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Resumo 1 Resumo Poder Judiciário Art 92, CF O Poder Judiciário não tem atuação no âmbito municipal, ou seja, não está presente nos quatro entes da federação (atua apenas nos âmbitos federal, estadual e distrital). Divide-se em: Justiça comum: atende matérias de competência ampla, como questões civis e criminais. Justiça especializada: foca em áreas específicas, como trabalho, eleitoral e militar. � Estatuto da Magistratura Principios Ingresso: Mediante concurso público de provas e títulos, com participação da OAB e exigência de três anos de prática jurídica comprovada até a inscrição definitiva. Acesso aos TRIBUNAIS SUPERIORES Regulamentado por critérios de antiguidade e merecimento, alternadamente. Remoção, disponibilidade e aposentadoria: dará-se por voto de maioria absoluta do respectivo CNJ ou Tribunal Julgamento publico: Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário devem ser públicos, assegurando transparência e acesso à justiça. Quinto Constitucional: O quinto constitucional, previsto no art. 94 da Constituição Federal, estabelece que 1/5 dos membros dos Tribunais deve ser composto por advogados e membros do Ministério Público MP, com o objetivo de promover a diversidade de origens no Poder Judiciário. Essa regra se aplica aos seguintes tribunais: Tribunais de Justiça (TJs) dos Estados, Distrito Federal e Territórios; Tribunais Regionais Federais TRFs); Tribunais Regionais do Trabalho TRTs); Tribunal Superior do Trabalho TST. Requisitos: Advogados: Devem ter notório saber jurídico, reputação ilibada e pelo menos 10 anos de atividade profissional. Membros do Ministério Público: Devem ter 10 anos de carreira. Procedimento de Escolha: � Indicação O órgão de classe OAB ou MP elabora uma lista sêxtupla com seis nomes. � Seleção O tribunal escolhe três nomes dessa lista, formando uma lista tríplice. � Nomeação A lista tríplice é encaminhada ao Executivo, que faz a nomeação: Governador (para TJs); Presidente da República (para TRFs, TRTs e TST. Características Importantes: Vitaliciedade imediata O nomeado adquire vitaliciedade desde o momento da nomeação, sem necessidade de período probatório. Proporcionalidade Em tribunais com número de membros não divisível por cinco, o número de vagas destinado ao quinto constitucional é arredondado para cima. Alternância entre as categorias Quando há aposentadoria de um membro oriundo do MP ou da advocacia, a vaga é preenchida pela outra categoria, garantindo o equilíbrio na composição. � Garantias Institucionais (asseguram a autonomia do Poder Judiciário): Autonomia Orgânico-Administrativa Art. 96, CF O Poder Judiciário tem o direito de se organizar internamente, escolher seus órgãos diretivos e elaborar regimentos internos. Também é responsável pela promoção de juízes, concessão de licenças e férias aos seus membros, além de poder propor ao Poder Legislativo projetos de lei relativos à organização e divisão judiciárias, fixação dos subsídios dos magistrados, entre outros. Autonomia Financeira Art. 99, CF O Judiciário tem autonomia para elaborar suas propostas orçamentárias, que devem ser respeitadas pelos demais Poderes. Essa autonomia é garantida pelo Art. 99 da Constituição, que também permite a participação do Judiciário na elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias LDO. Autonomia Funcional Relacionada ao poder do Judiciário de tomar decisões sem interferências externas, garantindo a independência no exercício da função jurisdicional. Membros (assegurar a imparcialidade e a estabilidade dos magistrados): Vitaliciedade Art. 95, I, CF A vitaliciedade só é adquirida após dois anos de exercício no cargo de juiz, e a perda do cargo durante esse período pode ocorrer apenas por deliberação do Tribunal ao qual o juiz está vinculado. Após a aquisição da vitaliciedade, o juiz só pode perder o cargo por sentença judicial transitada em julgado. Exceção: A vitaliciedade não se aplica a juízes que ingressam diretamente no cargo de desembargador, seja por nomeação ou pelo quinto constitucional, adquirindo a vitaliciedade no momento da nomeação. Resumo 2 Estabilidade Art. 95, II, CF A estabilidade é adquirida após três anos de exercício no cargo de juiz. Assim como a vitaliciedade, a perda do cargo só ocorrerá por sentença judicial transitada em julgado ou por processo administrativo (com ampla defesa). A estabilidade também pode ser retirada por avaliação periódica de desempenho. Exemplo Juiz do Trabalho acusado de assédio sexual no gabinete: a conduta pode resultar na aposentadoria compulsória do magistrado, sendo uma das formas mais severas de punição. Projeto de Lei Complementar 2020 Este projeto propõe a demissão de magistrados em casos graves de conduta incompatível com a função, como crimes praticados no exercício do cargo. Inamovibilidade Art. 95, II, CF Os magistrados não podem ser removidos de suas funções ou transferidos para outra comarca sem seu consentimento, salvo por interesse público. Essa garantia assegura que os juízes tenham independência em suas decisões. Exemplo O STF decidiu que a inamovibilidade se aplica a todos os juízes, incluindo os substitutos, e só pode ser violada quando o interesse público exige ou por deliberação do Tribunal ou do Conselho Nacional de Justiça CNJ MS 27.958. Irredutibilidade de Subsídios Art. 95, I, CF Os subsídios dos magistrados são irredutíveis, ou seja, não podem ser reduzidos, salvo se for para cumprir disposições legais em relação aos impostos. Essa proteção garante que o salário dos juízes não seja afetado por medidas políticas ou orçamentárias. � Vedações do Judiciário Exercício de outro cargo ou função, salvo magistério Os magistrados não podem acumular a função jurisdicional com outro cargo ou função, com exceção da atividade docente. Esse tema foi regulamentado pela Resolução n. 34, de 2007, do Conselho Nacional de Justiça CNJ, que exige que o exercício da docência seja compatível com os horários de expediente forense. O juiz que exerce a docência deve comunicar formalmente o Tribunal, e qualquer atividade de coaching ou assessoria individual é vedada. Em 2020, o Tribunal de Justiça de São Paulo aplicou a pena de demissão a um juiz por descumprir essa vedação ao prestar serviços de coaching, caracterizando essa prática como incompatível com a magistratura. Receber custas ou participação em processo A Constituição veda que juízes recebam custas ou participações em processos judiciais, visando evitar qualquer possibilidade de interesse pessoal em processos em que atuem. O Supremo Tribunal Federal STF também se posicionou sobre essa vedação, estendendo-a aos juízes de paz, que, apesar de integrarem o Judiciário, não podem receber tais valores ADI 954. Dedicar-se à atividade político-partidária Os magistrados são proibidos de se filiar a partidos políticos, com o intuito de manter sua imparcialidade. Embora possam participar de debates políticos, não podem emitir opiniões políticas, apoiar candidatos ou partidos. A Resolução 305/2019 do CNJ limitou ainda mais a atuação dos juízes nas redes sociais, impedindo manifestações que sugiram apoio ou oposição a figuras políticas, candidatos ou partidos. No entanto, é permitido o posicionamento sobre questões de interesse público, como projetos de lei ou questões pertinentes ao Judiciário, desde que respeitada a dignidade da instituição. Receber auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas Acrescentada pela Emenda Constitucional n. 45/2004, essa vedação impede que magistrados recebam qualquer tipo de auxílio ou contribuição de entidades externas, sejam públicas ou privadas, a não ser nas situações previstas em lei. O STF ratificou essa vedação, declarando que os juízes devem manter uma conduta irrepreensível, respeitando os princípios constitucionais da probidade, moralidade e impessoalidade MS 32.040 MC, rel. Min. Celso de Mello). Exercer a advocacia no juízo ou tribunal domas que precisem de defesa jurídica. Sua criação, no entanto, depende de um contexto específico, dado que territórios federais não existem mais desde 1988, quando foram transformados em estados ou extintos. � Estatuto da Magistratura Membros Irredubilidade de subsídios Quarentena de saída - em 3 anos não pode atuar em processos Para suspender 2/3 de de cada casa legislativa, Supremo pode derruba com 4/5 de votos 33 Ministros 1/3 Advocacia e MP Der a lei federal interpretação diversa da atribuída ao Tribunal. Ex: inseminação artificial Art. 105, § 2º 2/3 não julgar o mérito Juizados Federal Art 118 a 121 TRE Junta Tipos de ações Tribunal do Juri Resumo 16 � Advogado � Casos CNJ atribuições Função Essenciais à Justiça Garantias Vitaliciedade - prazo de 2 anos, perda apenas em sentença judicial transitada em julgado Inamovibilidade - só pode ser removido em duas hipóteses, se concorda ou se justificar interesse publico Irredubilidade de subsidio - não pode reduzir o subisidio Advocacia Geral Publica da União AGU Representa a União, especificadamente o poder executivo, não permite desvio de finalidade (representar um “amigoˮ) PERDI ULTIMA