Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Sistema Notarial 
e Registral
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Dr. Tercius Zychan de Moraes
Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin
Emolumentos
• Emolumentos;
• Natureza Jurídica dos Emolumentos.
• Entender o que são os emolumentos e sua fi nalidade como garantidores do desempenho 
das Atividades Notarias e Registrais;
• Apreciar as características dos emolumentos, de acordo com a Constituição Federal, a 
Legislação, a Jurisprudência e a Doutrina;
• Verifi car a real natureza jurídica atribuída aos emolumentos, bem como a inexistência de 
unanimidade a respeito do tema.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO
Emolumentos
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos 
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e 
de aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE Emolumentos
Emolumentos
As Serventias são os locais destinados por delegação nos quais são realizados os 
Serviços Notariais e Registrais.
Os Agentes Delegados e seus prepostos realizam tais serviços de acordo com a 
forma prescrita em Lei.
Quanto aos Notariais, eles firmam Atos e Negócios Jurídicos sedimentados pelas 
partes que os envolvem; já os Registradores promovem a inscrição ou a transcrição de 
atos, orientando-se pelo formalismo definido em Lei, com o fulcro de dar validade a 
determinado ato ou fato jurídico relevante para o direito ou dando segurança jurídica 
no tocante à pessoa ou às pessoas que integram tais situações de relevância jurídica.
Desse modo, podemos dizer que Fatos Jurídicos relevantes são submetidos à atu-
ação dos Notariais e dos Registradores, como Certidões de Nascimento, Casamen-
to ou de Óbito e, ainda, a compra e a venda de imóveis ou de automóveis, sendo 
certo que tais serviços fornecem às partes, que de alguma forma estão envolvidas, 
o resguardo de seus direitos.
Por exemplo, um casamento deve seguir os preceitos descritos no atual Código 
Civil. Uma questão preliminar, com relação ao casamento, é que ele estabelece, 
propriamente dito, duas relações entre os nubentes, uma de caráter afetivo e outra 
de perspectiva econômica.
Com relação ao caráter afetivo, trata-se de uma relação ligada a um sentimento 
humano, mas, no tocante às relações econômicas, elas possuem grande relevância 
jurídica, pois estão voltadas a questões de interesse patrimonial.
A escolha de como o patrimônio dos cônjuges se comunica entre eles é um Fato 
Jurídico, relevante para o Direito, pois o que se decide não é somente a questão da 
gestão dos bens durante o casamento, mas também no findar dele, nas hipóteses 
de separação judicial, divórcio ou morte de um dos cônjuges.
Durante o casamento, podemos adotar como exemplo, o instituto da outorga 
uxória ou, como outros preferem chamar, da outorga marital.
Nela, alguns Atos ou Negócios Jurídicos, seguindo o impositivo legal, não po-
derão ser praticados por um dos cônjuges sem a anuência do outro, como, por 
exemplo, o descrito no Artigo 1647 do Código Civil:
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges 
pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta:
I – alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis;
[...]
Isto é, para alienar (vender) um bem de natureza imóvel, adquirido, por exemplo, 
durante a vida conjugal, será necessária a autorização de um cônjuge com relação 
ao outro.
8
9
Figura 1
Fonte: pixabay
Tal relação econômica é estabelecida com a confirmação do enlace, pela autori-
dade constituída pelo Estado para a realização do Casamento Civil, ou seja, o Juiz 
de Paz.
Será no Registro de Casamento que ficará descrito o Regime de Bens adotados 
pelo casal, podendo ser:
• Regime da separação parcial de bens: neste caso, comunicam-se entre os 
cônjuges os bens adquiridos na constância do casamento, mas não os anterio-
res a ele;
• Regime da comunhão universal de bens: aqui, todos os bens se comunicam, 
os anteriores e os adquiridos na constância do casamento;
• Regime da separação total de bens: aqui, fica definido que os bens que cada 
um possui ou adquire mesmo na constância do casamento não se comunica 
ao outro.
Essa relação fica reconhecida pelo Estado e por toda a Sociedade por intermé-
dio de uma Certidão, que irá comprovar, quando necessário o “estado civil” das 
pessoas e qual o regime de bens assumido em razão do casamento.
Como já exaustivamente tratado, vimos que, na conformidade do Artigo 236 
de nossa Constituição Federal de 1988, os Serviços Notariais e de Registros são 
exercidos por particulares (concursados), sob delegação do Poder Público.
