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ECONOMIA E DESENVOLVIMENTO Prof. ME. VICTOR ANDREI DA SILVA Reitor Márcio Mesquita Serva Vice-reitora Profª. Regina Lúcia Ottaiano Losasso Serva Pró-Reitor Acadêmico Prof. José Roberto Marques de Castro Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Ação Comunitária Profª. Drª. Fernanda Mesquita Serva Pró-reitor Administrativo Marco Antonio Teixeira Direção do Núcleo de Educação a Distância Paulo Pardo Coordenadora Pedagógica do Curso Ana Lívia Cazane Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico B42 Design *Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal. Universidade de Marília Avenida Hygino Muzzy Filho, 1001 CEP 17.525–902- Marília-SP Imagens, ícones e capa: ©envato, ©pexels, ©pixabay, ©Twenty20 e ©wikimedia G915b Sobrenome, Nome autor Titulo Disciplina [livro eletrônico] / Nome completo autor. - Marília: Unimar, 2020. PDF (XXX p.) : il. color. ISBN XXX-XX-XXXXX-XX-X 1. palavra 2. palavra 3. palavra 4. palavra 5. palavra 6. palavra 7. palavra 8. palavra I. Título. CDD – 610.6952017 2 005 Aula 01: 012 Aula 02: 018 Aula 03: 022 Aula 04: 028 Aula 05: 036 Aula 06: 043 Aula 07: 051 Aula 08: 057 Aula 09: 063 Aula 10: 069 Aula 11: 074 Aula 12: 080 Aula 13: 086 Aula 14: 094 Aula 15: 100 Aula 16: Introdução aos estudos sobre Economia A Economia e os aspectos Históricos Conceitos Fundamentais em Economia O Pensamento Econômico Keynesiano Fundamentos da Teoria Econômica A Microeconomia Economia e a Política Macroeconômica Renda, Juros e Lucros O Produto Nacional Bruto A Inflação O Crescimento Econômico e Desenvolvimento As Políticas Fiscais As Políticas Monetárias Emprego, Salário e Mercado de Trabalho Monopólios e Oligopólios Relações Econômicas Internacionais 3 Introdução Ao ligar a televisão em seu telejornal favorito de manhã, ou acessar seu portal de notícias pelo smartphone, por exemplo, certamente alguma notícia sobre economia é uma das pautas a serem discutidas, pois a economia está presente na vida de todos. Não existe cidadão no mundo que não tenha tido sua vida impactada pelos fatores econômicos, pois ela está presente nas mais diversas áreas. A tecnologia, por exemplo, veio para nos auxiliar e facilitar nossas vidas, mas junto com ela, veio também o desemprego. Não há segmento na sociedade que seja imune aos seus efeitos, e desde a área pública até o segmento privado, compreender o que é a economia, seus efeitos e como ela age e impacta as mais diversas áreas é fundamental para o desenvolvimento de uma nação. Ao longo dos estudos desta disciplina, vamos apresentar aspectos importantes sobre os conceitos básicos da economia, aspectos sobre microeconomia e macroeconomia, política �scal e monetária, in�ação, desemprego, PIB, distribuição de renda e a atual situação econômica do Brasil. O objetivo é despertar em você um interesse mais profundo sobre os conceitos e os pressupostos teóricos que envolvem os estudos sobre a economia enquanto ciência e como objeto de estudo das mais diversas áreas. Nesse sentido, este material vai auxiliá-lo e conduzi-lo nesse processo de compreensão e entendimento sobre as conjunturas econômicas, e como os problemas históricos que afetam as sociedades até os nossos dias não são meros acasos. Buscaremos fazê-lo compreender de maneira estruturada e clara como os estudos que envolvem a economia enquanto ciência são muito importantes para o nosso conhecimento. Bons estudos! Prof. Me. Victor Andrei. 4 01 Introdução aos estudos sobre Economia 5 Introdução à Economia Com uma in�nidade de novos produtos sendo ofertados incansavelmente a consumidores, a grande busca por compra e venda tem aumentado a cada dia. Desde o comércio de rua, que logo pela manhã inicia suas atividades, até o �m da noite nos shoppings centers, compradores e vendedores "travam" uma batalha por melhores condições de pagamentos, preços e descontos por roupas, comidas, eletrônicos, viagens, acessórios, etc. (SOUZA, 2008). A diversidade de bens e serviços supre a necessidade de homens e mulheres de todas as classes sociais. É nessa visão que os estudos sobre economia fazem sentido. As ciências sociais procuram estudar o comportamento e como as pessoas agem e o que torna a economia diferente das outras ciências sociais. Para Wessels (2003, p. 2), “os modelos econômicos assumem que as pessoas racionais (com preferências bem-ordenadas), que desejam maximizar algo (tal como, os lucros e a satisfação) fazem o melhor que podem, dados os recursos escassos”. Na economia, os estudos são usados para entender as escolhas e preferências dos consumidores sobre que produtos comprar e como essas decisões afetam as empresas sobre que produtos produzir (SOUZA, 2008). Por isso, empresas e seus departamentos de marketing, desenvolvimento de produtos, pesquisas e desenvolvimento, por exemplo, detalham estudos para compreender a viabilidade �nanceira e produtiva ou não de determinados produtos. 6 A economia como ciência social De acordo com Rossetti (2000, p. 30), “as ciências sociais ocupam-se dos diferentes aspectos do comportamento humano e podem ser caracterizadas como ciências do comportamento ou, alternativamente, como ciências humanas”. A ciência política trata das relações entre a nação e o Estado, das formas como o governo conduz os negócios públicos e, ao direito, cabe-lhe estudar os costumes relativos às regras, valores, normas e costumes que somados regularão os direitos e obrigações individuais e sociais (WESSELS, 2003). A economia, assim como as demais áreas de estudos, “abrange apenas uma das frações existentes no campo dos estudos sociais e a ela compete os estudos das ações econômicas do homem, envolvendo o processo de produção, a geração e a apropriação da renda, o dispêndio e a acumulação” (ROSSETTI, 2000, p. 31). 7 Acesse o link: Disponível aqui Algumas considerações a respeito da integração entre o estudo sociológico e o conhecimento da História e da Ciência Econômica: considerando que são ciências a�ns, com pontos em comum e que uma pode ser fonte de subsídio da outra, busca-se apontar ao cientista social a importância de conhecer essas ciências. A economia não se isola em meio aos demais estudos. Ela está intimamente ligada com as demais áreas dos estudos sociais, assim, seus estudos não podem ter um olhar “à parte”, pois eles re�etem as demais circunstâncias das outras áreas de estudos, tornando mais relevantes as discussões e se aproximando dos demais contextos e estudos sociais. 8 http://www.periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/bauman/article/view/1573 Fonte: Pexels. Disponível aqui Segundo Rossetti, [...] o estudo da economia implica a abertura de suas fronteiras às demais áreas das ciências humanas. Esta abertura se dá em dupla direção, assumindo assim, caráter biunívoco. De um lado, porque a economia busca alicerçar seus princípios, conceitos e modelos teóricos não apenas na sua própria coerência, consistência e aderência à realidade, mas ainda nos desenvolvimentos dos demais campos do conhecimento social (Rossetti, 2000, p. 31). Nesse sentido, os questionamentos econômicos podem in�uir e ir a fundo em questões conceituais desses mesmos campos, abrindo-se a fronteira de estudos sobre �loso�a, ética, história, religiões, tecnologia e meio ambiente. Essas relações biunívocas da economia com as demais áreas do conhecimento podem ser explicitadas na �gura 1. 9 https://www.pexels.com/pt-br/foto/acoes-apolices-armario-de-roupa-boutique-374677/ Figura 1 – O caráter biunívoco das relações econômicas com outras áreas do conhecimento social. Fonte: Adaptado de Rossetti (2000, p. 32). A ocupação dos estudos econômicos A ação econômicacuste R$ 6.000,00 no ano-base e R$ 9.000,00 para o ano X, o índice de preços para o ano X é 150. Os preços aumentaram 50%. O índice de preços para o ano-base é sempre 100”. No Brasil, alguns órgãos especializados fazem essa aferição sobre os índices da in�ação. A FGV (Fundação Getúlio Vargas) calcula o IGP - Índice Geral de Preços. A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) calcula e mede o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), o IBGE calcula Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) (Vianna, 2003). 67 A Fundação Getúlio Vargas é uma das instituições de avaliação econômica do mundo. A FGV surgiu em 20 de dezembro de 1944. Seu objetivo inicial era preparar pessoal quali�cado para a administração pública e privada do País. De acordo com Wessels (2003, p. 68), “o Índice de Preços ao Produtor (IPP) que mede o custo de uma cesta produzida por uma �rma, principalmente do setor industrial, e o de�ator do PIB que mede o preço de todos os bens e serviços produzidos num país”, são mais dois importantes medidores. No Brasil, sobretudo, a partir dos anos 1980, a in�ação sempre foi um problema crônico e até o �nal da década de 1990, havia cinco planos econômicos para combatê- la e todos fracassaram porque tinha em comum o tabelamento (congelamento de preços) e a economia fechada. A partir do Plano Real, concebido em meados de abril de 1994, sem a ótica do tabelamento, os preços foram controlados em razão da abertura da economia que liberou as importações gerando mais concorrência, o sucesso de combate ao controle da in�ação, desde então, chegava aos 30% e conseguiu estagnar a in�ação abaixo dos dois dígitos. Mas o trabalho ainda é árduo e muitos desa�os precisam ser vencidos. 68 11 O Crescimento Econômico e Desenvolvimento 69 O Crescimento Econômico Para Mochón (2007, p. 284), o crescimento econômico, isto é, o aumento da produção de uma sociedade, “é a chave para elevação no nível de vida no longo prazo. É graças ao crescimento da população economicamente ativa, ao aumento no estoque de capital e aos avanços do conhecimento tecnológico, com o passar do tempo, que a economia consegue produzir cada vez mais". Esse crescimento permite que a maior parte da população desfrute de um nível de vida melhor e mais alto. Na segunda metade do século XX, a produção das economias que integram a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento) cresceu em média 3% ao ano (Rossetti, 2000). Sob esse olhar de crescimento, as análises das atividades econômicas, �utuações de curto prazo perdem força sobressaindo, assim, o crescimento econômico que é o aumento contínuo da produção agregada real com o passar do tempo. No curto prazo, a renda cresce diante das expansões na demanda agregada ou de deslocamentos para a direita e para cima da função agregada. Por sua vez, o crescimento no longo prazo deve-se a aumentos no estoque de capital, que era �xo, e a outros fatores, como o crescimento da população e os avanços tecnológicos (Mochón, 2007, p. 284). Nesse contexto, o estoque de capital em longo prazo depende do �uxo de investimentos no curto prazo. Para Mochón (2007, p. 284), "é justamente a análise da função de demanda de investimento que nos ajuda a entender a passagem de crescimento do curto prazo para o crescimento longo prazo". 70 Figura 2: Possibilidades de crescimento: o esquema oferta-demanda agregado desde o curto prazo até o longo prazo. Fonte: Mochón (2007). De acordo com Rossetti (2000, p. 413), "o crescimento feito no longo prazo é determinado pelos deslocamentos da oferta agregada, pelo incremento dos recursos naturais, do capital e do trabalho e pela e�ciência com que se utilizam tais recursos". Fonte: Mochón (2007, p. 287). A produção cresce no longo prazo porque a dotação e a qualidade dos fatores produtivos aumentam e porque a tecnologia avança. A teoria do crescimento procura explicar essa tendência crescente da economia e analisar suas características. 71 O Crescimento Econômico e sua medição Em geral, o crescimento econômico é calculado pela evolução do PIB, no longo prazo, já que este mede a produção de um país e, portanto, seu nível de atividade econômica. Para Mochón (2007, p. 286), "o PIB é um indicador macroeconômico de valor, ou seja, o resultado da multiplicação da quantidade de bens e serviços produzidos por respectivos preços, só teremos uma ideia apropriada do crescimento de uma economia se eliminarmos a in�uência dos preços sobre o PIB e analisarmos a evolução da produção real". O elemento que também precisa ser considerado nesse quesito é o aumento da população. Apenas se conhecermos a evolução do número de habitantes, poderemos saber se a renda per capita está aumentando ou não. Por essa razão, quando se estuda o crescimento econômico, costuma-se utilizar o índice PIB por habitante, ou PIB per capita. Para Mochón (2007, p. 286), "para estudar o crescimento da produção de um país no longo prazo, devemos tomar como base a função de produção agregada da economia e os fatores que o deslocam para cima". De acordo com Wessels (2003, p. 267), "esses fatores explicativos do crescimento da produção no longo prazo são conhecidos como fontes do crescimento econômico e podem ser vistos da seguinte forma". Aumento da disponibilidade e qualidade do trabalho; Aumento na cotação de capital físico; Avanço tecnológico. "O aumento da disponibilidade é qualidade do fator de trabalho como fonte de crescimento da produção no longo prazo, deve ser distinguida da seguinte forma: o número de trabalhadores disponíveis, o número de horas de trabalho e a quali�cação da mão de obra" (Mochón, 2007, p. 286). 72 O capital físico de um país é constituído por seu capital produtivo e sua infraestrutura. Capital produtivo são máquinas, equipamentos das instalações. A infraestrutura básica é um componente muito importante do capital físico, compõe-se de todos aqueles elementos relacionados ao transporte terrestre (estradas e ferrovias), marítimo (portos) ou aéreo (aeroportos). Para Mochón (2007, p. 287), "na infraestrutura básica também contempla as redes de fornecimento de energia, água, saneamento (esgotos), à infraestrutura de telecomunicações. Nesse sentido, as infraestruturas de educação e saúde também são consideradas parte do capital de um país". Por �m, o avanço tecnológico, como fonte de crescimento é como este avanço é empregado em uma nação. Avanço tecnológico - entende-se por tecnologia todos os conhecimentos de que o sistema produtivo de uma país dispõe para produzir, dados os recursos disponíveis de um país, a tecnologia determinará a quantidade máxima de produção que se pode obter com tais recursos. Quando falamos em tecnologia, falamos também em pesquisa e sua aplicação (Mochón, 2007). 