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W BA 07 56 _V 2. 0 SISTEMAS ELÉTRICOS (FUNDAMENTOS, MATERIAIS E PROTEÇÃO 2 Eriberto Alvares Londrina Platos Soluções Educacionais S.A SISTEMAS ELÉTRICOS (FUNDAMENTOS, MATERIAIS E PROTEÇÃO 3 2024 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR Diretora Sr. de Pós-graduação & OPM Silvia Rodrigues Cima Bizatto Conselho Acadêmico Alessandra Cristina Fahl Ana Carolina Gulelmo Staut Camila Turchetti Bacan Gabiatti Camila Braga de Oliveira Higa Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Juliana Schiavetto Dauricio Juliane Raniro Hehl Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Coordenador Mariana Gerardi Mello Revisor Lilian Venturi Pinheiro Editorial Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Márcia Regina Silva Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ Alvares, Eriberto Sistemas Elétricos (fundamentos, materiais e proteção) / Eriberto Alvares, – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2024. 32 p. ISBN 978-65-5903-542-7 1. Instalações elétricas industriais. 2. Proteção de equipamentos elétricos. 3. Relés de proteção. I. Título. CDD 621.319 _____________________________________________________________________________ Raquel Torres – CRB 8/10534 A473s © 2024 por Editora e Distribuidora Educacional S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e 4 SUMÁRIO Apresentação da disciplina ___________________________________05 Componentes de instalações elétricas, condutores elétricos, aterramento e correção do fator de potência ________________07 Filosofia geral, requisitos básicos e dispositivos principais em sistemas de proteção __________________________________________21 Aplicações dos Relés em Sistemas de Potência _______________31 Esquemas, diagramas e análise de desempenho de proteção elétrica ________________________________________________________42 SISTEMAS ELÉTRICOS (FUNDAMENTOS, MATERIAIS E PROTEÇÃO) 5 Apresentação da disciplina Esta disciplina tratará dos principais componentes de instalações elétricas industriais, os condutores elétricos, correção do fator de potência e proteção de sistemas de potência. Será abordado o uso dos relés de proteção e seu papel nas novas tecnologias aplicadas à proteção de sistemas de potência, com o advento dos equipamentos de controle e automação de processos. Você poderá aprender também a respeito dos principais conceitos regulatórios do sistema elétrico de potência, e relacioná-los com os agentes reguladores e fiscalizadores em um contexto focado na qualidade de fornecimento de energia elétrica. Conhecerá acerca dos elementos que compõem os sistemas elétricos, suas características e limitações, com a aplicação das principais técnicas da proteção utilizadas nos sistemas elétricos de potência e os equipamentos utilizados para esta finalidade. Conhecerá o dimensionamento dos sistemas de aterramento, contemplando os aspectos de projeto, montagem e medição de parâmetros, envolvendo inclusive os cálculos da correção do fator de potência para as instalações elétricas. Nesse contexto, compreenderá mais acerca dos religadores, dos relés e as filosofias de proteção para transformadores, motores, geradores, barramentos e capacitores (principais elementos presentes nas indústrias). Por fim, conhecerá os processos de análise, critérios e práticas a serem observados nos estudos de proteção para a escolha, o dimensionamento e a localização dos equipamentos de proteção contra sobrecorrente na rede de distribuição. A intenção é preparar você, 6 profissional engenheiro(a), para atuar na área de proteção de sistemas elétricos, reforçando os aspectos técnicos da função. Bons estudos! 7 Componentes de instalações elétricas, condutores elétricos, aterramento e correção do fator de potência. Autoria: Eriberto Alvares Leitura crítica: Lílian Venturi Pinheiro Objetivos • Conhecer os elementos que compõem os sistemas elétricos, suas características e limitações. • Compreender a importância e o dimensionamento de sistemas de aterramento. • Dimensionar sistemas de aterramento, contemplando os aspectos de projeto, montagem e medição de parâmetros. • Realizar os cálculos da correção do fator de potência para as instalações elétricas. 8 1. Componentes de instalações elétricas e os condutores elétricos As instalações elétricas desempenham um papel vital na infraestrutura moderna, fornecendo energia para residências, edifícios comerciais, industriais e infraestruturas públicas. Esses sistemas consistem em uma série de componentes, que trabalham em conjunto para garantir a distribuição segura e eficiente de eletricidade. Desde simples interruptores até complexos painéis de distribuição, cada componente desempenha um papel específico no funcionamento do sistema como um todo. Neste material, abordaremos os principais componentes das instalações elétricas, com o foco naqueles que são essenciais para qualquer projeto elétrico. 1.1 Projetos de instalações elétricas e as normas técnicas Antes de conhecer os componentes de instalações elétricas, é necessário saber que etapa de projetos de instalações elétricas é muito importante para garantir o funcionamento seguro, eficiente e produtivo nas operações com os sistemas elétricos. Os componentes de sistemas elétricos devem fazer parte do projeto elétrico, portanto, é importante compreender seus conceitos, pois, além de serem muito importantes, certamente será de grande valia a sua formação e facilitar seu desenvolvimento profissional. A função principal de uma norma é estabelecer padrões e regras para tratar um tema ou o exercício de uma função. Existem normativas estabelecidas para vários tipos de atividades. As normas técnicas para 9 serviços em eletricidade e segurança do trabalho devem ser seguidas, para elaboração segura e confiável dos projetos elétricos. Imagine se não existissem normas para regulamentar e orientar as instalações elétricas? Você acredita que, sem essa padronização, conseguiríamos reduzir os riscos e os custos dos projetos elétricos? Na Figura 1, podemos observar o fluxo para a execução de serviços elétricos, que devem ser sempre embasados em normas técnicas, antes de sua execução. Figura 1 – A importância dos projetos baseados em normas técnicas Fonte: elaborada pelo autor. 1.2 Dispositivos de seccionamento e proteção Os interruptores são os principais componentes de seccionamento, portanto podemos dizer que são essenciais nos projetos de instalações elétricas. Os interruptores controlam o fluxo de eletricidade em diferentes áreas de uma estrutura, permitindo ligar e desligar a corrente elétrica, conforme necessário. Os interruptores podem variar em complexidade, desde simples interruptores de parede até interruptores mais sofisticados, como os de circuito triplo, que permitem controlar uma única luz de várias localizações. Além dos interruptores, os disjuntores são componentes fundamentais de uma instalação elétrica. Esse dispositivo de segurança é projetado para interromper o fluxo de corrente elétrica, em caso de sobrecarga 10 ou curto-circuito. Os disjuntores ajudam a proteger os equipamentos elétricos e a prevenir incêndios, desempenhando um papel crucial na segurança das instalações. Existem outros tipos de dispositivos de proteção, tais como: Dispositivos de Proteção Contra Surtos (DPS); DR – Dispositivo Diferencial Residual (DR); fusíveis; entre outros. Sabemos dos perigos que o trabalho com eletricidadeapresenta. Você já sentiu ou presenciou alguém tomando um choque elétrico? Os efeitos da eletricidade podem causar danos severos à saúde, seja diretamente pelas queimaduras, paradas cardíacas, entre outros, ou indiretamente por um acidente devido a uma queda em altura. 