Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Sistema Notarial e Registral 
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Dr. Tercius Zychan de Moraes 
Revisão Textual:
 Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin
Questões Preliminares
• A História do Direito Notarial e Registral;
• O Direito Notarial e Registral no Brasil;
• A Natureza Jurídica das Atividades Notariais e Registrais;
• Atividades Notariais e Registrais;
• Presunção de Boa-Fé dos Atos Notariais e Registrais.
• Entender as origens das Atividades Notariais e Registrais ao longo da História;
• Conhecer como o Direito Notarial e Registral chegou ao Brasil, bem como as previsões 
legais para o exercício deste tão relevante Serviço Público;
• Entender quais são as atividades específi cas desenvolvidas com relação à Atividade Nota-
rial e Registral, bem como a boa-fé que deve contaminar os Atos jurídicos decorrentes da 
prestação desses Serviços Públicos.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO
Questões Preliminares
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos 
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e 
de aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE Questões Preliminares
A História do Direito Notarial e Registral
Antes de percorrermos os conhecimentos mais aprofundados e atuais a respeito 
das Atividades Notariais e Registrais, faremos uma breve contextualização delas, a 
partir do que as pesquisas indicam como nascedouro desse tipo de “serviço”.
Pesquisadores, ao tratarem sobre a origem histórica das Atividades Notariais e 
Registrais, dão conta de que foram os denominados “escribas” egípcios os primei-
ros percussores dos Atos notariais e de Registro.
Os escribas eram dotados de formação específica e tinham muito reconhecimen-
to por parte da Sociedade, merecendo destacar que esta atividade detinha caráter 
sucessório, ou seja, transmitia-se de pai para filho.
Cabe destacar que os registros históricos dão conta de que os “escribas” não 
eram dotados do que hoje requer a Atividade Notarial e Registral, ou seja, da no-
minada fé-pública.
Seus atos somente passavam a possuir essa qualificação a contar de uma “ho-
mologação” por outra autoridade, de condição superior à deles.
Assim, os registros passavam a serem dotados de reconhecimento coletivo e de 
autenticidade de seu conteúdo. 
Figura 1
Fonte: Pixabay
Em razão da dinâmica social que as Relações Negociais e a discussão sobre 
direitos vão assumindo surge a necessidade de serem criadas certificações, dando 
conta de que essas relações efetivamente ocorreram, com o fulcro de preservar os 
direitos das partes mediante consolidação das relações praticadas.
Cabe fazermos menção às palavras de José Roberto Pugliese a respeito des-
sa situação:
8
9
Sente-se que, desde as mais priscas eras, a sociedade já sentia a necessi-
dade para fixar e perpetuar os seus convênios e dessa necessidade foram 
surgindo os encarregados de redigir os contratos, ainda que com diver-
sidade de denominações e com limitação no exercício de suas funções. 
(PUGLIESE, 1989, p.24)
Na Grécia antiga, existia a figura dos mnemons, que exerciam uma função simi-
lar à dos escribas do Egito, que eram responsáveis por registrar e, inclusive, memo-
rizar os atos, principalmente, os contratos que redigiam. 
Junto a eles, tínhamos a figura dos hieromnemos, que eram responsáveis pelo 
arquivo e guarda dos registros.
A atividade de registro foi evoluindo ainda mais na Roma antiga. Naqueles tem-
pos, existia a figura do manufirmatio, que se tratava de um ato solene feito em 
público, que conferia aos documentos autenticidade e reconhecia os compromissos 
neles registrados.
A consumação do Ato se dava com a atitude formal de se passar a mão pelo 
documento, o que ocorria depois de sua leitura pelo notarius.
A ideia era que todos esses Atos fossem realizados em local público, para dar 
valor probatório aos tratos que se firmavam.
Uma questão relevante, nesse período, foi a possibilidade de o “cidadão”, dar 
“fé pública” a determinados Acordos, sendo que sua palavra poderia ser usada em 
caso de “lide”.