AULA Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil - regulamenta a profissão da advocacia, vinculado ao conselho da OAB 4. Defensoria Pública assistência jurídica 1988 prestar consultoria, tirar duvida ≠ Hipossuficência a� Unidade (unica Instituição) b� Indivisibilidade c� Irredutibilidade de vencimentos - do salarios Estrutura DPU uniao (justiça federal e especiais) DPDF DF DPE Estados (justiça eleitoral) DPT pode ser criada se um dia tivermos territorios federaisqual se afastou antes de três anos Essa vedação, conhecida como "quarentena de saída", estabelece que um magistrado que se afasta do cargo (por aposentadoria ou exoneração) não pode atuar como advogado no tribunal ou juízo de sua jurisdição por um período de três anos. O CNJ confirmou que essa regra vale não apenas para juízes estaduais, mas também para juízes federais e do trabalho. A ideia é evitar a circulação de influências indevidas entre os magistrados e advogados nas mesmas comarcas ou seções. → PEC 28/24 - sustar decisões do STF A PEC 28/24 permite que o Congresso Nacional suspenda decisões do STF que invadam sua competência legislativa, com a aprovação de dois terços de cada casa do Congresso. A suspensão pode durar até dois anos, renovável por mais dois, até que uma nova lei seja feita. O STF só poderá manter a decisão com 4/5 de votos dos ministros. A PEC também determina que liminares do STF sejam analisadas pelo colegiado dos tribunais, em vez de decisões individuais. O objetivo é reforçar o papel do Congresso na criação de leis, sem interferência indevida do Judiciário. Supremo Tribunal Federal - STF O Supremo Tribunal Federal STF foi criado pela Constituição de 1891 e é composto por 11 ministros, conforme o art. 101 da Constituição Federal de 1988. Requisitos para ser Ministro do STF Ser brasileiro nato. Ter entre 35 e 70 anos de idade. Ter notável saber jurídico e reputação ilibada. Estar no gozo dos direitos políticos. Processo de nomeação: O Presidente da República escolhe o ministro, que precisa ser aprovado pelo Senado Federal por maioria absoluta. Após essa aprovação, o Presidente faz a nomeação. Competências do STF A competência do STF está prevista no art. 102 da Constituição e se divide em competência originária (que trata dos casos que começam diretamente no STF e competência recursal (referente a recursos de decisões de outros tribunais). Competência Originária: � Controle de Constitucionalidade: Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI e Ação Declaratória de Constitucionalidade ADC sobre leis federais ou estaduais. � Crimes cometidos por autoridades: Resumo 3 Julgar infrações penais cometidas pelo Presidente da República, Vice-Presidente, membros do Congresso Nacional, Ministros do STF, Procurador- Geral da República, entre outros. � Crimes de responsabilidade: Julgar ministros de Estado, comandantes militares, e outras autoridades específicas. � Habeas Corpus, Mandado de Segurança e Habeas Data: Nos casos em que o coator for o Presidente da República, membros do Congresso, do STF, ou outras autoridades mencionadas. � Litígios entre entes federativos: Resolver disputas entre a União, Estados, Municípios e Distrito Federal, ou entre estes e entidades da administração indireta. � Conflitos com Estados estrangeiros: Julgar litígios entre a União e Estados estrangeiros ou organismos internacionais. � Extradição: Decidir sobre pedidos de extradição solicitados por outros países. � Revisão Criminal e Ação Rescisória: Realizar revisão criminal ou análise de ação rescisória de suas próprias decisões. � Reclamações: Julgar reclamações para preservar sua competência e a autoridade de suas decisões. Competência Recursal: � Recurso Ordinário Constitucional: Contra decisões de Tribunais Superiores que neguem habeas corpus, mandado de segurança, habeas data, mandado de injunção, e crime político. � Recurso Extraordinário: Quando a decisão recorrida contrariar a Constituição ou declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal. Súmula Vinculante A Súmula Vinculante foi introduzida pela Emenda Constitucional n. 45/2004, no artigo 103A da Constituição Federal, e tem o objetivo de garantir a uniformização da interpretação de normas constitucionais, especialmente em casos que envolvam insegurança jurídica e grande multiplicação de processos sobre a mesma questão. A sua regulamentação está a cargo da Lei nº 11.417/2006 e do Regimento Interno do STF. Ela pode ser editada exclusivamente pelo Supremo Tribunal Federal STF 1. Quem pode solicitar a edição de uma Súmula Vinculante? A Súmula Vinculante pode ser proposta por legitimados específicos, conforme o art. 103A, § 2º da Constituição e o art. 3º da Lei nº 11.417/2006. Os principais legitimados são: Os nove legitimados da Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI (como o Presidente da República, Governadores, Procurador-Geral da República, Conselho Federal da OAB, partidos políticos, entre outros). Defensor Público-Geral da União. Tribunais Superiores e Regionais (como os Tribunais de Justiça, Tribunais Regionais Federais, etc.). Município, mas apenas incidentalmente, ou seja, durante o processo em que seja parte. 2. Quórum para a edição da Súmula Vinculante O Supremo Tribunal Federal STF pode editar a Súmula Vinculante de ofício ou mediante provocação, mas é necessário que haja uma decisão de dois terços dos membros do STF (mínimo de 8 ministros). 3. Requisitos para a criação da Súmula Vinculante A Súmula Vinculante só pode ser criada após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, conforme o art. 103A, caput. Ou seja, deve haver consenso nos tribunais sobre a interpretação de uma norma, quando esta causar insegurança jurídica ou a multiplicação de processos idênticos. 4. Efeitos da Súmula Vinculante A partir da sua publicação, a Súmula Vinculante tem efeito vinculante e erga omnes, ou seja, vincula todos os órgãos do Poder Judiciário e a administração pública, em todas as esferas (federal, estadual e municipal). No entanto, o Poder Legislativo não é vinculado nas suas funções típicas de legislar, mas sim nas suas funções atípicas (como a administrativa). A Súmula Vinculante pode ter efeitos ex nunc (a partir de sua publicação) ou em outro momento determinado pelo STF, por meio de uma decisão de dois terços dos ministros, com o objetivo de garantir segurança jurídica ou por excepcional interesse público. 5. Procedimento de Edição da Súmula Vinculante O procedimento para a edição da Súmula Vinculante está previsto na Lei nº 11.417/2006 e no Regimento Interno do STF. Após o requerimento, o presidente do STF apreciará a adequação formal em até 5 dias e publicará o início do procedimento para manifestação dos interessados. O procedimento envolve a participação do Procurador-Geral de Justiça e ministros da Comissão de Jurisprudência do STF. Também existe a possibilidade de amicus curiae, que é uma manifestação de terceiros interessados, como no processo de controle de constitucionalidade. 6. Cancelamento e Revisão da Súmula Vinculante Resumo 4 A revisão ou cancelamento de uma Súmula Vinculante segue o mesmo procedimento de sua criação e também requer a aprovação de dois terços dos membros do STF. O STF já decidiu que a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental ADPF não é o meio adequado para pleitear o cancelamento de uma Súmula Vinculante. 7. Reclamação A reclamação é a via processual utilizada quando houver decisão que contrariar a Súmula Vinculante. O STF, ao julgar a reclamação, poderá anular o ato administrativo ou cassar a decisão judicial que contrariar a súmula. Porém, a reclamação não é cabível para súmulas não vinculantes ou para decisões que contrariem apenas o entendimento das súmulas em geral. É importante observar que, para atos administrativos ou decisões judiciais que contrariarem a Súmula Vinculante, a reclamação será admissível somente após o esgotamento das vias administrativas. Superior Tribunal de Justiça - STJ Art. 104, CF Composição 33 Ministros, sendo: 1/3 Juízes dos Tribunais Regionais Federais TRF. 1/3 Desembargadores dos Tribunais de Justiça TJ. 1/3 Advogados e membros do Ministério Público MP com 10 anos de experiência (não aplicação do quinto constitucional). Nomeação Realizada pelo Presidente da República, com aprovação pela maioria absoluta do Senado. Competências - art. 105 Competência Originária: A competência originária do STJ refere-seàs matérias que ele pode julgar diretamente, sem que haja recurso anterior de outro tribunal. O STJ tem a responsabilidade de julgar, entre outras questões: � Crimes cometidos por autoridades de alta hierarquia: Governadores de Estados e do Distrito Federal. Desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal. Membros dos Tribunais Regionais Federais, Tribunais Regionais Eleitorais, Tribunais do Trabalho e Tribunais de Contas. � Mandados de segurança e habeas data: Nos casos que envolvem Ministros de Estado, Comandantes das Forças Armadas Marinha, Exército e Aeronáutica) ou até mesmo membros do próprio STJ. � Habeas Corpus: Quando a prisão ou a liberdade de qualquer pessoa