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Estrutura da Matéria Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Dr. Francisco de Assis Cavallaro Revisão Textual: Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin Interação de Ondas Eletromagnéticas e Partículas Carregadas com a Matéria • Introdução; • Radiação Ionizante; • Interação da Radiação Gama ou X com a Matéria; • Atenuação da Radiação Pela Matéria; • Interação das Partículas Radioativas Carregadas com a Matéria; • Efeitos Biológicos da Radiação; • Exemplo de Cálculo de Energia da Radiação Que Pode Causar Danos. • Permitir a compreensão dos possíveis modos de interação entre matéria e radiação, bem como prever resultados dessas iterações. OBJETIVO DE APRENDIZADO Interação de Ondas Eletromagnéticas e Partículas Carregadas com a Matéria Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Interação de Ondas Eletromagnéticas e Partículas Carregadas com a Matéria Introdução A Física que estuda a interação das radiações ionizantes, denominada Física das Radiações, tem interesse nos resultados dessas interações e a transferência de energia da radiação para o meio. Cabe aqui ressaltar os dois conceitos utilizados: interação e radiação ionizante. O primeiro representa, na Física, a ação de uma força e o efeito causado por essa ação (força gravitacional, por exemplo). Já a radiação ionizante pode ser qualquer radiação com o poder de excitar e remover elétrons de átomos e moléculas. A radiação ionizante pode ser estudada subdividindo-a em três grupos: • Radiações Eletromagnéticas: que possuem uma energia de fóton acima de 12keV podem receber denominações variadas, dependendo de sua origem. Assim, o raio X pode ser originado da desaceleração de partículas carregadas e da diminuição da excitação e desexcitação atômica (chamada de característica) e o raio gama é originado do decaimento das excitações nucleares e fótons de aniquilação, que são originados da aniquilação de pares partícula-antipartícula; • Partículas Carregadas Rápidas: cujas origens residem na emissão por nú- cleos atômicos (produtos da quebra, ou fissão nuclear, como partículas alfa e beta, por exemplo), feixes resultantes em aceleradores de partículas (pósitrons, prótons, elétrons, dêuterons, íons (em geral) de qualquer número atômico ou de massa). Há também a radiação cósmica primária ou produtos de sua in- teração com a atmosfera (múons, píons etc.) e produtos de reações nucleares etc. Essas partículas têm energia cinética superior à térmica e às energias que fazem a ligação de elétrons atômicos; • Nêutrons livres com qualquer energia cinética e de qualquer origem: essa divisão tem como base as forças responsáveis pelas interações e a modelagem utilizada para descrevê-las. Fótons interagem pela ação de campos eletromag- néticos, atuando sobre partículas carregadas do meio. Partículas carregadas têm sua ação em elétrons do meio ao serem aproximadas por interações cou- lombianas consecutivas. Já os nêutrons atuam sobre prótons e nêutrons de núcleos atômicos pela força nuclear forte. As Áreas da Física que tratam dessas interações são a Eletrodinâmica Quântica, para interações entre campos ele- tromagnéticos e cargas em movimento, e a Física Nuclear para as interações entre núcleons. No intervalo de energias, que inclui os raios X e os raios gama, há várias inte- rações possíveis com o átomo ou com elétrons atômicos ou, ainda, com o núcleo, mas há também a possibilidade de não ocorrer interação, ou seja, a interação da radiação eletromagnética pode atravessar distâncias consideráveis em um meio ma- terial sem modificá-lo e sem se modificar. 8 9 As probabilidades de interação (e de não ocorrer interação) dependem de carac- terísticas do meio e da radiação. A radiação eletromagnética ionizante é tratada, em boa parte dos casos, como um conjunto de partículas – os fótons. A cada energia de fóton (hv) corresponde um momento associado (hv/c) e, dessa forma, podem ocorrer ‘‘colisões’’ em que o fóton transfere energia e momento para outras partículas. As principais interações que ocorrem na matéria com fótons de energias na faixa de poucos keV (quilo elétron volts) até dezenas de MeV (milhões de elétron volts) são descritas a seguir. Radiação Ionizante Radiação ionizante é um termo usado para designar radiações eletromagnéticas de alta energia, como as radiações gama (γ) ou partículas carregadas emitidas por núcleos radiativos naturais ou artificiais e raios X, produzidos no processo de frea- mento de elétrons de energia alta pela matéria. As radiações ionizantes possuem energia de valor superior à energia