Vale destacar a condição de uma pessoa ostentar a qualidade de “cidadão” nesse 
período, o que carecia de uma série de condições pessoais a serem preenchidas, 
sendo a primeira delas ser um homem livre.
Com a expansão do território romano, absorvendo diversas culturas, além da 
concessão do título de “cidadão”, aos não originários de Roma, fez com que a 
credibilidade de “atesto” de certos Negócios jurídicos passassem a ser arriscados e 
inseguros no tocante à crença de boa-fé proclamada por um cidadão.
Surgem, nesse momento, novas figuras para registrarem “negócios jurídicos”, 
como: notarii, argentarii, tabularii e os tabeliones.
Os denominados notarii, embora não tivessem o desempenho de Atividade Pú-
blica, eram chamados para exercer a função de tomadores de nota, por intermédio 
de anotações de palavras abreviadas, que poderiam ser lidas por quem conhece 
essa forma escrita.
Outra figura que merece reconhecimento no desenvolvimento de uma atividade 
registral, ainda na Roma antiga, são os denominados argentarii, que intermediavam 
empréstimos de dinheiro para os particulares, os quais eram registrados em uma 
espécie de contrato de mútuo. Nesses contratos, eram empregados os nomes do cre-
dor e do devedor, além das condições quanto à satisfação das obrigações assumidas.
9
UNIDADE Questões Preliminares
Ainda no Estado romano, uma figura pública muito próxima em suas concep-
ções atuais de registros, eram os tabularii, que exerciam atividades de Contador 
Público, bem como deviam promover os registros de nascimentos, gerenciavam 
os censos para deliberar sobre os números da população, escrituravam registros e 
hipotecas e realizavam, também, inventários das coisas públicas.
Pode-se afirmar que as atividades dos tabularii são as antecessoras dos atuais 
registros civis e de imóveis.
A última figura a mencionar, na Roma antiga, são os tabeliones, que eram respon-
sáveis por realizar atos formais que produziam notoriedade aos Negócios jurídicos.
O aperfeiçoamento das Atividades Notariais e Registrais, ao longo do tempo, 
foram acompanhando o desenvolvimento da própria Sociedade, e da complexidade 
que as relações sociais vão assumindo, o que pode ser destacado, por exemplo, no 
século VI, pelos imperadores bizantinos, Justiniano I e Leão VI, que deram avanço 
àsatividades dos tabeliones, chegando a formar uma Corporação de Tabeliães, 
cuja direção foi entregue a um órgão colegiado denominado primicerius. 
Esse órgão ficou como responsável por designar novos tabeliones. Os novatos, 
para serem nomeados, deveriam possuir reputação ilibada e capacidade de se pro-
nunciar e de escrever os registros de sua responsabilidade.
Os tabeliones ou, como hoje denominamos, Tabeliães exerciam suas atividades 
em local público, conforme a designação conferida pelo primicerius.
Destaquemos algumas inovações tratadas nesse período, com relação às Ativi-
dades Notariais e Registrais, afetas especificamente aos Tabeliães, as quais foram 
implantadas, principalmente, pelo imperador Justiniano I, que são:
• Documentos produzidos pelos Tabeliães deveriam ser dotados de formalismos, 
sendo indispensável o registro da data e do local da lavratura do ato;
• Os Tabeliães deveriam possuir conhecimento jurídico, pois estavam registran-
do Relações Jurídicas;
• O conhecimento jurídico foi ressaltado, em razão de que os Tabeliães pode-
riam substituir magistrados, quando estes não se fizessem presentes em deter-
minada região do império.
Vejamos o que Cláudio Martins descreve a respeito das posições adotadas pelo 
imperador Justiniano I:
As principais disposições da legislação Justiniana, no âmbito notarial, 
consistiram na instituição do protocolo; na valorização do pacto pela in-
tervenção do notário; na obrigação quanto ao local em que o tabelião e 
seus auxiliares deveriam permanecer à disposição dos clientes; na dis-
ciplina rigorosa a que aquele e estes ficavam submetidos no exercício 
da profissão, inclusive quanto a substituições e na obrigação de redigir 
uma minuta do ato, perante testemunhas, dela extraindo cópia imediata. 