envolva autoridades de alto escalão, como Ministros de Estado ou Comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica. Quando o coator (quem está causando a prisão ilegal) for algum tribunal ou ministro sujeito à jurisdição do STJ. � Conflitos de Competência: O STJ resolve disputas sobre a competência entre tribunais ou entre tribunais e juízes de diferentes esferas, sempre respeitando as regras de competência da Constituição. � Revisão de processos e decisões: Revisões criminais de sentenças já julgadas. Ações rescisórias, quando se busca anular uma decisão transitada em julgado do próprio STJ. � Reclamação: Quando se busca garantir a preservação da competência do STJ ou assegurar a autoridade das suas decisões. � Conflitos de Atribuições: O STJ também resolve disputas sobre as atribuições entre autoridades judiciais e administrativas da União ou entre Estados e o Distrito Federal. � Mandado de Injunção: Quando a norma regulamentadora de um direito depende de ação de uma autoridade federal e o prazo para regulamentar é descumprido. � Homologação de Sentenças Estrangeiras: O STJ também é responsável por homologar sentenças de tribunais estrangeiros e conceder exequatur a cartas rogatórias, permitindo que decisões estrangeiras tenham efeito no Brasil. Competência Recursal: A competência recursal do STJ refere-se à capacidade do Tribunal de revisar decisões proferidas por outros tribunais, por meio de recurso especial. Esse recurso é utilizado em situações específicas, como: Contrariedade a tratados ou leis federais: Se um tribunal inferior decidir de forma que contrarie um tratado internacional ou uma lei federal, a decisão pode ser revista pelo STJ. Validação de ato de governo local contestado por lei federal: Caso um tribunal inferior considere válido um ato de um governo estadual ou local que contrarie uma lei federal, o STJ pode revisar e alterar essa decisão. Interpretação divergente de lei federal: Quando dois tribunais interpretam uma mesma lei federal de formas diferentes, o STJ pode ser chamado a uniformizar essa interpretação. Ex: inseminação artificial Resumo 5 Juizados Especiais e Justiça de Paz Juizados Especiais O art. 98 da Constituição Federal estabelece que a União, os Estados e o Distrito Federal devem criar juizados especiais, com competência para conciliação, julgamento e execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo. Esses juizados devem ser compostos por juízes togados ou, eventualmente, por juízes leigos. O dispositivo prevê ainda a utilização de procedimentos orais e sumaríssimos, com a possibilidade de transação penal e o julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau. As inovações trazidas pelo art. 98, inciso I, da Constituição incluem: Juízes leigos Possibilidade de juízes não togados atuarem nos juizados. Competência Julgamento de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo. Princípio da oralidade Prioridade para procedimentos orais, visando a celeridade. Procedimento sumaríssimo Simplificação do processo judicial para casos de menor complexidade. Transação penal Possibilidade de acordo entre as partes para a resolução de infrações penais de menor potencial ofensivo. Julgamento de recursos por turmas de juízes Recursos podem ser analisados por turmas de juízes de primeiro grau, promovendo uma maior celeridade. Os juizados especiais estaduais são regulamentados pela Lei nº 9.099/95, enquanto os juizados especiais federais pela Lei nº 10.259/2001. Justiça de Paz O art. 98, inciso II, da Constituição Federal também prevê a criação da justiça de paz, composta por cidadãos eleitos pelo voto direto, com mandato de quatro anos. Os juízes de paz têm como principais atribuições celebrar casamentos, verificar processos de habilitação e exercer atividades conciliatórias, sem caráter jurisdicional. Suas funções são regulamentadas conforme a legislação específica. De acordo com o STF, os juízes de paz são agentes públicos remunerados de forma fixa, não podendo ser remunerados por participação nos valores arrecadados nos processos. Eles integram o Poder Judiciário e estão sujeitos às normas do art. 95, parágrafo único, II, da Constituição, que proíbe a cobrança de custas ou participação em processos judiciais. Nomeação de Juízes de Paz: No estado do Paraná, a nomeação para o cargo de juiz de paz é realizada pelo Tribunal de Justiça TJ, com indicação dos cartórios. Para ser nomeado, o candidato deve atender aos seguintes requisitos: Ser brasileiro Ter mais de 18 anos Residir na comarca onde exercerá suas funções Ter bons antecedentes Não ser afiliado a partidos políticos Justiça Comum Justiça Estadual A Justiça Estadual é composta por juízes estaduais em primeira instância e pelos Tribunais de Justiça (TJs) em segunda instância, conforme previsto no art. 125 da Constituição Federal CF. Os juízes estaduais ingressam por concurso público, enquanto os desembargadores dos TJs são selecionados, em parte, pelo quinto constitucional: um quinto das vagas é destinado a advogados e membros do Ministério Público com mais de dez anos de atuação. Cada estado possui autonomia para organizar sua Justiça Estadual por meio de suas Constituições e leis específicas, respeitando a CF. Por exemplo, o Tribunal de Justiça do Paraná possui 130 desembargadores, organizados em dois turnos. A competência da Justiça Estadual é residual, ou seja, abrange todas as matérias que não sejam de competência das Justiças Especializadas Militar, do Trabalho e Eleitoral) ou da Justiça Federal. Exemplo: crimes praticados pela internet, em regra, são processados e julgados pela Justiça Estadual, desde que os efeitos do crime não ultrapassem as fronteiras nacionais STF, HC 121.283. Justiça Federal A Justiça Federal é composta por: � Juízes Federais, em primeira instância. � Tribunais Regionais Federais TRFs), em segunda instância, que aplicam o quinto constitucional na composição de seus membros. Os TRFs possuem competência originária e recursal, conforme o art. 108 da CF. A competência originária inclui: Processar e julgar juízes federais e membros do Ministério Público da União em crimes comuns e de responsabilidade. Revisões criminais e ações rescisórias de decisões proferidas por juízes federais ou pelo próprio TRF. Conflitos de competência entre juízes federais subordinados ao mesmo tribunal. Já os juízes federais, conforme o art. 109 da CF, processam e julgam causas em que figurem: A União, autarquias ou empresas públicas federais, salvo exceções como falências ou acidentes de trabalho. Estados estrangeiros ou organismos internacionais contra municípios ou pessoas residentes no Brasil. Crimes políticos ou infrações contra bens e serviços da União. Eles também têm competência para julgar crimes previstos em tratados internacionais que envolvam efeitos no exterior, questões indígenas, disputas relacionadas à nacionalidade e causas de grave violação de direitos humanos, podendo haver deslocamento para a Justiça Federal por iniciativa do Procurador-Geral da República (art. 109, §5º). Resumo 6 Justiça Eleitoral A Justiça Eleitoral é regulada pelos artigos 118 a 121 da Constituição Federal. Trata-se de umramo especializado do Poder Judiciário, responsável pela organização, fiscalização e julgamento de questões relacionadas ao processo eleitoral no Brasil. Estrutura da Justiça Eleitoral 1. Órgãos da Justiça Eleitoral: Conforme o art. 118 da Constituição, os órgãos que compõem a Justiça Eleitoral são: Tribunal Superior Eleitoral TSE Instância máxima da Justiça Eleitoral. Tribunais Regionais Eleitorais TREs): Atuam em âmbito estadual. Juízes Eleitorais: Exercem suas funções em zonas eleitorais. Juntas Eleitorais: Responsáveis pela apuração dos votos em eleições. 2. Composição do TSE Art. 119 O TSE é composto por pelo menos sete ministros: Três ministros eleitos pelo STF. Dois ministros eleitos pelo STJ. Dois advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, nomeados pelo Presidente da República, com base em lista tríplice indicada pelo STF. O Presidente e o Vice-Presidente do TSE são eleitos dentre os ministros do STF, enquanto o Corregedor Eleitoral é escolhido dentre os ministros do STJ. 3. Composição dos TREs Art. 120, § 1º): Os Tribunais Regionais Eleitorais estão presentes em cada estado e no Distrito Federal e são formados por: Dois juízes escolhidos entre os desembargadores do Tribunal de Justiça. Dois juízes de direito escolhidos pelo Tribunal de Justiça. Um juiz do Tribunal Regional Federal ou, na ausência, um juiz federal. Dois advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, nomeados pelo Presidente da República com base em lista tríplice indicada pelo Tribunal de Justiça. Mandatos e Recursos Mandatos dos juízes eleitorais Art. 121, § 2º): Os juízes dos tribunais eleitorais exercem mandatos de dois anos, com a possibilidade de uma recondução, não podendo exceder dois biênios consecutivos. Recursos Eleitorais Art. 121, § 4º): Das decisões dos TREs cabe recurso ao TSE nos seguintes casos: Violação expressa à Constituição ou à lei. Divergência na interpretação de lei entre tribunais