1.3 Condutores elétricos Outro componente importante é o condutor ou fio elétrico. Esses condutores transportam a eletricidade de um ponto a outro, dentro de uma instalação. Os fios elétricos são fabricados com diferentes diâmetros e materiais, cada um adequado para diferentes aplicações e cargas elétricas. É essencial selecionar o fio elétrico correto para garantir a segurança e a eficiência da instalação. Os condutores elétricos são dotados de materiais que possuem a capacidade de permitir o fluxo de eletricidade (corrente elétrica). Além disso, possuem elétrons livres capazes de se mover facilmente através do material quando uma diferença de potencial é aplicada. Internamente, pode ser feito de cobre, alumínio, prata, ouro e ferro, e, por fora, pode ou não receber uma capa protetora (dielétrica). Na Figura 2, podemos observar alguns tipos de cabos condutores de eletricidade. 11 Figura 2 – Condutores elétricos Fonte: Shutterstock.com. Dependendo da necessidade, utilizamos condutores de materiais específicos. O cobre é muito utilizado em fios e cabos elétricos, devido sua elevada condutividade elétrica e grande resistência à oxidação. O alumínio possui aderência no mercado, especialmente em aplicações de transmissões de longa distância. A prata e o ouro são os melhores condutores de eletricidade, pois possuem uma condutividade elétrica muito elevada. Normalmente, são usados em sistemas eletrônicos avançados pelo seu alto custo. O ferro também conduz eletricidade e, normalmente, é usado em estruturas de aterramento. 1.4 Plugues e tomadas Além dos componentes básicos, as instalações elétricas, frequentemente, incluem tomadas elétricas e plugues. Esses dispositivos fornecem pontos de acesso à eletricidade para conectar equipamentos e aparelhos elétricos. As tomadas podem variar em design e capacidade de carga, e é importante selecionar aquelas que atendam às 12 necessidades específicas da instalação. As tomadas comuns podem ser chamadas de Tomadas de Uso Geral (TUG), normalmente, encontradas nos recintos para conectar os plugues dos equipamentos elétricos e eletrônicos. 1.5 Eletrocalhas e eletrodutos Os eletrodutos e as eletrocalhas são elementos importantes para sediar e acondicionar os cabos condutores, colaborando ainda mais para a elaboração de projetos seguros, eficientes e com os custos condizentes com a realidade dos requisitos do cliente, seja residencial, predial ou industrial. Abaixo, apresentamos as propriedades e vantagens dos dutos elétricos, para sua melhor compreensão: • Proteção física: os dutos protegem os cabos elétricos contra impactos, esmagamentos e outros danos mecânicos, que possam ocorrer durante a instalação, manutenção ou uso das instalações elétricas. • Organização: permitem a organização dos cabos elétricos, facilitando a identificação e o gerenciamento das conexões elétricas. Isso torna a manutenção e a solução de problemas mais eficientes. • Segurança: os dutos de eletricidade ajudam a reduzir os riscos de incêndio, curto-circuito e choques elétricos, isolando os cabos elétricos e mantendo-os protegidos de contato acidental com pessoas ou objetos. • Flexibilidade: os dutos flexíveis permitem a passagem dos cabos elétricos em curvas e contornos, facilitando a instalação em locais de difícil acesso ou com trajetos complexos. 13 Você já deve ter se deparado com fios e cabos elétricos fora dos eletrodutos, soltos pelo piso ou até mesmo em paredes sem nenhuma proteção. Imagine o risco que essas instalações estão correndo. Diante desse cenário, você consegue compreender a importância desses elementos em uma instalação elétrica? 1.6 Quadros de distribuição Os quadros de distribuição também são peças-chave das instalações elétricas. Esses painéis abrigam os disjuntores e outros dispositivos de proteção, permitindo a distribuição segura da eletricidade para diferentes circuitos dentro de uma estrutura. Os quadros de distribuição devem ser instalados por profissionais qualificados e em conformidade com os códigos e regulamentos elétricos locais. Na Figura 3, podemos observar o interior de um quadro de distribuição de energia elétrica, com comandos para distribuição dos circuitos elétricos. Figura 3 – Quadro de distribuição Fonte: Shutterstock.com. 14 1.7 Outros componentes elétricos Além desses componentes, outros dispositivos, como transformadores, estabilizadores de tensão e filtros de linha, podem ser incorporados às instalações elétricas para atender a requisitos específicos de energia e garantir um fornecimento elétrico estável e confiável. A parte de iluminação é muito importante para que os ambientes possam estar seguros e com conforto visual adequado para a realização das atividades. Para isso, encontramos diversos tipos de componentes para o sistema de iluminação, tais como: lâmpadas, luminárias, relés fotoelétricos, entre outros. 2. Sistemas de aterramento O sistema de aterramento é uma ligação intencional à terra (ou menor potencial), com a finalidade de escoar correntes indesejadas ou perigosas, que podem circular na instalação elétrica, tais como: descargas atmosféricas e curto-circuito. Sendo assim, o objetivo do sistema de aterramento é proteger da integridade física das pessoas e dos aparelhos. Dessa forma, o projeto de instalação elétrica deve apresentar o dimensionamento do condutor de proteção, juntamente com o padrão de entrada, fixando uma haste de cobre nu ao lado do padrão de entrada, com comprimento e seção especificado pela distribuidora de energia da região. Podemos observar na Figura 4, uma haste de aterramento com um condutor de proteção conectado. 15 Figura 4 – Sistema de aterramento Fonte: Shutterstock.com. 2.1 Condutor de proteção O condutor de proteção, também conhecido como fio terra ou condutor de aterramento (ou PE), é um condutor elétrico utilizado em instalações elétricas para garantir a segurança dos usuários e proteger equipamentos contra falhas elétricas. Além disso, tem a função de criar um caminho de baixa resistência elétrica para desviar correntes indesejadas, como correntes de falta ou correntes de curto-circuito, para a terra. O condutor de proteção é, geralmente, identificado pela cor verde ou verde/ amarelo, seguindo as normas de identificação de condutores elétricos. É conectado a uma haste de aterramento ou a um sistema de aterramento adequado, que permite que as correntes indesejadas sejam dissipadas com segurança para a terra. A presença do condutor de proteção é essencial para garantir a segurança elétrica das instalações e prevenir riscos de choque 16 elétrico. Quando ocorre uma falha elétrica, como um curto-circuito, o condutor de proteção desempenha um papel crucial ao fornecer uma rota alternativa para a corrente elétrica. Isso ajuda a evitar que a corrente flua através de partes metálicas expostas, como carcaças de equipamentos ou estruturas, que poderiam representar um perigo para as pessoas. 