73 12 As Políticas Fiscais 74 A Política Fiscal De acordo com Mendes (2004, p. 211), "após quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929, a política econômica dos governos seguia os ensinamentos da Economia Clássica Liberal, que estipulava a importância de deixar o mercado encontrar seu caminho, com o mínimo de intervenção possível no campo econômico". Sob a in�uência dos estudos do economista britânico John Maynard Keynes, vários países entenderam que os órgãos estatais poderiam exercer in�uência nos níveis de produtividade no âmbito macroeconômico, com o aumento ou redução de tributos, assim também como os gastos públicos (Mendes, 2004). Discussões sobre a dívida pública e a política �scal brasileira têm tomado conta das manchetes dos jornais e dos noticiários de televisão. Esse fato não é novo e tem histórico recente de pelo menos 40 anos. Mas por que essas discussões ainda tomam conta dos noticiários? A resposta é simples, os gastos só aumentam quando os impostos e arrecadação estiverem cada vez menores. De acordo com Mendes (2004, p. 199), "por política �scal entende-se a atuação do governo no que diz respeito à arrecadação de impostos (as chamadas receitas públicas) e aos gastos públicos”. No Brasil, a política�scal é costurada por meio de ações conjuntas entre a federação, o estado e os municípios. Cabem a estes poderes gerir suas despesas, entendendo e controlando os gastos. A política �scal trata o montante de recursos que o governo federal disponibilizará para os gastos diversos, como o pagamento dos funcionários públicos, despesas com previdência social, saúde, obras, projetos sociais, etc., bem como a forma de captação desses recursos. Quanto maior for o volume destinado a essas despesas, maior deverá ser o montante arrecadado para �nanciá-las (MONTORO, 2005, p. 54). A política �scal é uma forma de se conduzir uma política econômica. Cada país, mediante seu histórico econômico, adotou um modelo que melhor entendeu ser necessário. Hoje essa escolha se re�ete no sucesso ou insucesso diante do cenário de 75 competitividade global que existe em termos de mercados. Nesse contexto, a política �scal se concentra principalmente em dois componentes básicos que se referem ao orçamento público, aos gastos e à tributação. Fonte: Disponível aqui Minhas homenagens aos Estados Unidos, país mais socialista na política tributária existente no planeta. A composição da carga tributária dos Estados Unidos tem como base 82,57% de sua arrecadação incidindo sobre renda, lucro, ganho de capital, folha salarial e propriedade (classes privilegiadas da nação norte-americana) e apenas 17,43% incidindo sobre bens e serviços (arroz, feijão, remédios, transportes e educação). Com uma carga tributária total de apenas 26,4% do PIB em 2016. Sem dúvida, o país mais socialista do mundo. A composição da carga tributária média dos países da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE) tem como base 66,76% de sua arrecadação incidindo sobre renda, lucro, ganho de capital, folha salarial e propriedade (classes privilegiadas das nações analisadas) e apenas 33,24% incidindo sobre bens e serviços (arroz, feijão, remédios, transportes e educação). Com uma carga tributária média de 35,2% do PIB. Quanto aos tipos, a política �scal pode se apresentar de duas maneiras distintas e diferentes de objetivos, sendo a política �scal expansionista e a política �scal contracionista. De acordo com Lima e Sicsú (2003, p. 289), "a política �scal expansionista entende que por meio de investimentos para o país é importante estimular a economia pelo consumo, fazendo assim o PIB crescer”. “Indo na contramão, a política �scal contracionista culmina na adoção de uma maior tributação ou redução dos gastos públicos, de modo a frear o mercado aquecido e diminuir a demanda" (Lima e Sicsú, 2003, p. 289). 76 https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/opiniao/2018/07/637564-carga-tributaria-nos-estados-unidos.html Figura 2: Explicação visual das políticas expansionistas e contracionistas Fonte: O autor. Vale ressaltar que toda meta estabelecida por um governo referente à sua política �scal tem como foco assegurar que os números estabelecidos, como metas para a in�ação e o PIB, sejam batidos em um determinado período corrente (MENDES, 2004). Fonte: Disponível aqui E o Brasil? Qual será o nosso tipo de política �scal? Bem, como você já deve ter reparado o Banco Central tem se esforçado para manter a in�ação sob controle, o que é bastante difícil com a atual alta do dólar que faz o preço de todos os importados subir. No entanto, apesar de todo este esforço a in�ação continua subindo e grande parte disso deve-se à péssima gestão da política �scal feita pelo governo federal, que é uma política expansionista. Deste modo, é como se o Banco Central estivesse indo para um lado e o governo para o outro. O resultado desse descompasso, como podemos ver pelos dados de in�ação e crescimento, é péssimo. 77 https://www.bussoladoinvestidor.com.br/como-e-feita-a-politica-fiscal/ Figura 3: O �uxo circular de uma economia com governo Fonte: Wessels (2003, p. 147). O Efeito da tributação O governo adiciona gastos, mas retira dinheiro da economia por meio dos impostos que arrecada. Os gastos do governo são como investimento, e tem o mesmo efeito. Em um �uxo econômico circular de um governo, segue uma perspectiva. De acordo com Wessels (2003, p. 146), “iniciando no ponto U, as famílias ou consomem (C) ou poupam (S) sua renda disponível. A poupança vai para o sistema �nanceiro (exemplo, conta bancária) e voltam para a cadeia do dispêndio da forma como gasto de investimento no ponto V”. A ótica de investimento feito pela população, ou simplesmente poupar, é considerado gasto para o governo. Ainda para o autor (2003, p. 147), “no ponto W, adicionamos o gasto do governo (G). O dispêndio total (e o PIB) são iguais a C + 1 + G. As �rmas pagam, na forma de renda total, o PIB no ponto X”. O governo arrecada impostos (T) no ponto (Y) fazendo com que a renda disponível (RD) seja igual a PIB – T, como podemos observar na �gura abaixo: 78 Os gastos do governo compõem-se de despesas correntes e de investimentos. De acordo com Mendes (2004, p. 200), as despesas correntes estão incluídas em quatro itens que são: “o consumo do governo (pagamento de pessoal, energia elétrica e insumos), transferências (assistência e previdência social), juros (pagamento de justos da dívida interna e externa) e os subsídios (ajuda do governo para que os consumidores comprem, e �nanciamentos)”. Especi�camente no Brasil, há basicamente três grandes componentes dos gastos do governo, sendo os juros (dívidas interna e externa), as despesas com pessoal da união e o dé�cit da previdência (desequilíbrio nas contas que não fecham). Fonte: MENDES, Judas Tadeus Grassi, Economia: Fundamentos e Aplicações, Prentice Hall, São Paulo, 2004. Em 2002, os gastos do governo brasileiro com juros, pessoal e previdência consumiram 257,8 bilhões de reais. Em números arredondados, podemos dizer que o setor público brasileiro "gasta" com esses três fatores o equivalente a 1 bilhão de reais por dia útil. 79 13 As Políticas Monetárias 80 Demanda e oferta de moeda O grande economista do século passado John Maynard Keyne foi, sem dúvida, quem mais percebeu a importância da política monetária para o restante da economia, a começar pela correta explicação de como se forma a taxa de juros e qual é a sua in�uência sobre variáveis como o consumo, o investimento, a poupança, os preços dos bens e serviços, o mercado �nanceiro, em particular o monetário. A política monetária tem um papel muito importante na questão macroeconômica das nações. Ela é importante para estrutura econômica e �nanceira. De acordo com Mendes (2004, p. 218), "a política monetária diz respeito às intervenções governamentais sobre o mercado �nanceiro, seja atuando ativamente ao controlar a oferta da moeda ou atuando passivamente sobre as taxas de juros". A política monetária pode ser de�nida como o controle da oferta de moeda e taxa de juros, no sentido de que sejam atingidos os objetivos da política econômica global do governo. Alternativamente pode também ser de�nida como a atuação das autoridades monetárias, por meio de instrumentos de efeito direto ou induzido, como o propósito de controlar a liquidez do sistema econômico (LOPEZ, 2005, p. 253). Mendes (2004, p. 218) conceitua a "política monetária como o controle da oferta da moeda e das taxas de juros que garantem liquidez ideal de cada momento econômico". Moeda como um ativo com a qual as pessoas compram e vendem bens. Por isso ela é de�nida como meio de troca. Moedas metálicas, papel-moeda (como notas) e contas correntes servem todos como moeda. Troca sem moeda é escambo (Wassels, 2000). 81 Acesse o link: Disponível aqui Foi na China, no período Chou ( 1122-256 a.C.), que nasceram as moedas de bronze com formas variadas: peixe, chave ou faca (Tao), machado (Pu), concha e a mais famosa o (Bu), que tinha a forma de uma enxada. As formas das moedas vinham das mercadorias e objetos que possuíam valor de troca. Nessas peças encontravam-se gravados o nome da autoridade emitente e o seu valor. Segundo Lopez (2005, p. 253), “por mais acentuada que possa ser a tendênciamonetária da política econômica, esta interage com políticas que em geral estão sobre o controle de outros organismos governamentais”. Para Mendes (2004, p. 219), “no Brasil, a política monetária é realizada através das diretrizes do CMN que é o Conselho Monetário Nacional, sendo o órgão máximo de nosso sistema �nanceiro, baseado nessas informações; o Banco Central (BACEN) executa as políticas expansionistas ou contracionistas”. Em junho de 1996, com o objetivo de esclarecer as diretrizes de política monetária e de�nir a taxa de juros, foi constituído o COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil). A criação do COPOM foi criado para dar mais transparência e ritual adequado ao processo decisório da política monetária nacional (MENDES, 2004, p. 218). Como controle de moeda, entendem-se as condições de crédito (empréstimos). O governo pode intervir e aumentar ou reduzir a capacidade dos bancos de emprestar por meio do depósito compulsório (obrigar os bancos a recolherem maior ou menor volume de seus recursos no Banco Central). O aumento ou diminuição do dinheiro que circula na economia (por meio do volume de dinheiro que o governo emite). 82 https://monografias.brasilescola.uol.com.br/historia/a-historia-moeda.htm A moeda é o instrumento básico por que se possa operar no mercado, sem a qual o processo de troca seria extremamente limitado. A moeda é o ativo utilizado para realizar as transações porque é o que possui maior liquidez [...] convertendo assim em poder de compra, transformando-se em mercadorias. (Mendes, 2004, p. 218). Demanda da moeda Empresas e pessoas precisam de moedas por razões básicas como a necessidade de adquirir bens e serviços (transação), necessidade de atender a compromissos não previstos (precaução) e à oportunidade de aplicação. De acordo com Mendes (2004, p. 219), "a demanda por moedas é inversamente relacionada à taxa de juros. Pode-se chegar a essa relação se pensarmos na taxa de juros como o custo de oportunidade para reter moeda, ou seja, o que se perde pelo fato de guardar moeda". 83 Na realidade, a demanda por moeda depende tanto da renda dos consumidores como da taxa de juros nominal. Quanto maior for a renda, maior será a demanda de moeda. Com o aumento de renda, aumenta-se a demanda no consumo de bens e serviços, assim é necessário produzir mais moedas. A Oferta da moeda De acordo com Mendes (2004, p. 219), no que se refere à "oferta de moeda, podemos considerar, em princípio, que o governo controla a quantidade de moeda ofertada na economia, atuando assim, pelo lado da demanda como pela oferta. O Banco Central (Bacen) é o emissor da moeda nacional, sendo que uma de suas principais funções é regular a liquidez da economia". Na oferta da moeda, os bancos se tornam parceiros para a distribuição de "moedas". Os bancos também operam no âmbito da liberação de créditos, empréstimos e diversos outros serviços monetários. Fonte: Disponível aqui Em 2019, o lucro acumulado do Bradesco, Itaú Unibanco, Santander e Banco do Brasil, neste ano é de R$ 59,7 bilhões, o maior para o período pelo menos desde 2006. Os quatro bancos são os maiores do país com ações negociadas na Bolsa. O ano que chegou mais perto desse valor foi 2015, quando os bancos ganharam juntos R$ 57,7 bilhões. Em relação ao mesmo período do ano passado (R$ 52,1 bilhões), o lucro deste ano aumentou 14,6%. Os valores já estão corrigidos pela in�ação. No terceiro trimestre, o lucro líquido contábil dos quatro bancos foi de R$ 19,3 bilhões, um aumento de 10,3% em relação a igual trimestre de 2018. Já na comparação com o segundo trimestre de 2019 (R$ 20,5 bilhões), o ganho caiu 5,9%. 84 https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/11/07/lucro-dos-4-maiores-bancos-sobe-103-no-3-trimestre-para-r-193-bilhoes.htm Nos períodos de crescimento do PIB as economias crescem e, assim, aumentam a liquidez; já nos períodos de recessão ela decresce, obrigando o governo a realizar o controle da moeda buscando o equilíbrio entre esses diferentes cenários (Mendes, 2004). Essa ação pode ser chamada políticas expansionistas e contracionistas. De acordo com Mendes (2004, p. 220), “na política monetária expansionista, o Banco Central aumenta a oferta de moeda ao país e diminui as taxas de juros com o objetivo de crescer a economia e expandir o consumo”. A política expansionista tem como vantagem a expansão da economia, porém, a desvantagem de manter o país sujeito aos riscos do aumento da in�ação. “A política monetária contracionista é realizada quando acontece o inverso, ou seja, a diminuição do PIB e do consumo dentro de uma economia” (Mendes, 2004, p. 221). No Brasil, após a implantação do plano real como moeda, o governo brasileiro passou a controlar e ter políticas de in�ação, que até a primeira metade da década de 1990, era uma das mais altas do mundo. Até hoje, muitos cuidados são realizados sobre as políticas monetárias adotadas pelo Brasil a �m de evitar os números já vistos em outras épocas. 85 14 Emprego, Salário e Mercado de Trabalho 86 O Trabalhador e o Emprego Por que pessoas com as habilidades diferentes recebem salários diferentes? Por que médicos mais que professores? Até que ponto os sindicatos afetam os salários? Para obtermos as respostas, precisamos entender os mercados e suas variantes (Wessels, 2003). Quando falamos em trabalhadores e empregos, podemos adotar modelos de comparações para poder entender melhor como funciona as variáveis do trabalhador e do emprego. Segundo Wessels (2003, p. 401), “a hipótese ou modelo um é chamada de trabalhadores semelhantes, empregos semelhantes, onde todos os trabalhadores são igualmente quali�cados, todos os empregos são exatamente iguais e, em termos de ambiente de trabalho, benefícios, adicionais e outros”. Para complementar essa ideia vale ressaltar que existe a concorrência natural entre estes empregados (monopsônios) e entre os trabalhadores (não há sindicatos). Nesse cenário, os trabalhadores estão bem informados quanto às remunerações e têm facilidade de mudança de emprego, assim como quem emprega tem facilidade na contratação (Wessels, 2003). Neste cenário, haverá mudança conforme ocorre o progresso para uma situação mais real. De acordo com Wessels (2003, p. 401), “o resultado desse cenário será que o nível salarial será de�nido de modo que se consiga um equilíbrio de mercado e se todas as �rmas pagarem o mesmo salário”. 87 Figura 4: O efeito da oferta e demanda por mão de obra Fonte: Wessels (2003, p. 402). A consolidação das leis sobre o trabalho é datada por volta do ano de 1943 e foram promulgadas pelo presidente Getúlio Vargas. A criação dessas leis surgiu num período em que se fazia a necessidade de dar maior proteção aos trabalhadores, pois nesta época, havia certo desequilíbrio entre o capital e o trabalho (Arbache e De Negri, 2004). Essas leis também surgiram por conta das condições de trabalho e para intermediar as disputas trabalhistas. O Mercado de Trabalho O mercado de trabalho possui mecanismos e funcionamentos distintos, variando de país para país, economia para economia. Várias são as teorias que conceituam e explicam este funcionamento, assim, não podemos de�nir mercado de trabalho como um conceito simples e único. 