Acompanha, junto com a delegação ao particular do exercício das Atividades 
Notariais e de Registro, a boa-fé, conferida ao Estado, que certifica a realização das 
atividades em estudo como cumpridoras dos exatos termos da Legislação pertinen-
te ao objeto tratado:
Selo de Autenticidade: http://bit.ly/2LkJqZr
Ex
pl
or
9
UNIDADE Emolumentos
O selo acima é um exemplo da natureza pública, por delegação, das Atividades 
Notariais e Registrais no Brasil, vez que ostenta em seu conteúdo o Tribunal que 
fiscaliza e acompanha as atividades desenvolvidas pelas Serventias.
Notadamente, o Supremo Tribunal Federal – STF tem jurisprudência reconhe-
cendo que, mesmo sendo a Atividade Notarial e Registral exercida por particular. 
Em razão da natureza de delegação, trata-se de um “serviço público”.
Tal reconhecimento está manifesto no julgamento da Ação Direta de Inconstitu-
cionalidade nº 2602/02 – MG.
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. PROVIMENTO N. 055/2001 DO CORREGEDOR-GERAL 
DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS. NOTÁRIOS E REGISTRADORES. REGIME JURÍDICO DOS 
SERVIDORES PÚBLICOS. INAPLICABILIDADE. EMENDA CONSTITUCIONAL N. 20/98. EXERCÍCIO DE 
ATIVIDADE EM CARÁTER PRIVADO POR DELEGAÇÃO DO PODER PÚBLICO . INAPLICABILIDADE DA 
APOSENTADORIA COMPULSÓRIA AOS SETENTA ANOS. INCONSTITUCIONALIDADE. [...] 2. Os serviços 
de registro públicos, cartorários e notoriais são exercidos em caráter privado por delegação do Poder 
Público – serviço público não-privativo. 3. Os notários e os registradores exercem atividade estatal, 
entretanto não são titulares de cargo público efetivo, tampouco ocupam cargo público. [...] 4. Ação 
direta de inconstitucionalidade julgada procedente. (STF – ADI 2002, Relator(a): Min. Joaquim Barbosa, 
Relator(a) p/ Acódão: Min.Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 24/11/2005).
Fonte: http://bit.ly/2Ztgusc
Se a atividade é de natureza jurídica de serviço público, mas desenvolvida por 
particular, como ele será remunerado mediante a contraprestação de seus serviços?
Devemos recordar que o particular recebe a delegação mediante aprovação 
em Concurso Público, podendo ter prepostos que o representem (escreventes), 
os quais mantêm com o agente delegado uma relação firmada em Contrato de 
Trabalho, ocorrendo a mesma coisa no que se refere aos demais funcionários 
da Serventia.
Além dessa relação com os funcionários, a sede, os equipamentos, ou seja, toda 
a estrutura da Serventia é de responsabilidade do Notarial ou Registrador que re-
cebe a delegação.
É evidente que os custos descritos devem ser ressarcidos ao agente delegado, a 
fim de garantir a efetiva continuidade dos Serviços Públicos a ele atribuídos.
A Lei nº 8935/94, em seu Artigo 28, trata da contraprestação recebida pelos 
Notariais e Registradores como relação ao serviço prestado:
Art. 28. Os notários e oficiais de registro gozam de independência no 
exercício de suas atribuições, têm direito à percepção dos emolumentos 
integrais pelos atos praticados na serventia e só perderão a delegação nas 
hipóteses previstas em lei.
Destarte, serão os denominados “emolumentos” a forma de retribuir os Notariais 
e Registradores em razão do serviço público que prestam:
10
11
Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter 
privado, por delegação do Poder Público. 
(...)
§ 2º Lei federal estabelecerá normas gerais para fixação de emolumentos 
relativos aos atos praticados pelos serviços notariais e de registro.
Em resumo, os emolumentos podem ser entendidos como sendo o pagamento 
frente às despesas que o agente delegado assume, quando da prestação do serviço 
público do qual é competente.
A Constituição, como visto, preconiza que os emolumentos terão seu regramento 
estabelecido por intermédio de Lei Federal específica.
No tocante à Lei Federal mencionada pela Constituição trata-se, atualmente, da 
Lei nº 10169, de 29 de dezembro de 2000.