eleitorais. Decisões relacionadas à inelegibilidade ou expedição de diplomas nas eleições federais ou estaduais. Anulação de diplomas ou perda de mandatos eletivos federais ou estaduais. Denegação de habeas corpus, mandado de segurança, habeas data ou mandado de injunção. Conforme o STF, apenas acórdãos do TSE podem ser impugnados perante o STF por recurso extraordinário (art. 121, § 3º, CF. Ações Eleitorais e Casos Relevantes Tipos de Ações Eleitorais: Ação de Investigação Judicial Eleitoral AIJE Destinada a apurar abuso de poder econômico ou político, captação ilícita de sufrágio e outros atos que possam comprometer a lisura do pleito. Ação de Impugnação de Mandato Eletivo AIME Aplicada em casos de corrupção eleitoral, com prazo de até 15 dias após a diplomação para sua propositura. Casos Recentes: � Deltan Dallagnol: Envolvido em questionamentos sobre sua candidatura à Câmara dos Deputados com base na Lei da Ficha Limpa. Apesar de seu mandato ter sido cassado pelo TSE por irregularidades, ele não foi declarado inelegível. � Sergio Moro: Enfrentou uma AIJE por supostos gastos abusivos em campanha. O TSE manteve a decisão do TRE, julgando improcedente o pedido de cassação por falta de provas. � Live de Bolsonaro: O TSE entendeu que a gravação de live nas dependências do Palácio do Planalto não configurou abuso de poder político. � Bolsonaro Inelegibilidade: Foi declarado inelegível por oito anos devido a abuso de poder político em reunião oficial no Palácio do Planalto com fins pessoais. � Lula Inelegibilidade 2018 Sua candidatura foi indeferida pelo TSE com base na Lei da Ficha Limpa. Posteriormente, decisões judiciais anularam as condenações, tornando-o elegível novamente. Justiça do Trabalho Art 111 CF Resumo 7 TST ↓ TRT ↓ Juízes do trabalho Estrutura: 3ª Instância: Tribunal Superior do Trabalho TST. Composto por 27 ministros, brasileiros entre 35 e 65 anos, com notável saber jurídico e reputação ilibada. Escolha: 1/5 entre advogados e membros do MP, os demais juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho TRTs). 2ª Instância: Tribunais Regionais do Trabalho TRTs). Composição mínima de 7 juízes recrutados preferencialmente na região, nomeados pelo Presidente da República. Requisitos: brasileiros entre 30 e 65 anos; 1/5 de advogados e membros do MP com mais de 10 anos de atividade; os demais por promoção alternada entre antiguidade e merecimento. 1ª Instância: Juízes do Trabalho. Competências Art. 114, CF Ações decorrentes da relação de trabalho, abrangendo entidades públicas e privadas. Ações sobre direito de greve e representação sindical. Mandados de segurança, habeas corpus e habeas data em matéria trabalhista. Conflitos de competência entre órgãos da Justiça do Trabalho. Indenizações por dano moral ou patrimonial provenientes da relação de trabalho. Penalidades administrativas impostas por fiscalização trabalhista. Execução de contribuições sociais decorrentes de sentenças. Outras controvérsias relacionadas ao trabalho. Justiça Militar Art. 122 STM art 123 Tribunais e juízes Competencia - art 124 Tribunal do Juri � Justiça Militar da União Organização Forças Armadas � Justiça Militar dos Estados Organização Julga apenas Policia Militar e Bombeiros Justiça Especial – Justiça Militar 1. Introdução e Estrutura Constitucional Conforme o art. 122 da Constituição Federal, a Justiça Militar compõe-se dos seguintes órgãos: Superior Tribunal Militar STM; Tribunais e Juízes Militares, instituídos por lei. O Superior Tribunal Militar STM é composto por 15 Ministros vitalícios, que são nomeados pelo Presidente da República, após aprovação pelo Senado Federal. militares: 3 da Marinha, 4 do Exército, 3 da Aeronáutica civis: 3 advogados, 2 juízes ou membros do Ministério Público da Justiça Militar 2. Competência da Justiça Militar A competência da Justiça Militar está prevista no art. 124 da Constituição Federal, que dispõe que cabe a ela processar e julgar crimes militares definidos em lei. 2.1. Crimes Militares em Tempo de Paz Conforme o art. 9º do Código Penal Militar CPM, os crimes militares são aqueles: � Previstos exclusivamente no CPM ou definidos de forma diferente na legislação penal comum. � Praticados nas seguintes condições: https://symbl.cc/pt/2193/ https://symbl.cc/pt/2193/ Resumo 8 Entre militares em serviço ativo ou assemelhados, mesmo fora de locais militares. Por militar ativo ou assemelhado em lugar sujeito à administração militar contra militares da reserva, reformados ou civis. Durante o exercício da função militar, em comissões de natureza militar ou formaturas, ainda que fora de local sujeito à administração militar. Exceção: Crimes que não estejam previstos no CPM não serão julgados pela Justiça Militar. Exemplo: Segundo o entendimento do STF HC 92.912, Rel. Min. Cármen Lúcia), o crime de abuso de autoridade, por não estar previsto no CPM, é julgado pela Justiça Comum. 2.2. Crimes Dolosos Contra a Vida de Civis De acordo com o art. 9º, parágrafo único, do CPM, os crimes dolosos contra a vida praticados por militares contra civis são, como regra, julgados pelo Tribunal do Júri. Exceção: A competência será da Justiça Militar quando o crime doloso contra a vida for praticado durante ação militar no contexto da "Lei do Abate" (art. 303 do Código Brasileiro de Aeronáutica Lei nº 7.565/1986. Esse dispositivo regula situações em que aeronaves hostis invadem o espaço aéreo brasileiro, e sua destruição ocorre sob ordens militares. 3. Organização da Justiça Militar 3.1. Justiça Militar da União Responsável por julgar crimes militares das Forças Armadas Marinha, Exército e Aeronáutica). Atua na proteção de valores como hierarquia e disciplina dentro das Forças Armadas. Composta pelo STM e pelas auditorias militares de primeira instância. 3.2. Justiça Militar dos Estados Julga exclusivamente crimes cometidos por policiais militares e bombeiros militares. Está presente em todos os estados, mas apenas São Paulo, MinasGerais e Rio Grande do Sul possuem Tribunais de Justiça Militar. Casos que envolvam crimes dolosos contra a vida de civis praticados por policiais militares são encaminhados ao Tribunal do Júri, conforme previsão constitucional. 4. Casos Relevantes e Interpretações Atuação da Justiça Comum em Crimes Militares Quando um crime não está previsto no Código Penal Militar (ex.: abuso de autoridade), a competência será da Justiça Comum. Exceções e Normas Específicas A Lei do Abate (art. 303 do Código Brasileiro de Aeronáutica) estabelece que, em situações excepcionais de defesa do espaço aéreo, crimes dolosos contra a vida de civis podem ser processados pela Justiça Militar. Policia Militar e Bombeiro � Civil � MP � Advogado � Casos Conselho Nacional de Justiça - CNJ Origem e Constitucionalidade O Conselho Nacional de Justiça CNJ foi criado pela Emenda Constitucional nº 45/2004, inserido no artigo 103B da Constituição Federal, com a missão de controlar a atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário, além de garantir o cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, conforme disposto no art. 103A, §4º. A criação do CNJ foi questionada na ADI 3.367, ajuizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros AMB, que alegava ser inconstitucional o CNJ, defendendo duas teses principais: � Controle externo do Judiciário: alegando que isso reduziria a autonomia do Poder Judiciário. � Composição do CNJ: a inclusão de membros externos ao Judiciário violaria a separação dos poderes. O Supremo Tribunal Federal STF, ao julgar a ADI, concluiu que o CNJ é constitucional. O STF entendeu que o CNJ não exerce controle externo, mas sim controle interno, sendo um órgão integrante do próprio Judiciário, conforme o art. 92 da CF. Além disso, o STF destacou que a participação de pessoas externas ao Judiciário, como advogados e membros do Ministério Público, fortalece a natureza democrática e republicana do Conselho. Composição O CNJ é composto por 15 membros, com mandato de dois anos, admitida 1 recondução. Desses, 9 são do Poder Judiciário e 6 são externos, sendo esses: 9 membros do Judiciário: Presidente do STF (preside o CNJ. Ministro do STJ. Ministro do TST. Desembargador de Tribunal de Justiça. Juiz estadual. Juiz de Tribunal Regional Federal. Juiz federal. Resumo 9 Juiz de Tribunal Regional do Trabalho. Juiz do Trabalho. 6 membros externos: 2 membros do Ministério Público 1 da União e 1 estadual). 