2.2 Esquemas de aterramento Segundo Creder (2016), as redes de distribuição de eletricidade são classificadas de acordo com esquemas de aterramento, que variam conforme o modo de alimentação e das massas com relação ao terra. Os sistemas são classificados segundo um código no formato XYZ, onde: X = identifica o modo da alimentação em relação ao terra: T = sistema diretamente aterrado. I = sistema isolado ou aterrado por impedância. Y = identifica o modo das massas da instalação com relação ao terra: T = massas diretamente aterradas. N = massas ligadas ao ponto de alimentação, onde é feito o aterramento. Z = disposição dos condutores neutro e de proteção: S = condutores neutro e de proteção separados. C = neutroe de proteção combinados em um único condutor (PEN). 17 De acordo com Creder (2016), o esquema TN tem um ponto de alimentação aterrado diretamente, onde as massas estão conectadas nesse ponto pelos condutores de proteção. A corrente de falta direta fase-massa é uma corrente de curto-circuito. O esquema TT tem um ponto de alimentação aterrado, estando as massas da instalação ligadas a pontos de aterramento distintos do ponto de aterramento da instalação. A corrente de falta direta fase-massa é menor que a corrente de curto-circuito, mas pode produzir tensões de contato muito perigosas. O esquema IT não possui nenhum ponto da alimentação aterrado (é um sistema isolado ou aterrado através de impedância), porém, as massas da instalação encontram-se aterradas. As correntes de falta fase-massa não são muito altas a ponto de causar tensões de contato perigosas. Esses sistemas não devem possuir o neutro na instalação, mas é obrigatória a utilização de dispositivo supervisor de isolamento (DSI) com alarmes. 3. Correção do fator de potência A correção do fator de potência é importante ocorrer, pois, caso contrário, gera cobrança de valores adicionais pelas distribuidoras de energia elétrica, devido ao excedente de demanda reativa e consumo de energia reativa. Sendo assim, quando o fator de potência estiver baixo, oferece uma sobrecarga no sistema elétrico (cabos condutores, transformadores etc.) além de gerar perdas, quedas de tensão e desgaste em equipamentos de manobra e proteção na rede elétrica. As máquinas, que, normalmente, colaboram para reduzir o fator de potência, são: motores de indução, retificadores, transformadores de potencial, reatores eletromagnéticos das lâmpadas fluorescentes, equipamentos eletrônicos, entre outros. 18 Para a correção do fator de potência, Creder (2016) indica que o método mais difundido para a correção do fator de potência consiste na instalação de bancos de capacitores em paralelo com a rede elétrica, por conta de seu baixo custo de implantação e por serem equipamentos estáticos com custo de manutenção baixo. A aplicação de motores síncronos superexcitados até pode ajudar a redução do fator de potência, mas o custo de implantação é muito alto. A potência em Watts está ligada às resistências elétricas, porém, os aparelhos elétricos também são compostos por capacitores e indutores. Para esses demais componentes, encontramos a potência reativa (Q) cuja unidade é o Volt Ampere Reativo (VAR). Fazendo a combinação dessas duas potências elétricas, obtemos a potência aparente (S), cuja unidade de medida é o Volt Ampere (VA). A Figura 5 apresenta a representação gráfica para as relações das potências. Figura 5 – Triângulo de potências Fonte: elaborada pelo autor. O triângulo das potências é um triângulo retângulo, onde temos as relações trigonométricas por meio das equações: 19 Conectando à realidade: Situação: instalações elétricas em um galpão recém-construído. Imagine que você está trabalhando em uma fábrica, que, recentemente, construiu um novo galpão, com a finalidade de expandir a linha de produção de aerossóis. Nesse caso, é importante conhecer as demandas dos equipamentos que ali serão instalados, bem como os tipos de atividades a serem realizadas. Tudo isso com o objetivo de realizar as instalações elétricas e liberar o novo galpão para as novas atividades produtivas. Com base nos conhecimentos adquiridos na disciplina, você poderá ser capaz de desenvolver um plano de ação para definir os principais componentes de uma instalação elétrica e saber quais os equipamentos que colaborarão para a redução do fator de potência. Aplicabilidade: • Realizar um projeto de instalações elétricas baseado nas normas técnicas e de segurança do trabalho, com o objetivo de desenvolver os serviços elétricos de modo seguro e confiável. • Incluir, no projeto elétrico, o sistema de aterramento ideal para a instalação da edificação. 20 • Utilizar técnicas cálculo de fator de potência para saber se será preciso realizar sua correção. Referências COTRIN, A. A. M. B. Instalações elétricas. 4. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2003. CREDER, H. Instalações elétricas. 16. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016. MONTICELLI, A. J.; GARCIA, A. Introdução a sistemas de energia elétrica. 2. ed. Campinas: UNICAMP, 2011. MAMEDE FILHO, J. Manual de equipamentos elétricos. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2022. MAMEDE FILHO, J. Instalações elétricas industriais. 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2011. MAMEDE FILHO, J.; MAMEDE, D. R. Proteção de sistemas elétricos de potência. Rio de Janeiro: LTC, 2011. 21 Filosofia geral, requisitos básicos e dispositivos principais em sistemas de proteção Autoria: Eriberto Alvares Leitura crítica: Lílian Venturi Pinheiro Objetivos • Compreender os funcionamentos dos elementos da proteção. • Conhecer as principais técnicas da proteção utilizadas nos sistemas elétricos de potência e os equipamentos utilizados para este fim. • Entender os relés de proteção e as filosofias de proteção para transformadores, motores, geradores, barramentos e capacitores. 22 1. Filosofia geral e requisitos básicos em sistemas de proteção A proteção do sistema elétrico é importante para indústria da eletricidade, portanto, é necessário conhecer sua filosofia e requisitos básicos. Sendo assim, é importante reforçar os conceitos de redes de transmissão e de redes de distribuição. Precisamos conhecer as principais falhas que ocorrem no sistema elétrico, com o foco na falha mais severa: o curto-circuito. 