Logo no Artigo 1º da mencionada Lei, veremos que ela delega aos Estados e ao 
Distrito Federal, obedecidos os termos descritos na norma em comento, os regra-
mentos sobre os emolumentos:
Art. 1º Os Estados e o Distrito Federal fixarão o valor dos emolumentos 
relativos aos atos praticados pelos respectivos serviços notariais e de re-
gistro, observadas as normas desta Lei.
Parágrafo único. O valor fixado para os emolumentos deverá corres-
ponder ao efetivo custo e à adequada e suficiente remuneração dos ser-
viços prestados.
Para fixação dos emolumentos, como forma remuneratória das Serventias Nota-
riais e Registrais, vamos destacar os requisitos a serem observados pelos Estados e 
pelo Distrito Federal ao estabelecerem os valores referentes a eles:
Art. 2º Para a fixação do valor dos emolumentos, a Lei dos Estados e 
do Distrito Federal levará em conta a natureza pública e o caráter social 
dos serviços notariais e de registro, atendidas ainda as seguintes regras:
I – os valores dos emolumentos constarão de tabelas e serão expressos 
em moeda corrente do País;
II – os atos comuns aos vários tipos de serviços notariais e de registro serão 
remunerados por emolumentos específicos, fixados para cada espécie de ato;
III – os atos específicos de cada serviço serão classificados em:
a) atos relativos a situações jurídicas, sem conteúdo financeiro, cujos emo-
lumentos atenderão às peculiaridades socioeconômicas de cada região;
b) atos relativos a situações jurídicas, com conteúdo financeiro, cujos 
emolumentos serão fixados mediante a observância de faixas que esta-
beleçam valores mínimos e máximos, nas quais enquadrar-se-á o valor 
constante do documento apresentado aos serviços notariais e de registro.
Preliminarmente, reconhecemos que a integralidade dos emolumentos arrecada-
dos pelos serviços prestados fica recolhida à disposição das Serventias que presta-
ram o respectivo Serviço Notarial ou de Registro. 
11
UNIDADE Emolumentos
Mas é essa a realidade com relação à retribuição dos serviços prestados pe lo 
delegante?
A resposta é “não”, pois as legislações estaduais ou do Distrito Federal distri-
buem os valores arrecadados a título de emolumentos de modo diverso.
Por exemplo, no estado de São Paulo, a norma estadual, Lei nº 11,331, de 26 de 
dezembro de 2002, trata, em parte de seu texto, da distribuição dos emolumentos 
arrecadados, concernentes aos atos de “Notas, de Registro de Imóveis, de Registro 
de Títulos e Documentos e Registro Civil das Pessoas Jurídicas e de Protesto de 
Títulos e Outros Documentos de Dívidas”.
Observe a Figura a seguir:
62,5% – Serventias da Notas e Registros
17,7% – Receita do Estado
13,15% – Carteira de
Precidência das
Serventias não
O�cializadas da
Justiça do Estado
3,2% –
Fundo...
3,2% –
Com...
62,5% – Serventias da Notas e Registros
17,7% – Receita do Estado
13,15% – Carteira de Precidência das
Serventias não O�cializadas da
Justiça do Estado
3,2% – Compensação dos atos gratuitos
do registro civil das pessoas naturais e
complementação da receita mínima
das serventias de�citárias
3,2% – Fundo Especial de Despesa do TJ
Figura 2 – Distribuição de Emolumentos Estado de São Paulo
Natureza Jurídica dos Emolumentos
O papel de uma natureza jurídica é o enquadramento de 
determinado Instituto Jurídico no ramo específico do Direito 
com o qual mantém relação e, ao mesmo tempo, absorve seus 
princípios e fundamentos.
Com relação à natureza jurídica dos emolumentos, muito 
embora o Supremo Tribunal Federal – STF já tenha jurispru-
dência reconhecendo a natureza tributária dos emolumentos, 
ainda existem interpretações jurisprudenciais e mesmo doutri-
nárias que divergem desse posicionamento.
Assim, cabe-nos avaliar os dois posicionamentos.