(MARTINS, 1974)
Fonte: http://bit.ly/2Qd4836
10
11
Em complemento e aperfeiçoando às disposições do Imperador Justiniano, o 
imperador Leão VI destaca a necessidade do conhecimento de questões jurídicas 
pelos Tabeliães, bem como que os mesmos fossem dotados de moral e conduta pro-
ba, além de possuir uma boa oratória e conhecimentos que inibissem a incidência 
de fraudes sobrevinda da influência de terceiros.
A Atividade Notarial passa a ter status de Ciência quando, no século XIII, a Uni-
versidade de Bolonha, na antiga região da Gália, hoje fazendo parte da Itália, criou 
um Curso especial para o desempenho da atividade notarial, com grande base em 
Matérias Jurídicas, o que para a maioria dos doutrinadores, é o momento de ori-
gem do Direito Notarial e Registral.
O Direito Notarial e Registral no Brasil
Ao tratar do marco inicial do Direito Notarial e Registral no Brasil, os historia-
dores e doutrinadores, de modo geral, apontam como episódio inaugural as cartas 
de Pero Vaz Caminha, intitulado “escrivão” da expedição de Pedro Alvarez Cabral, 
que, partindo de Portugal, descobre o Brasil no ano de 1500.
Para muitos, a “Carta de Caminha” é reconhecida como uma espécie de “Certi-
dão de Nascimento” das terras brasileiras.
Novas expedições portuguesas existiram, com o intuito de reconhecer a terra 
e verificar as suas riquezas, todas essas expedições eram também constituídas por 
emissários do rei de Portugal, com o objetivo de tratar, de forma detalhada, as des-
crições da terra, para a garantia de sua propriedade para o reino.
Com a colonização portuguesa do Brasil, as normas da metrópole eram em-
pregadas na colônia, sobretudo as denominadas “Ordenações Filipinas”, as quais 
continham, dentre outros dispositivos, preceitos referentes às Atividades Notariais 
e Registrais.
Essas instruções das Ordenações portuguesas, referentes à Ciência Notarial e Re-
gistral, foram, por muitos anos, mesmo após a Independência, aplicadas no Brasil.
Durante o período de colonização, a concessão da atividade de Tabelionato era 
de livre nomeação do rei de Portugal, mas, com o passar dos anos, a atividade e o 
título de “Tabelião” passam a ser de transmissão hereditária, inclusive, em algumas 
situações, permitia-se a “venda” do título.
A influência do Direito português e canônico influenciaram a legislação Notarial 
e Registral desde o período do Brasil Colônia.
Cabe fazermos uma observação sobre as qualificadoras daqueles que eram no-
meados para a Atividade Notarial e Registral no Brasil, durante a Colônia e mesmo 
após a independência, como relata Moacyr Amaral Santos:
11
UNIDADE Questões Preliminares
[...] serventuários públicos, investidos de fé pública, que têm por função 
precípua lavrar atos e contratos em livros de notas, conferindo-lhes auten-
ticidade, chamam-se também notários, denominação de origem canôni-
ca, usada por franceses e italianos. (SANTOS, 1987, p. 140)
Com a Constituição de 1967, mediante as alterações promovidas de maneira 
clara pela Emenda Constitucional n. 22, de 29 de junho de 1982, a atividade 
desenvolvida pela “Serventias Extrajudiciais”, como passaram a ser denominadas 
as Atividades Notariais e Registrais, sofreram algumas mudanças, como a obriga-
toriedade de seus serventuários, com exceção dos oriundos de período anterior a 
emenda n. 82, serem submetidos a Concurso Público.
Atualmente, a Constituição Federal de 1988 dedica um Artigo que pode ser 
visto como norma constitucional regulatória das Atividades Notariais e Registrais. 
Trata-se do Artigo 236:
Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter 
privado, por delegação do Poder Público. 
§ 1º Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e cri-
minal dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá 
a fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário.