2 advogados, indicados pela OAB. 2 cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada 1 indicado pela Câmara dos Deputados e 1 pelo Senado Federal). O Presidente do CNJ é, obrigatoriamente, o Presidente do STF, e, em sua ausência, o Vice-Presidente do STF assume suas funções. A nomeação dos demais membros é feita pelo Presidente da República, com aprovação de maioria absoluta pelo Senado Federal. Atribuições Conforme o art. 103B, §4º, da Constituição Federal, o CNJ possui diversas atribuições: � Controle da Atuação Administrativa e Financeira O CNJ zela pela autonomia do Judiciário e pelo cumprimento do Estatuto da Magistratura, podendo expedir atos regulamentares e recomendar providências. Exemplo: O CNJ já editou diversas resoluções regulamentando o ingresso na magistratura (como a Resolução nº 75/2009), que, em 2021, foi alterada para incluir novas disciplinas obrigatórias, como direito digital e direito antidiscriminação. � Zelar pela Legalidade dos Atos Administrativos O CNJ pode atuar, de ofício ou por provocação, para assegurar a legalidade dos atos administrativos praticados no âmbito do Judiciário. Também pode revogar ou revisar esses atos, se necessário, sem prejuízo da competência do Tribunal de Contas da União. O STF tem decidido que o CNJ pode agir de forma concorrente, sem necessidade de esgotamento da instância administrativa ordinária (MS 28.620, rel. Min. Dias Toffoli, 2014. � Receber e Conhecer Reclamações O CNJ tem competência para receber reclamações contra membros ou órgãos do Judiciário, incluindo serviços auxiliares, e pode aplicar sanções administrativas, como remoção, disponibilidade ou aposentadoria com subsídios proporcionais, respeitando a ampla defesa. � Representar ao Ministério Público O CNJ pode representar ao MP em casos de crime contra a administração pública ou abuso de autoridade. � Revisar Processos Disciplinares O CNJ pode revisar, de ofício ou por provocação, processos disciplinares de juízes e membros de tribunais, desde que julgados há menos de um ano. Jurisprudência Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI 4.145 O STF declarou a inconstitucionalidade de parte da Resolução nº 59/2008 do CNJ, que impedia a prorrogação de interceptações telefônicas durante o plantão judiciário. O STF também tem reafirmado que qualquer pessoa pode apresentar reclamações ao CNJ, considerando seu interesse público (MS 28.620, 2014. Função Essenciais à Justiça MP, Advocacia Publica, Advocacia e Defensoria 1. Ministerio Público Origem e Evolução Histórica do Ministério Público O Ministério Público surgiu com o Estado Moderno e a separação das funções estatais, com antecedentes no Egito Antigo e na Idade Média, como os procureurs du roi (procuradores do Rei) na França do século XIII. No Brasil, menções ao Ministério Público remontam ao Regimento da Primeira Relação 1609, que instituía os cargos de Procurador dos Feitos da Coroa e Promotor de Justiça. A partir da Constituição de 1988, o Ministério Público ganhou autonomia e foi reconhecido como essencial ao Estado Democrático de Direito. Previsão Constitucional: Artigo 127 da CF O Ministério Público é definido como instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, responsável pela defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Autonomias do Ministério Público � Orgânico-Administrativa: Conforme o art. 127, §2º, da CF, o Ministério Público tem autonomia para propor a criação ou extinção de cargos e serviços auxiliares, organizando-se por meio de leis específicas. O STF reconhece que essa iniciativa legislativa cabe ao Procurador-Geral da República no âmbito federal e aos Procuradores- Gerais de Justiça nos estados ADI 1.757. � Financeira: Segundo o art. 127, §3º, da CF, o Ministério Público elabora sua proposta orçamentária dentro dos limites legais. Caso não a apresente no prazo, o Poder Executivo pode usar os valores da lei orçamentária vigente, ajustados conforme a LDO (art. 127, §4º). � Funcional: Garantida pelo art. 127, §1º, da CF, a autonomia funcional assegura a independência dos membros do Ministério Público em seus atos processuais e extraprocessuais, protegendo sua liberdade de atuação. Princípios Institucionais do Ministério Público (Art. 127, § 1º, da CF) Unidade O Ministério Público é uno, composto por órgãos diversos que integram a mesma instituição. A divisão é meramente funcional, estando sob direção de um único Procurador-Geral. Decisão do STF ADPF 482/2020 não há unidade entre os MPs dos estados, do DF e dos ramos do MPU, sendo vedada a remoção nacional por permuta entre membros de diferentes MPs. Resumo 10 Indivisibilidade A manifestação de qualquer membro representa a manifestação da instituição como um todo. Os membros não se vinculam aos processos e podem ser substituídos dentro do mesmo ramo (ex.: procuradores da República podem substituir outros do MPF, mas não promotores estaduais). A substituição de membros não altera a relação jurídica processual no processo. Independência Funcional Os membros do MP atuam de forma independente, sem subordinação a terceiros ou superiores hierárquicos. Proteção contra pressões externas e internas (agentes estatais, econômicos ou superiores administrativos). Limites: Não se admite atuação contra legem ou pautada em interesses pessoais. Controle pelo CNMP em casos de violações graves (ex. Processos 582/2013 e 628/2010. STF ADI 5.434/2018 a independência funcionaldeve respeitar a Constituição e as leis. Decisão do STF ADI 5.424/2018 resolução que submete decisões de membros do MP a referendo de órgão competente não viola a independência funcional, sendo compatível com os princípios da unidade e independência. Promotor Natural É uma garantia implícita no ordenamento jurídico brasileiro, embora não esteja expressamente prevista na Constituição. Ele está relacionado à ideia de que os casos atribuídos ao Ministério Público devem ser distribuídos previamente e de maneira objetiva, seguindo critérios claros e impessoais. Isso evita que a escolha do membro responsável por um caso específico seja manipulada por interesses políticos, administrativos ou outros fins arbitrários. O fundamento do princípio está no art. 5º, inciso LIII, da Constituição Federal, que assegura o direito de ser processado por uma autoridade competente, garantindo imparcialidade e segurança jurídica no exercício da função acusatória. Embora não esteja expresso na Constituição, é considerado corolário do art. 5º, LIII (autoridade competente). Proíbe designações casuísticas pelo Chefe do MP para evitar "acusadores de exceção". STF reconhece o princípio, mas admite mitigação pela Lei Orgânica Nacional do MP Lei n. 8.625/93 O Procurador-Geral pode designar membros para suprir vacâncias, afastamentos ou com consentimento do titular. STF ADI 2.854/2020 a avocação de atribuições pelo Procurador-Geral só é válida com anuência do promotor natural, evitando prejuízo à independência funcional. Organização do Ministério Público Ministério Público da União MPU Ministério Público Federal MPF Ministério Público do Trabalho MPT Ministério Público Militar MPM Ministério Público do Distrito Federal e Territórios MPDFT Ministério Público dos Estados MPE Abrange os Ministérios Públicos organizados por estados da Federação. Chefias do Ministério Público Procurador-Geral da República (PGR) Responsável pela chefia do Ministério Público da União (abrange MPF, MPT, MPM e MPDFT. Nomeação: realizada pelo Presidente da República, após aprovação pelo Senado Federal (maioria absoluta, em votação secreta). Mandato: 2 anos, com possibilidade de reconduções ilimitadas. Critérios: membro do MPU, maior de 35 anos. Observação: lista tríplice da ANPR é sugestiva, mas não obrigatória. Iniciativa: Presidente da República. Requisito: aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal. Procurador-Geral de Justiça (PGJ) Chefia os Ministérios Públicos dos Estados, Distrito Federal e Territórios. Nomeação: baseada em lista tríplice formada pela carreira, na forma da lei respectiva, submetida ao chefe do Poder Executivo Governador ou Presidente da República). Mandato: 2 anos, com possibilidade de uma única recondução. Iniciativa: Colégio de Procuradores de Justiça, por voto de dois terços dos membros. Deliberação: maioria absoluta do Poder Legislativo estadual ou do DF. 1. Garantias: a) Vitaliciedade Resumo 11 Os membros do Ministério Público possuem vitaliciedade, similar à dos magistrados, sendo uma proteção mais robusta do que a estabilidade. Aquisição: A vitaliciedade é obtida após dois anos de exercício no cargo (diferente dos três anos exigidos para estabilidade no serviço público, conforme art. 41, CF. Perda do Cargo: Após adquirirem a vitaliciedade, os membros só podem perder o cargo por meio de sentença judicial transitada em julgado. STF O Conselho Nacional do Ministério Público CNMP não pode impor a perda de cargo a membros vitalícios, dado seu caráter administrativo MS 31.523 AgR, STF. Regras Específicas: MP da União: A Lei Complementar nº 75/93 LOMPU prevê que, em caso de processo para perda de cargo proposto pelo Conselho Superior, o membro será afastado, perdendo vencimentos e vantagens pecuniárias. O STF já considerou essa punição constitucional MS 30.493, STF. MP Estadual: A Lei nº 8.625/93 LONMP estabelece que o membro vitalício só pode perder o cargo por sentença judicial em casos como prática de crime incompatível, exercício da advocacia e abandono do cargo por mais de 30 dias. A ação deve ser proposta pelo Procurador-Geral de Justiça perante o Tribunal de Justiça, após autorização do Colégio de Procuradores. b) Inamovibilidade Os membros do Ministério Público não podem ser removidos contra sua vontade, salvo nas hipóteses constitucionais, garantindo autonomia no exercício da função. Exceção: Remoção por interesse público, com decisão do órgão colegiado do MP e quórum de maioria absoluta, assegurada ampla defesa (art. 128, § 5º, I, CF. Competência: A remoção é de competência do Conselho Superior do MP, conforme a LONMP e a LOMPU. c) Irredutibilidade de Subsídios Os subsídios dos membros não podem ser reduzidos nominalmente. No entanto, isso não garante correção monetária automática. 