Inicialmente, vejamos uma jurisprudência do STF, que asse-
vera a natureza jurídica tributária aos “emolumentos”:
Figura 3
Fonte: pixabay
12
13
[...] A jurisprudência do STF firmou orientação no sentido de que as custas judiciais e os emolumentos 
concernentes aos serviços notariais e registrais possuem natureza tributária, qualificando-se como ta-
xas remuneratórias de serviços públicos, sujeitando-se, em consequência, quer no que concerne à sua 
instituição e majoração, quer no que se refere à sua exigibilidade, ao regime jurídico-constitucional 
pertinente a essa especial modalidade de tributo vinculado, notadamente aos princípios fundamentais 
que proclamam, dentre outras, as garantias essenciais (a) da reserva de competência impositiva, (b) 
da legalidade, (c) da isonomia e (d) da anterioridade [...]. (ADI 1378 MC, Relator(a): Min Celso de Mello, 
Tribunal Pleno, julgado em 30/11/1995).
Fonte: http://bit.ly/2Zvg18M
Como pode ser visto, o Relator Ministro Celso de Mello reconhece a natureza 
tributária dos emolumentos, atribuindo sua inserção na espécie tributária denomi-
nada “taxa”, na condição de prestação de um serviço público.
Entretanto, como já anunciado, existem divergências quanto a esse posicionamento.
Por exemplo, existem julgados que reconhecem que a natureza dos Serviços 
Notariais e Registrais não permite que sejam remunerados por intermédio de co-
brança de “taxa”, pois, em razão do exercício privado do Serviço Público, os emo-
lumentos teriam natureza jurídica de preço público.
No Acordão emitido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em recurso 
de apelação, no qual foi relator o Desembargador Nepomuceno Silva (Ação nº 
1.0701.04.064856-3/001), esse magistrado reconhece que a atividade desempe-
nhada pelas Serventias Notarias e Registrais são privadas, nas quais os Agentes 
Delegados exercem suas tarefas, com a perspectiva econômica de que a remune-
ração por seus serviços decorra dos emolumentos percebidos. Assim, o sucesso 
ou não no desempenho desses serviços correm por conta e risco dos notórios ou 
dos registradores.
Por fim, faz uma analogia em relação aos serviçosprestados pelas Serventias, 
em relação aos serviços públicos executados pelas concessionárias.
Sob o ponto de vista desses argumentos, em que os emolumentos percebidos 
têm por objeto remunerar o Notarial ou o Registrador, com o objetivo de cobrir as 
despesas e gerar lucro ao agente delegado, o melhor é considerar a atividade ser 
remunerada por “preço público” e não por “taxa”.
Por preço público podemos entender que este se trata de uma forma de remune-
ração ao Poder Público, em virtude de um bem ou serviço consumido diretamente 
por alguém.
Importante ressaltar que o preço público depende de adesão do usuário, não 
tendo caráter compulsório, mas sim contratual.
13
UNIDADE Emolumentos
Figura 4
Fonte: pixabay
Com relação ao que vem a ser o preço público, apreciemos a jurisprudência 
inserida na Revista Trimestral de Jurisprudência do STF1:
Preço público é o preço contratual, que constitui contraprestação de serviços de natureza comercial ou 
industrial – e que, por isso mesmo, podem ser objeto de concessão para particulares –, serviços esses 
prestados por meio de contrato de adesão. Para haver preço público é necessário existir contrato, ainda 
que tacitamente celebrado, e o contrato ainda que de adesão, dá a quem pretende celebrá-lo, se aderir 
às condições dele, a liberdade de não contratar, atendendo a sua necessidade por outro meio lícito. 
Quem não quiser tomar ônibus, e aderir, portanto, ao contrato de transporte, poderá ir, licitamente, 
por outros meios, ao lugar de destino. O que não tem sentido é pretender-se a existência de contrato 
quando o que deve aderir não tem sequer a liberdadede não contratar, porque, licitamente, não tem 
meio algum para obter o resultado de que necessita. (RTJ/STF nº 98).
Em outra decisão, em sede de Recurso de Agravo de Instrumento proferido pelo 
Desembargador Voltaire de Lima Moraes, determinou-se a penhora de emolumen-
tos, em face a um processo de execução, promovido em desfavor de uma Serventia:
Processo de Execução. Ausência de bens passíveis de constrição judicial. Penhora sobre faturamento 
de tabelionato. Possibilidade reconhecida. Ante a contratação de que não bens suficientes para sal-
dar a dívida judicialmente reclamada, e inexistindo vedação legal de que o faturamento de serventia 
extrajudicial, que se realiza os serviços notariais em caráter privado, possa ser objeto de penhora, é de 
ser admitida essa constrição, mas até o limite de 30% de sua receita, pois percentual maior poderia 
comprometer o seu fundamento e o adimplemento de obrigações trabalhistas com seus empregados e 
de encargos sociais. Agravo de instrumento parcialmente provido. (AGI nº 198101255, 11ª Câmara Cível, 
TARFS, Relator: Des. Voltaire de Lima Moraes, julgado em 19/08/1998).