§ 2º Lei federal estabelecerá normas gerais para fixação de emolumentos 
relativos aos atos praticados pelos serviços notariais e de registro. 
§ 3º O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso 
público de provas e títulos, não se permitindo que qualquer serventia 
fique vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remoção, por 
mais de seis meses. 
Atualmente, o Sistema Jurídico Notarial e Registral, em nível infraconstitucional, 
é regulado pela Lei n. 8.935, de 18 de novembro de 1994, conhecida como “Lei 
dos Serviços Notarias e de Registro”. 
Desse modo, além da Constituição Federal, a Atividade Notarial e Registral bus-
ca seus fundamentos também na Lei de Registros Públicos (Lei n. 6.015/73) e no 
Código Civil Brasileiro. 
O emprego dessas normas ocorre, principalmente, quando certas questões se 
encontram omissas na Norma de Registros Notariais e Registrais.
O desempenho da Atividade Notarial e Registral no Brasil possui caráter priva-
do, estando sob a responsabilidade de Agente delegado, após aprovação em Con-
curso de Natureza Pública, no qual o candidato é avaliado por intermédio de provas 
e títulos, na conformidade do Edital específico para o Concurso.
O Concurso Público, para o exercício da atividade, está previsto no § 3º do Arti-
go 236 da Constituição Federal, bem como é regulado pela Lei n. 8.935, de 18 de 
novembro de 1994, mais precisamente, a partir de seu Artigo 14:
12
13
Art. 14. A delegação para o exercício da atividade notarial e de registro 
depende dos seguintes requisitos:
I - habilitação em concurso público de provas e títulos;
II - nacionalidade brasileira;
III - capacidade civil;
IV - quitação com as obrigações eleitorais e militares;
V - diploma de bacharel em direito;
VI - verificação de conduta condigna para o exercício da profissão.
Embora o dispositivo de Lei trate, em seu Inciso V, da necessidade da qualifi-
cação de ser o candidato “Bacharel em Direito”, a própria Lei abre uma exceção 
descrita no § 2º do Artigo 15:
Art. 15. (...)
§ 2º Ao concurso público poderão concorrer candidatos não bacharéis 
em direito que tenham completado, até a data da primeira publicação do 
edital do concurso de provas e títulos, dez anos de exercício em serviço 
notarial ou de registro.
Como podemos denotar, além do conhecimento jurídicopara a disputa do Con-
curso, será prestigiado aquele profissional que adquiriu experiência e conhecimen-
tos por um período considerável, ou seja, dez anos.
Resumindo, podemos traçar as seguintes caraterísticas das Atividades Notariais 
e Registrais:
Serviços Notariais 
e de Registro
Fiscalização e Controle do 
Poder Delegante
Caráter
Privado
Atividades 
delegadas pelo 
poder público.
Ingresso na 
atividade depende 
de concurso público 
de provas e títulos.
A responsabilidade civil e 
criminal dos agentes delegados 
depende de concurso público de 
provas e títulos.
Lei federal estabelecerá normas 
gerais para �xação dos 
Emolumentos dos serviços 
notariais e de registros.
Figura 2
13
UNIDADE Questões Preliminares
A Natureza Jurídica das Atividades 
Notariais e Registrais 
O constituinte de 1988, ao tratar, no Artigo 236, das Atividades Notariais e 
Registrais no Brasil, deixou sedimentado que elas terão caráter privado e serão 
exercidas mediante delegação do Poder Público.
Antes de mais nada, devemos conhecer um conceito do que vem a ser uma Ati-
vidade Notarial e Registral no Brasil de hoje. 
Para tanto, podemos utilizar o que detalha a própria Lei n. 8.935/94, a respeito 
do desenvolvimento dessa atividade:
Art. 1º Serviços notariais e de registro são os de organização técnica e 
administrativa destinados a garantir a publicidade, autenticidade, segu-
rança e eficácia dos atos jurídicos.
A mesma previsão legal é encontrada no Artigo 1º da Lei n. 6.015, de 31 de 
dezembro de 1973, conhecida como a “Lei dos Registros Públicos”.