88 A compra e venda de mão de obra, representando o lócus onde trabalhadores e empresários se confrontam e, dentro de um processo de negociações coletivas que ocorre algumas vezes com a interferência do Estado, determinam conjuntamente os níveis de salários, o nível de emprego, as condições de trabalho e os demais aspectos relativos às relações entre capital e trabalho (CHAHAD, 1998, p. 403). Sob a ótica da economia, o mercado de trabalho é onde se encontram a oferta e a demanda de empregos. É onde também estão as �rmas e empresários. Juntos, esses fatores condicionam a dinâmica de movimentação que o mercado de trabalho precisa, constituindo-se, assim, de variáveis importantes como salários, empregos, desemprego, rotatividade e produtividade. São esses fatores que classi�cama força de trabalho de uma sociedade. Para Blanchard (2007, p. 106), "a força de trabalho pode ser de�nida como a soma dos que estão trabalhando, também conhecida como população economicamente ativa". 89 Fonte: Disponível aqui Não há um método consolidado em todo o mundo para de�nir aqueles que fazem parte da PEA. Por exemplo, nos países subdesenvolvidos, o índice inclui os indivíduos que possuem entre 10 e 60 anos, já nos países desenvolvidos geralmente considera-se apenas aquele que possui mais de 15 anos de idade. Assim, a parte da população que está desempregada e que não busca empregos, como crianças menores que 10 anos, estudantes que não trabalham, donas de casa que exercem apenas funções domésticas não remuneradas, entre outros, é incluída naquilo que se denomina por População Economicamente Inativa. No Brasil, de acordo com Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística (IBGE), a PEA brasileira compreende 63,05% da população, apesar de esse número não considerar aqueles que não trabalham com contrato formal ou carteira assinada. Ainda, segundo o IBGE, do total da população ativa no Brasil, pouco mais de 20% encontram-se no setor primário, 21%, no setor secundário; e 59%, no setor terciário. No Brasil, sobretudo para Chahad (1998, p. 404), “a compreensão de aspectos pertinentes ao mercado de trabalho é importante na medida em que se relacionam com outros aspectos relevantes, como crescimento populacional, necessidade de absorção de mão de obra, migrações e pobreza”. A classi�cação da mão de obra no mercado brasileiro em que se enquadra a população é baseada em dados que seguem diagnósticos feitos por órgãos importantes, como, por exemplo, o Ministério do Trabalho (MTB), a Fundação Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística (FIBGE), a PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios) e a PME (Pesquisa Mensal de Emprego). 90 https://brasilescola.uol.com.br/geografia/populacao-economicamente-ativa-pea.htm%E2%80%8D Para Chahad (1998, p. 406), as forças de trabalho podem ser classi�cadas por: População em idade ativa (PIA), População economicamente ativa (PEA), População não economicamente ativa (PNEA), Pessoas ocupadas (PO) e Pessoas desocupadas (PD). Cada um desses indicadores possui características próprias de classi�cações para realizarem suas aferições e medições. São por essas características que se compreende o mercado de trabalho, bem como a força de trabalho se comporta, possibilitando, assim, um melhor entendimento sobre essa dinâmica tão importante que são os contrastes econômicos de uma população (Chahad, 1998). Emprego e Salários A situação do mercado de trabalho tem um grande impacto sobre a nossa renda e nossa vida. Ficamos preocupados quando os empregos são difíceis de encontrar e mais tranquilos quando são abundantes. Buscamos por bons empregos, o que signi�ca que queremos um emprego que remunere melhor e nos proponha crescimento (PARKIN, 2009). O alto nível de pessoas empregadas e a oferta de vagas a serem preenchidas, são sinais de uma economia estável e, assim, contribui para o crescimento do PIB. Uma das formas para medir a questão da oferta de empregos é chamada de coe�ciente de emprego. Para Parkin (2009, p. 502), "o coe�ciente de emprego é o número de pessoas na idade ativa que estão empregadas é um indicador tanto da disponibilidade de empregos quanto do nível que corresponde entre as habilidades das pessoas e os empregos, o coe�ciente de emprego é a porcentagem de pessoas em idade ativa da que estão empregadas". 91 Acesse o link: Disponível aqui Em 2019, a taxa média de desemprego caiu para 11,9% em 2019. O percentual é inferior ao registrado em 2018, que foi 12,3%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua (Pnad-C), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística (IBGE). Essa relação precisa ser considerada e monitorada o tempo todo por governos e ministérios econômicos de todos os países. Ela é apenas um entre vários indicadores que re�etem a saúde de uma economia e permite a gestores, tomar medidas. Esses três indicadores de mercado de trabalho que acabamos de exempli�car são parâmetros úteis da saúde de economia e medem diretamente o que interessa à maioria das pessoas: os empregos. No entanto, esses indicadores não informam a quantidade de trabalho utilizada para produzir o PIB real, e não se pode utilizá-las para calcular a produtividade do trabalho. Esta é signi�cativa por in�uenciar os salários ganhos pelas pessoas (PARKIN, 2009, p. 502). O número de pessoas empregadas não mede a quantidade empregada de trabalho e pode ser explicada da seguinte forma: os empregos não são todos iguais. Salários Parkin (2009, p. 504) a�rma que o salário real "é a quantidade de bens e serviços que uma hora de trabalho pode comprar. Ele é igual ao salário monetário (unidades monetárias por hora) dividido pelo nível de preços. O salário real é uma variação econômica signi�cativa por medir a remuneração de trabalho". 92 https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2020-01/taxa-de-desemprego-no-pais-fecha-2019-em-119 O salário é parte da remuneração de uma pessoa. Para Martins (2008, p. 205), é “o valor econômico pago diretamente pelo empregador ao empregado em razão da prestação de serviços do último, destinando-se a satisfazer suas necessidades pessoais e familiares" (MARTINS, 2008, p. 205). Na Legislação brasileira, as terminologias “remuneração” e “salário” são tratadas na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) no artigo 457. “Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber” (CLT, 2009, art. 457). O salário é uma forma economicamente de remuneração e sua aplicação tem relação direta com a economia, pois impacta diretamente nas taxas de emprego e também de desemprego. Na busca por melhores remunerações, crescimento e outros fatores, pessoas procuram nossos trabalhos o tempo todo. Essa mudança ocorre, porque a remuneração ou salário é uma forma de classi�car empregados com potenciais diferentes e atende basicamente às demandas de mercado de trabalho. A economia vive em constante mudança e transformação, assim, a oferta e demanda de emprego também. Como estamos num mundo capitalista, o fator consumo é um in�uenciador nesse sentido. Trabalhadores almejam buscar ofertas, produtos e serviços, bens materiais, tecnologia, educação e qualidade de vida para seus familiares, fazendo assim, a roda da economia girar. Esses são apenas alguns motivos pelos quais, pro�ssionais liberais, autônomos, empregados, prestadores de serviços e diversos outros pro�ssionais buscam melhores trabalhadores e, consequentemente, melhores salários. Fonte: Pexels 93 15 Monopólios e Oligopólios 94 O Monopólio Todas as vezes que vamos a um supermercado, padaria ou uma farmácia para comprarmos produtos básicos de extrema necessidade para o nosso dia a dia, um dos fatores que mais levamos em conta é a diversidade na oferta de produtos e preços que encontramos. A oferta é o que leva à diversidade de itens e à diversidade em melhores preços. Imagine se existisse uma única marca de produto ou empresa fabricante deste produto. Vamos imaginar se existisse apenas uma marca de leite em caixinha? Seria possível encontrar esse produto com variação de preço? Essa prática é chamada de monopólio e é vista em várias economias de todo o mundo. De acordo com Wessels (2003, p. 316), “uma �rma é um monopólio (às vezes monopólio puro) quando ela é a única que vende um determinado produto, não tem concorrentes atuais ou potenciais e seu produto não tem substitutos próximos”. Ao contrário dos consumidores de uma �rma perfeitamente competitiva, os consumidores de uma empresa monopolista não têm alternativas de escolha. De acordo com Mendes (2004, p. 139), “o monopólio é o oposto da competição pura. Em vez de um grande número de pequenas �rmas, há apenas uma grande �rma. As principais característicasdo monopólio são”: Uma só empresa; Não há produtos substitutos; Não há concorrentes; A empresa tem considerável controle de preço; É praticamente impossível a entrada de outra empresa no mercado. A curva de demanda do mercado e a curva de demanda da �rma, em situação de monopólio, é uma só. Enquanto uma �rma, em um mercado competitivo, pode vender toda a sua produção pelo mesmo preço, o monopólio pode aumentar as vendas se reduzir o preço de seu produto (MENDES, 2004). Assim, a receita marginal ou monopolista e a demanda são duas curvas diferentes, e são as causas principais de alocação ine�ciente de recursos nesse tipo de mercado. 95 Acesse o link: Disponível aqui No �nal do século 19 e início do século 20, uma época de extrema inovação tecnológica, com a adoção da luz elétrica, dos carros a gasolina, dos aviões, do telefone e outras invenções que transformaram o mundo, algumas empresas se tornaram tão poderosas que, para conter sua capacidade de controlar o mercado, o Congresso americano instituiu uma série de leis antitruste. Foi assim que o império de John D. Rockefeller começou a ruir. “Um agente formador de preço é qualquer comprador ou vendedor que in�uencia o preço de mercado. Quando o vendedor é um determinador de preço, pode baixar o preço de mercado se vender mais” (WESSELS, 2003, p. 317). Por outro lado, uma �rma diferente perfeitamente competitiva é tomadora de preço (toma preço como sendo preço dado), uma vez que pode vender o quanto quiser sem causar com isso uma diminuição do preço de mercado. Monopólio é um dos vários tipos de formadores de preços. De acordo com Wessels (2003, p. 318), “os monopólios e outros tipos de formadores de preços existem em virtude das barreiras de entrada no mercado das vantagens de custos”. As barreiras à entrada no mercado mantêm afastados os potenciais concorrentes, de modo que o monopólio pode ter lucros no longo prazo sem preocupar com a entrada de novos concorrentes. Conforme o mesmo autor (2003, p. 318), as principais barreiras são: Restrições legais: governo limita a entrada de várias indústrias (tais como telefonia e eletricidade), e pro�ssões (pela exigência de licenças para atuação de médicos e dentistas); Patentes: O governo levanta barreiras para proteger os inventores e artistas durante certo número de anos, fornecendo patentes e copyrights. Isso proíbe a cópia de ideias. 96 https://exame.abril.com.br/economia/os-monopolios-da-era-digital/ Controle de recursos estratégicos: a propriedade de um recurso estratégico necessário para a fabricação de um produto evita que os concorrentes entrem no mercado. O governo também pode fazer o controle econômico do monopólio. Para Mendes (2004, p. 140), "esse controle pode ser realizado pelo controle de preço (que o monopolista produza no ponto em que o custo marginal seja igual ao valor marginal para consumidores) e por políticas de taxação (redução do lucro do monopolista)". Fonte: Disponível aqui Você sabe o que é monopólio legal? Monopólio legal é a exclusividade de exploração de atividade econômica estabelecida pelo Poder Público para si ou para terceiros, por meio de edição de atos normativos. Como exemplo histórico, serve de exemplo histórico a Lei n.º 6.538, de 1978, que instituiu o monopólio das atividades de serviços postais em favor da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT. Há monopólio legal quando o Poder Público subtrai dos particulares certas atividades econômicas, com o �m de mantê-las sob controle e exploração do Estado, por razões de ordem pública (absorção). A atual Carta Política, por considerar princípio lógico a liberdade de iniciativa, veda, expressamente, ao Estado, por razões lógicas, a assunção exclusiva de qualquer atividade econômica. Em outras palavras, seja por via executiva, legislativa ou judiciária, é defeso ao Estado afastar a iniciativa dos particulares de qualquer atividade econômica, salvo nos casos excepcionados no próprio texto constitucional. Dentro do âmbito do monopólio, é possível existir a concorrência, assim como ocorre no mercado comum (muitas �rmas, fácil entrada e saída e informações). Isso é possível quando cada vendedor tentar distinguir seu produto, fazendo diferenciação 97 http://genjuridico.com.br/2016/07/19/a-questao-do-monopolio-na-constituicao-da-republica-federativa-do-brasil-e-o-setor-postal/%E2%80%8D por meio de propagandas, serviços, localização, etc. A diferenciação fará as demandas entre os monopolistas serem diferentes. O Oligopólio Para Mendes (2004, p. 137), "o grande desa�o da teoria dos oligopólios é estimar com razoável aproximação, as reações das empresas concorrentes quando outra empresa toma as suas decisões”. Quando ações de uma �rma produzem, de fato, reações por parte dos concorrentes, a situação é de oligopólio, cujas principais características são: Pequeno número de empresas; Interdependência entre �rmas; Consideráveis obstáculos à entrada; Produto, em geral, diferenciado (mas não necessariamente); Concorrência extra preço (mediante: diferenciação do produto, propagandas, serviços especiais). Em um oligopólio há poucas �rmas, e as novas �rmas, sejam elas pequenas ou médias, precisam enfrentar barreiras para entrar no mercado. Isso acontece porque, normalmente, as empresas existentes têm grande economia de escala e podem, se necessário, tirar as novas �rmas do mercado por meio de uma guerra de prestação de serviços (WESSELS, 2003). Fonte: Wessels, 2003, p. 342). É válido diferenciar as terminologias monopólio, oligopólio e cartel. O cartel tem acordo explícito e às vezes até formal (e legal) de centralizar a determinação de preços e de produção. Apesar de ilegal, existem no Brasil, na Europa, os cartéis são legais. Um cartel é como um oligopólio onde há algumas poucas �rmas em uma indústria com altas barreiras à entrada. A Opep é, naturalmente, o exemplo mais famoso de cartel. 98 Os exemplos de indústrias oligopolistas, no Brasil e no mundo são muitas. Os segmentos são variados como: automóveis, siderurgia, petróleo, automóveis, eletrodomésticos, equipamentos elétricos, entre outros. Em cada uma dessas indústrias, a produção representa uma grande parcela da produção total. A diferenciação, assim como também ocorre no monopólio, é o principal meio de competição entre esses players de mercado oligopolizado, e tanto pode ser perceptível no produto como pode ser conseguida pela propaganda maciça. Se observarmos as montadoras de veículos, poderemos notar a existência desse tipo de diferenciação. É importante ressaltar que nos países existem órgãos que combatem e protegem o desenvolvimento econômico. No Brasil, o órgão responsável para coibir abusos de poder econômico é o CADE (Conselho Administrativo de Desenvolvimento Econômico). O surgimento de uma primeira legislação concorrencial no Brasil remonta a 1945, mas foi em 1962, a partir da edição da Lei 4.137, que o país ganhou um órgão responsável por zelar pela defesa da concorrência, o CADE. Em mercados de competitividade, a busca pela concentração econômica é o padrão de comportamento natural em grande parte das estratégias empresariais. 