Fonte: http://bit.ly/2LllNzP
1 Taxa e preço público. Caderno de Pesquisa Tributária, n. 10, São Paulo: Resenha Tributária, 1985, p. 174.
14
15
Mesmo existindo posicionamentos contrários ao do Supremo Tribunal Federal 
com relação à natureza jurídica de taxa dos emolumentos referentes aos Serviços 
Notariais e Registrais, é importante frisar que o que tem prevalecido é o reconhe-
cimento da natureza tributária deles.
Desse modo, iremos fundamentar essa posição, para termos um maior entendi-
mento do posicionamento dado pelo Supremo Tribunal Federal – STF.
Inicialmente, temos de reconhecer que os serviços prestados pelos Notariais e 
Registradores podem ser qualificados como serviços públicos, realizados de manei-
ra, específica e divisível, enquadrando-se no que preconiza a Constituição Federal 
no que concerne às denominadas taxas de serviço.
Mas o que é um serviço público?
Figura 5
Fonte: pixabay
O eminente administrativista Hely Lopes Meirelles, assim conceitua o que vem 
a ser um serviço púbico:
Serviço público é todo aquele prestado pela Administração ou por seus 
delegados, sob normas e controles estatais, para satisfazer necessidades 
essenciais ou secundárias da coletividade ou simples conveniência do Es-
tado. (MEIRELLES, 2003, p. 131)
Nas palavras de Meirelles, pode-se reconhecer que serviço público se trata de 
uma determinada atividade a ser prestada diretamente pelos Órgãos e pelas Institui-
ções Públicas, sejam eles, órgãos da Administração Pública direta ou indireta, bem 
como aqueles decorrentes de delegação, como a atividade prestada pelos notários 
e pelos registradores.
A doutrinadora Maria Helena Diniz, ao tratar dos serviços dos registradores, 
reconhece a natureza jurídica que qualifica os serviços por eles prestados:
15
UNIDADE Emolumentos
Portanto, serventuário ou servidor significa “o que serve num ofício ou 
cargo”. É a pessoa que, como o oficial de Registro de Imóvel, exerce 
uma função pública, tendo suas atribuições determinadas pelas normas 
especiais, por atender interesse público. O registro de imóveis, por ser 
obrigatório, transforma-se num serviço público e, pelo regime jurídico do 
Brasil, perfaz uma função de publicidade, pois, ante a mutação jurídico-
-real do bem de raiz, investe a propriedade ou o direito real na pessoa de 
seu titular, tornando o direito oponível erga omnes. O registrador, em seu 
cargo, terá a tarefa de atribuir autenticidade, segurança e eficácia aos atos 
e aos documentos que leva ao assento. (DINIZ, 2004, p. 594)
Fica, então, evidente que as Atividades Notarias e Registrais são serviços públicos.
Pode-se, ainda, reforçar essa condição ao reconhecermos que toda a atividade 
segue uma uniformidade determinada pelo Estado, que promove a escolha mediante 
Concurso Público dos que serão responsáveis pela prestação desses serviços.
Superada a discussão sobre a natureza jurídica das atividades, bem como a qua-
lidade dos emolumentos reconhecidos na condição de “taxas”, iremos nos ater na 
busca do que efetivamente são as tais taxas.
A atual Constituição Federal, em seu Artigo 145, identifica quais são as espécies 
tributárias existentes no país, muito embora tanto a doutrina como a jurisprudência 
sejam unânimes em entender que existem outras espécies tributárias, além das 
enumeradas no mencionado Artigo.
São consideradas espécies tributárias, por exemplo: empréstimos compulsórios, 
contribuições sociais de intervenção econômica e contribuições profissionais (Arti-
gos 147 e 148 da Constituição Federal).