Examinemos o presente conceito, quanto às características ou aos elementos 
que o compõem:
• Publicidade: É dar a possibilidade de transparência e conhecimento dos atos 
praticados. A publicidade pode decorrer do acesso às Certidões, referentes aos 
Atos de Notas e Registros praticados;
• Autenticidade: É a condição de dar aos Atos jurídicos submetidos aos Serviços 
Notariais ou Registrais, a exata legitimidade, não podendo haver contestação, 
a princípio, dos dados neles inseridos;
• Segurança ou Segurança Jurídica: Liga-se ao fato de que a nota ou registro 
seguiram os ditames da Lei, estando por ela considerados perfeitos, o que so-
mente poderá ser alterado mediante prescrições, que se originem de uma nova 
Norma Legislativa;
• Eficácia: Demonstra que o Ato jurídico oriundo do registro está apto a pro-
duzir os efeitos jurídicos permitidos pelos preceitos legais a ele incorporados.
Conhecendo o conceito do que vem a ser uma Atividade Notarial e de Registro, 
bem como os elementos que a cercam, agora, podemos nos ater à natureza jurídica 
da atividade.
Com relação à natureza privada da atividade, ela decorre da imposição legal 
advinda do Caput do Artigo 236 de nossa Constituição:
Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter 
privado, por delegação do Poder Público (grifo nosso).
Isto é, o desempenho da Atividade Notarial e de Registro deverá ser realizada 
por um particular, mediante delegação estatal.
14
15
Quanto a essa parte da natureza jurídica, podemos dizer que ela é decorrente de 
estrita determinação legal.
A delegação desses serviços, decorre de ato formal praticado pelo Poder Públi-
co, obviamente, seguindo todos os preceitos de um Ato administrativo perfeito.
Em resumo, o particular por delegação recebe a responsabilidade de registrar, 
certificar a veracidade e a presença do respeito às Normas Jurídicas referentes aos 
Atos e Negócios jurídicos por eles registrados, os quais passam a integrar registros 
nos devidos “livros” por eles guardados.
O instituto da delegação trata-se de Ato administrativo, em que, mediante dispo-
sição legal, será possível transmitir a competência da prática de determinados atos 
a outrem.
Desse modo, a Constituição Federal, ao impor, no Artigo em apreço, que a Ati-
vidade Notarial e Registral será exercida por particular, mediante delegação.
A Norma Constitucional demonstra duas questões:
• Reconhece que a atividade é originariamente de competência do Poder Público;
• Que o particular, enquanto no exercício da atividade, representa o Poder Pú-
blico, podendo ser submetido a tratamento páreo em razão do exercício de 
sua atividade.
Marçal Justem Filho assim argumenta sobre a prática da “delegação”:
A natureza da competência poderá autorizar a delegação de seu exercício 
para outros sujeitos. Essa delegação dependerá de lei, ainda que possa 
ser autorizada de modo implícito. Assim se passa porque a atribuição de 
competência se faz por meio de lei - logo, somente a lei poderá autorizar 
a sua delegação. (JUSTEN FILHO, 2018, E-book, cap. 7)
Na sequência, o mesmo Artigo 236 da Constituição, estabelece que a atividade 
de fiscalização dos atos praticados pelo particular no exercício de suas atribuições, 
caberá ao Poder Público, sendo esta atividade, exercida pelo Poder Judiciário.
Essa atribuição do Poder Judiciário está firmada no Artigo 37 da Lei n. 8,935/94:
Art. 37. A fiscalização judiciária dos atos notariais e de registro, men-
cionados nos artes. 6º a 13, será exercida pelo juízo competente, assim 
definido na órbita estadual e do Distrito Federal, sempre que necessário, 
ou mediante representação de qualquer interessado, quando da inobser-
vância de obrigação legal por parte de notário ou de oficial de registro, 
ou de seus prepostos.