2. Vedações: a) Recebimento de Honorários Os membros do MP são proibidos de receber honorários advocatícios, percentagens ou custas processuais, salvo em caso de má-fé da outra parte b) Exercício da Advocacia Os membros do MP são impedidos de exercer advocacia, mesmo em causa própria. c) Participação em Sociedade Comercial A Constituição veda a participação de membros do MP em sociedades comerciais. Exceção: Podem atuar como cotistas ou acionistas, sem assumir funções de direção ou gerência (art. 44, III, LONMP; art. 237, III, LOMPU. d) Exercício de Outra Função Pública Os membros do MP não podem exercer outras funções públicas, salvo nas seguintes exceções: � Magistério: Permitido ser professor, desde que compatível com a função. Atividades de coaching ou similares são vedadas, conforme Resolução nº 222/2021 do CNMP. � Administração Interna do MP Podem ocupar cargos administrativos dentro da própria instituição ADI 3.574, STF. e) Atividade Político-Partidária Antes CF/88 Era permitida atividade político- partidária. Se o membro do MP ingressou na carreira antes da CF/88 poderá continuar a exercer a atividade político partidária, se fez a opção pelo regime jurídico anterior CF/88 Era permitida a licença do cargo para se filiar a partido político e concorrer às eleições. EC45/2004 Passa a ser totalmente proibida a atividade político-partidária de todos os membros do Ministério Público. Segundo o TSE, essa norma se aplica a todos os ingressos na carreira após 1988, caso queria participar, pedir exoneração do cargo f) Receber auxilio e Contribuições: aplicando-se a essas atividades a natureza de “magistérioˮpoderá o membro do MP ser remunerado por essas atividades g) Quarentena de saída: não poderá advogar na comarca ou no Tribunal do qual se afastou pelo prazo de 3 anos Os subsídios dos membros não podem ser reduzidos nominalmente. No entanto, isso não garante correção monetária automática. Funções Institucionais Ação Penal Pública O Ministério Público é responsável por promover a ação penal pública, podendo a vítima, em caso de omissão, apresentar a denúncia. Em situações específicas, como crimes vagos, a ação pode ser iniciada pela vítima, conforme a ação penal privada subsidiária. Zelar pelos Direitos Fundamentais O Ministério Público deve garantir o respeito aos direitos assegurados pela Constituição, incluindo a fiscalização dos serviços públicos e o controle da atividade policial. Inquérito Civil e Ação Civil Pública Tem legitimidade para promover ações visando a proteção do patrimônio público, do meio ambiente e de direitos difusos e coletivos. Ação de Inconstitucionalidade e Intervenção O Ministério Público pode propor ações diretas de inconstitucionalidade e representar para a intervenção federal ou estadual. Defesa das Populações Indígenas Atua na defesa judicial dos direitos dos povos indígenas, incluindo ações para acelerar processos de demarcação de terras. Notificações e Requisições O Ministério Público tem o poder de requisitar documentos e informações em processos administrativos, incluindo dados bancários de contas públicas. Controle Externo da Atividade PolicialExerce supervisão sobre a investigação criminal, garantindo que a atividade policial seja realizada adequadamente e sem omissões. Resumo 12 Instauração de Inquérito Policial Pode requisitar diligências e a abertura de inquéritos, com a obrigatoriedade de cumprimento por parte da autoridade policial, exceto em casos de ilegalidade. 1.1 Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) - Emenda Constitucional nº 45/2004 Composição O Conselho Nacional do Ministério Público CNMP foi criado pela Emenda Constitucional nº 45/2004, com o objetivo de exercer controle sobre a atuação administrativa, financeira e funcional do Ministério Público. Sua composição inclui 14 membros, com mandatos de dois anos (renováveis uma vez), sendo: � Procurador-Geral da República, que preside o CNMP. � Quatro membros do Ministério Público da União, representando suas diversas carreiras. � Três membros do Ministério Público dos Estados. � Dois juízes, um indicado pelo STF e outro pelo STJ. � Dois advogados, indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil OAB. � Dois cidadãos de notável saber jurídico, um indicado pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal. Além disso, a escolha dos membros do CNMP é regulada pela Lei nº 11.372/2006, que define critérios para a seleção, como idade mínima de 35 anos e experiência de, pelo menos, 10 anos na carreira do Ministério Público. Atribuições As atribuições do CNMP, conforme o art. 130A, § 2º, da Constituição Federal, são amplas e visam assegurar a autonomia do Ministério Público e a legalidade dos atos administrativos. Entre as principais funções do CNMP estão: � Zelar pela autonomia do Ministério Público, podendo expedir atos regulamentares e recomendar providências. � Controlar a legalidade dos atos administrativos dos membros do Ministério Público da União e dos Estados, podendo desconstituí-los ou revê-los. � Receber reclamações contra membros ou órgãos do Ministério Público, podendo aplicar sanções administrativas, incluindo a remoção ou a disponibilidade de membros. � Revisar processos disciplinares de membros do Ministério Público, desde que sejam recentes (menos de um ano). � Elaborar relatórios anuais, propondo providências relacionadas à situação do Ministério Público. O CNMP não tem competência para controlar a constitucionalidade das leis, uma vez que é um órgão administrativo. Da mesma forma, sua competência para revisar processos disciplinares é limitada aos membros do Ministério Público, não se estendendo aos servidores. O CNMP também possui um Corregedor Nacional, que é eleito entre os membros do Ministério Público e exerce funções de inspeção e correição geral, além de receber denúncias e reclamações. 2 Advocacia Pública 2.1 Advocacia-Geral da União (AGU) A AGU, conforme o art. 131 da Constituição Federal, representa a União, tanto judicial quanto extrajudicialmente, e realiza atividades de consultoria e assessoramento jurídico ao Poder Executivo. Papel e Limites da AGU: A AGU representa judicialmente membros e titulares dos Poderes da República, ministros e demais autoridades, no que se refere aos atos praticados no exercício de suas funções, conforme a Lei nº 9.028/95. A AGU pode também representar ex-ministros, desde que os atos questionados tenham sido praticados enquanto estavam no cargo, em cumprimento de deveres constitucionais, legais ou regulamentares, e haja interesse público. Em 2021, o Tribunal de Contas da União afirmou que a representação de ex-ministros pela AGU é permitida, desde que atendidos os três requisitos essenciais: o requerente deve estar incluído na lista de contemplados, o ato deve ter sido praticado no exercício da função pública e deve existir interesse público. Prerrogativas do Advogado-Geral da União AGU O Advogado-Geral da União ocupa o cargo de Ministro de Estado, o que lhe confere foro privilegiado em algumas situações, como no julgamento por crimes de responsabilidade. Contudo, o STF esclareceu que o AGU não tem foro privilegiado para crimes comuns, embora o status de Ministro de Estado seja reconhecido pela Lei nº 13.844/2019, que visa garantir o foro privilegiado até que uma emenda constitucional o inclua diretamente no texto da Constituição. Além disso, a advocacia pública no Brasil compreende a defesa e representação dos interesses do Estado, sendo a AGU a instituição responsável por atuar em nome da União 2.3 Procuradoria do Estado A Procuradoria do Estado é um órgão integrante da Advocacia Pública Estadual, responsável por defender os interesses do Estado e suas entidades, atuando judicial e extrajudicialmente. Sua função essencial é representar o Estado nas questões jurídicas que envolvem interesses públicos, promovendo a defesa do patrimônio público e a proteção dos direitos do Estado e suas autarquias. Composição e Organização A Procuradoria do Estado é composta por procuradores públicos que são selecionados por meio de concurso público de provas e títulos. Eles devem possuir formação em Direito e cumprir os requisitos previstos em lei para assumir o cargo. Atribuições De acordo com o art. 132 da Constituição Federal, compete à Procuradoria do Estado: � Representação Judicial e Extrajudicial Defesa do Estado e de suas entidades, incluindo a representação judicial em ações e a orientação jurídica extrajudicial. Isso inclui a elaboração de pareceres jurídicos, a consultoria a órgãos administrativos e a formulação de defesas em litígios que envolvam o Estado. Resumo 13 � Consultoria Jurídica ao Executivo Além da atuação judicial, a Procuradoria do Estado exerce funções de consultoria e