Vamos conhecer, neste nosso estudo, somente as espécies descritas no mencio-
nado Artigo 145:
Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios pode-
rão instituir os seguintes tributos:
I – impostos;
II – taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, 
efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, presta-
dos ao contribuinte ou postos a sua disposição;
III – contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas.
Pela simples leitura do dispositivo constitucional, fica evidente que podemos en-
quadrar a Atividade Notarial e Registral na qualidade de taxas de serviços.
Tal enquadramento parte das seguintes premissas:
• Serviço público específico;
• Serviço público divisível;
• Serviços públicos prestados ao contribuinte.
16
17
Quanto à primeira característica, ou seja, relativa ao serviço público específico, 
podemos dizer que existem reconhecidamente duas espécies de serviços públicos 
relativos à forma de prestação.
O primeiro é denominado uit univesi, sendo este o prestado a um número 
indeterminado de pessoas, como ocorre, por exemplo, no serviço de iluminação 
pública, que não beneficia tão somente os moradores de determinado logradouro, 
mas, também, todas as pessoas que circulam naquela via.
A outra modalidade de prestação de serviço público, com relação aos beneficiá-
rios, são os denominados uti singuli. 
Vamos conhecer as palavras de Matheus Carvalho sobre o que vem a ser:
Serviços públicos uti singuli ou individuais são aqueles em que é possível 
mensurar quanto cada usuário usufruiu na sua prestação, ou seja, são 
serviços divisíveis. (CARVALHO, 2016, p. 670)
A próxima premissa é a divisibilidade e, quanto a ela,podemos dizer que se trata 
da capacidade do prestador do serviço estatal distinguir a pessoa que será benefi-
ciada em virtude dos serviços prestados.
É por intermédio da divisibilidade que será possível definir a base de cálculo e, 
na sequência, determinar o valor a ser remunerado o Ente Público, em razão do 
serviço prestado.
Vamos nos lembrar de que, nos termos da Lei nº 8935/94, os Serviços Notariais 
e Registrais são serviços desenvolvidos com técnica e organização, e objetivam dar 
aos usuários de tais serviços publicidade, autenticidade, segurança jurídica e eficácia 
jurídica, nos estritos termos do Artigo primeiro da Lei mencionada:
Art. 1º O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, 
observado o disposto nesta Lei, será exercido em todo o território nacio-
nal, de forma sistêmica, por órgãos federais, estaduais e distrital, com as 
seguintes finalidades:
I – dar garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos 
atos jurídicos das empresas mercantis, submetidos a registro na forma 
desta lei;
Em virtude da forma pela qual os emolumentos são exigidos, é evidente que se 
pode determinar o beneficiário deles, bem como é possível aferir o valor da obriga-
ção tributária, em razão dos serviços públicos prestados.
Outra questão que desperta a atenção é que os valores a serem auferidos pela 
arrecadação das taxas de prestação de Serviços Notariais e Registrais, ou seja, os 
emolumentos, não serão destinados diretamente aos cofres públicos, sendo que 
eles, em razão de determinação legal, terão o condão de remunerar o agente dele-
gado das despesas de manutenção do serviço público prestado, o que colabora em 
sedimentar de vez o entendimento de que os emolumentos são espécies de taxas 
de prestação de serviços públicos.
17
UNIDADE Emolumentos
Para encerrar o assunto, concluímos com o posicionamento do Supremo Tribu-
nal Federal, ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI 1444-PR, a qual 
teve como relator o Ministro Sidney Sanches:
DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CUSTAS E EMOLUMENTOS: SERVENTIAS JUDICIAIS E EXTRAJU-
DICIAIS. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE DA RESOLUÇÃO Nº 7, DE 30 DE JUNHO DE 1995, DO 
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ: ATO NORMATIVO. Já ao tempo da EC 1/69, o STF firmou 
entendimento no sentido de que “as custas e os emolumentos judiciais ou extrajudiciais”, por não se-
rem preços públicos, “mas, sim, taxas, não podem ter seus valores fixados por decreto, sujeitos que 
estão ao princípio constitucional da legalidade. Esse entendimento persiste, sob a vigência da Consti-
tuição de 1988. O art. 145 admite a cobrança de “taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou 
pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contri-
buinte ou postos a sua disposição”. Tal conceito abrange não só as custas judiciais, mas, também, as 
extrajudiciais (emolumentos), pois estas resultam, igualmente, de serviço público, ainda que prestado 
em caráter particular (art. 236). Mas sempre fixadas por lei. STF – ADI 1444-PR, Paraná, Relator: Min. 