1.1 Filosofia geral da proteção O objetivo da proteção em um sistema elétrico é fazer com que seja capaz de propiciar um nível de serviço confiável, com mais continuidade, e com custos operacionais menores, sem perder a qualidade e a segurança, com interrupção da energia apenas em situações extremas ou arriscadas. O objetivo da coordenação nos sistemas elétricos é assegurar que operem com segurança e confiabilidade. Para aplicar esses conceitos, é necessário conhecer previamente as zonas primárias de atuação da proteção. Após esse conhecimento, é possível realizar a coordenação dos sistemas para ter a proteção de retaguarda (ou backup), ou seja, caso o sistema de proteção de alguma zona não atue, o sistema da zona ao lado deve entrar em ação, de forma temporizada, evitando, assim, a disseminação da falha. Para chegarmos à compreensão clara da filosofia da proteção, precisamos ter um conhecimento amplo sobre a estrutura do sistema de proteção, bem como das principais falhas do sistema elétrico de potência, dos requisitos básicos do esquema de proteção e da coordenação seletiva (Mamede Filho, 2011). 23 1.2 Requisitos básicos em sistemas de proteção As exigências de operação de um sistema de proteção são as bases para determinar seus requisitos básicos e o elemento principal desse processo é o relé. Os termos, normalmente, utilizados nesse processo de definição de seus requisitos, são: seletividade, sensibilidade, disponibilidade, segurança e confiabilidade. Nesse cenário, procura-se adotar um sistema de proteção que seja sensível o bastante para atuar na detecção das falhas, com a menor corrente de curto-circuito em uma condição de operação real. Precisa ser dotado de capacidade para selecionar, em um determinado estado de operação, apenas o está apto a atuar, ou seja, deve operar apenas nos estados de atuação que são determinados. O sistema deve ser ágil o bastante para atuar na velocidade necessária, pois o objetivo principal do esquema de proteção é atuar o mais rápido possível, removendo a parte do sistema que está em falha, de modo a reduzir o impacto no fornecimento de energia elétrica. Dessa forma, sensibilidade e seletividade são primordiais para assegurar que os relés e os disjuntores possam ser acionados de forma adequada. A confiabilidade do esquema de proteção é um requisito básico, pois quando a proteção não atua corretamente, podemos considerar que o sistemanão se encontra eficiente. Sendo assim, é importante que o sistema de proteção esteja projetado de forma confiável, e que a aplicação, instalação, comissionamento e manutenção asseguram o funcionamento pleno da sua capacidade (Mamede Filho, 2011). Podemos garantir que um esquema de proteção seja disponível, quando estiver confiável e que possa garantir que realizará sua tarefa a qualquer momento. O sistema considerado seguro é para o caso de não atuar em qualquer tipo de falha. Dessa forma, disponibilidade, confiabilidade 24 e segurança, estão relacionadas entre si e sua adequada aplicação gira em torno da escolha correta de todos os seus principais elementos, tais como: Transformadores de Corrente (TCs); Transformadores de Potência (TPs); disjuntores; fusíveis; relés; sistema SCADA; entre outros. Na Figura 1, temos uma subestação com os sistemas de proteção. Figura 1 – Vista aérea de uma subestação de energia elétrica confiável Fonte: Shutterstock.com. 2. Fusíveis e religadores Os fusíveis também são importantes, mas quando atuam, precisam ser substituídos. Conheceremos cada um deles a seguir. 25 2.1 Fusíveis O fusível é um dispositivo projetado para proteger os circuitos elétricos e se funde quando percorrido por uma corrente superior à que foi projetado, gerando o desligamento da rede elétrica (Mamede Filho, 2011). Para os sistemas primários, ou seja, para proteção de subestações industriais de pequeno porte, utilizamos fusíveis primários para interrupção de correntes de curto-circuito. O elo fusível é utilizado para proteções contra sobrecorrente redes primárias de distribuição. Consideramos eficiente o elo fusível, se atender aos seguintes parâmetros: 1) manter a rede elétrica sob falha completamente isolada ao romper seu elemento interno; 2) eliminar completamente o arco elétrico gerado no instante da fusão de seu elemento interno; 3) manter sem centelhamento e aberta a rede elétrica, mesmo que ainda esteja presente em seus terminais uma tensão nominal. Na Figura 2, temos um elo fusível no topo de um poste. Observe! Figura 2 – Chave e elo fusível montados em um poste de distribuição Fonte: Shutterstock.com. 26 O elo fusível tem uma classificação de acordo com a velocidade (Speed Ratio–SR), também chamada de relação de rapidez. O SR é definido por meio da razão do tempo da corrente mínima de fusão (0,1s) e da corrente mínima de fusão (300s) (Mamede Filho, 2011). As classificações dos fusíveis são designadas pelos tipos: K – Rápidos com SR, apresentado entre 6s e 8s. A sua capacidade de sobrecarga (sobrecorrente) do valor nominal é de 50%; T – Lentos com SR, de 10s a 13s. Atendem a uma sobrecarga (sobrecorrente) de 50% e H – Suportam sobrecorrentes muito elevadas e, mesmo assim, garantem alta temporização na operação. Sendo assim, são conhecidos como fusíveis muito lentos. Temos curvas características para cada tipo de fusível, na Figura 3, apresentamos um gráfico genérico das curvas características dos elos fusíveis. Figura 3 – Curva genérica dos dispositivos tipo elos fusíveis Fonte: elaborada pelo autor. 27 2.2 Religadores O religador tem a função de detectar condições em sobrecorrente, isolar o circuito, caso a sobrecorrente persista depois de um período de tempo, e, após a realização de verificações, religar o circuito de modo automático. Sendo assim, interrompem de forma automática a corrente elétrica, conforme o limite de ações de abertura e fechamento da rede elétrica quando ocorre uma falha. Normalmente, são usados nas redes aéreas de distribuição das distribuidoras de eletricidade, pois colaboram para minimizar as falhas transitórias, ou melhor, as falhas que se apresentam momentaneamente (Mamede Filho, 2011). Os ajustes se baseiam na sequência de operação, tempo de religamento e o tempo de rearme. O tempo de rearme ocorre conforme a equação abaixo: Tre = 1,10 × Tto + 1,15 × Tti Onde: Tre–Tempo de rearme em segundos; Tto–Tempo total das operações de abertura, levando em conta a corrente mínima de acionamento; Tti– Tempo total dos intervalos de religamento. O religador trabalha juntamente com o elo fusível, porém, nas duas primeiras tentativas, o religador deve atuar na esperança de que a falha seja transitória, ou seja, se o que causou a falha seja retirado normalmente. A partir da terceira ou quarta tentativa de religamento, o elo fusível deve atuar caso ocorram as condições térmicas das correntes de curto-circuito. Observe, na Figura 4, um exemplo de atuação do religador em conjunto com o elo fusível. 28 Figura 4 – Atuação do religador e do elo fusível em caso de falhas Fonte: elaborada pelo autor. 