de exci- tação dos átomos e perdem a sua energia, principalmente, pela interação com os elétrons orbitais dos átomos localizados ao longo da sua trajetória, originando esta- dos excitados ou ionizando moléculas, gerando íons ou radicais livres. Portanto, a radiação ionizante é aquela que possui energia suficiente para arrancar elétrons de átomos ou moléculas, ionizando-os. Para caracterizar a radiação ionizante composta de partículas subatômicas ener- géticas, íons ou átomos, a velocidade de 1% da velocidade da luz ou maior é usada como limítrofe. Já para a radiação eletromagnética, é a energia que a caracteriza como ionizante e, como a energia é proporcional à frequência, esta última é o fator limítrofe. Os raios gama, os raios X e a radiação ultravioleta B, de mais alta energia, são radiações ionizantes. A ultravioleta A não é considerada ionizante, assim como também não é a luz visível, infravermelha, micro-ondas e ondas de rádio, porém, a frequência limítrofe entre a radiação ionizante e a não ionizante não é muito bem definida, pois moléculas e átomos diferentes podem ionizar em frequências diferen- tes. Convencionalmente, a ionização ocorre na faixa de energia entre 10eV e 33eV. As partículas subatômicas que são ionizantes são oriundas de desintegrações de núcleos (partículas alfa, beta e nêutrons), partículas oriundas de chuveiros radioati- vos produzidos por raios cósmicos nas altas camadas da atmosfera (múons, mésons e pósitrons). A origem dos raios cósmicos está em eventos catastróficos celestes, tais como explosões de supernovas e de colisões de buracos negros e outros objetos massivos.9 UNIDADE Interação de Ondas Eletromagnéticas e Partículas Carregadas com a Matéria Os raios cósmicos podem produzir radioisótopos aqui na superfície da Terra, como é o caso do carbono 14 que, ao se desintegrarem, produzem radiação ionizante. A radiação ionizante pode ser utilizada no tratamento de alguns tipos de câncer, na preservação de alimentos e na produção de revestimentos de fios elétricos de alto poder de isolamento e resistência a chamas, mas pode, também, produzir do- enças nos seres vivos. Interação da Radiação Gama ou X com a Matéria Três processos presentes na interação dos fótons com a matéria e que conduzem à transferência parcial ou completa de energia dos fótons dos raios gama para os elétrons no material são verdadeiramente importantes nas medidas de radiação gama, conforme a Figura 1. A probabilidade da interação de fótons de raios X ou gama com um material de número atômico Z é proporcional a Zn (4Lei de Beer-Lambert. X espessura do material absorvedor I Intensidade do feixe após interagir com o material absorvedor I0 Intensidade do feixe antes interagir com o material absorvedor Figura 3 – Apresentação da Lei de Beer-Lambert 14 15 Interação das Partículas Radioativas Carregadas com a Matéria Partículas carregadas, como as partículas alfa (α), interagem com a matéria, principalmente, por meio de interações coulombianas decorrentes de sua carga positiva e a carga negativa dos elétrons orbitais dos átomos do meio absorvedor. Quando as partículas alfa atravessam a matéria, perdem energia cinética nos processos de excitações e ionizações no meio. Devido à grande massa dessas par- tículas, elas não sofrem desvios apreciáveis em sua trajetória ao interagirem com os elétrons atômicos. Por essa razão, sua trajetória é linear e acaba abruptamente. A energia que é transferida aos elétrons nas colisões é cedida pela partícula alfa, fazendo com que a velocidade dessa partícula sofra um decréscimo como resultado dessas colisões. A máxima energia que uma partícula carregada de massa m, com energia ci- nética E, pode transferir para um elétron de massa m0 em uma colisão simples é: 4Em0/m ou, aproximadamente, 1/500 da energia da partícula por núcleon. Como a distância de penetração (alcance) para partículas carregadas é muito pequena, as interações ocorrem na superfície dos materiais absorvedores e essa característica da interação, principalmente, em sólidos, é utilizada quando é neces- sário observar as interações em um volume pequeno do absorvedor. A perda de energia da partícula alfa antes de atingir um material pode ocorrer em função da espessura de absorvedores posicionados entre a fonte e o material, como o próprio ar atmosférico, ou em decorrência da autoabsorção na própria fonte. Tipos e características das radiações Beta • Denominação dada ao elétron emitido pelo núcleo do átomo; trata-se então, de partículas leves; • Possui uma carga negativa; • Perde energia para o meio rapidamente e seu alcance é de até alguns metros