Sidney Sanches, Tribunal Pleno, julgado em 12/02/2003).
Fonte: http://bit.ly/2Lmf5tA
18
19
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Leitura
Emolumentos cartorários
http://bit.ly/2ZuJorH
A incidência da gratuidade da justiça para os emolumentos: possibilidade e procedimento pelo Novo Código de 
Processo civil
http://bit.ly/2Zvr4ip
Constituição Federal de 1988
http://bit.ly/2LUKnti
Jurisprudência – STF: Serviços Notariais e Registrais – Emolumentos – Recolhimento
http://bit.ly/2ZsLqZm
19
UNIDADE Emolumentos
Referências
ALMEIDA JÚNIOR, J. M. de A. J. Órgãos da Fé Pública. 2.ed. São Paulo: 
 Saraiva, 1963.
AMARAL, S. do. Falsidade Documental. São Paulo: Editora Revista dos 
 Tribunais, 1989.
ARAUJO, L. A. D.; NUNES JÚNIOR, V. S. Curso de Direito Constitucional. 
9.ed. São Paulo: Saraiva, 2005
BASTOS, C. R. Curso de Direito Constitucional. 2.ed. São Paulo: Saraiva. 2001.
BRANDELLI, L. Teoria Geral do Direito Notarial. São Paulo: Saraiva, 2007.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 out. 1988. Bra-
sília: Senado Federal. Disponível em: .
BRASIL. Lei 10.169, de 29 de dezembro de 2000. Estabelecimento de normas 
gerais para a fixação de emolumentos relativos aos atos praticados pelos servi-
ços notariais e de registro. Disponível em: .
BRASIL. Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil. Disponível em: 
.
BRASIL. Lei 13.105, de 16 de março de 2015 –. Código de Processo Civil. 
Disponível em: .
BRASIL. Lei 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Dispõe sobre os registros públicos. 
Disponível em: .
BRASIL. Lei 8.935, de 18 de novembro de 1994. Regulamenta o art. 236 da 
Constituição Federal, dispondo sobre serviços notariais e de registro. Disponível 
em: .
CARVALHO, M. Manual de Direito Administrativo. 3.ed. Salvador: Juspodvim, 
2016. 
CENEVIVA, W. Lei dos Notários e Registradores comentada. 18.ed. São Paulo: 
Saraiva, 2008.
________. Lei dos Notários e Registradores comentada. 4.ed. São Paulo: Sarai-
va, 2002.
CRETELLA JÚNIOR, José. Curso de direito administrativo. 12.ed. Rio de Ja-
neiro: Forense, 2003.
DINIZ, M. H. Sistema de registro de imóveis. 5.ed. São Paulo: Saraiva, 2004.
JUSTEN FILHO, M. Curso de Direito Administrativo. 13.ed. São Paulo: Editora 
Revista dos Tribunais, 2018. (E-Book)
20
21
KELSEN, H. Teoria geral do direito e do Estado. 3.ed. Tradução de Luis Carlos 
Borges. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
LINS, C. M. de A. A Atividade Notarial e de Registro. São Paulo: Companhia 
Mundial de Publicações, 2009.
MARTINS, C. apud SANDER, T. A Atividade Notarial e sua Regulamentação. 
Disponível em: .
MEDAUAR, O. Direito Administrativo. 4.ed. São Paulo: Editora Revista dos Tri-
bunais 2016. (E-Book)
MEIRELLES, H. L. Direito Administrativo. São Paulo: RT, 2003.
PUGLIESE, R. J. Direito Notarial Brasileiro. São Paulo: LEUD, 1989.
REALE, M. Lições Preliminares de Direito. 24.ed. São Paulo: Saraiva. 1998.
SANTOS, M. S. Primeiras linhas de Direito Processual Civil. São Paulo: 
 Saraiva, 1987.
SILVA, De P. e. Vocabulário jurídico. 3.ed. Rio de Janeiro: Forense, 1991.
SILVA, J. A. da. Aplicabilidade das normas constitucionais. 6.ed. Malheiros: 
São Paulo, 2003.
________. Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo: Malheiros, 2013.
21

Mais conteúdos dessa disciplina