3. Relés de proteção Os tempos de atuação na coordenação dos relés de sobrecorrente podem variar conforme o nível de corrente. Conforme a norma NBR 14.039, precisa ser instalado um dispositivo localizado entre o ponto de entrega da energia e a origem da instalação, a fim de proteger a instalação de média tensão. A proteção é feita com disjuntores, acionados por relés secundários e dotados de unidades temporizadas com fase e neutro. Os relés de proteção contra sobrecorrente também são utilizados para proteger circuitos terminais, pois os tempos de operação necessários são inversamente proporcionais às correntes que fluem no circuito para atender as cargas, tais como: geradores, motores, capacitores e reatores. Os relés primários atuam mecanicamente por varetas isolantes sobre o disjuntor. No caso dos relés secundários, fecham contatos internamente para acionar os disjuntores, com uma fonte externa. Os tipos de relés mais usados são os fluidodinâmicos, pois são dispositivos robustos e que apresentam um custo mais baixo. Abaixo, temos a equação que rege sua corrente de regulação: Ia = (1,3 a 1,5) × Itr (A) 29 Onde: Ia–Corrente de regulação dos relés em amperes (A). Itr–Somatório das correntes nominais primárias em amperes (A). Os relés estáticos de sobrecorrente instalador em caixa metálica são para evitar a interferência de campos eletromagnéticos. Além disso, possuem transformadores de corrente, circuitos eletrônicos (controle de atuação) e sistema mecânico de saída para atuar conforme a lógica eletrônica. Os relés digitais secundários de sobrecorrente protegem o sistema elétrico e armazenam dados, que permitem a interligação com um computador preparado para receber esses dados, processá- los e emitir ordens baseadas neles. São dotados de proteção contra sobrecorrente de fase e de neutro, proteção contra falha de disjuntor, registro de eventos, curvas de operação, ajustes de parâmetros e comunicação com o computador (sistema supervisório). Conectando à realidade: Situação: Proteção das instalações elétricas em uma subestação industrial. Imagine que você está trabalhando em uma indústria de laticínios e que, após construir um novo galpão, precisará incluir sistemas de proteção em sua nova subestação. O objetivo é realizar uma proteção adequada do sistema elétrico da fábrica de laticínios e oferecer segurança para pessoas e equipamentos. Com base nos conhecimentos adquiridos, você poderá ser capaz de definir qual é o tipo de equipamento para proteção de sobrecorrentes para instalar na subestação, com o objetivo de proteger as cargas internas da sua fábrica. 30 Aplicabilidade: • Nesse caso, aplicar os relés de sobrecorrente, além dos disjuntores, chaves seccionadoras e elos fusíveis. Podemos adotar o tipo de relé primário de ação direta, o fluidodinâmico (estático) pois são dispositivos robustos e apresentam um custo mais baixo e atendem bem ao seu propósito, pois, apesar de serem de uma tecnologia obsoleta e não serem mais fabricados, ainda encontramos os relés primários de ação direta em instalações industriais. • Assegurar que o sistema de aterramento está adequado para a instalação da edificação. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14.039: instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Riode Janeiro: ABNT, 2005. CAMINHA, A. C. Introdução à proteção dos sistemas elétricos. São Paulo: E. Blücher, 1977. MAMEDE FILHO, J.; MAMEDE, D. R. Proteção de sistemas elétricos de potência. Rio de Janeiro: LTC, 2011. PAPENKORT, F. Esquemas elétricos de comando e proteção. 2. ed., rev. e ampl. São Paulo: EPU, 1989. SATO, F.; FREITAS, W. Análise de curto-circuito e princípios de proteção em sistema de energia elétrica: fundamentos e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. SILVA, E. C. Proteção de sistemas elétricos de potência: guia prático de ajustes. 1. ed. Rio de Janeiro: Quality mark, 2014. ZANETTA JR., L. C. Fundamentos de sistemas elétricos de potência. 1. ed. São Paulo: Livraria da Física, 2006. 31 Aplicações dos Relés em Sistemas de Potência Autoria: Eriberto Alvares Leitura crítica: Lílian Venturi Pinheiro Objetivos • Entender os relés de proteção e as filosofias de proteção para transformadores, motores, geradores, barramentos e capacitores. • Analisar os critérios e práticas a serem observados nos estudos de proteção para a escolha, dimensionamento e localização dos equipamentos de proteção contra sobrecorrente na rede de distribuição. • Conhecer as principais técnicas da proteção utilizadas nos sistemas elétricos de potência e os equipamentos utilizados para este fim. 32 1. Aplicações específicas dos relés em sistemas de potência Normalmente, os sistemas de controle aplicam relés para proteção das instalações elétricas de potência, promovendo a separação galvânica entre os circuitos elétricos na presença de falhas, tais como: sobrecargas, correntes irregulares e outros problemas. Nos casos de subestações superiores a 300kVA, a norma NBR 14.039 (ABNT, 2005) define que a proteção geral deve ocorrer por meio de um disjuntor que atua exclusivamente através dos relés secundários. Dessa forma, a proteção atua no sistema, de modo a prover o isolamento do circuito elétrico onde se encontra em falha, evitando que o resto do sistema sofra as mesmas consequências. Entretanto, para que o sistema elétrico não fique indisponível, além da proteção, é muito importante possuir o maior número de dados do sistema elétrico (Mamede Filho, 2011). Na Figura 1, verificamos que coletar esses dados no campo ou por meio de modo remoto, poderá ajudar na segurança do sistema elétrico. 33 Figura 1 – Operador do sistema elétrico, coletando dados dos equipamentos Fonte: Shutterstock.com. 1.1 Requisitos para a aplicação de relés Temos cinco requisitos básicos para a implementação dos relés, conforme abaixo descrito: • Confiabilidade: assegurar que a proteção atuará adequadamente. • Seletividade: garantir a alta continuidade do serviço, com o mínimo de desconexão possível do sistema. • Velocidade de operação: que a duração da falta seja a menor possível, causando o mínimo dano no equipamento e promovendo uma baixa instabilidade no sistema elétrico. 34 • Simplicidade: possuir o mínimo de dispositivos ou circuitos para que se possa atingir os objetivos da proteção. • Economia: oferecer a máxima proteção com o menor custo possível. Os relés de proteção precisam ser testados regularmente para garantir que estejam funcionando corretamente e possam desempenhar sua função de proteger o sistema elétrico contra falhas e sobrecargas. Os testes regulares de relés de proteção são uma prática essencial para garantir a operação segura e confiável do sistema elétrico. Na Figura 2, podemos observar um relé acoplado a um equipamento para realizar seus testes e calibrações. Figura 2 – Relé de proteção sendo submetido aos testes e as calibrações Fonte: Shutterstock.com. 35 1.2 Classificação dos relés de proteção Os relés podem ser classificados pelas grandezas elétricas as quais são sensibilizados, ou seja, as grandezas elétricas que medem conforme as descrições abaixo: • Relés de tensão: proteções sobre e de subtensão. • Relés de corrente: aplicados nos sistemas elétricos na proteção de sobrecargas e curto-circuitos. • Relés de frequência: operam no desligamento dos disjuntores, que atuam quando ocorre uma diferença no valor predeterminado pelo operador do sistema elétrico. • Relés direcionais: uso obrigatório em instalações de grande porte, onde o abastecimento de energia elétrica ocorre por duas ou mais fontes. Esses relés detectam o fluxo reverso de corrente elétrica no circuito a ser protegido. • Relés de impedância: normalmente, são usados para proteger as linhas de transmissão, especialmente pelas distribuidoras. Na Figura 3, podemos observar as possibilidades de uso e integrações dos vários tipos de relés de proteção para sistemas elétricos de média tensão. 