Além dos respectivos Tribunais de Justiça Estaduais a que estiverem vincula-
das as Serventias Notariais e Registrais, cabe, também, a fiscalização e o controle 
destas pelo Conselho Nacional de Justiça – CNJ, instituição integrante do Poder 
Judiciário, nos termos do Artigo 92 Inciso I-A de nossa Constituição:
15
UNIDADE Questões Preliminares
Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário:
(...)
I-A o Conselho Nacional de Justiça
Dentre as atribuições do CNJ, descritas em nossa Constituição, cabe a ele a 
competência de estabelecer atos regulamentares, bem como receber reclamações 
e avocar o poder disciplinar das “Serventias” e de Órgãos Notariais e Registrais:
Art. 103-B. O Conselho Nacional de Justiça compõe-se de 15 (quinze) mem-
bros com mandato de 2 (dois) anos, admitida 1 (uma) recondução, sendo: 
(...) 
§ 4º Compete ao Conselho o controle da atuação administrativa e finan-
ceira do Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos 
juízes, cabendo-lhe, além de outras atribuições que lhe forem conferidas 
pelo Estatuto da Magistratura: 
 I - zelar pela autonomia do Poder Judiciário e pelo cumprimento do Es-
tatuto da Magistratura, podendo expedir atos regulamentares, no âmbito 
de sua competência, ou recomendar providências; 
(...)
III - receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do 
Poder Judiciário, inclusive contra seus serviços auxiliares, serventias e 
órgãos prestadores de serviços notariais e de registro que atuem por de-
legação do poder público ou oficializados, sem prejuízo da competência 
disciplinar e correicional dos tribunais, podendo avocar processos disci-
plinares em curso e determinar a remoção, a disponibilidade ou a aposen-
tadoria com subsídios ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e 
aplicar outras sanções administrativas, assegurada ampla defesa; 
Atividades Notariais e Registrais 
Como visto, as Atividades Notariais e Registrais, nos termos do Artigo 236 de 
nossa Constituição, “[...] serão exercidas em caráter privado por delegação do Po-
der Público”, o que nos fez presumir, anteriormente, que estamos diante de uma ati-
vidade de caráter público, delegada a um particular, ou seja, as atividades desempe-
nhadas são de caráter público, podendo ser qualificadas como “Serviços Públicos”.
Mas o que são Serviços Públicos?
Busquemos um conceito a esse respeito nas palavras de Odete Medaur:
16
17
Em essência, serviço público significa prestações; são atividades que 
propiciam diretamente benefícios e bens, aos administrados, não se in-
cluindo aí as de preparação de infraestrutura (arquivo, arrecadação de 
tributos). (MEDAUAR,2016, E-book, cap. 14)
Diante dessas características, podemos afirmar que a Atividade Notarial e Regis-
tral corresponde ao pleno exercício prestacional de um “Serviço Público”, estando 
sujeito a todas às peculiaridades referentes aos atributos, princípios e responsabili-
dades dele.
Confirmam esse posicionamento as palavras de José Cretella Júnior:
Relembre-se que o serviço público tem esse caráter, não em si e por 
si, em essência – serviço público material – mas ’em razão de quem o 
fornece. ‘Se o Estado titulariza certo serviço – ensino, transporte, a ativi-
dade é, formalmente, serviço público. Os serviços notariais e de registro 
cabem, por sua relevância, ao Estado, mas os Poderes Públicos, por de-
legação, permitem que sejam exercidos em caráter privado. (CRETELLA 
JUNIOR, 1993, p. 4.611, v. IX)
A Lei n. 8.935/94, em seu Artigo 5º, enumera como são denominados os car-
gos a serem ocupados pelos particulares por delegação, para o exercício das Ativi-
dades Notariais e Registrais no Brasil:
Art. 5º Os titulares de serviços notariais e de registro são os:
I - tabeliães de notas;
II - tabeliães e oficiais de registro de contratos marítimos;
III - tabeliães de protesto de títulos;
IV - oficiais de registro de imóveis;
V - oficiais de registro de títulos e documentos e civis das pessoas jurídicas;
VI - oficiais de registro civis das pessoas naturais e de interdições e tutelas;
VII - oficiais de registro de distribuição.