assessoramento jurídico ao Poder Executivo estadual, ajudando a garantir que as ações do governo estejam dentro da legalidade. Instrução Legal A atuação da Procuradoria do Estado está regulamentada por leis estaduais, com destaque para o concurso público como exigência para o ingresso na carreira e a autonomia para a atuação em defesa do Estado, sem desvio de finalidade. A atuação é restrita à defesa do interesse público, sem permitir que a Procuradoria atue em benefício pessoal, como a defesa de "amigos" ou de interesses particulares. Distinção da Advocacia-Geral da União A diferença entre a Advocacia-Geral da União AGU e a Procuradoria do Estado reside no ente federativo que cada uma representa. A AGU defende o Governo Federal, enquanto a Procuradoria do Estado é responsável pela defesa dos interesses dos Estados e de suas entidades, como autarquias e fundações. Competências Exclusivas Além das funções gerais, a Procuradoria do Estado possui competências específicas para atuar nas ações judiciais que envolvem os interesses estaduais, como, por exemplo, ações de cobrança, defesa de direitos fundamentais e litígios que envolvem o patrimônio público estadual. Ela também é responsável pela elaboração de pareceres que orientam as políticas públicas e decisões do governo estadual. Autonomia e Prerrogativas Assim como a Advocacia-Geral da União, a Procuradoria do Estado possui autonomia funcional e administrativa, o que significa que seus membros atuam de maneira independente, sem interferência do Poder Executivo ou de outras autoridades. No entanto, essa autonomia é limitada pela necessidade de observar a legalidade e o interesse público nas ações que realiza Fiscalização e Controle Embora a Procuradoria do Estado atue de forma independente, seus membros devem estar sujeitos à fiscalização e controle, especialmente no que tange ao cumprimento das normas que regem a Advocacia Pública, tanto por órgãos internos de controle como o Tribunal de Contas do Estado, quanto por órgãos externos como o Conselho Nacional do Ministério Público CNMP, quando for o caso. A observância da legalidade dos atos administrativos e a ética na representação do Estado são princípios que devem ser seguidos rigorosamente pelos procuradores. 3. Advocacia A advocacia é uma profissão essencial para a administração da justiça e estáregulamentada pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994. O papel do advogado vai além da simples representação de clientes, sendo considerado um serviço público e exercendo uma função social, como destacado no artigo 2º do Estatuto da OAB. Prerrogativas do Advogado O advogado possui diversas prerrogativas que garantem a sua atuação livre e sem restrições. Essas prerrogativas são essenciais para a defesa da liberdade e da dignidade do indivíduo, e incluem: � Imunidade Profissional O advogado tem imunidade em relação a seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei. Isso significa que o advogado não pode ser acusado de injúria ou difamação por suas palavras, seja no âmbito judicial ou fora dele, desde que esteja exercendo sua função de maneira legítima e regular. No entanto, o Supremo Tribunal Federal STF já se manifestou em relação à imunidade profissional, excluindo o desacato da proteção. Ou seja, o advogado não pode desacatar a autoridade de um magistrado, pois isso prejudica a ordem da atividade jurisdicional, mesmo que o desacato ocorra no contexto da sua defesa. A imunidade refere-se, portanto, à injúria e difamação, mas não protege atitudes abusivas ou que atentem contra a dignidade da profissão. � Lei Julia Matos Advogada Gestante) Um exemplo de prerrogativa específica é a Lei Julia Matos, que garante o direito da advogada gestante de pedir o adiantamento de sustentação oral em uma audiência, caso essa coincida com o período do seu parto. Esse direito é importante para que a advogada possa exercer sua função sem comprometer a saúde e o bem-estar de seu filho. Um caso concreto ilustra essa prerrogativa: uma advogada gestante solicitou o adiamento de sua sustentação oral porque a audiência foi marcada para a data de seu parto. O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região TRT4 negou o pedido, alegando que a audiência seria virtual e, portanto, a advogada poderia ser substituída por outro colega. A OAB, então, interveio, promovendo um processo disciplinar contra as autoridades que negaram o direito da advogada, reafirmando a proteção da Lei Julia Matos. Abuso de Autoridade O advogado também possui proteção contra abusos de autoridade, sendo inviolável seu escritório e sua comunicação com o cliente. A violação da inviolabilidade do escritório ou a prisão indevida de um advogado sem a devida comunicação à OAB configura crime de abuso de autoridade. Outro exemplo de abuso seria impedir a comunicação do advogado com seu cliente durante o processo, o que prejudica a defesa do acusado e fere o direito constitucional à ampla defesa. Imunidade Profissional e Limites A imunidade do advogado é um direito constitucional, mas não é absoluta. A imunidade é garantida apenas quando o advogado está exercendo sua função de forma legítima e dentro dos limites da legalidade. Qualquer ato que ultrapasse esses limites, como ofensas ou atitudes que desrespeitem a dignidade da profissão, pode levar a sanções disciplinares por parte da OAB. O Supremo Tribunal Federal, em diversas decisões, destacou que a imunidade profissional não abrange o desacato a autoridades judiciais e não se aplica a práticas abusivas que comprometam a ordem pública ou as normas ético-jurídicas da advocacia. 4. Defensoria Pública A Defensoria Pública é uma instituição essencial à função jurisdicional do Estado, conforme o artigo 134 da Constituição Federal de 1988. Sua principal função é garantir a assistência jurídica integral e gratuita aos necessitados, ou seja, àqueles que não têm condições financeiras de arcar com os custos de um advogado particular. 1. Diferença entre Assistência Judiciária e Assistência Jurídica Resumo 14 Embora os termos possam parecer semelhantes, há uma distinção fundamental entre eles: Assistência Judiciária 1967 Relacionada ao acesso gratuito ao Poder Judiciário, ou seja, garantir a utilização dos instrumentos necessários para que o indivíduo possa se valer do Judiciário sem custos. Assistência Jurídica 1988 Vai além da assistência judiciária. Engloba auxílio pré-processual, endoprocessual e pós-processual, incluindo consultoria e orientação jurídica, e estende-se para além do campo judicial, abrangendo também atos extrajudiciais, como o envio de ofícios, elaboração de contratos e defesa em processos administrativos. A Constituição de 1988 inovou ao introduzir o conceito de assistência jurídica integral e gratuita (art. 5º, LXXIV, garantindo que os necessitados possam acessar todos os serviços jurídicos, não apenas dentro do processo judicial, mas também em questões administrativas e outros atos jurídicos. 2. Gratuidade de Justiça x Assistência Jurídica Gratuita É importante não confundir os conceitos: Gratuidade de Justiça Refere-se à isenção de taxas e custos judiciais, como custas processuais, despesas com diligências, entre outras, concedida à pessoa que comprovar sua insuficiência de recursos para arcar com tais despesas. Assistência Jurídica Gratuita Envolve a orientação, defesa e patrocínio da causa por um advogado, preferencialmente membro da Defensoria Pública, sem custos ao beneficiário, e vai além da gratuidade de justiça, incluindo serviços extrajudiciais. 3. Função da Defensoria Pública A Defensoria Pública tem um papel central na concretização da assistência jurídica gratuita, conforme o art. 134 da Constituição. Sua função é promover a orientação jurídica e a defesa dos direitos individuais e coletivos, tanto em nível judicial quanto extrajudicial, garantindo a acessibilidade da população carente aos serviços jurídicos. Além disso, a Defensoria Pública deve atuar como instrumento de promoção dos direitos humanos e ser responsável pela defesa de direitos essenciais, como saúde, educação e assistência social, que fazem parte do conceito de mínimo existencial. A importância da Defensoria Pública é reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, que já se manifestou sobre sua essencialidade, afirmando que é uma instituição permanente e imprescindível à concretização de direitos fundamentais. Em diversos julgados, o STF determinou a obrigatoriedade da implementação da Defensoria Pública em estados que ainda não a tinham, sob pena de multa. 4.Clausula Pétrea A Defensoria Pública é considerada uma cláusula pétrea, ou seja, não pode ser suprimida da Constituição, pois é essencial para garantir o direito à assistência jurídica gratuita. Sua remoção configuraria retrocesso ao direito fundamental de acesso à justiça, protegendo a população necessitada. Essa proteção é reconhecida pelo STF, que a considera parte do núcleo essencial dos direitos constitucionais. 