99 16 Relações Econômicas Internacionais 100 As Relações Econômicas Internacionais As relações econômicas entre nações remontam a datas e períodos antigos. Hoje, vivemos o cenário da globalização econômica em que o efeito de uma situação pode impactar diversos países em questão de dias, semanas ou meses. Os �uxos agregados das relações econômicas internacionais, reais e �nanceiros têm assumido crescente importância em séries históricas de longo prazo, relativamente aos �uxos agregados das atividades internas de produção, de geração de renda e de dispêndio. De acordo com Wessels (2000, p. 838), nos últimos 500 anos, desde a revolução comercial do século XVI, década após década, excetuando-se os períodos de guerras, “os pesos dos �uxos econômicos internacionais sofreram descontinuidades, a tendência histórica tem sido o aumento relativo do grau de inserções no sistema mundial como umtodo”. Para o autor, eles são “os graus crescentes de especialização, que ampliam a teia do sistema mundial de trocas reais e �nanceiras, a busca incessante por economias de escala mais e�cientes e competitivas e a maior diversidade de pauta mundial de produção” (ROSSETTI, 2000, p. 838). Nesse sentido, entende-se que as relações internacionais econômicas estão alicerçadas na demarcação de território comercial através de alianças comerciais, através do aspecto cambial e monetário e o processo natural de globalização de negócios. No Brasil, as relações econômicas internacionais considerada de sucesso, tem cerca de 40 anos, ou seja, é recente em se tratando de economia internacional. A abertura do mercado brasileiro para o mercado internacional é recente. As trocas Internacionais e seus fatores As redes internacionais de intercâmbio econômico estabelecem-se a partir de duas grandes categorias de fatores determinantes: as diferenças na dotação de recursos naturais e a assimetria na con�guração de atributos nacionais construídos. 101 Para Rossetti (2000, p. 839), “as diferenças na adoção de recursos naturais envolvem a área territorial (dimensões e características), a diversidade do fator terra e as ocorrências localizadas”. Este contexto pode ser exempli�cado da seguinte forma: a área territorial de certos países impediria que eles vivessem e até se desenvolvessem economicamente. Se imaginarmos países pequenos como a Macedônia, por exemplo, não que a Macedônia necessite comprar café ou açúcar do Brasil, mas em algum momento, estes países se já não possuem, precisarão de algum tipo de relação comercial para a compra e venda de produtos, serviços, insumos. Acesse o link: Disponível aqui O Brasil, potência mundial na produção de alimentos, é dependente de nove países para manter seu solo fértil. O país onde tudo que se planta nasce precisa de fertilizantes à base de cloreto de potássio para se manter no topo do ranking mundial de produtividade agrícola. Com quase 80% da matéria- prima dos fertilizantes importada, o Brasil deverá bater recorde no consumo dos três principais macronutrientes para as plantas: nitrogênio, fósforo e potássio. As vendas da conhecida fórmula NPK deverão alcançar a marca histórica de 36,2 milhões de toneladas em 2019, segundo projeção de indústrias do setor. Estimulado pelo aumento da tecnologia na agricultura, o uso de adubos químicos nas lavouras do país cresceu 450% nos últimos 30 anos — período em que a média mundial não passou de 50%. Assim, é necessário que existam trocas entre países para que a subsistência possa existir em países que possuem determinadas carências. Se compararmos o Brasil e a Nova Zelândia, por exemplo, em termos de dimensões geográ�cas, �ca mais evidente a compreensão. Além do mais, questões climáticas e características de solo são apenas alguns dos fatores que precisam ser avaliados nessa questão. 102 https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/campo-e-lavoura/noticia/2019/10/puxado-por-safras-cheias-consumo-de-fertilizantes-no-brasil-deve-bater-recorde-em-2019-ck1v9iyjg074i01r2n9v4rx64.html https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/campo-e-lavoura/noticia/2019/10/da-nuvem-para-a-terra-agricultura-digital-avanca-no-rs-ck1b3uq3l02q101n311tvnnke.html O Processo de Globalização Econômica Certamente, nos últimos anos, não existiu uma palavra que fosse mais utilizada para explicar os efeitos econômicos que o mundo tem vivenciado, do que a palavra globalização. O termo globalização nos traz à mente sentimentos bons e ruins e, tudo que acontece no mundo, em nossa cidade ou nossa comunidade, tem a ver com a globalização. A globalização está presente na tecnologia, na produção e no comércio, mas principalmente, na área �nanceira, e é aqui que está a grande crítica a esse fenômeno globalizante (MENDES, 2004). E a globalização não é o "único problema". As transformações mundiais não param e aspectos como demogra�a, meio ambiente, políticas econômicas, desemprego, fome e doenças assombram diariamente lideranças políticas por todo o mundo. Fonte: Disponível aqui Após décadas de declínio constante, a tendência da fome no mundo, que é medida pela prevalência da desnutrição, foi revertida em 2015. Nos últimos três anos, as taxas permaneceram praticamente inalteradas em um nível ligeiramente abaixo de 11%. No entanto, o número de pessoas atingidas pela fome aumentou lentamente. Como resultado, mais de 820 milhões de pessoas no mundo ainda passavam fome em 2018, ressaltando o imenso desa�o de atingir a meta do Fome Zero até 2030. Os dados constam no relatório o Estado da Insegurança Alimentar e Nutricional no Mundo em 2019, lançado nesta segunda-feira, por cinco agências da ONU. De acordo com Rossetti (2000, p. 849), “o processo de globalização fortemente vinculado aos fatores determinantes do intercâmbio econômico, intensi�cou-se nos últimos 20 anos com base em conjunto de pré-requisitos”. Esses pré-requisitos têm 103 https://news.un.org/pt/story/2019/07/1680101 http://www.fao.org/3/ca5162en/ca5162en.pdf Fonte: Pexels Disponível aqui produzido desdobramentos de alto impacto, que chegam até afetar os conceitos convencionais de soberania das nações e a perda de poder dos governos para o exercício da política. “Os requisitos como a integração, empresas transacionais, tecnologias em áreas chaves e desregulamentação e liberalização são questões chaves a serem tratadas sob a ótica da globalização econômica” (Rossetti, 2000, p. 850). Sobre a integração citamos, por exemplo, as alianças internacionais político- econômicas entre países como o MERCOSUL (países mais importantes da América Latina), NAFTA (América do Norte), A União Europeia (EURO), Comunidade Econômica da África, além de outras entidades de livre comércio. As empresas transacionais são aquelas que crescem de forma igualitária em todos os países onde estão situadas, realizando assim, trocas entre si de insumos e investimentos, ou seja, trocas monetárias entre si, impactando no PIB e na movimentação econômica dos países. O aumento do uso de tecnologias em áreas chaves da sociedade veio com o avanço tecnológico em todo o mundo e isso envolve em comunicação, transporte, transmissão de dados, por exemplo. Esse avanço e democratização dos aparatos 104 https://www.pexels.com/pt-br/foto/alemanha-alemao-assessoria-de-imprensa-berlim-4666/ tecnológicos por todo o mundo têm impacto, por exemplo, na contratação de fretes marítimos. O mundo está consumindo tecnologia e dados numa velocidade nunca antes vista. Assim, as desregulamentações e liberalizações feitas por políticas públicas, têm, nos governos, um grande empenho para melhorar os padrões e atributos construídos de competitividade, via maiores coe�cientes de abertura a produtos e a fatores reais e �nanceiros, ao invés de proteger os mercados nacionais com barreiras protecionistas. As consequências das transações econômicas internacionais, a expansão dos graus de interdependência das nações, mais importante, as formas de que se vêm revestindo o processo de globalização têm produzido consequências de alto impacto nas economias dos países. 105 Conclusão Popularmente, a economia é vista como uma área que abrange discussões que envolvem dinheiro. Sim, o dinheiro é de fato um aspecto discutido pela economia. Mas essa visão popular é simplista e perigosa. Quando falamos em economia, precisamos compreender e entender que ela aborda assuntos bem profundos. Ao falar em economia, precisamos compreender que ela deve ser tratada como ciência social, a�nal, seus estudos estão fundamentados no comportamento de consumo do homem e como as empresas produzem bens e serviços. Esses estudos buscam responder a questionamentos importantes que são estruturados na e�ciência e equidade. Dentro desse processo de compreensão do desenvolvimento econômico, estão várias divisões e subdivisões de estudos econômicos, entre eles macroeconômicos e microeconômicos, ambos os fatores têm in�uências no contexto econômico como um todo. A preocupaçãocom ambiente econômico é amplamente discutida por empresários, governantes e economistas pelo mundo todo. Estes assuntos são pautados por questões cambiais, políticas �scais e monetárias e como essas e outras questões podem impactar de forma positiva ou negativa as sociedades, e é importante entender que política e economia não devem ser separadas em seus estudos e aplicações. Ambas, enquanto ciências, se fundem e dão às pessoas, uma visão mais clara e evidente nesse contexto de tanta preocupação com o desenvolvimento de um país. Espero ter contribuído para a sua formação pessoal e acadêmica. Até mais! Prof. Me. Victor Andrei. 106 Material Complementar Livro Introdução à Economia Autor: N. Gregory Mankiw Sinopse: O domínio dos princípios econômicos fundamentais por economistas, administradores, contadores, engenheiros, até políticos, operadores do comércio e de relações internacionais, entre outros, é crucial, e é neste sentido que a obra de Mankiw vem preencher uma enorme lacuna editorial. Trata-se do melhor livro de Introdução à economia disponível. O autor, emérito professor de Harvard, é considerado o maior especialista da matéria, pela abrangência e profundidade cientí�ca e explanações práticas apresentadas. O livro tem ampla aceitação global, sendo o texto preferido de professores e estudantes. Colaboram, para tanto, a erudição do autor, o projeto inovador e criativo da obra, além da linguagem amigável, clara e e�ciente, assim como os inúmeros recursos disponíveis no livro e na internet. Obra inigualável, trata-se de instrumento de extrema efetividade didático-pedagógica para o processo e�caz e consistente do ensino-aprendizagem da disciplina. Editora: CENGAGE, 2019. Livro Economia para Leigos Autor: ANTONINI, Peter e FLYNN, Sean Masaki Sinopse: Desconstrua o jargão e compreenda como você está envolvido na economia do dia a dia. Se você quer entender o básico de economia e compreender um assunto que nos afeta todo dia, então acabou de encontrar o que precisa no Economia Para Leigos. Este guia de fácil compreensão te leva através do mundo da Economia, dos conhecimentos sobre micro e macroeconomia e a desmisti�cação de tópicos complexos como 107 capitalismo e recessão. Esta edição atualizada atravessa a história, princípios e teorias de economia, assim como descomplica toda a terminologia, deixando você por dentro do assunto em pouco tempo. Editora: Alta Books, 2012. Filme Título: Grande demais para quebrar Ano: 2011 Sinopse: O banqueiro Richard Fuld, entre março e outubro de 2008, em meio a conversas com personalidades como Hank Paulson (secretário do Tesouro estadunidense), Ben Bernanke e Tim Geithner, tenta salvar o Lehman Brothers. Durante as negociações, buscava-se uma solução privada envolvendo banqueiros de investimento e membros do Congresso para preservar a empresa sediada em Nova York. Comentário: �lme indicado para todo estudante de economia, pois trata de aspectos que envolvem o tesouro americano. Filme Título: A grande aposta Ano: 2016 Sinopse: Michael Burry (Christian Bale) é o dono de uma empresa de médio porte, que decide investir muito dinheiro do fundo que coordena ao apostar que o sistema imobiliário nos Estados Unidos irá quebrar em breve. Tal decisão gera complicações junto aos investidores, já que nunca antes alguém havia apostado contra o sistema e levado vantagem. Ao saber destes investimentos, o corretor Jared Vennett (Ryan Gosling) percebe a oportunidade e passa a oferecê-la a seus clientes. Um deles é Mark Baum (Steve Carell), o dono de uma corretora que enfrenta problemas pessoais desde que seu irmão se suicidou. Paralelamente, dois iniciantes na Bolsa de Valores percebem que 108 podem ganhar muito dinheiro ao apostar na crise imobiliária e, para tanto, pedem ajuda a um guru de Wall Street, Ben Rickert (Brad Pitt), que vive recluso. Web Neste vídeo, você vai ver um comparativo sobre preços, qualidade de vida, cultura e tudo mais aquilo que envolve a economia e o consumo. Vale a pena conferir. Acesse o link Web Listamos neste link, uma série de informações sobre a carga tributária do Brasil, como ela funciona e como é aplicada. A data base é 2014. Vale a pena clicar e conferir o conteúdo. Acesse o link 109 https://www.youtube.com/watch?v=OtGbyXheLtM%E2%80%8D http://receita.economia.gov.br/dados/receitadata/estudos-e-tributarios-e-aduaneiros/estudos-e-estatisticas/carga-tributaria-no-brasil/29-10-2015-carga-tributaria-2014/view%E2%80%8D ARBACHE, Jorge Saba; DE NEGRI, João Alberto. Filiação Industrial e Diferencial de Salários no Brasil. Universidade de Brasília, IPEA, 2004. BAIDYA, Tara Keshar Nanda; AIUBE, Fernando Antonio Lucena; MENDES, Mauro Roberto da Costa; BATISTA, Fábio Rodrigo Siqueira. Fundamentos de Microeconomia. Rio de Janeiro: Editora Interciência, 2014. BLANCHARD, Olivier. 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Editora Saraiva, 2003. 111 Introdução aos estudos sobre Economia A Economia e os aspectos Históricos Conceitos Fundamentais em Economia O Pensamento Econômico Keynesiano Fundamentos da Teoria Econômica A Microeconomia Economia e a Política Macroeconômica Renda, Juros e Lucros O Produto Nacional Bruto A Inflação O Crescimento Econômico e Desenvolvimento As Políticas Fiscais As Políticas Monetárias Emprego, Salário e Mercado de Trabalho Monopólios e Oligopólios Relações Econômicas Internacionaisé envolvida por uma complexa teia de relações sociais e de uma multiplicidade de fatores que possui certo conjunto de destaque e aspectos particulares da realidade que interessam diretamente da economia (MOCHÓN, 2006). De acordo com Rossetti (2000, p. 33), “um deles é um polinômio produção- distribuição-dispêndio-acumulação, o outro é um trinômio riqueza-pobreza-bem- estar, o binômio chamado de crescimento-desenvolvimento e o trinômio recursos- necessidades-prioridades”. 10 Fonte: Disponível aqui O polinômio produção-distribuição-dispêndio-acumulação foi destacado pelo economista francês Jean-Baptiste Say. De fato, o economista francês Jean-Baptiste Say (1767-1832) pode, sem dúvida, ser considerado como um dos mais importantes predecessores da Escola Austríaca. Nascido em Lyon, foi enviado para a Inglaterra para completar seus estudos e viveu em Croydon e depois em Genebra e Londres, onde trabalhou no comércio. Posteriormente, voltou a seu país natal, para trabalhar em uma companhia de seguros. Fortemente in�uenciado pela obra de Adam Smith, especialmente pela ardorosa defesa do livre comércio que caracterizou o pensador escocês, entre 1794 e 1800, foi editor do periódico La Décade philosophique, littéraire et politique, que se dedicava a defender as vantagens do livre mercado e a criticar o intervencionismo. Discípulo de Adam Smith, Say fez muito para divulgar o trabalho do escocês no continente Europeu, embora A Riqueza das Nações tenha sido traduzida para o francês quando Say tinha apenas 12 anos de idade. Estes e outros aspectos como emprego, produção, mercados, moedas, transações, remunerações, crescimento e organização, por exemplo, são apenas alguns dos temas das quais a economia se ocupa para discutir e debater. A economia enquanto ciência “navega” nas mais diversas áreas sendo direta ou indiretamente importante para o desenvolvimento das mais diversas áreas de uma sociedade como um todo. Enquanto ciência de estudos de âmbito social, a economia se aprofunda nas mais diversas áreas e é, sem sombra de dúvidas, uma ciência que participa, in�uencia e altera seu contexto de atuação. 