósseas (crânio e coluna vertebral, respectivamente). Enquanto isso, o sistema nervoso periférico é composto por nervos cranianos (distribuídos pela região da cabeça e do pescoço) e espinais (distribuídos ao longo do corpo) e por gânglios cranianos e espinais. Fim da descrição. O sistema periférico permite que o SNC (cérebro e a medula espinal) receba e envie informações para outras áreas do corpo, o que nos permite reagir a estímulos em nosso ambiente. Tanto o SNC quanto SNP cooperam o tempo todo para garantir nossas funções vitais. Além das doenças desmielinizantes, as lesões nervosas periféricas também levam a perdas sensitivas e motoras e, por consequência, ocorrem parestesias, atrofias musculares e paralisias de alguns órgãos. Classicamente, as lesões nervosas periféricas são classificadas em: a) neuropraxia – lesão leve com perda motora e sensitiva sem alteração estrutural; b) axonotmese – é comumente vista em lesões por esmagamento, estiramento ou por percussão. Há perda de continuidade axonal e subsequente degeneração walleriana do segmento distal. Nesse tipo de lesão, não ocorre perda de célula de Schwann, e a recuperação irá depender do grau de desorganização do nervo e também da distância do órgão terminal; c) neurotmese – separação completa do nervo, com desorganização do axônio causada por uma fibrose tecidual com consequente interrupção do crescimento axonal. Controles Simpático e Parassimpático O sistema nervoso autônomo regula muitos dos órgãos internos por meio de um equilíbrio entre duas divisões, a simpática e a divisão parassimpática. O sistema simpático está associado à resposta de lutar ou fugir, enquanto a atividade parassimpática ao repouso e digestão. A homeostase é o equilíbrio entre os dois sistemas. Figura 12 – Sistema nervoso autônomo e homeostasia Fonte: TORTORA, 2016 #ParaTodosVerem: imagem com a silhueta de um corpo humano central e quadrados com informações sobre os sistemas distribuídos à esquerda: sistemas tegumentar, esquelético, muscular, endócrino; e à direita: circulatório, respiratório, digestório, urinário e genital. Fim da descrição. Em cada região-alvo (o órgão, o tecido ou a glândula), a inervação dupla determina a atividade. Por exemplo, o coração recebe conexões das divisões simpática e parassimpática. Um faz com que a frequência cardíaca aumente, enquanto o outro causa uma diminuição da frequência cardíaca. Sendo assim, dizemos que estes controles atuam de forma antagônica. O Sistema Nervoso Simpático (SNS) e o Sistema Nervoso Parassimpático (SNP) contêm fibras aferentes e eferentes que fornecem entrada sensorial e saída motora, respectivamente, para o Sistema Nervoso Central (SNC). Geralmente, as vias motoras do SNS e do PNS consistem em uma série de dois neurônios: um neurônio pré-ganglionar com um corpo celular no SNC e um neurônio pós-ganglionar com um corpo celular na periferia que inerva os tecidos-alvo. O Sistema Nervoso Entérico (ENS) é uma estrutura extensa, semelhante a uma teia, capaz de funcionar independentemente do restante do sistema nervoso. A ativação do SNS leva a um estado geral de elevada atividade e atenção: a resposta de “lutar ou fugir”. Nesse processo, a pressão sanguínea e a frequência cardíaca aumentam, ocorre a glicogenólise, a peristalse gastrointestinal cessa etc. O SNS inerva quase todos os tecidos vivos do corpo. O PNS promove os processos de “descanso e digestão”; frequência cardíaca e pressão arterial mais baixas, peristalse gastrointestinal/digestão reiniciada etc. O PNS inerva apenas a cabeça, vísceras e genitália externa, notavelmente vago em grande parte do sistema músculo- esquelético e da pele, tornando-o significativamente menor que o SNS. O ENS é composto por vias reflexas que controlam as funções digestivas de contração/relaxamento muscular, secreção/absorção e fluxo sanguíneo. Conforme vimos nesta Unidade, o sinal elétrico do potencial de ação provoca a liberação de uma molécula sinalizadora, que se ligará às proteínas receptoras da célula-alvo. As sinapses do sistema autônomo são classificadas como colinérgicas, significando que a acetilcolina (ACh) é liberada, ou adrenérgicas, significando que a norepinefrina é liberada. Os termos colinérgico e adrenérgico referem-se não apenas à molécula sinalizadora que é liberada, mas também à classe de receptores a que cada uma se liga. Figura 13 – Sistema nervoso autônomo Fonte: SPLITTGERBER, 2021 #ParaTodosVerem: imagem com a silhueta de um cérebro com uma medula espinal com informações sobre os sistemas distribuídos direita e atuação dos sistema simpáticos e para parassimpáticos nos órgãos. As fibras parassimpáticas pré-ganglionares são mostradas em azul contínuo, enquanto as fibras parassimpáticas pós-ganglionares são mostradas em azul tracejado. As fibras simpáticas pré-ganglionares são mostradas em vermelho contínuo, e as fibras simpáticas pós-ganglionares, em vermelho tracejado. Fim da descrição. Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Cleavage and Blastocyst Formation 2 / 3 📄 Material Complementar General Embryology – Detailed Animation On Second Week Of Development 02 Cleavage and Blastocyst Formation02 Cleavage and Blastocyst Formation General Embryology - Detailed Animation On Second Week Of DevGeneral Embryology - Detailed Animation On Second Week Of Dev…… https://www.youtube.com/watch?v=VQoVOrA6dXo https://www.youtube.com/watch?v=bIdJOiXpp9g General Embryology – Detailed Animation On Gastrulation Sistema Nervoso: Potencial de Ação | Impulso Nervoso | Despolarização | Repolarização | Refratário General Embryology - Detailed Animation On GastrulationGeneral Embryology - Detailed Animation On Gastrulation https://www.youtube.com/watch?v=3AOoikTEfeo Leitura A Stanford Neuroscientist is Working to Create Wireless Cyborg Eyes for the Blind Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Virtual Slide List Clique no botão para conferir o conteúdo. Sistema nervoso: Potencial de ação | Impulso Nervoso | DespolariSistema nervoso: Potencial de ação | ImpulsoNervoso | Despolari…… https://futurism.com/neoscope/a-stanford-neuroscientist-is-working-to-create-wireless-cyborg-eyes-for-the-blind https://www.youtube.com/watch?v=s8_nSoO4CJA ACESSE https://histology.medicine.umich.edu/full-slide-list AGE UK. Later life in the United Kingdom. London: Age UK, 2017. BEAR, M. F. et al. Neurociências: desvendando o sistema nervoso. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. BÔER, N. C. P. Fisiologia: curso prático. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. BRIER, M. R. et al. Tau and Aß imaging, CSF measures, and cognition in Alzheimer’s disease. Science Translational Medicine, [S. l.], v. 8, n. 338, 338ra66, 2016. BURKE, S. N.; BARNES, C. A. Neural plasticity in the ageing brain. Nature Reviews Neuroscience, [s. l.], v. 7, n. 1, p. 30-40, 2006. CHEN, J. J.; ROSAS, H. D.; SALAT, D. H. 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