36 Figura 3 – Tipos de relés de proteção para média tensão Fonte: elaborada pelo autor. 2. Relés térmicos e de proteção de fase Para os relés de proteção de fase, a menor corrente de falha, que não está relacionada com a terra, é a corrente bifásica de curto-circuito. Para os relés destinados à proteção de neutro, a menor corrente de curto-circuito é aquela resultante de um defeito monopolar à terra com elevada impedância. Nesse caso em particular, para transformadores conectados em triângulo no primário e ligados em estrela no secundário, com o neutro aterrado, as correntes de falha à terra adotam valores desprezíveis, pois não farão com que os relés de neutro atuem, ajustados convenientemente para correntes da ordem de uma dezena de ampères, muito distante do valor mínimo da corrente de falha. Isso é comum em redes de distribuição aéreas, onde o condutor no solo possui uma resistência de contato superficial elevada. Esse é o exemplo que se aplica em ruas asfaltadas, quando o condutor encosta em galhos de árvores que cresceram embaixo de uma rede aérea (Mamede Filho, 2011). 37 2.1 Relés térmicos Os relés térmicos, normalmente, são utilizados na proteção contra sobrecarga e curto-circuito de motores. Os dispositivos usados compreendem: fusíveis de ação retardada em todos os condutores do ramal não ligados à terra, chaves magnéticas com relés térmicos (disjuntores), usados na partida e proteção dos motores. Os relés são instalados nos condutores-fase dos circuitos monofásicos ou em duas fases de um ramal trifásico. No caso de relés térmicos não ajustáveis, para motores, cuja elevação de temperatura seja de 40oC ou com Fator de Serviço (FS) maior ou igual a 1,15, a capacidade nominal dos dispositivos de proteção deve ser 125% da corrente nominal do motor e de 115% nos demais casos (Mamede Filho, 2011). 2.2 Relés de proteção de fase Os relés de sobrecorrente de indução são utilizados para a proteção de diferentes elementos do circuito, e os ajustes necessários devem satisfazer às características particulares do sistema que precisa receber proteção. Os relés nessa configuração são usados para proteger a fase e o neutro do sistema. Pode ser dispensada uma unidade de fase, por exemplo, a da fase B, sem que sejam modificadas as condições de atuação da proteção, a não ser que ocorra a falha em um relé. Grande parte das instalações utiliza três relés de fase, ficando uma unidade para contingência (Mamede Filho, 2011). Os relés de distância de admitância são usados na proteção de fase de linhas de transmissão longas. Do mesmo modo que os relés de distância de impedância, os relés de distância de admitância são sensíveis à resistência de arco, por causa da corrente de curto-circuito. Os relés de 38 distância de admitância são também conhecidos como relés MHO (que significa o contrário de Ohm). 3. Relés de proteção de média tensão (cabines primárias) Relés de sobrecorrente primários são chamados também de relés de ação direta. Os relés primários, atualmente, não são aceitos pela norma brasileira NBR 14039 para a proteção geral de unidades consumidoras supridas em média tensão. No entanto, são utilizados na proteção das demais partes ou componentes dos sistemas de média tensão internos à unidade consumidora. A grande vantagemdos relés primários diz respeito ao seu preço acessível e a poder operar sem a necessidade de uma fonte externa, normalmente, de custo mais elevado. Como principal desvantagem, não é possível conectar os relés primários no esquema de proteção de neutro utilizado na proteção contra curtos-circuitos fase-terra, tal como ocorre com os relés secundários (Mamede Filho, 2011). As proteções de sobrecorrente, que, atualmente, substituem os relés primários são os relés de sobrecorrente digitais secundários, acionados por dispositivo capacitivo (normalmente chamado de trip capacitivo), atendem aos requisitos da norma (NBR 14039). Com o advento desse tipo de proteção, os relés de sobrecorrente primários foram perdendo mercado. No entanto, existem ainda milhares de disjuntores em operação utilizando relés primários (Mamede Filho, 2011). Os disjuntores projetados para atuar com relés primários possuem mecanismo articulado e não se adaptam com certa facilidade com os relés secundários. Para essas situações, podemos aplicar os relés 39 primários dos tipos fluidodinâmicos, eletromagnéticos e estáticos ou eletrônicos, adotados em subestações de média tensão. Os relés fluidodinâmicos e eletromagnéticos, os seus princípios de atuação se referem à ação de um campo magnético gerado por uma bobina de corrente. Em relação aos princípios de retardo ou temporização, são distintos. A Figura 4 apresenta um gráfico com as curvas A e B, características para as atuações dos relés de proteção do tipo fluidodinâmicos. Figura 4 – Curvas características tempo versus corrente dos relés fluidodinâmicos Fonte: adaptado de Mamede Filho (2011). 40 Conectando à realidade: Situação: Proteção das instalações elétricas em uma cabine primária. Imagine que você está trabalhando em uma fábrica de cimento e, após um longo período de operação, os relés da cabine primária apresentaram problemas de coordenação e falharam diversas vezes em sua atuação. Para elucidar esse caso, é necessário rever os requisitos básicos para aplicação dos relés. Tudo isso com o objetivo de realizar uma ação assertiva no restabelecimento da proteção do sistema elétrico da fábrica de cimento e salvaguardar a integridade das pessoas e dos equipamentos. Com base nos conhecimentos adquiridos na disciplina, você poderá ser capaz de definir qual ação a ser adotada para restabelecer o funcionamento do equipamento para proteção de sobrecorrentes para a instalação da cabine primária, que se trata do relé de proteção. Aplicabilidade: • Nesse caso, aplicar equipamentos de teste e calibração para o relé de proteção que está apresentando a falha em sua coordenação. • Dessa forma, podemos realizar os ajustes na coordenação e as calibrações adequadas para que o relé primário de ação direta possa operar adequadamente e voltar a garantir a confiabilidade, seletividade e sua velocidade de operação. • Assegurar que os testes ocorram de forma regular para que os relés de proteção possam garantir a operação segura e confiável do sistema elétrico. 41 Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14.039: instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Rio de Janeiro: ABNT, 2005. CAMINHA, A. C. Introdução à proteção dos sistemas elétricos. São Paulo: E. Blücher, 1977. MAMEDE FILHO, J.; MAMEDE, D. R. Proteção de sistemas elétricos de potência. Rio de Janeiro: LTC, 2011. PAPENKORT, F. Esquemas elétricos de comando e proteção. 