11 https://www.mises.org.br/article/1678/jean-baptiste-say-o-que-realmente-pensava-este-grande-economista 02 A Economia e os aspectos Históricos 12 A História e a Economia Enquanto ciência, os estudos sobre economia discorreu nos últimos quatro séculos, ou seja, aproximadamente 500 anos. Esses estudos se confundiram com as demais áreas de estudos que envolvem as ciências sociais e também se desenvolveram durante a criação de diversos estados (MARTINS, 2003). Para Rossetti (2000, p. 46), “em seu nascedouro, a denominação usual da economia era adjetivada. Denominava-se economia política. Com o tempo, a adjetivação caiu em desuso e evoluiu para simplesmente economia”. De acordo com Rossetti (2000, p. 46), “a expressão política a�rmou-se a partir do início do século XVII, embora os �lósofos da Grécia Antiga, como Platão e Aristóteles, e os escolásticos da Idade Média tenham explorado temas de conteúdo econômico”. Conforme Brue (2005, p. 33), “�loso�camente, a palavra economia remonta à Grécia antiga, onde o economicus” signi�cava “gerenciamento das questões domésticas”. Aristóteles e Platão deram, de certo modo, contribuições para o que entendemos como pensamento econômico. E como essa contribuição pode ter ocorrido? Em sua maneira de pensar, das artes naturais e não naturais para aquisição, Aristóteles presumiu que atividades naturais eram essenciais para vida. Assim, a agricultura e pesca, por exemplo, eram importantes para a sobrevivência dos indivíduos e nas aquisições não naturais, presume-se uma aquisição desnecessária, ou seja, consumismo (Martins, 2003). Contudo, conforme a�rma Rossetti (2000, p. 46), “a expressão economia política é atribuída ao francês Antoine de Montchrétien, autor de um Traicté de l'économie politique, publicado em 1615. 13 Embora, hoje, o conceito seja basicamente o mesmo, é importante entender as diferenças que antes existiam sobre economia e economia política. “A economia política torna conhecida a natureza da riqueza. Desse conhecimento de sua natureza deduz os meios de sua formação, revela a ordem de sua distribuição e examina os fenômenos envolvidos em sua distribuição, praticada por meio do consumo (Rossetti, 2000, p. 47). Desde a Antiguidade ao Renascimento, até chegar ao tratado de Montchrétien, as questões econômicas de maior relevância para as discussões eram os sistemas da posse territorial, a servidão, a arrecadação de tributos, a organização das primeiras corporações, a concessão de mercados, o comércio inter-regional, a cunhagem e o emprego das moedas. E cada uma dessas questões era tratada sob ângulos da política, da �loso�a e do direito canônico (ROSSETTI, 2000, p. 46). Fundamentos Teóricos e a Vinculação Ideológica De acordo com Rossetti (2000, p. 62), “o atributo de atemporalidade e, de certa forma, também o da dimensão espacial da realidade econômica transparecem claramente em qualquer tentativa de construção da árvore genealógica da economia”. Essa denominação é usada para criar um elo entre as principais escolas do pensamento econômico. 14 As escolas dos pensamentos econômicos correspondem, assim, não só a conjuntos sistematizados e interconsistentes de princípios teóricos, como também a sistemas e ideias e de valores, comprometidos com as questões éticas, políticas e sociais (ROSSETTI, 2000). Ademais, As interligações entre as principais escolas do pensamento econômico não ocorrem isoladas, e as ligações se dão por dois canais, sendo o primeiro o da convergência dos fundamentos teóricos e o segundo e mais importante, da vinculação ideológica (ROSSETTI, 2000, p. 62). Nesse sentido, nessa perspectiva de interpretação, que surgiram e se desenvolveram os grandes troncos de estudos da economia, “o mercantilismo costurou interesses do Estado colonialista dos séculos XVI e XVII. A �siocracia e a escola clássica traduziram os ideais do liberalismo individualista do século XVII. A crença do bem-estar da sociedade poderia ser alcançada por instituições como a propriedade privada dos meios de produção” (ROSSETTI, 2000, p. 64). Os fundamentos do fortalecimento do Estado mercantilista ruíram sob as novas construções teóricas e doutrinárias das escolas liberais. Mais à frente, nos ideais do socialismo como reação às iniquidades atribuíveis à ordem liberal, notadamente o crescente distanciamento entre os empreendedores e a classe trabalhadora. De acordo com Rossetti (2000, p. 64), “a partir do �nal da primeira metade do século XIX, com Marxismo, a estrutura teórica do pensamento socialista consolidou-se. Os fundamentos de uma nova concepção de economia e de ordenamento do processo econômico estavam de�nidos”. 15 Fonte: Disponível aqui Logo após a derrota da classe trabalhadora nas revoluções de 1848, Marx dedicou grande parte de seus esforços a estudar a economia capitalista. Em 1859, publicou a Contribuição à Crítica da Economia Política, a qual detém um “prólogo” amplamente conhecido. Esse livro contém uma passagem também bastante conhecida sobre o método da economia política. Cabe ressaltar que Marx nunca formalizou um “método” no sentido estrito de uma série de passos claramente delimitados para fazer ciência. Por este motivo, outros autores tenham procurado aprofundar mais na “estrutura lógica” de suas obras, em particular em O Capital, assim como em seu modo de fazer ciência, tendo como referência um leque que vai desde Roman Rolsdolsky até Manuel Sacristán, passando por Daniel Bensaïd. Os economistas denominados marginalistas eram contra as tendências decorrentes dos preceitos socialistas. Desenvolveram engenhosos modelos teóricos dedutivos para comprovar que o equilíbrio da economia, fruto da racionalidade, era compatível com a realização do máximo benefício social, desde que não houvesse interferência nas leis naturais da economia, como propunham os socialistas (ROSSETTI, 2000). De acordo com Rossetti (2000, p. 64),“os desdobramentos dessas duas grandes correntes de pensamento econômico, liberalismo clássico e socialismo marxista, estenderam-se pelo século XX. O Monetarismo e a economia do bem-estar são as escolas mais recentes à ideologia neoclássica”. O keynesianismo buscou a conciliação de criar condições para a condução da economia da forma mais e�ciente possível, sem ofender suas bases institucionais. De um só golpe, refutou a intervenção revolucionária do socialismo de Estado e do 16 http://www.esquerdadiario.com.br/Dialetica-e-marxismo-Marx-e-a-critica-da-economia-politica liberalismo pleno de derivação clássica. Os desenvolvimentos mais recentes parecem, assim, caracterizar-se mais por tendências centrípetas do que por tendências centrífugas, que marcaram nos séculos precedentes o surgimento e a a�rmação das diferentes correntes do pensamento econômico. Até que ponto esses novos desenvolvimentos apontam na direção do �m das ideologias parece ser, daqui para frente uma das mais intrigantes questões da economia (ROSSETTI, 2000, p. 64). A formulação de políticas econômicas atuais geralmente se fundamentam em conhecimentos decorrentes de sistematizações teóricas. No confronto com a realidade, validam-se ou rejeitam-se, total ou parcialmente, os conhecimentos acumulados. 17 03 Conceitos Fundamentais em Economia 18 Conceito de Economia Em sua complexa forma de atuação e de relação com as demais ciências de estudos sociais, determinados fatores que condicionam a atividade da economia di�cultam rotulá-la sob a ótica de um único conceito. Sabemos que a economia é in�uenciada na sua forma de pensar e na sua aplicação prática, por diferentes concepções político- ideológicas (ROSSETTI, 2000). É válido lembrar que cada corrente sobre os pensamentos econômicos possui uma forma de enxergar a economia e, assim, elaborar suas concepções, conceitos e modelos. É a ciência que estuda os recursos escassos e as alternativas de produção, para atender às necessidades ilimitadas dos indivíduos. [...] compete o estudo da ação econômica do homem, envolvendo essencialmente o processo de produção, a geração e a apropriação da renda, o dispêndio e a acumulação (ROSSETTI, 2000, p. 31). Marshall (1961, p. 48) possui uma de�nição mais ampla sobre o conceito de economia. Para o autor, a economia é “um estudo da humanidade nas atividades correntes da vida e examina a ação individual e social, seus aspectos mais estreitamente ligados à obtenção e ao uso das condições materiais do bem-estar”. Economia, basicamente, é a maneira como a sociedade decide empregar seus recursos escassos, visando à produção de diferentes bens que satisfaçam às necessidades humanas (BRUE, 2005). Vista desta forma, a economia é um estudo dos homens tal como vivem, agem e pensam nos assuntos comuns da vida. Mas diz respeito, principalmente, aos motivos que afetam, de modo intenso e constante, à condução dos homens no campo, das transações mercantis e dos negócios (MARSHALL, 1961, p. 35). Naturalmente, se compararmos, a economia não tem a mesma precisão das ciências físicas, pois ela se relaciona com as forças sutis e sempre mutáveis da natureza humana e, assim, na utilização dos conhecimentos, considera os incentivos e os �ns 19 últimos que levaram à busca de determinadas satisfações. Para Rossetti (2000, p. 45), “as medidas econômicas dessas satisfações são o ponto de partida da economia”. A abrangência dos estudos em economia Sabemos que as ações humanas não residem necessariamente, apenas na aquisição de recursos economicamente mensuráveis. Por conta de diversos fatores mercadológicos, sejam eles por questões sociais e de uma pura e simplesmente necessidade de status, existem as concorrências que movem por sua força e levam os homens de negócios a rivalizar com outros homens. Não tem nada a ver sobre o acúmulo de riquezas, mas sim, de competitividade (MARSHALL, 1961). Essas ideias podem ser ilustradas, enumerando-se algumas das principais questões estudadas pela economia da seguinte forma: Tabela 1 – Questões estudadas pela economia Fonte: Adaptado de Marshall (1961, p. 39). Quais causas Que afetam o consumo e a produção, a distribuição e a troca de riquezas, a organização da indústria e do comércio, o comércio exterior, as relações entre empregados e empregadores. Qual alcance A in�uência da liberdade econômica, qual sua importância, efeitos imediatos e mais remotos e até que ponto vão os inconvenientes da liberdade econômica para que os deles não se bene�ciem. Como deve Ser distribuída a incidência de impostos entre as diferentes classes da sociedade, quais são os empreendimentos de que a sociedade, por ela mesma, deve carregar-se e quais farão intermédio com o governo. Sob que aspectos Diferem os deveres de uma nação em relação às outras, em matéria econômica, dos que têm entre si, os cidadãos de uma mesma nação. 20 Se assim considerada, a economia é o estudo das condições materiais da vida em sociedade e dos motivos que levam os homens a ações que têm consequências econômicas. É seu objeto de estudos a pobreza, enquanto estudos das causas da degradação de uma grande parte da humanidade; das condições, motivações e razões da riqueza; das ações individuais e sociais ligadas à obtenção do bem-estar (ROSSETTI, 2000). Acesse o link: Disponível aqui De acordo com o levantamento realizado a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, o índice de pobreza no Brasil aumentou em 11,2% de 2016 para 2017. Na prática, estamos falando de um aumento de 1,49 milhão de pessoas que passaram a conviver com até R$136 mensais. 21 https://bit.ly/2wDaD6q 04 O Pensamento Econômico Keynesiano 22 A Teoria do Emprego O modelo de macroeconomia keynesiano é bastante simples, mas su�ciente para que estudantes das ciências sociais aplicadas tenham um conhecimento básico de economia no âmbito global e possam entender melhor os fatores determinantes do nível geral dos preços, do crescimento das rendas, do nível de empregos e da produção. De acordo com Mendes (2004, p. 175), "dois dos objetivos econômicos globais são a máxima produção de bens e serviços e a manutenção do pleno emprego. Os níveis máximos possíveis de produção, geralmente, não são alcançados porque os recursos não são plenamente empregados". A análise das causas do hiato entre a produção real e potencial constitui umas das preocupações centrais da macroeconomia, que tem como uma das principais fontes a obra Teoria geral do emprego, dos juros e da moeda, de Keynes (ROSSETTI, 2000). Até a época da chamada Grande Depressão, ocorrida em 1929, os conceitos macroeconômicos eram baseados nos mecanismos da teoria clássica sobre o equilíbrio geral da atividade econômica, também chamada de teoria clássica do emprego, desenvolvida pelos teóricos liberais dos séculos XVIII e XIX. 23 John Maynard Keynes, economista fundador da macroeconomia moderna Fonte: Wikimedia Disponível aqui Acesse o link: Disponível aqui A Crise de 1929, também conhecida como Grande Depressão, foi uma forte recessão econômica que atingiu o capitalismo internacional no �nal da década de 1920. Marcou a decadência do liberalismo econômico, naquele momento, e teve como causas a superprodução e especulação �nanceira. Para Mendes (2004, p. 175), "todo o desenvolvimento clássico sobre o equilíbrio geral da economia se fundamentava na famosa lei de Say (que a oferta cria sua própria procura), ou seja, a produção é que cria mercados para os produtos". 24 https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Keynes_1933.jpg https://brasilescola.uol.com.br/historiag/crise29.htm Essa convicção de Say se originava do fato inquestionável de que a fonte de onde provém a procura é a renda obtida pelos que participam do processo de produção (oferta). Observamos que essa lei é baseada na simultaneidade e na interdependência dos �uxos da produção e da renda. Contudo, com o tempo, os economistas clássicos deram a essa lei um signi�cado mais amplo. Para Mendes (2004, p. 175), "qualquer nível de produção,o valor da procura não poderá ser nem inferior ou superior, mas exatamente igual ao valor dos bens produzidos, ou seja, igual ao valor da oferta". A Teoria do emprego na versão Keynesiana Todas as suposições anteriores de economistas clássicos foram, contudo, contestadas pelas graves perturbações da grande depressão, que marcou os desastrosos anos da crise da década de 1930. Conforme Mendes (2004, p. 176), ocorre "quando a queda da procura agregada de bens, embora tenha gerado uma prolongada redução de preços, não foi recompensada por uma correspondente diminuição de oferta agregada". De maneira simples, mesmo com a queda nos preços, tal ato não foi su�ciente para provocar uma reação de demanda, gerando assim, um desajuste entre a oferta agregada e a demanda. Mendes (2004, p. 176) explica que esse "desajuste entre oferta (Sª) e a demanda (Dª) GLOBAIS (Sª > Dª) provocou, em consequência, o desemprego em massa. A doutrina clássica não reunia condições para explicar coerentemente as causas do desemprego generalizado no mundo ocidental". Desenvolvida por Keynes, foi durante esse período tempestuoso que surgiu a nova teoria do emprego, alicerçada nas doutrinas clássicas. Keynes propôs rejeitar o ajuste automático entre o volume e poupança e o valor do investimento. 