no ar; • Pequeno poder de ionização, pois produz pequena densidade de ionizações. Alfa • Partículas com dois prótons e dois nêutrons. São partículas pesadas; • Possui duas cargas positivas; • Perde energia para o meio muito rapidamente, pois tem alcance de poucos centímetros no ar; • Alto poder de ionização – Produção de grande densidade de ionizações; 15 UNIDADE Interação de Ondas Eletromagnéticas e Partículas Carregadas com a Matéria Gama • Ondas eletromagnéticas emitidas pelo núcleo de átomos sempre que esse nú- cleo se encontra em estado excitado de energia; • Não possui carga; • Perde energia para o meio de forma muito lenta, de maneira que possui grande alcance (pode atravessar vários centímetros de concreto); • Pequeno poder de ionização – Produção de muitas poucas ionizações; Radiação X • Ondas Eletromagnéticas: produzidas pela desaceleração de partículas carre- gadas (especialmente elétrons) – Radiação de freamento ou Brehmstrahlung; ou pela transição de elétrons orbitais para órbitas mais internas do átomo - Raios X característicos; • Todas as demais características são idênticas à radiação gama. Efeitos Biológicos da Radiação • Estocásticos: são aqueles cuja probabilidade de ocorrer aumenta com a dose, sem, porém, haver a existência de um limiar de dose. Exemplos: efeitos heredi- tários (mutações em genes em decorrência de exposição à radiação), que levam ao aparecimento de câncer; • Não estocásticos: são aqueles cuja severidade depende da dose e que apre- sentam um limiar de dose. Exemplos: mortalidade animal em consequência de distúrbios imunológicos (queda na imunidade em decorrência de excesso de exposição à radiação). Tabela 1 – Energia dos diferentes tipos de radiação Comprimento de onda (m) Energia do fóton (eV) Radiação superior a 3 × 10–1 inferior a 4,1 × 10–6 Ondas de radiofrequência 3 × 10–1 → 3 × 10–3 4,1 × 10–6 → 4,1 × 10–4 Micro-ondas 3 × 10–3 → 7,6 × 10–7 4,1 × 10–4 → 1,6 Infravermelha 7,6 × 10–7 → 4 × 10–7 1,6 → 3,1 Luz visível 4 × 10–7 → 10–8 3,1 → 123,2 Ultravioleta: · A-400 → 320nm · B-320 → 290nm · C-290 → 200nm inferior a 10–8 superior a 123,2 Raios X e γ Fonte: Adaptado de Okuno e Yoshimura, 2010 16 17 Tabela 2 – Escala do tempo do dano da radiação Estágio Tempo Ação Efeito Proteção e tratamento Físicoa 0,01 mSv/ano; • Raio X de tórax: 0,05 a 0,2 mSv/exame; • Leite pode consumir até: 100 Bq/l; • Carne pode consumir até: 300 Bq/kg (podendo chegar a 1000 em alguns países). Observação O Sv (Sievert) é uma unidade usada para avaliar a dose de radiação ionizante e 1 Bq = 1s−1, ou seja, um becquerel corresponde a uma desintegração nuclear por segundo. 18 19 Tabela 3 – Exposição natural à radiação Fonte de emissão mSv/ano Testes nucleares e descargas industriais 0,007 Sol e raios cósmicos 0,40 Centrais nucleares 0,008 Materiais terrestres 1,80 Exames radiológicos 0,30 Mostradores luminosos 0,02 Alimentos e bebidas 0,23 Televisão, micro-ondas e radares 0,03 Fonte: Adaptado de Okuno e Yoshimura, 2010 Exemplo de Cálculo de Energia da Radiação Que Pode Causar Danos Exemplo Calcule a energia absorvida, em calorias, por uma pessoa com massa de 70kg exposta à radiação ionizante de 4Gy (1Gray = 1 Joule/kg). Dado: 1 cal = 4,18 J. Resolução 70 × 4 = 280 Joules = 67cal O efeito biológico da radiação não se deve à quantidade de energia absorvida, mas à intensidade do fóton ou à quantidade de energia armazenada. 19 UNIDADE Interação de Ondas Eletromagnéticas e Partículas Carregadas com a Matéria Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Sites NIST: X-Ray Mass Attenuation Coefficients Tabela com os valores do coeficiente de atenuação mássico para todos os elementos químicos. http://bit.ly/2BdR6Im Leitura Rejeitos radioativos http://bit.ly/32mjbco Efeitos da radiação no corpo humano http://bit.ly/2VO3tUX Como o césio-137 em Goiânia pôs Brasil no mapa de piores acidentes radioativos do mundo https://bbc.in/2BjCk2A 20 21 Referências EISBERG, R.; RESNICK, R. Física quântica: átomos, moléculas, sólidos, núcleos e partículas. 9.ed. São Paulo: Campus, 1994. HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física: ótica e física moderna. 9.ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012. KNIGHT, R. D. Física: uma abordagem estratégica – Relatividade e física quântica. 2.ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. MARQUES, G. C. Física: Tendências e perspectivas. São Paulo: Livraria da Física, 2005. OKUNO, E; YOSHIMURA, E. M. Física das Radiações. São Paulo: Oficina dos Textos, 2010. TIPLER, P. A.; LLEWELLYN, R. A. Física Moderna. 6.ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. 21