2. ed., rev. e ampl. São Paulo: EPU, 1989. SATO, F.; FREITAS, W. Análise de curto-circuito e princípios de proteção em sistema de energia elétrica: fundamentos e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. SILVA, E. C. Proteção de sistemas elétricos de potência: guia prático de ajustes. 1. ed. Rio de Janeiro: Quality mark, 2014. ZANETTA JR., L. C. Fundamentos de sistemas. 42 Esquemas, diagramas e análise de desempenho de proteção elétrica. Autoria: Eriberto Alvares Leitura crítica: Lílian Venturi Pinheiro Objetivos • Saber aplicar as principais técnicas da proteção utilizadas nos sistemas elétricos de potência e os equipamentos utilizados para este fim. • Conhecer e entender os funcionamentos dos elementos da proteção. • Analisar os critérios e práticas a serem observados nos estudos de proteção para a escolha, dimensionamento e localização dos equipamentos de proteção contra sobrecorrente na rede de distribuição. 43 1. Esquemas e diagramas de proteção elétrica Um esquema de proteção define o desenvolvimento de um planejamento de proteção para a instalação elétrica. Sendo assim, devemos determinar os dispositivos que atuarão, definindo suas configurações e valores de ajustes, de modo que possam responder corretamente às falhas que oportunamente venham a ocorrer no sistema (Mamede Filho, 2011). 1.1 Proteção contra choques elétricos A NBR 5410 (ABNT, 2004) preconiza as proteções mais importantes e que levam às regras de proteção dos componentes, equipamentos, instalações e produtos para evitar os choques elétricos. Essa norma define que os elementos submetidos a tensão elétrica, que chamamos de partes vivas (potencialmente perigosas), devem ser inacessíveis para as pessoas e objetos. Áreas condutivas acessíveis, como, por exemplo, as massas dos elementos dos dispositivos, não devem oferecer risco de contato, que possa ocorrer choque elétrico ou curto-circuito (Mamede Filho, 2011). As proteções implementadas contra os choques elétricos podem ser definidas em dois tipos, conforme abaixo: • Proteção básica: assegura proteção nas condições normais de operação dos sistemas, dispositivos, instalações, produtos, equipamentos, entre outros. • Proteção supletiva: promove uma proteção, caso ocorra uma falha a proteção básica. A proteção básica em atuação com a supletiva é tratada pela NBR 5410 (ABNT, 2004) e se aplica para os componentes, os equipamentos 44 elétricos ou para os projetos das instalações. A equipotencialização de instalações elétricas é uma medida de proteção extremamente importante. Um condutor conectado à terra, em todas as massas (todos os circuitos) assegura a equipotencialização (Mamede Filho, 2011). 1.2 Esquemas de proteção elétrica Antes de tudo, devemos levar em conta as premissas (requisitos) abaixo para a aplicação de um esquema de proteção para a instalação elétrica: • Seletividade: atuação da proteção em separar a parte em falha do circuito. • Confiabilidade: confere confiabilidade de operação para o sistema elétrico. • Sensibilidade: escolhe a faixa de atuação do dispositivo de proteção. • Zonas de atuação: definir se é interna ou externa à zona protegida. • Velocidade: menor velocidade de atuação possível. • Automação: operar automaticamente quando for acionado pelas grandezas que o sensibilizam, e retornar sem a ação humana. 45 Figura 1 – Requisitos para adoção de um esquema de proteção Fonte: elaborada pelo autor. A NBR 5.410 (ABNT 2004) apresenta e define os principais esquemas de alimentação das instalações elétricas de baixa tensão em Corrente Alternada (CA): • Monofásico: dois condutores (fase-neutro ou fase-fase) ou três condutores (duas fases e um neutro). • Bifásico: três condutores (duas fases e um neutro). 46 • Trifásico: três condutores (três fases) ou quatro condutores (três fases e um neutro). Para os sistemas elétricos em Corrente Alternada (CA), a carga e o tipo de instalação, ou seja, sistema monofásico a dois e três condutores e trifásico a três, quatro e cinco condutores (Mamede Filho, 2011). Dessa forma, os esquemas citados se originam pela ligação do circuito em estrela, com o ponto do neutro aterrado nas configurações abaixo: • Quatro condutores: 220 Y / 127 V; 380 Y / 220 V; 440 Y / 254 V; 208 Y/120 V. • Três condutores: 440 V; 380 V; 220 V. • Dois condutores: 127 V; 220 V. A NBR 5410 (ABNT, 2004) utiliza as letras T, I e N, e as letras eventuais S e C na classificação dos esquemas, conforme o sistema de aterramento das instalações, onde: • T:ponto diretamente aterrado (com o “T” na primeira letra, onde a alimentação em relação ao terra). Na segunda letra: as massas são diretamente aterradas (as massas em relação ao terra). • I: na primeira letra–Isolação das partes vivas para o terra ou aterramento por meio de uma impedância (alimentação em relação ao terra). • N: na segunda letra–Massas conectadas diretamente no ponto de alimentação e aterramento no ponto neutro (massas em relação ao terra). • S: funções de neutro e proteção por condutores diferentes. 47 • C: funções de neutro e proteção juntas em apenas um condutor. Para exemplificar a classificação de circuitos para o sistema de aterramento TN, com os tipos TN-S, onde o condutor neutro e o condutor de proteção são distintos, o TN-C, onde as funções de neutro e de proteção são unificadas em um único condutor, e TN-C-S, onde as funcionalidades de neutro e de proteção são unidas em um único condutor em parte do sistema, como podemos observar na Figura 2. O sistema TN determina um ponto aterrado diretamente e as massas conectadas neste mesmo ponto através dos condutores de proteção (Mamede Filho, 2011). Figura 2 – Esquema de ligação TN-C-S Fonte: adaptada de Mamede Filho (2011). Para o sistema TT, a conexão de alimentação da instalação elétrica é aterrada diretamente e as massas são conectadas aos eletrodos, como podemos observar na Figura 3. No caso do sistema IT, não possui ponto de alimentação aterrado diretamente. 48 Figura 3 – Esquema de ligação TT: (a)–massas conectadas a um terra único e (b)–massas ligadas em terras distintos Fonte: adaptada de Mamede Filho (2011). 2. Análise de desempenho das proteções A análise do desempenho das instalações elétricas conduz à melhoria do consumo e dos gastos de energia. O processo passa por conhecer os parâmetros de qualidade de energia, identificar os agentes fiscalizadores, as interrupções mais comuns nos sistemas elétricos, a ciência energética nas instalações elétricas e os dados de consumo (Mamede Filho, 2011). 2.1 Agentes regulatórios e fiscalizadores A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) é responsável pela regulação, fiscalização, processo tarifário, políticas e regras para exploração de energia elétrica e órgão conciliador da transmissão, distribuição e comercialização de energia e o consumidor final. A ANEEL determina os padrões de qualidade do atendimento e de segurança dos serviços de energia. Por meio de indicadores sobre disponibilidade do sistema de transmissão, se definem as regras para determinar a qualidade da transmissão. 