25 Fonte: Disponível aqui John Maynard Keynes foi um economista brilhante. Além de ser o economista fundador da macroeconomia moderna (“Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, de 1936), seu protagonismo não se limitou à teoria econômica: ele exerceu funções governamentais, promoveu as artes, ocupou o cargo de diretor no Banco da Inglaterra (banco central inglês), foi escritor, investidor, fundador do Fundo Monetário Internacional (FMI), conselheiro em associações �lantrópicas, além de fazendeiro. Suas contribuições sobre os ciclos econômicos tornaram esse economista britânico um dos mais respeitados do século XX, dado que as suas teorias fundamentaram várias políticas econômicas. Seus conceitos são adotados até hoje nos países nórdicos, locais, com excelentes padrões de vida. De maneira simples, essa teoria pode ser explicada de maneira prática e sintética. Mendes (2004, p. 177) trata de maneira resumida essa questão da seguinte forma: "se a oferta agregada for maior do que demanda agregada, então se diz que há um dé�cit de dispêndio, e os resultados são queda no nível de renda real, queda na produção, do emprego e do nível geral de preços da economia. É uma situação recessão". Além de mostrar descontentamento quanto a esse ajuste automático entre poupança e investimento com base na taxa de juros, Keynes fez um contraponto justi�cando que não existe motivo de admitir uma política �exível de salários capaz de manter um estado contínuo de pleno emprego. Quando os preços de diversos itens caem, funcionários não aceitam redução salarial, mas por outro lado, quando os preços sobem, exigem aumento. Isso é chamado por Keynes de "Ilusão monetária", que é basicamente a procura por valor nominal e não valor real (descontar a in�ação) (MENDES, 2004). 26 https://www.infoescola.com/biografias/john-maynard-keynes/ De acordo com Mendes (2004, p. 178), “rejeitando os fundamentos da teoria clássica, Keynes promoveu a chamada "revolução keynesiana" ao argumentar que o pleno emprego e, consequentemente, a estabilidade do sistema e o equilíbrio geral dependem do controle do nível da demanda agregada”. O governo também exerce um papel importante na demanda, adotando, de maneira exógena, principalmente políticas �scais de controle da demanda. Nesse sentido, como a�rma Mendes (2004, p. 178), (...) pode elevar a renda nacional e o volume de emprego, em épocas de recessão, se o governo adotar uma política compensatória, capaz de suprir as eventuais de�ciências do investimento do consumo. Nesse caso, Keynes admite que as perturbações da atividade econômica podem ser atenuadas e corrigidas pela interferência do governo na economia. 27 05 Fundamentos da Teoria Econômica 28 A Teoria Econômica “As ciências sociais procuram descrever como as pessoas agem. O que torna a economia diferente de outras ciências sociais são os modelos utilizados pelos economistas” (WESSELS, 2003, p. 2). Em cada país, o funcionamento da economia obedece a regras próprias, mas todas elas são parametrizadas por modelos e teorias que as explicam, ou seja, se espelham em modelos econômicos de outros momentos já existentes, porém, adaptados. As teorias nos permitem ordenar o que observamos, a �m de explicar o porquê de certos acontecimentos ou justi�car a relação entre duas ou mais coisas. Teorizar não é um luxo, mas uma necessidade. A teoria econômica proporciona uma estrutura lógica para organizar e analisar dados econômicos (MOCHÓN, 2006, p. 2). As teorias pretendem explicar o porquê de certos acontecimentos no mundo real ou porque se dá certa relação entre duas ou mais variáveis econômicas, e, por outro, procuram facilitar a previsão das consequências de alguns acontecimentos. Os economistas estudam quais são os melhores modelos econômicos a serem adotados e a maior parte dos modelos econômicos possuem três modelos. Para Wessels (2003, p. 2), os modelos econômicos mais comuns “possuem três elementos que são: a escassez, o custo e a análise marginal. Tipicamente uma coisa é escassa (exemplo: dinheiro ou recursos), que resulta em custos (fazendo uma coisa e deixando de fazer outra) e o melhor jeito de descobrir como tirar o melhor é fazer a análise marginal”. Ainda, para o autor, “esses três conceitos de escassez, custo e análise marginal formam a base sobre a qual a teoria econômica é construída”. 29 Acesse o link: Disponível aqui Uma teoria é uma explicação do mecanismo subjacente aos fenômenos observados. Uma teoria é uma ideia que começou de uma hipótese, e que foi testada pela experiência e pela observação do mundo real, e passou por todos os testes a que foi sujeita. Logo que uma teoria falha, em um teste experimental ou observacional, falando estritamente, tem de ser substituída por uma teoria melhor, mais completa. Mas a velha teoria ainda pode ser útil numa área restrita, uma vez conhecidas as suas limitações. A Escassez Vivemos na era do consumo e normalmente as pessoas querem muito mais do que seus recursos �nanceiros permitem comprar. Empresas planejam, diariamente, estratégias para o lançamento de novos produtos. No mercado esses novos produtos são lançados para “atormentar” a vida dos consumidores, que não se contentam com aquilo que têm e, assim, se explode o consumismo exacerbado. Para Wessels (2003, p. 3), “quando um consumidor deseja mais do que pode ser satisfeito com os recursos disponíveis é chamado de escassez”. É válido lembrar que escassez não é pobreza e o fato de um determinado bem existir em pequena quantidade não o torna escasso, é preciso que ele seja desejado. 30 https://fisica.net/historia/O-que-e-uma-teoria.php Fonte: Pexels Disponível aqui A escassez obriga as pessoas a fazerem determinadas escolhas e quando um bem é escasso, elas são “forçadas” a escolher quais usos serão realizados e quais não serão (WESSELS, 2003). Quando um bem é escasso, usá-lo de uma forma signi�ca abrir mão de outra maneira de usá-lo, e isso é chamado de custo de oportunidade, ou seja, quando uma pessoa desiste de dar valor de uso. 31 https://www.pexels.com/pt-br/foto/acao-atividade-automobilismo-automobilistico-1213294/ Fonte: Adaptado de Wessels (2003, p. 3). Teste para determinar a escassez de um bem: Um bem é escasso se uma outra unidade do bem bene�cia alguém. Um teste alternativo é: se o preço do bem for igual a zero (se ele for grátis), então, a demanda do bem excede sua oferta. Por exemplo, um homem das cavernas considera ar fresco como sendo um bem gratuito (um bem livre). Em São Paulo, ou em qualquer grande metrópole do mundo, é escasso. A regra também pode ser aplicada a alimento, por exemplo. Um morador do interior do estado julga que a fruta fresca que ele consome, diretamente do pé, sem o uso de agrotóxicos (é um bem livre).Para um morador da cidade, comer uma fruta fresca além de ser caro e raro, é escasso. Mas como se mede um custo de oportunidade? Para Wessels (2003, p. 5), custo de oportunidade é a alternativa mais bem avaliada que as pessoas têm de sacri�car por causa de suas decisões. O conceito de custos de oportunidade implica em fazer trocas compensatórias. Ter mais de uma coisa signi�ca ter menos de outra. 32 Fonte: Wessels, (2003, p. 4). O proprietário de uma �rma pequena precisa contratar alguns gerentes. Admita que cada gerente só tem tempo de realizar uma tarefa. A tarefa A vale R$ 100.000,00 para o proprietário, a tarefa B vale R$ 75.000,00 e a tarefa C vale R$ 50.000,00. O proprietário contrata apenas dois gerentes, determinando que um deles execute a tarefa A e outro execute a tarefa B. Qual é o custo de oportunidade da tarefa B? O custo de oportunidade da tarefa B é o valor da tarefa desconsiderada que de outra tarefa teria sido realizada, que no caso é a tarefa C. Portanto, o custo da tarefa de oportunidade da tarefa B é R$ 50.000,00. Note que o custo de oportunidade da tarefa A também é R$ 50.000,00, uma vez que com os dois gerentes contratados, a tarefa C é desconsiderada para que se possa executar a tarefa A. Custo de Oportunidade Nascimento (1998, p. 70) resume o custo de oportunidade como “a medida que uma decisão de produção é tomada, dada a escassez dos recursos existentes, os recursos inerentes a serem consumidos �cam comprometidos com aquela produção em particular, não podendo ser utilizados para satisfazer uma decisão de produção de outro bem”. Essa sintetização de custo de oportunidade foi dada por Frederic Von Wieser (1851- 1926), que no entendimento das ciências econômicas, custo é o sacrifício ou abandono feito por quem decide, ao se fazer uma escolha. “Para ilustrar as trocas compensatórias enfrentadas por uma pessoa, uma �rma ou uma economia, os economistas utilizam as curvas de possibilidades de produção” (WESSELS, 2003, p. 5). 33 Essas curvas mostram trocas compensatórias (ou os custos de oportunidade) que as pessoas enfrentam por causa da escassez dos recursos. A tabela 2 mostra as trocas compensatórias que um trabalhador poderia enfrentar quando tem apenas quatro horas no total para produzir dois bens, cadeiras e bancos. Neste caso, a escassez refere-se às quatro horas. Tabela 2 – Questões estudadas pela economia CADEIRAS BANCOS Tempo Gasto (Horas) Produto Tempo Gasto (Horas) Produto 0 0 4 20 1 4 3 18 2 7 2 14 3 9 1 8 4 10 0 0 Fonte: Wessels (2003, p. 5). A tabela 2 mostra exatamente a curva de possibilidades de produção derivada desses números. Para Wessels (2003, p. 5), se o trabalhador devotar todas as quatro horas fazendo bancos, produzirá 20 bancos e nenhuma cadeira. Uma hora gasta fazendo cadeiras (e uma hora a menos fazendo bancos), resultará em 4 cadeiras e 18 bancos produzidos e duas horas em cada resultará em 7 cadeiras e 14 bancos. Nesse sentido, a ferramenta da curva de possibilidades adotada pelo custo de oportunidade torna-se uma ferramenta de grande importância para a gestão do custo para gestor. 34 A análise marginal é a análise dos benefícios e custos da unidade marginal de um bem ou insumo. Para Wessels (2003, p. 10), “essa técnica é amplamente usada nos processos de decisão nos negócios e engloba muito do pensamento econômico”. Normalmente, em qualquer decisão, as pessoas desejam e querem ter o máximo de benefícios reais, ou seja, benefícios líquidos que é entendido como “benefícios totais – custos totais” (WESSELS, 2003). Nesse sentido, a análise marginal se concentra em saber se a variável de controle deve ser aumentada em uma unidade. De acordo o mesmo autor (2003, p. 11), “o procedimento básico para se utilizar a análise marginal é”: Identi�car a variável de controle; Determinar qual seria o aumento no benefício total se fosse adicionada uma unidade a mais na variável de controle. Esse é o benefício marginal da unidade adicionada; Determinar qual seria o aumento do custo total se fosse adicionada uma unidade a mais na variável de controle. Esse é o custo marginal da unidade adicionada; Se o benefício marginal da unidade exceder ou igualar seu custo marginal, ela deve ser adicionada. E por que isso funciona? Quando o benefício marginal excede o custo marginal, o benefício líquido aumenta, então a unidade marginal da variável de controle deve ser acionada (BRUE, 2005). Análise Marginal 35 06 A Microeconomia 36 A Microeconomia Aspectos sobre microeconomia ou a teoria dos preços envolvem estudos sobre as relações de agentes econômicos como quem produz/vende, quem consome/compra, mecanismos de mercado e como ele funciona. Vários são os conceitos que acabam convergindo sobre o que é a microeconomia. “A microeconomia estuda a maneira como o consumidor gasta a sua renda, de forma a ter o maior grau de satisfação possível. Estuda, também, a maneira como a empresa emprega os fatores de produção para obter o maior lucro possível” (SILVA E LUIZ, 2001, p. 39). A macroeconomia estuda o comportamento do sistema como um todo; e para isso tente explicar as relações entre os grandes agregados estatísticos, tais como a renda nacional, o nível de emprego e dos preços, o consumo, poupança e investimento totais. Tais componentes agregativos da estrutura econômica são assim analisados em suas inter-relações dinâmicas, a �m de que se possa obter do sistema uma perspectiva ampla e geral (KRAEMER, 1968, p. 9). De acordo com Brue (2005, p. 87), “A microeconomia é o ramo da economia que estuda o comportamento das unidades de consumo representadas pelas famílias e indivíduos, e pelo estudo das empresas, representados pela produção em seus respectivos custos, além dos mercados de atuação de cada empresa”. 37 Acesse o link: Disponível aqui Compreender os aspectos que envolvem a microeconomia é muito importante para todo o tipo de negócio, sobretudo, para os empreendedores. E, por ser uma área da teoria econômica que estuda o funcionamento do mercado, pode ser evidenciado que a microeconomia tem como objeto de seus estudos, os consumidores, produtores, o mercado, e como eles interagem entre si. Pode-se entender que a microeconomia tem como foco o modo e as escolhas são feitas em nível individual, sob condições de escassez: Existem dois aspectos importantes a serem discutidos aqui: se não houvesse escassez econômica, não haveria necessidade de fazer escolhas, pois poderíamos ter tudo que desejássemos. Outro ponto importante é que escolha subentende alternativas (HAFFNER, 2013, p. 18). Por tratar de temáticas importantes como o comportamento das unidades econômicas individuais dos consumidores, trabalhadores, investidores, proprietários da terra e empresas, é que os estudos sobre a microeconomia merecem relevância. 38 https://rockcontent.com/blog/microeconomia/ As Teorias e os Estudos da Microeconomia Como qualquer ciência, a economia se preocupa com a explicação de fenômenos observados. Por que, por exemplo, as empresas tendem a contratar ou demitir trabalhadores quando o preço das matérias-primas utilizadas em seus processos produtivos se altera? Para Pindyck e Rubin�eld (2013, p. 5), “na economia, como em outras ciências, explicação e previsão baseiam-se em teorias. As teorias são desenvolvidas para explicar fenômenos observados em termos de um conjunto de regras e premissas”. Assim, para os autores, “a microeconomia concentra estudos que se dividem também a compreender a teoria do consumidor, teoria da �rma e a teoria da produção”. A teoria da �rma é união do capital e do esforço de trabalho em uma determinada empresa com foco em produção, visando sempre atender a demandas e também, sobretudo, gerar lucro para as organizações (Baidya et al., 2014). De acordo com Pindyck e Rubin�eld (2013), a teoria da �rma, por exemplo, “começa com uma premissa simples que é a maximização dos lucros. Assim, pode explicar como as empresas determinam a quantidade da mão de obra, capital e matérias- 39 primas que empregam na produção,assim como o volume produzido”. Ela explica também como essas escolhas dependem dos custos dos insumos, ou seja, mão de obra, capital e matérias-primas, bem como do preço que a empresa pode receber por seus produtos (HAFFNER, 2013). Fonte: Baidya et al. (2014, p. 3). As �rmas existem porque elas organizam os processos produtivos. Isto signi�ca que as �rmas são capazes de operar de tal forma a racionalizar os usos e agregar esforços individuais, obtendo uma maior quantidade do produto �nal. Dentro dessas correntes de estudos, está também a teoria da produção, que basicamente estuda o processo de fabricação de uma matéria-prima em um produto �nal e como as variáveis podem in�uenciar nesse processo. Para Ha�ner (2013, p. 19), a teoria da produção são elementos muito importantes para se estudar os preços e emprego de determinados fatores, sendo importante para analisar custo de produção, produção e emprego da tecnologia e como se relacionam para a chamada Teoria da Formação dos Preços. A teoria da produção é estruturada na relação da tecnologia com a entrega ou quantidade de produtos prontos, também denominados de outputs e dos fatores (inputs) ou entradas que determinam essa entrega, ou seja, ela se preocupa com os fatores de entradas e saídas no âmbito produtivo e como elas se relacionam com a tecnologia. 