5.Hipossuficência a Constituição garante assistência jurídica a "necessitados". O critério para definir quem são os necessitados varia, com algumas Defensorias Públicas adotando parâmetros de renda familiar (geralmente até 3 salários mínimos). O conceito de "necessitado" foi ampliado por decisões judiciais, que incluiram os "hipervulneráveis" – pessoas socialmente excluídas, como crianças e idosos. 6. Ação Civil Pública Tem legitimidade para ajuizar ações civis públicas, protegendo direitos difusos e coletivos. No entanto, em ações que envolvam interesses individuais homogêneos ou coletivos, a atuação da Defensoria deve ser restrita aos beneficiários da assistência jurídica gratuita, ou seja, aos necessitados. Autonomia A Defensoria Pública, conforme estabelecido pela Constituição Federal, possui garantias de autonomia funcional, administrativa e financeira. Esses princípios asseguram sua independência em relação a outros órgãos do Poder Público, possibilitando o cumprimento de sua missão institucional: a defesa dos direitos dos necessitados, sem subordinação aos Poderes Executivo, Legislativo ou Judiciário. 1. Autonomia Funcional A autonomia funcional assegura que a Defensoria Pública não se subordina a qualquer outro poder ou instituição (como o Ministério Público ou oPoder Executivo). Esse princípio é fundamental, pois a Defensoria muitas vezes atua contra o Estado, defendendo cidadãos em situações de vulnerabilidade. O STF tem reafirmado essa desvinculação, como no caso das leis estaduais que vinculavam a Defensoria à Secretaria do Estado, o que foi considerado inconstitucional. Internamente, a autonomia funcional também implica a independência funcional dos defensores públicos. Cada defensor tem a prerrogativa de seguir suas convicções jurídicas e a lei, desde que isso não contrarie a função institucional da Defensoria. Contudo, a independência funcional não dá liberdade irrestrita ao defensor, devendo estar sempre orientada pela missão de assistência integral aos necessitados. 2. Autonomia Administrativa A autonomia administrativa permite à Defensoria Pública se autogerir, ou seja, administrar seus próprios recursos humanos e financeiros. Isso inclui a distribuição de pessoal e a gestão do orçamento, garantindo que a assistência jurídica seja prestada com eficiência e excelência. Antes de 2014, a Defensoria Pública não podia criar cargos ou estabelecer políticas remuneratórias, dependente da iniciativa do chefe do Executivo estadual. A Emenda Constitucional 80/2014, porém, garantiu que a Defensoria possa propor a criação de cargos e outras modificações administrativas, tal como já ocorre com o Poder Judiciário e o Ministério Público. 3. Autonomia Financeira A autonomia financeira está relacionada à iniciativa orçamentária da Defensoria Pública. A Constituição assegura que a Defensoria tenha autonomia para propor seu orçamento dentro dos limites estabelecidos pela lei de diretrizes orçamentárias. Além disso, as Defensorias Públicas da União, Distrito Federal e Estados têm direito aos “duodécimos ,ˮ ou seja, repasses mensais para garantir a continuidade de suas atividades. A EC 45/2004 ampliou a autonomia financeira das Defensorias Públicas, permitindo que elas, assim como o Judiciário e o Ministério Público, tenham um tratamento orçamentário isonômico. Caso a Defensoria não encaminhe sua proposta orçamentária dentro do prazo, os valores aprovados na lei orçamentária vigente serão considerados para o ano seguinte. Princípios Os princípios da Defensoria Pública garantem a unidade, a indivisibilidade, a independência funcional e a atuação do defensor natural. Unidade A Defensoria Pública é considerada uma instituição única, e suas divisões são operacionais, buscando efetivar a função institucional de assistência aos necessitados. A atuação da Defensoria é subsidiária, com a Defensoria Pública da União atuando nos Tribunais Superiores quando a estrutura estadual não permite. A unidade também permite convênios entre as Defensorias de diferentes estados. Indivisibilidade Este princípio indica que a atuação da Defensoria Pública é exercida em nome da instituição, não de forma individualizada pelo defensor público. Isso possibilita que um defensor inicie o processo, outro realize a audiência e outro ainda interponha recurso, sem a necessidade de qualquer procedimento específico. Independência Funcional Garantia interna que permite aos defensores públicos agirem conforme suas convicções jurídicas, respeitando sempre a função institucional da Defensoria. Resumo 15 Defensor Natural Embora não expressamente mencionado no art. 134 da Constituição, o princípio do defensor natural é relacionado à garantia de que o cidadão seja assistido por um defensor designado de acordo com as normas e critérios estabelecidos, assim como ocorre com o princípio do juiz natural no âmbito judicial. Garantias � Inamovibilidade A inamovibilidade é a garantia de que os defensores públicos não podem ser removidos de sua lotação contra sua vontade. Essa garantia está prevista na Constituição (art. 134, § 1º) e na Lei Complementar nº 80/94 (art. 43, II. Embora a Constituição não permita exceções para a remoção, a legislação infraconstitucional pode prever situações específicas, como em caso de interesse público, com critérios proporcionais e razoáveis. � Independência Funcional Os defensores públicos são assegurados pela independência funcional para exercer suas atividades sem interferência externa, conforme o art. 134, § 4º, da Constituição Federal e art. 43, I, da LC 80/94. A independência se refere à liberdade para escolher a estratégia jurídica sem subordinação a outras autoridades, exceto em questões administrativas e disciplinares. � Irredutibilidade de Vencimentos Embora a Constituição não trate especificamente da irredutibilidade de vencimentos, a LC 80/94 assegura que os salários dos defensores públicos não podem ser reduzidos. A discussão se refere ao valor nominal ou real dos vencimentos, com a jurisprudência destacando que a garantia se refere ao valor nominal, sem a obrigação de reajustes automáticos para manter o poder de compra. � Estabilidade Os defensores públicos adquirem estabilidade após três anos de efetivo exercício, conforme o art. 41 da Constituição e art. 43, IV, da LC 80/94. A estabilidade é distinta da vitaliciedade dos juízes, pois o defensor público só pode ser demitido por sentença transitada em julgado ou processo administrativo com ampla defesa. O STF já declarou inconstitucional a garantia de vitaliciedade para defensores públicos. � Prerrogativa de Foro A Constituição Federal não prevê foro por prerrogativa de função para defensores públicos, diferente do que ocorre para membros do Ministério Público e da magistratura. Em 2021, o STF declarou inconstitucional a previsão de foro privilegiado para defensores públicos nas Constituições Estaduais, entendendo que apenas a Constituição Federal pode estabelecer tal prerrogativa. � Promoção A promoção dos defensores públicos é garantida por meio de plano de carreira, com base em critérios de antiguidade e merecimento (art. 31, 76 e 116 da LC 80/94. A promoção é decidida pelo Defensor Público-Geral, tanto da União quanto dos Estados e do Distrito Federal. Defensores Dativos: Os Defensores Dativos são advogados nomeados pelo juiz para defender pessoas que não podem pagar um advogado particular e quando a Defensoria Pública não pode atuar no caso. Sua nomeação ocorre em situações excepcionais, como falta de estrutura da Defensoria ou em locais com grande demanda. A atuação do defensor dativo é temporária e remunerada, com os honorários pagos pelo Estado ou, em alguns casos, pela parte assistida. Eles garantem o direito à defesa, especialmente para aqueles que não têm recursos financeiros para contratar um advogado particular. Estrutura das Defensorias Públicas: DPU Defensoria Pública da União) Responsável pela atuação em matérias de interesse da União, incluindo a Justiça Federal e as questões de competência da Justiça Especializada, como a Justiça Militar, Justiça do Trabalho, Justiça Eleitoral, entre outras. Atua também em ações que envolvem a defesa de direitos fundamentais em instâncias federais e interage com a administração pública federal. DPDF Defensoria Pública do Distrito Federal) A Defensoria Pública do DF desempenha funções análogas à DPU, mas no âmbito do Distrito Federal, atendendo a população local, defendendo os interesses e direitos dos cidadãos no DF, principalmente em casos que envolvem a Justiça Estadual e a Justiça Eleitoral, entre outros. DPE Defensoria Pública dos Estados) São as Defensorias presentes em cada unidade da federação (exceto no DF, com a função de defender os direitos e interesses dos cidadãos nos estados. Elas atuam principalmente na Justiça Estadual, mas também têm competência para atuar na Justiça Eleitoral. As DPEs são fundamentais para garantir o acesso à Justiça de pessoas em situação de vulnerabilidade. DPT Defensoria Pública Territorial) Embora ainda não exista, o DPT seria uma Defensoria Pública criada para atuar em territórios federais, caso o Brasil venha a criar novos territórios ou em áreas que não se enquadrem como unidades da federação tradicionais (estados ou municípios),