49 Interrupções e indicadores de qualidade As principais falhas recorrentes nos sistemas elétricos são os curtos- circuitos e sobrecargas. A análise dessas falhas permite a atuação efetiva para evitar a interrupção do sistema elétrico ou reduzir o tempo para retomar o sistema, pois é uma ferramenta para a melhoria dos índices de qualidade dos agentes de energia elétrica. Na Figura 4, podemos observar um exemplo dos elementos que compõem o sistema elétrico brasileiro, da direita para a esquerda, onde temos o sistema de geração, a transmissão e a distribuição para os clientes, que também podem ser micro ou minigeradores (solar). Figura 4 – Sistema elétrico brasileiro Fonte: Shutterstock.com. Os elementos do sistema elétrico acompanham e avaliam atentamente todas as interrupções e o máximo de dados obtidos dos eventos dos sistemas é usado no planejamento operacional para melhoria da qualidade do fornecimento de energia elétrica (Mamede Filho, 2011). 50 O clima é um dos principais agentes de interrupção, portanto, as interrupções variam conforme as estações do ano. Os principais dados das interrupções são classificados por sua origem, causa e duração (Mamede Filho, 2011), onde: 68% ocorrem na geração; 10% na transmissão e 7% na subestação; 48% surgem por fenômenos naturais; 12% por falhas em equipamentos e 9% por erros humanos; e 57% têm duração entre um a três minutos. Sendo que 21% duram cerca de três a quinze minutos. O controle dos dados das interrupções evita as elevações dos custos financeiros (perda de faturamento pela distribuidora) e sociais (gerando custos para o cliente final). 3. Proteção, equipamentos de controle e automação de processos Além dos sistemas produtivos industriais, os sistemas elétricos também usam a automação para gerenciar as subestações, através de unidades de aquisição e controle de dados (Mamede Filho, 2011). 3.1 Controle de processos e sistemas Automatizar um processo promove confiabilidade, produtividade, qualidade e flexibilidade. O processo automatizado determina a melhor ação a ser executada, partindo de um modelo matemático que define as características do sistema que precisa ser automatizado. Na Figura 5, podemos observar a representação em diagrama de blocos de um sistema de automação. 51 Figura 5 – Sistema de automação em diagrama de blocos Fonte: elaborada pelo autor. 3.2 Automação na proteção de sistemas elétricos As informações de um processo são recebidas pelas Unidades de Aquisição de Dados (UAD). Assim, o sistema de controle envia mensagens para acionar a UAD. As UAD podem ser Unidades de Aquisição de Dados e Controle (UADC) ou Unidades Dedicadas (UD). Os Controladores Programáveis (CP) e as Unidades Terminais Remotas (UTR) atuam como UADC. Com a automação cada vez mais crescente dos sistemas elétricos industriais e de potência, os relés digitais passaram a ser elementos obrigatórios nos esquemas de proteção. Os relés digitais, sistemas de intertravamento e oscilografia, que são dispositivos que disponibilizam informações adquiridas do sistema em monitor ou papel, são tipos de UD. Os CP controlam as ações de equipamentos, por meio da aquisição de dados por meios analógicos e digitais (entradas e saídas). 52 As entradas analógicas recebem dados do processo relacionados a tensão, corrente e frequência, por exemplo, no caso de controle de sistemas elétricos. As saídas analógicas atuam sobre sistemas de controle de velocidade ou medidores de energia. As entradas digitais recebem o estado em que os dispositivos como disjuntores, por exemplo, estão abertos ou fechados. Já as saídas digitais, mudam os estados dos equipamentos, agindo sobre a abertura ou fechamento (Mamede Filho, 2011). O sistema Supervisory Control and Data Acquisition (SCADA) é o mais conhecido sistema de controle, supervisão e aquisição de dados usado em fábricas, automação e instalações de geração de energia, por exemplo. Conectando à realidade: Situação: Automação da proteção nas instalações elétricas em uma indústria. Você contratado(a) para atuar na gestão de uma planta industrial, na busca da melhoria do consumo de energia elétrica. Nesse cenário, muitos dados podem ser adquiridos em uma subestação ou mesmo diretamente na planta industrial. A automação e o controle de sistemas têm um papel relevante na melhoria contínua dos processos de produção industriais, permitindo o planejamento das ações e a modelagem de processos simples ou complexos, seja na produção ou na proteção de sistemas elétricos de potência. Tudo isso com o objetivo de realizar uma ação de melhoria com a implementação de processos automatizados na proteção do sistema elétricos de sua indústria. Com base nos conhecimentos adquiridos 53 na disciplina, você poderá ser capaz de definir quais os equipamentos de automação a serem utilizados? Além disso, quais informações você buscaria medir e adquirir para usar essa energia de forma mais racional, com a melhor proteção do sistema elétrico? Aplicabilidade: • Nesse caso, poderão ser utilizados: Sistema de automação (SCADA), controladores lógicos (CP), transdutores e equipamentos de aquisição de dados, tais como: Unidades de Aquisição de Dados (UAD), Unidades de Aquisição de Dados e Controle (UADC), Unidades Dedicadas (UD) e Unidades Terminais Remotas (UTR). • As principais medidas elétricas que devem ser adquiridas são osvalores de: tensão e corrente eficaz, potência ativa, reativa e aparente, consumo de energia ativa e reativa, temperatura, rotação e resistência elétrica. Referências CAMINHA, A. C. Introdução à proteção dos sistemas elétricos. São Paulo: E. Blücher, 1977. MAMEDE FILHO, J.; MAMEDE, D. R. Proteção de sistemas elétricos de potência. Rio de Janeiro: LTC, 2011. PAPENKORT, F. Esquemas elétricos de comando e proteção. 2. ed., rev. e ampl. São Paulo: EPU, 1989. SATO, F.; FREITAS, W. Análise de curto-circuito e princípios de proteção em sistema de energia elétrica: fundamentos e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. SILVA, E. C. Proteção de sistemas elétricos de potência: guia prático de ajustes. 1. ed. Rio de Janeiro: Quality mark, 2014. ZANETTA JR., L. C. Fundamentos de sistemas 54 Sumário Apresentação da disciplina Componentes de instalações elétricas, condutores elétricos, aterramento e correção do fator de potên Objetivos 1. Componentes de instalações elétricas e os condutores elétricos 2. Sistemas de aterramento 3. Correção do fator de potência Referências Filosofia geral, requisitos básicos e dispositivos principais em sistemas de proteção Objetivos 1. Filosofia geral e requisitos básicos em sistemas de proteção 2. Fusíveis e religadores 3. Relés de proteção Referências Aplicações dos Relés em Sistemas de Potência Objetivos 1. Aplicações específicas dos relés em sistemas de potência 2. Relés térmicos e de proteção de fase 3. Relés de proteção de média tensão (cabines primárias) Referências Esquemas, diagramas e análise de desempenho de proteção elétrica. Objetivos 1. Esquemas e diagramas de proteção elétrica 2. Análise de desempenho das proteções 3. Proteção, equipamentos de controle e automação de processos Referências