40 Fonte: Pexels Disponível aqui São esses "resultados" que farão com que o consumidor faça a sua escolha, ou seja, consuma produtos. Assim, nasce então, a teoria do consumidor. Segundo Pindyck e Rubin�eld (2013, p. 5), “a teoria do consumidor analisa as preferências, escolhas e o comportamento de consumo. Essas e outras informações são usadas, por exemplo, para se conhecer certas demandas de um negócio”. 41 https://www.pexels.com/pt-br/foto/comercio-comprar-corredor-estabelecimento-comercial-2295200/ Os primeiros desenvolvimentos da teoria do comportamento do consumidor são devidos a economistas da segunda metade do século XIX, que chegaram a proposições semelhantes, em obras publicadas quase simultâneas. O inglês W. S. Jevons foi um deles. Suas observações sobre o comportamento do consumidor são muito mais leis da lógica, Jevons lançou as bases do princípio da utilizada marginal decrescente, do qual seriam derivados interessantes desenvolvimentos teóricos relacionados à função da procura. Outros autores da mesma época foram os austríacos C. Menger, F. Wieser e E. Bohm-Bawerk. Em obras publicadas entre 1871 e 1884, eles chegaram à mesma conclusão que Jevons. Uma vez conhecidas as demandas, as organizações e produção se organizam para a compra de insumos, implantação ou não de novas tecnologias, contratação de mão de obra e demais atividades que farão circular essa engrenagem tão importante. E para que essa engrenagem toda funcione, entender o público-alvo, suas necessidades, gostos e como pensam, é crucial para que exista o aumento de vendas, pois isso terá impacto direto na demanda (de�nição de ofertas). Produtos e empresas disputam mercados e, com isso, os fatores de produção precisam de controle tanto no aspecto da oferta e do preço, pois a matéria-prima é essencial no âmbito produtivo dessa equação. Por �m, se não houver o emprego de tecnologia no processo de manufatura dessa matéria-prima, todo esse sistema pode colapsar, deixando a microeconomia mais enfraquecida e, assim, perdendo competitividade frente a outros mercados. 42 07 Economia e a Política Macroeconômica 43 A Macroeconomia Os efeitos produzidos pelo desempenho da economia como um todo são facilmente percebidos, pois eles afetam a vida dos cidadãos. Assim, o capital, capital humano, mercados para fundos disponíveis, empréstimos e pro�ssionais tecnológicos são alguns dos temas abordados e discutidos pela macroeconomia. Para Wessels (2013, p. 81), “a macroeconomia ou teoria macroeconômica estuda a economia como um todo”. A microeconomia se baseia no estudo das ações econômicas dos indivíduos, inclusive famílias e �rmas pensadas como se fossem indivíduos, como, por exemplo, os empreendedores. Enquanto a microeconomia estuda como a demanda e a oferta determinam o preço e de um bem, a macroeconomia estuda o que determina o nível de preços de todos os bens. Enquanto a microeconomia estuda quantos empregados uma �rma contrata, a macroeconomia estuda quantos trabalhadores uma economia emprega, assim, a macroeconomia estuda também o crescimento econômico (WESSELS, 2013, p. 81). Ha�ner (2013, p. 19) a�rma que “é a área da teoria econômica que estuda as quantidades econômicas agregadas, ou seja, dos fenômenos que englobam a economia como um todo, sendo eles: “renda, emprego, produto nacional, desemprego, investimento, estoque de moeda, poupança, taxa de juros, consumo, balanço de pagamento, nível de preços, taxas de câmbio”. 44 A economia é um termômetro e os macroindicadores sinalizam padrões de desempenho, desequilíbrios cíclicos ou crônicos, êxito ou fracasso de concepções estratégicas e políticas. E quando falamos em desempenho macroeconômico, Rossetti (2000, p. 719) sintetiza que “os objetivos da política macroeconômica dizem respeito a quatro indicadores de desempenho, sendo eles o produto agregado, emprego, preços e transações externas”. Esses indicadores podem ser explicados no quadro abaixo: Quadro 1 – Fins e meios da política macroeconômica: uma síntese Fonte: Rossetti (2000 p. 720). Principais �ns Principais meios Produto Agregado Alto nível, próximo da plena capacidade da economia. Altas taxas de crescimento. Política �scal Dispêndios do governo, de consumo e de investimento. Pagamentos de transferências. Subsídios. Tributos diretos e indiretos. Emprego Baixo nível de desemprego involuntário, cíclico ou estrutural. Expansão compatível com a dos novos contingentes que ingressam no mercado de trabalho. Política monetária Controle da oferta de moeda, afetando a taxa de juros. Contingenciamento das operações de crédito. Preços Estabilidade, com mercados livres. Níveis relativos estruturalmente equilibrados. Política cambial e de relações econômicas externas Intervenções no mercado cambial. Política de comércio: quotas, tarifas e proteções não tarifárias. Tratamento dado aos capitais externos de risco. Transações externas Equilíbrio em transações correntes com exportações e importações. Taxa de câmbio estável. Políticas de rendas Política salarial. Controle das demais remunerações de fatores. 45 Produto Agregado O objetivo primordial da atividade econômica é proporcionar um volume de bens e serviços �nais para atender às necessidades e às aspirações da população (Rossetti, 2000). Em princípio, como o binômio necessidades-aspirações é de�nido como ilimitável, quanto maiores forem os níveis de produção corrente e maiores as taxas de crescimento, maior poderá ser a satisfação social derivada do desempenho da economia como um todo. Para Rossetti (2000, p. 719), de�ne-se, então, como primeiro objetivo da gestão macroeconômica “a geração de um produto agregado tão próximo quanto seja possível da plena capacidade da economia. Busca-se também que as taxas de crescimento do produto ao longo do tempo sejam as mais altas possíveis, objetivando-se com isso, atender às aspirações crescentes da população e estender os benefícios da propriedade econômica a todas as camadas sociais”. Produtos agregados são submetidos às altas taxas em seu crescimento, e muitas vezes isso é mais importante do que as taxas baixas ou moderadas. Sob o olhar da macroeconomia, essa submissão não seja algo prioritário, o objetivo é promover o crescimento do produto a taxas superiores às de crescimento demográ�co, expandindo-se, assim, a produção per capita de bens e serviços �nais (ROSSETTI, 2000). Acesse o link: Disponível aqui O consumo agregado, assim como a teoria macroeconômica, é um conceito que surgiu com o economista britânico John Maynard Keynes. O consumo agregado compõe a demanda agregada dentro da teoria macroeconômica. Consiste nas despesas de consumo das famílias em uma economia, como alimentação,moradia e lazer. 46 https://www.sunoresearch.com.br/artigos/consumo-agregado/ Fonte: Pexels. Emprego O tema emprego é um grande pesadelo para governantes e empresários que estão à frente na gestão de um país ou empresa. A busca pelo pleno é constante e é um objetivo da macroeconomia, cujo foco é alocar em uma vaga de trabalho, todos aqueles que estão aptos a trabalhar. Quando o cenário é desemprego o poder de consumo cai imediatamente. De acordo com Rossetti (2000, p. 720), “conceitualmente, a taxa de desemprego é determinada pela distância relativa entre a força de trabalho empregada e os contingentes demográ�cos das faixas etárias aptas para o exercício de atividades produtivas”. “Há vários tipos de desemprego. A primeira distinção é entre desemprego voluntário e involuntário. São desempregados voluntários indivíduos que vivem de rendimentos provenientes de fatores de produção de sua propriedade, sejam eles estudantes (intelectuais), donas de casa (afazeres domésticos)” (ROSSETTI, 2000, p. 720). 47 Sob a ótica da economia, o desemprego voluntário não é preocupante e nem objeto de economia macroeconômica. O objetivo e a preocupação da macroeconomia é reduzir o desemprego involuntário, pois quando os números do desemprego involuntário sobem, é sinal de que a economia está com sérias di�culdades. O aumento no desemprego involuntário se dá por conta de atribuições cíclicas ou estruturais. Quando falamos em “ciclos”, nos referimos, por exemplo, aos empregos gerados pela colheita da safra, que quando termina, obriga sua mão de obra a migrar para outro tipo de trabalho, e desemprego estrutural relaciona-se com a estagnação da economia (ROSSETTI, 2000). Fonte: Disponível aqui As incertezas que rondam a economia do Brasil trazem re�exos maiores do que a di�culdade para a retomada econômica ou o afastamento de investidores internacionais, que não sentem segurança em apostar no país. O atual cenário impacta diretamente na vida de 21,6 milhões de brasileiros que, pela fragilidade do mercado, estão desocupados ou desalentados. Sobreviver a essa realidade virou um desa�o, e para muitos, a saída tem sido a criatividade. A taxa de pessoas que decidiram trabalhar por conta própria, no primeiro trimestre deste ano, atingiu um dos maiores índices dos últimos quatro anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística (IBGE). De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do instituto, dos 91,9 milhões de empregados entre janeiro e março, 25,9% trabalhavam de maneira independente (veja grá�co na página 10). Na prática, signi�ca que quase 24 milhões de brasileiros arregaçaram as mangas e tomaram a decisão de investir em alternativas fora do mercado formal para ter a própria renda e sobreviver em meio à crise. 48 https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2019/05/26/internas_economia,1056699/conheca-pessoas-que-driblaram-o-desemprego-com-o-empreendedorismo.shtml Preços De acordo com Rossetti (2000, p. 21), “o terceiro objetivo da macroeconomia é manter os preços estáveis e, ainda, o equilíbrio estrutural entre os níveis relativos aos preços dos diferentes bens e serviços produzidos”. A estabilidade de preços ocorre quando em mercados livres, os índices de variação de preços �cam próximos de zero. O equilíbrio estrutural entre preços ocorre quando não se observam transferências líquidas de renda entre os diferentes setores de atividade produtiva. “Quando o preço se mantém razoavelmente simétrico ao longo do tempo, os índices de preços pagos e recebidos e mudanças em estruturas relativas de preços ou variações agudas persistentes nos índices sinalizam desequilíbrios macroeconômicos indesejáveis” (ROSSETTI, 2000, p. 721). In�ações ou de�ações altas indicam que a economia está mal e alguma coisa não vai bem com o desempenho econômico como um todo, tanto uma movimentação como outra exigem movimentos corretivos. Já vimos que, historicamente, a in�ação é a categoria predominante de variação geral sobre os preços (HAFFNER, 2013). Fonte: Disponível aqui A in�ação é o aumento persistente e generalizado no valor dos preços. Quando a in�ação chega a zero dizemos que houve uma estabilidade nos preços. A in�ação pode ser dividida em: In�ação de Demanda, quando há excesso de demanda agregada em relação à produção disponível. In�ação de Custos é associada à in�ação de oferta. O nível da demanda permanece e os custos aumentam. 49 https://brasilescola.uol.com.br/economia/inflacao.htm O quarto objetivo macroeconômico relevante é o equilíbrio das transações externas. A diferença entre importações e exportações de mercadorias e serviços, usualmente chamada de exportações líquidas, é um dos �uxos componentes da procura agregada (HAFFNER, 2013). De acordo com Rossetti (2000, p. 723), somente em casos deliberados e excepcionais, os gestores da política macroeconômica podem induzir as situações de desequilíbrios em transações externas, sustentando dé�cit ou superávit nos saldos correntes comerciais e de serviços. Nesse sentido, desequilíbrios nesses �uxos exigem compensações nas demais variáveis que compõem a procura agregada ou então o sistema como um todo se desequilibrará. Transações Externas 50 08 Renda, Juros e Lucros 51 A Renda Trabalhadores por todo o mundo dedicam grande parte do seu dia em jornadas exaustivas de trabalho. O objetivo é comum, ou seja, trabalham para sustentar suas famílias. Mas quando falamos em sustentar, não falamos apenas no sentido literal da palavra, porque o sustento não é somente a alimentação, mas também aspectos importantes para uma melhor qualidade de vida como: educação, lazer, entretenimento, cultura, e saúde, por exemplo. O trabalho é um mecanismo importante para a sociedade, pois é através dele e de seus rendimentos econômicos, que as pessoas conseguem realizar seus planejamentos. Nesse sentido, a renda econômica é qualquer pagamento que não afeta a oferta do insumo. Como consequência, a renda econômica é um pagamento determinado apenas pela demanda. O termo renda deriva do latim reddĭta e é usado como sinônimo de rendimento, em alguns casos. Renda econômica é o pagamento a qualquer fator em oferta perfeitamente inelástica. Em outras palavras, a renda econômica não tem efeito sobre a oferta. A renda econômica também é o custo adicional do custo de oportunidade de um fator e essas de�nições se equivalem porque uma vez que esse fator recebe seu custo de oportunidade, qualquer pagamento adicional deixa a oferta inalterada (WESSELS, 2003, p. 418). Tomemos, como exemplo, um produtor de soja que plante uma certa quantidade de soja. Imaginemos que o custo do plantio da soja (com todos os custos) seja de R$ 5.000,00. Qualquer pagamento que receber a mais do valor gasto, durante o ano, é renda econômica, a�nal, acima desse valor, a soja seria plantada independentemente do preço (WESSELS, 2003). Embora pareça simples, o exemplo demonstra o ganho como fator de renda. Se a safra de soja tivesse um valor hipotético de R$ 15.000,00, a renda seria de R$ 10.000,00 (R$ 15.000,00 – R$ 5.000,00). 52 Vale salientar, como a�rma Wessels (2003, p. 419), que “embora em outros períodos a renda fosse de�nida como retorno sobre propriedade e juro como retorno sobre o capital, hoje, economistas reconhecem que ambos os fatores podem gerar renda”. É importante lembrar que a renda econômica é um fator cuja oferta é �xa. A renda econômica é determinada apenas pela demanda. Os Juros e Taxas Dentre os vários tópicos abordados pelas discussões macroeconômicas, certamente os juros, estão entre os temas. As oscilações econômicas que um país vive, por exemplo, tem in�uência direta nos juros e nas taxas de juros, por exemplo. Essa questão interfere o quanto deverá ser pago para remunerar o capital. Para Ferreira (2019, p. 331), "juros são conceitualmente de�nidos como a remuneração do fator denominado capital que é o aporte de dinheiro necessário à consecução de qualqueratividade econômica”. Mas existem outras concepções e formas de de�nir juros. [ ... ] juro é um encargo para quem o paga e um rendimento para quem o recebe. Sob o aspecto econômico, é também um preço. O juro pode ser de�nido como uma taxa, isto é, a relação entre o valor do devido por um ano e o valor do capital emprestado, ambos expressos em unidades monetárias correntes (Bernard e Colli,1998, p. 232). 