Ainda nos termos da Lei n. 8.935/94, mais precisamente em seu Artigo 14, 
impõe a norma que, para ser possível a delegação desses serviços públicos, o par-
ticular deverá preencher certos requisitos de caráter subjetivo, que são:
Art. 14. A delegação para o exercício da atividade notarial e de registro 
depende dos seguintes requisitos:
I - habilitação em concurso público de provas e títulos;
II - nacionalidade brasileira;
17
UNIDADE Questões Preliminares
III - capacidade civil;
IV - quitação com as obrigações eleitorais e militares;
V - diploma de bacharel em direito;
VI - verificação de conduta condigna para o exercício da profissão.
Com relação ao requisito disposto no inciso V, vale lembrar que poderão partici-
par não Bacharéis em Direito, desde que comprovem ter exercido, pelo período de 
10 anos, atividades como Preposto em Serviço Notarial ou de Registro.
A indicação do particular para o exercício das Atividades Notariais e Registrais 
dependerá de aprovação em Concurso Público de Provas e Títulos, promovido pelo 
Poder Judiciário, com a participação na Banca Examinadora de um representante 
da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, do Ministério Público, de um notário e 
de um registrador.
Com relação ao preenchimento de vagas nas Serventias, ela dar-se-ão na con-
formidade do Artigo 16 da Lei n. 8.935/94, de maneira que dois terços das vagas 
serão preenchidas por aprovados no Concurso de Provas e Títulos e um terço me-
diante remoção após aprovação em Concurso de Títulos.
Importante destacar que a Lei prevê que nenhuma Serventia poderá ficar vaga 
sem a abertura de Concurso ou remoção, por período superior a seis meses.
Destarte, podemos dividir as Atividades em Notariais e Registrais, aproveitando 
do texto citado da Lei.
Podemos afirmar que as atividades “registrais” são as seguintes:
• Registro Civil de Pessoas Naturais;
• Registro Civil de Pessoas Jurídicas;
• Registro de Títulos e Documentos;
• Registro de Imóveis.
Essas Atividades Registrais serão de atribuição dos seguintes titulares:
• Oficiais de Registro de imóveis;
• Oficiais de Registro de Títulos e documentos e civis das Pessoas Jurídica;
• Oficiais de Registro Civis das Pessoas Naturais e de Interdições e Tutelas.
Com relação ao desempenho das Delegações Notariais, ele será exercido me-
diante o exercício das seguintes atividades:
• Notas;
• Protesto de títulos;
• Contratos maríttimos.
18
19
Presunção de Boa-Fé dos
Atos Notariais e Registrais
A expressão “fé”, etimologicamente deriva da expressão romana fides, po-
dendo ser interpretada como sendo o significado de fidelidade, crença, certeza de 
estar convicto.
Segundo a carta do Apóstolo Paulo aos Hebreus, Capítulo XI, versículo 1, a fé 
é tida:
Figura 3
Fonte: Pixabay
Pode-se afirmar que na relação da fé com a “verdade”, a primeira (fé), será deter-
minada pela segunda, ou seja, a verdade e fé não são circunstâncias antagônicas, 
sendo preceitos complementares, ao ponto de que a fé pode determinar a verdade 
e vice-versa.
De modo diverso, ocorre na relação entre “fé” e a “presunção”. Inicialmente, po-
demos até concluir, erroneamente, que tanto a fé como a presunção podem tornar 
como certo ou verdadeiro determinado fato, mas cabe fazermos uma diferença com 
relação a essa afirmativa, já que a presunção trata-se de uma probabilidade, ou seja, 
a possibilidade de que algo é verdadeiro; já com relação à fé, existe a plena certeza 
da verdade, sendo esta incontestável.
Agora que encontramos um sentido para a palavra “fé”, cabe-nos avaliar o que 
vem a ser a chamada “fé-pública”.
“Ora, a fé é o firme 
fundamento das coisas que 
se esperam, e a prova das 
coisas que se não veem.”