53 A grande maioria das empresas toma empréstimos para �nanciar seus investimentos. O investimento é o acréscimo que as empresas fazem a seu estoque de capital. O capital inclui terrenos, equipamentos, tecnologia e qualquer outro insumo durável feito pelo homem (Wessels, 2003). Para fazer esse acréscimo, o custo é alto, muito, pois envolvem taxas de juros altíssimas que em longo prazo, tornam-se quase que impagáveis. Acesse o link: Disponível aqui O vilão número 1 dos juros no Brasil é a inadimplência ou o vilão número 1 da inadimplência são os juros! Essa discussão parece a propaganda daquele biscoito (ou bolacha) que "vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais". Quem lembra disso? A verdade é que o Brasil tem o segundo maior spread bancário do mundo, atrás apenas de Madagascar, segundo dados divulgados pelo Banco Mundial no ano passado. Na comparação com outros países da América Latina, esse spread (diferença entre a taxa de juros paga e a cobrada pelos bancos) é quase quatro vezes o do Paraguai, três vezes o da Argentina ou 27 o do Chile. E quais são os fatores que determinam as taxas de juros de um mercado? Lembre-se de que quando poupadores compram títulos, estão emprestando dinheiro para a empresa que o emitiu, assim, a taxa de juros sobre qualquer título é determinado por: Taxa real de juros: a taxa real de juros re�ete o pagamento extra. Se para poupar R$1.000,00 em bens reais hoje os poupadores querem receber R$1.100,00 em bens reais daqui a um ano, a taxa real é de 10%. É o que chamamos de taxa pura. Prêmio por risco de não pagamento (default) o emissor do título pode não pagar de volta o empréstimo ou título. Se os poupadores preveem que há risco de perderem o dinheiro, será oferecida uma taxa de juros alta; Prêmio pelo risco de variação de taxa de juros: A maioria dos títulos paga 54 https://economia.uol.com.br/colunas/2019/02/04/juros-as-causas-da-inadimplencia-no-brasil.htm?cmpid=copiaecola uma taxa �xa de juros. Quando as taxas sobem, o valor dos títulos cai e para compensar os poupadores pelo risco, os títulos podem incluir um prêmio maior. Prêmio in�acionário: os poupadores querem mais dinheiro de volta quando acham que vai haver in�ação. Prêmio pelos custos de administração: o juro precisa cobrir o custo de administração do empréstimo. Para pequenos empréstimos, como o cartão de crédito, por exemplo. (Wessels, 2003, p. 423). Assim, para tomar empréstimos e decidir por investimentos, as empresas devem avaliar qual é a melhor alternativa e observar os custos atuais como o retorno futuro. Juros podem ser armadilhas que podem custar a saúde de uma organização e também de pessoas comuns. Lucros Econômicos Para Wessels (2003, p. 426), “lucros econômicos são pagamentos residuais. São a diferença entre a receita e o custo total (incluindo o tempo e o capital do proprietário). Ao contrário das redes econômicas, os lucros econômicos desaparecem ao longo do tempo quando submetidos a pressões competitivas”. 55 Fonte: Pexels Disponível aqui Para vários autores, os lucros econômicos são quase renda, pois são tratados como rendas econômicas. Nesse sentido, Wessels (2003, p. 426) a�rma que o lucro econômico tem origens na inovação, monopólio e quando assume riscos. Na inovação é quando um empreendedor encontra uma maneira mais barata de produzir um bem existente de forma mais barata. O monopólio é a prática de produção abaixo do nível competitivo e, assim, obter mais lucro e assumir riscos quando uma empresa adota uma forma de produção que ela compreende ser pioneira e inovadora além daquilo que seus concorrentes praticam. Um papel fundamental do lucro econômico é mostrar aos produtores quais os bens que consumidores querem que sejam produzidos. Os lucros econômicos assinalam os bens que os consumidores querem mais e os prejuízos econômicos assinalam os bens que eles querem menos (Wessels, 2003). 56 https://www.pexels.com/pt-br/foto/adulto-africano-alto-falante-arte-1670045/ 09 O Produto Nacional Bruto 57 O Produto Interno Bruto Manter a economia de um país equilibrada e competitiva não é uma tarefa simples. Para realizar essa ação é necessário conhecer o comportamento econômico do país de uma forma bem profunda e, assim, faz-se necessário o uso de indicadores (Izidoro, 2019). Sabe-se que o crescimento de um país é medido a partir do seu nível de produção. No âmbito microeconômico e macroeconômico, a economia sempre se faz valer de vários indicadores para estipular como esse crescimento está ocorrendo. Mesmo com o advento da tecnologia, essa tarefa não é simples e, assim, o GPI, MW, ISEW e IEWB se tornaram ferramentas importantes a serem utilizadas nesse processo. Por ser uma ferramenta de diagnóstico de desempenhos, instituições como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) usam esse indicador para adaptar suas políticas através dele, medir e comparar o desenvolvimento econômico entre os países. No Brasil, da década de 1960 até os nossos dias, as métricas de crescimento em nossa economia são realizadas pela observação do PIB e que se tornou uma metodologia padrão em mensuração em quase todo o mundo. De acordo com Rossetti (2003, p. 594), “o PIB (Produto Nacional Bruto) expressa o resultado �nal das atividades econômicas realizadas dentro do território do país, não incluídas as transações intermediárias”. Ainda, para o autor, o PIB tem o entendimento de: a totalização do valor adicionado bruto pelas empresas, com a inclusão de impostos indiretos líquidos, dentro de um conceito amplo de território que abrange o terrestre, o espaço aéreo, as águas territoriais, as explorações em territórios em outros países sob regime concessionário, os enclaves territoriais das fronteiras geográ�cas e equipamentos móveis da bandeira nacional. O conceito é, portanto, equivalente aos convencionados, é agregação de �uxos internos, independentemente de os recursos serem ou não de propriedade da nação. (ROSSETTI, 2000, p. 594). No PIB de um país, a representação se dá por um único indicador, que procura expressar o nível de atividade em todos os setores. Em mercados ditos como economias emergentes e em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, o PIB pode ser afetado por diversos aspectos. 58 Segundo a Goldman Sachs, um dos maiores grupos �nanceiros do mundo, determinados fatores podem ter in�uência nesse cenário. Para Ferreira (2019, p. 118), esses fatores são as “características demográ�cas (população economicamente ativa), Renda per capita (para identi�car o poder econômico médio dos habitantes), Volume de demanda Global (tendências de consumo) e as variações cambiais (valor da moeda local no contexto internacional)”. Acesse o link: Disponível aqui As economias de países asiáticos somadas estão a caminho de superar o Produto Interno Bruto (PIB) de todo o restante do mundo, segundo cálculos de instituições �nanceiras e jornais especializados com base em projeções de crescimento. Se as projeções se con�rmarem, será a chegada do "Século da Ásia" ou "Era da Ásia". Segundo relatório do banco britânico Standard Chartered Plc, sete das dez maiores economias do mundo serão asiáticas até 2030. Embora seja de difícil avaliação e por apresentarem incertezas, essas questões auxiliam a análise do potencial de crescimento e desenvolvimento de um país. Valem considerar também, outros matizes como a estabilidade política, Índice de Desenvolvimento Econômico (IDH) da região, facilidade para empreender, por exemplo (Ferreira, 2019). Em contextos de crescimento (quando o investimento é alto e as taxas de desemprego são baixas) ou mesmo quando há recessão(queda na produção, baixo consumo, alto desemprego e não há estímulos aos investimentos) o PIB serve para: Para comparar o crescimento da economia de um país em diferentes períodos; Comparar o crescimento econômico de diferentes países. 59 https://www.bbc.com/portuguese/internacional-48764501 Fonte: Pexels Disponível aqui A medição do PIB pode seguir outros caminhos alternativos de maneiras distintas, mas que podem apresentar e obter as mesmas implicações, sendo eles, como a�rma Rossetti (2000, p. 596), Quadro 2: Os três ângulos do PIB Fonte: Adaptado de Rossetti, 2000, p. 596. Ótica da produção: PIB corresponde ao somatório dos valores agregados brutos pelas divisões produtivas da economia, sobrepondo aos impostos indiretos e diminuindo os subsídios; Ótica da renda: o PIB é mensurado a partir das remunerações pagas às unidades familiares, através dos salários, lucros distribuídos, juros e através dos aluguéis. A estas remunerações são acumulados os impostos indiretos e deduzidos os subsídios; Ótica do consumo: O Produto Interno Bruto deriva da soma do consumo das unidades familiares e do governo, também os investimentos. Estes últimos podem ser estendidos em formação bruta de capital �xo (FBKF) e variações de estoques. 60 https://www.pexels.com/pt-br/foto/aerofotografia-agua-ao-ar-livre-barco-2226458/ A fronteira da produção ajuda no processo de determinação e orientação para análise do PIB. Atividades que não são inclusas nas contas nacionais, não são contabilizadas e não têm in�uência no resultado do PIB. A produção pode ser entendida como toda atividade que visa atender às necessidade da sociedade, sejam elas de serviços, produtos tangíveis e intangíveis (HAFFNER, 2019). Diferenças entre o PIB e o Produto Nacional Bruto (PNB) De acordo com Rossetti (2000, p. 594), “o Produto Nacional Bruto, PNB, a preços de mercado, é o PIB deduzido dos pagamentos líquidos de produção pertencentes a outras nações”. São representados pela renda líquida enviada para o exterior, totalizando salários (pagamentos pelo fator trabalho), juros e arrendamentos (fator capital), royalties (capacidade tecnológica) e lucros (empresariedade), que se incorporam ao Produto Nacional das nações supridoras desses recursos. “Deduzindo do PNB a preços de mercado os tributos indiretos e acrescentando os subsídios, de�ne-se o valor do PNB ao custo dos fatores” (Rossetti, 2000, p. 595). No Brasil, por exemplo, os principais tributos indiretos cujo ônus se transfere para o usuário �nal dos bens e serviços sobre os quais incidem são por esfera de competência. Para o autor (2000, p. 595), esses tributos são “imposto sobre produto industrializado (IPI) em âmbito federal, impostos sobre a circulação de mercadorias (ICMS) de caráter estadual e o imposto sobre os serviços (ISS) de caráter municipal”. No ano de 1994, se somados os tributos IPI, ICMS, ISS e demais tributos indiretos, totalizaram-se 53,4 bilhões de reais. 61 Compreender essas distinções entre o Produto Interno Bruto e o Produto Nacional Bruto é muito importante porque em alguns países, assim como o Brasil, recebem fatores de produção localizados no estrangeiro e essa parcela é muito maior que os fatores que enviamos para o exterior e isso signi�ca que aquilo que enviamos para fora do país é um volume de renda muito maior do que recebemos (Ferreira, 2019). 62 10 A Inflação 63 Conceito de Inflação A in�ação é um fenômeno da economia que causa muita dor de cabeça para especialistas, governantes e empresários. De acordo com Izidoro (2019, p. 121), "in�ação é um conceito econômico que representa o aumento de preços dos produtos num determinado país ou região, durante um período. Num processo in�acionário o poder de compra da moeda cai". De acordo com Wessels (2003, p. 69), “a in�ação é um aumento no nível geral de preços de bens e serviços. A taxa de in�ação é a variação percentual no nível geral de preços ao longo de um ano”. Ainda, para Wessels, o procedimento padrão para medir a taxa de in�ação é “seja P (ano T) o índice de preços para o ano T e P (ano T-1) o índice para o ano anterior; a taxa de in�ação no ato T é:” Para Mankiw (2001, p. 434), “a in�ação pode ser conceituada como o aumento persistente e generalizado dos preços da economia. A taxa de in�ação é um indicador do aumento percentual do nível geral de preços (NGP)”. Para exempli�car a in�ação na prática, imagine um país com in�ação de 10% ao mês, um cidadão compra cinco quilos de feijão num mês e paga algo em torno de R$ 29,00. No mês seguinte, para comprar a mesma quantia de feijão, ele precisará desembolsar não mais R$ 20,00 e sim $21,00. Como os salários dos trabalhadores não sofrem reajustes mensais �ca evidenciada a diminuição do poder de compra. Ao persistir nesse ritmo, após um ano, o salário deste trabalhador vai perder 120% do valor de compra. 64 Fonte: Pexels Disponível aqui Quando a in�ação está descontrolada, quem mais sofre com os impactos são os trabalhadores assalariados que possuem salários baixos e não conseguem realizar nenhum tipo de aplicação que recupera ou garanta uma certa correção in�acionária (Pindyck e Rubin�eld, 2013). Acesse o link: Disponível aqui No ano de 2019, a in�ação brasileira foi de 4,31% (IPCA - Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), um pouco acima do índice de 2018 (3,75%). É importante ressaltar que a meta estabelecida pelo Banco Central Brasileiro é de 4,25%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Portanto, em 2019, o IPCA �cou um pouco acima do centro da meta e foi a terceira menor in�ação anual desde 2012. 65 https://www.pexels.com/pt-br/foto/alerta-alternativa-anunciar-anuncio-2519790/ https://www.suapesquisa.com/o_que_e/inflacao.htm Mas quais são os fatores que podem causar o aumento desenfreado da in�ação? De acordo com Rosseitti (2003, p. 610), são: "a emissão exagerada de dinheiro (injeção de dinheiro no mercado), aumento de consumo de produtos (demanda) maior que a capacidade de entrega (produção) e a falta de mão de obra, tecnologia, implementos e matéria-prima (aumentos de custo na produção dos produtos)”. A in�ação representa um con�ito distributivo pela repartição do produto não adequadamente administrado. Tradicionalmente, a literatura econômica consagrou duas correntes básicas: in�ação provocada pelo excesso de demanda agregada (in�ação de demanda) e a in�ação causada por elevações de custos (in�ação de custos) (LUQUE E VASCONCELLOS, 2016, p. 388). Fonte: Disponível aqui A hiperin�ação ocorre quando a in�ação �ca elevadíssima e fora de controle. Além de corroer o poder de compra do consumidor, a alta generalizada e contínua dos preços costuma provocar recessão e desvalorização acentuada da moeda. No Brasil, a hiperin�ação ocorreu entre as décadas de 1980 e 1990, quando a in�ação galopante chegou a superar os 80% ao mês, ou seja, o mesmo produto chegava a quase dobrar de preço de um mês para o outro. Dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostram que entre 1980 e 1989, a in�ação média no país foi de 233,5% ao ano. Na década seguinte, entre os anos de 1990 e 1999, a variação anual subiu para 499,2%. 66 https://br.advfn.com/economia/inflacao/brasil/historia Medindo a Inflação Uma das formas usadas pelos economistas para se medir a in�ação são os preços. “Os índices de preços medem como os preços hoje são comparados aos preços em um ano selecionado (chamado ano-base): eles expressam o custo atual de uma cesta de bens como uma porcentagem do custo dessa cesta ano-base” (Wessels, 2003, p. 66). O procedimento padrão para a construção de um índice de preços pode ser exempli�cado da seguinte forma: 1. Para um ano-base, determine que bens as pessoas compram e quanto desses bens é comprado. Calcule o custo dessa cesta de bens para o ano-base; 2. Calcule o custo da cesta para o ano T; 3. O índice de preços para o ano T é dado pela seguinte fórmula: Para Wessels (2003, p. 67), essa fórmula pode ser aplicada e exempli�cada da seguinte forma: “supondo-se que a cesta