19
UNIDADE Questões Preliminares
Nas palavras de Sylvio Amaral:
“Os homens organizados em sociedade sentiram, com o andamento da 
civilização, a indeclinável necessidade de crer na veracidade do documento 
até prova em contrário (...).” “Essa crença universal é que se convencionou 
chamar, no campo do Direito, a fé pública dos documentos, expressão 
de dúplice sentido, para significar, sob o prisma objetivo, a aura de 
legitimidade que envolve os documentos, e, debaixo do ponto de vista 
subjetivo, a confiança apriorística da coletividade na sua veracidade.” 
(AMARAL, 1989, p.18)
Desse modo, podemos entender que a “fé-pública” referente aos Atos Notariais 
e Registrais pode ser compreendida tanto como uma convicção de autenticidade de 
maneira coletiva quanto pode ser encarada como uma realidade de concordância 
coletiva, sem contestação de sua veracidade e legitimidade, vez que os atos pratica-
dos emanam de uma autoridade confiável e competente para expedi-los.
Um exemplo de fé-pública pode ser visto no Artigo 215 de nosso atual Código 
Civil, que assim determina:
Art. 215. A escritura pública, lavrada em notas de Tabelião, é documento 
dotado de fé pública, fazendo prova plena.
20
21
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Leitura
O Futuro da Atividade Notarial e Registral diante da “Febre da Blockchain”
http://bit.ly/2QhkOq7
A Função Notarial na Realidade Jurídica Brasileira
http://bit.ly/2Qi2pte
Constituição Federal de 1988
http://bit.ly/2Qetyx8
A Responsabilidade Civil de Notários e Registradores sob a Égide da Lei 13.286/2016
http://bit.ly/2QciUHi
21
UNIDADE Questões Preliminares
Referências
AMARAL, S. Falsidade Documental. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1989.
ARAUJO, L. A. D.; NUNES JÚNIOR, V. S. Curso de Direito Constitucional. 
9.ed. São Paulo: Saraiva, 2005
BASTOS, C. R. Curso de Direito Constitucional. 2.ed. São Paulo: Saraiva. 2001.
BRASIL. Constituição da República Federativa do BRASIL, de 5 out. 1988. 
Senado Federal. Disponível em: .
BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Disponível em: 
.
BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Disponível 
em: .
BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Dispõe sobre os registros 
públicos. Disponível em: .
BRASIL. Lei n. 8.935, de 18 de novembro de 1994. Regulamenta o art. 236 da 
Constituição Federal, dispondo sobre serviços notariais e de registro. Disponível 
em: .
CRETELLA JÚNIOR, J. Comentários à Constituição de 1988. Rio de Janeiro: 
Forense Universitária,1993. v. IX.
JUSTEN FILHO. M. Curso de Direito Administrativo. 13.ed. São Paulo: Revista 
dos Tribunais, 2018 (E-Book).
KELSEN, H. Teoria geral do direito e do Estado. 3.ed. Tradução de Luis Carlos 
Borges. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
LINS, C. M. de A. A Atividade Notarial e de Registro. Companhia Mundial de 
Publicações, 2009. 
MARTINS, C. apud SANDER, T. A Atividade Notarial e sua Regulamentação. 
Disponível em .
MEDAUAR, O. Direito Administrativo. 4.ed. São Paulo: Editora Revista dos Tri-
bunais. 2016 (E-Book).
PUGLIESE, R. J. Direito Notarial Brasileiro. São Paulo: LEUD, 1989.
REALE, M. Lições Preliminares de Direito. 7.ed. São Paulo: Saraiva. 1980.
SANTOS, M. S. Primeiras linhas de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva, 1987
SILVA, D. P. e. Vocabulário Jurídico. 3.ed. Rio de Janeiro: Forense, 1991.
22
23
SILVA, J. A. da. Aplicabilidade das normas constitucionais. 6.ed. São Paulo: 
Malheiros, 2003.
SILVA, J. A. da. Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo: Malheiros, 2013.
23